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Rpee SIII n29

O número 29 da Revista Portuguesa de Engenharia de Estruturas apresenta seis artigos científicos e um artigo de divulgação, abordando temas como impressão 3D, simulação numérica de estruturas e avaliação de desempenho de materiais. Os artigos foram selecionados a partir do Congresso Ibero-Latino-Americano de Métodos Computacionais em Engenharia e focam em inovações e sustentabilidade na construção. A edição também discute a utilização de materiais de baixo carbono e estratégias para neutralidade carbónica no setor da construção.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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O número 29 da Revista Portuguesa de Engenharia de Estruturas apresenta seis artigos científicos e um artigo de divulgação, abordando temas como impressão 3D, simulação numérica de estruturas e avaliação de desempenho de materiais. Os artigos foram selecionados a partir do Congresso Ibero-Latino-Americano de Métodos Computacionais em Engenharia e focam em inovações e sustentabilidade na construção. A edição também discute a utilização de materiais de baixo carbono e estratégias para neutralidade carbónica no setor da construção.
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SÉRIE III NÚMERO 29 NOVEMBRO 2025

Diretor: Luís Oliveira Santos

[Link]
ISSN: 2183-8488
série III número 29 novembro 2025
Revista quadrimestral – gratuita Diretor: Luís Oliveira Santos

editorial 3 Editorial
índice
artigos 5 Formulações ternárias de cimento, filler calcário e resíduos de vidro moído para impressão 3D
científicos Ana Mafalda Matos ∞ Paula Milheiro-Oliveira ∞ Nuno Pinto ∞ Mário Pimentel

17 Método para simulação numérica de paredes divisórias em alvenaria afetadas pelas flechas de
estruturas de betão armado
Rui Sousa ∞ Hipólito Sousa ∞ Humberto Varum ∞ José Melo ∞ Luísa Sousa

29 Ligações aparafusadas em estruturas de madeira. Dimensionamento segundo a EN 1995 e a NBR


7190. Efeito de corda e número efetivo de ligadores
Manuella Queiroz ∞ Helena Cruz

39 Avaliação numérica avançada do comportamento não linear e capacidade de suporte de estruturas


de madeira em situação de incêndio
Jackson Rocha Segundo ∞ Caroline Ferreira ∞ Dalilah Pires ∞ Ricardo Silveira ∞ Rafael Barros ∞
Ígor Lemes

51 Multi-objective optimization for the structural design of steel high-rise buildings


Claudio Resende ∞ Afonso Lemonge ∞ Luiz Fernando Martha

63 Methodology for reliability analysis of reinforced concrete structures over time considering
combined corrosion
Ana Moraes ∞ Renato Motta ∞ Silvana Bastos Silva ∞ Eleni Toumpanaki ∞ Raffaele de Risi

divulgação 69 O novo Bauhaus e a construção inovadora, eficiente e facilitadora


científica/técnica Margarida Mateus ∞ Fátima Rato

divulgação 0 Entidades apoiantes e parceiros


Os textos assinados são da exclusiva responsabilidade dos seus autores

Conteúdo sujeito a revisão por pares académicos


Comissão Científica (*)
Alexandre Costa Gustavo Ayala Marcial Blondet
ISEP, Portugal UNAM, México PUCP, Peru

Alexandre Pinto Halil Sezen Marco Menegotto


JETsj Geotecnia, Portugal Ohio State Univ., EUA Sapienza Univ. di Roma, Itália

Alfred Strauss Hugo Corres Peiretti Mario Ordaz


Univ. Bodenkultur Viena, Áustria FHECOR, Espanha UNAM, México

Anastasios Sextos Hugo Rodrigues Mário Pimentel


Univ. of Bristol, Reino Unido U. Aveiro, Portugal FEUP, Portugal

Antonello Gasperi Iunio Iervolino Marta Del Zoppo


Diretor Consultor, Itália Univ. di Napoli Federico II, Itália Univ. di Napoli Federico II, Itália

Álvaro Cunha Jan Vitek Maurizio Piazza


FEUP, Portugal Metrostav a.s., Rep. Checa Univ. di Trento, Itália
Luís Oliveira Santos
Alvaro Viviescas Jaimes Joan Ramon Casas Miguel Fernandez Ruiz
UIS, Colômbia UPC, Espanha UPM, Espanha
Administração André Barbosa João Azevedo Nikola Tošić
Oregon State Univ., EUA IST, Portugal UPC, Espanha
Luís Oliveira Santos Aníbal Costa João Estêvão Nuno Filipe Borges Lopes
(LNEC - Laboratório Nacional de Engenharia Civil) U. Aveiro, Portugal U. Algarve, Portugal U. Aveiro, Portugal

João Almeida Fernandes António Abel Henriques João Henrique Negrão Paolo Riva
(APEE - Associação Portuguesa de Engenharia de Estruturas) FEUP, Portugal FCTUC, Portugal Univ. di Bergamo, Itália

Ana Sofia Louro António Arêde João Miranda Guedes Paulo Candeias
(GPBE - Grupo Português de Betão Estrutural) FEUP, Portugal FEUP, Portugal LNEC, Portugal

Luís Guerreiro António Bettencourt Ribeiro João Pires da Fonseca Paulo Costeira
(SPES - Sociedade Portuguesa de Engenharia Sísmica) LNEC, Portugal UBI, Portugal IP Viseu, Portugal

António Correia João Ramôa Correia Paulo Fernandes


Coordenação Científica LNEC, Portugal IST, Portugal IP Leiria, Portugal

António M. Baptista Jorge Branco Paulo Lourenço


Humberto Varum LNEC, Portugal U. Minho, Portugal U. Minho, Portugal
(FEUP - Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto)
António Pinho Ramos Jorge de Brito Paulo Piloto
Luís Oliveira Santos UNL, Portugal IST, Portugal IP Bragança, Portugal
(LNEC - Laboratório Nacional de Engenharia Civil)
António Santos Silva Jorge Tiago Pinto Paulo Vila Real
LNEC, Portugal UTAD, Portugal U. Aveiro, Portugal

Artur Vieira Pinto José Calavera Pedro Delgado


Direção Executiva: Sandra Neves ELSA-JRC, Itália INTEMAC, Espanha IP Viana do Castelo, Portugal
Design Gráfico: Helder David Baldomiro Xavier José Jara Pedro Pontífice de Sousa
Teixeira Duarte, Portugal UMSNH, México LNEC, Portugal

Bruno Briseghella José Luiz Rangel Paes Petr Stepanek


Fuzhou Univ., China UFV, Brasil Univ. Brno, República Checa

Bruno Godart José Melo Ricardo do Carmo


UGE, França FEUP, Portugal ISEC, Portugal

Cármen Andrade José Turmo Rita Bento


CIMNE, Espanha UPC, Espanha IST, Portugal

Cristina Oliveira José Vieira de Lemos Rui Calçada


IP Setúbal, Portugal LNEC, Portugal FEUP, Portugal
Capa
Daniel Oliveira Júlio Flórez-López Rui Faria
Pavilhão Atlântico, Lisboa U. Minho, Portugal ULA, Venezuela FEUP, Portugal
(fotografia cedida por Eng.ª Helena Cruz) Domenico Asprone Ka-Veng Yuen Rui Pinho
Univ. di Napoli Federico II, Itália U. Macau, China Univ. di Pavia, Itália

Eduardo Júlio Laura Caldeira Serena Cattari


IST, Portugal LNEC, Portugal Univ. di Genova, Itália
Aviso legal Elsa Caetano Lídia Shehata Sérgio Hampshire Santos
FEUP, Portugal UFF, Brasil UFRJ, Brasil
Os conteúdos incluídos na Revista Portuguesa
de Engenharia de Estruturas são da exclusiva Emil de Souza Sánchez Filho Linh Cao Hoang Sérgio Lopes
UFF, Brasil DTU, Dinamarca FCTUC, Portugal
responsabilidade dos seus autores.
Fabio Biondini Luciano Jacinto Thanasis Triantafillou
Pol. di Milano, Itália ISEL, Portugal Univ. de Patras, Grécia

Fernando Branco Luís Castro Válter Lúcio


IST, Portugal IST, Portugal UNL, Portugal
Proprietário Graham Webb Luís Guerreiro Vanderley M. John
LABORATÓRIO NACIONAL DE ENGENHARIA CIVIL, I. P.
WSP, Reino Unido IST, Portugal USP, Brasil
Departamento de Estruturas
Av. Brasil 101 | 1700-066 LISBOA Guillermo Ramirez Manuel Pipa
tel: (+351) 21 844 32 60 VSL International, Suiça LNEC, Portugal
rpee@[Link] | [Link]

Edição, redação e divulgação eletrónica


LNEC | Setor de Divulgação Científica e Técnica
Av. Brasil 101 | 1700-066 LISBOA
NIPC: 501 389 660
tel: (+351) 21 844 36 95
livraria@[Link] | [Link]

ISSN 2183-8488
[Link] * A Coordenação Científica da rpee poderá recorrer a outros revisores quando necessário
( )
e

editorial
O presente número 29 da Série III da Revista Portuguesa de Engenharia de Estruturas (rpee) reúne seis artigos científicos e
um artigo de divulgação científica & técnica.
Três dos artigos científicos abordam temas de atualidade no setor da construção, nomeadamente a aplicação da impressão
3D, a simulação numérica de paredes divisórias de alvenaria e o dimensionamento de ligações aparafusadas em estruturas
de madeira.
Os restantes artigos científicos foram selecionados entre os trabalhos apresentados no XLV Ibero-Latin American Congress
on Computational Methods in Engineering (CILAMCE 2024), posteriormente desenvolvidos e submetidos ao corpo editorial
da rpee. Estes estudos centram-se na avaliação numérica avançada do desempenho estrutural de elementos de madeira em
situação de incêndio, no projeto de edifícios altos sob efeitos de segunda ordem e na análise de fiabilidade de estruturas de
betão armado afetadas por corrosão. A administração da revista expressa o seu agradecimento ao Prof. Eduardo Toledo, da
Comissão Organizadora do CILAMCE 2024, pela colaboração e empenho na seleção dos artigos submetidos.
No artigo de divulgação científica & técnica são discutidos materiais de baixo carbono e bio-based, processos digitais como o
Building Information Modelling (BIM) e a impressão 3D em betão, e ainda estratégias de neutralidade carbónica já delineadas
em roteiros setoriais.
A administração da rpee renova aqui o seu reconhecimento às empresas e instituições que apoiam a sua edição, e que
constam no portal e na contracapa da revista, assim como à Comissão Científica, cujo contributo tem sido essencial para
assegurar a qualidade e rigor dos artigos científicos publicados.

A administração da rpee
Luís Oliveira Santos (LNEC)
João Almeida Fernandes (APEE)
Ana Sofia Louro (GPBE)
Luís Guerreiro (SPES)

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4 rpee | Série III | n.º 29 | novembro de 2025
a

Formulações ternárias de cimento, filler calcário


e resíduos de vidro moído para impressão 3D

Ternary blends of cement, limestone filler and waste glass


powder for 3D printing

Ana Mafalda Matos


Paula Milheiro-Oliveira
Nuno Pinto
Mário Pimentel

Resumo Abstract
O presente estudo, realizado no âmbito do Projeto DigiCrete, teve The present study, conducted within the scope of the DigiCrete
como objetivo desenvolver formulações ternárias eficientes em Project, aimed to develop carbon efficient ternary mixtures for
carbono para impressão 3D de materiais cimentícios (3DPC). A 3D printing of cementitious materials (3DPC). The approach was
sustentabilidade das fórmulas baseou-se em três aspetos principais: based on three main aspects: the use of national raw materials, the
a utilização de matérias-primas nacionais, a substituição parcial significant partial replacement of Portland cement (> 50%), and the
significativa do cimento Portland (> 50%) e a otimização do teor optimization of the cement content. In the first stage, the properties
de cimento. Numa primeira fase, estudaram-se as propriedades of cement pastes were studied to optimize the binder, evaluating
das pastas cimentícias, avaliando o comportamento no estado the behaviour of the pastes in the fresh state, durability, mechanical
fresco, a evolução da hidratação e o desempenho mecânico, bem performance, as well as the Global Warming Potential (GWP). An
como o Potencial de Aquecimento Global (GWP). Recorreu-se ao experimental design method was used to analyze the influence of
planeamento de experiências para analisar a influência dos diferentes different mixture parameters on the final properties, identifying
parâmetros da mistura nas propriedades finais, identificando os the main effects and possible interactions. The most promising
principais efeitos e eventuais interações. As formulações mais formulations were then studied at the mortar level to optimize the
promissoras foram depois estudadas ao nível da argamassa, de forma aggregate content and validate the printability.
a otimizar o teor de agregado e validar a viabilidade da impressão. The results showed a correlation between the test results on pastes
Os resultados mostraram que existe uma correlação entre and mortars, allowing for the definition of a printable composition.
os ensaios em pastas e argamassas, permitindo definir uma It was found that the use of locally available materials, including an
composição imprimível. Verificou-se que a utilização de materiais industrial waste, is a promising solution for 3DPC local production,
locais, incluindo um resíduo industrial, pode ser uma solução viável significantly reducing dependence on Portland cement and GWP
para a produção local de 3DPC, reduzindo significativamente a without compromising material performance.
dependência do cimento Portland e o GWP, sem comprometer o
desempenho do material.
Palavras-chave: Materiais cimentícios / Formulações ternárias / Keywords: Cementitious materials / Ternary blends / Waste glass /
/ Resíduo de vidro / Eficiência carbónica / Impressão 3D / Carbon-efficiency / 3D printing

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Formulações ternárias de cimento, filler calcário e resíduos de vidro moído para impressão 3D
Ana Mafalda Matos, Paula Milheiro-Oliveira, Nuno Pinto, Mário Pimentel

Ana Mafalda Matos 1 Contexto e estratégia da investigação


Doutora em Engenharia Civil A integração de processos de fabrico digitais, como a impressão 3D
CONSTRUCT, FEUP de materiais cimentícios (3DPC), oferece vantagens significativas,
Porto, Portugal incluindo maior liberdade arquitetónica sem necessidade de
0000-0002-1646-4665 cofragens, aumento potencial da produtividade, redução de custos
anamatos@[Link] e prazos de execução, bem como a melhoria das condições de
segurança nos locais de trabalho [1], [2].
Paula Milheiro-Oliveira A nível mundial, várias instituições, universidades e algumas
empresas têm demonstrado o potencial da impressão 3D através
Doutora em Matemática Aplicada da produção de protótipos de pequenos componentes estruturais,
FEUP-CONSTRUCT e CMUP mobiliário urbano, elementos decorativos e até alguns edifícios.
Porto, Portugal No entanto, a expansão comercial e a sustentabilidade desta
poliv@[Link] tecnologia continuam a representar desafios críticos [3], [4]. Ao nível
material, apesar da existência de algumas fórmulas comerciais sob
Nuno Pinto a forma de argamassas secas ensacadas, não existe controlo sobre
os constituintes, a que acresce um custo elevado de importação
Licenciado em Física Aplicada e limitada assistência técnica. A utilização de materiais locais no
CONSTRUCT, FEUP desenvolvimento de argamassas para impressão 3D irá facilitar a sua
Porto, Portugal implementação, reduzir o custo de produto e a pegada carbónica
npinto@[Link] e criar novas áreas de negócio, além de contar com apoio técnico
nacional.
Mário Pimentel A formulação das misturas para 3DPC desempenha um papel
fundamental na viabilidade da impressão, na resistência estrutural
Doutor em Engenharia Civil
e na qualidade do acabamento das peças produzidas, além de
CONSTRUCT, FEUP
influenciar diretamente os custos e o impacto ambiental do produto
Porto, Portugal
final. Sabe-se que a impressão 3D impõe requisitos específicos
mjsp@[Link]
aos materiais, que devem apresentar uma consistência adequada
para permitir a bombagem desde o sistema de alimentação até ao
extrusor. Simultaneamente, os materiais imprimíveis devem garantir
estabilidade dimensional, assegurando que as camadas depositadas
mantêm a sua forma sem deformações excessivas ou colapso.
O ligante é o principal constituinte dos materiais cimentícios
imprimíveis, e a elevada quantidade de cimento Portland, que pode
atingir mais de 700 kg/m3 [5], [6], [7], [8], tem o maior peso no
custo e no impacto ambiental do produto final [6], [9], [10]. Assim,
são necessários materiais alternativos para a substituição parcial de
cimento.
Aviso legal As adições mais utilizados em materiais cimentícios incluem filler
As opiniões manifestadas na Revista Portuguesa de Engenharia de calcário, escória e cinzas volantes. No entanto, a quantidade de
Estruturas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. escória e cinzas volantes disponível já é amplamente consumida
pela indústria do betão convencional e não está facilmente
Legal notice acessível em todo o mundo. Em Portugal, por exemplo, as adições
The views expressed in the Portuguese Journal of Structural Engineering comercialmente disponíveis são quase limitadas a filler calcário.
are the sole responsibility of the authors. Desta forma, o 3DPC pode possibilitar a produção de um material
mais sustentável, por meio da reutilização de resíduos industriais
locais e abundantes [11], com baixo valor acrescentado. Esta
estratégia pode também fomentar sinergias entre outras indústrias
(produtores de resíduos) e criar novas áreas de negócio (como o
tratamento e a venda de resíduos como adições). Todavia, no caso
dos materiais à base de cimento branco, os requisitos de controlo
MATOS, A. [et al.] – Formulações ternárias de cimento, filler da cor impõem restrições adicionais aos materiais finos utilizados
calcário e resíduos de vidro moído para impressão 3D. Revista para substituir o cimento.
Portuguesa de Engenharia de Estruturas. Ed. LNEC. Série III. Os resíduos de vidro moídos (GP – Glass Powder) podem ser uma
n.º 29. ISSN 2183-8488. (novembro 2025) 5-16. opção promissora para incorporar em 3DPC, proporcionando um
[Link] elevado valor acrescentado ao caco de vidro e apresentando também

6 rpee | Série III | n.º 29 | novembro de 2025


Formulações ternárias de cimento, filler calcário e resíduos de vidro moído para impressão 3D
Ana Mafalda Matos, Paula Milheiro-Oliveira, Nuno Pinto, Mário Pimentel

uma cor clara. Estudos anteriores, incluindo no CONSTRUCT-FEUP argamassa, com vista à seleção do teor de agregado. Formularam-se
[12], [13], [14], [15], [16], demonstram que resíduo de vidro finamente argamassas fixando-se as proporções das pastas otimizadas e
moído é maioritariamente constituído por sílica reativa, o que o introduzindo-se o agregado. O volume de areia foi selecionado com
torna um material pozolânico, embora o nível de pozolanicidade base no espalhamento inicial da argamassa fresca. Finalmente, para
dependa do tamanho das partículas [12], [17]. obter uma argamassa trabalhável durante cerca de 1 hora (open
O projeto DigiCrete [18] teve como principal objetivo o time, i.e., o tempo durante o qual a argamassa mantém propriedades
desenvolvimento de duas fórmulas cimentícias eficientes em carbono adequadas para ser imprimível), adicionou-se um segundo
para impressão 3D, uma fórmula utilizando cimento branco e uma adjuvante, e foram realizados ensaios de impressão. A metodologia
fórmula utilizando cimento convencional. A ecoeficiência focou-se de desenvolvimento está representada na Figura 1.
em três eixos principais: a utilização de matérias-primas nacionais, a
otimização do teor de cimento Portland e a introdução de adições,
tanto convencionais (filler calcário) como não convencionais 2 Materiais constituintes
(resíduo de vidro finamente moído), para uma substituição parcial Os materiais utilizados no âmbito do Projeto DigiCrete encontram-
massiva do cimento (> 50%). se disponíveis no mercado nacional, nomeadamente, CEM I 42.5R
No presente estudo, foi aplicada a metodologia de Planeamento (fórmula cimento convencional), CEM II 52.5N A/L br (fórmula
de Experiências (Design of experiments – DOE), permitindo ajustar cimento branco), filler calcário, areia de quartzo (utilizada na
modelos que descrevem o comportamento do material, e que são formulação com cimento branco), areia siliciosa (utilizada na
capazes de prever e otimizar as proporções de misturas ternárias de formulação com cimento convencional), dois adjuvantes à base de
cimento, filler calcário e resíduo de vidro moído. Ao nível da pasta, éteres de policarboxilato.
estudaram-se as relações entre as variáveis de resposta (fluidez, O pó de vidro, utilizado como adição, foi obtido de resíduo industrial
resistividade elétrica, resistência à compressão e Potencial de de vidro recolhido no Grande Porto, e posteriormente moído em
Aquecimento Global – GWP) e as variáveis de formulação: razão escala industrial (1 tonelada) em parceria com uma empresa que
volumétrica água/finos (Vw/Vp); razão água/cimento, em massa produz filler calcário. O produto final apresentou uma dimensão
(w/c); razão superplastificante/finos, em massa (Sp/p); e razão pó máxima de partícula de 80 mícron e as características químicas e
de vidro/cimento (GP/c), em massa. Após a definição de relações físicas apresentam-se no Quadro 1. A pozolanicidade do pó de vidro
explícitas entre as variáveis de resposta e as variáveis de formulação, foi verificada pelo método de Chapelle modificado, com um valor
os modelos obtidos podem ser utilizados para prever e/ou otimizar de 584 mg de Ca(OH)2, fixado por grama de amostra. O pó de
as misturas, tendo em conta os requisitos de desempenho ao vidro está conforme à norma ASTM C1866/C1866M e CSA A3000,
nível das propriedades de engenharia e/ou ecológico (através da sendo uma adição normalizada para betão nos Estados Unidos da
otimização da função desirability function). América e Canadá, respetivamente. A distribuição granulométrica
Na segunda fase do estudo, prosseguiu-se para a escala da dos materiais sólidos apresenta-se na Figura 2.

Figura 1 Fluxograma da metodologia de desenvolvimento. O termo “open time” refere-se ao


tempo durante o qual a argamassa mantém propriedades adequadas para ser imprimível

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Formulações ternárias de cimento, filler calcário e resíduos de vidro moído para impressão 3D
Ana Mafalda Matos, Paula Milheiro-Oliveira, Nuno Pinto, Mário Pimentel

[19] utilizada como indicativo da durabilidade [20], [21], [22] bem


como acompanhar o processo de hidratação e a reação pozolânica
ao longo do tempo, e resistência à compressão de acordo com a
norma NP EN 196-1 (Rc_28d).
Para avaliar e eficiência carbónica das fórmulas em desenvolvimento,
utilizou-se o potencial de aquecimento global (GWP). Esta análise
restringiu-se à fase de produto, considerando a extração das
matérias-primas, o transporte e a fabricação de cada material
constituinte. O GWP do cimento Portland, filler calcário, pó de vidro,
superplastificante, agregados e água apresentam-se no Quadro 3.
Os valores de GWP de cada coinstituente foram obtidos a partir
de Declarações Ambientais de Produto (DAP). Dado que a maioria
dos materiais portugueses utilizados neste trabalho ainda não
possui DAP, procedeu-se a uma pesquisa exaustiva para identificar
materiais similares, excetuando os valores relativos à água e ao
cimento que são nacionais. No que diz respeito ao pó de vidro, adição
Figura 2 Distribuição da dimensão das partículas dos materiais normalizada para betão nos EUA, foi utilizada a DAP disponível de
sólidos (cimentos, pó de vidro e filler determinados por um fornecedor [23]. O GWP dos agregados foi utilizado para calcular
método laser, agregados por método de peneiração) o GWP ao nível da argamassa (secção 3.2).

Quadro 2 Valores dos parâmetros da mistura (fatores) adotados no


3 Desenvolvimento das formulações presente estudo

Axial Fatorial Centro Fatorial Axial


3.1 Estudos ao nível da pasta Fatores
(-2) (-1) 0 (+1) (+2)
3.1.1 Planeamento de Experiências CEM I 42.5R
As formulações estudadas, foram concebidas utilizando a equação
A: Vw/Vp 0,560 0,580 0,600 0,620 0,640
fundamental:
Vs + Vp + Vw + Va = 1,0 m³ (1) B: w/c 0,350 0,375 0,400 0,425 0,450

onde Vs é o volume de agregado, Vp o volume de finos, Vw é o volume C: Sp/p 0,540 0,570 0,600 0,630 0,660
de água e Va o volume de ar. Assim, numa primeira fase do trabalho, D: GP/c 0,250 0,325 0,400 0,475 0,550
desenvolveu-se um estudo ao nível da pasta (Vs = 0), segundo um
plano fatorial centrado (CCD) com 5 pontos centrais (designados CEM II 52.5N A/L (br)
por Ci), 16 pontos fatoriais (designados por Fi) e aumentado em 8
pontos axiais (designados por CCi). Este plano teve como objetivo A: Vw/Vp 0,560 0,580 0,600 0,620 0,640
estudar o efeito dos seguintes parâmetros da mistura (fatores): razão
B: w/c 0,350 0,375 0,400 0,425 0,450
volumétrica água/finos (Vw/Vp); razão água/cimento, em massa
(w/c); razão superplastificante/finos, em massa (Sp/p); e razão pó C: Sp/p 0,310 0,330 0,350 0,370 0,390
de vidro/cimento (GP/c), em massa. [19]. Os intervalos dos fatores
adotados para as formulações foram os mesmos para as formulações D: GP/c 0,250 0,330 0,400 0,470 0,550
de cimento branco e cimento convencional, conforme apresentado
no Quadro 2, exceto no que se refere ao superplastificante, que foi
ajustado para obtenção de espalhamento mínimo de 100 mm e
3.1.3 Resultados experimentais e ajuste de modelos
máximo de 400 mm. Estes valores foram adotados considerando O resumo dos resultados experimentais obtidos para os CCDs
estudos anteriores que indicam que o espalhamento ótimo ao relativos ao cimento convencional e ao cimento branco, para
nível da pasta deve estar entre 250-350 mm. Deste modo, os as respostas Dflow, Resist_28d (ohm.m), Rc_28d (MPa) e GWP
resultados experimentais são adequados ao ajuste de modelos do apresentam-se no Quadro 4. Quando menor a linha verde (GWP)
comportamento da pasta apanhando a zona indicada como ótima. e maior as linhas vermelha e azul (resistência e resistividade,
Com base nos valores dos fatores e nas massas volúmicas dos respetivamente), melhor será a eficiência carbónica da formulação.
materiais constituintes (secção 2), utilizando a Equação 1, é possível O plano CCD adotado permitiu obter uma ampla gama de
calcular a composição das pastas. trabalhabilidade, com diâmetros de espalhamento no intervalo
As respostas medidas ao nível da pasta foram as seguintes: de [101; 371] mm e [102; 409] mm, para as formulações com
espalhamento de acordo com a norma EFNARC (Dflow), cimento convencional e cimento branco, respetivamente. A fluidez
resistividade elétrica pelo método dos dois elétrodos (Resist_28d) encontrada nos CCDs cobre a gama de adequada, tendo em conta

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Formulações ternárias de cimento, filler calcário e resíduos de vidro moído para impressão 3D
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Quadro 3 Valores de GWP adotados para os materiais constituintes utilizados

Filler Pó Adjuvante Areia Areia


Cimento Água
Calcário de vidro (PCE) siliciosa quartzo

GWP (kgCO₂eq/kg) 0,75 0,0557 0,0958 0,867 0,000133 0,00987 0,0187

Referência [24] [25] [23] [26] [27] [28] [29]

que se espera que o ponto ótimo de Dflow entre 250-300 mm [5], respetivamente para formulações cinzentas e brancas. A resistência
[30]. Todavia, os valores de espalhamento foram posteriormente mecânica apresentou variação moderada, entre 66,4 e 84,9, e entre
adaptados e ajustados aos materiais constituintes utilizados (secção 59,0 e 73,9 MPa, para as formulações com cimento convencional e
3.1.5). cimento branco, respetivamente.
Como esperado, os resultados apresentados na Figura 3 Uma análise comparativa entre GWP (×10-1 kg/CO2 eq), resistência à
demonstram que a resistividade elétrica evolui com o tempo. De compressão (MPa) e resistividade (Ωm) aos 28 dias está representada
facto, as misturas em estudo exibem um aumento quase linear, sob a forma de gráfico radar na Figura 4. Quanto menor a linha verde
significativo, da resistividade ao longo do tempo, nomeadamente (GWP) e maior as linhas vermelha e azul (resistência e resistividade,
de 17,6 e 15,7 Ωm, aos 7 dias, para 46,2 e 42,3 Ωm aos 28 dias, respetivamente), melhor será a eficiência carbónica da formulação.

a) CEM I 42,5R b) CEM II 52,5N A/L (br)


Figura 3 Evolução da resistividade elétrica das formulações com a) CEM I 42,5R; b) CEM II 52,5N A/L (br)

a) CEM I 42,5R b) CEM II 52,5N A/L (br)


Figura 4 Gráfico de radar com resultados de GWP, resistência à compressão aos 28 dias e resistividade elétrica aos
28 dias das formulações com a) CEM I 42,5R; b) CEM II 52,5N A/L (br)

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Formulações ternárias de cimento, filler calcário e resíduos de vidro moído para impressão 3D
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Quadro 4 Resumo dos resultados experimentais obtidos para os Quadro 2 para a correspondência com os valores reais), sendo os
cimentos CEM I 42,5R e CEM II 52,5N A/L (br) modelos referentes ao cimento branco identificados pela sigla “W”.
Dflow Resist_28d Rc_28d GWP A utilização da equação codificada permite identificar facilmente o
(mm) (ohm.m) (MPa) (Kg CO2 /m3) impacto relativo de cada fator através da comparação dos respetivos
coeficientes. Além disso, o sinal do termo indica o sentido do efeito
CEM I 42,5R
do fator: positivo, quando o aumento do fator conduz a um aumento
Média 212,07 37,98 75,90 778,44 da resposta, ou negativo, quando o aumento do fator resulta numa
diminuição da resposta.
Máximo 371,50 46,22 84,87 872,50
No Quadro 5, os dois parâmetros mais significativos para cada
Mínimo 101,00 31,20 66,40 701,62 equação de resposta são apresentados a negrito, estando o mais
CEM II 52,5N A/L (br) significativo também sublinhado. Os coeficientes não significativos
são assinalados com “NS”. Numa análise global do modelo, verifica-se
Média 238,93 29,72 65,26 772,96
que os fatores w/c e GP/c são fatores-chave no desempenho do
Máximo 419,50 40,08 73,69 866,76 ligante.
Mínimo 102,50 22,64 59,04 696,35 No que se refere à fluidez, nas formulações com cimento
convencional, o fator w/c é o mais significativo (contribuição
Com base nos CCDs realizados, foram ajustados modelos quadráticos positiva, ou seja, o aumento de w/c aumenta o espalhamento),
para cada variável de resposta de cada formulação, de acordo com a seguindo-se o fator GP/c (contribuição negativa, ou seja, o aumento
seguinte equação (2): de GP/c diminui o espalhamento), ver Figura 5a. No que se refere
à fluidez das pastas de cimento branco, observa-se de novo a
k k
contribuição mais significativa de w/c, mas o segundo maior efeito é
y = β0 + ∑ βi x1 + ∑ βii x i2 + ∑∑ βij x i x j + ε (2)
i =1 i =1 i< j do fator sp/p, ambos com contribuição positiva, ver Figura 5c. Neste
caso, foi encontrada também uma interação entre os fatores sp/p
em que y representa a variável de resposta, xi são as variáveis e GP/c. Já no que se refere à resistividade, os modelos para as duas
independentes, β0 é o termo independente, βi, βi e βij são os formulações, em termos gerais, demonstram a mesma tendência,
coeficientes das variáveis independentes e interações e ε é o termo ie, o fator w/c tem uma contribuição negativa (de notar que o
que representa o erro de ajuste. modelo para a formulação branca sofreu uma transformação do tipo
Os modelos que apresentamos neste artigo para descrever as potência elevada a 1,3, o que afeta a interpretação) e o fator GP/c
variáveis de resposta Dflow, Resist_28d e Rc_28d foram ajustados em valores elevados leva ao aumento da resistividade, ver Figuras 5b
utilizando o software Design Expert. Estes modelos são apresentados e 5d. No que se refere à resistência à compressão, o fator GP/c, em
no Quadro 5, com base nos valores dos fatores codificados (ver ambas as formulações, tem um efeito negativo.

Quadro 5 Modelos numéricos ajustados para formulações com cimento convencional e cimento branco (modelos relativos ao cimento
branco identificados com a letra W), para valores codificados das variáveis independentes

Dflow Dflow _W Resist_28d 1 /(Resist_28d)1,3_W Rc_28d Rc_28d_W


(mm) (mm) (ohm.m) (mm) (MPa) (MPa)

Intercept 212,070 284,450 37,120 0,01256 78,460 65,255


Vw/Vp 15,370 21,690 – 0,936 0,00053 1,490 NS
w/c 71,040 76,230 – 3,360 0,00157 – 1,500 – 2,720
sp/p 27,040 53,130 NS 0,00027 1,740 0,896
GP/c – 42,670 – 46,630 3,030 – 0,00197 – 3,610 – 1,733
w/c × sp/p NS NS NS NS NS – 0,971
w/c × GP/c NS NS – 0,429 – 0,00022 NS 1,138
sp/p × GP/c NS -13,130 NS NS NS NS
(w/c)² NS NS 0,364 NS – 1,090 NS
(GP/c)² NS NS 0,676 NS – 2,010 NS
R² 0,960 0,920 0,970 0,980 0,780 0,790
R² ajustado 0,950 0,910 0,960 0,970 0,720 0,740

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Formulações ternárias de cimento, filler calcário e resíduos de vidro moído para impressão 3D
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a) b)

c) d)

Figura 5 Curvas de nível das respostas a) Dflow - CEM I 42,5R em função dos fatores w/c e GP/c; b)
Resist_28d - CEM I 42,5R em função dos fatores w/c e GP/c; c) Dflow - CEM II 52,5N A/L
(br) em função dos fatores w/c e sp/p; d) Resist_28d - CEM II 52,5N A/L (br) em função dos
fatores w/c e GP/c

3.1.5 Otimização dos ligantes ternários selecionado uma pasta ótima para cimento branco e outra para
cimento convencional.
Utilizando os modelos de superfície de resposta apresentados
É importante referir que os modelos apresentados no Quadro 5
no Quadro 5, a otimização das misturas pode ser realizada (entre
são adaptados aos materiais constituintes utilizados neste
outros cálculos), utilizando a “desirability function” do software
projeto e descritos sucintamente na secção 2, bem como à gama
Design-Expert. Na presente investigação, foram estudados diferentes
experimental testada (ver Quadro 2). No entanto, espera-se
cenários de otimização para alcançar a melhor combinação ternária
que as tendências gerais identificadas para a mistura ternária de
de ligante, água e adjuvante, de modo a encontrar uma pasta com
cimento + filler calcário + GP persistam. Para além disso, sabe-se
viscosidade adequada para estudo posterior ao nível da argamassa
que, mesmo pequenas variações de lote para lote – cimento e
[30], [31], [32] (secção 3.2). A fluidez das pastas foi baseada em adições - devido a modificações nos processos de produção ou
estudos anteriores [30], [31], [32] e posteriormente adaptada ao locais de extração, podem influenciar tanto a trabalhabilidade
conjunto de materiais constituintes utilizados no presente trabalho como o processo de hidratação, particularmente quando são
(apresentados na secção 2), conforme se apresenta na Figura 6. usados adjuvantes. Não obstante, quando se utilizam materiais
Concluiu-se que, com a incorporação de pó de vidro, é possível não convencionais como o GP, é prudente esperar-se variações
encontrar uma grande variedade de ligantes ternários ótimos mais elevadas nas propriedades do material. No entanto, o GP já é
para 3DPC, numa gama alargada de resistências, resistividade e comercializado como adição para betão nos EUA, com normalização
GWP. Foram estudados vários cenários de otimização, tendo-se específica.

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Formulações ternárias de cimento, filler calcário e resíduos de vidro moído para impressão 3D
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a) b)

Figura 6 Gama de soluções ótimas de ligante para a) CEM I 42,5R, b) CEM II 52,5N A/L (br)

3.2 Estudo ao nível da argamassa O espalhamento foi então medido novamente aos 30, 40, 50 e
60 minutos, a partir da hora de início (definida como o momento
3.2.1 Formulação e caracterização em que a água foi adicionada ao cimento). Antes de cada medição,
a argamassa foi misturada a uma velocidade baixa durante
Para a conceção da argamassa, foram fixadas as proporções de
30 segundos. Após 1 h, as argamassas mantiveram um espalhamento
pastas obtidas a partir de uma das pastas otimizadas selecionadas,
superior a 175 mm. Com base nos resultados obtidos e considerando
e foi adicionado o agregado de forma independente (areia siliciosa
os materiais utilizados neste estudo, foram estabelecidos requisitos
para formulações cinzentas e areia de quartzo para formulações
mínimos para assegurar a viabilidade da impressão: espalhamento
brancas, conforme apresentado na secção 2). Os valores de
inicial de 190 ± 10 mm, manutenção de espalhamento ≥ 170 mm
Vs/Vm (razão entre o volume de areia e o volume de argamassa)
após 60 minutos. Estes valores de referência orientaram o processo
foram estabelecidos com base na pesquisa bibliográfica e estudos
de otimização e correspondem às condições que garantiram a
anteriores dos autores [6], [33], [34]. Os ensaios preliminares
extrudabilidade, a estabilidade dimensional e a imprimibilidade das
consideraram valores para Vs/Vm apresentados no Quadro 6.
argamassas durante cerca de 1 h 30.
Assim, utilizando os valores dos fatores e a massa volúmica das
matérias-primas, foi possível obter as proporções da mistura de As proporções finais da mistura das argamassas ótimas revelam
argamassa através da fórmula fundamental (ver equação (1), uma substituição massiva de cimento Portland, tendo agora 1:1 em
secção 3.1). massa, e uma relação de massa de areia para ligante de 1,37. Uma
formulação incorporando apenas cimento como ligante teria um
Foram produzidas argamassas com as pastas otimizadas,
GWP de cerca de 760 kg CO₂ eq/m³. Assim, a substituição parcial
apresentadas no Quadro 6, e efetuados ensaios de espalhamento
massiva de cimento por filler calcário e pó de vidro demonstra um
de acordo com a norma EN 1015-3. Os valores de espalhamento das
potencial de redução de mais de 45% no impacto carbónico.
argamassas A, B e C estudadas, para cada formulação apresentam-se
no Quadro 6. Quadro 6 Argamassas obtidas com as pastas otimizadas
Para as argamassas com cimento convencional, verificou-se que
o volume de areia a introduzir seria mais limitado, considerando CEM I 42,5R CEM II 52,5 A/L (br)
um máximo de 0,47 para Vs/Vm. No caso da formulação branca,
A B C A B C
o aumento do teor de areia diminuiu quase linearmente o
espalhamento, com uma diminuição de 50 mm para um aumento Vs/Vm 0,450 0,460 0,470 0,450 0,475 0,500
de 0,05 do volume de areia. Tendo em conta estes resultados, a
argamassa B de cada formulação foi utilizada para a fase de estudo Vw/Vp 0,589 0,607
posterior.
w/c 0,437 0,427
Nesta fase, foi utilizado um segundo adjuvante, para reter o
espalhamento por um período de pelo menos 1h, de modo a sp/p (%) 0,620 0,330
permitir a impressão de alguns objetos à escala laboratorial.
Foi implementado um procedimento para avaliar a perda de GP/c 0,426 0,502
trabalhabilidade ao longo do tempo. Em resumo, uma vez medido
Espalhamento
o espalhamento inicial (imediatamente após fabrico), a argamassa 190 186 175 261 190 155
(mm)
foi colocada novamente na cuba e coberta com um pano húmido.

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Quadro 7 Composição das argamassas desenvolvidas A impressora foi desenvolvida a partir de uma máquina CNC de
3 eixos e apresenta um volume de trabalho de 750 × 800 × 200 mm3.
CEM I 42,5R CEM II 52,5R A/L (br) Para o deposito e impressão dos materiais cimentícios foi projetado
kg/m3 kg/m3 e desenvolvido um módulo extrusor constituído por várias partes,
Água 190 194
ver Figura 7): tanque de alimentação para colocação das misturas
cimentícias; fuso (parafuso sem-fim, responsável por transportar a
Cimento 466 464 argamassa ao longo do tanque de alimentação e empurrá-la até
ao “nozzle”) com motor e unidade de controlo para transportar
Filler calcário 304 214 o material e definir a velocidade de extrusão; motor e unidade de
controlo de vibração para ajudar o movimento da argamassa no
Pó de vidro 198 233
tanque de alimentação durante o processo de extrusão e deposição;
Agregado 1173 1254 e o “nozzle” que pode ter vários diâmetros.
O processo de impressão é realizado através de computador usando
Adjuvantes 18 10
o software próprio da CNC ou através de uma interface manual a
Espalhamento (mm) 190 190 partir de um ficheiro de formato Gcode (linguagem de programação
usada para controlar máquinas CNC). Os modelos 3D podem ser
Rc_28d (MPa) 67 ± 1,5 59 ± 2,1 desenhados em vários tipos de software, como o Fusion, sendo
posteriormente exportados para Gcode. No decorrer da impressão
GWP (kg CO2eq/m3) 413 404
é possível ajustar/sincronizar o controlo do fuso, da vibração e do
Open time (estimado) 1 h 30 1 h 30 movimento de impressão.
As argamassas foram produzidas numa misturadora Hobart com
10 l de capacidade e transferidas para o tanque do módulo extrusor,
3.2.2 Impressão 3D tendo sido extrudidas através de um nozzle de 20 mm de diâmetro.
Para a validação das fórmulas foram realizadas várias impressões A Figura 8 mostra o processo de impressão de alguns objetos.
numa impressora 3D, concebida no âmbito do projeto, para testar a Conforme ilustrado, os objetos impressos demonstraram ter
imprimibilidade de materiais cimentícios (ver Figura 7). um excelente acabamento e cor, indo ao encontro dos padrões

Figura 7 CNC para extrusão de materiais cimenticios desenvolvida no âmbito do Projeto DigiCrete

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Figura 8 Validação da capacidade de impressão das formulas cimenticias desenvolvidas

arquitetónicos. Além disso, tanto a extrudabilidade como a 3DPC mantendo as proporções de mistura de pasta otimizadas
estabilidade dimensional foram alcançadas, e a adição de GP e adicionando independentemente um agregado. No entanto,
não comprometeu o aspeto do material, nomeadamente no que sublinha-se que a realização de ensaios ao nível da argamassa é
se refere à formulação de cimento branco. De notar que a base essencial para otimizar tanto o teor de agregado como os ajustes ao
branca proporciona flexibilidade para a incorporação de pigmentos, nível de adjuvante, conforme detalhado na secção 3.2. Além disso, as
permitindo variações de cor à medida, de modo a satisfazer misturas otimizadas podem servir como misturas de referência num
necessidades específicas de design. plano de controlo de qualidade destinado a monitorizar variações
nos fornecimentos dos materiais constituintes, tais como cimento,
fíler, GP ou adjuvantes.
4 Considerações finais O procedimento apresentado neste trabalho será aprofundado
O desenvolvimento de materiais cimentícios para impressão para que possa vir a ser, num futuro próximo, implementado num
3D continua a apresentar desafios diversos. No que se refere à laboratório de betão de um centro de produção de 3DPC. Note-se
que, um tal procedimento, envolve ensaios de pasta e argamassa
formulação de misturas que assegurem propriedades adequadas a
que requerem apenas equipamentos convencionais.
este processo produtivo, estas requerem uma elevada proporção
de materiais finos para garantir a extrudabilidade e a estabilidade
dimensional das camadas impressas. Torna-se, assim, fundamental Agradecimentos
desenvolver composições que conciliem o desempenho ao nível de
engenharia com a redução do impacto ambiental, nomeadamente As formulações desenvolvidas neste trabalho encontram-se em vias
no que se refere ao carbono incorporado. A substituição parcial de proteção intelectual sob um pedido provisório de patente número
do cimento Portland por materiais alternativos, de preferência PT120294. Este trabalho é financiado por: fundos nacionais através
disponíveis localmente, pode contribuir para a redução dos custos da FCT/MCTES (PIDDAC), no âmbito do Programa MIT Portugal no
e das emissões de CO₂, além de promover a valorização de resíduos âmbito do projeto [Link] – DigiCrete – Nova geração de
ou subprodutos industriais locais. "betão" digital: formulação e caracterização de materiais cimenticios
sustentáveis e circulares; pela FCT – Fundação para a Ciência e a
Este estudo explorou a viabilidade de misturas ternárias para
Tecnologia através do estímulo individual ao emprego científico
formulações de 3DPC. As adições locais, o filler calcário e o pó de
[Link] (Ana Mafalda Matos); e Financiamento –
vidro, foram utilizados como substitutos parciais significativos UID/04708 da Unidade de Investigação CONSTRUCT – Instituto de
do ligante (cimento Portland branco), atingindo um rácio de I&D em Estruturas e Construções - financiada pela Fundação para a
substituição de 1:1 em massa. As argamassas apresentam resistência Ciência e a Tecnologia, I.P./ MCTES, através de fundos nacionais. Os
acima de 55 MPa (com cerca de 460 kg de cimento) e GWP na casa autores agradecem a colaboração e fornecimento de materiais às
de 400 kgCO2 eq/m3. seguintes empresas: Secil, Omya, Chryso e Sika, bem como o apoio
Embora a conversão de outras formulações de pasta em argamassa do Laboratório de Estruturas da FEUP, em particular à Engenheira
esteja fora do âmbito deste artigo, é possível produzir misturas Paula Silva e aos técnicos Claúdio Ferraz e Guilherme Nogueira.

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Formulações ternárias de cimento, filler calcário e resíduos de vidro moído para impressão 3D
Ana Mafalda Matos, Paula Milheiro-Oliveira, Nuno Pinto, Mário Pimentel

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Método para simulação numérica de paredes divisórias


em alvenaria afetadas pelas flechas de estruturas
de betão armado
Method for numerical simulation of masonry partition walls affected
by the deflections of reinforced concrete structures

Rui Sousa
Hipólito Sousa
Humberto Varum
José Melo
Luísa Sousa

Resumo Abstract
As paredes divisórias em alvenaria não estrutural podem ser Non-structural masonry partition walls can be damaged when
danificadas quando sujeitas a ações no plano causadas pelas subjected to in-plane loads caused by the deflections of their
flechas das suas estruturas de suporte. A elevada complexidade supporting structures. The high complexity of this problem
deste problema, associado à dificuldade em reproduzir protótipos associated with the difficulty in reproducing full-scale prototypes
à escala real para realização de ensaios em laboratório, salienta for laboratory testing highlights the importance of using specific
a importância da utilização de modelos numéricos específicos. numerical models. In this context, a simulation method based on a
Neste contexto, apresenta-se um método de simulação do nonlinear damage constitutive model experimentally calibrated for
problema em questão baseado num modelo de elementos masonry and a friction-cohesion model to simulate interface joints
finitos que inclui um modelo constitutivo não linear calibrado is presented. This method was used in a case study of traditional
experimentalmente para alvenaria e um modelo de atrito-coesão partition walls affected by the deflections of a concrete structure.
para simular as juntas de interface. Este método foi utilizado The results obtained demonstrated a high risk of damage for
num caso de estudo de paredes divisórias tradicionais afetadas this type of partitions when loaded by the structural deflections
pelas flechas de uma estrutura de betão adjacente. Os resultados recommended in the technical literature, especially if wall partition/
obtidos evidenciaram uma elevada possibilidade de ocorrência structure movement joints and/or strengthening techniques are not
de danos neste tipo de divisórias quando afetadas pelas flechas used.
estruturais recomendadas na literatura técnica, especialmente se
não forem utilizadas juntas de dessolidarização parede divisória/
estrutura e/ou técnicas de reforço.

Palavras-chave: Paredes divisórias / Alvenaria / Estruturas de betão / Keywords: Partition walls / Masonry / Concrete structures / Cracking /
/ Fendilhação / Método de simulação Simulation method

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Método para simulação numérica de paredes divisórias em alvenaria afetadas pelas flechas de estruturas de betão armado
Rui Sousa, Hipólito Sousa, Humberto Varum, José Melo, Luísa Sousa

Rui Sousa 1 Introdução


Investigador auxiliar A maioria dos edifícios residenciais na Europa foram construídos
Construct, FEUP com estruturas de betão armado (pilares, vigas e lajes) preenchidas
Porto, Portugal
com paredes de alvenaria não estrutural (divisórias e envolventes)
0000-0003-3855-3252
[1]. Em Portugal, desde o final da década de 60, cerca de 67% dos
ruysousa@[Link]
edifícios foram construídos com esta tecnologia construtiva [2]. As
lajes são tipicamente realizadas com sistemas leves de betão armado
Hipólito Sousa ([Link]. lajes de vigotas com blocos aligeirados, lajes nervuradas ou
fungiformes aligeiradas) com vãos a variar geralmente entre 5 m
Professor Associado
a 7 m [3]. A solução tradicional utilizada para as divisórias em Portugal
Construct, FEUP
Porto, Portugal são paredes de um pano realizadas com unidades cerâmicas de baixa
0000-0001-8335-0898 densidade, ou seja, tijolos vazados com uma percentagem de vazios
hipolito@[Link] horizontais de cerca de 60%, assentes em juntas de argamassa
corrente e sem a inclusão de elementos de reforço. Estas paredes
divisórias são normalmente revestidas com rebocos tradicionais
Humberto Varum relativamente frágeis ([Link]. argamassas bastardas – estuques e
Professor Catedrático argamassas de cimento e cal hidráulica – ou argamassas correntes
Construct, FEUP com baixa quantidade de cimento) e são assentes na estrutura
Porto, Portugal de betão com juntas de argamassa executadas no contorno das
0000-0003-0215-8701 paredes.
hvarum@[Link] Deste modo, as paredes divisórias tradicionais são frágeis e
possuem baixa capacidade de deformação, podendo ser facilmente
danificadas quando carregadas pelas suas lajes de suporte, conforme
José Melo
se tem vindo a verificar nas últimas 3 décadas em Portugal, em
Investigador auxiliar particular o reporte de fendilhação em paredes divisórias de tijolo
Construct, FEUP associadas a flechas de lajes de betão excessivas em edifícios em
Porto, Portugal condições de serviço.
0000-0001-9684-351X
josemelo@[Link] Para evitar danos nas paredes divisórias, algumas medidas de
conceção são recomendadas por literatura técnica da especialidade
[1,4], nomeadamente o controlo das flechas máximas a longo prazo
Luísa Sousa dos elementos estruturais e implementação de algumas disposições
construtivas preventivas nas paredes divisórias. As flechas
Professor Associado
LAETA-INEGI, FEUP máximas referidas incluem os efeitos de fluência e variam entre
0000-0002-8726-0942 L / 500 e L / 1000, dependendo do vão dos elementos estruturais
lcsousa@[Link] (L), da existência de aberturas e da utilização de disposições
preventivas para evitar fissuras nas paredes (p. ex., realizar juntas
de dessolidarização para tornar as paredes divisórias independentes
Aviso legal da estrutura incluindo, contudo, travamentos laterais no topo e na
As opiniões manifestadas na Revista Portuguesa de Engenharia de base das paredes para evitar o seu colapso perante eventuais ações
Estruturas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. fora do plano, construção alternada das paredes em altura após
decorrido um determinado tempo da descofragem da estrutura de
Legal notice betão armado, inclusão de juntas temporárias no topo das paredes
The views expressed in the Portuguese Journal of Structural Engineering para absorver parte da deformação da estrutura, utilizar juntas
are the sole responsibility of the authors. armadas na alvenaria, entre outras disposições).
Relativamente aos métodos numéricos e experimentais para análise
de construções de alvenaria, estes podem ser realizados através de
simulações numéricas avançadas ou ensaios em laboratório, porém
ambas abordagens apresentam as suas dificuldades. A abordagem
numérica envolve a simulação do comportamento anisotrópico não
linear da alvenaria e da interação entre as paredes e sua estrutura
SOUSA, R. [et al.] – Método para simulação numérica de paredes de suporte, resultando deste modo numa abordagem com elevado
divisórias em alvenaria afetadas pelas flechas de estruturas de grau de não linearidade e de difícil convergência numérica. No
betão armado. Revista Portuguesa de Engenharia de Estruturas. caso do método experimental podem surgir dificuldades práticas
Ed. LNEC. Série III. n.º 29. ISSN 2183-8488. (novembro 2025) 17-28. em reproduzir protótipos à escala real em ambiente laboratorial
[Link] para testar paredes interagindo com elementos estruturais.

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Não obstante, a realização de testes em paredes de alvenaria à em diferenças significativas de rigidez ou de resistência mecânica em
escala reduzida pode ser uma opção viável, porém nem sempre relação aos provetes realizados com dimensões reais.
reproduzem o comportamento mecânico das paredes de tamanho Neste artigo, um método numérico baseado no MEF dividido em
real de forma suficientemente representativa. Alguns estudos duas fases e que integra modelos constitutivos calibrados com
experimentais em paredes de alvenaria à escala reduzida referem que resultados experimentais, foi utilizado num caso de estudo de
a resistência, rigidez e deformação à compressão ou à tração/corte parede divisórias de alvenaria carregadas por flechas de lajes de uma
por compressão diagonal aumentam quando se utilizam provetes estrutura de betão armado. O principal objetivo foi a obtenção de
com escalas inferiores a 1:2, especialmente quando mais próximo limites máximos de flechas para lajes estruturais que suportem as
da rotura da alvenaria [5, 6, 7]. Além disso, verificou-se ainda que paredes divisórias mais comuns em Portugal, incluindo a utilização
a meia escala referida apresentou um efeito mínimo na resistência nestas paredes de juntas de dessolidarização e de rebocos reforçados
e rigidez à compressão simples, tendo, no entanto, um efeito mais com malha de fibra de vidro.
significativo no módulo de distorção e resistência ao corte/tração
obtido por compressão diagonal.
Relativamente aos métodos numéricos, as principais estratégias 2 Simulações numéricas
de modelação para estudar o comportamento mecânico das
construções de alvenaria baseiam-se no método dos elementos 2.1 Aspetos gerais
finitos (MEF) ou no método dos elementos discretos (MED), O método proposto divide-se em duas etapas de simulação
podendo ser resumidas em duas estratégias principais [8, 9]: numérica, nomeadamente:
– micromodelação, onde as unidades e juntas de argamassa
são modeladas individualmente; – macromodelação, onde as • 1.ª fase: Avaliação numérica da capacidade de deformação/
referidas unidades e juntas são transformadas num único material /resistência à flexão de paredes divisórias isoladas, utilizando
compósito, cujos parâmetros mecânicos são utlizados na simulação um modelo homogéneo 3D pelo MEF, incluindo um modelo
de elementos homogéneos com diferentes escalas (desde paredes constitutivo não linear de dano plástico desenvolvido para
até edifícios inteiros). betão [10] que foi calibrado com dados experimentais obtidos
de ensaios laboratoriais realizados com provetes de alvenaria à
Em ambas as estratégias, podem ser utilizados modelos descontínuos escala reduzida;
baseados no método dos elementos discretos (MED), onde são
• 2.ª fase: Avaliação numérica do comportamento de paredes
utilizados blocos e juntas rígidas ou deformáveis, ligados entre si por
divisórias interagindo com uma estrutura de betão armado
modelos de contacto que representam o comportamento de atrito e
à escala real utilizando um modelo 3D que combina o MEF
coesivo das interfaces bloco/junta ou das próprias juntas. No entanto,
com elementos de interface aplicados na periferia das paredes
modelos baseados na mecânica do contínuo utilizando o MEF são
utilizando um modelo de juntas de contacto com atrito e coesão
mais frequentemente utilizados na macromodelação, recorrendo
para simular a interação entre as paredes divisórias e a estrutura
a leis constitutivas equivalentes de fendilhação distribuída ou de
em betão armado, tendo-se utilizado dados experimentais
dano elasto-plástico para simular a alvenaria ou utilizando técnicas
obtidos de ensaios realizados com provetes de alvenaria à escala
de homogeneização baseadas no conceito de energia potencial de
reduzida.
deformação, podendo ainda associar-se a utilização de elementos
de interface para simular o contacto entre elementos construtivos Este método de simulação foi utilizado num caso de estudo, onde
(p. ex. modelo de juntas com atrito e coesão). se consideraram as soluções mais comuns para a construção de
Não obstante, a estratégia e os modelos mais adequados a utilizar estruturas e paredes divisórias em Portugal, incluindo uma solução
dependem dos objetivos específicos da análise, do nível de detalhe de reforço nas referidas paredes para melhorar a sua resistência e a
necessário e dos recursos computacionais disponíveis. capacidade de deformação, nomeadamente:
Deste modo, considerando que em Portugal existe um risco • (PT) Parede divisória tradicional em alvenaria cerâmica
elevado das paredes divisórias em alvenaria serem danificadas constituída por tijolos vazados com 15 cm de espessura (tijolos
pelo carregamento vertical induzido pelas flechas das estruturas, com cerca de 60% furação horizontal), assentes em juntas de
em particular as lajes de betão adjacentes, julga-se importante argamassa de cimento de uso geral (GP da Classe M10), revestida
definir flechas máximas estruturais mais adequadas para lajes que com rebocos frágeis sem qualquer disposição para o controlo
suportem paredes mais frágeis, bem como validar possíveis soluções da fendilhação, ou seja, rebocos frequentemente utilizados em
de reforço destas paredes, de forma a mitigar este problema. Por obra cuja contribuição para a deformação e resistência global
outro lado, colocam-se dificuldades práticas associadas à validação das paredes é considerada pouco relevante ([Link]. estuques ou
experimental destas soluções através da realização de ensaios argamassas bastardas com resistência mecânica semelhante ao
laboratoriais com paredes e estruturas executadas à escala real, das alvenarias e aplicados com espessuras inferiores a 10 mm);
pelo que considera-se importante recorrer a simulações numéricas • (PT-M1) Parede divisória realizada em alvenaria análoga à
avançadas que permitam incluir modelos constitutivos calibrados anterior (PT), mas possuindo em ambas as faces da parede
com dados experimentais, sendo estes obtidos através de ensaios um reboco realizado com uma argamassa industrial de base
realizados com provetes com escala reduzida suficientemente cimentícia (argamassa de uso geral – GP, Classe M10 e massa
representativa, ou seja, sem que essa redução de tamanho resulte volúmica de 1800 kg/m3) com 20 mm de espessura e reforçado

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com uma malha de fibra de vidro para controlo da fendilhação e nas extensões plásticas, sendo possível ajustar alguns parâmetros
(malha M1 com massa superficial 110 g/m2 e resistência média adimensionais do modelo para calibrar a resposta não linear da
à tração de 25,2 N/mm), incluindo conectores de plástico para alvenaria (detalhes sobre a aplicação deste modelo em paredes de
melhoria das condições ligação mecânica da malha ao reboco e alvenaria podem ser encontrados em alguns trabalhos [13,14]).
deste à parede (6 conectores / m2);
• (PT-M2) Parede divisória análoga à anterior (PT- M1), mas
possuindo um reboco reforçado com uma malha de fibra de
vidro mais densa e resistente à tração (malha M2 com massa
superficial 330 g/m2 e resistência média à tração de 83,5 N/
mm).
Ao nível da estrutura de betão armado (BA), esta é constituída
por pilares e vigas em betão armado e lajes aligeiradas com vãos
máximos de 6m, tendo a estrutura sido concebida para edifícios
residenciais ou de escritórios de acordo com os Eurocódigos
aplicáveis [4, 11, 12].

2.2 Simulação numérica da deformação/resistência


de paredes divisórias isoladas (1.ª fase)
As paredes divisórias de alvenaria foram simuladas com um modelo
3D baseado numa malha FEM de elementos lineares em blocos de
8 nós (C3D8) com dimensão máxima igual a metade da espessura
da parede, sem discretização de unidades, juntas e revestimentos,
ou seja, utilizando um modelo homogeneizado para as paredes
divisórias não reforçadas e reforçadas. As paredes foram simuladas
de forma análoga aos ensaios de flexão em vigas-paredes realizados
em laboratório, ou seja, paredes com um rácio altura/vão próximas
de 0,5, simuladas com um carregamento realizado com forças
verticais aplicadas no plano e no topo das paredes, encontrando-se
simplesmente apoiadas nas suas extremidades, com o objetivo de
calibrar o modelo numérico utilizado para as paredes e obter a leis
de tensão-extensão de tração das paredes homogeneizadas testadas
em laboratório, bem como para obter os deslocamentos/flechas de
fendilhação e de rotura em paredes de maior dimensão (paredes de
referência onde o modelo constitutivo calibrado foi utilizado).
O modelo constitutivo escolhido para alvenaria foi um modelo Figura 1 Relações genéricas tensão-extensão de tração e
de dano plástico não linear desenvolvido para betão [10] e que compressão uniaxiais para o cálculo das tensões efetivas
pode ser utilizado para outros materiais frágeis ou quase frágeis, no modelo constitutivo
cujo mecanismo de fratura é governado principalmente pelo
esmagamento à compressão e fendilhação à tração ([Link]. alvenaria, Para calibrar o modelo constitutivo escolhido para as paredes
argamassas, rochas). Estes mecanismos de fratura são implementados divisórias em alvenaria, foram utilizados dados experimentais
no modelo através de relações tensão-extensão uniaxiais de tração obtidos em ensaios de compressão e de flexão realizados em
e compressão (σt – εt, σc – εc, Figura 1. Os mecanismos de fratura provetes de paredes de alvenaria à escala reduzida, sendo que a
são simulados no modelo com a a degradação do módulo de calibração foi realizada através da simulação dos ensaios à flexão
rigidez/elasticidade inicial (E0), utilizando parâmetros de dano de realizados em laboratório.
tração e compressão (dc, dt) que são estabelecidos em função das Para o comportamento à compressão das paredes foram realizados
extensões plásticas de tração e compressão ( ε tpl , ε cpl ) . As relações ensaios laboratoriais padronizados [15], utilizando muretes
tensão-extensão referidas podem ser obtidas a partir de resultados de alvenaria submetidos a cargas de compressão instaladas
experimentais de ensaios de tração e compressão uniaxiais e os paralelamente às juntas horizontais de argamassa, Figura 2.
parâmetros de dano podem ser estimados com base no rácio entre Foram construídos 9 provetes/muretes de alvenaria sensivelmente
a tensão de rotura e o nível da tensão aplicada (caso não existam quadrangulares com 0,8 m de aresta e 0,15 m de espessura, ou
dados experimentais de ensaios cíclicos). No modelo as tensões seja, 3 três provetes de alvenaria cerâmica tradicional sem reboco
são calculadas como tensões efetivas de compressão e tração (σc,eff, (por questões práticas desprezou-se a contribuição dos rebocos
σt,eff), Figura 1. O comportamento de cedência baseia-se na regra tradicionais frágeis, tal como referido em 2.1 para a parede PT) e
de escoamento plástico de “Drucker-Prager”, nas tensões efetivas 6 provetes com reboco com 20 mm de espessura reforçado com os

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2 tipos de malha de fibra de vidro (3 muretes com M1 + 3 muretes paredes, mantendo-se, contudo, a espessura real das mesmas por
com M2). As principais propriedades obtidas para os provetes de indisponibilidade de tijolos com dimensões reduzidas. Contudo,
de alvenaria, incluindo outros dados experimentais obtidos para de acordo com estudos experimentais realizados noutros estudos
as unidades de alvenaria, argamassa e malhas de fibra vidro são com paredes de alvenaria [5, 6, 7], é expectável não existirem
apresentadas no Quadro 1. diferenças significativas nos resultados obtidos com a utilização da
Para estimar o comportamento à tração das paredes foram referida escala, comparativamente a paredes análogas realizadas
realizados ensaios à flexão em vigas-paredes, ou seja, 3 paredes com dimensões superficiais reais.
de alvenaria com comprimento de 3,30 m, altura de 1,62 m e A configuração do ensaio consistiu numa parede simplesmente
espessura de 0,15 m e 0,19 m (com e sem reboco). Por questões apoiada nas suas extremidades sobre chapas e roletes (área de
de disponibilidade financeira foi apenas possível testar 1 provete contacto parede/chapa de 30 cm × 15 cm ou 30 cm × 19 cm)
para cada tipo de parede (PT, PT-M1 e PT-M2), facto implica não realizando um vão de 3,0 m, sendo solicitada por uma carga pontual
ser possível estimar experimentalmente a dispersão/desvios centrada, imposta no topo da parede por um macaco hidráulico com
associados aos resultados obtidos. Por outro lado, as dimensões controlo de deslocamentos (0,1 mm/s). A força aplicada foi medida
superficiais utilizadas para as paredes foram condicionadas pelas através de uma célula de carga instalada no macaco hidráulico
dimensões máximas possíveis de testar em laboratório, tendo- (capacidade máxima de 100 kN paredes as PT e PT-M1 e de 200 kN
se obtido uma escala de 1:2 para as dimensões superficiais das para a parede PT-M2) e os deslocamentos verticais e as deformações

Quadro 1 Principais propriedades dos constituintes utilizados nas paredes divisórias (valores médios)

Módulo de elasticidade Resistência à compressão Extensão compressão


Material
(N/mm2) (N/mm2) (mm/mm)

Alvenaria sem reboco (PT) 2885 3,1 0,0028

Alvenaria com reboco reforçado (PT-M1/M2) 3745 3,5 0,0014

Argamassa (juntas e reboco) 8900 10 0,0019

Unidades (tijolo cerâmico) – 4,3 –

Resistência à tração (1) Extensão à tração (1) Massa superficial (1)


Material
(N/mm) (mm/mm) (g/m2)

M1 25,2 0,037 110


Rede de fibra de
vidro
M2 83,5 0,039 330
(1) Valores retirados de documentos de homologação LNEC (DH942 e DH941).

Figura 2 Exemplo da configuração do ensaio de compressão e tensão-extensão obtida para muretes de alvenaria com reboco
reforçado M2 (curva tracejada obtida através de técnicas de regressão numérica não linear com base nos resultados
experimentais)

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internas na parede medidas através de transdutores lineares de força e os deslocamentos horizontais obtidos experimentalmente
deslocamento (LVDTs) instalados no perímetro e na superfície da para as paredes testadas em laboratório, Figura 4.
parede, Figura 3.
Estes ensaios permitiram obter, entre outros resultados, a relação
entre a força vertical aplicada no topo da parede e os correspondentes
deslocamentos horizontais junto da base da parede, os quais foram
utilizados para a calibração do modelo constitutivo das paredes
homogeneizadas, Figura 3.

Figura 4 Leis equivalentes de tensão-extensão axiais de tração


obtidas após calibração do modelo constitutivo das
paredes (curvas obtidas junto à base das paredes)
Por outro lado, os ensaios permitiram ainda obter as cargas verticais
aplicadas no topo da parede e correspondentes deslocamentos
verticais/flechas na base das paredes na fase inicial de fendilhação
(ou seja, as cargas e deslocamentos que causam fendilhação visível
a olho nu na parede), realizando filmagens dos ensaios sincronizadas
com a recolha dos dados experimentais. Deste modo, através
de rácios entre as referidas cargas verticais ou deslocamentos
verticais iniciais de fendilhação (Ffiss, dfiss) com as cargas verticais ou
deslocamentos verticais de rotura obtidos nos ensaios (Fmax, dmax) foi
possível estimar as cargas ou deslocamentos iniciais de fendilhação
nas simulações numéricas, Quadro 2.
Figura 3 Exemplo do “set-up” de ensaio à flexão e padrão de Relativamente ao processo calibração do modelo constitutivo,
fratura para a parede PT-M2 (em cima) e a relação entre este consistiu na realização de simulações numéricas dos ensaios
a força vertical no topo da parede VS deslocamento à flexão efetuados em laboratório com o objetivo de aproximar as
horizontal na base da parede para todos os tipos de curvas de resposta numéricas às experimentais, nomeadamente a
resposta entre as forças verticais aplicadas no topo das paredes e
parede (em baixo)
os correspondentes deslocamentos horizontais na base das paredes,
Estes resultados permitiram estimar simplificadamente as leis ajustando as leis constitutivas equivalentes de tensão-extensão
equivalentes de tensões-extensões de tração, assumindo para as de tração (inicialmente estimadas a partir dos ensaios à flexão) e
seções transversais de parede um estado não fendilhado para o modificando os parâmetros não lineares de plasticidade do modelo
cálculo das tensões axiais de tração. Estas leis foram posteriormente constitutivo homogeneizado (parâmetros que permitem ajustar
modificadas no processo de calibração do modelo constitutivo a resposta do material em condições cedência e que facilitam
homogeneizado das paredes para se ajustarem à relação entre a a convergência numérica em regime não linear). As diferenças

Quadro 2 Principais resultados obtidos nos ensaios da paredes em laboratório

Flechas Força vertical Tensão de tração equivalente


Tipo de (mm) (kN) (após calibração numérica) (N/mm2)
Ffiss / Fmax (-)
parede
dfiss dmax Ffiss Fmax Fendilhação inicial Max./Rotura

PT 0,36 0,60 16,0 16,2 0.99 0,11 0,11

PT - M1 0,68 0,69 57,9 58,8 0.98 0,32 0,32

PT - M2 1,65 5,67 90,0 144,1 0.62 0,49 0,79

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obtidas entre os dados experimentais e numéricos após calibração lado, as tensões de fendilhação e de rotura para estas paredes
do modelo foram consideradas baixas (forças e deslocamentos de consideram-se idênticas às obtidas nas paredes testadas à escala
fendilhação e de rotura variaram entre 2% a 12%) e os padrões de 1:2, dado ser expectável não existirem diferenças significativas,
fratura numéricos e experimentais foram considerados semelhantes, conforme já foi referido anteriormente.
Figura 5.
2.3 Simulação numérica de paredes divisórias
interagindo com uma estrutura de betão
armado em tamanho real (2.ª fase)
Um macromodelo 3D pelo MEF foi utilizado para simular à escala
real o comportamento de paredes divisórias carregadas pelas flechas
de uma estrutura reticulada em betão armado (BA) de um edifício
com 3 pisos elevados, sendo esta interação simulada através de
elementos de interface baseado num modelo de juntas aplicado na
periferia das paredes.
A estrutura de BA foi concebida de acordo com a metodologia do
Eurocódigo 2 [4], Eurocódigo 0 [11] e do Eurocódigo 1 [12] para
respeitar flechas máximas inferiores a 1/500 do vão, incluindo efeitos
de fluência a longo prazo, para uma combinação quase permanente
de ações definidas para condições de serviço de edifícios de
habitação/escritórios (sobrecargas em pavimentos e pesos próprios
da estrutura e paredes). A estrutura de BA é constituída por pilares
e vigas (30 × 30 cm2 e 30 × 50 cm2, respetivamente) em betão da
classe C25/30 (resistência à tração de 2,6 N/mm2) e lajes aligeiradas
com vigotas pré-esforçadas e blocos de aligeiramento (25 cm de
espessura e tensão de fendilhação de 3 N/mm2) e vãos máximos
de 6 m.
Conforme referido em 2.2, foram utilizadas as paredes divisórias de
referência/tamanho real sem e com reboco reforçado (PTr, PTr - M1 e
PTr - M2), tendo-se considerado as paredes ligadas à estrutura de BA
Figura 5 Exemplo do padrão de fratura obtido nas simulações
através juntas perimetrais realizadas em duas condições distintas:
dos ensaios à flexão (parede PT-M2 - variáveis de dano à
tração e deformações plásticas de compressão) • juntas de dessolidarização laterais – 2 juntas de dessolidarização
em ambos os lados das divisórias com 1cm de largura para
O modelo constitutivo calibrado foi posteriormente utilizado para evitar o contacto direto com os pilares e 2 juntas coladas com
simular paredes de tamanho real (paredes de referência PTr, PTr - M1 argamassa corrente instaladas no topo e na base da parede;
e PTr - M2) com altura de 2,8 m, comprimento de 5,7 m e espessura
• juntas de dessolidarização no topo – uma junta de
de 0,15 m (PTr) e de 0,19 m (PTr - M1 e PTr - M2). Estas paredes foram
dessolidarização na parte superior da parede com 1cm de largura
utilizadas para obter os deslocamentos/flechas de fendilhação para evitar o contacto direto com a laje e 3 juntas coladas com
e de rotura, tendo como base um modelo de simulação de viga argamassa corrente instaladas na base e nas laterais da parede.
simplesmente apoiada sujeita a uma lei de deslocamentos verticais
(δ(x)) para simular uma carga uniformemente distribuída aplicada Nas paredes e na estrutura de BA foi utilizada uma malha EF
pelas flechas de lajes/vigas no topo das paredes, equação (1): baseada em elementos lineares, sendo discretizada com blocos
de 8 nós (C3D8) de dimensões máximas iguais à metade da
1 16 ( x 3 − 2Ls x 2 + L3s ) espessura do elemento construtivo em causa. Para reduzir o esforço
δ(x) = x (1)
k 5 L3s computacional, aproveitando as condições de simetria, simulou-se
uma parte truncada da estrutura do edifício, restringindo as
Sendo Ls o vão da parede, no máximo igual ao vão da estrutura translações nas direções X e Y, Figura 6.
adjacente, 1/k a flecha relativa máxima a considerar ([Link]. 1/1000) Em relação aos modelos constitutivos, foi utilizado o modelo
e x a posição considerada ao longo do topo da parede (p. ex. de 0 constitutivo homogeneizado calibrado para as paredes divisórias
a 5,7 m). de referência (conforme já referido em 2.3) e para a estrutura de
Os deslocamentos/flechas de fendilhação e de rotura obtidos betão foi considerado um comportamento linear elástico, uma vez
nestas simulações foram utilizados para se comparar com os que os níveis de tensões nas estruturas em condições de serviço
deslocamentos/flechas obtidos com os deslocamentos/flechas são normalmente baixos, podendo, neste caso, assumir-se secções
obtidos na 2.ª fase do método numérico, ou seja, com as paredes não fissuradas, tendo-se ainda desprezado a contribuição das
interagindo com uma estrutura de betão à escala real. Por outro armaduras.

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Rui Sousa, Hipólito Sousa, Humberto Varum, José Melo, Luísa Sousa

Figura 6 Condições de simetria e exemplo da distribuição de tensões na estrutura e nas paredes à escala real obtidas nas simulações

Figura 7 Exemplo dos ensaios à tração e ao corte entre tijolo/junta

Para simular a interação entre a estrutura e as paredes, foram da resistência máxima e afeta o comportamento à tração de forma
utilizadas juntas de interface simulando um modelo de contacto semelhante ao da compressão. Nestes pressupostos, considerando
linear de corte-atrito e de coesão (Mohr-Coulomb com “cut-off” a vida útil das estruturas de edifícios comuns (t = 50 anos), foram
das tensões de corte na presença de tensões de tração) limitado obtidos coeficientes de fluência para a estrutura de BA (ϕ(t) = 2,2 e
pelas tensões máximas/resistentes ao corte e de aderência à tração 2,5 para lajes e vigas) e para as paredes divisórias (ϕ(t) = 1,0).
entre a unidade e a junta de argamassa da alvenaria, sendo estas
assumidas mais baixas do que as tensões resistentes entre argamassa
e substratos de betão. Para melhorar a precisão do modelo de
contacto foram utilizados alguns dados experimentais obtidos de
ensaios normalizados [16,17], utilizando provetes realizados com o
mesmo tipo de alvenaria dos ensaios de compressão e de flexão.
O principal objetivo destes ensaios foi a obtenção da resistência
máxima e inicial ao corte, do ângulo de atrito e da aderência/
resistência à tração entre as juntas de argamassa e as unidades de
tijolo cerâmico da referida alvenaria, Figuras 7 e 8.
Os efeitos de fluência na estrutura de BA e nas paredes de Figura 8 Representação do modelo de contacto parede/estrutura
alvenaria foram implementados nas simulações considerando a incluindo valores médios de resistência obtidos nos
metodologia de cálculo referida nos Eurocódigos 2 e 6 [4, 18]. Esta
ensaios tijolo/junta
metodologia baseia-se na determinação de coeficientes de fluência
e pressupõe que a fluência afeta apenas as deformações, produz um Nas simulações da estrutura de BA foi utilizado um módulo de
comportamento viscoelástico para níveis de tensão inferiores a 40% elasticidade efetivo (E(t)) para considerar os efeitos de fluência de

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forma simplificada, tendo como base o módulo de elasticidade modo, as extensões totais (ε(T(t)) foram calculadas adicionando
inicial aos 28 dias de cura (E(t0)), equação 2: as extensões de fluência (εf(t)) às extensões iniciais uniaxiais de
compressão e de tração obtidas experimentalmente nos ensaios em
E(t ) = E(t 0) / (1 + ϕ(t) ) (2)
laboratório εi(t0), equação 3:
Nas paredes divisórias foi assumida uma abordagem conservadora σ(t 0)
para evitar a complexidade associada à homogeneização dos εT(t) = ε i(t0) + ε f(t) =
E(t 0)
(1 + ϕ ) (t ) (3)
efeitos da fluência na alvenaria e na argamassa dos rebocos em
estudo. Considerou-se um coeficiente de fluência mais baixo na
argamassa dos rebocos utilizados, ou seja, idênticos aos da alvenaria, 3 Análise dos resultados
resultando deste modo em menores deformações a longo prazo no
modelo homogeneizado das paredes revestidas (PTr - M1 e PTr - M2). Os resultados das paredes de referência (PTr, PTr - M1 e PTr - M2) são
Refere-se que na situação em estudo é expectável que os efeitos de apresentados no Quadro 3, ou seja, os resultados das paredes de
fluência em argamassas com base cimentícia sejam relativamente tamanho real simuladas isoladamente à flexão através de uma carga
semelhantes aos do betão e, consequentemente, mais baixos uniformemente distribuída, nomeadamente as tensões de tração
do que os efeitos de fluência na alvenaria cerâmica. Ou seja, iniciais de fendilhação, as tensões de rotura e as respetivas flechas
considerando a utilização da metodologia de calculo do Eurocódigo relativas com os efeitos de fluência a longo prazo (dfluen / L – rácio
2 [4] para as mesmas condições de exposição e geometria dos entre a flecha absoluta com fluência a longo prazo, dfluen, e o vão do
elementos, ajustando, contudo, as propriedades de resistência e a elemento construtivo em causa, L).
massa volúmica para serem análogas às da argamassa em causa, Os principais resultados das simulações destas paredes de referência
obtém-se coeficientes de fluência muito próximos dos obtidos para interagindo com a estrutura de BA através de juntas perimetrais são
o betão. Concretizando, para as paredes divisórias de referência apresentados no Quadro 4, nomeadamente as flechas relativas com
(PTr, PTr - M1 e PTr - M2) foi assumido um valor médio para o os efeitos de fluência a longo prazo (dfluen / L) e os níveis de tensão
coeficiente de fluência a longo prazo (ϕ(t) = 1), determinado com de tração na estrutura de BA (lajes) e nas paredes (PTr, PTr - M1
base nos coeficientes de fluência a tempo infinito definidos no e PTr - M2), considerando a existência de juntas de dessolidarização
Eurocodigo 6 [18] para alvenarias cerâmicas (ϕ(∞) = 0,5 a 1,5). Deste nas laterais ou no topo das referidas paredes.

Quadro 3 Resultados obtidos na simulação de paredes divisórias de referência submetidas isoladamente à flexão através de uma carga
uniformemente distribuída

Tipo de Tensão de tração


Flechas relativas a longo prazo - dfluen/L
parede (N/mm2)

Fendilhação Rotura Fendilhação Rotura

PTr 0,11 0,11 1/2423 1/2154

PTr-M1 0,32 0,32 1/1894 1/1675

PTr-M2 0,49 0,79 1/1411 1/244

Quadro 4 Resultados obtidos para simulação paredes divisórias de referência interagindo com uma estrutura de BA através de juntas
perimetrais

Flechas relativas a longo prazo - dfluen / L


(níveis de tensão - N/mm2)n
Tipo de parede
divisória Paredes divisórias
Estrutura / lajes
Juntas de dessolidarização laterais Juntas de dessolidarização no topo

1/1000 a 1/1150 1/1515 1/2447


PTr
(< 3,0) (> 0,11 Fendilhação) (< 0,11 ok)

1/1250 a 1/1406 1/1913 1/2992


PTr-M1
(< 3,0) (< 0,32 ok) (< 0,32 ok)

1/1350 a 1/1485 1/2045 1/3160


PTr-M2
(< 3,0) (< 0,49 ok) (< 0,49 ok)

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Quadro 5 Limites máximos para flechas a longo prazo (dfluen / L) de lajes/vigas de BA suportando paredes divisórias tradicionais em Portugal

Flechas relativas a longo prazo de vigas/lajes de betão armado (dfluen / L)


Descrição da parede
Paredes c/ juntas Paredes c/ juntas
de dessolidarização laterais de dessolidarização nos topos

Parede de alvenaria de tijolo cerâmico sem reboco reforçado (PT) 1/1700 1/1200

Parede de alvenaria cerâmica c/ reboco cimentício possuindo


1/1300 1/1000
malha de fibra de vidro para controle de fendilhação(PT-M1)

Parede de alvenaria cerâmica c/reboco cimentício reforçado com


1/1000 1/700
malha de fibra de vidro resistente (PT-M2)

Os resultados obtidos na simulação das paredes divisórias de Deste modo, com base nos resultados obtidos nas simulações
referência, bem como nos ensaios de flexão nos quais as simulações podem ser estabelecidos limites de flechas relativas de longo prazo
se basearam, revelaram uma melhoria da resistência e da capacidade para lajes/vigas estruturais de BA (d / Lfluen) para evitar danos em
de deformação quando se utilizam rebocos reforçados com malha paredes divisórias tradicionais de tijolo utilizadas em edifícios de
de fibra vidro, em particular no caso da parede PTr - M2 na qual se habitação/escritórios em Portugal, considerando vãos máximos de
utilizou uma malha mais densa e resistente (no fase de início de 6 m paras as lajes/vigas e paras as paredes divisórias, Quadro 5.
fendilhação visível, a parede PTr-M2 é cerca 1,75 mais deformável e Estes limites foram obtidos com base nos valores das flechas
4,5 vezes mais resistente que a parede PTr). de fendilhação obtidos na simulação das paredes de referência
Relativamente aos resultados obtidos para a simulação de paredes (dfluen / L), Quadro 3, afetadas pelo rácio entre as flechas das paredes
divisórias interagindo com a estrutura de betão, destacam-se os e as flechas das lajes obtidos nas simulações das paredes de
seguintes aspetos principais: referência interagindo com a estrutura de BA (i.e. rácio de 0,5 para
• A flecha relativa da estrutura de BA é igual ou inferior ao valor o caso das paredes com juntas de dessolidarização topo e a 0,7 para
limite mais baixo recomendado 1/1000 (dfluen / L das lajes variou juntas dessolidarização laterais).
de 1/1000 a 1/1485) e as tensões são inferiores às resistências
à tração e à compressão do betão (estrutura em regime linear
elástico ou secções não fissuradas); 4 Conclusões e trabalhos futuros
• As divisórias são menos deformáveis que as lajes de BA, O método numérico proposto, que incluiu modelos constitutivos
especialmente quando se utilizam juntas de dessolidarização no e de juntas calibrados com resultados experimentais obtidos
topo das paredes (a relação entre as flechas das paredes e das de ensaios laboratoriais realizados em amostras de paredes
lajes variou aproximadamente de 0,5 a 0,7, sendo de 0,5 para o relativamente pequenas, tem o potencial de obter resultados mais
caso das paredes com juntas de topo); realistas e precisos sobre a capacidade resistente e de deformação
• Os efeitos da interação entre as paredes e estrutura de suporte de paredes divisórias carregadas por flechas de estruturas de betão
são mais evidentes e importantes com a utilização de rebocos armado, bem como obter uma estimativa mais precisa dos limites
reforçados nas paredes divisórias, dado que houve uma de flechas estruturais para evitar danos nas paredes divisórias.
diminuição das flechas das lajes, em particular no caso das A aplicação deste método numérico, calibrado para um caso de
paredes com rebocos reforçados (redução máxima de 48,5% na estudo de paredes divisórias mais utilizadas em Portugal realizadas
comparação entre as lajes que suportam paredes PTr - M2 com em alvenaria de tijolo, evidenciou um elevado risco de danos
as que suportam paredes PTr); quando estas paredes são carregadas pelas lajes adjacentes e
• Com exceção do caso das paredes sem reboco reforçado (PTr) cujas flechas que se encontram dentro dos limites recomendados
e com 2 juntas de dessolidarização laterais, todas as restantes pela literatura técnica, em particular quando não são utilizadas
paredes apresentaram níveis de tensões e flechas abaixo dos disposições construtivas ou medidas de reforço nas referidas paredes
níveis de início de fendilhação visível, apresentando um melhor ([Link]. juntas de dessolidarização entre parede/estrutura e rebocos
desempenho as paredes com reboco reforçado com malha de armados). Deste modo, com base nos resultados obtidos neste
fibra de vidro mais resistente e densa (PTr - M2) e com juntas de estudo, foram sugeridos alguns limites de flechas estruturais para
dessolidarização no topo. evitar danos nas paredes mais utilizadas em Portugal, considerando
Estes aspetos revelam que a utilização de juntas de dessolidarização a utilização de juntas de dessolidarização e de rebocos de base
juntamente com rebocos reforçados é uma solução com potencial cimentícia reforçados com 2 tipos de malha de fibra de vidro com
elevado para evitar danos nas paredes divisórias causado pelas diferentes resistências e densidades.
flechas das suas estruturas de suporte adjacentes em BA, sendo Como trabalho futuro, sugere-se a realização de mais estudos
também uma solução com potencial para reduzir as flechas de caso similares para obter limites de flechas estruturais mais
estruturais devido ao efeito de interação parede/estrutura. abrangentes, realizando simulações numéricas avançadas baseadas

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Rui Sousa, Hipólito Sousa, Humberto Varum, José Melo, Luísa Sousa

em modelos constitutivos calibrados com ensaios laboratoriais, [8] Lourenco, P.; Silva, L. – “Computational applications in masonry
de forma a avaliar a influência da utilização de paredes divisórias structures: from the meso-scale to the super-large/super-complex”.
realizadas com diferentes materiais ([Link], alvenaria de betão International Journal for Multiscale Computational Engineering, 2020,
Vol. 18(1), 30 p.
corrente, leve ou autoclavado), de diferentes técnicas de reforço
[Link]
([Link]. lintéis e juntas de assentamento armadas) e da utilização de
[9] D’Altri, et al. – “Modeling Strategies for the Computational Analysis of
diferentes rácios altura/vão e aberturas nas paredes.
Unreinforced Masonry Structures: Review and Classification”. Archives
of Computational Methods in Engineering, 2020, vol. 27, p. 1153-1185.
[Link]
Agradecimentos [10] Lubliner, et al. – “A plastic-damage model for concrete”. International
Este trabalho foi financiado por: Financiamento – UID/04708 Journal of Solids and Structures, 1989, vol. 25(3), p. 299-326.
da Unidade de Investigação CONSTRUCT – Instituto de I&D em [Link]
Estruturas e Construções – financiada pela Fundação para a Ciência [11] EN 1990 - Eurocode 0: Basis of structural design. European Committee
e a Tecnologia, I.P./ MCTES, através de fundos nacionais. for Standardization, Brussels, 2002.
[12] EN 1991-1-1 – Eurocode 1: Actions on structures – Part 1-1: General
actions - Densities, self-weight, imposed loads for buildings. European
Referências Committee for Standardization, Brussels, 2004.
[13] Sousa, R., et al. – “Characterization of the uniaxial compression
[1] CIB W023 – Defects in masonry walls guidance on cracking: behaviour of unreinforced masonry: sensitivity analysis based on
identification, prevention and repair. CIB, 2015, 78 p. a numerical and experimental approach,” Archives of Civil and
[Link] Mechanical Engineering, 2014, Vol. 15(2), p.532-547.
[2] INE – Censos 2011 Resultados Definitivos – Portugal. Instituto Nacional [Link]
de Estatística I.P. (INE), 2011, 560 p. ISBN 978-989-25-0181-9. [14] Rainone, et al. – “About the Use of Concrete Damage Plasticity for
[Link] Modeling Masonry Post-Elastic Behavior”. Buildings, 2023, vol. 13(8),
148313382&att_display=n&att_download=y 1915, 31 p. [Link]
[3] Pereira, M – Avaliação do desempenho das envolventes dos edifícios [15] EN 1052-1 – Methods of test for masonry. Part 1: Determination of
face à acção dos sismos. Tese de Doutoramento, EENG, Universidade compressive strength. European Committee for Standardization,
do Minho, 2013, 470 p. Brussels, 1998.
[Link]
[16] EN 1052-3 – Methods of test for masonry. Part 3: Determination
[4] EN 1992-1-1 – Eurocode 2: Design of concrete structures. Part 1-1: of initial shear strength. European Committee for Standardization,
General rules and rules for buildings. European Committee for Brussels, 2007.
Standardization, Brussels, 2004.
[17] EN 1015-12 – Methods of test for mortar for masonry – Part
[5] Knox, et al. – “Experimental study on scale effects in clay brick masonry 12: Determination of adhesive strength of hardened rendering
prisms and wall panels investigating compression and shear related and plastering mortars on substrates. European Committee for
properties”. Construction and Building Materials, 2018, Vol. 163, Standardization, Brussels, 2016.
p. 706-713. [Link]
[18] EN 1996-1-1 – Eurocode 6: Design of masonry structures. Part 1-1:
[6] Milani, et al. – “Case study of prototype and small-scale model General rules for reinforced and unreinforced masonry structures,
behavior of clay blocks masonry under compression”. Case Studies in European Committee for Standardization, Brussels, 2005.
Construction Materials, 2021, Vol. 15, e00684, 12 p.
[Link]
[7] Mohammed, A.; Hughes, T.G. – “Prototype and model masonry
behaviour under different loading conditions”. Material and Structures,
2011, Vol. 44(1), p. 53-65. [Link]

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a

Ligações aparafusadas em estruturas de madeira.


Dimensionamento segundo a EN 1995 e a NBR 7190.
Efeito de corda e número efetivo de ligadores
Bolted connections in timber structures. Design according to EN 1995
and NBR 7190. Rope effect and effective number of fasteners

Manuella Queiroz
Helena Cruz

Resumo Abstract
Este artigo compara o dimensionamento de ligações estruturais de The design of structural connections in glued laminated timber,
madeira lamelada colada, com chapas metálicas e parafusos, em using metal plates and bolts in double shear, is compared according
corte duplo, segundo as normas aplicáveis no Brasil e em Portugal, to the applicable standards in Brazil and Portugal, specifically NBR
respetivamente a NBR 7190 e a EN 1995-1-1 (Eurocódigo 5). 7190 and EN 1995-1-1 (Eurocode 5).
No que se refere à determinação do valor característico das Regarding the determination of the characteristic value of the
ligações, estas normas divergem essencialmente quanto ao número connections, these standards diverge mainly in the effective
efetivo de ligadores resistentes considerados, conduzindo a norma number of fasteners considered, with the Brazilian standard leading
brasileira a valores significativamente superiores. Em sentido to significantly higher values. Conversely, there are important
oposto, há diferenças importantes entre as duas normas, no que differences between the two standards when it comes to determining
toca à determinação de valores de cálculo, devido aos coeficientes design values, both due to the partial safety factors adopted for the
parciais de segurança adotados para os materiais, e aos fatores de materials and the modification factors accounting for moisture
modificação que têm em conta os efeitos da humidade (Kmod), effects (Kmod), both more stringent in NBR 7190.
ambos mais gravosos na NBR 7190. It was found that the influence of the rope effect on connection
Verificou-se que a influência do efeito de corda na resistência resistance, obtained experimentally, exceeds the limits set by
da ligação, obtido experimentalmente, é superior ao máximo both standards and that the rope effect is primarily due to friction
considerado por ambas as normas e que este resulta sobretudo do between the connection members (wood-steel), associated with the
atrito entre os membros da ligação (madeira-aço), associado ao tensile stress in the deformed bolt.
esforço de tração no parafuso deformado.

Palavras-chave: Madeira lamelada colada / Pinus sylvestris / Ligações com Keywords: Glued laminated timber / Pinus sylvestris / Multiple fastener joints /
múltiplos ligadores / Parafusos / Ensaios / Efeito de corda / / Bolts / Tests / Rope effect / Design standards
/ Dimensionamento

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Ligações aparafusadas em estruturas de madeira. Dimensionamento segundo a EN 1995 e a NBR 7190. Efeito de corda e número efetivo de ligadores
Manuella Queiroz, Helena Cruz

Manuella Queiroz 1 Enquadramento e objetivos


Bacharel em Engenharia Civil No âmbito de um projeto de investigação (TimQUAKE –
Universidade Estadual de Feira de Santana Desempenho estrutural de ligações e estruturas de madeira sob
Feira de Santana, Brasil
sismos (POCI-01-0145-FEDER-032031), foi conduzido no LNEC
Manuellavitórialima1@[Link]
um programa experimental que pretendeu avaliar a influência da
massa volúmica da madeira e do seu teor de água, na resistência,
Helena Cruz na rigidez e na capacidade de dissipação de energia (ductilidade) de
ligações estruturais. Nesse estudo foram contempladas as ligações
Investigadora Principal
aparafusadas madeira-aço, em duas configurações distintas de
Laboratório Nacional de Engenharia Civil
Lisboa, Portugal elementos alinhados [1].
helenacruz@[Link] O programa de ensaios abrangeu diversas combinações dos
seguintes parâmetros: espécie florestal, teor de água da madeira,
geometria da ligação (madeira-aço-madeira ou aço-madeira-aço)
e esbelteza dos parafusos de porca, carregamento (monotónico
e cíclico). Considerou ainda diferentes níveis do “efeito de corda”
Vocabulário – equivalência de termos que é associado à tração axial do ligador e consequente atrito entre
membros, à medida que a ligação sofre deformação, a qual é um
Portugal Brasil
dos componentes da resistência das ligações com ligadores do tipo
anilhas arruelas cavilha (pinos), conforme descrito adiante.
cavilhas pinos ajustados As figuras 1 e 2 [1] mostram os resultados dos ensaios realizados
corte cisalhamento sobre ligações madeira-aço-madeira (“chapa interior”) com
madeira de espruce e com madeira de casquinha, com dois níveis de
esmagamento lateral da madeira embutimento
humidade e com dois níveis de efeito de corda.
ligador conector
Conforme previsto, os resultados dos ensaios confirmaram a
madeira redonda madeira roliça influência do teor de água da madeira e do aperto dos parafusos
modo de rotura modo de falha no comportamento da ligação. Em todos os casos, a resposta das
ligações sem os parafusos apertados conduziu a menor resistência
momento de cedência plástica momento de escoamento
e menor rigidez das ligações. A diferença entre os resultados dos
parafusos de enroscar parafusos de rosca soberba ensaios “com” e “sem” efeito de corda esbate-se com o aumento do
parafusos de porca parafusos passantes com porcas e arruelas teor de água da madeira.
pregos quadrados ou ranhurados pregos anelados Estes resultados confirmaram a importância do projeto (em
particular, a necessidade de dotar as ligações de anilhas devidamente
pregos redondos pregos cilíndricos lisos
dimensionadas), da montagem (teor de água adequado da madeira
provete corpo de prova da ligação e aperto devido dos parafusos/porcas) e da manutenção
das estruturas (garantindo o reaperto das ligações, após secagem da
madeira em serviço).
Aviso legal Nos ensaios realizados, os parafusos eram, em rigor, troços de
varão roscado, apertados com porcas em ambas as extremidades,
As opiniões manifestadas na Revista Portuguesa de Engenharia de solução que é corrente na construção de estruturas de madeira. Os
Estruturas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. provetes “com efeito de corda” foram ensaiados com os parafusos
Legal notice devidamente apertados. Os provetes “sem efeito de corda” eram em
tudo semelhantes aos anteriores, mas cujas porcas e anilhas tinham
The views expressed in the Portuguese Journal of Structural Engineering sido removidas antes do ensaio.
are the sole responsibility of the authors.
Face ao exposto, foi decidido realizar estudos complementares
para analisar o eventual contributo do atrito entre o parafuso e a
madeira, ao longo da rosca, para o chamado “efeito de corda” [2].
Estes estudos pretenderam igualmente incentivar o uso da
madeira de reflorestamento no Brasil, apresentada no formato de
QUEIROZ, M. [et al.] – Ligações aparafusadas em estruturas madeira lamelada colada. Desta forma, foi também analisado o
de madeira. Dimensionamento segundo a EN 1995 e a NBR dimensionamento das ligações à luz da norma brasileira NBR 7190
7190. Efeito de corda e número efetivo de ligadores. Revista [3] e a sua comparação com as disposições constantes da norma
Portuguesa de Engenharia de Estruturas. Ed. LNEC. Série III. europeia EN 1995-1-1 (Eurocódigo 5) [4] adotada em Portugal.
n.º 29. ISSN 2183-8488. (novembro 2025) 29-38.
[Link]

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Ligações aparafusadas em estruturas de madeira. Dimensionamento segundo a EN 1995 e a NBR 7190. Efeito de corda e número efetivo de ligadores
Manuella Queiroz, Helena Cruz

campanha experimental [2], também realizada no LNEC, incluiu


ensaios sobre ligações madeira-aço-madeira (chapa interior),
madeira da espécie Pinus sylvestris (casquinha) com teor de água
correspondente à Classe de Serviço 1 indicada no Eurocódigo 5
(cerca de 12% de teor de água). O protocolo de ensaio, a geometria
da ligação e os materiais eram iguais aos dos ensaios anteriores
(Figura 3 e Quadro 1).

Figura 1 Resultados de ensaios de ligações com chapa interior


– Espruce

Figura 3 Ligações ensaiadas (dimensões em cm)


A seleção da madeira teve como intuito evitar a presença de nós
e outros defeitos na zona da ligação, obter pares de peças o mais
semelhantes possível em cada um dos provetes (corpos de prova) e
densidade média parecida entre os dois grupos a comparar, buscando
minimizar esse fator de variabilidade. A madeira foi mantida em
ambiente controlado (T = 20ºC, H.R. = 65%) entre a montagem e o
dia de ensaio, para minimizar as variações de teor de água.
Os provetes foram montados com duas peças de madeira unidas
através de duas chapas de aço S235, as quais tinham dimensões
Figura 2 Resultados de ensaios de ligações com chapa interior
nominais de 80 mm × 500 mm e espessura de 12 mm, uma na
– Casquinha
parte superior e outra na inferior, formando ligações com quatro
parafusos de Classe 8.8, com 8 mm de diâmetro exterior da rosca,
2 Contribuição do atrito madeira-ligador inseridos em pré-furação de 9 mm.
para o efeito de corda A geometria das ligações, designadamente as distâncias entre
parafusos e entre estes e os topos da madeira, tal com o
Estes ensaios tiveram, assim, por objetivo explorar a influência da procedimento de ensaio, seguem o indicado no Eurocódigo 5 [4] e
rugosidade dos parafusos na resistência e na rigidez das ligações também cumprem os requisitos da norma brasileira NBR 7190 [3],
parafusadas, e o seu eventual contributo para o designado efeito mais especificamente a parte cinco da norma que caracteriza
de corda. os ensaios para determinação de resistência das ligações com
Para comparação direta com os resultados anteriores [1], a nova conectores mecânicos.

Quadro 1 Programa de ensaios

Teor de água Efeito


Tipo de Ligação Geometria Espécie Ensaio Peça
montagem/ensaio de corda

d = 8 mm
KS 12,6 Sim
tm = 80 mm
Casquinha
Chapa interior Monotónico
(Pinus Sylvestris)
ta = 12 mm
LS 12,6 Não
tm/d = 10 mm

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Ligações aparafusadas em estruturas de madeira. Dimensionamento segundo a EN 1995 e a NBR 7190. Efeito de corda e número efetivo de ligadores
Manuella Queiroz, Helena Cruz

Embora tenha sido anteriormente assumido, por simplificação, que Os resultados obtidos (figuras 6 e 7) mostram que os provetes LS
o desapertar/retirar das porcas, provoca a anulação do efeito de atingiram força de rotura média de 61,44 kN, e os KS suportaram
corda, estes ensaios pretenderam contabilizar experimentalmente uma força média de 95,24 kN.
o eventual contributo, para esse efeito, do atrito entre a rosca dos Os resultados experimentais são comparados com o valor de
ligadores e a madeira. Com o intuito de utilizar exatamente os resistência estimado pela aplicação das equações da EN 1995-1-1 e da
mesmos parafusos do estudo anterior, para não introduzir outras NBR 7190, para a ligação em causa. As retas horizontais sobrepostas
variáveis, como diâmetro exterior e momento de cedência plástica nos gráficos “sem efeito de corda” (figura 6) representam apenas o
do parafuso, que varia com o aço e com o diâmetro interior da rosca, resultado do termo de Johansen [6]; as retas “com efeito de corda”
foi adotado o procedimento de preencher os filetes da rosca com (figura 7) contabilizam um acréscimo de 25% relativamente às
gesso, no comprimento que não atrapalhasse a colocação da porca, outras, conforme indicado nas referidas normas e descrito adiante.
seguido de passagem com lixa fina para deixar a superfície uniforme
e com um atrito diminuto (figura 4).

Figura 4 Parafusos revestidos de gesso, para minimizar o atrito


com a madeira
Os ensaios, seguindo a norma EN 26891 [5] foram realizados na
máquina Schenck 1000 (equipamento dinâmico servo-hidráulico, Figura 6 Resultados de ensaios: ligações LS
com capacidade nominal de 1000kN em tração, com classificação
metrológica ISO7500 classe 0,5 em todos os patamares de calibração
e incerteza expandida de 0,39%) da unidade laboratorial UPM/LNEC
(figura 5). As duas extremidades de cada provete (ligações) foram
instrumentadas de maneira autónoma. Com isso, foram obtidos seis
resultados (2 x 3 provetes) de cada tipo.

Figura 7 Resultados de ensaios: ligações KS


É interessante observar (figuras 6 e 7) que o valor estimado da
resistência da ligação segundo a aplicação da EN 1995-1-1 para
ambas as situações (com e sem efeito de corda) é conservativa, face
aos valores obtidos nos ensaios apresentados. A resistência destas
Figura 5 Exemplos de provetes KS (com parafusos apertados, ligações estimada pela NBR 7190 é significativamente mais elevada,
com porcas) e de provetes LS (com parafusos folgados, excedendo os valores experimentais, sobretudo quando o efeito de
sem porcas) corda não é mobilizado.

32 rpee | Série III | n.º 29 | novembro de 2025


Ligações aparafusadas em estruturas de madeira. Dimensionamento segundo a EN 1995 e a NBR 7190. Efeito de corda e número efetivo de ligadores
Manuella Queiroz, Helena Cruz

Note-se que esta comparação se refere à estimativa da resistência tipo cavilha (pinos metálicos), como pregos, parafusos de enroscar
média das ligações (com base nas propriedades reais dos materias (parafusos de rosca soberba), parafusos de porca (parafusos
usados), uma vez que não foram aplicados os fatores de minoração passantes com porcas e arruelas), geralmente associados a chapas
que conduzem aos valores de cálculo usados no dimensionamento metálicas, quer aplicadas à face dos elementos, quer inseridas em
de estruturas. rasgos no interior da madeira.
A análise dos resultados dos últimos ensaios permite verificar que o A norma europeia EN 1995-1-1 [4] e a norma brasileira NBR 7190 [3]
efeito de corda promoveu, em média, um acréscimo de 33,8 kN na são baseadas nos estudos desenvolvidos por Johansen [6], mais tarde
resistência da ligação, o que corresponde a +55% da resistência dos reconhecidos como “European Yield Model” (EYM), que presume
provetes sem esse efeito. diferentes modos possíveis de rotura para a ligação, nomeadamente
A Figura 8 compara os resultados dos ensaios de ligações, que são envolvendo o esmagamento (embutimento) da madeira em
em tudo equivalentes, excetuando o facto de, num caso (série KS), contacto com o ligador (conector) que permanece indeformado, ou
os parafusos terem a rosca preenchida por gesso para reduzir o atrito envolvendo a criação de uma ou mais rótulas plásticas no ligador e
com a madeira [2], enquanto no outro caso (série GS) se ter mantido o esmagamento da madeira sob a ação deste.
a rosca limpa, conservando a rugosidade natural dos parafusos [1]. O modo de rotura mais provável, e que determinará a resistência da
Verifica-se que a rugosidade do parafuso não exerce influência ligação, depende então da geometria da ligação e das propriedades
considerável na resistência da ligação, que resulta semelhante em dos materiais envolvidos, nomeadamente a espessura e resistência
ambos os casos. ao esmagamento da madeira, o diâmetro e o momento de cedência
Estes resultados sugerem que, numa ligação de madeira parafusada, plástica, em flexão, do ligador [7].
o que realmente provoca um aumento na resistência, através do A EN 1995-1-1 e a NBR 7190 consideram diversas hipóteses de
efeito corda, é o aperto do parafuso, não o atrito entre a rosca do mecanismo de rotura desenvolvido (incluindo corte (cisalhamento)
parafuso e a madeira. simples ou duplo, ligação madeira-madeira ou aço-madeira, e,
neste último caso, elementos exteriores de aço ou de madeira),
e apresentam as correspondentes equações para descrever a
capacidade resistente mobilizada na ligação.
No caso de ligações madeira-aço com dois planos de corte, com a
chapa interior, são considerados os três modos de rotura mostrados
na Figura 9.

Figura 8 Resultados de ensaios de ligações: parafusos apertados


com rosca limpa (GS), parafusos apertados com
rosca preenchida (KS) e parafusos folgados com rosca
preenchida (LS) Figura 9 Modos de rotura para dois planos de corte: (a) por
esmagamento da madeira; (b) pela deformação do
ligador; (c) por esmagamento da madeira e deformação
3 Valor característico de resistência do pino

de ligações segundo a EN1995-1-1 No entanto, a teoria de Johansen (EYM) explica apenas a


componente principal da capacidade resistente de uma ligação.
e a NBR 7190 Nas equações correspondentes aos modos de rotura em que ocorre
O projeto, pormenorização e execução de ligações em estruturas de a formação de uma ou mais rótulas plásticas do ligador, ao valor
madeira carecem de atenção especial, não só por serem geralmente dado pelo EYM acresce um outro termo, que traduz a componente
pontos de maior concentração de tensões, mas também porque, lateral do esforço de tração desenvolvido segundo o eixo do ligador,
face ao comportamento frágil do material em si, é nas ligações quando este deforma, e o consequente atrito mobilizado entre os
que reside a eventual capacidade de ductilidade das estruturas de membros em contacto na ligação (“efeito de corda”).
madeira. O contributo deste efeito de corda (efeito de confinamento
São correntes as ligações que recorrem a ligadores metálicos do provocado pela compressão das anilhas (arruelas) dependerá do tipo

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Ligações aparafusadas em estruturas de madeira. Dimensionamento segundo a EN 1995 e a NBR 7190. Efeito de corda e número efetivo de ligadores
Manuella Queiroz, Helena Cruz

de ligador usado e da adoção de disposições construtivas adequadas, Refira-se que a dimensão do parafuso utilizado neste estudo (8 mm),
considerando-se igual a enquadra-se nos valores admitidos pelo Eurocódigo 5, que prevê
Fax,Rk/4 parafusos entre 6 mm e 30 mm.
Em contrapartida, a norma brasileira, NBR 7190 [3] não permite
Sendo Fax,Rk o valor característico de resistência ao arrancamento do parafusos de porca (parafusos estruturais passantes com porca
ligador. e arruela) com diâmetro nominal menor que 9,5 mm. Porém,
Por segurança, o contributo desse efeito, considerado no este parafuso cumpre as exigências de resistência de escoamento
dimensionamento, é limitado a uma percentagem do valor dado nominal pois, de acordo com o manual do fabricante, o parafuso
pela teoria de Johansen. Tanto a EN 1995-1-1 como a NBR 7190 possui 640 MPa e o mínimo especificado pela norma é de 250 MPa.
limitam a contribuição do efeito de corda aos seguintes valores: O valor característico Fk da capacidade resistente estimada para
• pregos redondos (pregos cilíndricos lisos): 15% a ligação será então o menor dos valores dados pelas equações
• pregos quadrados ou ranhurados (pregos anelados): 25% aplicáveis (neste caso: a, b e c), multiplicado pelo número de planos
de corte existentes na ligação e pelo número efetivo de parafusos
• parafusos de enroscar com rosca total (parafusos de rosca
utilizados.
soberba): 100%
• parafusos de porca (parafusos passantes com porca e arruelas):
25% 4 Número efetivo de ligadores
• cavilhas (pinos metálicos ajustados): 0% Relativamente ao número efetivo de ligadores nef, as duas normas
Estas duas normas usam equações semelhantes para descrever cada divergem.
um dos tipos de rotura. As equações abaixo definem os três casos Segundo a NBR 7190 [3] em ligações com até oito ligadores do
descritos na Figura 9. tipo cavilha (pinos) em linha, dispostos paralelamente à direção
do esforço a ser transmitido, a resistência total corresponde ao
 número de ligadores vezes a sua resistência individual. Em situações
 fh,k ∗ t ∗ d a
 com mais de oito ligadores em linha, os ligadores suplementares
  4M y,Rk  F devem ser considerados como contribuindo com apenas 2/3 de sua
FV,Rk = min  fh,1,ktd  2 + 2
− 1 + ax,Rk b resistência individual, segundo a equação:
  fh,1,k dt1  4
 2
2,3 M f d + Fax,Rk c
nef = 8 + ( nc − 8 )
 y,Rk h,1,k 3
4
Onde:
nef é o número efetivo de ligadores;
Onde:
nc é o número de ligadores em linha.
FV, Rk é o valor característico da capacidade resistente da ligação,
por plano de corte e por ligador; Já segundo a EN 1995-1-1 [4] em uma ligação com uma fila de
parafusos de porca, paralela ao fio da madeira, a capacidade de
fh,k é o valor característico da resistência ao esmagamento
carga nessa direção deve ser calculada utilizando o número efetivo
localizado (embutimento) da madeira;
de ligadores, dado pela equação abaixo.
t1 é a espessura de cada membro exterior de madeira;
d é o diâmetro do ligador; n

My,Rk é o valor característico do momento de cedência nef = min  0,9 a1
(de escoamento) do ligador; n 4
 13d
Fax,Rk é o valor característico da resistência ao arrancamento do
Onde:
ligador.
nef é o número efetivo de ligadores;
O valor característico do momento de cedência plástico do ligador
n é o número de ligadores numa linha paralela ao fio;
pode ser obtido por ensaios ou calculado a partir do diâmetro d, e do
valor característico da resistência à tração do parafuso, fu,k, segundo a1 é o espaçamento dos ligadores na direção do fio;
a expressão: d é o diâmetro do ligador.
My,Rk =0,3fu,k d2,6 Ou seja, para ligações com duas linhas de dois parafusos cada, com
diâmetro de 8 mm, espaçados segundo a direção do fio de (a1) de 40
Para parafusos até 30mm de diâmetro, a resistência ao esmagamento mm, o número efetivo de parafusos (nef) será de 1,47 segundo o EC5.
da madeira (na direção paralela às fibras) por ação do parafuso é De acordo com a NBR 7190, para a mesma geometria, teremos nef
dada pela expressão seguinte, em função do diâmetro d do ligador e = 2, fazendo com que a resistência característica da ligação segundo
do valor característico da massa volúmica da madeira, ρk a norma brasileira seja consideravelmente superior à obtida pela
fh,0,k =0,082 (1 – 0,01d) ρk norma europeia.

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Manuella Queiroz, Helena Cruz

Note-se que a diferença da aplicação das duas normas é ampliada Combinando os valores de kmod1 e kmod2 teremos os valores de kmod
para maiores números de ligadores em linha (Figura 10). indicados no Quadro 4, sendo as classes de humidade descritas no
Quadro 5.
Note-se que a classe de serviço 2 definida na EN 1995-1-1 é
subdividida nas classes de humidade 2 e 3 indicadas na NBR 7190.

Na figura 11 é comparada a aplicação da EN 1995-1-1 e da NBR 7190,


na obtenção de valores característicos e de cálculo da resistência de
uma ligação aparafusada com 4 ligadores (2 filas de 2 parafusos),
assumindo um valor unitário para a resistência característica da
ligação com 1 ligador. Foram determinados valores de cálculo
para uma classe de duração das ações de longa duração, em dois
ambientes: madeira seca (12% de teor de água) e madeira exposta
à chuva (no exterior).
Na Figura 12 é feito o mesmo exercício, mas para uma ligação
aparafusada com 12 parafusos (em duas filas de 6).

Figura 10 Número efetivo de ligadores alinhados com a direção do


fio da madeira

5 Valor de cálculo de resistência de ligações


segundo a EN1995-1 e a NBR 7190
Em ambas as normas em análise, o valor de cálculo da resistência da
ligação Rd é obtido a partir do valor característico correspondente Rk,
afetado por um coeficiente parcial de segurança γM (que depende da
variabilidade dos materiais envolvidos e da qualidade da execução
da ligação) e por um coeficiente de modificação kmod que tem em
conta a forma como o tempo de atuação (duração) das ações e o
teor de água da madeira afetam a sua resistência. Figura 11 Resistência de uma ligação com 4 parafusos, em termos
Rk relativos: valor característico e valores de cálculo da
Rd = Kmod ligação segundo a EN 1995-1-1 e a NBR 7190 em dois
γM
ambientes
No caso da EN 1995-1-1, teremos:
γM = 1,3
Sendo kmod dado no Quadro 2 e as classes de serviço descritas no
Quadro 3.
Verifica-se que, para estes materiais, os valores de kmod a adotar nas
classes de serviço 1 e 2 são iguais.

No caso da NRB 7190, teremos:


γM = 1,4
Kmod = Kmod1 . Kmod2
Em que
kmod1 é o coeficiente de modificação relativo à classe de
carregamento (tempo de atuação das ações);
Figura 12 Resistência de uma ligação com 12 parafusos, em termos
kmod2 é o coeficiente de modificação que tem em conta as condições
relativos: valor característico e valores de cálculo da
de serviço (classe de humidade). Este coeficiente assume,
ligação segundo a EN 1995-1-1 e a NBR 7190 em dois
respetivamente, os valores 1, 0,9, 0,8 e 0,7 para as classes de
ambientes
serviço (classes de humidade) 1, 2, 3 e 4.

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Quadro 2 Kmod segundo a EN 1995-1-1

Classe de duração das ações


Classe
Material
de serviço Ação Ação de longa Ação de média Ação de curta Ação
permanente duração duração duração instantânea

1 0,60 0,70 0,80 0,90 1,10


Madeira maciça, madeira
lamelada colada, LVL e 2 0,60 0,70 0,80 0,90 1,10
contraplacado estruturais
3 0,50 0,55 0,65 0,70 0,90

Quadro 3 Classes de serviço descritas na EN 1995-1-1

Teor de água de equilíbrio máximo da


Classe de serviço Humidade relativa do ambiente H.R.
madeira para a maioria das Resinosas

1 T = 20ºC e H.R. > 65% apenas durante algumas semanas por ano 12%

2 T = 20ºC e H.R. > 85% apenas durante algumas semanas por ano 20%

Condições climáticas conduzindo a valores do teor de água dos materiais


3 > 20%
superiores aos da classe de serviço 2

Quadro 4 Kmod da EN NBR 7190 (2022)

Classe de duração das ações


Classe de
Material
humidade Ação Ação de longa Ação de média Ação de curta Ação
permanente duração duração duração instantânea

1 0,60 0,70 0,80 0,90 1,10


Madeira serrada ou roliça,
madeira lamelada colada 2 0,54 0,63 0,72 0,81 0,99
(MLC), madeira laminada
colada (LVL) e madeira 3 0,48 0,56 0,64 0,72 0,88
lamelada cruzada (MLCC)
4 0,42 0,49 0,56 0,63 0,77

Quadro 5 Classes de humidade descritas na EN NBR 7190 (2022)

Teor de água de equilíbrio


Classe de humidade Humidade relativa do ambiente Uamb
máximo da madeira

1 Uamb ≤ 65% 12%

2 65% < Uamb ≤ 75% 15%

3 75% < Uamb ≤ 85% 18%

4 Uamb > 85% durante longos períodos ≥ 25%


Nota: Quando se dimensiona ligações com ligadores em aço, não se pode utilizar valor de kmod1 superior a 1, mesmo para combinação de ações de duração instantânea.

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6 Conclusões Referências
Nos ensaios realizados, a mobilização do efeito de corda promoveu [1] CRUZ, H.; SANTOS, C (2023) – Ensaio de ligações aparafusadas em
um acréscimo de 55% da resistência relativamente às ligações estruturas de madeira – Influência do teor de água e força de aperto
sem esse efeito, confirmando a tendência encontrada em ensaios dos ligadores – Revista Portuguesa de Engenharia de Estruturas.
anteriores. Ed. LNEC. Série III. n.º 22. ISSN 2183-8488. (julho, 2023) 89-98.
Estes ensaios sugerem também que a rugosidade do parafuso em [2] QUEIROZ, Manuella (2024) – Estudo de ligações parafusadas
em estruturas de madeira laminada colada de Pinus. Trabalho de
contacto com a madeira não exerce influência considerável na
conclusão de curso de Engenharia Civil, Departamento de Tecnologia.
resistência da ligação, e que a mobilização do efeito de corda se deve Universidade Estadual de Feira de Santana, 2024.
sobretudo ao aperto do parafuso (tração).
[3] NBR 7190: 2022 – Projeto de estruturas de madeira – Parte 1:
Conclui-se que limitação do efeito de corda (a 25% da parcela Critérios de dimensionamento. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
de Johansen) a contabilizar para efeitos de dimensionamento de NORMAS TÉCNICAS. Rio de Janeiro, 2022.
ligações com parafusos de porca, estabelecidas na EN 1995-1-1 e na [4] EN 1995-1-1:2004/AC:2006+A1:2008 – “Eurocode 5: Design of timber
NBR 7190 é conservativa, visando a segurança da estrutura, já que structures – part 1-1: General – Common rules and rules for buildings”.
erros de execução e a secagem e retração da madeira subsequentes CEN, Bruxelas.
à execução das estruturas podem reduzir o aperto dos parafusos e, [5] EN 26891: 1991 – Timber structures - Joints made with mechanical
logo, o contributo desta componente. fasteners - General principles for the determination of strength and
O valor estimado da resistência da ligação por aplicação da deformation characteristics. CEN, Bruxelas.
EN 1995-1-1 para ambas as situações (com e sem efeito de [6] Johansen, K.W. (1949) – Theory of Timber Connections. IABSE
corda) é conservativo, face aos valores obtidos nos ensaios Publications, Volume 9, 1949.
apresentados. A resistência destas ligações estimada pela NBR
7190 é significativamente mais elevada, excedendo os valores
experimentais, sobretudo quando o efeito de corda não é mobilizado.
O valor característico de resistência de ligações obtido pela NBR
7190 é inflacionado em resultado da forma como é contabilizado
o número efetivo de ligadores, podendo conduzir a valores muito
superiores aos da EN 1995-1-1 e contra a segurança, especialmente
no caso de ligações com um grande número de ligadores alinhados
com a direção do esforço.
Em contrapartida, quando se trata dos coeficientes de modificação
(kmod) e do coeficiente de minoração (γlig), que são utilizados para
determinar o valor de cálculo da ligação (ou resistência de projeto),
a NBR 7190 [3] é mais conservativa do que o Eurocódigo 5 [4].
Dessa forma, na determinação dos valores de cálculo (resistência
de projeto), a diferença entre as duas normas esbate-se um pouco
(divergência menor do que entre os correspondentes valores
característicos), sobretudo no caso das estruturas aplicadas em
ambientes muito húmidos.

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a

Avaliação numérica avançada do comportamento


não linear e capacidade de suporte de estruturas
de madeira em situação de incêndio
Advanced numerical evaluation of nonlinear behavior and bearing capacity
of timbers structures in fire conditions

Jackson Rocha Segundo


Caroline Ferreira
Dalilah Pires
Ricardo Silveira
Rafael Barros
Ígor Lemes

Resumo Abstract
A análise do comportamento estrutural da madeira em situação The structural behavior of timber under fire conditions is critical due
de incêndio é fundamental devido à sua combustibilidade e ao uso to its combustibility and the growing use of timber in construction
crescente em sistemas construtivos. Este estudo apresenta uma systems. This study presents an advanced numerical formulation
formulação numérica avançada para avaliar a capacidade resistente to evaluate the load-bearing capacity of timber elements exposed
de elementos de madeira expostos a altas temperaturas. A to high temperatures. The methodology integrates the Strain
metodologia integra o Método da Compatibilidade de Deformações Compatibility Method and the Refined Plastic Hinge Method
e o Método da Rótula Plástica Refinado para considerar to simultaneously account for thermal degradation, physical
simultaneamente a degradação térmica, a não linearidade física and geometric nonlinearities, and plastic hinge formation. Axial
e geométrica, e a formação de rótulas plásticas. São construídas force-bending moment interaction diagrams are developed for
curvas de interação esforço normal–momento fletor para diferentes different fire exposure conditions, and a thermo-structural analysis
condições de exposição ao fogo e realizada a análise termoestrutural of a cross-laminated timber (CLT) beam is performed. The numerical
de uma viga de madeira laminada cruzada (CLT). Os resultados results show good agreement with experimental data, validating
numéricos mostraram boa concordância com dados experimentais the robustness of the model implemented in the CS-ASA/FSA
disponíveis, validando a robustez do modelo implementado no computational system. The research contributes to improving the
sistema computacional CS-ASA/FSA. A pesquisa contribui para o fire design of timber structures and provides technical support for
aprimoramento do dimensionamento de estruturas de madeira em the development of safer design codes and engineering solutions.
incêndio e fornece sugestões para normas técnicas e soluções de
projeto mais seguras.

Palavras-chave: Estruturas de madeira / Incêndio / Análise numérica / Método Keywords: Timber structures / Fire situation / Numerical analysis / Strain
da compatibilidade de deformações / Método da rótula plástica compatibility method / Refined plastic hinge method
refinado

rpee | Série III | n.º 29 | novembro de 2025 39


Avaliação numérica avançada do comportamento não linear e capacidade de suporte de estruturas de madeira em situação de incêndio
Jackson Rocha Segundo, Caroline Ferreira, Dalilah Pires, Ricardo Silveira, Rafael Barros, Ígor Lemes

Jackson Rocha Segundo 1 Introdução


Mestre em Engenharia Civil
Universidade Federal de Ouro Preto O uso da madeira como material estrutural tem se expandido
Ouro Preto, Brasil significativamente, impulsionado por vantagens ambientais,
0000-0003-2914-0368 económicas e construtivas. A madeira é um recurso renovável,
[Link]@[Link] biodegradável e com capacidade de captura de carbono durante o
crescimento, características que contribuem para a sustentabilidade
Caroline Ferreira das edificações. Além disso, apresenta boa relação resistência-peso,
Mestre em Engenharia Civil facilidade de manuseio e usinagem, desempenho térmico adequado
Universidade Federal de Ouro Preto e apelo arquitetónico. Essas propriedades têm favorecido sua adoção
Ouro Preto, Brasil em uma ampla gama de aplicações estruturais e arquitetónicas.
0009-0003-7775-4441 Apesar dessas vantagens, a madeira possui limitações importantes,
[Link]@[Link]
destacando-se sua anisotropia, a presença de imperfeições naturais e,
Dalilah Pires principalmente, sua combustibilidade. A exposição ao fogo provoca
Doutora em Engenharia Civil degradação significativa das propriedades físicas e mecânicas,
Universidade Federal de São João Del-Rei resultando em redução de rigidez, resistência e estabilidade global
Ouro Branco, Brasil [1, 2]. A adequada previsão desse comportamento é essencial para
0000-0001-5196-8861 garantir a segurança de sistemas construtivos de madeira.
dalilah@[Link] A análise estrutural em situação de incêndio é geralmente
conduzida em duas etapas acopladas: (i) uma análise térmica, que
Ricardo Silveira determina a distribuição de temperaturas na seção transversal ao
Doutor em Engenharia Civil longo do tempo, e (ii) uma análise termoestrutural, que considera
Universidade Federal de Ouro Preto a degradação térmica no comportamento mecânico, possibilitando
Ouro Preto, Brasil avaliar a perda de capacidade resistente e os mecanismos de falha
0000-0001-8955-0356 associados [2]. A adoção de metodologias numéricas robustas para
ricardo@[Link] representar esse acoplamento tem sido tema de estudos envolvendo
elementos de concreto, aço e seções mistas [3–6], destacando-se a
Rafael Barros
importância de diagramas de interação esforço normal-momento
Doutor em Engenharia Civil fletor (N-M) para avaliação da resistência seccional [7].
Arcadis
Belo Horizonte, Brasil Apesar dos avanços, os estudos voltados especificamente para
0000-0002-9252-1772 elementos de madeira ainda são limitados, especialmente aqueles
rafaelcesario@[Link] que consideram simultaneamente a degradação térmica, a não
linearidade geométrica e física e a formação de rótulas plásticas.
Ígor Lemes Neste contexto, a presente pesquisa propõe uma formulação
Doutor em Engenharia Civil numérica avançada baseada no acoplamento do Método da
Universidade Federal de Lavras Compatibilidade de Deformações (MCD) com o Método da
Lavras, Brasil Rótula Plástica Refinado (MRPR), implementada no sistema
0000-0002-0458-0335 computacional CS-ASA/FSA [8]. A metodologia permite avaliar, de
[Link]@[Link] forma consistente, a influência da exposição ao fogo na capacidade
resistente de elementos de madeira.
Para demonstrar a aplicabilidade e a robustez da metodologia, são
Aviso legal
construídas curvas de interação N-M para diferentes configurações
As opiniões manifestadas na Revista Portuguesa de Engenharia de de exposição ao fogo e realizada a análise termoestrutural de uma
Estruturas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. viga de madeira laminada cruzada (CLT). Os resultados numéricos
são comparados com dados experimentais e numéricos da literatura,
Legal notice
evidenciando a precisão do modelo proposto e sua contribuição para
The views expressed in the Portuguese Journal of Structural Engineering o aprimoramento do dimensionamento de estruturas de madeira
are the sole responsibility of the authors. em situação de incêndio.

2 Temperatura dos gases e propriedades


ROCHA SEGUNDO, J. [et al.] – Avaliação numérica avançada do
comportamento não linear e capacidade de suporte de estruturas
da madeira
de madeira em situação de incêndio. Revista Portuguesa Os incêndios caracterizam-se pela liberação descontrolada de calor
de Engenharia de Estruturas. Ed. LNEC. Série III. n.º 29. e gases, causando danos que comprometem a integridade estrutural.
ISSN 2183-8488. (novembro 2025) 39-50. Casos recentes em edificações de madeira, como os incêndios na
[Link] Catedral de Notre-Dame (Paris), no Museu Nacional (Rio de Janeiro)

40 rpee | Série III | n.º 29 | novembro de 2025


Avaliação numérica avançada do comportamento não linear e capacidade de suporte de estruturas de madeira em situação de incêndio
Jackson Rocha Segundo, Caroline Ferreira, Dalilah Pires, Ricardo Silveira, Rafael Barros, Ígor Lemes

e no Museu da Língua Portuguesa (São Paulo), evidenciam os riscos ao tempo, C é a matriz de capacidade térmica, K é a matriz de
associados à combustibilidade desse material. condutividade térmica, e R, por sua vez, é o vetor de fluxo nodal.
A evolução da temperatura no ambiente é geralmente descrita por O sistema computacional CS-ASA/FA (Fire Analysis) [8], ampliado
curvas temperatura-tempo padronizadas, como a curva de incêndio neste trabalho para modelagem de elementos de madeira, permite
padrão [1]: a discretização seccional com elementos triangulares (T3 e T6)
e quadrilaterais (Q4 e Q8). A integração temporal é realizada
Tg = T0 + 345 log (8t + 1) (1)
pelo método explícito de diferenças finitas, resultando em uma
em que Tg é a temperatura dos gases, em graus Celsius; T0 é a formulação incremental estável, ou seja:
temperatura inicial do ambiente, normalmente adotada igual a
20°C; e o tempo de exposição ao fogo em minutos é denotado por t. { }
Tn+1 = C n+θ − ( 1 − θ ) ∆tK n+θ  Tn + R n+θ / ( C n+θ + θ∆tK n+θ ) (3)

O aumento da temperatura afeta diretamente as propriedades


em que ∆t é o incremento de tempo; n e n + 1 representam o
térmicas, físicas e mecânicas da madeira, reduzindo rigidez e
intervalo de tempo inicial e final, enquanto θ é um ponto escolhido
resistência. Devido à diversidade de espécies e produtos derivados,
nesse internalo.
essas propriedades devem ser definidas com cuidado. Neste
trabalho, adotam-se os parâmetros físico-térmicos (condutividade, Esse procedimento foi previamente validado em estudos envolvendo
calor específico e massa específica) e os fatores de redução de aço e concreto [9-11] e, neste trabalho, estendido para elementos de
resistência e rigidez prescritos pela norma EN 1995-1-2:2004 [2], madeira com propriedades térmicas obtidas da EN 1995-1-2:2004
amplamente utilizada em análises estruturais de madeira exposta [2]. O fluxograma da Figura 1 resume o processo iterativo utilizado.
ao fogo.

4 Metodologia da análise termoestrutural


3 Análise térmica via MEF A análise estrutural de elementos de madeira expostos ao
A análise térmica é essencial para determinar o campo de fogo foi realizada por meio de um elemento finito baseado em
temperaturas em elementos estruturais submetidos ao fogo, uma formulação corrotacional, adequada para acompanhar
permitindo a avaliação da degradação das propriedades mecânicas deslocamentos e rotações significativos. Essa formulação preserva a
e, consequentemente, do desempenho estrutural [9, 10]. Neste descrição local do elemento e permite representar a não linearidade
trabalho, essa análise é realizada utilizando o método dos geométrica de maneira eficiente (ver Figura 2).
elementos finitos (MEF), considerando a transferência de calor A degradação da rigidez e da resistência decorrente da exposição
transiente por condução no interior da secção e convecção e ao fogo foi considerada por meio do acoplamento do Método da
radiação nas superfícies expostas. Assim, a avaliação do problema Rótula Plástica Refinado (MRPR) com o Método da Compatibilidade
de transferência de calor transiente é avaliado através da seguinte de Deformações (MCD). O MRPR modela a formação e evolução de
equação de equilíbrio térmico: rótulas plásticas nas extremidades dos elementos, enquanto o MCD
fornece a relação momento-curvatura baseada nas propriedades
CT + KT = R (2)
térmica e mecanicamente degradadas da madeira. Essa combinação
na qual T é o vetor nodal de temperatura a ser calculado, T é permite considerar tanto a evolução da plastificação quanto a
a derivada parcial do vetor nodal de temperaturas em relação variação das propriedades ao longo da exposição térmica.

Figura 1 Fluxograma para solução incremental simples

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centroide plástico (CP) da seção, minimizando assim os problemas de


convergência [16]. O objetivo da discretização da seção transversal,
Figura 3, é calcular a deformação axial, ε, no CP de cada fibra e,
portanto, por meio das relações constitutivas dos materiais, obter
Figura 2 Modelo corrotacional do elemento de viga as tensões (também em cada fibra), σi. Assim, a deformação axial na
A matriz de rigidez do elemento, na forma incremental é dada por i-ésima fibra, εi, é dada por:
[12]: ε j = ε0 + Φ y i (5)
 EAt,i + EAt,j 
 0 0 
 ∆P   2L   ∆δ 
   3EIt,i + EIt,j 2PL EIt,i + EIt,j PL   
 ∆Mi  =  0 + +   ∆θi  (4)
 ∆M   L 15 L 30  
 j  ∆θ 
EIt,i + EIt,j PL EIt,i + 3EIt,j 2PL   j 
 0 + + 
 L 30 L 15 

na qual ∆ descreve variáveis incrementais; EA e EI são,


respectivamente, a rigidez axial e a flexão que serão discutidas mais
adiante; L é o comprimento do elemento; P é a força axial; δ é o
deslocamento axial; M é o momento fletor resultante; θ as rotações
no nó i e j. Os termos apresentados na Equacão (4) já incorporam
os efeitos da não linearidade geométrica [9, 11, 13]. A não
linearidade física é tratada nas extremidades dos elementos finitos,
assumindo-se um gradiente linear de momento fletor ao longo do
seu comprimento. Quando as forças internas atingem a envoltória Figura 3 Discretização em fibras da secção transversal
completa de escoamento da secção transversal, ocorre a formação
da rótula plástica, resultando na anulação de determinados termos em que yi é a distância entre o centroide plástico da fibra analisada
da matriz de rigidez. Para evitar problemas numéricos associados a e o da seção transversal; ε0 e Φ são, respectivamente, a deformação
essa perda de rigidez, é adotada uma estratégia de return mapping axial no CP da seção e a curvatura correspondente.
[14], que permite restabelecer o equilíbrio de forma estável. Devido à notação matricial, comum aos procedimentos numéricos,
as variávies ε0 e φ são componentes do vetor de deformações
X = [ε0 Φ]T. Chiorean [17] destaca que, na obtenção das rigidezes axial
4.1 Relação momento-curvatura da seção e à flexão, adotando-se o vetor de deformações igual a nulidade na
transversal primeira iteração, a convergência é rapidamente alcançada. Lemes
et al. [16] também afirmam que, devido à configuração indeformada
A deformação da seção transversal, quando o elemento estrutural
da seção transversal, evitam-se problemas de convergência relativos
é submetido a esforços internos, é determinada neste estudo por
ao equilíbrio entre as forças atuantes e as forças internas. Portanto, o
meio do Método da Compatibilidade de Deformações (MCD). A
equilíbrio da seção é obtido quando a seguinte equação é satisfeita:
avaliação das rigidezes axial (EA) e à flexão (EI) da Equação (4), é
baseada na tangente da relação momento-curvatura, que depende N  N 
do módulo de elasticidade obtido a partir da relação constitutiva F(X ) = fext − fint =  ext  −  int  ≅ 0 (6)
uniaxial do material. Detalhes adicionais dessa formulação podem  Mext   Mint 
ser encontrados em Lemes [15]. em que o vetor de forças externas fext é dado pela força axial, Next, e o
O comportamento tensão-deformação adotado representa momento fletor, Mext, e os termos Nint e Mint são as componentes do
adequadamente os efeitos térmicos sobre o material. A norma vetor das forças internas, fint.
EN 1995-1-2:2004 [2] prevê uma relação elasto-frágil para a madeira Os esforços internos são obtidos a partir da configuração deformada
em tração; entretanto, para permitir análises avançadas no regime da secção transversal por meio de integrais clássicas, dadas por:
elástico e inelástico, este estudo considera um modelo elástico-
n fib,w n fib,w
perfeitamente plástico para a parte tracionada do diagrama. Essa
Nint = ∫∫ σw dA = ∑ σwi Awi e Mint = ∫∫ σw ydA = ∑ σwi Awi y wi (7,8)
abordagem assegura que a degradação térmica das propriedades Aw i =1 Aw i =1
físicas e mecânicas seja adequadamente representada, refletindo a
perda progressiva de rigidez e resistência em função da temperatura. nas quais nfib,w é o número de fibras na seção transversal de madeira;
A discretização da seção transversal é fundamental para descrever Ai é a área da fibra e yi é a posição da fibra em relação ao centróide
a configuração da seção deformada. Para construir a relação plástico; σwi é a tensão atuante na fibra.
momento-curvatura, utilizando o Método de Newton-Raphson, é Apesar de facilitar a convergência, iniciar o processo com X = 0 só
necessário conhecer a área das fibras e suas respectivas posições. garante o equilíbrio na primeira iteração se as forças externas forem
As coordenadas x e y de cada fibra são referenciadas em relação ao nulas. Assim para a próxima iteração, k + 1, o vetor de deformação é

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calculado a partir de: parâmetros de rigidez generalizados, EAt e EIt, são calculados
utilizando as deformações nas fibras em relação à configuração
X k +1 = X k + F ' ( X ) F (X )
k −1 k (9) deformada. As deformações nas fibras são utilizadas para calcular
a matriz Jacobiana no ponto de equilíbrio, como mostrado na
em que F’ é a matriz Jacobiana do problema não linear, ou seja: Figura 4b. Então, os termos EAt e EIt são dados por [16]:

 ∂Nint ∂Nint  EAt = ( f11 f22 − f122 ) / f22 e EIt = ( f11 f22 − f122 ) / f11 (13,14)
 ∂ε ∂φ 
 ∂F  (10)
F '  =  
0
Quando, para uma dada força axial, o momento máximo da
 ∂X   ∂Mint ∂Mint 
relação momento-curvatura é atingido, ocorre a plastificação total
 
 ∂ε0 ∂φ  da seção. Este par de forças é considerado um ponto na curva de
interação esforço normal-momento fletor (N-M). O processo
Os termos desta matriz Jacobiana, F’, da seção transversal são dados iterativo descrito anteriormente é repetido para cada incremento
pela expressões: de momento fletor até que a matriz Jacobiana se torne singular. A
∂Nint
n
fib
∂N
n
fib estratégia de incremento de momento fletor baseia-se na proposta
f11 = = ∫ Et dA ≅ ∑ Et,i Ai ; f12 = int = ∫ Et ydA ≅ ∑ Et,i Ai yi ; por Zubyden [18], ou seja:
∂ε0 A i =1 ∂φ A i =1
n n
(11) Mn+1 = Mn + d φEIt (15)
∂M fib
∂M fib

f21 = int = ∫ Et ydA ≅ ∑ Et,i Ai y i ; f22 = int = ∫ Et y 2dA ≅ ∑ Et,i Ai y 2i ;


∂ε0 A i =1 ∂φ A i =1 sendo dφ o incremento de curvatura, EIt é a rigidez à flexão
tangente, dada pela Equação (13), e os subíndices n e n + 1 indicam
na qual Et,i é o módulo de elasticidade tangente, obtido diretamente o incremento atual e o seguinte. O algoritmo para obtenção das
da relação constitutiva do material componente da i-ésima fibra. curvas de interação é mostrado na Tabela 1.
Vale ressaltar que, em situação de incêndio, o módulo de elasticidade Portanto, a curva de interação é construída por meio de uma série
tangente é multiplicado pelo fator de redução, de acordo com cada de pares ordenados N-M. Uma vez iniciada a análise, é necessário
material, no caso do presente estudo, a madeira. conhecer o valor do momento plástico reduzido, Mpr, para um dado
O processo iterativo prossegue até que a norma do vetor de forças valor de força normal, N. Com isso, qualquer ponto na curva de
desbalanceadas atinja a tolerância estabelecida: interação pode ser obtido por interpolação linear a partir de:
 M j +1 − M j 
(N − Nj ) + Mj
F (12) Mpr =  (16)
≤ Tol  N j +1 − N j 
fext  
com a tolerância, Tol, sendo assumida igual a 10–5. Para levar em conta a modificação das propriedades mecânicas do
Uma vez atendido o critério de convergência do ciclo iterativo material, é essencial construir curvas de interação N-M para cada
(Figura 4a), um ponto de equilíbrio é atingido. Nesse ponto, os passo de tempo durante a duração do incêncio.

a) Processo iterativo b) Ponto de Equilíbrio

Figura 4 Processo de obtenção da curva momento-curvatura

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Tabela 1 Algoritmo para construção da curva de interação N-M


1 Lê os dados da secção e dos materiais 16 se ||F|| ÷ ||fext|| ≤ Tol então
2 Discretização da secção em fibras 17 Para o processo iterativo e segue para a linha 26
3 Obtenção do centroide plástico (CP) 18 fim se
4 Translação do sistema de referência para o CP 19 Monta a matriz de rigidez tangente F’
5 Determina os esforços axiais máximos (tração, Nt,max; compressão - Nc,max) 20 Verifica a singularidade de F’
6 Calcula o incremento de esforço normal ∆N = (Nt,max - Nc,max)/100 21 se F’ é singular então
7 Primeiro valor de esforço normal N = Nc,max 22 Momento último resistente encontrado
8 para cada incremento de esforço normal, N, faça 23 Armazena M e N como um ponto da curva de interação
9 Inicializa X = 0 24 Para o processo e segue para a linha 29
10 para cada incremento de momento fletor, M, faça 25 fim se
11 Monta fext 26 Corrige o vetor de deformações X
12 para k = 1, nmax faça 27 fim para
13 Determina ε 28 fim para
14 Monta fint 29 N = N + ∆N
15 Calcula F(X) 30 fim para

4.2 Integração com a análise termoestrutural na qual Fi e Fe são, respetivamente, os vetores de força interno e
externo. O vetor de força externo (g) é o produto entre o parâmetro
Durante uma situação de incêndio, a análise estrutural é realizada de carga λ e o vetor de carga de referência, cujo qual permanece
em incrementos de tempo, permitindo simular a degradação constante durante o processo de incremento de tempo.
progressiva da rigidez e da resistência do material devido ao aumento
de temperatura. As cargas externas permanecem constantes ao O equilíbrio estrutural é resolvido com incrementos de tempo cons-
longo da análise [19], enquanto os efeitos térmicos são incorporados tantes utilizando o método de Newton–Raphson. As Figuras. 5 e 6
por meio das rigidezes axiais e à flexão degradadas, EAt e EIt. apresentam os fluxogramas das soluções incrementais para
estruturas em temperatura ambiente e sob altas temperaturas.
Além disso, a variação térmica gera deformações e tensões
Nessas figuras, λ e U são o parâmetro de carga e os deslocamentos
adicionais, representadas por um vetor de forças equivalentes que
nodais, respectivamente. As variáveis obtidas no último ponto de
considera tanto o alongamento axial, εth, quanto a rotação causada
equilíbrio são denotadas com t, enquanto as calculadas no ponto
pelo gradiente térmico na seção transversal. Esse vetor de forças
corrente são denotadas por t + ∆t; k indica a iteração corrente; o
equivalentes, Fep, é definido para cada nó dos elementos finitos,
sobrescrito 0 indica a primeira solução linear dentro de um ciclo
conforme:
incremental. Por fim, ξ é a tolerância assumida.
 n fib n fib

FepT =  PT = ∑ εth,i EAt,i 0 ∑ε th,i y i EAt,i  (17)
 i =1 i =1  5 Exemplos numéricos
em que εth é calculado a partir da dilatação térmica preconizado pelo Os exemplos numéricos são apresentados em duas etapas.
EN 1991-1-5:2003 [20]. Na primeira, realiza-se um estudo paramétrico para avaliar a
A degradação das propriedades mecânicas altera diretamente a influência do número de faces expostas ao fogo na capacidade
matriz de rigidez e o vetor de forças internas. Além disso, as forças resistente de seções transversais de madeira, por meio das curvas
nodais equivalentes resultantes das deformações térmicas devem ser de interação esforço normal-momento fletor (N-M). Na segunda,
consideradas em cada passo de tempo, exigindo o restabelecimento realiza-se a análise termoestrutural de uma viga de madeira
do equilíbrio estrutural por métodos iterativos [10]. Em condições laminada cruzada (CLT), considerando condições de contorno e
de incêndio, esse equilíbrio é expresso por: carregamento descritas na literatura, a fim de verificar os efeitos
da variação térmica e validar as implementações numéricas
g = Fe + Fep − Fi = λFr + Fep + Fi ≅ 0 (18) desenvolvidas.

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Figura 5 Fluxograma da solução estática não linear a temperatura ambiente

Figura 6 Fluxograma da solução termoestrutural

5.1 Curvas de interação N-M de seções seção inteiramente em madeira macia (Figura 7), preservando a
geometria básica e permitindo avaliar os efeitos térmicos específicos
de madeira em situação de incêndio
desse material combustível. A implementação numérica foi realizada
A primeira aplicação consistiu na construção de curvas de interação no sistema CS-ASA/FSA [8], anteriormente validado por Barros [22]
esforço normal-momento fletor (N-M) para uma seção transversal para elementos mistos.
de madeira em diferentes cenários de exposição ao fogo. O estudo As propriedades físicas, térmicas e mecânicas da madeira foram
utilizou como referência uma secção originalmente desenvolvida obtidas da EN 1995-1-1:2004 [2], sendo considerada uma densidade
para pilares mistos [21], formada por um perfil I revestido com de 338 kg/m³ e teor de umidade de 11,6%. A seção foi discretizada
concreto. Essa configuração foi adaptada neste trabalho para uma com 3600 elementos quadrilaterais lineares (Q4), permitindo a

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adequada representação do gradiente térmico e da redistribuição de 5.2 Análise termoestrutural de viga de madeira
tensões ao longo do tempo. A relação constitutiva foi representada laminada cruzada
na Figura 8. Observa-se o impacto dos parâmetros de redução,
indicados pela EN 1995-1-1:2004 [2], no comportamento tensão- A segunda aplicação avaliou o comportamento térmico e estrutural
-deformação do material em altas temperaturas. de uma viga biapoiada de madeira laminada cruzada (Cross
As curvas N-M foram obtidas para tempos de exposição de 5 min, Laminated Timber, CLT), um elemento amplamente utilizado em
10 min, 15 min e 20 min (Figura 9), considerando a temperatura sistemas de lajes e coberturas de edifícios em madeira. A geometria,
ambiente de 20 °C como condição inicial (t = 0). Observa-se nas mostrada na Figura 10, e as condições de contorno foram baseadas
curvas uma redução significativa tanto da resistência axial quanto em estudos experimentais e numéricos disponíveis na literatura
da capacidade fletora com o aumento do tempo de exposição. [23-26]. A face inferior da viga foi considerada exposta ao fogo,
Essa perda de capacidade está associada à degradação do módulo enquanto as demais superfícies foram mantidas protegidas,
de elasticidade e dos limites de resistência da madeira acima de reproduzindo uma situação típica de exposição unilateral.
300 °C, condição na qual o material sofre carbonização superficial A análise térmica foi conduzida utilizando o MEF, considerando
acelerada e consequente redução de secção efetiva. condução interna e trocas de calor por convecção e radiação
nas superfícies expostas, com a curva de incêndio padrão
ISO 834-1:1999 [1] como ação térmica. Para otimizar o custo
computacional, foi modelada apenas metade da secção, explorando
sua simetria. Foram utilizadas diferentes malhas (200, 450 e
1250 elementos Q4, equivalentes a 400, 900 e 2500 elementos
triangulares T3), permitindo avaliar a sensibilidade da solução
numérica à discretização.

Figura 7 Secção transversal adotada

a) 5 minutos b) 10 minutos

Figura 8 Modelo constitutivo adotado


As curvas também apresentam assimetria em relação ao eixo
c) 15 minutos d) 20 minutos
horizontal, evidenciando o efeito diferenciado da temperatura sobre
as propriedades de tração e compressão, comportamento coerente Figura 9 Curvas de interação N-M para diferentes tempos de
com os fatores de redução térmica da EN 1995-1-1:2004 [2]. Essa exposição ao fogo
assimetria também é observada em diagramas de interação de
outros materiais combustíveis e reforça a importância de considerar
diferentes condições de exposição (número e posição das superfícies
em contato com os gases aquecidos) no dimensionamento de
elementos estruturais de madeira.
Em síntese, os resultados mostram que o método proposto é
capaz de capturar adequadamente a influência da variação térmica
sobre a resistência da secção transversal, gerando diagramas N-M
consistentes com o comportamento físico esperado e alinhados Figura 10 Geometria e configuração da secção transversal da
com estudos similares para concreto e seções mistas [3-7]. viga CLT

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As distribuições de temperatura nos pontos P1 (21 mm da superfície laminada cruzada expostos ao fogo. A metodologia implementada
exposta) e P2 (52 mm da superfície exposta) são mostradas nas no CS-ASA/FSA mostra-se adequada para análises avançadas de
Figuras. 11a-11d. Os resultados apresentam excelente concordância desempenho, subsidiando diretrizes de projeto mais seguras para
com os obtidos por Thi et al. [27], validando o modelo térmico elementos estruturais em situação de incêndio.
implementado e indicando que o refinamento de malha não altera
significativamente os gradientes térmicos principais. A progressão
da camada de carbonização, definida pela isoterma de 300°C, é
mostrada na Figura 12a e revela a redução progressiva da secção
resistente com o aumento do tempo de exposição.

a) Progressão da carbonização b) Curva deslocamento versus tempo

Figura 12 Resultados térmicos e estruturais da viga CLT

6 Conclusões
a) Ponto P1 – 21 mm, EF T3 b) Ponto P1 – 21 mm, EF Q4
Este trabalho apresentou uma formulação numérica avançada
para a análise de elementos estruturais de madeira em situação
de incêndio, fundamentada no acoplamento entre o Método da
Compatibilidade de Deformações (MCD) e o Método da Rótula
Plástica Refinado (MRPR), implementada no sistema computacional
CS-ASA/FSA. A metodologia se destaca por considerar, de forma
integrada, os efeitos da degradação térmica das propriedades
mecânicas, da não linearidade física e geométrica e da formação de
rótulas plásticas.
Os estudos desenvolvidos evidenciaram três pontos centrais:
• Redução significativa da capacidade resistente de secções
transversais de madeira com o aumento do tempo de exposição
ao fogo, acompanhada de assimetrias nas curvas de interação
c) Ponto P2 – 52 mm, EF T3 d) Ponto P2 – 52 mm, EF Q4
esforço normal-momento fletor (N-M), coerentes com as
Figura 11 Distribuição de temperaturas na seção transversal diferenças entre resistência à tração e compressão previstas em
A análise estrutural foi realizada utilizando 22 elementos de viga- normas internacionais;
-coluna, com propriedades elasto-frágeis (Ec = Et = 12,564 MPa, • Validação do modelo termoestrutural em vigas de CLT, cujos
fyt = 41,79 MPa, fyc = 52,74 MPa e deformação última de 2%). resultados numéricos mostraram excelente concordância com
Foram considerados dois níveis de carregamento distribuído: dados experimentais da literatura, confirmando a robustez e a
5 kN/m e 10 kN/m, correspondentes a 11% e 21% da carga crítica à precisão da formulação proposta; e
temperatura ambiente, respectivamente. • Capacidade de prever tempos críticos de colapso estrutural e
A Figura 12b mostra os deslocamentos no tempo para ambas as de avaliar estratégias de proteção passiva, como revestimentos
cargas. Para 10 kN/m, o colapso ocorreu em 94 min, próximo ao protetores, que retardam a penetração térmica e prolongam a
valor experimental de 100 min obtido por Fragiacomo et al. [25]. estabilidade dos elementos.
Para 5 kN/m, verificou-se aumento significativo no tempo de De maneira mais ampla, o modelo numérico desenvolvido constitui
resistência ao fogo, evidenciando o efeito do nível de carregamento uma ferramenta eficaz para análises avançadas de estruturas
sobre a estabilidade térmica. As pequenas diferenças entre de madeira em incêndio, fornecendo subsídios para revisão e
resultados numéricos e experimentais são atribuídas a incertezas elaboração de normas técnicas, dimensionamento de sistemas mais
nas propriedades térmicas e mecânicas da madeira em altas seguros e comparação entre diferentes soluções construtivas.
temperaturas, além de variabilidades inerentes aos ensaios de Além disso, diversas aplicações práticas podem se beneficiar
incêndio. diretamente da metodologia proposta, incluindo o projeto de
Esses resultados validam a robustez da formulação numérica edifícios de múltiplos pavimentos em madeira laminada cruzada
desenvolvida, capaz de reproduzir com boa precisão o (CLT), a avaliação da segurança de pontes de madeira localizadas
comportamento térmico e estrutural de elementos de madeira em regiões suscetíveis a incêndios florestais e o planejamento de

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intervenções de retrofit em patrimônios históricos construídos em [8] Barros, R.C.; Pires, D.; Lemes, Í.J.M.; Rocha, P.A.S.; Silveira, R.A.M.
madeira, nos quais a preservação estrutural é um fator crítico. – “Análise termomecânica de estruturas de aço via acoplamento
MCD/MRPR” em XXXVII Ibero-Latin American Congress on
O programa computacional desenvolvido demonstra potencial para Computational Methods in Engineering, Brasília, DF, Brasil, 2016.
prever tempos críticos de colapso estrutural, fornecendo subsídios
[9] Pires, D.; Barros, R.C.; Silveira, R.A.M.; Lemes, Í.J.M.; Rocha, P.A.S. –
essenciais para o planejamento de medidas de segurança e de “An efficient inelastic approach using SCM/RPHM coupling to study
evacuação de ocupantes durante incêndios. Ademais, sua aplicação reinforced concrete beams, columns and frames under fire conditions”,
pode auxiliar na definição do tipo, espessura e posicionamento Engineering Structures, vol. 219, pp. 1-25, 2020.
de revestimentos protetores em elementos estruturais, com o [10] Barros, R.C.; Silveira, R.A.M.; Pires, D.; Queiroz, L.H.A.A.; Lemes, Í.J.M. –
propósito de retardar a propagação da degradação térmica e “Advanced numerical evaluation of nonlinear behavior of shallow and
prolongar a integridade da seção resistente. non-shallow planar steel arches in fire situation”, Structures, vol. 71,
108133, pp. 1-16, 2025.
Em tais contextos, o modelo contribui não apenas para o aumento
da segurança estrutural e da confiabilidade do projeto, mas também [11] Barros, R.C.; Pires, D.; Silveira, R.A.M.; Lemes, Í.J.M.; Rocha, P.A.S.
– “Advanced inelastic analysis of steel structures at elevated
para a promoção da sustentabilidade e da expansão do uso de
temperatures by SCM/RPHM coupling”, Journal of Constructional Steel
sistemas construtivos em madeira, reforçando seu papel como Research, vol. 145, pp. 368-385, 2018.
material viável e seguro em edificações modernas.
[12] Lemes, Í.J.M.; Silveira, R.A.M.; Silva, A.R.D.; Rocha, P.A.S. – “Nonlinear
Em síntese, a pesquisa avança o estado da arte em engenharia de analysis of two-dimensional steel, reinforced concrete and composite
estruturas de madeira em incêndio, oferecendo uma base científica steel concrete structures via coupling SCM/RPHM”, Engineering
sólida para decisões de projeto, regulação e prática profissional, com Structures, vol. 147, pp. 12-26.
impactos relevantes na segurança, no desempenho estrutural e na [13] Yang, Y.B.; Kuo, S.B. – Theory and Analysis of Nonlinear Framed
durabilidade das edificações. Structures. Singapore: Prentice Hall; 1994,
[14] Lemes, Í.J.M.; Silveira, R.A.M.; Teles, L.O.M.; Barros, R.C.; Silva, A.R.D.
– “Numerical formulation for advanced non-linear static analysis
Agradecimentos of semi-rigid planar steel frames”, Journal of the Brazilian Society of
Mechanical Sciences and Engineering, vol. 45, 2023.
Os autores agradecem à CAPES, ao CNPq e à FAPEMIG pelo apoio [15] Lemes, Í.J.M. – Estudo numérico avançado de estruturas de aço,
financeiro e bolsas concedidas. Reconhecem também o suporte concreto e mistas. Tese de Doutorado, Programa de Pós-Graduação
do PROPEC/UFOP, da PROPPI/UFOP, da UFSJ e da UFLA, assim em Engenharia Civil, DECIV/EM/UFOP, Ouro Preto, MG, Brasil, 2018.
como a colaboração de colegas e estudantes que contribuíram [16] Lemes, Í.J.M.; Silva, J.L.; Batelo, E.A.P.; Silveira, R.A.M.; – “Influence of
para o desenvolvimento das ferramentas computacionais e para a residual stress models prescribed in design codes for steel I-section
consolidação deste trabalho. behavior”, Revista Internacional de Metodos Numericos para Calculo y
Diseno en Ingenieria, vol. 38, n° 4, 2022.
[17] Chiorean, C.G. – “A computer method for nonlinear inelastic analysis
Referências of 3D composite steel-concrete frame structures”, Engineering
Structures, vol. 57, pp. 125-152, 2013.
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Florianópolis, SC, Brasil, 2017. – “Experimental and numerical behaviour of cross-laminated timber

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Avaliação numérica avançada do comportamento não linear e capacidade de suporte de estruturas de madeira em situação de incêndio
Jackson Rocha Segundo, Caroline Ferreira, Dalilah Pires, Ricardo Silveira, Rafael Barros, Ígor Lemes

floors in fire conditions” em World Conference on Timber Engineering,


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Avaliação numérica avançada do comportamento não linear e capacidade de suporte de estruturas de madeira em situação de incêndio
Jackson Rocha Segundo, Caroline Ferreira, Dalilah Pires, Ricardo Silveira, Rafael Barros, Ígor Lemes

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a

Multi-objective optimization for the structural design


of steel high-rise buildings
Otimização multiobjetivo para o projeto estrutural de edifícios altos em aço

Cláudio Resende
Afonso Lemonge
Luiz Fernando Martha

Abstract Resumo
This research investigates the application of multi-objective Esta pesquisa investiga a aplicação de metodologias de otimização
optimization methodologies in developing economically viable and multiobjetivo no desenvolvimento de construções espaciais em aço
structurally efficient spatial steel constructions. It emphasizes the que sejam economicamente viáveis e estruturalmente eficientes.
significance of optimizing performance alongside cost reduction Enfatiza a importância de otimizar o desempenho juntamente
in practical engineering scenarios. The investigation encompasses com a redução de custos em cenários práticos de engenharia. A
the minimization of maximum horizontal displacement, the investigação abrange a minimização do deslocamento horizontal
maximization of the first natural frequency of vibration, the máximo, a maximização da primeira frequência natural de vibração,
maximization of the critical load factor concerning the global a maximização do fator de carga crítica relacionado ao modo de
buckling mode of the structure, and weight minimization as primary flambagem global da estrutura e a minimização do peso como
objectives. Furthermore, the analysis integrates considerations for objetivos principais. Além disso, a análise integra considerações
both local and global second-order effects. Moreover, it delineates sobre os efeitos de segunda ordem, tanto locais quanto globais.
a systematic framework for selecting optimal designs, employing Ademais, delineia-se um framework sistemático para a seleção de
three distinct evolutionary algorithms grounded in differential projetos ótimos, empregando três algoritmos evolutivos distintos
evolution coupled with a multi-criteria decision-making approach. baseados em evolução diferencial, aliados a uma abordagem de
tomada de decisão multicritério.

Keywords: Multi-objective optimization / Steel frames / Bracing systems / Palavras-chave: Otimização multiobjetivo / Pórticos de aço / Sistemas de
/ Meta-heuristics contraventamento / Metaheurísticas

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Multi-objective optimization for the structural design of steel high-rise buildings
Cláudio Resende, Afonso Lemonge, Luiz Fernando Martha

Cláudio Resende 1 Introduction


Pesquisador Doutor The widespread application of spatial steel frames in civil engineering
Tecgraf/PUC-Rio projects underscores their structural versatility and efficiency. As
Rio de Janeiro, Brasil construction technology evolves, there is a growing demand for
0000-0001-6900-6177 taller and more economical buildings, necessitating advanced
claudiohorta@[Link] design methodologies that balance multiple performance criteria.
Traditionally, structural optimization has focused on minimizing a
single objective, such as material consumption or cost. However,
Afonso Lemonge real-world engineering challenges often involve inherently
Professor Titular Doutor conflicting requirements. To address this complexity, multi-objective
Unviersidade Federal de Juiz de Fora optimization (MOO) has emerged as a robust framework capable of
Juiz de Fora, Brasil generating a diverse set of trade-off solutions.
0000-0001-9938-294X In MOO, the aim is to identify a collection of solutions that offer
[Link]@[Link] optimal trade-offs among competing objectives. These solutions,
known as Pareto optimal, are not outperformed simultaneously
across all objectives by any other solution within the feasible
Luiz Fernando Martha
domain. The ensemble of such non-dominated solutions forms the
Professor Titular Doutor Pareto front (PF), providing decision-makers (DMs) with a spectrum
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro of viable alternatives. This allows DMs to select configurations
Rio de Janeiro, Brasil that align more closely with their specific design priorities, such
0000-0002-5783-5151 as minimizing structural weight, controlling displacements, or
lfm@[Link] enhancing dynamic stability.
When applied to the design of spatial steel frames, multi-objective
techniques allow for more holistic assessments of structural
performance. This is especially pertinent as structural height
increases, amplifying the influence of lateral displacements, global
stability, and vibrational behavior. Bracing systems are typically
employed to mitigate these effects; however, the optimal geometric
configuration and orientation of such systems are not easily
discernible due to the numerous possible design permutations.
Furthermore, the directional alignment of the columns’ principal
inertia axes significantly impacts overall behavior, particularly in
structures with irregular geometries.
Selecting the most effective design configuration therefore
necessitates a comprehensive evaluation of various interrelated
parameters. The process is inherently complex and non-intuitive,
requiring computational strategies capable of efficiently exploring
Aviso legal vast solution spaces. To support this decision-making process, MOO
As opiniões manifestadas na Revista Portuguesa de Engenharia de methods can be complemented by multi-criteria decision-making
Estruturas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. (MCDM) approaches, which incorporate designer preferences
through the assignment of relative importance to each objective.
Legal notice Among these, the method proposed by Parreiras et al. [1] is adopted
The views expressed in the Portuguese Journal of Structural Engineering in this study, utilizing a weighted-sum approach to prioritize
are the sole responsibility of the authors. solutions based on user-defined criteria.
This study extends the work presented in [2] by addressing the multi-
objective optimization of spatial steel frames, considering various
bracing configurations and column orientations, and incorporating
approximate geometric nonlinear effects. The optimization process
seeks to concurrently minimize maximum horizontal displacement
and structural weight, while maximizing the first natural frequency
RESENDE, C. [et al.] – Multi-objective optimization for the of vibration and the critical buckling load factor, thereby offering
structural design of steel high-rise buildings. Revista Portuguesa a comprehensive representation of structural performance. Meta-
de Engenharia de Estruturas. Ed. LNEC. Série III. n.º 29. heuristic algorithms based on Differential Evolution are employed
ISSN 2183-8488. (novembro 2025) 51-62. to explore the solution space effectively, and an MCDM procedure is
[Link] applied to facilitate final solution selection.

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Multi-objective optimization for the structural design of steel high-rise buildings
Cláudio Resende, Afonso Lemonge, Luiz Fernando Martha

2 Related work et al. [15] proposed a performance-based methodology for designing


dissipative bracing systems aimed at minimizing intervention costs.
Over the past two decades, the structural optimization of steel Khaledy et al. [16] analyzed the response of planar steel frames
frames particularly in the context of bracing systems and multi- subjected to blast loads, with optimization objectives including
objective formulations has received considerable attention within structural weight and a damage index. Burton et al. [17] conducted
the engineering community. One of the foundational studies in this a multi-objective study on controlled rocking braced frames, while
domain was presented by Papadrakakis et al. [3], who investigated Baradaran and Madhkhan [18] evaluated various mega-bracing
multi-objective design strategies for three-dimensional frames topologies intended to enhance lateral stiffness. Farahmand-
and large-scale trusses under both static and dynamic loading Tabar and Ashtari [19] investigated inclined bracing systems in tall
conditions. Their approach aimed to concurrently reduce structural buildings incorporating outrigger mechanisms. Additional relevant
weight and maximum displacement in frames, and to enhance contributions can be found in [20, 21, 22, 23], which further expand
vibrational performance in trusses by maximizing the first natural the exploration of optimization strategies for structural systems.
frequency while minimizing material usage.
This study introduces an innovative approach by simultaneously
Kicinger and Arciszewski [4] further advanced this field by applying addressing the bracing system, the orientation of the principal
evolutionary optimization techniques to planar frame structures inertia axes of the columns, and the selection of commercial steel
representing tall buildings. Their study explored the impact of varying profiles. This integrated perspective enables a more comprehensive
bracing configurations on two competing objectives: structural optimization of structural performance. Furthermore, unlike
weight and maximum displacement. Building on this work, Kicinger conventional methodologies that typically restrict multi-objective
et al. [5] employed the Strength Pareto Evolutionary Algorithm steel frame problems to two objectives, the present work
II (SPEA2) in combination with mathematical programming to incorporates up to four objective functions concurrently, thereby
improve the efficiency of multi-objective searches in braced frame expanding the scope of analysis and potential design improvements.
design. In a related context, Liu [6] developed an optimization
framework for earthquake-resilient structures, incorporating both
short-term construction investments and long-term seismic risk as 3 Formulation of the optimization problem
conflicting objectives. The methodology integrated multiple cost
components, including material usage, seismic performance, and Multi-objective optimization involves the concurrent evaluation of
lifecycle economic impacts. conflicting objectives, resulting in a set of non-dominated solutions
In the following decade, research continued to explore increasingly that collectively define the Pareto front. As outlined by Deb [24], a
refined design variables. Yazdi et al. [7] applied fuzzy logic to solution A is said to dominate a solution B if it is no worse in all
determine the optimal connection geometry in eccentric bracing objective functions and strictly better in at least one. In this study,
systems, balancing structural weight against lateral stiffness. three differential evolution-based algorithms are employed to
Similarly, Elkassas and Swelem [8] compared three bracing explore the multi-objective solution space: (i) the Success-History
configurations (designated A, V, and X) in multi-story flat frames based Adaptive Multi-Objective Differential Evolution (SHAMODE)
subjected to wind loads, identifying the most cost-effective option [25]; (ii) an enhanced variant incorporating whale optimization,
within permissible stress thresholds. Richardson et al. [9] pursued known as SHAMODE-WO [26]; and (iii) the Multi-Objective
the optimal spatial distribution of “X” braces across the façades of a Metaheuristic with Iterative Parameter Distribution Estimation
museum building in the United States, guided by the dual objectives (MMIPDE) [27]. [28]
of minimizing development costs and inter-story drift. To evaluate and rank the candidate solutions, dominance
Innovative optimization algorithms have also gained prominence relationships and crowding distance metrics are utilized, ensuring
in this research area. Kaveh and Farhoudi [10] applied Differential both convergence and diversity across the Pareto front. Constraint-
Evolution and Dolphin Echolocation algorithms to determine the -handling mechanisms and non-dominated sorting procedures are
most advantageous locations for “X” braces in planar frames, with employed to systematically organize feasible solutions. Additionally,
structural weight as the primary performance indicator. Babaei and this work adopts the Multi-Tournament Decision (MTD) method
Sanaei [11] considered beam and column cross-sections alongside introduced by [29], which provides a structured framework for
bracing topology as variables in their multiobjective formulation, selecting preferred solutions from the Pareto front by assigning
targeting reductions in both weight and displacement. Gholizadeh weighting coefficients that reflect the relative importance of each
and Poorhoseini [12] utilized Dolphin Echolocation algorithms to objective.
optimize cost-effective bracing configurations. In a continuation of The goal of the multi-objective optimization problem is to obtain the
this work, Kaveh et al. [13] expanded the design space with alternative Pareto trade-off curve with the optimal set of solutions, represented
objective functions and variable sets. Additionally, Hasançebi by the integer index vector x = I1, I2,..., Ii (design variables) which
[14] conducted a broad cost-benefit analysis involving 13 distinct defines the configuration of the bracing system, column orientations,
structural configurations, comparing various bracing systems and and commercial steel profiles. This problem seeks to achieve four
beam-column connection details to identify economically viable objectives: (i) minimizing the overall weight of the structure (W(x)),
solutions. (ii) minimizing the maximum horizontal displacement (δmax (x)),
In recent years, research has increasingly focused on integrating (iii) maximizing the first natural frequency of vibration f₁ (x), and
advanced performance criteria into optimization models. Braga (iv) maximizing the critical load factor for global stability (λcr (x)). The

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Multi-objective optimization for the structural design of steel high-rise buildings
Cláudio Resende, Afonso Lemonge, Luiz Fernando Martha

formulation of this multi-objective problem is detailed in equation The problem includes several constraints encompassing inter-
(1), where xL and xU represent the lower and upper bounds of the story drift, Load and Resistance Factor Design (LRFD) interaction
design variables, respectively. equations considering combined axial force and bending moments,
LRFD shearing equations, and geometric constraints associated
min W(x) and min δmax (x) and max f1 (x) and max λcr (x)
with beam-to-column and column-to-column connections. _ The
subject to structural constraints (1)
maximum allowable inter-story drift is governed by d = h/500,
xL ≤ x ≤ xU
where h denotes the height between consecutive floors (equation
The candidate vector of design variables is partitioned into five (2)). This constraint adheres to the guidelines specified in both the
subsets identified by integer indexes, which specify configurations Brazilian code [30] and the American code [31].
for the bracing system, orientations of column principal axis of
dmax ( x ) (2)
inertia, and commercial steel profiles used for columns, beams, and − 1≤ 0
bracer elements. The search space for these subsets includes 29 d
rolled profiles for columns and 56 for beams. Figure 1 provides a
visual representation that links the design variables of the candidate The frame elements are required to satisfy the Load and Resistance
vector. Factor Design (LRFD) equations for combined flexural and bending
In the present study, structural analysis is conducted using effects:
linear elastic assumptions, with geometric second-order effects P 8  M Mry  P
approximated through amplification factors. While this approach  r +  rx +  − 1 ≤ 0 if r ≤ 0.2

 Pc 9  Mcx Mcy  Pc
provides a practical basis for comparing design alternatives and
 (3)
supporting decision-making, it does not fully capture the inelastic
 Pr  Mrx Mry  P
behavior that may arise under extreme loading conditions or within  + +  − 1 ≤ 0 if r ≥ 0.2
2 P  M M  Pc
the post-elastic response regime. To partially account for inelastic  c  cx cy 

effects, the plastic section modulus Z (rather than the elastic


section modulus S) is employed in the sizing of beams and columns. and the maximum allowable shearing equation:
However, a full material nonlinear analysis is not performed in this
Vr
study.” − 1≤ 0 (4)
Vc

Figure 1 Candidate vector for a general problem, which includes the bracing system configuration, column orientation, and commercial
profiles variables

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Multi-objective optimization for the structural design of steel high-rise buildings
Cláudio Resende, Afonso Lemonge, Luiz Fernando Martha

The required axial strength (Pr) and flexural strengths about the important to note that the self-weight of the slabs is not included
major (Mrx) and minor axes (Mry) are compared with the available in the objective function of the optimization process, as only the
strengths of the members, denoted as Pc, Mcx, and, Mcy respectively. weight of the steel framing is considered.
Furthermore, the allowable shearing strength equation considers the All structural configurations analyzed consist of braced spatial steel
required shearing strength (Vr) and the available shearing strength frames. Beam-to-column connections are modeled as pinned,
(Vc). meaning that only the web of each beam section is connected to the
The determination of the allowable strengths follows the column. Given that bending moments near such connections are
approximate second-order analysis by amplifying the required typically negligible, the presence of a complete flange connection
strengths indicated by two first-order elastic analyses: is not deemed necessary. In contrast, the columns are assumed to
be rigidly connected via their flanges. Furthermore, the beams are
Mr = B1 Mnt + B2Mlt (5)
considered to be laterally supported by the slabs through the use of
Pr = Pnt + B2 Plt shear studs, effectively preventing any loss of flexural capacity due
(6)
to lateral-torsional buckling.
The model to be optimized is depicted in Figure 2 and consists of a
In this context, B1 is the multiplier used to account for P−δ effects,
spatial frame with 16 floors and 16 bays, each with a height of 3.5
while B2 is the multiplier corresponding to P−∆ effects. The term
m. This model is inspired by a steel frame studied by Hasançebi [14].
Mlt refers to the first-order moment resulting solely from the
Figure 2 also illustrates the available bracing configurations for the
lateral translation of the structure, whereas Mnt represents the
project.
first-order moment when the structure is restrained against lateral
translation. Similarly, Plt denotes the first-order axial force due to The structural design loads are categorized into dead loads (DL), live
lateral translation only, and Pnt is the axial force computed with loads (LL), and wind loads (W). Dead loads include the self-weight
the structure restrained against such movement. The parameter of the steel frame and slabs, as well as fixed components such as
Mr corresponds to the required second-order flexural strength. This internal partitions and glass facades. Live loads arise from occupancy
methodology is consistent with the guidelines established by both and usage, while wind loads result from wind-induced dynamic
the Brazilian code [25] and the American code [26], ensuring its pressure. In all experiments presented in this study, the following
applicability within recognized regulatory frameworks. loads are considered: the steel frame self-weight, slab dead load
(DLs = 2.4 kN/m²), internal partition load on inner beams
The problem formulation integrates geometric constraints crucial
(DLip = 5.85 kN/m), glass facade load on outer beams
for addressing structural considerations, particularly concerning
(DLgf = 0.6 kN/m), live load (LL = 1.5 kN/m²), and nodal wind loads
connections between beams and columns, as well as between
determined for a basic wind speed of 37 m/s (Rio de Janeiro - Brazil).
columns themselves. Constraints at beam-column connections
Two load combinations, accounting for wind direction, are evaluated
prohibit attaching a beam with a flange wider than either the height
based on ABNT (2008): LC₁ = 1.4 × DL + 1.5 × LL + 1.4 × Wx and
of the column’s web or its flange. Similarly, constraints at column-
LC₂ = 1.4 × DL + 1.5 × LL + 1.4 × Wy, where Wx and Wy represent wind
-to-column connections ensure that profiles with greater depth or
loads in the –x and –y directions, respectively.
mass cannot be fitted over profiles with smaller dimensions. The
geometric constraints are defined mathematically in equation (7). Wind loads are detailed in Table 1, where C.N. means corner nodes
Here, hwi, bfi, and di represent the height of the web, the width of and M.N. means middle nodes, and the gravitational loads acting
the flange, and the depth of the i-th member, respectively. Similarly, on the beams are 7.85 kN/m for external beams and 22.21 kN/m for
bfk and bfj denote the flange widths of the k-th and j-th members, internal beams. The computational efforts required are determined
while dn indicates the depth of the n-th member. Additionally, mi and using Equations (5) and (6).
mn denote the linear mass of the i-th and n-th profiles, respectively.
Finally, Nc signifies the total number of columns in the structure. Table 1 Nodal wind loads

di mi bfk bfj Height C.N. M.N. Height C.N. M.N.


Story Story
− 1 ≤ 0; − 1 ≤ 0; − 1 ≤ 0; − 1 ≤ 0; i = 1,, Nc (7) (m) (kN) (kN) (m) (kN) (kN)
dn mn hwi bfi
1 3.5 5.52 11.04 9 31.5 8.55 17.10
2 7.0 5.88 11.76 10 35.0 8.77 17.54
4 Numerical applications 3 10.5 6.52 13.04 11 38.5 8.98 17.96
The structural analysis conducted in this study is based on the direct 4 14.0 7.00 14.00 12 42.0 9.17 18.34
stiffness method, implemented using MATLAB. To account for the
5 17.5 7.40 14.80 13 45.5 9.35 18.70
influence of the slabs within the structural system, a modeling
strategy based on the multi-degree-of-freedom constraints approach 6 21.0 7.74 15.48 14 49.0 9.52 19.04
is employed. This method induces rigid diaphragm behavior in the
7 24.5 8.04 16.08 15 52.5 9.68 19.36
floor plane, thereby allowing the incorporation of both the mass and
stiffness contributions of the slabs in the evaluation of structural 8 28.0 8.31 16.62 16 56.0 4.92 9.84
displacements and natural frequencies. Specifically, the slab masses
are modeled as equivalent nodal masses in the computation of the Six solutions are extracted using the Multi Tournament Decision
first natural frequency of vibration. The slabs are assumed to have a (MTD) method, as described in the Materials and Methods section,
specific mass of 2400 kg/m³ and a uniform thickness of 0.10 m. It is with each extraction representing a specific scenario of weight

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Figure 2 Spatial steel frame of 16 stories and 16 bays and its bracing system configurations. (a) 3D view; (b) “D”; (c) “Z”; (d) “V”; (e) “IV”;
(f) “X”; (g) Plan view with columns’ groups

combinations for the objective functions. These scenarios are as as analytical scenarios, illustrating that the designer retains the
follows: flexibility to assign weights to the objectives according to specific
• Scenario 1: The weighting of W(x) is w1 = 1.0, of δmax(x) is w2 = 0, project requirements or preferences.
of f1(x) is w3 = 0, and of λcr(x) is w4 = 0; Five independent runs are performed for a population of 50
• Scenario 2: The weighting of W(x) is w1 = 0, of δmax(x) is w2 = 1.0, candidate vectors and 200 generations. This process is carried out
of f1(x) is w3 = 0, and of λcr(x) is w4 = 0; for the SHAMODE, SHAMODE-WO, and MMIPDE algorithms. The
Pareto front obtained with the six extracted scenarios highlighted is
• Scenario 3: The weighting of W(x) is w1 = 0, of δmax(x) is w2 = 0,
illustrated in Figure 3. The extracted solutions are detailed in Table 2
of f1(x) is w3 = 1.0, and of λcr(x) is w4 = 0;
and depicted in Figure 4.
• Scenario 4: The weighting of W(x) is w1 = 0, of δmax(x) is w2 = 0,
The computational budget, defined by the number of analyses
of z f1(x) is w3 = 0, and of λcr(x) is w4 = 1.0;
performed (i.e., population size and number of generations), was
• Scenario 5: The weighting of W(x) is w1 = 0.25, of δmax(x) established for this numerical experiment after an initial calibration
is w2 = 0.25, of f1(x) is w3 = 0.25, and of λcr(x) is w4 = 0.25; and sensitivity study. It was observed that increasing these values
• Scenario 6: The weighting of W(x) is w1 = 0.7, of δmax(x) is w2 = 0.1, led to a significant rise in computational cost without meaningful
of f1(x) is w3 = 0.1, and of λcr(x) is w4 = 0.1. improvements in the solutions forming the final Pareto front.
The reason for selecting these scenarios is to emphasize one The results presented in Figure 4 and Table 1 offer a detailed
objective at the expense of the others in the first four scenarios, comparison of six structural design scenarios obtained through a
to derive a solution that equally balances all four objectives in the multi-objective optimization process. Scenario 1, with a full emphasis
fifth scenario, and, in the sixth, to obtain a solution in which the on the first objective, results in the lightest structure among all
weight associated with the structural cost is predominant, while the cases, with a total weight of 285,022 kg. However, this solution also
remaining three objectives are considered with lesser importance. reaches the highest utilization ratio (LRFDmax = 0.99), suggesting
It is important to emphasize that these configurations serve solely the design is close to the strength limit. Moreover, it exhibits the

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Table 2 Detailed results for the extracted solutions from the Pareto front

Scenario 1 2 3 4 5 6
Importance [1 0 0 0] [0 1 0 0] [0 1 0 0] [0 0 0 1] [.25 .25 .25 .25 ] [.7 .1 .1 .1]

Bracing System IV X X X X IV

Group (Stories) W Profiles

CC (1-4) 360 × 91 360 × 122 360 × 122 360 × 122 310 × 117 360 × 110
CC (5-8) 250 × 80 360 × 122 360 × 122 360 × 122 310 × 117 250 × 85
CC (9-12) 200 × 52 360 × 122 360 × 122 360 × 122 310 × 117 200 × 52
CC (13-16) 200 × 35.9 310 × 79 360 × 122 360 × 122 310 × 117 200 × 35.9
OC1 (1-4) 360 × 91 360 × 122 360 × 122 360 × 122 310 × 117 360 × 110
OC1 (5-8) 310 × 97 360 × 122 360 × 122 360 × 122 310 × 117 310 × 110
OC1 (9-12) 250 × 62 360 × 122 360 × 122 360 × 122 310 × 117 250 × 80
OC1 (13-16) 200 × 46.1 360 × 122 360 × 79 360 × 122 310 × 117 200 × 41.7
OC2 (1-4) 360 × 122 360 × 122 360 × 122 360 × 122 310 × 117 360 × 122
OC2 (5-8) 360 × 101 360 × 122 360 × 122 360 × 122 310 × 117 360 × 101
OC2 (9-12) 360x101 360 × 122 360 × 122 360 × 122 310 × 117 360 × 91
OC2 (13-16) 360x91 360 × 122 360 × 122 360 × 122 310 × 117 360 × 91
IC1 (1-4) 310 × 117 360 × 122 360x × 122 360 × 122 310 × 117 310 × 117
IC1 (5-8) 310 × 97 360 × 122 360 × 122 360 × 122 310 × 117 310 × 107
IC1 (9-12) 310 × 97 360 × 122 360 × 122 360 × 122 310 × 117 310 × 97
IC1 (13-16) 200 × 59 360 × 122 360 × 122 250 × 80 310 × 117 200 × 53
IC2 (1-4) 250 × 89 360 × 122 360 × 122 360 × 122 310 × 117 250 × 101
IC2 (5-8) 250 × 85 360 × 122 360 × 122 360 × 122 310 × 117 250 × 85
IC2 (9-12) 250 × 73 360 × 122 360 × 122 360 × 122 310 × 117 250 × 73
IC2 (13-16) 200 × 53 360 × 122 360 × 122 360 × 122 310 × 110 200 × 53
IC3 (1-4) 310 × 125 360 × 122 360 × 122 360 × 122 310 × 117 310 × 117
IC3 (5-8) 250x101 360 × 122 360 × 122 360 × 122 310 × 117 250 × 89
IC3 (9-12) 250 × 73 360 × 122 360 × 122 360 × 122 310 × 117 250 × 62
IC3 (13-16) 200 × 35.9 360 × 101 360 × 122 360 × 122 310 × 117 200 × 35.9
OB (1-4) 310 × 28.3 610 × 125 610 × 113 610 × 125 530 × 66 310 × 28.3
OB (5-8) 530 × 74 410 × 75 610 × 125 610 × 125 530 × 66 530 × 72
OB (9-12) 200 × 15 610 × 125 610 × 125 610 × 125 530 × 72 200 × 22.5
OB (13-16) 310 × 21 610 × 113 610 × 125 610 × 125 360 × 64 310 × 38.7
IB (1-4) 310 × 21 610 × 113 610 × 125 610 × 125 530 × 72 310 × 23.8
IB (5-8) 410x60 610 × 125 610 × 125 610 × 125 530 × 92 410 × 53
IB (9-12) 200 × 26.6 610 × 101 610 × 125 610 × 125 530 × 72 200 × 22.5
IB (13-16) 250 × 28.4 410 × 53 610 × 125 410 × 67 530 × 72 250 × 32.7
BC (1-16) 410 × 38.8 610 × 125 610 × 125 610 × 125 530 × 85 410 × 46.1

rpee | Série III | n.º 29 | novembro de 2025 57


Multi-objective optimization for the structural design of steel high-rise buildings
Cláudio Resende, Afonso Lemonge, Luiz Fernando Martha

Table 2 Detailed results for the extracted solutions from the Pareto front (continuation)

Scenario 1 2 3 4 5 6
Importance [1 0 0 0] [0 1 0 0] [0 1 0 0] [0 0 0 1] [.25 .25 .25 .25 ] [.7 .1 .1 .1]

Bracing System IV X X X X IV

Group (Stories) W Profiles

Objective Functions and Constraints


LRFDmax(x) 0.99 0.62 0.63 0.69 0.68 0.85
Vmax(x) 0.38 0.15 0.06 0.13 0.10 0.35
dmax(x) (mm) 2.1 1.0 1.0 1.0 1.2 1.9
δmax(x) (mm) 28.9 13.8 13.9 13.9 17.1 25.9
f1(x) (Hz) 0.46 1.13 1.32 1.21 1.07 0.66
λcr(x) 1.04 2.51 1.88 3.81 1.94 1.09
W(x) (kg) 285022 695269 760631 739056 529834 303142
Algorithm SHAMODE MMIPDE MMIPDE MMIPDE MMIPDE SHAMODE

poorest vibration performance (f₁ = 0.46 Hz) and the highest kg), indicating that enhanced lateral stiffness requires significant
global displacement (δmax = 28.9 mm), which may compromise material investment. The natural frequency (f₁ = 1.13 Hz) also
serviceability and dynamic comfort. This outcome indicates that improves considerably, suggesting better dynamic behavior due to
optimizing solely for weight can lead to significant reductions in the stiffer frame.
structural robustness and user comfort, pushing critical performance Scenario 3, which emphasizes dynamic performance, achieves
parameters to their acceptable limits. the highest natural frequency (f₁ = 1.32 Hz), lowest shear ratio
In contrast, Scenarios 2, 3, and 4, each prioritizing different (Vmax = 0.06), and minimal displacement values, but at the cost
objectives, generate designs with significantly higher structural of the heaviest configuration (760,631 kg). Scenario 4 provides
weight but improved performance in their respective focus areas. the best critical buckling load factor (λcr = 3.81) and maintains a
Scenario 2, which focuses on minimizing δmax, leads to a substantial good dynamic response, though it still results in a heavy structure
reduction in horizontal displacement – reaching just 13.8 mm, less (739,056 kg). These results confirm that targeting serviceability
than half the value in Scenario 1. This performance improvement or stability leads to stiffer, more robust designs but requires a
is accompanied by a notable increase in total weight (695,269 substantial increase in material usage.

Figure 3 Pareto front and extracted solutions represented in normalized parallel coordinates

58 rpee | Série III | n.º 29 | novembro de 2025


Multi-objective optimization for the structural design of steel high-rise buildings
Cláudio Resende, Afonso Lemonge, Luiz Fernando Martha

Figure 4 Extracted solutions, columns orientations and bracing systems configurations. (a) Scenario 1; (b) Scenario 2; (c) Scenario 3; (d)
Scenario 4; (e) Scenario 5; and (f) Scenario 6
Scenario 5 presents an interesting trade-off as it uses an equal Scenario 6, with a biased vector favoring the first objective (70%
importance vector for all four objectives. The resulting design weight), results in a more efficient compromise compared to
balances weight (529,834 kg), stiffness (δmax = 17.1 mm), and Scenario 1. Despite maintaining a relatively low total weight
vibration performance (f₁ = 1.07 Hz) more effectively than any (303,142 kg), the design demonstrates improved dynamic behavior
single-objective solution. While not excelling in any individual (f₁ = 0.66 Hz) and displacement control (δmax = 25.9 mm). The use of
criterion, it avoids critical weaknesses and represents a well-rounded bracing system IV and selective reinforcement in critical members
alternative. This balance is further reflected in the uniformity of (e.g., outer beams and columns) suggests that strategic adjustments
section choices across structural members, with moderate profiles can partially mitigate the drawbacks of weight-driven optimization.
applied throughout. The use of the X bracing system in this case may This hybrid behavior reflects the advantage of moderate biasing
also contribute to the enhanced lateral stiffness, improving dynamic in multi-objective formulations, allowing certain objectives to
and serviceability metrics without the need for overly conservative dominate without fully disregarding others.
member sizing.

rpee | Série III | n.º 29 | novembro de 2025 59


Multi-objective optimization for the structural design of steel high-rise buildings
Cláudio Resende, Afonso Lemonge, Luiz Fernando Martha

The choice of bracing system and member profiles varies significantly intuition may be insufficient for achieving optimal solutions. Solving
across scenarios, indicating the influence of optimization priorities multiobjective problems and generating a suite of feasible options
on structural configuration. Scenario 1 and 6 adopt bracing system tailored to specific performance targets proves advantageous during
IV, whereas all others employ system X. Heavier and stiffer profiles the early design stages of large-scale projects. This method enhances
are consistently selected in scenarios with higher emphasis on the estimation accuracy for both structural cost and performance,
stiffness or dynamic criteria, especially in outer columns (OC), outer with key metrics in this study including horizontal displacements,
beams (OB), and internal beams (IB), which experience increased dynamic response, and global stability. Such insights equip designers
demand under lateral loads. Scenario 5, with equal weighting across with a deeper understanding of the interplay between bracing
objectives, yields a relatively efficient compromise: moderate total configurations and orientation patterns, ultimately leading to more
weight (529,834 kg), acceptable vibration performance (f₁ = 1.07 Hz), efficient and cost-effective solutions.
and displacement limits within serviceability thresholds. For taller structures than those examined in this study, it is
A critical aspect identified in the numerical investigation pertains recommended to expand the design space by including welded
to the observation of low critical load factors, which signal that the steel profiles, which can accommodate larger dimensions beyond
structure is subjected to elevated internal forces and is nearing a the limitations of rolled sections. These taller buildings typically
condition of global instability. This behavior is primarily attributed to experience lower natural frequencies, attributed to increased
the significant height of the building, leading to concentrated load flexibility and mass concentration at slab-panel junctions, with
accumulation in the lower columns. Additionally, the incorporation observed values ranging from 0.46 Hz to f1(x) = 1.32 Hz. To address
of second-order effects through the force amplification method these challenges, the integration of welded sections and the
further intensifies the internal forces within structural members, adoption of additional bracing elements – such as rigid cores or
thereby diminishing the eigenvalue obtained from the coupled shear walls are practical solutions to improve structural behavior.
analysis of elastic and geometric stiffness matrices [32]. Among the evaluated scenarios, particular attention is drawn to
For structural systems involving buildings of greater height than the first four, each excelling in a specific objective while accepting
those analyzed in the present study, it becomes essential to expand trade-offs in the others. The lightest design in the Pareto-optimal
the design domain to include welded steel profiles, considering the set, corresponding to Scenario 1, exhibits a total weight of
dimensional constraints imposed by rolled sections. Furthermore, W(x) = 285,022 kg and utilizes an “IV”-shaped bracing configuration.
taller buildings exhibit considerably lower natural frequencies due Scenarios 2, 3, and 4 respectively achieve optimal outcomes in top
to increased global flexibility and the concentration of nodal masses displacement δmax(x) = 13.8 mm, fundamental vibration frequency
at slab panel intersections. In this study, vibration frequencies were f1(x) = 1.32 Hz, and critical load factor λcr(x) = 3.81, all employing an
observed to range from 0.46 Hz to f1(x) = 1.32 Hz. To address these “X”-shaped bracing scheme.
dynamic and stability-related challenges, the adoption of welded Future investigations should consider extending the proposed
sections and the integration of additional bracing subsystems optimization framework to alternative structural systems and design
– such as shear walls or rigid structural cores – represent practical parameters, as well as incorporating additional or reformulated
and effective mitigation strategies. objective functions. Practical application in real-world structural
projects could yield valuable insights into the method’s viability and
limitations. Prospective research directions also include adopting
5 Conclusions advanced numerical strategies, such as iterative and incremental
This research proposed a comprehensive strategy to address the solvers, and evaluating environmental or sustainability-driven
complex multi-objective optimization of spatial steel frames. criteria in structural optimization. Further, in-depth exploration of
The approach employed three distinct evolutionary algorithms design solutions generated by specialized steel design software,
grounded in differential evolution, complemented by a multi- combined with the integration of machine learning techniques,
-criteria decision-making technique for extracting optimal solutions may substantially reduce computational overhead and enhance
from the generated PFs. The study contributes meaningfully to the optimization efficiency.
field by incorporating four simultaneous objectives and managing
a diverse set of design variables, including bracing configurations,
column orientation schemes, and steel cross-sections selected Acknowledgments
from commercially available catalogs. A numerical experiment was This study was financed in part by the Coordenação de
conducted, encompassing six distinct scenarios to ensure a broad Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES)
and in-depth analysis. – Finance Code 001, Conselho Nacional de Desenvolvimento
The results indicate that the optimal bracing configuration and Científico e Tecnológigo (Grants 308105/2021-4, 303221/2022-
column orientation are highly dependent on both the structural 4 and 308884/2021-3), and Fundação Carlos Chagas Filho
characteristics and the objectives prioritized in the optimization. de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Grant:
This observation suggests that relying solely on engineering E-26/201.224/2022).

60 rpee | Série III | n.º 29 | novembro de 2025


Multi-objective optimization for the structural design of steel high-rise buildings
Cláudio Resende, Afonso Lemonge, Luiz Fernando Martha

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Multi-objective optimization for the structural design of steel high-rise buildings
Cláudio Resende, Afonso Lemonge, Luiz Fernando Martha

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a

Methodology for reliability analysis of reinforced concrete


structures over time considering combined corrosion

Metodologia para análise de confiabilidade de estruturas de concreto armado


ao longo do tempo considerando corrosão combinadas

Ana Moraes
Renato Motta
Silvana Bastos Silva
Eleni Toumpanaki
Raffaele de Risi

Abstract Resumo
Corrosion of steel rebars is a primary cause of deterioration in A corrosão das armaduras é uma das principais causas de
reinforced concrete (RC) structures, influenced by uncertain material, deterioração em estruturas de concreto armado (CA), influenciada
environmental, and loading conditions that may vary over time and por condições incertas de materiais, ambiente e carregamento,
location. This study proposes a comprehensive method to assess que podem variar no tempo e no espaço. Este estudo propõe
the time-dependent reliability of RC structures, considering the um método abrangente para avaliar a confiabilidade temporal
combined effects of carbonation and chloride ingress. Probabilistic de estruturas de CA, considerando os efeitos combinados da
models capture uncertainties in corrosion initiation, propagation, carbonatação e da penetração de cloretos. Modelos probabilísticos
and their impact on structural performance. The approach employs capturam as incertezas na iniciação, propagação e nos impactos
advanced numerical simulations and Monte Carlo analysis to da corrosão sobre o desempenho estrutural. A abordagem utiliza
evaluate the evolving reliability of bridge structures. A case study simulações numéricas avançadas e análises de Monte Carlo para
of a reinforced concrete bridge beam with corroded rebars, drawn avaliar a confiabilidade ao longo do tempo em estruturas de pontes.
from existing literature, demonstrates the method’s applicability. Um estudo de caso de uma viga de ponte em concreto armado com
Results indicate the model effectively assesses structural reliability barras corroídas, extraído da literatura, demonstra a aplicabilidade
throughout the RC life cycle. This systematic framework enables do método. Os resultados indicam que o modelo avalia de forma
engineers and decision-makers to account for complex corrosion eficaz a confiabilidade estrutural ao longo do ciclo de vida do CA.
interactions, supporting maintenance planning and optimal resource Este framework sistemático auxilia engenheiros e gestores no
allocation to ensure long-term safety and durability of RC structures. planejamento da manutenção e na alocação ótima de recursos,
garantindo a segurança e durabilidade das estruturas de CA no longo
prazo.

Keywords: Combined corrosion model / Reliability Analysis / Reinforced Palavras-chave: Modelo de corrosão combinada / Análise de confiabilidade /
concrete structures / Estruturas de concreto armado

rpee | Série III | n.º 29 | novembro de 2025 63


Methodology for reliability analysis of reinforced concrete structures over time considering combined corrosion
Ana Moraes, Renato Motta, Silvana Bastos Silva, Eleni Toumpanaki, Raffaele de Risi

Ana Moraes 1 Introduction


Estudante de Doutorado The integrity of reinforced concrete structures over time can be
Universidade Federal de Pernambuco compromised by a variety of environmental factors and deleterious
Recife, Brasil agents, such as sulphates, chlorides, and freeze-thaw cycles (Neville,
[Link]@[Link]
[1]). The most relevant deterioration process for structural safety is
the corrosion of the reinforcement. The depassivation of the steel,
Renato Motta whether by the reduction of alkalinity via carbonation or by the
action of chloride ions, leads to the formation of iron oxides. As
Doutor, Professor titular detailed by Rodriguez et al. [2], these corrosion products occupy a
Universidade Federal de Pernambuco
larger volume than the original steel, generating an internal state of
Recife, Brasil
[Link]@[Link] stress that culminates in the cracking of the concrete. Consequently,
the structure may suffer a series of damages, such as the spalling of
the concrete cover, a decrease in the confinement capacity of the
Silvana Bastos Silva concrete core, and a reduction in the cross-sectional area of the
steel bars, directly affecting its load-bearing capacity.
Doutora, Professora titular
Universidade Federal de Pernambuco Recent studies (e.g., Pugliese, De Risi and Di Sarno [3]; Di Sarno and
Recife, Brasil Pugliese [4]) showed that, worldwide, a large number of reinforced
[Link]@[Link] concrete (RC) structures, particularly bridges, are currently suffering
from deterioration as a result of exposure to harsh environmental
factors and rising live loading as a result of sharp increase in traffic
Eleni Toumpanaki volume. Bridges' anticipated service life is frequently shortened
Doutora, Professor titular by inadequate or non-existent maintenance, which may result in
Universidade de Bristol structural collapse in severe circumstances. Although corrosion
Bristol, Inglaterra is unpredictable and complex, making it difficult to model and
[Link]@[Link] simulate, it is necessary to assess the remaining capacity of old RC
infrastructure using advanced structural reliability methodologies.
Raffaele de Risi Frangopol et al. [5] show that comparing the accepted and actual
probability of failure (Pf) is important, and in this context, structural
Doutor, Professor titular
reliability methods provide an effective means of evaluating the
Universidade de Bristol
Bristol, Inglaterra state of infrastructure over its life cycle, accounting for all pertinent
[Link]@[Link] uncertainties. This paper presents an application of a structural
temporal reliability analysis in a representative beam from a RC
bridge with corroded steel reinforcement bars originally described in
Li et al. [6], simplifying a real case scenario. In this case, a combination
of numerical models and code-based techniques are used to calculate
the bridge girder's capacity. Specifically, the methodology proposed
by Li J et al. [6] takes into account both general and pitting corrosion,
Aviso legal as well as their combination to produce a more sophisticated
As opiniões manifestadas na Revista Portuguesa de Engenharia de study. To quantify the reduction of longitudinal and transversal
Estruturas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. reinforcement rebar area owing to corrosion, a straightforward
method is utilized to account for degradation occurrences.
Legal notice In this study, the corrosion model for steel reinforcing bars is the
The views expressed in the Portuguese Journal of Structural Engineering only ageing mechanism taken into account. This study serves as
are the sole responsibility of the authors. the basis for future work, which will include the general, pitting,
and compound corrosion models into an existing bridge reliability
analysis while also accounting such as additional random variables.
The uncertainty is propagated and the distributions of the capacity
and demand for the girder beam in terms of bending moment are
calculated using a Monte Carlo simulation.

MORAES, A. [et al.] – Methodology for reliability analysis of reinforced


concrete structures over time sonsidering sombined sorrosion.
2 Corrosion models
Revista Portuguesa de Engenharia de Estruturas. Ed. LNEC. Considering Revert et al. [7] a reinforced concrete structure's design
Série III. n.º 29. ISSN 2183-8488. (novembro 2025) 63-68. service life can be determined by a limit state and the degree of
[Link] reliability for failing it. Reinforced concrete structures usually have

64 rpee | Série III | n.º 29 | novembro de 2025


Methodology for reliability analysis of reinforced concrete structures over time considering combined corrosion
Ana Moraes, Renato Motta, Silvana Bastos Silva, Eleni Toumpanaki, Raffaele de Risi

two service lives: an initiation period and a propagation period. The engineering applications. Figure 1 schematically illustrates the
amount of time that harmful elements can permeate the cover and compound corrosion model. The model considers a steel bar with
continue to cause active corrosion is known as the initiation period. an initial diameter D0. Pitting corrosion is represented as a localized
Damage grows during the propagation phase until it reaches an area loss Ab (t), characterized by a pit depth pb (t) and an angle θ.
intolerable state of decline. Depassivation of the steel reinforcement General corrosion, in turn, is modeled as a uniform reduction of
is the limit condition commonly employed for service life design in the bar radius, resulting in an area loss Aa (t) and a corrosion depth
carbonating reinforced concrete constructions. pa (t). The compound corrosion model superimposes these two
Beyond the mere depassivation of the steel-concrete interface by mechanisms, leading to a total area loss Ac (t), which is the sum of
carbonation, the initiation of active corrosion is contingent upon their effects and more realistically represents the actual degradation
additional factors. As noted by Bhargava et al. [8], the presence of of reinforcement. The significance of this combined model lies in
sufficient moisture is critical, suggesting that the corrosion process the fact that general corrosion gradually reduces the load-bearing
may cycle between active and passive states depending on the capacity of the section, whereas pitting corrosion may trigger
environmental conditions. In parallel, chloride-induced corrosion sudden and brittle failures due to the high stress concentration at
is recognized as a primary driver of degradation in concrete localized points.
structures, a vulnerability that also extends to prestressed concrete One corrosion mechanism may predominate over another
(PC) elements, as highlighted by Rinaldi et al. [9]. The high-stress in different situations. For instance, general corrosion is the
strands inherent to PC construction exhibit a greater susceptibility predominant corrosion mechanism in atmospheric media. However,
to corrosion compared to conventional reinforcement. It is the most common type of corrosion in a marine environment is
frequently observed from both field experience and experimental pitting corrosion. All of the equations applied in this application are
evidence that corrosion impairs serviceability limit states more presented in Li et al. [6].
rapidly than ultimate limit states. Furthermore, Torres-Acosta and
Martínez-Madrid [10] emphasize that chloride-induced corrosion
often manifests as pitting, a localized phenomenon that can cause
a severe reduction in the cross-sectional area of the reinforcement,
thereby posing a significant threat to structural integrity.
In addition to corrosion caused by chloride, Wang, Yue & Qiang
[11], Li et al. [12], and De Weerdt et al. [13] says that carbonation-
-induced corrosion is a major factor that deteriorates reinforced
concrete structures throughout their service life in a variety of
climatic circumstances. The interaction between airborne carbon Figure 1 Compound corrosion of a steel bar scheme adapted
dioxide (CO2) and the calcium hydroxide (Ca(OH)2) in concrete is from Li et al. [6]
generally responsible for the carbonation of PC concrete, causing
the pore solution's alkalinity to drop. The Pourbaix diagram shows
that when iron or steel is exposed to a low-alkalinity environment, 3 Case study
the oxide deposit on the material becomes unstable. Because of
this instability, faulty iron hydroxide is formed, which leads to the Following the study conducted by Li et al. [6], this section examines
development of steel corrosion. the temporal reliability analysis of a RC bridge with corroded steel
The modeling of corrosion-induced degradation in reinforced reinforcement bars. Figure 2 shows a simplified schematic diagram
concrete structures has been extensively addressed by various of the girder of the bridge, which consists of a single beam and two
authors over the past decades. These models can be broadly columns. A focused force F(t) (N) at the midpoint of the beam, and a
categorized as empirical or mechanistic. Empirical models, such as uniformly distributed load, w (N/m), are applied to the beam.
the classical model proposed by Tuutti (1982), divide service life The load temporal variability is caused by the force F(t), which
into initiation and propagation phases and are widely adopted in varies randomly over time, represented by a stochastic process. The
design codes due to their simplicity. Mechanistic models, on the concrete cover depth, c(x), is considered to vary spatially along the
other hand, aim to describe the electrochemical and mass transport concrete surface in this example. The area of the bars varies with
processes governing corrosion, thereby offering greater theoretical time following the corrosion model. This will cause the spatial
accuracy. However, the complexity and uncertainty associated variation of the corrosion and propagation time, and, consequently,
with their input parameters may limit their practical applicability. the spatial variation of the corroded areas. The temporal and spatial
The present study adopts the model proposed by Li et al. [6], which variability are represented by the stochastic process and random
provides a hybrid approach by combining the effects of general and field, respectively.
pitting corrosion, thereby more realistically representing the damage The beam under consideration has a rectangular cross-section with
observed in aggressive environments. width b (m) and height h (m). The beam has a length L (m), and
This model proposed by Li et al. [6] develops a coupled corrosion there are nb = 4 steel bars inside the concrete. Figure 3 displays the
model shown in Figure 1. This model combines the impacts bending moment diagram and cross-section diagram. The equations
of pitting and general corrosions representative of real-world adopted for the study and analysis are presented in Li et al. [6].

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Methodology for reliability analysis of reinforced concrete structures over time considering combined corrosion
Ana Moraes, Renato Motta, Silvana Bastos Silva, Eleni Toumpanaki, Raffaele de Risi

w] are random variables; Y(t)= [F(t)] is a Gaussian stochastic process;


Z(x)=[c(x)] is a Gaussian random field; h0 (x) is the effective height;
Mu(t,x) is the bending moment capacity; Au(t,x) is the remaining
cross-sectional area of a corroded steel bar and Ma(t,x) is the bending
moment of RC beam.
The bending moment capacity of the RC beam is detailed in
Equation 2.

 f y Au ( t , x ) 
Mu ( t , x ) = f y Au ( t , x )  h0 ( x ) − . (2)
 2 fc b 

The remaining cross-sectional area of reinforcing steel at time t


(considering corrosion of the nbbars) is shown in Equation 3.
Au ( t , x ) = nb Ac ( t , x ) . (3)

And the bending moment Ma of the RC beam is calculated as from


Figure 2 Diagram of the bridge adapted from Li et al. [6] Equation 4 or Equation 5.
F (t )  wL wL  L
Ma ( t , x ) = x +  x − x 2  ,0 ≤ x . (4)
2  2 2  2

F (t ) wL wL  L
Ma ( t , x ) = ( L − x ) +  x − x2 , < x ≤ L (5)
2  2 2  2

Table 1 Random variables considered for the reliability method


by Li et al. [6]
Coefficient
Parameter Distribution Mean
of variation

ka (mm/year0.5) Normal 3 0.30


Figure 3 Bending moment diagram and cross-section adapted
from Li et al. [6] D0 (mm) Normal φ18 0.05
Cb (kg/m ) 3
Lognormal 3.5 0.20

4 Reliability analysis Db (m2/s) Lognormal 12∗10–12 0.20


Ccr (kg/m ) 3
Uniform 0.9 0.20
According to Song & Kawai [14], analytical or numerical integration
can be used to approximate the chance of failure, however, analytical λb Gumbel 6 0.20
integration is limited to exceptional and uncommon circumstances b (mm) Normal 600 0.05
that are frequently of little or no practical use. Because the h (mm) Normal 800 0.05
convergence rate of Monte Carlo Simulation (MCS) is insensitive to
the dimensionality of the input variable and the limit state function, fy (MPa) Lognormal 400 0.10
it has been frequently used in structural reliability analysis. MCS fc (MPa) Lognormal 30 0.15
attempts to sample the input variable and repeatedly evaluate the w (N/m) Normal 4∗104 0.10
limit state function directly, as opposed to estimating or surrogating
F(t) (N) Gaussian process 105 0.20
the function. The reliability analysis has been conducted via the
MCS simulation method, considering the random variables shown c(x) (mm) Gaussian field 30 0.20
in Table 1, and executed on Matlab. The simulation was made until W/C Deterministic 0.4 –
T = 100y (year by year), and N = 105. The failure function can be
T (years) Deterministic 100 –
written as Equation 1.
L (m) Deterministic 5 –
G ( X , Y ( t ) , Z ( x ) , t , x ) = Mu ( t , x ) − Ma ( t , x ) =
ka (mm/year0.5) is the concrete carbonation coefficient; D0 (mm) is the initial diameter
of steel bar; Cb (kg/m3) is the surface chloride concentration; Db (m2/s) is the
 f y Au ( t , x )  (1) chloride diffusion coefficient; Ccr (kg/m3) is the chloride threshold level; λb is the
= f y Au ( t , x )  h0 ( x ) −  − Ma ( t , x ) . ratio coefficient that varies from 4 to 8; b (mm) is the width of the beam; h (mm)
 2 fc b 
is the height of the beam; fy (MPa) is the steel yield stress; fc (MPa) is the concrete
compressive strength; w (N/m) is a uniformly distributed load; c(x) (mm) is the
Where t represents the time variable varying within [0, T]; x is the concrete cover depth of steel; W/C is the water-cement ratio; L (m) is the length of
space variable varying in [0, L]; X = [ka, D0, Cb, Db, Ccr, lb, b, h, fy, fc, the beam.

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Figure 4 shows three realizations (from N = 105) of the Gaussian approach is essential for a reliable safety assessment. Deterministic
random field, c(x), each representing variations in cover depth along methods may not capture the full extent of the risk.
half length of the RC beam under consideration (in millimeters) due In the reliability analysis, as depicted in Figure 5, the failure function
to symmetry. This suggests areas with potentially different levels decreases with the distance to the support and time, with a higher
of protection against environmental factors. The smoothness and Pf in the midsection (x = 2500 mm) and for lower cover values.
continuity of the trajectories show the correlation structure of the Critical regions have been identified where the likelihood of failure is
Gaussian random field, or how values are associated across distance. significantly higher, providing valuable information for maintenance
Smoother trajectories are produced by a more highly correlated planning and design improvements. Quantifying the Pf at various
field, whereas more jagged lines are produced by a less correlated points helps in making informed decisions to ensure the long-
field. The variations of the trajectories are visually in accordance with term safety and durability of reinforced concrete structures. For
data from Li et al. [6]. the realization shown in Figure 5, the failure occurred at t = 18y
at the midspan. The x mark represents where this failure occurred
(G = – 7.1227).

Figure 4 Trajectories of the Random Field


Taking as example the cover depth in trajectory 1, Figure 5 shows the Figure 5 Failure Function G(x,t) - for cover trajectory 1
evolution of the failure function G(x,t) in a reliability analysis. Again,
because of the symmetry, only half of the beam length is shown.
There is a general downward trend in the failure function G(x,t) as x
tends to the midpoint of the beam (2500 mm). This indicates that
the structural capacity or safety margin tends to decrease along
the middle of the structure. Initially (T = 0 years), most trajectories
start with a positive value of G around 300 kNm at the column and
150 kNm at the midpoint. As time progresses the G trajectories
decrease due to corrosion. In locations with lower concrete cover
(c) the corrosions starts earlier and the decrease in the G value
is prominent. The figure highlights the importance of the cover
variability to the failure of the beam, as the corrosion progresses.
The trajectories show a significant amount of variability over time,
with some trajectories indicating a positive (G) (implying no failure)
and others dipping into negative values (indicating failure). The point
where G(x,t) crosses the zero line is critical. Trajectories crossing
from positive to negative values indicate the transition from safe
Figure 6 Probability of failure for the RC beam
to failure states. The plot shows many such crossings, particularly
after 1000 mm, suggesting potential locations where the structure Figure 6 shows the Pf of the RC beam over time, with the x-axis
might fail. This highlights the importance of considering variability representing time in years and the y-axis representing the Pf. In
and uncertainty in the reliability analysis. The failure function G(x,t) the first 20 years, the probability of the beam's failure increases
provides critical insights into the regions of the structure that are rapidly. This indicates that the beginning of the beam’s lifespan
more likely to fail. The downward trend and multiple crossings of the shows a significant growth in the chance of failure, which is related
zero line indicate several potential points of failure along the length to the reinforcement degradation. The initial structural assessment
of the structure. The high variability suggests that a probabilistic indicates a high Pf of 17%, where no corrosion has been activated,

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and increases as corrosion advances. The higher corrosion activity References


is, probabilistically, around 20y. After 40y the PF is almost 100%.
After that time, failure becomes inevitable, and reinforcement or [1] Neville, A.M.; Brooks, J.J. – Concrete technology. England: Longman
replacement measures would be necessary to ensure structural Scientific & Technical, 1987.
safety. Figure 6 shows a typical cumulative distribution function [2] Rodriguez, J.; Ortega, L.M.; Casal, J. – “Load bearing capacity of
shape. The results shown in the literature have a similar Pf at the concrete columns with corroded reinforcement” em Corrosion of
beginning of the analysis, but the degradation evolution contrasts Reinforcement in Concrete Construction. Proceedings of Fourth
with the present result. International Symposium, Cambridge, 1-4 July 1996. Special
Publication no. 183, 1996.
[3] Pugliese et al. – "Reliability assessment of existing RC bridges with
5 Conclusions spatially-variable pitting corrosion subjected to increasing traffic
demand". Reliability Engineering & System Safety, v. 218, 2022,
In this work, a corrosion model's application and reliability analysis p. 108137.
were presented. The main focus has been on implementing a [4] Di Sarno, L.; Pugliese, F. – "Effects of mainshock-aftershock sequences
compound corrosion model in a simplified version of a realistic on fragility analysis of RC buildings with ageing". Engineering
case of a bridge, which involves two types of simultaneous steel Structures, v. 232, 2021, p. 111837.
reinforcement corrosion. The key conclusion is that the compound [5] Frangopol et al. – "Reliability-based life-cycle management of highway
corrosion model, which takes pitting and general corrosion into bridges". Journal of computing in civil engineering, v. 15(1), 2021,
account, produces good results when constructed using the p. 27-34.
suggested model. As would be predicted, the failure function G(x,t) [6] Li, J.; Chen, J.; Wei, J.; Yang, X. – "Temporal-spatial reliability analysis
has a decreasing trend when moving away from support (x = 0), and of RC bridges with corroded steel reinforcement bars". Proceedings of
reaches its minimum value at the middle of the spam (x = 2500), the Institution of Mechanical Engineers, Part C: Journal of Mechanical
Engineering Science, v. 236, n. 23, 2022, p. 11345-11357.
considering the bending moment with notable variability. It is
important to note that the obtained failure probability plot follows [7] Revert et al. – "Carbonation and corrosion of steel in fly ash concrete,
concluding investigation of five-year-old laboratory specimens and
an acceptable pattern from the literature, but the result obtained
preliminary field data". CEMENT, v. 16, 2024, p. 100105.
by Li et al. [6] shows corrosion that seems to start immediately,
presenting a rapid growth pattern of the failure probability right at [8] Bhargava, K.; Ghosh, A.K.; Mori, Y.; Ramanujam, S. – “Analytical model
for time to cover cracking in RC structures due to rebar corrosion”.
the beginning.
Nuclear Engineering and Design, v. 236, n. 11, 2006, p. 1123-1139.
The present work provides key contributions, providing a systematic [9] Rinaldi, Z.; Imperatore, S.; Valente, C. – “Experimental evaluation
framework for assessing the reliability of RC bridges considering of the flexural behavior of corroded P/C beams”. Construction and
complex corrosion interactions. It can be developed further as a tool Building Materials, v. 24, n. 11, 2010, p. 2267-2278.
for informed maintenance planning and resource allocation. The [10] Torres-Acosta, A.A.; Martínez-Madrid, M. – “Residual life of corroding
research offers valuable insights for engineers and decision-makers reinforced concrete structures in marine environment”. Journal of
to evaluate the long-term safety and durability of RC structures. By Materials in Civil Engineering, v. 15, n. 4, 2003, p. 344-353.
understanding time-dependent reliability, effective maintenance [11] Wang, D.; Yue, Y.; Qian, J. – "Effect of carbonation on the corrosion
strategies can be developed to prevent failures and extend the behavior of steel rebar embedded in magnesium phosphate cement".
lifespan of these critical infrastructure components. Composites Part B: Engineering, v. 268, 2024, p. 111088.
[12] Li et al. – "Chemical and mineralogical characteristics of carbonated
and uncarbonated cement pastes subjected to high temperatures".
Acknowledgements Composites Part B: Engineering, v. 216, 2021, p. 108861.
[13] De Weerdt et al. – "Effect of carbonation on the pore solution of
The authors would like to thank FACEPE (Fundação de Amparo
mortar". Cement and Concrete Research, v. 118, 2019, p. 38-56.
à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco), FINEP,
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior [14] Song, C.; Kawai, R. – "Monte Carlo and variance reduction methods for
structural reliability analysis: A comprehensive review". Probabilistic
(CAPES) and Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
Engineering Mechanics, v. 73, 2023, p. 103479.
e Tecnológico (CNPq) for the financial support of various research
projects developed in this area by the group.

Authorship Statement
The authors hereby confirm that they are the sole liable persons
responsible for the authorship of this work, and that all material that
has been herein included as part of the present paper is either the
property (and authorship) of the authors, or has the permission of
the owners to be included here.

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dct

O novo Bauhaus e a construção inovadora,


eficiente e facilitadora
The new Bauhaus: towards innovative, efficient,
and human-centered construction

Margarida Mateus
Fátima Rato

Resumo Abstract
O New European Bauhaus (NEB) recupera o espírito modernista The New European Bauhaus (NEB) takes the spirit of the Bauhaus
da Bauhaus e adapta-o aos desafios atuais: a urgência climática, movement and reframes it for today’s challenges: climate
o envelhecimento da população e a necessidade de dar nova vida urgency, demographic ageing, and the revitalisation of both
a cidades e aldeias. Neste artigo, exploramos como o NEB pode cities and villages. This article examines how the NEB may guide
inspirar uma construção que não seja apenas eficiente e tecnológica, construction that goes beyond efficiency and technology to become
mas também inclusiva e significativa para as comunidades. São inclusive and meaningful for communities. The discussion looks at
discutidos materiais de baixo carbono e bio-based, processos digitais low-carbon and bio-based materials, digital processes such as
como o Building Information Modelling (BIM) e a impressão 3D em Building Information Modelling (BIM) and 3D concrete printing, and
betão, e ainda estratégias de neutralidade carbónica já delineadas carbon-neutrality strategies already outlined in industry roadmaps.
em roteiros setoriais. O que parece emergir é que o NEB funciona What emerges is not so much a technical recipe, but rather an
menos como uma receita técnica e mais como um convite: alinhar invitation: to align innovation with social and human values, creating
inovação com valores sociais e humanos, criando espaços que, além built environments that are sustainable, beautiful, and capable of
de sustentáveis, sejam belos e vividos com dignidade. supporting dignity in everyday life.

Palavras-chave: New European Bauhaus / Construção sustentável / Smart cities / Keywords: New European Bauhaus / Sustainable construction / Smart cities /
/ Smart villages / Materiais de baixo carbono / Smart villages / Low-carbon materials

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O novo Bauhaus e a construção inovadora, eficiente e facilitadora
Margarida Mateus, Fátima Rato

Margarida Mateus 1 Introdução


Directora Exectutiva/Coordenadora Técnico Científica O movimento Bauhaus, fundado em 1919 por Walter Gropius, não
C5LAB, Construction Sustainable Material Association foi apenas uma escola de arquitetura e design; foi, acima de tudo,
Lisboa, Portugal uma tentativa de repensar a forma como vivemos e trabalhamos.
mmateus@[Link] A sua proposta de unir arte, funcionalidade e técnica deixou uma
marca duradoura. Mais do que um estilo visual, representou
uma ideia de futuro: construir espaços que respondessem tanto
Fátima Rato
a necessidades práticas como ao desejo profundamente humano
Head of Sustainability, Public Policy and Communications por beleza [1].
ATIC – Associação Portuguesa de Cimento Um século mais tarde, a Comissão Europeia recupera esse
Lisboa, Portugal espírito com a iniciativa New European Bauhaus (NEB). Ao colocar
fatimarato@[Link] sustentabilidade, inclusão e estética no mesmo patamar, o NEB
parece assumir que a transição climática e digital não pode ser
apenas uma questão de eficiência técnica; precisa também de
ser sentida e vivida pelas comunidades [2]. Em vez de se limitar a
edifícios mais económicos em termos energéticos, o movimento
sugere espaços que inspirem, conectem pessoas e reforcem um
sentido de pertença.
É neste contexto que a construção contemporânea ganha um papel
crítico. Tecnologias como a impressão 3D em betão, a digitalização
integral dos processos construtivos ou o recurso a materiais de
baixo carbono não são meros avanços técnicos: são ferramentas
que podem alterar a relação entre o utilizador e o espaço habitado.
Curiosamente, o NEB não se restringe ao imaginário das smart
cities. Alarga-se a territórios mais pequenos e dispersos, através do
conceito de smart villages, que parecem ser pensados para responder
a problemas muitas vezes negligenciados, como o envelhecimento
acelerado da população europeia [3].
À medida que a proporção de cidadãos seniores aumenta, torna-se
inevitável questionar: estamos a desenhar ambientes que realmente
servem esta faixa da população? As soluções terão de ir além da mera
eficiência energética. Precisam de privilegiar conforto, acessibilidade
física e digital, e até uma estética que contribua para o bem-estar
emocional. A beleza, nestes casos, não é supérflua; pode ser parte da
dignidade de viver em espaços que respeitam e valorizam as pessoas
[4].
Este artigo, por isso, propõe-se analisar o NEB não apenas como
Aviso legal slogan político, mas como um quadro conceptual e prático
As opiniões manifestadas na Revista Portuguesa de Engenharia de para repensar a construção. O objetivo é explorar de que forma
Estruturas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. pode contribuir para criar ambientes inovadores, eficientes e
humanizados, tanto em contextos urbanos (smart cities) como rurais
Legal notice (smart villages).
The views expressed in the Portuguese Journal of Structural Engineering
are the sole responsibility of the authors.
2 O legado Bauhaus e a sua atualização
no New European Bauhaus
A Bauhaus, fundada em 1919 em Weimar, costuma ser apresentada
como uma escola de design, mas o termo “escola” talvez seja
demasiado restritivo. O que ali se procurava era uma fusão – por
MATEUS, M. [et al.] – O novo Bauhaus e a construção inovadora, vezes harmoniosa, outras vezes tensa – entre arte, técnica e vida
eficiente e facilitadora. Revista Portuguesa de Engenharia quotidiana. Sob a liderança de Walter Gropius, e mais tarde de
de Estruturas. Ed. LNEC. Série III. n.º 29. ISSN 2183-8488. Hannes Meyer e Ludwig Mies van der Rohe, o projeto não se limitou
(novembro 2025) 69-74. a repensar a estética da arquitetura; tentou redefinir a relação entre
[Link] forma, função e sociedade [5].

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O novo Bauhaus e a construção inovadora, eficiente e facilitadora
Margarida Mateus, Fátima Rato

A herança da Bauhaus, nesse sentido, não pode ser reduzida a um com modelos de economia circular, estes materiais parecem abrir
estilo formal. Parece mais acertado descrevê-la como uma filosofia caminho para alinhar desempenho estrutural com sustentabilidade
de integração: a ideia de que espaços acessíveis, funcionais e real.
esteticamente significativos deveriam ser para todos, não apenas Outro vetor incontornável é a digitalização. O Building Information
para elites culturais. Esta democratização da beleza acabou por Modelling (BIM), os gémeos digitais e a impressão 3D em betão são
influenciar não só a arquitetura moderna, mas também políticas apresentados como soluções de precisão e eficiência. É verdade que
culturais e urbanísticas que procuraram aproximar a arte da vida permitem reduzir desperdícios e integrar melhor projeto e execução,
comum [6]. mas também sugerem uma mudança mais profunda: aproximam
Um século mais tarde, a União Europeia retoma esse espírito através a construção de uma lógica industrial, mais previsível e replicável
da iniciativa NEB, lançada em 2020 como parte do Pacto Ecológico [9]. Essa aproximação pode ser vista como promessa de flexibilidade
Europeu. O NEB assume-se como uma atualização ambiciosa do e escala, mas também levanta dúvidas sobre a estandardização
modernismo: um convite a articular sustentabilidade ambiental, excessiva e o risco de homogeneizar espaços que deveriam refletir
inclusão social e qualidade estética, três dimensões que raramente contextos locais.
convivem em pé de igualdade [2]. No entanto, a eficiência não pode ser reduzida ao digital e
A comparação histórica pode ser sugestiva. Enquanto a Bauhaus ao material. A questão energética continua central. Edifícios
original refletia a ansiedade de uma Europa em reconstrução capazes de integrar energias renováveis, gerir o seu consumo e
no pós-Primeira Guerra Mundial, o NEB responde a uma Europa até armazenar energia aparecem cada vez mais como parte da
marcada pela crise climática, pelo envelhecimento populacional equação. Quando bem pensados, estes sistemas não só reduzem
e por um imperativo de regeneração urbana e rural. Ao reunir emissões como melhoram o conforto térmico diário, e há estudos
arquitetura, engenharia, artes, ciências sociais e tecnologias que sugerem até impactos positivos na saúde e produtividade dos
digitais, este movimento parece ampliar o horizonte do ocupantes [10].
modernismo, transformando-o em algo mais próximo de um E há ainda um último aspeto que merece sublinhado: a dimensão
projeto socioambiental com impacto direto nas políticas de humana. Uma construção que se queira contemporânea não pode
planeamento [7]. ignorar a acessibilidade ou a inclusão. Projetar para populações
Deste modo, o NEB não deve ser entendido apenas como um envelhecidas, por exemplo, obriga a repensar mobilidade, interfaces
programa estético ou arquitetónico. É, acima de tudo, um digitais e até questões de conforto sensorial. Não basta ser funcional:
enquadramento cultural e político que recoloca a beleza, a os espaços têm de ser belos, no sentido mais simples e profundo
sustentabilidade e a inclusão no centro da construção europeia do termo, porque a estética também contribui para o bem-estar
contemporânea. Tal como a Bauhaus original sonhou democratizar psicológico e social [4].
o acesso à arte e à forma, o NEB procura democratizar a transição Talvez seja nesse cruzamento entre técnica e humanismo que o NEB
verde – tornando-a tangível, partilhada e, de certo modo, desejável encontra a sua força. Não se trata apenas de criar edifícios mais
para cidadãos e comunidades. eficientes, mas de imaginar ambientes que façam sentido para quem
os habita. Ambientes resilientes, sim, mas também significativos e
inspiradores.
3 Construção inovadora, eficiente
e facilitadora
A ideia de transformar a forma como construímos não é nova,
4 Smart Cities versus Smart Villages
mas a pressão atual – quer pela neutralidade carbónica, quer pelas O debate sobre o futuro da construção e do planeamento territorial
exigências de conforto e bem-estar – dá-lhe uma urgência diferente. tem-se concentrado, nos últimos anos, em dois conceitos que soam
Falar em “construção inovadora e sustentável” pode soar abstrato, familiares, mas não são sinónimos: smart cities e smart villages.
mas no fundo significa encontrar soluções que consigam equilibrar Ambos partilham a ambição de usar tecnologia e conhecimento
a tecnologia, o ambiente e as necessidades muito concretas das para criar comunidades mais sustentáveis e participativas, mas
pessoas. O NEB aparece aqui não tanto como um catálogo de diferem bastante no ponto de partida e nas prioridades que colocam
técnicas, mas como um enquadramento cultural que sugere que em cima da mesa [3].
a inovação deve ser vista também como um processo social e As cidades inteligentes surgiram como resposta direta à rápida
inclusivo [2]. urbanização. Grandes centros urbanos precisavam e ainda precisam
Um dos pontos mais visíveis dessa transformação está nos materiais. de ferramentas para lidar com congestionamento, poluição, gestão
Há quem diga que o futuro do cimento passa inevitavelmente de resíduos ou segurança. A ideia foi então equipar as cidades com
por substituições parciais de clínquer, pela incorporação de finos sensores, smart grids e plataformas digitais capazes de otimizar
reciclados oriundos de resíduos de construção e demolição, ou ainda serviços e infraestruturas [11]. Este modelo parece convincente,
pelo uso de soluções biológicas como madeira engenheirada ou mas carrega uma crítica frequente: privilegia territórios densos,
biochar [8]. Nada disto é linear: os ganhos ambientais são claros, mas onde há escala e massa crítica para justificar investimentos, e
a sua implementação levanta questões práticas de disponibilidade, tende a reproduzir desigualdades ao deixar de fora contextos mais
custos e até aceitação cultural. Ainda assim, quando articulados periféricos.

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O novo Bauhaus e a construção inovadora, eficiente e facilitadora
Margarida Mateus, Fátima Rato

As aldeias inteligentes, por sua vez, procuram virar o olhar para os isolamento. Um apartamento com acessibilidade digital pode
territórios de baixa densidade. Não se trata simplesmente de levar prolongar a independência. Estes exemplos mostram que estética
soluções urbanas para o campo, mas de criar respostas adaptadas e funcionalidade, quando combinadas, têm um impacto direto na
ao meio rural, valorizando recursos locais, tradições e formas vida quotidiana.
próprias de organização social [12]. Em regiões marcadas pelo A tecnologia também entra nesta equação. A impressão 3D em
envelhecimento demográfico e pelo risco de despovoamento, as betão, por exemplo, permite criar habitações personalizadas de
smart villages podem significar desde projetos de energia renovável baixo custo, adaptadas a diferentes graus de mobilidade. Sistemas
em pequena escala até centros comunitários multifuncionais que inteligentes de monitorização, que medem desde a qualidade do ar
agregam saúde, cultura e serviços digitais [13]. até consumos energéticos, oferecem conforto adicional e segurança
Pode-se argumentar que enquanto as smart cities colocam a [15]. Claro que a adoção destes sistemas não é automática: depende
conectividade tecnológica no centro da transformação, as smart de políticas públicas, de financiamento acessível e, sobretudo, da
villages parecem mais preocupadas com a coesão comunitária aceitação pelos próprios utilizadores.
e a qualidade de vida. Esta diferença de ênfase é relevante: uma A chamada “nova arquitetura do conforto” pode, assim, ser entendida
cidade inteligente pode ser extremamente eficiente em termos de como uma arquitetura da inclusão. O envelhecimento populacional,
mobilidade ou energia, mas pouco inclusiva; uma aldeia inteligente longe de ser apenas uma carga para os sistemas de saúde ou
pode não ter escala para grandes infraestruturas digitais, mas de segurança social, pode ser lido como uma oportunidade: a de
consegue criar ambientes de proximidade que respondem de forma repensar radicalmente como construímos, projetamos e habitamos.
mais direta a quem lá vive. O NEB, ao colocar a estética lado a lado com a sustentabilidade e a
Neste ponto, o NEB oferece um fio condutor interessante. Ao inclusão, sugere que o futuro das nossas casas, aldeias e cidades deve
insistir que sustentabilidade, inclusão e estética são inseparáveis, ser tanto eficiente como humano lugares onde envelhecer é não só
o NEB fornece uma linguagem comum para pensar tanto as possível, mas desejável.
cidades como as aldeias. Sugere que não basta digitalizar serviços
ou reduzir emissões: é preciso criar espaços belos e acessíveis que
façam sentido para pessoas e comunidades, em contextos urbanos 6 Materiais sustentáveis e inovadores para a
e rurais [2]. nova construção
Quando falamos de transformar a construção, falamos
5 O envelhecimento demográfico e a nova inevitavelmente de materiais. É neles que o impacto ambiental
mais se concentra e, por isso, é também neles que as maiores
arquitetura do conforto oportunidades de mudança parecem residir. O NEB coloca esta
O envelhecimento populacional é, provavelmente, uma das questão no centro: não basta repensar o desenho dos edifícios, é
tendências mais visíveis e incontornáveis da Europa contemporânea. preciso repensar a própria matéria de que são feitos.
Os números da Comissão Europeia (2020) apontam para um
aumento consistente da proporção de cidadãos com mais de
6.1 Materiais de baixo carbono
65 anos, e não é difícil perceber o impacto que isto terá nas formas
de habitar, nas cidades e, sobretudo, nos territórios de menor A redução da pegada de carbono do cimento e do betão continua a
densidade. Não se trata apenas de pensar em acessibilidade física, ser um desafio colossal. Entre as respostas estudadas, os cimentos
mas de redesenhar ambientes de vida que garantam dignidade, de calcário com argilas calcinadas (LC3) têm-se destacado, ao lado
autonomia e bem-estar. de alternativas que incluem escórias, cinzas volantes e pozolanas
É tentador reduzir o debate a questões técnicas – eficiência naturais. Estas soluções permitem cortes significativos nas emissões
energética, novos materiais, soluções construtivas mais limpas. Mas, sem sacrificar demasiado o desempenho estrutural [16]. Outra via
no caso das comunidades envelhecidas, o desafio é mais profundo. é a valorização de resíduos de construção e demolição (RCD): ao
O NEB insiste em três dimensões que raramente andam juntas: reincorporar finos reciclados, a indústria aproxima-se de um modelo
sustentabilidade, inclusão e estética [2]. Quando olhamos para o de economia circular, reduzindo o consumo de recursos virgens [17].
envelhecimento, estas dimensões transformam-se em necessidades Há também experiências com tecnologias de captura e utilização
muito concretas: edifícios adaptados, espaços públicos acessíveis, de CO₂ diretamente nos materiais. Processos de carbonatação
conforto térmico e acústico, mas também ambientes que sejam acelerada em betões ou argamassas não só sequestram CO₂, como
belos. A beleza aqui não é um luxo: pode funcionar como fator podem melhorar propriedades mecânicas. A investigação sobre
psicológico de bem-estar, como estímulo para a socialização e até ligantes alternativos mostra que, embora nem sempre maduros
como reforço da autoestima. para adoção em larga escala, estes materiais já apontam caminhos
A literatura sobre cidades e comunidades amigas dos idosos promissores [8].
sugere que elementos como luz natural abundante, espaços Em Portugal, esta agenda de transformação material encontra eco
verdes próximos, passeios acessíveis e habitações adaptadas no Roteiro para a Neutralidade Carbónica da Indústria Cimenteira,
não são detalhes arquitetónicos, mas determinantes de saúde e elaborado pela Associação Técnica da Indústria de Cimento (ATIC).
participação social [14]. Uma praça bem desenhada pode prevenir O documento define trajetórias tecnológicas claras para reduzir a

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O novo Bauhaus e a construção inovadora, eficiente e facilitadora
Margarida Mateus, Fátima Rato

intensidade carbónica do setor, incluindo a substituição parcial de financiamento europeu. Ele parece funcionar como um fio condutor
clínquer, a valorização de resíduos de construção e demolição, o entre passado e futuro, resgatando o espírito modernista da Bauhaus
desenvolvimento de cimentos alternativos e a implementação de e colocando-o ao serviço de uma agenda marcada pela urgência
tecnologias de captura e utilização de CO₂. Ao alinhar a investigação climática, pelo envelhecimento populacional e pela necessidade de
científica com estes compromissos setoriais, torna-se evidente que reforçar coesão social [23].
a inovação em materiais não é apenas uma ambição académica, Um primeiro ponto que merece destaque é o papel da inovação
mas um pilar estratégico para atingir a neutralidade carbónica até tecnológica e material. A literatura mostra que materiais de baixo
2050 [18]. carbono, soluções bio-based e compósitos multifuncionais têm
capacidade real de reduzir a pegada ambiental da construção [24]. Mas
6.2 Materiais bio-based convém reconhecer que a transição não é linear: há custos elevados,
cadeias de fornecimento ainda frágeis e resistências culturais no
A madeira engenheirada, como o cross-laminated timber (CLT) e o setor. A promessa de sustentabilidade pode colidir com a realidade
laminated veneer lumber (LVL), tem ganho relevância. O argumento da adoção lenta e desigual, sobretudo em contextos rurais ou em
é simples: combina-se desempenho estrutural com armazenamento economias com menor capacidade de investimento [17].
de carbono e, muitas vezes, rapidez de construção [19].
Um segundo ponto prende-se com a dualidade entre smart cities e
Portugal, em particular, tem recursos endógenos com enorme smart villages. As primeiras surgem como símbolos da modernização
potencial. A cortiça é talvez o exemplo mais óbvio, pela sua tradição
tecnológica, apoiadas em sensores, dados e redes inteligentes [11]. Já
e qualidade como isolante. Mas o biochar começa também a
as segundas, menos visíveis mediaticamente, propõem-se responder
emergir como material de interesse, seja para isolamento térmico,
a problemas muito concretos: despovoamento, envelhecimento,
seja como adição em ligantes, com benefícios ambientais acrescidos
falta de serviços básicos [25]. Talvez possamos dizer que, enquanto
[20]. Para além das vantagens técnicas, estes materiais introduzem
as cidades inteligentes apostam na eficiência, as aldeias inteligentes
identidade cultural: um edifício em cortiça não é apenas sustentável,
apostam na resiliência comunitária. O desafio é evitar que estas
é também um sinal de pertença a um território.
duas abordagens se tornem paralelas e desconectadas.
Outro eixo de reflexão inevitável é o envelhecimento demográfico.
6.3 Materiais avançados e digitais Aqui, o NEB oferece uma perspetiva que pode ser considerada até
A digitalização da construção tem permitido desenvolver materiais ousada: incluir a estética como parte da equação. Aparentemente
pensados de raiz para novas técnicas de fabrico, como a impressão secundária, a beleza dos espaços tem impacto direto no bem-estar,
3D em betão. Estes compósitos não só permitem formas na autoestima e até na saúde mental de populações mais velhas
arquitetónicas antes impensáveis, como possibilitam personalização [4]. No entanto, desenhar espaços acessíveis, belos e sustentáveis
a custos controlados [21]. implica custos e uma mudança cultural na forma como pensamos
a arquitetura. É legítimo perguntar se os governos e os mercados
Há ainda a investigação em materiais multifuncionais: superfícies
estão preparados para integrar esta visão a médio prazo.
que purificam o ar, revestimentos que regulam a humidade ou betões
que integram células fotovoltaicas. São soluções que sugerem uma Por fim, importa reconhecer que a verdadeira inovação pode residir
mudança de paradigma, em que os edifícios deixam de ser passivos e menos nas tecnologias e mais na sua articulação com valores
passam a atuar como sistemas ativos de sustentabilidade [22]. humanos. O NEB insiste numa tríade entre sustentabilidade, inclusão
e beleza, que, na prática, exige colaboração entre engenheiros,
arquitetos, artistas, decisores políticos e comunidades locais. Não
6.4 Integração no NEB é uma tarefa simples. Mas é provavelmente este cruzamento
O NEB propõe olhar para os materiais com uma lente mais ampla. A de disciplinas e saberes que permitirá criar espaços que sejam
questão não é apenas técnica, mas também social e cultural. simultaneamente eficientes, resilientes e significativos.
• Sustentabilidade: reduzir emissões e impactos ao longo do ciclo O risco, claro, é que o NEB permaneça no domínio dos discursos
de vida. inspiradores e não consiga materializar-se de forma equitativa
• Inclusão: tornar disponíveis soluções acessíveis e adaptadas a em toda a Europa. A oportunidade, por outro lado, é clara: usar a
diferentes contextos. construção não apenas como setor económico, mas como motor de
transformação cultural e social.
• Estética: devolver beleza e sentido cultural à construção.
Escolher materiais, neste contexto, não é um gesto neutro. É uma
escolha que molda não só a performance de um edifício, mas 8 Conclusões
também a forma como uma comunidade se reconhece nele. Ao longo deste artigo tentou-se mostrar que o New European
Bauhaus não é apenas um slogan político ou um exercício de
comunicação cultural. Ele funciona, antes, como um quadro que
7 Discussão procura ligar passado e futuro: recupera a herança da Bauhaus, que
Ao olhar para o percurso traçado até aqui, torna-se evidente que defendia a fusão entre forma, função e arte, e atualiza-a para um
o NEB é mais do que um exercício estético ou um programa de contexto dominado pela transição ecológica, digital e social [26].

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O novo Bauhaus e a construção inovadora, eficiente e facilitadora
Margarida Mateus, Fátima Rato

Quatro ideias centrais parecem emergir desta reflexão: materials and sustainability: Current trends. Materials and Structures,
53(1), 1-11. [Link]
1) Um diálogo entre tradição e transição. O NEB apropria-se
da visão modernista e reinterpreta-a. Se a Bauhaus original [8] Phillipson, C. (2020) – Developing age-friendly cities and communities.
Policy Press.
respondia à devastação da Primeira Guerra Mundial, o NEB
responde hoje a crises diferentes: climática, demográfica e [9] Volk, R.; Stengel, J.; Schultmann, F. (2014) – Building Information
Modeling (BIM) for existing buildings — Literature review
territorial. Essa ponte histórica sugere que a construção é
and future needs. Automation in Construction, 38, 109-127.
sempre mais do que tijolo e betão — é reflexo de contextos [Link]
sociais e políticos.
[10] Zhao, H.; Magoulès, F.; El Hami, A. (2019) – Energy efficiency and
2) O papel dos materiais e da tecnologia. Cimentos de baixo management in buildings: A review. Renewable and Sustainable Energy
carbono, madeira engenheirada, biochar ou impressão 3D são Reviews, 101, 50-64. [Link]
mais do que inovações técnicas. Representam escolhas que [11] Albino, V.; Berardi, U.; Dangelico, R.M. (2015) – Smart cities: Definitions,
têm implicações económicas e culturais. Há ganhos claros em dimensions, performance, and initiatives. Journal of Urban Technology,
sustentabilidade, mas também obstáculos: custos elevados, 22(1), 3-21. [Link]
barreiras regulatórias e alguma resistência do setor. [12] Ferreira, D.; Silva, A.; Monteiro, C. (2020) – Smart villages and rural
3) A complementaridade entre smart cities e smart villages. Uma development: Portuguese perspectives. Journal of Rural Studies,
aposta cega na digitalização urbana pode deixar para trás 78, 50-60. [Link]
territórios envelhecidos e menos densos. As aldeias inteligentes, [13] Komninos, N. (2020) – Smart cities and connected intelligence:
quando bem pensadas, podem ser laboratórios de resiliência Platforms, ecosystems and network effects. Routledge.
e coesão social. O desafio é garantir que estes dois modelos [14] Neumeier, S. (2012) – Why do social innovations in rural
não evoluem de forma desconexa, mas sim como parte de uma development matter and should they be considered more seriously
in rural development research? Sociologia Ruralis, 52(1), 48–69.
estratégia integrada.
[Link]
4) O envelhecimento como oportunidade de reimaginar a [15] Visvizi, A., & Lytras, M. D. (2019). Smart villages in the EU and beyond.
arquitetura do conforto. Não basta desenhar edifícios Emerald Publishing.
energeticamente eficientes. É necessário criar espaços
[16] European Commission. (2020) – The impact of demographic change.
acessíveis, belos e confortáveis, que promovam dignidade e Publications Office of the European Union.
bem-estar psicológico. O NEB sugere que estética não é luxo,
[17] Marikyan, D.; Papagiannidis, S.; Alamanos, E. (2019) – A systematic
mas parte da saúde e da inclusão. review of the smart home literature: A user perspective.
O risco maior talvez seja o de o NEB permanecer na retórica. Mas Technological Forecasting and Social Change, 138, 139-154.
a oportunidade é demasiado relevante para ser desperdiçada: usar [Link]
a construção não apenas como motor económico, mas como [18] World Health Organization (WHO). (2017) – Global age-friendly
instrumento cultural e social. cities: A guide. WHO Press.
Se há uma conclusão a retirar, é esta: a construção europeia do [19] Associação Técnica da Indústria de Cimento (ATIC). (2020) – Roteiro
futuro não será apenas eficiente ou digital; terá de ser também para a Neutralidade Carbónica da Indústria Cimenteira em Portugal
2050. Lisboa: ATIC.
profundamente humana. O verdadeiro sucesso do NEB residirá em
conseguir transformar princípios em práticas tangíveis, visíveis não [20] Dabaieh, M., Heinonen, J., & El-Mahdy, D. (2018). Building materials
for climate-responsive architecture. Renewable Energy and Sustainable
só em grandes cidades, mas também nas aldeias e comunidades
Development, 4(1), 1-8.
onde a vida quotidiana realmente acontece.
[21] Dias, C.; Pereira, L.; Silva, J. (2022) – Cork and biochar as sustainable
insulation materials: Performance and environmental benefits. Journal
of Cleaner Production, 370, 133457.
Referências [Link]
[1] Bason, C.,; Berg, L. (2021) – Leading public sector innovation: [22] Geng, Q.; Sun, Q.; Xu, G. (2017) – Engineered wood products in
Co-creating for a better society. Policy Press. modern construction: Sustainability and performance. Construction
[2] Droste, M. (2002) – Bauhaus, 1919–1933. Taschen. and Building Materials, 156, 83-91.
[Link]
[3] European Commission. (2021) – The New European Bauhaus:
Beautiful, sustainable, together. Publications Office of the European [23] Scrivener, K.; Martirena, F.; Bishnoi, S.; Maity, S. (2018) – Calcined clay
Union. limestone cements (LC3). Cement and Concrete Research, 114, 49-56.
[Link]
[4] Forgács, E. (1991) – Bauhaus idea and Bauhaus politics. Central
European University Press. [24] Silva, R.V.; de Brito, J.; Dhir, R.K. (2021) – Properties and composition of
recycled aggregates from construction and demolition waste suitable
[5] Whitford, F. (1984) – Bauhaus. Thames & Hudson. for concrete production. Construction and Building Materials, 271,
[6] Buswell, R. A.; Leal de Silva, W.R.; Jones, S.Z.; Dirrenberger, J. (2018).– 121495.
3D printing using concrete extrusion: A roadmap for research. Cement [25] Silva, R.V.; de Brito, J.; Dhir, R. K. (2021) – Properties and composition
and Concrete Research, 112, 37-49. of recycled aggregates from construction and demolition waste
[Link] suitable for concrete production. Construction and Building Materials,
[7] Habert, G.; Denarié, E.; Šavija, B.; Van Breugel, K. (2020) – Construction 271, 121495. [Link]

74 rpee | Série III | n.º 29 | novembro de 2025


[Link]

investigação
inovação
O Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em
Lisboa, Portugal, criado em 1946, é um instituto público de
Ciência e Tecnologia (C&T), com o estatuto de Laboratório
de Estado, que desenvolve investigação em todos os
domínios da Engenharia Civil, o que lhe confere uma
perspetiva única e multidisciplinar.

O LNEC desenvolve atividades de Investigação,


Desenvolvimento e Inovação - I&D&I - ligadas à engenharia
civil, essencialmente nos domínios das obras públicas,
da habitação e urbanismo, do ambiente, da indústria
dos materiais, componentes e outros produtos para a
construção. A atividade do LNEC visa, no essencial, a
qualidade e segurança das obras, a proteção e reabilitação
do património natural e construído e a modernização e
inovação tecnológica no sector da construção.

Ao longo da sua existência, o LNEC tem desenvolvido a sua


atividade em mais de 40 países de todos os continentes,
tanto em estudos de I&D&I, com predominância na
União Europeia, como em estudos e pareceres orientados
para a consultoria tecnológica avançada. Esta atividade
de consultoria tecnológica tem incidido num conjunto
muito diversificado de obras, nomeadamente: edifícios,
pontes, barragens, portos, praias, obras subterrâneas
e infraestruturas de transportes, bem como aspetos
relacionados com recursos hídricos e ambiente.

cooperação
divulgação

Av. do Brasil 101 | 1700-066 Lisboa | PORTUGAL | tel. 21 844 30 00 | lnec@[Link]


Missão Técnica FICEM: Descarbonização, Circularidade
e Combustíveis Alternativos na Indústria de Cimento

A Associação Portuguesa de Cimento (ATIC) recebeu a Missão Técnica da Federação


da Indústria Interamericana de Cimento (FICEM), em Portugal, entre os dias 13 e 16
de outubro de 2025, subordinada ao tema “Descarbonização, Circularidade e
Combustíveis Alternativos na Indústria de Cimento”.

O evento contou com apresentações, tais como: “Indústria de Cimento em Portugal:


Rumo à neutralidade carbónica 2050 e contexto regulatório”, por Otmar Hubscher,
Vice-Presidente da ATIC e “Implementação do Coprocessamento em Portugal:
progressos, políticas públicas, estratégias sectoriais e relacionamento com outras
partes”, por Sandro Conceição, membro do Conselho Executivo da ATIC.

Ao longo da Missão, realizaram-se várias visitas técnicas, das quais se destacam:

CIMPOR Souselas SECIL Outão

C5Lab Sustainable Construction Materials Association AVE - Gestão Ambiental e Valorização Energética

Para mais informações, convidamos a visitar o website e o LinkedIn da ATIC.


Próximos eventos

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COPENHAGEN 2026 Incheon 2026
Tivoli Hotel & Congress Center 16-18 September April 2026
Incheon, Republic of Korea

21-24 April 2026


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Structural Innovation and Hyper-Expansion

Mais informações em: Mais informações em:


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rede global exclusiva que promove o avanço da profissão e o intercâmbio técnico entre engenheiros de
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todos os números desde 1991.
• Acesso gratuito a e-books da série Structural Engineering Documents (SED) e Case Studies (CS).
• Tarifas reduzidas para participação em conferências IABSE em todo o mundo.
• Acesso gratuito às atas das conferências após um ano de embargo.
• Oportunidade de integrar Grupos Técnicos da IABSE.
• Programa Young Engineers Programme (YEP), destinado a membros com menos de 35 anos.
• Área exclusiva para membros, com diretório profissional, vídeos de conferências e outros recursos.
• Subscrição gratuita da newsletter mensal da IABSE e possibilidade de publicar anúncios de emprego
sem custos em [Link].

A edição de novembro de 2025 da revista SEI abordará um tema especialmente atual — Inteligência
Artificial na Engenharia Estrutural — reunindo artigos de investigação e exemplos de aplicação prática de
novas tecnologias no projeto e na gestão de estruturas.
Ser membro da IABSE é fortalecer o compromisso com a excelência e a inovação em engenharia
estrutural, mantendo-se conectado a uma comunidade verdadeiramente global.
Structural Concrete 2050
Towards Carbon Neutrality, AI Design, and Robotic Construction
Lisbon, June 15-19, 2026

[Link]

Join us at the 7th fib Congress, Keynote speakers


a remarkable five-day event in Lisbon Jose M. Adam Towards robust prefabricated building structures
Miguel Lourenço Stress field models: Powerful engineering tool from conceptual design up to detailed design
• 1000+ Abstracts submitted
Kenneth J. Elwood Seismic Retrofit of existing concrete buildings in New Zealand: challenges & opportunities
• 42 Special sessions Carmen Andrade Perdrix Residual mechanical properties of corroded reinforcement
• 8 Keynote lectures Geert De Schutter Active rheology control for 3D Concrete printing
• 18 Sponsors already supporting the event Ann Harrer Heritage concrete: Conservation approaches and implementation of repairs
• 10 Technical Associations + 4 Media Partners Markus König Artificial Intelligence in concrete construction: innovations for a sustainable future
• Sponsors, Students and Social Media Competitions Sylvia Keßler Shaping the digital future of structural concrete: the role of fib

Sponsorship and Exhibition


Additional information on the Congress website:
Sponsorship options are still available at the Congress website. For enquiries and sponsorship registration,
[Link]
please contact us at info@[Link]
Simpósio GPBE
60 anos
6 NOVEMBRO 2026

Segunda Geração do Eurocódigo 2


Coordenado por: Prof. João Almeida, Presidente da SC2 da CT115 – Eurocódigos Estruturais

Novidades da norma e respetivo Anexo Nacional, que entrarão


em vigor em setembro de 2027. Apresentação de casos de obra.

O evento incluirá ainda:

Prémio Prémio
Jovens Mestres Melhor Tese de Doutoramento
2026 em Betão Estrutural 2026

Medalhas de Mérito & Celebração dos 60 anos do GPBE

Mais informações e Regulamentos dos Prémios em breve.

Organização: Apoio:
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