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5 - Protocolos RTP-RTPC e Qos

O documento aborda os protocolos RTP (Real-time Transport Protocol) e RTCP (Real-time Control Protocol), essenciais para a transmissão de dados em tempo real, como áudio e vídeo, em redes IP. Também discute a importância da qualidade de serviço (QoS) e apresenta variações dos protocolos, como SRTP para segurança e CRTP para compressão de pacotes. A publicação é parte de uma série educacional do SENAI, destinada a capacitar profissionais na área de telecomunicações.

Enviado por

Eduardo Campos
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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5 - Protocolos RTP-RTPC e Qos

O documento aborda os protocolos RTP (Real-time Transport Protocol) e RTCP (Real-time Control Protocol), essenciais para a transmissão de dados em tempo real, como áudio e vídeo, em redes IP. Também discute a importância da qualidade de serviço (QoS) e apresenta variações dos protocolos, como SRTP para segurança e CRTP para compressão de pacotes. A publicação é parte de uma série educacional do SENAI, destinada a capacitar profissionais na área de telecomunicações.

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Série telecomunicações

Protocolos
RTP/RTPC
e QoS
Série telecomunicações

Protocolos
RTP/RTPC
e QoS
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI

Robson Braga de Andrade


Presidente

DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA– DIRET

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor de Educação e Tecnologia

Júlio Sérgio de Maya Pedrosa Moreira


Diretor Adjunto de Educação e Tecnologia

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI

Conselho Nacional

Robson Braga de Andrade


Presidente

SENAI – Departamento Nacional

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor-Geral

Gustavo Leal Sales Filho


Diretor de Operações

Sérgio Moreira
Diretor Adjunto
Série telecomunicações

Protocolos
RTP/RTPC e QoS
© 2014. SENAI – Departamento Nacional

© 2014. SENAI – Departamento Regional de Santa Catarina

A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, seja eletrônico, mecâ-
nico, fotocópia, de gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização, por
escrito, do SENAI.

Esta publicação foi elaborada pela equipe do Núcleo de Educação a Distância do SENAI de
Santa Catarina, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional, para ser utilizada por
todos os Departamentos Regionais do SENAI nos cursos presenciais e a distância.

SENAI Departamento Nacional


Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP

SENAI Departamento Regional de Santa Catarina


Núcleo de Educação – NED

FICHA CATALOGRÁFICA
_____________________________________________________________________________

S491p
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional.
Protocolo RTP/RTPC e QoS / Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Departamento Nacional, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Departamento Regional de Santa Catarina. Brasília : SENAI/DN, 2014.
38 p. : il. (Série Telecomunicações).

1. Telecomunicações. 2. Protocolos de comunicação. 3. Redes de


computação - Protocolos. 4. Real-time transport protocol. I. Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial. Departamento Regional de Santa Catarina. II. Título. III.
Série.

CDU: 621.39
_____________________________________________________________________________

SENAI Sede

Serviço Nacional de Setor Bancário Norte • Quadra 1 • Bloco C • Edifício Roberto


Aprendizagem Industrial Simonsen • 70040-903 • Brasília – DF • Tel.: (0xx61) 3317-
Departamento Nacional 9001 Fax: (0xx61) 3317-9190 • [Link]
Ilustrações
Figura 1 - RTP/RTCP em redes IP....................................................................................................................................13
Figura 2 - Significado da unidade de medida..........................................................................................................23
Figura 3 - Cenário de rede com roteadores de borda e núcleo.........................................................................27

Quadro 1 - Formato do pacote RTP.............................................................................................................................15


Quadro 2 - Formato do pacote SR (RTCP)..................................................................................................................18
Quadro 3 - Bits de marcação e seus respectíveis níveis........................................................................................30
Quadro 4 - Estrutura de um quadro (frame) com marcação (tag)....................................................................30

Tabela 1 - Comparativa pacote x perfil de transmissão........................................................................................23


Sumário
1 Introdução...........................................................................................................................................................................9

2 Visão Geral dos Protocolos RTP/RTCP.....................................................................................................................11


2.1 Definições iniciais e variações do RTP e RTCP....................................................................................12
2.1.1 Segurança SRTP/SRTCP............................................................................................................13
2.1.2 Compressão CRTP......................................................................................................................14
2.1.3 Pacote XR para RTCP.................................................................................................................14
2.2 RTP – Real Time Protocol...........................................................................................................................15
2.3 RTCP – Real Time Control Protocol.........................................................................................................17

3 Visão Geral Sobre Serviços de QoS...........................................................................................................................21


3.1 Eventos que interferem na qualidade VoIP.........................................................................................22
3.2 Arquitetura IntServ......................................................................................................................................23
3.2.1 Estabelecimento de chamada IntServ...............................................................................24
3.2.2 Serviço de qualidade garantida............................................................................................25
3.2.3 Serviço de rede de carga controlada..................................................................................26
3.3 Arquitetura DiffServ....................................................................................................................................26
3.3.1 Elementos funcionais DiffServ..............................................................................................26
3.4 Protocolo RSVP..............................................................................................................................................29
3.5 Padrão IEEE 802.1p.......................................................................................................................................29

Referências............................................................................................................................................................................33

Minicurrículo do Autor.....................................................................................................................................................35

Índice......................................................................................................................................................................................37
Introdução

Prezado aluno,
Seja bem-vindo à Unidade Curricular Protocolos RTP/RTPC e QoS. Gostaria de convidá-lo
a navegar nas fascinantes ondas da comunicação e tecnologias que proporcionam cada vez
mais o compartilhamento da informação, integração e aproximação das pessoas, através da
telefonia VoIP (Voice over Internet Protocol).
Nesta Unidade Curricular, você entenderá a forma como o áudio, o vídeo e demais conteú-
dos multimídia, convertidos em dados, serão trafegados entre seus emissores e receptores,
transportados por redes de dados IP em diferentes proporções, como redes LAN, MAN e WAN.
Ao final deste estudo, você terá conhecimento sobre como os dados provenientes de uma
ligação VoIP são enviados, de que forma o controle sobre esse envio é realizado e os mecanis-
mos dos protocolos envolvidos nesse processo para tornar esse serviço possível e com quali-
dade desejável.
Para atuar nas atividades relacionadas à telefonia VoIP, você precisará ter conhecimentos
sólidos sobre redes com arquitetura TCP/IP, para, dessa forma, garantir os meios necessários
na implementação do serviço e seus respectivos fluxos de dados. Além do suporte acadêmi-
co, em função da rápida evolução tecnológica, é primordial que você mantenha uma rede de
contatos, para continuar atualizado, buscando novas tendências de mercado e soluções para
os desafios cotidianos.
Visão Geral dos Protocolos RTP/RTCP

Você saberia definir o que seria um protocolo de tempo real? E informar como a voz e de-
mais tipos de sons podem ser transmitidos por uma rede de dados? Saberia dizer por que esse
tipo de transmissão é possível diante de diversos serviços providos pelas mesmas redes de da-
dos? Neste capítulo, você terá as informações necessárias para responder esses questionamen-
tos e consolidar seus conhecimentos sobre telefonia IP. É importante ressaltar que os conceitos
dos protocolos RTP e RTCP darão a você subsídios para entender como uma chamada VoIP ou
uma vídeo conferência, por meio a uma rede de dados IP, pode acontecer e a forma como ela
acontece através de seus fluxos de dados que são transmitidos em tempo real.
Você obterá conhecimento sobre os conceitos de protocolos que são responsáveis pela tro-
ca de informação em uma comunicação VoIP, além de seus mecanismos de funcionamento e
métodos de controle para prover certa qualidade e suas particularidades.
Ao final deste capítulo,você terá subsídios para:
a) compreender como ocorre a comunicação por uma chamada VoIP;
b) compreender os conceitos sobre os protocolos RTP/RTCP;
c) compreender as particularidades e variações dos protocolos RTP/RTCP;
d) compreender os principais mecanismos de funcionamento dos protocolos RTP/RTCP.
Protocolos RTP/RTPC e QoS
12

2.1 Definições iniciais e variações do RTP e RTCP

O RTP (Real-time Transport Protocol) ou Protocolo de Transporte em Tempo


Real, é o protocolo de rede que provê o transporte do emissor ao receptor de
fluxos de dados em tempo real, mas quais dados seriam esses?
Nesse contexto, os principais são áudio e vídeo, onde conversas (áudio) e
vídeo conferências (vídeos) são originadas de comunicações VoIP. Sendo este
transporte completado por demais serviços de rede unicast (comunicação de um
emissor para somente um emissor) e multicast (comunicação de um emissor para
dois ou mais receptores). Apesar de haver certo controle sobre essa comunicação,
o RTP também precisará contar com demais serviços de rede que irão promover
a qualidade desejável para as interações VoIP, porém este assunto será abordado
nos próximos capítulos.
A partir deste momento, você irá conhecer o protocolo RTCP (Real-time Trans-
port Control Protocol) ou Protocolo de Controle de Transporte em tempo Real.
Ele é um complemento do RTP, que realiza o monitoramento do fluxo de dados
do RTP, e verifica se partes do fluxo de dados enviado pelo RTP são entregues aos
seus devidos destinatários na forma e ordem corretas.
O RTCP atua nas sessões RTP e envia periodicamente pacotes de controle aos
emissores e receptores envolvidos na sessão, no qual imprimi certo nível de qua-
lidade à transmissão desses dados.

Você sabia que ambos os protocolos RTP e RTCP,


CURIOSIDADES constituem-se em elementos principais da maioria
das arquiteturas e serviços de telefonia IP?

Os protocolos RTP e RTCP atuam na camada de aplicação da rede, referente


ao modelo OSI, com a função de realizar transporte e controle de dados, e são
construídos para serem independentes das demais camadas de rede, abaixo da
camada que ocupa. No entanto, vale reforçar que é utilizado o protocolo UDP,
da camada quatro do modelo OSI, para realizar o transporte do fluxo de dados
proveniente de serviços suportados pelo RTC e RTCP.
Fique atento, pois este protocolo não retransmite pacotes perdidos e também
não envia pacotes de confirmação de entrega e recebimento. Dessa forma, con-
fere maior agilidade ao fluxo de dados transmitidos e evita atrasos na entrega dos
dados, onde deve-se levar em conta que estes dados devem ser entregues em
tempo real. Na sequência, observe na figura, o caminho percorrido por um fluxo
de dados de uma sessão RTP em uma rede IP com uso do protocolo de transporte
UDP.
2 Visão Geral dos Protocolos RTP/RTCP
13

Mídia Controle Mídia Controle


RTP RTCP RTP RTCP

UDP UDP

IP Sessão RTP IP

Figura 1 - RTP/RTCP em redes IP


Fonte: Colcher et al. (2005, p . 140)

O protocolo RTP não provê nenhum mecanismo próprio


para garantir a qualidade do fluxo de dados transmitidos e
FIQUE também não retransmite pacotes perdidos, porém fornece
ALERTA meios para que as demais camadas da rede e aplicações
possam minimizar o impacto por insucessos na transmis-
são de seus dados.

Após as definições iniciais dos protocolos RTP e RTCP, foi identificado a neces-
sidade de algumas melhorias ou implementações de acordo com o meio, cujo os
serviços que demandavam fluxo de dados providos pelo RTP fossem aplicados.
Agora você irá acompanhar essas variações do protocolo RTP/RTCP.

2.1.1 Segurança SRTP/SRTCP

Para implantar segurança nos protocolos RTP/RTCP, foram definidos o SRTP


(Secure Real time TransportProtocol) e o SRTCP (Secure Real time TransportCon-
trolProtocol) que fornecem confidencialidade, autenticação de mensagem e pro-
teção contra repúdio, no qual possibilita que remetente ou destinatário neguem
que enviaram ou receberam dados, para o fluxo de dados (RTP) e controle (RTCP).
Com a segurança implementada, esta variação do RTP/RTCP, torna-se adequada
para meios de transmissão heterogêneos, como redes interligadas entre trechos
wireless (redes sem fio) e trechos cabeados. Apesar desse pacote do fluxo de da-
dos possuir maior cabeçalho, o overhead causa pouco impacto e ainda há boa
vazão dos dados.
Protocolos RTP/RTPC e QoS
14

2.1.2 Compressão CRTP

Outro fator importante para transmissões em tempo real é o tamanho do pa-


cote do dado transmitido, que tem por objetivo não ocorrer atrasos no envio des-
ses dados, como também ter menos risco de perdas e variações na transmissão e
recepção.
É importante ressaltar, que o pacote enviado pelo RTP precisa ser encapsulado
pelo protocolo do transporte UDP e protocolo de rede IP, o pacote originado do
RTP passa de um tamanho de cabeçalho de 12 octetos para 40 octetos.
Dessa forma, para minimizar os impactos do overhead causado pelo encapsu-
lamento do pacote, principalmente em redes com baixa velocidade de transmis-
são, foi descrito um método para comprimir o cabeçalho do pacote já encapsu-
lado, originando o CRTP (Compressed Real time Transport Protocol), onde esta
compressão pode diminuir o cabeçalho RTP/UDP/IP em 2 a 4 octetos, e propor-
cionar grande ganho no sucesso da transmissão desses dados.

O cabeçalho de um pacote (fração) do dado transmitido con-


siste na parte do pacote que contém informações referente
ao seu emissor, transmissor, endereço de entrega, funções
de controle, entre outras funcionalidades. O overhead acon-
SAIBA tece quando o cabeçalho do pacote torna-se muito grande
MAIS ou até maior que o dado real transportado. Leia o livro indi-
cado a seguir, e confira mais detalhes a respeito!
KUROSE, James F; ROSS, Keith W. Redes de computadores e
a Internet: uma abordagem top-down. 3. ed. São Paulo: Pe-
arson, 2006. 625 p. 1 v.

2.1.3 Pacote XR para RTCP

Para aplicações VoIP, foi identificada a necessidade de mais informações de


controle, do que definido inicialmente no RTCP, sendo implementado o paco-
te XR (ExtendedReport). Estes pacotes são compostos por blocos de informação,
com sete tipos de blocos definidos inicialmente, com a finalidade de complemen-
tar estatísticas contidas em relatórios enviados pelo RTCP.
Agora que você já conferiu as definições iniciais e variações do RTP e RTCP, veja
mais detalhes a seguir sobre a estrutura e recursos de cada um desses protocolos.
2 Visão Geral dos Protocolos RTP/RTCP
15

2.2 RTP – Real Time Protocol

Agora você irá conhecer a estrutura do protocolo RTP que garante o seu fun-
cionamento. No quadro a seguir será demosntrada a estrutura básica do pacote
RTP e a relação dos campos presentes nesse pacote, sua descrição e funcionali-
dade, onde é importante ressaltar que os campos que precedem o CSRC estão
presentes em todos os pacotes deste protocolo.

V P X CC M Tipo de playload Sequence Number


Timestamp
SSRC
CSCR
Header Extension
Payload (áudio, vídeo etc)
Quadro 1 - Formato do pacote RTP
Fonte: Colcher et al. (2005, p. 143)

Após conhecer a estrutura básica do pacote RTP, veja a seguir a descrição dos
itens que compõem a estrutura do pacote e seu cabeçalho.
• V (Version): versão do protocolo RTP.
• P (Padding): usado para indicar se o playload (dado efetivo) foi preenchido ou
possui bytes adicionais para alinhamento do fluxo de dados.
• X (Extension): indica a presença ou não da extensão do cabeçalho do pacote.
• CC (CSRC Counter): informa quantos identificadores CSRC vêm após o ca-
beçalho fixo.
• M (Marker Bit): delimita um conjunto de dados relacionados (Ex.: início de
uma rajada de áudio ou fim de um quadro de vídeo).
• PT (Payload Type): identifica o tipo de codificação utilizada na mídia trans-
portada, permitindo que, durante a transmissão, a aplicação possa alterar a
codificação a qualquer momento.
• Sequence Number: indica o número de sequência do pacote, permitindo que
o receptor possa reordenar e inseri-lo corretamente no fluxo de mídia ou
ainda detectar possíveis perdas de pacotes.
• Timestamp: utilizado pelo receptor para sincronização e cálculo do jitter.
• SSRC (Synchronization source identifier): usado para informar a qual fluxo de
dados o pacote pertence, dessa forma permitindo a multiplexação de dados
em um único fluxo de pacotes UDP. Também indica a entidade que é respon-
sável por configurar o número de sequência e o Timestamp (normalmente
esta entidade é o transmissor do pacote RTP).
Protocolos RTP/RTPC e QoS
16

• CSRC (Contributing Source identifier): usado quando os pacotes provem de


um mixer (misturador). É indicado a SSRC original que gerou a mídia e que
está por trás do mixer.
• EoP (End of Packet): corresponde a um byte com valor hexadecimal nulo para
sinalizar o fim do pacote.
O RTP ainda possui dois recursos que permitem o fluxo de dados em redes que
são denominados misturador (mixer) e tradutor (translator), respectivamente, e
possuem diferenças entre o emissor e receptor ou diferenças entre os próprios
emissores e receptores.
O misturador é um dispositivo RTP que recebe fluxos de dados de um ou mais
emissores com características de transmissão diferentes, combina ou mistura es-
ses dados para enviar apenas um único fluxo de dados, assim ajusta ou equilibra
a largura de banda entre os participantes da sessão RTP.
O tradutor, por sua vez, possui três funções, a primeira que é distribuir os da-
dos em unicast, multicast ou broadcast; a segunda é permitir a comunicação entre
emissor e receptor protegidos por diferentes firewalls; e a terceira consiste em
converter os dados para outros tipos de codificações que possam ser suportados
por todos os participantes da sessão RTP.

CASOS E RELATOS

Visão de oportunidade
Em uma importante loja de artigos esportivos trabalhava Carlos, um jo-
vem promissor, estudante de TI, que sempre possuiu afinidade com a tec-
nologia e compreendia os benefícios gerados por ela, porém como ainda
não havia surgido a oportunidade profissional esperada, Carlos desem-
penhava apenas sua função de vendedor nessa loja. Certa vez, o gerente
da loja em que Carlos trabalhava iniciou um projeto para implantar um
Call Center para vendas direto ao público, onde o objetivo era vender os
mesmos produtos da loja, mas com preço menor do que praticado na
loja, e propôs a Carlos gerenciar a nova equipe de vendas. Carlos viu-se
diante de uma situação de difícil decisão em função do modelo de negó-
cio proposto por seu gerente; no qual sua comissão seria sobre a venda
da equipe, porém com um percentual menor, pois o produto vendido
por este canal possuía preço reduzido e parte dos custos operacionais
das chamadas também iria ser descontado das comissões de venda.
2 Visão Geral dos Protocolos RTP/RTCP
17

Apesar da dúvida, Carlos resolveu aceitar o desafio e ao final do primeiro


mês, pode avaliar o desempenho da equipe e de sua gestão. Ele conse-
guiu identificar que as vendas superaram as expectativas, contudo seu
salário havia reduzido. Partindo desse pressuposto, Carlos iniciou uma
análise para descobrir o estranho resultado e concluiu que os custos das
ligações realizadas pela equipe de seu Call Center estavam onerando os
custos operacionais. Nesse momento, Carlos resolveu colocar em práti-
ca seus conhecimentos de TI, mais especificamente sobre VoIP. Ao falar
sobre sua intenção de utilizar VoIP nas chamadas da nova equipe de Call
Center, ele foi desencorajado pela equipe de TI, e recebeu o argumento
de que o serviço não era estável e não possuía a qualidade necessária
para ser usado para essa finalidade. No entanto, Carlos estava convenci-
do que o VoIP era a solução ideal para seu cenário e munido mais uma
vez de seu conhecimento em TI, argumentou de forma consistente sobre
as propriedades dos protocolos de fluxo de dados em tempo real, seus
mecanismos de controle e certo que com a rede de dados preparada para
garantir a qualidade de serviços, teria um resultado satisfatório, em ter-
mos técnicos e financeiros, pois as chamadas VoIP possuem um custo
menor que a telefonia convencional.
Com perfil inovador, o gerente da loja resolveu apostar novamente em
Carlos e aprovou a inovação tecnológica proposta por ele. Os resultados
obtidos com esta medida foram um sucesso, reduzindo exponencialmen-
te os custos operacionais e garantindo a Carlos um reforço em sua conta
bancaria e uma promoção para gerenciar a equipe de TI da empresa.

Agora que você já conferiu o incrível universo de fluxo de dados em tempo


real e a importante missão de controle exercida pelo RTCP, veja mais detalhes,
a seguir, sobre o mecanismos utilizados para obter esse controle e as estruturas
desse protocolo.

2.3 RTCP – Real Time Control Protocol

O RTCP desempenha quatro funções principais e possui cinco tipos de paco-


tes, veja a seguir:
Protocolos RTP/RTPC e QoS
18

Funções:
• Controle de fluxo e congestionamento: importante para o controle de codi-
ficações adaptativas.
• Transporte de um identificador para cada transmissor RTP: usado para iden-
tificação denominada CNAME, sendo importante pois independe da iden-
tificação da origem do fluxo de dados (SSRC), dessa forma, se houver inter-
rupção do fluxo de dados e este for retomado, a referência para identificação
do transmissor responsável por este fluxo não é perdida.
• Controle da taxa de envio de cada participante da sessão RTP: necessário
para permitir a participação de um grande número de participantes em uma
sessão RTP.
• Transportar informações de controle de sessão: consiste no envio das infor-
mações e relatórios de controle da sessão RTP.
Pacotes:
• SR (SenderReport): contém informações de transmissão e recepção para
transmissores ativos.
• RR (ReceiverReport): contém informações de recepção para ouvintes que
não sejam também transmissores ativos.
• SDE (SourceDescription): descreve parâmetros da fonte do fluxo de dados,
incluindo o CNAME.
• BYE: tipo de pacote enviado por um participante da sessão para abandoná-
la.
• APP: tipo de pacote para funções específicas de aplicações que utilizam o
RTP.
Confira no quadro a seguir uma estrutura de um pacote SR (SenderReport):

V P RC PT = SR = 200 Comprimento
Transmissor
Timestamp NTP
Timestamp NTP
Timestamp RTP
Contador de pacotes do transmissor
Contador de octetos do transmissor
SSRC 1 (SSRC da primeira fonte)
Dados RR adicionais
SSRCn
Dados RR adicionais
Quadro 2 - Formato do pacote SR (RTCP)
Fonte: Do autor (2014)
2 Visão Geral dos Protocolos RTP/RTCP
19

Agora que você conheceu a estrutura do pacote SR (SenderReport), veja a se-


guir a descrição dos itens que compõem a estrutura do pacote e seu cabeçalho.
• V (Version): versão do protocolo RTCP.
• P (Padding): usado para indicar se o playload (dado efetivo) foi preenchido ou
possui bytes adicionais para alinhamento do fluxo de dados.
• RC: contador de relatórios de recepção.
• PT: define o tipo de pacote, nesse exemplo o valor 200 identifica um pacote
SR.
• Comprimento: expressa o tamanho do pacote de SR.
• Transmissor: SSRC do originador desse SR.
• Timestamp NTP: registro de tempo referente ao envio do pacote SR.
• Timestamp RTP: o mesmo timestamp que é apresentado no pacote RTP.
• Contador de pacotes do transmissor: realiza a contagem de pacotes trans-
mitidos pela SSRC.
• Contador de octetos do transmissor: realiza a contagem de octetos trans-
mitidos pela SSRC.
• Dados RR adicionais: blocos de relatórios de recepção.
• SSRCn: fonte a respeito da qual está se relatando.

Recapitulando

Neste capítulo, você verificou a importância do RTP/RTCP para a compre-


ensão de como ocorre a comunicação VoIP. Obteve conhecimento sobre
os conceitos do protocolo de transporte em tempo real e seu respectivo
protocolo de controle. Conheceu também as variações do RTP/RTCP para
implementações de segurança, compressão para redução do tamanho
do pacote e blocos de informações adicionais para controle mais efetivo
de sessões RTP envolvendo VoIP. Ainda pode aprofundar o conhecimen-
to ao estudar os principais mecanismos de funcionamento desses proto-
colos.
Continue aprendendo e prepare-se para novos assuntos que trarão apri-
moramento profissional a você!
Visão Geral Sobre Serviços de QoS

Qual o seu conceito sobre qualidade? Você saberia definir o nível de qualidade mínimo para
uma comunicação remota por voz? Estreitando nosso questionamento sobre as perguntas lan-
çadas, você saberia informar como é aplicado ou garantido qualidade a uma comunicação por
voz em uma rede de dados? Munidos destas perguntas você terá o necessário para alcançar o
entendimento sobre a qualidade de serviço inserida em uma rede de dados para tornar a tele-
fonia VoIP um serviço viável. É necessário lembrar que o serviço de voz por IP é um serviço de
tempo real, mediante a uma rede de comunicação repleta de concorrência de tráfego e seus
protocolos por si próprios não são capazes de garantir a qualidade desejada. Portanto você
obterá um importante conhecimento para trilhar no mundo da telefonia digital.
Você verá que a busca pela qualidade poderá ser alcançada de diferentes formas, depen-
dendo do contexto no qual o serviço será implementado. Assim sendo, convido você para co-
nhecer os principais métodos de QoS e a melhor maneira de aplicá-los.
Ao final deste capítulo, você terá subsídios para:
a) reconhecer o que é o Serviço de QoS para uma rede de dados;
b) identificar os problemas existentes em redes que podem interferir na qualidade de fluxo
de dados em tempo real;
c) compreender as particularidades da arquitetura de QoS IntServ;
d) compreender as particularidades da arquitetura de QoS DiffServ;
e) conhecer o funcionamento do protocolo usado em QoS, RSVP.
Protocolos RTP/RTPC e QoS
22

3.1 Eventos que interferem na qualidade VoIP

O termo QoS (Quality of service) ou Qualidade de serviço refere-se a métodos,


mecanismos, configurações entre outros artifícios utlizados em redes de dados
para priorizar determinados tráfego de dados. Com referência em serviços ofe-
recidos por esta rede de dados, existem duas arquiteturas denominadas IntServ
(Serviços Integrados) e DiffServ (Serviços Diferenciados). Veja a seguir as princi-
pais características desses modelos:
• IntServ é baseado na reserva de recursos de rede para garantir a negociação
estabelecida entre os equipamentos de rede responsáveis por aplicar a qual-
idade de serviço e as aplicações geradoras dos fluxos de dados, e também
identificado como um serviço de melhor esforço.
• DiffServ tem como referência a classificação e priorização do tráfego por
serviços, onde o fluxo de dados de um determinado serviço é identificado
por uma marcação em seus pacotes, nos quais são identificados nos equi-
pamentos de rede responsáveis por aplicar o QoS e priorizam este tipo de
tráfego em detrimento ao tráfego de outros tipos de dados.

Você sabia que a internet é uma rede de comuni-


cação, em razão de suas características, altamente
CURIOSIDADES não apropriada para serviços de voz, tornando
serviços como este possível na Internet graças ao
QoS aplicado.

É fundamental que você conheça os principais problemas de uma rede de da-


dos oferecidos aos fluxos de dados de tempo real, que são:
• latência: é o intervalo entre o que transmissor envia ao fluxo de dados e o
receptor recebe como informação e realiza seu processamento;
• largura de banda: é o limite de transferência de dados disponível entre o
transmissor e receptor;
• perda de pacotes: é a perda de dados causada por incidentes na rede, como
rotas mal definidas, tráfego de dados intenso, buffers de dados esgotados,
entre outros;
• jitter: é a variação das condições da rede, causando desordenação na entrega
dos pacotes de determinado fluxo de dados.
Os serviços mais tradicionais, como dados, vídeo e voz, possuem suas parti-
cularidades na questão de banda, tamanho de pacotes, sensibilidade ao atraso e
jitter, que exigem certo nível de qualidade para suportar esses serviços, conforme
demonstrado na tabela a seguir:
3 Visão Geral Sobre Serviços de QoS
23

Tabela 1 - Comparativa pacote x perfil de transmissão

Tempo para
Tamanho Atraso entre Banda
Aplicação enviar 1 pacote
do pacote pacotes mínima
(256 kbps)
Variável, até
Dados Variável Variável 47 ms
1500 bytes
Vídeoconferência 700 bytes 30 ms 160 kbps 22 ms
Voz sobre IP 60 bytes 20 ms 24 kbps 2 ms
Fonte: Hersent et al. (2002, p. 445)

O equilíbrio entre a qualidade de serviço, estabelecida


sobre um determinado serviço, e os recursos disponíveis
FIQUE da infraestrutura, deve ser mantido para evitar uma quali-
ALERTA dade acima do nível desejado e recursos alocados de for-
ma indevida, prejudicando a reserva desses recursos para
outras aplicações.

3.2 Arquitetura IntServ

Como você pode ver anteriormente, essa arquitetura de QoS consiste em re-
serva de recursos para determinados fluxos de dados. Agora você irá aprofundar
o seu conhecimento sobre este modelo com as suas respectivas características.
É importante ressaltar quais os principais recursos que são garantidos para for-
necer QoS lançando mão do método IntServ, que são banda passante e buffers.
A banda passante é definida como a quantidade de dados transmitidos em um
determinado intervalo de tempo. Um exemplo: quando é informado que há uma
banda passante de10Mbps, na verdade se quer dizer que a cada um segundo
pode se transferir até dez milhões de bits.

Figura 2 - Significado da unidade de medida


Fonte: Do autor (2014)
Protocolos RTP/RTPC e QoS
24

O buffer é um mecanismo para armazenar pacotes de dados por um determi-


nado período, onde este comportamento pode ocorrer na transmissão ou recep-
ção de um fluxo de dados. Ele é aplicado com o objetivo de enfileirar os pacotes
de dados de forma correta, para compensar atrasos de pacotes pertencentes a
um mesmo fluxo, e atrasos provenientes de processamento e congestionamen-
tos da rede. Igualmente, evitar descarte de pacotes, entre outros comportamen-
tos nocivos da rede em que possam causar erro na transmissão.
Agora que você conhece quais recursos serão usados, é preciso entender de
que forma será identificado o serviço ou fluxo de dados beneficiado com tais re-
cursos.
Como você já sabe, todos os pacotes de dados possuem em seu cabeçalho
algumas informações, entre elas a identificação do emissor e transmissor e o
protocolo de transporte usado. Dessa forma, o modelo IntServ utiliza essas in-
formações como referência para definir seus parâmetros de QoS, o que permite
priorizar tráfego de dados entre fontes transmissoras e receptoras específicas ou
alocação de recursos para determinadas aplicações que usam determinadas por-
tas UDP/TCP (protocolos de transporte).

3.2.1 Estabelecimento de chamada IntServ

Diante das características dessa arquitetura apresentadas até o momento,


uma questão se apresenta e você deve estar perguntando-se, como esses recur-
sos de fato são reservados? E ainda, para ir mais adiante em seu questionamento,
você deve pensar em uma rede de dados que pode ser composta por diferentes
enlaces, com diferentes roteadores interligados entre si, logo, como podem inter-
pretar essas políticas de QoS?
Para que os recursos possam ser reservados, é necessário aplicar determinadas
configurações de QoS em equipamentos de redes, identificados como roteado-
res, sendo estes responsáveis por interligar diferentes redes lógicas de dados e
encaminhar os fluxos de dados da rede. Dessa forma, esses equipamentos podem
usar as referências para aplicação de qualidade de serviço, que para esta arquite-
tura é a identificação dos endereços de rede dos transmissores e receptores e as
portas dos protocolos de transporte.
Para aprofundar a reflexão de encontro ao segundo questionamento sobre a
aplicação da QoS, será necessário conhecer a técnica usada para garantir a reser-
va de recurso desejada desde o primeiro ponto de acesso do transmissor até o re-
ceptor, denominada como “estabelecimento de chamada”. Essa técnica consiste
em três etapas, descritas a seguir:
3 Visão Geral Sobre Serviços de QoS
25

1. Caracterização do tráfego e especificação da QoS desejada: para que


um roteador determine se seus recursos são suficientes para atender às
exigências de QoS de uma sessão, será necessário que essa sessão decla-
re suas exigências de QoS, assim como caracterize o tráfego que deverá
enviar à rede, para o qual requer uma garantia de QoS. Na arquitetura
IntServ, essas especificações são identificadas como Rspec (relacionada à
reserva de recursos requerida) e Tspec (relacionado ao tráfego que deverá
ser gerado pelo remetente).
2. Sinalização para o estabelecimeto da chamada: a Tspec e Rspec de uma
determinada sessão devem ser transportadas para os roteadores nos quais
são reservados os recursos para esta sessão, sendo o protocolo RSVP (Re-
SerVation Protocol), um dos principais protocolos pelo envio dessa sinali-
zação.
3. Aceitação de chamada por elemento: assim que um roteador recebe a
Tspec e Rspec para uma sessão que requisita garantia de QoS, ele pode
determinar se pode ou não aceitar a chamada, sendo que esta chamada
poderá ser atendida se não comprometer recursos já alocados para ses-
sões em andamento.

O roteador é um dos principais equipamentos de rede, res-


ponsável pela comutação de redes lógicas heterogêneas, por
dar suporte a diversas aplicações a partir de seu processa-
mento de tráfego de dados, entre outras diversas funcionali-
SAIBA dades. Se você quiser conhecer o que há dentro de um rote-
MAIS ador, leia o livro a seguir, e confira mais detalhes a respeito!
KUROSE, James F; ROSS, Keith W. Redes de computadores e
a Internet: uma abordagem top-down. 3. ed. São Paulo: Pe-
arson, 2006. 625 p. 1 v.

3.2.2 Serviço de qualidade garantida

Ainda na arquitetura IntServ, o serviço de QoS é classificado em dois modos o


primeiro será visto agora, denominado o serviço de qualidade garantida. Como o
próprio nome já prevê, existe uma garantia total desse serviço em não haver per-
da de pacotes de um fluxo de dados beneficiado por reservas de recursos, sendo
esse modo ideial para serviços de VoIP.
Com base nas identificações de reserva de recursos e de tráfego, estabelecidas
na caracterização do tráfego e QoS da chamada, este modo estabele parâmetros
que garantem o fluxo de dados com a qualidade exigida pela aplicação, onde
essa manutenção do tráfego pode ser provada matematicamente.
Protocolos RTP/RTPC e QoS
26

3.2.3 Serviço de rede de carga controlada

O segundo modo de QoS promovido pelo modelo IntServ consiste em prover


certa reserva de recursos, em virtude disso, não há garantias associadas, como
visto no modo anterior. É reservado uma parcela de recursos requeridos, por isso
o comportamento do fluxo de dados neste modo é semelhante ao serviço de
melhor esforço, a exemplo da Internet quando há pouco tráfego na rede. Mas, se
houver aumento no tráfego da rede, o fluxo sofrerá pouca variação, havendo o
controle nesse sentido. Este modo é indicado para aplicações que possuem tole-
rância a pequenas variações e retardos de transmissões, como streaming (distri-
buição) de áudio e vídeo.

3.3 Arquitetura DiffServ

Como já mencionado, a arquitetura DiffServ consiste na priorização de tráfego


por serviço e agora você irá aprofundar o seu conhecimento sobre este modelo
com as suas respectivas características.
Este modelo, em comparação ao IntServ, possibilita uma redução de sessões
que devem ser mantidos nos roteadores da rede, onde viabilizam a aplicação de
QoS em redes de maior porte, tornando um importante fator para uso deste mo-
delo.
Cabe salientar, que o próprio conceito deste modelo confere maior flexibilida-
de à aplicação de qualidade de serviço, pois este serviço é melhor especificado,
tornando uma determinada política de QoS mais focada para determinada solu-
ção. Outro fator importante desta arquitetura é a disponibilização de elementos
funcionais ou peças de uma arquitetura de rede, com as quais estes serviços po-
dem ser montados.
A identificação do tráfego do serviço priorizado pode ocorrer por diferentes
classificações, onde há campos do cabeçalho do pacote que são utilizados para
esta finalidade. Nos pacotes IPv4 originalmente a marcação era realizada no cam-
po chamado ToS, tendo sido renomeado para DS (Differenciated Services).

3.3.1 Elementos funcionais DiffServ

Na apresentação da arquitetura do DiffServ foi abordada a flexibilidade deste


modelo, conferida por elementos funcionais nos quais os serviços são estrutura-
dos, a seguir esses elementos serão descritos.
3 Visão Geral Sobre Serviços de QoS
27

1. Funções de borda: na borda da entrada da rede, que pode ser um termi-


nal habilitado a DiffServ que gera o tráfego ou primeiro roteador habilita-
do a DiffServ que recebe o tráfego. Os pacotes serão marcados, mais espe-
cificamente o campo DS (Differenciated Services) do cabeçalho do pacote
é configurado para algum valor, no qual a marca que o pacote recebe
identifica a classe de tráfego na qual ele pertence. Dessa forma, diferentes
classes de tráfego receberão serviços diferenciados dentro do núcleo da
rede.
2. Função central: quando um pacote marcado com DS chega a um roteador
habilitado para DiffServ, ele é repassado até seu próximo salto de acordo
com o “comportamento por salto” associado à classe do pacote. Uma forte
característica do DiffServ é que o comportamento por salto do roteador se
baseará somente nas marcas dos pacotes, isto é, na classe de tráfego a que
o pacote pertence. Isso posto, se houver diferentes transmissores com pa-
cotes com a mesma marcação, o comportamento do salto será o mesmo,
evitando a necessidade de manter sessões do roteador para fonte-destino
individuais.
3. Comportamentos por salto: também identificado como PHB (Per-Hop
Behavior) consiste na descrição do comportamento de envio do tráfego
de dados de um roteador de núcleo com suporte e configuraçao de Diff-
Serv.

RB RB

RB

RN RN

RB

RN
Figura 3 - Cenário de rede com roteadores de borda e núcleo
Fonte: Do autor (2014)
Protocolos RTP/RTPC e QoS
28

Na figura apresentada é observado um cenário simples de rede, interligando


diferentes redes locais através de roteadores de borda (RB), conectados em uma
de suas interfaces a uma rede local e responsável pela marcação dos pacotes dos
fluxo de dados priorizados com DiffServ. E roteadores de núcleo (RN) que fazem
a interconexão entre si e dos roteadores de borda, onde no contexto de QoS não
fazem a marcação de pacotes, mas identificam esses pacotes marcados e aplicam
o tratamento adequado conforme configuração de QoS.

CASOS E RELATOS

Precisamos de qualidade, e agora?


Há alguns meses, uma empresa de televendas reestruturou o setor de TIC
com a finalidade de melhorar o suporte às necessidades do negócio e,
entre essas alterações, foram implantadas na central telefônica algumas
linhas principais com a tecnologia VoIP, com a finalidade de reduzir cus-
tos associados às chamadas. Assim que essas linhas foram instaladas, o
número de funcionários era pequeno na empresa e consequentemente
o consumo da banda passante do link de internet era abaixo do limite
disponível. Logo, não impactou na qualidade das chamadas dos canais
VoIP da central telefônica. Com o passar dos meses, novas estações de
trabalho foram criadas nessa empresa, assim aumentando o consumo do
link disponível. Consequentemente as chamadas VoIP perderam quali-
dade em função da concorrência com o aumento do tráfego, por isso foi
solicitado que o setor de TIC apresentasse uma solução para este com-
portamento. Com base nos conhecimentos sobre QoS a equipe da TIC,
conseguiu identificar a rota do fluxo de dados na Internet até o prove-
dor VoIP contratado pela empresa; verificar com o provedor de Internet
a aplicação de QoS nos roteadores de núcleo dessa rota e aplicar a con-
figuração de marcação de pacotes para o serviço de VoIP no roteador de
borda da empresa. Portanto, com as medidas adotadas a empresa pôde
continuar com o uso do VoIP com qualidade e economia desejadas, al-
cançando bons resultados em seu negócio, com o apoio da TIC e seus
conhecimentos sobre QoS.

Agora que você já conferiu as arquiteturas DiffServ e IntServ e suas caracterís-


ticas funcionais, será apresentado mais detalhes a seguir sobre um dos principais
protocolos utilizados no modelo de reserva de recursos.
3 Visão Geral Sobre Serviços de QoS
29

3.4 Protocolo RSVP

O protocolo RSVP (ReSerVation Protocol) ou Protocolo de Reserva de Recursos


é um dos principais protocolos utilizados na arquitetura de QoS IntServ, para si-
nalizar os roteadores envolvidos no processo de priorização quanto à reserva de
recursos a ser realizada.
A seguir estão descritas as características e o funcionamento deste protocolo.
• O protocolo oferece dois tipos de serviço, nos quais já foram apresentados
nesta abordagem, que são o serviço de qualidade garantida e de carga con-
trolada.
• A comunicação ou negociação entre o emissor e receptor, relacionado ao
protocolo RSVP, é realizada por dois tipos de pacotes deste protocolo, identi-
ficados como PATH, pacote enviado pelo transmissor com informações rela-
cionadas ao fluxo de dados a ser transmitido, e o RESV, sendo este pacote
enviado pelo receptor para notificar o transmissor quanto a atual condição
da rede referente aos recursos disponíveis.
Até o momento você estudou métodos de priorização baseado na camada 3
da rede, referente ao modelo OSI. Com o intuito de abranger outros métodos, na
próxima seção será abordado a aplicação de QoS na camada 2 da rede.

3.5 Padrão IEEE 802.1p

O IEEE (Institute of Electrical and Electronic Engineers) é um instituto interna-


cional responsável por diversos padrões, que descrevem e determinam modelos
de tecnologias. Entre eles, o padrão IEEE 802.1p descreve a QoS na camada 2 ou
camada de enlace, referente ao modelo OSI.
Partindo desse pressuposto, essa técnica de aplicar qualidade de serviço con-
siste na marcação do quadro ou frame, fragmento do dado antes de ser encapsu-
lado na camada 3 ou camada de rede do modelo de referência OSI. Essa marcação
é parte do padrão IEEE 802.1Q, denominada Tag (etiqueta), e nela pode haver
uma classificação para priorizar diferentes tipos de tráfegos, identificada no Tag
através do campo CoS (Class os Service).
Os diferentes tipos de tráfego podem ser classificados utilizando oito níveis,
sendo que o primeiro nível possui menor prioridade, conforme segue exposto a
seguir os três bits de marcação e seus respectíveis níveis:
Protocolos RTP/RTPC e QoS
30

000 = 0 : Best Effort (melhor esforço)


001 = 1 : Background
010 = 2 : Não Utilizado
011 = 3: Excellent Effort (excelente esforço)
100= 4 : Carga Controlada
101 = 5 : Vídeo
110 = 6 : Voz
111= 7 : Controle de Rede (gerência da rede)

Quadro 3 - Bits de marcação e seus respectíveis níveis


Do autor (2014)

Na sequência, uma demonstração de um frame para aplicar qualidade de ser-


viço pelo campo CoS na marcação Tag.

Preamble Start frame delimiter DA SA TAG PT Data FCS

Quadro 4 - Estrutura de um quadro (frame) com marcação (tag)


Fonte: Do autor (2014)

Com a conclusão deste tópico você pode compreender os principais métodos


de aplicação de QoS, para diversos cenários e aplicações, sendo contemplado di-
ferentes tamanhos e tipos de redes, no qual proporcionou o conhecimento ne-
cessário para o conteúdo proposto.

Recapitulando

Neste capítulo, você verificou a importância da aplicação de qualidade de


serviço em redes de dados, somente tornando viável alguns serviços via
IP com o uso de QoS. Também conheceu as arquiteturas de QoS existen-
tes, suas características de aplicação e funcionamento, suas particularida-
des e mecanismos.
Desse modo, torna-se importante ressaltar a necessidade de aplicação de
QoS para uso de serviços de tempo real providos pela rede, e de forma
especial o VoIP.
Os tópicos abordados servirão como base para diversos assuntos e ativi-
dades que requerem esses pré-requisitos, continue aprendendo e prepa-
re-se para novos temas que trarão aprimoramento profissional a você!
3 Visão Geral Sobre Serviços de QoS
31

Anotações:
Referências

COLCHER, Sérgio; GOMES, AntônioTadeu A.; SILVA, Anderson Oliveira; SOUZA FILHO, Guido L.; SOARES,
Luiz Fernando G. VoIP: voz sobre IP. 3. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2005. 281 p. 1v.
HERSENT, Oliver; GUIDE, David; PETIT, Jean-Pierre. Telefonia IP: comunicação multimedia baseada
em pacotes. 1. Ed. São Paulo: Pearson, 2002. 445 p. 1 v.
KUROSE, James F; ROSS, Keith W. Redes de computadores e a Internet: uma abordagem top-
down. 3. ed. São Paulo: Pearson, 2006. 625 p. 1 v.
LINS, Rafael Dueire; BARBOSA, Douglas Contente Pimentel; NASCIMENTO, Victor Carlos de Oliveira.
VoIP: conceitos e aplicações. 1. ed. Rio de Janeiro: Brasport, 2011. 237 p. 1 v.
Minicurrículo do Autor

Thiago Roberto Mendes é pós-graduando em Engenharia de Projeto de Software pela Universi-


dade do Sul de Santa Catarina (UNISUL), graduado em Gerenciamento de Redes de Computadores
pelo Instituto de Ensino Superior da Grande Florianópolis (IES) e técnico em Telecomunicações com
ênfase em Redes de Computadores pelo Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). No SENAI/SC,
em Florianópolis, atua como professor do curso técnico de Redes de Computadores EAD. Ao longo
dos anos atuou como analista de rede e infraestrutura na empresa Cianet Networking, envolvendo
atividades relacionadas a tecnologias e meios de transmissão de dados e VoIP. Atualmente também
atua como analista de sistemas na empresa Softplan/Poligraph em equipe externa alocada no De-
partamento Nacional de Infraestrutura de Transportes de Santa Catariana (DNIT/SC).
Índice

A
APP 18

B
BYE 18

C
CRTP 7, 14
CSRC 15, 16

D
DiffServ 7, 22, 26, 27, 28

E
Extension 15

I
IntServ 7, 22, 23, 24, 25, 26, 28, 29

J
Jitter 15, 22

L
Latência 22
Largura de Banda 16, 22

M
Marker bit 15

O
OSI 9, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 19, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 29, 30

P
Padding 15, 19
Payload Type 15

Q
QoS 7, 9, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 28, 29, 30
R
RTP 5, 7, 9, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 18, 19
RTCP 5, 7, 11, 12, 13, 14, 17, 18, 19
RR 18, 19
RSVP 7, 21, 25, 29

S
SRTP 7, 13
SRTCP 7, 13
Sequence Number 15
SSRC 15, 16, 18, 19
SR 5, 18, 19
SDE 18

T
Timestamp 15, 18, 19

U
UDP 12, 14, 15, 24

V
Version 15, 19

X
XR RTCP 38
DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA - DIRET

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor de Educação e Tecnologia

SENAI - DEPARTAMENTO NACIONAL


Unidade de Educação Profissional e Tecnológica - UNIEP

Felipe Esteves Pinto Morgado


Gerente Executivo de Educação Profissional e Tecnológica

Nina Rosa Silva Aguiar


Gerente de Educação Profissional e Tecnológica

Sinara Sant’Anna Celistre


Gestora do Programa SENAI de Capacitação Docente

Nathália Falcão Mendes


Analista de Desenvolvimento Industrial

SENAI - Departamento Regional de Santa Catarina

Selma Kovalski
Coordenação do Desenvolvimento dos Livros no Departamento Regional

Maycon Cim
Coordenação do Núcleo de Assessoria e Consultoria em Educação

Gisele Umbelino
Kácio Flores Jara
Coordenação do Projeto

Michele Antunes Corrêa


Coordenação Técnica de Desenvolvimento de Recursos Didáticos

Thiago Roberto Mendes


Elaboração

Israel Sivio Quirino


Revisão Técnica
Pâmella Rocha Flores da Silva
Design Educacional

Luiz Eduardo de Souza Meneghel


Ilustrações e Tratamento de Imagens

Carlos Filip Lehmkuhl Loccioni


Diagramação

Carlos Filip Lehmkuhl Loccioni


Felipe da Silva Machado
Revisão e Fechamento de Arquivos

Luciana Effting Takiuchi


CRB-14/937
Ficha Catalográfica

i-Comunicação
Projeto Gráfico

Jaqueline Tartari
Contextuar
Revisão Ortográfica e Gramatical

Jaqueline Tartari
Contextuar
Normalização

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