UNIVERSIDADE UNIVERITAS GUARULHOS
ALINE BARROS DA SILVA – 28318465
PSICOLOGIA POSITIVA
Patologia I - Professor(a): Carlos Bovenso
PSICOLOGIA – 5º SEMESTRE NOTURNO
ITAQUAQUECETUBA
2026
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO .........................................................................................................3
2 METODOLOGIA ......................................................................................................5
2.1 PARTICIPANTES ..................................................................................................5
2.2 INSTRUMENTOS .................................................................................................5
2.3 PROCEDIMENTOS ..............................................................................................5
2.4 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS .................................................................................5
2.5 ANÁLISE DE DADOS ............................................................................................5
3 RESULTADOS .........................................................................................................6
4 CONSIDERAÇÕES FINAL ......................................................................................9
REFERÊNCIAS ........................................................................................................10
3
1 INTRODUÇÃO
Alvo de estudos de filosofia em diferentes épocas (LASTORIA, 2003), a
felicidade, também conhecida pelo termo científico “bem-estar subjetivo”, passou a
ser mais amplamente estudada com o surgimento de uma nova perspectiva no campo
da psicologia, preconizada por Seligman e Csikszentmihalyi (2000): a psicologia
positiva. Essa perspectiva propõe uma mudança de foco de uma ciência que, desde
a Segunda Guerra Mundial, tem priorizado os processos psicopatológicos e suas
implicações segundo o modelo médico da doença. A psicologia positiva visa incentivar
os psicólogos a adotarem uma postura mais aberta e apreciativa dos potenciais
humanos, das motivações e das capacidades que, no nível subjetivo, procuram
abarcar o estudo da felicidade (SHELDON; KING, 2001).
Sendo assim, o bem-estar subjetivo refere-se ao que as pessoas pensam e
como elas se sentem em relação às suas vidas, o que, inevitavelmente, envolve uma
avaliação subjetiva da qualidade de vida. Esta avaliação da pessoa sobre as suas
vivências pode ser feita de forma cognitiva, quando realiza um julgamento consciente
dos diversos domínios, como trabalho, lazer e relacionamentos.
O bem-estar subjetivo é, assim, uma área que tem crescido reconhecidamente
nos últimos tempos. Vale ressaltar, entretanto, uma noção importante de que o bem-
estar subjetivo não é sinônimo de saúde mental ou psicológica. Uma pessoa pode
estar feliz e satisfeita com sua vida mesmo em estado de delírio mental. Assim, o bem-
estar subjetivo não é uma condição desejável (DIENER et al., 1997).
O bem-estar subjetivo volta-se para os fatores que diferenciam as pessoas em
diferentes graus de felicidade (feliz, moderadamente feliz ou extremamente feliz) e é
definido a partir da experiência interna do respondente, ou seja, avaliado a partir da
perspectiva do próprio indivíduo (DIENER et al., 1997; DELL’AGLIO; KOLLER;
YUNES, 2006). Suas crenças sobre seu próprio bem-estar são de fundamental
importância para essa avaliação. Segundo Diener e Lucas (2000), as pessoas avaliam
as condições de vida de forma diferente, dependendo de suas expectativas, valores
e experiências prévias. Além disso, o bem-estar subjetivo focaliza também os estados
de longo prazo e não somente humores momentâneos, ainda que estejam sujeitos a
alterações conforme novos eventos venham a acontecer (DIENER et al., 1997).
4
Atualmente, encontramos alguns estudos sobre o bem-estar subjetivo de
crianças e adolescentes na literatura brasileira. Assunção Jr., Kuczynski, Spiovieri e
Aranha (2000) realizaram um estudo de validação de uma escala de avaliação da
qualidade de vida de crianças. A escala leva em consideração o contexto pediátrico e
o desenvolvimento da criança, e suas qualidades psicométricas permitem o seu uso
como um importante instrumento de avaliação diagnóstica.
Apesar da reconhecida relevância dos estudos nacionais já realizados no
campo do bem-estar subjetivo, estes ainda são escassos, principalmente no que se
refere à adolescência e à investigação da noção subjetiva que os adolescentes
possuem sobre o que venha a ser felicidade. O presente estudo teve por meta
investigar e analisar o conceito de felicidade descrito pelos adolescentes. Também
teve como objetivo verificar possíveis diferenças entre os sexos e a série no que se
refere a esse construto.
5
2 METODOLOGIA
2.1 PARTICIPANTES
Participaram deste estudo 95 adolescentes, de ambos os sexos, sendo 48
meninas (51%) e 47 meninos (49%), estudantes de escolas periféricas na cidade de
Santa Maria, RS. A idade variou entre 12 e 20 anos.
2.2 INSTRUMENTOS
Para a realização desta pesquisa, foi utilizada técnica de entrevistas individuais
a partir de um roteiro de entrevistas semiestruturadas. Roteiro de 14 questões
(GIACOMONI, 2002).
2.3 PROCEDIMENTOS
Para a realização das entrevistas, foi solicitada à 8ª Coordenadoria Regional
de Educação do RS. A entrevista foi realizada individualmente mediante o
assentimento do aluno, que já portava o consentimento de um de seus responsáveis
legais. Todas as entrevistas foram gravadas em fitas cassete (K7) e posteriormente
transcritas na íntegra.
2.4 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS
Considerando as questões éticas que devem ser observadas nas pesquisas
envolvendo seres humanos, o presente estudo cumpre as exigências, normas e
orientações da Resolução 196/96 (1996) e do Conselho Federal de Psicologia
(Resolução n. 016/2000).
2.5 ANÁLISE DE DADOS
Após a transcrição das entrevistas, as respostas obtidas para a questão foram
submetidas a uma análise de conteúdo, segundo Bardin (1979, 2004).
6
3 RESULTADOS
Com o intuito de verificar o conceito de felicidade na visão dos adolescentes,
foram referentes às seguintes questões: “O que vem à sua cabeça quando tu pensas
em felicidade?” (Questão 1) e “O que é estar feliz?” (Questão 2).
Para cada questão foram elencadas categorias temáticas, seguidas de suas
respectivas definições, as quais partiram dos critérios de exclusão, recorrências de
conteúdo, pertinência e homogeneidade, ou seja, as definições deveriam ser bem
claras o suficiente para que um item pertencesse a apenas uma categoria, conforme
o recomendado por Bardin (1979, 2004).
1. Família – seus membros, eventos e relacionamentos.
2. Sentimentos – refere-se a entidades consideradas abstratas, ao descrever
sentimentos.
3. Amizade – “estar entre amigos”, “sair com amigos”.
4. Autorreferência – “em mim”, “meu futuro”.
5. Atividades de lazer – refere-se a ações diversas realizadas pelos sujeitos,
como “sair”, “praticar esportes”.
6. Relacionamentos – relações entre sujeitos: “encontrar pessoas que a gente
gosta”, “namorar”, “pessoas que gostam da gente”.
7. Satisfação de necessidades materiais e de desejo – inclui situações almejadas
pelos sujeitos, como “bens materiais”, “morar bem”, “segurança”, “condições
de vida”.
8. Escola – refere-se a atividades relacionadas ao ambiente escolar: “vir para o
colégio”, colegas, “não ter discussão no colégio”.
9. Outros – inclui qualquer referência que não possa ser incluída nas demais
categorias, como: “tudo”, “Deus”, “não sei”.
7
Considerando a frequência como o número de vezes em que um item de
resposta foi citado pelos adolescentes na questão 1, pode-se perceber que, dentre os
95 entrevistados, a categoria “sentimentos” foi a mais lembrada, seguida da categoria
“família”.
8
Pode-se perceber que, quanto ao que os adolescentes consideram ser estar
feliz, obteve-se, com maior frequência, as categorias sentimentos, satisfação de
necessidades materiais e de desejo e atividades de lazer. Chama-se atenção para a
categoria com menor frequência, “altruísmo”.
9
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este artigo teve como objetivo contribuir para a área de estudo sobre a
qualidade de vida subjetiva de adolescentes, buscando identificar os conceitos de
bem-estar subjetivo a partir da perspectiva deles. Muitas vezes, a profundidade ou
amplitude dos conflitos vivenciados pelos adolescentes, em função das novas
exigências relativas ao período de desenvolvimento, tais como a proximidade do
amadurecimento de relacionamentos amorosos e a escolha profissional, refletem-se
no índice de depressão e na queda da autoestima observados no início da
adolescência (Abaid, Dell’Aglio & Koller, 2010; Cole et al., 2002).
Os resultados aqui apresentados e discutidos podem auxiliar em ações em
diversos contextos em que vive o adolescente, sobretudo no ambiente escolar,
ocupacional e clínico.
Considerando os conceitos elucidados para a amostra do estudo, tornam-se
relevantes avaliações futuras, do ponto de vista dos próprios adolescentes, dos
fatores que garantem o seu bem-estar subjetivo. Para isso, recomenda-se, a partir da
proposta da psicologia positiva, que busca enfatizar as potencialidades do indivíduo,
o investimento em estudos que se dediquem ao desenvolvimento de instrumentos que
auxiliem a medir esse construto.
10
REFERÊNCIAS
1 ABAID, J. L. W.; DELL’AGLIO, D. D.; KOLLER, S. H. Do que eles precisam para
serem felizes? A felicidade na visão de adolescentes. Psicologia: Reflexão e Crítica,
Porto Alegre, v. 23, n. 3, p. 456–464, 2010.
2 BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2004.
3 CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução nº 016/2000 – Normas para
pesquisas com seres humanos. Brasília: Conselho Federal de Psicologia, 2000.
4 PALUDO, Simone dos Santos; KOLLER, Sílvia Helena. Psicologia positiva: uma
nova abordagem para antigas questões. Paidéia (Ribeirão Preto), v. 17, n. 36, p. 9-20,
2007.
5 SHELDON, K. M.; KING, L. Why positive psychology is necessary. American
Psychologist, v. 56, n. 3, p. 216–217, 2001. DOI: 10.1037/0003-066X.56.3.216.
6 LASTÓRIA, Luiz A. C. N. Impasses éticos na educação hoje. Educação &
Sociedade, Campinas, v. 24, n. 83, p. 429–440, ago. 2003. DOI:
10.1590/S0101-73302003000200006.
7 LASTÓRIA, L. A. C. N. Impasses éticos na educação hoje. Educação & Sociedade,
Campinas, v. 24, n. 83, p. 429–440, 2003.