CAPACITAÇÃO GESTÃO EM
PSICOLOGIA HOSPITALAR
FERNANDA AZEVEDO DE SOUZA
PSICÓLOGA (CRP-11/02787)
Mestre em Saúde Coletiva pelo IMS/UERJ
Especialista em Psicologia Hospitalar pelo CFP
Especialista em Psico-oncologia pela UniChristus
Especialista em Psicologia em Oncologia pelo INCA
Coordenadora do Setor de Psicologia Hospitalar do HGWA
Docente da Universidade de Fortaleza
CAPACITAÇÃO GESTÃO PSICOLOGIA HOSPITALAR:
PROGRAMAÇÃO
06/03/2021
1. IDENTIDADE DO PSICÓLOGO E DO SERVIÇO DE PSICOLOGIA NO HOSPITAL GERAL;
2. IMPLANTAÇÃO DO SERVIÇO DE PSICOLOGIA NO HOSPITAL GERAL;
3. FORMA DE ATUAÇÃO DO SERVIÇO DE PSICOLOGIA NO HOSPITAL GERAL;
4. ORGANIZAÇÃO DO SERVIÇO: PROCEDIMENTOS E INSTRUMENTOS PADRONIZADOS DE ATUAÇÃO;
13/03/2021
1. PADRONIZAÇÃO DOS REGISTROS DE ATENDIMENTO;
2. GESTÃO DO SERVIÇO DE PSICOLOGIA NO HOSPITAL GERAL: RELATÓRIOS E INDICADORES;
3. O TRABALHO COM A EQUIPE E COM OUTROS GESTORES DO HOSPITAL;
4. ATUAÇÃO EM HOSPITAIS COM CERTIFICADO DE ACREDITAÇÃO HOSPITALAR.
PADRONIZAÇÃO DOS
REGISTROS DE ATENDIMENTO
RESOLUÇÃO CFP Nº001/2009
Dispõe sobre a obrigatoriedade do registro
documental decorrente da prestação de serviços
psicológicos.
Tornar obrigatório o registro documental sobre a
prestação de serviços psicológicos que não puder ser
mantido prioritariamente sob a forma de prontuário
psicológico...
Prontuário psicológico x Prontuário multiprofissional
PRONTUÁRIO MULTIPROFISSIONAL
O prontuário é um documento de fundamental importância para garantir a
continuidade e a qualidade da assistência prestada ao paciente internado.
O cumprimento das questões referentes ao conteúdo completo e de qualidade, aos
prazos de armazenamento e, principalmente, ao sigilo, privacidade e segurança das
informações dos prontuários, é um compromisso legal e ético assumido por todos os
profissionais de saúde e é o principal argumento de defesa quando necessário.
O prontuário é documento valioso para o paciente, para a equipe multidisciplinar que o
assiste e para as instituições de saúde, bem como para o ensino, a pesquisa e os serviços
públicos de saúde.
Além disso, funciona como instrumento de defesa legal, assegurando aos profissionais de
saúde e ao paciente o atendimento de todos os seus direitos e cumprimento dos
deveres da equipe multiprofissional. (Resolução nº CFM 1.638/2002).
PRONTUÁRIO MULTIPROFISSIONAL
O registro psicológico em prontuário multiprofissional visa sinalizar
para a equipe o estado emocional do paciente para que o
mesmo possa ser percebido e avaliado em sua totalidade.
Configura-se como meio de comunicação compartilhada entre
todos os profissionais, aproximando a equipe de um contexto de
trabalho interdisciplinar.
Com a contribuição de cada profissional envolvido, o registro em
prontuário visa orientar todo o processo de atendimento e facilitar
a tomada de decisões.
Além disso, serve de fonte de informação e pesquisa educacional,
clínica e administrativa.
PRONTUÁRIO MULTIPROFISSIONAL
As informações registradas no prontuário deverão
acontecer todas as vezes que o atendimento for realizado
e enquanto o paciente permanecer no hospital.
Deve-se utilizar uma linguagem clara, objetiva e sem
excesso de termos técnicos que dificultam a compreensão
pelos demais profissionais.
Registram-se apenas informações que sejam da
competência do profissional da psicologia.
Código de Ética e Registro no
Prontuário
De acordo com o Código de Ética Profissional do Psicólogo é dever deste
respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio da confidencialidade,
a intimidade das pessoas, grupos ou organizações.
No artigo 6º do Código, que trata do relacionamento com profissionais não
psicólogos, o psicólogo compartilhará somente informações relevantes para
qualificar o serviço prestado, resguardando o caráter confidencial das
comunicações, assinalando a responsabilidade, de quem as receber, de
preservar o sigilo.
Por isso os conteúdos devem se limitar àqueles que ajudam a equipe de saúde
a dar continuidade ao atendimento ou que documentam, de forma sucinta, a
intervenção psicológica.
Registros minuciosos do andamento do caso, bem como resultados de testes
devem fazer parte do prontuário psicológico, que fica arquivado no setor de
psicologia.
Denúncias devem ser feitas por outros meios e não no prontuário do paciente.
Orientações Gerais do Registro no
Prontuário
Todos os registros no prontuário devem ser feitos de forma legível, com
caneta esferográfica de tinta azul-escura ou preta. Não é permitido o uso
de carbono, de canetas com tinta de outras cores, com ponta porosa ou
marcadores, pois os registros feitos com essas não são legíveis em cópias
solicitadas por pacientes ou por autoridades legais.
Se forem verificados erros ou enganos, esses devem ser apontados e
corrigidos em um registro posterior, que faça referência aos problemas
encontrados. Rasuras invalidam os documentos como prova processual.
Não é permitido o uso de corretivos ou borrachas. Deve-se evitar espaços
em branco e o uso de abreviaturas. Se o uso das abreviaturas for
imprescindível, utilizar apenas abreviaturas previstas em literatura, bem
como no siglário padronizado pela instituição.
Orientações Gerais do Registro no
Prontuário
O registro será referente às principais reações do paciente e/ou do seu
acompanhante à doença e/ou tratamento e/ou hospitalização; ao modo como
essas vivências estão sendo elaboradas; à relação entre a intensidade da
vivência e as reações psicológicas, lembrando que diante de certas vivências são
esperadas reações mais agudas e que essas são transitórias, sendo quadro
reativos de sofrimento e não transtornos com diagnósticos fechados.
Quanto ao trabalho psicológico, poderão ser citados os pontos de urgência
(principais pontos) do quadro do paciente, como está sendo trabalhado e como
está a evolução do mesmo (estado psicológico mantido, alterado, constante,
instável, etc..)
Orientações Gerais do Registro no
Prontuário
Escrever na folha de evolução do prontuário;
Colocar setor, hora, data e assinatura com CRP. No caso dos estagiários,
assinatura acompanhada do responsável técnico;
Registrar sempre que o atendimento for realizado;
Utilizar linguagem clara, objetiva e sem excesso de termos técnicos;
Registrar apenas informações que sejam da competência do profissional
da psicologia;
Deve atender às orientações do código de ética profissional e a resolução
CFP 001/2009.
Passos do Registro no Prontuário
Colocar solicitante do atendimento na primeira evolução do paciente.
OBS: O primeiro registro deve conter um breve histórico com fatos relevantes do ponto de
vista psicológico e o estabelecimento de uma conduta.
Como encontrou o paciente: devem-se selecionar os aspectos emocionais do paciente
necessários ao conhecimento da equipe, visando terapêutica especializada.
Avaliação psicodinâmica: o que foi percebido do paciente;
Intervenções utilizadas;
Como ficou o paciente;
Conduta a ser tomada;
Encaminhamentos: solicitar avaliações (interconsulta clínica, neurologia, psiquiátrica,
etc.)
Fazer observações importantes.
1º PARÁGRAFO: SOLICITANTE DO ATENDIMENTO:
Especificar o solicitante do atendimento: busca ativa, visita psicológica,
solicitação da equipe ou do médico assistente, solicitação da família ou
do próprio paciente.
Exemplo 1: Realizado atendimento psicológico a partir da solicitação do
médico assistente.... visita psicológica..... família, etc.
2° PARÁGRAFO: COMO FOI ENCONTRADO O CLIENTE
Exemplo 1: paciente lúcida, orientada no tempo e no espaço, discurso
coerente, algo confuso, etc...
Exemplo 2: paciente receptivo, comunicativo, expressa conteúdos de
forma verbal (ou não verbal) referentes a .....
Exemplo 3: paciente não receptiva, pouco ou não comunicativa, evita
contato, lacônica diante das intervenções, não expressiva verbalmente....
3º PARÁGRAFO: DESCREVER O QUE FOI PERCEBIDO – COMPREENSÃO DA DINÂMICA PSÍQUICA
DO PACIENTE E DO ACOMPANHANTE.
Exemplo1: No momento, adolescente apresenta bons recursos de enfrentamento para
lidar com ansiedade da hospitalização... No momento, o adolescente apresenta-se
fragilizado possivelmente relacionado com o óbito ocorrido na enfermaria... No
momento, paciente apresenta alteração na sua evolução psicológica, mostrando-se
logorréico, agitado, revelando sentimentos de insegurança e medo
Exemplo2: No momento, criança mantém estabilidade psicológica não apresentando
sintomas ansiosos ou depressivos significativos. Observa-se bom vínculo entre a díade
mãe e filho. Mãe mostra boa capacidade elaborativa.
Exemplo 3: Neste momento, criança apresenta temores em relação às vivências de
morte na enfermaria.... mãe apresenta dificuldade de adaptação ao hospital e rotinas
hospitalares, decorrentes da fragilidade do vinculo com o filho...
Exemplo 4: Durante o atendimento, observou-se que a mãe tem reforços egoícos e
mecanismos adaptativos positivos para o enfrentamento da vivência de recaída da
doença.
Exemplo 5: Observa-se que família dispõe de um bom suporte familiar....religioso...
4º PARÁGRAFO: INTERVENÇÕES UTILIZADAS
Exemplo 1: Propiciado um momento de escuta, livre expressão verbal com o intuito de
reduzir a ansiedade promover processo elaborativo a respeito de...
Exemplo 2: Introduzidas atividades lúdicas a fim de estabelecer um bom vínculo ou
aliança terapêutica.
Exemplo 3: Realizado atendimento com o propósito de trabalhar os sentimentos da
criança em torno da vivencia hospitalar, ou ainda trabalhar conflitos familiares,
referentes a... etc.
5º PARÁGRAFO: CONDUTA
Exemplo 1: Criança ou adolescente no momento não apresenta demanda para
atendimento psicológico. Serão realizadas visitas psicológicas.
Exemplo 2: manter paciente em atendimento subseqüente.
Exemplo 3: Acompanhar evolução emocional do paciente. Interconsulta com a equipe
médica a respeito da comunicação diagnóstica.
GESTÃO DO SERVIÇO DE
PSICOLOGIA NO HOSPITAL GERAL:
RELATÓRIOS E INDICADORES
GESTÃO: PARTE FUNDAMENTAL DE UM SERVIÇO
Compreensão do funcionamento do serviço.
Necessário controle do que está sendo realizado.
Papel do gestor: influenciar a equipe de maneira positiva, para que todos colaborem e
compreendam a importância do registro dos dados.
É preciso criar um modelo em que se possa registrar os dados.
Esse registro é de responsabilidade de cada profissional do serviço.
A partir disso, podemos apresentar esses dados para estudos sobre dimensionamento de
pessoal, analisar atividades que agregam valor, etc.
Tarefa do gestor: criar uma base para que o que é feito possa ser registrado.
Planilha em Microsoft Excel, tabelas do Microsoft Word.
Deve-se definir o que será monitorado
KERNKRAUT; SILVA, 2017
Quais informações que precisamos
conhecer em nosso serviço?
Organização do serviço: definição do escopo do serviço e os produtos
que são as atividades desempenhadas.
Gerenciar o recurso humano disponível.
Será se este é suficiente para abarcar a proposta de atividades que fazem
parte do serviço?
É preciso conhecer a capacidade operacional existente.
Capacidade operacional existente: quanto se consegue produzir em
determinado tempo de trabalho.
Controlar o que é realizado.
Entender que as demandas de trabalho podem mudar e é importante
identificar novas possibilidades de atuação.
Principais dados gerenciados pelo setor
1. Número de atendimentos
2. Número de pacientes acompanhados
3. Participação em reuniões dos setores de atuação
4. Participação na reunião dos gestores
5. Participação na reunião do serviço
6. Preenchimentos de fichas de avaliação e entrevistas
7. Discussão de caso com equipe
8. Intervenções conjuntas
9. Número de solicitações
10. Solicitações atendidas e não atendidas.
11. Encaminhamentos
12. Atividades de ensino: supervisão, estudo de caso, discussão de texto e CinePsi
Indicadores quantitativos e qualitativos
em Psicologia Hospitalar
Os indicadores constituem parâmetros quantitativos e/ou qualitativos utilizados
para monitorar a qualidade, a produtividade e a capacidade de realização de
um dado processo.
Dificuldade da construção de indicadores e metas na área da Psicologia
Hospitalar.
A dificuldade primária encontrada para o estabelecimento de metas é que não
existem fórmulas definidas especificamente para o serviço da psicologia.
Considera-se que, para encontrar uma meta satisfatória, esta deva se encontrar
alinhada às estratégias da organização e que permita à mesma associar
qualidade de atendimento, eficiência profissional e adequada alocação de
recursos de forma continuada.
SILVEIRA, 2010
EXEMPLOS DE INDICADORES RELACIONADOS
AO PROCESSO ASSISTENCIAL DA PSICOLOGIA
a) % de pacientes internados atendidos pela psicologia.
b) % de pacientes admitidos na UTI atendidos pela psicologia.
c) % de pacientes internados na UTI atendidos pela psicologia até 24 horas da admissão.
d) % de pacientes oncológicos atendidos após 48 horas de internação.
e) % de pacientes cirúrgicos orientados na pré-alta.
f) % de pacientes pós IAM atendidos pela psicologia.
g) % de pacientes atendidos pela psicologia admitidos via Pronto-Atendimento por tentativa de suicídio.
h) % de pacientes atendidos no pré-operatório de cirurgia bariátrica.
i) % de pacientes cirúrgicos atendidos pela psicologia.
j) % de pacientes/familiares orientados na pré-internação de cirurgia cardíaca pediátrica.
k) % de participação em reuniões clínicas-administrativas da UTI.
l) Participação da equipe de psicologia em atividades de cunho científico, como congressos, simpósios, aulas e afins.
(Geralmente há um escore de avaliação definido pela instituição, e este indicador também evidencia arelação da
instituição com a sociedade - comunidade acadêmica.)
m) Participação da equipe de psicologia em atividades com foco na comunidade/sociedade. (participação em
campanhas educativas, eventos promovidos por sociedades médicas etc. Também evidencia a relação com a
sociedade).
O TRABALHO COM A EQUIPE E
COM OUTROS GESTORES DO
HOSPITAL
EQUIPE DE SAÚDE
• Conceito de saúde multidimensional, exige uma atuação
multiprofissional.
• Diferentes categorias com conhecimentos, habilidades técnicas e
perspectivas diferentes.
• Não somente somatória de práticas, mas uma integração
• Criar possibilidade de diálogo:
Articulação das ações: integração de processos de trabalho
Interação dos profissionais: interlocução e vínculos
DESAFIOS E LIMITES...
• Não instrumentalização para atuação integrada
• Desigualdade nas formações
• Competição entre especialidades e corporativismo
• Conflitos de interesses
• Reconhecimento social somente da medicina: dominação
• Linguagem própria
POSSIBILIDADES...
• Equipe multiprofissional em benefício do paciente;
• Promover a visão do paciente como sujeito integral;
• Facilitar a comunicação com o equipe-paciente-família
• Colaborar para a interdisciplinaridade;
• Fornecer suporte psicológico e possíveis encaminhamentos
POSSIBILIDADES...
• Propiciar momentos de troca e diálogo:
Reuniões de equipe
Discussão de caso
Sessões clínicas
• Intervenções conjuntas: atendimento, reunião/conferência familiar
• Negociações junto à gestão: mudanças nas normas e rotinas do
hospital com o intuito de minimizar sofrimento do paciente e família
com a hospitalização
CÓDIGO DE ÉTICA E
TRABALHO EM EQUIPE
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS:
VII. O psicólogo considerará as relações de poder nos contextos
em que atua e os impactos dessas relações sobre as suas
atividades profissionais, posicionando-se de forma crítica e em
consonância com os demais princípios deste Código.
DAS RESPONSABILIDADES DO PSICÓLOGO
Art. 1º – São deveres fundamentais dos psicólogos:
j) Ter, para com o trabalho dos psicólogos e de outros profissionais,
respeito, consideração e solidariedade, e, quando solicitado,
colaborar com estes, salvo impedimento por motivo relevante;
CÓDIGO DE ÉTICA E
TRABALHO EM EQUIPE
Art. 6º – O psicólogo, no relacionamento com profissionais não
psicólogos:
a)Encaminhará a profissionais ou entidades habilitados e
qualificados demandas que extrapolem seu campo de
atuação;
b) Compartilhará somente informações relevantes para
qualificar o serviço prestado, resguardando o caráter
confidencial das comunicações, assinalando a
responsabilidade, de quem as receber, de preservar o sigilo.
CÓDIGO DE ÉTICA E
TRABALHO EM EQUIPE
Art. 9º – É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim
de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das
pessoas, grupos ou organizações, a que tenha acesso no
exercício profissional.
Art. 12 – Nos documentos que embasam as atividades em
equipe multiprofissional, o psicólogo registrará apenas as
informações necessárias para o cumprimento dos objetivos do
trabalho.
ÉTICA E COMPARTILHAMENTO
DE INFORMAÇÕES
• Trabalho articulado com equipe x Sigilo Clínico
• Impossibilidade de manter completo sigilo
• Postura diferenciada, de compartilhamento e respeito
pelo espaço
Criar oportunidades de contato com os demais
profissionais e gestores para esclarecer dúvidas,
favorecendo o funcionamento interdisciplinar,
facilitando, quando necessário, a comunicação entre
seus membros, além de identificar demandas de outras
áreas e compartilhar atendimentos, tanto solicitado por
outros profissionais quanto por ele. Portanto, considera-se
essencial o trabalho em equipe.
ATUAÇÃO EM HOSPITAIS
COM CERTIFICADO DE
ACREDITAÇÃO HOSPITALAR
SISTEMAS DE GESTÃO DA QUALIDADE
Sistemas de gestão da qualidade e exigem dos profissionais uma sensível
adaptação às mudanças impostas pelas instituições.
Imposição de uma linguagem desconhecida, marcada por termos muito
próprios.
Adoção de ferramentas de gerenciamento, associadas à esfera da
administração, que certamente não correspondem ao universo de
formação de médicos, psicólogos, enfermeiros, nutricionistas, técnicos etc.
Mas, da mesma forma, passam a ser uma exigência institucional.
Donabedian (1990) propõe sete atributos, por ele chamados de pilares
da qualidade: eficácia, efetividade, eficiência, otimização,
aceitabilidade, legitimidade e eqüidade.
SISTEMAS DE GESTÃO DA QUALIDADE
Donabedian propõe uma divisão de três instâncias de avaliação:
a) Estrutura: inclui todo o suporte necessário para a provisão do cuidado, desde os aspectos da
adequação das instalações e equipamentos; da qualificação profissional em todos os níveis; da
organização administrativo institucional; da organização fiscal; dos aspectos legais. Ressaltamos,
ainda, o gerenciamento dos riscos como prática estabelecida nesta dimensão. Fatores
correspondentes à dimensão do funcionamento organizacional também estariam incluídos, tais
como: a cultura organizacional, o estilo de liderança, a distribuição do organograma, o
gerenciamento da informação e a presença de uma política de incentivos.
b) Processo: determinado pela organização e sistematização das atividades de assistência, pela
definição e controle dos processos críticos, pelo estabelecimento de padronização das rotinas e
monitoramento de resultados. Caracteriza-se pela constatação de que as práticas
organizacionais e assistenciais são integradas e sistematizadas;
c) Resultados: corresponde ao efeito do processo assistencial, dos resultados provenientes da
interação ou não dos serviços. Esta dimensão é caracterizada pelo gerenciamento dos
processos, a partir do uso de indicadores atrelados às metas predeterminadas. Fundamenta-se na
filosofia de melhoria contínua.
ONA (ORGANIZAÇÃO NACIONAL PARA
ACREDITAÇÃO).
A metodologia de avaliação de Sistemas de Gestão da Qualidade preconizada pelo
Sistema Brasileiro de Acreditação, por meio da ONA, Organização Nacional de
Acreditação, apresenta uma lógica de organização dos serviços de saúde que
evidencia estes três níveis de análise: estrutura, processos e resultados.
Estrutura: gerenciamento de risco, expressos em segurança físico-funcional, saúde
ocupacional, qualificação, dimensionamento de equipe, legislação e, sobretudo,
registros adequados em prontuário.
Processos: processo trata de um conjunto de causas que, ao interagirem de forma
contínua e sequencial, produzem um resultado. Indica, ainda, a ideia de uma
regularidade na realização de atividades. Sua aplicação em nosso campo aponta para
a importância de haver clareza quanto aos fatores que consideramos necessários à
regularidade de nossas atividades assistenciais e principalmente a interação com outros
setores. Em outros termos, corresponde a observar o que é favorável para a
implantação e implementação de rotinas de funcionamento de um serviço de
psicologia hospitalar, por exemplo.
Resultados: indicadores, metas e melhoria contínua
MELHORIA CONTÍNUA PSICOLOGIA HOSPITALAR
Quanto à estrutura:
· Alteração da qualificação de um dos membros da equipe de psicologia (conclusão de
especialização, mestrado, doutorado etc.).
· Alteração no quadro da equipe de psicologia (contratação de mais um psicólogo).
· Implantação de programa de estágio acadêmico supervisionado, programa de residência,
ou atividade afim.
· Implantação ou Revitalização de brinquedoteca na Pediatria.
· Revitalização de sala de espera de notícias do centro cirúrgico.
Quanto ao processo:
· Implantação de rotina de orientação pré-internação a pacientes cirúrgicos da Pediatria
(mudança na rotina de assistência da Pediatria).
· Alteração da rotina de admissão dos pacientes da hemodiálise pela psicologia (mudança
de rotina).
· Implantação de reuniões multiprofissionais de orientação e suporte aos familiares de
pacientes da UTI (devido à participação do médico e psicólogo, evidencia ainda a
assistência multidisciplinar).
MELHORIA CONTÍNUA PSICOLOGIA HOSPITALAR
· Alteração do fôlder de orientação aos familiares da UTI (com a participação da equipe da
unidade também evidencia a multidisciplinaridade).
· Alteração de horário de visitas na UTI (evidencia a atenção à solicitação dos clientes).
· Elaboração de Protocolo para Inclusão de Familiares Acompanhantes de pacientes na UTI.
(evidencia a identificação de necessidade, o planejamento e a integração da equipe).
Quanto ao resultado:
· Implantação de indicadores e metas para determinados processos assistenciais (UTI, Pediatria,
Informação em sala de espera).
· Alteração de metas associadas a melhorias do processo assistencial (podem estar
relacionadas a mudanças no processo em si, como pela alteração em dada rotina que amplia
a possibilidade de atendimento; ou pode estar relacionada à estrutura, como a sistematização
de assistência em um setor que não contava com a psicologia, em virtude de contratação de
novo profissional).
· % de inclusão (ou de aproveitamento) de ex-acadêmicos, ex-residentes ou ex-especializandos
nos quadros da instituição.
“Em suma, o conhecimento da gestão e sua aplicação e
implicação no campo da psicologia hospitalar é
imprescindível, diante da realidade atual das instituições
de saúde. Por outro lado, também imprescindível é o
constante exercício crítico e a vigilância sobre os riscos
de se transformar em fim aquilo que foi idealizado como
meio.”
(SILVEIRA, p. 135, 2010)
CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Olhar interdisciplinar em relação à saúde
Ampliação das ações do psicólogo no campo multifacetado da
saúde
A atividade do profissional de Psicologia ultrapassa em muito as
ações clínicas tradicionais
Permitir juntar abordagens tradicionais com as novas
configurações e demandas de atuação exigidas no momento
atual
Fortalecimento da área da Psicologia Hospitalar: novos atores
entram no cenário de lutas em busca de melhorias para a
categoria
• Dimensionamento de profissionais;
• Dificuldade de realizar triagem com a maioria dos pacientes das
unidades acompanhadas;
• A continuidade do atendimento para o usuário é afetada pela
grande demanda existente;
• Limites da atuação que esbarram nas políticas públicas
• Lidar com frustrações, sensação de impotência
• Vagas de trabalho insuficientes (ou inexistentes?) diante do
número de profissionais formados para atuar na rede
• Produz subjetividades: que imagem o psicólogo hospitalar
constrói para si?
Obrigada!!!
fernandazevedo@[Link]
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Código de Ética Profissional do Psicólogo. Conselho Federal de Psicologia, Brasília, Agosto
de 2005.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP nº 1/2009. Dispõe sobre a
obrigatoriedade do registro documental decorrente da prestação de serviços
psicológicos. Disponível em:
[Link]
KERNKRAUT, A. M.; SILVA, A. L. M. Formas de atuação, organização e gestão de serviços de
psicologia. In: KERNKRAUT, A. M.; SILVA, A. L. M.; GIBELLO, J. O psicólogo no hospital: da
prática assistencial à gestão de serviço. São Paulo: Blucher, 2017. pp 51-74.
FERRARI, S.; BENUTE, G. R. G.; SANTOS, N. de O.; LUCIA, M. C. S. de. Excelência do
atendimento em saúde: a construção de indicadores assistenciais em psicologia
hospitalar. Psicologia Hospitalar, 2013, 11 (2), 60-71
Silveira, A. M. V. Estudo do campo da psicologia hospitalar calcado nos fundamentos de
gestão: estrutura, processos e resultados. Belo Horizonte, 2010.