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3.5 Sistema de Abastecimento de Água e Solução Alternativa

O documento aborda a importância da concepção e implementação de sistemas de abastecimento de água, destacando a necessidade de estudos para garantir a qualidade e eficiência do abastecimento em áreas urbanas e periféricas. Ele classifica o consumo de água em categorias como doméstico, comercial, industrial e público, além de discutir fatores que influenciam o consumo e a importância de minimizar perdas e desperdícios. O estudo populacional e a previsão de crescimento são fundamentais para o dimensionamento adequado do sistema de abastecimento de água.

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3.5 Sistema de Abastecimento de Água e Solução Alternativa

O documento aborda a importância da concepção e implementação de sistemas de abastecimento de água, destacando a necessidade de estudos para garantir a qualidade e eficiência do abastecimento em áreas urbanas e periféricas. Ele classifica o consumo de água em categorias como doméstico, comercial, industrial e público, além de discutir fatores que influenciam o consumo e a importância de minimizar perdas e desperdícios. O estudo populacional e a previsão de crescimento são fundamentais para o dimensionamento adequado do sistema de abastecimento de água.

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3.

5 Sistema de abastecimento de água e solução alternativa


Para que a água chegue ao seu destino, seja para abastecer individualmente uma família, seja
uma comunidade, são necessários estudos e procedimentos que resultem na construção de um sistema
ou de uma solução alternativa de abastecimento de água.
Em se tratando de centros urbanizados, a solução mais econômica e definitiva é a implantação
de um sistema de abastecimento de água. Sob o ponto de vista sanitário, essa solução coletiva é a
mais indicada, por ser mais eficiente no controle dos mananciais e da qualidade da água distribuída à
população. Não obstante, as soluções individuais para as áreas periféricas não devem ser desprezadas,
principalmente em situações pontuais, enquanto se aguardam soluções definitivas.

3.5.1 Concepção

Entende-se por concepção o conjunto de estudos e conclusões referentes ao estabelecimento de todas


as diretrizes, os parâmetros e as definições necessárias e suficientes para a caracterização completa do sistema
de abastecimento de água que se pretende projetar. A concepção é elaborada na fase inicial do projeto,
com estudo de arranjos, sob os pontos de vista qualitativo e quantitativo, das diferentes partes do sistema,
organizadas de modo a formarem um todo integrado para a escolha da concepção básica.
O estudo mais aprofundado dos dados pode conduzir a mais de uma solução. Nessa etapa é
possível analisar, dentre as alternativas, aquela considerada mais viável, baseada em critérios sociais,
econômico-financeiros, institucionais, ambientais e de disponibilidade de infraestrutura.
Dentre os diversos fatores que podem condicionar a escolha da alternativa apropriada para o
abastecimento de água, cita-se: porte da localidade a ser atendida; densidade demográfica; definição
do manancial; topografia; características geológicas e geotécnicas; instalações existentes; energia
elétrica; recursos humanos; condições econômico-financeiras.

3.5.2 Consumo de água

O homem precisa de água com qualidade satisfatória e em quantidade suficiente para satisfazer às
suas necessidades de alimentação, higiene e outros usos, sendo um princípio considerar a quantidade
de água, do ponto de vista sanitário, de grande importância no controle e na prevenção de doenças.
Tradicionalmente se classifica o consumo de água num sistema público de abastecimento em
quatro grandes categorias: doméstico, comercial, industrial e público.

[Link] Consumo doméstico ou residencial

Corresponde à utilização de água na residência, na área interna e externa da habitação. Considera-se


como consumo doméstico a água usada para ingestão, higiene pessoal, preparo de alimentos, lavagem
de roupa, lavagem de utensílios domésticos, descarga de vasos sanitários, higiene e limpeza em geral da
moradia, rega de jardins, uso com animais de estimação, piscinas, lavagem de veículos, entre outros.
O consumo de água em uma habitação depende de um grande número de fatores, que podem
ser agrupados em seis classes:
• Características climatológicas do local – temperatura e umidade relativa do ar, intensidade
e frequência de precipitação da chuva.
• Renda familiar.
• Características da habitação – área do terreno, área construída do imóvel, número de habitantes.
• Características do abastecimento de água – pressão na rede, qualidade da água.
• Forma de gerenciamento do sistema de abastecimento – micromedição, tarifas.
• Características culturais da comunidade.

Manual de Saneamento
59
[Link] Consumo comercial

Diversas são as atividades comerciais que utilizam a água. O consumo nessa categoria é
bastante heterogêneo e depende geralmente do tipo e do porte do comércio, como: bares, padarias,
restaurantes, lanchonetes, hospitais, hotéis, postos de gasolina, lava-rápidos, clubes, lojas, prédios
comerciais, shopping centers, entre outros.

[Link] Consumo industrial

O consumo da categoria industrial também é bastante heterogêneo, podendo variar de pequenas


indústrias artesanais até grandes consumidores de água, como as indústrias de bebida. O uso da água
em uma instalação industrial pode ser classificado em cinco categorias:
• Uso humano – refere-se ao banheiro, ao banho e à alimentação (inclusive lavagem de
utensílios), de modo que esse consumo depende essencialmente do número de funcionários
e do seu regime de trabalho.
• Uso doméstico – considera-se a água utilizada em limpeza geral e manutenção da área do
estabelecimento, e, em alguns casos, a água utilizada em utilidades (torre de resfriamento,
equipamento para irrigação e outros).
• Água incorporada ao produto – como exemplo de água incorporada ao produto, pode-se
citar a água incorporada a xampus e outros produtos de higiene pessoal, água incorporada
a bebidas e água incorporada a alimentos.
• Água utilizada no processo de produção – para os casos de água utilizada no processo de
produção e não incorporada ao produto, tem-se água para geração de vapor, água para
refrigeração, água para preparação de argamassa de cimento, água para lavagem de roupas
em lavanderias, entre outros.
• Água perdida ou para usos não rotineiros – considera-se o consumo ocorrido sem relação
com a atividade de produção da empresa, como: água para incêndio, água para lavagem
de reservatórios, água perdida por vazamentos e para usos não identificados.

[Link] Consumo público

Consta desta classificação a parcela de água utilizada na irrigação de parques e jardins, lavagem
de ruas e passeios, edifícios e sanitários de uso público, fontes ornamentais, piscinas públicas, chafarizes
e torneiras públicas, combate a incêndios, limpeza de coletores de esgotos, entre outros. De um modo
geral, os consumos públicos são de difícil mensuração e cada caso deve ser particularmente estudado.

[Link] Perdas e desperdícios

Mesmo havendo disponibilidade de água para atender às demandas e às exigências legais,


é uma obrigação ética dos responsáveis pelas instalações de abastecimento de água garantir que
esse uso seja equilibrado, ou seja, que seja utilizada a quantidade estritamente necessária, sem usos
supérfluos. Para tanto, duas parcelas do conjunto de usos da água devem ser minimizadas: as perdas
e os desperdícios.
A diferença de água que entra no sistema e o consumo autorizado, ou seja, toda a água que é
captada ou importada que não foi fornecida para os usuários diversos de forma autorizada, exportada
ou utilizada no combate a incêndios, é perda. É dividida em perdas reais e perdas aparentes.
As perdas reais são as perdas físicas de água que ocorrem desde o momento da retirada do
manancial, ou importada, até a ligação predial. Estão incluídas nesse conceito as perdas na distribuição.
As perdas aparentes são aquelas associadas às imprecisões de medição e ao consumo não autorizado.

60 Fundação Nacional de Saúde


O conjunto das perdas eleva sobremaneira os custos com energia elétrica, insumos para o
tratamento, mão de obra, indenizações, aumenta a produção de esgoto doméstico, provoca paradas
do sistema para manutenção, piora a qualidade do serviço ao usuário, põe em risco a saúde pública
e afeta diretamente a disponibilidade do recurso hídrico para os diversos usos e manutenção do equi-
líbrio ecológico do meio, bem como resulta em perdas de receitas operacionais e em desequilíbrio
financeiro do prestador de serviço.
Os desperdícios, que ocorrem no interior das instalações prediais, podem ser combatidos por
campanhas educativas, por modelos tarifários que punem os consumos elevados e pela adoção de
equipamentos sanitários de baixo consumo, como caixas de descarga de volume reduzido e lavatórios
acionados com temporizadores.

[Link] Consumo per capita

O consumo médio de água por pessoa por dia, ou consumo per capita, corresponde à média
dos volumes diários, consumidos no período mínimo de um ano. É expresso geralmente em litros por
habitante por dia (l/[Link]).
Em sistemas de abastecimento de água, o consumo per capita, além de considerar os consumos
doméstico, comercial, público e industrial, deve prever as perdas no sistema. Os valores das deman-
das de água, adotados para dimensionamento do sistema de abastecimento, devem ser baseados em
condições locais, considerando-se o consumo das ligações medidas e não medidas e o volume de
perdas no sistema.

[Link].1 Com medição

No caso de comunidade que conte com sistema público de abastecimento de água, as demandas
devem ser determinadas por meio de dados de operação do próprio sistema. Os estabelecimentos
residenciais, comerciais e públicos devem ter seus consumos avaliados com base no histórico das
economias medidas e por intermédio de uma estimativa de consumo para as economias não medi-
das, cujos critérios devem ser fixados de comum acordo com as entidades intervenientes. Inexistindo
meios para determinar os consumos, as demandas devem ser definidas com base em dados de outras
comunidades com características análogas à comunidade em estudo.
A previsão do consumo de água é um dos fatores de fundamental importância para o projeto,
o planejamento e o gerenciamento do sistema de abastecimento de água, uma vez que a operação
dos sistemas e as suas ampliações e/ou melhorias estão diretamente associadas à demanda de água.
Os dimensionamentos das tubulações, das estruturas e dos equipamentos são realizados em
função das vazões de água, que, por sua vez, dependem do consumo médio por habitante, da estima-
tiva do número de habitantes, das variações de demanda e de outros consumos que podem ocorrer
na área em estudo.

[Link].2 Sem medição

Para uma população a abastecer-se ou abastecida sem ligações domiciliares, não existem parâ-
metros determinados para consumo per capita; entretanto, a depender do caso e do tipo da solução
provisória proposta, pode-se adotar os consumos descritos na Tabela 3.

Manual de Saneamento
61
Tabela 3 – Consumo médio per capita para populações desprovidas
de ligações domiciliares.

Consumo médio
Situação
per capita (L/[Link])

Abastecida somente com torneiras públicas ou chafarizes 30 a 50

Além de torneiras públicas e chafarizes, possuem lavanderias públicas 40 a 80

Abastecidas com torneiras públicas e chafarizes, lavanderias 60 a 100


públicas e sanitário ou banheiro público

Abastecida por cisterna 14 a 28

Para comunidades ainda não providas de sistema de abastecimento de água (com ligações
domiciliares) e nas quais, por algum motivo, não foi possível determinar o consumo per capita a ser
utilizado no projeto, prevendo-se a distribuição por ligações domiciliares, pode-se usar como referência
a Tabela 4, que apresenta valores para o consumo per capita em função da população.

Tabela 4 – Consumo médio per capita para populações dotadas de ligações domiciliares.

Faixa de população Consumo médio per


Porte da comunidade
(habitantes) capita (L/[Link])

Povoado rural < 5.000 90 a 140

Vila 5.000 a 10.000 100 a 160

Pequena localidade 10.000 a 50.000 110 a 180

Cidade média 50.000 a 250.000 120 a 220

Cidade grande > 250.000 150 a 300

[Link] Variações de consumo

Os fatores que afetam o consumo de água citados anteriormente promovem variações de consumo
significativas, que podem ser anuais, mensais, diárias, horárias e instantâneas. No projeto do sistema
de abastecimento de água, algumas dessas variações de consumo são levadas em consideração no
cálculo do volume a ser consumido. São elas:
• Variações anuais – o consumo per capita tende a aumentar com o passar do tempo e com
o crescimento populacional.
• Variações mensais – as variações climáticas promovem uma variação mensal do consumo.
Quanto mais quente e seco for o clima, maior tende a ser o consumo verificado.
• Variações diárias – ao longo do ano, haverá um dia em que se verifica o maior consumo.
É utilizado o coeficiente do dia de maior consumo (k1), que é obtido da relação entre o
máximo consumo diário verificado no período de um ano e o consumo médio diário.
O valor usualmente adotado por norma no Brasil para k1 é 1,20.
• Variações horárias – ao longo do dia, têm-se valores distintos de “picos” de vazões horárias.
Entretanto, haverá uma determinada hora do dia em que a vazão de consumo será máxima.
É utilizado o coeficiente da hora de maior consumo (k2), que é a relação entre o máximo
consumo horário verificado no dia de maior consumo e o consumo médio horário do dia

62 Fundação Nacional de Saúde


de maior consumo. O consumo é maior nos horários de refeições e menores no início da
madrugada. O coeficiente k1 é utilizado no cálculo de todas as unidades do sistema, enquanto
k2 é usado no dimensionamento da rede de distribuição. O valor usualmente adotado por
norma no Brasil para k2 é 1,50.

3.5.3 Estudo da população

O estudo populacional é importante por influir diretamente no dimensionamento de um projeto


de sistema de abastecimento de água. Conforme o caso, a população de estudo pode ser dividida em:
• População residente – formada pelas pessoas que têm o domicílio como residência habitual.
• População flutuante – proveniente de outras comunidades, transfere-se ocasionalmente para
a área considerada, impondo ao sistema de abastecimento de água consumo unitário similar
ao da população residente. A população flutuante é relevante na caracterização do consumo
e deve ser estimada no planejamento e projeto do sistema de abastecimento de água.
• População temporária – proveniente de outras comunidades ou de outras áreas da comunidade
em estudo, transfere-se para a área abastecível, impondo ao sistema consumo unitário inferior
ao atribuído à população, enquanto presente na área, e em função das atividades que aí exerce.

[Link] Alcance do projeto

Uma instalação para abastecimento de água deve estar preparada para suprir um conjunto amplo
e diferenciado de demandas. Assim, o dimensionamento racional de cada uma de suas unidades deve
considerar o período futuro de alcance do sistema, e não apenas a realidade presente. A esse período
de tempo, chama-se de período do projeto ou alcance do projeto, ou, ainda, horizonte do projeto.
A definição do alcance do projeto é uma questão de grande importância, pois, sob o ponto de
vista econômico, diferentes alcances podem determinar diferentes desempenhos financeiros, ou seja,
quanto maior for o alcance do projeto, maior tende a ser o custo da obra.
O alcance pode ser previsto de uma maneira global ou individualizado por unidade do sistema,
e, a depender dos estudos e do porte do empreendimento, costuma situar-se na faixa entre dez e 30
anos, sendo comum adotar-se o período de 20 anos.

[Link] Previsão de crescimento populacional

Diversos são os métodos aplicáveis no estudo demográfico, destacando-se: método dos com-
ponentes demográficos, métodos matemáticos e método de extrapolação gráfica. O método dos
componentes demográficos considera variáveis como fecundidade, mortalidade e migração, no qual
são formuladas hipóteses de comportamento futuro. Nos métodos matemáticos a previsão da popu-
lação é estabelecida por meio de equação, com parâmetros obtidos a partir de dados conhecidos.
O método de extrapolação gráfica consiste no traçado de uma curva arbitrária, que se ajusta aos dados
já observados, de populações de outras comunidades com características semelhantes às do estudo,
mas que tenham uma população maior.
Os métodos matemáticos são bastante utilizados em simulações de previsões populacionais em
projetos de saneamento. A Tabela 5 traz as equações aplicáveis aos métodos matemáticos aritmético,
geométrico e da curva logística. É importante destacar que, independentemente do método escolhido,
os resultados da projeção populacional devem ser coerentes com a densidade populacional da área
em questão (atual, futura ou de saturação).
O método aritmético pressupõe uma taxa de crescimento constante para os anos que se seguem,
a partir de dados populacionais conhecidos. Admite que a população varie linearmente com o tempo
e pode ser utilizado para a previsão de um período pequeno de um a cinco anos. Para previsão por

Manual de Saneamento
63
período muito longo, torna-se acentuada a discrepância com a realidade histórica, uma vez que o
crescimento é pressuposto ilimitado.
O método geométrico considera o crescimento populacional função da população de cada
instante, e também é utilizado para estimativas de menor prazo.
No método da curva logística, o crescimento populacional segue uma relação que estabelece
uma curva em forma de “S”. A população tende assintoticamente a um valor de saturação.

Tabela 5 – Métodos matemáticos utilizados na projeção populacional.

Método Fórmula da projeção Coeficiente

P2 – P0
Projeção aritmética Pt = P0 + Ka . (t – t0) Ka =
t2 – t 0

lnP2 – lnP0
Pt = P0 . eKg . (t – t0) Kg =
Projeção geométrica ou t2 – t 0
Pt = P0 . (1 + i)(t – t0) ou
i = ekg – 1

2 . P0 . P1 . P2 – P12 .(P0 + P2)


Ps =
P0 . P2 – P12
Ps
Crescimento logístico Pt = c = (Ps – P2) / P0
1 + c . ek1 – (t – t0)
1 P0 . (Ps – P1)
K1 = . ln [ ]
t 2 – t1 P1 . (Ps – P0)

Fonte: Adaptado de Heller e Pádua, 2006.

Onde:
P0, P1, P2 = populações nos anos t0, t1, t2.
Pt = população estimada no ano 1 (hab).
Ps = população de saturação (hab).
Ka, Kg, K1, i, c = coeficientes.
Exemplo 1 – Calcular a população de uma cidade para os anos 2020 e 2030, utilizando os
métodos de previsão populacional aritmético, geométrico e curva logística, considerando as seguintes
populações dos anos descritos a seguir:
t0 = 1990 P0= 10.585 hab
t1 = 2000 P1= 23.150 hab
t2 = 2010 P2= 40.000 hab

64 Fundação Nacional de Saúde


a) Projeção aritmética.
P 2 - P0 40000 - 10585
Ka = = = 1470,75
t 2 - t0 2010 - 1990

População para 2020 (t = 2020)


Pt = P0 + Ka . (t - t0) = 10585 + 1470,75 . (2020 - 1990) = 54.707 hab
População para 2030 (t = 2030)
Pt = P0 + Ka . (t - t0) = 10585 + 1470,75 . (2030 - 1990) = 69.415 hab
b) Projeção geométrica.
lnP2 - lnP0 ln 40000 - ln 10585
Kg = = = 0,0665
t2 - t0 2010 - 1990

População para 2020 (t = 2020)


Pt = P0 . eKg . (t - t0) = 10585 . e0,0665 . (2020 - 1990) = 77.758 hab
População para 2030 (t = 2030)
Pt = P0 . eKg . (t - t0) = 10585 . e0,0665 . (2030 - 1990) = 151.326 hab
c) Projeção da curva logística.
2 . P1 . P2 - P12 . (P0 + P2)
Ps =
P0 . P2 - P12

2 . 10585 . 23150 . 40000 - 231502 . (10585 + 40000)


Ps = = 66709
10585 . 40000 - 231502

P s - P2 (66709 - 40000)
c= = = 2,5233
P0 10585

1 P0 . (Ps - P1) 1 10585 . (66709 - 23150)


K1 = . ln = . ln = -0,1036
t 2 - t1 P1 . (Ps - P0) 2000 - 1990 23150 . (66709 - 10585)

População para 2020 (t = 2020)


Ps 66709
Pt = = = 59.949 hab
1 + c . ek1 . (t - t0) 1 + 5,3022 . e-0,1036 . (2020 - 1990)

População para 2030 (t = 2030)


Ps 66709
Pt = = = 64.142 hab
1 + c . ek1 . (t - t0) 1 + 5,3022 . e-0,1036 . (2030 - 1990)

3.5.4 Mananciais

Mananciais são reservas hídricas ou fontes utilizadas no abastecimento de água. De maneira


geral, quanto à origem, podem ser classificados em manancial superficial e subterrâneo.

Manual de Saneamento
65
As águas meteóricas na forma de chuva, neve, granizo, neblina e orvalho, podem ser aproveitadas
como fonte de abastecimento, mas necessitam de uma superfície para sua captação.

[Link] Manancial superficial

As águas que escoam e acumulam-se na superfície da Terra podem vir a constituir um manancial
para um sistema de abastecimento de água. Um manancial de superfície ou superficial compreende as
águas doces dos córregos, ribeirões, rios, lagos e reservatórios artificiais, como açudes e lagos represados.
As águas oceânicas podem, em situações bastante especiais, constituírem mananciais de super-
fície. São utilizadas geralmente em regiões em que a água doce é escassa ou de difícil acesso, como
países do Oriente Médio, da Austrália e do Caribe, e também em navios transatlânticos e submarinos.
Nesses casos, a água doce é obtida por meio de processos de dessalinização, em que o principal
problema das tecnologias empregadas em grande escala na sua produção é conseguir diminuir o custo
final, pois, tipicamente, consome grande quantidade de energia e depende de plantas de produção
caras e específicas. Portanto, é sempre mais cara em relação à água doce de rios ou subterrânea.

[Link] Manancial subterrâneo

São os mananciais que se encontram abaixo da superfície terrestre, compreendendo os aquí-


feros (lençóis) freáticos e profundos, tendo sua captação feita pelos poços rasos ou profundos, poços
escavados ou tubulares, galerias de infiltração, barragens subterrâneas ou pelo aproveitamento das
nascentes (fontes de encosta).

[Link] Aproveitamento das águas meteóricas

As águas meteóricas são aquelas encontradas na atmosfera em quaisquer de seus estados físicos.
Ao precipitar na forma de chuva, neve, granizo e orvalho, podem ser aproveitados para o consumo.
As águas de chuva são as mais usualmente aproveitadas e serão melhor abordadas no item
captação de água de chuva; entretanto, existem diversos estudos para o aproveitamento de água a
partir da umidade do ar na forma de neblina e orvalho.
O aproveitamento de água contida em neblina ou névoa tem sido estudado, avaliado e aplicado
em diferentes partes do mundo, como Colômbia, Chile, Equador, Croácia, Espanha, Namíbia, Cabo
Verde, África do Sul, entre outros. Trata-se de uma tecnologia sustentável e de baixo custo, geralmente
empregada em lugares com pouca precipitação e situados nas cercanias de grandes massas de água
que fornecem evaporação maciça necessária para a formação de nuvens, ou seja, lagos ou oceanos.
A coleta é realizada por meio de uma malha plástica, suspensa e orientada perpendicularmente
ao fluxo do vento. Quando as gotas de água em suspensão, que formam a neblina, chocam-se com
o tecido dessa malha, sofrem uma alteração na energia superficial que promove a formação de gotí-
culas maiores, que aderem, aglutinam e escorrem pela malha, e, por tubulação, são conduzidas ao
armazenamento, facilitando o seu aproveitamento.

[Link] Escolha do manancial

Na implantação de um sistema de abastecimento de água, a escolha do manancial constitui-se


na decisão mais importante. Para sua seleção, deve-se considerar todos os mananciais que apresentem
condições sanitárias satisfatórias e que, isolados ou agrupados, tenham vazão suficiente para atender à
demanda máxima prevista para o alcance do plano. Portanto, essa seleção deve ser realizada mediante
estudos técnicos, econômicos e ambientais, comparando-se as diversas alternativas viáveis.
Havendo mais de uma opção, sua definição deverá levar em conta, além da pré-disposição da
comunidade em aceitar as águas do manancial a ser adotado, os seguintes critérios:

66 Fundação Nacional de Saúde


• 1º critério – previamente é indispensável a realização de análises de componentes orgânicos,
inorgânicos e bacteriológicos das águas do manancial, para verificação dos teores de subs-
tâncias prejudiciais.
• 2º critério – vazão mínima do manancial, necessária para atender à demanda por um
determinado período de anos.
• 3º critério – mananciais que exigem apenas desinfecção: incluem as águas subterrâneas.
• 4º critério – mananciais que exigem tratamento simplificado: compreendem as águas de
mananciais protegidos, com baixos teores de cor e turbidez, passíveis apenas de filtração
e desinfecção.
• 5º critério – mananciais que exigem tratamento convencional: compreendem basicamente
as águas de superfície, com turbidez elevada, que requerem tratamento com coagulação,
floculação, decantação, filtração e desinfecção.

[Link] Medições de vazão

A vazão corresponde ao volume de água que escoa por uma determinada seção de um conduto
aberto ou fechado na unidade de tempo. Pode ser expressa em várias unidades, como metro cúbico
por hora (m3/h), metro cúbico por segundo (m3/s), litros por segundo (l/s), litros por minuto (l/min),
litros por hora (l/h) e litros por dia (l/d):

Volume
Q= (01)
Tempo

A vazão aproximada de uma corrente do tipo médio pode ser determinada por meio do conhe-
cimento da velocidade da água e da área da seção transversal de um trecho da veia líquida. Pode ser
representada pela equação da continuidade:
Q=A.V (02)
Onde:
Q = vazão (m3/s).
A = área da seção de escoamento (m2).
V = velocidade média na seção (m/s).
A velocidade corresponde à distância percorrida por um corpo num determinado intervalo de tempo.

Distância percorrida
V= (03)
Tempo

[Link].1 Em fontes de encostas

O método mais simples para medição de vazão em fonte de encosta consiste em canalizar água
para uma única saída, e, por meio de um tubo, recolher a água em um recipiente de volume conhe-
cido (tambor, barril, balde etc.) e medir o tempo necessário para encher completamente o recipiente.
Exemplo 2 – Determinar a vazão de uma fonte que enche completamente um tambor de
200 litros em 50 segundos.

Volume 200 l
Q= = = 4,0 l/s
Tempo 50s

Manual de Saneamento
67
[Link].2 Em córregos
Existem diversos métodos de medição de vazão em rios e córregos, sejam diretos, sejam indi-
retos (convencionais e não convencionais). Podem compreender desde um simples objeto lançado
na água para permitir a estimativa da velocidade percorrida por ele em uma determinada distância,
até métodos mais precisos, como molinetes, doppler acústico (ADCP – Automatic Doppler Current
Profiler), e, em casos mais específicos, por satélites.
a) Método prático com flutuador.
Esse método prático, porém pouco preciso, inicia-se com a determinação da velocidade, soltan-
do-se um flutuador (rolha de cortiça, bola de borracha, pedaço de madeira, entre outros) para percorrer,
na linha média da corrente, dois pontos de referência (A e B) com distância conhecida, marcando-se o
tempo gasto nesse percurso. Para determinação prática da seção transversal de um córrego ao longo de
um trecho aproximadamente constante, escolhe-se uma seção (F-F) intermediária entre os pontos A e B e
determina-se a largura que a corrente aí apresenta. Procede-se a uma sondagem ao longo da seção (F-F),
utilizando-se varas, paus, ou escala graduada, determinando-se a média dessa profundidade (Figura 2).
Calcula-se a área da seção como se fosse retângulo, multiplicando-se a largura pela profundidade.
Exemplo 3 – Determine a vazão do córrego sabendo-se que um flutuador de isopor leva 20 segundos
para percorre 10 metros de distância (entre os pontos A e B), até alcançar a seção transversal de estudo, com
4,00 metros de largura, em que foram encontrados as seguintes profundidades: 1,00 m, 1,20 m e 0,80 m.
Passo 1 – Determinação da velocidade.

Distância percorrida 10m


V= = = 0,50 m/s
Tempo 20s
Passo 2 – Determinação da área da seção transversal do córrego.
L = 4,00 m (largura da seção transversal).

1,00 + 1,20 + 0,80


Profundidade média = = 1,00 m
3

A área média da seção transversal, A = 4,00 m x 1,00 m = 4,00 m2.


Passo 3 – Determinação da vazão.
Q = A .V = 4,00 m2 . 0,50 m/s
Q = 2,00 m3/s ou Q = 2.000 l/s

(A) (B)

Figura 2 – Planta (A) e seção transversal de córrego (B).


Fonte: Adaptado de Usaid, 1961.

68 Fundação Nacional de Saúde


b) Método com aplicação do vertedor de madeira.
Vertedores ou vertedouros são dispositivos utilizados para medir e/ou controlar a vazão em
escoamento por um canal. Aplica-se em canais de irrigação, estações de tratamento de água e esgo-
tos, barragens, medição de vazão em córregos, entre outros. As formas geométricas mais comuns
da abertura de vertedouros são retangulares, triangulares, trapezoidais, circulares e parabólicas. Os
principais elementos de um vertedor são:
• Soleira: parte superior da parede em que há contato com a lâmina vertente.
• Carga sobre a soleira (h): distância vertical entre o nível da soleira e o nível d’água a mon-
tante, aproximadamente igual a seis vezes a carga. No geral, a uma distância de 1,50 m.
• Altura do vertedor (P): diferença de nível entre a soleira e o fundo do canal de chegada.
• Largura da soleira (L): dimensão da soleira por meio da qual há o escoamento.
• Largura do vertedor (B), largura da lâmina líquida ou do nível d’água (b) e bordas laterais (a).
A Tabela 6 mostra as principais formas e características dos vertedouros com paredes finas.

Tabela 6 – Principais formas e características dos vertedouros.

Vertedouro Fórmula Desenho

Q = 1,838.L.h3/2
Retangular
(Fórmula de Francis)

Q = 1,4.h5/2
Triangular
(Fórmula de Thompson)

Q = 1,86.L.h3/2
Trapezoidal
(Fórmula de Cipolletti)

Um método prático para medição de vazão em correntes líquidas com até 3,00m de largura,
consiste na instalação de um vertedouro de seção triangular perpendicularmente ao fluxo corrente,
barrando-a e obrigando a passagem da água através da seção. Em um dos lados do vertedouro coloca-se
uma escala graduada em centímetros, na qual se faz a leitura do nível alcançado pela água (Figura
3). Para determinação da vazão da corrente, toma-se a leitura na escala graduada e a fórmula para
cálculo de vazão em vertedouro triangular.

Manual de Saneamento
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