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Diamantina
2023
Franciane Pereira Brant
Diamantina
2023
Catalogação na fonte - Sisbi/UFVJM
Diamantina
Aos meus pais pelo amor, toda gratidão.
Às minhas irmãs e irmão pelo apoio e carinho incondicionais,
Aos meus sobrinhos por serem minha manifestação de amor.
Aos amigos pelo apoio e compreensão.
AGRADECIMENTOS
A Deus e à Nossa Senhora por sempre se fazerem presentes nesta minha jornada aqui na terra.
Aos colegas discentes do programa, em especial à Ramona Ramalho de Souza Pereira, pela
ajuda na etapa inicial do experimento, higiene, marcação e identificação dos ratos.
À Faculdade de Medicina do Mucuri (FAMMUC), na pessoa do Diretor Prof. Dr. João Victor
Leite Dias e ao Vice-diretor, Prof. Dr. Patrick Wander Endlich por todo suporte oferecido e
condições necessárias para a realização da pesquisa. João, obrigada pelas contribuições na
estatística;
Ao Prof. Dr. Ernani Aloysio Amaral, que tenho como exemplo de profissional, obrigada por
todas as contribuições.
Aos colegas de trabalho da FAMMUC, em especial, Layde Sierau, Tiago Barbosa, Tássio
Almeida pelas contribuições no trabalho;
À colega de trabalho, amiga e companheira de apto, Dauriene, tenho aprendido muito com você,
obrigada por tudo, Dauris!
Aos meus queridos amigos e colegas de trabalho, que hoje estão no Campus
Diamantina/UFVJM, Fabrício de Oliveira, pela grande ajuda na etapa inicial do experimento,
você foi imprescindível amigo; à Maysa Farias pelas contribuições ao ler o projeto, ainda
quando era um esboço.
Ao Técnico Fidelis por cuidar dos ratos e ajudar na etapa de eutanásia;
À orientadora, Dra. Roberta Barbizan Petinari por toda autonomia concedida, pela confiança,
muito obrigada pela parceria;
À coorientadora, Dra. Cleide Aparecida Bomfeti, primeiramente pela amizade que construímos,
pelo apoio, pelas conversas, pela atenção. Foi muito especial, enriquecedor e gratificante
trabalhar e conviver com uma pessoa tão maravilhosa como você, obrigada por tudo!
À Grazielle Marinho de Oliveira, por toda parceria na execução das análises microbiológicas,
por toda dedicação, responsabilidade, comprometimento, cuidado e zelo pelo trabalho. Uma
amizade e admiração que levo para a vida!
À banca examinadora por ter aceitado o convite e pelas contribuições neste estudo.
A todos que contribuíram de forma direta e indireta para a realização deste trabalho!
“A graça da morte, seu desastrado encanto, é por causa da vida”.
(Adélia Prado, 2013)
RESUMO
Introduction: The 10% formaldehyde aqueous solution is used as a method of fixation and
preservation of anatomical parts, has low cost and high speed of tissue penetration, but is very
toxic, damaging the health of handlers, besides the damage to the environment when discarded.
Objective: Compare the potential of pure (P.A.) and commercial NaCl used in the preparation
of the 30% saline solution in the preservation of anatomical specimens. Methodology: 72
carcasses of Wistar rats were used, previously cleaned and submitted to morphological
macroscopic (dermal coloration, joint and muscle stiffness, presence of stains, putrefaction odor
and signs of tissue autolysis) and morphometric (body mass, nasoanal and nasocaudal lengths)
analyses before fixation. Then the animals were fixed and submerged in 10% formalin for 7
days, washed in running water for 24 hours and distributed in their respective groups for a
period of 120 days. Three groups were formed: Saline P.A. 30% (SP), Commercial Saline 30%
(SC) and Formol 10% (Fo) with two treatments each (animals exposed on the bench for 1 hour
every 30 days for 120 days: T1 and animals not exposed until the end of the experiment for 120
days: T2). The preservative solutions underwent organoleptic (color, change in viscosity, and
putrefaction odor) and microbiological analyses at 0, 40, 80, and 120 days with subsequent
identification of microorganisms. Wilcoxon's test was used for intragroup statistical analysis
and intergroup ANOVA-type test was used. Results: Both saline groups (P.A. 30% and
Commercial 30%) showed more spots, darker dermal coloration and a lower intensity of joint
and muscle stiffness than the formalin groups, regardless of whether the animals were exposed
or not. No group presented parts with an odor of putrefaction, whereas the saline groups
presented some parts with signs of tissue autolysis, being SPT1 with 41.67%, SPT2 with 8.33%,
and SCT2 with 41.67%. As for morphometry, the carcasses of the Wistar rats tended to be
heavier and with shortening in the nasoanal and nasocaudal lengths in all groups. Regarding the
solutions, there was a variation in coloration among the saline groups, from translucent to light
yellow to brown. The solutions of the formaldehyde groups maintained a coloration close to
translucent. No solution presented an odor of putrefaction or alteration in viscosity. As for the
microbiological analyses, 7 fungi and 11 bacteria were found. After 120 days, 3 fungal
morphotypes remained (F1: Cladosporium cladosporioides; F6: Penicillium brevicompactum
and F8: unidentified) and 2 bacteria (B1: Bacillus megaterium and B8: Bacillus subtilis). The
morphotypes that remained in each group after 120 days were in SPT1: F1, F6 and B8; in SPT2:
F1, F6 and F8; in SCT1: F1; in SCT2: F1 and B1; in FoT1 and FoT2: F1. Conclusion: Overall,
the saline groups showed satisfactory results, despite variations in both the preservation of the
pieces and the elimination of microorganisms. The 30% commercial saline groups showed
slightly better morphological results than the 30% P.A. saline. It seems that the preservation
quality seems to depend more on the quality and time of fixation in formalin than on the type
of NaCl used to prepare the solution.
microrganismos.......................................................................................... 47
de Anatomia............................................................................................... 25
literatura..................................................................................................... 28
LISTA DE TABELAS
H2O Água
Cm Centímetros
g Grama
g/L Grama por Litro
GL Graus Gay-Lussac
ºC Graus Celsius
L Litro
µg Micrograma
mg/m3 Miligrama por Metro Cúbico
mL Mililitro
% Porcentagem
Kg Quilo
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO............................................................................................................. 19
2 REFERENCIAL TEÓRICO........................................................................................ 21
2.1 O formol na conservação de peças anatômicas, implicações na saúde humana e do
meio ambiente...................................................................................................................... 21
2.2 Fixação de peças anatômicas.......................................................................................... 22
2.3 Aspectos gerais dos fungos e das bactérias.................................................................... 23
2.4 Contaminação microbiológica em peças anatômicas formolizadas ............................. 24
2.5 O uso do cloreto de sódio na conservação de peças anatômicas.................................... 26
3 OBJETIVOS.................................................................................................................. 33
3.1 Objetivo geral.................................................................................................................. 33
3.2 Objetivos específicos...................................................................................................... 33
4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS............................................................... 34
4.1 Delineamento do estudo................................................................................................ 34
4.1.1 Local de realização da pesquisa ................................................................................. 36
4.2 Amostras......................................................................................................................... 36
4.3 Critérios de inclusão da amostra.................................................................................... 37
4.4 Critérios de exclusão da amostra.................................................................................... 37
4.5 Aspectos éticos............................................................................................................... 37
4.6 Descrição dos procedimentos.......................................................................................... 37
4.6.1 Eutanásia e higienização ......................................................................................... 37
4.6.2 Identificação dos animais e composição dos grupos................................................... 38
4.6.3 Análises morfométrica e morfológica macroscópica das carcaças de ratos Wistar... 40
4.6.4 Etapa de fixação em formol 10%.............................................................................. 41
4.6.5 Preparo das soluções e a etapa de conservação dos animais..................................... 42
4.6.6 Análise das propriedades organolépticas das soluções conservantes........................ 44
4.6.7 Análises microbiológicas..............................................................................................44
[Link] Coleta das amostras................................................................................................... 44
[Link] Classificação dos morfotipos bacterianos e fúngicos encontrados nas soluções...... 45
4.7 Análise estatística............................................................................................................ 48
5 RESULTADOS............................................................................................................... 50
5.1 Análises morfométricas intragrupo das peças anatômicas.............................................. 50
5.2 Análises morfométricas intergrupos das peças anatômicas............................................. 52
5.3 Descrição das análises morfológicas intra e intergrupos das peças anatômicas............ 54
5.4 Análises microbiológicas das soluções conservantes...................................................... 58
5.5 Propriedades organolépticas das soluções..................................................................... 62
6 DISCUSSÃO................................................................................................................. 65
6.1 Conservação das peças anatômicas............................................................................... 65
6.2 Microrganismos encontrados nas soluções conservantes............................................... 67
6.3 Aspectos das soluções conservantes após 120 dias........................................................ 73
6.4 Custo da salina P.A. 30% versus a salina comercial 30%............................................... 73
6.5 Limitações do trabalho.................................................................................................. 74
7 CONCLUÇÕES............................................................................................................ 75
REFERÊNCIAS ................................................................................................................ 76
ANEXO A............................................................................................................................. 86
ANEXO B............................................................................................................................ 88
19
1 INTRODUÇÃO
2 REFERENCIAL TEÓRICO
A solução de formalina a 10% é uma das mais utilizadas para a fixação de tecidos
e de cadáveres desde 1893, sem muitas modificações até hoje (BRENNER, 2014). O formol é
utilizado no processo de fixação dos cadáveres, por impedir a autólise celular e preservar
estruturas teciduais e morfológicas (PANZACCHI et al., 2019). A fixação por formol estabiliza
as proteínas pela desnaturação da estrutura secundária, terciária ou quartenária, formando
ligações covalentes ou ligações cruzadas entre as moléculas dos fixadores e as proteínas,
paralisando o processo de destruição celular (THAVARAJAH et al., 2012).
Os cadáveres embalsamados com formol a 10% ainda são amplamente utilizados
na educação médica. Isso porque a formolização é uma técnica simples e de baixo custo que
possibilita a penetração da substância nos tecidos de modo a preservá-los, além de inibir a
proliferação da maioria dos microrganismos decompositores e patogênicos. As peças imersas,
porém, tendem a escurecer, a apresentar maior massa, devido ao encharcamento, e podem
tornar-se friáveis, com perda de consistência e de flexibilidade. Embora, a fixação garanta um
uso duradouro, há outras desvantagens como o cheiro irritante das mucosas, descoloração
tecidual e rigidez (GUO et al., 2012; KUMAR et al., 2013; OLIVEIRA et al., 2014;
BRENNER, 2014; BILGE; CELIK, 2017).
O formaldeído é uma substância volátil que causa irritação nos olhos, membranas
mucosas, ressecamento e dor de garganta, sensação de formigamento no nariz, distúrbios
menstruais e problemas na gravidez. É um composto relacionado a vários tipos de câncer como
o nasal, pulmonar e possíveis associações com o cerebral e a leucemia (RAHARYANINGSIH;
AZIZAH, 2017; LEAL, 2018; KANG et al., 2021).
É um composto largamente conhecido no meio científico por apresentar elevado
potencial carcinogênico, mutagênico e teratogênico devido a exposição ao longo do tempo
(OLIVEIRA et al., 2004; PEREIRA, 2007; HAYASHI et al., 2014; BONO et al., 2016;
CHENG et al., 2016). Segundo Ferreira et al. (2017), esses aspectos têm levado às
universidades em todo o mundo a buscar alternativas para substituí-lo.
A exposição a essa substância pelos profissionais de laboratório de anatomia precisa
ser avaliada com mais afinco pelos órgãos competentes de saúde ocupacional (IARC, 2012).
22
Pois, apesar de ser um excelente fixador, desinfetante e antisséptico, apresenta riscos para a
saúde pública e ao meio ambiente (GUO et al., 2012; BRENNER, 2014). É também
considerado um importante poluente ambiental e seus resíduos apresentam baixa
biodegradabilidade. O descarte inadequado pode causar sérios distúrbios para o tratamento
biológico de águas residuais, além de causar danos à vida aquática (OLIVEIRA et al., 2004;
PEREIRA, 2007).
Desde 2016, o Comitê Europeu de Substâncias Perigosas estabeleceu um novo
limite de exposição ocupacional ao formaldeído, de 0,37 mg/m3, classificado
como carcinógeno humano 1B. Além da necessidade de diminuir a exposição, há também a
necessidade de adaptações técnicas, como a modificação de protocolos de fixação e preservação
dos cadáveres. Aliado a isso, é preciso realizar mudanças estruturais que vão desde a instalação
de exaustores de ar, a um sistema de ventilação adequado nos laboratórios de anatomia
(WASCHKE et al., 2019).
Waschke et al. (2019) recomendaram aos Institutos de Anatomia da Alemanha a
redução da concentração de formaldeído no processo de perfusão intra-arterial de corpos
humanos, doados para dissecação, para até 4% com um volume total de 150 mL/Kg de massa
corporal, como suficientes para o embalsamamento. E nos tanques de imersão, uma
concentração de formol de 2%.
O uso indiscriminado do formol deve ser evitado, devendo ser empregado apenas
como veículo fixante, deixando o papel de conservação e manutenção para outras substâncias
(PEREIRA, 2014).
Os fungos estão presentes em toda parte e nos mais variados ambientes devido à
presença de esporos que são facilmente dispersos pelo ar (SOUZA, 2012). Os saprófitas
desempenham um importante papel na decomposição primária de substratos nos diversos
ecossistemas (NAZIM et al., 2012). Alguns deles são parasitas em humanos e animais
(SAMSON et al., 2004).
Os fungos pertencem ao Reino Fungi e estão organizados em cinco filos,
Ascomycota, Basidiomycota, Chytridiomycota, Glomeromycota e Zygomycota (MADIGAN et
24
al., 2016). Eles são eucariontes, heterotróficos, grande parte aeróbicos e uma minoria
anaeróbicos estritos e facultativos. Eles são aclorofilados, uni ou multicelulares, reproduzem
sexuada e ou assexuadamente. Possuem uma parede celular rígida, devido à presença de
celulose, glicanas, mananas ou quitina. E a principal forma de reserva é o glicogênio (VIEIRA;
QUEIROZ, 2012).
Já as bactérias pertencem ao Domínio Bacteria, são procariontes, presentes em
todos os tipos de ambientes, desde o solo, o ar, a água doce ou salgada, ou em associações
harmônicas ou desarmônicas com outros seres vivos. Podem ser heterotróficas (a maioria) ou
autotróficas (quimio ou fotossintetizantes) e, quanto a utilização do oxigênio, podem ser
aeróbias, anaeróbias, anaeróbias facultativas e microaerófilas (TORTORA; FUNKE; CASE,
2016).
sucesso como membrana biológica para reparo de músculos retos abdominais em ratos Wistar
após ter sido mantido por 90 dias em solução aquosa supersaturada de NaCl a 1,5 g/mL. O meio
de armazenamento não apresentou contaminação por bactérias e fungos e manteve as
características estruturais do tecido. Em outro estudo de Brun et al. (2004), a solução salina
apresentou resultados semelhantes à glicerina a 98% na conservação de centro frênico canino,
com características antissépticas.
A solução salina a 30% mostrou-se capaz de substituir o formol por vários critérios
como apresentar baixo custo financeiro, facilidade de aquisição de substrato, não possuir
componentes tóxicos aos manipuladores, apresentar um descarte seguro e sem poluição ao meio
ambiente (OLIVEIRA, 2014). Por esses motivos, torna-se uma alternativa tangível na
conservação de cadáveres. No estudo de Hayashi et al. (2014), foi relatado o uso da solução
salina como um conservante eficiente em embalsamentos de cadáveres para treinamentos de
habilidades cirúrgicas, além de apresentar ações bactericida e fungicida, conferindo segurança
química e biológica aos médicos cirurgiões, eliminando o risco de contágio com
microrganismos patogênicos durante esses procedimentos, porém são necessários mais estudos
quanto ao uso (ou sobre o uso) prolongado dessa solução com finalidade de conservação.
Segundo Silva (2018), a substituição do formol por solução salina melhoraria as
condições de trabalho de toda a equipe, tornaria o laboratório de anatomia salubre e sem
prejuízos ao meio ambiente ao efetuar o descarte na rede de esgoto. De acordo Rocha (2016),
o tempo de fixação da peça para a conservação e eliminação de microrganismos parece estar
relacionada à finalidade de uso do material, seja para práticas de técnicas cirúrgicas e ou
atividade de ensino. Neste caso, o fixador utilizado foi o álcool etílico e o agente conservante,
a solução salina 30%. A conservação foi mais efetiva até o período de 30 dias. E a flexibilidade
tecidual manteve-se próxima ao in natura.
E por fim, Guaraná et al. (2021) realizaram um levantamento de estudos sobre a
conservação anatômica utilizando a solução salina como agente conservante, conforme
mostrado no Quadro 2.
28
Quadro 2 – Composição das soluções salinas, processos de embalsamamento, armazenamento e resultados na literatura
Estudos Composição da solução Modelo/processo de embalsamamento Armazenar Resultados
Oliveira, 2014. Diferentes concentrações de Cão. Não descrito. Os cadáveres foram Observou-se por 5 anos e não
formaldeído (0,612%–10%), com armazenados em tanques houve contaminação visual ou
solução de cloreto de sódio a 30% com a solução. deterioração em nenhum
(cloreto de sódio e água). espécime. Também não foi
observado odor de putrefação,
nem alterações na cor ou maciez.
Hayashi et al., Cloreto de sódio 20 kg Humano. Infusão do fluido de Os cadáveres foram A salina apresentou efeito
2014. (saturado)/Álcool isopropílico: 4,0 embalsamamento via artéria femoral colocados em um saco antibiótico suficiente para a
L/Formaldeído (20%): 1 L/Glicerina: canulada ou artéria carótida comum plástico selado e manipulação dos cadáveres em
0,5 L/Fenol: 0,2 L/Água: 19,3 L. conectada a uma bomba Porti boy armazenados à temperatura práticas de habilidades cirúrgicas.
durante um dia inteiro. ambiente. Tecidos com alta qualidade e
articulações flexíveis,
possibilitaram a realização de 21
tipos de procedimentos.
Lombardero et al., Cloreto de sódio e água da torneira Cão. Infusão via canulada dos Os cadáveres foram A perfusão e imersão em solução
2017. (ponto de saturação de NaCl de 35,89 grandes vasos (artéria carótida mantidos em câmara salina saturada foi um bom
g/ 100 ml–1 de água a 20°C). comum, veia jugular externa, veia frigorífica ou imersos em método alternativo para a
femoral), após sangria dos animais, banho de SSS. preservação prolongada de
utilizando bomba peristáltica, espécimes utilizados no ensino
realizando perfusão de solução de prático de anatomia veterinária
lavagem e perfusão com SSS, macroscópica. Manteve a
lavando o sangue e recirculando o aparência e a consistência
SSS por várias horas. semelhantes ao material fresco.
29
Burns et al., 2018. Cloreto de Sódio (saturado): 20 Humano. Infusão via artéria femoral Os cadáveres foram A solução salina saturada
kg/Álcool isopropílico: 4,0 canulada no triângulo de Scarpa a um armazenados em sacos preservou com sucesso os
L/Formaldeído (37%): 0,5 L/Glicerol: fluxo de aproximadamente 1 L por plásticos a 4°C. cadáveres com excelente
0,5 L / Fenol (90%): 0,2 L/Água da hora. A maioria dos cadáveres requer flexibilidade articular. Foram bem
torneira: 29,8 L. injeção pontual de 1–5 L de fluido de avaliados quanto à rigidez, odor e
embalsamamento adicional. fidelidade visual e tátil do tecido,
sendo adequado para o
treinamento de habilidades
cirúrgicas, inclusive, superiores
aos cadáveres conservados em
solução de formaldeído e de
álcool-glicol.
Gosomji et al., Grupo A: Solução estoque salina 9,5 Cabra. Infusão através da incisão do Os cadáveres foram A solução salina saturada manteve
2018. L/Álcool isopropílico: 2,5 fluido de embalsamamento na artéria mantidos em geladeira a a integridade do tecido sem
L/Formaldeído (5%): 0,5 L/Glicerina: carótida comum usando uma 4°C. distorção de cor, forma e textura
0,5 L/ Fenol: 0,2 kg/Grupo B: Solução máquina de bomba peristáltica de músculos. Os grupos salínicos
estoque salina 9 L/Álcool (LongerPump®, BT100-2J) até que o apresentaram melhor amplitude
isopropílico: 2,5 L/Formaldeído fluido fosse observado saindo das de movimento.
(10%): 1 L/Glicerina: 0,5 L/Fenol: 0,2 extremidades.
kg.
30
Kathapillai, 2019. Cloreto de Sódio 4 kg/Formaldeído Humano. Injeção de solução salina Não descrito. O embalsamamento por solução
(20%) 0,25 L/Glicerina 0,25 L/Álcool através da artéria femoral no cadáver salina foi o mais adequado após o
Isopropílico 1,0 L/Fenol 0,5 L/Água por 6 h cada. método por solução de Thiel*, que
5,0 L. é o padrão ouro em termos de
conservação para treinamento de
práticas cirúrgicas.
A salina foi um método aceitável
em termos de odor, incisão/sutura,
aparência, amplitude de
movimentos e manobrabilidade
durante o treinamento de
habilidades cirúrgicas.
Rocha et al., 2019. Solução de cloreto de sódio a 30% Cão. Fixação em álcool etílico com Os cadáveres foram O cadáver foi utilizado ao longo
(cloreto de sódio e água). glicerol a 5% via artéria carótida armazenados em tanques de do semestre letivo (4 meses) para
Fixação em álcool etílico com glicerol comum, na vazão de 120 ml/kg. ASSC 30% por 120 dias treinamento de diversas técnicas
a 5%. Lavagem do líquido excedente seguidos do período de cirúrgicas e proporcionou boa
acumulado nas cavidades torácica e fixação. maciez e maleabilidade tecidual,
abdominal com água por 5 dias além de reduzir os custos e
consecutivos e colocação em tanques proporcionar repetibilidade do
de álcool etílico. exercício.
31
Watanabe et al., Cloreto de sódio 20 kg Humano. Infusão do fluido de Os cadáveres foram O método de solução salina
2019. (saturado)/Álcool isopropílico: 4,0 embalsamamento via artéria femoral colocados em um saco saturada tem um custo
L/Formaldeído (20%): 1 L/Glicerina: canulada ou artéria carótida comum plástico selado e relativamente baixo de preparação
0,5 L/Fenol: 0,2 L/Água: 19,3 L. conectada à máquina de armazenados à temperatura e armazenamento e quase nenhum
embalsamamento Porti-Boy Mark IV ambiente. odor
durante um dia inteiro. As texturas da mucosa oral e da
pele foram semelhantes às de
indivíduos vivos. A estrutura dos
tecidos ósseos estava bem
preservada e a dureza era realista,
sugerindo que esses cadáveres
pudessem fornecer um novo
modelo para o treinamento de
habilidades cirúrgicas orais na
extração óssea.
Beger et al., 2020. Cloreto de sódio 20 kg Rato. Fixação por cateter. Remoção Os cadáveres foram A cor, aparência, consistência,
(saturado)/Álcool isopropílico: 4,0 das paredes abdominal e torácica com armazenados em tanques odor, rigidez dos cadáveres
L/Formaldeído (20%): 1 L/Glicerina: tesoura cirúrgica. Inserção do cateter SSS por 2 meses em fixados em salina e Thiel são mais
0,5 L/Fenol: 0,2 L/Água: 19,3 L. no ventrículo esquerdo. Infusão de temperatura ambiente. adequados para fins de
solução fisiológica e solução fixadora treinamento e desenvolvimento de
pelo mesmo cateter. novos procedimentos cirúrgicos.
32
Guaraná et al., A solução foi preparada com cloreto Suíno (bexiga urinária e intestino As vísceras foram Aparência realista, ausência de
2021. de sódio moído (Sal Aliança) e água, delgado -jejuno). Fixação em álcool conservadas em recipientes odor e características
utilizando a proporção de 1 kg de sal etílico 99,8% e conservados em com salina 30% em morfológicas viáveis durante a
para cada 2,8 L de água. solução hipersaturada de cloreto de temperatura ambiente por 7, realização das técnicas
sódio a 30%. 14 e 21 dias. operatórias.
A conservação das vísceras
fixados em 99,8% em álcool
etílico por 30 dias e mantidos em
salina 30% em diferentes períodos
demonstrou ser um método viável
de preservação para treinamento
de habilidades cirúrgicas.
3 OBJETIVOS
4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
O estudo foi realizado com animais de descarte, carcaças de ratos Wistar, doados
pelo Biotério do Centro Integrado de Pesquisa (CIPq) da Universidade Federal dos Vales do
Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).
O trabalho foi executado no período de 07 de julho/2021 a 18 de setembro/2022.
Os animais foram originários do projeto intitulado “Efeitos do Treinamento Aeróbio
Intervalado de Alta Intensidade sobre a Perda Óssea Alveolar e Inflamação e Parâmetros
Cardiometabólicos em Ratos Wistar com Doença Periodontal Induzida por Ligadura”
sob o registro do parecer da CEUA nº 016-2020. A reutilização desses animais foi possível,
uma vez que não foram submetidos a nenhum tipo de medicação ou procedimentos invasivos
que inviabilizassem o uso nesta pesquisa.
O presente estudo consistiu em três etapas:
Etapa 1: higienização dos ratos Wistar, análises morfológicas macroscópicas e
morfométricas iniciais. Todos esses procedimentos foram realizados após a eutanásia dos
animais, seguido da fixação em formol 10% e submersão por sete dias nessa solução, conforme
a linha de tempo representada na Figura 1.
Etapa 2: preparo das soluções conservantes e distribuição das carcaças dos ratos
Wistar nos respectivos grupos de estudo, seguida imediatamente da 1ª análise microbiológica
das soluções em 0 dias de conservação, Figura 1.
Etapa 3: análises microbiológicas subsequentes (2ª, 3ª e 4ª) foram realizadas em
40, 80 e 120 dias respectivamente, além das análises organolépticas das soluções e análises
morfológicas e morfométricas finais dos ratos Wistar após os 120 dias, conforme a Figura 1.
35
4.2 Amostras
Tabela 1 – Especificação dos grupos, quantidade de animais por solução (ou recipiente) e por
grupo
Grupos Tratamentos/soluções Número de Número de
(T1 e T2) Animais/Recipiente Animais/Subgrupo
SPT1S1 04
SPT1 + Animais exposto SPT1S2 04 12
SPT1S3 04
SPT2S1 04
SPT2 + Animais Não Expostos SPT2S2 04 12
SPT2S3 04
SCT1S1 04
SCT1 + Animais Expostos SCT1S2 04 12
SCT1S3 04
SCT2S1 04
SCT2 + Animais Não Expostos SCT2S2 04 12
SCT2S3 04
FoT1S1 04
FoT1 + Animais Expostos FoT1S2 04 12
FoT1S3 04
FoT2S1 04
FoT2 + Animais Não Expostos FoT2S2 04 12
FoT2S3 04
Fonte: Elaborada pela autora, 2023.
corresponde a 390 mg de Sódio e 25µg de Iodo) em água destilada. Após o preparo, ambas as
soluções foram autoclavadas a 121⁰C por 20 minutos (autoclave Phoenix-Luferco®, modelo
AV-137).
Todas as soluções foram armazenadas em temperatura ambiente em recipientes
plásticos transparentes com tampa, identificadas e vedadas com papel filme, conforme a Figura
7.
Após a etapa de fixação, os animais foram lavados em água corrente por 24 horas
ininterruptas e em seguida transferidos aos recipientes correspondentes. Decorridos 30 dias, os
animais do Tratamento 1 de cada subgrupo, foram expostos por uma hora sobre a bancada do
Laboratório de Anatomia Molhado da FAMMUC, de forma a mimetizar as aulas práticas. Em
seguida, foram devolvidos aos recipientes correspondentes. Esse procedimento foi realizado a
cada 30 dias durante o período de 120 dias. Já os animais dos grupos não-expostos
permaneceram isolados nos recipientes até o final do experimento, Figura 8.
44
O meio de cultura utilizado foi o Plate Count Agar (PCA). Para o preparo utilizou-
se 23,5 g/1000 mL de água destilada, seguida de autoclavagem a 121 ⁰C por 15 minutos
45
Fonte: Elaborada pela autora, 2023. Em A: abertura das placas estéreis na capela de fluxo laminar; B: o
meio sendo vertido sobre as placas de Petri; C: organização das placas de Petri conforme as soluções;
D: coleta em triplicata das amostras; F: identificação das placas.
47
Figura 10 – Coleta das amostras, incubação das placas e classificação dos microrganismos
Figura 11 – Repicagem das amostras de bactérias e fungos para obtenção de linhagens puras
e posterior identificação das espécies
5 RESULTADOS
A partir das comparações das medianas, verificou-se que houve diferença estatística
significativa em todos os intragrupos com relação à variável Massa Corporal (M1: inicial e M2:
final), indicando aumento em M2 em função do tempo, sendo SPT1 (p < 0,0001), SPT2 (p <
0,0001), SCT1 (p < 0,0001), SCT2 (p < 0,0001), FoT1 (p < 0,0001), FoT2 (p < 0,0001),
conforme descrito na Tabela 2.
Para a variável comprimento nasoanal (CNA1: inicial e CNA2: final), apenas os
intragrupos SPT2 (p = 0,005), SCT1 (p = 0,010) e FoT2 (p = 0,015) apresentaram diferença
estatística significativa, com diminuição de CNA2 em função do tempo, indicando
encolhimento das peças. Enquanto que não houve diferença significativa nos intragrupos SPT1
(p = 0,120), SCT2 (p = 0,74) e FoT1 (p = 0,17). Estes grupos não apresentaram um
encolhimento significativo das peças em função do tempo, (Tabela 2).
E por fim, para a variável comprimento nasocaudal (CNC1: inicial e CNC2: final)
houve diferença estatística significativa em todos os intragrupos, resultando em diminuição de
CNC2 em função do tempo, SPT1 (p = 0,02), SPT2 (p = 0,002), SCT1 (p = 0,002), SCT2 (p =
0,004), FoT1 (p = 0,018) e FoT2 (p = 0,004), conforme especificado na Tabela 2.
Assim, a partir da comparação das medianas, foi possível inferir que houve aumento
da massa corporal para os grupos, além da diminuição dos comprimentos nasoanal e
nasocaudal, ainda que não seja possível inferir diferenças estatisticamente significativas para o
comprimento nasoanal dos grupos SCT2 e FoT1, conforme a Tabela 2.
373,08 431,60
M1/ M2 0.000 -3.059 ,0001
(156,34) (169,80)
23,50 22,75
SPT2 CNA1/CNA2 55.000 2.803 ,005
(4,00) (3,25)
44,25 40,50
CNC1/CNC2 78.000 3.059 ,002
(4,12) (4,75)
379,86 422,00
M1/ M2 0.000 -3.059 ,0001
(137,54) (146,02)
SCT1 24,00 22,75
CNA1/CNA2 36.000 2.599 ,010
(2,5) (3,12)
44,70 41,75
CNC1/CNC2 78.000 3.059 ,002
(3,59) (3,50)
317,27 359,50
M1/ M2 0.000 -3.059 ,0001
(131,86) (104,85)
SCT2 22,50 21,75
CNA1/CNA2 53.500 1.823 ,074
(1,25) 2,25
42,75 40,75
CNC1/CNC2 76.500 2.942 ,004
(3,75) (3,50)
379,62 470,80
M1/ M2 0.000 -3.059 ,0001
(146,80) (97,22)
FoT1 24,00 23,00
CNA1/CNA2 41.500 1.427 ,167
(3,25) (2,75)
45,00 42,00
CNC1/CNC2 60.000 2.401 ,018
(3,75) (3,25)
390,80 464,00
M1/ M2 (50,59) (53,80) 0.000 -3.059 ,0001
24,00 22,75
CNA1/CNA2 43.500 2.488 ,015
FoT2 (0,25) (1,75)
45,00 41,10
CNC1/CNC2 66.000 2.934 ,004
(1,5) (1,00)
Fonte elaborada pela autora, 2023.
*Nota. Negrito = diferença não significativa; Abreviação: IQR = Amplitude interquartil; M1: Massa Corporal
inicial; M2: Massa corporal final (após 120 dias); CNA1: comprimento nasoanal inicial; CNA2: comprimento
nasoanal final (após 120 dias); CNC1: comprimento nasocaudal inicial; CNC2: comprimento nasocaudal final
(após 120 dias);
52
Assim pode-se inferir que não houve diferença estatística significativa entre os
grupos para as variáveis de CNA e CNC. Os resultados apontam que a conservação das peças
cadavéricas, nas soluções salínicas 30% (P.A. e Comercial) ou no formol 10%, tenderam a
diminuir o CNA e o CNC em função do tempo, porém não há diferença entre os grupos com
relação ao nível de encurtamento das peças. Já para a variável massa corporal, pode-se inferir
que houve uma tendência a aumentar a massa corporal após os 120 dias entre os grupos, embora
não tenha sido estatisticamente significativo.
5.3 Descrição das Análises morfológicas intra e intergrupos das peças anatômicas
conservados em solução salínica (SPT1, SPT2 e SCT1, SCT2), foi a alteração na coloração da
pelagem dos animais, passando de branca para uma cor bem amarelada, conforme a Figura 12.
Quanto à “rigidez articular” no tempo inicial, os grupos SPT1, SPT2, e SCT2
apresentaram 100% de rigidez nas articulações de membros superiores e inferiores. Em SCT1
e FoT1, 91,67% das amostras apresentaram rigidez articular, e em FoT2 foram 75% das
amostras. Após os 120 dias, os grupos SPT1, SPT2, SCT1, FoT1, FoT2 apresentaram 100% de
rigidez, enquanto que o grupo SCT2, com 91,67%, segundo as Tabelas 3 e 4. Os grupos
conservados em formol apresentaram um nível de rigidez mais intenso, que os grupos à base de
salina 30%, apesar do presente estudo não mensurar o grau de rigidez, apenas presença ou
ausência dessa variável, conforme a Figura 12.
Quanto à “rigidez muscular” no tempo inicial, 83,33% das amostras dos grupos
SPT1 e SPT2 apresentaram rigidez nos músculos dos membros superiores e inferiores, em
SCT1 foram 66,67% das amostras, em SCT2 100%, em FoT1 cerca de 33,33% e em FoT2,
100% das amostras. Após os 120 dias, 66,67% das amostras em SPT1 e SCT2 mantiveram a
rigidez muscular, 91,67% em SPT2, 75% em SCT1 e em FoT1 e FoT2, ambos com 100%
conforme a Tabela 3 e a Figura 12.
Para a variável “manchas” nas peças anatômicas no tempo inicial, não foram
observadas em nenhum dos grupos avaliados. Após 120 dias, SPT1 apresentou manchas em
100% das amostras, seguido de SCT2 com 83,33%. Em SPT2 e SCT1, cerca de 58,33% das
peças tinham algum tipo de mancha. E em FoT1, 47,67%, e em FoT2, 33,33%, conforme a
Tabela 3 e a Figura 12.
Para a variável “presença de autólise” nas peças anatômicas no tempo inicial após
a fixação em formol 10%, os grupos que apresentaram sinais de autólise (aspecto de
derretimento dos músculos), foram SPT1 com 41,67% das peças, SPT2 com 8,33% e SCT2,
com 25% das peças, FoT1 e FoT2 não apresentaram sinais de autólise. Já em 120 dias, as
amostras do grupo SPT1 e SPT2 se mantiveram com a mesma quantidade de espécimes com
sinais de autólise, e SCT2, variou para 41,67% das peças com sinais de autólise. Os grupos que
permaneceram sem sinais de autólise foram FoT1 e FoT2, conforme a Tabela 3 e a Figura 12.
56
Coloração Normal 100 33,33 100 91,67 100 50 100 58,33 100 100 100 100
Dérmica Arroxeada - 66,67 - 8,33 - 50 - 41,67 - -
Rigidez Sim 100 100 100 100 91,67 100 100 91,67 91,67 100 75 100
Articular Não - - - - 8,33 - - 8,33 8,33 25
Rigidez Sim 83,33 66,67 83,33 91,67 66,67 75 100 66,67 33,33 100 100 100
Muscular Não 16,67 33,33 16,67 8,33 33,33 25 - 33,33 66,67
Tabela 4 – Resumo da comparação* morfológica das peças após os 120 dias de conservação
F10. Posteriormente, com as repicagens sucessivas constatou-se que três deles (F1, F3 e F10)
tratavam-se do mesmo morfotipo. Assim, dos sete morfotipos restantes, apenas quatro foram
passíveis de identificação da espécie, sendo que os demais não se desenvolveram nas sucessivas
repicagens realizadas. Os fungos identificados, portanto, foram F1 (Cladosporium
cladosporioides), F5 (Aspergillus fumigatus), F6 (Penicillium brevicompactum) e F7
(Aspergillus versicolor), conforme as Tabelas 5 e 6.
Tabela 6 – Quantidade de UFC de bactérias e fungos nas soluções e a frequência de aparecimento em 0, 40, 80 e 120 dias em cada grupo
formol 10% (FoT1, FoT2), ambos mantiveram a coloração translúcida próxima ao do período
inicial após os 120 dias, conforme a Figura 13 e a Tabela 8.
Amarelo claro
SPT1 Nenhum Nenhum
Marrom escuro
Translúcido
SPT2 Nenhum Amarelo claro Nenhum
Marrom escuro
6 DISCUSSÃO
articulações e músculos apresentaram uma rigidez bem mais branda do que as observadas nos
grupos do formol.
Com relação à qualidade morfológica das peças, ao que tudo indica, a conservação
das carcaças de ratos Wistar em solução salina 30%, tanto P.A. quanto Comercial, parece estar
intimamente relacionada à etapa anterior, a fixação, do que com o tipo de cloreto de sódio
utilizado. A salina comercial 30% apresentou parâmetros morfológicos discretamente melhores
do que os da salina P.A. 30%, justamente por ter apresentado peças com uma fixação melhor.
A qualidade de preservação das peças parece ser dependente da qualidade e do tempo de fixação
em formalina empregados. Há, contudo, a necessidade de mais estudos a fim de avaliar melhor
esse parâmetro observado.
cloreto de sódio (1,5g de NaCl/1mL de H2O tridestilada), também foi descrita como livre de
contaminação microbiológica. Já no estudo de Pereira et al. (2019), a conservação, em solução
aquosa de NaCl 30%, de cadáveres caninos apresentou baixa contagem de microrganismos para
os gêneros Bacillus, E. coli e Pseudomonas, sem contaminação aparente à inspeção visual nos
tanques e nos cadáveres, além da ausência de odor de putrefação. Neste caso, as peças foram
fixadas em 30, 60, 90 e 120 dias, em 95% de álcool etílico 96° GL e 5% de glicerina pura,
conservadas em salina 30% por 120 dias. No presente trabalho, as soluções conservantes, no
geral, eliminaram a maior parte dos microrganismos após os 120 dias, com exceção dos fungos,
Cladosporium cladosporioides, Penicillium brevicompactum, F8 (não identificado) e das
bactérias, Bacillus megaterium e Bacillus subtillis. Neste caso, as peças foram fixadas em
formol 10% e mantidas por sete dias nessa solução e conservadas por 120 dias em salina 30%.
O Cladosporium cladosporioides é um fungo sapróbio cosmopolita, presente no ar,
no solo e em têxteis (BENSCH, 2010). As infecções, em sua maioria, são casos superficiais,
acometem anfíbios, répteis, aves, peixes, animais domésticos e o homem, causando uma série
de condições clínicas como, cromoblastomicose e micetoma (COLDRICK et al., 2007;
FRANK.; VEMULAPALLI; LIN, 2011; SEYEDMOUSAVI; GUILLOT; DE HOOG, 2013),
mais raramente, acomete o Sistema Nervoso Central (SNC) em humanos (KANTARCIOǦLU;
YÜCEL; DE HOOG, 2002) e feohifomicose grave (MATSUMOTO et al., 1994).
Um dos microrganismos que chamou a atenção pela resistência à salina 30%, foi o
fungo C. cladosporioides, mantendo-se presente na maior parte do tempo, em baixas
concentrações, em todos os grupos analisados e ao final dos 120 dias, aumentou
consideravelmente em SPT2, SCT1 e SCT2, indicando a necessidade de substituição da solução
por uma nova, a fim de manter a qualidade de conservação das peças e diminuir os potenciais
riscos biológicos aos manipuladores e a degradação do material anatômico. Diferente do
observado em SPT1, cuja concentração do C. cladosporioides manteve-se baixa no decorrer
dos 120 dias, cerca de 4% em comparação ao encontrado nos demais grupos salínicos. Nos
grupos do formol 10% (FoT1 e FoT2), o C. cladosporioides surgiu apenas na última análise,
no final dos 120 dias, e permaneceu em baixas concentrações, também em cerca de 4% dos
achados observados nos grupos salínicos de SPT2, SCT1 e SCT2.
Penicillium brevicompactum surgiu em SPT1 e SPT2 a partir da segunda análise
microbiológica (em 40 dias), permanecendo em baixas concentrações até o final do
experimento. Em SCT1 e SCT2 foi detectado, também, a partir da 2ª análise (em 40 dias) e na
última (em 120 dias), não apareceu mais nas amostras, indicando eliminação a partir dos 120
dias pelas soluções salínicas. Em FoT1 e FoT2 esse fungo não foi detectado em nenhuma
69
análise microbiológica.
Penicillium brevicompactum é um fungo filamentoso fitopatogênico de baixa
virulência, muito comum em frutas e vegetais, deteriorando maçãs e uvas armazenadas,
cogumelos, mandioca e batatas. Possui crescimento lento tanto em meio Czapeck Yeast Extrat
(CYA) quanto em Malt Extract Agar (MEA), formando colônias verdes opacas após sete dias
a 25 °C com exsudado castanho. Cresce entre -2 °C e 30 °C com um ótimo próximo a 23 °C.
Ele produz o ácido micofenólico que é uma micotoxina fraca, improvável de ser importante em
alimentos (PITT; HOCKING, 1997).
Bacillus subtilis esteve presente em todas as análises microbiológicas do grupo
SPT1, sempre em baixas concentrações. Esteve presente na primeira (em zero dias) e terceira
(em 80 dias) análises em SPT2, SCT1 e SCT2, indicando eliminação em 120 dias. E não foi
encontrado nas amostras dos grupos FoT1 e FoT2.
Bacillus subtilis é pertencente à família Bacillaceae e ordem Eubacteria. É Gram-
positivo não patogênico, saprófita (VLAMAKIS et al., 2013). É aeróbico, porém em ambientes
escassos de oxigênio, consegue se desenvolver de forma anaeróbica (CLEMENTS et al., 2002).
Com uma vasta aplicação em áreas relacionadas à biotecnologia, que vão desde estudos com
biofilmes, a produção de antibióticos, enzimas e etc... É amplamente adaptado, capaz de crescer
em variados ambientes, como solo, raízes de plantas e trato gastrointestinal de animais (EARL;
LOSICK; KOLTER, 2008). Na biotecnologia é utilizado para manter e/ou aumentar a
produtividade de culturas sob condições de estresse biótico e abiótico (HASHEM et al., 2019).
E o gene ProBA desse bacilo foi identificado como tolerante ao sal, podendo ser usado para
produzir plantas transgênicas tolerantes ao estresse salino, através de biotecnologia avançada
(ABBAS et al., 2019). As infecções em humanos são pouco frequentes e estão relacionadas ao
consumo frequente e em alta quantidade de alimentos e ou pão com aspecto ‘pegajoso”,
podendo levar danos ao fígado (LOGAN, 2012).
Conforme Logan (2009), o crescimento de B. subtilis é possível na presença de até
7% de NaCl, algumas linhagens toleram concentrações em 10% desse sal. Diferente do
observado nas soluções salinas 30% do grupo SPT1, em que essa espécie se manteve presente
no decorrer dos 120 dias do experimento.
Bacillus megaterium surgiu na terceira análise microbiológica (em 80 dias) somente
nos grupos SPT1, SCT1 e SCT2, indicando eliminação em 120 dias. Esse bacilo não foi
encontrado nos demais grupos no decorrer do experimento.
Bacillus megaterium é uma bactéria Gram-positiva, aeróbia, formadora de esporos
em forma de bastonetes, presente em diferentes habitats (VARY et al., 2007). As infecções
70
por esses bacilos são raras. Os achados estão relacionados ao olho (RAMOS-ESTEBAN,
2006), à pele (DUNCAN; SMITH, 2011), ao cérebro (GUO et al., 2015) e, em um relato de
caso, envolvendo pleurite (CRISAFULLI et al., 2019). Atualmente, o bacilo tem sido utilizado
como agente de controle biológico de pragas em cultura de arroz, reduzindo o uso de pesticidas
(KANJANAMANEESATHIAN et al., 2009) e contra doenças fúngicas no pós-colheita,
causados pelo Aspergillus flavus (KONG et al., 2010). Na biotecnologia tem sido utilizado
como fonte de proteína recombinante (VARY et al., 2007).
Dietzia cercidiphylli apareceu apenas no grupo SCT2 em 0 dias, desaparecendo nas
análises subsequentes, confirmando a baixa tolerância a soluções supersaturadas de cloreto de
sódio 30%. Não foi detectada a presença dessa bactéria nos demais grupos salínicos e no formol
10%.
As bactérias Dietzia spp. são aeróbicas, Gram-positivas, não móveis, não
formadoras de esporos e não ácido-resistentes. As bactérias desse gênero são encontradas em
ambientes marinhos, hospitalares e no solo (NIWA et al., 2012). Há poucos relatos de infecções
clínicas envolvendo-as. Observaram-se infecções por D. maris associada à bacteremia
(BEMER-MELCHIOR et al., 1999), à prótese de quadril (PIDOUX et al., 2001) e em região
de dissecção aórtica (REYES et al., 2006). Quanto à Dietzia cercidiphylli não há associação
relacionada a infecções humanas, diferente da D. natronolimnaea (PILARES et al., 2010). Há
estudos com indicações futuras da utilização do Dietzia cercidiphylli C-1 na biorremediação de
solo contaminado com óleo extrapesado (DAI; YAN; GUO, 2017). Dietzia spp. são tolerantes
até 10% de NaCl e crescem em temperaturas entre 10 e 37 °C, sendo a temperatura ótima de
crescimento em torno de 28 °C (LI et al., 2008).
O Citrobacter freundii foi encontrado apenas na terceira análise microbiológica (em
80 dias) do grupo SPT1, sendo eliminada na análise subsequente, mostrando ser pouco tolerante
a ambientes salínicos supersaturados. O gênero Citrobacter, da família Enterobacteriaceae,
possui 13 espécies, até o momento. Destas, a Citrobacter freundii e Citrobacter koseri estão
entre as que mais causam infecções em humanos e animais, além de estar presente em diversas
fontes ambientais (PORRES-OSANTE et al., 2015).
Citrobacter freundii é um bacilo Gram-negativo oportunista (ANDERSON et al.,
2018), não esporulado, anaeróbio facultativo, móvel e possui flagelos (JANDA et al., 1994).
Podem ser isolados de vários ambientes como alimentos, água, esgoto e solo (LIU et al., 2017).
Causam um amplo espectro de infecções em tratos gastrointestinal, urinário e respiratório,
infecções em feridas, abscessos e corrente sanguínea (SAMONIS et al., 2009; HAMMERUM
et al., 2016; JIMÉNEZ et al., 2017; ANDERSON et al., 2018; LIU et al., 2018; PLETZ et al.,
71
2018), além de intoxicação alimentar humana e diarreia (BAI et al., 2012; LIU et al., 2017).
Em casos mais graves, podem levar a septicemias e meningite em neonatos e endocardites
(SAMONIS et al., 2009; LIU et al., 2018). É comum encontrá-lo colonizando o trato intestinal
de animais vertebrados, incluindo humanos (ARANA et al., 2017). Em suínos, a Citrobacter
freundii afeta a saúde e o desempenho do crescimento na fase de desmame ao desequilibrar a
formação e manutenção da microbiota intestinal (HIDAYATULLAH et al., 2020).
Paenibacillus etheri foi encontrado em SPT2 nos intervalos de 40 e 80 dias, sendo
eliminado após os 120 dias. As bactérias do gênero Paenibacillus são saprófitas, vivem,
normalmente, no solo, mas podem ser isolados de hemoculturas de escarro humano, raízes e
sementes de plantas, alimentos, solo agrícola ou solos minerais (BERGE et al., 2002; ROUX;
RAOULT, 2004; SCHELDEMAN et al., 2004). Algumas espécies estão envolvidas na
degradação de poluentes ambientais como hidrocarboneto aromático, xilana e naftaleno
(DAANE et al., 2002; KHIANNGAM et al., 2011).
O gênero Paenibacillus abrange aproximadamente 200 espécies até o momento,
incluindo habitats de solo, água doce, humanos e rizosfera de plantas. As células são bastonetes
móveis, Gram-positivas, anaeróbios facultativos. As colônias são creme, ovóides, lisas com
margens inteiras irregulares. O crescimento é observado em pH entre 7−8, temperatura entre 5–
50 °C, com tolerância máxima ao NaCl de 0,8 %. As condições ideais para o crescimento são
em um pH em torno de 7,5, 0 % NaCl e 30 °C (GUISADO et al., 2016). O P. etheri apresenta
potencial para ser usado em tecnologias relacionadas à biorremediação pela capacidade que
possui em degradar o éter metil terc-butílico (GUISADO et al., 2015).
Aspergillus fumigatus foi encontrado em SPT1 e SPT2 em 80 dias do experimento,
sendo eliminado após os 120 dias. Em SCT1 e SCT2 apareceu em 40 e 80 dias, sendo eliminado
após 120 dias. E em FoT1 e FoT2 não foi detectada a presença desse microrganismo no decorrer
do experimento, confirmando a ação bactericida e fungicida do formol, segundo Krug (2011).
Aspergillus fumigatus pertence ao gênero Aspergillus, possuem bom crescimento a
37 °C e esporos que podem sobreviver à exposição a temperaturas de até 70°C (ALBRECHT
et al., 2010). É um fungo saprotrófico encontrado comumente no solo, embora se adapte e
prolifere em ambientes hostis. É considerado um patógeno oportunista responsável por
infecções pulmonares agressivas desencadeando quadros de morbidade e mortalidade (LATGÉ;
CHAMILOS, 2019). Podem levar a uma variedade de reações alérgicas e infecções sistêmicas
com risco de vida em humanos (PAULUSSEN et al., 2017). A colonização por A.
fumigatus acomete cerca de 30% dos pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica
(DPOC) (PASHLEY et al., 2012), sendo potencialmente mais grave em indivíduos
72
Com relação ao aspecto das soluções após os 120 dias, nenhum dos grupos
apresentou odor de putrefação e ou alteração de viscosidade, porém houve variação
significativa de coloração da solução apenas entre os grupos salínicos. Esta característica,
entretanto, não influenciou na qualidade de conservação das peças. A ocorrência da alteração
do odor e da viscosidade e ou a presença de microrganismos seriam fortes indicativos da
necessidade de substituição da solução salina 30% por uma nova.
A etapa de fixação, em formol a 10%, dos animais não ficou homogênea, algumas
peças apresentaram sinais de autólise antes da etapa de preservação, o que refletiu na qualidade
74
7 CONCLUSÕES
REFERÊNCIAS
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