Mapas, Saber e Poder
Mapas, Saber e Poder
Confins
Revue franco-brésilienne de géographie / Revista franco-brasilera de geografia
5 | 2009
Número 5
Brian Harley
[Link]
Notes de la rédaction
Ensaio publicado com o título, Maps, knowledge and Power In The iconography of landscape :
Essays on the symbolic representation, design and use of past environnements, sob a direção de
Denis Cosgrove e Stephen Daniels (New York : Cambridge University Press, 1988).
Texte intégral
Dê-me um mapa; depois mostre-me
Tudo o que me resta para conquistar o mundo ...
Aqui, eu comecei a andar em direção à Pérsia,
Ao longo da Armênia e do mar Cáspio,
Depois até a Bitínia onde eu fiz prisioneiros
Os Turcos e sua grande Imperatriz.
Depois eu andei até o Egito e a Arábia,
E aqui, não distante de Alexandria,
Onde o Mediterrâneo e o Mar Vermelho se encontram,
Distantes um do outro menos de cem léguas,
Eu pretendo abrir um canal entre os dois
Para que os homens possam navegar rapidamente em direção à Índia.
Depois, de lá, em direção à Núbia perto do lago Borno,
E ao longo do mar da Etiópia,
Cortando o trópico de Capricórnio,
Eu conquistei tudo até Zanzibar.
Christopher Marlowe,Tamburlaine, Segunda parte ([Link] 123-139)
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1 Um livro sobre o conjunto de imagens geográficas que não incluísse o mapa pareceria
um Hamlet sem o Príncipe. Entretanto, ainda que os mapas estejam há muito tempo no
centro dos discursos sobre a geografia, raramente eles são lidos como textos
“ profundos “1ou como formas de saber socialmente construídas. “ A interpretação dos
mapas “implica habitualmente o estudo de suas “ características geográficas ” sem
indicar como, enquanto forma manipulada do saber, eles contribuíram para moldar
estas características. Certamente, na geografia política e história do pensamento
geográfico, vinculam-se cada vez mais os mapas e o poder, sobretudo nos períodos de
história colonial. Mas o papel particular dos mapas, como imagens ligadas a contextos
históricos precisos, quase não se sobressai do discurso geográfico no qual eles estão
inseridos. O que falta, é o sentimento do que Carl Sauer2 chamava de eloqüência dos
mapas. O que podemos fazer para que os mapas “ falem ” dos mundos sociais do
passado?
Perspectivas teóricas
2 Inicio por explorar o discurso dos mapas no poder político, e minha linha de estudo é
preponderantemente iconológica. Os mapas serão considerados como parte integrante
da família mais abrangente das imagens carregadas de um juízo de valor, deixando de
ser percebidos essencialmente como levantamentos inertes de paisagens morfológicas
ou como reflexos passivos do mundo dos objetos. Eles são considerados imagens que
contribuem para o diálogo num mundo socialmente construído. Nós distinguimos
assim a leitura dos mapas dos cânones da crítica cartográfica tradicional e de seu
rosário de oposições binárias entre mapas “ verdadeiros e falsos ”, “ exatos e inexatos ”,
“ objetivos e subjetivos ”, “ literais e simbólicos ”, baseados na “ integridade científica ”
ou marcados por uma “ deformação ideológica ”. Os mapas nunca são imagens isentas
de juízo de valor e, salvo no sentido euclidiano mais estrito, eles não são por eles
mesmos nem verdadeiros nem falsos. Pela seletividade de seu conteúdo e por seus
símbolos e estilos de representação, os mapas são um meio de imaginar, articular e
estruturar o mundo dos homens. Aceitando-se tais premissas, torna-se mais fácil
compreender a que ponto eles se prestam às manipulações por parte dos poderosos na
sociedade.
3 Nesta paisagem conceitual, eu apontaria três pontos de vista que permitem perceber
certos contornos ideológicos mais específicos dos mapas. De início, eu encaro os mapas
como uma forma de linguagem (não é vital para a informação que esta afirmação seja
tomada pelo sentido metafórico ou literal)3. O conceito de uma linguagem cartográfica é
preferível àquele originado da semiótica e, embora tenha atraído alguns cartógrafos, é
uma ferramenta muito desgastada para conduzir uma investigação histórica específica.
O conceito de linguagem se traduz mais facilmente em prática histórica. Ele não apenas
nos ajuda a ver nos mapas imagens – espelhos servindo para intermediar diferentes
visões do mundo, mas também nos leva a procurar dados empíricos sobre aspectos tais
como os códigos e o contexto da cartografia assim como sobre seu conteúdo tomado no
sentido tradicional. Uma linguagem , ou melhor uma “ literatura dos mapas ” nos incita
também a formular questões sobre a evolução dos usuários dos mapas, sobre o nível de
familiarização com eles, sobre sua paternidade, sobre os aspectos atinentes ao segredo e
à censura, e sobre a natureza das informações neles inscritas.
4 Além disso, a crítica literária pode nos ajudar a identificar a forma particular do
discurso cartográfico. O discurso foi definido referindo-se aos aspectos de um texto que
possuem uma carga apreciativa, avaliativa, persuasiva e retórica em oposição àqueles
que tratam somente da denominação, localização e narração. Ao se demonstrar que o
“ simples ” fato de se denominar ou situar um elemento sobre o mapa possui
freqüentemente uma carga política, pode-se todavia aceitar que uma separação idêntica
se aplique aos mapas. Estes últimos formam uma categoria de imagens retóricas,
limitadas pelas regras que regem seus códigos e seus modos sociais de produção, de
troca e de utilização, de tal modo a não importar outra forma de discurso. Por sua vez,
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isto nos leva a melhor compreender os mecanismos pelos quais os mapas, como os
livros, tornaram-se uma força política na sociedade4
5 Um segundo ponto de vista teórico foi extraído da formulação que Panofsky nos dá de
iconologia5. Já se tentou estabelecer uma correspondência entre os níveis de
interpretação definidos por Panofsky para a pintura e aqueles que são identificáveis nos
mapas. Neste último caso, pode-se utilizar a iconologia não apenas para identificar um
nível de significação “ superficial ”ou literal, mas também um nível “ mais profundo ”,
geralmente associado à dimensão simbólica do ato que consiste em emitir ou receber
uma mensagem. Um mapa pode carregar em sua imagem um simbolismo passível de
ser associado à zona, à característica geográfica, à cidade ou ao lugar particular que ele
representa. É neste nível simbólico em geral que o poder político dos mapas é mais
eficazmente reproduzido, comunicado e percebido.
6 A terceira perspectiva é extraída da sociologia do conhecimento. Já foi colocada a
idéia de que o conhecimento cartográfico é um produto social, e para esclarecer esta
proposição foram introduzidos neste ensaio dois conjuntos de idéias para sustentar os
exemplos empíricos. O primeiro conjunto foi retirado de Michel Foucault que, ainda
que suas anotações sobre a geografia tenham sido breves6, fornece um modelo
interessante para a história do conhecimento cartográfico em sua crítica da
historiografia.
7 A cartografia pode ser também uma forma de conhecimento e uma forma de poder.
Assim como o historiador pinta a paisagem do passado com as cores do presente, o
geômetra, conscientemente ou não, não reproduz somente o entorno em sentido
abstrato, mas também os imperativos territoriais de um sistema político. Seja o mapa
produzido sob a bandeira da ciência cartográfica, como foram a maior parte dos mapas
oficiais, ou seja um exercício de propaganda declarada, é inevitável que esteja envolvido
no processo do poder. Da mesma forma, pode acontecer que algumas implicações
práticas dos mapas caiam também na categoria que Foucault qualifica como atos de
vigilância, sobretudo aqueles guerra, à propaganda política, à delimitação de fronteiras
ou à preservação da ordem pública.
8 Foucault não é o único a estabelecer uma ligação entre poder e saber. Ao formular
teorias sobre a maneira pela qual os sistemas sociais foram integrados no tempo e no
espaço (sem entretanto mencionar explicitamente os mapas) Anthony Giddens7 se
refere aos “ recursos de autoridade ” (em oposição aos recursos materiais) que o Estado
controla : “ o estoque de recursos de autoridade implica sobretudo a retenção e o
controle da informação e do saber (conhecimento) . Sem dúvida, o evento decisivo aqui
é a invenção da escrita e dos números ”. Os mapas foram uma invenção similar no
controle do espaço ; eles facilitaram a expressão geográfica dos sistemas sociais e são
um meio de consolidar o poder do Estado. Como instrumentos de vigilância, eles se
prestam ao mesmo tempo à coleta de informações pertinentes para o controle dos
cidadãos pelo Estado e à vigilância direta de sua conduta. Nos tempos modernos,
quanto mais a administração do Estado é complexa, mais suas ambições territoriais e
sociais são ampliadas, e maior será sua demanda por mapas.
9 Estas idéias nos ajudam a considerar as imagens cartográficas sob o ângulo de sua
influência política na sociedade. O simples fato que, durante séculos, os mapas tenham
sido classificados como imagens científicas, e que eles sejam ainda colocados nesta
categoria pelos filósofos e semioticistas, torna a tarefa mais difícil. As relações dialéticas
entre imagem e poder não podem ser dissociadas dos procedimentos destinados a
avaliar o conhecimento topográfico bruto dos mapas e não há teste para verificar suas
tendências ideológicas. Compreendidos como saber assimilado a um poder, os mapas
são explorados sob três ângulos : a universalidade dos contextos políticos na história da
cartografia; a maneira pela qual o exercício do poder estrutura o conteúdo dos mapas, e
a maneira pela qual a comunicação cartográfica, num nível simbólico, pode reforçar este
poder por intermédio do conhecimento cartográfico.
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Fyodor
ali, Moscou,
e lá está a Sibéria
O Czar
Fyodor
É o Volga.
O Czar
e rios !
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medieval, à elite intelectual na Grécia e em Roma, e à elite mercantil das cidades Estado
no fim da Idade Média.
12 O mundo da Europa antiga e medieval não era exceção neste aspecto. A cartografia,
quaisquer que sejam os outros significados culturais que lhe possam ter sido
vinculados, sempre foi uma “ ciência dos príncipes ”. No mundo islâmico, sabe-se que
são os califas, durante o período da geografia árabe clássica, os sultões, durante o
Império otomano e os imperadores mongóis na Índia, que patrocinaram a confecção
dos mapas e os utilizaram para fins militares, políticos, religiosos e de propaganda. Na
China antiga, os mapas terrestres detalhados eram elaborados em conformidade com as
prescrições dos dirigentes das sucessivas dinastias e serviam como instrumentos
burocráticos e militares e emblemas espaciais do Império. Nos primeiros tempos da
Europa moderna, da Itália aos Países-Baixos e da Escandinávia a Portugal, os monarcas
absolutistas e os dirigentes tinham consciência do valor dos mapas para a defesa e para
a guerra, para a administração interna ligada à expansão do governo central, e como
instrumento de propaganda territorial com o objetivo de legitimar as identidades
nacionais. Escritores como Castiglione, Elyot e Machiavel defendiam o uso dos mapas
pelos generais e homens de Estado. Com os levantamentos topográficos nacionais que
tiveram início no século XVIII na Europa, o papel da cartografia no exercício das
relações de poder favoreceu geralmente as elites sociais.
13 As funções específicas dos mapas no exercício do poder confirmam também a
onipresença desses contextos políticos por meio das escalas geográficas. Essas funções
vão da construção de um Império mundial à manutenção do Estado-nação e à
afirmação local dos direitos de propriedade individuais. Em cada um desses contextos,
as dimensões do regime político e do território são compiladas em imagens que, assim
como o ordenamento jurídico, fazem parte do arsenal intelectual do poder.
Mapas e Império
14 Da mesma forma que os canhões e os navios de guerra, os mapas foram as armas do
imperialismo. Na medida em que os mapas serviram para promover a política colonial e
onde os territórios forma reivindicados no papel antes de ser efetivamente ocupados, os
mapas anteciparam o império. Os geômetras marchavam ao lado dos soldados,
elaborando primeiro os mapas para as missões de reconhecimento, depois com
informações gerais, antes de fazê-los instrumento de pacificação, civilização e de
exploração dessas colônias. Mas isto vai muito além da demarcação de fronteiras para
submeter política e militarmente as populações. Os mapas prestam-se a legitimar a
realidade da conquista e do império. Eles contribuem para criar mitos que ajudam a
manter o status quo territorial . Como instrumentos de comunicação de uma mensagem
imperial, eles fornecem um complemento à retórica dos discursos, dos jornais e dos
textos escritos, ou aos contos e canções populares que exaltam as virtudes do império.
15 Nestes contextos imperiais, os mapas apoiaram sistematicamente o exercício direto
do poder territorial. As malhas desenhadas pelos agrimensores romanos, tornadas
funcionais pela criação das centúrias, exprimiam um poder que avançava em todas as
direções, homogeneizando tudo em sua passagem. Nos estados Unidos o traçado do
levantamento topográfico retangular criou igualmente “ a ordem sobre a terra ”, em
muito mais acepções que uma simples reprodução de um desenho clássico. A
redescoberta do sistema de coordenadas geográficas de Ptolomeu no século XV foi
também um evento cartográfico crucial, que privilegiou uma “ sintaxe euclidiana ” como
estruturadora do controle territorial europeu. De fato, a natureza gráfica dos mapas
permitia a seus usuários imperiais um poder arbitrário, facilmente dissociado
responsabilidades sociais e suas conseqüências. O espaço podia ser dividido sobre o
papel. Assim, o Papa Alexandre VI delimitou as possessões portuguesas e espanholas no
Novo Mundo. Dividindo a América do Norte, no contexto de um imperialismo mundial
europeu, as “ linhas do mapa revelavam este poder e o processo imperialista porque
foram impostas no continente sem referências às populações indígenas e até mesmo,
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freqüentemente, sem referências ao próprio território. Os invasores dividiam entre eles
o continente segundo os esquemas que refletiam suas próprias rivalidades complexas e
seu poder relativo ” 8
16 No século XIX, quando os mapas foram institucionalizados e relacionados à expansão
da geografia como disciplina, seus efeitos de poder se manifestam novamente no
crescimento permanente do imperialismo europeu. A corrida à África, que permite às
potências européias fragmentar a organização territorial indígena, tornou-se um
exemplo clássico desses efeitos. E, no século XX, com a divisão da Índia, efetuada pela
Grã-Bretanha em 1947, pôde-se ver como um traço de lápis sobre um mapa podia
determinar a vida e a morte de milhões de indivíduos. Existem inúmeros contextos nos
quais os mapas tornaram-se a moeda de “ negociações ” políticas, de divisões, vendas e
tratados feitos sobre o território coloniais, e nos quais, uma vez tornados permanentes
pela imagem, estes mapas adquiriam freqüentemente força de lei.
Mapa do mundo ilustrando a extensão do Império Britânico em 1886 foi publicado pela primeira vez sob a
forma de um suplemento no jornal Graphic. Uma projeção de Mercator, uma pintura cor-de-rosa para o
território do Império, e emblemas decorativos mostrando a Grã-Bretanha sentada sobre o globo servem para
articular a mensagem do “ Novo imperialismo ”. Reproduzido com a autorização da Coleção Mansell.
Os mapas e o Estado-nação
17 A história dos mapas está intimamente ligada á ascensão do Estado - nação no
mundo moderno. Muitos mapas impressos na Europa ressaltavam as nações, os cursos
d´água e as fronteiras políticas que constituíam as dimensões político-econômicas da
geografia européia.
18 Os primeiros teóricos da política relacionavam os mapas aos homens de Estado, que
foram os primeiros a colecioná-los sistematicamente. O Estado tornou-se e permaneceu
um dos principais mandatários da atividade cartográfica em vários países.
19 Como o Estado estava pronto para financiar a confecção dos mapas, seja diretamente
pelo Tesouro, seja indiretamente pela outorga de privilégios comerciais, este
conhecimento foi considerado um privilégio. Na Europa ocidental, remonta-se à
história do segredo cartográfico, ainda que ineficaz, na política conduzida pela Espanha
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e Portugal no século XVI. A prática era monopolizar o conhecimento e utilizar os
documentos geográficos como um recurso econômico.
20 Um bom exemplo de interação entre mapas e regime político encontra-se na história
da tecnologia militar. Para o exército, os mapas foram sempre considerados como uma
forma importante de conhecimento, e as medidas para conservar o segredo e a censura
são comuns tanto hoje em dia nas especificações escondidas dos organismos
cartográficos públicos militares quanto nos Estados –maiores de campo do passado.
Num plano prático, os mapas militares são uma engrenagem, pequena mas vital na
infra-estrutura técnica do exército sobre o terreno. Quando as técnicas de guerra
passaram da práticas das sedes às estratégias móveis, sobretudo a partir do século
XVIII, os mapas que as acompanhavam se transformaram também. De qualquer forma,
mesmo nestes contextos ativos, os processos históricos estavam sutilmente em prática.
O conhecimento cartográfico permite a condução da guerra por um controle à distância,
além do que é mais fácil visualizar as destruições. Não apenas os mapas militares
facilitam a condução técnica da guerra mas também eles atenuam o sentimento de
culpa que esta condução produz : as linhas silenciosas da paisagem de papel favorecem
a idéia de um espaço socialmente vazio.
21 Os mapas militares não são todos silenciosos. Muitos proclamam em alto e bom som
a vitória militar. Assim como havia desfiles, cantos e poemas militares houve, na
Europa, a partir do século XV, planos de batalha visando comemorar os lugares
sagrados da glória nacional.
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24 Os mapas invadem de maneira invisível a vida cotidiana. Assim como o relógio,
símbolo gráfico da autoridade política central, introduziu a “ disciplina do tempo ” nos
ritmos dos trabalhadores da indústria, as linhas dos mapas, ditando a nova topografia
rural introduziram uma “ disciplina do espaço ”. Nas sociedades rurais da Europa, as
antigas comunidades estavam a partir de então divididas e loteadas com ajuda dos
mapas , e nas extensões selvagens das antigas terras indígenas da América do Norte, os
limites traçados no mapa eram um meio de se apropriar das terras às custas daqueles
que não estavam familiarizados com os métodos de levantamentos geométricos e que
não podiam contestá-los. Os mapas entravam no direito, adquiriram a aura da ciência e
contribuíam para engendrar uma ética e uma virtude ligadas à definição cada vez mais
precisa. Os traçados feitos sobre os mapas, excluíam ao mesmo tempo em que
limitavam. Eles determinavam hierarquias territoriais segundo a loteria do nascimento,
os acasos das descobertas e cada vez mais, o mecanismo do mercado mundial.
Frances Patton, Good Moring, Miss Dove (New York : Dodd Mead, 1954)
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Mapas fundiários em grande escala e cadastros escritos tornaram-se a partir do século XVI um instrumento
na ascensão do capitalismo rural na Inglaterra. Neste fragmento de mapa fundiário de Garnetts, em Essex
(1622), atribuído a Samuel Walker, os detalhes das propriedades (DN= domínio de Edward Naylor, DL =
domínio de Richard Lavender, etc.) , sua delimitação fixa e sua medida precisa ( em acres, quarts d´arpent,
perches) (9) transformam os direitos de propriedade em uma imagem tangível e legalmente constrangedora.
Reproduzido com a autorização da Biblioteca Britânica.
25 Os cartógrafos e os historiadores dos mapas têm consciência há bastante tempo, que
o conteúdo dos mapas tem uma tendência a criar o que eles chamam de desvios,
distorções, variações ou de abusos em relação à realidade. Mas os escritos relativos à
cartografia dedicam pouco espaço às implicações políticas destes desvios e ao que eles
representam, e menos ainda às suas conseqüências sociais. Estes desvios ou distorções
são geralmente medidos em relação à uma norma de objetividade, ela mesma tirada de
procedimentos cartográficos. As conseqüências somente são evidenciadas pelos mapas
que apresentam distorções intencionais, por exemplo, com finalidade de publicidade ou
propaganda. A cartografia profissional do Serviço cartográfico britânico, do serviço
geológico dos Estados Unidos, de Bartholomew, de Rand McNally10 ou de seus
predecessores, seria considerada como largamente isenta deste conjunto de imagens
deformado. A idéia de que os mapas podem produzir uma imagem “ cientificamente ”
exata do mundo, em que as informações fáticas são representadas sem pré julgamentos
está bem fundada na nossa mitologia cultural.
26 Reconhecer que toda cartografia é uma ficção complexa, controlada, não nos impede
de conservar uma distinção entre as apresentações do conteúdo dos mapas que são
deliberadamente induzidos por um artifício cartográfico e aqueles em que o conteúdo
estruturante da imagem não é examinado.
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visão geopolítica de único sentido . Seus mapas fizeram parte do arsenal da guerra
psicológica que era a moeda corrente muito antes da sua utilização pelos geopolíticos
nazistas. As guerras de religião na Europa do século XVII e a Guerra Fria do século XX
foram conduzidas mais pelo conteúdo dos mapas de propaganda que por outros meios
Este mapa de um atlas escolar, retirado de Geschichtsatlas ... Deutsch (1933), representa as populações
germânicas na Europa e além-mar (no detalhe), mas omite a legenda para os três tamanhos de símbolos. Se
a divisão é globalmente realista, as minorias alemãs nos países europeus eram sempre muito menos
aparentes (menos de 4% da população total) do que o é sugerido por meio da utilização de símbolos
excessivos. Reproduzido com a autorização da Biblioteca Britânica
Geometria subliminar
32 A estrutura geométrica dos mapas, vale dizer, a concepção gráfica que determina o
lugar central ou a projeção, fixando o modo de transformação em relação ao globo
terrestre, é um elemento que pode amplificar o impacto político de uma imagem,
mesmo quando alguma distorção não é buscada conscientemente. Um traço universal
dos primeiros mapas do mundo, por exemplo, reside na maneira pela qual eles foram
regularmente centrados no “ umbigo do mundo ”, tal como foi percebido pelas
diferentes sociedades. Esta síndrome do omphalo , que faz com que um povo se creia
designado por Deus para ser o centro do Universo, aparece nos mapas distantes no
tempo e no espaço, tais como os da antiga Mesopotâmia centrados em babilônia, os do
universo chinês na China, os mapas gregos em Delfos, os mapas islâmicos em Meca, e
aqueles do mundo cristão, em que Jerusalém aparece como “ verdadeiro ” centro do
mundo. É difícil apreciar o efeito desta geometria, que reforça certos lugares, sobre a
consciência social do espaço, e seria errôneo sugerir que esses modos de representação
fizessem eclodir visões de mundo idênticas. Portanto, os mapas tendem a focalizar a
atenção do observador sobre o centro e a promover assim o desenvolvimento de visões
de mundo exclusivas, voltadas para o interior com um centro cultural povoado
unicamente de verdadeiros crentes ...
33 É possível que uma visão etnocêntrica da mesma ordem tenha inspirado algumas das
projeções cartográficas oficiais da Europa durante a Renascença. Igualmente, neste
caso, um mapa estrutura a geografia que ele representa segundo um conjunto de
crenças sobre o que deveria ser o mundo, a verdade. Tomando-se um exemplo bem
conhecido como a projeção de Mercator, é de se duvidar que o próprio Mercator, que
concebeu os mapas com os navegadores, tenha tido consciência da influência de seu
mapa sobre a visão hegemônica mundial dos Europeus. Entretanto, o simples fato de
que a Europa esteja situada no centro do mundo nesta projeção, e que a superfície das
massas terrestres esteja tão deformada que dois terços da superfície do globo pareçam
se situar em latitudes elevadas, somente pôde favorecer um sentimento de
superioridade dos Europeus. O fato de que os “ Estados colonialistas brancos ”
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apareçam relativamente maiores sobre o mapa do que aqueles que eram à época apenas
“ as colônias ” habitadas por povos de cor representadas “ muito pequenas ”, nos
convida a ver no mapa uma profecia geopolítica.
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Parte do “ plano das cidades de Londres e de Westminster ... ” de John Rocque (1755), mostra a zona
construída a oeste da cidade de Londres e as novas organizações de espaços verdes de Bloomsbury.
Quando os distritos situados ao norte de Covent Garden e no entorno de Boad Street e de St. Giles
tornaram-se cortiços, o cartógrafo produziu uma vista idelaizada que acentua a ruralidade elegante dos
principais lugares mas omite a miséria sórdida da cidade. Reproduzido com a autorização da Biblioteca
Britânica
A representação de hierarquias
37 O papel dos mapas, enquanto forma de proclamação social, foi reforçado pelos
sistemas de classificação e modos de representação – os chamados sinais
“ convencionais ” ou cartográficos – que foram adotados para descrever os diversos
aspectos da paisagem. Durante muito tempo, uma das regras do cartógrafo foi assinalar
as pequenas cidades e vilarejos por ícones ou símbolos abstratos, de modo proporcional
à sua importância. A hierarquia visual dos primeiros mapas modernos é, dessa forma,
freqüentemente uma réplica das estratificações jurídicas, feudais e eclesiásticas. De
fato, a concepção de uma sociedade hierárquica não era desconhecida dos cartógrafos
contemporâneos. Por exemplo, em seu atlas de 1595, Mercator pretendia apresentar a
relação e a denominação exata das capitais dos príncipes e dos nobres. Como outros
cartógrafos que o precederam, imaginou um conjunto de sinais para representar a
povoação, destinados a hierarquizar as implantações humanas que apareciam nos
mapas. Nestes mapas, a cidades ocupavam um espaço bem maior que seu tamanho no
terreno, mesmo considerando as convenções gráficas. Os símbolos dos castelos,
representativos da importância feudal e da potência militar, são às vezes maiores que os
símbolos dos vilarejos, ainda que eles ocupem menos espaço no solo. Os brasões,
símbolos de possessão territorial, servem para localizar a sede do senhor, enquanto os
burgos dos meeiros que dele dependem na ordem feudal são designados por sinais
inferiores, independente de sua população ou de sua superfície. Este tipo de
representação é particularmente freqüente nos mapas do território alemão pertencente
ao Santo Império Romano Germânico. Os mapas dedicam igualmente uma atenção
considerável à geografia do poder eclesiástico. A principal mensagem era
freqüentemente a da onipresença da Igreja. Fosse no território “ infiel ” dominado pelos
Turcos, nas terras pertencentes ao Papado, nas regiões geralmente dominadas pelos
protestantes ou por seitas particulares como os Hussitas, os mapas situavam a extensão
das possessões temporais das Igrejas. Os mapas passavam também uma mensagem
secundária : não somente eles reforçavam a percepção do poderio da Igreja enquanto
instituição no seio do conjunto da sociedade, mas eles registravam as hierarquias
espaciais e as dominações conflituosas no seio da própria Igreja. Sobre este primeiro
ponto, note-se, por exemplo, na legenda do mapa da Islândia de Boazio (1599) um
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símbolo pictórico exagerado da “ cidade do Bispo ”; nos mapas regionais da Inglaterra à
época da Reforma, os símbolos das torres e campanários da igreja são maiores do que
exige o conceito de escala vertical. No que concerne à hierarquia, os símbolos
individualizados para os arcebispados e os bispados, sob a forma de cruzes simples ou
duplas, cajados, mitras e outros paramentos eclesiásticos, testemunham a organização
social da religião13. Aí também as amplificações seletivas dos sinais cartográficos
estavam estreitamente ligadas à fidelidade em relação às religiões, sendo a expressão,
nos primeiros tempos da Europa moderna, das guerras religiosas.
38 Mas se os sinais dos mapas refletiam por vezes as mudanças da situação religiosa,
também favoreciam o status quo, legitimando as hierarquias estabelecidas dos mapas
anteriores. Na França, por exemplo, os cartógrafos, a serviço da coroa utilizavam
imagens que consistiam numa forma de propaganda de Estado, insistindo nas
engrenagens administrativas de sua burocracia centralizada e representando diversos
aspectos do código jurídico do Antigo Regime14 Em 1721, Bouchotte utilizava sete
categorias administrativas (grão ducado, principado, ducado, marquesado, condado,
viscondado, baronado) e cinco níveis eclesiásticos (arcebispado, bispado, abade,
priorado, paróquia)15 para codificar os mapas regionais (mapas particulares)
Prancha 14 de Bouchotte, Les règles du dessin et du lavis (Paris, 1721). Reproduzido com a autorização da
Biblioteca Britânica.
Vós a encontrareis qualquer que seja o sentido no qual vós girardes o globo,
Os mapas na pintura
40 Desde a idade clássica, os artistas utilizavam os globos e os mapas como emblemas de
seu próprio simbolismo. Como signos políticos, o globo ou a esfera freqüentemente
simbolizaram a soberania sobre o mundo. Desde a época romana, nas moedas e nos
manuscritos, um globo ou uma esfera eram colocados nas mãos de um imperador ou de
um rei. Na era cristã, a esfera, a partir de então encimada com uma cruz, tornou-se uma
das insígnias dos Imperadores do Santo Império Romano Germânico, e na pintura
religiosa, ela estava sempre colocada nas mãos do Cristo Salvator Mundi, ou de Deus
Pai, Creator Mundi. Estas significações encontram-se na arte da Renascença. No século
XVI, os globos, que assim como os mapas apareciam com mais freqüência graças à
imprensa, começam a fazer parte das insígnias de autoridade nos retratos de reis,
embaixadores, homens de estado e nobres. Mas elas visavam sobretudo a veicular a
extensão dos poderes, ambições e empreendimentos daqueles que as portavam. Estas
pinturas proclamavam o direito divino do controle político, e o emblema do globo
indicava que era possível exercê-lo ou se desejava exercê-lo em escala mundial.
41 Na pintura, os mapas serviram como símbolos territoriais. Por exemplo, pode-se
interpretar os ciclos de mapas murais da Renascença italiana como uma Summa visual
do saber, do poder e do prestígio religioso, em geral secular. Nos retratos dos
imperadores, monarcas, homens de Estado, generais e papas, os mapas são um recurso
gráfico que exprimem o poder social e territorial. Não é por acaso que Elizabeth I
aparecia num mapa da Inglaterra do século XVI, que o retrato de Luís XIV foi
representado com um mapa de seu reino por Cassini, que o Papa Pio IV supervisiona o
levantamento e a drenagem dos pântanos, e que Napoleão é freqüentemente
representado com os mapas na sua possessão, seja a cavalo, em campanha, ou sentado,
discutindo as conquistas realizadas ou futuras. Mesmo quando o suporte passa da
pintura à fotografia ou ao filme, o simbolismo poderoso dos mapas persiste, como bem
captaram os autores de filmes sobre Napoleão ou Hitler. Nos jornais, nas telas de
televisão e nos inúmeros desenhos de sátira política, os chefes militares são sempre
representados em frente aos mapas, para confirmar ou reafirmar àqueles que os olham
o direito imprescritível ao poder sobre o território. Os motivos cartográficos continuam
a ser aceitos como signos políticos na sociedade contemporânea.
Neste retrato de Thomas, décimo quarto duque de Arundel, e de sua mulher Alethea (Van Dyke, circa 1639),
o duque aponta a empresa colonial que ele incentivou na ilha de Madagascar. Reproduzido com a
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autorização do Duque de Norfolk.
Nesta edição de 1573 do Theatrum Orbis Terrarum, de Abraham Ortelius, a Europa, personificada como a
mestra do mundo, está sentada num trono sobre os outros três continentes. Reproduzido com a autorização
da Coleção da Sociedade Geográfica Americana, Universidade de Wisconsin-Milwaukee.
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44 Nesta perspectiva, a idéia segundo a qual a decoração cartográfica seria um exercício
estético marginal não é mais aceitável.
O conflito está resumido na moldura que acompanha o mapa do Danúbio em Mayor o Geographia Blaviana,
Vol.3 : Alemania (Amsterdam, 1662). O Santo Imperador Romano-Germânico (à esquerda), revestido de
emblemas do poder e da fé cristã, enfrenta o Sultão infiel, inimigo da Cristandade e profanador da cruz.
Reproduzido com a autorização da Coleção da Sociedade Geográfica Americana, Universidade de
Wisconsin-Milwaukee.
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Nesta gravura tirada de The Polish captivity (Vol. 1, Londres, 1863), a divisão da Polônia está representada
pelo rompimento do mapa. Os espectadores contemplam este ato com desespero, enquanto um anjo,
representando a Igreja católica, dá as costas com horror e soa o alarme com um trompete. Reproduzido com
a autorização da Coleção da Sociedade Geográfica Americana, Universidade de Wisconsin-Milwauke
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A cena está representada sobre um mapa mudo da África meridional. A Grã-Bretanha, que mostra um mapa
da Zambésia, incentiva os colonos a tirar partido da riqueza econômica do país enquanto a população
indígena africana está excluída da cena. Reproduzido com a autorização da Coleção da Sociedade
Geográfica Americana, Universidade de Wisconsin-Milwaukee.
57 Restringindo sua importância, nós nos distanciamos de uma história dos mapas que
descreve a intenção do cartógrafo e seus atos técnicos em proveito de uma história que
situa a imagem cartográfica num contexto social.
58 Enquanto tipo de conhecimento impessoal, os mapas tendem a “ dessocializar ” o
território que eles representam, Eles favorecem a noção do espaço socialmente vazio. A
qualidade abstrata do mapa, tanto incorporada nas linhas de uma projeção ptolomaica
do século XV quanto nas imagens contemporâneas da cartografia informatizada, atenua
a tomada de consciência de que os seres humanos vivem na paisagem. As decisões
relativas ao exercício do poder estão desconectadas do domínio dos contatos
interpessoais.
59 Resta explorar estas idéias nos contextos históricos específicos. Assim como os
historiadores, o cartógrafo sempre desempenhou um papel retórico definindo as
configurações do poder no seio da sociedade e registrando suas manifestações sobre a
paisagem visível. Toda história cartográfica que ignora esta carga política da
representação fica condenada a ser apenas uma história “ histórica ”.
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Notes
1 O termo “ profundo ” remete à expressão “ descrição profunda ” utilizada pelo antropólogo
americano Clifford Geertz para exprimir a idéia segundo a qual as descrições cuidadosas e muito
detalhadas são indispensáveis para explicar cultura diferentes das suas.
2 Carl Sauer é um geógrafo cultural americano pertencente à Escola de Berkeley, na Califórnia.
3 Harley faz alusão a Jacques Bertin e a sua importante obra Sémiologie graphique. Les
diagrammes, les réseaux, les cartes (Paris, Gauthier-Villars, 1967).
4 O pensamento de Harley sofreu a influência de Lucien Febvre e Henri-Jean Martin, L
´apparition du livre (Paris, Ed. A. Michel, 1958).
5 Erwin Panofsky, um dos grandes historiadores de arte do século XX, pioneiro em novos estudos
interpretativos na obra Studies in iconology: humanistic themes in the art of the Renaissance
(Oxford : Oxford University Press, 1939).
6 Aqui, e em vários outros escritos, Michel Foucault exerceu uma importante influência sobre
Harley. Como referências específicas, citamos Les mots et les choses : une archéologie des
sciences humaines (Paris, Gallimard, 1966) ; Surveiller et punir : naissance de la prison (Paris :
Gallimard, 1975) ; e questões a Michel Foucault sobre a geografia, em Herodote, I, 1976.
7 Sociólogo inglês da Universidade de Cambridge que procura resolver a questão sempre difícil
das estruturas da sociedade na qual se encontra o indivíduo, e do modo como essas estruturas se
mantêm ou se modificam. A citação é tirada de “ A contemporary critique of historical
materialism : Power, property and the State “(Londres, Macmillan, 1981).
8 Referência a Donald Meinig, eminente especialista americano em geografia histórica, e à sua
obra em três volumes The Shaping of America (New Haven, Yale University Press, 1986), p. 232.
9 N. T : antigas medidas de superfície : perche = vara, arpent, equivalente a cem perches, de 20 a
50 ares.
10 ,Bartholomew e Rand McNally são importantes editores de mapas, respectivamente inglês e
americano, que produzem a cada ano milhões de mapas.
11 Na Grã-Bretanha, o semanário New Statesman (27 de maio de 1983 p. 6) escreveu: “ os
agentes secretos do Serviço cartográfico nos transmitiram um manual secreto extremamente
interessante que cataloga e define na Grã-Bretanha lugares que não têm existência oficial e que
não podem portanto figurar nos mapas”.
12 Tomemos o exemplo da fronteira entre o Haiti e São Domingos que segundo o caso, aparece
ou não nos manuais de ensino do país.
13 Referência à François de Dainville, Le langage des géographes : termes, signes, couleurs des
cartes anciennes. (Paris, A e J. Picard, 1964).
14 François de Dainville, « Le signe de “ justice” dans les cartes anciennes », Revista Histórica do
Direito Francês e Estrangeiro, 34, 1956, PP.111-114.
15 M. Buchotte, Les règles du dessin et du lavis (Paris, Jombert, 1721, 1743).
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Auteur
Brian Harley
Droits d’auteur
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