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Sala Rio

O documento narra uma situação tensa envolvendo agentes da CIA, um homem chamado Rutherford e a busca por uma mulher loira. Após testemunharem o transporte de um cadáver, os protagonistas, Brigitte e Johnny, decidem seguir a lancha de Rutherford em busca de respostas sobre um misterioso 'depósito'. A história se desenrola com elementos de espionagem, ação e mistério, enquanto os personagens tentam desvendar o que realmente está acontecendo.
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Sala Rio

O documento narra uma situação tensa envolvendo agentes da CIA, um homem chamado Rutherford e a busca por uma mulher loira. Após testemunharem o transporte de um cadáver, os protagonistas, Brigitte e Johnny, decidem seguir a lancha de Rutherford em busca de respostas sobre um misterioso 'depósito'. A história se desenrola com elementos de espionagem, ação e mistério, enquanto os personagens tentam desvendar o que realmente está acontecendo.
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“o depósito”. Ouvi a conversa deles.

Há um homem a que chamam mister Rutherford e


deve ser o chefe. É um sujeito gordo, alto, calvo. Evidentemente inglês, como o nosso
Archie. — Que faremos? — Nada, por enquanto. O que estão fazendo já não prejudica
ninguém. Além disso, são quatro homens e duas mulheres. Na verdade, duas
mulheres... estranhas. Muito altas, de movimentos felinos. Parecem.., atletas ou algo
assim. Virão a pé com o tal Rutherford. Estão preocupadíssimos, Johnny. — Têm bons
motivos... — sorriu sinistramente Johnny. — Parece que desta vez as coisas não lhes
estão saindo tão bem. — Ouvi o tal Rutherford dizer que, depois de levarem Pedraza
para o “depósito”, concentrarão seus esforços em me procurar. Ele quer que me
encontrem a qualquer preço, pois ignora o que Pedraza me pode ter revelado antes de
morrer. — Pois então, que se dediquem, de corpo e alma, a procurar uma loura... —
riu-se de novo Johnny. — É. Que procurem uma loura de olhos verdes. Ido divertir-se
bastante, porque... Psst! Os três homens que tinham saído do carro estavam
empurrando uma lancha até enfio oculta sob o telheiro de palha, levando-a para o mar.
Naquele momento, apareceram as duas mulheres e o homem calvo, cuja cabeça
brilhou na escuridão. — Vamos depressa! — ouviram sua voz. — Têm de voltar
imediatamente para Kingston! Anne e Florrie, ajudem esses inúteis! As duas mulheres
atléticas se apressaram a atender e sua ajuda se fez notar imediatamente, pois a
lancha deslizou na areia como se já estivesse flutuando. — Minha mãe! — exclamou
Johnny, espantado. — E vá-se confiar no sexo frágil... A lancha foi finalmente lançada
ao mar e dois dos homens voltaram ao carro, enquanto o terceiro se punha nos
comandos. Os dois reapareceram carregando o enorme cadáver de José Pedraza.
Ajudados pelas duas mulheres atléticas, balançaram-no, soltando-o no momento
oportuno para que caísse dentro da lancha. Os dois homens embarcaram e as
mulheres foram para junto do tal Rutherford, que ordenou, acrimonioso: — Depressa!
Têm de encontrar essa loura e o homem da CIA antes do amanhecer! Levaremos o
carro para casa! A lancha partiu veloz e Rutherford se afastou com uma das mulheres,
enquanto a outra entrava no carro, manobrava e arrancava, jogando areia para trás,
num instante ultrapassando a dupla a caminho de casa. Poucos segundos depois, os
dois agentes da CIA e o assustadíssimo Archie Waterfield ficavam de novo sozinhos
entre as rochas. — Santo Deus! — exclamou o velho marujo. — Levavam um cadáver! E
falaram da CIA e de uma loura que... Ficou olhando alternadamente para Brigitte e
Johnny, os três com os olhos já acostumados à escuridão do lugar. Viu o sorriso de
Brigitte e sentiu o contato de sua mão no ombro. — Tranqüilize-se, Archie — disse ela
docemente. — Você está do lado da Lei. — Vocês... vocês são da CIA? — Não seja tão
espertinho, amigo — disse Johnny, roucamente. — Calem-se os dois e peguem um
remo cada um, enquanto eu manobro o timão — interrompeu-os Brigitte. — Sairemos
atrás dessa lancha. Se for possível... — Agora Rutherford está sozinho com as duas
mulheres — lembrou Johnny. — Poderíamos... — Calma, Johnny. Os da lancha vão
para o “depósito” e eu me pergunto: depósito de que? Tem de ser um lugar seguro. Não
será o depósito de esmeraldas? Talvez de mais armas, também na Jamaica? Vejamos
se conseguimos desvendar isso. Já sabemos onde encontrar Rutherford; portanto, será
mais lógico ocupar-nos do depósito. — Está bem — Johnny cedeu à lógica do
argumento. Ele e Archie empunharam remos, meteram-nos nas forquetas e
começaram a remar com força, afastando-se das rochas. Ouvia-se o ronco da lancha
ainda relativamente perto e via-se a sua marola cintilando aos primeiros ralos de luar.
O aparecimento da lua seria desvantajoso para os agentes da CIA, porque dificilmente
se conseguiria distinguir a velha, escura e suja embarcação do não menos velho e sujo
Archie. Os dois remaram valorosamente até um quarto de milha mar adentro, sob o
timoneio de Brigitte, que de repente ligou o motor, sobressaltando os remadores. A
embarcação ainda avançou um pouco sem mudar de rumo, mas depois foi levada a
navegar paralelamente à costa durante uns três a quatro minutos. Brigitte desligou o
motor e, enquanto a lancha, que ganhara boa andadura, continuava deslizando, os três
ouviram o motor da outra entre a terra e eles. Ligou novamente o motor e continuou
navegando paralelamente à costa, a meia milha dela. Essa manobra de desligar o
motor, ouvir o ruído da outra lancha e ligá-lo de novo foi repetida três vezes. Na quarta,
e quando ela já estava prestes a religar o motor da sua, Brigitte. Johnny e Archie
notaram que o da outra lancha foi desligado. — Pararam, finalmente! — exclamou
baixinho Johnny, impressionado com a perícia náutica da colega. — Aos remos,
Johnny. — Sim... Claro. Novamente Johnny e Archie remaram com vigor desta vez para
a costa. Não se ouvia o menor rumar indicativo da presença de uma lancha. Pior ainda:
não se via em ponto algum a lancha branca de Rutherford! Súbito, quando os agentes
da CIA já estavam considerando a possibilidade do fracasso de sua estratégia, a
lancha branca pareceu brotar das rochas costeiras, já com o motor rugindo. Os três se
encolheram instintivamente. Quando o ronco do motor da lancha se foi perdendo na
distância, Archie comentou com voz trêmula: — Eu estava, há semanas, com a idéia de
pintar meu barquinho de branco. Felizmente não tive tempo de fazê-lo! Vocês me
meteram numa encrenca dos diabos... Brigitte voltou aos comandos, pôs a lancha em
marcha, deu uma guinada de cento e oitenta graus e rumou de volta a Kingston, ante o
desconcerto de Johnny, que olhou para as rochas, perguntando: — Não seria melhor
nós... — Archie — chamou Brigitte, sem fazer caso que ia dizer o colega: — você tem
uma casa em Kingston, não é verdade? Nós a alugamos por quinhentas libras. O velho
pescador recebeu verdadeira marretada — Escute, miss: eu não quero meter-me em
mais entaladelas... — Mil libras. — É que... — Duas mil. — Puxa vida! — exclamou o
velho, coçando a cabeça. — Contrato firmado! Que me matem se eu tiver medo agora.
— Com duas mil libras poderá comprar uma lancha nova — riu-se Brigitte. — Johnny: o
seu amigo Nicholas tem equipamento de mergulho? — Não sei... É bem provável. —
Peça-o emprestado. E, se ele já tiver reparado a sua lancha... — Esqueça isso —
interrompeu-a Johnny: — Ele me disse, há apenas três dias, que levaria uma semana
para fazer o trabalho. — De qualquer modo, procure saber. Se ainda não estiver pronta,
poderemos valer-nos deste barco. Teremos de conformar-nos. Porém será
imprescindível dispormos de equipamento de homem-rã. Iremos agora à casa de
Archie, pois lá estaremos mais seguros do que no hotel ou em seu bangalô. Depois,
você irá avistar-se com o seu amigo Nicholas. Ficarei esperando com Archie. * * * —
Quer mais café? — propôs Archie. — Quero — aceitou Brigitte, olhando para o relógio
de pulso. — Parece que esta noite não vamos dormir muito... Johnny está demorando
demais. — Poderá dormir, se quiser: ficarei de vigia. Brigitte olhou uma vez mais com
verdadeira admiração para Keno, o amigo negro de Archie Waterfield. Tinha,
folgadamente, um metro e noventa e cinco de altura, cabeça completamente raspada
e olhos que se destacavam como dois ovos, com uma bolinha preta, em sua cara
sorridente. A boca era enorme. A despeito de não parecer muito inteligente, era
impressionante. Usava uma calça de zuarte remendada dezenas de vezes, que só lhe
chegava aos joelhos, e uma camisa vermelha que parecia a ponto de rasgar-se cada
vez que ele se mexia. Andava descalço pelo simples fato de não se fabricarem
sandálias de tamanho suficiente para seus pés descomunais. Era, dos pés à cabeça,
um amontoado de músculos. As mãos pareciam duas pás. Estava sentado a um canto
da sala-cozinha, sobre caixas que cheiravam ativamente a pescado, imóvel,
completamente fascinado pela beleza da espiã. — Não, muito obrigada — disse
Brigitte: — prefiro ficar acordada, Archie. — Desconfia de mim? — perguntou o velho
secamente. — Não — negou ela, com um sorriso angelical. — Mas este momento é tão
bom quanto outro qualquer para se aprender a não dormir. — Como queira. Vou
buscar mais café e, caso não se importe, tirarei uma soneca. Estou para morrer de
cansado. Se estivéssemos pescando, seria diferente; mas aqui, sem... Brigitte não
entendeu o resto da frase, porque o velho pescador decidiu falar para si próprio, entre
dentes. Preparou mais café, enquanto ela olhava uma vez mais ao redor. Cestos e
caixas de pescado, redes velhas, móveis caindo aos pedaços, um sofá que apenas por
milagre continuava de pé, uma escarradeira enorme, pontas de cigarro por toda parte,
montes de cinza de cachimbo, bicheiros pontiagudos mas enferrujados, cortiças para
redes, jornais... E Keno, o gigante de ébano que continuava hipnotizado por ela,
mostrando dentes cavalares, muito brancos, num sorriso ininterrupto. A espiã
começava a sentir-se um tanto incomodada. — Simpatiza comigo. Keno? — indagou,
apenas para dizer algo. — Muito! É muito bonita! Nunca vi coisa igual! — respondeu o
negrão, num rugido. — Keno — interveio Archie: — deixe a moça em paz. Vá dormir! —
Quero ficar aqui, Archie. Gosto de olhar para ela... Há! há! há! Sua gargalhada sacudiu
a casa. Devia ser interessantíssimo, como estudo, saber-se que idéias fantásticas
povoavam seu pequeno cérebro. — Ele é inofensivo — murmurou Archie, para
tranqüilizar Brigitte. — Nenhum de nós dois nunca viu mulher tão bonita. Mas eu sou
inglês e ele não... Entendo? — Oh... Isso explica tudo, não? — ironizou Brigitte,
sorrindo. — Bonita... Bonita... Bonita... — repetiu Keno, aos rugidos, oscilando o
corpanzil como um homo ferus dos primórdios da raça humana. — Você é muito
amável, Keno — disse Brigitte, premiando-o com o mais encantador de seus sorrisos.
— Eu gostaria de dormir com você — afirmou o negro, muito sinceramente. — Keno! —
repreendeu-o Archie. — Já chega! Se tornar a importunar a moça...! — aproximou-se de
Brigitte trazendo uma xícara de café fumegante. — Por que não descansa um pouco,
miss? — Obrigada, Archie: vá você dormir. O inglês olhou para Keno, preocupado, mas
Brigitte logo o tranqüilizou. — Não se inquiete, Archie, porque ele se portará como um
bom menino. Não é verdade, Keno? — É... Mas eu gostaria... — Não precisa dizer,
Keno: eu já sei de que você gostaria. * * * As batidas lhe chegaram como se
acolchoadas. Ela abriu completamente os olhos e assustou-se um pouco ao deparar
com Keno. O negro se havia acocorado ao seu lado, boquiaberto, com um olhar de
cobiça tão espontâneo e animalesco quanto suas palavras de pouco antes. Brigitte
levantou-se rapidamente, afastando-se do negro, que continuou acocorado, imóvel.
Aproximou-se da porta e sacudiu a cabeça para afastar o torpor do sono. Isso era mau:
tinha de intensificar seu adestramento na arte de ficar acordada. — Quem é? —
perguntou, por fim. — Johnny. Abriu a porta e Johnny entrou, trazendo nos braços uma
pilha de coisas que lhe roubavam a visão frontal. Deixou tudo cair ao chão e respirou
fundo. — Como eu previra, a lancha não está pronta. Teremos de usar o barco de
Archie. Mas consegui tubos de ar, pés de-pato, facas e lanternas aquáticas... E apenas
uma roupa de homem-rã, com as minhas medidas. Sinto muito, mas não foi possível
encontrar uma para você. — Não importa. Com isto temos o bastante. Examinou o
equipamento. As águas eram mornas naquela região, de modo que podia prescindir da
roupa de borracha. Levantava-se, após examinar o material, quando Archie surgiu na
porta do quarto, de cabelos e barba revoltos, procurando encontrar a manga da camisa
entre uma infinidade de buracos. Keno continuava acocorado no mesmo lugar,
profundamente decepcionado por não poder continuar contemplando a “bela
adormecida”. — Conseguiu a lancha? — perguntou Archie, sonolento. — Não. — Nem
sempre as coisas saem como se quer... Bem, será melhor tomarmos o café da manhã.
— Nós, não, Archie — disse Brigitte — porque temos de mergulhar. Talvez isso não se
faça necessário, mas será melhor estarmos de estômago vazio até concluirmos a
nossa viagem pela costa. Archie deu de ombros. Meteu no bolso alguns pedaços de
pão e peixe seco, e mostrou o montão de equipamento submarino ao nego. — Keno,
leve tudo isso para o barco. Você ficará aqui e, se alguém perguntar por mim, diga que
estou pescando. E não viu ninguém senão eu nesta casa, entendeu bem? — Entendi.
Archie. — Bem... Não importa: ainda que não tenha entendido nada, se alguém
perguntar por mim, diga que estou pescando. E não viu ninguém senão eu nesta casa.
Dirá isso? — Direi, Archie, — Pois então, trate de levar tudo para bordo — Será que ele
agüenta com tudo? — indagou Brigitte em tom de brincadeira, O negro agarrou o monte
de coisas e saiu. CAPÍTULO SÉTIMO Um depósito que não era de esmeraldas Entrevero
subaquático Quem está pensando em recorrer à Polícia? Tiveram de mergulhar,
porque a gruta da qual saíra a lancha branca de Rutherford não havia coisa alguma:
paredes de rocha e nada mais. Já tinha amanhecido, mas os dois decidiram empregar
as lanternas subaquáticas porque o interior das grutas submarinas era escuro. E não
havia esmeraldas. A primeira coisa que os agentes da CIA viram foi o cadáver de José
Pedraza, no fundo, bem lastreado. Quase em seguida viram outro cadáver. Outro
homem, horrorosamente inchado, como se lhe tivessem injetado ar. Também
lastreado com igual eficácia. Mais outro cadáver, igualmente lastreado porém menos
inchado que o segundo. Tanto que Brigitte, com óculos para mergulho e munida de
lanterna, pôde reconhecê-lo: Samuel Hagerty. Vira-lhe a fotografia. A conclusão era
fácil: o cadáver mais inchado era de Albert Connors, o outro agente da CIA
desaparecido antes de Hagerty. Evidentemente, aquele “depósito” não era de
esmeraldas... Brigitte e Johnny examinaram o cadáver de Hagerty. Tinha o ventre aberto
por vários cortes, exibindo as entranhas. Tudo esbranquiçado. Decidiram voltar à
superfície, onde Archie os esperava no barco. Viraram-se e tiveram outra visão, menos
desagradável porém muito mais perigosa: dois seres vivos nadando para eles. Dois
seres humanos. Duas mulheres que pareciam enormes pela prismatização de suas
imagens nas águas. Avançavam lentamente, de biquíni, providas de tubos de ar,
armadas de fuzil-arpão. Brigitte deixou cair a lanterna depois de apontar a saída da
gruta a Johnny. Conseguiram atingir a zona de visibilidade natural, porém isso não foi
precisamente uma vantagem. Dois arpões saíram disparados por ar comprimido.
Brigitte realizou uma pirueta com o corpo e o arpão que lhe era destinado passou rente
a ela, perdendo-se no fundo da gruta. Olhou para Johnny, que afundava, debatendo-se,
com um arpão enfiado na coxa, pela parte de trás. O tubo de ar se desprendera de sua
boca, por onde saiam borbulhas ascendentes, tumultuosamente. Sem vacilar um
instante, Brigitte projetou-se para o fundo em busca do companheiro, ao mesmo
tempo que uma das mulheres fazia o mesmo, largando o fuzil-arpão e empunhando
uma faca com cabo de cortiça. A outra mulher recarregava o fuzil, recolhendo a linha
do arpão. Em menos de dez segundos estaria pronta para disparar de novo. A mulher
da faca e Brigitte convergiam com rapidez para o espião que afundava cada vez mais
lentamente. Tocou o fundo arenoso quando Brigitte, por cima dele, girou, sacando por
sua vez de uma faca. Essa reação surpreendeu a mulher, colhendo-a desprevenida.
Quis mudar de direção, porém Brigitte, junto a ela, manejou a faca para atingir-lhe o
pescoço. Ela se encolheu, livrando-se de ser degolada, mas não impedindo que a
lâmina cortasse o conduto de ar entre o tubo e sua boca. No mesmo instante a mulher
se contorceu e levou as duas mãos à garganta. Começou a girar sobre si mesma,
descaindo para o fundo da gruta e soltando borbulhas para todos os lados. A outra
parou imediatamente de recarregar o fuzil-arpão e partiu em auxílio da companheira.
Aproveitando esse meio-tempo, Brigitte tomou a nadar para junto do colega de
espionagem, que se agitava debilmente. Seus óculos se haviam deslocado, sendo
óbvio que ele não conseguia ver coisa alguma, buscando desesperadamente o bocal
do conduto de ar. Brigitte chegou ao seu lado quando ele começava a fraquejar e
conseguiu introduzir o bocal entre seus dentes. Segurou-o por debaixo dos braços e
começou a nadar para a superfície, passando por cima das duas mulheres, que
partilhavam agora o tubo de ar de uma delas. Não demorou para distinguir a quilha do
barco de Archie e aumentou o esforço, ajudando Johnny, que respirava com
dificuldade. Quando assomaram à superfície. Archie estava debruçado na amurada da
lancha, tenso. — Conseguiram encontrar algo...? — Ajude-me, depressa! — gritou
Brigitte, desesperada, arquejante, depois de cuspir o bocal do tubo de ar. — É preciso
subi-lo a bordo imediatamente! Aturdido, o velho pescador segurou Johnny pelos
braços e soltou uma praga ao ver o arpão cravado em sua coxa. Quase ao mesmo
tempo, as duas mulheres apareciam na superfície, a uns seis metros do barco... —
Puxa! — gritou Brigitte. — Puxe com força! O velho deu um vigoroso puxão, com o que
ele e Johnny caíram na cobertura, O agente deu um grito de dor porque o arpão torceu-
se, rasgando-lhe a carne. Archie ajoelhou-se e olhou para Brigitte, que se esforçava
para subir à lancha. Sé se via agora uma das mulheres. A outra havia desaparecido e,
de repente, Brigitte Montfort também desapareceu, afundando depois de soltar um
grito agudo. Ao mesmo tempo, Archie viu aparecer a lancha branca por entre as
rochas, aproximando-se velozmente. Sem hesitar, o velho ligou o motor e partiu a toda
a velocidade, enquanto Johnny se arrastava, lívido como um morto, aproximando-se de
suas roupas. Sacou da pistola e apontou para as costas do velho. — Volte! — ordenou,
secamente. — Temos de salvá-la! Archie virou a cabeça, olhando-o fixamente, mas
logo desviou o olhar para a lancha branca que se aproximava com rapidez. Johnny
arrastou-se para a amurada e viu a lancha, cujos tripulantes pareciam ter a intenção de
abalroar para abrir ao meio o velho barco de Archie. Parecia um torpedo. Começou a
atirar como um desesperado, soltando um grito de alegria ao ver o homem que estava
ao volante erguer os braços e cair para trás. No mesmo instante a lancha se
desgovernou, guinou e, descrevendo um círculo, rumou diretamente para as rochas
costeiras. Outro homem se pós ao volante, desviando o rumo e desacelerando a
marcha. Passou roçando as rochas, sem chocar-se com elas, até ser bruscamente
freada por uma que sobressaía da água alguns centímetros apenas. — Volte! — insistiu
Johnny. — Esses nada mais podem fazer! Temos de salvar Leona! Naquele momento,
viu-se uma língua de fogo na lancha encalhada e uma granada estourou a menos de
cinco metros do barco de Archie, inundando-o, enquanto o velho aumentava a
velocidade. A tempo, porque o segundo disparo quase os atingiu na popa. O terceiro já
ficou muito para trás, evidenciando o alcance limitado do fuzil especial. Só então
Archie reduziu a marcha e acabou por parar

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