Parasitologia
Carrapatos de Importância Veterinária
UNIPAC - Barbacena
Módulo Topázio - 2026/1
Medicina Veterinária
Professor Rodrigo Miranda
Importância na Medicina Veterinária
● Impacto econômico na bovinocultura
● Relevância na clínica de pequenos animais
● Papel como vetores de hemoparasitos
● Importância em saúde pública
Classificação Geral
● Filo Arthropoda
● Classe Arachnida
● Ordem Ixodida
● Famílias: Ixodidae (carrapatos duros) e Argasidae (carrapatos moles)
Ácaros na Parasitologia: Carrapatos e Sarna
Diferenças Ixodidae × Argasidae
Ixodidae (duros):
● Presença de escudo (escutum)
● Capítulo visível dorsalmente
● Alimentação prolongada
Argasidae (moles):
● Ausência de escudo
● Capítulo não visível dorsalmente
● Alimentação rápida e repetida
Anatomia Externa Importante
● Capítulo (gnatossoma)
● Hipostômio
● Escudo dorsal
● Dimorfismo sexual
● Placas adanais (quando presentes)
Morfologia Geral de Ácaros
Morfologia Geral de Ácaros
● Idiossoma (corpo)
● Gnatossoma (aparelho bucal)
○ palpos (função sensorial), quelíceras (para cortar a pele) e hipostômio (canal alimentar).
● A fase larval tem três pares de patas, e as ninfas e os adultos têm
quatro pares de patas.
Metastigmatas - Presença de estigmas próximos aos
pares de patas distais
Família Ixodidae - Carrapatos Duros
Família Ixodidae (carrapatos duros) - Morfologia
Características Gerais:
● Aparelho bucal
○ Palpos, quelíceras e hipostômio
contendo dentes.
● Escudo dorsal
○ Cobre toda a face dorsal no macho e
somente um terço da face dorsal da
fêmea, ninfa e larva.
Aparelho bucal de carrapato. Palpos (1),
quelíceras (2) e hipostômio (3).
Hipostômio com dentes voltados para trás
Órgão de Haller
Estrutura sensorial presente na superfície dorsal do tarso I (primeiro par de
patas).
Figura 3.114 A. Vista ventral da coxa mostrando os esporões
interno e externo. B. Segmentos da perna de um carrapato
ixodídeo.
Escudo e dimorfismo sexual
O escudo dorsal completo no macho adulto e incompleto na fêmea.
Fêmeas ingurgitadas são muito maiores que os machos.
Ciclo de Vida dos Carrapatos
Ciclo de vida hemimetabólico - metamorfose
incompleta.
● Ovo
● Larva (6 patas)
● Ninfa (8 patas)
● Adulto
● Diferença entre ciclos de 1 e 3
hospedeiros
Figura 3.116 Ciclo evolutivo de um
carrapato ixodídeo.
Ciclo Geral dos Ixodídeos
● As fêmeas, após se destacarem dos hospedeiros, procuram um abrigo
próximo ao solo, onde põem, em média, 3 mil ovos
● A postura é contínua e dura vários dias. Terminada a oviposição, as fêmeas
morrem, o período de incubação varia de 17 a 60 dias
Ciclo Geral dos Ixodídeos
● O desenvolvimento do ovo até o adulto depende muito das condições de
temperatura.
○ As baixas temperaturas prolongam os estágios de desenvolvimento
● As larvas no ambiente
sobem pelas gramíneas e
pelos arbustos
● Esticam o primeiro par de
patas, onde está o órgão de
Haller (órgão sensorial
utilizado na detecção de
hospedeiros)
● Passagem do hospedeiro,
para o qual se transferem.
Carrapatos da Família Ixodidae no Brasil
● Carrapatos duros
● 4 espécies de maior importância no Brasil
Amblyomma cajennense e sculptum - Baixa especificidade
Rhipicephalus (Boophilus) microplus - Alta especificidade (bovinos)
Rhipicephalus sanguineus - Alta especificidade (carnívoros)
Dermacentor nitens - Alta especificidade (equídeos)
Gênero Amblyomma
● Escudo ornamentado (muitas espécies)
● Mais de 30 espécies no Brasil
○ Amblyomma sculptum (carrapato-estrela)
○ Amblyomma cajennense
○ Amblyomma ovale
○ Amblyomma aureolatum
● Peças bucais longas
● Geralmente ciclo de três hospedeiros Amblyomma americanum -
carrapato-estrela dos EUA
● Importância na transmissão de riquétsias
Amblyomma spp.
● “Micuim”
● Baixa epecificidade
● Principal vetor da febre maculosa no Brasil
○ Bactéria Rickettsia rickettsii
Morfologia do Amblyomma cajennense
Carrapato de Cavalos
● Gnatossoma mais longo do que largo
● Presença de olhos no escudo
● Geralmente com escudo ornamentado
● Festões presentes
● Placas adanais ausentes no macho
● Presença de estigmas em forma de
vírgula ou triângulo
Orifício genital (1), ânus (2), abertura
do estigma (3) de Amblyomma.
Ciclo de vida - Amblyomma cajennense
● Trioxeno (três hospedeiros para completar o ciclo)
○ todas as mudas são feitas fora do hospedeiro
Larva - Amblyomma cajennense
● Sobe no animal, alimenta-se até ingurgitar (em torno de 2 a 7 dias).
● Desce do hospedeiro e muda para ninfa.
Ninfa - Amblyomma cajennense
● Sobe no hospedeiro, alimenta-se até ingurgitar (5 a 10 dias) e desce do
animal.
● No solo, muda para adulto.
Adulto - Amblyomma cajennense
● Sobe novamente no hospedeiro para fazer o hematofagia (6 a 30 dias).
● A fêmea, depois de ingurgitada, vai ao solo, onde faz a postura contínua de 2
mil a 3 mil ovos.
○ Após 20 a 60 dias, dependendo das condições de temperatura e umidade, as larvas eclodem.
Rhipicephalus (Boophilus) microplus
● Carrapato do bovino
● Escudo não ornamentado
● Peças bucais curtas
● Ciclo de um hospedeiro
● Grande impacto econômico
Espécie Rhipicephalus (Boophilus) microplus
Características morfológicas
● Base do gnatossoma hexagonal com rostro e palpos
curtos
● Escudo sem ornamentação
● Olhos presentes
● Festões ausentes
● Estigmas arredondado
● Machos apresentam dois pares de placas adanais
desenvolvidas
● Hospedeiros. Bovídeos, mas pode ser encontrado
em outros hospedeiros domésticos e silvestres.
Ciclo biológico R. microplus
Monoxeno.
● A fase de larva a adulto 21 dias
● As fêmeas ingurgitadas
desprendem-se do hospedeiro e,
no solo, fazem a postura
● A oviposição pode durar vários
dias.
● As teleóginas realizam posturas de
3 mil a 4 mil ovos, que
permanecem aglutinados.
Ciclo biológico R. microplus
Larvas
● seis patas, eclodem no ambiente, sobem no hospedeiro, fazem hematofagia,
passam para metalarva e mudam para ninfas
Ciclo biológico R. microplus
Ninfas
● Adquirem mais um par de patas, se alimentam, passam a metaninfa e se
transformam em adultos machos ou fêmeas.
Ciclo biológico R. microplus
Adulto
● As fêmeas, quando aptas para a cópula, são chamadas de partenóginas e,
depois de copuladas, começam a ingurgitar e recebem o nome de teleóginas.
● Para ovipor, se soltam do hospedeiro e se escondem no ambiente em locais
sombreados para fazer a postura.
Importância de R. microplus na Medicina Veterinária
● Irritação local e perda de sangue que
favorece a formação de miíases no local
● Predisposição a infecções secundárias
● Anemia (Cada fêmea suga, em toda a sua
vida, 1,5 mℓ de sangue)
● Diminuição na produtividade de carne e leite
Importância de R. microplus na Medicina Veterinária
● Desvio de energia
● A picada produz lesões que causam a desvalorização do couro
● Substâncias tóxicas durante o repasto
● Os ácaros transmitem protozoários do gênero Babesia e a riquétsia
Anaplasma. Esses agentes, juntos, são responsáveis pela tristeza
parasitária bovina
Rhipicephalus sanguineus
● Carrapato do cão
● Adaptado a ambientes domiciliares
● Ciclo de três hospedeiros
● Importância na transmissão de hemoparasitos caninos
Espécie Rhipicephalus sanguineus
● Placas adanais em forma de vírgula
○ acentuado no macho e pouco acentuado na
fêmea,
● Olhos e festões presentes.
● Hospedeiros: Parasitas de cães, mas
pode parasitar também gatos e carnívoros
silvestres.
Ciclo biológico R. sanguineus
● Trioxeno (três hospedeiros para completar o ciclo)
○ todas as mudas são feitas fora do hospedeiro
● Larva: sobe no animal, alimenta-se até ingurgitar (em torno de 2 a 7 dias)
Desce do hospedeiro e muda para ninfa;
● Ninfa: sobe no hospedeiro, alimenta-se até ingurgitar (5 a 10 dias) e desce
do animal, No solo, muda para macho ou fêmea
● Adulto: Sobe novamente no hospedeiro para fazer a hematofagia (6 a 30
dias). A fêmea, depois de ingurgitada, vai ao solo, onde faz a postura
contínua de 2 mil a 3 mil ovos.
● Após 20 a 60 dias, dependendo das condições de temperatura e umidade, as
larvas eclodem.
Importância de R. sanguineus na Medicina Veterinária
● É comum em cães
● Grandes infestações provocam desde leve irritação até anemia pela ação
espoliadora de sangue
● O carrapato pode atacar qualquer região do corpo, porém é mais frequente
nos membros anteriores e nas orelhas
● É considerado o principal vetor da babesiose e erliquiose canina e a
transmissão da doença pode ser por via transovariana ou transestadial.
● Pode também transmitir vírus e bactérias e atacar o ser humano, causando
dermatites.
Dermacentor nitens
● Conhecido como carrapato-da-orelha-dos-equinos
● Parasita principalmente equinos (região auricular
e crina)
● Escudo não ornamentado (padrão mais discreto
que Amblyomma)
● Peças bucais relativamente curtas
● Ciclo de um hospedeiro
● Importante vetor de Babesia caballi (piroplasmose
equina)
● Pode causar otites, irritação intensa e perda de
desempenho em equinos
Figura 4.27 Fêmea de Dermacentor nitens. Escudo
incompleto sem ornamentação (1).
Ciclo biológico D. nitens
● Monoxeno (um único hospedeiro)
● Larva: sobe no animal, alimenta-se até ingurgitar e muda para ninfa (em
torno de 8 a 16 dias).
● Ninfa: alimenta-se até ingurgitar (7 a 29 dias) e transicional para adultos.
● Adulto: o acasalamento ocorre sobre o hospedeiro. Após a hematofagia a
fêmea, vai ao solo, onde faz a postura de até 3.500 ovos (entre 15 e 37 dias).
● Após 19 a 39 dias, dependendo das condições de temperatura e umidade, as
larvas eclodem.
Importância de D. nitens na Medicina Veterinária
● Estresse com redução de rendimento e aumento de mortalidade
● Dermatoses
● Predisposição a miíases
● Toxemia e paralisia (EUA) - toxinas da secreção salivar
● Transmissão de patógenos
○ Babesiose ou piroplasmose equina
Guia de diferenciação dos carrapatos duros Ixodidae
● Tipo de hospedeiro
● Ornamentação do escudo
● Formato e tamanho do aparelho bucal
● Presença/ausência e morfologia de estruturas:
○ Estigmas
○ Festões
○ Placas adanais
Figura 3.117 Diagrama da vista dorsal do gnatossoma
de seis gêneros de carrapatos ixodídeos: Ixodes (A);
Hyalomma (B); Dermacentor (C); Amblyomma (D);
Rhipicephalus (Boophilus) (E); Rhipicephalus (F);
Haemaphysalis (G). (Fonte: Smart, 1943.)
Diferenciação do Ciclo de Vida
Ciclo de Um Hospedeiro (R. microplus e D. nitens)
● Todas as fases no mesmo animal
● Alta infestação individual
● Forte impacto produtivo
Ciclo de Três Hospedeiros (Amblyomma e R. sanguineus)
● Cada fase em hospedeiro diferente
● Maior potencial de disseminação de patógenos
Família Argasidae - Carrapatos Moles
Família Argasidae
● Carrapatos moles
● Parasitam aves e alguns mamíferos
● Múltiplas posturas ao longo da vida
● Importância em criações avícolas
Família Argasidae (carrapatos moles) - Morfologia
Características Gerais:
● Ausência de escudo dorsal (não possuem scutum)
● Tegumento espesso, coriáceo e enrugado
● Capítulo (gnatossoma) localizado na face ventral, não visível dorsalmente
● Corpo ovalado e achatado dorsoventralmente
● Dimorfismo sexual pouco evidente
Família Argasidae (carrapatos moles) - Hábitos
● Alimentação rápida e repetida (vários repastos ao longo da vida)
● Realizam múltiplas posturas de ovos
● Maior associação com ninhos, abrigos e instalações (hábitat endofílico)
● Permanecem grande parte do tempo no ambiente, não continuamente sobre
o hospedeiro
● Maior longevidade em comparação aos Ixodidae
● Dificuldade de controle devido ao hábito ambiental
Espécies de importância veterinária no Brasil
● Argas miniatus – importante em avicultura, causando anemia, queda de
produção e irritação intensa em aves
● Ornithodoros brasiliensis – associado a mamíferos e potencial relevância em
saúde pública
● Otobius megnini – "carrapato da orelha", parasita o canal auditivo de
mamíferos como cães, cavalos e gado, causando otoacariase (irritação e
inflamação severa
Figura 4.34 Aparelho bucal (1) Figura 4.35 Ornithodorus sp.
Figura 4.38 Aparelho bucal (1) e
ventral e estigma respiratório (2) Aparelho bucal (1), corpo sem
espinhos no corpo de uma ninfa de
de Argas sp. Clarificado e borda lateral (2).
Otobius sp.
montado em lâmina.
Ciclo de vida de Argas miniatus e infestação em frango.
A – Fêmea de Ornithodoros rietcorreai associada a parasitismo humano e toxicoses, coletada em residências na área urbana de Russas,
Estado do Ceará (Fonte: Stefan Vilges de Oliveira).
B – Lesão cutânea (calcanhar) causada por picada de Ornithodoros brasiliensis, Estado do Rio Grande do Sul (Fonte: José Reck Jr. et al.,
2013).
C – Lesão bolhosa no punho causada por picada de Ornithodoros mimon, Estado de Minas Gerais (Fonte: Labruna et al., 2014; com
permissão do periódico da Oxford University Press).
Importância Geral dos Carrapatos
Impactos Econômicos
● Espoliação sanguínea
● Redução de ganho de peso
● Queda na produção de leite
● Custos com acaricidas
● Resistência parasitária
Importância em Saúde Pública
● Vetores de protozoários e bactérias
● Risco ocupacional → veterinários
● Interface animal–homem–ambiente
Transmissão de Hemoparasitos
● Babesiose
● Anaplasmose
● Erliquiose
● Mecanismos: transmissão transestadial e transovariana
Estratégias Gerais de Controle
● Controle químico racional
○ Aspersão, banho ou oral
○ Coleiras anti parasitas
● Rotação de princípios ativos
● Controle estratégico
● Manejo integrado
Síntese
● Principais gêneros no Brasil
● Diferenças anatômicas fundamentais
● Relação direta com hemoparasitoses
● Impacto econômico significativo
Discussão Final
Por que o ciclo biológico influencia diretamente
no sucesso do controle dos carrapatos?
Perguntas?
Muito Obrigado!
Referências
● TAYLOR, M. A.; COOP, R. L.; WALL, R. L. Parasitologia veterinária. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. ISBN 9788527732116.
● MONTEIRO, S. G. Parasitologia na medicina veterinária. Rio de Janeiro:
Roca, 2017. ISBN 9788527731959.