PROJUDI - Processo: 0020682-24.2025.8.04.1000 - Ref. mov. 60.
1 - Assinado digitalmente por Aurea Lina Gomes Araujo
30/04/2026: JULGADA PROCEDENTE A AÇÃO. Arq: Sentença
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO AMAZONAS
COMARCA DE MANAUS
9ª VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE MANAUS - FAMÍLIA -
PROJUDI
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Processo n.: 0020682-24.2025.8.04.1000
Classe processual: Alimentos - Lei Especial Nº 5.478/68
Assunto principal: Alimentos
Autor(s): • ANTHONY GABRIEL RODRIGUES DA SILVA representado(a) por LEOZIANE
CAMPOS RODRIGUES, A DEFENSORIA PUBLICA DO ESTADO DO
AMAZONAS
Réu(s): • MARCELO RODRIGUES DA SILVA
Documento assinado digitalmente - TJAM
SENTENÇA
Trata-se de ação de alimentos ajuizada por ANTHONY GABRIEL RODRIGUES DA
SILVA, menor, nascido em 31/12/2023, representado por sua genitora LEOZIANE CAMPOS
RODRIGUES, em face de MARCELO RODRIGUES DA SILVA, seu genitor, objetivando a fixação de
alimentos definitivos em favor do alimentando.
Narra a inicial que a guarda de fato do menor sempre esteve sob a responsabilidade da
genitora, que o requerido não contribui voluntariamente para o sustento do filho e que há histórico de
violência doméstica, com medidas protetivas vigentes. Requer a fixação dos alimentos definitivos no
percentual de 30% (trinta por cento) dos vencimentos líquidos do requerido.
Os alimentos provisórios foram fixados em 25% dos rendimentos líquidos do réu (art. 4º
da Lei nº 5.478/68 e art. 300 do CPC), com determinação de desconto em folha de pagamento junto à
empresa PCE Embalagens.
O requerido foi regularmente citado por hora certa, nos termos dos arts. 252 a 254 do
CPC, ante sua ocultação, e apresentou contestação por negativa geral por meio da Defensoria Pública.
Proferida decisão saneadora, as partes foram intimadas acerca da possibilidade de
julgamento antecipado do mérito, nos termos do art. 357, § 1º, do CPC. A parte autora manifestou-se
expressamente concordando com o julgamento antecipado. O requerido quedou-se inerte.
O Ministério Público ofertou parecer opinando pela fixação dos alimentos definitivos
em 30% dos vencimentos líquidos do requerido ou, alternativamente, em caso de desemprego ou
informalidade, em 30% do salário mínimo vigente.
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É o relatório. Fundamento e decido.
O julgamento antecipado do mérito encontra amparo no art. 355, inciso I, do Código de
Processo Civil, porquanto a causa versa exclusivamente sobre direito e os fatos já estão suficientemente
comprovados pelos documentos acostados aos autos, não havendo necessidade de produção de outras
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provas. As partes foram intimadas da possibilidade de julgamento antecipado e a parte autora concordou
expressamente com tal providência, ao passo que o requerido não se manifestou no prazo assinalado.
A obrigação de prestar alimentos ao filho decorre diretamente do poder familiar e do
dever de sustento imposto por lei. O art. 1.566, inciso IV, do Código Civil estabelece como dever de
ambos os cônjuges o sustento, guarda e educação dos filhos. O art. 1.694 do mesmo diploma legal
assegura aos parentes, cônjuges ou companheiros o direito de pedir uns aos outros os alimentos de que
necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, incluindo as necessidades de
educação.
A obrigação alimentar em favor de filho menor possui ainda fundamento constitucional
expresso. O art. 227 da Constituição Federal de 1988 impõe à família, à sociedade e ao Estado o dever de
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assegurar à criança, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação e à
convivência familiar. Na mesma esteira, o art. 22 do Estatuto da Criança e do Adolescente dispõe que aos
pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores.
A existência do vínculo de paternidade restou devidamente comprovada pela certidão de
nascimento acostada aos autos, sendo incontroversa a filiação entre o autor e o réu.
A fixação do quantum alimentar, nos termos do art. 1.694, § 1º, do Código Civil, deve
observar o trinômio necessidade-possibilidade-proporcionalidade.
Quanto às necessidades do alimentando, estas são presumidas de forma absoluta em
razão da menoridade do beneficiário. ANTHONY GABRIEL conta com menos de dois anos de idade,
fase da vida que demanda gastos contínuos e essenciais com alimentação, saúde, higiene, educação,
vestuário e moradia. Por força do art. 1.696 do Código Civil e dos arts. 22 e 33 do ECA, as necessidades
da criança são inerentes à sua condição de pessoa em desenvolvimento, independendo de prova específica
quanto à sua existência, muito embora sua extensão possa ser demonstrada.
Quanto à possibilidade do alimentante, os elementos probatórios constantes dos autos
demonstram que o requerido possui vínculo empregatício formal ativo, conforme extrato obtido por meio
do sistema PREVJUD. Ademais, o requerido foi citado regularmente e, embora tenha apresentado
contestação por negativa geral, não produziu qualquer prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo
de sua capacidade financeira, ônus que lhe incumbia nos termos do art. 373, inciso II, do CPC. A
contestação por negativa geral, na espécie, não é suficiente para afastar a presunção decorrente do vínculo
formal de emprego demonstrado nos autos.
Quanto à proporcionalidade, a fixação dos alimentos em percentual sobre os
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rendimentos líquidos do alimentante é critério que se afigura técnica e juridicamente adequado, por
garantir a compatibilidade permanente entre a prestação alimentar e a capacidade econômica do devedor,
assegurando ao mesmo tempo o sustento digno do alimentando sem onerar excessivamente o alimentante.
O percentual de 30% (trinta por cento) dos vencimentos líquidos mostra-se razoável e proporcional para o
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sustento de um filho menor, estando em consonância com o patamar pleiteado na inicial e com o parecer
ministerial, e guarda proporcionalidade com os encargos decorrentes da paternidade responsável.
Conforme determinado na decisão saneadora e em observância à Resolução CNJ nº
492/2023, que institui o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, o julgamento leva em
consideração o contexto de violência doméstica relatado nos autos e a situação de vulnerabilidade da
genitora, que assume com exclusividade os cuidados cotidianos do menor. Tal cenário reforça a
necessidade de fixação de alimentos em patamar que efetivamente contribua para o sustento da criança,
evitando que a assimetria de gênero na distribuição dos cuidados resulte em prejuízo ao alimentando.
Considerando a possibilidade superveniente de desemprego ou ingresso do requerido na
informalidade, impõe-se fixar, alternativamente, o valor dos alimentos com base no salário-mínimo
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nacional vigente, garantindo a continuidade da prestação alimentar em qualquer circunstância, em
observância ao princípio da irrenunciabilidade e da irredutibilidade dos alimentos (art. 1.707 do Código
Civil).
Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido formulado na inicial para
CONDENAR MARCELO RODRIGUES DA SILVA ao pagamento de alimentos definitivos em favor de
seu filho ANTHONY GABRIEL RODRIGUES DA SILVA, no percentual de 30% (trinta por cento) de
seus vencimentos líquidos, incluídas todas as verbas de natureza remuneratória, tais como horas extras,
gratificações, abonos e décimo terceiro salário, excluídos apenas os descontos de caráter obrigatório
(INSS e IRRF), mediante desconto em folha de pagamento junto à empresa PCE Embalagens ou eventual
empregador futuro, com depósito na conta bancária indicada pela parte autora.
Alternativamente, na hipótese de desemprego, trabalho informal ou qualquer outra
situação que impeça o desconto em folha, os alimentos ficam fixados em 30% (trinta por cento) do salário
mínimo nacional vigente, devendo ser pagos até o dia 10 (dez) de cada mês, mediante depósito na conta
bancária indicada pela representante do autor.
Nos termos do artigo 1.012, §1º, inciso II, do Código de Processo Civil, eventual
recurso de apelação interposto contra a presente sentença será recebido apenas no efeito devolutivo, uma
vez que se trata de decisão que condena a pagar alimentos. Assim, a presente decisão produzirá efeitos
imediatamente após sua publicação, independentemente da interposição de recurso, devendo ser
expedido ofício ao empregador do alimentante para desconto em folha de pagamento do novo
percentual fixado.
Condeno o requerido ao pagamento das custas processuais e honorários, nos termos do
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art. 82, § 2º, do CPC, suspendendo-se, contudo, a exigibilidade pelo prazo de 5 (cinco) anos, nos termos
do art. 98, § 3º, do CPC, em razão da gratuidade de justiça deferida.
Transitada em julgado, arquivem-se os autos, com as cautelas de praxe.
Intimem-se as partes e o Ministério Público.
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Cumpra-se.
Manaus, 30 de Abril de 2026.
Áurea Lina Gomes Araújo
Juíza de Direito
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