ANO XI - 11 de maio de 2026 Acórdãos
PROCESSO Nº 37.939/2024
Acórdão
Comboio formado pelo R/E "BERTOLINI CXXII" com as balsas "BERTOLINI CCXVII", "BERTOLINI
CCXLIX", "BERTOLINI CCLXI", "BERTOLINI CCXCVII", "BERTOLINI CCCLXIX", "BERTOLINI CDLVII",
"BERTOLINI CDLXXVII", "BERTOLINI DXI", "BERTOLINI DXXVII" e o comboio formado pelo R/E
"RENATO MASSARI" com a balsa "RN 15", chata "NAVEZON 120/BP", balsa "RN 12". Encalhe.
Imprudência e imperícia. Condenação.
Vistos e relatados os presentes autos.
No dia 13 de agosto de 2023 , por volta das 14h, ocorreu encalhe e exposição a risco e posterior
abalroamento, envolvendo o comboio formado pelo R/E "BERTOLINI CXXII" com as balsas
"BERTOLINI CCXVII", "BERTOLINI CCXLIX", "BERTOLINI CCLXI", "BERTOLINI CCXCVII", "BERTOLINI
CCCLXIX", "BERTOLINI CDLVII", "BERTOLINI CDLXXVII", "BERTOLINI DXI", "BERTOLINI DXXVII" e o
comboio formado pelo R/E "RENATO MASSARI" com a balsa "RN 15", chata "NAVEZON 120/BP",
balsa "RN 12", no rio Madeira, município de Humaitá, Amazonas.
No inquérito, realizado pela Autoridade Marítima local, foram ouvidas testemunhas, realizado
laudo pericial e juntada a documentação de praxe.
Consta dos autos que, no dia 13 de agosto de 2023, o comboio formado pelo REM BERTOLINI CXXII
e suas 09(nove) balsas, comandadas pelo Sr. DOMINGOS FERREIRA NEVES NETO, encalhou nas
proximidades da passagem do Miriti (MN 361), de modo a realizar a remoção das embarcações
encalhadas.
Na oportunidade, foi realizada a manobra de quebra do comboio, considerando que não eram
todas as embarcações que estavam encalhadas. As embarcações que estavam em sua plena
flutuabilidade foram levadas para uma posição em segurança e amarradas.
Em seguida, o BERTOLINI CXXII retornou para a balsa que ficou encalhada na tentativa de realizar a
remoção, uma vez que o empurrador em tela realizaria menos esforço para a retirada da balsa
encalhada. A tentativa de remoção perdurou até o horário da tarde e, no período, as condições do
tempo não eram boas.
30
ANO XI - 11 de maio de 2026 Acórdãos
operacional contribuiu para o incidente, tendo em vista que o condutor da balsa Sambaqui ll não
se atentou às condições de segurança, pois com a balsa em movimento, solicitou ao motorista do
veículo, para fazer uma manobra, no caso dar ré.
Enquanto o Encarregado do IAFN, corroborou com a conclusão de que o fator operacional, exposto
acima, afirmando que contribuiu para o evento danoso, a negligência do condutor da balsa
SAMBAQUI II, apontando-o como possível responsável. Acrescentou, ainda, que o condutor não
posicionou os calços assim que o veículo parou na posição de estacionamento.
Diante do exposto, deve prevalecer a acusação da PEM, julgando integralmente procedente a
representação, condenando o representado.
Assim,
Acordam os Desembargadores da II Turma do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a) quanto à
natureza e extensão do fato da navegação: queda de veículo de balsa de travessia, com danos
materiais; b) quanto à causa determinante: desrespeito as regras de segurança da navegação; c)
decisão: julgar o acidente da navegação previstos no artigo 14, alínea “a”, da Lei nº 2.180/54, como
decorrente da imprudência do representado, condenando-o à pena de repreensão e o
pagamento das custas na forma dos arts.121, I da Lei 2.180/54.
Publique-se. Comunique-se. Registre-se.
Julgado em, Rio de Janeiro, RJ, em 16 de março de 2026.
29
ANO XI - 11 de maio de 2026 Acórdãos
corroborou com a conclusão de que o fator operacional, exposto acima, contribuiu para o evento
danoso e que a causa do acidente foi a negligência do condutor da balsa SAMBAQUI II, apontando-
o como possível responsável. Acrescentou, ainda, que o condutor não posicionou os calços assim
que o veículo parou na posição de estacionamento.
Ademais, ordenou a movimentação do veículo sobre o convés da balsa quando esta já se
encontrava em movimento. O fato é que não foram cumpridos os procedimentos de segurança
relativos à manobra. O condutor da balsa, Sr. GILMAR SOARES DA SILVA, negligenciou o
cumprimento da alínea b, item 10.7 da NORMAM-202/DPC, que prevê o seguinte: "O embarque e
o desembarque de passageiros e veículos deverão ser feitos com a embarcação totalmente
atracada e com as espias passadas, sob a orientação dos funcionários da empresa concessionária.
Após a partida da embarcação, nenhum veículo poderá ser deslocado de sua posição de
estacionamento.” Conforme determina a norma, o reposicionamento do veículo para ser realizado
com segurança, necessita da parada total da embarcação, além da colocação dos calços na posição
pretendida.
A Douta Procuradoria ofereceu representação em face do indiciado com fulcro no art. 15, “e”, da
Lei n. 2.180/54.
Citado, o representado foi declarado revel.
Na instrução, nenhuma outra prova foi produzida.
É o relatório.
De tudo o que consta nos presentes autos, verifica-se que a causa determinante do acidente foi o
desrespeito às regras de segurança quanto à movimentação de veículos em balsa de travessia por
parte do responsável pela embarcação, ora representado.
A uniformidade da prova produzida deu conta de demonstrar que a movimentação do veículo no
interior da balsa, sem proteção ou calços, aliada à movimentação da própria embarcação,
provocou a queda do veículo.
A prova técnica consignou que a queda do veículo na água e seu posterior afundamento no rio
D'Una, se deu porque o mesmo foi movimentado pelo convés da Balsa "SAMBAQUI ll", seguindo a
ordem de um dos balseiros e com a embarcação em movimento. Ainda conforme a perícia, o fator
28
ANO XI - 11 de maio de 2026 Acórdãos
PROCESSO Nº 37.818/2024
Acórdão
Balsa "SAMBAQUI II". Queda de veículo na água, com danos materiais. Imprudência. Condenação.
Vistos e relatados os presentes autos.
No dia 31 de maio de 2023, ocorreu exposição a risco, envolvendo a balsa "SAMBAQUI II", ocorrido
no rio D'Una, município de Imbituba, Santa Catarina.
No inquérito, realizado pela Autoridade Marítima local, foram ouvidas testemunhas, realizado
laudo pericial e juntada a documentação de praxe.
Consta nos autos que no dia trinta e um de maio do ano corrente, às 16h00min, o Sr. RUDNEI
BRESSAN, motorista do veículo, uma saveiro "robust", retornava do município de lmarui, chegando
na balsa SAMBAQUI II, colocou o veículo na mesma.
Ocorre que, quando a balsa começou a movimentar, foi solicitado por um dos balseiros que ele
desse ré no veículo. Contudo, ao atender à solicitação recebida, o veículo caiu na água. Segundo
apurado, o Sr. RUDNEI BRESSAN conseguiu sair do interior do veículo, sem ferimentos.
O acidente foi testemunhado pelo Sr. SIDNEI MARTINS, que estava de carona no veículo, mas no
momento do acidente estava fora do mesmo. Extrai-se dos autos que não houve derramamento de
combustíveis, tampouco acidentes pessoais. Entretanto, houve perda total do veículo (Saveiro
Robust, ano 2019, cor branca, placa MME-3594).
A prova técnica consignou que a queda do veículo na água e seu posterior afundamento no rio
D'Una, se deu porque o mesmo foi movimentado pelo convés da Balsa "SAMBAQUI ll", seguindo a
ordem de um dos balseiros e com a embarcação em movimento. Ainda conforme a perícia, o fator
operacional contribuiu para o incidente, tendo em vista que o condutor da balsa Sambaqui ll não
se atentou às condições de segurança, pois com a balsa em movimento, solicitou ao motorista do
veículo, para fazer uma manobra, no caso dar ré.
Nesse sentido, os peritos concluíram que a causa determinante foi decorrente da imprudência e da
negligência do condutor da embarcação. O Encarregado do IAFN, em consonância de
entendimento com os peritos quanto à causa determinante do fato da navegação em análise,
27
ANO XI - 11 de maio de 2026 Acórdãos
O conjunto probatório demonstrou que a falta marinheira, caracterizada como o erro de manobra,
causou o acidente, visto que não houve qualquer outro fator que tenha prejudicado a navegação.
As defesas não foram capazes de afastar as acusações da PEM, caracterizando descumprimento do
RIPEAM.
Diante do exposto, deve ser julgada integralmente procedente a representação, condenando os
representados.
Assim,
Acordam os Desembargadores da II Turma do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a) quanto à
natureza e extensão do acidente da navegação: abalroamento entre BM com danos materiais . b)
quanto à causa determinante: erro de manobra. c) decisão: julgar o acidente da navegação,
tipificado no art. 14, alínea “a”, da Lei nº 2.180/54, como decorrente da imperícia dos
representados, condenando-os à pena de multa de 200 ufirs e o pagamento dividido das custas, na
forma do art.121, VII da LOTM.
Publique-se. Comunique-se. Registre-se.
Julgado em, Rio de Janeiro, RJ, em 31 de março de 2026.
26
ANO XI - 11 de maio de 2026 Acórdãos
Os peritos registraram que as duas embarcações desenvolviam velocidade apropriada e segura
para a região. Concluíram os peritos pela imprudência, negligência e imperícia dos comandantes
das duas embarcações.
O encarregado do IAFN concluiu em uniformidade de entendimentos com os peritos. Os
indiciados, comandantes das duas embarcações, foram devidamente notificados acerca das
conclusões do encarregado do IAFN, no entanto, não apresentaram defesa prévia.
A Procuradoria ofereceu representação em face de WALLACE CESAR CALDAS MICHILES, na
qualidade de proprietário e comandante do B/M VENCEDOR, de MANOEL JOSÉ DA SILVA, na
qualidade de condutor do B/M VENCEDOR, e de MAYCON FARIAS GAMA, na qualidade de
proprietário e condutor do B/M ANTONIO ASSAF, com fulcro no art. 14, “a” e 15 “a” da LOTM.
Citados, o 1º e 3º representados permaneceram revéis. O 2° representado foi defendido por
negativa geral pela DPU postulando pela improcedência da representação e, subsidiariamente,
pelo reconhecimento da desnecessidade da aplicação de pena e, caso não seja esse o
entendimento do d. Tribunal, que seja aplicada a pena mais branda dentre as cominadas em lei, no
percentual mínimo.
Na instrução, nenhuma prova foi produzida.
É o relatório.
De tudo o que consta nos presentes autos, verifica-se que a causa determinante da abalroação foi
o erro de manobra dos dois condutores das embarcações envolvidas na abalroação.
A prova técnica registrou que as duas embarcações envolvidas no acidente encontravam-se em
bom estado de conservação e as luzes de navegação funcionando normalmente, assim como as
condições ambientais eram boas e não contribuíram para o acidente, com céu estava limpo, não
chovia, vento fraco e boa visibilidade.
No entanto, as duas embarcações não utilizaram o equipamento de rádio e nem emitiram sinais
sonoros, embora estivessem funcionando normalmente.
Concluíram os peritos pela imprudência, negligência e imperícia dos comandantes das duas
embarcações.
25
ANO XI - 11 de maio de 2026 Acórdãos
PROCESSO Nº 36.948/2023
Acórdão
B/M "VENCEDOR" e "ANTONIO ASSAF". Abalroamento. Imperícia. Condenação.
Vistos e relatados os presentes autos.
Foi instaurado Inquérito Administrativo pela CFAOC para apurar as causas do abalroamento
envolvendo os B/M "VENCEDOR" e "ANTONIO ASSAF" ocorrido no dia 20 de novembro de 2022,
por volta das 00h00, na margem direita do rio Camões, município de Maués, Amazonas.
Consta dos autos que, no dia e horário mencionados, as embarcações BM VENCEDOR, sob
condução do Sr. MANOEL, e BM ANTÔNIO ASSAF (não inscrito), de propriedade e sob condução
do Sr. MAYCON (não habilitado), navegavam em rumos contrários pelo rio Camões. O primeiro
navegava baixando no meio do rio e o último subia a margem direita do rio, quando avistaram-se a
cerca de 5 a 10 metros de distância.
Segundo o que foi apurado, o condutor do BM ANTÔNlO ASSAF (MAYCON) deu máquinas a ré
guinando para bombordo e o condutor do B/M VENCEDOR (MANOEL) guinou a embarcação para
boreste, no entanto, já não havia mais tempo nem espaço para evitar o acidente, sendo assim as
embarcações se chocaram.
Do evento em exame não resultaram acidentes pessoais ou poluição hídrica, mas há registro de
danos materiais nas duas embarcações. No B/M VENCEDOR, parte da bochecha de bombordo
ficou destruída e no B/M ANTÔNIO ASSAF parte do bico de proa ficou destruída.
A prova técnica registrou que as duas embarcações envolvidas no acidente encontravam-se em
bom estado de conservação, com as luzes de navegação funcionando normalmente.
No entanto, as duas embarcações não utilizaram o equipamento de rádio e nem emitiram sinais
sonoros, embora estivessem funcionando normalmente.
Extrai-se do laudo de exame pericial que as condições ambientais eram boas e não contribuíram
para o acidente. O céu estava limpo, não chovia, vento fraco e boa visibilidade.
24
ANO XI - 11 de maio de 2026 Acórdãos
23
ANO XI - 11 de maio de 2026 Acórdãos
NEGLIGÊNCA e IMPRUDÊNCIA por parte do condutor da embarcação, pelo fato de se automedicar
e não ter informado seu estado de saúde ao comandante da embarcação.
Assim sendo, a Procuradoria promoveu pela responsabilização do Sr. Leônidas dos Anjos Souza,
condutor do F/B “Princesa de Óbidos”, pois atuou com negligência, cometendo erro de navegação,
se omitindo no seu dever de cuidado ao não informar o seu estado de saúde ao comandante e
tomar a condução da embarcação, assumindo os riscos de se automedicar, o que o levou ao estado
de sonolência e, consequentemente, ao encalhe.
A Procuradoria ofereceu representação em face do indiciado, com fulcro no art. 14, “a” da LOTM.
Citado, o representado permaneceu revel.
Na fase de instrução, nenhuma prova foi produzida.
É o relatório.
De tudo o que consta nos presentes autos, verifica-se que a causa determinante foi a imprudência
do representado ao adormecer durante a navegação.
O presente processo é de fácil solução, visto que todas as provas produzidas, inclusive o
depoimento do próprio representado, apontam para o seu lapso de descuidar da navegação, ao
adormecer.
A revelia corrobora com a acusação, diante do exposto deve ser julgada procedente a
representação, condenando o representado.
Assim,
Acordam os Desembargadores da II Turma do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a) quanto à
natureza e extensão do acidente da navegação: encalhe de F/B com danos materiais; b) quanto à
causa determinante: falta de vigilância; e c) decisão: julgar o acidente da navegação previsto no
artigo 14, alínea “a”, da Lei nº 2.180/54, como decorrente da imprudência do representado,
condenando-o a pena de repreensão e o pagamento das custas processuais.
Publique-se. Comunique-se. Registre-se.
Julgado em, Rio de Janeiro, RJ, em 16 de março de 2026.
22
ANO XI - 11 de maio de 2026 Acórdãos
PROCESSO Nº 36.874/2023
Acórdão
Ferryboat "PRINCESA DE ÓBIDOS". Encalhe. Imprudência. Condenação.
Vistos e relatados os presentes autos.
No dia 4 de julho de 2022, por volta das 1h, ocorreu o encalhe envolvendo o ferryboat "PRINCESA
DE ÓBIDOS", ocorrido no rio Amazonas, município de Alenquer, Pará.
No inquérito, realizado pela Autoridade Marítima local, foram ouvidas testemunhas, realizado
laudo pericial e juntada a documentação de praxe.
Compulsando os autos, verifica-se que em 04 de julho de 2022, a embarcação F/B “PRINCESA DE
ÓBIDOS”, no comando do aquaviário Contramestre Fluvial, sr. Leônidas dos Anjos Souza, descia o
rio Amazonas com destino ao município de Santarém, atravessou da costa do Iranduba para pegar
a ponta do Arapiri.
A noite estava escura e com boa visibilidade, mas, antes de assumir o comando, o aquaviário fez
uso por conta própria de uma medicação (Paracetamol), por sentir os sintomas de uma virose, de
modo que os efeitos dessa medicação associada às condições do tempo, o levaram a uma leve
cochilada no timão, e, quando percebeu, estava encalhando na ponta do Arapiri, por volta de 1h, a
uma profundidade de 1 metro.
Não houve danos materiais, pessoais ou ambientais, nem poluição hídrica. O Sr. Leônidas dos
Anjos Souza, condutor do FB “Princesa de Óbidos”, confessou em seu depoimento de fls. 31/33
que vinha navegando no rio Amazonas e atravessou da costa do Iranduba para pegar a ponta do
Arapiri.
A noite estava escura e com boa visibilidade, antes de subir e assumir o comando, tomou um
remédio (Paracetamol), devido a estar sentindo uma virose, e acabou relaxando, dando uma leve
cochilada no timão, quando percebeu estava encalhado na ponta do Arapiri.
O encarregado do IAFN, em unidade de entendimento com os peritos (fls.61/69), concluiu às fls.
75/78 que a causa determinante do encalhe da embarcação F/B ‘PRINCESA DE ÓBIDOS ’ foram a
21