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Yagj : Daniel

Carlota sofre de pneumonia aguda, e Daniel se preocupa com sua saúde, demonstrando um amor profundo por ela. Após um período de convalescença, Carlota se recupera e ambos começam a planejar o casamento, mas a viagem de Daniel atrasa o pedido. Durante a separação, eles trocam cartas que revelam seus sentimentos, aumentando a expectativa pelo reencontro.

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Yagj : Daniel

Carlota sofre de pneumonia aguda, e Daniel se preocupa com sua saúde, demonstrando um amor profundo por ela. Após um período de convalescença, Carlota se recupera e ambos começam a planejar o casamento, mas a viagem de Daniel atrasa o pedido. Durante a separação, eles trocam cartas que revelam seus sentimentos, aumentando a expectativa pelo reencontro.

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yAgj^^

DANIEL.
CONTINUAÇÃO.

u»*

XI.

:>^^^^€'^^'^^
doença de Carlota fora uma pneumonia aguda. 0 me-
dico apenas chegou, deu logo as necessárias providen-
cias que o caso requeria. Toda a casa estava em pó. As
irmãs da doente assustaram-se com a idéa de alguma
cataslrophe, mas o tio logo as acalmou.
Quando Daniel entrou, a moça estava um pouco, me-
lhor; comtudo a doença apresentava-se com um carac-
ter grave, e o tio não o occultou ao rapaz, affirmando-
lhe porém que a gravidade não queria dizer perigo.
Imaginem a afflicção de Daniel.
Faltava-lhe ainda aquella prova terrível, a provada moléstia que faz
tremer pela vida da pessoa amada.
Sahíram de lá sobre a madrugada, e o velho Matheus não consentio
que Daniel fosse para casa; levou-o elle para a sua.
Parece-lhe, doutor, que Carlota não morre?
Affirmo,
Oh! se ella morresse !
Deixe-se de idéas fúnebres. Morrer, todos nós podemos morrer
T. Xllf.— Junho db 1875. 6
162 JORNAL DAS FAMÍLIAS. /

amanhã, ou d'aqui a uma hora; mas tanto quanto pode affiímar a scien-
cia, digo-lhe que Carlota não morre.
As palavras do velho tranquillisâram o rapaz; mas ainda assim foi ter-
rivel a noite que passou,
Ás sete horas da manhã foi o velho acordado em sobresalto.
Quem é? y
Sou eu.
Ahi Daniel! Que ha?
Não vae ver a doente?
Vieram chamar-me ?
~*Íao.
Que horas são ?
Sete.
Deixa-te d'isso; irei logo mais.
0 velho voltou-se para a parede, e Daniel sahio do quarto ancioso por
vel-o de pé em casa da doente.
Tinha razão o velho Matheus.
Aioença
de Garlota era grave c. podia dar^sé umacrise que a lev^P^
caracter deci-
para um mundo melhor; mas não se apresentava com esse
sivo.
Pelo contrario, Carlota amanheceu um pouco melhor.
A cura seguio-se lentamente. Foi chamado logo outro medico, excu-
sando-se por motivo do seu próximo parentesco, cousa que Daniel não
comprehendia, mas respeitava.
Era preciso o ver a dedicação, e solicitude com que Daniel procurava
ajudar os esforços de todos no tocante ao restabelecimento da moça.
Parecia um esposo ou um irmão. Mais do que isso, parecia um pae.
Garlota via tudo isso e agradecia-lhe do intimo d^aima todo aquelle
affecto não mentidQ , mas real e espontâneo , porque é sobre tudo nas
doenças que se conhecem os verdadeiros amigos.
Durante a moléstia de Garlota, que durou uns quarentas dias, Júlio
foi lá duas vezes fazer a visita de amigo da casa.
A moça finalmente entrou em convalescença, e se Daniel a não amasse
já antes, amal-a-hia então , tão poética lhe ficava a pallidez do rosto a-
batido, tão de enternecer era o pisado dos olhos.
Foi uma hora de intima e immensa alegria a de Daniel quando pela
primeira vez vio Carlota na sala, trajando um roupão branco, pouco
mais branco que a tez do rosto, estender-lhe a mão e lançar-lhe um d'esses
olhares que resumem um mundo de gratidão e de ternura*
JORNAL DAS FAMILIAS. 163
Obrigada! disse ella quando elle se sentou ao pé d'ella.
Porque ?
Pelo que me fez...
Perdão, interrompeu Daniel, nâo falle nisso ; eu não fiz nada...
nada que mereça agradecimento.
A entrada de Júlio, conduzido por Adelaide, veio a propósito para in-
terromper uma conversa que encarreirava mal.
Júlio deu graciosamente os seus parabéns a Carlota pelo seu restabele-
cimento , e fez a propósito um madrigal que fez sorrir á moça e aos
outros.
A conversa encaminhou-se então pelas considerações a respeito dado-
ença de Carlota que, se houvesse sido funesta, levaria para o céo uma
estrella que já lá devia estar.
Foi este o segundo madrigal de Júlio, que teve afortuna de ser egual-
mente applaudido por todos.
Adelaide achava um encanto particular em Júlio. A menor cousa que
elle dissesse era para ella um dito digno de um monumento.
Ninguém calçava melhor do que elle. Um collete ridículo no corpo de
outro achava Adelaide que nelle ficava um modelo.
Júlio tocava piano soffrivelmente. Não tardou que Adelaide lhe pedisse
alguma cousa ao piano, e elle que sabia acudir promptamente ao desejo
de uma senhora, não se fez de rogado.
Aqui o romance começa a ser menos serio do que tem sido. Os leito-
res perspicazes começam já a pensar que vamos ter umaFanny em scena
e que o senhor Júlio Tavares, tendo escapado á sepultura, quer pôr
indiscreta mão írum thalamo.
Pois, senhores, descansem que se todo o peccado do meu romance
-fosstresteririaelle~di-reit-iuho
para o céo , porque nem santo Antônio foi
mais casto que esta novella tem sido e ha de ser até que dc alma a Deus, o
que não poclc ir longe. A mctaphora quer dizer até que chegue ao ultimo
capitulo.
Não!
Adelaide de Azevedo, que Deus guarde , não era moça que infringisse
um só dos artigos do código matrimonial.
Era leviana, embora; não morria dc amores pelo marido, concedo;
mas infiel não era, nem seria jamais.
Porque?
O porque está no temperamento da moça e1 no receio que ella tinha
dos perigos e encommodos que traz uma aventura illegal c immoral»
104 JORNAL ÜAS FAMÍLIAS.

Virtude não era.


Mas os homens são tão generosos e tolerantes que não indagam da vir-
tude, nem se importam muito com ella; comtanto que o contracto ma-
trimoniai seja observado.
Azevedo , cumpre dizel-o, não via muito alegremente as finezas com
Julio era tratado Adelaide; mas não ousava fazer observação
que por
nenhuma. Como, porem, outros a pudessem fazer de si para si, Azevedo
tinha o cuidado de dizer a todos os instantes.
— Adelaide gosta tanto de Julio; pois se se conhecem ha tanto tempo 1
A verdade é que Adelaide divertia-se mais quando eslava com Julio do
estava com o Azevedo; o qual Azevedo não abria a
que quando joven
boca que não dissesse uma parvoice.
Tarde sahiram da casa de Azevedo os dois rapazes que tinham ido
visitar Carlota.
Eram dez horas da noite.
Daniel aproveitara os momentos que poude para conversar com Car-
lota, e tão encantado sahio que nem deu tempo a que Julio lhe iizesse
nenhuma pergunta; elle mesmo foi dizendo que era o homem mais feliz
do mundo.
Então?... pergunton Julio.
Sou cada vez mais amado. Imagina o que isto é! Amado por ella!
É a felicidade, é a suprema gloria a que eu poderia aspirar.
Temos, portanto, o casório?
Com certeza!
Quando a pedes ?
D'aqui a dias.
Mas emfim, que disseram vocês?
Aqui, entrou Daniel sua exposição de uma serie de particularidades
que as leitoras sabem de cõr7 porque uaturãlínente já terão amado ü
conversado com os respectivos namorados.
Foi noite de delicias aquella para o joven advogado. Quanto a Julio
foi ao Álcazar, e de lá seguio para Botafogo, onde passou o resto da noite.

XII.

Carlota restabeleceu-se completamente.


Saindo de uma grande enfermidade em que julgara perder a vida , a
moça julgou-se com duplo direito a felicidade.
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 165

A felicidade para ella era o casamento com Daniel. Ainda se não fallára
d'isso : mas ella confiava que o rapaz apressasse as cousas.
Recorreu ao tio para reatar a conversa interrompida dois mezes
antes.
O tio encarregou-se de tocar outra vez no assumpto, e com effeito diri-
gio-se a Daniel.
Pela sua parte, estava este disposto a casar quanto antes; e assim o
fez sentir ao velho medico.
Faltava o pedido em regra.
Daniel resolveu que o faria d'alli a quinze dias.
Até aqui pareciam marchar as cousas pelo seu pé, sem intervenção do
destino.
Era porém chegada a hora em que este intruso julgou dirigir os acon-
tecimentos.
Logo no mesmo dia da conversa entre Daniel e Matheus, teve o advo-
gado necessidade de ir no interior da provincia por causa de um pro-
cesso que trazia entre mãos.
A viagem era apenas de vinte dias; mas vinte dias para dois corações
que se querem eram vinte séculos, cu diria vinte eternidades se os voca-
bulos não se repellissem.
Daniel foi obrigado a adiar o pedido , tendo de partir logo no dia
seguinte.
Custou muito a Carlota d-espedir-se d'elle, e sé nâo estivesse completa-
mente boa, fora arriscado dar-lhe a noticia da viagem.
Quanto a Daniel, basta dizer que o não levava interesse nenhum, e
que, nem por um império deixaria de estar ao lado da moça, mas era
uma questão de honra; o moço.não queria parecer que desertava.
A separação foi dolorosa para todos.
* O velho medico vio entre outros inconvenientes, a demora da obra que
preparava com a ajudado advogado; Júlio não gostou de ver partir o
amigo que o salvara, e até quiz ir com elle.
Mas Daniel não consentio n'isso.
Em troca pedio-lhe um favor.
Qual ?
Ficarás aqui para communicares as minhas cartas a Carlota; e re-
metteres as minhas para ***.
Como quizeres.
Partio Daniel, depois d'este accordo com o amigo, sem que aliás hou-
vesse dito cousa alguma a^Carlota.
166 JORNAL ¦¦*.,.¦
DAS FAMÍLIAS.
Por isso grande foi o espanto da moça quando depois ;de alguns dias,
estando a conversar com Júlio a uma janella, este dissera :
D. Carlota tenho uma boa noticia para dar-lhe.
A mim? perguntou a moça espantada.
É verdade. Adivinhe.
Nâo posso. •
Veja bem.
feera...
<— É isso mesmo.
Isso que?, perguntou a moça que não julgava o rapaz sabedor do
seu amor.
Daniel escreveu-me, disse elle.
Ah! está bom?
Carlota affectava indifferença; mas a noticia produzira-lhe commoçâo.
Está bom, respondeu Júlio sorrindo, está bom, e pede-me que lhe
entregue isto.
Júlio tirou a carta do bolso e entregou-lh'a.
A moça pegou na carta, — eperguntoiK
Oqueé?
Não vê? É uma carta.
Uma carta para mim ?
Gomo as suas cartas serão para elle, e eu o intermediário de um e
de outro.
A moca não deixou de corar.
é

Porque ?
Não se sabe; mas corou.
Então sabe? perguntou Carlota.
^^^^CMsajLenhuma, respondeu-J^lior— ^-—. -
Mas dizia aquillo com um sorriso que a moça reconheceu ser a affirma-
tiva encoberta pela negativa, — e delicadamente encoberta.
Júlio comprehendeu que não convinha Gear alli, e retirou-se deixando
Garlota sozinha. A moça abrio immediatamente a carta que dizia assim :

« Minha querida Garlota,


« Aqui cheguei hoje mesmo e já me apresso a escrever-te, não só
por
te dar noticias minhas, como por conversar comtigo, o maior e mais doce
de todos os prazeres que eu posso ter hoje.
« Que viagem, Garlotal A tua imagem, sempre comigo, servia-me de
alento ao mesmo tempo que me matava de saudades por ti. Estive
quasi
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 167
lá. Cedi a considerações que tu comprehendes, as mesmas
a voltar para
me obrigaram a deixar essa cidade onde tu vives e que é para mim
que
a primeira do universo.
de certo.
« E tu? Terás pensado em mim tambem? Oh! eu o creio,
livremente escolheu
Porque não pensadas n'aquelle que o teu coração
entre tantos que tu conheces ?
seja ,
« Saudades sei que ast terás tambem, e lagrimas, lagrima que
espero que tu terás derramado pelo teu Daniel!
« Espero voltar para lá d'aqui a vinte dias; trabalharei por concluir
eu não
este negocio a que estava obrigado , e será o ultimo , porque
tenho nenhuma outra ambição do que viver a teu lado.
« Não escrevo a ninguém nem ao doutor Matheus, que eu chamarei
tu o tio Matheus. Só a ti escrevo, antes de mais ninguém, e espero
como
o nosso
receber uma resposta tua. Podes entregal-a ao Júlio , que será
intermediário.
« Escreve-me, sim?
« Adeos, meu querido anjo ! Até breve. »

leu c releu a carta; metteu-a depois no seio , e entrou a seis-


A moça
mar. Depois tirou a carta e leu mais duas vezes, demorando-se um pouco
nos períodos, e acabou beijando uma e mil vezes.
uma
Não se demorou em responder. No dia seguinte Júlio recebia
carta fechada que dizia assim :
'« o coração res-
Esquecer-me de ti ? Ingrato! Jamais se esquece que
ao nosso com os affectos tão puros e santos. Lagrimas e saudades,
ponde triste
Deus sabe se as tenho amargas e continuas. A tua carta achou-me
e alegrou-me; eu t'o agradeço.
«^olta-eedo,- meu amot; nãoimaginas comüJQU_passar_estes vinte
dias 1 Vinte dias! Será possível ? Vinte dias sem nos vermos!
« Não disse a ninguém, nem ao tio Matheus que me havias escripto;
me saibam tão feliz. Teriam inveja, e talvez isso fosse de
não quero que
máo agouro para o nosso amor. O tio Matheus não deixa de fallar-me
tem mais
em ti. É um bom velho aquelle, e quer me parecer que me
lisongeio
amor que ás minhas duas irmãs; é injustiça d'elle, mas eu me
com ella.
dizer-te tive uma grande surpreza quando Júlio
« Esquecia-me que
a tua carta; eu não sabia lhe havias confiado o nosso
me entregou que
elle vier hoje entregar-lhe-hei esta
amor. Parece ser bom moço; quando
para que t'a mande.
168 JORNAL DAS FAMÍLIAS.
<( Adeus! não te esqueças da lua Carlota. »
Júlio cumprio religiosamente a sua promessa , e a resposta de Carlota
seguio immediatamente para o seu destino.
Não lhe parece, D. Carlota, disse o moço ao receber a resposta da
moça, não lhe parece que eu estou fazendo um bonito papel ?
Carlota não achou que responder-lhe ; sorrio-se apenas, murmurando:
Mas...
Descance! estou brincando. Nada mais agradável para mim do que
contribuir para a felicidade de um amigo a quem devo a vida, e de uma
moça a todos os respeitos digna da admiração.
Obrigada! respondeu Carlota estendendo-lhe a mão.
Devo-lhe a vida !
O senhor ?
E verdade.
Salvou-o de algum desastre ?
De um grande desastre, salvou-me da morte a
que eu recorri como
um remédio extremo.

Que! pois então...
, — É verdade; questão de amores!
Amores infelizes?
Amores contrariados.
' Dizendo isto, Júlio tinha no
rosto uma expressão melancólica que dizia
bem a lembrança que lhe ficara da ingrata Cecilia.

Carlota notou a mudança.
k — Veja, portanto, continuou Júlio , se eu não deverei servir
a um
amigo a quem devo tanto... Porque não devo só a vida, devo-lhe as
consolações que ajudaram a minha cura.
- ——vCar4nta_achc^s<Mei^
n'essas confidencias mais um motivo para amar a Daniel,
que soubera
consolar um infeliz salvando-o da morte.
Era natural por tudo isto que se estabelecesse entre ambos maior
inti-
midade; Carlota escrevia amiudadas vezes a Daniel e este a Carlota.
As outras raparigas, porém, não sabiam de nada, viram com
olhos
de suspeita a intimidade dos dois; e Adelaide chegou a dizel-o
a Car-
lota :
Rei morto, rei
posto! ,
Não entendo, disse ella.
Não? Vai-se um Daniel, íica um Júlio.
Carlota sorrio-se e respondeu :
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 169
Não ha rei morto, nem rei posto, disse ella.
Mas o equivoco era de si tão curioso que Carlota confiou-o a Julio,
logo na primeira vez que o vio.
Porque lhe não diz o motivo das nossas conversas repetidas? disse-
lhe o rapaz.
Não!
'
Adelaide e Luiza acreditavam que effectivamente havia um rei morto e
um rei posto. Azevedo não tendo ouvido manifestação da parte de sua
mulher, achou prudente não arriscar a sua opinião que aliás era idêntica.
Quanto ao velho medico, posto que nâo freqüentasse muito a casa das
sobrinhas, comtudo não deixou de desconfiar na intimidade dos dois, e
nas poucas vezes em que tivera oceasiao de observal-a. Não deu palavra,
mas escreveu logo uma carta a Daniel em que lhe dizia esta phrase :
(( Meu rico, vem depressa. Temos por cá necessidade de ti. »
Daniel julgou que o velho medico alludia ao grande estudo histórico a
respeito da America, e não deu grande attençâo á phrase ; limitou-se a
dizer que iria brevemente.

(Continuar-se-ha.) CRISTAL.

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'V/v-N

T. XIII. 6.
QUEM BOA CAMA FAZ.
FIM.

TT7

A noite para Fernanda foi já povoada de mil pensamentos diversos ,


de que Ernesto era o principal assumpto. Pareceu-lhe evidente que o
rapaz amava alguém, mas sem esperanças ou pelo menos com tão poucas
como ella. Também não lhe pareceu fora de propósito que as meias pala-
vras de Ernesto alludissem a algum amor já passado e infeliz. Em ambos
os casos era uma alma cum quem a sua sympathisava; a egualdade dos
sentimentos e talvez das circumstancias os chamavam um para outra. A
rtw;ri~ _
istoinba juntar-se uma natural curiosidade feminil. De maneira que
'íi
^->

Fernanda, depois de pensar longo tempo na conversa de Ernesto, sonhou


com elle quasi toda a4noite.
D'ahi a quatro dias encontráram-se outra vez em casa do desembarga-
dor. Ernesto estava alegre como das outras vezes.
Ainda bem! disse-lhe ella apenas pode conversar com elle no sophá*
Porque? i
Porque o vejo mais alegre.
Oh ! é o meu gênio que me faí assim, não a minha estrella. A na-^
tureza foi mãe commigo; deu-me esta mascara.
Sabe de uma cousa? perguntou Fernanda sorrindoi
0 que é ?
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 171

Eu desejava...
Calou-se.
Desejava?...
Ser sua confidente, concluio Fernanda fazendo-se rubra.
Ernesto estremeceu tão naturalmente , que a moça olhou assustada
para as outras pessoas que estavam na sala.
Houve um momento de silencio.
Não tente encarar o inferno, disse Ernesto com melancolia; pode
cahir n'elle.
E ao mesmo tempo que dizia isto, tomou um ar alegre e estouvado.
Mas porque estou eu a dizer estas cousas? observou elle; são talvez
ridículas no seu espirito.
Oh! não! protestou ella.
A conversa tomou caminho diverso e jovial. Todo o esforço de Ernesfo
se resumia em parecer que affectava bom humor, mas que realmente
estava triste. A moça acreditou perfeitamente n'essa affectação. Sua sym-
pathia por semelhante estado do rapaz era já tamanha , que n'essa noite
apenas olhou para Luiz umas sete ou oito vezes. Nas outras noites regu-
lava por quarenta e tantas; houve uma noite de centõ~è~cincõ7\
No meio da conversa indifferente em que estavam todos, uma senhora
alludio em voz alta ao casamento de Fernanda e Luiz. A moça, que n'essa
oceasiao olhava para Ernesto, notou-lhe a dolorosa impressão que isto
produzio no rapaz; abaixou os olhos e ficaram ambos em profundo
silencio.
N'essa mesma noite, Luiz perguntou a Ernesto :
Que estiveram vocês conversando?
Varias cousas. *
—- O -negeeio marcha-?—
— Lentamente, mas ha de ir até o fim*
No dia seguinte, Fernanda, que não era janelleira, esteve toda a tarde
á janella, com tão bom frueto . que vio apparecer ao longe a figura de
Ernesto. O rapaz olhou para cila tres ou quatro vezes, comprimentou-a,
e antes de voltar o canto ainda voltou a cabeça com a esperança de a
ver. Vio-a, porque ella nao sahira da janella, e também foi visto, por*
que ella não desviara os olhos d'elle.
Depois das circumstancias que acabo de relatar, era impossivel que o
encontro dos dois não fosse um tanto acanhado e esquerdo- As-
primeiro
sim foi na verdade. Fernanda não se atrevia a levantar os olhos para
elle, e elle pela sua parte mostrava egual receio*
¦m JORNAL DAS FAMÍLIAS.
- Mas como ella não revelasse irritação nem sequer aborrecimento, Er-
nesto concluio que as cousas não andavam mal. Teve certeza dMssò na
segunda noite, em que se encontraram na casa do desembargador. D'esta
. vez o proprio Luiz foi testemunha de que os olhos da prima freqüente-
mente se dirigiam para o lado de Ernesto, e que os dois pareciam come-
çar uma conversação que prometüa ser mais intima.
Bravo! disse elle ao amigo no dia seguinte almoçando no hotel,
agora as cousas tomaram o verdadeiro aspecto. Já se carteam ?
Ainda não, mais não tarda.
Tardou algum tempo que se carteassem ; mas os olhos trabalhavam já
com muito afinco, os dedos diziam uns aos outros cousas muito expres-
sivas, na oceasiao de chegada ou de despedida, e o terreno estava magni-
fico para a primeira epistola amorosa.
Litteralmente, Fernando já não fazia caso do primo. A frieza com que
elle a tratava comparada com a attenção e o amor incubado de Ernesto
era a sentença de morte da\paixão que ella nutrira durante tanto tempo.
Luiz preferira de certo que a prima lhe fizesse algumas desfeitas, que
elle receberia com desdém, mas que lhe tocariam agradavelmente no amor
próprio. Uhegou ato a provocal-as, mostrando-se solicito e affectuosõy
mas foi o mesmo que se rendesse finezas ao chafariz do largo do Paço. A
moça nem se abalou ; tratou-o como prima c não como noiva.
Não era um desastre; era justamente o que elle queria. Por isso não se
zangou o bacharel; mas lá no fundo do coração lhe ficou um amargor.
Ernesto caminhou de vento em popa. Arriscou a primeira carta, tímida
e desesperançada. Fernanda respondeu algumas palavras ternas e judicio-
sas. Luiz teve conhecimento d'esses primeiros tiros de bala. A carta de
Fernanda foi de commum accordo declarado um modelo.
— Não se pode negar, observou Ern esto , q ue é uma moça d^coração^
e de intelligencia.
Sim, não contesto, respondeu Luiz.
E está apaixonada, ves?
Vejo.
Seguio-se um silencio.
E tu? disse repentinamente o bacharel cravando os olhos no amigo.
Eu? respondeu Ernesto cocando a cabeça, não estou nem estarei,
com quanto julgue que ella seria capaz de fazer um homem feliz. Uma
cousa porém me preoecupa.
Oqueé?
~- Entrei n'isto, cuidando
que ia substituir um namoro por outro.
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 173
Vejo que não. Tua prima apaixona-se de veras. Não quizera contribuir
para um desgosto na familia.
0 bacharel ainda fi-essa manhã ouvira ao pae fallar no casamento d'elle
com Fernanda, não em março que estava já no fira , mas em junho ou
julho. A idéa de que a prima de novo se voltasse para elle, e de que não
houvesse remédio senão casar, o levou a dissuadir o amigo dos tardios
escrúpulos.
Qual desgosto ! disse elle; assim como se esqueceu de mim, ha de
esquecer-se de ti; e tudo volta aos antigos eixos.
Vá feito.
Fallaste-lhe em mim alguma vez? perguntou Luiz depois de alguns
instantes. *
Só para elogiar-te.
-Eella?
*•
Alegrava-se com o que eu dizia. Se eu dissesse o contrario, não se
alegrava, mas afferrava-se a ti cada vez mais; é da regra.
Vás responder a essa carta ?
Hoje mesmo.
A resposta foi ardente, mas muito calculada. Fernanda subio ao selhnu
céo, e a carta com que replicou podia medir meças á do Ernesto; o na-
moro continuou assim por meio de cartas, olhares.) sorrisos e conversas,
todo o arsenal, em summa, usado n'este gênero de campanhas.

VIL

Ao cabo de dois mezes já o namoro não era segredo para ninguém.


Na opinião da familia nenhum d'elles podia fazer mais acertada escolha;
a mesma opinião era compartida pelas pessoas extranhas.
Escolheu um anjo 1 diziam as senhoras.
Escolheu um cavalheiro! diziam os homens.
Fernanda parecia até mais bonita do que antes; a razão era, que a
felicidade lhe dava á belieza um ar que a tristeza lhe tirou. Ernesto pela
sua parte mostrava-se egualmente terno e solicito com a moça. Nenhum
d'elles confessara o namoro; mas nenhum d'elles buscava escondel-o dos
olhos estranhos.
Vê bem o que perdeste I dizia o desembargador ao filho um dia em
que estava de má humor. Como aquella, raras mulheres se encontram 1
Luiz abaixou a cabeça, sem proferir palavra, mas com um ar que, bem
174~ JORNAL DAS FAMÍLIAS.
examinado, era antes de mortificação que de prazer. A victoria do amigo,
tão de longe preparada, começava a picar-lhe o amor próprio. Via os
louvores e as invejas de que era objecto o amigo, e apezar de ter contri-
buido para isso mesmo , começava a irritar-se contra o vencedor e con-
tra todos.
Esta impressão foi crescendo com o tempo. A transformação da prima
contribuía ainda mais para lhe arredar o espirito. Estava longe de ver
n'ella & mosca-morta, como lhe chamava antiguamente. Intenção de
casar não tinha de certo, ou ainda lhe não chegara; apezar d'isso magoa-
va-o a attenção que ella prestava a outro. Em quanto Fernanda lhe que-
ria unicamente a elle , não se dava por achado o bacharel; bastou que
ella se voltasse a outro para que lhe nascesse o ciúme.
Ciúme é o termo ; ciúme filho do amor-próprio, e mais tarde filho do
amor sem appellido nenhum. Luiz começou a sentir que o menor gesto
da moça o perturbava , e que de cada vez que ella e Ernesto conversa-
vam sosinhos era o mesmo que se lhe mettessem um alfinete no cora-
cão.
Ao mesmo tempo começou elle próprio a fugir de Ernesto; e isto
mesmo lhe deu azo a mortificação maior, porque entrou a reparar que
,*'•
tambem Ernesto o não procurava tão amiudadamente.
Dar-se-ha caso que?...perguntou Luiz Fonseca a si mesmo, sem
ousar concluir a pergunta que naturalmente a leitora já completou.
Redobrou de attenção; tornou-se caseiro mais que nunca. Espiava por
assim dizer todas as acções da prima; sempre que podia os ia interrom-
per, e então observava no rosto de ambos a impressão que lhes causava.
Mais de uma vez se convenceu de que a impressão não podia ser peior.
Vingava-se não se desviando mais durante a noite inteira.
Luiz não pôde emfim encobrir de si próprio que amava a prima, tanto
quanto a desprezara outr'ora. Esta triste convicção foi um golpe ainda
maior que o da entrevista com que esta narrativa começou. Eu afinal de
contas sou um asno, dizia comsigo Luiz Fonseca. Teci a corda que me
ha de enforcar. Quem diabo me mandou confiar as minhas penas a um
extranho? Sahio-me um peralta , um pérfido. Enganou-me. Estou rou-
bado. Mas se eu mesmo fui chamar o ladrão!
Luiz Fonseca dizia isto entremeado de muitos repellões em si mesmo,
até que cahia em si, e se lembrava de que Ernesto pouca ou nenhuma
culpa tivera n'aquillo, que era puramente obra d'elle.
Ia alem o bacharel.
Quem sabe se me não engano? Ernesto foi sempre bom
amigo. Tal-
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 175

vez aquillo ainda seja necessário para livrar-me do casamento. É o que


ha de ser.
Esta idéa o levou a ir ter com o amigo. Achou-o a ler uma cartinha,
que escondeu logo. Luiz franzio a testa.
Carta d'ella? perguntou elle.
Não, respondeu Ernesto depois de alguma hesitação.
De outra?
De ninguém.
Luiz» mordeu o bigode mas conteve-se.
Seguiram-se cinco minutos de silencio.
Ernesto, disse emfim o bacharel, venho pedir-te uma explicação e
um conselho.
Caso grave? perguntou Ernesto sorrindo.
Talvez. ^
Ernesto offereceu-lhe um charuto, que o outro não acceitou. Novo
silencio que o bacharel foi ainda o primeiro a interromper.
Começo pelo conselho, disse elle. Sabes que o tempo deu os seus
fructos. Aquelle furor que me causou a resolução de meu pae passou
completamente. Encaro hoje o casamento com outra cara. Acho-me dis-
te
posto a acceital-o como uma doce necessidade do coração. Que parece?
Que me ha de parecer? disse Ernesto levantando os hombros.
É verdade que as tuas idéas são oppostas a esta ; assim m'odisseste
quando eu aqui vim ha cinco mezes pedir-te conselho. Em todo o caso,
apezar de seres o que eu fui, sempre te considerei com mais juizo do que
eu. Desejava portanto saber se faço bem em obedecer a meu pae.
Sem duvida.
Devo então acceitar o casamento com ambas as mãos?
Uma vez que te não^repugna, é um dever.
Luiz teve um movimento de alegria, que logo reprimio. Ernesto come-
a brincar com a corrente do relógio, com o ar de um homem que se
çou
não acha em posição demasiado commoda. Houve um pequeno silencio.
Luiz continuou :
Agora a explicação. Em que estado pára...
Hesitou.
O que? disse Ernesto.
Poupa-me dizer mais; creio que me entendeste.
Ernesto levantou-se, deu alguns passos na sala, e parou emfim defronte
de Luiz Fonseca. Olhou-o a fito durante alguns rápidos segundos, e em-
fim lhe disse :
176 JORNAL DAS FAMÍLIAS.
Luiz fizemos um dia uma cousa feia e perigosa; feia porque não
era bonito ir perturbar o espirito de uma moça, com o unico fim de zom-
bar d'ella e comprar com isso mais alguns dias de vida dissoluta...
Perdão...
% PerigosaTcontinuou Ernesto sem attender á interrupção do amigo,
perigosa porque era arriscar eu próprio o socego do meu espirito. Não
me salvei do perigo; mas o unico meio que tenho para compensal-o é
apagar o lado feio de aventura.
* —
Dizes então?..
Que eu gosto de tua prima.
Luiz levantou-se de um salto. Os dois rivaes encaráram-se longo tempo
sem dizer palavra , até que Ernesto foi sentar-se tranquillamente. Luiz
levantou os hombros e foi a elle :
Felizmente para mim conheço as tuas idéas a respeito do casa-
mento, e creio que não pretenderás...
É justamente o contrario, interrompeu Ernesto; pretendo casar
com ella.
i *
_ — Oh! mais isto é demais! exclamou Luiz. Estás caçoando comigo ,
-emo-m,
Í-- Fallo serio.
Mas então...
Oque?
«*- Andaste em tudo isto infamemente.
k Perdoo-te porque não sabes o que dizes.
A estas palavras, replicou Luiz com duas ainda mais fortes, as quaes
provocaram da parte de Ernesto uma tréplica vigorosa; Luiz voltou á
carga com mais energia; Ernesto recebeu-o com quatro pedras na mão
até que depois de dizerem muitas cousas duras e feias um ao outro, sepa-
Tarãm^^sndoisTinmb^ __

VIII.

Sahio Luiz Fonseca disposto a fazer alguma estralada. A distancia


po-
rém entre a casa de Ernesto e a sua foi bastante para lhe deitar água na
fervura.
Não perdoou de certo ao pérfido, como elle dizia nem se dispoz a der-
rear-lhe fácil victoria; mas a idéa do escândalo foi posta de lado. Metteu-
se a noite de permeio, e no dia seguinte estava Luiz mais tranquillo.
"K

I JORNAL DAS FAMILIAS. 177


Oh! mais tranquillo não! 0 misero sentia-se cada vez mais apaixo-
nado; o amor tocava já ao delirio. Era-lhe absolutamente impossível as-
sistir á felicidade do rival. »
Mas como impedir-lh'a?
Ir contar tudo ao pae?
Acceitou este primeiro alvitre, mas logo abrio mão d'elle. O pae natu-
ralmente daria razão ao outro, a quem estimava já.
Tentar arrancar o rival ás boas graças da prima era tarefa escabrosa e
difficil.
Luiz Fonseca deitou os olhos a todos os pontos do horisonte a ver se
descobria um meio efficaz de derribar o rival.
Nenhum lhe occorreu.
Dois dias gastou n'estas pesquizas infructiferas. >?
No terceiro, estando a almoçar, e justamente ao metter o garfo no ter-
ceiro pedaço de bife, um súbito pensamento lhe alumiou o espirito.
Eureka!
7 .'>$
Estava achada a grande arma.
Luiz preparou-se e foi á casa da tia. Fernanda recebeu-o com affabili-
dade, e a maior prova de que já nada sentia por elle foi a tranquillidade
que lhe ficara no coração. Nem uma saudade! nem um estremecimento !
O primo não se deu a averiguar até que ponto deixara vestígios no
espirito da ex-noiva. A idéa de vingança o dominava.
Está preoccupado, disse Fernanda vendo que elle se sentava sem
dizer palavra.
É verdade; uma grava preoccupação.
Motivo de familia?
Talvez.
Luiz Fonseca acompanhou esta resposta com um gesto de desespero
que assustou a moça.
Que é? disse esta.
Prima, sabe qual era o projecto de meu pae ha mezes a nosso res-
peito ?
Fernanda abaixou a cabeça.
»"'¦">

Sabe, de certo, continuou Luiz, e o projecto não era só d'elle, mas


de toda a nossa familia. Tive a crueza e a insensatez de me oppôr inte-
riormente ao casamento que se projectava. Abertamente não podia recu-
sar; consultei a um amigo...
Primo, interrompeu Fernanda, fallemos de outra cousa.
Não; fallemosd'esta.
\
178 JORNAL DAS FAMÍLIAS.

Fernanda levantou-se.
¦J. Bem, disse ella, sou obrigada a sahir.
Ha de ficar, disse o bacharel, quando souber que se trata do decoro
da familia e de a salvar de um perigo.,.
Um perigo? murmurou a moça tornando a sentar-se.
Nem mais nem menos. Ouça.
Fernando tremia.
0 amigo a quem consultei continuou Luiz, lembrou um meio que
lhe pareceu excellente para afastar-me do casamento : o meio era procu-
eu
rar fazer-se amado da senhora e esfriar no seu coração o affecto que
lhe inspirara.
Fernanda fez um movimento.
Luiz continuou.
Tive a covardia de acceitar o plano, e ajudal-o a executar. Confesso
todos os meus erros para melhor ver a sinceridade do meu arrependi-
mento. Fui eu quem apresentou esse amigo em minha casa , onde elle
logo captou as boas graças da familia; e começou essa espécie de assedio
aju-
em volta do seu coração. Ajudei-o, é verdade, com vergonha o digo,
dei-o nessa infame tarefal
A moça empallideceu no começo d'esta narrativa; mas as faces para
logo se avermelharam. Luiz continuou a referir tudo o que se passara
entre elle e Ernesto.
Com o que eu não contava, porém, disse elle, era a punição que me
reservou o céo. Esse amor silencioso, casto, que eu tive o desazo de des-
veio accender-se em mim, e aquillo que ha poucos mezes recusei
prezar,
como uma grande desgraça , hoje almejo e peço como uma das maiores
fortunas da terra.
Luiz esperou algum tempo a resposta de Fernanda ás revelações que
acabava de fazei > a moça olhava para elle sem articular palavra; parecia
nem ouvir nada. ^ ?
Bem sei, disse elle, que não tenho direito a esperar o que lhe peço;
mas ha certamente no seu coração misericórdia para me perdoar. Do
virá talvez o amor qne espero mais tarde. Quanto ao pérfido que
perdão
me illudio...
A moça estremeceu.
Quando ao pérfido que nos illudio, continuou Luiz, estou certo de
uma expressão de desprezo.
que não lhe merecerá nem
Fernanda sorrio e murmurou :
Porque ?
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 179
á
Luiz olhou para ella com espanto. Seus olhos pareciam perguntar
isso ella repetio :
moça se na realidade elle ouvira bem; por
Porque ?
E como Luiz não se atrevesse a responder, a prima continuou :
„ É difficil de crer que tudo isso que me referio seja verdade; mas
ame? Nunca mais;
dado que seja, que deseja agora o primo? Que eu o
Perdôo-Ihe de
o senhor mesmo tornou isso impossível. Que lhe perdoe?
boa vontade...
Mas...
Nem só lhe perdôo; agradeço-lhe também, porque ao senhor devo
eu a felicidade da minha vida.
Como ? Julga que esse homem que tão vilmente zombou da sua
boa fé...
Esse homem ama-me, e está perdoado. A historia que o primo me
desculpei tudo em
contou já eu a sabia por boca d'elle mesmo, a quem
consente ao
troco da felicidade que me vae dar. Saiba que minha mãe
a
nosso casamento e que este será officialmente declarado d'aqui poucos
dias.
sem seja necessário dizer lh'o, o estado do
A leitora comprehende, que
miserável moço ao ouvir estas palavras. Pegou no chapéo , comprimen-
tou, e foi chorar na cama que é lugar quente.
0. o.
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^0 i^i \ t^i \ rv^*n -^ Tf

OS CASAMENTOS DE HOJE

espectaculo diário de casamentos mal succedidos


suggerio-nos as seguintes reflexões, que pedimos
venia para apresentar ás nossas leitoras e leitores,
na fé de que poderão aproveitar-lhes para seus
filhos, proporcionando-se assim o ineffavel gozo
que experimenta uma alma certa de haver cum-
prido seu dever.
0 homem e a mulher, sendo feitos naturalmente um para o outro, é o
casamento um dos fins a que tende a educação ; por isso cumpre não
perder de vista que as qualidades quejella cultiva no adolescente acham
seu complemento na esposa, e egualmente as que cultiva na menina
acham o complemento no esposo.
Em nossa sociedade, cumpre confessal-o, ha demasiado açodamento
em casar as moças. Ha mães que anhelam por casarem-nas a fim de recu-
perarem sua liberdade, desonerando-se por esse meio da forçada vigi-
lancia, que aliás em algumas famílias não existe , e outras fazem-se um
dever de truncarem a educação de suas filhas por um casamento prema-
turo, pois julgariam seu amor próprio offendido si tivessem d'adial-o mais
tarde; ao passo qne contrahindo esse vinculo em tenra idade, indica a
importância de sua posição social, cujo brilho deseja-se partilhar, ou que
os méritos de suas filhas são taes que foram devidamente apreciados logo
ao despontar.
Disse que os pães folgam de truncarem a educação de suas filhas por
um casamento precoce sem attenderem que só depois dos 14 annos é que
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 181

uma menina começa a reflectir ccomparar, tirando proveitosas lições de


tudo quanto vê e ouve, só então deixa de ser uma alumna passiva e abor-
recida para aprender com gosto aquillo para que tem aptidão. E n'essa
época que se lhe desenvolve o physico e a intelligencia para tomarem
sua forma definitiva;
Reflictam as familias no seguinte asserto para que a educação seja com-
pleta e possa produzir durante a vida as competentes flores e fructos e /*-

mister que o casamento venha em tempo conveniente, nem muito cedo


como acontece ao geral das moças, nem muito tarde como soem fazer os
homens, porque n'esse caso elles se assemelham a uma praça desmante-
lada; convém que se realise no momento em que todas as faculdades,
tendo recebido a necessária culturas, ó resta pol-as sob a moralisadora
protecção do hymeneu.
Uma das condições indispensáveis no casamento é a harmonia das
idades. Tão clara é esta asserção que não carece de provas; por quanto
uma moça e um velho, ou uma velha e um moço, são incompativeis para
.Nf?fe .

formarem bons casamentos, visto como são duas quantidades heteroge-


neas que produzem — uniões sem união. — As vontades e os gostos,
estando sempre em opposição, fazem do matrimônio uma pesada cadeia,
e os filhos d'esse discordante consórcio são as victimas innocentes im-
moladas á inqualificável ambição das familias; porque nascidas d'uma
mãe, ainda não completamente formada, ou d'[Link] já gasto , .trazem
uma constituição cachetica e doentia que os condemna a arrastarem uma
vida de incessante soffrimento; e devois, vivendo n'esse lar sem amor,
nem harmonia, desconhecem a doçura d'este nectar chamado— [amor de
familia — criam-se rixosos, egoistas, intempestivamente independentes
e nào sentem a menor affeiçãò nem respeito pelos autores de seus dias
lhes não souberam dar a mais das lições — o exemplo.
que proveitosa
Outra condição a que tambem cumpre attender-se para maior proba-
bilidade d'um bom casamento é não unir a intelligencia á imbecilidade,
a virtude ao vicio, nem a saude á infirmidade.
Acaso essas familias, sequiosas de uniões prematuras, pensaram algu-
ma vez no que pode haver de agradável n'um consórcio em que um dos
cônjuges é destinado d'antemão a ser o enfermeiro do outro? em que o
intelligente não é comprehendido pelo estúpido? e mais que tudo aquelle
em que a honra e a rectidão'teem de combater incessantemente os pen-
dores deshonestos e torpezas do outro que representa a infâmia?
a maior irreflexão ao acto mais solemne da vida,
Infelizmente preside
contrahentes
e confrange-se-nos o coração ao vermos que não são só os
182 JORNAL DAS FAMÍLIAS.

que assim praticam mas as indisculpaveis familias que estando calmas, e


as mais das vezes não tendo de combaterem obstinações, suscitadas por
uma paixão cega, não teem justificação possível de tramarem a desgraça
d'essas filhas que dizem amar.
Não duvidamos affirmar que é da conformidade das qualidades physi-
cas, moraes e intelíectuaes que depende a sorte do casamento.
Ainda não manifestamos nossa opinião relativamente á fortuna no ma-
trimonio.
Começaremos por declarar que : classificamos de paradoxo o axioma
que vigora em quasi todas as familias de que a riqueza substitue vanta-
josamente á mocidade, á força, á belleza e á sympathia. Não se collija
d'estas expressões que aconselhamos o desprezo do dinheiro em assum-
pto de casamento, pelo contrario julgamos ser elle um poderoso auxiliar
para a boa harmonia do cazal; mas d'ahi a considerarmos optimo um
consórcio só porque um dos noivos, ou ambos, teem bens da fortuna,
dista muito.
Não podemos comprehender como dois entes indifferentes um
para o
outro, ou com um sentimento de repulsão possam unir-se tão estreita-
mente por um laço indissolúvel 1 e ainda menos comprehendemos
que
sejam os pães (as mais das vezes) que impeliam os filhos a se infelicitarem
contrahindo deveres que d'antemão aborrecem, ou tencionam
postergar.
Não desconheçamos o que é o coração humano, e lembremo-nos
que
a oceasiao do amor é antes do hymeneu, que deve contrahir-se sob seus
auspícios. Si supprimirmos o amor antes do casamento, crêde
que d'um
só jacto teremos também supprimido o amor conjugai depois d'elle;
por
isso que não existindo amar entre os noivos
jamais nasce entre os esposos
o amor conjugai.
Agora sob pena de parecer-vos uma representante do século
^ passado
dir-vos-hei que considero o amor uma das condições indispensáveis
para
o matrimônio; pois ó do concurso do
positivo com o romanesco que de-
riva a felicidade d'elle.
Terminarei aconselhando á maioria dos pães
que eduquem suas filhas
mais amigas do trabalho e da virtude
que do luxo, assim como a seus
filhos, e a procederem de modo
que possam servirem-lhes d'exemplo; a
attenderem cuidadosamente ao
gênero de pessoas que admittem em sua
intimidade para evitarem o
perigo d'uma inclinação inconveniente e a
abjurarem a falsa idéa em
que estão de que na riqueza se encerram todos
os elementos necessários á verdadeira felicidade domestica.
VICTORIA COLONNA.
MOSAICO.
fcp

LEMBRANÇAS HISTÓRICAS.

Bra-
Em 1599, houve noticia certa da existência de metaes preciosos no
de
zil, e n'esse anno enviou D. Francisco de Souza a Filippe III, rei
Hespanha e Portugal, um rosário feito de grãos de ouro indígena.

Manoel da Nobrega, que possuio o dom de fazer milagres,


0 jesuíta
dos seus biographos, nasceu em 18 de outubro de
como querem alguns
1544, e falleceu
1517, entrou para a Companhia em 18 de outubro de
em 18 de outubro de 1570.

Lobo levou a D. João V a noticia da


Foi Bernardo da Fonseca quem
dos diamantes no Tijuco, hoje S. João de El-Rei, peto que
descoberta
foi nomeado tabellião.

na igreja de S. Domingos em
Em 21 de junho de 1744 celebrou-se
os pedreiros lavres
Lisboa, o auto de fé em que foram punidos primeiros
rei D. João V, seu filho o príncipe D. José, os
Assistiram a essa festa o
infantes D. Pedro, D. Antonio e toda a côrte. Custon, de
ao auto foram, João
Os pedreiros livres que compareceram
184 JORNAL DAS FAMÍLIAS.

quarenta annos de idade, natural de Basiléa, protestante, lapidado, mo-


rador em Lisboa, condemnado a quatro annos de galés por introduzir e
praticar a maçonaria; Alexandre Jacques Morton, quarenta annos, pari-
siense, lapidario, morador em Lisboa, condemnado a cinco annos para
fora do patriarchado por ser maçon, e João Thomas Bruslé, 46 aiinos,
parisiense, lapidario, morador em Lisboa, condemnado á mesma pena.
por egualdelicto!
N'esse mesmo anto foram penitenciadas seis mulheres por feticeiras e
terem pacto com o demo, e uma d'ellas soffreu o supplicio do fogo
pela
mesma culpa!

A primeira barca de dois rodízios que construio-se no arsenal de ma-


rinha do Rio de Janeiro chamou-se Guaratiba, e foi commandada
pelo
capitão tenente Antônio Pedro de Carvalho.

Tendo noticia o governo de que as tropas portuguezas em Montevidéo


estavam resolvidas a retirar-se, enviou para alli, no tempo da
guerra da
independência do Brazil, uma divisão composta da fragata Ipiranga,
commandada pelo capitão de mar e guerra David Jurrete
que entrara
para o serviço do império; da fragata Carolina, commandada pelo capi-
tão de fragata Manoel Gonçalves Luiz da Cunha, e da corveta Liberal,
commandada pelo capitão tenente Antônio Salema Garção e foi esta a
,
primeira força marítima que sahio com bandeira brazileira.
Dr MOHEIRA DE AZEVEDO.
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[Link]-Junho 1875: ;
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POESIAS.

0RACA0.

Oh! tu que tens compaixão


Dos mais pequenos insectos;
E ouves as tristes queixas
Dos seres os mais abjectos!

Que vestes os bellos campos


Da mais peregrina côr :
E derramas sobre a terra
Do sol, a luz, e o calor !

Que dás ao lyrio dos valles


A veste branca e cheirosa;
Aos mimosos passarinhos
A roupa leve e plumosa.

Que dás á débil liana


O tronco dopetiá;
E pões na voz das florestas
O nome de Jehová !
186 JORNAL DAS FAMÍLIAS.
Dai aos geres que idolatro
Da santa paz a ventura;
Não te lembres de seus erros
Dai-lhes de pae a ternura !

E quando o somno da morte


Vier seus olhos fechar.
Sobre a terra onde dormirem
Vem Senhor, os despertar!
E. m VARELLA.

VEM!

CANCAO.

Vem! as flores nas collinas


Desabrocham. Nas campinas
Brilham também rosas mil.
Chega a estação dos amores;
Vem carregado d'olores.
O festivo mez de Abril.]

Ah! não fujas! vem commigo !


Acharemos doce abrigo
Nos palmares do sertão :
Lá faremos uma choça...
Oh! esta idéa me adoça
As penas do coração!

Longe, bem longe do mundo,


Abysmo tredo e profundo.
Quanta ventura não ha !
Como um regato sereno
• JORNAL DAS FAMÍLIAS. 187
Desusando em prado ameno
Nossa vida correrá!

Da natureza nas festas,


Levantemos nas florestas
Um altar ao Creador,
Depois riremos da sorte ;
Unidos ató a morte ;
Pelo mais sagrado amor!
ERNESTINA E. F. VARELLA,

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MODAS.

DESCRIPÇAO DO FIGURINO DE MODAS.


¦
*

Primeiro vestuário. — Trajo para commungante. Vestido de cassa ; o cor-


com
pinho decotado, quadrado com fofos, avental quadrado guarnecido
viezes; a saia tem por guarniçao dois fofos e dois viezes.
Segundo vestuário. — Trajo para passeio de faille verde claro. Avental
composta de entremeios de
guarnecido com viezes mais escuros. Mantilha
rtmda a fitas de veludo preto. .
YTerceiro vestuário. — Outro trajo para passeio de faille côr de ameixa,
corpinho-couraça, debruns e fofos. A frente da saia tem fofos; os pannos
do lado sao bordados (ver o molde na estampa grande) a parte trazeira se
guarnece com folhos.

TRABALHOS.

EXPLICAÇÃO DA ESTAMPA DE BORDADOS E TRABALHOS.

N° 1. — Desenho para chapelinho de sol, bordado com trancelim inglez.


Para executal-o, tira-se contraprova dos contornos do cordãozinho sobre pa-
pel transparente que depois se engruda sobre oleado ou sobre fazenda um
pouco tesa. Quando o desenho está marcado, alinhava-se o cordãozinho in-
glez sobre a dila contraprova. As barrinhas e grãos da cercadura se fazem
como estão indicados; depois de acabado, corta-se o alinhavado que.
prendia o trancelim e principia-se outro e assim seguido até o sexto. O tra-
balho pode ser preto ou branco conforme o gosto.
N° 2. — Cercadura grande para cortina, toalha de altar, confection, etc.
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 181)
Esta obra é feita como explicámos já para o n° 1. Pode-se tambem execu-
tal-ade trancelim branco ou preto. As flores de liz se fazem sobre cassa
que se alinhava nos rhombos antes de lançar as barrinhas; essas flores de liz
se fazem em ponto de festão. Querendo diminuir a obra ou ter a cercadura
menos larga, se acabará na linha em pontos marcada com um A. Esta
renda diz muito bem. Em substituição das flores de liz, pode-se bordar ini-
ciaes, o santo nome de Maria ou qualquer outro desenho pequeno.
N° 3. — 1 rajo de tafetá cinzento de dois matizes. Saia guarnecida com
folhos pequenos. Polaca mais clara com avental bordado cinzento escuro.
As costas da polaca formam pouff arregaçado com botões grandes de nacar.
Mangas bordadas como o avental. Um bello franjado guarnece a orla da
polaca.
N° 4. — Trajo para verão, de foulard crú guarnecido com tiras bordadas.
N° 5. — Desenho para almofada de canapé, véo de poltrona, etc. Este de-
senho faz uma vista magnífica. A obra toda ó feita em ponto de festão, de-
pois de acabada , recorta-se a fazenda sob as barrinhas. Vimol-a executada
de tres maneiras a saber : Io de tafetá verde claro bordado com trancelim
preto armado sobre um transparente de fazenda prateada e servia para almo-
fada; 2o de panno de linho crú,Mjordado com branco e 3o por fim, branco
sobre branco.
N° 6. — Trajo para passeio. Saia de faille preta com alto folho tendo por
cima dois fofos; a orla inferior é guarnecida com preguinhas deitadas. O
meio da parte trazeira é enfeitado com laços de fita e um laço grande de
cinto com franjado. Co'nfection de faille havane com um bordado dito ca-
maieu muito rico. O molde d'esle dolman está no verso da estampa de bor-
dados do mez de maio.
N° 7. — Outro trajo côr de ameixa de dois matizes. O vestido é de cache-
mira, a guarnição de tafetá. Um rico franjado orna a túnica.
N° 8. — Trajo de faille preta guarnecido com passamanarias e pérolas de
azeviche. Os folhos são em rolos bordados com um segundo folho com pre-
gas. O corpinho assim como os canhões das mangas são bordados de setim
cortado de viez e irmanando-se com o laço grande que prende atraz a
túnica.
N° 9. — Cercadura para fronha , lenço e roupa fina. Plumetis e ponto de
festão. Estando a obra acabada, recorta-se a fazenda nas partes pretas do
desenho.
N° 10. — Trajo para menina. Cachemira e tafetá. As partes escuras são
de cachemira; a casaquinha e os pannos dc lado da saia são guarnecidos
com uma lira de bordado inglez. Chapéo da mesma fazenda.
N° 11. — Vestuário para menino de panno còr de castanha.,Calças curtas
fechadas nos joelhos por tres botões sobrepostos. Collete de panno de côr
de avelã com botões côr de castanha. Jaquetinha meia-ajustada, aberta so-
bre o collete por reversos da mesma côr que o dito collete. A orla inferior
assim como a das mangas é debruada com viezes pequenos côr de avelã.
Chapéo de feltro côr de castanho á marujo.
a
N° 12. — Lambrequim de applicaçao de panno sobre panno. No nosso mo-
delo a cabeça era de panno côr de avelã, as linhas pretas em ponto de chai-
netle de trancelim, os pontinhos eram'feitos com laços pequenos de retroz; o
fundo era de panno da mesma côr, porém mais escuro. O bordado que acaba
o lambrequim cru em ponto de chainette e com pérolas pequenas e pretas.
190 JORNAL DAS FAMÍLIAS.

e o alphabeto que esta no veiso V


para esses iniciaes pequeno
estampa.

EXPLICAÇÃO DA ESTAMPA DE MOLDES.


ESTAMPA DE BORDADOS.
VERSO DA PRECEDENTE

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do
5.J:-^í£tó-W«^- A unha em pontos mdica o meio
"ffi-Dobuxo No nosso modelo o bordado era em
No 4 _ líeettóo aodo trajo completo.
cachemira azul claro.
de chamelkde Ia branca nna^ •[
de outra ma-
ponto k fel
v^ bordada n
No — Ott-íffl /Veníe da mesma jaqucimiia naturaes sobre H azul
fundo n711i
de cores
n6T Vimos este desenho bordado as hastes e urzes pequenas côr de cas-
muito claro, a folhagem verde ciclaro,
Yr^Mhasfem g
do meiQ
^ac
tanha, o intcnor dos ^|^|^P| frUctos encarnados. Este bordado
eeüoo cio-
^ffi'__-_Í^S^-íl*P»»»..»'W»
Se"f muito fina, ao passe ou em
TÍordadoTode ser de retroz ou de lã
e os [Link] das«W eoo pooto aogdo, ,sso
;:l£[Link]»euT

'Tr-VrÃ^SSepeU-se o ea,™ borda,,» na outra me-


so. A linha em pontos indica o
tade. Coda!e eüa dobradl e d'u:n pedaço
"t^T&t com bordado inglez.
da dita blouse jaquetinha guarnecida
lembrar que se poderia guarnecer o ves-
Temos' aiuntado essa amostra para ou d'um entremeio, ou emfim de
S todo com tiras de bordado inglez
desenhos abertos, bordados na fazenda mesma do tra,o.
Slf ou out os deUnhocru com
com bordado inglez, um de panno
Ímovisto tresd'elles a saia tinha duas fileira ; o
l SS de circules como no nosso desenho;
com tiras
Tto&^«* °terceiro
onío de fazendi
de
de
fustã0
linho
branc°'
irlandeza
guanlcckl° C°m
cinzento
°n me' 0
escuro,
S guarnecido

G com círculos ou entremeio


%%!Toebuxo do mesmo vestuário, guarnecido
deNbof9dto° os círculos
nf-Desenhos pequenos que poderiam substituir conforme o
P^e-se bordal-os afastados ou perto uns dos outros
do n- ?'
-ensin e o tempo que se deseja empregar n'este trabalho.
g°NM9 ^Alphabeto lenços, fronhas, etc. Daremos
para guardanapos,
o mesmo em maior para irmanar com este.
«roximamenle ponto
Plumetis c grãos.
N» 13 - Escudo dobrado para o dito alphabeto. Plumetis ou cor-
-Alphabeto pequeno para lenços c roupa fina.
N° U nomes inteiros.
dãozinho. Este alphabeto pode servir para escrever
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 191
\

jj? i5, — Escudo pequeno para o dito alphabeto.


Nos 16 e 17. — Outros escudos dobrados para servirem com o alphabeto
n°14.

EXPLICAÇÃO ÜÁ ESTAMPA GRANDE DE MOLDES.

yj/otóe do trajo do 3o figurino da gravura de modas e da túnica dita fichu (Zo


2o figurino.
N° 1. — Frente do corpinho com fofos; as linhas em pontos indicam aonde
é preciso çollocar o viez que separe os fofos.
N° % —Costas.
*
N° 3. — Pequeno lado. As lettras indicam os lugares de juncção.
N° 4. — Manga que se corta em dois pedaços; a parte inferior está indi-
cada.
N° 5. — Canhão da manga* As lettras indicam como é preciso eollocal-as.
Borda-se elle como o panno n° 6.
N° 6. — Pannos de lado da saia. Este panno é coberto com um rico bor-
dado em ponto de chainette que se pode egualmente executar de trancelins.
No nosso modelo havia pérolas de azeviche no interior do desenho, porém é
bonito também sem pérolas e leva menos tempo de execução. A parte que
se ajusta com o avental da saia, marca-se por essa palavra frente. O resto
da saia, corta-se como de costume ; a frente de viez, a parte trazcira de fio
direito.
N° 7. — Túnica dita fichu* Para executar esta bonita confection que será
muito em moda este anno, corta-se duas vezes o nosso molde; alinhava-se
n'elle os entremeios e a fila de veludo preto das quaes ella é composta;
cose-se elles juntos e depois de acabado o trabalho, corta-se o alinhavado e
reunem-se os dois pedaços nas costas. Borda-se o tudo com'uma renda
larga. Dois laços de largas fitas de veludo que se collocanr entre as lettras T
seguram as duas abas da túnica. Vimos esse modelo executado para menina
em branco e crú, isto é os entremeios brancos e as fitas de seda crua. Pode-
se também empregar as cores brancas e pretas; os entremeios brancos e as
filas de veludo preto.

EXPLICAÇÃO DA ESTAMPA DE TRABALHOS

DE TAPEÇARIA, CROCHET OU FILET.

desenho servir toalha de altar, alva, e cobertor de


Pode este bonito para
altar porque é próprio para executar seja de íilet ou de tapeçaria.
serzido, os quadrados
Nosso modelo era dc filet, bordado em ponto de
encorpado, (« quadra*
brancos de serzido muito apertado e algodão mais
menos ape ad o e
nhos cm pontos pretos e as cruzinhas de se [Link] ^jo
t cobertor de
fazer este desenho de tapeçaria par
mais fino. Se se quizesse de retroz branco o
os branco
altar se poderia então fazer quadradinhos
os dois outros sinaes de retroz co dem*° d^°^f
fundo de lã azul, executai o de
o outro. Poder.a-se também
zes, um muito mais claro do que
crochet; o fundo aberto e o desenho todo cheio.
192 JORNAL DAS FAMÍLIAS.

0 FORO EM ROMA.

GRAVURA SOBRE MADEIRA.

Collocado perto dos montes Capitolino e Palatino, o Foro é como cercado


muitos monumentos da maior antigüidade e todos notáveis por nume-
por
rosas lembranças históricas.
O Foro foi sempre o lugar o mais celebre de Roma não somente pela bel-
leza dos seus edifícios, mas porque elle foi o theatro dos maiores aconteci-
mentos da historia de Roma antiga. Lá se reuniam as assembleas do senado
e do povo romano , as eleições e os tribunaes. O viajante fica commovido
deli-
quando reflecte que n'essa praça publica se agitaram importantíssimas
berações que decidiram da sorle de muitos impérios hoje esquecidos. Sic
transit gloria mundi.

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