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Mary está se adaptando a um novo ambiente e se sente diferente após passar tempo no jardim. Ela reflete sobre a confiança que pode ter em Colin e como o ar fresco e a natureza podem beneficiá-lo. A história destaca a transformação de Mary e sua empolgação ao reencontrar Dickon no jardim, onde ambos compartilham a alegria da primavera.
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Mary está se adaptando a um novo ambiente e se sente diferente após passar tempo no jardim. Ela reflete sobre a confiança que pode ter em Colin e como o ar fresco e a natureza podem beneficiá-lo. A história destaca a transformação de Mary e sua empolgação ao reencontrar Dickon no jardim, onde ambos compartilham a alegria da primavera.
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la queria descobrir sobre ele, mas sentia que não deveria fazer perguntas diretas.

Em primeiro lugar, quando começou a


gostar de estar com ele, quis saber se ele era o tipo de menino para quem se poderia confiar um segredo. Ele não era
nem um pouco parecido com Dickon, mas estava evidentemente tão satisfeito com a ideia de um jardim do qual
ninguém soubesse que ela pensou que talvez fosse confiável. Ainda assim, ela não o conhecia há tempo suficiente para
ter certeza. A segunda coisa que queria descobrir era: se ele fosse confiável — de verdade —, como seria possível levá-
lo ao jardim sem que ninguém descobrisse? O famoso médico dissera que ele precisava de ar fresco e Colin disse que
não se importaria com o ar fresco em um jardim secreto. Talvez se ele tomasse bastante ar fresco, se conhecesse Dickon
e o pisco, e visse a vegetação brotando, deixaria de pensar tanto em morrer. Mary havia se olhado no espelho algumas
vezes ultimamente, e se percebeu uma criatura bem diferente da criança que viera da Índia. Esta criança parecia mais
interessante. Até Martha notou uma mudança nela. — O ar da charneca já te fez bem — disse ela. — Cê num é mais
aquela gritona magricela de antes. Até o seu cabelo não fica mais escorrido na cabeça. Tem um pouco de vida nele,
então fica mais viçoso. — Ele está como eu — alegrou-se Mary. — Está ficando mais forte e robusto. Tenho certeza de
que vai melhorar mais. — Parece mesmo — concordou Martha, enrugando um pouco o rosto. — Não tá nem metade
tão feia e tem um pouco de vermelho nas bochecha. Se jardins e ar fresco fossem bons para ela, talvez fossem bons
para Colin também. No entanto, se ele odiava que as pessoas olhassem para ele, talvez não gostasse de ver Dickon. —
Por que você fica com raiva quando te olham? — ela perguntou um dia. — Eu sempre odiei — ele respondeu —, desde
bem pequeno. Aí quando me levavam para a praia e eu ficava na minha cadeira, todo mundo me olhava e as senhoras
paravam e falavam com a minha babá, e então começavam a sussurrar e eu sabia que estavam dizendo que talvez eu
não vivesse para me tornar adulto. Então, às vezes, as mulheres apertavam minhas bochechas e diziam “Pobre
criança!”. Uma vez, quando uma mulher fez isso, eu gritei e mordi a mão dela. Ela ficou com tanto medo que fugiu. —
Ela achou que você tinha ficado louco como um cachorro — comentou Mary, nem um pouco admirada. — Não me
importo com o que ela pensou — esbravejou Colin, franzindo a testa. — E por que será que você não gritou e me
mordeu quando entrei no seu quarto? — brincou Mary, abrindo um sorriso. — Achei que você fosse um fantasma ou
um sonho — disse ele. — Não dá para morder fantasmas e sonhos, e se você gritar eles nem ligam. — Você odiaria se…
um menino olhasse para você? — Mary perguntou hesitante. Ele deitou-se na almofada e ficou pensativo. — Tem um
menino… — disse bem devagar, como se escolhesse cada palavra — tem um menino que acho que eu não me
importaria. É aquele menino que sabe onde vivem as raposas… o Dickon. — Tenho certeza de que você não se
importaria com ele — afirmou Mary. — Os pássaros não se importam, e nem outros animais — continuou ele, ainda
pensativo. — Talvez por isso eu não me importasse. Ele é uma espécie de encantador de animais e eu sou um menino-
animal. Então ele riu e ela também; na verdade, os dois riram muito e acharam engraçada a ideia de um menino-bicho
saindo de uma toca. Em seguida, Mary sentiu que não precisava temer por Dickon. Naquela primeira manhã, quando o
céu voltou a ser azul, Mary acordou muito cedo. O sol caía em raios oblíquos através das persianas e havia algo tão
alegre na paisagem que ela pulou da cama e correu para a janela. Abriu as cortinas e uma grande lufada de ar fresco e
perfumado soprou em seu rosto. A charneca estava azul e parecia como se o mundo inteiro estivesse enfeitiçado.
Ouvia-se sons discretos e suaves em toda parte, como se dezenas de pássaros estivessem começando a afinar suas
vozes para um concerto. Mary colocou a mão para fora da janela e a deixou ao sol. — Está quente… quente! —
exclamou. — Isso fará com que os pontos verdes cresçam mais e mais, e fará com que os bulbos e as raízes trabalhem e
lutem com todas as suas forças sob a terra. Ela se ajoelhou e se inclinou para fora da janela o máximo que pôde,
respirando fundo e farejando o ar, até que riu porque se lembrou do que a mãe de Dickon dizia sobre a ponta do nariz
dele tremer como o focinho de um coelho. — Ainda deve ser muito cedo — disse ela. — As nuvenzinhas estão todas
rosadas e nunca vi o céu assim. Ninguém acordou ainda. Nem mesmo ouço os rapazes do estábulo. Um pensamento
repentino a fez ficar de pé. — Mal posso esperar! Vou ver o jardim! Ela já havia aprendido a se vestir sozinha e colocou
suas roupas em cinco minutos. Conhecia uma pequena porta lateral que conseguia abrir, e voou escada abaixo ainda só
de meias, parando para calçar os sapatos no corredor. Desacorrentou, desaferrolhou e destrancou a porta, e logo saltou
os degraus. Lá estava ela, em pé sobre a grama que agora parecia mais verde. O sol caía sobre ela e sopros quentes e
doces vibravam ao redor. O chilreio e o canto dos pássaros vinham de todos os arbustos e árvores. Juntou as mãos com
pura alegria e olhou para o céu, que estava muito azul, rosa, perolado e branco, e inundado com a luz da primavera,
parecendo convidá-la a dançar e a cantar como os piscos, tordos e cotovias que também não conseguiam se conter. Ela
correu em volta dos arbustos e calçadas em direção ao jardim secreto. — Já está tudo diferente — notou. — A grama
está mais verde e as coisas estão despontando por toda parte, tudo está desabrochando e os brotos verdes das folhas
estão crescendo. Tenho certeza de que Dickon virá esta tarde. A demorada chuva quente havia feito coisas estranhas
aos canteiros que delimitavam a calçada do primeiro muro. Havia plantas brotando e crescendo dos montes de raízes e,
na verdade, havia aqui e ali vislumbres de cor violeta e amarela despontando entre os caules dos açafrões. Seis meses
antes, dona Mary não teria enxergado esse mundo despertando, mas agora não perdia nada. Quando alcançou o local
onde a porta se escondia sob a hera, foi surpreendida por um curioso ruído. Era o crocitar de um corvo e vinha do topo
do muro. Quando olhou para cima, lá estava um grande pássaro preto-azulado de plumagem brilhante, olhando para
ela com muita sabedoria. Ela nunca tinha visto um corvo tão de perto, o que a deixou um pouco nervosa, mas no
momento seguinte ele abriu as asas e voou para o jardim. Ela torceu para que ele não ficasse por lá e empurrou a porta.
Já dentro do jardim, percebeu que o corvo provavelmente pretendia ficar, pois havia pousado em uma macieira anã,
sob a qual estava deitado um animalzinho avermelhado com uma cauda espessa. Os dois animais observavam o corpo
curvado e a cabeça vermelho-ferrugem de Dickon, trabalhando duro ajoelhado no chão. Mary voou pela grama até ele.
— Oh, Dickon! Dickon! — gritou. — Como conseguiu chegar aqui tão cedo? Como? O sol acabou de nascer! Ele se
levantou, rindo, suado e despenteado; seus olhos eram como um pedaço do céu. — Eita! — admirou-se ele. — Eu tava
acordado muito antes dele acordar. Não dava pra ficar na cama! A beleza do mundo começou de novo esta manhã,
começou sim. E tá funcionano, zumbino, arranhano, pingano e construino os ninho e soltano os aroma. Então cê tem
que ir lá fora, e não ficar deitado. Quando o sol brilhou, a charneca enlouqueceu de alegria, e eu tava no meio das urze,
e também corri como louco, gritano e cantano. E vim direto pra cá. Não dava pra ficar longe. Ora, o jardim tava aqui me
esperano! Mary colocou as mãos no peito, ofegante, como se ela própria tivesse corrido.

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