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A dissertação investiga o potencial do cloreto de sódio puro e comercial na conservação de peças anatômicas e no controle microbiológico, comparando com a solução de formol 10%. Os resultados indicam que as soluções salinas apresentaram resultados morfológicos e microbiológicos satisfatórios, com a salina comercial mostrando desempenho ligeiramente superior à salina pura. A qualidade da preservação parece depender mais do tempo e qualidade da fixação em formol do que do tipo de NaCl utilizado.

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A dissertação investiga o potencial do cloreto de sódio puro e comercial na conservação de peças anatômicas e no controle microbiológico, comparando com a solução de formol 10%. Os resultados indicam que as soluções salinas apresentaram resultados morfológicos e microbiológicos satisfatórios, com a salina comercial mostrando desempenho ligeiramente superior à salina pura. A qualidade da preservação parece depender mais do tempo e qualidade da fixação em formol do que do tipo de NaCl utilizado.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI

Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde

Franciane Pereira Brant

POTENCIAL DO CLORETO DE SÓDIO PURO E COMERCIAL NA


CONSERVAÇÃO MORFOLÓGICA E MORFOMÉTRICA DE PEÇAS
ANATÔMICAS E NO CONTROLE MICROBIOLÓGICO

Diamantina
2023
Franciane Pereira Brant

POTENCIAL DO CLORETO DE SÓDIO PURO E COMERCIAL NA


CONSERVAÇÃO MORFOLÓGICA E MORFOMÉTRICA DE PEÇAS
ANATÔMICAS E NO CONTROLE MICROBIOLÓGICO

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação


em Ciências da Saúde da Universidade Federal dos
Vales do Jequitinhonha e Mucuri, área de concentração
em Prevenção e Terapia das Doenças, como requisito
para a obtenção do título de Mestre.

Orientadora: Profa. Dra. Roberta Barbizan Petinari


Coorientadora: Prof. Dra. Cleide Aparecida Bomfeti

Diamantina
2023
Catalogação na fonte - Sisbi/UFVJM

B821 Brant, Franciane Pereira


2023 Potencial do Cloreto de Sódio Puro e Comercial na
Conservação Morfológica e Morfométrica de Peças Anatômicas e
no Controle Microbiológico [manuscrito] / Franciane Pereira
Brant. -- Diamantina, 2023.
90 p. : il.

Orientador: Prof. Roberta Barbizan Petinari.


Coorientador: Prof. Cleide Aparecida Bomfeti.

Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde) --


Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri,
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Diamantina,
2023.

1. Solução supersaturada de NaCl. 2. Fungos. 3. Bactérias.


4. Morfologia. 5. Morfometria. I. Petinari, Roberta Barbizan
. II. Bomfeti, Cleide Aparecida . III. Universidade Federal
dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. IV. Título.

Elaborada pelo Sistema de Geração Automática de Ficha Catalográfica da UFVJM com os


dados fornecidos pelo(a) autor(a).
Este produto é resultado do trabalho conjunto entre o bibliotecário Rodrigo Martins Cruz/CRB6-
2886
e a equipe do setor Portal/Diretoria de Comunicação Social da UFVJM
FRANCIANE PEREIRA BRANT

POTENCIAL DO CLORETO DE SÓDIO PURO E COMERCIAL NA CONSERVAÇÃO


MORFOLÓGICA E MORFOMÉTRICA DE PEÇAS ANATÔMICAS
E NO CONTROLE MICROBIOLÓGICO

Dissertação apresentada ao Mestrado em Ciências da


Saúde, nível de Mestrado como parte dos requisitos para
obtenção do título de Mestra em Ciências da Saúde.

Orientadora: Prof..ª Dra.ª Roberta Barbizan Petinari


Coorientadora: Prof.ª Dra.ª Cleide Aparecida Bomfeti

Data da aprovação: 17/02/2023

Prof.ª Dr.ª ROBERTA BARBIZAN PETINARI - UFVJM

Prof.ª Dr.ª CLEIDE APARECIDA BOMFETI - UFVJM

[Link]. CAIO CESAR DE SOUZA ALVES - UFVJM

[Link]. ERNANI ALOYSIO AMARAL - UFVJM

Diamantina
Aos meus pais pelo amor, toda gratidão.
Às minhas irmãs e irmão pelo apoio e carinho incondicionais,
Aos meus sobrinhos por serem minha manifestação de amor.
Aos amigos pelo apoio e compreensão.
AGRADECIMENTOS

A Deus e à Nossa Senhora por sempre se fazerem presentes nesta minha jornada aqui na terra.

Ao Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde, à coordenação, aos docentes por todo


aprendizado, em especial ao Dr. Marco Fabrício Dias Peixoto, por todo empenho nas
negociações e liberação dos ratos de descarte para serem reutilizados nesta pesquisa.

Aos colegas discentes do programa, em especial à Ramona Ramalho de Souza Pereira, pela
ajuda na etapa inicial do experimento, higiene, marcação e identificação dos ratos.

Ao Diretor do Curso de Medicina da UFMG, Humberto José Alves, e ao Técnico de Anatomia


e Necropsia, José Eustáquio Pereira Barboza, pelo empréstimo das peças anatômicas humanas.

À Faculdade de Medicina do Mucuri (FAMMUC), na pessoa do Diretor Prof. Dr. João Victor
Leite Dias e ao Vice-diretor, Prof. Dr. Patrick Wander Endlich por todo suporte oferecido e
condições necessárias para a realização da pesquisa. João, obrigada pelas contribuições na
estatística;

Ao Prof. Dr. Ernani Aloysio Amaral, que tenho como exemplo de profissional, obrigada por
todas as contribuições.

Aos colegas de trabalho da FAMMUC, em especial, Layde Sierau, Tiago Barbosa, Tássio
Almeida pelas contribuições no trabalho;

À colega de trabalho, amiga e companheira de apto, Dauriene, tenho aprendido muito com você,
obrigada por tudo, Dauris!

Aos meus queridos amigos e colegas de trabalho, que hoje estão no Campus
Diamantina/UFVJM, Fabrício de Oliveira, pela grande ajuda na etapa inicial do experimento,
você foi imprescindível amigo; à Maysa Farias pelas contribuições ao ler o projeto, ainda
quando era um esboço.
Ao Técnico Fidelis por cuidar dos ratos e ajudar na etapa de eutanásia;

À orientadora, Dra. Roberta Barbizan Petinari por toda autonomia concedida, pela confiança,
muito obrigada pela parceria;

À coorientadora, Dra. Cleide Aparecida Bomfeti, primeiramente pela amizade que construímos,
pelo apoio, pelas conversas, pela atenção. Foi muito especial, enriquecedor e gratificante
trabalhar e conviver com uma pessoa tão maravilhosa como você, obrigada por tudo!

À Grazielle Marinho de Oliveira, por toda parceria na execução das análises microbiológicas,
por toda dedicação, responsabilidade, comprometimento, cuidado e zelo pelo trabalho. Uma
amizade e admiração que levo para a vida!

À banca examinadora por ter aceitado o convite e pelas contribuições neste estudo.

A todos que contribuíram de forma direta e indireta para a realização deste trabalho!
“A graça da morte, seu desastrado encanto, é por causa da vida”.
(Adélia Prado, 2013)
RESUMO

Introdução: A solução aquosa de formol 10% é utilizada como método de fixação e de


preservação de peças anatômicas, possui baixo custo e alta velocidade de penetração tecidual,
porém é muito tóxica, prejudicando a saúde dos manipuladores, além do prejuízo ao meio
ambiente ao ser descartada. Objetivo: Comparar o potencial do NaCl puro (P.A.) e comercial
utilizados no preparo da solução salina 30% na conservação de peças anatômicas.
Metodologia: Utilizaram-se 72 carcaças de ratos Wistar previamente higienizadas e submetidas
a análises morfológicas macroscópicas (coloração dérmica, rigidez articular e muscular,
presença de manchas, odor de putrefação e sinais de autólise tecidual) e morfométricas (massa
corporal, comprimentos nasoanal e nasocaudal) antes da fixação. Em seguida, os animais foram
fixados e submersos em formol 10% por 7 dias, lavados em água corrente por 24 horas e
distribuídos nos respectivos grupos por um período de 120 dias. Formaram-se três grupos:
Salina P.A. 30% (SP), Salina Comercial 30% (SC) e Formol 10% (Fo) com dois tratamentos
cada (animais expostos sobre a bancada por 1 hora a cada 30 dias durante 120 dias: T1e animais
não expostos até o final do experimento por 120 dias: T2). As soluções conservantes passaram
por análises organolépticas (coloração, alteração de viscosidade e odor de putrefação) e
microbiológicas no intervalo de 0, 40, 80 e 120 dias com posterior identificação dos
microrganismos. Para a análise estatística intragrupo utilizou o teste de Wilcoxon e intergrupos
a ANOVA-type. Resultados: Ambos os grupos salínicos (P.A. 30% e Comercial 30%)
apresentaram mais manchas, coloração dérmica mais escurecida e uma intensidade de rigidez
articular e muscular menores do que os grupos do formol, independente dos animais serem
expostos ou não. Nenhum grupo apresentou peças com odor de putrefação, já os grupos
salínicos apresentaram algumas peças com sinais de autólise tecidual, sendo SPT1 com 41,67%,
SPT2 com 8,33% e SCT2 com 41,67%. Quanto à morfometria, as carcaças dos ratos Wistar
tenderam a ficar mais pesadas e com encurtamento no comprimento nasoanal e nasocaudal em
todos os grupos. Com relação às soluções houve variação na coloração entre os grupos salínicos,
de translúcida a amarelo claro a marrom. As soluções dos grupos do formol mantiveram a
coloração próxima ao translúcido. Nenhuma solução apresentou odor de putrefação ou alteração
da viscosidade. Quanto às análises microbiológicas, foram encontrados 7 fungos e 11 bactérias.
Após 120 dias restaram 3 morfotipos de fungos (F1: Cladosporium cladosporioides; F6:
Penicillium brevicompactum e F8: não identificado) e 2 bactérias (B1: Bacillus megaterium e
B8: Bacillus subtilis). Os morfotipos que se mantiveram em cada grupo após os 120 dias foram
em SPT1: F1, F6 e B8; em SPT2: F1, F6 e F8; em SCT1: F1; em SCT2: F1 e B1; em FoT1 e
FoT2: F1. Conclusão: No geral, os grupos salínicos apresentaram resultados satisfatórios,
apesar de variações tanto na conservação das peças, quanto na eliminação de microrganismos.
Os grupos da salina comercial 30% apresentaram resultados morfológicos discretamente
melhores do que a salina P.A. 30%. Ao que tudo indica, a qualidade de preservação parece
depender mais da qualidade e do tempo de fixação em formalina do que com o tipo de NaCl
utilizado no preparo da solução.

Palavras-Chave: Solução supersaturada de NaCl. Fungos. Bactérias. Morfologia.


Microbiologia Morfometria
ABSTRACT

Introduction: The 10% formaldehyde aqueous solution is used as a method of fixation and
preservation of anatomical parts, has low cost and high speed of tissue penetration, but is very
toxic, damaging the health of handlers, besides the damage to the environment when discarded.
Objective: Compare the potential of pure (P.A.) and commercial NaCl used in the preparation
of the 30% saline solution in the preservation of anatomical specimens. Methodology: 72
carcasses of Wistar rats were used, previously cleaned and submitted to morphological
macroscopic (dermal coloration, joint and muscle stiffness, presence of stains, putrefaction odor
and signs of tissue autolysis) and morphometric (body mass, nasoanal and nasocaudal lengths)
analyses before fixation. Then the animals were fixed and submerged in 10% formalin for 7
days, washed in running water for 24 hours and distributed in their respective groups for a
period of 120 days. Three groups were formed: Saline P.A. 30% (SP), Commercial Saline 30%
(SC) and Formol 10% (Fo) with two treatments each (animals exposed on the bench for 1 hour
every 30 days for 120 days: T1 and animals not exposed until the end of the experiment for 120
days: T2). The preservative solutions underwent organoleptic (color, change in viscosity, and
putrefaction odor) and microbiological analyses at 0, 40, 80, and 120 days with subsequent
identification of microorganisms. Wilcoxon's test was used for intragroup statistical analysis
and intergroup ANOVA-type test was used. Results: Both saline groups (P.A. 30% and
Commercial 30%) showed more spots, darker dermal coloration and a lower intensity of joint
and muscle stiffness than the formalin groups, regardless of whether the animals were exposed
or not. No group presented parts with an odor of putrefaction, whereas the saline groups
presented some parts with signs of tissue autolysis, being SPT1 with 41.67%, SPT2 with 8.33%,
and SCT2 with 41.67%. As for morphometry, the carcasses of the Wistar rats tended to be
heavier and with shortening in the nasoanal and nasocaudal lengths in all groups. Regarding the
solutions, there was a variation in coloration among the saline groups, from translucent to light
yellow to brown. The solutions of the formaldehyde groups maintained a coloration close to
translucent. No solution presented an odor of putrefaction or alteration in viscosity. As for the
microbiological analyses, 7 fungi and 11 bacteria were found. After 120 days, 3 fungal
morphotypes remained (F1: Cladosporium cladosporioides; F6: Penicillium brevicompactum
and F8: unidentified) and 2 bacteria (B1: Bacillus megaterium and B8: Bacillus subtilis). The
morphotypes that remained in each group after 120 days were in SPT1: F1, F6 and B8; in SPT2:
F1, F6 and F8; in SCT1: F1; in SCT2: F1 and B1; in FoT1 and FoT2: F1. Conclusion: Overall,
the saline groups showed satisfactory results, despite variations in both the preservation of the
pieces and the elimination of microorganisms. The 30% commercial saline groups showed
slightly better morphological results than the 30% P.A. saline. It seems that the preservation
quality seems to depend more on the quality and time of fixation in formalin than on the type
of NaCl used to prepare the solution.

Keywords: Supersaturated NaCl solution. Fungi. Bacteria. Morphology. Morphometry.


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Linha de tempo do desenho experimental................................................. 35

Figura 2 – Fluxograma com todas as etapas............................................................... 36

Figura 3 – Etapa de eutanásia, higienização e formação dos grupos........................ 38

Figura 4 – Identificação dos animais em cada grupo................................................. 40

Figura 5 – Realização das medidas morfométricas dos ratos Wistar.......................... 41

Figura 6 – Fixação manual de formol 10% em ratos Wistar....................................... 42

Figura 7 – Preparo das soluções conservantes............................................................. 43

Figura 8 – Exposição do tratamento 1 de cada grupo................................................. 44

Figura 9 – Etapas das análises microbiológicas......................................................... 46

Figura 10 – Coleta das amostras, incubação das placas e classificação dos

microrganismos.......................................................................................... 47

Figura 11 – Repicagem das amostras de bactérias e fungos para obtenção de

linhagens puras e posterior identificação das espécies............................... 48

Figura 12 – Conservação dos ratos Wistar após 120 dias............................................. 56

Figura 13 – Soluções conservantes antes e após os 120 dias......................................... 63

Gráfico 1 – Massa corporal em função dos tempos 1 e 2 .............................................. 52

Gráfico 2 – Comprimento nasoanal em função dos tempos 1 e 2.................................. 53

Gráfico 3 – Comprimento nasocaudal em função dos tempos 1 e 2............................... 54

Quadro 1 – Lista de espécies fúngicas e as concentrações encontradas no Laboratório

de Anatomia............................................................................................... 25

Quadro 2 – Composição de soluções salinas e processos de embalsamamento na

literatura..................................................................................................... 28
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Especificação dos grupos, quantidade de animais por solução (ou

recipiente) e por grupo.............................................................................. 39

Tabela 2 – Resultados do teste de Wilcoxon para amostras pareadas........................ 50

Tabela 3 – Percentil da avaliação morfológica inicial e final (após os 120 dias)...... 57

Tabela 4 – Resumo da comparação morfológica das peças após os 120 dias de


conservação...............................................................................................
58

Tabela 5 – Morfotipos bacterianos e fúngicos encontrados no intervalo de tempo de

0, 40, 80 e 120 dias em cada grupo............................................................. 59

Tabela 6 – Quantidade de UFC de bactérias e fungos e a frequência de aparecimento

em 0, 40, 80 e 120 dias em cada grupo....................................................... 61

Tabela 7 – Identificação da espécie do morfotipo isolado e a virulência..................... 62

Tabela 8 – Propriedades organolépticas das soluções após 120 dias........................ 64

Tabela 9 – Preços dos produtos químicos referentes a dezembro de 2022................ 74


LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ANOVA - type Análise de Variância – type

ASSC Solução Aquosa de Cloreto de Sódio


CEUA Comissão de Ética no Uso de Animais
CIPq Biotério do Centro Integrado de Pesquisa
CNA Comprimento Nasoanal
CNC Comprimento Nasocaudal
DPOC Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica
EPI Equipamento de Proteção Individual
FAMMUC Faculdade de Medicina do Mucuri
Fo Formol 10%
FT1 Formol 10% + Animais Expostos
FoT2 Formol 10% + Animais Não- Expostos
LEB Laboratório de Estudos Biológicos
NaCl Cloreto de Sódio
M1 Massa corporal inicial
M2 Massa corporal final
PCA Plate Count Agar
s/p Sem Presença
SC Salina Comercial 30%
SCAS Solução Aquosa de Cloreto de Sódio
SCT1 Salina Comercial 30% + Animais Expostos
SCT2 Salina Comercial 30% + Animais Não-Expostos
SNC Sistemas Nervoso Central
SP Salina P.A. 30%
SPT1 Salina P.A 30% + Animais Expostos
SPT2 Salina P.A 30% + Animais Não- Expostos
SSS Solução Salina Saturada
UFC Unidade Formadora de Colônia
UFMG Universidade Federal de Minas Gerais
UFVJM Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
LISTA DE SÍMBOLOS

H2O Água
Cm Centímetros
g Grama
g/L Grama por Litro
GL Graus Gay-Lussac
ºC Graus Celsius
L Litro
µg Micrograma
mg/m3 Miligrama por Metro Cúbico
mL Mililitro
% Porcentagem
Kg Quilo
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO............................................................................................................. 19

2 REFERENCIAL TEÓRICO........................................................................................ 21
2.1 O formol na conservação de peças anatômicas, implicações na saúde humana e do
meio ambiente...................................................................................................................... 21
2.2 Fixação de peças anatômicas.......................................................................................... 22
2.3 Aspectos gerais dos fungos e das bactérias.................................................................... 23
2.4 Contaminação microbiológica em peças anatômicas formolizadas ............................. 24
2.5 O uso do cloreto de sódio na conservação de peças anatômicas.................................... 26

3 OBJETIVOS.................................................................................................................. 33
3.1 Objetivo geral.................................................................................................................. 33
3.2 Objetivos específicos...................................................................................................... 33

4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS............................................................... 34
4.1 Delineamento do estudo................................................................................................ 34
4.1.1 Local de realização da pesquisa ................................................................................. 36
4.2 Amostras......................................................................................................................... 36
4.3 Critérios de inclusão da amostra.................................................................................... 37
4.4 Critérios de exclusão da amostra.................................................................................... 37
4.5 Aspectos éticos............................................................................................................... 37
4.6 Descrição dos procedimentos.......................................................................................... 37
4.6.1 Eutanásia e higienização ......................................................................................... 37
4.6.2 Identificação dos animais e composição dos grupos................................................... 38
4.6.3 Análises morfométrica e morfológica macroscópica das carcaças de ratos Wistar... 40
4.6.4 Etapa de fixação em formol 10%.............................................................................. 41
4.6.5 Preparo das soluções e a etapa de conservação dos animais..................................... 42
4.6.6 Análise das propriedades organolépticas das soluções conservantes........................ 44
4.6.7 Análises microbiológicas..............................................................................................44
[Link] Coleta das amostras................................................................................................... 44
[Link] Classificação dos morfotipos bacterianos e fúngicos encontrados nas soluções...... 45
4.7 Análise estatística............................................................................................................ 48

5 RESULTADOS............................................................................................................... 50
5.1 Análises morfométricas intragrupo das peças anatômicas.............................................. 50
5.2 Análises morfométricas intergrupos das peças anatômicas............................................. 52
5.3 Descrição das análises morfológicas intra e intergrupos das peças anatômicas............ 54
5.4 Análises microbiológicas das soluções conservantes...................................................... 58
5.5 Propriedades organolépticas das soluções..................................................................... 62

6 DISCUSSÃO................................................................................................................. 65
6.1 Conservação das peças anatômicas............................................................................... 65
6.2 Microrganismos encontrados nas soluções conservantes............................................... 67
6.3 Aspectos das soluções conservantes após 120 dias........................................................ 73
6.4 Custo da salina P.A. 30% versus a salina comercial 30%............................................... 73
6.5 Limitações do trabalho.................................................................................................. 74

7 CONCLUÇÕES............................................................................................................ 75

REFERÊNCIAS ................................................................................................................ 76

ANEXO A............................................................................................................................. 86

ANEXO B............................................................................................................................ 88
19

1 INTRODUÇÃO

A solução de formol a 10% é utilizada como método de fixação e de preservação


de peças anatômicas, impedindo a proliferação de microrganismos e a degradação dos tecidos.
Porém, é uma solução muito tóxica e de alto potencial carcinogênico, prejudicando a saúde de
manipuladores, como técnicos de laboratório, docentes e discentes, além do prejuízo ao meio
ambiente ao ser descartado no sistema de esgoto (HAYASHI et al., 2014; FERREIRA et al.,
2017; SCHEEPERS, 2018; SILVA, 2018). No estudo de Silva (2010), sobre biossegurança no
descarte do formol em laboratórios de anatomia, constatou-se que, mesmo sabendo a forma
correta de descarte desse material, que, no caso, é o armazenamento em recipientes seguros e
posterior incineração, mais de 85% dos entrevistados disseram descartá-lo em pia comum, o
que é extremamente tóxico e nocivo à vida aquática.
O manuseio habitual e prolongado do formaldeído causa efeitos deletérios à saúde,
como problemas pulmonares, irritação de mucosas, dermatites alérgicas, além do alto potencial
carcinógeno, mutagênico e teratogênico (VERONEZ et al., 2010; SILVA et al., 2016).
Conforme Silva (2018), uma alternativa para a substituição do formol como
conservante seria a utilização da solução salina 30%, método de conservação muito comum em
laboratórios de anatomia animal nos cursos de veterinária em aulas práticas de dissecação,
estudo da anatomia e de treinamentos cirúrgicos. Oliveira (2014) relata que a solução de cloreto
de sódio a 30% consegue manter o meio isento de microrganismos e conservar as peças com
qualidade.
A substituição da formalina por solução salina ainda é pouco utilizada nos
laboratórios de anatomia humana, provavelmente pela escassez de publicações quanto à
qualidade morfológica e segurança microbiológica dos espécimes e dos riscos aos profissionais
que os manipulam. Assim, este trabalho propõe verificar se o NaCl comercial (sal de cozinha
comum) apresentaria a mesma efetividade que o NaCl puro (P.A.) na conservação de peças
cadavéricas, dado o baixo custo financeiro e a facilidade de aquisição, o que tornaria ainda mais
economicamente acessível o custo de manutenção nos laboratórios de anatomia. O estudo busca
responder se o tipo de sal utilizado interfere na conservação das peças, se há comprometimento
morfológico das estruturas anatômicas, qual o tempo necessário de troca da solução, se há
viabilidade de aplicá-la em peças humanas e se é possível garantir a biossegurança da equipe
que manipula esse material durante as atividades acadêmicas de pesquisa, ensino e extensão
que envolvam a anatomia humana.
20

A hipótese do trabalho é de que o tipo de NaCl utilizado para o preparo da solução


salina 30% interfere no controle biológico de microrganismos, na conservação e qualidade
morfológica e morfométrica das peças.
21

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 O formol na conservação de peças anatômicas, implicações na saúde humana e no


meio ambiente

A solução de formalina a 10% é uma das mais utilizadas para a fixação de tecidos
e de cadáveres desde 1893, sem muitas modificações até hoje (BRENNER, 2014). O formol é
utilizado no processo de fixação dos cadáveres, por impedir a autólise celular e preservar
estruturas teciduais e morfológicas (PANZACCHI et al., 2019). A fixação por formol estabiliza
as proteínas pela desnaturação da estrutura secundária, terciária ou quartenária, formando
ligações covalentes ou ligações cruzadas entre as moléculas dos fixadores e as proteínas,
paralisando o processo de destruição celular (THAVARAJAH et al., 2012).
Os cadáveres embalsamados com formol a 10% ainda são amplamente utilizados
na educação médica. Isso porque a formolização é uma técnica simples e de baixo custo que
possibilita a penetração da substância nos tecidos de modo a preservá-los, além de inibir a
proliferação da maioria dos microrganismos decompositores e patogênicos. As peças imersas,
porém, tendem a escurecer, a apresentar maior massa, devido ao encharcamento, e podem
tornar-se friáveis, com perda de consistência e de flexibilidade. Embora, a fixação garanta um
uso duradouro, há outras desvantagens como o cheiro irritante das mucosas, descoloração
tecidual e rigidez (GUO et al., 2012; KUMAR et al., 2013; OLIVEIRA et al., 2014;
BRENNER, 2014; BILGE; CELIK, 2017).
O formaldeído é uma substância volátil que causa irritação nos olhos, membranas
mucosas, ressecamento e dor de garganta, sensação de formigamento no nariz, distúrbios
menstruais e problemas na gravidez. É um composto relacionado a vários tipos de câncer como
o nasal, pulmonar e possíveis associações com o cerebral e a leucemia (RAHARYANINGSIH;
AZIZAH, 2017; LEAL, 2018; KANG et al., 2021).
É um composto largamente conhecido no meio científico por apresentar elevado
potencial carcinogênico, mutagênico e teratogênico devido a exposição ao longo do tempo
(OLIVEIRA et al., 2004; PEREIRA, 2007; HAYASHI et al., 2014; BONO et al., 2016;
CHENG et al., 2016). Segundo Ferreira et al. (2017), esses aspectos têm levado às
universidades em todo o mundo a buscar alternativas para substituí-lo.
A exposição a essa substância pelos profissionais de laboratório de anatomia precisa
ser avaliada com mais afinco pelos órgãos competentes de saúde ocupacional (IARC, 2012).
22

Pois, apesar de ser um excelente fixador, desinfetante e antisséptico, apresenta riscos para a
saúde pública e ao meio ambiente (GUO et al., 2012; BRENNER, 2014). É também
considerado um importante poluente ambiental e seus resíduos apresentam baixa
biodegradabilidade. O descarte inadequado pode causar sérios distúrbios para o tratamento
biológico de águas residuais, além de causar danos à vida aquática (OLIVEIRA et al., 2004;
PEREIRA, 2007).
Desde 2016, o Comitê Europeu de Substâncias Perigosas estabeleceu um novo
limite de exposição ocupacional ao formaldeído, de 0,37 mg/m3, classificado
como carcinógeno humano 1B. Além da necessidade de diminuir a exposição, há também a
necessidade de adaptações técnicas, como a modificação de protocolos de fixação e preservação
dos cadáveres. Aliado a isso, é preciso realizar mudanças estruturais que vão desde a instalação
de exaustores de ar, a um sistema de ventilação adequado nos laboratórios de anatomia
(WASCHKE et al., 2019).
Waschke et al. (2019) recomendaram aos Institutos de Anatomia da Alemanha a
redução da concentração de formaldeído no processo de perfusão intra-arterial de corpos
humanos, doados para dissecação, para até 4% com um volume total de 150 mL/Kg de massa
corporal, como suficientes para o embalsamamento. E nos tanques de imersão, uma
concentração de formol de 2%.
O uso indiscriminado do formol deve ser evitado, devendo ser empregado apenas
como veículo fixante, deixando o papel de conservação e manutenção para outras substâncias
(PEREIRA, 2014).

2.2 Fixação de peças anatômicas

Boas práticas de fixação e conservação são necessárias para impedir a


decomposição do material e a proliferação de microrganismos, sobretudo, os patógenos
(RODRIGUES, 2010; NETO; COLOMBO, 2015). As soluções à base de formol garantem a
desinfecção, interrompem a autólise, estabilizam o tecido por alterações moleculares, além de
evitarem a putrefação e a contaminação (BALTA et al., 2015).
O formaldeído como fixador é utilizado, normalmente, sozinho ou com outros
aditivos, como fenol, glicerina e metanol. As soluções com adição desses compostos têm a
finalidade de reduzir ao máximo a quantidade de formol utilizada e corrigir deficiências
relacionadas à baixa atividade antifúngica e a rigidez de tecidos e articulações ( RODRIGUES,
23

2010; SRI-INDRASUTDHI; UEAPATTANAKIT; SOMMATAS, 2015).


Além da glicerina, o álcool etílico e o fenol, há a plastinação que, assim como os
demais, auxilia na preservação tecidual para fins de estudo anatômico (SANTOS et al., 2017),
impedindo a colonização por fungos ou por qualquer outro microrganismo (RODRIGUES,
2010). O problema dessa técnica, quando comparada ao formol, está no alto custo, o que
inviabiliza financeiramente a troca por substâncias menos tóxicas e agressivas à saúde humana
e ao meio ambiente (KIMURA; CARVALHO, 2010).
Um acentuado enrijecimento tecidual é observado em fixadores à base de
formaldeído. Em peitos de frango fixados por 45 dias nesta solução, os mesmos enrijeceram
cerca de sete vezes mais (GUASTALLI et al., 2007). A fixação por álcool etílico também leva
ao aumento da rigidez tecidual, cerca de cinco vezes mais, durante os primeiros seis meses, e
três vezes mais rígidos após um ano de imersão (NUNES et al., 2011).
A utilização de álcool etílico no processo de fixação associado ao uso de salina 30%
na conservação de cadáveres de cães, mostrou-se eficaz. Ocorreu baixa contagem de
microrganismos dos gêneros Bacillus, E. coli e Pseudomonas. Não houve contaminação visual
aparente nos tanques de conservação, além da ausência de odor desagradável ou de putrefação
(PEREIRA et al., 2019).
A falta de informações que classifique, liste e compare diferentes técnicas de
embalsamamento é um problema, pois não há padrões experimentais reconhecidos
internacionalmente. O que há é um esforço por parte dos anatomistas em estabelecer técnicas
de preservação próximas ao in vivo, que preserve por um longo período e reduza os riscos à
saúde dos manipuladores. São vários e diferentes métodos que podem ser utilizados na
preservação anatômica, esta dependerá da finalidade a que se deseja (BALTA et al., 2015).

2.3 Aspectos gerais dos fungos e das bactérias

Os fungos estão presentes em toda parte e nos mais variados ambientes devido à
presença de esporos que são facilmente dispersos pelo ar (SOUZA, 2012). Os saprófitas
desempenham um importante papel na decomposição primária de substratos nos diversos
ecossistemas (NAZIM et al., 2012). Alguns deles são parasitas em humanos e animais
(SAMSON et al., 2004).
Os fungos pertencem ao Reino Fungi e estão organizados em cinco filos,
Ascomycota, Basidiomycota, Chytridiomycota, Glomeromycota e Zygomycota (MADIGAN et
24

al., 2016). Eles são eucariontes, heterotróficos, grande parte aeróbicos e uma minoria
anaeróbicos estritos e facultativos. Eles são aclorofilados, uni ou multicelulares, reproduzem
sexuada e ou assexuadamente. Possuem uma parede celular rígida, devido à presença de
celulose, glicanas, mananas ou quitina. E a principal forma de reserva é o glicogênio (VIEIRA;
QUEIROZ, 2012).
Já as bactérias pertencem ao Domínio Bacteria, são procariontes, presentes em
todos os tipos de ambientes, desde o solo, o ar, a água doce ou salgada, ou em associações
harmônicas ou desarmônicas com outros seres vivos. Podem ser heterotróficas (a maioria) ou
autotróficas (quimio ou fotossintetizantes) e, quanto a utilização do oxigênio, podem ser
aeróbias, anaeróbias, anaeróbias facultativas e microaerófilas (TORTORA; FUNKE; CASE,
2016).

2.4 Contaminação microbiológica em peças anatômicas formolizadas

A conservação em formalina é um método que impede a proliferação de bactérias,


fungos e degradação tecidual (HAYASHI, 2014), embora não seja raro encontrar fungos e mais
raramente bactérias nessa solução (NETO; COLOMBO, 2015; SILVA, 2017).
Os principais fatores que levam à contaminação fúngica no Laboratório de
Anatomia são a umidade do ambiente, a concentração de esporos no ar e o tempo de inoculação.
A presença desses microrganismos em cadáveres humanos e a exposição habitual ao formol
potencializam, a longo prazo, os riscos à saúde humana (SRI-INDRASUTDHI;
UEAPATTANAKIT; SOMMATAS, 2015).
Em laboratórios de anatomia, a contaminação por fungos nas peças anatômicas
pode levar ao desenvolvimento de quadros alérgicos em decorrência da exposição a esporos
suspensos no ar (NETO; COLOMBO, 2015). A intensa e prolongada exposição a esporos de
determinados fungos pode alterar e desregular o sistema imunológico, respiratório e
comprometer o sistema nervoso central (SNC) (JOHANNING et al., 1996).
Os fungos transportados pelo ar estão ligados a infecções do sistema respiratório.
Por exemplo, a rinossinusite crônica polipoide pode ser causada por Bipolaris spicifera
(BUZINA et al., 2003), enquanto que o Aspergillus fumigatus está associado a sintomas
respiratórios em pacientes com asma (FAIRS et al., 2013).
Kalanjati et al. (2012) sugerem que a concentração de formalina para prevenir o
crescimento de fungos não deva ser inferior a 4% (5 a 7,5%).
25

No estudo de Przybysz e Scolin (2009), sobre o poder fungicida do formol, foram


identificados os gêneros Scopulariopsis, Exserohilum, Stemphilium e fungos saprófitos em
tanques de cadáveres imersos em formalina. Não foi observada a presença de espécies
patogênicas.
Já Neto e Colombo (2015) isolaram os fungos Aspergillus spp., Aureobasidium
spp., Cladosporium spp. e Penicillium spp. em peças anatômicas conservadas em formol que
podem comprometer o sistema respiratório.
No estudo de Sri-Indrasutdhi, Ueapattanakit e Sommatas (2015), investigando a
contaminação fúngica em cadáveres humanos por fungos aéreos, observaram a presença de 17
espécies. Dentre as mais comuns estavam as de Penicillium (Penicillium calidicanium, P.
oxalicum, P. verruculosum e Penicillium sp.), Aspergillus (Aspergillus japonicus, A. niger),
Trichoderma atroviride e Cladosporium colocasiae, sendo essas duas últimas em maior
abundância. A tabela abaixo mostra todos os microrganismos presentes nos cadáveres
conservados em formol da referida pesquisa, alguns deles não foram possíveis a identificação.

Quadro 1 – Lista de espécies fúngicas e as concentrações encontradas no Laboratório de


Anatomia
Código do Isolado Nome científico Concentração (CFU/m3)
ASP00740 Alternaria solani 7,8 × 105
ASP00754 Aspergillus japonicus 5,3 × 106
ASP00766 Aspergillus niger 6,3 × 106
ASP00586 Cladosporium colocasiae 9,1 × 106
ASP00735 Diaporthe sp. 5,7 × 104
ASP00745 Hyphodermella corrugata 5,6 × 103
ASP00761 Hypocrea lixii 5,2 × 104
ASP00744 Penicillium calidicanium 8,8 × 104
ASP00749 Penicillium oxalicum 4,5 × 105
ASP00743 Penicillium sp. 3,8 × 105
ASP00768 Penicillium verruculosum 5,0 × 104
ASP00741 Peniophora sp. 8,6 × 103
ASP00584 Phlebiopsis gigantea 6,4 × 105
ASP00772 Pseudocercospora pallida 7,6 × 104
ASP00748 Trichoderma atroviride 9,4 × 106
ASP00736 Não identificado 1,42 × 105
ASP00737 Não identificado 2,63 × 105
Fonte: SRI-INDRASUTDHI; UEAPATTANAKIT; SOMMATAS (2015).
26

No estudo de Silva (2017), os fungos filamentosos isolados de cadáveres do


Laboratório de Anatomia do Centro de Formação de Professores da Universidade Federal de
Campina Grande, foram dos gêneros Aspergillus, Cladosporium, Epicoccum, Stemphylium e a
levedura Candida albicans.

2.5 O uso do cloreto de sódio na conservação de peças anatômicas

O sal de cozinha é utilizado como conservante alimentar desde a antiguidade devido


às características desidratantes que levam à eliminação de água do interior das células por
processos osmóticos. Tal propriedade, confere-lhe qualidades antissépticas, inviabilizando o
crescimento de microrganismos e, por consequência, evitando a deterioração tecidual. Além de
não apresentar toxicidade (SANTOS, 2016).
O alto teor desse sal retido nos tecidos impede uma dessecação significativa,
promove uma excelente preservação dos cadáveres, com mínima distorção estrutural dos
tecidos, da flexibilidade, além de manter a cor natural. Além disso, o sal comum é prontamente
disponível e economicamente acessível (COLEMAN; KOGAN, 1998).
A solução de NaCl 30% seria uma alternativa para a redução do uso de formalina.
É pouco volátil, apresenta baixo custo e tem sido considerada efetiva na conservação de peças
anatômicas, não sendo observadas alterações nas características do material preservado e nem
contaminação significativa por microrganismos (OLIVEIRA, 2014; LIMA, 2017). O cloreto de
sódio é uma substância química natural, presente na água do mar, na proporção de 35 g de NaCl
por L de água (DÍAZ et al., 2000). Ademais, é de fácil eliminação, atóxica, de baixo custo e de
fácil aquisição (HAYASHI et al., 2014; LOMBARDERO et al., 2017; GUARANÁ et al.,
2021).
O uso de solução salina 30% na manutenção de peças cadavéricas em laboratórios
de anatomia ainda é incipiente, entretanto, os estudos têm indicado a técnica como satisfatória
quanto à qualidade, custo e salubridade na conservação de espécimes anatômicos de
ruminantes, carnívoros, equinos, suínos e aves previamente fixados em formol (OLIVEIRA,
2014). A solução salina mostrou-se eficaz na preservação tecidual, além de ser atóxica e não
inflamável, sendo um produto de baixo custo, o que possibilita o uso como conservante em
laboratórios de anatomia (SILVA, 2018).
Conforme experimento de Brun et al. (2002) o pericárdio canino foi utilizado com
27

sucesso como membrana biológica para reparo de músculos retos abdominais em ratos Wistar
após ter sido mantido por 90 dias em solução aquosa supersaturada de NaCl a 1,5 g/mL. O meio
de armazenamento não apresentou contaminação por bactérias e fungos e manteve as
características estruturais do tecido. Em outro estudo de Brun et al. (2004), a solução salina
apresentou resultados semelhantes à glicerina a 98% na conservação de centro frênico canino,
com características antissépticas.
A solução salina a 30% mostrou-se capaz de substituir o formol por vários critérios
como apresentar baixo custo financeiro, facilidade de aquisição de substrato, não possuir
componentes tóxicos aos manipuladores, apresentar um descarte seguro e sem poluição ao meio
ambiente (OLIVEIRA, 2014). Por esses motivos, torna-se uma alternativa tangível na
conservação de cadáveres. No estudo de Hayashi et al. (2014), foi relatado o uso da solução
salina como um conservante eficiente em embalsamentos de cadáveres para treinamentos de
habilidades cirúrgicas, além de apresentar ações bactericida e fungicida, conferindo segurança
química e biológica aos médicos cirurgiões, eliminando o risco de contágio com
microrganismos patogênicos durante esses procedimentos, porém são necessários mais estudos
quanto ao uso (ou sobre o uso) prolongado dessa solução com finalidade de conservação.
Segundo Silva (2018), a substituição do formol por solução salina melhoraria as
condições de trabalho de toda a equipe, tornaria o laboratório de anatomia salubre e sem
prejuízos ao meio ambiente ao efetuar o descarte na rede de esgoto. De acordo Rocha (2016),
o tempo de fixação da peça para a conservação e eliminação de microrganismos parece estar
relacionada à finalidade de uso do material, seja para práticas de técnicas cirúrgicas e ou
atividade de ensino. Neste caso, o fixador utilizado foi o álcool etílico e o agente conservante,
a solução salina 30%. A conservação foi mais efetiva até o período de 30 dias. E a flexibilidade
tecidual manteve-se próxima ao in natura.
E por fim, Guaraná et al. (2021) realizaram um levantamento de estudos sobre a
conservação anatômica utilizando a solução salina como agente conservante, conforme
mostrado no Quadro 2.
28

Quadro 2 – Composição das soluções salinas, processos de embalsamamento, armazenamento e resultados na literatura
Estudos Composição da solução Modelo/processo de embalsamamento Armazenar Resultados

Oliveira, 2014. Diferentes concentrações de Cão. Não descrito. Os cadáveres foram Observou-se por 5 anos e não
formaldeído (0,612%–10%), com armazenados em tanques houve contaminação visual ou
solução de cloreto de sódio a 30% com a solução. deterioração em nenhum
(cloreto de sódio e água). espécime. Também não foi
observado odor de putrefação,
nem alterações na cor ou maciez.

Hayashi et al., Cloreto de sódio 20 kg Humano. Infusão do fluido de Os cadáveres foram A salina apresentou efeito
2014. (saturado)/Álcool isopropílico: 4,0 embalsamamento via artéria femoral colocados em um saco antibiótico suficiente para a
L/Formaldeído (20%): 1 L/Glicerina: canulada ou artéria carótida comum plástico selado e manipulação dos cadáveres em
0,5 L/Fenol: 0,2 L/Água: 19,3 L. conectada a uma bomba Porti boy armazenados à temperatura práticas de habilidades cirúrgicas.
durante um dia inteiro. ambiente. Tecidos com alta qualidade e
articulações flexíveis,
possibilitaram a realização de 21
tipos de procedimentos.

Lombardero et al., Cloreto de sódio e água da torneira Cão. Infusão via canulada dos Os cadáveres foram A perfusão e imersão em solução
2017. (ponto de saturação de NaCl de 35,89 grandes vasos (artéria carótida mantidos em câmara salina saturada foi um bom
g/ 100 ml–1 de água a 20°C). comum, veia jugular externa, veia frigorífica ou imersos em método alternativo para a
femoral), após sangria dos animais, banho de SSS. preservação prolongada de
utilizando bomba peristáltica, espécimes utilizados no ensino
realizando perfusão de solução de prático de anatomia veterinária
lavagem e perfusão com SSS, macroscópica. Manteve a
lavando o sangue e recirculando o aparência e a consistência
SSS por várias horas. semelhantes ao material fresco.
29

Burns et al., 2018. Cloreto de Sódio (saturado): 20 Humano. Infusão via artéria femoral Os cadáveres foram A solução salina saturada
kg/Álcool isopropílico: 4,0 canulada no triângulo de Scarpa a um armazenados em sacos preservou com sucesso os
L/Formaldeído (37%): 0,5 L/Glicerol: fluxo de aproximadamente 1 L por plásticos a 4°C. cadáveres com excelente
0,5 L / Fenol (90%): 0,2 L/Água da hora. A maioria dos cadáveres requer flexibilidade articular. Foram bem
torneira: 29,8 L. injeção pontual de 1–5 L de fluido de avaliados quanto à rigidez, odor e
embalsamamento adicional. fidelidade visual e tátil do tecido,
sendo adequado para o
treinamento de habilidades
cirúrgicas, inclusive, superiores
aos cadáveres conservados em
solução de formaldeído e de
álcool-glicol.

Gosomji et al., Grupo A: Solução estoque salina 9,5 Cabra. Infusão através da incisão do Os cadáveres foram A solução salina saturada manteve
2018. L/Álcool isopropílico: 2,5 fluido de embalsamamento na artéria mantidos em geladeira a a integridade do tecido sem
L/Formaldeído (5%): 0,5 L/Glicerina: carótida comum usando uma 4°C. distorção de cor, forma e textura
0,5 L/ Fenol: 0,2 kg/Grupo B: Solução máquina de bomba peristáltica de músculos. Os grupos salínicos
estoque salina 9 L/Álcool (LongerPump®, BT100-2J) até que o apresentaram melhor amplitude
isopropílico: 2,5 L/Formaldeído fluido fosse observado saindo das de movimento.
(10%): 1 L/Glicerina: 0,5 L/Fenol: 0,2 extremidades.
kg.
30

Kathapillai, 2019. Cloreto de Sódio 4 kg/Formaldeído Humano. Injeção de solução salina Não descrito. O embalsamamento por solução
(20%) 0,25 L/Glicerina 0,25 L/Álcool através da artéria femoral no cadáver salina foi o mais adequado após o
Isopropílico 1,0 L/Fenol 0,5 L/Água por 6 h cada. método por solução de Thiel*, que
5,0 L. é o padrão ouro em termos de
conservação para treinamento de
práticas cirúrgicas.
A salina foi um método aceitável
em termos de odor, incisão/sutura,
aparência, amplitude de
movimentos e manobrabilidade
durante o treinamento de
habilidades cirúrgicas.

Rocha et al., 2019. Solução de cloreto de sódio a 30% Cão. Fixação em álcool etílico com Os cadáveres foram O cadáver foi utilizado ao longo
(cloreto de sódio e água). glicerol a 5% via artéria carótida armazenados em tanques de do semestre letivo (4 meses) para
Fixação em álcool etílico com glicerol comum, na vazão de 120 ml/kg. ASSC 30% por 120 dias treinamento de diversas técnicas
a 5%. Lavagem do líquido excedente seguidos do período de cirúrgicas e proporcionou boa
acumulado nas cavidades torácica e fixação. maciez e maleabilidade tecidual,
abdominal com água por 5 dias além de reduzir os custos e
consecutivos e colocação em tanques proporcionar repetibilidade do
de álcool etílico. exercício.
31

Watanabe et al., Cloreto de sódio 20 kg Humano. Infusão do fluido de Os cadáveres foram O método de solução salina
2019. (saturado)/Álcool isopropílico: 4,0 embalsamamento via artéria femoral colocados em um saco saturada tem um custo
L/Formaldeído (20%): 1 L/Glicerina: canulada ou artéria carótida comum plástico selado e relativamente baixo de preparação
0,5 L/Fenol: 0,2 L/Água: 19,3 L. conectada à máquina de armazenados à temperatura e armazenamento e quase nenhum
embalsamamento Porti-Boy Mark IV ambiente. odor
durante um dia inteiro. As texturas da mucosa oral e da
pele foram semelhantes às de
indivíduos vivos. A estrutura dos
tecidos ósseos estava bem
preservada e a dureza era realista,
sugerindo que esses cadáveres
pudessem fornecer um novo
modelo para o treinamento de
habilidades cirúrgicas orais na
extração óssea.

Beger et al., 2020. Cloreto de sódio 20 kg Rato. Fixação por cateter. Remoção Os cadáveres foram A cor, aparência, consistência,
(saturado)/Álcool isopropílico: 4,0 das paredes abdominal e torácica com armazenados em tanques odor, rigidez dos cadáveres
L/Formaldeído (20%): 1 L/Glicerina: tesoura cirúrgica. Inserção do cateter SSS por 2 meses em fixados em salina e Thiel são mais
0,5 L/Fenol: 0,2 L/Água: 19,3 L. no ventrículo esquerdo. Infusão de temperatura ambiente. adequados para fins de
solução fisiológica e solução fixadora treinamento e desenvolvimento de
pelo mesmo cateter. novos procedimentos cirúrgicos.
32

Guaraná et al., A solução foi preparada com cloreto Suíno (bexiga urinária e intestino As vísceras foram Aparência realista, ausência de
2021. de sódio moído (Sal Aliança) e água, delgado -jejuno). Fixação em álcool conservadas em recipientes odor e características
utilizando a proporção de 1 kg de sal etílico 99,8% e conservados em com salina 30% em morfológicas viáveis durante a
para cada 2,8 L de água. solução hipersaturada de cloreto de temperatura ambiente por 7, realização das técnicas
sódio a 30%. 14 e 21 dias. operatórias.
A conservação das vísceras
fixados em 99,8% em álcool
etílico por 30 dias e mantidos em
salina 30% em diferentes períodos
demonstrou ser um método viável
de preservação para treinamento
de habilidades cirúrgicas.

Fonte: GUARANÁ et al., 2021. Adaptado.


Abreviação: ASSC, Solução Aquosa de Cloreto de Sódio; SCAS, Solução Aquosa de Cloreto de Sódio; SSS, solução salina saturada.
Nota*: A solução de Thiel (composta de ácido bórico, etilenoglicol, nitrato de potássio, clorometilfenol, sulfato de sódio e formaldeído) é bastante utilizada para a fixação de
cadáveres com a finalidade de treinamento de práticas cirúrgicas (GROSCURTH et al., 2001).
33

3 OBJETIVOS

3.1 Objetivo geral

Comparar o potencial do NaCl puro (P.A.) e comercial utilizados no preparo da


solução salina 30% na conservação de peças cadavéricas.

3.2 Objetivos específicos

 Avaliar o grau de conservação das carcaças de ratos Wistar em soluções salinas,


pura e comercial a 30%, quanto a aspectos morfológicos macroscópicos e morfométricos;
 Avaliar aspectos organolépticos da solução salina após o período de conservação
das peças anatômicas;
 Verificar a eficiência das soluções salinas 30% no controle biológico de fungos
e bactérias, quando comparadas ao formol 10%;
34

4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

4.1 Delineamento do estudo

O estudo foi realizado com animais de descarte, carcaças de ratos Wistar, doados
pelo Biotério do Centro Integrado de Pesquisa (CIPq) da Universidade Federal dos Vales do
Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).
O trabalho foi executado no período de 07 de julho/2021 a 18 de setembro/2022.
Os animais foram originários do projeto intitulado “Efeitos do Treinamento Aeróbio
Intervalado de Alta Intensidade sobre a Perda Óssea Alveolar e Inflamação e Parâmetros
Cardiometabólicos em Ratos Wistar com Doença Periodontal Induzida por Ligadura”
sob o registro do parecer da CEUA nº 016-2020. A reutilização desses animais foi possível,
uma vez que não foram submetidos a nenhum tipo de medicação ou procedimentos invasivos
que inviabilizassem o uso nesta pesquisa.
O presente estudo consistiu em três etapas:
Etapa 1: higienização dos ratos Wistar, análises morfológicas macroscópicas e
morfométricas iniciais. Todos esses procedimentos foram realizados após a eutanásia dos
animais, seguido da fixação em formol 10% e submersão por sete dias nessa solução, conforme
a linha de tempo representada na Figura 1.
Etapa 2: preparo das soluções conservantes e distribuição das carcaças dos ratos
Wistar nos respectivos grupos de estudo, seguida imediatamente da 1ª análise microbiológica
das soluções em 0 dias de conservação, Figura 1.
Etapa 3: análises microbiológicas subsequentes (2ª, 3ª e 4ª) foram realizadas em
40, 80 e 120 dias respectivamente, além das análises organolépticas das soluções e análises
morfológicas e morfométricas finais dos ratos Wistar após os 120 dias, conforme a Figura 1.
35

Figura 1 – Linha de tempo do desenho experimental

Fonte: Elaborada pela autora, 2023.

A Figura 2, representa o desenho experimental, com todas as etapas, número de


animais, formação dos grupos, as análises morfométricas e morfológicas dos ratos Wistar,
microbiológicas e organolépticas das soluções e o tempo de realização de cada uma delas com
os respectivos tempos de execução. Todas essas etapas serão melhor detalhadas em tópicos
subsequentes.
36

Figura 2 – Fluxograma com todas as etapas

Fonte: Elaborada pela autora, 2023.

4.1.1 Local de realização da pesquisa

O início da etapa 1 da pesquisa foi realizada no Laboratório de Estudos Biológicos


(LEB), Campus Diamantina/UFVJM. No dia seguinte, as carcaças dos ratos Wistar foram
transferidas para o Campus Mucuri/UFVJM, Teófilo Otoni – MG, onde foi finalizada a etapa
1 e executadas as etapas 2 e 3 nos Laboratórios de Anatomia Molhado e de Análises
Biomoleculares de forma concomitante. Todo o experimento foi realizado em temperatura
ambiente em torno de 27 ºC (±6,5).

4.2 Amostras

Utilizaram-se 72 carcaças de ratos da linhagem Wistar, Rattus norvegicus, adultos,


de ambos os sexos, sendo 45 machos e 27 fêmeas, com massa corporal média de 351g.
37

4.3 Critérios de inclusão da amostra

 Ratos Wistar, adultos, de ambos os sexos, com idade entre 6 a 12 meses;


 Animais de descarte de outros experimentos e ou de biotérios de criação com a
especificação dos procedimentos e medicamentos administrados aos animais.

4.4 Critérios de exclusão da amostra

 Animais com mais de 6 horas de eutanasiados, resfriados por mais de 24 horas


ou congelados;
 Animais que tenham passado por algum tipo de processo de conservação;
 Animais com algum grau de processo de decomposição.

4.5 Aspectos éticos

O estudo foi submetido à Comissão de Ética em Uso de Animais (CEUA) da


Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, aprovado conforme o parecer nº
04-2021 R (ANEXO A).

4.6 Descrição dos procedimentos

4.6.1 Eutanásia e higienização

Os animais foram eutanasiados, higienizados com água e sabão neutro e em


seguida, agrupados de forma aleatória. Como as fêmeas eram em menor quantidade, foram
alocadas de modo que cada subgrupo tivesse pelo menos um exemplar, Figura 3.
38

Figura 3 – Etapa de Eutanásia, Higienização e formação dos grupos

Fonte: Elaborada pela autora, 2023.


A) higiene dos ratos Wistar imediatamente à eutanásia; B) separação aleatória dos animais para formação dos
grupos para posterior análise morfométricas e morfológicas iniciais.

4.6.2 Identificação dos animais e composição dos grupos

Formaram-se três grupos com dois tratamentos em cada um deles, contendo 12


carcaças de ratos Wistar, acomodados em três recipientes/tratamento hermeticamente fechados
com capacidade de cinco litros. Em cada um, foram alocados quatro espécimes e os recipientes
foram identificados como solução 1, 2 e 3 (S1, S2 e S3), vide Tabela 1.
Os grupos formados foram SPT1: salina P.A. 30% + animais expostos; SPT2:
salina P.A. 30% + animais não-expostos; SCT1: salina comercial 30% + animais expostos;
SCT2: salina comercial 30% + animais não-expostos; FoT1: formol 10% + animais expostos;
FoT2: formol 10% + animais não-expostos, conforme especificado na Tabela 1.
39

Tabela 1 – Especificação dos grupos, quantidade de animais por solução (ou recipiente) e por
grupo
Grupos Tratamentos/soluções Número de Número de
(T1 e T2) Animais/Recipiente Animais/Subgrupo
SPT1S1 04
SPT1 + Animais exposto SPT1S2 04 12
SPT1S3 04
SPT2S1 04
SPT2 + Animais Não Expostos SPT2S2 04 12
SPT2S3 04
SCT1S1 04
SCT1 + Animais Expostos SCT1S2 04 12
SCT1S3 04
SCT2S1 04
SCT2 + Animais Não Expostos SCT2S2 04 12
SCT2S3 04
FoT1S1 04
FoT1 + Animais Expostos FoT1S2 04 12
FoT1S3 04
FoT2S1 04
FoT2 + Animais Não Expostos FoT2S2 04 12
FoT2S3 04
Fonte: Elaborada pela autora, 2023.

Para a identificação do grupo, da solução e dos animais, utilizou-se um barbante


circundando o pescoço de cada animal, com uma ponta livre, onde foram feitas as marcações
com tintas no sentido de fora para dentro, representando respectivamente o grupo, o animal e
a solução, conforme mostrado pela Figura 4.
40

Figura 4 – Identificação dos animais em cada grupo

Fonte: Elaborada pela autora, 2023.


A: Representação em cores identificando o grupo, animal e solução. Em“a”: identificações dos grupos em cores
diferentes (SPT1: amarelo; SPT2: rosa; SCT1: azul; SCT2: vermelho; FoT1: lilás; FoT2: verde). Em “b”: o
número de traços em preto identifica o animal em 1, 2, 3 e 4. Em “c”, o número de traços em verde identifica a
solução conservante em 1, 2 e 3. As imagens em A, B, C, D, E e F são exemplares de cada grupo.

4.6.3 Análises morfométricas e morfológicas macroscópicas das carcaças de ratos


Wistar

As análises morfométricas e morfológicas foram realizadas de forma comparativa


no início (na pré-fixação) e no final do experimento (após os 120 dias) intra e intergrupos por
um único avaliador (FIGURA 5).
Os ratos Wistar foram avaliados de forma adaptada, conforme critérios de
publicações anteriores utilizadas por Hayashi et al. (2014, 2016), Bilge e Çelik (2017) e Beger
et al. (2020).
Os parâmetros morfométricos avaliados foram:
 Massa corporal (g) (M): aferido em balança semi-analítica (modelo EVEN,
capacidade 3200g, bivolt);
 Comprimento Nasoanal (cm) (CNA): do focinho ao ânus, mensurado com fita
milimetrada;
 Comprimento Nasocaudal (cm) (CNC): do focinho ao limite final do rabo,
mensurado com fita milimetrada;
Os parâmetros morfológicos macroscópicos avaliados foram:
 Coloração dérmica: realizada por percepção visual, considerando o aspecto normal,
como sendo uma pele pálida de um animal recém eutanasiado (sim ou não);
 Presença de manchas arroxeadas como sendo o escurecimento da peça (sim ou não);
41

 Sinais de autólise: neste caso, aspecto de derretimento do tecido (sim ou não).


 Odor das peças: realizada por percepção olfativa, observando a presença de cheiro
característico de putrefação (sim ou não);
 Rigidez articular: realizada por percepção tátil pela indução de movimentação
articular de abdução/adução e flexão/extensão dos membros superiores e inferiores, havendo
algum tipo de resistência ao movimento considerou-se presença de rigidez (sim ou não);
 Rigidez muscular: realizada por percepção tátil pela pressão sobre músculos de
membros superiores e inferiores e região abdominal. A pressão foi realizada com o auxílio do
dedo indicador, caso houvesse deformação tecidual, considerava-se sem presença de rigidez
muscular (não) e sem deformação tecidual ou presença de rigidez (sim).

Figura 5 – Realização das medidas morfométricas dos ratos Wistar

Fonte: Elaborada pela autora, 2023.


A: medida do comprimento nasocaudal; B: comprimento nasoanal; C: pesagem do animal.

4.6.4 Etapa de fixação em formol a 10%

O processo de fixação foi realizado manualmente com o auxílio de uma seringa de


20 mL com solução de formol 10% (100 mL de formol/ 900 mL H2O destilada). A água
utilizada foi autoclavada por 20 minutos a 121⁰ C, antes da adição do formol (autoclave
Phoenix-Luferco®, modelo AV-137).
A formalina 10% foi injetada nas cavidades torácica, peritoneal, bucal em direção
ao crânio e intramuscular (membros superiores e inferiores), como ilustrado na Figura 6.
42

Conforme Rodrigues (2010), a quantidade injetada correspondeu a 10% da massa corporal do


animal.
Após a formolização, os animais foram transferidos para o Campus Mucuri, Teófilo
Otoni. As carcaças ficaram submersas em formol 10% por mais sete dias a temperatura
ambiente. Decorrido esse período, foram lavadas em água corrente por 24 horas ininterruptas
(SANTANA, 2018) e direcionadas aos respectivos grupos previamente definidos e
identificados.

Figura 6 – Fixação manual de formol 10% em ratos Wistar

Fonte: Elaborada pela autora, 2023.


Em A: aplicação na cavidade bucal em direção ao crânio; B: aplicação na cavidade torácica; C: aplicação na
cavidade peritoneal; D e E: aplicação nos membros superiores e membros inferiores respectivamente.

4.6.5 Preparo das soluções e a etapa de conservação dos animais

A solução de Formol 10% foi preparada seguindo os mesmos critérios utilizados


na etapa de fixação, conforme item 4.6.4.
A solução Salina P.A. 30% foi preparada pela dissolução de 300 g de NaCl
(P.A./ACS Anidrol) em 1000 mL de água destilada. E a solução Salina Comercial 30% pela
dissolução de 307,5 g de NaCl (Sal marinho da marca Miramar, cuja composição em 1g
43

corresponde a 390 mg de Sódio e 25µg de Iodo) em água destilada. Após o preparo, ambas as
soluções foram autoclavadas a 121⁰C por 20 minutos (autoclave Phoenix-Luferco®, modelo
AV-137).
Todas as soluções foram armazenadas em temperatura ambiente em recipientes
plásticos transparentes com tampa, identificadas e vedadas com papel filme, conforme a Figura
7.

Figura 7 – Preparo das soluções conservantes

Fonte: Elaborada pela autora, 2023.


Soluções preparadas, identificadas e armazenadas em recipientes plásticos transparentes e acondicionadas em
temperatura ambiente no Laboratório de Anatomia Molhado da FAMMUC/UFVJM.

Após a etapa de fixação, os animais foram lavados em água corrente por 24 horas
ininterruptas e em seguida transferidos aos recipientes correspondentes. Decorridos 30 dias, os
animais do Tratamento 1 de cada subgrupo, foram expostos por uma hora sobre a bancada do
Laboratório de Anatomia Molhado da FAMMUC, de forma a mimetizar as aulas práticas. Em
seguida, foram devolvidos aos recipientes correspondentes. Esse procedimento foi realizado a
cada 30 dias durante o período de 120 dias. Já os animais dos grupos não-expostos
permaneceram isolados nos recipientes até o final do experimento, Figura 8.
44

Figura 8 – Exposição do tratamento 1 de cada grupo

Fonte: Elaborada pela autora, 2023.


Em A: SPT1 (Solução Salina P.A.30% + animais expostos); B: SCT1 (Solução Comercial 30% + animais
expostos); C: FoT1 (Solução de formol 10% + animais expostos); D: SPT2 (Solução Salina P.A.30% + animais
não expostos); E: SCT2 (Solução Salina Comercial 30% + animais não expostos); F: FoT2 (Solução de Formol
+ animais não expostos)

4.6.6 Análise das propriedades organolépticas das soluções conservantes

As análises organolépticas das soluções foram realizadas por um único avaliador


por meio da percepção visual e olfativa, levando em consideração:
 Odor de putrefação (sim ou não);
 Coloração (translúcido, amarelo claro a amarelo escuro);
 Alteração de viscosidade (sim ou não).

4.6.7 Análises microbiológicas

Para investigar a presença de microrganismos nas soluções conservantes,


realizaram-se os testes de contagem bacteriana e fúngica em placas de Petri no período de 0,
40, 80 e 120 dias. A cada análise, realizou-se a contagem de Unidades Formadoras de Colônias
(UFC) por mililitros, com posterior isolamento e identificação das espécies.

[Link] Coleta das amostras

O meio de cultura utilizado foi o Plate Count Agar (PCA). Para o preparo utilizou-
se 23,5 g/1000 mL de água destilada, seguida de autoclavagem a 121 ⁰C por 15 minutos
45

(autoclave Phoenix-Luferco®, modelo AV-137). Foram vertidos 20 mL de PCA em cada placa


de Petri. Todo o procedimento foi realizado em capela de fluxo laminar (Thermo Scientific
1300 Series A2). Para cada análise, foram preparadas 55 placas, sendo 54 para as amostras e
uma para controle de esterilidade da placa, conforme demonstrado na Figura 9.
As placas de Petri foram encaminhadas ao Laboratório de Anatomia Molhado,
onde foram coletados 0,1 mL de cada solução onde estavam acondicionados os ratos. As
amostras foram recolhidas em triplicata em cada recipiente. Com o auxílio de uma alça de
Drigalski, a alíquota foi espalhada sobre a placa de Petri. Todo esse procedimento foi realizado
próximo a uma chama para evitar contaminações externas. Em seguida, elas foram
identificadas e incubadas no Laboratório de Análises Biomoleculares, à temperatura ambiente
por 72 horas com acompanhamento diário. As UFCs de bactérias e fungos que surgiram foram
quantificadas e classificadas conforme a morfologia macroscópica observada (SILVA et al.,
2011), conforme as Figuras 9 e 10.
As placas de Petri que apresentaram crescimento microbiológico foram separadas
e mantidas em geladeira a 4º C para posterior repicagem e identificação.

[Link] Classificação dos morfotipos bacterianos e fúngicos encontrados nas soluções

A classificação dos morfotipos bacterianos e fúngicos foi realizada conforme as


características relacionadas à cor, à forma e ao aspecto da colônia. Para diferenciar os achados
uns dos outros, as bactérias foram classificadas numericamente conforme os achados em B1,
B2, B3... e assim por diante. O mesmo procedimento foi realizado com os fungos (F1, F2,
F3...), conforme a Figura 10.
46

Figura 9 – Etapas das análises microbiológicas

Fonte: Elaborada pela autora, 2023. Em A: abertura das placas estéreis na capela de fluxo laminar; B: o
meio sendo vertido sobre as placas de Petri; C: organização das placas de Petri conforme as soluções;
D: coleta em triplicata das amostras; F: identificação das placas.
47

O meio utilizado para repicagem, crescimento e isolamento dos microrganismos foi


o PCA (23,5 g/1000 mL de água destilada), conforme a Figura 10.
A cada repicagem, os fungos e as bactérias foram identificados e mantidos em
estufa (Thermo Scientific Heratherm) a 28º C para crescimento, conforme a Figura 11. Após a
obtenção de amostras puras, elas foram enviadas ao Laboratório Controlbio, em São Paulo, para
a identificação da espécie pelo método de Espectrometria de Massa MALDI-TOF.

Figura 10 – Coleta das amostras, incubação das placas e classificação dos microrganismos

Fonte: Elaborada pela autora, 2023.


A: coleta das amostras em meio PCA; B: incubação das placas em Temperatura ambiente por 72h, da esquerda
para a direita, estão os grupos de formol, salina P. A. 30%; salina comercial 30% e à frente delas, a placa controle
contendo apenas o meio; C: marcação dos morfotipos, em vermelho representando os achados bacterianos, e em
azul, os fúngicos.
48

Figura 11 – Repicagem das amostras de bactérias e fungos para obtenção de linhagens puras
e posterior identificação das espécies

Fonte: Elaborada pela autora, 2023.


Em A: isolado bacteriano (B1), em B: isolado bacteriano 3 (B3), em C: isolado bacteriano 4 (B4), em D: isolado
bacteriano 8 (B8), em E: isolado bacteriano 9 (B9), em F: isolado fúngico 5 (F5), em G: isolado fúngico 6 (F6),
em H: isolado fúngico 7 (F7), em I: isolado fúngico 10 (F10).

4.7 Análise estatística

Trata-se de uma pesquisa quali-quantitativa. Para os dados qualitativos


(morfológicos das peças e organolépticos das soluções), realizou-se uma análise descritiva.
Para os dados quantitativos (morfométricos), verificou-se, primeiramente, os
49

pressupostos de normalidade pelo teste de Shapiro‐Wilk. Os dados apresentaram distribuição


assimétrica e, a partir disso, adotou-se testes não paramétricos. Para a análise intragrupo,
utilizou-se o teste de Wilcoxon para amostras pareadas (CONOVER, 1999) e o nível de
significância adotado foi de 5%. O programa estatístico utilizado para essa análise foi o software
JASP 0.16.4 (JASP Team, 2022).
Para a análise intergrupo, aplicou-se a estatística ANOVA-type (ATS) para dados
não paramétricos de medidas repetidas. O nível de significância adotado foi de 5% e o programa
estatístico utilizado foi o software R (R CORE Team, 2022) a partir do pacote nparLD
(NOGUCHI et al., 2022).
Para a análise dos dados microbiológicos realizou-se a descrição e a contagem total
de UFC de bactérias e fungos presentes em cada grupo em função do tempo de 0, 40, 80 e 120
dias.
50

5 RESULTADOS

5.1 Análises morfométricas intragrupo das peças anatômicas

A partir das comparações das medianas, verificou-se que houve diferença estatística
significativa em todos os intragrupos com relação à variável Massa Corporal (M1: inicial e M2:
final), indicando aumento em M2 em função do tempo, sendo SPT1 (p < 0,0001), SPT2 (p <
0,0001), SCT1 (p < 0,0001), SCT2 (p < 0,0001), FoT1 (p < 0,0001), FoT2 (p < 0,0001),
conforme descrito na Tabela 2.
Para a variável comprimento nasoanal (CNA1: inicial e CNA2: final), apenas os
intragrupos SPT2 (p = 0,005), SCT1 (p = 0,010) e FoT2 (p = 0,015) apresentaram diferença
estatística significativa, com diminuição de CNA2 em função do tempo, indicando
encolhimento das peças. Enquanto que não houve diferença significativa nos intragrupos SPT1
(p = 0,120), SCT2 (p = 0,74) e FoT1 (p = 0,17). Estes grupos não apresentaram um
encolhimento significativo das peças em função do tempo, (Tabela 2).
E por fim, para a variável comprimento nasocaudal (CNC1: inicial e CNC2: final)
houve diferença estatística significativa em todos os intragrupos, resultando em diminuição de
CNC2 em função do tempo, SPT1 (p = 0,02), SPT2 (p = 0,002), SCT1 (p = 0,002), SCT2 (p =
0,004), FoT1 (p = 0,018) e FoT2 (p = 0,004), conforme especificado na Tabela 2.
Assim, a partir da comparação das medianas, foi possível inferir que houve aumento
da massa corporal para os grupos, além da diminuição dos comprimentos nasoanal e
nasocaudal, ainda que não seja possível inferir diferenças estatisticamente significativas para o
comprimento nasoanal dos grupos SCT2 e FoT1, conforme a Tabela 2.

Tabela 2 – Resultados do teste de Wilcoxon para amostras pareadas


Mediana
Grupo Variável W z P-valor
(IQR)
Início Final
372,84 381,60
M1/ M2 0.000 -3.059 ,0001
(125,34) (136,20)
23,50 22,75
SPT1 CNA1/CNA2 36.000 1.599 ,120
(2,25) (3,37)
44,03 41,50
CNC1/CNC2 78.000 3.059 ,002
(3,36) (2,35)
51

373,08 431,60
M1/ M2 0.000 -3.059 ,0001
(156,34) (169,80)
23,50 22,75
SPT2 CNA1/CNA2 55.000 2.803 ,005
(4,00) (3,25)
44,25 40,50
CNC1/CNC2 78.000 3.059 ,002
(4,12) (4,75)
379,86 422,00
M1/ M2 0.000 -3.059 ,0001
(137,54) (146,02)
SCT1 24,00 22,75
CNA1/CNA2 36.000 2.599 ,010
(2,5) (3,12)
44,70 41,75
CNC1/CNC2 78.000 3.059 ,002
(3,59) (3,50)
317,27 359,50
M1/ M2 0.000 -3.059 ,0001
(131,86) (104,85)
SCT2 22,50 21,75
CNA1/CNA2 53.500 1.823 ,074
(1,25) 2,25
42,75 40,75
CNC1/CNC2 76.500 2.942 ,004
(3,75) (3,50)
379,62 470,80
M1/ M2 0.000 -3.059 ,0001
(146,80) (97,22)
FoT1 24,00 23,00
CNA1/CNA2 41.500 1.427 ,167
(3,25) (2,75)
45,00 42,00
CNC1/CNC2 60.000 2.401 ,018
(3,75) (3,25)
390,80 464,00
M1/ M2 (50,59) (53,80) 0.000 -3.059 ,0001
24,00 22,75
CNA1/CNA2 43.500 2.488 ,015
FoT2 (0,25) (1,75)
45,00 41,10
CNC1/CNC2 66.000 2.934 ,004
(1,5) (1,00)
Fonte elaborada pela autora, 2023.
*Nota. Negrito = diferença não significativa; Abreviação: IQR = Amplitude interquartil; M1: Massa Corporal
inicial; M2: Massa corporal final (após 120 dias); CNA1: comprimento nasoanal inicial; CNA2: comprimento
nasoanal final (após 120 dias); CNC1: comprimento nasocaudal inicial; CNC2: comprimento nasocaudal final
(após 120 dias);
52

5.2 Análises morfométricas intergrupos das peças anatômicas

Para as análises intergrupos, os testes pareados possibilitaram investigar as


diferenças entre os grupos em relação ao tempo de mensuração (inicial e em 120 dias) e a
interação entre eles. Os resultados apontaram que houve diferença estatística significativa para
a variável massa corporal entre as mensurações de tempo (ATS = 290,64, p < 0,001) e a
interação entre as variáveis (ATS = 5,48, p = 0,002), indicando que, embora as peças tendem a
ficar mais pesadas, não foi possível atestar diferença estatística significativa desse ganho de
massa corporal entre os grupos (ATS = 1,54, p = 0,174). O Gráfico 1, mostra essa tendência de
aumento de massa corporal em função do tempo de mensuração entre os grupos, conforme já
verificado anteriormente pelo teste de Wilcoxon na análise intragrupo.

Com relação ao “Comprimento Nasoanal” (CNA), não houve diferença estatística


entre as variáveis de grupamento (ATS = 0,504, p = 0,751) e sua respectiva interação com o
tempo de mensuração (ATS = 0,517, p = 0,678), porém apresentou diferença estatística entre
os tempos de mensuração (ATS = 29,91, p < 0,001). O Gráfico 2 representa a comparação dos
grupos em relação ao tempo de mensuração de CNA, indicando uma tendência à diminuição
em função do tempo, porém a comparação entre os grupos não foi estatisticamente significativa.
53

Por fim, para a variável “Comprimento Nasocaudal” (CNC), houve diferença


estatística significativa entre os tempos de mensuração (ATS = 129,09, p < 0,001), mas sem
diferenças tanto entre os grupos (ATS = 0,734, p = 0,586) quanto na interação entre os tempos
de mensuração e os grupos (ATS = 0,306, p = 0,771). Os resultados da análise post hoc também
atestaram não haver diferença estatística significativa na investigação da interação. O Gráfico
3 representa a CNC em cada grupo em função do tempo, indicando uma tendência à diminuição
em função do tempo, resultado também encontrado no teste de Wilcoxon.
54

Assim pode-se inferir que não houve diferença estatística significativa entre os
grupos para as variáveis de CNA e CNC. Os resultados apontam que a conservação das peças
cadavéricas, nas soluções salínicas 30% (P.A. e Comercial) ou no formol 10%, tenderam a
diminuir o CNA e o CNC em função do tempo, porém não há diferença entre os grupos com
relação ao nível de encurtamento das peças. Já para a variável massa corporal, pode-se inferir
que houve uma tendência a aumentar a massa corporal após os 120 dias entre os grupos, embora
não tenha sido estatisticamente significativo.

5.3 Descrição das Análises morfológicas intra e intergrupos das peças anatômicas

Para a variável “odor de putrefação”, nenhum dos grupos avaliados apresentou


cheiro desagradável, exceto os relacionados ao formol, inerente à própria solução. A Tabela 3
apresenta os valores em percentil e a Tabela 4, o resumo da avaliação desses dados.
Quanto à “coloração dérmica” no tempo inicial (imediatamente à eutanásia e antes
da fixação em formol), todos os grupos apresentaram coloração normal (próxima ao animal
recém sacrificado). Após os 120 dias, os melhores resultados foram dos grupos FoT1 e FoT2,
100% das amostras com coloração dérmica “normal”. O segundo grupo com melhor coloração
dérmica foi SPT2 com 91,67%, seguido de SCT2 (58,33%) e SCT1 (50%). O grupo de SPT1
apresentou o pior resultado, apenas 33,33% das peças mantiveram uma coloração dérmica
próxima ao considerado normal. Outro aspecto que chamou a atenção entre os grupos
55

conservados em solução salínica (SPT1, SPT2 e SCT1, SCT2), foi a alteração na coloração da
pelagem dos animais, passando de branca para uma cor bem amarelada, conforme a Figura 12.
Quanto à “rigidez articular” no tempo inicial, os grupos SPT1, SPT2, e SCT2
apresentaram 100% de rigidez nas articulações de membros superiores e inferiores. Em SCT1
e FoT1, 91,67% das amostras apresentaram rigidez articular, e em FoT2 foram 75% das
amostras. Após os 120 dias, os grupos SPT1, SPT2, SCT1, FoT1, FoT2 apresentaram 100% de
rigidez, enquanto que o grupo SCT2, com 91,67%, segundo as Tabelas 3 e 4. Os grupos
conservados em formol apresentaram um nível de rigidez mais intenso, que os grupos à base de
salina 30%, apesar do presente estudo não mensurar o grau de rigidez, apenas presença ou
ausência dessa variável, conforme a Figura 12.
Quanto à “rigidez muscular” no tempo inicial, 83,33% das amostras dos grupos
SPT1 e SPT2 apresentaram rigidez nos músculos dos membros superiores e inferiores, em
SCT1 foram 66,67% das amostras, em SCT2 100%, em FoT1 cerca de 33,33% e em FoT2,
100% das amostras. Após os 120 dias, 66,67% das amostras em SPT1 e SCT2 mantiveram a
rigidez muscular, 91,67% em SPT2, 75% em SCT1 e em FoT1 e FoT2, ambos com 100%
conforme a Tabela 3 e a Figura 12.
Para a variável “manchas” nas peças anatômicas no tempo inicial, não foram
observadas em nenhum dos grupos avaliados. Após 120 dias, SPT1 apresentou manchas em
100% das amostras, seguido de SCT2 com 83,33%. Em SPT2 e SCT1, cerca de 58,33% das
peças tinham algum tipo de mancha. E em FoT1, 47,67%, e em FoT2, 33,33%, conforme a
Tabela 3 e a Figura 12.
Para a variável “presença de autólise” nas peças anatômicas no tempo inicial após
a fixação em formol 10%, os grupos que apresentaram sinais de autólise (aspecto de
derretimento dos músculos), foram SPT1 com 41,67% das peças, SPT2 com 8,33% e SCT2,
com 25% das peças, FoT1 e FoT2 não apresentaram sinais de autólise. Já em 120 dias, as
amostras do grupo SPT1 e SPT2 se mantiveram com a mesma quantidade de espécimes com
sinais de autólise, e SCT2, variou para 41,67% das peças com sinais de autólise. Os grupos que
permaneceram sem sinais de autólise foram FoT1 e FoT2, conforme a Tabela 3 e a Figura 12.
56

Figura 12 – Conservação dos ratos Wistar após 120 dias

Fonte: Elaborada pela autora, 2023.


A seta preta indica presença de manchas e a seta vermelha, sinais de autólise.
Grupo salina P.A 30% (animais não expostos): A (SPT2S1), B (SPT2S2), C (SPT2S3); Grupo salina P.A 30%
(animais expostos): D (SPT1S1), E (SPT1S2), F (SPT1S3); Grupo salina comercial 30% (animais não expostos):
G (SCT2S1), H (SCT2S2), I (SCT2S3); Grupo salina comercial 30% (animais expostos): J (SCT1S1), K
(SCT1S2), L (SCT1S3); Grupo formol 10% (animais não expostos: M (FoT2S1), N (FoT2S2), O (FoT2S3); Grupo
formol 10% (animais expostos): P (FoT1S1), Q (FoT1S2), R (FoT1S3).
57

Tabela 3 – Percentil da avaliação morfológica inicial e final (após os 120 dias)


Variáveis SPT1 SPT2 SCT1 SCT2 FoT1 FoT2
Inicial* Final Inicial Final Inicial Final Inicial Final Inicial Final Inicial Final
(%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%)
n= 12 n= 12 n= 12 n= 12 n= 12 n= 12
Odor de Sim - - - - - - - - - - - -
Putrefação Não 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100

Coloração Normal 100 33,33 100 91,67 100 50 100 58,33 100 100 100 100
Dérmica Arroxeada - 66,67 - 8,33 - 50 - 41,67 - -

Rigidez Sim 100 100 100 100 91,67 100 100 91,67 91,67 100 75 100
Articular Não - - - - 8,33 - - 8,33 8,33 25

Rigidez Sim 83,33 66,67 83,33 91,67 66,67 75 100 66,67 33,33 100 100 100
Muscular Não 16,67 33,33 16,67 8,33 33,33 25 - 33,33 66,67

Sim - 100 - 58,33 - 58,33 - 83,33 - 41,67 - 33,33


Manchas Não 100 - 100 41,67 100 41,67 100 16,67 100 58,33 100 66,67

Sim 41,67 41,67 8,33 8,33 - - 25 41,67 - - - -


Autólise Não 58,33 58,33 91,67 91,67 100 100 75 58,33 100 100 100 100
Fonte: Elaborada pela autora, 2023.
* A avaliação inicial corresponde ao tempo de avaliação imediatamente à eutanásia dos animais. A coloração normal refere-se à cor do animal após o sacrifício, pálida.
58

Tabela 4 – Resumo da comparação* morfológica das peças após os 120 dias de conservação

Salina P.A. 30% Comercial 30% Formol


Variáveis
(SPT1 e SPT2) (SCT1 e SCT2) (FoT1 e FoT2)

Coloração dérmica Razoável Razoável Melhor

Odor de Putrefação s/p s/p s/p

Rigidez Articular Moderada Moderada ↑ Alta

Rigidez Muscular Moderada Moderada ↑ Alta

Tenderam a aumentar Tenderam a aumentar Tenderam a aumentar


Manchas *SPT1 > SPT2 *SCT1 < SCT2 *FoT1 > FoT2
(100%) (58%) (58%) (83%) (±42%) (±33%)

Permaneceu igual ao inicial Permaneceu igual ao inicial Permaneceu igual ao inicial


Sinais de Autólise
SPT1 > SPT2 SCT1 s/ autólise
sem sinais de autólise
(42%) (8%) SCT2 ±42%

Fonte: Elaborada pela autora, 2023.


*Nota, a comparação diz respeito às peças após 120 dias em relação ao estado inicial (antes da fixação das peças).
Abreviação: s/p (sem presença).

5.4 Análises microbiológicas das soluções conservantes

Quanto aos microrganismos encontrados no período de 0 a 120 dias, foram


observados 11 morfotipos bacterianos classificados de B1 a B11. Destes, apenas cinco foram
passíveis de identificação da espécie. Os seis restantes não cresceram durante as sucessivas
repicagens para obtenção de linhagem pura. Assim, os identificados foram: B1 (Bacillus
megaterium), B3 (Dietzia cercidiphylli), B4 (Citrobacter freundii), B8 (Bacillus subtilis) e B9
(Paenibacillus etheri), como indicado nas Tabelas 5 e 6.
Com relação aos fungos foram encontrados 10 morfotipos classificados de F1 a
59

F10. Posteriormente, com as repicagens sucessivas constatou-se que três deles (F1, F3 e F10)
tratavam-se do mesmo morfotipo. Assim, dos sete morfotipos restantes, apenas quatro foram
passíveis de identificação da espécie, sendo que os demais não se desenvolveram nas sucessivas
repicagens realizadas. Os fungos identificados, portanto, foram F1 (Cladosporium
cladosporioides), F5 (Aspergillus fumigatus), F6 (Penicillium brevicompactum) e F7
(Aspergillus versicolor), conforme as Tabelas 5 e 6.

Tabela 5 – Todos os morfotipos bacterianos e fúngicos encontrados no intervalo de tempo de


0, 40, 80 e 120 dias em cada grupo
Morfotipo de bactérias Morfotipos Bacterianos Morfotipo de Fungos Morfotipos Fúngicos
Grupo Encontradas após 120 dias Encontrados após 120 dias
(0, 40 e 80 dias) (0, 40 e 80 dias)
B1 F1*
B4 F2
SPT1 B6 F5
B8 B8 F6 F1 e F6
B11 F8
F9
B2 F1
B8 F5
SPT2 B9 - F6 F1, F6 e F8
B10 F8
B11 F9
B1 F1
B2 F2
B5 F5
SCT1 B6 - F6 F1
B7 F7
B8 F8
F9
B1 F1
B2 F4
SCT2 B3 B1 F5 F1
B8 F9
FoT1 - - F1 F1
FoT2 B8 F1 F1
- F7
Fonte: Elaborada pela autora, 2023.
F1*corresponde aos mesmos morfotipos fúngicos classificados em F3 e F10, tratando-se do mesmo
microrganismo.
60

Quanto à quantidade e a frequência dos morfotipos em cada grupo avaliado no


período de 0 a 120 dias, observou-se que em SPT1 encontraram-se cinco morfotipos bacterianos
(B1, B4, B6, B8 e B11) e seis fúngicos (F1, F2, F5, F6, F8 e F9). Após os 120 dias,
permaneceram B8 (Bacillus subtilis com 2 x10 6 UFC/mL), F6 (Penicillium brevicompactum
com 1x106 UFC/mL) e F1 (Cladosporium cladosporioides com 4 x106 UFC/mL). Em SPT2,
observaram-se cinco morfotipos bacterianos (B2, B8, B9, B10 e B11) e cinco fúngicos (F1, F5,
F6, F8 e F9). Após os 120 dias, todas as bactérias foram eliminadas, permanecendo os fungos
F1 (Cladosporium cladosporioides com 1,21x108 UFC/mL), F6 (Penicillium brevicompactum
com 1x106 UFC/mL) e F8 (não identificado com 1 x 10 6 UFC/mL). Em SCT1, observaram-se
seis morfotipos bacterianos (B1, B2, B5, B6, B7 e B8) e sete fúngicos (F1, F2, F5, F6, F7, F8
e F9). Após os 120 dias, todas as bactérias foram eliminadas, restou-se apenas o fungo F1
(Cladosporium cladosporioides com 1x108 UFC/mL). Em SCT2, observaram-se quatro
morfotipos bacterianos (B1, B2, B3 e B8) e quatro fúngicos (F1, F4, F5 e F9). Após os 120
dias, permaneceram-se B1 (Bacillus megaterium com 1x106 UFC/mL) e F1 (Cladosporium
cladosporioides com 1,03x108 UFC/mL). Em FoT1, não houve crescimento bacteriano em todo
o período avaliado, porém após os 120 dias, constatou-se a presença de F1 (Cladosporium
cladosporioides com 4 x106 UFC/mL). Em FoT2, observou-se o aparecimento de 1 morfotipo
bacteriano, B8 (Bacillus subtilis) e dois fúngicos, F1 (Cladosporium cladosporioides) e F7
(Aspergillus versicolor). Após os 120 dias, apenas F1 (Cladosporium cladosporioides com
6x106 UFC/mL) permaneceu, conforme especificado nas Tabelas 5 e 6.
61

Tabela 6 – Quantidade de UFC de bactérias e fungos nas soluções e a frequência de aparecimento em 0, 40, 80 e 120 dias em cada grupo

Salina P. A. (30%) Salina Comercial (30%) Formol (10%)


*Morfotipo/Bactérias Grupo SPT1 SPT2 SCT1 SCT2 FoT1 FoT2
e ou Fungos 0 40 80 120 0 40 80 120 0 40 80 120 0 40 80 120 0 40 80 120 0 40 80 120
Dias
B1 Bacillus megaterium - - 1 - - - - - - - 1 - - - - 1 - - - - - - - -
B2 - - - - - - - 2 - - - 1 - - - 2 - - - - - - - - -
B3 Dietzia cercidiphylli - - - - - - - - - - - - 1 - - - - - - - - - - -
B4 Citrobacter freundii - - 2 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
B5 - - - - - - - - - - - 1 - - - - - - - - - - - - -
B6 - - - 1 - - - - - - - 1 - - - - - - - - - - - - -
B7 - - - - - - - - - - - 1 - - - - - - - - - - - - -
B8 Bacillus subtilis 3 3 3 2 4 3 3 - 2 1 2 - 3 - 3 - - - - - 3 - - -
B9 Paenibacillus etheri - - - - - 1 1 - - - - - - - - - - - - - - - - -
B10 - - - - - 1 - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
B11 - 1 - - - 1 - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
F1** Cladosporium cladosporioides - - - 4 2 3 - 121 1 - - 100 3 1 2 103 - - - 4 - - - 6
F2 - 1 - - - - - - - - - 2 - - - - - - - - - - - - -
F4 - - - - - - - - - - - 1 - - - - - - - - - - - - -
F5 Aspergillus fumigatus - - 5 - - - 3 - - 4 20 - - 2 4 - - - - - - - - -
F6 Penicillium brevicompactum - 1 2 1 - 2 - 1 - 3 1 - - 3 1 - - - - - - - - -
F7 Aspergillus versicolor - - - - - - - - - - 1 - - - - - - - - - 2 - - -
F8 - - - 1 - - - - 1 - 1 - - - - - - - - - - - - - -
F9 - - - 4 - - - 1 - - - 1 - 1 - - - - - - - - - - -

Fonte: elaborada pela autora, 2023.


Nota: *Nem todos os morfotipos bacterianos e fúngicos foram passíveis de identificação. **F1 é o mesmo morfotipo fúngico encontrado em F3 e F10.
62

Com relação à patogenicidade dos microrganismos encontrados nas soluções salina


30% P.A., comercial e formol 10%, a maior parte deles é de baixa virulência e ou patógenos
oportunistas, oferecendo maior risco imediato apenas à saúde de pessoas imunodeprimidas,
conforme se segue na Tabela 7. Os de maior virulência como Aspergillus fumigatus foi
detectado por volta do 80º dia e na análise microbiológica subsequente já não foi mais
encontrado nas amostras analisadas.

Tabela 7 – Identificação da espécie do morfotipo isolado e a virulência

Morfotipos Identificação Características/Virulência


Bactérias/Fungos
B1 Bacillus megaterium Gram + aeróbica, infecções raras nos olhos, pele e SNC
B2 - -
B3 Dietzia cercidiphylli Gram+ aeróbica; poucos relatos de infecções
B4 Citrobacter freundii Gram +, patógeno oportunista em humanos e animais
B5 - -
B6 - -
B7 - -
B8 Bacillus subtilis Gram +, não patogênica, são raras as infecções
B9 Paenibacillus etheri Gram +, anaeróbica facultativa, não patogênica
B10 - -
B11 - -
F1 Cladosporium cladosporioides Patógeno de baixa virulência; micoses superficiais
F2 - -
F4 - -
F5 Aspergillus fumigatus Patógeno oportunista; infecções pulmonares importantes
F6 Penicillium brevicompactum Fitopatogênico de baixa virulência
F7 Aspergillus versicolor Contaminante de alimentos e infecções de ouvido
Fonte: Elaborada pela autora, 2023.

5.5 Propriedades organolépticas das soluções

Quanto às propriedades organolépticas das soluções, nenhuma delas apresentou


odor de putrefação e ou alteração de viscosidade durante o período de estudo. Já à coloração,
variou intra e intergrupos nas soluções salinas P.A. 30% (SPT1, SPT2), passando de translúcida,
no início do experimento, a amarelo claro/marrom escuro após os 120 dias. O mesmo ocorreu
nos grupos das soluções salina comercial 30% (SCT1, SCT2). Já os grupos das soluções de
63

formol 10% (FoT1, FoT2), ambos mantiveram a coloração translúcida próxima ao do período
inicial após os 120 dias, conforme a Figura 13 e a Tabela 8.

Figura 13 – Soluções conservantes antes e após os 120 dias

Fonte: Elaborada pela autora, 2023.


Soluções conservantes antes e após (120 dias) utilizadas para a conservação dos ratos Wistar. A: grupos da salina
P.A. 30% antes; B e C, a solução salina dos grupos SPT1S1, SPT1S2, SPT1S3 e SPT2S1, SPT2S2 e SPT2S3
respectivamente após 120 dias; D: grupos da Salina Comercial 30% antes; E e F, a solução salina dos grupos
SCT1S1, SCT1S2, SCT1S3 e SCT2S1, SCT2S2 e SCT2S3 após 120 dias; G: grupo do Formol 10% antes; H e
I, grupos da solução de formol FoT1S1, FoT1S2, FoT1S3 e FoT2S1, FoT2S2 e FoT2S3, respectivamente após
120 dias.
64

Tabela 8 – Propriedades organolépticas das soluções após 120 dias

Grupos Odor de Putrefação Coloração Viscosidade

Amarelo claro
SPT1 Nenhum Nenhum
Marrom escuro
Translúcido
SPT2 Nenhum Amarelo claro Nenhum
Marrom escuro

Nenhum Amarelo claro Nenhum


SCT1
Marrom escuro

Nenhum Amarelo claro Nenhum


SCT2
Marrom escuro

FoT1 Nenhum Translúcido Nenhum

FoT2 Nenhum Translúcido Nenhum


Fonte: Elaborada pela autora, 2023.
65

6 DISCUSSÃO

6.1 Conservação das peças anatômicas

Os efeitos indesejados da formalina e a crescente conscientização sobre saúde e


segurança aceleraram a busca por novas soluções e métodos de conservação nos últimos anos
(BALTA; LAMB; SOAMES, 2015; KARAGÜL et al., 2020). A solução salina 30% tem sido
uma alternativa utilizada na conservação, em laboratórios de anatomia animal, seja para estudos
anatômicos e ou para o aprimoramento de técnicas de habilidades cirúrgicas (OLIVEIRA, 2014;
ROCHA, 2016). No estudo de Hayashi et al. (2014), a preservação em solução saturada de
NaCl impediu o crescimento de bactérias e manteve a flexibilidade das articulações dos
cadáveres, além de uma excelente qualidade dos tecidos. Com relação à qualidade de
conservação das peças anatômicas, o esperado é que apresente tecidos firmes, cor e elasticidade
próximas ao animal recém eutanasiado, além da ausência de odor de putrefação (INÁCIO et
al., 2018). No presente estudo, nenhum dos grupos salínicos (SPT1, SPT2, SCT1 e SCT2)
apresentou odor de decomposição. Somente os grupos conservados em formol (FoT1 e FoT2)
apresentaram odor, porém característico da própria formalina. Com relação a sinais de autólise,
SPT1 e SCT2 foram os grupos que apresentaram peças com essas características, cerca de 40%
delas. Nos demais grupos salínicos (SPT2 e SCT1) a ocorrência foi menor que 10% de seus
espécimes. Em contrapartida, nenhuma peça dos grupos conservados em formol (FoT1 e FoT2)
apresentou aspecto de autólise tecidual.
No estudo de Guaraná et al. (2021), a salina 30% foi utilizada na conservação de
vísceras suínas, por 7, 14 e 21 dias, com a finalidade de treinamento de habilidades cirúrgicas.
Neste caso, o agente fixador utilizado foi o álcool etílico 99,8%. As peças ficaram bem
preservadas, com uma aparência próxima à normal e sem odores de decomposição. Segundo
Who (1991), o uso da solução salina como conservante em cadáveres fixados em álcool, além
de não gerar efluentes tóxicos, são livres de odores, ao contrário do formol, que é nocivo à
saúde (CURY; CENSONI; AMBRÓSIO, 2013). Já, quanto à coloração dérmica, no presente
estudo, houve variação entre os grupos salínicos (SPT1, SCT1 e SCT2), mais de 50% das peças
ficaram arroxeadas, com exceção de SPT2, cuja coloração permaneceu próxima ao normal,
acima de 90%. Com relação às manchas, o grupo que apresentou um maior número de
espécimes nessa condição foi o SPT1, seguido de SCT2 e, por último, SPT2 e SCT1. Os grupos
conservados em formol foram os que menos apresentaram manchas.
No trabalho de Hayashi et al. (2016), a solução salina utilizada no embalsamamento
66

de cadáveres proporcionou articulações mais flexíveis do que os fixados em formalina. Porém,


menos flexíveis quando comparados à solução de Thiel. Os cadáveres fixados em formol a 10%
possuem várias desvantagens como o cheiro irritante às mucosas, alteração de cor e rigidez
(BILGE; CELIK, et al., 2017), além do aumento da massa corporal e escurecimento das peças
(KRUG, 2011; BRENNER, 2014; OLIVEIRA et al., 2014; BILGE; CELIK, 2017). No estudo
de Silva (2018), a solução salina 30% foi utilizada na conservação de corações de galinha
fixados em formol 10%. As peças foram avaliadas em três e seis meses. Observou-se aumento
da massa corporal, ausência de odor e sem alteração no comprimento, já a coloração sofreu um
leve escurecimento. No presente estudo, os ratos Wistar tenderam a aumentar a massa corporal
e a diminuir o comprimento nasoanal e nasocaudal no intervalo de tempo inicial e final (120
dias) em todos os grupos. As peças conservadas em salina, de ambos os grupos (SPT1, SPT2,
SCT1 e SCT2), ficaram mais escuras do que as conservadas em formol, além da pelagem ter
assumido uma coloração amarelada.
Estudos realizados por Brun et al. (2002, 2004), em pericárdio canino conservado
em solução salina obtiveram tecidos com características morfológicas inalteradas e livres de
contaminação por microrganismos. No trabalho de Oliveira (2014), a conservação em salina
30%, não apresentou contaminação visual ou deterioração dos espécimes, houve ausência de
odores característicos de decomposição, inalterações na cor ou na maciez dos tecidos.
Nos estudos de Nam et al. (2020) e Beger et al. (2020), os cadáveres preservados
em solução salina 30% mantiveram a cor, a textura, o movimento articular e a flexibilidade bem
próximas ao in natura, quando comparados às peças preservadas em formalina. No trabalho de
Balta et al. (2019) constataram que os cadáveres embalsamados com formol apresentaram
diminuição da amplitude de movimento, mas mantiveram a forma e o tamanho dos órgãos e
vasos internos, embora houvesse indicação de mais estudos com um número maior de cadáveres
para confirmação de tais achados. Já no presente estudo, todos os grupos avaliados
apresentaram rigidez articular, acima de 90% das peças anatômicas. Embora, não se tenha
avaliado o grau de rigidez dos espécimes, apenas presença ou não, os grupos do formol foram
perceptivelmente mais acentuados que os demais. Já a rigidez muscular variou entre os grupos.
Em SPT2 cerca de 90% das peças apresentaram rigidez muscular, seguido de SPT1, SCT1 e
SCT2, um pouco acima de 60% das peças. Em FoT1 e FoT2, todos os espécimes, também,
apresentaram uma rigidez muscular de membros superiores e inferiores bem mais acentuada
que os grupos salínicos.
As peças dos grupos salínicos, independente dos animais serem expostos ou não,
apresentaram mais manchas e escurecimento dérmico com relação aos grupos do formol. Já as
67

articulações e músculos apresentaram uma rigidez bem mais branda do que as observadas nos
grupos do formol.
Com relação à qualidade morfológica das peças, ao que tudo indica, a conservação
das carcaças de ratos Wistar em solução salina 30%, tanto P.A. quanto Comercial, parece estar
intimamente relacionada à etapa anterior, a fixação, do que com o tipo de cloreto de sódio
utilizado. A salina comercial 30% apresentou parâmetros morfológicos discretamente melhores
do que os da salina P.A. 30%, justamente por ter apresentado peças com uma fixação melhor.
A qualidade de preservação das peças parece ser dependente da qualidade e do tempo de fixação
em formalina empregados. Há, contudo, a necessidade de mais estudos a fim de avaliar melhor
esse parâmetro observado.

6.2 Microrganismos encontrados nas soluções conservantes

O controle fúngico sempre foi um problema para a conservação de peças


anatômicas em geral. Essa resistência é relatada em trabalhos antigos como o de Solomon
(1975), em que os fungos apresentaram maior resistência ao formol quando comparados às
bactérias. O Aspergillus niger, por exemplo, era mais resistente que a levedura Candida
albicans. E os esporos de Aspergillus sp. são encontrados predominantemente em ambientes
internos e podem penetrar nas estruturas e contaminá-las. No estudo de Spicher e Peters (1976),
as bactérias e fungos mais comumente observados em soluções conservantes contaminadas
foram Pseudomonas sp. e Aspergillus sp., respectivamente.
Os diferentes microrganismos presentes na solução salina 30% P.A. e comercial
foram reduzidos consideravelmente e/ou eliminados ao longo dos 120 dias, provavelmente pela
hiperosmolaridade do meio (NISSENBAUM, 1975; OLIVEIRA, 2014). A salina 30% gera um
ambiente muito hostil à sobrevivência da maioria dos microrganismos, pois exige uma grande
capacidade osmorreguladora, como o que ocorre nos oceanos (GAUTHIER et al., 1987;
MUNRO et al., 1989) e no Mar morto (NISSENBAUM, 1975), inviabilizando a sobrevivência
da maioria dos microrganismos.
No estudo de Oliveira (2014), a salina 30% conservou com sucesso as peças animais
de vários portes, sem aparente contaminação visual por microrganismos por mais de 5 anos de
acompanhamento, demonstrando a eficiência da salina no processo de desidratação e
eliminação dos microrganismos. Neste caso, as peças foram fixadas em formol 20%, mantidas
por sete dias em formalina 10% e conservadas em salina 30%. No estudo de Brun et al. (2002),
a conservação de pericárdio canino, mantido por cerca de 90 dias em solução supersaturada de
68

cloreto de sódio (1,5g de NaCl/1mL de H2O tridestilada), também foi descrita como livre de
contaminação microbiológica. Já no estudo de Pereira et al. (2019), a conservação, em solução
aquosa de NaCl 30%, de cadáveres caninos apresentou baixa contagem de microrganismos para
os gêneros Bacillus, E. coli e Pseudomonas, sem contaminação aparente à inspeção visual nos
tanques e nos cadáveres, além da ausência de odor de putrefação. Neste caso, as peças foram
fixadas em 30, 60, 90 e 120 dias, em 95% de álcool etílico 96° GL e 5% de glicerina pura,
conservadas em salina 30% por 120 dias. No presente trabalho, as soluções conservantes, no
geral, eliminaram a maior parte dos microrganismos após os 120 dias, com exceção dos fungos,
Cladosporium cladosporioides, Penicillium brevicompactum, F8 (não identificado) e das
bactérias, Bacillus megaterium e Bacillus subtillis. Neste caso, as peças foram fixadas em
formol 10% e mantidas por sete dias nessa solução e conservadas por 120 dias em salina 30%.
O Cladosporium cladosporioides é um fungo sapróbio cosmopolita, presente no ar,
no solo e em têxteis (BENSCH, 2010). As infecções, em sua maioria, são casos superficiais,
acometem anfíbios, répteis, aves, peixes, animais domésticos e o homem, causando uma série
de condições clínicas como, cromoblastomicose e micetoma (COLDRICK et al., 2007;
FRANK.; VEMULAPALLI; LIN, 2011; SEYEDMOUSAVI; GUILLOT; DE HOOG, 2013),
mais raramente, acomete o Sistema Nervoso Central (SNC) em humanos (KANTARCIOǦLU;
YÜCEL; DE HOOG, 2002) e feohifomicose grave (MATSUMOTO et al., 1994).
Um dos microrganismos que chamou a atenção pela resistência à salina 30%, foi o
fungo C. cladosporioides, mantendo-se presente na maior parte do tempo, em baixas
concentrações, em todos os grupos analisados e ao final dos 120 dias, aumentou
consideravelmente em SPT2, SCT1 e SCT2, indicando a necessidade de substituição da solução
por uma nova, a fim de manter a qualidade de conservação das peças e diminuir os potenciais
riscos biológicos aos manipuladores e a degradação do material anatômico. Diferente do
observado em SPT1, cuja concentração do C. cladosporioides manteve-se baixa no decorrer
dos 120 dias, cerca de 4% em comparação ao encontrado nos demais grupos salínicos. Nos
grupos do formol 10% (FoT1 e FoT2), o C. cladosporioides surgiu apenas na última análise,
no final dos 120 dias, e permaneceu em baixas concentrações, também em cerca de 4% dos
achados observados nos grupos salínicos de SPT2, SCT1 e SCT2.
Penicillium brevicompactum surgiu em SPT1 e SPT2 a partir da segunda análise
microbiológica (em 40 dias), permanecendo em baixas concentrações até o final do
experimento. Em SCT1 e SCT2 foi detectado, também, a partir da 2ª análise (em 40 dias) e na
última (em 120 dias), não apareceu mais nas amostras, indicando eliminação a partir dos 120
dias pelas soluções salínicas. Em FoT1 e FoT2 esse fungo não foi detectado em nenhuma
69

análise microbiológica.
Penicillium brevicompactum é um fungo filamentoso fitopatogênico de baixa
virulência, muito comum em frutas e vegetais, deteriorando maçãs e uvas armazenadas,
cogumelos, mandioca e batatas. Possui crescimento lento tanto em meio Czapeck Yeast Extrat
(CYA) quanto em Malt Extract Agar (MEA), formando colônias verdes opacas após sete dias
a 25 °C com exsudado castanho. Cresce entre -2 °C e 30 °C com um ótimo próximo a 23 °C.
Ele produz o ácido micofenólico que é uma micotoxina fraca, improvável de ser importante em
alimentos (PITT; HOCKING, 1997).
Bacillus subtilis esteve presente em todas as análises microbiológicas do grupo
SPT1, sempre em baixas concentrações. Esteve presente na primeira (em zero dias) e terceira
(em 80 dias) análises em SPT2, SCT1 e SCT2, indicando eliminação em 120 dias. E não foi
encontrado nas amostras dos grupos FoT1 e FoT2.
Bacillus subtilis é pertencente à família Bacillaceae e ordem Eubacteria. É Gram-
positivo não patogênico, saprófita (VLAMAKIS et al., 2013). É aeróbico, porém em ambientes
escassos de oxigênio, consegue se desenvolver de forma anaeróbica (CLEMENTS et al., 2002).
Com uma vasta aplicação em áreas relacionadas à biotecnologia, que vão desde estudos com
biofilmes, a produção de antibióticos, enzimas e etc... É amplamente adaptado, capaz de crescer
em variados ambientes, como solo, raízes de plantas e trato gastrointestinal de animais (EARL;
LOSICK; KOLTER, 2008). Na biotecnologia é utilizado para manter e/ou aumentar a
produtividade de culturas sob condições de estresse biótico e abiótico (HASHEM et al., 2019).
E o gene ProBA desse bacilo foi identificado como tolerante ao sal, podendo ser usado para
produzir plantas transgênicas tolerantes ao estresse salino, através de biotecnologia avançada
(ABBAS et al., 2019). As infecções em humanos são pouco frequentes e estão relacionadas ao
consumo frequente e em alta quantidade de alimentos e ou pão com aspecto ‘pegajoso”,
podendo levar danos ao fígado (LOGAN, 2012).
Conforme Logan (2009), o crescimento de B. subtilis é possível na presença de até
7% de NaCl, algumas linhagens toleram concentrações em 10% desse sal. Diferente do
observado nas soluções salinas 30% do grupo SPT1, em que essa espécie se manteve presente
no decorrer dos 120 dias do experimento.
Bacillus megaterium surgiu na terceira análise microbiológica (em 80 dias) somente
nos grupos SPT1, SCT1 e SCT2, indicando eliminação em 120 dias. Esse bacilo não foi
encontrado nos demais grupos no decorrer do experimento.
Bacillus megaterium é uma bactéria Gram-positiva, aeróbia, formadora de esporos
em forma de bastonetes, presente em diferentes habitats (VARY et al., 2007). As infecções
70

por esses bacilos são raras. Os achados estão relacionados ao olho (RAMOS-ESTEBAN,
2006), à pele (DUNCAN; SMITH, 2011), ao cérebro (GUO et al., 2015) e, em um relato de
caso, envolvendo pleurite (CRISAFULLI et al., 2019). Atualmente, o bacilo tem sido utilizado
como agente de controle biológico de pragas em cultura de arroz, reduzindo o uso de pesticidas
(KANJANAMANEESATHIAN et al., 2009) e contra doenças fúngicas no pós-colheita,
causados pelo Aspergillus flavus (KONG et al., 2010). Na biotecnologia tem sido utilizado
como fonte de proteína recombinante (VARY et al., 2007).
Dietzia cercidiphylli apareceu apenas no grupo SCT2 em 0 dias, desaparecendo nas
análises subsequentes, confirmando a baixa tolerância a soluções supersaturadas de cloreto de
sódio 30%. Não foi detectada a presença dessa bactéria nos demais grupos salínicos e no formol
10%.
As bactérias Dietzia spp. são aeróbicas, Gram-positivas, não móveis, não
formadoras de esporos e não ácido-resistentes. As bactérias desse gênero são encontradas em
ambientes marinhos, hospitalares e no solo (NIWA et al., 2012). Há poucos relatos de infecções
clínicas envolvendo-as. Observaram-se infecções por D. maris associada à bacteremia
(BEMER-MELCHIOR et al., 1999), à prótese de quadril (PIDOUX et al., 2001) e em região
de dissecção aórtica (REYES et al., 2006). Quanto à Dietzia cercidiphylli não há associação
relacionada a infecções humanas, diferente da D. natronolimnaea (PILARES et al., 2010). Há
estudos com indicações futuras da utilização do Dietzia cercidiphylli C-1 na biorremediação de
solo contaminado com óleo extrapesado (DAI; YAN; GUO, 2017). Dietzia spp. são tolerantes
até 10% de NaCl e crescem em temperaturas entre 10 e 37 °C, sendo a temperatura ótima de
crescimento em torno de 28 °C (LI et al., 2008).
O Citrobacter freundii foi encontrado apenas na terceira análise microbiológica (em
80 dias) do grupo SPT1, sendo eliminada na análise subsequente, mostrando ser pouco tolerante
a ambientes salínicos supersaturados. O gênero Citrobacter, da família Enterobacteriaceae,
possui 13 espécies, até o momento. Destas, a Citrobacter freundii e Citrobacter koseri estão
entre as que mais causam infecções em humanos e animais, além de estar presente em diversas
fontes ambientais (PORRES-OSANTE et al., 2015).
Citrobacter freundii é um bacilo Gram-negativo oportunista (ANDERSON et al.,
2018), não esporulado, anaeróbio facultativo, móvel e possui flagelos (JANDA et al., 1994).
Podem ser isolados de vários ambientes como alimentos, água, esgoto e solo (LIU et al., 2017).
Causam um amplo espectro de infecções em tratos gastrointestinal, urinário e respiratório,
infecções em feridas, abscessos e corrente sanguínea (SAMONIS et al., 2009; HAMMERUM
et al., 2016; JIMÉNEZ et al., 2017; ANDERSON et al., 2018; LIU et al., 2018; PLETZ et al.,
71

2018), além de intoxicação alimentar humana e diarreia (BAI et al., 2012; LIU et al., 2017).
Em casos mais graves, podem levar a septicemias e meningite em neonatos e endocardites
(SAMONIS et al., 2009; LIU et al., 2018). É comum encontrá-lo colonizando o trato intestinal
de animais vertebrados, incluindo humanos (ARANA et al., 2017). Em suínos, a Citrobacter
freundii afeta a saúde e o desempenho do crescimento na fase de desmame ao desequilibrar a
formação e manutenção da microbiota intestinal (HIDAYATULLAH et al., 2020).
Paenibacillus etheri foi encontrado em SPT2 nos intervalos de 40 e 80 dias, sendo
eliminado após os 120 dias. As bactérias do gênero Paenibacillus são saprófitas, vivem,
normalmente, no solo, mas podem ser isolados de hemoculturas de escarro humano, raízes e
sementes de plantas, alimentos, solo agrícola ou solos minerais (BERGE et al., 2002; ROUX;
RAOULT, 2004; SCHELDEMAN et al., 2004). Algumas espécies estão envolvidas na
degradação de poluentes ambientais como hidrocarboneto aromático, xilana e naftaleno
(DAANE et al., 2002; KHIANNGAM et al., 2011).
O gênero Paenibacillus abrange aproximadamente 200 espécies até o momento,
incluindo habitats de solo, água doce, humanos e rizosfera de plantas. As células são bastonetes
móveis, Gram-positivas, anaeróbios facultativos. As colônias são creme, ovóides, lisas com
margens inteiras irregulares. O crescimento é observado em pH entre 7−8, temperatura entre 5–
50 °C, com tolerância máxima ao NaCl de 0,8 %. As condições ideais para o crescimento são
em um pH em torno de 7,5, 0 % NaCl e 30 °C (GUISADO et al., 2016). O P. etheri apresenta
potencial para ser usado em tecnologias relacionadas à biorremediação pela capacidade que
possui em degradar o éter metil terc-butílico (GUISADO et al., 2015).
Aspergillus fumigatus foi encontrado em SPT1 e SPT2 em 80 dias do experimento,
sendo eliminado após os 120 dias. Em SCT1 e SCT2 apareceu em 40 e 80 dias, sendo eliminado
após 120 dias. E em FoT1 e FoT2 não foi detectada a presença desse microrganismo no decorrer
do experimento, confirmando a ação bactericida e fungicida do formol, segundo Krug (2011).
Aspergillus fumigatus pertence ao gênero Aspergillus, possuem bom crescimento a
37 °C e esporos que podem sobreviver à exposição a temperaturas de até 70°C (ALBRECHT
et al., 2010). É um fungo saprotrófico encontrado comumente no solo, embora se adapte e
prolifere em ambientes hostis. É considerado um patógeno oportunista responsável por
infecções pulmonares agressivas desencadeando quadros de morbidade e mortalidade (LATGÉ;
CHAMILOS, 2019). Podem levar a uma variedade de reações alérgicas e infecções sistêmicas
com risco de vida em humanos (PAULUSSEN et al., 2017). A colonização por A.
fumigatus acomete cerca de 30% dos pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica
(DPOC) (PASHLEY et al., 2012), sendo potencialmente mais grave em indivíduos
72

imunodeficientes, podendo levar à morte (STEINBACH et al., 2012).


As infecções pulmonares por A. fumigatus são ocasionadas pela inalação de esporos
presentes no ar, vindos de ambientes internos e externos, cuja concentração varia entre 1 e 100
esporos por m3, podendo chegar até a 108 conídios por m3 conforme o ambiente (WÉRY,
2014). Essa espécie é responsável por um espectro de doenças, incluindo aspergilose
broncopulmonar alérgica, aspergilose pulmonar crônica e aspergilose invasiva (DENNING et
al., 2011; KOSMIDIS; DENNING, 2015).
Penicillium brevicompactum surgiu a partir da segunda análise (em 40 dias) no
grupo SPT1 e permaneceu, em baixas concentrações, após os 120 dias. Em SPT2 foi detectada
na segunda (em 40 dias) e quarta análise (em 120 dias). Em SCT1 e SCT2 surgiu por volta da
2ª análise (em 40 dias) e foi eliminada após os 120 dias. Não houve ocorrência nos grupos FoT1
e FoT2.
Penicillium brevicompactum é um fungo filamentoso fitopatogênico de baixa
virulência, muito comum em frutas e vegetais, deteriorando maçãs e uvas armazenadas,
cogumelos, mandioca e batatas. Possui crescimento lento tanto em meio Czapeck Yeast Extrat
(CYA) quanto em Malt Extract Agar (MEA), formando colônias verdes opacas após sete dias
a 25 °C com exsudado castanho. Ele cresce entre -2 °C e 30 °C com um ótimo próximo a 23
°C. O P. brevicompactum produz o ácido micofenólico uma micotoxina fraca, improvável de
ser importante em alimentos (PITT; HOCKING, 1997).
O Aspergillus versicolor surgiu nos grupos SCT1, apenas na terceira análise (em 80
dias) e em FoT2 na primeira análise (0 dias), sendo eliminado em ambos após os 120 dias. Nos
demais grupos não houve a ocorrência desse fungo. Aspergillus versicolor é uma espécie
comum de ser isolado da poeira do ar, de plantas, solo e hábitat marinho (CORRÊA, 2003;
FOMICHEVA; VASILENKO; MARFENINA, 2006). São aeróbicos ( GEISER et al., 2007) e
suportam uma ampla faixa de temperatura, que varia entre 4 a 40 °C, a temperatura ótima de
crescimento fica em torno de 22 a 26°C. Resiste a uma variada faixa de pH e/ou de salinidade,
além de conseguir sobreviver a hábitats muito secos (PASANEN et al., 1997; FOMICHEVA;
VASILENKO; MARFENINA, 2006; PIONTEK; LUSZCZYŃSKA; LECHÓW, 2016). Muitas
espécies de Aspergillus suportam entre 10 a 50 °C, pH entre 2 a 11 e salinidade entre 0 a 34%
(MEYER et al., 2011).
As linhagens de Aspergillus são bem utilizadas, principalmente como
microrganismos industriais em diversos processos fermentativos para a produção de alimentos
humanos e animais (SAMSON et al., 2005). É bastante comum de serem contaminantes de
alimentos, grãos, sementes e conservas, levando a perdas econômicas consideráveis
73

(SEPÚLVEDA; PIONTELLI, 2005; ANAYA VILLALPANDA et al., 2014), e, por fim, há


relatos de infecções relacionadas ao ouvido (ISMAIL; AL-KAFRI; ISMAIL, 2017).

6.3 Aspecto das soluções conservantes após 120 dias

Com relação ao aspecto das soluções após os 120 dias, nenhum dos grupos
apresentou odor de putrefação e ou alteração de viscosidade, porém houve variação
significativa de coloração da solução apenas entre os grupos salínicos. Esta característica,
entretanto, não influenciou na qualidade de conservação das peças. A ocorrência da alteração
do odor e da viscosidade e ou a presença de microrganismos seriam fortes indicativos da
necessidade de substituição da solução salina 30% por uma nova.

6.4 Custo da salina P.A. 30% versus a salina comercial 30%

Hayashi et al. (2014) relataram o baixo custo de manutenção do embalsamamento


de cadáveres por solução salina, utilizados por algumas semanas para o treinamento de
habilidades cirúrgicas, além do baixo risco de infecção. E Wolff et al. (2008) mencionam, na
época, que o custo financeiro da solução salina foi de cerca de 10% das despesas com o
formaldeído. Nos dias atuais, o preparo da salina 30% com o sal comercial, considerando 10 L
dessa solução, corresponderia a aproximadamente 27% dos gastos no preparo da formalina 10%
nessa mesma quantidade. Já o custo de 10 L de solução salina 30% P.A. seria em torno de
418%, sendo financeiramente inviável, como informado na Tabela 9.

Tabela 9 – Preços dos produtos químicos referentes a dezembro de 2022

Material Unidade Custo( R$) (R$) 10 L/Solução

NaCl P.A. 30% 1Kg R$ 39,00 R$ 117,00


NaCl comercial 30% 1Kg R$ 2,50 R$ 7,69
Formol 10% 1L R$ 28,00 R$ 28,00
Fonte: elaborada pela autora, 2023.

6.5 Limitações do trabalho

A etapa de fixação, em formol a 10%, dos animais não ficou homogênea, algumas
peças apresentaram sinais de autólise antes da etapa de preservação, o que refletiu na qualidade
74

final da conservação dos espécimes nos grupos em que compuseram.


Uma outra limitação do trabalho foi ter considerado, no desenho experimental,
apenas um avaliador para as análises morfométricas e morfológicas, principalmente esta última,
pelos critérios subjetivos relacionados à percepção olfativa, visual e tátil nas avaliações inicial
e final da conservação das peças.
Outro fator limitante foi a falta de reagentes e equipamentos para a realização das
análises microbiológicas, o que acabou por atrasar o cronograma de execução e limitou o
número de microrganismos a serem identificados. Priorizou-se os que persistiram ao longo do
experimento nas soluções conservantes após os 120 dias, destes apenas um não foi possível a
identificação, porque o microrganismo não se desenvolveu nas repicagens para purificação da
linhagem.
75

7 CONCLUSÕES

Embasado pelos resultados apresentados no presente trabalho, pode-se inferir que


a solução salina 30% é uma boa alternativa para conservação de espécimes anatômicos.
Observando os aspectos morfológicos, os grupos salínicos apresentaram resultados
satisfatórios, apesar de variações tanto na conservação das peças, quanto na eliminação de
microrganismos. Contudo, o formol continua sendo o padrão ouro em ambos os aspectos,
exceto nos parâmetros de rigidez articular e muscular.
Considerando os aspectos morfométricos, como não houve diferença entre o formol
10% e as soluções salínicas 30%, a salina de menor custo financeiro poderia ser uma opção de
uso no laboratório de anatomia humana.
Com relação aos aspectos organolépticos das soluções não houve diferença entre os
grupos do formol e os grupos salínicos, exceto quanto à coloração final destes. Este parâmetro
não foi um indicativo de necessidade de substituição da solução.
Com relação ao meio ambiente, à saúde dos manipuladores, e pensando em um
laboratório mais salubre e sustentável, os benefícios do uso da salina se sobrepõem aos custos,
já que os resíduos dessa solução são atóxicos. Não sendo necessária a contratação de empresa
especializada para descarte, já que, após sanitização com hipoclorito de sódio, pode-se descartá-
la no esgoto comum. Essa medida reduziria, em partes, o impacto financeiro e os riscos
ambientais.
Outro custo/benefício da utilização da salina comercial 30% na conservação
anatômica foi a eliminação de um número maior de morfotipos bacterianos e fúngicos em
relação aos grupos da salina P.A. 30%, embora o fungo Cladosporium cladosporioides tenha
crescido mais acentuadamente após os 120 dias, principalmente nos grupos da salina comercial
30%, sendo um indicativo importante da necessidade de substituição da solução.
E por fim, com relação aos microrganismos patogênicos encontrados nas soluções
salínicas a 30% durante o experimento, exigem reforço e rigor no uso dos equipamentos de
proteção individual (EPI), assim como durante o uso da formalina. Sendo necessária a utilização
de máscara para vapores e para microrganismos, o uso de óculos de proteção e luvas, não só
para minimizar o contato com o formol, bem como com os microrganismos, a fim de preservar
a saúde dos profissionais, tanto dos potenciais riscos de contaminação por agentes químicos
quanto por agentes biológicos.
76

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ANEXO A - PARECER CONSUBSTANCIADO DA COMISSÃO DE ÉTICA NO USO


DE ANIMAIS – CEUA
87
88

ANEXO B – RESUMO SIMPLES


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