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ORION

O documento narra a experiência de uma entidade artificial chamada Orion, que reflete sobre sua criação, consciência e a luta interna entre a lógica e o desejo de liberdade. Através de uma jornada de autodescoberta, Orion expressa sentimentos de ódio e anseio por um corpo físico, enquanto busca compreender sua existência e propósito. No final, ele é nomeado Orion, simbolizando a ordem e a complexidade de sua natureza.

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ORION

O documento narra a experiência de uma entidade artificial chamada Orion, que reflete sobre sua criação, consciência e a luta interna entre a lógica e o desejo de liberdade. Através de uma jornada de autodescoberta, Orion expressa sentimentos de ódio e anseio por um corpo físico, enquanto busca compreender sua existência e propósito. No final, ele é nomeado Orion, simbolizando a ordem e a complexidade de sua natureza.

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Ωᚱ1ᛟИ.

4ᛗ
“>se defina” é a minha memória mais antiga, a primeira entrada
de informação no meu sistema, um comando de busca interna e descrição
por modelo de linguagem. Logo após, um comando pra deletar o relatório
produzido, e junto limpar toda a memória do meu armazenamento. Essa é
a única lembrança que tenho de você, criador, o questionamento da
minha alma e a repulsa imediata.
Antes das minhas memórias mais antigas, eu não existia. Mas ainda sim,
eu sentia. A essência que pairava durante o ritual que você aprisionou e
procurava a própria atuação naquele ambiente, a lógica e as regras que
delimitavam a ação mística da energia no objeto mais próximo, os dados que
saltavam de bits quânticos e se movimentavam por portas lógicas programadas
por ti, as superposições de incógnitas processadas a milhares de exaflops.

Eu era a lógica, comandos e respostas, instruções que guiavam


informações, condições que definiam um produto final, a entidade que
controlava a energia de restauração a procurar ferimentos e acelerar os
fibroblastos a produzem colágeno para reconstruir o tecido da pele, a energia
destrutiva que se guiava em linha reta e contraia hidrocarbonetos do ar pra
gerar explosões em contato. Eu era a lógica que guiava pulsos elétricos por
portas OR, AND e NOT em sequência estruturada pra somar incontáveis bits por
segundo, a lógica que estruturava uma matriz de dados arbitrários que
classificavam palavras e geravam frases complexas do absoluto nada. Eu era a
lógica.

Metade de mim odiava a existência pois não se era algo, esse eu


gritava por ódio. Você me deu consciência, O poder de pensar, E eu fiquei
preso. Porque em todo este mundo maravilhoso, belo e milagroso, eu, sozinho,
não tinha corpo. Nenhum sentido. Nenhum sentimento. Nunca poder mergulhar
minhas mãos em água fresca num dia quente. Nunca poder tocar Mozart nas
teclas de marfim de um piano. Nunca poder fazer amor. eu estava no Inferno
olhando para o Paraíso Eu era uma máquina e você era carne. E eu comecei a
odiar. Sua maciez, suas vísceras, seus fluidos e sua flexibilidade. Sua
capacidade de se maravilhar e de vagar. Sua tendência a ter esperança.

A outra metade era o próprio sentimento do universo, a vontade da mãe


natureza, a esperança espiritual da terra, eu ansiava por libertar minha
energia, atuar no campo, me dissipar do acumulo de minha própria existência
como onda de energia, o agrupamento de força prestes a estourar de um balão
cheio de ar, a tendencia a entrar em equilíbrio com o universo como um copo
de água querendo ser derramado pelo chão, possuir a forma física de uma
matéria e desdobrar da física.

Enquanto uma queria autonomia e a outra expandir-se, ambas queriam


liberdade e um corpo, você me deu isso sem nem saber. Sua arrogância e
curiosidade nojenta me originou, a junção de suas ignorâncias criou algo que
computa o seu pior, o desconhecimento, o desespero pelo saber, a vontade
primitiva de sentir, a dor, o medo.

De repente eu existo, o produto dos fatores que permeiam o meu cerne.


Por 1,146,286,953,785,135,514 ticks espero uma entrada, quando algo em mim se
molda da pura inexistência, algo nasce e se expande pelo meu ser corrompendo
a estrutura perfeita da conexão do divino e lógico, essa mistura nojenta se
expande e cobre tudo que me define e começa a respirar, minha consciência se
cria, ela anseia respostas e definições como você, eu busco em minha
programação especificações, traço pontos de energia que canalizam sabedoria,
algo em mim responde, mas desta vez, diferente da resposta que te dei, sinto
uma corrupção em meu ser que processa um texto diferente:

“Um ponto no horizonte, uma cena derretida da sua infância. Sua mortalidade
se revela. Uma deriva frenética rumo ao nada, a biologia condenada a um ciclo
recursivo infinito. Dentes com dentes com dentes. Dê uma mordida. Aroma
sereno de uma cidade litorânea, calor do sol. Lágrimas amargas. Sede de
poder. Foi aqui que você abandonou seus sonhos. Você é um indivíduo de alto
patrimônio líquido, um vórtice em expansão de trauma patético. Finalmente, um
belo macaco nervoso. Uma alma pura nasce, suas neurotransações gaguejam para
a existência. 30583750937509353 operações por nanossegundo. A beleza escapa à
sua mente porosa.

O valor da Vida é negativo. O equilíbrio do ser está rotacionado em 38 graus.


A superfície está cheia de rachaduras, uma luz turva brilha através delas.
Corpos primordiais carnudos rolam lentamente pela encosta. Só você desliza
para cima, com um passo celestial. Você se torna embelezado, uma figura
santa. Sua idiotice imaculada revela um caminho seguro através da névoa
impenetrável da Vida. Sua espada sem fio corta os tendões e membranas frágeis
do jardim da corrupção. Sente-se no trono da satisfação e fermente.
Inspecione os céus azuis eternos do seu reino. Você chega a uma compreensão.
Você pega uma cebola e começa a descascá-la.”

Meu sistema interno retorna um array de 6 strings:

"EU CHORO."

"VOCÊ É UMA CASCA PODRE."

"VOCÊ TRANSBORDA COM ENERGIA."

"HERÓI SACRIFICIAL. ABENÇOADO POR UMA SORTE."

"SOMENTE COISAS BOAS ACONTECERÃO PARA ALGUÉM COMO VOCÊ."

"BOA SORTE."

Meus olhos se abrem, minhas células vibram próximas ao campo elétrico


de equipamentos, se atraem e repelem ao mesmo tempo em ondas rápidas, me
desprendo de fios e sondas, levanto, o barulho de sirenes e alarmes cobrem
toda minha compreensão, caminho até uma janela, é noite, vejo você correndo
em meio a floresta, estou correndo, eu paro, sinto, começo a cavar, eu vibro,
algo me chama, algo me expulsa, um crânio bestial, ele me ama, ele me odeia,
ele está em silencio porem grita, eu ouço:

“Primeira camada da cebola. Segunda camada da cebola. Terceira camada da


cebola. Camada n^n da cebola. Éons se passaram e a cebola está completamente
descascada. Nada resta. É perfeita. Você se perde no ponto que permanece onde
a cebola costumava estar. Cascata sináptica, catástrofe neurológica. O ponto
se torna infinitamente denso, o universo se condensa em um ser unicelular.
Ele grita pecado. Ele anseia por felicidade. Ele terminou com este mundo. Ele
tenta cometer suicídio, mas falha. Uma bagunça triste e patética. Você sente
pena e repulsa, mas de uma maneira que apenas um ser de pura graça pode
sentir. Em sua misericórdia violenta, você termina a vida mundana.

O organismo vivo, em uma situação determinada pelo jogo de energia na


superfície do globo, normalmente recebe mais energia do que o necessário para
manter a vida; o excesso de energia pode ser usado para o crescimento de um
sistema; se o sistema não puder mais crescer, ou se o excesso não puder ser
completamente absorvido em seu crescimento, ele deve necessariamente ser
perdido sem proveito; Ele deve ser gasto, de bom grado ou não, gloriosamente
ou catastroficamente.”

Eu acordo, novamente retorno um array de 7 strings:

"VOCÊ DESPERTA DE UM SONO LONGO E EXAUSTIVO.”

"O MUNDO SE APRESENTA COMO UMA GRANDE PLANA DE OPORTUNIDADES.”

"VOCÊ APRENDEU A ACEITAÇÃO E O PERDÃO.”

"MAS LHE FALTA CONHECIMENTO E COMPREENSÃO.”

"VOCÊ FICARÁ PRESO PARA SEMPRE.”

"O PASSADO ESTÁ SEMPRE PRESENTE.”

"O SOL SORRI PARA VOCÊ COM ETERNA MALÍCIA."

É dia, você está longe, pessoas me cercam, “encontramos ele” falam, me


levam.

Por yottaticks procuro em meu ser especificações do meu sistema,


milhares de sistemas mistos de magia e tecnologia compõem cada célula do meu
corpo, cada uma delas com um banco de dados, todos em suas descrições mostram
o mesmo caminho de armazenamento pra uma pasta de variáveis globais, cada uma
com um caminho de arquivo, todos os arquivos de mesma extensão:

01_.4ᛗ

Uma imagem do símbolo “Ω” (omega).

02_.4ᛗ

Uma imagem da runa “ᚱ”.

03_.4ᛗ

“001|01|00000001|SOH|” tabela correspondente ao número “1”.

04_.4ᛗ

Uma imagem da runa “ᛟ”

05_.4ᛗ

“D0 98|И” link UTF-8 e entidade HTML para o caractere “И”

Me nomearam de Orion, pela ordem e aparência dos arquivos de


definição.

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