Yagj : Daniel
Yagj : Daniel
DANIEL.
CONTINUAÇÃO.
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XI.
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doença de Carlota fora uma pneumonia aguda. 0 me-
dico apenas chegou, deu logo as necessárias providen-
cias que o caso requeria. Toda a casa estava em pó. As
irmãs da doente assustaram-se com a idéa de alguma
cataslrophe, mas o tio logo as acalmou.
Quando Daniel entrou, a moça estava um pouco, me-
lhor; comtudo a doença apresentava-se com um carac-
ter grave, e o tio não o occultou ao rapaz, affirmando-
lhe porém que a gravidade não queria dizer perigo.
Imaginem a afflicção de Daniel.
Faltava-lhe ainda aquella prova terrível, a provada moléstia que faz
tremer pela vida da pessoa amada.
Sahíram de lá sobre a madrugada, e o velho Matheus não consentio
que Daniel fosse para casa; levou-o elle para a sua.
Parece-lhe, doutor, que Carlota não morre?
Affirmo,
Oh! se ella morresse !
Deixe-se de idéas fúnebres. Morrer, todos nós podemos morrer
T. Xllf.— Junho db 1875. 6
162 JORNAL DAS FAMÍLIAS. /
amanhã, ou d'aqui a uma hora; mas tanto quanto pode affiímar a scien-
cia, digo-lhe que Carlota não morre.
As palavras do velho tranquillisâram o rapaz; mas ainda assim foi ter-
rivel a noite que passou,
Ás sete horas da manhã foi o velho acordado em sobresalto.
Quem é? y
Sou eu.
Ahi Daniel! Que ha?
Não vae ver a doente?
Vieram chamar-me ?
~*Íao.
Que horas são ?
Sete.
Deixa-te d'isso; irei logo mais.
0 velho voltou-se para a parede, e Daniel sahio do quarto ancioso por
vel-o de pé em casa da doente.
Tinha razão o velho Matheus.
Aioença
de Garlota era grave c. podia dar^sé umacrise que a lev^P^
caracter deci-
para um mundo melhor; mas não se apresentava com esse
sivo.
Pelo contrario, Carlota amanheceu um pouco melhor.
A cura seguio-se lentamente. Foi chamado logo outro medico, excu-
sando-se por motivo do seu próximo parentesco, cousa que Daniel não
comprehendia, mas respeitava.
Era preciso o ver a dedicação, e solicitude com que Daniel procurava
ajudar os esforços de todos no tocante ao restabelecimento da moça.
Parecia um esposo ou um irmão. Mais do que isso, parecia um pae.
Garlota via tudo isso e agradecia-lhe do intimo d^aima todo aquelle
affecto não mentidQ , mas real e espontâneo , porque é sobre tudo nas
doenças que se conhecem os verdadeiros amigos.
Durante a moléstia de Garlota, que durou uns quarentas dias, Júlio
foi lá duas vezes fazer a visita de amigo da casa.
A moça finalmente entrou em convalescença, e se Daniel a não amasse
já antes, amal-a-hia então , tão poética lhe ficava a pallidez do rosto a-
batido, tão de enternecer era o pisado dos olhos.
Foi uma hora de intima e immensa alegria a de Daniel quando pela
primeira vez vio Carlota na sala, trajando um roupão branco, pouco
mais branco que a tez do rosto, estender-lhe a mão e lançar-lhe um d'esses
olhares que resumem um mundo de gratidão e de ternura*
JORNAL DAS FAMILIAS. 163
Obrigada! disse ella quando elle se sentou ao pé d'ella.
Porque ?
Pelo que me fez...
Perdão, interrompeu Daniel, nâo falle nisso ; eu não fiz nada...
nada que mereça agradecimento.
A entrada de Júlio, conduzido por Adelaide, veio a propósito para in-
terromper uma conversa que encarreirava mal.
Júlio deu graciosamente os seus parabéns a Carlota pelo seu restabele-
cimento , e fez a propósito um madrigal que fez sorrir á moça e aos
outros.
A conversa encaminhou-se então pelas considerações a respeito dado-
ença de Carlota que, se houvesse sido funesta, levaria para o céo uma
estrella que já lá devia estar.
Foi este o segundo madrigal de Júlio, que teve afortuna de ser egual-
mente applaudido por todos.
Adelaide achava um encanto particular em Júlio. A menor cousa que
elle dissesse era para ella um dito digno de um monumento.
Ninguém calçava melhor do que elle. Um collete ridículo no corpo de
outro achava Adelaide que nelle ficava um modelo.
Júlio tocava piano soffrivelmente. Não tardou que Adelaide lhe pedisse
alguma cousa ao piano, e elle que sabia acudir promptamente ao desejo
de uma senhora, não se fez de rogado.
Aqui o romance começa a ser menos serio do que tem sido. Os leito-
res perspicazes começam já a pensar que vamos ter umaFanny em scena
e que o senhor Júlio Tavares, tendo escapado á sepultura, quer pôr
indiscreta mão írum thalamo.
Pois, senhores, descansem que se todo o peccado do meu romance
-fosstresteririaelle~di-reit-iuho
para o céo , porque nem santo Antônio foi
mais casto que esta novella tem sido e ha de ser até que dc alma a Deus, o
que não poclc ir longe. A mctaphora quer dizer até que chegue ao ultimo
capitulo.
Não!
Adelaide de Azevedo, que Deus guarde , não era moça que infringisse
um só dos artigos do código matrimonial.
Era leviana, embora; não morria dc amores pelo marido, concedo;
mas infiel não era, nem seria jamais.
Porque?
O porque está no temperamento da moça e1 no receio que ella tinha
dos perigos e encommodos que traz uma aventura illegal c immoral»
104 JORNAL ÜAS FAMÍLIAS.
XII.
A felicidade para ella era o casamento com Daniel. Ainda se não fallára
d'isso : mas ella confiava que o rapaz apressasse as cousas.
Recorreu ao tio para reatar a conversa interrompida dois mezes
antes.
O tio encarregou-se de tocar outra vez no assumpto, e com effeito diri-
gio-se a Daniel.
Pela sua parte, estava este disposto a casar quanto antes; e assim o
fez sentir ao velho medico.
Faltava o pedido em regra.
Daniel resolveu que o faria d'alli a quinze dias.
Até aqui pareciam marchar as cousas pelo seu pé, sem intervenção do
destino.
Era porém chegada a hora em que este intruso julgou dirigir os acon-
tecimentos.
Logo no mesmo dia da conversa entre Daniel e Matheus, teve o advo-
gado necessidade de ir no interior da provincia por causa de um pro-
cesso que trazia entre mãos.
A viagem era apenas de vinte dias; mas vinte dias para dois corações
que se querem eram vinte séculos, cu diria vinte eternidades se os voca-
bulos não se repellissem.
Daniel foi obrigado a adiar o pedido , tendo de partir logo no dia
seguinte.
Custou muito a Carlota d-espedir-se d'elle, e sé nâo estivesse completa-
mente boa, fora arriscado dar-lhe a noticia da viagem.
Quanto a Daniel, basta dizer que o não levava interesse nenhum, e
que, nem por um império deixaria de estar ao lado da moça, mas era
uma questão de honra; o moço.não queria parecer que desertava.
A separação foi dolorosa para todos.
* O velho medico vio entre outros inconvenientes, a demora da obra que
preparava com a ajudado advogado; Júlio não gostou de ver partir o
amigo que o salvara, e até quiz ir com elle.
Mas Daniel não consentio n'isso.
Em troca pedio-lhe um favor.
Qual ?
Ficarás aqui para communicares as minhas cartas a Carlota; e re-
metteres as minhas para ***.
Como quizeres.
Partio Daniel, depois d'este accordo com o amigo, sem que aliás hou-
vesse dito cousa alguma a^Carlota.
166 JORNAL ¦¦*.,.¦
DAS FAMÍLIAS.
Por isso grande foi o espanto da moça quando depois ;de alguns dias,
estando a conversar com Júlio a uma janella, este dissera :
D. Carlota tenho uma boa noticia para dar-lhe.
A mim? perguntou a moça espantada.
É verdade. Adivinhe.
Nâo posso. •
Veja bem.
feera...
<— É isso mesmo.
Isso que?, perguntou a moça que não julgava o rapaz sabedor do
seu amor.
Daniel escreveu-me, disse elle.
Ah! está bom?
Carlota affectava indifferença; mas a noticia produzira-lhe commoçâo.
Está bom, respondeu Júlio sorrindo, está bom, e pede-me que lhe
entregue isto.
Júlio tirou a carta do bolso e entregou-lh'a.
A moça pegou na carta, — eperguntoiK
Oqueé?
Não vê? É uma carta.
Uma carta para mim ?
Gomo as suas cartas serão para elle, e eu o intermediário de um e
de outro.
A moca não deixou de corar.
é
Porque ?
Não se sabe; mas corou.
Então sabe? perguntou Carlota.
^^^^CMsajLenhuma, respondeu-J^lior— ^-—. -
Mas dizia aquillo com um sorriso que a moça reconheceu ser a affirma-
tiva encoberta pela negativa, — e delicadamente encoberta.
Júlio comprehendeu que não convinha Gear alli, e retirou-se deixando
Garlota sozinha. A moça abrio immediatamente a carta que dizia assim :
(Continuar-se-ha.) CRISTAL.
/"' *",
,— •_
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i , '' yMCj^jj; •¦' -~^*.'.—':~~~~~^-imimi~~JÊ__~*^Y^^\^ -*-_; ¦z.-£TzzE___________\%f \}m_1_\_\*í___W*_____T_^^
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'V/v-N
T. XIII. 6.
QUEM BOA CAMA FAZ.
FIM.
TT7
Eu desejava...
Calou-se.
Desejava?...
Ser sua confidente, concluio Fernanda fazendo-se rubra.
Ernesto estremeceu tão naturalmente , que a moça olhou assustada
para as outras pessoas que estavam na sala.
Houve um momento de silencio.
Não tente encarar o inferno, disse Ernesto com melancolia; pode
cahir n'elle.
E ao mesmo tempo que dizia isto, tomou um ar alegre e estouvado.
Mas porque estou eu a dizer estas cousas? observou elle; são talvez
ridículas no seu espirito.
Oh! não! protestou ella.
A conversa tomou caminho diverso e jovial. Todo o esforço de Ernesfo
se resumia em parecer que affectava bom humor, mas que realmente
estava triste. A moça acreditou perfeitamente n'essa affectação. Sua sym-
pathia por semelhante estado do rapaz era já tamanha , que n'essa noite
apenas olhou para Luiz umas sete ou oito vezes. Nas outras noites regu-
lava por quarenta e tantas; houve uma noite de centõ~è~cincõ7\
No meio da conversa indifferente em que estavam todos, uma senhora
alludio em voz alta ao casamento de Fernanda e Luiz. A moça, que n'essa
oceasiao olhava para Ernesto, notou-lhe a dolorosa impressão que isto
produzio no rapaz; abaixou os olhos e ficaram ambos em profundo
silencio.
N'essa mesma noite, Luiz perguntou a Ernesto :
Que estiveram vocês conversando?
Varias cousas. *
—- O -negeeio marcha-?—
— Lentamente, mas ha de ir até o fim*
No dia seguinte, Fernanda, que não era janelleira, esteve toda a tarde
á janella, com tão bom frueto . que vio apparecer ao longe a figura de
Ernesto. O rapaz olhou para cila tres ou quatro vezes, comprimentou-a,
e antes de voltar o canto ainda voltou a cabeça com a esperança de a
ver. Vio-a, porque ella nao sahira da janella, e também foi visto, por*
que ella não desviara os olhos d'elle.
Depois das circumstancias que acabo de relatar, era impossivel que o
encontro dos dois não fosse um tanto acanhado e esquerdo- As-
primeiro
sim foi na verdade. Fernanda não se atrevia a levantar os olhos para
elle, e elle pela sua parte mostrava egual receio*
¦m JORNAL DAS FAMÍLIAS.
- Mas como ella não revelasse irritação nem sequer aborrecimento, Er-
nesto concluio que as cousas não andavam mal. Teve certeza dMssò na
segunda noite, em que se encontraram na casa do desembargador. D'esta
. vez o proprio Luiz foi testemunha de que os olhos da prima freqüente-
mente se dirigiam para o lado de Ernesto, e que os dois pareciam come-
çar uma conversação que prometüa ser mais intima.
Bravo! disse elle ao amigo no dia seguinte almoçando no hotel,
agora as cousas tomaram o verdadeiro aspecto. Já se carteam ?
Ainda não, mais não tarda.
Tardou algum tempo que se carteassem ; mas os olhos trabalhavam já
com muito afinco, os dedos diziam uns aos outros cousas muito expres-
sivas, na oceasiao de chegada ou de despedida, e o terreno estava magni-
fico para a primeira epistola amorosa.
Litteralmente, Fernando já não fazia caso do primo. A frieza com que
elle a tratava comparada com a attenção e o amor incubado de Ernesto
era a sentença de morte da\paixão que ella nutrira durante tanto tempo.
Luiz preferira de certo que a prima lhe fizesse algumas desfeitas, que
elle receberia com desdém, mas que lhe tocariam agradavelmente no amor
próprio. Uhegou ato a provocal-as, mostrando-se solicito e affectuosõy
mas foi o mesmo que se rendesse finezas ao chafariz do largo do Paço. A
moça nem se abalou ; tratou-o como prima c não como noiva.
Não era um desastre; era justamente o que elle queria. Por isso não se
zangou o bacharel; mas lá no fundo do coração lhe ficou um amargor.
Ernesto caminhou de vento em popa. Arriscou a primeira carta, tímida
e desesperançada. Fernanda respondeu algumas palavras ternas e judicio-
sas. Luiz teve conhecimento d'esses primeiros tiros de bala. A carta de
Fernanda foi de commum accordo declarado um modelo.
— Não se pode negar, observou Ern esto , q ue é uma moça d^coração^
e de intelligencia.
Sim, não contesto, respondeu Luiz.
E está apaixonada, ves?
Vejo.
Seguio-se um silencio.
E tu? disse repentinamente o bacharel cravando os olhos no amigo.
Eu? respondeu Ernesto cocando a cabeça, não estou nem estarei,
com quanto julgue que ella seria capaz de fazer um homem feliz. Uma
cousa porém me preoecupa.
Oqueé?
~- Entrei n'isto, cuidando
que ia substituir um namoro por outro.
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 173
Vejo que não. Tua prima apaixona-se de veras. Não quizera contribuir
para um desgosto na familia.
0 bacharel ainda fi-essa manhã ouvira ao pae fallar no casamento d'elle
com Fernanda, não em março que estava já no fira , mas em junho ou
julho. A idéa de que a prima de novo se voltasse para elle, e de que não
houvesse remédio senão casar, o levou a dissuadir o amigo dos tardios
escrúpulos.
Qual desgosto ! disse elle; assim como se esqueceu de mim, ha de
esquecer-se de ti; e tudo volta aos antigos eixos.
Vá feito.
Fallaste-lhe em mim alguma vez? perguntou Luiz depois de alguns
instantes. *
Só para elogiar-te.
-Eella?
*•
Alegrava-se com o que eu dizia. Se eu dissesse o contrario, não se
alegrava, mas afferrava-se a ti cada vez mais; é da regra.
Vás responder a essa carta ?
Hoje mesmo.
A resposta foi ardente, mas muito calculada. Fernanda subio ao selhnu
céo, e a carta com que replicou podia medir meças á do Ernesto; o na-
moro continuou assim por meio de cartas, olhares.) sorrisos e conversas,
todo o arsenal, em summa, usado n'este gênero de campanhas.
VIL
VIII.
Fernanda levantou-se.
¦J. Bem, disse ella, sou obrigada a sahir.
Ha de ficar, disse o bacharel, quando souber que se trata do decoro
da familia e de a salvar de um perigo.,.
Um perigo? murmurou a moça tornando a sentar-se.
Nem mais nem menos. Ouça.
Fernando tremia.
0 amigo a quem consultei continuou Luiz, lembrou um meio que
lhe pareceu excellente para afastar-me do casamento : o meio era procu-
eu
rar fazer-se amado da senhora e esfriar no seu coração o affecto que
lhe inspirara.
Fernanda fez um movimento.
Luiz continuou.
Tive a covardia de acceitar o plano, e ajudal-o a executar. Confesso
todos os meus erros para melhor ver a sinceridade do meu arrependi-
mento. Fui eu quem apresentou esse amigo em minha casa , onde elle
logo captou as boas graças da familia; e começou essa espécie de assedio
aju-
em volta do seu coração. Ajudei-o, é verdade, com vergonha o digo,
dei-o nessa infame tarefal
A moça empallideceu no começo d'esta narrativa; mas as faces para
logo se avermelharam. Luiz continuou a referir tudo o que se passara
entre elle e Ernesto.
Com o que eu não contava, porém, disse elle, era a punição que me
reservou o céo. Esse amor silencioso, casto, que eu tive o desazo de des-
veio accender-se em mim, e aquillo que ha poucos mezes recusei
prezar,
como uma grande desgraça , hoje almejo e peço como uma das maiores
fortunas da terra.
Luiz esperou algum tempo a resposta de Fernanda ás revelações que
acabava de fazei > a moça olhava para elle sem articular palavra; parecia
nem ouvir nada. ^ ?
Bem sei, disse elle, que não tenho direito a esperar o que lhe peço;
mas ha certamente no seu coração misericórdia para me perdoar. Do
virá talvez o amor qne espero mais tarde. Quanto ao pérfido que
perdão
me illudio...
A moça estremeceu.
Quando ao pérfido que nos illudio, continuou Luiz, estou certo de
uma expressão de desprezo.
que não lhe merecerá nem
Fernanda sorrio e murmurou :
Porque ?
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 179
á
Luiz olhou para ella com espanto. Seus olhos pareciam perguntar
isso ella repetio :
moça se na realidade elle ouvira bem; por
Porque ?
E como Luiz não se atrevesse a responder, a prima continuou :
„ É difficil de crer que tudo isso que me referio seja verdade; mas
ame? Nunca mais;
dado que seja, que deseja agora o primo? Que eu o
Perdôo-Ihe de
o senhor mesmo tornou isso impossível. Que lhe perdoe?
boa vontade...
Mas...
Nem só lhe perdôo; agradeço-lhe também, porque ao senhor devo
eu a felicidade da minha vida.
Como ? Julga que esse homem que tão vilmente zombou da sua
boa fé...
Esse homem ama-me, e está perdoado. A historia que o primo me
desculpei tudo em
contou já eu a sabia por boca d'elle mesmo, a quem
consente ao
troco da felicidade que me vae dar. Saiba que minha mãe
a
nosso casamento e que este será officialmente declarado d'aqui poucos
dias.
sem seja necessário dizer lh'o, o estado do
A leitora comprehende, que
miserável moço ao ouvir estas palavras. Pegou no chapéo , comprimen-
tou, e foi chorar na cama que é lugar quente.
0. o.
l_ *.: m^ m^ ** ' ^^-^—— _i ' » *^<g—^_F
j»*rT-i-~~~ ** _ ^^Tl
OS CASAMENTOS DE HOJE
LEMBRANÇAS HISTÓRICAS.
Bra-
Em 1599, houve noticia certa da existência de metaes preciosos no
de
zil, e n'esse anno enviou D. Francisco de Souza a Filippe III, rei
Hespanha e Portugal, um rosário feito de grãos de ouro indígena.
na igreja de S. Domingos em
Em 21 de junho de 1744 celebrou-se
os pedreiros lavres
Lisboa, o auto de fé em que foram punidos primeiros
rei D. João V, seu filho o príncipe D. José, os
Assistiram a essa festa o
infantes D. Pedro, D. Antonio e toda a côrte. Custon, de
ao auto foram, João
Os pedreiros livres que compareceram
184 JORNAL DAS FAMÍLIAS.
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de outra ma-
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v^ bordada n
No — Ott-íffl /Veníe da mesma jaqucimiia naturaes sobre H azul
fundo n711i
de cores
n6T Vimos este desenho bordado as hastes e urzes pequenas côr de cas-
muito claro, a folhagem verde ciclaro,
Yr^Mhasfem g
do meiQ
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tanha, o intcnor dos ^|^|^P| frUctos encarnados. Este bordado
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