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A) Quanto À Natureza e Extensão Acidente Da Navegação B) Quanto À Causa Determinante C) Decisão

O Tribunal Marítimo decidiu, por unanimidade, condenar os condutores das motos aquáticas 'PERUCÃO XII' e 'D’ÓRO II' por imprudência e imperícia, resultando em multa de 4.000 Ufirs para um e 1.000 Ufirs para o outro. O acidente foi causado pelo desrespeito às regras de segurança da navegação, com ambos os condutores navegando em alta velocidade e em proximidade perigosa. A decisão enfatizou a responsabilidade maior do condutor da moto aquática 'D’ÓRO II', que não ajustou sua velocidade às circunstâncias do momento.
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A) Quanto À Natureza e Extensão Acidente Da Navegação B) Quanto À Causa Determinante C) Decisão

O Tribunal Marítimo decidiu, por unanimidade, condenar os condutores das motos aquáticas 'PERUCÃO XII' e 'D’ÓRO II' por imprudência e imperícia, resultando em multa de 4.000 Ufirs para um e 1.000 Ufirs para o outro. O acidente foi causado pelo desrespeito às regras de segurança da navegação, com ambos os condutores navegando em alta velocidade e em proximidade perigosa. A decisão enfatizou a responsabilidade maior do condutor da moto aquática 'D’ÓRO II', que não ajustou sua velocidade às circunstâncias do momento.
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ANO XI - 11 de maio de 2026 Acórdãos

Acordam os Desembargadores da II Turma do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a) quanto à


natureza e extensão acidente da navegação: abalroação entre moto-aquáticas com danos
materiais; b) quanto à causa determinante: desrespeito às regras de segurança da navegação; c)
decisão: julgar o acidente da navegação previsto no artigo 14, alínea “a”, da Lei nº 2.180/54, como
decorrente da imprudência e imperícia dos representados, condenando o 1o representado à pena
de multa de 4.000 Ufirs e o 2o representado à pena de multa de 1.000 ufirs, custas divididas, na
forma do art. 121, VII da LOTM.

Publique-se. Comunique-se. Registre-se.

Julgado em, Rio de Janeiro, RJ, em 02 de abril de 2026.

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ANO XI - 11 de maio de 2026 Acórdãos

evitar acidentes. Por outro lado, o Sr. Danilo Santos Araújo, condutor da moto aquática “D’ÓRO II”,
continuou a navegar em alta velocidade, apesar de ter testemunhado a redução da velocidade
da embarcação do representado, ora peticionante.

Ora, tal conduta demonstra uma falha grave no cumprimento


das normas estabelecidas para a segurança da navegação, evidenciando um descumprimento das
regras previstas pela autoridade marítima somente por parte do representado Sr. Danilo Santos
Araújo, de modo que a manutenção de alta velocidade contribuiu diretamente para o
abalroamento, infringindo os princípios fundamentais de precaução e segurança exigidos pela
legislação marítima. Portanto, requer a Vossas Excelências que considerem todos os argumentos
apresentados, reconhecendo-se a ausência de dolo e a conduta
diligente do representado, Sr. Daniel, pugnando-se, outrossim, pela absolvição do representado, Sr.
Daniel Filipe Oliveira Lima, de acordo com os princípios da justiça e da equidade.

A defesa do outro representado foi feita pela DPU sob o argumento da negativa geral.

Na instrução, nenhuma prova foi produzida.

É o relatório.

De tudo o que consta nos presentes autos, verifica-se que a causa determinante da abalroação foi
o erro de manobra, excesso de velocidade e falta de vigilância dos condutores representados.

A unanimidade da prova produzida, inclusive o depoimento dos próprios


representados, demonstra que praticavam uma navegação esportiva, com as embarcações muito
próximas umas das outras, radical e imprudente, criando um cenário de alto risco que não tardou a
materializar-se.

Foi exatamente em uma destas manobras radicais que o condutor da “PERUCÃO XII”, após um
cavalo de pau, colocou-se na direção a moto aquática “D’ÓRO II", que em alta velocidade não
conseguiu desviar-se, gerando a abalroação, nitidamente caracterizada pela conduta imperita e
imprudente de ambos os condutores representados, com maior grau de culpa para o primeiro.

Diante do exposto e tendo-se em vista que as defesas não foram capazes de afastar as acusações
da PEM, deve ser julgada integralmente procedente a representação, condenando-os.

Assim,

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ANO XI - 11 de maio de 2026 Acórdãos

Sr. Daniel, demonstra sua intenção clara de agir conforme os preceitos de segurança estabelecidos
pelo RIPEAM-72, evidenciando que sua conduta foi pautada pela tentativa de minimizar qualquer
risco de abalroamento. Entretanto, é notório que o representando, Sr. Danilo, ao observar
a redução de velocidade efetuada pelo Sr. Daniel, manteve-se em alta velocidade
com a moto aquática "D'ORO II", desconsiderando a necessidade de ajustar sua navegação às
circunstâncias do momento.

Resta claro que tal comportamento imprudente por parte do Sr. Danilo foi determinante para o
abalroamento, uma vez que a velocidade elevada impediu que ambos os
representados executassem manobras seguras e eficazes para evitá lo.

Este fato, corroborado pelos depoimentos e laudos periciais, evidencia que a responsabilidade
pelo acidente recai preponderantemente sobre o Sr. Danilo, que não observou as normas de
velocidade e segurança em conformidade com a Regra 6 do RIPEAM.

Salienta-se que se deve se considerar que a inexistência de antecedentes de comportamento


imprudente ou imperito por parte do representado deve ser levada em conta. O representado, Sr.
Daniel, com vasta experiência em navegação, sempre conduziu suas embarcações de maneira
responsável e em conformidade com as normas vigentes, fato que corrobora sua capacidade e
diligência como condutor. Outrossim, nos termos do art. 17, alínea “b”, da Lei do
Tribunal Marítimo, o e. Tribunal é incumbido de investigar, entre outros aspectos, se
foram fielmente cumpridas as regras estabelecidas em convenções internacionais e as normas
especiais definidas pela autoridade marítima local, visando a prevenção de abalroações. In
verbis: “Art. 17 - Na apuração da responsabilidade por fatos e acidentes da navegação, cabe ao
Tribunal Marítimo investigar: b) se foram fielmente cumpridas, para evitar abalroação, as regras
estabelecidas em convenção internacional vigente, assim como as regras especiais baixadas pela
autoridade marítima local, e concernentes à navegação nos portos, rios e águas interiores.”

No presente caso, Sr. Daniel Filipe Oliveira Lima demonstrou diligência e compromisso com a
segurança náutica, ao reduzir a velocidade de sua moto aquática, “PERUCÃO XII”, assim que
percebeu a necessidade de evitar um possível abalroamento. Este comportamento reflete a
observância cuidadosa das regras internacionais e das normas locais pertinentes, como a Regra 6
do RIPEAM-72, que exige a adaptação da velocidade de acordo com as circunstâncias para

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ANO XI - 11 de maio de 2026 Acórdãos

intenção de me molhar, então seu primo, que veio atrás, não conseguiu parar e acabou batendo no
lado de Boreste da Moto Aquática. Alega que o sr. Daniel estava consumindo bebida alcoólica.

O encarregado do IAFN (fls. 74/80), em unidade de entendimento com os peritos (fls. 15/20),
concluiu que a causa determinante do acidente da navegação foi a imperícia e a imprudência por
parte dos condutores da moto aquática PERUCÃO XII e da moto aquática D’ÓRO II, estando
presente risco consciente assumido por parte de ambos os condutores ao navegarem próximos e
em alta velocidade, em inobservância ao previsto na REGRA 6 do Regulamento Internacional Para
Evitar Abalroamentos no Mar (RIPEAM-72).

A Procuradoria concluiu que o abalroamento entre as embarcações deu-se em razão da imperícia e


imprudência do Sr. DANIEL FILIPE OLIVEIRA LIMA, condutor da moto aquática “PERUCÃO XII”, pela
inobservância de medidas de precaução, segurança e vigilância na condução da embarcação e
descumprimento das regras 6 e 8 do Regulamento Internacional para Evitar Abalroamentos no
Mar, revelando conduta arriscada que acabou por se materializar na abalroação, razão pela qual
a Procuradoria requereu a sua responsabilização, tendo o mesmo confessado desconhecer as
regras do RIPEAM.

Merece reprimenda ainda o sr. DANILO SANTOS ARAÚJO, condutor da moto aquática “D’ÓRO II”,
por imprudência, em razão do descumprimento da REGRA 6 do RIPEAM-72, uma vez que não
adotou conduta segura que lhe permitisse adotar a ação apropriada e eficaz para evitar colisão
diante das circunstâncias que o rodeavam, pois, no caso em tela, afirma que o sr. Daniel vinha em
alta velocidade e com comportamento imprudente em sua direção.

Assim, a PEM ofertou representação em face de ambos, com fulcro no art.14, "a" da LOTM.

Citado o 1º representado, em atitude louvável, foi defendido "pro bono", alegando a defesa que:
"é crucial reconhecer que a responsabilidade pelo abalroamento deve ser atribuída única e exclusi
vamente, considerando a imprudência, ao Sr. Danilo Santos Araújo ao não observar a velocidade e
a proximidade adequadas em total desrespeito às regras previstas no RIPEAM. No que concerne à
dinâmica do acidente, o representado, Sr. Daniel, ao se deparar com a proximidade da embarcação
conduzida pelo Sr. Danilo, prontamente reduziu a velocidade da moto aquática "PERUCÃO XII".
Este ato de prudência visava assegurar a segurança da navegação e evitar um
potencial abalroamento. Destaca-se que a ação de desaceleração do representado,

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ANO XI - 11 de maio de 2026 Acórdãos

PROCESSO Nº 36.193/2022
Acórdão

Motos Aquáticas “PERUCÃO XII” e “D’ÓRO II”. Abalroação. Imprudência e imperícia. Condenação.

Vistos e relatados os presentes autos.

No dia 23 de janeiro de 2022, as motos aquáticas “PERUCÃO XII” e “D’ÓRO II” estavam navegando
no mesmo rumo, em alta velocidade e próximas umas das outras. A moto aquática “PERUCÃO
XII” na vanguarda, a moto aquática “ O GENTIL” logo em sequência e, por fim, a moto
aquática “D’ÓRO II”, no estuário do Rio Vaza-Barris, no Povoado Pedreira, nas proximidades do
Restaurante Porto do Dedé, no município de São Cristóvão/SE.

Por volta das 14h30m, houve o abalroamento da moto aquática “D’ÓRO II”, ocasionando avaria no
costado de boreste (BE) da moto aquática “PERUCÃO XII”. No momento do acidente, a moto
aquática “PERUCÃO XII” guinou bruscamente com a intenção de realizar uma manobra
radical. Surpreendido pela guinada, o condutor da moto aquática "D’ ÓRO II" tentou desacelerar e
desviar a sua embarcação, sem sucesso, o que ocasionou o abalroamento entre elas.

Não houve acidentes pessoais em ambas as embarcações, nem poluição hídrica.

O Sr. DANIEL FILIPE OLIVEIRA LIMA, condutor da moto aquática “PERUCÃO XII”, em seu
depoimento à fl. 51, relatou que já possuiu mais de 11 embarcações do tipo moto aquática, mas
não conhece as regras do RIPEAM, Regulamento Internacional para Evitar Abalroamento no Mar,
e atribuiu o acidente ao condutor da outra embarcação que navegava em alta velocidade e
próximo à sua embarcação.

O sr. DANILO SANTOS ARAÚJO, condutor da moto aquática “D’ÓRO II”, declarou à fl. 59 que o Sr.
“DANIEL FELIPE” estava ingerindo bebida alcoólica e estava fazendo “presepada” e dando “Cavalo
de Pau”. No momento do acidente, devido às manobras radicais efetuadas pelo Sr.
“DANIEL FELIPE”, acabou acertando o lado de boreste da moto aquática do mesmo. Afirmou
conhecer as regras do RIPEAM.

Já o sr. BRENO LIMA SANTOS, condutor da moto aquática “O GENTIL”, declarou à fl. 67 que vinha
beirando ao mangue e o primo “DANILO” vinha atrás e o Sr. DANIEL deu um “Cavalo de Pau” na

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ANO XI - 11 de maio de 2026 Acórdãos

quando a entregou para tripulante sem a qualificação necessária para conduzi-la, e ainda, atribuiu-
lhe responsabilidade na contratação de pessoas, não tendo o representado o cuidado e zelo pela
embarcação, tampouco se importou se as pessoas contratadas possuíam ou não habilitação. Sua
conduta corroborou sobremaneira para o acidente e fato da navegação, que levou ao encalhe da
embarcação.
Também merece reprimenda desse Egrégio Tribunal, o sr. DIONATO JOSÉ CHAVES COSTA, pois agiu
com negligência, imprudência e imperícia ao empreender navegação sem possuir a qualificação
necessária para operá-la. Além disso, colocou na condução da embarcação pessoa inabilitada e,
ainda, contratou para integrar a singradura, pessoas sem habilitação. Sua conduta, negligente,
imprudente e imperita, deu azo ao acidente e fato da navegação em comento, em que colocou em
risco a segurança da navegação, da embarcação, das vidas e fazendas de bordo. Logo, não há
dúvida de que as condutas dos representados deram ensejo ao acidente e fato da navegação
capitulado no art. 14, alínea “(colisão), e art. 15, alínea “a” (deficiência de equipagem) “e” (expor a
risco) da Lei n0 2.180/54, em que resultou em risco a segurança da navegação, assim como,
também colocou em risco as vidas e fazendas de bordo.

A unanimidade da prova apontou a responsabilidade dos representados, suas revelias corroboram


as acusações da PEM, devendo assim ser julgada integralmente procedente a representação.

Assim,

Acordam os Desembargadores da II Turma do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a) quanto à


natureza e extensão do fato da navegação: encalhe de pesqueiro com danos materiais; b) quanto à
causa determinante: erro de navegação; c) decisão: julgar o acidente da navegação previsto no
artigo 15, alínea "a", da Lei nº 2.180/54, como decorrente da imperícia do representado,
condenando-o à pena de multa de 200 ufirs e o pagamento das custas processuais na forma do art.
121, VII da Lei nº 2.180/54.

Publique-se. Comunique-se. Registre-se.

Julgado em, Rio de Janeiro, RJ, em 16 de março de 2026.

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ANO XI - 11 de maio de 2026 Acórdãos

de trabalho. Tal como o fator operacional decorrente de erro de navegação, erro de manobra e
violação das normas vigentes. No entanto, não há evidências de que o fator material tenha
contribuído para a ocorrência do acidente. Com isso, apontou a perícia como causa determinante
para o acidente da navegação imprudência e imperícia, bem como a ocorrência de infrações ao
RLESTA.

O Encarregado do Inquérito, em Relatório às (fls.44/48V), concluiu que a causa determinante do


acidente foi negligência e imprudência, tendo como responsáveis diretos o Sr. MAURI INDIO
PEREIRA, proprietário, e o Sr. DIONATO JOSE CHAVES COSTA, Pescador Profissional (POP) que na
ocasião do acidente respondia como Mestre, mesmo sabendo que a categoria exigida no CTS para
responder por esta função seria a categoria de Pescador Profissional Especializado (PEP), nível 3.

Ressaltou ainda o Encarregado que: "... o sr. DIONATO não soube informar os dados dos demais
tripulantes para que fossem devidamente enquadrados conforme suas responsabilidades de
acordo com infrações cometidas. Conforme consta do Laudo Pericial, à fl. 009, não houve dano
ambiental, o que é corroborado por meio da imagem cedida por testemunhas locais presentes,
constante do item 6 deste Relatório. Cabe esclarecer, ainda, que não foi possível classificar o tipo
de pescado e a quantidade que estava a bordo da embarcação, pois, segundo declaração do
Mestre, teria recebido autorização do proprietário para doar toda a quantidade para a população
que se dispôs a cooperar na manobra do desencalhe…”

A Procuradoria ofereceu representação em face dos indiciados, com fulcro no art. 14, “a” e 15 “a”
da LOTM.

Citados, permaneceram revéis.

Na fase de instrução, nenhuma prova foi produzida.

É o relatório.

De tudo o que consta nos presentes autos, verifica-se que a causa determinante do encalhe foi o
erro de navegação.

MAURI INDIO PEREIRA agiu com negligência e imprudência ao contratar tripulante sem a
qualificação necessária para condução da embarcação, assim como delegou a ele a contratação de
outros tripulantes. Sua omissão e falta de cuidado com a embarcação restaram evidenciadas

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ANO XI - 11 de maio de 2026 Acórdãos

causa do acidente à falta de atenção de quem estava conduzindo a embarcação no momento do


acidente.

Em declaração, o Sr. MAURI INDIO PEREIRA, às (fls.36/37v), proprietário da embarcação, disse que
atua na área de pesca há 55 anos. Ao ser perguntado como ocorreu a contratação de pessoal para
trabalhar no barco de pesca “COMETA I”, o depoente respondeu que segue o modelo de
arrendamento; que o Sr. DIONATO, era o responsável pela embarcação e também pela tripulação
no dia acidente; que tomou conhecimento do encalhe através de um telefonema de um amigo;
que após tomar conhecimento do acidente, pediu para seu filho entrar em contato com Sr. JERRY;
que este enviou para o local do acidente um caminhão e mão de obra para auxiliar no desencalhe;
que não tinha conhecimento que a tripulação não era habilitada; que a embarcação possuía passe
para o exercício de pesca; que a embarcação sofreu uma pequena avaria que gerou uma abertura
no costado levando a entrada de água; que o sr. JERRY rebocou a embarcação “COMETA I" para a
Quinta Seção d Barra; que a quantidade de peixe pescado foi em torno de trinta e quatro caixas;
que para o depoente o acidente poderia ter sido evitado se na condução da embarcação tivesse
uma pessoa com mais experiência; que não tem como responsabilizar o senhor DIONATO pelo fato
ocorrido, pois trata-se de uma pessoa responsável, trabalhadora e honesta, e que o acidente foi
uma fatalidade; que o fato de ter pessoas sem habilitação, exercendo atividade de pesca, é
consequência de uma grande dificuldade para uma formação profissional da região; que chama
atenção, para quem sabe, encontrar uma maneira de incentivar ou até mesmo levar até essas
comunidades mais distantes uma qualificação adequada para a atividade de pesca exercida pela
grande maioria dos moradores da região, jovens com pouca formação acadêmica e grande
dificuldade financeira.

O Boletim de Informações Ambientais, às (fls.42/43), constatou que a região onde ocorreu o


acidente não estava sob a influência de fenômeno significativo.

Os Peritos em Laudo de Exame Pericial às (fls.7/10) apontaram que não houve acidentes pessoais
nem poluição hídrica, contudo, houve avaria no prolongamento longitudinal no casco de
bombordo abaixo da linha d’água, iniciado perto da proa e terminando na popa, avaria no motor e
nas duas baterias devido à entrada de água. Verificaram, ainda, como fatores contribuintes o fator
humano por efetuar navegação noturna, com condutor a princípio fadigado devido à longa jornada

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ANO XI - 11 de maio de 2026 Acórdãos

PROCESSO Nº 36.180/2022
Acórdão

Pesqueiro "COMETA I". Encalhe. Imprudência. Condenação.

Vistos e relatados os presentes autos.

No dia 14 de janeiro de 2022, por volta das 03:30h, houve encalhe do Pesqueiro "COMETA I",
ocorrido na praia do Hermenegildo, município de Santa Vitória do Palmar, Rio Grande do Sul, com
danos materiais.

No inquérito, realizado pela Autoridade Marítima local, foram ouvidas testemunhas, realizado
laudo pericial e juntada a documentação de praxe.

Consta dos autos que, no dia 14 de janeiro de 2022, por volta das 03h35min, a embarcação
“COMETA I”, tipo pesqueiro, propulsionada a motor, classificada para atividade de pesca, em área
de navegação cabotagem, com 13,00 metros de comprimento, AB 13,20, de propriedade de
MAURI INDIO PEREIRA, quando retornava de uma jornada de seis dias de mar, encalhou na praia
do Hermenegildo, em Santa Vitória do Palmar-RS, nas coordenadas LAT 33º30'19”S e LONG
053º03'13”W.

A testemunha Sr. DIONATO JOSÉ CHAVES COSTA, Mestre da embarcação “COMETA I”, às
(fls.24v/25v), declarou que não era habilitado como Mestre, e sim como pescador profissional; que
havia sete tripulantes a bordo da embarcação; que o proprietário da embarcação não estava a
bordo; que fora contratado pelo proprietário da embarcação; que os demais ocupantes quem
contratou foi o próprio depoente; que somente um possuía habilitação, que há oito meses vinha
exercendo essa atividade; que no momento do acidente o depoente estava na coberta
descansando; que quem conduzia a embarcação neste momento era o TAFAREL, sem habilitação;
que autorizou o TAFAREL a conduzir a embarcação; que no tocante a avaria a embarcação sofreu
dano no casco e em consequência da entrada de água, o motor ficou comprometido; que o
desencalhe ocorreu com auxílio de outras embarcações, tratores, alijamento de peso e trabalho
humano; que a embarcação foi rebocada pelo barco “SÃO FRANCISCO", de propriedade do sr.
JERRY; que a avaria comprometeu a navegabilidade da embarcação; que o depoente atribui a

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ANO XI - 11 de maio de 2026 Acórdãos

GABINETE DESEMBARGADOR MARCELO DAVID


GONÇALVES

ACÓRDÃOS

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