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Sono

O documento explora o sono, seus cinco estágios, a relação entre sonhos e sono REM, e o ciclo circadiano humano. O sono é uma necessidade fisiológica, com estágios que variam entre sono leve e profundo, sendo o sono REM o momento em que ocorrem os sonhos. A neurociência e a psicanálise oferecem diferentes perspectivas sobre a natureza dos sonhos e sua importância para a memória e aprendizagem.
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O documento explora o sono, seus cinco estágios, a relação entre sonhos e sono REM, e o ciclo circadiano humano. O sono é uma necessidade fisiológica, com estágios que variam entre sono leve e profundo, sendo o sono REM o momento em que ocorrem os sonhos. A neurociência e a psicanálise oferecem diferentes perspectivas sobre a natureza dos sonhos e sua importância para a memória e aprendizagem.
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Unidade de Aprendizagem 7 - Sono,

sonhos e ritmos circadianos

Apresentação

O sono é objeto de estudo pela neurociência há pouco menos de 100 anos, apesar de estar
presente na vida dos seres humanos desde a origem das espécies. Hoje, devido aos estudos por
meio de imagens, já é possível mapear a atividade cerebral durante o sono de uma pessoa, e isso
nos permite saber que ele é composto por cinco estágios, que se repetem algumas vezes em uma
noite, durante as fases de sono REM e sono não REM.

Com o estudo do sono surgem os questionamentos sobre os sonhos: como e por que eles
aparecem? Existem aqueles que acreditam que os sonhos são manifestações do inconsciente,
outros acreditam que é o resgate de memórias visuais que se apresentam de forma a compor uma
história. Geralmente uma pessoa necessita de 8 horas de sono por noite para reestabelecer as
funções do organismo para as outras 16 horas que vai ficar acordada desempenhando suas
atividades do dia a dia. A esse ciclo de 24 horas dá-se o nome de ritmo circadiano.

Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer um pouco mais sobre o sono e todos os ciclos
que o compõem, além de aprender sobre os sonhos e o ciclo circadiano de maneira objetiva e
aplicada ao dia a dia.

Bons estudos.

Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:

• Definir sono e seus respectivos estágios.


• Relacionar sonho e sono REM.
• Descrever o ciclo cicardiano humano.
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Sono, sonhos e
ritmos circadianos
Gleison Gomes da Costa

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

> Definir sono e seus respectivos estágios.


> Relacionar sonho e sono REM.
> Descrever o ciclo circadiano humano.

Introdução
O sono está presente na humanidade desde o surgimento do homem, afinal é uma
necessidade fisiológica e um comportamento selecionado filogeneticamente ao
longo de milhares de anos. No entanto, ele só começou a ser objeto de estudo
mais aprofundado a partir da década de 1950.
Os estudos sobre o sono realizados por Magalhães e Mataruna (2007) identifi-
caram que ele é composto por cinco estágios, que têm duração de 90 a 110 minutos
e são repetidos em um ciclo de sono completo, com duração média de oito horas
por noite. Esses estágios apresentam características e funções vitais para nosso
organismo e para nossa vida em sociedade, como, por exemplo, a recuperação
muscular, o descanso e a ativação dos campos da memória e da aprendizagem.
Não temos como falar em sono sem mencionar sonhos e o ritmo circadiano,
pois estes mantêm estreita relação com o primeiro. O ritmo circadiano é mais
conhecido por relógio biológico e tem duração de 24 horas, correspondentes a
um dia, e dentro desse ciclo está compreendido o tempo gasto com sono (apro-
ximadamente oito horas); durante o sono, temos diversos momentos em que
experienciamos os sonhos.
2 Sono, sonhos e ritmos circadianos

Neste capítulo, você vai estudar o sono e conhecer seus cinco estágios, suas
particularidades e funções, bem como os sonhos, suas origens e sua relação com
os estágios do sono. Por fim, vai reconhecer o que é o ciclo circadiano e qual é
sua importância para a vida dos seres humanos.

O sono e seus estágios


O sono, por muitos séculos, foi considerado uma etapa passiva da rotina diária
dos seres humanos, entendimento esse que passou a mudar a partir da década
de 1950, quando pesquisadores (FERNANDES, 2006; NEVES; MACEDO; GOMES,
2017; LESSA et al., 2020; MAGALHÃES; MATARUNA, 2007), principalmente do ramo
da medicina, começaram a estudar o sono, suas funções, seus benefícios e
os prejuízos advindos da sua privação.
De acordo com Fernandes (2006), com o avanço da tecnologia, os estudos
do sono foram obtendo novos formatos e produzindo resultados cada vez
mais robustos, baseados em imagens e monitoramento dos processos que
ocorrem no cérebro e no restante do organismo em tempo real.
Para essa investigação, são utilizados exames como o eletroencefalograma
(EEG), que tem por objetivo analisar a atividade elétrica cerebral espontâ-
nea; e o eletrocardiograma (ECG), que avalia a atividade elétrica do coração.
Atualmente, um exame muito indicado para avaliar a qualidade do sono é a
polissonografia, que, por meio da fixação de sensores e eletrodos no corpo
do paciente, é capaz de monitorar os batimentos cardíacos, os níveis de oxi-
gênio no sangue e o padrão respiratório, o que torna possível o diagnóstico
de distúrbios do sono (FERNANDES, 2006).
O ciclo sono-vigília diz respeito ao nosso ciclo circadiano, no qual os
neurotransmissores são responsáveis por produzir substâncias que, durante
o dia, nos mantêm alerta e vigilantes, com diversas partes do nosso cérebro
ativas; já em outro momento, começam a desativar a produção das substân-
cias que nos mantêm acordados, e passamos a sentir sono (FELDMAN, 2015).
Os estudos realizados por Magalhães e Mataruna (2007) apontaram que o
sono pode ser dividido em cinco estágios cíclicos (estágio 1; estágio 2; estágios
3 e 4, conhecidos por fase delta; e estágio 5, também chamado de sono REM)
e que estão presentes durante os momentos em que estamos dormindo.
Logo, como o estágio 5 é conhecido como sono REM (rapid eye moviment, ou
movimento rápido dos olhos), os outros quatro estágios são chamados de
sono não REM (NREM).
No Quadro 1, serão apresentadas informações resumidas dos estágios do
sono; a seguir, detalharemos cada um deles.
Sono, sonhos e ritmos circadianos 3

Quadro 1. Os cinco estágios do sono

Tipo de sono Estágio Observações

NREM Estágio 1: passagem da fase de Sono leve.


vigília para o sono. Geralmente
é muito rápida (5 a 10 minutos).
A respiração fica lenta e
regular, a frequência cardíaca
diminui e os olhos fazem lentos
movimentos.

Estágio 2: sono um pouco Sono verdadeiro.


mais profundo, com
fragmentos de imagens e
pensamentos passando
pela mente. Esse estágio
corresponde a 50% do tempo
total de sono em adultos.
Os movimentos oculares
geralmente desaparecem,
músculos relaxam e há poucos
movimentos corporais.

Estágio 3: estágio mais Os estágios 3 e 4 são


profundo, com redução usualmente agrupados
adicional da frequência em um único estágio
cardíaca e da frequência e chamados de sono
respiratória. delta ou sono de ondas
lentas.
Estágio 4: esse é o estágio mais
profundo do sono e o despertar
se torna muito mais difícil.
Geralmente ele só ocorre
no primeiro terço da noite,
pois, depois disso, o sono só
costuma ir até o estágio 3.

Sono REM Estágio 5: O estágio dos sonhos. Compreende cerca de


Nesse estágio, há grande 20% do sono do adulto.
redução do tônus muscular e
paralisia muscular, além de
respiração irregular, aumento
da frequência cardíaca e
rápido movimento dos olhos; o
consumo de oxigênio cerebral
aumenta e há suspensão dos
reguladores da temperatura
corporal.

Fonte: Adaptado de Magalhães e Mataruna (2007).


4 Sono, sonhos e ritmos circadianos

Os cinco estágios do sono


No estágio 1, considerado o mais leve, por ser a transição entre o estado
de vigília e o de sono, é possível encontrar ondas cerebrais mais rápidas e
curtas. É um estágio que dura pouco tempo — geralmente, corresponde a 5%
do tempo total de sono. Ainda no estágio 1, é possível perceber a diminuição
na movimentação dos olhos e da musculatura (MAGALHÃES; MATARUNA, 2007).
Ainda de acordo Magalhães e Mataruna (2007), conforme o sono vai ficando
mais profundo, saímos completamente do estado de vigília e entramos no
estágio 2, no qual as ondas cerebrais vão ficando mais lentas e regulares.
Esse estágio é o mais duradouro quando estamos falando de adultos jovens
e adultos idosos. Quanto maior a idade, mais significativa é a presença desse
estágio no tempo total do sono, variando entre 40% e 80%.
Agora, passamos para o sono delta, que é formado pelos estágios 3 e 4 e
conhecido por ser a fase em que ocorre o sono mais profundo durante o ciclo
do sono. No estágio 3, o sono vai ficando ainda mais profundo, com ondas
cerebrais ainda mais lentas, e as frequências cardíacas e respiratórias ficam
significativamente reduzidas. Ao passar para o estágio 4, o sujeito atinge o
ponto de sono mais profundo, que só aparece nas primeiras horas da noite,
após iniciar o sono. No estágio de sono delta, é muito mais difícil despertar
uma pessoa, uma vez que ela está menos suscetível a estimulações externas
(ARAÚJO, 2007).
Os quatro estágios descritos compõem o tipo de sono conhecido por
NREM, que tem como principais características o relaxamento muscular com
manutenção do tônus, a progressiva redução de movimentos corporais, o
aumento progressivo de ondas lentas, a ausência de movimentos oculares
rápidos e a respiração regular (FERNANDES, 2006).
De acordo com Magalhães e Mataruna (2007, p. 106), o sono NREM, “[...]
além de contribuir para o repouso físico, pode também auxiliar o sistema
imunológico e estar relacionado aos ritmos do sistema digestivo”.
O 5º e último estágio do ciclo do sono é conhecido por sono REM, também
chamado de estágio dos sonhos, que está presente em aproximadamente 20%
do tempo total do sono em adultos. Feldman (2015) relata eventos curiosos
que acontecem nesse estágio: a frequência cardíaca aumenta e fica irregu-
lar; aumentam, também, a pressão arterial e a frequência respiratória; e os
olhos assumem movimentos rápidos de um lado para o outro. Embora haja
toda essa atividade, os músculos principais do nosso corpo parecem estar
paralisados, devido a uma grande redução no tônus muscular. Nesse estágio
Sono, sonhos e ritmos circadianos 5

também é possível observar a suspensão da homeostase corporal, que é a


regulação da temperatura corporal.
Durante o sono REM, áreas relacionadas à aprendizagem e à memória são
ativadas, o que pode auxiliar na recuperação e na retenção de conteúdos aos
quais o indivíduo foi exposto durante o dia.
Na Figura 1, é possível verificar os diversos ciclos pelos quais uma pessoa
em condições ideais de sono passa durante uma noite. Pode-se observar que
a maior parte do tempo é no estágio 2 e que há uma jornada de 8 horas de
sono, que é a normalmente indicada para adultos.

Figura 1. Estágios do sono em seus ciclos.


Fonte: Feldman (2015, p. 135).

Sonhos: de Freud à neurociência e o sono


REM
O estágio de sono REM é conhecido como o estágio dos sonhos. Sabemos que
os sonhos podem ser compreendidos pela abordagem psicanalista, proposta
por Freud, e pela abordagem da neurociência.
Para Freud (2019), de acordo com sua primeira tópica, o aparelho psíquico
é formado por três componentes: o inconsciente, o pré-consciente e o cons-
ciente. O consciente é uma pequena parte, que está aparente, e da qual o
indivíduo tem conhecimento; o pré-consciente é a parte que está latente e
pode ser facilmente acessada; e o inconsciente é a parte oculta, que contém
os instintos e pulsões, os quais não podem ser acessados livremente e in-
terferem na personalidade (LIMA, 2010).
6 Sono, sonhos e ritmos circadianos

Freud foi um dos primeiros a se interessar pelo estudo dos sonhos; ele
acreditava na manifestação de um conteúdo consciente e outro inconsciente
(manifestação segura do inconsciente, no qual poderia expressar seus desejos
reprimidos de maneira livre), como apontado por Cheniaux (2006, p. 170):

Possui um conteúdo manifesto, que é a experiência consciente durante o sono,


e ainda um conteúdo latente, considerado inconsciente. Este é composto por 3
elementos: as impressões sensoriais noturnas (por exemplo, a sensação de sede
durante o sono), os restos diurnos (registros dos acontecimentos da véspera) e
as pulsões do id (relacionadas a fantasias de natureza sexual ou agressiva). Esses
elementos do sonho latente tendem a fazer o indivíduo despertar.

No âmbito da neurociência, os sonhos são, geralmente, relacionados ao


estágio do sono REM — embora possam ocorrer nos outros estágios, porém
com menores frequência e intensidade. No sono REM, os estímulos perpassam
da ponte ao córtex central, passando pelo sistema límbico, áreas do cérebro
relacionadas à memória e à aprendizagem.
A Figura 2 apresenta imagens do funcionamento cerebral obtidas por meio
de ressonância magnética; a partir delas, é possível investigar a atividade
cerebral durante os estágios do sono, sendo possível perceber (manchas
vermelhas) maior atividade no estágio do sono REM e menos atividade no
estágio do sono NREM.

Figura 1. Atividade cerebral durante as fases do sono REM e não REM.


Fonte: Damião (2019, documento on-line).
Sono, sonhos e ritmos circadianos 7

De acordo com Cheniaux (2010), para Mark Solms, psicanalista e professor-


-chefe de neuropsicologia da Universidade de Cape Town, o sonho nasce no
sistema dopaminérgico mesolímbico-mesocortical, que envolve as seguin-
tes áreas: “[...] tegmentar ventral do mesencéfalo, o núcleo acumbente, o
hipotálamo, o córtex pré-frontal e o córtex cingulado anterior” (CHENIAUX,
2010, p. 173).
Quando entramos no sono REM, conhecido como movimento rápido dos
olhos, são acessadas imagens da memória visual que, em princípio, podem
ser aleatórias e desvinculadas de qualquer sentido, mas que, em momento
posterior, assumem uma narrativa e dão sentido para o sonho. Geralmente,
os sonhos estão relacionados a eventos do cotidiano, com base nas memórias
visuais, auditivas, sensoriais, que, ao serem acessadas durante o sono, criam
narrativas não incomuns para quem está sonhando. Com certeza você já
deve ter sonhado com coisas relacionadas ao seu trabalho ou à sua rotina de
estudos, com pessoas que você já conhece bem ou até mesmo com pessoas
que você só viu uma vez. A neurociência explica isso por meio da teoria da
síntese de ativação, de Hobson e McCarley (1977), que foi posteriormente
refinada pela teoria da modulação da informação de ativação (AIM) (MILHORIM;
CASARINI; SCORSOLINI-COMIN, 2013).
Já na visão psicanalista, os sonhos podem expressar uma mensagem e
têm um significado para cada indivíduo. Por meio de sua terapia, Freud (2019)
buscava fazer associações entre o conteúdo relatado do sonho aos traumas
e desejos das pessoas, a fim de encontrar respostas para os conteúdos
reprimidos.
Para muitos, ainda é válida a explicação de Freud para os sonhos, mas
para outros a explicação da neurociência é a mais importante, pois os estudos
avançam significativamente com o uso de tecnologias que permitem mapear
as áreas do cérebro que são ativadas e as respostas fisiológicas. O que já
está observado é que os sonhos ocorrem, em sua grande maioria, durante
a fase REM.

O ciclo circadiano humano


Você já deve ter parado para se perguntar: por que sentimos sono no período
da noite e não durante o dia? Qual é a origem daquele sono no meio da tarde?
Como as pessoas do outro lado do planeta estão acordadas enquanto você
está dormindo? Qual é a razão de dormirmos por mais tempo e com mais
qualidade quando está tudo escuro?
8 Sono, sonhos e ritmos circadianos

Muitas das respostas para esses questionamentos vão ao encontro da


definição de ritmo circadiano, que, segundo Araújo (2007, p. 286), “[...] é o
funcionamento de um organismo no período de 24 horas” e que nos faz
oscilar em ter vigília e sono.
A Figura 3 demonstra um exemplo de ritmo circadiano, com detalhamento
das etapas do dia. Pode haver mudanças entre pessoas de culturas diversas
no que diz respeito ao horário e aos hábitos, porém o ciclo é composto de
24 horas para todos.

Figura 3. Ciclo circadiano.


Fonte: Active Pharmaceutica (2021, documento on-line).

O controle do ritmo circadiano é realizado pelo núcleo supraquiasmático


localizado no hipotálamo (no sistema nervoso central), que sofre grande
influência da incidência ou não de luz, o que pode variar de acordo com
o horário do dia ou da noite e com o ambiente ao qual está exposto, por
exemplo (ARAÚJO, 2007).
É muito comum que os efeitos do desrespeito ao ciclo circadiano sejam
sentidos por pessoas que viajam de uma localidade para outra, com diferença
significativa de fuso horário. O chamado efeito jet lag, considerado um tipo de
transtorno do ritmo circadiano de sono-vigília, promove a ruptura do ritmo
circadiano, exigindo que o relógio biológico se adapte às novas condições.
Sono, sonhos e ritmos circadianos 9

Atualmente, diversos estabelecimentos no Brasil e no mundo ofere-


cem o tratamento para minimizar os efeitos advindos da mudança
de fuso horário, conhecidos como jet lag.
O tratamento é conhecido por terapia da luz, no qual luzes artificiais simulam
a luz solar à qual o paciente é exposto por períodos de tempo (a depender do
impacto da mudança de fuso no ritmo circadiano).
Essas luzes têm o propósito de ativar regiões no cérebro responsáveis pela
produção de neurotransmissores, como dopamina e serotonina.

Por vezes, o organismo que foi submetido a uma mudança no ritmo cir-
cadiano apresenta resistência para se adaptar à nova situação, afetando
o ciclo vigília-sono. Com essa demora em se adaptar, o indivíduo passa a
dormir menos horas do que o necessário para o perfeito reestabelecimento
das funções do organismo, o que causa, assim, no dia seguinte, sonolência,
irritabilidade, dificuldade de concentração, dentre outras que afetam di-
retamente as rotinas diárias pessoais e profissionais, causando impactos
negativos (ARAÚJO, 2007).
Com base na dificuldade de adaptação, as pessoas comumente recorrem
a médicos para que o ajuste seja feito por meio de interação medicamentosa,
com remédios para dormir. Contudo, assim como o uso de qualquer remédio
de efeito psicotrópico, deve ser acompanhado de perto e por tempo limitado,
a fim de evitar dependência do organismo e ser mais difícil o desmame da
medicação.
No entanto, não é apenas a luz que causa alteração no ritmo circadiano;
a rotina de vida, como alimentação, prática de atividade física, alterações
hormonais, dentre outras, pode alterar o ciclo (NEVES; MACEDO; GOMES, 2017).
Logo, de acordo com Feldman (2015), para garantir um bom funcionamento do
ritmo circadiano, é necessário manter hábitos alimentares mais saudáveis,
com refeições em horários bem definidos e regulares, alimentos ricos em
nutrientes; praticar atividade física durante o dia, preferencialmente pela
manhã, com breves cochilos no decorrer do dia, tudo em busca de melhora
no ritmo circadiano e melhora da qualidade do sono.

Referências
ACTIVE PHARMACEUTICA. O papel do ciclo circadiano na homeostase da microbiota
intestinal. 2021. Disponível em: [Link]
-do-ciclo-circadiano-na-homeostase-da-microbiota-intestinal. Acesso em: 30 jul. 2021.
ARAÚJO, A. J. Medicina das viagens aéreas. In: JANSEN, J. M. et al. (org.). Medicina da
noite: da cronobiologia à prática clínica. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2007. p. 283-298.
Exercícios

1) O ciclo do sono é composto por cinco estágios. Ele se alterna entre sono e vigília, passando
pelas fases do sono mais profundo até o sono REM.

Com base nos estágios do sono, avalie as alternativas a seguir e marque a opção que
apresenta os itens corretos:

I. Os estágios 3 e 4 são conhecidos por serem as fases mais profundas do sono e comumente
conhecidos como estágios do sono REM.

II. O estágio 5 é conhecido como sono REM e representa aproximadamente 20% do tempo
total de sono.

III. Um ciclo completo de sono apresenta tempo total de sono de 210 minutos.

A) I e III.

B) I e II.

C) Apenas III.

D) Apenas II.

E) II e III.

2) Os estudos apontam a importância do sono para os seres humanos, bem como as possíveis
consequências da sua privação.

Sobre as funções do sono, assinale a alternativa correta.

A) O sono, embora algumas pessoas considerem muito importante, não é necessário para a
sobrevivência da espécie humana, pois é possível desenvolver estratégias para repor as
energias e o funcionamento do sistema nervoso por meio de medicações.

B) O sono é importante para o funcionamento do sistema nervoso e para o bem-estar físico e


mental. É fundamental para a sobrevivência do ser humano, atuando na reposição de energias
e no fortalecimento do sistema imunológico.
C) O sono é importante para o funcionamento do sistema nervoso e para o bem-estar físico e
mental. Apesar dessa importância, ele não se relaciona à reposição de energias e ao
fortalecimento do sistema imunológico, de modo que é saudável haver alguns turnos
prolongados de privação do sono.

D) O sono é importante para o funcionamento do sistema nervoso e para o bem-estar físico e


mental, tanto que nos idosos é comum observar aumento nos períodos de sono, chegando a
10 horas, mesmo com a necessidade de sono reduzida.

E) O sono é importante para o funcionamento do sistema nervoso e para o bem-estar físico e


mental. Embora ele seja fundamental, pode-se permanecer sem dormir e com privação de
sono por dias sem, necessariamente, sentir os efeitos dessa privação.

3) Durante o sono há alguns estágios nos quais os sonhos são mais frequentes e estágios nos
quais o cérebro se mantém mais ativo que em outros.

Considerando que os sonhos ocorrem com mais frequência no estágio do sono REM, quais
das características a seguir podem ser compreendidas como presentes durante os sonhos?

A) Menor atividade cerebral e movimento dos olhos mais agitado.

B) Movimento dos olhos lento e maior atividade cerebral.

C) Movimento rápido dos olhos e maior atividade cerebral.

D) Movimento dos olhos lento e menos atividade cerebral.

E) Movimento dos olhos rápido e nenhum acesso às imagens da memória visual.

4) Os sonhos já foram objeto de estudo da psicanálise, quando Freud escreveu o seu famoso
livro A interpretação dos sonhos, publicado em 1899, e, mais recentemente, desde a década
de 1950, têm sido objeto de estudo da neurociência.

Com base nisso, assinale “V” para verdadeiro e “F” para falso nos itens a seguir e depois
escolha a alternativa que corresponde à sequência formada:
( ) Uma das explicações do sonho para a neurociência são os conteúdos do consciente e do
inconsciente.

( ) Os sonhos são muito frequentes no estágio 4, que é o mais profundo e conhecido como
"sono REM".

( ) O movimento rápido dos olhos é quando os olhos fechados se movimentam de maneira


acelerada, de um lado para o outro, como se estivessem assistindo às cenas de um filme.

A) F – F – V.

B) F – V – F.

C) V – F – F.

D) F – V – V.

E) V – F – V.

5) O ritmo circadiano, também conhecido como "ciclo circadiano", ou "relógio biológico", é o


período de 24 horas no qual o organismo atua de maneira coordenada, emitindo sinais que
manterão em funcionamento nosso estado de vigília ou de sono.

Em qual lugar do sistema nervoso central é realizado o controle do ritmo circadiano?

A) No núcleo supraquiasmático (localizado no tálamo).

B) No núcleo supraquiasmático (localizado na ponte).

C) No núcleo supraquiasmático (localizado no sistema límbico).

D) No núcleo supraquiasmático (localizado na medula espinal).

E) No núcleo supraquiasmático (localizado no hipotálamo).

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