Cálculo Da Pena: Unidade 2
Cálculo Da Pena: Unidade 2
Unidade 2
Conceitos fundamentais do
cálculo das penas
CEO
Diretora Editorial
ALESSANDRA FERREIRA
Gerente Editorial
Projeto Gráfico
TIAGO DA ROCHA
Autoria
KARINE HERANI
Karine Herani
AUTORIA
4 CÁLCULO DA PENA
ÍCONES
Esses ícones aparecerão em sua trilha de aprendizagem nos seguintes casos:
Quando são
Se as observações
necessárias
escritas tiverem que
observações ou
ser priorizadas.
NOTA complementações. IMPORTANTE
Se existirem
Unidade 2
Se algo precisar ser curiosidades e
melhor explicado ou indagações lúdicas
EXPLICANDO detalhado. sobre o tema em
MELHOR VOCÊ SABIA?
estudo.
Se houver a
necessidade de Quando for preciso
chamar a atenção fazer um resumo
sobre algo a cumulativo das últimas
REFLITA ser refletido ou RESUMINDO abordagens.
discutido.
CÁLCULO DA PENA 5
Pena privativa de liberdade, restritiva de direitos e multa .. 9
SUMÁRIO
Dosimetria da pena............................................................................................ 33
6 CÁLCULO DA PENA
Ao abordarmos o universo jurídico-penal, deparamo-
nos com a complexa e meticulosa tarefa do cálculo da pena.
APRESENTAÇÃO
Essa operação, fundamental para a efetiva aplicação da justiça,
exige um entendimento claro e aprofundado de seus conceitos
fundamentais.
Unidade 2
das bases legais que regem o cálculo da pena, incluindo a legislação
vigente, a jurisprudência relevante e os princípios constitucionais.
Esses elementos formam o alicerce sobre o qual todo o processo
de cálculo da pena é construído, fornecendo os critérios e os
limites pelos quais os operadores do Direito devem atuar.
CÁLCULO DA PENA 7
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 2. Nosso objetivo
é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências
OBJETIVOS
8 CÁLCULO DA PENA
Pena privativa de liberdade,
restritiva de direitos e multa
Ao término deste capítulo, você será capaz de en-
tender como funciona o complexo processo de
cálculo da pena, desde suas bases legais até a apli-
OBJETIVO cação prática na determinação da punição adequa-
da. Isso será fundamental para o exercício de sua
profissão. As pessoas que tentaram determinar
penas ou interpretar decisões judiciais, sem a de-
vida instrução, enfrentaram problemas ao aplicar
justiça de forma coerente e proporcional. A capaci-
dade de compreender e aplicar, corretamente, os
princípios e as práticas do cálculo da pena é crucial
para garantir que a justiça seja servida de maneira
Unidade 2
justa e equitativa. E então? Motivado para desen-
volver esta competência? Vamos lá. Avante!
CÁLCULO DA PENA 9
A pena privativa de liberdade é uma das sanções mais
severas previstas no ordenamento jurídico brasileiro, sendo
imposta como resposta estatal à prática de infrações penais. Essa
modalidade de pena tem características distintas que refletem
sua natureza e o impacto que ela visa causar tanto no condenado
quanto na sociedade.
10 CÁLCULO DA PENA
direitos ou impõem obrigações como a prestação de
serviços à comunidade ou a limitação de fim de semana.
Unidade 2
aumento ou diminuição de pena (arts. 59 a 68, CP).
CÁLCULO DA PENA 11
Essas penas podem ser mais eficazes na prevenção de crimes e
na ressocialização do infrator, pois permitem que o condenado
mantenha vínculos sociais e familiares.
12 CÁLCULO DA PENA
Imagem 2.1 - Pena privativa de liberdade
Unidade 2
Fonte: Freepik.
CÁLCULO DA PENA 13
Visa à retribuição Procura evitar
Tem caráter punitivo
do delito os efeitos
e preventivo,
cometido e à negativos do
buscando
prevenção de encarceramento,
Objetivos desestimular a
novos crimes, oferecendo uma
prática de crimes
além de buscar a oportunidade
por meio do
ressocialização do de reparação e
impacto financeiro.
condenado. integração social.
É a forma
mais severa Inclui penas
de punição, como prestação
Pode ser aplicada
geralmente, de serviços à
isoladamente ou
reservada a comunidade,
em conjunto com
crimes mais limitação de fim de
outras penas. A
graves. Pode semana, interdição
quantia e a forma
ser cumprida temporária de
de pagamento
Aplicação em diferentes direitos, entre
são estabelecidas
regimes (fechado, outras. É aplicada
conforme a
Unidade 2
semiaberto, em delitos de
capacidade
aberto) menor gravidade
econômica do
dependendo e quando o
condenado e a
da gravidade réu apresenta
gravidade do crime.
do crime e do condições pessoais
histórico do favoráveis.
condenado.
Fonte: Elaborado pela autoria (2023).
14 CÁLCULO DA PENA
e as características pessoais do condenado. A legislação brasileira
procura equilibrar a necessidade de punição com a possibilidade
de reintegração social, refletindo uma abordagem que reconhece
a multifacetada natureza do comportamento criminoso e suas
consequências.
Unidade 2
A pena privativa de liberdade possui uma natureza
dúplice. Por um lado, tem um caráter retributivo, pois busca impor
uma restrição ao indivíduo como forma de retribuição pelo mal
causado pelo crime. Por outro lado, possui um aspecto preventivo,
tanto geral quanto especial, visando desencorajar a sociedade e o
próprio condenado de cometer novos delitos.
CÁLCULO DA PENA 15
A Constituição Federal de 1988 dedica diversos incisos
de seu art. 5º a orientar e definir a prisão restritiva de liberdade,
conforme segue:
Art. 5º
b) de caráter perpétuo
[…]
[…]
16 CÁLCULO DA PENA
No caso de crime de furto, segundo o Código Penal.
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si
ou para outrem, mediante grave ameaça ou
violência a pessoa, ou depois de havê-la, por
qualquer meio, reduzido à impossibilidade de
resistência: Pena - reclusão, de quatro a
dez anos, e multa (Brasil, 1940).
Unidade 2
princípios fundamentais como o da legalidade, da dignidade da
pessoa humana e do devido processo legal. Eles garantem que
o sistema penal brasileiro respeite os direitos dos indivíduos
e imponha penas de forma justa, proporcional e com limitação
temporal clara, vedando qualquer forma de privação de liberdade
por tempo indeterminado.
CÁLCULO DA PENA 17
Imagem 2.2 - Reabilitação e trabalho
Unidade 2
Fonte: Freepik.
1. Regime fechado
18 CÁLCULO DA PENA
2. Regime semiaberto
3. Regime aberto
Unidade 2
anteriores. O condenado cumpre a pena em casa do albergado
ou estabelecimento adequado, com a obrigatoriedade de retornar
somente para pernoitar. A manutenção desse regime está
condicionada ao trabalho ou à comprovação de atividade lícita
durante o dia. O detento também está sujeito a se apresentar,
periodicamente, em juízo para informar e justificar suas atividades.
CÁLCULO DA PENA 19
mudança para um regime de cumprimento menos rigoroso. No
Brasil, a progressão de regime está regulamentada pela Lei de
Execução Penal (Lei n.º. 7.210/1984) e por outras normativas
complementares.
20 CÁLCULO DA PENA
A progressão ocorre entre os diferentes regimes: fechado,
semiaberto e aberto. O pedido de progressão de regime é feito
pelo próprio condenado ou por seu defensor. O juiz responsável
pela execução penal avaliará o pedido, podendo solicitar a
manifestação do Ministério Público e a realização de exames
criminológicos. Com base nos documentos apresentados e na
legislação pertinente, o juiz decidirá pela concessão ou não da
progressão.
Unidade 2
se como um aspecto essencial do princípio da humanidade das
penas.
CÁLCULO DA PENA 21
pena, caso o apenado seja primário, e de 3/5 (três quintos), caso
seja reincidente.
22 CÁLCULO DA PENA
Imagem 2.3 - Regressão de pena
Unidade 2
Fonte: Freepik.
CÁLCULO DA PENA 23
3. Decisão judicial – com base nas provas e no relatório,
o juiz responsável pela execução penal toma uma
decisão sobre a regressão de regime. Tal decisão
deve ser fundamentada e levar em consideração as
circunstâncias do caso.
24 CÁLCULO DA PENA
A regressão de regime é uma ferramenta disciplinar
importante no sistema penal brasileiro, pois visa assegurar
a ordem e a disciplina nos estabelecimentos penais, além de
reforçar a noção de que a progressão de regime é um privilégio
condicional, que pode ser revogado se o detento não cumprir com
suas obrigações e deveres.
Unidade 2
A base legal que regula a matéria está primordialmente no
Código Penal, sobretudo, nos artigos que tratam da dosimetria da
pena. O processo de cálculo da pena é uma ciência, e que precisa
ser feito de forma justa, proporcional e adequada, obedecendo
aos limites estabelecidos na legislação.
CÁLCULO DA PENA 25
Imagem 2.4 - Dosimetria da pena
Unidade 2
Fonte: Freepik.
26 CÁLCULO DA PENA
DE LIBERDADE DE 1 ANO E 8 MESES DE
RECLUSÃO, EM REGIME INICIALMENTE
ABERTO, E A 166 DIAS-MULTA, NO VALOR
MÍNIMO LEGAL, SUBSTITUÍDA POR UMA
RESTRITIVA DE DIREITO CONSISTENTE EM
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE.
RECURSO MINISTERIAL PERSEGUINDO O
AFASTAMENTO DO REDUTOR PREVISTO NO
§4º DO ARTIGO 33 DA LEI DE DROGAS COM
O CONSEQUENTE RECRUDESCIMENTO DO
REGIME PRISIONAL E O AFASTAMENTO DA
SUBSTITUIÇÃO APLICADA À PENA RECLUSIVA.
RECURSO DEFENSIVO POSTULANDO A
DESCLASSIFICAÇÃO DA CONDUTA PARA O
DELITO PREVISTO NO ARTIGO 28 DA LEI DE
Unidade 2
DROGAS, ABSOLVENDO-SE O ACUSADO EM
HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO.
CÁLCULO DA PENA 27
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de
que você realmente entendeu o tema de estudo
RESUMINDO deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos.
Nesta unidade, você aprendeu sobre as diferentes
modalidades de penas — pena privativa de
liberdade, restritiva de direitos e multa — e refletiu
sobre a complexidade e a diversidade do sistema
penal brasileiro. Essas modalidades refletem
a busca por uma resposta penal mais justa e
adequada às diferentes situações de delinquência,
alinhando-se aos princípios da humanidade, da
proporcionalidade e da individualização da pena.
28 CÁLCULO DA PENA
Fundamentos legais sobre o
cálculo da pena
Ao término deste capítulo, você será capaz de
entender como funciona a base legal que sustenta
o cálculo da pena no Brasil. Esse entendimento
OBJETIVO é crucial para o exercício de sua profissão, seja
você advogado, promotor, juiz ou um estudioso
do direito penal. Aqueles que tentaram aplicar ou
interpretar a dosimetria da pena, sem a devida
instrução, enfrentaram desafios significativos,
podendo resultar em decisões desproporcionais
ou injustas. E então? Motivado para desenvolver
esta competência? Vamos lá. Avante!
Unidade 2
A aplicação da pena no sistema jurídico brasileiro é um
processo complexo e detalhado, regido por princípios e regras
estabelecidas em lei. Nesse contexto, a Constituição Federal de
1988 é a espinha dorsal da legislação, estabelecendo diretrizes
fundamentais para a aplicação de penas, enquanto o Código Penal
(Decreto-Lei n.º 2.848/1940) contém regras detalhadas sobre o
processo de dosimetria da pena.
Princípios Fundamentais do
cálculo da pena
Os princípios do Direito Penal e Constitucional, como o
princípio da legalidade, da individualização da pena, da humani-
dade e da proporcionalidade, desempenham um papel vital na in-
terpretação das normas e na condução do cálculo da pena.
CÁLCULO DA PENA 29
para a fixação da pena-base, as circunstâncias que podem modifi-
car essa pena (agravantes e atenuantes) e as causas de diminuição
e de aumento da pena.
30 CÁLCULO DA PENA
(art. 5º, XLVI, CF/88).
Art. 5º
XLVI - a lei regulará a individualização da pena
e adotará, entre outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;
Unidade 2
penas mais leves.
•• Princípio da humanidade: a pena não deve ser cruel ou de-
sumana. Deve-se respeitar a dignidade da pessoa humana,
mesmo quando aplicando uma sanção penal.
•• Princípio da culpabilidade: a pena deve ser proporcional à
culpa do agente. Ou seja, deve-se levar em conta o grau de
reprovabilidade da conduta do indivíduo.
•• Princípio da intranscendência ou pessoalidade da pena: s
pena não pode ultrapassar a pessoa do condenado. Isso
significa que as consequências da pena não podem ser es-
tendidas a terceiros, como familiares do condenado.
•• Princípio da suficiência da pena: a pena deve ser suficiente
para a reprovação e a prevenção do crime. Deve-se buscar
um equilíbrio entre o suficiente para desencorajar o crime
e o excessivo, que seria considerado desumano.
CÁLCULO DA PENA 31
Imagem 2.5 - Reintegração a comunidade
Unidade 2
Fonte: Freepik.
32 CÁLCULO DA PENA
justa e proporcional ao crime cometido, sempre com respeito à
dignidade humana e aos direitos fundamentais do indivíduo.
O cálculo da pena é um processo intrincado que se baseia
em uma sólida compreensão das leis e princípios penais. A
importância de uma abordagem jurídica bem fundamentada para
a dosimetria da pena não pode ser subestimada, pois garante a
justiça e a proporcionalidade na aplicação das penas, mantendo a
integridade do sistema de justiça penal.
Dosimetria da pena
A dosimetria da pena é o processo pelo qual o juiz fixa a
pena a ser aplicada ao réu. O cálculo da pena é um processo que
se desenvolve em fases distintas. A dosimetria da pena inicia-se
com a determinação da pena-base, seguida da consideração das
Unidade 2
circunstâncias atenuantes e agravantes e, finalmente, das causas
de aumento e diminuição de pena.
É importante destacar a importância das três fases desse
processo: a fixação da pena-base, considerando as circunstâncias
judiciais; a análise de circunstâncias atenuantes e agravantes; e a
consideração de causas de diminuição e aumento de pena.
O princípio da humanidade está intrinsecamente tratada
na Constituição Federal do Brasil de 1988, que é referida como a
“Constituição Cidadã”, devido ao seu forte enfoque nos direitos
humanos e fundamentais. Embora o princípio da humanidade não
esteja expressamente nomeado na Constituição, ele permeia vários
de seus artigos e princípios.
O princípio da dignidade da pessoa humana, que é um dos
fundamentos da República Federativa do Brasil (art. 1º, III), está
relacionado ao princípio da humanidade. A dignidade humana é
um conceito amplo que abrange a ideia de que todas as pessoas
merecem respeito e proteção contra tratamento desumano e
degradante, independentemente de suas ações ou status social.
CÁLCULO DA PENA 33
A Constituição proíbe, explicitamente, a tortura e outros
tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes (art. 5º, III). Essa
proibição é uma manifestação direta do princípio da humanidade,
assegurando que, mesmo os indivíduos acusados ou condenados
por crimes, têm direito a um tratamento que preserve sua integri-
dade física e mental.
O art. 5º, XLIX, garante aos presos o respeito à integridade
física e moral, reforçando o princípio da humanidade no contexto
das condições carcerárias e da execução penal. Esse princípio exige
que os estabelecimentos penais não sejam apenas locais de punição,
mas também de ressocialização, proporcionando condições dignas
aos detentos.
Dessa forma, enquanto o princípio da humanidade pode
não estar explicitamente nomeado na Constituição Brasileira, está
Unidade 2
34 CÁLCULO DA PENA
A principal fonte de diretrizes sobre o cálculo da pena no
Brasil é o Código Penal (Decreto-Lei n.º 2.848, de 1940). Esse código
estabelece os tipos penais, bem como as respectivas sanções e
detalha o processo de dosimetria da pena, que ocorre em três fases:
Unidade 2
réu.
CÁLCULO DA PENA 35
•• Atenuantes: podem incluir menoridade, confissão
espontânea, entre outros.
Fonte: Freepik.
36 CÁLCULO DA PENA
Além desses critérios, o juiz deve observar os princípios
da individualização da pena, da proporcionalidade, entre outros,
para garantir que a sanção aplicada seja justa e adequada ao caso
concreto.
Unidade 2
uma pena desproporcional pode levar a percepções de injustiça
e desigualdade.
CÁLCULO DA PENA 37
um indivíduo do mercado de trabalho e de seu ambiente social
tem implicações econômicas e sociais.
38 CÁLCULO DA PENA
proporcionalidade. Isso pode violar os direitos humanos e levar a
condenações que superam a gravidade do crime cometido.
Unidade 2
O encarceramento desproporcional não só é caro para o
sistema de justiça, mas também impõe custos sociais e econômicos
significativos, retirando indivíduos do mercado de trabalho e
impondo ônus às suas famílias e às comunidades.
Imagem 2.7 - Encarceramento
Fonte: Freepik.
CÁLCULO DA PENA 39
Segundo dados da Secretaria Nacional de Políticas
Penais um preso custa em torno de R$ 1.819 por
mês aos cofres públicos. O valor é 37% maior do
SAIBA MAIS que o atual salário-mínimo nacional, que é de
R$ 1.320. Para se aprofundar nessa informação,
acesse o link disponível aqui.
40 CÁLCULO DA PENA
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de
que você realmente entendeu o tema de estudo
RESUMINDO deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos.
Nesta unidade, você aprendeu que a dosimetria
da pena constitui uma das etapas cruciais do
processo penal, em que os princípios da legalidade,
da individualização e da proporcionalidade são
invocados para assegurar que a justiça seja feita de
forma equitativa e eficaz. Os fundamentos legais
para o cálculo da pena estão fundamentados
no Código Penal brasileiro e na legislação
complementar, como a Lei de Execução Penal,
fornecendo um arcabouço jurídico robusto que
guia a aplicação e execução das penas.
Unidade 2
A aplicação da pena deve ser realizada com rigor e
sensibilidade, levando em consideração a natureza
do crime, as circunstâncias em que foi cometido
e as características pessoais do condenado.
A legislação brasileira estipula critérios claros
para o cálculo das penas, iniciando com a pena-
base e ajustando-a conforme as circunstâncias
atenuantes e agravantes, bem como as causas de
diminuição ou aumento de pena.
Os fundamentos legais sobre o cálculo da pena
no Brasil refletem um equilíbrio delicado entre
a retribuição justa pelos crimes cometidos e a
promoção da reintegração social dos condenados.
Essa abordagem ressalta a humanidade
inerente ao sistema de justiça penal e reafirma o
compromisso do Brasil com os direitos humanos e
com a dignidade da pessoa humana.
CÁLCULO DA PENA 41
Cálculo da pena privativa de
liberdade
Ao término deste capítulo, você será capaz de
entender como funciona o cálculo da pena
privativa de liberdade no ordenamento jurídico
OBJETIVO brasileiro. Esse conhecimento será fundamental
para o exercício de sua profissão, seja você um
operador do direito, um estudante de direito ou
alguém interessado no sistema de justiça penal.
As pessoas que tentaram navegar pelo complexo
sistema de aplicação e execução das penas, sem a
devida instrução, tiveram problemas significativos
ao interpretar corretamente a legislação e
ao aplicar os princípios de individualização e
Unidade 2
42 CÁLCULO DA PENA
Fundamentos Jurídicos e
dosimetria da Pena Privativa de
Liberdade
A pena privativa de liberdade é uma das modalidades de
punição previstas no ordenamento jurídico brasileiro e encontra
seus fundamentos jurídicos, principalmente, no Código Penal
(Decreto-Lei n.º 2.848/1940) e na Lei de Execução Penal (LEP) – Lei
n.º 7.210/1984. Esses dispositivos legais estabelecem as bases
para a aplicação, a execução e a progressão das penas no Brasil.
Unidade 2
gravidade do delito e as características do condenado.
CÁLCULO DA PENA 43
A organização criminosa: Comando Vermelho (CV)
surgiu dentro do complexo criminal da Ilha Grande
(RJ), um presídio de segurança máxima, composto
SAIBA MAIS por criminosos reincidentes. Para se aprofundar
nessa informação, acesse o link disponível aqui.
44 CÁLCULO DA PENA
1992, essa convenção estabelece que as pessoas priva-
das de liberdade devem ter seu tratamento baseado no
respeito à sua dignidade inerente.
Unidade 2
aspectos como higiene, saúde, acomodações, alimenta-
ção e acesso à justiça.
Imagem 2.8 - Regras de Mandela
Fonte: Freepik.
CÁLCULO DA PENA 45
A adesão do Brasil a esses tratados reflete o compromisso
do País com o respeito aos direitos humanos e com a promoção
de um tratamento digno e humano aos indivíduos privados de
liberdade. Na prática, isso implica a adoção de políticas públicas
e ações governamentais que visem garantir a aplicação desses
princípios no sistema prisional brasileiro.
Critérios de Aplicação e
Agravantes e Atenuantes
Unidade 2
46 CÁLCULO DA PENA
a prática do crime com abuso de autoridade ou violação de dever
inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão; contra crianças,
idosos, enfermos ou mulheres grávidas; e à noite ou em locais
desertos, entre outros. A presença de agravantes pode aumentar
a pena base.
Unidade 2
data da sentença;
II - o desconhecimento da lei;
CÁLCULO DA PENA 47
Destaca-se que, para que haja o arrependimento
posterior, há que ser possível a efetiva restituição da coisa ou
que seja possível sua reparação. Contudo, a jurisprudência é
clara ao estabelecer que: a causa de diminuição de pena do
arrependimento posterior pode incidir nos crimes cometidos
sem violência ou grave ameaça à pessoa quando houver a
reparação integral, voluntária e tempestiva do dano, mesmo que
realizada por terceiros, por se tratar de circunstância objetiva que
se estende a todos os coautores ou partícipes do crime (STJ, APn
629/RO, Rel.ª Min.ª Nancy Andrighi, CE, DJe 10/08/2018).
48 CÁLCULO DA PENA
Gráfico 2.1 - Frases da dosimetria da pena
02 Análise das
03 Análise das
01 Fixação da pena- circunstâncias
causas de aumento e
base agravantes e
diminuição
atenuantes
Analisando as Agravantes (art. 61 do Analisando as
circunstâncias judiciais CP): João é reincidente; circunstâncias judiciais
(art. 59 do CP), o juiz (art.
- Atenuantes (art. 65 do
observa:
CP): não há. 59 do CP), o juiz observa:
- Culpabilidade: a
Com isso, o juiz aumenta - Culpabilidade: a
conduta de João
a pena em 1 ano conduta de João
demonstra grande
demonstra grande
reprovação, pois agiu pela agravante da
reprovação, pois agiu
com violência; reincidência, resultando
com violência;
- Antecedentes: João em 8 anos de reclusão.
- Antecedentes: João
possui uma condenação
possui uma condenação
anterior definitiva
anterior definitiva
por crime da mesma
Unidade 2
por crime da mesma
natureza;
natureza;
- Conduta social e
- Conduta social e
personalidade: nada
personalidade: nada
de relevante que possa
de relevante que possa
influenciar;
influenciar;
- Motivos: o crime foi
- Motivos: o crime foi
cometido por motivo
cometido por motivo
fútil;
fútil;
- Circunstâncias e
- Circunstâncias e
consequências do crime:
consequências do crime:
o crime resultou em
o crime resultou em
lesões graves na vítima;
lesões graves na vítima;
- Comportamento da
- Comportamento da
vítima: Não contribuiu
vítima: não contribuiu
para o crime.
para o crime.
Com essas
Com essas
circunstâncias, o juiz
circunstâncias, o juiz
estabelece a pena-base
estabelece a pena-base
em 7 anos de reclusão
em 7 anos de reclusão
(acima do mínimo legal,
(acima do mínimo legal,
devido à presença
devido à presença
de circunstâncias
de circunstâncias
desfavoráveis).
desfavoráveis).
CÁLCULO DA PENA 49
Regimes de Cumprimento e
Mecanismos de Progressão e
Regressão.
O Código Penal brasileiro estabelece três regimes de
cumprimento da pena privativa de liberdade: fechado, semiaberto
e aberto.
50 CÁLCULO DA PENA
Imagem 2.9 - Reabilitação do indivíduo
Fonte: Freepik.
Unidade 2
A LEP prevê a possibilidade de progressão de regime,
ou seja, a transferência para um regime menos rigoroso, desde
que o condenado atenda a determinados requisitos, como o
cumprimento de uma fração da pena e bom comportamento
carcerário (art. 112). Da mesma forma, o condenado pode
ser regredido a um regime mais severo em caso de mau
comportamento ou cometimento de falta grave (art. 118).
CÁLCULO DA PENA 51
§ 1º Aplicam-se à organização e aos métodos
de trabalho as precauções relativas à
segurança e à higiene.
52 CÁLCULO DA PENA
que não só pune, mas também se preocupa com a reeducação e a
reintegração social dos condenados.
Unidade 2
objetivos e subjetivos, como a culpabilidade,
as circunstâncias do crime, as agravantes e
atenuantes e a conduta social do réu.
O estudo do cálculo da pena privativa de liberdade
permite refletir sobre a finalidade do sistema
penal, que vai além da punição, visando também
à prevenção de novos delitos e à reintegração
do condenado à sociedade. Por isso, o correto
entendimento e a aplicação da dosimetria penal
são indispensáveis para a efetividade do sistema
de justiça criminal. Portanto, a compreensão
aprofundada sobre o cálculo da pena privativa de
liberdade é um requisito essencial para a prática
jurídica e uma contribuição para a consolidação de
um sistema penal mais justo, humano e eficaz.
CÁLCULO DA PENA 53
Alternativas à pena privativa
de liberdade
Ao término deste capítulo, você será capaz de
entender como funcionam as alternativas às
penas privativas de liberdade. Esse conhecimento
OBJETIVO é fundamental para o exercício da advocacia
criminal, para a atuação no Ministério Público,
no Judiciário e para todos os profissionais que
lidam com a execução penal. Muitas pessoas que
tentaram aplicar essas alternativas, sem a devida
instrução, encontraram dificuldades ao adequá-
las ao contexto do caso concreto, ou enfrentaram
desafios ao buscar a efetiva ressocialização do
condenado. As alternativas às penas privativas de
Unidade 2
54 CÁLCULO DA PENA
segurança pública. Avancemos, portanto, na exploração desse
tema tão relevante para a justiça penal contemporânea.
Unidade 2
O cumprimento de penas restritivas de liberdade enfrenta
diversos desafios no Brasil e em outros sistemas jurídicos ao redor
do mundo. Alguns dos principais são:
CÁLCULO DA PENA 55
e proporcionar atividades que sejam verdadeiramente
educativas e reintegradoras.
56 CÁLCULO DA PENA
Para aprofundar no tema dos desafios da
ressocialização de egressos do sistema prisional,
acesse o link disponível aqui.
ACESSE
Unidade 2
•• Superlotação – é um dos maiores problemas do sistema
prisional brasileiro. Muitas prisões operam muito acima
de sua capacidade, o que gera condições insalubres,
aumento da violência e dificuldade na gestão dos
presidiários.
O art. 88 da LEP contém norma programática
até hoje não efetivada no sistema penitenciário
brasileiro, onde que as celas, em regra, não
passam de compartimentos construídos sem
qualquer preocupação com as diretrizes da
LEP, insalubres e superlotados, a descortinar
flagrantes e impunes violações a direitos e
garantias individuais assegurados na CF. “É
público e notório que o sistema carcerário
brasileiro ainda não se ajustou à programação
visada pela LEP. Não há, reconhecidamente,
presídio adequado ao idealismo programático
da LEP. É verdade que, em face da carência
absoluta nos presídios, notadamente no Brasil,
os apenados recolhidos sempre reclamam
CÁLCULO DA PENA 57
mal-estar nas acomodações, constrangimento
ilegal e impossibilidade de readaptação à vida
social” (RT 736/685). (Marcão, 2017)
Regra 13
58 CÁLCULO DA PENA
inadequada, falta de acesso a serviços de saúde e
alimentação de baixa qualidade.
Unidade 2
reabilitação e reintegração social contribui para altas
taxas de reincidência. Muitos presos saem das prisões
sem perspectivas de emprego ou suporte social, o que
os torna vulneráveis a retornar ao crime.
CÁLCULO DA PENA 59
sos e desencorajar a recuperação social e econômica após a libe-
ração. A busca por soluções para esses problemas é fundamental
para a construção de um sistema de justiça criminal mais justo e
eficaz.
Penas alternativas no
ordenamento brasileiro
No ordenamento jurídico brasileiro, as penas alternativas,
Unidade 2
60 CÁLCULO DA PENA
•• Prestação de serviço à comunidade ou a entidades pú-
blicas – o condenado é obrigado a trabalhar, gratuita-
mente, por um período determinado, em atividades de
interesse social ou comunitário. O trabalho deve ser
compatível com suas aptidões e não pode interferir em
sua jornada normal de trabalho.
Unidade 2
ras diárias, em casa do albergado ou outro estabeleci-
mento adequado, em que serão realizadas atividades
educativas.
Imagem 2.10 - Prestação de serviço à comunidade
Fonte: Freepik.
CÁLCULO DA PENA 61
condenado e a reparação do dano causado, evitando os efeitos
negativos do encarceramento. Elas são uma expressão da busca
por um sistema penal mais humanizado e eficaz na prevenção da
reincidência.
Em determinados casos, é possível a substituição da
pena privativa de liberdade por penas restritivas de direitos. Esse
mecanismo busca atender ao objetivo ressocializador da pena,
evitando o encarceramento desnecessário.
A substituição da pena privativa de liberdade por penas
restritivas de direitos é uma medida prevista na legislação penal
brasileira, especificamente, no Código Penal (Decreto-Lei n.º
2.848/1940). Esse mecanismo está inserido no contexto das
penas alternativas, que oferecem ao condenado uma forma de
cumprimento de pena diversa do encarceramento, com foco na
Unidade 2
62 CÁLCULO DA PENA
1. Fiscalização – assegurar que a pena alternativa seja
devidamente cumprida pode ser desafiador.
2. Conscientização judicial – nem sempre os magistrados
optam pelas penas alternativas, preferindo a prisão.
3. Infraestrutura para execução – é preciso haver locais
e projetos adequados para a realização dessas penas.
Unidade 2
serviços à comunidade e de limitação de
fim de semana, ajustando-as às condições
pessoais do condenado e às características do
estabelecimento, da entidade ou do programa
comunitário ou estatal.
CÁLCULO DA PENA 63
Imagem 2.11 - Conversão de pena de prestação a comunidade em multa
Fonte: Freepik.
Unidade 2
64 CÁLCULO DA PENA
condenado não deve ultrapassar 2 anos. Em alguns casos, como
em crimes ambientais, esse limite pode ser estendido.
Unidade 2
bom comportamento e não cometer nenhum novo
crime durante o período de prova.
CÁLCULO DA PENA 65
Os sursis é uma ferramenta importante na política
criminal, visto que proporciona ao condenado a oportunidade de
reintegração social sem o ônus do encarceramento, desde que
cumpra as condições impostas, contribuindo para a desafogamento
do sistema prisional e para a humanização da pena.
Descrição Execução
66 CÁLCULO DA PENA
Proíbe o condenado de O juiz estipula as atividades
exercer certas atividades ou ou os lugares dos quais o
de frequentar determinados condenado deve se afastar.
Interdição
lugares por um período. Pode O descumprimento pode
temporária
incluir a proibição do exercício acarretar a revogação da pena
de direitos
de cargo, função ou atividade. alternativa e a aplicação da
pública, bem como de direitos pena privativa de liberdade
políticos. originalmente imposta.
O condenado deve
permanecer, nos finais de O juiz determina o local em que
semana, por cinco horas o condenado deve comparecer
Limitação
diárias, em casa de albergado e as atividades que serão
de fim de
ou outro estabelecimento realizadas. O não cumprimento
semana
adequado, nos quais pode resultar na revogação da
serão realizadas atividades medida.
educativas.
Unidade 2
O juiz determina o valor e a
Consiste no pagamento
forma de pagamento, que
em dinheiro à vítima, a
pode ser parcelada, conforme
Prestação seus dependentes ou a
a capacidade econômica do
pecuniária entidade pública ou privada
condenado. O descumprimento
com destinação social, de
pode levar à revogação da pena
importância fixada pelo juiz.
alternativa.
Bens e valores do condenado O juiz determina quais bens
Perda de são confiscados e revertidos serão perdidos e em que
bens e ao Fundo Penitenciário medida, assegurando que
valores Nacional (FUNPEN) ou a outro não afetará a subsistência do
fundo semelhante. condenado e de sua família.
Impõe ao condenado a
O juiz define os lugares que
proibição de frequentar
o condenado deve evitar e o
Restrição de determinados lugares ou
período dessa restrição. O não
direito de se ausentar da comarca
cumprimento pode acarretar a
onde reside, sem autorização
revogação da medida.
judicial.
CÁLCULO DA PENA 67
podem ser convertidas em penas privativas de liberdade, conforme
o estabelecido na sentença inicial.
68 CÁLCULO DA PENA
REFERÊNCIAS
ANGELO, T. Taxa de retorno ao sistema prisional entre adultos
é de 42%, aponta pesquisa. Conjur, 3 mar. 2020. Disponível em:
[Link]
sistema-prisional-aponta-pesquisa. Acesso em: 14 nov. 2023.
Unidade 2
ROSSETTO, E. L. Teoria e aplicação da pena. São Paulo: Atlas,
2014.
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