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Sentença

O processo número 0800530-77.2026.8.15.2002 trata de uma ação penal por violência doméstica, onde Severino do Ramo Silva foi acusado de agredir e ameaçar sua companheira, Maria Audeisa de Sousa. A sentença condenou o réu por vias de fato e ameaça, considerando a gravidade da conduta, a presença de uma criança durante os atos e a reincidência do acusado em crimes de violência doméstica. A pena foi fixada em 29 dias de prisão simples, levando em conta as circunstâncias do caso.

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O processo número 0800530-77.2026.8.15.2002 trata de uma ação penal por violência doméstica, onde Severino do Ramo Silva foi acusado de agredir e ameaçar sua companheira, Maria Audeisa de Sousa. A sentença condenou o réu por vias de fato e ameaça, considerando a gravidade da conduta, a presença de uma criança durante os atos e a reincidência do acusado em crimes de violência doméstica. A pena foi fixada em 29 dias de prisão simples, levando em conta as circunstâncias do caso.

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Tribunal de Justiça da Paraíba

PJe - Processo Judicial Eletrônico

28/04/2026

Número: 0800530-77.2026.8.15.2002
Classe: AÇÃO PENAL - PROCEDIMENTO SUMÁRIO
Órgão julgador: 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Capital
Última distribuição : 12/01/2026
Valor da causa: R$ 0,00
Processo referência: 0800447-61.2026.8.15.2002
Assuntos: Violência Doméstica Contra a Mulher, Ameaça, Vias de fato
Segredo de justiça? SIM
Justiça gratuita? SIM
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? NÃO
Partes Procurador/Terceiro vinculado
MPPB - Violência Doméstica JP - Acervo A (AUTORIDADE)
SEVERINO DO RAMO SILVA (REU) ISABELA PRISCILA SANTOS DA NOBREGA registrado(a)
civilmente como ISABELA PRISCILA SANTOS DA
NOBREGA (ADVOGADO)
MARIA AUDEISA DE SOUSA (VITIMA) ISABEL SOUSA DE OLIVEIRA (ADVOGADO)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
15760 20/04/2026 12:02 Sentença Sentença
8034
JUIZADO DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER DA CAPITAL -
ACERVO A

PROCESSO NÚMERO: 0800530-77.2026.8.15.2002

CLASSE: AÇÃO PENAL - PROCEDIMENTO SUMÁRIO (10943)

ASSUNTO(S): [Violência Doméstica Contra a Mulher, Ameaça, Vias de fato]

AUTORIDADE: MPPB - VIOLÊNCIA DOMÉSTICA JP - ACERVO A

REU: SEVERINO DO RAMO SILVA


Advogado do(a) REU: ISABELA PRISCILA SANTOS DA NOBREGA - PB28906

SENTENÇA

Vistos.

I – RELATÓRIO

O Ministério Público do Estado da Paraíba ofereceu denúncia (ID 131520390) contra


SEVERINO DO RAMO SILVA, já qualificado nos autos, imputando-lhe a prática das condutas
tipificadas no art. 147, §1°, Código Penal, e art. 21, §2°, da LCP, ambos em concurso material e no
contexto da Lei nº 11.340/2006.

A denúncia narra que, no dia 10 de janeiro de 2026, por volta das 23h40, na residência do casal, o
denunciado, após uma discussão, empurrou sua companheira, M.A.S. Posteriormente, na madrugada do
dia 11 de janeiro de 2026, por volta das 05h00, o denunciado, de posse de uma faca e uma roçadeira,
ameaçou a vítima de morte, dizendo: "EU VOU MATAR VOCÊ". A denúncia detalha que o filho do
casal, de 13 anos, interveio, colocando-se na frente da mãe para protegê-la, enquanto o réu insistia para
que ele saísse da frente para que pudesse consumar o ato. A vítima se trancou em um quarto e acionou a
Polícia Militar, que, ao chegar, efetuou a prisão em flagrante do acusado (ID 131244673).

O Auto de Prisão em Flagrante foi homologado, e a prisão convertida em preventiva em


audiência de custódia (ID 131498414).

A denúncia foi recebida em 20 de janeiro de 2026 (ID 131559635). O réu foi citado (ID
131584052) e apresentou Resposta à Acusação (ID 131673073), na qual pleiteou a revogação da prisão

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preventiva e, no mérito, a absolvição. Na mesma oportunidade, a vítima, por meio de advogada, requereu
a desistência das medidas protetivas (ID 131638148).

A prisão preventiva do réu foi revogada, com aplicação de medidas cautelares diversas (ID
131826601), sendo expedido o respectivo alvará de soltura (ID 131846311), devidamente cumprido (ID
132140228).

Durante a audiência de instrução e julgamento (ID 157173933), foi ouvida a vítima, que se
retratou das acusações, afirmou que estava embriagada no dia e que não tinha recordação de muita coisa.
Também foram inquiridos os policiais militares Matheus do Nascimento Sousa e Marcílio Alves das
Neves como testemunhas de acusação. Ao final, o réu foi interrogado e optou por permanecer em silêncio.

Em alegações finais orais, o Ministério Público requereu a condenação do réu nos exatos termos
da denúncia. Argumentou que a materialidade e a autoria delitiva foram comprovadas, especialmente
pelos depoimentos firmes e coerentes dos policiais militares, que confirmaram o relato inicial e detalhado
da vítima na data dos fatos. Salientou que a retratação em juízo é comum em casos de violência
doméstica, em razão do ciclo de violência e da reconciliação com o agressor, não devendo, por isso,
anular o robusto acervo probatório colhido. Destacou, ainda, a existência do Laudo Traumatológico (ID
131244673 - Pág. 23) que atesta a ofensa à integridade física da vítima, apesar de o Ministério Público
não ter denunciado o réu por lesão corporal, a apreensão da faca (ID 131244673 - Pág. 25) e a
reincidência específica do acusado.

A Defesa, por sua vez, pugnou pela absolvição do acusado, com base no princípio in dubio pro
reo, sustentando a ausência de provas suficientes para a condenação, especialmente diante da retratação
da vítima em juízo. Subsidiariamente, requereu a fixação da pena no mínimo legal.

É o relatório. Decido.

II – FUNDAMENTAÇÃO

O processo tramitou de forma regular, garantindo-se o contraditório e a ampla defesa. Não


existem nulidades a serem declaradas, estando o feito pronto para julgamento.

A) Da Contravenção Penal de Vias de Fato (Art. 21, §2 da LCP)

A materialidade da contravenção de vias de fato está comprovada pelos robustos e coerentes


depoimentos testemunhais.

A autoria, apesar da retratação da vítima em juízo, restou devidamente comprovada. No calor dos
acontecimentos, em sede policial, a vítima M.A.S. narrou com detalhes que, no dia anterior aos fatos que
levaram à prisão, o réu lhe deu um "empurrão nas costas" (ID 131244673- Pág. 08).

Em juízo, a vítima alegou não se recordar dos fatos e afirmou que ela e o réu estavam
embriagados. Tal retratação, contudo, é compreensível dentro do ciclo de violência doméstica, no qual a
vítima, por dependência emocional e/ou financeira, ou mesmo por medo, volta a conviver com o agressor
e busca protegê-lo de sanções penais. Esse fenômeno é reconhecido pela jurisprudência, que atribui
especial valor probatório à palavra da vítima na fase inicial, quando ainda se encontra sob o impacto da
agressão e livre de pressões externas.

Corroborando a versão inicial da vítima, os policiais militares ouvidos em juízo foram uníssonos
e consistentes. A testemunha Matheus do Nascimento Sousa afirmou que a vítima, no dia dos fatos,
apresentava uma conversa coerente e não demonstrava sinais de embriaguez que comprometessem seu
relato. Confirmou que ela tinha uma equimose no corpo e que o filho do casal estava muito nervoso.
Relatou, ainda, que ao chegarem à residência encontraram o réu portando uma faca peixeira, a qual foi
largada ao perceber a presença policial, sendo certo que havia também uma roçadeira no interior do
imóvel. Confirmou que a vítima apresentava equimose no corpo, bem como que o filho do casal estava
extremamente nervoso, tendo inclusive se colocado à frente da mãe em atitude de proteção.

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No mesmo sentido, o policial Marcílio Alves das Neves declarou que, embora a vítima
aparentasse ter consumido bebida alcoólica, encontrava-se sóbria e em condições de relatar os fatos.
Afirmou que, no local, havia a presença da vítima, de uma criança e de uma adolescente, sendo informado
que o réu se encontrava com uma faca na mão, além da existência de uma roçadeira na residência.

Os depoimentos dos agentes públicos, colhidos sob o crivo do contraditório, são coerentes entre
si e com os elementos do inquérito, possuindo presunção de veracidade e legitimidade, sendo suficientes
para sustentar a condenação, especialmente quando não há nos autos qualquer indício de que tivessem
interesse em prejudicar o acusado.

Assim, o contexto fático demonstrado — inclusive com a presença do réu portando arma branca
no momento da intervenção policial e o estado emocional dos presentes — reforça a credibilidade da
versão inicialmente apresentada pela vítima, evidenciando a ocorrência de violência no âmbito doméstico.

Dessa forma, a prova judicializada é robusta para confirmar que o réu praticou vias de fato contra
a vítima, devendo ser condenado pela contravenção prevista no artigo 21 da Lei de Contravenções Penais.

B) Do Crime de Ameaça (Art. 147 do Código Penal)

A materialidade e a autoria do crime de ameaça também estão suficientemente demonstradas.


Trata-se de crime formal, que se consuma no momento em que a promessa de mal injusto e grave chega
ao conhecimento da vítima, causando-lhe temor.

Em seu depoimento inicial na delegacia (ID 131244673 - Pág. 08), a vítima relatou de forma
pormenorizada que o réu, munido de uma faca e uma roçadeira, proferiu a ameaça de morte: "EU VOU
MATAR VOCÊ". A seriedade da ameaça foi intensificada pelo fato de o filho do casal, uma criança, ter
se interposto entre os pais para proteger a mãe, enquanto o acusado gritava para que ele saísse da frente. A
vítima, atemorizada, trancou-se no quarto e acionou a polícia.

Os depoimentos dos policiais militares em juízo confirmam integralmente essa versão. Ambos
relataram que, ao chegarem ao local, foram informados pela vítima e pela criança que o réu estava com
uma faca e uma roçadeira, ameaçando-a de morte. O policial Matheus destacou o nervosismo do filho do
casal e confirmou a informação de que a criança se colocou na frente da mãe para protegê-la. A faca
peixeira foi efetivamente encontrada no local e apreendida (ID 131244673- Pág. 40).

A retratação da vítima em juízo, pelos mesmos motivos já expostos, não tem o condão de anular
a força probatória dos depoimentos dos policiais, que são testemunhas isentas e que apenas narraram o
que ouviram e presenciaram no momento da ocorrência. A palavra da vítima, na fase inquisitorial,
somada aos relatos coesos dos agentes de segurança e à apreensão da arma branca, forma um conjunto
probatório seguro para a condenação. O réu, por sua vez, optou pelo silêncio, que não pode ser
interpretado em seu desfavor, mas também não contribuiu para infirmar as provas da acusação.

Portanto, resta comprovado que o réu praticou a conduta descrita no artigo 147 do Código Penal.

III– DISPOSITIVO

Pelo exposto, JULGO PROCEDENTE a pretensão punitiva do Estado para CONDENAR o réu
SEVERINO DO RAMO SILVA, como incurso nas penas do artigo 21, §2, da Lei de Contravenções
Penais (Decreto-Lei nº 3.688/41) e do artigo 147, §1, do Código Penal, na forma do artigo 69 do Código
Penal e com a incidência da Lei nº 11.340/2006.

IV – DOSIMETRIA DA PENA

Atendendo ao sistema trifásico previsto no artigo 68 do Código Penal, passo a individualizar as


penas.

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1. Contravenção Penal de Vias de Fato (Art. 21 da LCP)

Primeira Fase: Pena-base (Art. 59 do CP)

A pena para a contravenção de vias de fato é de prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3 (três)
meses.

Passo à análise das circunstâncias judiciais:

Culpabilidade: A reprovabilidade da conduta é acentuada. O ato foi praticado na presença do


filho do casal, uma criança, que foi exposta a uma cena de violência e desrespeito contra sua própria mãe,
o que gera um trauma psicológico adicional e demonstra um maior desvalor da ação do agente. A conduta
extrapola o tipo penal; Antecedentes: O réu possui uma condenação anterior por crime de violência
doméstica contra a mesma vítima (Processo nº 0800782-51.2024.8.15.2002 - ID 154963685). Para evitar
bis in idem, tal condenação será valorada como agravante da reincidência na segunda fase, motivo pelo
qual considero os antecedentes neutros nesta etapa; Conduta social e Personalidade: Não há elementos
suficientes nos autos para uma valoração negativa; Motivos, Circunstâncias e Consequências: Os motivos
são os conflitos inerentes a um relacionamento conturbado, exacerbados pelo consumo de álcool. As
circunstâncias e consequências não merecem valoração; Comportamento da vítima: Em nada contribuiu
para a prática da infração.

Considerando que a pena prevista para a contravenção é de 15 dias a 3 meses, a diferença entre o
mínimo e o máximo corresponde a 75 dias. Aplicando-se a fração de 1/8 em razão da presença de uma
circunstância judicial negativa, culpabilidade, obtém-se o acréscimo de aproximadamente 9 dias, o que
exaspera a pena-base para 24 (vinte e quatro) dias de prisão simples.

Segunda Fase: Circunstâncias Agravantes e Atenuantes

Não há atenuantes a serem consideradas. Conforme certidão de antecedentes (ID 154963685), o


réu é reincidente específico em crime de violência doméstica contra a mesma vítima, o que atrai a
incidência da agravante do art. 61, I, do Código Penal.

Assim, agravo a pena em 1/6 (um sexto), elevando-a para 29 (vinte e nove) dias de prisão
simples.

Terceira Fase: Causas de Aumento e de Diminuição

Não há causas de diminuição a serem aplicadas. Todavia, aplico a majorante do art, 21, §2 da
LCP, vez que, a contravenção foi praticada contra a mulher por razões da condição do sexo feminino.
Assim, majoro a pena no triplo, de forma que fixo a pena final em 02 meses e 27 dias de prisão simples.

2. Crime de Ameaça (Art. 147 do CP)

Primeira Fase: Pena-base (Art. 59 do CP)

A pena para o crime de ameaça é de detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses.

Culpabilidade: A reprovabilidade da conduta é elevada. O réu não apenas ameaçou a vítima de


morte, mas o fez utilizando uma faca e uma roçadeira, instrumentos de alto poder lesivo, e,
principalmente, na presença do filho menor do casal, que se viu obrigado a intervir para proteger a mãe, o
que demonstra o grau de terror infligido à família e o total desrespeito do réu pela integridade psicológica
da criança. Quanto aos antecedentes, personalidade, conduta social, motivos, circunstâncias e
consequências, utilizo-me da análise feita quanto ao crime anterior, a fim de evitar repetição.

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Considerando que a pena varia de 1 a 6 meses, a diferença entre o mínimo e o máximo
corresponde a 5 meses. Aplicando-se a fração de 1/8 em razão da presença de uma circunstância judicial
negativa, culpabilidade, obtém-se o acréscimo aproximadamente 19 dias, o que eleva a pena-base para 1
mês e 19 dias de detenção.

Segunda Fase: Circunstâncias Agravantes e Atenuantes

Não há causa atenuante a ser considerada. Todavia, Presente a agravante da reincidência


específica (art. 61, I, do CP), agravo a pena em 1/6, elevo-a para 01 mês e 27 dias de detenção.

Terceira Fase: Causas de Aumento e de Diminuição

Não há causas de diminuição a ser considerada. Todavia, aplica-se o aumento previsto no art.
147, §1º, do CP, qual seja, pena em dobro, uma vez que o crime foi cometido contra a mulher em razão
do sexo feminino. Assim, torno a pena para o crime de ameaça definitiva em 03 (três) meses e 24 (vinte e
quatro) dias de detenção.

3. Do Concurso de Crimes

As infrações foram praticadas mediante mais de uma ação, em concurso material, nos termos do
art. 69 do Código Penal. Assim, as penas devem ser somadas.

A pena total e definitiva a ser cumprida pelo réu SEVERINO DO RAMO SILVA é de 02 meses
e 27 dias de prisão simples e 03 (três) meses e 24 (vinte e quatro) dias de detenção.

Da Detração e Do Regime de Cumprimento da Pena

Tendo em vista que o réu teve sua prisão preventiva decretada no dia 11 de Janeiro de 2026,
processo de nº 0800447-61.2026.8.15.2002, Id.131197646 e a revogação da prisão no dia 26 de Janeiro
do corrente ano, Id.131826601, deixo de realizar a detração da pena, considerando que o tempo em que
permaneceu segregado (menos de 01 mês) não é capaz de alterar o regime de cumprimento de pena.
Considerando o quantum da pena aplicada e a reincidência do acusado em crime doloso, fixo o regime
inicial SEMIABERTO para o cumprimento da pena de detenção, nos termos do art. 33, § 2º, 'c', e § 3º,
do Código Penal. A pena de prisão simples será executada em seguida.

Da Substituição da Pena Privativa de Liberdade em Restritiva de Direitos e da Suspensão


Condicional da Pena

É incabível a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, pois os crimes
foram cometidos com grave ameaça e violência à pessoa, no âmbito de violência doméstica, o que veda a
concessão do benefício, conforme o art. 44, I, do Código Penal e o entendimento consolidado na Súmula
588 do Superior Tribunal de Justiça. Razão pela qual nego a substituição da reprimenda.

Deixo de aplicar a suspensão condicional da pena (sursis), em razão da reincidência em crime


doloso (art. 44, II, e art. 77, I, do Código Penal).

Do Direito de Recorrer em Liberdade

O réu respondeu maio parte do processo em liberdade e não há fatos novos que justifiquem a
decretação de sua prisão preventiva neste momento. Concedo-lhe, portanto, o direito de recorrer em
liberdade.

Da Reparação por Danos Morais

O Ministério Público requereu a fixação de valor mínimo a título de reparação por danos morais,
nos termos do art. 387, IV, do CPP. Em casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, o dano

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moral é presumido (in re ipsa), dispensando instrução probatória específica, conforme entendimento
consolidado do Superior Tribunal de Justiça. Acolho o pedido do Ministério Público.

Desse modo, usando dos critérios da razoabilidade e da proporcionalidade, com fundamento no


artigo 387, inciso IV, do Código de Processo Penal e artigo 91, inciso I, do Código Penal, FIXO A
QUANTIA DE UM SALÁRIO MÍNIMO, NO IMPORTE ATUAL DE R$ 1.621,00 (MIL SEISCENTOS
E VINTE E UM REAIS) como quantum indenizatório mínimo pelos danos morais suportados pela
ofendida, corrigidos monetariamente a partir da data do arbitramento (Súmula 362, STJ), com juros de
mora de 1% (um por cento) ao mês a partir da data dos fatos (Súmula 54, STJ).

Das Custas Processuais

Condeno o réu ao pagamento das custas processuais.

V. PROVIDÊNCIAS FINAIS

Uma vez transitada em julgado:

a) Preencha e remeta o boletim individual, caso existente nos autos, ao IPC/PB, para efeitos de
estatística judiciária criminal (artigo 809 do Código de Processo Penal e artigo 459 do Código de Normas
Judiciais da Corregedoria Geral da Justiça do Estado da Paraíba);

b) Oficie-se ao Tribunal Regional Eleitoral competente referente ao domicílio eleitoral do


condenado para a suspensão dos seus direitos políticos, nos estritos termos do artigo 15, inciso III, da
Constituição Federal, haja vista a condenação criminal transitada em julgado

c) Expeça-se a Guia de Recolhimento Definitiva e a encaminhe, com urgência, ao Juízo das


Execuções Penais competente, para as providências relativas ao cumprimento da pena imposta, conforme
a Lei de Execução Penal;

d) Não havendo pendência de outras providências a serem tomadas após os atos de praxe e o
cumprimento das determinações supra, procedam-se às devidas baixas e arquivem-se os autos, em
consonância com o disposto na Resolução n. 113/2010 do Conselho Nacional de Justiça

Sentença publicada e registrada eletronicamente.

Intimo, via expediente PJe, as partes, para que tomem ciência desta decisão.

Fica dispensada a intimação pessoal do réu, considerando que se encontra solto e assistido por
Advogada constituída.

Intime-se a vítima para que tome conhecimento desta sentença, nos termos do artigo 21 da Lei nº
11.340/2006.

Publicada e registrada eletronicamente. Cumpra-se.

João Pessoa, na data da assinatura eletrônica.

[Documento datado e assinado eletronicamente - art. 2º, lei 11.419/2006]


GABRIELLA DE BRITTO LYRA LEITÃO NÓBREGA - Juíza de Direito

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