0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações9 páginas

Figura 6: - Exemplo Da Utilização de Rochas e Minerais No Domicílio

O documento aborda a composição e classificação das rochas, destacando os tipos magmáticas, sedimentares e metamórficas, além de discutir o ciclo das rochas e a formação do solo. Também menciona a erosão e poluição do solo, suas causas e consequências, e descreve a atmosfera, suas camadas e a importância da composição gasosa para a vida na Terra. Por fim, o texto destaca a relevância dos ventos e suas interações com o meio ambiente.

Enviado por

iiss4
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações9 páginas

Figura 6: - Exemplo Da Utilização de Rochas e Minerais No Domicílio

O documento aborda a composição e classificação das rochas, destacando os tipos magmáticas, sedimentares e metamórficas, além de discutir o ciclo das rochas e a formação do solo. Também menciona a erosão e poluição do solo, suas causas e consequências, e descreve a atmosfera, suas camadas e a importância da composição gasosa para a vida na Terra. Por fim, o texto destaca a relevância dos ventos e suas interações com o meio ambiente.

Enviado por

iiss4
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

17

12
21 18
19

08 24

23
11
03
02 10

15

01 20

04 16 09 07 06 22 15 13 14 25
05

01 - Tijolo Argila - bloco (brita +areia+calcário) 14 - Contra-piso Areia+brita+calcário+ferro


02 - Fiação elétrica Cobre - petróleo (plástico) 15 - Pias Mármore-granito-ferro+níquel+cobalto
03 - Lâmpada Quartzo - tungstênio - alumínio 16 - Gás (GLP) Gás natural-minerais metálicos
04 - Fundação - concreto Areia+brita+calcário+ferro 17 - Encanamento Ferro-cobre-pvc (petróleo, calcário)
05 - Ferragens Ferro+alumínio+cobre+zinco 18 - Laje Areia+brita+cimento+ferro
06 - Vidro Quartzo+calário+dolomito+feldspato 19 - Forro Gipsita (gesso)
07 - Louças sanitária Argila+calcário+feldspato+talco 20 - Armação-fundação Areia+brita+calcário+argila+ferro
08 - Azulejo Argila+calcário+feldspato+talco 21 - Esquadrias Bauxita-ferro+manganês
09 - piso (bwc/cozinha) Argila+calcário+feldspato+talco 22 - Piso Ardósia-granito-argila+talco+caulim
10 - Isolante parente Quartzo+feldspato+agregado de mica 23 - Calha Zinco-amianto-calcário
11 - Pintura (tinta) Calcário+talco+caulim+ilmenita+rutilo 24 - Telhado Argila-amianto-calcário
12 - Caixa d'água Polietileno ou fibra de vidro 25 - Estrutura Areia+brita+calcário+ferro
13 - Impermeabilizante Folhelhos pirobetuminoso e petróleo

Figura 6 – Exemplo da utilização de rochas e minerais no domicílio.


Fonte: Adaptado de Mineropar.

Os metais não são encontrados puros na natureza. Eles fazem parte da composição de minerais.
As rochas das quais são obtidos um ou mais metais de importância econômica são denominadas de
minério. Nos minérios associam-se dois tipos de minerais: o mineral de minério, que é aquele que
apresenta valor econômico, e o mineral de ganga ou ganga (rejeito) não aproveitável economicamente.

2.3.3 Ciclo das rochas

De acordo com sua origem, as rochas são classificadas em três tipos fundamentais: magmáticas
ou ígneas, sedimentares e metamórficas.
a) Rochas magmáticas ou ígneas: são formadas pelo resfriamento e pela consolidação do
magma pastoso na crosta da Terra. São denominadas de rochas primárias, pois foram as
primeiras rochas que se formaram. Grande parte dessas rochas é bastante antiga e resistente,
constituindo o embasamento rochoso dos continentes. Podem ser intrusivas ou plutônicas
e extrusivas ou vulcânicas:
• Rochas intrusivas – formam-se no interior da crosta terrestre, pela lenta solidificação
do magma. São exemplos de rochas plutônicas o granito, o sienito, o diorito e o gabro.

Manual de Saneamento
31
• Rochas extrusivas ou vulcânicas – resultam da solidificação rápida do material magmático
(lava), quando entra em contato com a atmosfera (ou com a água, no caso de vulcanismo
submarino). O basalto, o riolito e o traquito são exemplos de rochas vulcânicas.
b) Rochas sedimentares: são formadas a partir da deposição e consolidação de sedimentos e
detritos, provenientes de outras rochas desagregadas, em função dos processos erosivos que
ocorrem na superfície da Terra. Exemplos: arenito, argilito, calcário.
c) Rochas metamórficas: são formadas a partir das transformações sofridas por rochas ígneas,
sedimentares ou mesmo metamórficas, quando submetidas às condições de pressão e tem-
peratura do interior da crosta terrestre. São exemplos de rochas metamórficas o mármore
(metamorfismo do calcário), o gnaisse (metamorfismo de granito, no caso do ortognaisse),
o quartzito (metamorfismo de arenito), a ardósia (metamorfismo de folhelho ou argilito).
Ao longo da história geológica da Terra, as rochas formam-se e modificam-se constantemente,
de forma cíclica. Esse processo é conhecido como ciclo das rochas e é apresentado na Figura 7.

Figura 7 – Ciclo das rochas.

2.3.4 Solo

O solo é a formação resultante da interação dos processos físicos, químicos e biológicos sobre as
rochas, na porção superficial da crosta da Terra, em que se desenvolve a maior parte da vegetação. É
constituído de material desagregado, ar, água e matéria orgânica. Ele é formado pelos produtos do intem-
perismo que não são imediatamente carreados pelos agentes de transporte como a água, o gelo e os ventos.
Para a pedologia, o ramo das geociências que estuda os processos de formação dos solos, o solo
é visto como o produto do intemperismo, do remanejamento e da organização das camadas superiores
da crosta terrestre, sob a ação da atmosfera, da hidrosfera e da biosfera.
As características dos solos dependem do clima e do tipo de intemperismo. Em climas quentes
e úmidos, devido à temperatura elevada e à ação da água, os solos formam-se mais rapidamente e

32 Fundação Nacional de Saúde


são mais espessos e mais desenvolvidos do que em locais de climas frios e secos. Dependendo das
características do ambiente de sua formação, os solos apresentam diferentes propriedades físicas e
químicas. Podem ser argilosos ou arenosos, ricos ou pobres em matéria orgânica, espessos ou rasos,
homogêneos ou não. Tais características podem aparecer em um corte vertical do solo e podem ser
representadas sob a forma de um perfil, chamado perfil do solo. Esse perfil é constituído por camadas
ou horizontes, que diferem na textura, na estrutura, na composição e na cor.
É importante ressaltar também que o solo tanto pode ser o produto de decomposição da rocha
“in situ”, e, nesse caso, é chamado de solo residual, quanto pode ser resultado do transporte de ou-
tras rochas, situação que ocorre quando o material inconsolidado, proveniente do intemperismo da
rocha-mãe, é transportado e depositado num lugar diferente de sua origem.
Assim, distinguem-se:
a) Solos residuais: também chamados de eluviões, resultantes da alteração da rocha subjacente.
b) Solos transportados:
• Coluviões: acumulações de detritos inconsolidados, transportados por gravidade desde
sua origem e depositados sobre as encostas, acompanhando sua morfologia, e no sopé
delas, em que atingem maiores espessuras.
• Aluviões: acumulações sedimentares recentes, transportadas pela ação de águas fluviais,
depositadas em regiões baixas.

[Link] Erosão do solo

A erosão provoca danos ao solo, removendo suas partículas, comprometendo sua estabilidade
e utilização, tendo como principais efeitos: alterações no relevo; riscos às obras civis; remoção da
camada superficial e fértil do solo; assoreamento dos rios; inundações e alterações dos cursos d’água.
Também a ação do homem pode causar processos erosivos, ainda mais perigosos, por atividades
tais como: desmatamento, agricultura, mineração e terraplanagem.
São exemplos de agressões ao solo: o lançamento inadequado de resíduos industriais, a ocor-
rência de chuva ácida, o desmatamento e o manejo inadequado na agricultura, que podem levar à
desertificação.
A imposição de certas limitações e restrições no uso e na ocupação do solo podem constituir-se
num importante elemento no controle da erosão. Para tanto, devem ser identificadas as áreas de risco,
a partir da análise das características geológicas e topográficas locais.

[Link] Poluição e contaminação do solo

A poluição do solo é a alteração prejudicial de suas características naturais, com eventuais


mudanças na sua estrutura, resultado de fenômenos naturais, tais como terremotos, vendavais e
inundações, ou de atividades humanas, a exemplo da disposição de resíduos sólidos e líquidos, da
urbanização, de atividades agropecuárias, industriais e de acidentes no transporte de cargas.
A contaminação do solo pode ser de origem orgânica ou inorgânica e ter várias fontes: materiais
presentes no lixo; substâncias químicas perigosas; pesticidas empregados na atividade agropecuária.
O desenvolvimento da agricultura tem contribuído para a poluição do solo e das águas. Os
fertilizantes sintéticos e os agrotóxicos (inseticidas, fungicidas e herbicidas), usados em excesso nas
lavouras, poluem o solo e as águas dos rios e prejudicam os ecossistemas. A contaminação de um lençol
freático por agrotóxicos coloca em risco a vida da população que se beneficia da água subterrânea.

Manual de Saneamento
33
2.4 Atmosfera
A atmosfera (do grego atmos, ar, vapor, e sphaira, esfera) é a camada gasosa da Terra, situa-se
em contato direto com a litosfera, mantida pela força de gravidade do planeta, acompanhando os seus
movimentos de rotação e translação. Atinge uma extensão de cerca de 1.000 km acima do nível do
mar, sendo que a maior parte de sua massa, cerca de 99%, localiza-se abaixo dos 40 km de altitude.
É de vital importância para a sobrevivência da maioria dos organismos da Terra e sua composição
está intimamente relacionada aos processos biológicos de evolução dos seres vivos.
É constituída por uma mistura de gases: nitrogênio (78,08%), oxigênio (20,95%), argônio (0,93%)
dióxido de carbono (0,03%) e ainda ozônio, hidrogênio, monóxido de carbono, metano, óxido nitroso
e outros gases nobres, como o neônio, o hélio e o criptônio. Contém ainda vapor d’água, próximo à
superfície, num percentual que varia de 1% a 4%, e partículas de matérias derivadas de fontes naturais
e de atividades humanas. Tal constituição manteve-se estável por milhões de anos. Todavia, como
resultado de suas atividades, o homem tem causado alterações significativas nestas proporções, cujos
efeitos nocivos são gravíssimos.
A atmosfera é dividida em cinco camadas, caracterizadas por diferentes condições de tempe-
ratura e composição química, separadas por zonas limites cujos nomes são constituídos pelo nome
da camada inferior mais o sufixo “pausa”.
a) Troposfera: é a camada da atmosfera mais próxima da crosta terrestre, na qual o homem vive
e respira e onde ocorre a poluição do ar. Sua altitude máxima varia entre 6 km (polos) e 20
km (Equador) e é basicamente composta pelos mesmos elementos encontrados em toda a
atmosfera, contendo aproximadamente 75% da sua massa. Contém, também, praticamente
todo o vapor de água, sendo, portanto, a camada em que ocorrem os fenômenos climáticos,
como chuvas, granizo, neve, a formação de nuvens e relâmpagos. As temperaturas nesta
camada podem variar de 40º C até -60º C, sendo que, quanto maior a altitude, menor a
temperatura. A zona limite entre a troposfera e a camada superior designa-se por tropopausa,
de temperatura constante.
b) Estratosfera: é a segunda camada mais próxima da Terra. A temperatura aumenta com a
altitude, desde -60º C até cerca de 0º C, devendo-se este aumento à interação química e
térmica entre a radiação solar e os gases aí existentes. Contém aproximadamente 19% dos
gases atmosféricos e muito pouco vapor de água, o que resulta na quase ausência de nu-
vens. Na porção inferior da estratosfera, de 15 a 35 km de altitude, localiza-se a chamada
camada de ozônio, região em que a concentração do gás ozônio (molécula constituída por
três átomos de oxigênio) é de cerca de 2 a 8 partes por milhão, que é muito maior do que
a concentração de ozônio na atmosfera próxima à superfície. A estratosfera contém apro-
ximadamente 90% de todo o ozônio da atmosfera. A destruição da camada de ozônio tem
sido uma preocupação constante de ambientalistas em todo mundo. Alguns gases chamados
CFC (clorofluorcarbonetos), e outros gases muito ativos, reagem quimicamente destruindo
as moléculas de ozônio, diminuindo, assim, a concentração desse gás na estratosfera,
permitindo que uma maior quantidade dos raios ultravioleta atinja a superfície, elevando
a ocorrência de cânceres de pele e das cataratas oculares, além de outros prejuízos menos
conhecidos para o sistema de defesa imunológico da saúde humana. Há também um efeito
danoso sobre as algas e os animais marinhos microscópicos que fornecem alimentação para
a população pesqueira, além de um impacto negativo sobre alguns dos principais cultivos
agrícolas. A zona limite designa-se por estratopausa, de temperatura constante.
c) Mesosfera (de 50 a 80 km): é a camada mais fria da atmosfera. Nela a temperatura diminui
com a altitude, atingindo -100º C, pois a absorção de radiação solar é muito fraca, tendo
em vista que o ar é bastante rarefeito. Nesta camada ocorre o fenômeno da aerolumines-
cência. A zona limite designa-se por mesopausa, situa-se entre 80 e 90 km, e nela ocorrem
as temperaturas mais baixas da atmosfera.

34 Fundação Nacional de Saúde


d) Termosfera (de 80 a 800 km): inicia-se no final da mesosfera e vai até 500 km do solo,
sendo a camada atmosférica mais extensa e mais quente. É uma camada que atinge altas
temperaturas, devido à presença do oxigênio atômico, gás que absorve a energia solar em
grandes quantidades. As temperaturas na termosfera podem atingir os 2.500º C durante o
dia. A incidência da radiação solar faz com que os átomos existentes na parte superior da
termosfera sejam ionizados. A região superior da termosfera, onde existe uma alta concen-
tração de gases com íons e elétrons livres, chama-se ionosfera. Essa camada possui uma
grande importância, pois influi na propagação das ondas eletromagnéticas de comunicação.
e) Exosfera (mais de 800 km acima do nível do mar): a exosfera é a última camada atmosférica,
ou seja, a que está mais distante da Terra, antecedendo o espaço interplanetário. É basica-
mente formada por gases leves, como hélio, hidrogênio e dióxido de carbono. Vai do final da
termosfera até 800 km do solo. Nesta camada ocorre o fenômeno da aurora boreal e também
é onde permanecem os satélites de transmissão de informações e os telescópios espaciais.

2.4.1 Ventos

Vento é o ar em movimento, independentemente da velocidade. Este movimento resulta das


diferenças da pressão exercida pelas camadas de ar sobre a superfície terrestre. Essa pressão, chama-
da de pressão atmosférica, depende da quantidade de ar que existe sobre uma determinada região.
Quanto maior a quantidade, ou seja, a massa de ar, sobre uma determinada área, maior a pressão
atmosférica naquela área. Assim, o movimento do ar, ou seja, o vento, ocorre sempre dos centros de
alta pressão para os centros de baixa pressão atmosférica.
As diferenças da pressão atmosférica e consequentemente o tipo e a intensidade dos ventos,
devem-se, entre outros fatores, à altitude, à temperatura e à latitude.
A alternância entre a brisa e o terral, nas regiões litorâneas, exemplifica bem a formação dos
ventos em função da pressão e temperatura. Durante o dia, devido à irradiação do Sol, o mar aquece
mais lentamente do que o continente. Como está mais frio, o ar está mais condensado, assim a pressão
atmosférica sobre o mar é maior e então ocorre a brisa, vento que sopra do mar para o continente.
Durante a noite, a água do mar está mais aquecida que a terra, que esfria rápido, e então ocorre o
terral, vento que sopra do continente para o mar.

2.4.2 Poluição do ar

A poluição do ar é definida como sendo a alteração da qualidade do ar, resultante de atividades


que direta ou indiretamente:
• Prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população.
• Criem condições adversas às atividades sociais e econômicas.
• Afetem desfavoravelmente a qualidade do ar.
• Lancem matéria ou radiação em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos por lei.
• As causas da poluição atmosférica podem ser classificadas como:
- De origem natural (vulcões, queimadas).
- Resultantes das atividades humanas (indústrias, transporte, agropecuária).
- Em consequência dos fenômenos de combustão.
Um dos problemas graves decorrentes da poluição atmosférica refere-se ao aumento da tem-
peratura média da Terra, que é causada pelo lançamento de gases na atmosfera, principalmente o
dióxido de carbono, o metano, os óxidos de nitrogênio, o óxido de enxofre e os hidrocarbonetos. Este
aumento de temperatura é conhecido como “efeito estufa”.

Manual de Saneamento
35
2.5 Hidrosfera
O Planeta Terra é recoberto por água em aproximadamente 70% de sua extensão. A hidros-
fera (do grego hydro, água, e sphaira, esfera) é a camada constituída por todas as águas do planeta.
Compreende todos os rios, lagos, lagoas, mares, oceanos e todas as águas subterrâneas, bem como
as camadas de gelo.
A hidrosfera e a atmosfera, juntas, permitem a vida no planeta e compõem, junto com a litosfera,
as três principais camadas físicas da Terra.
A hidrologia é a ciência que estuda a água na Terra, sua ocorrência, circulação e distribuição,
suas propriedades físicas e químicas, e sua relação com o meio ambiente, incluindo a relação com
as formas vivas.

2.5.1 Água na natureza

A água é uma substância abundante na natureza e ocorre nos estados sólido, líquido ou gasoso. É
um recurso natural que se recicla pela ação do calor do Sol e das forças de gravidade, como se a Terra
fosse um gigantesco destilador. É, ainda, parte integrante dos seres vivos e substância essencial à vida.
É um bem de múltiplos usos, destinado a diversos fins, como abastecimento público, dessedentação
animal, irrigação, navegação, suprimento industrial, conservação da fauna e da flora, recreação e lazer.
Além disso, recebe, dilui e transporta efluentes provenientes de esgotos domésticos, indústrias e de diversas
atividades rurais e urbanas, que são depurados pela ação de processos físicos, químicos e biológicos.
Contudo, em situações cada vez mais frequentes, a concentração da população, de atividades agrícolas
e industriais, excede a capacidade de depuração e/ou a capacidade hídrica da região, gerando escassez e,
consequentemente, conflitos de uso.
A poluição e a contaminação da água estão entre as principais causas da incidência de enfermi-
dades, principalmente em populações de baixa renda, não atendidas por sistemas de abastecimento
de água e de coleta e disposição de esgotos. As doenças relacionadas ao uso da água causam grande
número de internações hospitalares e respondem por grande parte dos índices de mortalidade infantil.

[Link] Distribuição da água na natureza

A água abrange cerca de 3/4 da superfície terrestre; desse total, 97,0% referem-se aos mares e
oceanos e 3% às águas doces, sendo que 2,7% estão presentes nas geleiras, vapor de água e aquíferos
existentes em grandes profundidades (mais de 1.000 metros). Assim, somente 0,3% do volume total
de água do planeta está disponível para o consumo, sendo 0,01% encontrado em fontes de superfície
(rios, lagos), e o restante, ou seja, 0,29%, em depósitos subterrâneos.
A água subterrânea vem sendo acumulada no subsolo por séculos e somente uma pequena
fração é acrescentada anualmente por meio das chuvas, e outra fração retirada pelo homem, enquanto
a água dos rios é renovada cerca de 31 vezes, anualmente.
A precipitação média anual, na Terra, é de cerca de 860 mm. Cerca de 70% e 75% dessa pre-
cipitação voltam à atmosfera como evapotranspiração.

2.5.2 Ciclo hidrológico

A água está sempre mudando de lugar na Terra. Dos continentes para os oceanos e mares e para
a atmosfera. Ela muda também de estado: sólido, líquido e gasoso. A temperatura é o fator responsável
por manter ou transformar a água em seus três estados físicos. A água na forma líquida ocorre no
intervalo de temperatura acima de zero e abaixo de 100º C, compatível com as médias de temperatura
predominantes no planeta. É importante ressaltar que só existe água líquida na Terra por causa dessas
temperaturas médias, que são mantidas graças ao efeito estufa e ao movimento de rotação.

36 Fundação Nacional de Saúde


O movimento constante da água é provocado pelos seguintes fatores: radiação do Sol, inclinação
do relevo, permeabilidade dos solos e das rochas, cobertura do solo pela vegetação. Contudo, esse
movimento só é possível graças à ação da gravidade, que mantém a água líquida nos reservatórios e
permite a precipitação.
Ao contínuo movimento da água no planeta dá-se o nome de ciclo hidrológico. Esse ciclo é a
representação do comportamento da água no globo terrestre, incluindo ocorrência, transformação,
movimentação e relações com a vida humana. É um verdadeiro retrato dos vários caminhos da água
em interação com os demais recursos naturais (Figura 8).
O ciclo hidrológico é contínuo; contudo, para descrevê-lo de forma didática, pode-se dividi-lo
nos seguintes estágios: precipitação, escoamento superficial, infiltração e evapotranspiração.

TRANSPORTE DE VAPOR
40 mm

PRECIPITAÇÃO
111 mm 71 mm
EVAPORAÇÃO TRANSPIRAÇÃO
425 mm
EVAPORAÇÃO
PERCOLAÇÃO
PRECIPITAÇÃO
385 mm
LAGO
RIO
TERRA OCEANOS

FLUXO
DO OCEANO
ESCOAMENTO SUBTERRÂNEO 40 mm

Figura 8 – Ciclo hidrológico.

[Link] Precipitação

A precipitação compreende toda a água que cai da atmosfera na superfície da Terra, sob forma
de chuva, granizo e neve, dependendo do clima da região.
A água existente em forma de vapor na atmosfera é proveniente da evaporação de todas as
superfícies líquidas (oceanos, mares, rios, lagos, lagoas) ou das superfícies umedecidas com água,
como a dos solos, por efeito da ação térmica das radiações solares. Parte da água que se encontra na
atmosfera resulta de fenômenos vitais, como a respiração e a transpiração.
Devido ao resfriamento, esses vapores condensam e, em condições de pressão e temperatura
adequadas, ocorre a precipitação sobre toda a superfície terrestre. A parcela da água precipitada sobre
os continentes e demais áreas emersas pode seguir três caminhos: escoamento superficial, infiltração
e evapotranspiração.

[Link] Escoamento superficial

É a água de chuva que, atingindo o solo, corre sobre a superfície do terreno, preenche as de-
pressões, fica retida em obstáculos e, juntamente com as nascentes, vai alimentar os córregos, rios,
lagos e desaguar nos mares e oceanos.

Manual de Saneamento
37
[Link] Infiltração

É por meio da infiltração que a água de chuva penetra por gravidade nos interstícios do solo,
chegando até às camadas de saturação, constituindo reservatórios subterrâneos, que podem prover
água para consumo humano e para a vegetação terrestre. Movimentando-se muito lentamente em
subsuperfície, a água retorna à superfície da Terra, afluindo sob a forma de nascentes, incorporando-se
ao fluxo dos rios e riachos ou escoando subterraneamente, até o oceano.
Convém ressaltar que a maior ou menor proporção do escoamento superficial, em relação à
infiltração, é influenciada fortemente pela ausência ou presença de cobertura vegetal, uma vez que
esta constitui barreira ao escoamento, além de tornar o solo mais poroso. Esse papel da vegetação,
associado à sua função amortecedora do impacto das gotas de chuva sobre o solo, é de grande impor-
tância na prevenção dos fenômenos de erosão, provocados pela ação mecânica da água sobre o solo.

[Link] Evapotranspiração

É o processo de retorno da água à atmosfera, passando do estado líquido para o gasoso ou vapor
de água. Compreende os fenômenos de evaporação e transpiração dos seres vivos.
A grande massa de água na superfície da Terra sofre a ação da temperatura e evapora. Esse
fenômeno é chamado de evaporação.
A evaporação é o processo natural pelo qual a água, de uma superfície livre (líquida) ou de uma
superfície úmida, passa para a atmosfera na forma de vapor. Numa superfície exposta às condições
ambientais, que contém um certo conteúdo de vapor d’água, existirá sempre a troca de moléculas
entre as fases de vapor e líquida, envolvendo os fenômenos de condensação e evaporação.
No processo de transpiração, a água é retirada do solo pelas raízes, transferida para as folhas e
então evapora. É um mecanismo importante nas áreas com presença de cobertura vegetal, conside-
rando-se que a superfície de exposição das folhas para a evaporação é grande.

2.5.3 Hidrografia

Hidrografia é a parte da geografia que classifica e estuda as águas do planeta. O objeto de estudo
da hidrografia é a água da Terra e abrange, portanto, o estudo dos oceanos, dos mares, das geleiras,
da água do subsolo, dos lagos e até o vapor d’água da atmosfera.
Para efeito de estudo, pode-se classificar as águas em oceânicas (oceanos, mares e icebergs) e
continentais (rios, lagos, águas subterrâneas e geleiras).

[Link] Águas oceânicas

As águas oceânicas exercem uma grande relevância para a biosfera. Do ponto de vista ambien-
tal, contribuem na composição e no equilíbrio climático, uma vez que abrigam seres (fitoplânctons)
responsáveis pela produção de grande parte do oxigênio do planeta. Retêm calor em períodos maiores
que os continentes, sendo, assim, reguladores do clima planetário. Constituem a fonte primária das
precipitações nos continentes e são importantes como fornecedores de alimentos e para o transporte,
turismo e lazer. Mais da metade da população mundial ocupa áreas que distam menos de 100 km
da linha de costa.

[Link].1 Oceanos

Os oceanos correspondem às grandes massas de água salgada que cobrem a maior parte da
superfície terrestre, circundando e separando os continentes. Apesar de possuírem ligações entre si,
são identificados cinco oceanos: Pacífico, Atlântico, Índico, Glacial Antártico e Glacial Ártico.

38 Fundação Nacional de Saúde


De uma maneira geral, o relevo do assoalho oceânico é constituído pela plataforma continental,
talude continental, região pelágica ou bacia oceânica, região abissal e dorsais oceânicas. A tempe-
ratura varia em função da latitude e da profundidade. Em relação à latitude, a temperatura é mais
alta na zona intertropical, em que a insolação é maior, diminuindo em direção às zonas polares, em
que a insolação é muito baixa. Registram-se temperaturas de 290 C, na linha do Equador, e de 30 C
nas regiões polares. Em relação à profundidade, à medida que esta aumenta, a penetração dos raios
solares é menos intensa, e, por esse motivo, a temperatura diminui.

[Link].2 Mares

Os mares são as massas de água salgada que se localizam próximas aos continentes ou no
interior destes. Apresentam menor profundidade que os oceanos, maior variedade de salinidade, de
temperatura e de transparência das águas. Classificam-se em mares abertos, os que se comunicam com
o oceano por largas passagens; interiores, que se comunicam com os oceanos por meio de estreitos
ou canais; e fechados, que não possuem comunicação com o oceano ou outro mar.

[Link].3 Icebergs

Icebergs são gigantescos blocos de gelo flutuantes, formados por água doce, desprendidos de
geleiras e arrastados para os oceanos por correntezas marinhas frias de origem Ártica (correnteza da
Groelândia) ou Antártica. O gelo é menos denso do que a água, por isso flutua. Cerca de 10% apenas
do volume total do iceberg é visível, ficando a maior parte submersa, constituindo-se, assim, num
perigo para a navegação.

[Link] Águas continentais

As águas continentais abrangem os rios, os lagos, as geleiras e as águas subterrâneas.

[Link].1 Rios

Rios são cursos naturais de água que fluem, a partir de sua nascente, ou cabeceira, em direção
às partes mais baixas do relevo, para desaguar em outro rio, em um lago ou nos mares e oceanos.
Formam-se a partir da chuva, que é absorvida pelo solo até atingir áreas impermeáveis no subsolo,
em que se acumula, constituindo as águas subterrâneas. Quando as águas subterrâneas afloram na
superfície, originam as nascentes dos rios, que normalmente se localizam em áreas elevadas (colinas,
planaltos, serras ou montanhas). Os rios podem também se formar a partir do degelo em áreas mon-
tanhosas, a partir de lagos ou da confluência de pequenos córregos.
À medida que o rio avança sobre o continente, vai traçando seu curso e seu volume aumenta
gradativamente, uma vez que recebe água de seus afluentes, de lagos e fontes e das precipitações:
chuva (precipitação líquida) e granizo ou neve (precipitações sólidas).
O canal escavado pelo rio e que serve de escoadouro para suas águas é denominado de leito.
Dependendo da época do ano, o rio ocupa três diferentes tipos de leito (Figura 9).
• Leito menor ordinário – corresponde ao canal por onde corre um curso de água no nível
dos períodos de estiagem (de seca). Em algumas regiões, o rio chega mesmo a secar.
• Leito normal – como o próprio nome indica, corresponde ao canal no nível normalmente
ocupado pelo rio.
• Leito maior, de inundação ou de cheia – corresponde ao canal no nível atingido nos períodos
de chuvas intensas, quando as águas sobem e transbordam as margens do leito normal.

Manual de Saneamento
39

Você também pode gostar