Este atlas apresenta uma visão geral das principais regiões das Terras Afogadas,
servindo como referência para a criação de personagens. Ao escolher uma região
de origem, considere não apenas o ambiente, mas também as culturas, conflitos e
modos de vida descritos, utilizando essas informações para fundamentar
motivações, vínculos e objetivos narrativos.
As Terras Afogadas
As Terras Afogadas são um gigantesco mundo dividido nos dias atuais, pois há
incontáveis anos atrás uma antiga civilização causou um gigante colapso arcano,
desta forma, forças que outrora sustentavam o equilíbrio entre os planos foram
violentamente rompidas. O resultado não foi imediato, mas inexorável: as marés
elevaram-se além de qualquer limite natural, continentes inteiros foram engolidos e
o próprio relevo do mundo foi reconfigurado sob o domínio das águas.
A civilização responsável por tal catástrofe, cuja identidade hoje se encontra
fragmentada em lendas contraditórias e registros incompletos, teria alcançado um
domínio sobre as energias arcanas que excedia qualquer compreensão
contemporânea. Na tentativa de manipular tais forças - seja para controle climático,
transcendência ou domínio absoluto sobre a matéria - desencadeou um colapso de
proporções globais, condenando não apenas a si mesmos, mas toda a superfície
conhecida.
Do que outrora foram cidades, impérios e centros de conhecimento, restam apenas
ruínas submersas, preservadas em silêncio nas profundezas. Torres quebradas,
templos afundados e mecanismos ainda pulsantes de energia arcana jazem sob
camadas de água e escuridão, como vestígios de um passado que se recusa a
desaparecer por completo. Em meio a essas estruturas, ecos dessa antiga
civilização ainda persistem - seja na forma de artefatos, inscrições indecifráveis ou
entidades transformadas pelo próprio desastre que ajudaram a criar.
Assim, o mundo atual ergue-se sobre fragmentos instáveis desse legado, onde cada
mergulho nas profundezas não representa apenas a busca por riquezas ou
conhecimento, mas um risco real de reacender forças que, uma vez, foram
suficientes para afogar o próprio mundo.
Regiões das Terras Afogadas
No presente, as Terras Afogadas organizam-se em arquipélagos dispersos, cada
qual marcado por condições extremas e identidades próprias, moldadas tanto pelo
ambiente quanto pelos vestígios do mundo submerso.
Imagem 1 - Mapa
Ermos Selvagens
Ao sul, os Ermos Selvagens apresentam um cenário inesperado em um mundo
dominado pelas águas: um vasto deserto, árido e inclemente. Ventos abrasadores
percorrem dunas intermináveis, revelando ocasionalmente estruturas soterradas
que sugerem que nem toda a destruição veio apenas da elevação dos mares, mas
também de forças que drenaram e corromperam a própria terra.
Imagem 2 - Os Ermos Selvagens
Nos Ermos Selvagens, a existência é marcada pelo nomadismo e pela resistência,
com povos que enfrentam a aridez e as tempestades constantes em busca de
recursos escassos e vestígios soterrados. Ainda assim, mesmo sob tais condições,
duas cidades conseguiram se estabelecer, Dornasol e Xylar.
Dornasol – Dornasol constitui-se como um raro ponto de estabilidade nos Ermos
Selvagens, erguido às margens do chamado Lago dos Milagres, uma das poucas
fontes permanentes de água da região. A cidade surgiu da convergência de
pequenos grupos nômades que, diante das adversidades do deserto, encontraram
refúgio comum sob a liderança de Makhar Dornas, um ifrit cuja presença foi decisiva
para a sobrevivência coletiva. Reconhecido tanto por sua força quanto por sua
capacidade de orientação, Dornas não apenas protegeu essas populações das
ameaças do deserto, mas também as guiou até o lago, estabelecendo as bases de
uma comunidade duradoura. Até os dias atuais, Dornasol mantém uma identidade
heterogênea, marcada pela cooperação entre povos distintos e pela constante
necessidade de defesa e adaptação.
Xylar – A cidade murada de Xylar ergue-se como um bastião de ordem e devoção
em meio ao caos dos Ermos Selvagens. Estruturada ao redor de um imponente
templo dedicado ao panteão do Sol Maior, a cidade organiza sua vida social, política
e espiritual sob a égide de divindades associadas ao sol, ao conhecimento, ao fogo,
ao pó e à cura. Seu nome remonta ao primeiro grande sacerdote desse culto, Xylar,
cuja liderança foi fundamental para consolidar o assentamento como um centro
religioso e cultural. Protegida por muralhas robustas e sustentada por uma disciplina
quase ritualística, Xylar atrai peregrinos, estudiosos e sobreviventes, funcionando
simultaneamente como refúgio e como centro de difusão doutrinária em uma região
marcada pela instabilidade.
Mata Esmeralda
A oeste, a Mata Esmeralda ergue-se como um contraste vibrante, uma massa
densa de vegetação que cresceu sem contenção após o Afogamento. Árvores
colossais, raízes entrelaçadas e uma biodiversidade hostil transformaram a região
em um labirinto vivo, onde antigas construções foram engolidas pela floresta e
agora fazem parte de seu ciclo.
Imagem 3 - A Mata Esmeralda
Na Mata Esmeralda, a vida se organiza em equilíbrio tenso com uma floresta
dominante, onde comunidades aprendem a coexistir - ou sucumbir - à vontade de
uma natureza expansiva e imprevisível. Destacam-se duas comunidades nesta
região: Coração Verde e Verdália.
Coração Verde – Diferentemente de Verdália, cuja presença é sutil e velada,
Coração Verde manifesta-se como um núcleo vibrante de vida no interior da floresta.
Trata-se de uma grande comunidade formada majoritariamente por leshys e
ghorans, cuja existência está intrinsecamente ligada ao ciclo vital da Mata
Esmeralda. Suas habitações não são construídas, mas cultivadas, crescendo a
partir da própria vegetação que os cerca. Em Coração Verde, não há distinção clara
entre assentamento e ambiente: a vila pulsa como parte do organismo maior da
floresta. Seus habitantes vivem em profunda comunhão com o meio, atuando tanto
como seus defensores quanto como extensões de sua própria vontade.
Verdália – Oculta nas profundezas da Mata Esmeralda, Verdália é um antigo
recanto élfico que se destaca não por sua imponência arquitetônica, mas por sua
integração quase invisível ao ambiente natural. Suas estruturas são moldadas em
harmonia com as árvores colossais e o relevo da floresta, tornando-se
indistinguíveis àqueles que não conhecem seus caminhos. Os elfos de Verdália
assumem o papel de guardiões da floresta, dedicando-se à preservação de seu
equilíbrio e à contenção de ameaças que possam comprometer sua integridade.
Mais do que habitantes, são intérpretes da vontade da Mata Esmeralda, agindo com
cautela e precisão diante de qualquer interferência externa.
Planície Branca
Ao norte, a Planície Branca estende-se como um domínio de gelo e silêncio.
Coberta por neves eternas e mares parcialmente congelados, a região abriga
comunidades resilientes que sobrevivem entre tempestades gélidas e estruturas
antigas preservadas sob o permafrost. É dito que, sob o gelo, ruínas intactas
aguardam aqueles dispostos a enfrentar o frio implacável.
Imagem 4 - A Planície Branca
Na Planície Branca, os povos sobrevivem por meio de disciplina rigorosa e
cooperação, enfrentando o frio extremo enquanto exploram, com cautela, as ruínas
preservadas sob o gelo. Há praticamente apenas dois povos nesta região: Refúgio
do Inverno e a Tundra de Cristal.
Refúgio do Inverno – Situado nas regiões mais severas da Planície Branca, o
Refúgio do Inverno constitui-se como uma fortaleza viva contra as ameaças que
emergem tanto das Ilhas Cinzas quanto das profundezas oceânicas. Organizado
sob uma estrutura matriarcal, o assentamento é liderado por uma enigmática bruxa
do gelo, cuja autoridade combina domínio arcano e legitimidade cultural. Sob sua
condução, o Refúgio estabeleceu um acordo estratégico com outras regiões das
Terras Afogadas: em troca de mantimentos e recursos, seus habitantes assumem a
responsabilidade de conter incursões hostis, funcionando como uma linha de defesa
avançada contra forças externas. A vida no Refúgio é regida por disciplina, tradição
e constante preparação para o conflito, sendo seus membros treinados desde cedo
para resistir tanto ao ambiente implacável quanto às ameaças que emergem dele.
Tundra de Cristal – Localizada em uma faixa relativamente menos hostil ao sul da
Planície Branca, a Tundra de Cristal desempenha um papel essencial na
manutenção das relações inter-regionais. Diferentemente do caráter militarizado do
Refúgio do Inverno, esta comunidade organiza-se em torno da logística, da coleta e
da redistribuição de recursos provenientes de outras regiões. Seus habitantes são
responsáveis por receber, armazenar e encaminhar mantimentos, além de atuar
como intermediários comerciais, especialmente nas trocas com os povos da Mata
Esmeralda. O nome da localidade deriva das formações naturais de gelo translúcido
que permeiam a região, conferindo ao ambiente uma aparência quase cristalina.
Apesar de sua função mais econômica, a Tundra de Cristal não está isenta de
perigos, exigindo de seus habitantes constante vigilância e habilidade diplomática
para sustentar o delicado equilíbrio entre abastecimento e sobrevivência.
Porto Naufrágio
No centro deste mosaico instável encontra-se o Porto Naufrágio, o principal eixo de
interação entre os povos das Terras Afogadas. Erguido sobre destroços e recifes
artificiais, o porto funciona como um polo comercial e político, onde guildas,
exploradores e mercadores disputam influência e acesso às riquezas ocultas sob as
águas. É também o ponto de partida para expedições rumo às profundezas - e,
consequentemente, ao passado esquecido que ainda molda o destino do mundo.
Imagem 5 - O Porto Naufrágio
Em Porto Naufrágio, diferentes povos convivem em meio à instabilidade política e
econômica, sustentando-se pelo comércio, pela exploração e pela disputa por
recursos vindos das profundezas. Dentre esses povos destacam-se a Liga das
Marés e o Mercado de Parede.
Liga das Marés – Estendendo-se ao longo da orla da ilha central, a Liga das Marés
configura-se como um vasto aglomerado de mercados flutuantes, embarcações
ancoradas e estruturas provisórias dedicadas ao comércio contínuo. Trata-se de um
dos principais pontos de convergência entre os povos da superfície e as raças
subaquáticas, que ali emergem com frequência para realizar trocas, negociações e
acordos. A dinâmica da Liga é marcada pela fluidez - tanto literal quanto social -,
onde alianças comerciais se formam e se desfazem com a mesma rapidez das
marés. Mercadorias raras, artefatos recuperados das profundezas e recursos
exóticos circulam constantemente, tornando o local um centro vital para a economia
das Terras Afogadas, ainda que permeado por disputas, barganhas agressivas e
interesses conflitantes.
Mercado de Parede – Diferentemente da instabilidade característica da Liga das
Marés, o Mercado de Parede estabelece-se como um polo comercial fixo e
estruturalmente singular. Erguido ao longo da face exposta de uma montanha
submersa, cujo pico emerge acima do nível do mar, o assentamento desenvolve-se
verticalmente, com casas de guilda, armazéns e espaços de negociação distribuídos
em diferentes níveis da rocha. Escadas íngremes, passarelas de madeira e
plataformas suspensas conectam os diversos estratos do mercado, criando um
ambiente de circulação constante e, por vezes, perigosa. A organização espacial
reflete também uma hierarquia implícita, onde as posições mais elevadas são
ocupadas por guildas mais influentes. O Mercado de Parede destaca-se não apenas
pela solidez de suas construções, mas também por sua relativa estabilidade política,
funcionando como um contraponto à volatilidade dos mercados flutuantes e como
um centro estratégico de controle comercial na região.
Sargaço Vivo
A leste, o Sargaço Vivo constitui uma das regiões mais peculiares do mundo
conhecido. Ali, massas de vegetação flutuante e estruturas de madeira orgânica
formam ilhas mutáveis, conectadas por raízes e cipós que parecem possuir vontade
própria. A fronteira entre flora e arquitetura torna-se indistinta, levantando dúvidas
sobre a natureza consciente desse ecossistema.
Imagem 6 - O Sargaço Vivo
No Sargaço Vivo, os habitantes adaptam-se a um ambiente orgânico e mutável,
vivendo sobre estruturas vegetais vivas que exigem constante ajuste e respeito às
dinâmicas do próprio ecossistema. Devido às características únicas desta região, há
apenas uma grande comunidade desenvolvida, o Brejo de Gatohr.
Brejo de Gatohr – Situado entre as massas densas e mutáveis do Sargaço Vivo, o
Brejo de Gatohr constitui uma comunidade resiliente de iruxi cuja existência está
profundamente enraizada na lógica da sobrevivência e da adaptação constante.
Diferentemente de outros assentamentos mais estruturados, Gatohr desenvolve-se
de forma orgânica, acompanhando os deslocamentos e transformações do próprio
ambiente, com habitações erguidas sobre plataformas vivas de vegetação
entrelaçada. Seus habitantes são exímios caçadores e pescadores, especializados
na captura de criaturas raras e por vezes perigosas, muitas das quais inexistentes
em outras regiões das Terras Afogadas. Esses recursos, frequentemente únicos,
tornam-se a base de suas trocas com comunidades externas, garantindo a
manutenção de relações comerciais estratégicas. Ainda assim, o contato com
estrangeiros é conduzido com cautela, pois os iruxi de Gatohr priorizam a
preservação de seu território e de seus conhecimentos, conscientes de que o
equilíbrio que sustenta sua sobrevivência é tão instável quanto o próprio Sargaço
Vivo.
Terras Altas
Ao nordeste, existem as Terras Altas, uma região montanhosa composta por
diversas aldeias isoladas, construídas em encostas, cavernas e picos elevados.
Essas áreas escaparam parcialmente do Afogamento, preservando formas mais
antigas de organização social, conhecimento, fauna e flora.
Imagem 7 - As Terras Altas
Nas Terras Altas, comunidades isoladas mantêm tradições antigas em
assentamentos montanhosos, equilibrando autossuficiência e vigilância constante
diante das ameaças externas e subterrâneas. Nas faces das montanhas há diversas
pequenas comunidades de strixes e outras raças aéreas ou adaptadas às altas
altitudes, mas no interior destas elevações, há uma complexa e gigantesca
comunidade de raças subterrâneas, chamada Pico da Forja.
Pico da Forja – Encravado no interior de uma das maiores formações montanhosas
das Terras Altas, o Pico da Forja constitui uma vasta comunidade subterrânea
estruturada em uma rede complexa de túneis, salões e clareiras internas esculpidas
na rocha. Diferentemente de outros assentamentos isolados, caracteriza-se por uma
convivência relativamente harmoniosa entre diversas raças adaptadas ao ambiente
subterrâneo, com destaque para anões e surki, cujas tradições e conhecimentos
técnicos sustentam a identidade local. A comunidade é amplamente reconhecida
como um dos principais centros produtivos das Terras Afogadas, especializada tanto
na confecção de itens mundanos quanto na manufatura de artefatos mágicos. Além
disso, o Pico da Forja distingue-se pelo domínio no desenvolvimento e na produção
de pólvora e armamentos de fogo, tecnologia ainda rara e estrategicamente valiosa
no mundo. Tal expertise não apenas garante sua relevância econômica, mas
também atrai comerciantes, aventureiros e facções interessadas em adquirir - ou
controlar - seus recursos, tornando o local um ponto de tensão latente entre
cooperação e interesse político.
O Subaquático
Sob a superfície das Terras Afogadas estende-se um mundo vasto e em grande
parte desconhecido. Antigas cidades, estruturas colossais e ecossistemas inteiros
permanecem submersos, preservando fragmentos da civilização que causou o
Afogamento. Povos adaptados às profundezas - sejam nativos ou transformados -
habitam essas regiões, onde a pressão, a escuridão e forças arcanas instáveis
impõem desafios únicos. Explorar o subaquático não é apenas uma questão de
capacidade física, mas também de preparo arcano e psicológico, pois aquilo que
repousa nas profundezas nem sempre permanece inerte.
Imagem 8 - Recifes de corais