Os elementos essenciais da frase: o sujeito e o predicado
Vamos recordar as principais características do sujeito.
SUJEITO
• O sujeito é a função sintática desempenhada pelo constituinte que concorda em
pessoa e número com o verbo. Pode ser um grupo nominal ou uma frase:
O filho da Teresa quer ser médico.
Seria ótimo que o teste fosse adiado.
• O sujeito é a expressão nominal que pode ser substituída pela forma nominativa do
pronome pessoal (eu, tu, ele, nós, vós, eles) ou por um pronome demonstrativo (isto,
isso, aquilo) (no caso de ser uma frase):
Ele quer ser médico.
Isso seria ótimo!
• O sujeito é o controlador da concordância verbal, ou seja, o verbo concorda em
pessoa e número com o sujeito:
O menino perdeu o berlinde.
Os meninos perderam o berlinde.
A partir da descrição destas características, podemos definir sujeito como a expressão
nominal que desencadeia a concordância verbal e que pode ser substituída por um
pronome pessoal nominativo (eu, tu, ele, nós, vós, eles).
Tipos de sujeito
Sujeito simples e sujeito composto
A Joana vai ao cinema hoje.
A Joana e o Pedro vão ao cinema hoje.
Sujeito nulo
Sujeito nulo subentendido
– Vamos ao cinema hoje. (sujeito: nós)
Sujeito nulo indeterminado
– Não se pode fumar em recintos fechados. (sujeito: se = as pessoas em geral)
Sujeito nulo expletivo
– Choveu toda a noite. (sujeito: inexistente – o verbo chover não tem sujeito)
Vamos agora recordar as principais características do predicado.
PREDICADO
O predicado é a função sintática desempenhada pelo verbo e pelos seus complementos.
Complementos são os constituintes sem os quais o significado global da frase ficaria
incompleto. Observa cada tipologia verbal:
• Verbos impessoais
a. Nevou na Covilhã durante toda a noite.
b. Nevou.
O predicado da frase acima corresponde apenas ao verbo nevar. As expressões «na
Covilhã» e «durante toda a noite» não são argumentos deste verbo, pois a sua omissão
não origina qualquer agramaticalidade.
• Verbos intransitivos
a. A bailarina desmaiou em palco.
b. A bailarina desmaiou.
O predicado da frase acima é apenas desmaiou, porque a expressão «em palco» não é
um complemento deste verbo, ou seja, se o eliminarmos, a frase continua a fazer
sentido.
• Verbos transitivos
a. O João comprou um bolo na pastelaria.
b. O João comprou.
c. O João comprou um bolo.
O predicado da frase acima é comprou um bolo, porque este verbo exige um
determinado complemento (aquilo que foi comprado). Por sua vez, o grupo
preposicional «na pastelaria» fornece apenas uma informação acessória.
• Verbos transitivos diretos e indiretos
a. A cozinheira pôs o bolo no forno ontem à noite.
b. ?? A cozinheira pôs o bolo.
c. A cozinheira pôs o bolo no forno.
O predicado da frase acima é pôs o bolo no forno, porque este verbo exige dois
complementos: o complemento direto e o complemento preposicional (lugar onde). O
constituinte temporal «ontem à noite» já não faz falta à frase.
Em conclusão, do predicado fazem parte o verbo e os seus complementos.
As funções sintáticas ou relações gramaticais
Qualquer frase contém dois termos fundamentais: o sujeito e o predicado. Estas duas
funções sintáticas são centrais numa frase, porque em qualquer situação de comunicação
nós dizemos alguma coisa (predicamos) sobre alguma coisa ou alguém (sujeito). Vamos
então conhecer cada uma das funções sintáticas, bem como as características de cada
uma. Começamos pelo sujeito.
SUJEITO
O sujeito é a função sintática desempenhada pelo constituinte que concorda em pessoa e
número com o verbo. Pode ser:
— Simples (um grupo nominal apenas)
A Matilde fez uma tarte de maçã.
No sábado, as crianças foram ao museu.
Chegaram os grandes ilusionistas romenos.
— Composto (dois grupos nominais)
O professor e os alunos analisaram o texto em conjunto.
Chegaram os ilusionistas e os palhaços.
O sujeito pode ser substituído pelos seguintes pronomes pessoais: eu, tu, ele/ela, nós,
vós, eles/elas.
O Miguel não leu o texto.
Ele não leu o texto.
A educadora e as crianças cantaram uma canção.
Elas cantaram uma canção.
PREDICADO
O predicado é a função sintática desempenhada pelo grupo verbal. Pode ser constituído
apenas pelo verbo ou pelo verbo e os seus complementos.
O Pedro chegou. (predicado constituído apenas pelo verbo)
O professor elogiou o trabalho dos alunos. (predicado constituído pelo verbo e os
complementos do verbo)
VOCATIVO
O vocativo é a função sintática desempenhada pela expressão nominal que designa a
pessoa a quem nos dirigimos. É muitas vezes antecedido da interjeição de
chamamento ó e na escrita deve ser sempre separado por vírgula:
Ó Joana, traz-me o guarda-chuva!
Olá, Sr. António, bom dia!
COMPLEMENTO DIRETO
O complemento direto é um constituinte exigido pelo verbo, sem o qual o significado
global da frase ficaria incompleto. É um grupo nominal que pode ser substituído pelos
seguintes pronomes pessoais: –me, -te, -o/-a, -nos, -vos, -os/-as:
O tio Patinhas coleciona moedas antigas.
O tio Patinhas coleciona-as.
COMPLEMENTO INDIRETO
O complemento indireto é um constituinte exigido pelo verbo, sem o qual o significado
global da frase ficaria incompleto. É um grupo preposicional (introduzido pela
preposição «a») que pode ser substituído pelos seguintes pronomes pessoais: -me, -te, -
lhe, -nos, -vos, -lhes:
A Leonor contou o segredo à sua melhor amiga.
A Leonor contou-lhe o segredo.
COMPLEMENTO OBLÍQUO
O complemento oblíquo é um grupo preposicional, introduzido por qualquer preposição
(a, com, de, em, para, por, etc.) e nunca pode ser substituído pelo pronome pessoal
dativo –lhe. É selecionado pelo verbo e, por isso, faz parte do predicado.
A Mafalda pôs o livro na estante.
Ninguém faltou à reunião.
O Vasco conversou com a Patrícia.
Os alunos foram para casa.
COMPLEMENTO AGENTE DA PASSIVA
O complemento agente da passiva é um grupo preposicional, introduzido pela
preposição por e precedido de um verbo na voz passiva. Corresponde ao sujeito da voz
ativa e faz parte do predicado.
A tarte de maçã foi feita pela cozinheira.
PREDICATIVO DO SUJEITO
O predicativo do sujeito é um grupo adjetival ou um grupo nominal que ocorre com
verbos copulativos: ser, estar, parecer, ficar, permanecer, etc.
O elefante está zangado.
O Rui é jornalista.
PREDICATIVO DO COMPLEMENTO DIRETO
O predicativo do complemento direto é um grupo adjetival ou um grupo nominal que
ocorre com verbos transitivos predicativos: considerar, achar, nomear, eleger, tornar,
julgar, deixar, etc.
Este champô deixa os cabelos macios.
Nomearam o Rodrigo presidente da associação.
MODIFICADOR VERBAL
O modificador verbal é um grupo preposicional ou um grupo adverbial que não é
selecionado pelo verbo e pode, por isso, ser eliminado da frase. Não faz parte do
predicado.
Os pais do Bernardo compraram uma casa no Algarve.
As crianças foram ao circo ontem de manhã.
Diferença entre orações completivas e orações relativas
Sabes qual é a diferença o pronome relativo QUE e a conjunção integrante QUE? Como
se distinguem as orações relativas e as orações completivas? Para percebermos a
diferença entre as orações relativas e as orações completivas, importa conhecer as
características entre o pronome relativo QUE e a conjunção integrante QUE. Vamos a
isso!
PRONOME RELATIVO QUE
• Desempenha uma função sintática e introduz uma oração relativa.
• Pode ser substituído por outro relativo, nomeadamente o/a qual, os/as quais.
• Segue sempre um nome, quase sempre concreto.
• A oração que introduz pode ser omitida sem que a frase fique incorreta.
CONJUNÇÃO INTEGRANTE QUE
• Não desempenha uma função sintática e introduz uma oração completiva.
• Não pode ser substituído pelo relativo o/a qual, os/as quais.
• Completa o sentido de um verbo, de um nome (normalmente abstrato), ou de um
adjetivo, daí a designação integrante (integra = completa)
• A oração que introduz não pode ser omitida.
Observa os seguintes exemplos:
(1) A vizinha apanhou as crianças que tocaram à campainha.
(2) A vizinha tem a certeza de que tocaram à campainha.
Na frase (1), QUE é um pronome relativo, e na frase (2), QUE é uma conjunção
integrante. Podemos comprovar esta afirmação através dos seguintes testes sintáticos:
– Teste da substituição por o/a qual, os/as quais:
(a) A vizinha apanhou as crianças as quais tocaram à campainha.
(b) A vizinha tem a certeza de as quais tocaram à campainha.
Este teste mostra-nos que, uma vez que podemos substituir a palavra QUE pelo relativo
QUAL na frase (a), então, trata-se de um pronome relativo, logo, a oração que introduz
é uma oração relativa. Pelo contrário, na frase (b) não é possível substituir a palavra
QUE pelo relativo QUAL, pelo que se conclui que não se trata de uma oração relativa.
– Teste da omissão:
(c) A vizinha apanhou as crianças. (frase correta)
(d) A vizinha tem a certeza de. (frase incorreta)
Este teste mostra-nos que, uma vez que podemos omitir a oração que tocaram à
campainha na frase (c), estamos perante uma oração relativa. Pelo contrário, na frase (d)
não é possível omitir essa oração, pelo que se conclui que se trata de uma oração
completiva.
Colocação dos pronomes pessoais
Sabes em que contextos é que os pronomes pessoais se colocam antes do verbo? E
depois do verbo? Antes de conhecermos as regras de colocação dos pronomes pessoais,
é importante conhecermos a regra geral!
Regra geral, os pronomes pessoais -me, -te, -o/-a, -nos, -vos, -os/-as, -lhe/-
lhes colocam-se depois do verbo (posição enclítica).
Exemplo: lavo-me; viste-o; maquilhaste-te; enviei-lhe
Os pronomes pessoais colocam-se antes do verbo (posição proclítica) nos seguintes
casos:
– Depois de alguns advérbios: não, nunca, também, ainda, já, sempre, quase, talvez, só
Não vos reconhecia.
– Depois de interrogativos: quem, que, porque, como, onde, quando, quanto
Quem te convidou?
– Depois de pronomes relativos: que, o qual, cujo
Este é o documentário de que te falei.
– Depois de pronomes indefinidos: alguém, ninguém, tudo, todos, nada
Tudo o incomoda.
– Depois de certas conjunções: ou, que, se, porque, quando, enquanto
Faço o exercício, porque me pediste.
No futuro do indicativo e no condicional, esses pronomes colocam-se em posição
mesoclítica, isto é, no meio do verbo, antes das terminações de tempo e pessoa.
Colocação do pronome com dois verbos
• Nos tempos compostos, com o verbo auxiliar ter, o pronome deve ser colocado
entre o verbo auxiliar e o verbo principal.
Exemplo: O carteiro tem entregado as encomendas. Ele tem-nas entregado.
• Nas formas perifrásticas (verbo auxiliar + infinitivo), o pronome deve ser colocado
a seguir ao verbo que está no infinitivo, do qual depende sintaticamente (pois é seu
complemento).
Exemplos: Quero contar-vos uma anedota.
Vou convidar-te para um evento.
Alterações aos pronomes pessoais
Nas formas verbais terminadas em -r, -s, -z, os pronomes pessoais na 3.ª pessoa passam
a ter as seguintes formas: -lo, -la, -los, -las e as consoantes -r, -s, -z são suprimidas:
• Queres ver essa peça de teatro? Queres vê-la?
• Pagas o bilhete pela internet? Paga-lo?
• Traz os teus irmãos ao torneio. Trá-los!
Nas formas verbais terminadas em -ão, -õe, -m, os pronomes pessoais na 3.ª pessoa
passam a ter as seguintes formas: –no, -na, -nos, -nas.
• Eles dão roupa usada a essa instituição. Eles dão-na.
• Põe o bacalhau a gratinar. Põe-no a gratinar.
• Leram os textos? Leram-nos?
Tempos e modos verbais
Os verbos são palavras que exprimem ações (comprar, arrumar, fazer), processos
(nascer, crescer, amanhecer) ou estados (estar, ficar), situando-os no tempo. Sabias que
os verbos são as palavras mais variáveis da língua, podendo ser flexionados de acordo
com: tempo, modo, aspeto, pessoa e número. Vamos explorar as categorias TEMPO e
MODO.
TEMPO
O tempo é a categoria gramatical que indica o momento em que ocorre a ação,
acontecimento ou estado expressos pelo verbo.
Existem três tempos naturais: presente, passado e futuro. O tempo presente indica que
a ação expressa pelo verbo ocorre no momento exato da enunciação (ex.: ando); o
tempo passado indica que a ação expressa pelo verbo ocorre num momento anterior ao
da enunciação (ex.: andei) e o tempo futuro refere que a ação expressa pelo verbo é
posterior ao momento da enunciação (ex.: andarei).
Presente do indicativo – situa a ação expressa pelo verbo no momento atual.
Ex.: Estou em casa.
Outros valores:
– exprime uma ação habitual. Ex.: Leio jornais.
– exprime o futuro próximo. Ex.: Amanhã vou ao teatro.
– indica ações ou estados permanentes e intemporais. Ex.: A primavera antecede o
verão.
– usa-se nas narrativas, para lhes conferir maior expressividade e atualidade. Ex.:
Nesse momento, o homem levanta-se e sai da sala.
Pretérito perfeito simples do indicativo – situa no passado uma ação pontual e já
concluída.
Ex.: A Laura encontrou um cão abandonado.
Pretérito perfeito composto do indicativo – exprime a repetição ou continuidade de
uma ação, que se prolonga até ao momento presente.
Ex.: Tenho ido de autocarro para o trabalho.
Pretérito imperfeito do indicativo – situa no passado uma ação prolongada no tempo.
Ex.: Quando éramos solteiros, íamos muito ao teatro.
Outros valores:
– exprime um desejo (em vez do condicional). Ex.: Gostava de visitar esse país.
– exprime delicadeza (em vez do presente). Ex.: Queria a conta, por favor.
Pretérito mais-que-perfeito simples e composto do indicativo – exprimem um facto
passado anterior a outro também passado:
Ex.: Quando chegámos ao auditório, o concerto acabara/tinha acabado.
Futuro simples do indicativo – situa a ação expressa pelo verbo num momento
posterior ao da enunciação.
Ex.: No próximo ano, o marido da Sofia mudará de emprego.
Futuro composto do indicativo – indica uma ação futura, mas anterior a outra ação
também futura já realizada.
Ex.: Quando tu chegares a casa, eu já terei saído.
Presente do conjuntivo – exprime uma dúvida ou um desejo no momento da
enunciação.
Ex.: Hoje talvez possamos ir ao teatro. Por isso, espero que não te atrases.
Pretérito imperfeito do conjuntivo – exprime uma dúvida ou um desejo, com valor de
passado.
Ex.: Talvez ele tenha conseguido apanhar o comboio.
Ex.: Espero que ele tenha conseguido apanhar o comboio.
Pretérito imperfeito do conjuntivo – exprime um desejo ou uma condição, com valor
de passado ou de futuro.
Ex.: Seria bom que ele estudasse mais.
Ex.: Se ele estudasse mais, teria melhores resultados.
Pretérito mais-que-perfeito do conjuntivo – exprime uma ação anterior a outra ação
passada.
Ex.: Desejámos que quando chegássemos à reunião, ainda não tivesse sido lida a ata.
Futuro simples do conjuntivo – exprime um futuro dependente de uma condição.
Ex.: Se a Sofia mudar de emprego, eles não farão a viagem.
Futuro composto do conjuntivo – indica uma ação futura, mas perspetivada enquanto
ação passada.
Ex.: Quando tiverem terminado o exame, os alunos poderão sair.
MODO
O modo é a categoria gramatical que exprime a atitude (de certeza, de dúvida, de
suposição, de ordem, etc.) da pessoa que fala em relação ao facto que enuncia. Em
português, distinguem-se os seguintes modos:
Indicativo – exprime uma ação factual, uma certeza.
Ex.: A Mariana faz um bolo todos os sábados.
Conjuntivo – exprime uma ação não factual, hipotética.
Valores:
– dúvida: Talvez a Mariana faça um bolo no sábado.
– desejo: Seria tão bom que a Mariana fizesse um bolo!
– condição: Se a Mariana fizer um bolo, a irmã convidará alguns amigos.
Imperativo – expressa uma ordem, um pedido ou um conselho.
Ex.: Não faças mais do que um bolo!
Infinitivo – apresenta, de uma forma genérica e abstrata, a ideia da ação.
Ex.: Fazer exercício físico faz bem à saúde.
Condicional – exprime uma hipótese dependente de uma condição.
Ex.: Se ela tivesse dinheiro, viajaria pelo mundo inteiro.
Outros valores:
– exprimir uma dúvida, uma incerteza.
Ex.: Quem seria aquele homem?
– exprimir delicadeza (em vez do presente).
Ex.: Se não fosse muito incómodo, poderia dar-me uma ajuda?
Infinitivo impessoal – apresenta, de uma forma genérica e abstrata, a ideia da ação.
Ex.: Comer é um prazer para muitas pessoas. (= A comida é um prazer para muitas
pessoas.)
Infinitivo pessoal – exprime também a ideia da ação em abstrato, mas distingue-se do
infinitivo impessoal, pois tem flexão em todas as pessoas.
Ex.: Chegámos mais cedo para arranjarmos um bom lugar.
Gerúndio – apresenta o decorrer da ação ou processo expresso pelo verbo.
Ex.: Só fazendo exercício regularmente é que se conseguem bons resultados.
Particípio passado – apresenta o resultado da ação ou processo expresso pelo verbo.
Entra, regra geral, na formação dos tempos compostos formados com os verbos
auxiliares ter e ser.
Ex.: As crianças já tinham arrumado os brinquedos antes de a educadora pedir.
Processos regulares de formação de palavras
Sabias que a língua portuguesa deriva do latim? Como tal, a maioria das palavras que a
constituem é de origem latina. Muitas dessas palavras são por sua vez derivadas do
grego, que influenciou a língua latina. A língua portuguesa – tal como qualquer outra
língua – está constantemente a incorporar novos termos, ora provindos de idiomas
estrangeiros, ora criados com base nos vocábulos já existentes.
Essas palavras novas surgem através de diferentes processos de formação. Consideram-
se processos regulares aqueles que implicam uma modificação que afeta a estrutura
formal das palavras, sendo estes os mais previsíveis e produtivos. São eles a afixação, a
composição, a derivação não-afixal e a conversão. Os processos irregulares, por sua
vez, são menos previsíveis, mas contribuem igualmente para o aumento do léxico: o
empréstimo, a truncação, a amálgama, a acronímia, a siglação, a extensão semântica, a
onomatopeia e a reduplicação.
Vamos conhecer quais os processos regulares de formação de palavras em português.
PROCESSOS REGULARES DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS
Afixação
Este processo consiste na junção de um ou mais afixos a uma palavra já existente na
língua. Por exemplo, indiferente, embelezar, apagador, desfazer.
A afixação é um fenómeno tão produtivo na nossa língua, que por vezes se torna difícil
saber se uma palavra formada por afixação já existe de facto em português ou acaba de
ser criada por alguém.
Os processos de afixação são os seguintes:
a) Prefixação: é a associação de um prefixo a uma forma de base. Em quase todos os
casos, implica apenas a alteração semântica da forma de base.
Exemplos: coautor, dispor, infraestrutura, subdiretor.
b) Sufixação: é a junção de um sufixo a uma forma de base. Este processo determina a
categoria sintática da forma derivada. O resultado pode ser uma palavra da mesma
classe gramatical, ou de classe diferente. Exemplos: sapateiro, contável, repatriamento,
sediar.
c) Parassíntese: é a agregação simultânea de um prefixo e de um sufixo a uma forma de
base, para formar verbos a partir de nomes e adjetivos. Neste caso, prefixo e sufixo são
interdependentes, ou seja, nenhum deles pode ocorrer com aquela base sem o outro. Por
exemplo: encaracolar (não existe o nome encaracol nem o
verbo caracolar), envelhecer (não existe o adjetivo envelho nem o
verbo velhecer), aterrar (não existe o nome aterra nem o verbo terrar), aproximar (não
existe o adjetivo apróximo nem o verbo proximar).
Derivação não-afixal
Este processo implica sempre a transformação de uma forma verbal num nome, por
meio da junção das terminações típicas dos nomes (-a, -e, -o) aos radicais verbais. Por
exemplo, entrega (de entregar), perda (de perder), toque (de tocar) encaixe (de
encaixar), uso (de usar), encontro (de encontrar).
Chama-se derivação não-afixal a este processo porque não se adiciona propriamente um
afixo à forma de base, sendo a palavra criada mais curta do que aquela que lhe deu
origem (motivo pelo qual, tradicionalmente, se chamava derivação regressiva a este
processo).
Conversão
Na conversão, cria-se uma palavra a partir de outra já existente. Ambas têm a mesma
forma, mas a palavra nova é de classe gramatical diferente. Por exemplo, o
adjetivo elétrico deu origem ao nome elétrico (porque em vez de «carro elétrico» se
passou a chamar ao meio de transporte apenas elétrico); altamente é advérbio e passou a
usar-se também como adjetivo, com o significado de «muito bom,
excelente»; burro e porco são nomes de animais, e permitiram formar os adjetivos
correspondentes (significando, respetivamente, «estúpido» e «sujo»), jantar é um verbo
que deu origem ao nome da refeição; dos adjetivos clara e celeste formaram-se os
nomes próprios Clara e Celeste.
Composição
Neste processo, juntam-se dois ou mais vocábulos para formar um termo novo. A base
tanto pode ser constituída por palavras, que já são usadas na língua (por
exemplo: em + boa + hora = embora), como por radicais (por exemplo, agro-, bio-, -
grama, -logia), muitos dos quais são provenientes do grego e do latim, e que funcionam
como elementos de formação.
Assim, distinguem-se dois tipos de processos:
– composição morfossintática: junção de duas ou mais palavras de uso corrente na
língua, que começam por ser usadas em conjunto (mas enquanto unidades
independentes) e gradualmente se vão aproximando, até que acabam por formar uma
única unidade lexical. Trata-se, pois, de um processo que decorre ao longo de um
período prolongado de tempo. Assim, podemos observar:
a) justaposição: trata-se da primeira fase da composição morfossintática, uma vez que,
nestes compostos, as duas ou mais palavras envolvidas mantêm a sua identidade a nível
gráfico e fónico. Algumas palavras justapostas estão unidas, mas é possível distinguir
cada uma delas, pois nenhuma sofreu alterações na escrita ou no acento. Por
exemplo, madrepérola, pontapé, talvez. Mas em muitos casos, as palavras justapostas
apresentam hífenes a separar cada um dos seus elementos. Por exemplo saca-
rolhas, guarda-chuva, trabalhador-estudante e preia-mar. No entanto, também há as que
se mantêm separadas, como cor de laranja, sala de estar, nave espacial e pai natal.
A estrutura dos compostos morfossintáticos varia consoante a relação que se estabelece
entre os elementos que os constituem:
a) estrutura de coordenação: quando os radicais são ambos importantes para a
construção do sentido global do composto, não se podendo concluir que um deles é o
elemento principal. Por exemplo, trabalhador-estudante, porco-espinho, Pai Natal. A
flexão no plural afeta, por isso, ambos os radicais, a menos que se trate de uma locução
(ex.: sem-abrigo, sempre-em-pé).
b) estrutura de subordinação: o radical da esquerda é o principal e o da direita age
como seu modificador. Isto acontece com pombo-correio, peixe-espada, fim de semana.
Nestas palavras, a flexão no plural só afeta o primeiro elemento.
c) estrutura de reanálise: o radical da esquerda é um verbo conjugado na 3.ª pessoa do
singular do presente do indicativo e o da direita é um nome ou, mais raramente, um
adjetivo. Por exemplo, apara-lápis, picapau, porta-chaves. Nestes compostos, a flexão
em número só afeta o elemento da direita, a menos que este já seja um nome plural, em
cujo caso o composto é invariável (Ex.: quebra-nozes, porta-chaves, abre-latas, etc.).
– composição morfológica: junção de dois radicais, ou de um radical e de uma palavra,
com a intenção imediata de criar uma palavra única. Não se trata, portanto, de uma
aproximação gradual entre vocábulos (como acontece na composição morfossintática).
Por exemplo, telefone deriva do radical grego tele (que significa «à distância») e do
radical grego fone (que significa «voz»), já biodiversidade é a união entre o radical
grego bíos, que significa «vida» e o nome diversidade. Outros exemplos
são ecoponto, agroturismo, televisão, fotografia e ludoteca.
A frase complexa: orações coordenadas e subordinadas
Frase simples e frase complexa
Frase simples é uma frase que contém apenas um único verbo principal, logo, um
sujeito e um predicado. Por exemplo:
(1) A secretária redigiu o relatório.
(2) A secretária do diretor do departamento comercial redigiu o relatório anual da
empresa, ontem ao fim da tarde.
Conforme estes dois exemplos nos mostram, as frases simples podem ser relativamente
breves, como no exemplo 1, ou então, mais ou menos extensas como no exemplo 2.
Porém, cada uma delas é constituída apenas por um único verbo: redigiu.
Frase complexa, por sua vez, é uma frase que contém mais do que um verbo principal,
logo, duas ou mais frases simples articuladas entre si. A cada uma destas frases que
compõem a frase complexa denominamos orações.
Oração é, portanto, cada uma das frases simples contidas numa frase complexa. Por
exemplo:
(3) A secretária redigiu o relatório e apresentou-o ao diretor.
Esta frase decompõe-se em duas frases simples (ou orações) articuladas entre si:
1.ª oração – A secretária redigiu o relatório
2.ª oração – e apresentou-o ao diretor.
As frases complexas são formadas através de dois processos: coordenação e
subordinação.
A coordenação e a subordinação
A coordenação e a subordinação são dois processos que permitem articular frases
simples e formar frases complexas. Caracterizam-se por propriedades formais distintas.
Eis duas das mais importantes:
(a) Dependência sintática
Na coordenação, não existe dependência sintática entre as orações coordenadas, isto é,
nenhuma das frases simples exerce qualquer função sintática relativamente à outra, uma
vez que são funcionalmente equivalentes entre si.
Na subordinação, pelo contrário, existe uma dependência sintática entre as orações; ou
seja, uma das orações desempenha sempre na oração subordinante uma função sintática.
(b) Mobilidade das orações
Na coordenação, as orações coordenadas não podem ser deslocadas, ao passo que na
subordinação há uma maior mobilidade das orações subordinadas:
• O João comprou o jornal e leu-o num instante.
• * E leu-o num instante o João comprou o jornal.
• A Maria foi à praia, embora estivesse mau tempo.
• Embora estivesse mau tempo, a Maria foi à praia.
Classificação das orações coordenadas
As orações coordenadas são classificadas de acordo com as conjunções coordenativas
que as introduzem e o valor semântico que se atribui à relação de coordenação. Podem
ser: copulativas, adversativas, disjuntivas, explicativas e conclusivas.
Orações coordenadas copulativas – São orações unidas por uma ideia de adição, por
intermédio de uma conjunção ou locução coordenativa copulativa (e, nem, não só…mas
também, etc.):
As crianças foram ao cinema e comeram pipocas.
Orações coordenadas adversativas – São orações unidas por uma ideia de oposição,
por intermédio de uma conjunção ou locução coordenativa adversativa (mas, porém,
todavia, etc.):
As crianças foram ao cinema, mas não comeram pipocas.
Orações coordenadas disjuntivas – São duas orações postas em alternativa, por
intermédio de uma conjunção ou locução coordenativa disjuntiva (ou, quer…quer,
seja…seja, etc.):
Querem encomendar comida, ou jantar fora?
Orações coordenadas conclusivas – São duas orações unidas por uma conjunção ou
locução coordenativa conclusiva (logo, portanto, etc.), em que a segunda oração se
apresenta como uma conclusão da primeira:
O Zé passou no exame de matemática, logo, transitou de ano.
Classificação das orações subordinadas
Como se referiu anteriormente, as orações subordinadas exercem uma função sintática
relativamente às orações subordinantes. Tal função sintática pode ser a de sujeito,
complemento direto, complemento indireto ou complemento preposicional.
Tendo em conta a natureza dessa função, podemos classificar as orações subordinadas
em três tipos:
1. Orações subordinadas adverbiais
2. Orações subordinadas substantivas
3. Orações subordinadas adjetivas
1. As orações subordinadas adverbiais desempenham a função típica dos advérbios
(função de modificador verbal) e exprimem diferentes ideias — de tempo, de causa, de
finalidade, de condição, de concessão, de consequência e de comparação. Subdividem-
se em:
1.1. Orações subordinadas adverbiais temporais – São orações que exprimem uma
ideia de tempo, por intermédio de uma conjunção ou locução subordinativa temporal
(quando, antes de, depois de, sempre que, etc.):
Quando cheguei à sala, a reunião já tinha começado.
1.2. Orações subordinadas adverbiais causais – São orações que exprimem a causa
da situação descrita na oração subordinante, por intermédio de uma conjunção causal
(porque):
Faltei à reunião, porque saí muito tarde do trabalho.
1.2.1. Orações subordinadas adverbiais causais explicativas – São orações que
exprimem a justificação ou explicação do motivo da enunciação expressa na primeira
oração, por intermédio de uma conjunção explicativa (pois, porque, que):
Deve ter chovido, pois as ruas estão molhadas.
Despacha-te, que estamos atrasados!
1.3. Orações subordinadas adverbiais finais – São orações que exprimem uma
finalidade, por intermédio de uma conjunção ou locução subordinativa final (para, para
que, a fim de, etc.):
Saí mais cedo do trabalho, para poder assistir à reunião.
1.4. Orações subordinadas adverbiais condicionais – São orações que exprimem uma
condição, por intermédio de uma conjunção ou locução subordinativa condicional (se, a
menos que, no caso de, etc.):
Se tivesse saído mais cedo, teria ido à reunião.
1.5. Orações subordinadas adverbiais concessivas – São orações que exprimem uma
concessão, uma oposição, por intermédio de uma conjunção ou locução subordinativa
concessiva (embora, apesar de, ainda que, etc.):
Embora tivesse chegado atrasado, pude assistir à reunião.
1.6. Orações subordinadas adverbiais consecutivas – São orações que exprimem uma
consequência, por intermédio de uma locução subordinativa consecutiva (tanto…que,
tão…que, de tal modo…que):
Saí tão tarde do trabalho, que já não consegui ir à reunião.
1.7. Orações subordinadas adverbiais comparativas – São orações que exprimem
uma comparação, por intermédio de uma locução subordinativa comparativa (mais…do
que, menos…do que, melhor…do que, pior…do que, tão…como, etc.):
Esta reunião correu melhor do que a anterior (correu).
2. As orações subordinadas substantivas desempenham as funções típicas dos nomes
(função de sujeito, complemento direto, indireto, etc.). Tradicionalmente designadas
integrantes, subdividem-se em:
2.1. Orações subordinadas completivas verbais – São orações introduzidas pelas
conjunções subordinativas que, se e para e completam o sentido de um verbo:
O João julga que vai receber o prémio.
O João não sabe se pode sair mais cedo.
O João pediu para sair mais cedo.
2.2. Orações subordinadas completivas nominais – São orações introduzidas pelas
conjunções que e se e completam o sentido de um nome:
O João tem a certeza de que vai receber o prémio.
2.3. Orações subordinadas completivas adjetivais – São orações introduzidas pela
conjunção que e completam o sentido de um adjetivo:
O João está convencido de que vai receber o prémio.
3. As orações subordinadas adjetivas desempenham as funções típicas dos adjetivos.
As orações adjetivas podem ser relativas ou gerundivas.
Designam-se relativas por se construírem com subordinadores relativos (pronomes ou
advérbios), os quais implicam uma relação de correferência com um antecedente de que
dependem. Assim, por exemplo, na frase:
As revistas que estão no cesto são para deitar fora.
As orações relativas subdividem-se em:
3.1. Orações subordinadas relativas restritivas – São orações introduzidas pelo
pronome relativo que e têm por função delimitar o universo de seres representado pelo
nome que antecede o relativo. Nunca podem ser separadas por vírgulas:
Os alunos que tiverem boa nota receberão uma bolsa de mérito.
3.2. Orações subordinadas relativas explicativas – São orações introduzidas pelo
pronome relativo que e têm por função fornecer um esclarecimento adicional acerca do
nome que antecede o relativo. São sempre separadas por vírgulas:
O João, que é o melhor aluno da turma, recebeu uma bolsa de mérito.
Palavras que pertencem a várias classes gramaticais
Sabias que algumas palavras podem pertencer a diferentes classes gramaticais? Só
quando são inseridas numa frase é que podemos determinar qual a classe a que uma
palavra pertence. Observa atentamente os principais casos.
A
(1) Determinante artigo definido – Ex.: Já encontrei a minha chave.
(2) Pronome pessoal – Ex.: Eu perdi-a ontem de manhã.
(3) Pronome demonstrativo – Ex.: A que perdi foi a do carro.
(4) Preposição – Ex.: Fui a casa buscar uma chave suplente.
COMO
(1) Advérbio interrogativo – Ex.: Como te chamas?
(2) Advérbio de modo – Ex.: Fiz a receita como me ensinaste.
(3) Conjunção subordinativa causal – Ex.: Como está bom tempo, vamos à praia.
(4) Conjunção subordinativa comparativa – Ex.: Ela fala tão bem inglês como tu.
LOGO
(1) Advérbio de tempo – Ex.: Logo à noite vamos ao teatro.
(2) Conjunção coordenativa conclusiva- Ex.: Penso, logo existo.
MUITO
(1) Advérbio de quantidade – Ex.: Os morangos estão muito caros.
(2) Quantificador existencial – Ex.: Comprei muitos morangos.
(3) Pronome indefinido – Ex.: Muitos estavam pisados.
O
(1) Determinante artigo definido – Ex.: O Tomás sujou o bibe.
(2) Pronome pessoal – Ex.: Ele rasgou-o no escorrega.
(3) Pronome demonstrativo – Ex.: O da Mariana está limpinho.
ONDE
(1) Advérbio interrogativo – Ex.: Onde moras?
(2) Advérbio relativo – Ex.: A rua onde moro é tranquila
PARA
(1) Preposição – Ex.: Estas flores são para ti.
(2) Conjunção subordinativa final – Ex.: Põe-nas numa jarra, para não murcharem.
(3) Conjunção subordinativa integrante – Ex.: Ela pediu para sair mais cedo.
PORQUE
(1) Advérbio interrogativo – Ex.: Porque faltaste às aulas?
(2) Conjunção subordinativa causal – Ex.: Faltei às aulas, porque estive doente.
(3) Conjunção coordenativa explicativa – Ex.: Ela deve estar triste, porque está a
chorar.
QUANDO
(1) Conjunção subordinativa temporal – Ex.: Quando cheguei a casa, abri todas as
janelas.
(2) Advérbio interrogativo – Ex.: Quando fazes anos?
QUANTO
(1) Quantificador interrogativo – Ex.: Quantas moedas tens aí?
(2) Pronome interrogativo – Ex.: Quanto custou esse livro?
(3) Quantificador relativo – Ex.: Fiz tantas correções ao texto quantas foi possível
fazer.
QUE
(1) Conjunção subordinativa integrante – Ex.: Ele disse que não ia à festa.
(2) Pronome relativo – Ex.: Gostei muito do livro que me ofereceste.
(3) Determinante interrogativo – Ex.: Que livros compraste?
(4) Pronome interrogativo – Ex.: O que compraste?
(5) Conjunção subordinativa consecutiva – Ex.: O teste era tão difícil, que desisti a
meio.
(6) Conjunção subordinativa comparativa – Ex.: O João é mais alto do que o Pedro.
(7) Conjunção coordenativa explicativa – Ex.: Despacha-te, que chegamos atrasados.
(8) Partícula enfática – Ex.: Fui eu que parti o copo.
QUEM
(1) Pronome relativo – Ex.: Esse é o jornalista de quem te falei.
(2) Pronome interrogativo – Ex.: Quem convidou a Leonor?
SE
(1) Pronome pessoal reflexo – Ex.: A Inês maquilha-se todos os dias.
(2) Pronome pessoal recíproco – Ex.: Eles abraçaram-se.
(3) Pronome indefinido – Ex.: Não se pode fumar aqui.
(4) Conjunção subordinativa integrante – Ex.: Não sei se vou hoje ao cinema.
(5) Conjunção subordinativa condicional – Ex.: Se quiseres, podes ir comigo.
(6) Pronome pessoal passivo – Ex.: Vendem-se apartamentos.
(7) Pronome pessoal inerente – Ex.: O noivo arrependeu-se.
SEGUNDO
(1) Adjetivo numeral – Ex.: Fiquei em segundo lugar.
(2) Preposição – Ex.: Segundo ouvi nas notícias, amanhã vai chover.
(3) Nome – Ex.: Dá-me um segundo. Volto já.
Preposições:
Quando o verbo pede uma determinada preposição, essa preposição não se coloca
apenas na frase simples, mas também tem de estar na complexa.
Falar de:
Falou-se de um livro→ Simples
O livro de que se falou→ Complexa
Empenhar-se em:
Empenhei-me em dar o melhor. → Simples
Aquilo em que me empenhei. →Complexa
Simpatizar com:
Simpatizo com aquela pessoa. → Simples
A pessoa com quem simpatizo. →Complexa
Classes de palavras
Qualquer palavra da língua pode ser inserida numa determinada classe ou categoria.
Vamos ver alguns exemplos:
a) Olá – pertence à classe das interjeições
b) aluno – pertence à classe dos nomes
c) aprender – pertence à classe dos verbos
d) feliz – pertence à classe dos adjetivos
e) hoje – pertence à classe dos advérbios
Assim, podemos definir classe de palavras como o conjunto de palavras que se podem
agrupar pelo facto de partilharem determinadas propriedades linguísticas. São dez as
classes gramaticais existentes em português:
1. nomes
2. adjetivos
3. verbos
4. advérbios
5. interjeições
6. determinantes
7. pronomes
8. quantificadores
9. preposições
10. conjunções
Classes abertas e classes fechadas
Existem classes que englobam um conjunto infinito de palavras, que pode ser
constantemente aumentado pela entrada de novas unidades. É o caso dos nomes, dos
adjetivos, dos verbos, dos advérbios e das interjeições.
Por exemplo, googlar foi acrescentado à classe dos verbos; bué foi acrescentado à classe
dos advérbios; beijinhos passou, além de nome, a pertencer à classe das interjeições
(como forma de despedida). Estas classes de palavras designam-se classes abertas.
Por sua vez, existem classes que englobam um conjunto finito de palavras, não sendo
produtiva a entrada de novas unidades. É possível fazer-se uma listagem das unidades
que as constituem. Designam-se, assim, classes fechadas.
CLASSES ABERTAS
• nomes
• adjetivos
• verbos
• advérbios
• interjeições
CLASSES FECHADAS
• determinantes
• pronomes
• quantificadores
• preposições
• conjunções
Palavras variáveis e invariáveis
Observa agora as seguintes frases:
a) Aquela menina está muito feliz porque recebeu um livro hoje.
b) Aqueles meninos estão muito felizes porque receberam uns livros hoje.
Como podemos verificar, algumas palavras sofreram alterações:
– aquela
– menina
– está
– feliz
– recebeu
– um
– livro
Outras não sofreram qualquer alteração:
– muito
– porque
– hoje
Às palavras que alteraram a sua forma chamamos palavras variáveis.
Às que não sofreram qualquer modificação chamamos palavras invariáveis.
PALAVRAS VARIÁVEIS
• nomes
• adjetivos
• verbos
• determinantes
• pronomes
• quantificadores
PALAVRAS INVARIÁVEIS
• advérbios
• preposições
• conjunções
• interjeições