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Filosofia 06

O documento explora as contribuições da fenomenologia e do existencialismo para a reflexão sobre o ser humano, destacando a mudança de foco da filosofia do mundo exterior para a consciência interna. A fenomenologia, especialmente a de Husserl, investiga os fenômenos como conteúdos da consciência, enquanto o existencialismo, representado por pensadores como Kierkegaard e Sartre, enfatiza a liberdade e a responsabilidade individual na construção da essência humana. Ambas as correntes filosóficas abordam a condição existencial do ser humano, incluindo temas como angústia, desespero e a busca por significado.

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Filosofia 06

O documento explora as contribuições da fenomenologia e do existencialismo para a reflexão sobre o ser humano, destacando a mudança de foco da filosofia do mundo exterior para a consciência interna. A fenomenologia, especialmente a de Husserl, investiga os fenômenos como conteúdos da consciência, enquanto o existencialismo, representado por pensadores como Kierkegaard e Sartre, enfatiza a liberdade e a responsabilidade individual na construção da essência humana. Ambas as correntes filosóficas abordam a condição existencial do ser humano, incluindo temas como angústia, desespero e a busca por significado.

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DAS CONTRIBUIÇÕES DA FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA PARA A REFLEXÃO SOBRE O SER HUMANO A PARTIR

DA FENOMENOLOGIA E DO EXISTENCIALISMO
O conhecimento da realidade essencial dos fenômenos e a possibilidade desse conhecimento foi preocupação
constante da filosofia até princípios do século XX, quando a fenomenologia deixou de olhar para os elementos
exteriores que cercam os fenômenos e passou a considerá-los em si mesmos, por seu reflexo na consciência,
como única maneira de apreendê-los.
Fenomenologia é o estudo dos fenômenos em si mesmos, independentemente dos condicionamentos
exteriores a eles, cuja finalidade é apreender sua essência, estrutura de sua significação. É também um método
de redução, pelo qual o conhecimento factual e as suposições racionais sobre os fenômenos como objeto, e a
experiência do eu, são postas de lado, para que a intuição pura da essência do fenômeno possa ser rigorosamente
analisada. É o estudo dos fenômenos, distinto do estudo do ser, ou ontologia.
Na história da filosofia, a fenomenologia tem três significados especiais. Na segunda metade do século XVIII, era
sinônimo de “teoria das aparências”, expressão cunhada pelo filósofo Jean-Henri Lambert para distinguir a
aparência das coisas do que elas são em si mesmas. Com Hegel, em Phänomenologie des Geistes (1807;
Fenomenologia do espírito), é uma espécie de lógica do conteúdo e uma introdução à filosofia, história das fases
sucessivas, das aproximações e das oposições pelas quais o espírito se eleva da sensação individual à razão
universal, ou, para usar sua fórmula: “é a ciência da experiência que faz a consciência”. Foi com Husserl que a
palavra ganhou, nas primeiras décadas do século XX, o significado de que hoje se reveste, de estudo dos
fenômenos em si mesmos, que visa à evidência primordial, e de denominação de um movimento que influiu de
modo significativo no pensamento filosófico dessa época.
A fenomenologia husserliana é uma meditação sobre o conhecimento. Considera que aquilo que é dado à
consciência é o fenômeno (objeto do conhecimento imediato). Esse fenômeno só aparece numa consciência;
portanto, é a essa consciência que é preciso interrogar, deixando de lado tudo o que lhe é exterior. A consciência,
para Husserl, só pode ser entendida como intencional, isto é, não está fechada em si mesma, mas define-se como
uma certa maneira de perceber o mundo e seus objetos. Mostrar os diversos aspectos pelos quais a consciência
percebe esses objetos e sob os quais eles lhe aparecem, o que a sua presença supõe, constitui o estudo e o
objetivo essencial da fenomenologia.
Para Husserl, portanto, a tarefa da filosofia é a pesquisa, exame e descrição do fenômeno, como conteúdo da
consciência. Trata-se de uma mudança radical de sentido na orientação filosófica, antes voltada para as coisas,
para o mundo exterior, e que com ele passou a interessar-se pela consciência, pelo mundo interior. Assim, por
exemplo, se alguém vê as folhas de uma palmeira serem agitadas pelo vento, essa experiência é, toda ela, um
fenômeno interior, que se passa essencialmente dentro da consciência. Os objetos exteriores são apenas
condições para que se crie a percepção, a vivência desse fenômeno interior. A fenomenologia se prende, por meio
da atitude reflexiva, nesses fenômenos ou estados da consciência e prescinde da realidade exterior das coisas, ou
como diz Husserl, coloca-se entre parênteses. É o que ele chama de epokhé, ou seja, o ato de liberar a atenção
do exterior para que ela se detenha na análise da vivência ou experiência pura.
A fenomenologia é, portanto, uma descrição daquilo que se mostra por si mesmo, de acordo com o “princípio dos
princípios”: toda intuição primordial é fonte legítima de conhecimento. Situa-se como anterior a toda crença e
juízo e despreza todo e qualquer pressuposto: mundo natural, senso comum, proposição científica ou experiência
psicológica.
Essa mudança de orientação teve grande importância para a filosofia, pois a eximiu de cuidar da explicação do
mundo e das coisas. A ciência é que explica o mundo e seus aspectos acessíveis à nossa experiência. Ao voltar-se
para o conteúdo ou para o fenômeno existente na consciência, a fenomenologia encontrou um objeto que a
capacita a transformar-se em ciência autêntica, como pretendia seu fundador. Esse conteúdo é antes suscetível
de descrição do que de medida. Fazer tal descrição é a tarefa dessa filosofia.42 42
Os críticos da obra de Husserl dividem-se em dois grupos principais. De um lado estão os que, como os
neokantianos, concordam em que a fenomenologia se realizou como perspectiva ontológica; do outro, os que
sustentam que ela significou apenas uma tomada de posição epistemológica, como Nicolaio Hartman. Em outras
palavras, os que admitem ser ela uma perspectiva do ser, e os que a consideram apenas como uma investigação
do conhecer.
Em seus primeiros escritos, Husserl não põe em dúvida a existência dos objetos independentemente dos atos
mentais. Mais tarde, introduz a noção problemática de uma redução transcendental fenomênica, mediante a qual
se descobre o ego (o eu) transcendental, diferente do ego fenomênico da consciência ordinária. Em consequência,
Husserl passa de um realismo primitivo a uma modalidade de idealismo kantiano. Sua influência foi muito
profunda, em especial entre os existencialistas (Martin Heidegger, Jean-Paul Sartre, Maurice Merleau-Ponty) que,
apesar de se considerarem fenomenologistas, preocupavam-se mais com a ação do que com o conhecimento.
Em psicologia, fenomenologia é um método de descrição e análise desenvolvido a partir da fenomenologia
filosófica, aplicado à percepção subjetiva dos fenômenos e à consciência, em especial nos campos da psicologia
da Gestalt, análise existencial e psiquiátrica.
Fenomenologia de Edmundo Husserl6
6 J. M. Bochenski. A Fenomenologia de Edmund Hussearl. [Link]
Edmund Husserl (1859-1938) que, juntamente com BERGSON, exerceu e continua ainda exercendo a influência
mais profunda e duradoura sobre o pensamento contemporâneo, foi discípulo de BRENTANO. Estudou também
com o psicólogo CARL STUMPF (1848- 1936). Desenvolveu sua atividade acadêmica nas universidades de Halle,
Goettingen e Friburgo de Brisgóvia. Trabalhador infatigável, aliava uma extraordinária capacidade de análise a
uma rara penetração de espírito. Sua obra, muito extensa, é de leitura extremamente difícil, não por deficiências
de linguagem, senão por causa da aridez do assunto. Como escritor de filosofia, é modelo de precisão e, neste
particular, faz recordar Aristóteles. Quanto ao seu sistema, depende, em parte, de BRENTANO e de STUMPF e,
indiretamente, através do primeiro, da escolástica. Nota-se, outrossim, nele, uma certa influência neokantiana.
HUSSERL começou sua carreira com trabalhos matemáticos. Foi então que publicou o primeiro volume de sua
importante Philosophie der Arithmetik, obra que não prefigura por forma nenhuma o caminho por onde sua
filosofia iria enveredar. Nos anos 1900-1901 apareceu sua obra principal, Logische Untersuchungen (Investigações
lógicas), na qual dirige a atenção para os fundamentos da lógica. Esta obra monumental divide-se em duas partes:
a primeira, os Prolegomena zur reinen Logik (Prolegômenos à lógica pura), contém uma crítica do psicologismo e
do relativismo, de um ponto de vista intelectualista e objetivista, ao passo que a segunda mostra a aplicação dos
princípios enunciados na primeira a alguns problemas particulares da filosofia da lógica. Em 1913, HUSSERL,
publica suas Ideen zu einer reinen Phänomenologie (Ideias relativas a uma fenomenologia pura). Aqui a
fenomenologia converte-se numa “filosofia primeira” e aplica-se ao estudo do conhecimento em geral, tornando-
se já patentes as conclusões idealistas. Estas conclusões encontram seu pleno desenvolvimento nos dois livros
seguintes: Formale und Transzendentale Logik (1929) e Erfahrung und Urteil (1939) (Lógica formal e
transcendental e Experiência e Juízo). Globalmente considerados o caminho seguido pelo pensamento de
HUSSERL, pode resumir-se da seguinte maneira: partindo do estudo filosófico da matemática, desenvolve
primeiramente um método objetivista e intelectual e, na aplicação deste método à consciência, desemboca no
idealismo.
A influência de HUSSERL opera em várias direções. Em primeiro lugar, as penetrantes análises de suas
Investigações lógicas representam sério golpe no positivismo e no nominalismo, que imperavam no século XIX.
Ao mesmo tempo, seu método, que sublinha o conteúdo e a essência do objeto, contribuiu poderosamente para
a elaboração de um pensamento antikantiano. Sob este aspecto, é um dos grandes pioneiros da nova filosofia.
Por outro lado, criou um método, denominado fenomenológico, aplicado hoje em dia por grande parte dos
filósofos. Além disso, seus trabalhos contém tamanha quantidade de análises sutilíssimas e penetrantes que pa-
rece ser mais que duvidoso que esta multidão de conhecimentos tenha sido aplicada e aproveitada em sua
totalidade. Tem-se a impressão de que a obra de HUSSERL esteja prestes a se converter numa fonte clássica da
filosofia do porvir. HUSSERL foi o fundador de uma escola muito numerosa e importante. Mas sua influência não
se confina nesta escola, senão que se estende, como dissemos, a toda a filosofia contemporânea.
É claro que não podemos pretender resumir aqui nem sequer uma só de suas obras riquíssimas de conteúdo. Com
maior razão do que noutros casos, torna-se mister remeter o leitor para o próprio texto, especialmente para as
Investigações lógicas. Limitamo-nos a dar uma vista de conjunto muito sumária do método de HUSSERL, de sua
teoria da lógica e do caminho por onde ele chegou ao idealismo.
Intencionalidade e Idealismo
A redução transcendental é a aplicação do método fenomenológico ao próprio sujeito e a seus atos. HUSSERL já
tinha afirmado anteriormente que o domínio da fenomenologia precisava ser constituído com diferentes regiões
do ser. Uma destas regiões do ser, região característica, é a consciência pura. Chega-se a esta consciência pura
mediante o muito importante conceito de intencionalidade, que HUSSERL recebeu de BRENTANO e,
mediatamente, da escolástica. Entre as vivências sobressaem algumas que possuem a propriedade essencial de
ser vivências de um objeto. Estas vivências recebem o nome de “vivências intencionais” (intentionale Erlebnisse),
e na medida em que são consciência (amor, apreciação, etc.) de alguma coisa, diz-se que tem uma “relação
intencional” com esta coisa. Aplicando agora a redução fenomenológica a estas vivências intencionais, chegamos,
por um lado, a captar a consciência como um puro centro de referência da intencionalidade, ao qual o objeto
intencional é dado, e, por outro lado, chegamos a um objeto que, depois da redução, não tem outra existência
senão a de ser dado intencionalmente a este sujeito. Na própria vivência, considera-se o ato puro, que parece ser,
simplesmente, a referência intencional da consciência pura ao objeto intencional.
Deste modo a fenomenologia se converte na ciência da essência das vivências puras. A realidade inteira aparece
como corrente das vivências concebidas como atos puros. É mister advertir insistentemente que esta corrente
nada tem em si de psíquico, que por conseguinte se trata unicamente de puras estruturas ideais; portanto, a
consciência pura (que no estado de atualização se chama “cogito“) não é um sujeito real, nem seus atos são mais
do que relações meramente intencionais, e o objeto não é mais do que um ser dado a 43
este sujeito lógico. HUSSERL opera ainda na corrente das vivências uma distinção
entre a hylé (matéria) e a morphé (forma) visada. Chama “noese” àquilo que configura
a matéria em vivencias intencionais, e “noema” à multiplicidade dos dados que se
podem mostrar na intuição pura. No caso de uma árvore, por exemplo, distinguimos o
sentido da percepção da árvore (seu noema) e o sentido da percepção como tal (noese);
de igual modo, distingue-se no juízo o enunciado do juízo (isto é, a essência dêste
enunciado, a noese do juízo) e o juízo enunciado (o poema do juízo). Este último poderia
ser denominado “proposição em sentido puramente lógico”, se o noema não contivesse,
além de sua forma lógica, uma essência material.
O existencialismo é o nome dado à corrente filosófica iniciada no séc. XIX pelo filósofo
dinamarquês Søren Kierkegaard (1813-1855). Como o próprio nome diz, o conjunto de
doutrinas existencialistas tem foco na existência, isto é, na condição de existência
humana.
O termo “existencialismo” foi cunhado somente no século XX por Gabriel Marcel,
filósofo francês, em meados de 1940. O existencialismo francês do pós-guerra ficou
popularizado em razão da obra de Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Albert Camus.
O tema da existência humana foi trabalhado por diversos pensadores, mas é
Kierkegaard que faz das perguntas existenciais o foco de sua pesquisa filosófica.
Escreveu sobre a aparente falta de sentido da vida, da busca de sair desse tédio
existencial e sobre a realização de escolhas livres. Assim, o homem, em sua liberdade,
escolhe para definir sua natureza.
Influenciado por Kierkegaard, o filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976)
desenvolveu sua ideia de Dasein. Para ele, o homem não é um ser abstrato ou uma
substância, mas uma existência presente, um Dasein (do alemão: Ser-aí).
O auge do pensamento existencialista ocorre na França, com Jean-Paul Sartre (1905-
1980), filósofo francês, e Albert Camus (1913-1960), filósofo argelino, que
popularizaram o termo e as ideias escrevendo, além de textos teóricos, romances e
peças de teatro. Essa força nos anos pós-guerra tem muito a ver com a recuperação de
conceitos como liberdade e individualidade.
O pensamento existencialista defende, em primeiro lugar, que a existência vem antes
da essência. Significa que não existe uma essência humana que determine o homem,
mas que ele constitui a sua essência na sua existência. Esta construção da essência se
dá a partir das escolhas feitas, visto que o homem é livre. Nessa condição na qual o
homem existe e sua vida é um projeto, ele terá de escolher o que quer ser e efetivar sua
vontade agindo, isto é, escolhendo.
Se a condição humana é esta, então o homem vive numa angústia existencial. Ter de
escolher a todo instante é angustiante, pois cada escolha irá refletir diretamente no que
se é. A angústia é o reflexo da liberdade humana, dessa ampla possibilidade de escolher
e ser responsável por cada escolha.
Outra característica da condição humana é o desespero. Aquilo que nos torna quem
somos pode ser perdido e nos deixar em desespero. Um atleta que sofre um acidente e
fica incapacitado de competir certamente entraria em desespero. Porém, toda existên-
cia humana está em desespero, pois o homem precisa de coisas externas, que ele não
controla, para se sentir quem ele é. Assim, mesmo vivendo sem o desespero, o homem
está vivendo num constante desespero.
Um tema abordado por Sartre é bem interessante, o desamparo. Somos livres,
escolhemos, temos a angústia de escolher e o desespero de perder tudo. Mas, também
estamos desamparados, isto é, não temos muletas, desculpas ou a quem culpar por
nossas escolhas.
Com isto, o existencialismo é o conjunto de ideias que coloca no ser humano a
responsabilidade por se construir e por seus atos. Não há desculpas e
justificativas para nossas ações. O que somos ou o que fazemos não é produto
de nossa infância, de nossa criação, do destino ou da divindade. Estamos
sozinhos, lançados no mundo, para nos inventar, pois não há nada anterior à
nossa existência para definir o que somos.

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