Módulo II
PRÁTICAS RESTAURATIVAS NO
AMBIENTE ESCOLAR
A justiça restaurativa é um conceito que se baseia em
abordagens alternativas à justiça tradicional,
buscando promover a responsabilização, a cura e a
reconciliação em casos de conflito, crime ou violação
de normas. Em vez de se concentrar apenas na
punição do infrator, a justiça restaurativa visa
reparar o dano causado, envolver as partes afetadas
e restaurar as relações e a harmonia social.
Atualmente, as Práticas Restaurativas estão
ganhando reconhecimento e aplicação na área da
Educação e em outros campos da vida social.
PORQUE É TÃO NECESSÁRIO A INCLUSÃO DAS PRÁTICAS DA
JUSTIÇA RESTAURATIVA NAS ESCOLAS?
Nesse espaço, os princípios e valores da realização destas práticas têm se
revelado importantes para criar uma cultura de diálogo, respeito mútuo e de
paz, pois esse ambiente é propício para o preparo das crianças e dos
adolescentes para a vida adulta, bem como, nas suas relações na sociedade.
Portanto, as práticas restaurativas possibilitam uma melhoria nos
relacionamentos de forma a alterar os seguintes protótipos: objetivando a
mudanças diretas no campo das inter-relações, levando aos envolvidos uma
abordagem inclusiva e colaborativa, que resgata o diálogo, a conexão com o
próximo, a comunicação entre os atores escolares, familiares e toda
comunidade.
Para buscarmos, cada vez mais, ambientes escolares pacíficos e
restaurativos, é imprescindível, entre outras, as seguintes ações:
1. Aprimorar, fortalecer e priorizar a boa conexão entre a tríade escola, estudante e família
principalmente com o fortalecimento das relações com a comunidade escolar;
2. Realizar atividades contínuas que possam melhorar o vínculo interno nas unidades escolares e tornar
pacíficos os ambientes escolares;
3. Construir coletivamente as regras de convivência;
4. Democratizar a escola e tornar democráticos os espaços no sistema escolar;
5. Fortalecer a cidadania e a participação nas atividades escolares, construindo canais que permitam o
protagonismo de todos;
6. Fortalecer os grêmios estudantis e os conselhos escolares;
7. Aperfeiçoar o vínculo interno nas relações humanas, priorizando o diálogo e a cooperação entre todas
as pessoas da comunidade escolar;
8. Desenvolver as competências e habilidades que permitam uma boa comunicação e um bom diálogo
entre todos;
9. Construir soluções alternativas e pacíficas aos conflitos que terminem em violência.
1. MEDIAÇÃO DE 4. ESCUTA ATIVA
CONFLITOS ESCOLARES
É essencial se apoiar na empatia: uma
Aplicação da prática cotidianamente compreensão respeitosa aberta para ouvir sem
para resolução pacifica dos conflitos. avaliar, exercendo um olhar afetivo pautado no
acolhimento, objetivando que o ouvinte absorva
de fato o conteúdo transmitido pelo interlocutor.
2. PROCESSO CIRCULAR 5. ACOLHIMENTO
Uma escola acolhedora fortalece
Realização do círculo de construção da paz relacionamentos, favorece o ensino e estimula
para o fortalecimento das relações. CAMINHOS PARA UMA melhorias na estrutura da educação.
ESCOLA SEGURA E
ACOLHEDORA
3. COMUNICAÇÃO NÃO 6. EDUCADORES
VIOLENTA (CNV) ENGAJADOS
O diálogo respeitoso e colaborativo, onde as Essa iniciativa favorece o desenvolvimento
pessoas se sintam ouvidas, compreendidas e de uma gestão escolar participativa,
capazes de expressar suas necessidades e diminuindo o isolamento hierárquico.
sentimentos de forma assertiva.
MEDIAÇÃO DE CONFLITOS ESCOLARES
A mediação não resolve apenas o conflito
A mediação escolar é um método mais adequado como também reconstitui o diálogo entre as
partes e as estimula a encontrar soluções que
e eficaz na solução de conflitos e sua aplicação no as satisfaçam mutuamente, promovendo
acordos mais efetivos. Entre eles destacam-se:
âmbito escolar contribui com a diminuição da
violência, construindo uma cultura de paz. Possui
também a perspectiva de abrandar as relações
conflituosas visando a prevenção e o Permite a melhoria do relacionamento entre
enfrentamento da violência possibilitando a as partes, ou pelo menos evita a sua
deterioração, na medida em que promove
resolução pacífica de conflitos no ambiente um ambiente de colaboração na
escolar. Além disso, promove o desenvolvimento abordagem ao problema;
de políticas públicas indispensáveis para a
construção e manutenção efetiva da cultura de
paz nas escolas da rede estadual de ensino. Reduz o desgaste emocional, pois facilita a
comunicação entre as partes.
QUAIS SÃO
OS OBJETOS
01 DE MEDIAÇÃO? 04
Os conflitos Familiares e
entre alunos servidores
02 05
Conflitos com Casos de
alunos e indisciplina e
professores bullying
03 06
Conflitos entre Casos de violência entre
alunos e até mesmo
servidores conflitos com a vizinhança
e o entorno escolar
Conflitos Causas
ORA,
E AG ÕES Padrões de comportamento ou interação;poder e
Estruturais
autoridade desiguais
A IS SITU AÇ
QU AP LICAR A
PODEMOSE MEDIAÇÃO Critérios diferentes para avaliar ideias ou
TECNICA DOLAR? De valor
comportamentos; objetivos exclusivos
intrinsecamente valiosos; modos de vida;ideologia
ESC ou religião diferente.
Emoções fortes; percepções equivocadas ou
De
estereótipos; comunicação inadequada ou
relacionamento
deficiente; comportamento negativo –repetitivo.
Em princípio, todo e qualquer conflito é
passível de ser mediado, ou seja, qualquer De interesse
Competição percebida ou real sobre interesses
fundamentais (conteúdo); interesses quanto a
contexto de convivência capaz de produzir procedimentos; interessespsicológicos.
conflitos, tais como:
Falta de informação; informação errada; pontos de
Quanto aos vista diferentes sobre o que é importante;
dados interpretações diferentes dos dados;
procedimentos de avaliação diferentes.
QUAL O PAPEL DO EDUCADOR MEDIADOR?
A figura do mediador surge como um
facilitador, não como um interventor da tomada
de decisão para a dissolução do conflito. Um
mediador deve ser imparcial, ter integridade
Postura ativa
absoluta e competência técnica em Escuta
Mediador
comunicação não violenta e no processo de
mediação. Paciência
QUAIS AS VANTAGENS DA UTILIZAÇÃO DA MEDIAÇÃO ESCOLAR? Sem julgamento
Contribuir para a construção de uma educação para a paz;
Colocar-se no lugar
Estabelecer o diálogo e a comunicação, alcançando uma pacificação duradoura;
do outro
Auxilia na melhora das relações familiares e sociais;
Ensina a ver o mundo pela perspectiva do outro;
Permite o reconhecimento das diferenças; Proatividade
Racionaliza as estratégias de competência e de cooperação;
Ensina que a controvérsia é uma oportunidade de crescimento e de
amadurecimento social;
Contribui na educação para valores e na prevenção da violência.
CIRCULOS DE CONSTRUÇÃO DA PAZ
Processo circulares mais conhecido como circulo de
construção da paz, é uma ferramenta que possibilita a
resolução de conflitos, o processo circular visa fortalecer
as relações entre os envolvidos tornando possível que os
indivíduos participem ativamente do processo de “cura”,
ou seja, compreender a problemática de modo que o
mesmo possa solucionar, sem causar danos. O círculo de
construção de paz, como é conhecido, nutre uma filosofia
de relacionamento e interconectividade.
A prática desta assume a possibilidade de novos
caminhos para resolver conflitos de forma positiva, não
violenta, com técnicas de bem-estar, dentre outros. Logo,
percebe-se o quão necessário se faz ter esse hábito nas
unidades escolares como um dos métodos para mediar
conflitos com uma compreensão respeitosa e atenciosa.
COMO SE ESTRUTURA O
CÍRCULO?
Sentar os participantes em círculo
(de preferência, sem mesas);
Observação: sentar em círculo
permite e ressalta a igualdade e a
conexão entre os participantes; o profissional para
Cerimônia de abertura;
facilitar o circulo
Peça no centro do
seguindo os
círculo;
princípios dos
Objeto da palavra;
processos
circulares
Geração das diretrizes
Acordos (caso o com base nos valores;
círculo queira tomar Perguntas
decisões); norteadoras;
Ainda que o Círculo de Construção de Paz
Identificação de Cerimônia de
se apoie em componentes e elementos
fundamentais para a sua interação, é de valores; encerramento.
suma relevância destacar que cada
vivência é ímpar, não segue uma receita de
bolo uma vez que o círculo abraça
cotidianos e pessoas diferentes, com a sua
história e motivação.
COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA (CNV)
A comunicação é a base da nossa integração, portanto
é necessário que haja constante aprimoramento pois é
uma prática fundamental para os seres humanos. A
CNV (Comunicação Não Violenta) é uma metodologia
desenvolvida pelo psicólogo Marshall B. Rosenberg,
que busca aperfeiçoar os relacionamentos
interpessoais, congregando às nossas necessidades e
às dos outros, com o propósito de falar sem machucar
e ouvir sem se ofender.
Essa metodologia pode ser aplicada em todos os tipos
de comunicação, nos mais diversificados contextos.
Desenvolve as habilidades que envolvem o processo de
comunicação, o saber falar e saber ouvir como forma
de fortalecimento das relações interpessoais.
Observo que não nos
comunicamos há alguns
3. NECESSIDADES
identifique suas necessidades, dias. Sinto frustrado,
valores ou desejos de forma preciso de apoio. Vamos
conectada aos sentimentos conversar?
que observou.
Ex: necessidade de apoio, paz,
2. SENTIMENTO etc. 4. PEDIDO
Identifique o que está Informe o que observou,
sentindo com relação ao o suas necessidades, seus
que observa. Nomeie: sentimentos, então faça o
frustação, alegria, tristeza, etc. seu pedido claro.
Expressa-se ajuda a resolver
conflitos.
SSOS DA C
PA NV
4 Marshall (2006)
Quando
necessidades,
conseguimos
abrimos
expressar
espaço
nossas
para o
autoconhecimento, permitimos que o outro veja
1. OBSERVAÇÃO não só a nossa aparência como também a essência,
Observe o que está além do alheio poder colocar em prática a
acontecendo de fato, sem compaixão, a escuta com atenção e livre de
julgamentos.
julgar, sem juízo de valor. Ao Dito isto, a CNV cria pontes para que possamos nos
contrário as pessoas conectar com nossos sentimentos e necessidades
tendem a receber critica. sem que seja assustador.
ESCUTA ATIVA
Falar sobre escuta ativa tem tudo a ver com
estar consciente e presente durante o diálogo NÃO NÃO
com o outro. Para fazer a prática dessa, é SUPONHA
REVIVA
FERIDAS
essencial se apoiar na empatia: uma
compreensão respeitosa aberta para ouvir sem
avaliar, exercendo um olhar afetivo pautado no NÃO COMUNICAÇÃO NÃO
EFETIVA INTERROM
INTERPRETE PA
acolhimento, objetivando que o ouvinte absorva
de fato o conteúdo transmitido pelo
interlocutor.
NÃO ACOLHA
Quando escutamos ativamente o outro ser GENERALIZ
E
humano, estamos criando solos férteis para que
ele se sinta compreendido, que receba a nossa
compaixão e então se abra para fazer seus
pedidos sem que haja receios e resistências.
ACOLHIMENTO
O acolhimento escolar é considerado o ato de
recepcionar o estudante e seus familiares,
desde a sua entrada, responsabilizando-se por
ele, praticando a escuta ativa, permitindo que
ele expresse suas preocupações e necessidades,
garantindo atenção resolutiva e articulação com
outras políticas públicas para a continuidade do
atendimento quando necessário. É poder
qualificar a relação entre estudante e
comunidade escolar, atribuindo ao espaço
escolar um ambiente saudável, acolhedor e de
proteção.
São muitos os benefícios que uma escola pode vivenciar — a curto e longo prazo — ao
viabilizar uma cultura que proporciona experiências agradáveis aos seus estudantes.
PILARES DE UMA ESCOLA ACOLHEDORA
Proporcionar um
Abrir-se ao diálogo Envolver a comunidade
ambiente físico
com os alunos no ambiente escolar
adequado
Para entender o modelo de escola que os Um espaço escolar deve ser arejado, bem
A escola precisa conhecer melhor os
jovens desejam, a sua unidade escolar deve cuidado, decorado e equipado para atender
impactos que a educação traz para as
estar aberta ao diálogo com os estudantes. às necessidades dos alunos. A escola precisa
Atualmente, muitas escolas ainda não ter mesas, cadeiras, bebedouros e lousas. pessoas ao redor. Não apenas para os
consideram que os jovens têm poder real de Para tanto, o gestor deve aproveitar os pais, alunos e professores, mas para
escolha e visão para contribuir com a recursos disponíveis, cuidando dos toda a comunidade da região.
melhoria da educação. No entanto, esse é equipamentos e da infraestrutura da Desse jeito, a escola terá conhecimento
um pensamento muito errado. instituição. dos interesses da população quanto ao
Também é necessário cuidar para que os ensino, tirará suas dúvidas e cumprirá o
alunos tenham as condições físicas seu papel perante a sociedade,
adequadas para desenvolverem as formando pessoas com caráter, valores
atividades com qualidade — como zelar pela e princípios que garantirão uma
quadra de esportes, pelo pátio e demais
realidade melhor para todos.
áreas amplas onde ocorrem aulas ao ar
livre.
Referencial teórico
Iniciativa de Mediação: o conflito como disparador na construção coletiva de um ethos na escola. Em Curso Intensivo de Educação em
Direitos Humanos: Memória e Cidadania. São Paulo: Memorial da Resistência de São Paulo/Pinacoteca do Estado, 2013. Disponível
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Núcleo de Medição Escolar. DIÁLOGOS E PRÁTICAS RESTAURATIVAS NO AMBIENTE ESCOLAR: guia prático.