AULA 1 IX.
Municípios ou às suas entidades
delegadas e a respectiva cessão
DIREITO DAS COISAS
e promessa de cessão (CC, art.
1. CONCEITO: “Direito das coisas é 1.225, II a XII e XIV) e a
o conjunto de normas que Enfiteuse (Código Civil/1916,
regem as relações jurídicas art. 674, I, e 678 a 694).
concernentes aos bens materiais
3. c) Posse: (CC, art. 1.196).
e imateriais suscetíveis de
apropriação pelo homem”. 4. d) A Laje (CC, art. 1.225, XIII)
Ou: “O direito das coisas é aquele que 5. OBJETO: a coisa = valor
cria entre a pessoa e a coisa uma econômico.
relação direta e imediata; de tal
6. TITULARIDADE: Personalidade
maneira que nela só se encontram dois
(CC, art. 2º) versus capacidade
elementos: a pessoa, que é o sujeito
(CC, arts. 3º, 4º e 5º).
ativo do direito (titular), e a coisa que
dele é objeto”. 7. SINGULARIDADE DOS DIREITOS
DAS COISAS (x direitos “das
Todo o direito das coisas é calcado
pessoas”): Personalidade.
na propriedade, que é considerado
“Pessoa humana”. Direitos
universalmente o maior
pessoais e vinculação entre
direito subjetivo que existe.
pessoas e entre pessoas
1.1 Direito Natural → Direito e coisas.
positivo → Direito objetivo → Direito
Relações jurídicas: vínculo
subjetivo
de atributividade de cada espécie
1.2 Classificação geral dos direitos das retratada no quadro.
coisas:
1. a) Eficácia “erga omnes”: NÃO
1. a) Direito real sobre coisa PERTURBE! A Teoria da
própria: a propriedade (CC, art. Obrigação Passiva Universal e
1.225, I). sua invalidade.
2. b) Direitos reais sobre coisa 2. b) Direito de sequela: dois
alheia: Superfície, servidões, usu princípios: aderência e ambulat
fruto, uso, habitação, direito oriedade.
real do promitente comprador
3. c) Ações
de
especiais: fungibilidade; duplicid
imóvel, penhor, hipoteca, anticr
ade; procedimento próprio;
ese, concessão de uso especial
desnecessidade de identificação
para fins de moradia,
imediata do polo passivo na
a concessão do direito real de
inicial.
uso, os direitos oriundos da
imissão provisória na posse, 4. d) Exclusividade: umúnico sobre
quando concedida à União, aos cada bem, salvo tempo,
Estados, ao Distrito Federal, aos
natureza ou extensão (a 3. c) Teoria contemporânea/social
questão do “com-domínio”). da posse (Raymond
Saleilles): corpus (com o
5. e) Taxatividade: numerus
elemento subjetivo
clausus.
internalizado) + função social.
6. f) Extinção do direito por
4. Espécies
abandono: abandono x
renúncia. 5. a) Posse direta e posse indireta
(CC, art. 1.197)
7. g) Prescrição
aquisitiva: conceito de 6. b) Posse justa e posse injusta
prescrição e efeitos. (1.200)
7. c) Posse de boa-fé e posse de
má-fé (1.201, 1.202 e 1.203[1])
AULA 2D IX
8. d) Posse “ad interdicta” e posse
POSSE
“ad usucapione”
1. Conceito
9. e) Posse nova e posse velha
Conceito técnico: POSSE é o poder
10. f) Posse natural e posse civil
fático de ingerência socioeconômica,
absoluto ou relativo, direto ou indireto, 11. g) Composse: pro diviso e pro
sobre determinado bem da vida, que se indiviso.
manifesta através do exercício ou
12. Aquisição da Posse
possibilidade de exercício inerente à
propriedade ou outro direito real As formas vêm previstas na legislação:
suscetível de posse.
CC/16, art. 493: apreensão, disposição
Conceito genérico (apenas para e “qualquer outra forma” e CC: 1.204:
ilustração): posse é “uma situação de “... em nome próprio...”, exercício de
fato que gera consequências jurídicas”. poderes da propriedade.
2. Natureza Jurídica O instituto da DETENÇÃO (1.198).
Há três teorias clássicas a respeito da 4.1. Classificação dos modos de
natureza jurídica da posse: aquisição da posse
1. a) Teoria subjetiva (Friedrich 1. a) Quanto ao ato de vontade
Carl von Savigny): corpus +
• Unilateral: disposição,
animus (rem sibi habendi). D.
apreensão, exercício do direito.
Real.
• Bilateral: tradição: efetiva,
2. b) Teoria objetiva (Rudolf von
simbólica e ficta (constituto
Ihering): corpus (com elemento
possessório, traditio brevi
subjetivo internalizado). D.
manu e traditio longa manu).
Pessoal.
1. b) Quanto à derivação de efeitos
• Originária. cabeça do art. 1.210 do Código
Civil e em seu § 2º.
• Derivada: Há efeitos que
decorrem dessa classificação: os 2. b) Legítima defesa da posse: (§
princípios do nemo plus iuris ad 1º do art. 1.210 do CC)também
alium transferre potest quam chamada de desforço
ipse habet e da acessio físico, desforço
possessionis. imediato e desforço
incontinenti, é a autotutela da
1. c) Aquisição a título universal:
posse.
transmissão causa mortis, desde
a abertura da sucessão e até o 5.2. Acessórios da coisa e
momento antes da deterioração: acessórios são os frutos e
partilha; inter vivos, quando de as benfeitorias (CC, art. 92 e seguintes).
todo um patrimônio. Já a deterioração diz respeito à perda
de valor da coisa, podendo chegar ao
2. d) Aquisição a título singular:
máximo do perecimento (perda das
singularizada. Pode se dar inter
qualidades essenciais, quando o bem
vivos ou causa mortis.
deixa de existir).
3. Efeitos
Existem três princípios que regem a
Distinção entre jus possidendi e jus matéria acerca dos frutos, benfeitorias
possessionis (a commoda possessionis). e deterioração: acessório segue o
principal; princípio da presunção de
A posse tem quatro efeitos básicos:
boa-fé e res perit domino.
• Proteção possessória
Os efeitos da posse em relação aos
(interdicta): tutela jurisdicional
acessórios e deterioração estão
e autotutela.
intrinsecamente ligados na posse de
• Acessórios da coisa: frutos e boa ou de má fé, e se verificam
benfeitorias. enquanto cada situação desta perdurar,
e também quando o possuidor devolve
• Responsabilidade sobre
o bem, móvel ou imóvel, ao
deterioração: res perit domino x
proprietário.
responsabilidade subjetiva e
objetiva do possuidor. 1. a) Em relação aos frutos (CC,
art. 1.214):posse de boa-fé
• Prescrição aquisitiva: decurso
= percebidos, percipiendos e
de tempo na posse e seu efeito.
direito à indenização pela
5.1 Proteção possessória: se dá em produção e custeio dos frutos
dois níveis (CC, 1.210) pendentes, que ficam no bem. A
posse de má fé (1.216) obriga à
1. a) Tutela jurisdicional: são
devolução/indenização de
estudadas em DIREITO
todos, mas
PROCESSUAL CIVIL. A base de
compensadas/indenizadas as
direito a ser utilizada,
despesas de produção e custeio.
entretanto, está contida na
2. b) Em relação às benfeitorias o possuidor do bem imóvel é possuidor
(CC, art. 1.219):posse de boa-fé de todos os bens móveis que o compõe
= indenização das necessárias, ou que estão sobre ele (presunção juris
úteis e voluptuárias (estas a tantum). Como decorrência disso existe
possibilidade de levantamento), também um princípio no direito de
e o direito família: “Todos os bens móveis no
de retenção (necessárias e úteis casamento pertencem à comunhão”. O
), pelo valor atual de cada interessado em provar eventual direito
benfeitoria (CC, art. 1.222, parte exclusivo sobre as coisas é quem deve
final). Posse de má fé = apenas comprovar o fato.
indenização pelas necessárias
Observação 2: O artigo 1.224 do Código
(opção pelo valor atual ou
Civil apresenta o princípio de aderência
custo).
(direito de sequela) para a posse. Este
3. c) Em relação à deterioração artigo é um dos que fundamentam o
(CC, art. 1.217): a posse de boa- chamado princípio da simetria do
fé atribui responsabilidade direito (aplicação de efeitos iguais em
subjetiva ao possuidor; a de má institutos análogos). Curioso é que o
fé, objetiva. entendimento é de que esse artigo será
aplicado ao roubo e ao furto, não
5.3 Efeito da posse em relação à
podendo, entretanto, ser estendido à
prescrição aquisitiva: a usucapião é
apropriação indébita, tendo em vista
efeito da posse. Todavia, não a
haver a entrega voluntária da coisa.
estudaremos neste momento, eis que
são necessárias algumas considerações
sobre a propriedade, conceitos e
PROPRIEDADE
evolução histórica, teorias próprias e
função social etc. 1. Conceito
6. Perda da Posse É direito e garantia fundamentais do
homem (artigo 5º, caput, da
Perde-se a posse por meio de três vias:
Constituição Federal/88), que dá a este
1. a) Perda do corpus:Perecimento o poder de usar, fruir (gozar) e dispor
da coisa que dela é objeto, mantendo-a
2. b) Perda do “animus”: Muda-
no seu controle sócio-econômico,
se-o, em verdade.
tendo poder absoluto sobre ela, que
3. c) Perda do “corpus” e do sofre apenas limitações econômicas e
“animus”: Alienação ou sociais expressamente previstas na
abandono. norma jurídica.
4. Exercício: Interpretação dos É o maior direito subjetivo
arts. 1.209 e 1.224 do Código universalmente conhecido, posto que
Civil. nele se enfeixa o máximo de poderes
permitidos dentro de uma relação
Observação 1: Pelo disposto no artigo
jurídica. Diz-se maior
1.209 do Código Civil, presume-se que
direito subjetivo porque este se
conceitua como sendo a possibilidade 2.2. Interna: a estrutura interna se
ou poder de agir dado a alguém, pela revela na efetiva relação pessoa x
norma legal ou convencional, de coisa, ou seja, como o proprietário se
exercer um poder ou exigir uma vale do seu direito.
conduta ou uma omissão.
Observação 1: direito real sobre
O conceito de propriedade passou por coisa alheia é o fracionamento dessas
três fases históricas, coincidentes no prerrogativas da propriedade para
tempo: outra pessoa, diferente do proprietário
(ex.: o usufrutuário tem o direito
ABSOLUTAMENTE PRIVADA: a
de usar e de fruir, mas não tem o
propriedade é vista como direito
direito de dispor).
privado, e é absoluta. O Estado não
intervém na propriedade, sendo essa Observação 2: Princípio da Elasticidade:
então um poder pleno da pessoa sobre por mais que se fracionem as
a “coisa”. prerrogativas de poder da propriedade,
num dado momento reorganizam-se
TOTALMENTE ESTATAL: a propriedade
todas para um único titular. É o
passa a ser direito público, e tem como
“desejo” do direito (concreta e
meta servir à coletividade. O Estado
abstratamente).
define o que é o “bem da coletividade”.
CONTEMPORÂNEO: a propriedade
volta a ser direito privado, porém, 3. Características da Propriedade
desde que seja cumprida a
A propriedade é um
função suprametaindividual. Ou seja, a
direito absoluto, exclusivo, perpétuo e a
propriedade ganha diversas limitações
derente. Alguns doutrinadores colocam
onde o Estado compreende
uma quinta característica: a de
imprescindível para o bem da
ser limitado. Contudo, a ideia
coletividade, mas mantém seu caráter
de limitação não é propriamente uma
privado.
característica, mas sim
uma condição que abarca todas as
características da propriedade, donde
2. Estrutura da Propriedade:
se deduz que nenhuma delas
2.1. Externa: na estrutura externa da é, atualmente, plena ou total.
propriedade se revela a relação deste
Eis:
poder (e do próprio bem, enquanto
vinculado ao titular) com 3.1. Absoluta: é um direito pleno, dado
a sociedade (e outras pessoas, que é uma relação de poder única no
individualmente consideradas universo. É o máximo de direitos que se
também), bem como na proteção pode ter em uma relação jurídica, visto
deste direito (e do próprio bem) que o proprietário, se não pode fazer
contra interferências externas. exatamente tudo (por conta de
limitações existentes na norma
jurídica), pode o máximo de poderes
permitidos em direito, dentro de uma as mitigam, mas ainda são
relação jurídica. características fortíssimas, que tornam
esse direito real o maior direito
3.2. Exclusiva: é a já vista característica
subjetivo que se conhece
da exclusividade que permeia por todos
universalmente.
os diretos sobre as coisas, mas que na
propriedade se revela mais Existem dois tipos de limitações:
intensamente nas frações ideais
4.1 Limitações voluntárias
quando a propriedade sobre o bem est
á dividida. Podem ser:
3.3. Perpétua: apenas duas coisas são 1. Limitações que se estabelecem
perpétuas no universo, sendo a no contrato por meio de
propriedade uma delas, visto, [Link]., cláusulas restritivas dos poderes
que é transmissível causa mortis (CC, da propriedade, como nos casos
art. 1.784 do Código Civil) e não de inalienabilidade,
conhece decadência ou prescrição incomunicabilidade,
extintiva. impenhorabilidade e
indivisibilidade (somente
No direito privado, existem duas
poderão existir em contratos
exceções ao princípio da
não onerosos de transmissão de
perpetuidade presente na propriedade
propriedade), mas também
(são limitações): Propriedade
podem ser no casos onde o
resolúvel e a propriedade
proprietário cede o uso do bem
revogável (arts. 1.359 e 1.360 do
gratuita (empréstimos
Código Civil). Tais limitações atingem,
gratuitos) ou onerosamente
porém, o indivíduo, e não o próprio
(caso em que, mesmo havendo
direito ou a coisa.
a fruição – colheita de aluguéis
3.4. Aderente: é a ação do princípio da ou de outros tipos de frutos
aderência e do princípio da sobre a coisa), há restrição no
ambulatoriedade. Podem existir uso e na maioria dos casos
situações nas quais também na disposição.
a ambulatoriedade não seja atribuída
2. Propriedade gravada de ônus
ao proprietário, como nos casos de
reais, ou seja, quando existe a
alguns direitos reais sobre coisa alheia
imposição de um direito real
(etc.). Novamente, são as limitações
limitado (exemplo: usufruto,
atuando.
servidões, habitação etc.).
3. Bem de
4. (3.5 Limitada) Limitações ao família voluntário (artigo 1.711
direito de propriedade: – em especial, vide os arts.
1.715 e 1.717 – do Código Civil).
Como se disse antes, todas as
A vantagem do bem de família
características da propriedade
voluntário sobre o compulsório
encontram atualmente limitações que
(Lei 8009/1990, mencionada
abaixo) é que, no primeiro, formais. Bens móveis são aqueles
pode-se gravar qualquer bem passíveis de locomoção, sem modificar
imóvel residencial como sendo sua natureza; os outros serão
“de família”, enquanto no considerados bens imóveis. A forma
segundo há requisitos mais usada para a aquisição de bens
legalmente estabelecidos. imóveis é a transcrição (Registro do
Título), que seria uma tradição formal-
documental. A tradição “pura”
4.2 Limitações legais (conceito técnico do instituto de direito
previsto no art. 1.267 do Código Civil) é
Podem ser:
a forma comum de aquisição de bens
1. de direito público móveis. Existem, entretanto, outras
(desapropriação, requisição, formas de aquisição que são comuns
tombamento, tributação, a tanto para bens móveis quanto para
própria função social da bens imóveis (as acessões e a
propriedade); usucapião, por exemplo).
2. de direito privado (todas as Observação: o direito hereditário (CC,
relações jurídicas de vizinhança, arts. 80, II, e 1784) é entendida como
que seriam limitações para uma forma de aquisição de
construir, sossego e saúde dos bens imóveis, não importando a
imóveis vizinhos etc.); qualidade em si dos bens que compõe
o patrimônio. Há uma razão para isso,
3. de direito social (Lei do
que pode ser extraída do texto acima e
Inquilinato - 8.245/1991,
de um mínimo de senso prático: falo na
Estatuto da Terra – 4.504/1964,
aula.
Código de Defesa do
Consumidor - 8078/1990 etc.). ________________________________
2. Classificação das Formas de
Aquisição de Propriedade
AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE
3. a) Quanto ao modo pode
1. Considerações Gerais
ser: Originário ou derivado.
A propriedade, sendo um direito,
4. b) Quanto ao título pode
necessita comprovação de aquisição, o
ser: universal ou singular.
que se dá por formas específicas,
formatadas como institutos próprios Exemplos: a transcrição é uma forma
localizados entre o art. 1.238 e o art. de aquisição de modo derivado (faz-se
1.274 do Código Civil. somente por contrato) a título
singular (bem certo e determinado).
Como se nota da leitura de tais
A acessão e o usucapião são formas de
dispositivos legais, o Código Civil faz
aquisição de modo originário a título
distinção entre a forma de aquisição de
singular, e o direito hereditário é forma
bens móveis e de bens imóveis, sendo
de aquisição de modo derivado e pode
as dos últimos sempre mais solenes e
ser à título singular (através do legado
testamentário ou após, quando da por registro do título, como prefere o
efetiva partilha) ou universal (através Código Civil), segue-se o seguinte rito:
da forma aberta). Lembrar que o “O
1º) Elaboração de contrato translativo
destino de toda aquisição universal é se
de propriedade pela via do instrumento
tornar singular” (...).
público – Tabelionato de Notas (CC, art.
3. FORMAS DE AQUISIÇÃO DA 108).
PROPRIEDADE IMÓVEL
2º) Apresentação desse contrato ao
3.1 Transcrição Registro de Imóveis para PRENOTAÇÃO.
Regulada nos artigos 142 e seguintes da 3º) Prenotação (é um ato
Lei n. 6.015/73 e 1.245 do Código Civil, administrativo vinculado, no qual o
é uma forma derivada de aquisição da oficial registra o contrato translativo no
propriedade imobiliária, formal, por livro protocolo – chave geral do
meio do REGISTRO de um contrato registro). É mais do que um mero
translativo de propriedade junto ao “recibo” de apresentação, e sim um ato
Registro de Imóveis, na matrícula do fundamental que já confere
bem. prerrogativa real ao titular.
A Matrícula Imobiliária é um 4º) A partir da fase da prenotação, têm-
documento importante, e está inserida se três atitudes que poderão ser
como um dos conceitos mais tomadas pelo oficial:
importantes dos registros públicos.
• simplesmente proceder o
Os registros públicos têm como registro querido, se tudo estiver
princípio mais importante o princípio em ordem;
da publicidadedos atos registrais, que
• poderá fazer nota de
estabelece uma presunção “absoluta”
exigência/diligência, para
de que o ato passa a ser de
complementar a documentação
conhecimento geral, e somente em
para fins de registro;
hipóteses muito específicas poderá
sofrer impugnação. Deste princípio • poderá suscitar dúvida (dúvida é
decorrem ainda os seguintes, aplicados o procedimento administrativo
especificamente sobre os registros no qual o oficial entende
imobiliários e sobre as matrículas: descabido o registro e requer o
cancelamento da prenotação
• Princípio da individuação:
pelo juiz corregedor).
• Princípio da continuidade
registral:
Esta suscitação de dúvida segue os
• Princípio da veracidade
seguintes passos, por sua vez:
registral:
• o oficial deverá remeter
Portanto, como aquisição formal de
a dúvida em petição
propriedade imóvel, para ocorrer
fundamentada e instruída com
a transcrição imobiliária (ou aquisição
os documentos pertinentes ao
juiz corregedor do fôro por mais que se possa assim tratá-las
extrajudicial, o qual irá notificar como regra para resolução de
o interessado, que terá 15 dias problemas daí advindos, como se verá
para se defender, querendo. adiante. As acessões, na verdade,
são acréscimos (e não
“melhoramentos” ou “conservações”)
• após, deve-se levar à vista do em propriedades já existentes. São
Ministério Público em 10 dias, o “junção de duas propriedades que
qual poderá requerer a formam uma coisa nova”. Conceitos a
produção de provas, outras serem estudados adiante.
diligências, audiências etc.;
Existem duas classificações das
acessões, as quais se complementam e
não se excluem: quanto à origem e
• segue-se o julgamento. Dessa
quanto ao objeto.
decisão cabe apelação, em 15
dias, para o Conselho Superior a) Quanto à origem
da Magistratura. Dessa decisão
• naturais: vem da força da
não cabe recurso
natureza, sem intervenção
administrativo. Havendo ainda
humana. Regulada pelo Código
inconformismo, deve-se
de Águas (Decreto n.
recorrer às vias judiciais.
24.643/34), são as formações de
ilhas, os aluviões, avulsão e
álveos abandonados;
Observação: Dúvida inversa é um
procedimento administrativo intentado • industriais: aquelas feitas pelo
pelo particular nas hipóteses em que o homem (construções);
oficial se recusa ao registro. Procede-se
• mistas: aquelas que têm
da mesma forma que a suscitação de
intervenção do homem e da
dúvida normal.
natureza (plantações e
Observação:O procedimento semeaduras).
de dúvida se aplica analogicamente aos
b) Quanto ao objeto
outros sistemas registrais (assento de
nascimento, casamento etc.). • imóvel a imóvel: todas as
hipóteses naturais;
Observação: Registro x Averbação: há
diferença? • móvel a imóvel: construções e
plantações (semeaduras);
• móvel a móvel: comistão,
3.2 Acessões
adjunção, especificação e
Acessões são a incorporação a um confusão[1].
objeto principal de tudo quanto se lhe
As acessões naturais, imóvel a
adere em volume. Não se tratam
imóvel são as seguintes:
propriamente de acessórios da coisa,
I – Formação de ilhas: o Código de IV – Avulsão: é uma incorporação
Águas dispõe que as ilhas podem ser abrupta que normalmente decorre do
bens públicos ou bens particulares, deslocamento de terras de um imóvel a
dependendo da natureza da água (ilha outro, que tanto pode ser pelo rio ou
em água pública é bem público; ilha em por outra força natural violenta. É a
água particular é bem particular). A única hipótese que cabe indenização,
incorporação de ilha particular ocorre se exigida pelo proprietário que
na proporção da testada dos imóveis perdeu, no prazo decadencial de um
ribeirinhos de uma margem e outra, ano. O beneficiado, sendo exigido de
através de uma linha perpendicular até indenização, pode optar por indenizar
o meio do álveo. ou permitir a retirada da coisa
– obrigação facultativa.
A mudança do leito do rio que cria ilha
sobre área de propriedade já Já as acessões industriais, móvel a
consolidada não altera a propriedade, imóvel:
nem se configura acessão
V – Construções e Plantações: há uma
propriamente dita. Não há indenização
única regra (e algumas exceções), que é
possível pela perda de área decorrente
a famosa “‘acessório’ segue o
da mudança do curso, salvo se houver
principal”. O dono do terreno é sempre
responsabilidade civil exigível.
o dono do principal (critério do bem de
II – Abandono de álveo: no caso de leito raiz, presente no art. 1.253 do Código
abandonado, haverá a incorporação da Civil: é presunção relativa, conforme se
área seca na proporção da testada. observa do parágrafo único do art.
Ainda que o rio seja público, havendo 1.255 do Código Civil).
leito abandonado, poderá a área seca
Além disso, o Código Civil igualmente
incorporar bem particular. Não haverá
dirimiu um grande problema havido em
indenização para os particulares que
relação a construções ou plantações
tiverem seus imóveis atingidos por
feitas parcialmente em solo próprio e
eventual novo curso do rio, os quais
alheio, gerada pela confusão de limites
passarão a ter suas propriedades
(etc.), fato que sempre foi geratriz de
divididas na forma da formação de
inúmeras demandas judiciais.
ilhas, especialmente parte final
(parágrafo anterior).
III – Aluvião: é uma incorporação lenta 1. a) Invasão menor ou igual a
ao imóvel ribeirinho que se dá pelo 1/20 de solo alheio:
depósito de materiais feito pelo rio,
Art. 1.258. Se a construção,
não gerando nenhuma espécie de
feita parcialmente em solo próprio,
indenização ao proprietário de onde os
invade solo alheio em proporção não
materiais foram sendo retirados pelo
superior à vigésima
rio. Aluvião impróprio é aquele que
parte deste, adquire o construtor de
decorre da diminuição natural do
boa-fé a propriedade da parte do solo
volume de água que aumenta as
invadido, se o valor da construção
margens, gerando a incorporação.
exceder o dessa parte, e responde por
indenização que represente, também, o 3.3 USUCAPIÃO:
valor da área perdida e a
desvalorização da área remanescente.
Gênero: raiz latina
Parágrafo único. Pagando
em capio ou capionis, que são
em décuplo as perdas e danos previstos
femininas, portanto a usucapião.
neste artigo, o construtor de má-
fé adquire a propriedade da parte do
solo que invadiu, se em proporção à
Claro, há outra explicação sobre ser
vigésima parte deste e o valor da
usucapião um instituto feminino ou
construção exceder consideravelmente
masculino. Só em sala de aula.
o dessa parte e não se puder demolir a
porção invasora sem grave prejuízo
para a construção.
Legislação: CF, arts. 183 e 191. CC, arts.
1. b) Invasão maior do que 1/20 1.238 e seguintes; 1.260. 1.261 e 1.379.
de solo alheio: Lei 10.257/2001, arts. 9º e seguintes,
Lei 6.001/73.
Art. 1.259. Se o construtor estiver de
boa-fé, e a invasão do solo alheio
exceder a vigésima parte deste, adquire
Natureza jurídica: prescrição aquisitiva
a propriedade da parte do solo
x prescrição extintiva (CC, arts. 205 e
invadido, e responde por perdas e
206).
danos que abranjam o valor que a
invasão acrescer à construção, mais o
da área perdida e o da desvalorização
Fundamentos: prescrição como tempo
da área remanescente; (...)
(CC, art. 1.244). Negligência do
(...) se de má-fé, é obrigado a demolir o proprietário na perda do direito é
que nele construiu, pagando as perdas elemento meramente moral para a
e danos apurados, que serão devidos usucapião. FUNÇÃO SOCIAL DA
em dobro. PROPRIEDADE: utilidade (CF, art. 5.º
XXIII, 170, III; 183; 186; Lei
Observação: como se vê, a
10.257/2001, arts. 39 e seguintes; CC,
consequência de tais invasões é que
art. 1.228, §§ 1º e 2º)
o construtor adquire a propriedade do
solo invadido, com exceção da parte Conceito: Forma de aquisição originária
final do art. 1.259, onde ele será da propriedade e de outros direitos
obrigado a DEMOLIR a construção reais suscetíveis de exercício
feita no solo alheio e abandonar o continuado (servidões, [Link].) pela posse
local. prolongada no tempo, satisfeitos
requisitos exigidos pela lei para suas
modalidades.
Espécies (genericamente Usucapião Especial Urbana Coletiva (Lei
consideradas): usucapião de bens 10.257/2001, art. 10.º)
móveis (CC,arts.1.260 e 1.261) e
usucapião de bens imóveis (abaixo);
usucapião de servidões (CC, art. 1.379) Usucapião “Indígena” (Lei 6001/1973,
e de outros direitos reais (conforme art. 33).
visto no conceito, todos os direitos
reais suscetíveis de posse podem ser
usucapidos, segundo casos pontuais de - Institutos afins: Desapropriação
cumprimento de requisitos especial (CC, art. 1.228, §§ 4º e 5º) –
semelhantes a da propriedade, NÃO É USUCAPIÃO.
contudo, adaptados para cada direito
real sobre coisa alheia em si
considerado). Requisitos comuns
a todas as
modalidades
3.3.1. USUCAPIÃO DE BENS IMÓVEIS:
- Requisitos: Res habilis – coisa
- Modalidades: Usucapião
hábil para ser usucapida.
extraordinária (CC, art. 1.238)
e + a Usucapião extraordinária com
prazo reduzido Posse – animus domini ou animus rem
sibi habendi.
Usucapião ordinária (CC, art. 1.242)
Tempo – conforme cada modalidade.
e + a Usucapião ordinária com prazo
reduzido
Titulus – título translativo de
propriedade, formalmente imperfeito.
Usucapião “conjugal”, ou “por
abandono de lar” (CC, art. 1.240-A)
Boa-fé – presunção de boa-fé na
aquisição do título.
Usucapião Constitucional Especial Rural
(CF, art. 191. CC, art. 1.239)
1. a) RES HABILIS: todos os bens
podem ser usucapidos, salvo as
Usucapião Constitucional Especial
exceções (é sério: melhor
Urbana (CF, art. 183. CC, art. 1.240. Lei
analisarmos o que não pode ser
10.257/2001, art. 9.º)
usucapido, por exceção, eis que
tudo o quanto mais pode).
- Exceções gerais: bens públicos de Usucapião coletiva (Lei 10.257/2001,
qualquer natureza (CC, arts. 101 e 102. art. 10.º): área URBANA[2] que
CF arts. 183, § 3.º e 191, parágrafo obedeça à seguinte equação: m2/
único. Súmula 340 do STF); possuidores < 250m2, e utilizada como
moradia ou utilização prevista no Plano
Diretor.
bens inalienáveis (que não podem ser
vendidos e/ou comprados).
Usucapião indígena: área RURAL de até
50 hectares, utilizada por indígena.
- Exceções pessoais: são relativas a
qualidades especiais do proprietário,
ou do proprietário em relação ao que Usucapião “conjugal” (CC, art. 1.240-A):
pretende a usucapião (CC, arts. 1.244, imóvel URBANO[3] de até 250m², cuja
197, 198 e 199). propriedade seja dividida entre os ex
cônjuges/companheiros, tendo um
abandonado o lar[4], e sendo pelo
- Exceções específicas: relativas às outro utilizado como moradia ou de sua
modalidades especiais de usucapião, família.
não ocorrendo na usucapião
extraordinária e na usucapião
ordinária. 1. b)POSSE: Usucapião é efeito da
posse especial ad usucapionem.
Verificando cada modalidade, temos o
seguinte: - Animus domini: Esta deve ser
exercida, em linhas gerais, com animus
domini (ou animus rem sibi habendi).
Usucapião especial urbana (CF, art. Este é o requisito-mor para a
183. CC, art. 1.240. Lei 10.257/2001, usucapião. O animus domini é a
art. 9º): área URBANA de até 250m2, característica específica de comportar-
utilizada como moradia ou dentro das se acreditando ser dono do bem, e
previsões do Plano Diretor, unicamente como tal, desenvolvendo a função
pelo adquirente e sua família. social da propriedade. Não é opinio
domini, entretanto – cuidado.
Além disso, as posses injustas por
Usucapião especial rural (CF, art. 191.
violência e clandestinidade podem
CC, art. 1.239): área RURAL de até 50
ser ad usucapionem quando cessam
hectares, utilizada como moradia e
tais vícios (CC, art. 1208). As posses
desenvolvida economicamente
precárias e as posses contratuais nunca
unicamente pelo adquirente e sua
serão ad usucapionem, salvo pela
família.
exceção doutrinária da Interversio assistência à prole (quando houver) de
possessionis. forma isolada pelo possuidor, e antes
do divórcio.
- Requisitos gerais
Usucapião rural = moradia e utilização
e desenvolvimento econômico da área
natural e efetiva, sobre área de terras, com trabalho apenas do
delimitada e específica, com exceção da adquirente e de sua família.
[Link] COLETIVA (10.257/2001,
art. 10).
Usucapião coletiva = moradia ou
utilização prevista no Plano Diretor; por
Contínua: a posse deve ser contínua, diversas pessoas, sem delimitação de
podendo, contudo, ser unificada por áreas, em composse pro indiviso.
meio da acessio possessionis e sucessio
possessionis (CC, art. 1.207); ou, mais
específico, pela acessio temporis (CC, Usucapião indígena: aqui a diferença é
art. 1.243). que a posse deve ser por indígena.
“Mansa e pacífica”, ou seja, sem Usucapião extraordinária e ordinária:
oposição do proprietário, não valendo a qualquer tipo de posse, com os
oposição feitas por terceiros. requisitos gerais.
- Modalidades específicas da posse com 1. c) TEMPO: é o decurso do prazo
ânimo de dono: as modalidades necessário a cada modalidade
especiais de usucapião exigem também de usucapião.
forma especial de posse, não bastando
“somente” o animus domini, mas
exigindo formas de utilização previstas - Início e forma da contagem: CC, art.
expressamente: 132. Posse ad usucapionem é
com animus domini. Posse velha e
posse nova.
Usucapião urbana = moradia ou
utilização prevista no Plano Diretor;
unicamente pelo adquirente e sua - Regras de transição: CC, art. 2028.
família; CC/16, art. 550 x CC, art. 1.238; CC/16,
art. 551 x CC, art. 1.242.
Usucapião conjugal = moradia/uso do
possuidor ou da família, bem como o CC, art. 2.029. CC, arts. 1.238, parágrafo
pagamento das despesas e de único e 1.242, parágrafo único.
prazo quando forem cumpridos os
requisitos previstos naquele parágrafo,
OBS: CC, art. 2.030 e art. 1.228, § 4º
salvo quando a consumação da
usucapião se der entre 14/1/2003 e
14/1/2005).
- Modalidades específicas:
Usucapião indígena: 10 anos.
Usucapião especial urbana (CF, art. 183.
CC, art. 1.240. Lei 10.257/2001, art. 9º):
cinco anos.
1. d) JUSTO TÍTULO e BOA
FÉ: requisitos unicamente
exigidos para a usucapião
Usucapião especial rural (CF, art. 191.
ordinária (CC, art. 1.242 e
CC, art. 1.239): cinco anos.
1.379, caput), são, na realidade,
um só: o justo título é um título
translativo de propriedade
Usucapião coletiva (Lei 10.257/2001,
formalmente imperfeito – ou
art. 10): cinco anos.
seja, que não pode ser
simplesmente registrado –
obtido e mantido com boa fé.
Usucapião “conjugal”: 2 anos.
Não se trata da posse de boa fé
(CC, art. 1.201), mas sim de boa
fé objetiva contratual (CC, art.
Usucapião extraordinária: 10, 12, 15 ou
422).
20 anos, conforme as regras de
transição acima expostas.
(No caso do art. 1.238, parágrafo único, Ainda:
a regra redutora de prazo incidirá
sempre, diminuindo para 10 anos o
prazo quando forem cumpridos os A usucapião gera aquisição de
requisitos previstos naquele parágrafo, propriedade imediatamente, ANTES do
salvo quando a consumação da registro imobliário da sentença que
usucapião se der entre 14/1/2003 e a declarar consumada - é declaratória
14/1/2005). PURA.
O procedimento é o comum e
declaratório puro (por interpretação do
Usucapião ordinária: 5, 7, 10 ou 15
§ 10 do art. 1.071 do CPC). Para bens
anos, conforme as regras de transição
móveis, igualmente.
acima expostas.
No caso da usucapião
(No caso do art. 1.242, parágrafo único,
CONSTITUCIONAL URBANA (pro misero)
a regra redutora de prazo incidirá
e na usucapião COLETIVA, por se
sempre, diminuindo para 5 anos o
classificarem como “usucapião especial
de propriedade urbana” – individual a Tempo – 3 anos para a ordinária, 5 para
primeira, coletiva a segunda – o extraordinária
procedimento era o sumário, por força
Justo título e boa fé – na usucapião
do art. 14 da Lei 10.257/2001. Embora
ordinária, idêntico à de bem imóvel, ou
ainda não revogado tal dispositivo, o
seja, um título translativo de
art. 1.046, caput, § 1º, do CPC,
propriedade formalmente imperfeito,
determinou a revogação do
mas obtido com boa fé (CC, art. 422).
procedimento sumário, salvo naquelas
demandas já iniciadas e não Regra de aquisição da propriedade: tal
sentenciadas até a vigência do mesmo como na usucapião de bem imóvel,
NCPC. consumados os requisitos, o
prescribente já se torna proprietário do
bem móvel, podendo requerer a
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO declaração nesse sentido (o que não é
necessário, salvo para registros
para a usucapião: o novo CPC alterou a
específicos).
Lei 6015/1973 (LRP), passando a
constar um procedimento
ADMINISTRATIVO para a usucapião de
4.2 Tradição (1.267):
bens imóveis.
É a entrega da coisa móvel objeto de
4. AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE
um contrato, feita pelo proprietário-
MÓVEL
alienante ao adquirente (comprador,
Estas são são as formas: donatário etc), confirmando o contrato
(1226 e 1267). O componente subjetivo
4.1 USUCAPIÃO DE BENS MÓVEIS:
é importante: intenção contratual de
Objeto - bens móveis e semoventes. transmitir propriedade.
Espécies - Ordinária (1260) e Tem como formas: Efetiva ou real (é a
Extraordinária (1261) entrega do próprio bem, fisicamente à
disposição); simbólica (entrega-se
Requisitos – os mesmos da usucapião
representação que permite posse plena
de bens imóveis, com as devidas
ao bem) e ficta (constituto possessório
alterações.
e traditio brevi manu).
Res habilis – bem móvel que não seja
A tradição é a forma mais tradicional de
público nem inalienável, nem possuidor
aquisição de propriedade móvel, como
e proprietário nominal estejam
o é para os imóveis a transcrição
enquadrados nas exceções dos arts 197
imobiliária. É a forma mais desejada em
e 198.
razão de ser derivada, e de forma
Posse – animus domini, sem oposição, e contratual (acordo de vontades).
de forma a desenvolver a função social
da propriedade (uso de acordo com
suas finalidades econômicas e sociais).
4.3 Ocupação (1.263):
Regra de aquisição da propriedade: é o Apropriação indébita
simples ato de tomar para si a posse de
Apropriação de coisa havida por erro,
coisa móvel sem
caso fortuito ou força da natureza
dono ou abandonada que gera a
propriedade. Art. 169 - Apropriar-se alguém de coisa
alheia vinda ao seu poder por erro,
Cuidado: entrar ou “ocupar”
caso fortuito ou força da natureza:
coisa imóvel, ainda que sem dono ou
Pena - detenção, de um mês a um ano,
abandonada, gera posse e não
ou multa.
propriedade. Tal posse pode gerar
usucapião, que demanda outros Parágrafo único - Na mesma pena
requisitos, como visto nas aulas incorre:
anteriores (aquisição de propriedade
Apropriação de tesouro
imóvel por usucapião).
I - quem acha tesouro em prédio
Atente-se para os conceitos:
alheio e se apropria[5], no todo ou em
1. a) coisa sem dono (res nullius), parte, da quota a que tem direito o
como a concha na praia (“nunca proprietário do prédio;
teve dono”).
Apropriação de coisa achada
2. b) coisa abandonada (res
II - quem acha coisa alheia perdida e
derelictae), como o sofá deixado
dela se apropria, total ou parcialmente,
na calçada (abandonado no
deixando de restituí-la ao dono ou
sentido de perda de
legítimo possuidor ou de entregá-la à
propriedade pelo antigo
autoridade competente, dentro no
proprietário)
prazo de 15 (quinze) dias.
CUIDADO com a DESCOBERTA (1233):
Não se pode confundir coisa sem
Achádego: 1234, recompensa ao
dono com coisa perdida (res amissa),
descobridor, ou seja, quem encontrar a
pois as coisas perdidas não podem ser
coisa e a devolver, que deverá ser paga
apropriadas pela ocupação, mas sim
pelo proprietário do bem. Obrigação
devem ser devolvidas ao dono, já que
alternativa do proprietário: abandonar
a perda da coisa não implica perda da
a coisa em favor do descobridor.
propriedade, se o proprietário assim
conserva a intenção de tê-la.
O ditado popular "achado não é Procedimento: Das coisas vagas, CPC,
roubado" é falso! A coisa perdida não art. 746. E se ninguém aparecer? Tem
pode ser ocupada (aquisição de solução sim...
propriedade) pelo descobridor, sob
pena de crime (art. 169, parágrafo
único, II do Código Penal).
4.4 Achado do tesouro (1.265): couro, barro, ferro) e obter “espécie
nova” (ex: escultura, jóia, sapato,
Três requisitos do tesouro: antigo
boneco, ferramenta). Esta coisa nova
e oculto, dono desconhecido, achado
pertencerá ao especificador/artífice
casualmente (sem querer).
que pelo seu trabalho/criatividade (Lei
Regra de aquisição da propriedade: 9610/1998, art. 3º) transformou a
matéria prima de outrem em espécie
1. a) o tesouro se divide ao meio
nova.
entre o achador e o dono, ou
entre achador e o enfiteuta do A redutibilidade ao status quo ante, ou
terreno (1.266 – atenção que é seja, o desfazimento da especificação
exceção). somente é praticável quando,
fisicamente possível, não diminuir em
2. b) Já se o descobridor estava
nada o valor da coisa especificada, o
propositadamente procurando
que é somente possível em casos bem
o tesouro em terreno alheio
pontuais, uma vez que o valor de
sem autorização, não terá
uma obra plástica ou intelectual é
direito a nada (1265), restando
altamente subjetivo.
ao proprietário/enfiteuta o
tesouro como um todo. A regra da aquisição de propriedade é
simples: sempre será do especificador a
3. c) Se houver entre eles relação
propriedade da coisa nova, ante o valor
contratual (contrato para
do que empregou ser ordinariamente
procurar o tesouro [Link].), valerá
maior que o da matéria prima (ainda
o que for validamente acordado
que tomado de subjetividade), esta que
entre eles.
indenizará ao antigo proprietário. A
Observação: ainda que não exista exceção é quando a coisa especificada
previsão legal, o tesouro pode ser não exceder consideravelmente o valor
encontrado também em bens móveis da matéria prima e a especificação se
(correntinha de ouro dentro de um deu de má fé.
livro, do quadro encontrado no forro
4.5.2Confusão, comistão e adjunção: é
do banco de um automóvel).
a mistura de coisas de proprietários
4.5 Acessões móvel a móvel: diferentes e que depois não podem ser
separadas.
Acessões são acréscimos em
propriedades já existentes. No caso - CONFUSÃO é a mistura de coisas
presente, ocorrem quando um bem líquidas (ex: vinho com refrigerante,
móvel se junta a outro bem móvel, álcool com água - obs: não confundir
gerando uma mistura (comistão, com a confusão de obrigações (381)
confusão e adjunção) ou uma espécie pois aqui a confusão é de bens).
nova de coisa (especificação), conforme
- A COMISTÃO é a mistura de coisas
abaixo:
sólidas (ex: sal com açúcar; sal com
4.5.1 Especificação:trabalhar matéria areia).
prima de outrem (ex: pedra, madeira,
- ADJUNÇÃO é a união de coisas em mesmas condições nesse ambiente,
justaposição (selo colado num álbum, salvo, lógico, a característica do imóvel.
madeira pregada numa casa, peça
[4] Vide Enunciado 499 do CJF, de
soldada num motor).
lucidez indiscutível.
As regras de aquisição da propriedade
[5] Aqui o Código Penal faz referência à
são as seguintes:
forma seguinte de aquisição de
1. a) as coisas vão pertencer aos propriedade móvel: o achado de
respectivos donos se puderem tesouro.
ser separadas sem dano ou
perda de valor (1272, caput);
1. Conceito e Classificação do Direito
2. b) se a separação for impossível
das Coisas
ou muito onerosa surgirá um
condomínio entre os donos das O Direito das Coisas é o conjunto de
coisas (§ 1º do 1272); cada qual normas que regem as relações jurídicas
tendo como propriedade o concernentes aos bens (materiais e
percentual equivalente ao valor imateriais) suscetíveis de apropriação.
do que contribuiu para a Ele cria uma relação direta e imediata
mistura. entre uma pessoa (sujeito ativo) e uma
coisa (objeto).
3. c) se uma das coisas puder ser
considerada principal (casa em Geral:
relação a madeira etc), o dono
• Direito Real sobre coisa
desta será dono do todo e
própria: Propriedade.
indenizará os demais (§ 2º do
1272). • Direitos reais sobre coisa
alheia: Exemplos incluem
superfície, usufruto, serviços,
Estas são as formas de aquisição da hipoteca e alienação fiduciária.
PROPRIEDADE dentro do Código Civil
• Posse e Laje: Também integram
brasileiro. Para comprovação do
o papel de direitos e situações
direito, então, há necessidade de
jurídicas regulamentadas.
prova de alguma delas.
-----------------------------------------------------
2. Uma turma
[1] Estas serão estudadas mais adiante,
quando da aquisição de propriedade A posse é o poder fático de ingerência
MÓVEL. socioeconômica sobre um bem,
manifestado pelo exercício de poderes
[2] (m2 / possuidores < 250m2)
depositados à propriedade.
[3] Clara discriminação contra as
• Teorias da Posse:
pessoas residentes na área rural, posto
ser muito possível a ocorrência das o Subjetiva (Savigny):
Exige o corpus (detenção
física) e o animus permitidos), exclusivo (salvo
(vontade de ser dono). condomínio), perpétuo (não se
extingue pelo não uso) e
o Objetiva (Ihering): Exige
aderente (direito de sequela).
apenas o corpus , que já
carrega o elemento • Limitações: Podem ser
subjetivo. É adotado, em voluntárias (cláusulas de
regra, pelo Código Civil. inalienabilidade em
doações/testamentos) ou legais
o Social (Saleilles):
(desapropriação, vizinhança,
Adicionada a função
função social).
social ao corpus.
-----------------------------------------------------
• Efeitos da Posse: Inclui a
proteção possessória (interditos 4. Aquisição de Propriedade Imóvel
e autotutela), o direito aos
A aquisição de imóveis é mais solene
frutos e benfeitorias , a
que a de móveis.
responsabilidade pela
flexibilidade e a usucapião. 1. Transcrição (Registro): É a
forma derivada. Ocorrer pelo
• Benfeitorias e Boa-fé:
registro do título (escritura
o Possuidor de boa-fé: pública) na matrícula do imóvel.
Tem direito à
2. Acessões: Incorporação de algo
indenização por
novo à propriedade.
benefícios práticos e
úteis, podendo exercer o o Naturais: Formação de
direito de retenção . ilhas, aluvião (depósito
Pode levantar as lento), avulsão
voluptuárias. (deslocamento abrupto)
e álcool abandonado.
o Possuidor de má-fé:
Tem direito apenas à o Industriais: Construções
indenização pelas e plantações. A regra é
benfeitorias possíveis , que o acessório segue o
sem direito de retenção. principal (terreno).
----------------------------------------------------- 3. Usucapião: Forma originária de
aquisição por posse prolongada.
3. Uma propriedade
-----------------------------------------------------
A propriedade é o maior direito
subjetivo, garantindo ao titular o poder 5. Tabela Resumo: Modalidades de
de usar, frutificar (gozar) e dispor da Usucapião de Imóveis
coisa, além do direito de reavê-la de
Moda Prazo Requisitos
quem injustamente a possui.
principais
• Características: É um direito
absoluto (máximo de poderes
Extraordinária 15 Posse ininterrupta • Especificação: Transformação
anos e sem oposição; de matéria-prima alheia em
independência de espécie nova (ex: transformar
título ou boa-fé. couro em sapato). Se não puder
voltar ao estado anterior, o
Ordinária 10 Exige justo título especificador de boa-fé fica com
anos e boa-fé. a propriedade e indeniza o dono
Especial 5 Área até 250m²; da matéria-prima.
Urbana anos moradia própria; • Confusão, Comissão e
não ser dono de Adjunção: Mistura de líquidos,
outro imóvel. sólidos ou justaposição de
Especial Rural 5 Área até 50 coisas, respectivamente. Se não
anos hectares; puderem ser separados, crie
produtividade e uma proporção proporcional ao
moradia; não ser valor de cada quinhão.
dono de outro Atenção: "Achado não é roubado" é
imóvel. um erro jurídico. Quem encontra coisa
perdida ( descoberta ) deve devolvê-la,
Conjugal 2 Imóvel até 250m²;
sob pena de crime. O descobridor tem
anos abandono do lar
direito a uma recompensa (achádego)
pelo ex-conjuge;
de no mínimo 5% do valor do bem
copropriedade.
-----------------------------------------------------
6. Aquisição de Propriedade Móvel
• Tradição: Entrega da coisa com
intenção de transferir a
propriedade (ex: compra e
venda).
• Ocupação: Apropriação de coisa
sem dono ( res nullius ) ou
abandonada ( res derelictae ).
• Achado do Tesouro: Depósito
antigo de coisas preciosas,
ocultas e de dono
desconhecido. Divide-se entre o
achador e o proprietário do
terreno.
• Usucapião de Móveis: 3 anos
(ordinária - com título/boa-fé)
ou 5 anos (extraordinária).