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Prólogo

O protagonista, Jin, é um guarda real responsável por cuidar do príncipe Athan, que está prestes a ser coroado rei. Enquanto lida com as pressões do reino e as críticas à sua liderança, Athan demonstra uma personalidade complexa, alternando entre desinteresse e astúcia. A relação entre Jin e Athan é marcada por lealdade, humor e um entendimento profundo das inseguranças do príncipe.
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Prólogo

O protagonista, Jin, é um guarda real responsável por cuidar do príncipe Athan, que está prestes a ser coroado rei. Enquanto lida com as pressões do reino e as críticas à sua liderança, Athan demonstra uma personalidade complexa, alternando entre desinteresse e astúcia. A relação entre Jin e Athan é marcada por lealdade, humor e um entendimento profundo das inseguranças do príncipe.
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Prólogo

Calmaria antes da tempestade

Encarar o abismo e esperar que ele te encare de volta deve ser menos doloroso do que a experiência de
passar horas contemplando o teto de um quarto que não é seu. Tanto tempo que cada detalhe da
superfície cuidadosamente pintada por um artista renomado fica claro. Tanto tempo que cada
pincelada se torna evidente, até mesmo no escuro, enquanto conto os segundos até que o sol
finalmente nasça no horizonte.

O som das ondas batendo contra as rochas, ao longe, já não é mais uma distração. O barulho constante,
agora se dissolve em um silêncio tedioso. Você nem percebe mais que ele está lá. Mas não que eu esteja
reclamando. Esse é o trabalho da minha vida, afinal.

Descruzo os braços, apoiando no descanso da poltrona, e tiro os olhos do teto. Meu olhar, então, cai
sobre ele.

Desde o incidente com os últimos reis, a guarda real se tornou extremamente severa. Guardas vigiam na
porta do quarto, e um dos quatro da guarda especializada permanece do lado de dentro. E revezamos
entre quem perderá a noite apenas observando o príncipe Athan dormir — sem poder piscar por mais
de um segundo.

É claro que, felizmente ou infelizmente, eu fico com quatro dias da semana só pra mim. Como futuro
capitão e líder da guarda, o trabalho pesado sobra pro meu lado. Mas acho que o Athan prefere assim.
Os outros dizem que ele é calado, tímido, desconfortavelmente observador. Mas comigo ele fala até
dormir.

E ele continua gracioso até dormindo. Essa palavra descreve ele melhor do que tudo. Parece que foi
inventada só pra ele.
Lentamente olho pro teto de novo, mas não consigo evitar um sorriso de canto. Em uma semana, Athan
vai ser coroado rei de Maerk. E quando isso acontecer, ele vai finalmente entregar minha...

Um movimento estranho. Athan se mexeu duas vezes seguidas. Levanto da poltrona e vou em direção à
cama, devagar, sem fazer barulho. Athan se senta de repente, com um arfado, a mão sobre o peito,
suando frio, os olhos arregalados. Imediatamente abro a gaveta, pego o remédio dele e coloco na minha
mão.

— Athan? — chamo, mantendo o tom calmo pra tentar acalmá-lo também.

Ele se assusta ao ouvir minha voz, mas a expressão relaxa na medida do possível. Sento na cama e puxo
ele pra perto, checando a pressão e os batimentos cardíacos. Athan agarra meus ombros, mas parece se
acalmar aos poucos.

— Jin... — ele ofega.

— O que aconteceu?

— Eu... tive... um sonho ruim, só isso.

— É mesmo?..

— É. Mas... é só um sonho, tá tudo bem. Eu não queria te assustar. Já passou.

Athan fala ainda ofegante.

— Não me assustou. Tudo bem agora?

— Sim... — Ele sorri. — Você ficaria bem com um tapa-olho.

Solto um riso abafado.

— Quê? Por quê? Eu era tipo um pirata no seu sonho?

Athan dá uma risadinha.

— ...Não, você não seria um pirata nem nos meus piores pesadelos.

Ele se deita novamente.

— Piratas são maus, e desobedientes

Franzo a testa com um sorriso, mas ainda não tiro o pequeno remédio das mãos.
Então olho pra porta da varanda. Ainda falta mais ou menos uma hora pro sol nascer. Me retiro da
cama, olho ao redor do quarto antes de voltar pra poltrona. Tiro a espada da bainha, analisando a
lâmina, pesando. Apertando a base com mais força que devia.
Então ele pensa isso de mim? Será que ele sabe que eu sou mau sim? Que pessoa que está disposta a
cortar a cabeça de qualquer um que entrar nesse quarto fora de hora seria uma pessoa boa?

...Além de que ele ainda me vê como um cachorro. Mesmo depois de anos de eu avisando que odeio ser
chamado ou tratado assim, esse pirralho não muda.
Exatamente uma hora depois, os primeiros raios de sol emergem do mar e rapidamente iluminam o céu.
Me levanto pra abrir totalmente as cortinas — quase transparentes — e abrir a porta da varanda,
deixando o vento frio da manhã entrar, acompanhado pelo cheiro da maresia. Caminho até uma
pequena copa dentro do quarto dele, sirvo um copo d'água e pego mais uma vez o mesmo remédio. Vou
até ele, aguardando ao lado da cama, esperando ele acordar.

Athan se espreguiça, olha pra mim, olha pro quarto, e se senta. Lentamente, estendendo a mão com a
mesma cara de alguém que definitivamente não queria fazer aquilo, eu entrego o remédio e o copo
d'água.

— Bom dia. Conseguiu dormir bem?

— ...Sim.

Ele toma o remédio e a água. O cabelo caindo sobre o rosto dele — nem pela manhã ele fica feio ou
desajeitado. Mas faz uma careta com o gosto do remédio, que é um líquido estranho.

— Já mandem preparar meu café. E... — Ele boceja — ...minha roupa.

Athan aponta pra um roupão pendurado um pouco distante. Suspiro e atravesso o quarto pra pegá-lo.
Athan se levanta, calçando um sapato confortável, e eu o ajudo a vestir o roupão.

Então algo chama a atenção dele. Assim que termino, ele caminha lentamente até a varanda — e
obviamente eu o sigo, bem atrás. Ele para encostado no parapeito e aponta pra muitos pássaros voando
sobre um espaço específico no mar.

— Sabe o que é?

— ...Baleia?

— Sim.

Levamos isso como um sinal de que coisas boas estão por vir. Como qualquer outro dia, ele me convida
pra tomar café da manhã com ele. O silêncio é confortável. Athan come como um pássaro — fico até
envergonhado de comer o tanto que eu preciso. Ele me informa a rotina, o que vai fazer em cada
horário. Pede pra eu acompanhá-lo. Mas todos os dias, no fim da noite, ele vai à igreja. Rimos. Então,
vamos pro primeiro item da lista, uma reunião do Conselho de Mondtide.
O local é uma cúpula no alto da cidade, encostada na Catedral. Sobre a reunião, Athan é a pessoa mais
inteligente que conheço. Não importa o quanto de conhecimento qualquer homem ali tenha acumulado
ao longo dos anos — Athan sabe mais que todos eles. E ele caminha como quem sabe disso. E eu vou
sempre caminhar atrás dele. Zelando.

Athan se senta na cadeira mais alta. Eu fico parado no canto, ao lado de alguns outros soldados, no
escuro. O lugar não é acolhedor. É imponente, escuro, abafado. Não se ouvem conversas de fato —
apenas sussurros, mas os sussurros são altos, ecoam pelas paredes de pedra, se arrastam pelo chão frio
como segredos que todo mundo já sabe. O ar pesa. Até a luz parece ter medo de entrar ali. Aos poucos,
os membros do conselho ocupam seus lugares. Cadeiras de madeira escura rangem contra o chão de
pedra. Olho rápido ao redor. Faltam alguns, mas um assento, em especial, permanece vazio. O do líder
da igreja. Parlenbach. De novo.

Athan espera mais um minuto. Depois outro. Nada. Ele suspira, baixo, só eu escuto.

— Podemos começar — diz ele, e a voz ecoa com uma frieza que corta os sussurros.

O silêncio se instala. Um homem de barba grisalha se levanta, papéis tremendo nas mãos.

— As plantações, majestade... não deram certo. Pelo terceiro mês seguido. O solo parece cansado, e os
estoques...

Outro interrompe, mais à frente:

— As pescas também não vão bem. Os barcos voltam vazios. Os mais velhos falam de maldição. Eu falo
de fome.

Os murmúrios voltam, mais densos. Mas Athan... Athan não está olhando para eles.

Inclino ligeiramente a cabeça. Ele tem diante de si um pequeno espelho portátil — desses de
madrepérola que ficam sobre a mesa. Seus olhos não encaram os conselheiros. Encaram o próprio
reflexo. Ele vira o rosto levemente, checa o cabelo, passa uma mão pelos fios. Depois, examina as unhas
com uma calma quase insultuosa. Ajeita o colarinho.

Alguém fala sobre impostos. Athan boceja atrás da mão.

— ...E se realocarmos as fazendas para o sul? — sugere uma voz trêmula.

— Faça como achar melhor — responde Athan, distraído, alisando a manga do próprio casaco.
Os conselheiros trocam olhares. Ninguém diz nada. A reunião se arrasta por mais meia hora. Decisões
vagas são tomadas. Promessas de "estudar o caso". Ao final, Athan se levanta primeiro, sem se despedir.

Caminho atrás dele, como sempre.

E é no corredor, já quase na saída, que escuto. Um sussurro. Malicioso, rasteiro.

— Ele passou a reunião inteira se olhando no espelho — diz um, para outro membro que caminha ao
lado.

— O reino definhando, e ele preocupado com o cabelo.

— Parece que o príncipe não quer ser rei.

— Parece que nunca quis.

Athan não vira a cabeça. Mas seus passos diminuem uma fração de segundo. Só eu percebo.
Athan dá um leve sorriso e continua andando pra fora. Acelero o passo pra andar quase ao lado dele.
Mas ainda atrás.

— ...Não entendi. Fez isso de propósito?

Ele não responde.

—...Os assuntos da reunião. Você não parecia interessado.

Ele continua andando, entrando no automóvel. Ajudo a colocar a capa pra dentro. O motorista liga o
carro — a mais nova tecnologia desse mundo. Agora a sós, Athan abre a boca.

— Não eu não estava nem um pouco interessado naqueles assuntos idiotas. Aliás, ouviu o que falaram
de mim? — Ele diz pinçando os olhos com os dedos. — Tem uma linha tênue entre coragem e burrice.
Agora, falar isso atrás de mim …fica até difícil decidir.

— Sim... mas, bom, você fez isso mesmo.

Athan vira o rosto pra mim como se eu tivesse falado o maior absurdo existente.

— Athan, você tem dezessete anos. Eles já não te respeitam. Fazer aquilo não ajuda sua reputação.

Ele cerra os olhos ainda mais.


— Ah é mesmo? E daí? Jin, eu já disse que consigo resolver todos aqueles problemas. Eu estando errado
ou não, devo ser respeitado. Eu sou um príncipe. Não um servo qualquer.

— ...Entendi.

Olho pra frente. É como falar com uma criança.


Mas Athan não deixa por isso mesmo.

— "Entendi"? É só isso que você tem pra dizer?

— O que mais quer que eu diga? Você já decidiu.

— Decidi o quê? Que eu deveria ficar lá sorrindo enquanto me chamam de incompetente pelas costas?

— Não. Mas também não precisa dar motivo.

— Motivo? — A voz dele não sobe um tom. — Eles falariam de mim de qualquer jeito, Jin. Você sabe
disso. Eu posso salvar o reino amanhã, e ainda assim vão reclamar que eu salvei rápido demais.

Suspiro baixo.

— Tudo bem, Athan.

Ele olha pra frente, mexe inquieto no anel em seu dedo. Então olha pra mim, como se esperasse que eu
continuasse a conversa.

— O que você quer fazer? Mandar prender dois velhos por fofoca?

Falo. E ele me encara em silêncio por um instante. Depois, um sorriso fino aparece no canto da boca.

— Não. Não vou mandar prender. Você vai conversar com eles.

Pisco.

— Como assim?

— Você vai falar com eles. Não preciso ser mais claro.

Não precisamos ser mais claros aqui.


Desde que éramos pequenos, Athan sempre foi um grande mistério pra mim. Apesar de tudo que eu
disse sobre a graciosidade ser verdade, ele sempre teve algum tipo de sentimento reprimido — que só
depois de muito tempo de convivência eu consegui perceber.

Quando éramos crianças, mesmo eu sendo mais velho, isso não parecia ser um problema pra ele na
hora de agir feito o príncipe que ele era. Mandava e desmandava em mim, mas não só comigo: com
todos, até com os adultos.

Eu já deveria saber que o comportamento violento pioraria em algum momento.

Sem pais. Sendo criado por um homem que... me dá desgosto, e que não tenta agir como figura paterna.
Ou seja, sendo criado por ninguém além de si mesmo. É evidente que ele cresceria sem limite nenhum.

Agora, me mandar tarde da noite pra cortar a língua de um velho idiota fora... definitivamente não é a
ordem que eu queria receber hoje.
A mansão é grande demais pra um homem tão pequeno.

Invado pelo quintal dos fundos. Muro baixo, cerca podre. Nem precisei pular direito. A lua tá coberta de
nuvens, o que é bom — menos chance de alguém me ver entrando. Não que eu me importasse muito.
Mas Athan pediu "leve susto", então vou dar um leve susto. Do meu jeito.

A porta da cozinha está destrancada.


Piso firme, bota rangendo na madeira. Corredor escuro, cheiro de cera, e chá talvez. Subo as escadas
sem pressa.
No segundo andar tem uma luz vazando por baixo da porta. Ouço a voz dele mais uma vez. Ele está
falando sozinho? Não. Está rezando.

Abro a porta com um empurrão seco.

O velho quase cai da cadeira. Os olhos arregalam. Os lábios tremem. Ele sabe quem eu sou. Todo mundo
sabe.

— Guarda real — ele engole em seco — o que... o que faz aqui a estas horas?

Não respondo. Entro. Fecho a porta atrás de mim.

Ele recua. A cadeira tomba.

— O senhor falou alto demais hoje — minha voz sai grossa, quase um rosnado. — Falou do príncipe.

— Eu... eu só...
— O senhor tem coragem, admito. — Dou um passo. Ele dá dois pra trás. — Mas tem uma linha tênue
entre coragem e burrice.

A mão dele vai à boca, instintiva.

— Por favor... eu tenho família...

—...

Tiro a espada da bainha. O som do metal corta o ar. Ele geme, encosta na parede, quase escorrega.

Não vou cortar nada. Athan disse susto. Mas ele não precisa saber disso.

Encosto a ponta da lâmina bem de leve no queixo dele. Só o bastante pra ele sentir o frio.

— Eu…eu.. juro...

— Jura o quê?

— Juro que fico calado... nunca mais...

— Nunca mais o quê?

— Nunca mais falo do príncipe! Nunca mais!

Olho pra ele mais uns segundos. Tempo suficiente pra ele achar que vou furar mesmo.

Depois guardo a espada.


Saio sem olhar pra trás. No corredor, ainda escuto ele soluçando.

Dessa vez nem me dou ao trabalho de pular muro.

Subo os degraus da frente da mansão. Dois guardas na porta. Me reconhecem na hora — o uniforme, a
postura, a cara de poucos amigos. Trocam um olhar. Eu passo direto. E eles... deixam. Surpreendente.
Talvez tenham juízo.

O salão é iluminado. Mesa comprida. Talheres de prata. Velas. E ele ali, na ponta, garfo erguido, boca
cheia. Ao lado, uma mulher de vestido claro. Duas crianças pequenas, uma em cada lado.

O nobre me vê, e me reconhece.


Não digo uma palavra. Só paro no meio do salão. Olho fixo nele. Silêncio. Aquele silêncio que pesa, que
apodrece, que faz o suor escorrer devagar. A mulher mexe na cadeira, inquieta. As crianças não
entendem, mas sentem o clima e se encolhem.

O homem engole. Limpa a boca com um guardanapo. Tenta sorrir. Não consegue.

— Darion... — ele começa, a voz falhando. Depois pigarreia, tenta de novo com mais coragem — É pelo
que aconteceu hoje, não é? Pelo comportamento do príncipe?

Não respondo.

Ele interpreta meu silêncio como licença pra continuar.

— Athan só agiu daquela forma porque Parlenbach não estava presente. Você sabe disso. O líder da
igreja é o único que consegue manter aquele moleque na linha.

Olha pras crianças. Depois pra mim.

— Ele te mandou aqui pra latir pra mim?

Respiro fundo.
Então viro a mesa.

Pranchas de madeira, louças, talheres, copos — tudo voa. A mulher grita. As crianças choram. O homem
recua na cadeira, branco igual cera.

A mesa agora está tombada no chão. Fora do meu caminho. Dou um passo. Depois outro.

— Sabe o que acontece com cachorro que late demais? — minha voz sai baixa. Quase calma. É o pior
tipo. — Ele perde a língua.

Encosto meu rosto perto do dele. Sinto o hálito fedido de medo.

— Abre essa boca de novo pra falar do príncipe — ou pra me chamar de cachorro — e eu juro por tudo
que vou arrancar sua língua com a mão. E vou enfiar goela abaixo de você.

A mão coça pra ir no pescoço dele. Pra apertar. Pra acabar com essa cara nojenta agora.

Seguro. Com muito custo. Mas seguro.

Me afasto.
Olho pra mulher. Pras crianças. Elas estão encolhidas num canto, a menor ainda soluçando.

Depois olho de novo pra ele. Viro as costas

Não retorno pro castelo. Vou aonde eu sei que ele vai estar.

A catedral. Agora vazia, escura. Empurro o grande portão.

E como esperado, ele está lá.

Mesmo de longe consigo ver aquele sorriso de orelha a orelha quando me vê. Caminhamos pelo
corredor até nos encontrarmos.

— ...Então? — Ele pergunta como uma criança ansiosa por um presente.

— ...Feito.

Ele olha pra minhas roupas, como se buscasse alguma marca, algum vestígio de sangue.

— Sei disso. Quero os detalhes, bobinho.

— ...

Athan suspira e segura minha mão, me sentando em um dos bancos da catedral. Olho pro chão.

— ..Fiz uma criança chorar.

— Então é isso? — Athan lentamente se posiciona atrás de mim. Passa os braços em volta do meu
pescoço, num abraço que quase parece carinho. — Não se preocupa com isso, crianças esquecem
bobagens como essa. Mas... espero que você tenha resolvido a questão dos meus nobres mal-educados.

— Sim, senhor.

Ele fica ali por mais um tempo. Então segura meu rosto com uma mão, apertando minhas bochechas,
me fazendo olhar pra cima. Pro vitral do deus Maerk, iluminado pela luz da lua.

— Não precisa se preocupar com essas coisas, Jin. Esse é o plano que Maerk tem pra você. E quando ele
voltar, todos nós vamos poder descansar em paz.

— ....

— Uma ou duas crianças chorarem por isso é irrelevante, não é?


— ..O que isso tem a ver com tudo isso?

— ...Só que o plano dele pra mim envolve um pouco de medo aqui e ali. É importante pra um rei ser
temido, não é?

Ele sai de trás de mim. Passa devagar, arrastando os dedos pelos bancos da catedral. Para ao meu lado.
Não senta. Fica em pé, olhando de cima.

— Você fez muito bem hoje. — A voz muda. Fica macia. Perigosa. — Mas não pode ficar com essa cara
de cachorro espancado toda vez que eu te peço algo. Isso me cansaria. E você não quer me cansar,
quer?

— ...Não.

— Isso — Ele alisa meu cabelo, devagar. — Eu te prometi um lugar ao meu lado não é?

Ele sorri. É o sorriso mais bonito que já vi. E o mais falso.

— Vai pedir pra que eu mate alguem da próxima vez?

Athan estala a língua

— E se eu pedir? Você não vai fazer?

Cerro os olhos enquanto olho pra ele.

— Ah por favor, Jin. A vida é injusta. Vai chorar?

Me levanto, elevando-me sobre ele

— Vamos voltar pro palácio, tá bom, Athan?

Espero ele passar, pra então andar em direção a saída. Ele olha por cima do ombro.

— ..Só não leva pro pessoal, tudo bem?


….

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