2.1.
Conceitos Básicos
2.1.1. Controlo da Administração Pública
Segundo AMARAL (1988), o controle da acção administrativa de Estado é um conjunto de
mecanismos jurídicos e institucionais destinados a fiscalizar, verificar e corrigir a actuação dos
órgãos e entidades administrativas, assegurando que suas actividades estejam em conformidade
com a legalidade, moralidade, eficiência e demais princípios constitucionais (p.32).
ParaCaetano(1999),controlo da ação administrativa do Estado em Moçambique é um instrument
o central de governança democrática, assegurando que os órgãos públicos atuem conforme a lei
, os princípios da imparcialidade e em prol do interesse público. Este controlo baseia-se em três p
ilares:
Legalidade e Justiça Administrativa: A ação do Estado deve respeitar a Constituição e a legi
slação vigente. Os cidadãos podem recorrer ao Tribunal Administrativo de Moçambique p
ara contestar atos administrativos, obtendo supervisão independente sobre decisões públicas
Transparência e Prestação de Contas: O Estado deve gerir recursos públicos de forma eficie
nte e transparente, permitindo o acesso do cidadão à informação sobre decisões e utilização d
e fundos.
Imparcialidade e Integridade: Titulares de cargos administrativos devem abster-se de conflit
os de interesse, garantindo que as decisões não beneficiem interesses próprios ou familiares (
p.134).
2.1.2. Mecanismos de Controle
2.1.3. Controle Interno e Hierárquico
Na óptica de Rivero (1981), o controle interno ocorre dentro da própria administração, por meio
da supervisão hierárquica. Os agentes administrativos estão sujeitos à autoridade de seus
superiores, que podem revisar, suspender ou anular actos ilegais ou irregulares. Este controle
garante que os actos administrativos respeitem a competência, a forma, a fundamentação e os
limites legais (p. 87).
2.1.3. Controle Tutelar e Descentralização
A Lei n.º 5/2019 estabelece a tutela do Estado sobre órgãos de governação descentralizada e
autarquias locais, permitindo ao governo central supervisionar actos e contractos administrativos
desses órgãos. No entanto, a coexistência de órgãos com competências semelhantes pode gerar
conflitos de jurisdição, exigindo aprimoramento das normas constitucionais e regulamentares.
2.1.4. Controle Judicial e Responsabilidade Administrativa
Para SOUSA (2006), o controle judicial é exercido por tribunais administrativos, que verificam a
legalidade dos actos e podem declarar sua nulidade ou obrigar a reparação de danos. Além disso,
a responsabilidade administrativa do Estado prevê que agentes públicos respondam disciplinar,
civil e criminalmente por actos ilegais ou abusivos, com sanções que vão desde advertência até
demissão ou expulsão do serviço público (p.43).
2.1.5. Princípios Fundamentais
O controle da acção administrativa em Moçambique é orientado por princípios constitucionais,
como a legalidade, a separação de poderes, a descentralização e a finalidade pública. A
administração deve sempre perseguir o interesse público, utilizando meios legais e respeitando
os direitos dos cidadãos. A existência de uma jurisdição administrativa separada da comum
reforça a independência e a especialização do controle.
2.1.6. Mecanismos de Efectivação
De acordo com DIAS (2006), a efectivação do controlo administrativo ocorre por meio de:
2.1.7. Tribunais e organismos de fiscalização:
O Tribunal Administrativo garante justiça administrativa, fiscal e aduaneira, verificando ab
usos e falhas na gestão pública
Mecanismos de auditoria interna e externa monitorizam a execução orçamental e o cumprime
nto de normas legais.
2.1.8. Normas e procedimentos formais:
Regulamentações sobre a prestação de contas, confidencialidade e integridade institucional d
efinem obrigações claras para órgãos públicos, permitindo que ações ilegítimas sejam identifi
cadas e sancionadas.
2.1.9. Participação cidadão:
Queixas e denúncias de cidadãos são canais para acionar o controlo da administração, motiva
ndo correção de práticas administrativas inadequadas.
2.1.10. Eficácia do Controlo em Prol dos Cidadãos Hoje
Apesar da estrutura formal existente, a eficácia actual apresenta nuances:
Aspectos Positivos:
Existência de tribunais especializados e normas regulatórias claras assegura canais legais de
recurso para os cidadãos.
Programas de formação e campanhas anticorrupção reforçam a cultura de responsabilidade
pública e transparência.
2.2. Desafios e limitações:
Celeridade processual limitada: Processos judiciais e administrativos podem ser lentos, red
uzindo a percepção de eficácia imediata para o cidadão.
Capacidade institucional desigual: Algumas regiões enfrentam escassez de pessoal qualific
ado e recursos, o que compromete a implementação uniforme das regras.
Barreiras de acesso: A população, especialmente em zonas rurais, pode ter dificuldades de a
cesso a informações ou mecanismos de reclamação.
2.2.1. Impacto prático:
Em áreas urbanas com maior presença institucional, o cidadão consegue recorrer a tribunais e
receber respostas mais rápidas.
Em médias e pequenas localidades, a eficácia se mantém limitada, muitas vezes dependendo
da iniciativa individual do cidadão e da conscientização sobre seus direitos.
Referencia Bibliografica
AMARAL, Diogo Freitas do. (1988). Curso de Direito [Link]. IV, Lisboa.
CAETANO, Marcelo. (1999). Manual de Direito Administrativo. [Link], 10 edição, 6
reimpressão, revista e actualizada pelo prof. Doutor Diogo Freitas do Amaral. Tomo II,
Almedina, Coimbra.
DIAS, José Eduardo Figueiredo. (2006). Noções fundamentais de direito administrativo. Edições
Almedina, SA, Coimbra, 2006.
RIVERO, Jean. (1981). Direito Administrativo. tradução de Doutor Rogério Ehrhardt Soares, Livraria
Almedina, Coimbra.
SOUSA, Marcelo Rebelo de Sousa. (2006). Direito administrativo geral: introdução e princípios
fundamentais. tomo I, 2ª edição, Lisboa.
Conceitos Básicos
Meios de acção da Administração Pública
Segundo CAETANO (1996) no contexto do Direito Administrativo, os meios de acção da
Administração Pública referem-se aos métodos e instrumentos jurídicos e administrativos por
meio dos quais o Estado exerce suas competências. Esses meios garantem que a Administração
possa actuar eficazmente, respeitando a legalidade, a eficiência e a impessoalidade, princípios
fundamentais da gestão pública( p.45).
Principais Meios de Acção da Administração Pública
Segundo SOUSA, Marcelo Rebelo de Sousa, MATOS, André Salgado de. (2006), os Principais
Meios de Acção da Administração Pública:
Atos Administrativos
São manifestações de vontade da Administração Pública que visam produzir efeitos jurídicos no
mundo externo, regulando direitos e obrigações de particulares ou da própria Administração.
Contribuição nas atribuições: Permitem à Administração actuar de forma directa e imediata,
criando, modificando ou extinguindo direitos sujeitos à lei, garantindo execução eficaz das
políticas públicas e permitindo controle judicial dos actos .
Poder Regulamentar
Consiste na competência de elaborar normas complementares ou detalhamentos de leis,
respeitando os limites legais, sem contradição ao ordenamento jurídico superior.
Contribuição nas atribuições: Confere maior autonomia técnica e operacional ao Estado para
detalhar e implementar políticas públicas, normalizar serviços e reforçar o papel regulador da
Administração.
Prestação de Serviços Públicos
Engloba actividades voltadas à satisfação de necessidades colectivas, podendo ser de carácter
obrigatório, exclusivo ou delegável (por concessão ou permissão a entidades privadas).
Contribuição nas atribuições: A prestação directa ou indirecta de serviços assegura concretização
do interesse público, fortalece a presença do Estado na vida social e promove desenvolvimento e
equidade.
Importância dos Meios de Acção da Administração Pública
Garantem a eficácia e legalidade das actividades públicas, permitindo ao Estado implementar
políticas e atender às necessidades sociais.
Permitem a coordenação e controle das diversas áreas da Administração Pública,
assegurando que as acções estejam dentro dos limites legais.
Servem como instrumentos de transparência e responsabilidade, já que actos e procedimentos
são documentados e passíveis de fiscalização.
Complementaridade e Fortalecimento das Atribuições
Para CAETANO, Marcelo (1999), Complementaridade e Fortalecimento das Atribuições:
Integração e Especialização: A combinação de actos administrativos, regulamentos e
serviços permite que a Administração distribua responsabilidades de forma hierárquica ou
descentralizada, aumentando eficiência e alinhamento com políticas públicas .
Controle e Legalidade: O uso formalizado de meios de acção assegura legitimidade,
possibilita fiscalização interna e externa, previne abusos e garante direitos dos cidadãos
Inovação e Modernização: Por meio da integração de tecnologia e gestão estratégica, os
meios de acção tornam-se mais ágeis e adaptáveis às demandas sociais contemporâneas,
fortalecendo o desempenho organizacional e a capacidade de resposta do Estado .
Participação Cidadão: A clareza na actuação da Administração Pública e o uso estruturado
de actos, normas e serviços permitem ao cidadão compreender, interagir e fiscalizar a gestão
pública, aumentando transparência e legitimidade.
Referencia Bibliográfica
CAETANO, Marcelo.(1996). Princípios fundamentais do Direito Administrativo. Reimpressão
da edição Brasileira de 1977, 1ª reimpressão Portuguesa, Livraria Almedina, Coimbra.
SOUSA, Marcelo Rebelo de Sousa, MATOS, André Salgado de. (2006). Direito Administrativo
Geral: Introdução e princípios fundamentais. tomo I, 2ª edição, Lisboa.
SOUSA, Marcelo Rebelo de Sousa, MATOS, André Salgado de. (2007).Direito Administrativo
Geral: actividade administrativa, tomo III, 1ª edição, Coimbra Editora.
CAETANO, Marcelo. (1999). Manual de Direito Administrativo. [Link], 10 edição, 6
reimpressão, revista e actualizada pelo prof. Doutor Diogo Freitas do Amaral. Tomo II,
Almedina, Coimbra.