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Trabalho Rogério

O documento aborda os procedimentos nos tribunais, destacando a importância da uniformização da jurisprudência e a criação de enunciados de súmula. Ele detalha a ordem dos processos, atribuições do relator, e os procedimentos para incidentes de assunção de competência, arguição de inconstitucionalidade e conflitos de competência. Além disso, aborda a homologação de decisões estrangeiras e a execução de cartas rogatórias, estabelecendo requisitos e procedimentos específicos.

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Trabalho Rogério

O documento aborda os procedimentos nos tribunais, destacando a importância da uniformização da jurisprudência e a criação de enunciados de súmula. Ele detalha a ordem dos processos, atribuições do relator, e os procedimentos para incidentes de assunção de competência, arguição de inconstitucionalidade e conflitos de competência. Além disso, aborda a homologação de decisões estrangeiras e a execução de cartas rogatórias, estabelecendo requisitos e procedimentos específicos.

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RESUMO DOS PROCEDIMENTOS NOS TRIBUNAIS

Faculdade Atenas

João Lucas da Silva Lima


6º Período

João Pinheiro
2024
OBS: Parte geral feita em tópicos para facilitar o entendimento na hora do estudo.

CAPÍTULO I
(PARTE GERAL)
Das disposições Gerais dos Procedimentos nos Tribunais

Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e


coerente.
Podem editar enunciados de súmula correspondentes à jurisprudência dominante,
seguindo os pressupostos do regimento interno.
Ao criar esses enunciados, devem considerar as circunstâncias fáticas dos
precedentes que os motivaram.
Juízes e tribunais devem observar:
Decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de
constitucionalidade.
Enunciados de súmula vinculante.
Acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas
repetitivas, bem como em julgamento de recursos extraordinário e especial
repetitivos.
Enunciados das súmulas do STF em matéria constitucional e do STJ em matéria
infraconstitucional.
Orientações do plenário ou órgão especial aos quais estão vinculados.
Devem seguir o disposto no art. 10 e no art. 489, § 1º, ao decidirem com base nesse
artigo.
Alterações de tese jurídica em enunciados de súmula ou casos repetitivos podem
envolver audiências públicas e participação de interessados.
Em caso de mudança na jurisprudência dominante, pode haver modulação dos
efeitos para preservar o interesse social e a segurança jurídica.
Modificações em enunciados de súmula devem ser fundamentadas, considerando
princípios como segurança jurídica e proteção da confiança.
Os tribunais devem divulgar seus precedentes, preferencialmente online.
Julgamento de casos repetitivos refere-se a decisões proferidas em:
Incidente de resolução de demandas repetitivas.
Recursos especiais e extraordinários repetitivos.
O objeto desse julgamento é uma questão de direito material ou processual.

CAPÍTULO II
(PARTE GERAL)
Da ordem dos Processos nos Tribunais

Registro dos Autos no Protocolo do Tribunal (Art. 929):


Quando os autos de um processo chegam ao tribunal, eles são registrados no
protocolo.
A secretaria do tribunal organiza os autos e os distribui imediatamente.
Distribuição dos Autos (Art. 930):
A distribuição dos autos segue as regras do regimento interno do tribunal.
Pode ser feita de forma alternada ou por sorteio eletrônico, sempre com publicidade.
O primeiro recurso protocolado torna o relator responsável por recursos
subsequentes no mesmo processo ou conexos.
Conclusão ao Relator (Art. 931):
Após a distribuição, os autos são encaminhados imediatamente ao relator.
O relator tem 30 dias para elaborar seu voto e devolver os autos à secretaria,
acompanhados de um relatório.
Atribuições do Relator (Art. 932):
O relator tem várias responsabilidades, incluindo:
Direcionar e ordenar o processo no tribunal.
Avaliar pedidos de tutela provisória.
Não conhecer de recursos inadmissíveis ou que não impugnem os fundamentos da
decisão recorrida.
Negar provimento a recursos contrários a súmulas ou entendimentos firmados em
tribunais superiores.
Decidir sobre a desconsideração da personalidade jurídica.
Intimar o Ministério Público quando necessário.
Exercer outras funções definidas no regimento interno.
Prazo para Sanar Vícios (Parágrafo único):
Antes de considerar um recurso inadmissível, o relator concede ao recorrente 5 dias
para corrigir eventuais problemas na documentação.
Quando o relator percebe um fato novo após a decisão recorrida ou identifica uma
questão relevante que ainda não foi analisada, ele intima as partes para que se
manifestem em até 5 dias. Se essa constatação ocorrer durante a sessão de
julgamento, a sessão é suspensa para que as partes se manifestem. Se a constatação
for feita nos autos, o relator toma providências e inclui o caso na pauta para
julgamento.
Após a manifestação das partes, os autos são apresentados ao presidente do tribunal,
que designa o dia para o julgamento. A pauta é publicada no órgão oficial.
Entre a publicação da pauta e a sessão de julgamento, deve haver pelo menos 5 dias.
Os processos não julgados são incluídos em nova pauta, exceto aqueles
expressamente adiados para a próxima sessão.
A ordem de julgamento segue critérios como sustentação oral, requerimentos de
preferência e processos iniciados em sessões anteriores.
Na sessão de julgamento, o relator expõe a causa, e o presidente dá a palavra ao
recorrente, recorrido e, se necessário, ao Ministério Público. Cada um tem 15
minutos para sustentar suas razões. Isso se aplica a diversos tipos de recursos e
processos:
I - no recurso de apelação;
II - no recurso ordinário;
III - no recurso especial;
IV - no recurso extraordinário;
V - nos embargos de divergência;
VI - na ação rescisória, no mandado de segurança e na reclamação;
VII - (VETADO)
VIII - no agravo de instrumento interposto contra decisões interlocutórias que
versem sobre tutelas provisórias de urgência ou da evidência;
IX - em outras hipóteses previstas em lei ou no regimento interno do tribunal.
§ 1º A sustentação oral no incidente de resolução de demandas repetitivas observará
o disposto no art. 984, no que couber.
§ 2º O procurador que desejar proferir sustentação oral poderá requerer, até o início
da sessão, que o processo seja julgado em primeiro lugar, sem prejuízo das
preferências legais.
§ 3º Nos processos de competência originária previstos no inciso VI, caberá
sustentação oral no agravo interno interposto contra decisão de relator que o extinga.
§ 4º É permitido ao advogado com domicílio profissional em cidade diversa daquela
onde está sediado o tribunal realizar sustentação oral por meio de videoconferência
ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real, desde
que o requeira até o dia anterior ao da sessão.
Questão Preliminar e Mérito
Antes de julgar o mérito de um caso, o tribunal deve resolver questões preliminares.
Se houver algum problema corrigível (vício sanável), o relator pode ordenar a
realização ou renovação de atos processuais.
O julgamento pode ser convertido em diligência para produção de prova.
O órgão competente também pode tomar providências nesse sentido.
Vista e Reinclusão em Pauta
Um juiz que não se sinta preparado para votar pode solicitar vista (prazo máximo de
10 dias).
Se os autos não forem devolvidos a tempo, o presidente do tribunal os requisitará
para julgamento na próxima sessão.
Resultado do Julgamento e Voto
Após os votos, o presidente anuncia o resultado.
O voto pode ser alterado até a proclamação do resultado.
Em apelações ou agravos de instrumento, a decisão é tomada pelo voto de 3 juízes.
O voto vencido faz parte do acórdão.
Julgamento Não Unânime
Se o resultado não for unânime, o julgamento continua com outros julgadores.
Eles podem reverter o resultado inicial.
As partes têm direito a sustentar oralmente suas razões.
Essa técnica também se aplica a ações rescisórias e agravos de instrumento.
Exceções: incidente de assunção de competência, remessa necessária e julgamento
não unânime pelo plenário ou corte especial.
Registro Eletrônico de Votos, Acórdãos e Atos Processuais (Art. 943):
Os votos, acórdãos e outros atos processuais podem ser registrados em formato
eletrônico, com assinatura digital, conforme a lei.
Quando o processo não for eletrônico, esses documentos devem ser impressos e
anexados aos autos.
Todo acórdão deve conter uma ementa (resumo).
Publicação do Acórdão
Se o acórdão não for publicado no prazo de 30 dias após a sessão de julgamento, as
notas taquigráficas o substituirão automaticamente, sem necessidade de revisão.
O presidente do tribunal deve lavrar as conclusões e a ementa do acórdão e
providenciar sua publicação.
Julgamento Eletrônico
O órgão julgador pode optar pelo julgamento eletrônico em recursos e processos que
não permitem sustentação oral.
O relator informará às partes sobre o julgamento eletrônico por meio do Diário da
Justiça.
As partes têm 5 dias para apresentar memoriais ou discordar do julgamento
eletrônico.
A discordância não precisa ser justificada e pode levar ao julgamento presencial se
necessário.
Precedência do Agravo de Instrumento
O agravo de instrumento deve ser julgado antes da apelação no mesmo processo.
Se ambos os recursos forem julgados na mesma sessão, o agravo de instrumento tem
prioridade.

CAPÍTULO III
Do incidente de Assunção de Competência (Art.947)

Cabimento:
Segundo o caput do dispositivo, é admissível o incidente de assunção de
competência quando o julgamento de recurso, de remessa necessária ou de processo
de competência originária envolver relevante questão de direito, com grande
repercussão social, sem repetição em múltiplos processos.
Sendo necessário o trâmite de um recurso, remessa necessária ou processo de
competência originária para que o incidente seja instaurado, parece não haver
dúvida de que somente os tribunais terão competência para decidi-lo.
Como se pode notar do dispositivo legal, há um requisito positivo e um negativo
para o cabimento do incidente ora analisado. Para que seja cabível é imprescindível
que exista uma relevante questão de direito - que pode ser tanto de direito material
como de direito processual. Ao prever como requisito negativo do cabimento do
incidente ora analisado a existência de múltiplos processos versando sobre o
mesmo tema, o legislador deixou claro que buscou evitar a sobreposição do
incidente de resolução de demandas repetitivas e de assunção de competência.
Procedimento:
Ocorrendo a hipótese de assunção de competência, o relator proporá, de ofício ou
a requerimento da parte, do Ministério Público ou da Defensoria Pública, que seja
o recurso, a remessa necessária ou o processo de competência originária julgado
pelo órgão colegiado que o regimento indicar. O órgão colegiado julgará o recurso,
a remessa necessária ou o processo de competência originária se reconhecer
interesse público na assunção de competência.
O acórdão proferido em assunção de competência vinculará todos os juízes e órgãos
fracionários, exceto se houver revisão de tese.
Aplica-se o disposto neste artigo quando ocorrer relevante questão de direito a
respeito da qual seja conveniente a prevenção ou a composição de divergência entre
câmaras ou turmas do tribunal.

CAPÍTULO IV
Do Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade (art. 948 a 950)

O artigo 948 trata do controle difuso de constitucionalidade. Quando alguém alega


a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo do poder público em um
processo, o relator (responsável pelo caso) deve ouvir o Ministério Público e as
partes envolvidas.
Em seguida, o relator submeterá a questão à turma ou à câmara à qual compete o
conhecimento do processo. Isso significa que o órgão colegiado responsável pelo
julgamento (como uma turma de desembargadores) analisará a alegação de
inconstitucionalidade1.
O artigo 949 estabelece o que acontece após a arguição de inconstitucionalidade.
Se a alegação for rejeitada, o julgamento do processo continuará normalmente.
Por outro lado, se a alegação for acolhida, a questão será submetida ao plenário do
tribunal ou ao seu órgão especial (caso exista). Ou seja, o tribunal como um todo
decidirá sobre a constitucionalidade da lei ou ato normativo em questão.
Vale ressaltar que os órgãos fracionários dos tribunais (como câmaras ou turmas)
não submeterão a alegação de inconstitucionalidade ao plenário se já houver um
pronunciamento do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre o mesmo tema1.
O artigo 950 trata da organização prática do julgamento.
Após a decisão sobre a inconstitucionalidade, o presidente do tribunal remeterá
uma cópia do acórdão (a decisão escrita) a todos os juízes.
Além disso, as pessoas jurídicas de direito público responsáveis pela edição do ato
questionado podem se manifestar no incidente de inconstitucionalidade, desde que
observem os prazos e condições previstos no regimento interno do tribunal.
A parte legitimada para propor ações constitucionais também pode se manifestar
por escrito, apresentando memoriais ou requerendo a juntada de documentos.
Por fim, o relator pode admitir a manifestação de outros órgãos ou entidades,
considerando a relevância da matéria e a representatividade dos envolvidos.

CAPÍTULO V
Do Conflito de Competência (art. 951 A 959)

Cabimento:
Segundo o art. 66 do CPC, haverá conflito de competência em três hipóteses:
(I) quando dois ou mais juízes se declararem competentes;
(II) quando dois ou mais juízes se declararem incompetentes;
(III) quando entre dois ou mais juízes surgir controvérsia acerca da reunião
ou separação de processos.
Procedimento:
O conflito de competência será suscitado pelo juiz por meio de ofício ou pelas
partes por meio de petição, ambos dirigidos ao presidente do tribunal competente,
devendo tanto o ofício quanto a petição estar acompanhados dos documentos
necessários à prova do conflito.

CAPÍTULO VI
Da homologação de Decisão Estrangeira e da Concessão do Exequatur à
Carta Rogatória (art. 960 a 965)

O Artigo 960 estabelece que a homologação de decisão estrangeira deve ser


requerida por meio de uma ação específica, a “ação de homologação de decisão
estrangeira”. No entanto, há exceções quando tratados internacionais preveem
disposições diferentes.
Decisões interlocutórias estrangeiras (ou seja, decisões intermediárias durante um
processo) podem ser executadas no Brasil através de carta rogatória.
A homologação deve seguir o que está previsto nos tratados em vigor no Brasil e
no Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Além disso, o procedimento para homologação de decisões arbitrais estrangeiras
segue as regras estabelecidas em tratados e leis, com aplicação subsidiária das
disposições desse capítulo1.
Eficácia da Decisão Estrangeira (Art. 961):
Uma decisão estrangeira só terá eficácia no Brasil após a homologação de sentença
estrangeira ou a concessão do exequatur às cartas rogatórias, a menos que haja
disposição em contrário na lei ou em tratado.
Isso se aplica tanto a decisões judiciais definitivas quanto a decisões não judiciais
que, pela lei brasileira, teriam natureza jurisdicional.
A autoridade judiciária brasileira pode deferir pedidos de urgência e realizar atos
de execução provisória no processo de homologação de decisão estrangeira.
Também há previsão para homologação de decisões estrangeiras para fins de
execução fiscal, quando prevista em tratado ou reciprocidade1.
Medidas de Urgência e Execução (Art. 962):
Decisões estrangeiras que concedem medidas de urgência podem ser executadas
no Brasil por meio de carta rogatória.
A medida de urgência concedida sem audiência do réu pode ser executada, desde
que o contraditório seja garantido posteriormente.
O juízo sobre a urgência da medida compete exclusivamente à autoridade
jurisdicional que proferiu a decisão estrangeira.
Quando dispensada a homologação para que a sentença estrangeira produza efeitos
no Brasil, a decisão concessiva de medida de urgência depende do reconhecimento
expresso de sua validade pelo juiz competente, dispensando a homologação pelo
STJ1.
Requisitos para Homologação (Art. 963):
Para a homologação, a decisão estrangeira deve atender a requisitos como ser
proferida por autoridade competente, ter precedido citação regular, ser eficaz no
país de origem, não ofender a coisa julgada brasileira, estar acompanhada de
tradução oficial (salvo disposição em tratado) e não conter manifesta ofensa à
ordem pública.
O exequatur às cartas rogatórias também segue pressupostos semelhantes1.
Competência Exclusiva da Autoridade Judiciária Brasileira (Art. 964):
Decisões estrangeiras não serão homologadas quando se tratarem de competência
exclusiva da autoridade judiciária brasileira.
Isso também se aplica à concessão do exequatur à carta rogatória1.
Cumprimento da Decisão Estrangeira (Art. 965):
O cumprimento de decisão estrangeira ocorre perante o juízo federal competente,
a pedido da parte, seguindo as normas aplicáveis ao cumprimento de decisões
nacionais.
O pedido de execução deve ser instruído com cópia autenticada da decisão
homologatória ou do exequatur, conforme o caso

CAPÍTULO VII
Da Ação Rescisória (art. 966 a 975)

Cabimento:
Como o próprio nome sugere, a ação rescisória tem natureza jurídica de ação1,
sendo uma espécie de sucedâneo recursal externo, ou seja, meio de impugnação de
decisão judicial que se desenvolve em processo distinto daquele no qual a decisão
impugnada foi proferida, comumente chamada de ação autônoma de impugnação.
Enquanto o recurso é meio de impugnação cabível durante o trâmite processual, a
ação rescisória é remédio processual cabível somente após o trânsito em julgado,
fenômeno processual que se verifica com o esgotamento dos recursos cabíveis
contra a decisão judicial ou a ausência de interposição do recurso cabível. Além do
trânsito em julgado, o art. 966, caput, do CPC exige que a decisão a ser impugnada
por meio de ação rescisória seja de mérito.
O art. 966 do CPC prevê em seus oito incisos os vícios de rescindibilidade, sendo
considerado restritivo esse rol, de forma a não admitir rescisória fundada em
qualquer outro vício que não esteja expressamente previsto em tal dispositivo legal
Procedimento:
A ação rescisória deve ser proposta no prazo de 2 anos após o trânsito em julgado
da decisão. O autor deve demonstrar a existência do vício alegado e apresentar as
provas necessárias. A decisão rescindenda (a que se pretende anular) pode ser
anulada parcialmente, se for o caso. Importante lembrar que os atos de disposição
de direitos homologados pelo juízo também podem ser anulados. O procedimento
da ação rescisória está previsto nos artigos 968 e seguintes do CPC. O autor deve
elaborar uma petição inicial, observando os requisitos essenciais do artigo 319 do
CPC. Além do pedido de rescisão, o autor pode cumular o pedido de novo
julgamento do processo. Importante: a ação rescisória é julgada por um colegiado
(mais de um juiz), e a decisão deve ser unânime.

CAPÍTULO VIII
Do Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (art. 976 a 987)
Cabimento:
O IRDR pode ser instaurado quando ocorrerem simultaneamente os seguintes
requisitos:
Efetiva repetição de processos: Ou seja, diversos processos em tramitação que
envolvam a mesma controvérsia de direito.
Risco de ofensa à isonomia e à segurança jurídica: Quando a falta de uniformidade
nas decisões pode gerar insegurança jurídica ou desigualdade no tratamento das
partes.
Procedimento:
Requerimento e Legitimados (Art. 977 do CPC):
O pedido de instauração do IRDR pode ser feito:
Pelo juiz ou relator, por meio de ofício.
Pelos litigantes, através de petição.
Pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública, também por petição.
O ofício ou a petição deve ser instruído com os documentos necessários para
demonstrar o preenchimento dos pressupostos do incidente2.
Julgamento (Art. 978 do CPC):
O órgão responsável pela uniformização de jurisprudência do tribunal é quem
julgará o IRDR.
Esse mesmo órgão também decidirá sobre o mérito do recurso, remessa necessária
ou processo de competência originária que deu origem ao incidente1.
Publicidade e Registro (Art. 979 do CPC):
O procedimento do IRDR deve ser amplamente divulgado e registrado
eletronicamente no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Os tribunais devem manter um banco de dados atualizado com informações
específicas sobre as questões de direito submetidas ao incidente.
Esse registro eletrônico deve conter os fundamentos determinantes da decisão e os
dispositivos normativos relacionados
CAPÍTULO IX
Da Reclamação (art. 988 a 993)

Cabimento:
Cabimento da Reclamação (Art. 988):
A reclamação pode ser proposta pela parte interessada ou pelo Ministério Público
com os seguintes objetivos:
Preservar a competência do tribunal.
Garantir a autoridade das decisões do tribunal.
Assegurar a observância de decisão do Supremo Tribunal Federal em controle
concentrado de constitucionalidade.
Assegurar a observância de enunciado de súmula vinculante e de precedente
proferido em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de
competência.
Procedimento:
Procedimento da Reclamação:
A reclamação pode ser proposta perante qualquer tribunal.
O julgamento compete ao órgão jurisdicional cuja competência se busca preservar
ou cuja autoridade se pretenda garantir.
A reclamação deve ser instruída com prova documental e dirigida ao presidente do
tribunal.
Assim que recebida, a reclamação é autuada e distribuída ao relator do processo
principal.
Inadmissibilidade da Reclamação (Art. 988, § 5º):
É inadmissível a reclamação proposta após o trânsito em julgado da decisão.
Também é inadmissível a reclamação:
Quando proposta após o trânsito em julgado da decisão reclamada.
Quando visa garantir a observância de acórdão de recurso extraordinário com
repercussão geral reconhecida ou de acórdão proferido em julgamento de recursos
extraordinário ou especial repetitivos, desde que não esgotadas as instâncias
ordinárias.
Despacho da Reclamação (Art. 989):
O relator da reclamação:
Requisitará informações da autoridade responsável pelo ato impugnado.
Poderá ordenar a suspensão do processo ou do ato impugnado para evitar dano
irreparável.
Determinará a citação do beneficiário da decisão impugnada, que terá prazo para
apresentar contestação.
Impugnação do Pedido (Art. 990):
Qualquer interessado pode impugnar o pedido do reclamante.
Intervenção do Ministério Público (Art. 991):
Na reclamação que não houver sido formulada, o Ministério Público terá vista do
processo após o prazo para informações e para o oferecimento da contestação pelo
beneficiário do ato impugnado.
Julgamento e Medidas (Art. 992):
Se julgada procedente, o tribunal cassará a decisão exorbitante de seu julgado ou
determinará medida adequada à solução da controvérsia.
Cumprimento da Decisão (Art. 993):
O presidente do tribunal determinará o imediato cumprimento da decisão,
lavrando-se o acórdão posteriormente.

Referências
Código de Processo Civil
Manual de Direito Processual Civil - Vol. Único - Daniel Amorim Assumpção
Neves

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