1.
Justiça Substantiva
O que é: É a ideia de que a justiça possui um valor absoluto, universal e
objetivo, independente do que está escrito em leis humanas.
A lógica: Serve como um padrão superior para avaliar se as leis existentes são
justas ou injustas.
Fontes: Pode ser racional (baseada na própria lógica humana) ou divina
(baseada em desígnios de Deus ou deuses).
2. Justiça Legal
O que é: É a justiça definida pelo conjunto de leis (ordenamento jurídico) criado
pelo Estado.
A lógica: É dependente de atos legislativos. Aqui, o que está na lei é o que
define o que é justo; se algo é permitido pela lei, é considerado justo; se é
proibido, é injusto.
3. Justiça Distributiva
O que é: Trata de como o Estado divide benefícios, ônus, bens e obrigações
entre os cidadãos.
A lógica: É uma relação vertical ("de cima para baixo"). Para aplicá-la, usa-se
um critério:
o Igualdade formal: Todos recebem o mesmo, de forma aritmética.
o Distribuição proporcional: Iguais recebem igualmente e desiguais recebem
desigualmente, conforme suas necessidades.
o Mérito: O que cada um recebe depende do seu esforço ou produtividade.
4. Justiça Social
O que é: Uma evolução da justiça distributiva que busca não apenas equilibrar
bens econômicos, mas promover a inclusão de grupos historicamente
desfavorecidos.
A lógica: O Estado cria mecanismos de proteção específicos para reduzir
desigualdades sofridas por minorias ou grupos vulneráveis (como mulheres,
negros ou homossexuais).
5. Justiça Corretiva
O que é: Focada no restabelecimento da igualdade entre indivíduos após uma
violação (ex: quebra de contrato).
A lógica: É uma relação horizontal (entre iguais). É formal e objetiva: busca
apenas corrigir o desequilíbrio causado pelo descumprimento de um acordo,
sem analisar as peculiaridades subjetivas das pessoas envolvidas.
6. Justiça Punitiva
O que é: A forma como a sociedade lida com infrações (campo penal). Divide-
se em dois tipos:
o Retributiva: Foca em punir o infrator de forma proporcional ao dano causado
(ideia histórica de "olho por olho").
o Maximização do bem-estar: Foca em educar e reabilitar o infrator,
entendendo que o crime pode ser fruto de falta de oportunidades, visando
reinseri-lo na sociedade.
A relação entre o Direito e a justiça é um dos pilares da filosofia jurídica. Como o texto
aponta, essa conexão não é única, mas sim interpretada de formas distintas dependendo
da visão teórica adotada.
Abaixo, apresento um resumo das três formas principais de compreender essa relação:
1. Relação de Identidade
Nesta visão, Direito e justiça são considerados equivalentes ou sinônimos.
Visão simplista: Defende apenas que as palavras significam a mesma coisa, ignorando
as nuances técnicas de cada termo.
Visão juspositivista (sofisticada): Argumenta que, como não existe uma "justiça
substantiva" (universal ou divina), a justiça só existe dentro do que a lei estabelece.
Portanto, o que é lícito (legal) é justo, e o que é ilícito (ilegal) é injusto. Aqui, o
Direito não busca algo externo a si; sua finalidade é a ordem, a segurança e a
previsibilidade.
2. Relação de Finalidade
Aqui, o Direito não é a justiça em si, mas um instrumento para alcançá-la.
O Direito como meio: O Direito é uma ferramenta criada pela sociedade para
concretizar ideais de justiça.
Influência do Direito Natural: Esta visão pressupõe, na maioria das vezes, que existe
uma justiça substantiva (um ideal de justiça) que o Direito deve perseguir.
Impacto no conteúdo das leis: A forma como a justiça é compreendida molda o
sistema jurídico. Por exemplo:
o Se a justiça é vista como igualdade formal, o Direito será mais liberal e focado na
propriedade privada.
o Se a justiça é vista como distribuição proporcional (material), o Direito será focado
na prestação de serviços e proteção social pelo Estado.
3. Relação de Fundamentação
Esta é uma relação mais profunda onde a justiça serve como a medida de validade do
Direito.
Critério de existência: Não basta que uma norma seja produzida pelo Estado; para ser
considerada "lei" de fato, ela precisa estar de acordo com a justiça. Se uma norma é
injusta, ela perde sua validade.
Posição Jusnaturalista: Esta visão assume necessariamente que a justiça é um critério
superior ao próprio Direito.
Diferença sutil: Nem toda teoria que vê a justiça como "finalidade" do Direito a
considera um "fundamento de validade". Você pode acreditar que a lei deve tentar ser
justa (finalidade), sem necessariamente concordar que, se ela falhar em ser justa, ela
deixa de ser uma norma jurídica válida.
Para consolidar essas ideias, você gostaria de explorar como essas diferentes visões se
aplicam a um dilema jurídico específico, como a desobediência civil?
A teoria da "Justiça como Equidade" de John Rawls é um esforço fundamental para definir
como uma sociedade deve ser organizada para ser considerada justa. Diferente de teorias que
buscam apenas a eficiência ou a utilidade, Rawls coloca a justiça como o padrão básico de
qualidade de uma sociedade.
Para entender essa teoria, imagine o conceito central através deste diagrama:
1. A Posição Original e o Véu da Ignorância
Rawls não analisa a história ou a origem do Estado, mas cria um experimento mental:
Posição Original: Uma situação hipotética onde pessoas devem decidir as regras da
sociedade antes de nascerem nela.
Véu da Ignorância: Para garantir a imparcialidade, os participantes não sabem quem
serão na sociedade (não sabem sua classe social, talentos, gênero, religião ou sorte na
vida).
O objetivo: Como ninguém sabe se ocupará o topo ou a base da pirâmide social, todos
escolherão regras que protejam a todos, garantindo um "mínimo aceitável" mesmo
para quem estiver em pior situação.
2. Os Dois Princípios da Justiça
Após o debate sob o "véu", Rawls conclui que racionalmente chegaríamos a dois princípios
fundamentais:
A. Princípio da Liberdade
Todos devem ter o direito ao mais amplo sistema de liberdades básicas (expressão, voto,
propriedade, etc.) que seja compatível com a mesma liberdade para todos os outros. A
liberdade individual é a prioridade absoluta.
B. O Segundo Princípio (Desigualdade e Oportunidade)
As desigualdades sociais e econômicas só são permitidas se cumprirem dois requisitos:
Princípio da Diferença: As desigualdades devem resultar em benefícios para os
membros menos favorecidos da sociedade. Se a desigualdade não ajuda quem está na
pior, ela deve ser corrigida.
Princípio da Oportunidade Justa: Cargos e posições sociais devem estar abertos a
todos sob condições de igualdade real de oportunidades, não apenas formal.
Resumo Comparativo dos Princípios
Princípio Foco Principal O que ele garante?
Direitos
Liberdade Liberdades básicas iguais para todos.
Individuais
Economia e Que a desigualdade só exista se melhorar a vida dos
Diferença
Sociedade mais pobres.
Que todos tenham chances reais de ascensão,
Oportunidade Carreira e Cargo
independentemente da origem.
Por que é "Equidade"?
Rawls chama sua teoria de "Justiça como Equidade" porque o método utilizado (o véu da
ignorância) impede que qualquer pessoa manipule as regras em benefício próprio. A equidade
surge do fato de que, sem saber a sua posição na linha de partida, você naturalmente optará
por um sistema onde a sorte não condene ninguém a uma vida indigna.
Para que você possa fixar esse conteúdo, gostaria de discutir como esses princípios de Rawls se
comparariam, na prática, com políticas de cotas ou com um sistema de impostos progressivos?