The Onion Routing – TOR
Fala defizeros, uma dúvida muito recorrente aqui dentro da nossa comunidade é sobre
como obter privacidade e anonimato na internet, a meu ver é impossível tratarmos
desses temas sem antes conhecer um pouco do que é e como funciona a rede TOR,
para daí sim prosseguirmos para os próximos passos, então vamos lá!
O que é a rede TOR?
No defiverso nós somos apaixonados pela descentralização das finanças, ela é a base
de tudo o que vemos aqui dentro diariamente, mas e se a internet como um todo fosse
descentralizada?
Pois bem, é exatamente isso que o projeto TOR oferece aos usuários, uma forma de
navegar na internet independente de qualquer organização privada ou estatal,
ultrapassando qualquer barreira imposta por agentes centralizadores e garantindo a
privacidade e anonimato daqueles que fazem o seu uso.
O desenvolvimento do TOR começou nos anos 90 dentro U.S Naval Research Lab
(NRL) com o objetivo de proteger a comunicação do órgão de segurança americano, a
ideia inicial era de rotear o tráfego da rede por múltiplos servidores, cada um dos quais
criptografava uma camada de dados, essa ainda é uma explicação simples que pode
ser utilizada para falar como a rede funciona nos dias de hoje. O projeto foi liberado ao
público apenas em 2002, como um software gratuito e open source, ou seja, todos
poderiam verificar seu código e contribuir no mesmo.
A usabilidade do projeto se tornou acessível para usuários comuns da internet apenas
em 2008 com a implementação do TOR Browser, ele mudou o jogo completamente
para pessoas vivendo sob regimes ditatoriais, jornalistas, ativistas políticos e qualquer
pessoa interessada em se manter livre de controle ao navegar pela internet.
Como funciona a rede TOR?
Primeiro é importante entender o que ocorre por debaixo dos panos quando você
navega na internet da maneira como conhecemos usualmente, assim vai ficar mais
claro o motivo do porque pode ser interessante utilizar o TOR.
Sempre que acessamos algum serviço como o google ou o facebook essas entidades
estão coletando nossos dados, esses que são extremamente valiosos para eles, e eles
estão em todos os lugares, mesmo que você não acesse diretamente o facebook por
exemplo, se na página que você está acessando tem um daqueles botões pequenos
onde é possível compartilhar no facebook, whatsapp ou instagram, a entidade por trás
desses serviços está coletando dados naquele local.
E é aí que o TOR entra em jogo, meu caro defizero!
O TOR é uma rede gigantesca composta por inúmeros servidores, que também podem
ser chamados de nós, olhando para a imagem acima imagine que cada círculo dentro
do quadrado é um servidor dentro da rede TOR, refazendo o caminho do primeiro
exemplo, quando você tenta acessar um serviço como o google na rede TOR, a sua
requisição vai passar por no mínimo três desses servidores disponíveis na rede, dessa
forma, o endereço de destino (google) só vai conseguir ter acesso a esse último nó
(servidor) que você passou para chegar até ele. É importante pontuar que esses
servidores são compartilhados por todos os usuários da rede, sendo assim, podem
existir milhares de usuários saindo e entrando de cada nó e enviando requisições para
diferentes lugares, o que dificulta ainda mais para a entidade na outra ponta resgatar
alguma informação desse nó que está requisitando acesso.
Sobre o processo de roteamento podemos visualizar da seguinte forma.
● Criação de circuito: Quando você inicia uma conexão através da rede TOR, ela
cria um circuito de nós aleatórios, cada circuito geralmente consiste em três nós,
um nó de entrada, um nó intermediário e um nó de saída.
● Criptografia em camadas: A comunicação dentro da rede é criptografada em
várias camadas, daí vem o nome “Onion Routing” (Roteamento em cebola).
Cada nó no circuito remove uma camada de criptografia, revelando assim
apenas o próximo nó no caminho. Isso assegura que nenhum nó conheça a
origem e o destino final da comunicação.
● Nó de entrada: O nó de entrada sabe quem você é, ou seja, seu endereço IP (ao
menos que esteja utilizando uma VPN), mas ele não sabe o que você está
acessando, o nó de entrada vai apenas encaminhar a comunicação para o
próximo nó do circuito.
● Nó intermediário: Este nó recebe a comunicação do nó de entrada, remove uma
camada de criptografia e a encaminha para o nó de saída. Ele não sabe quem
você é nem o que está acessando.
● Nó de saída: O nó de saída remove a última camada de criptografia e envia a
comunicação para o destino final (no exemplo, Google). O nó de saída sabe o
que você está prestes a acessar, mas não quem é você.
Agora uma das partes cruciais disso tudo é que a rede criptografa todos os dados que
nela passam, ou seja, voltando para a imagem acima, todos os dados que percorrem o
caminho das setas verdes são dados criptografados, já os dados que percorrem o
caminho das setas vermelhas os únicos que estão descriptografados, se o serviço que
está sendo utilizado utiliza o protocolo https os dados da última seta vermelha vão estar
criptografados também. Agora sobre a primeira seta vermelha é importante ressaltar
que o seu provedor de internet vai apenas obter a informação de que você está
acessando a rede TOR e apenas isso, o provedor não vai saber nada do que acontece
a partir daí.
TOR Hidden Services
Todo mundo aqui provavelmente já ouviu falar da deep web, constantemente o TOR é
associado a ela e o motivo é o que vamos tratar agora.
Como foi falado anteriormente, a rede TOR é composta por vários servidores que
atuam como nós dentro da rede, acontece que é possível hospedar um serviço dentro
desses servidores, esses serviços são conhecidos como Onion Services ou Tor Hidden
Services e são eles que compõem a tão conhecida deep web, sendo assim, as
primeiras imagens que vimos pode ser corrigida para a imagem acima, que demonstra
o caminho percorrido para acessar um desses serviços.
Não se engane ao achar que esses serviços são compostos somente ou
majoritariamente por aquelas coisas horrendas que são faladas quando o tema vem à
tona, esses Onion Services podem funcionar como sites convencionais que visitamos
diariamente na web2, inclusive diversas plataformas que estão presentes na web2
estão também presentes na rede Tor com seus serviços.
A tecnologia da rede TOR oferece uma camada adicional de anonimato e segurança
que vai além da navegação segura. Esses serviços permitem que aplicações sejam
hospedadas de maneira anônima, sem revelar a localização física do servidor. Isso é
particularmente útil para jornalistas, ativistas e qualquer pessoa que precise evitar
censura ou vigilância, isso funciona para ambas as partes, aquela que está
hospedando o serviço, e também aquela que está executando o acesso ao serviço.
Abaixo vou deixar alguns tópicos tratando um pouco do funcionamento básico dos
hidden services.
● Quando um serviço é configurado como um Onion Service, ele gera um par de
chaves criptográficas. A chave pública é usada para criar um endereço ‘.onion’,
que é a identidade pública do serviço na rede TOR. A chave privada é mantida
em segredo e usada para assinar e autenticar o serviço.
● O serviço registra o seu endereço ‘.onion’ e informações sobre como se conectar
a ele em diretórios distribuídos na rede TOR. Esses diretórios são acessíveis a
todos os usuários da rede, permitindo que eles encontrem e se conectem ao
serviço.
● Quando um usuário deseja fazer o acesso a um Onion Service, seu cliente TOR
(como Tor Browser) faz a consulta aos diretórios para encontrar detalhes de
conexão do serviço. O cliente então estabelece uma rota através de vários nós
na rede TOR até chegar ao serviço. Este processo inclui a criação de circuitos
criptografados, garantindo que cada etapa seja protegida, esse é o processo
representado de forma simples nos diagramas mostrados acima.
● A comunicação entre os usuários e o Onion Service é criptografada de ponta a
ponta, dessa forma, mesmo que alguém consiga interceptar esse tráfego, não
será capaz de visualizar o conteúdo da comunicação. Além disso, a rota através
de múltiplos nós torna praticamente impossível a tarefa de rastrear a origem ou
o destino do tráfego.
O processo que ocorre debaixo dos panos logicamente é muito mais complexo do que
descrito aqui, mas a intenção desse texto é dar um contexto a vocês para que em
relatórios futuros possamos avançar e ensinar para aqueles interessados como utilizar
a rede Tor ao seu favor.
Esse foi um relatório introdutório sobre o tema para que vocês tenham uma base para
conseguir absorver e entender melhor os conteúdos que estão por vir, espero que
tenham gostado meus amigos alienígenas, nos vemos pelas ruas do defiverso. Stay
safe!
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