Ato I
Dia 1
Estava chovendo um pouco, achei um
vilarejo e me abriguei em meio as ovelhas. Não foi
uma boa ideia, uma das ovelhas mastigou o cabo
de uma das minhas foices. Terei que achar um
ferreiro, maldita ovelha!
E pra piorar um cachorro de rua tentou me
atacar quando eu estava saindo, mas dei um susto
nele, aparentemente consegui impressionar as
lindas mulheres da vila.
Depois de algumas horas caminhando,
passei por uma cidade, tenho quase certeza que
um mestre de um velho amigo mora por aqui,
talvez ele possa me ajudar a consertar minha
arma.
Demorou um pouco mas finalmente
encontrei, Yuuto, o mentor. Não é querendo ser
rude, mas ele não me serviu de nada, além de me
receber com chá e meditação é claro.
De qualquer forma, não me livrou da minha
onda de azar, quando voltei a caminhar pelas
matas fui atacado por um urso.
Tentei intimidá-lo igual aquele cachorro,
mas não deu muito certo, deu para vê no olhar dele
que estava zombando de mim. Sinceramente, eu o
subestimei. Pensei que minhas habilidades fossem
o suficiente. Quando ele desferiu o primeiro golpe,
mesmo eu bloqueando já pressenti o que estava
por vir. Foi um MASSACRE o que aquela fera fez
comigo.
Dia 2
Quando acordei, estava ferido, mas por
sorte, ainda vivo, talvez minha onda de azar
tenha se encerrado. Será esse o preço por ter um
rostinho bonito?
Tentando encontrar algum lugar para
descansar, passo por uma cidade e vejo, um rapaz
sendo expulso de um bar. O nome dele era Kyo, um
jovem bondoso de olhos vermelhos. Conversamos
um pouco e convenci ele a me acompanhar.
No final da tarde, paramos em um templo
budista, eu fico lá para restaurar minha paz e
recuperar meus ferimentos por conta daquele
maldito urso. Fico lá durante alguns dias.
Dia 8
Depois do descanso, vou para uma cidade,
comandada pelo meu antigo clã, Usagi. Por motivos
óbvios passo o mais rápido possível. Por ironia do
destino, minha pressa me fez dar de encontro com
dois soldados. Pela minha péssima fama com o clã,
é óbvio que eles tentam me atacar.
Decepo os dois braços do primeiro, fazendo-
o morrer por sangramento. Defendo dois ataques
do segundo, mas em seguida enfio minha lâmina
nas suas entranhas, o matando dolorosamente.
Fazia meses que eu não matava alguém,
sinto como se fosse novamente a primeira vez. No
caminho, vejo uma fazenda em chamas. Kyo deseja
ajudar, mas eu o convenci a ignorar. Não somos
heróis. Ainda temos um grande caminho pela
frente.
Kyo um pouco rancoroso de minha atitude,
decide seguir seu próprio rumo, não brigamos,
apenas nos afastamos temporariamente. Ele
ainda é um moleque muito jovem e inocente, tem
muito o que aprender. No caminho vejo mais uma
fazenda em chamas, o que raios está acontecendo
nesse lugar?
Dia 9
Passando por mais uma cidade, decido dar
uma pausa no bar. Nesse bar encontro Kaoru, uma
jovem e guerreira moça com manchas estranhas
na pele. Não me parece algo contagioso, então vou
ignorar.
Volto a caminhar pela estrada, e percebo
Kyo, largado pela areia embaixo daquele sol
escaldante. Ele estava ferido, com um grande
corte na barriga. Disse que um homem chamado
Asahi o atacou e levou seus pertences a sangue
frio.
Obviamente ajudo ele e levo para o
curandeiro da cidade mais próximo, entretanto
quando estava saindo, fui parado por dois soldados.
Aparentemente tenho ficado famoso nos grandes
centros. O lado bom da fama, é que bastou os
soldados me reconhecerem que eles me liberaram
facilmente.
Preciso poupar minhas lâminas, eu preciso
vingar Kyo. Seja lá quem seja esse Asahi, não vai
durar muito tempo.
Por ironia do destino, vejo algum vagabundo
pervertido atacando Kaoru, a moça do bar. Eu me
intrometo na situação, e o vagabundo tenta me
atacar. Eu bloqueio sem muita dificuldade e o
derrubo no chão. Apenas o nocauteio e então
converso um pouco com Kaoru. Ela conta sobre sua
vontade de fazer o certo. Eu menciono sobre o que
aconteceu com Kyo, mas não foi uma boa ideia, já
que mesmo não o conhecendo, ela deseja vinga-lo
tanto quanto eu por conta de seu grande fervor
em fazer justiça com suas próprias mãos.
Eu e ela seguimos estrada até anoitecer.
Realmente me surpreende o fato de alguém querer
tanto fazer justiça, mesmo não tendo nada haver
com o ocorrido. Ela é uma pessoa no mínimo
peculiar.
A lua aparece brilhante no céu escuro e de
longe vejo uma silhueta se aproximando. A
descrição bate com a de Asahi. Kaoru rapidamente
avança contra ele, as espadas se chocam, ela
parece estar na desvantagem. Ambos se atacam
e defendem seguramente. A lua banha a estrada
deserta e ambos se preparam para atacar ao
mesmo tempo, os ataques colidem e a lâmina de
Kaori se parte. Mesmo assim Kaori a vontade de
Kaori domina, ela o ataca mesmo com a lâmina
quebrada e Asahi também. Os golpes se anulam.
Kaori sem defesas, num ato de coragem, perfura
o pescoço de Asahi com a lâmina quebrada.
A lua testemunha o sangue de Asahi
manchando a estrada.