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Apg 20 - Malária

A malária é uma doença infecciosa aguda causada por protozoários do gênero Plasmodium, transmitida por mosquitos Anopheles, com sintomas como febre alta e calafrios. As principais espécies que afetam humanos incluem Plasmodium falciparum, P. vivax, P. malariae, P. ovale e P. knowlesi, sendo a África o continente mais afetado. A transmissão é influenciada por fatores ambientais, resistência a medicamentos e mobilidade populacional, tornando o controle da doença um desafio contínuo.
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Apg 20 - Malária

A malária é uma doença infecciosa aguda causada por protozoários do gênero Plasmodium, transmitida por mosquitos Anopheles, com sintomas como febre alta e calafrios. As principais espécies que afetam humanos incluem Plasmodium falciparum, P. vivax, P. malariae, P. ovale e P. knowlesi, sendo a África o continente mais afetado. A transmissão é influenciada por fatores ambientais, resistência a medicamentos e mobilidade populacional, tornando o controle da doença um desafio contínuo.
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ordem Haemosporida, dentro da família Plasmodiidae.

*Apg 20 - "Bagagem Extra" Os parasitas deste gênero têm um ciclo de vida


complexo, com fases que envolvem tanto um hospedeiro
1- Explicar a etiologia, epidemiologia, fatores de risco, vertebrado (o ser humano) quanto um hospedeiro
fisiopatologia, manifestações clínicas, complicações, invertebrado (o mosquito Anopheles).
diagnóstico e tratamento da Malária;
2- Discutir o impacto ambiental da disseminação da -Espécies de Plasmodium que afetam o Ser Humano
Malária; As espécies de Plasmodium mais frequentemente
envolvidas na infecção humana são:
*Malária
 Plasmodium falciparum: Causa a forma mais
A malária é uma doença infecciosa febril aguda,
causada por protozoários do gênero Plasmodium, grave e letal da malária, com alta mortalidade se não
transmitidos ao ser humano pela picada da fêmea tratada adequadamente, responsável pela febre
terçã maligna, com acessos febris a intervalos de 36
infectada do mosquito do gênero Anopheles (SANTOS,
2023). A doença é caracterizada por febre alta, calafrios, a 48 horas. Este parasita está associado à síndrome
suores e cefaleia, que ocorrem em padrões cíclicos, da malária cerebral e falência de múltiplos órgãos.
dependendo da espécie do parasito infectante. O ataque Apresenta um ciclo de desenvolvimento rápido,
paroxístico inicia-se com calafrios que duram de 15 sendo capaz de invadir e destruir os glóbulos
vermelhos com uma velocidade maior do que as
minutos a uma hora, seguido por uma fase febril, com
temperatura corpórea podendo atingir 41ºC ou mais. outras espécies (SIQUEIRA-BATISTA, 2020).
Após um período de duas a seis horas, ocorre  Plasmodium vivax: agente da febre terçã benigna,
defervescência da febre e o paciente apresenta sudorese com ciclo de 48 horas. Embora geralmente cause
profusa e fraqueza intensa. De modo geral, as formas uma forma menos grave da doença, P. vivax é
brandas são causadas pelo P. malariae e P. vivax, responsável por infecções recorrentes devido à
enquanto as formas clínicas mais graves são causadas presença de hipnozoítos, que podem permanecer no
pelo P. falciparum (SANTOS, 2023). fígado do hospedeiro humano por longos períodos
(meses ou até anos), levando a recrudescências da
Pode ser caracterizada como doença febril, não malária após o tratamento inicial (REY, 2010).
contagiosa, com acometimento de múltiplos órgãos e
sistemas, de evolução potencialmente grave, quando não  Plasmodium malariae: Causa uma forma crônica
tratada precocemente (SIQUEIRA-BATISTA, 2020). de malária, geralmente com sintomas menos
intensos, mas que pode persistir por muitos anos,
O termo provém do italiano medieval e significa levando a complicações renais devido à infecção
“maus ares” (mala aire), pois havia a crença de que a prolongada. A infecção é conhecida por sua
malária era advinda dos pântanos e locais alagados, de característica de baixa parasitemia (WHO, 2023).
tal modo que o nome atribuído à doença era, à época Causa a febre quartã, que se caracteriza pela
“febre do pântano” (SIQUEIRA-BATISTA, 2020). ocorrência de acessos febris a cada 72 horas.

*Etiologia

 Plasmodium ovale: Relativamente raro, este


parasita causa uma forma semelhante ao P. vivax,
A malária é causada por protozoários do com sintomas mais brandos. No entanto, também
gênero Plasmodium, pertencente à classe Apicomplexa, pode apresentar formas latentes no fígado,
possibilitando recrudescência (RANGEL & LALLI, A África é o continente mais afetado pela malária,
2022). Distribuição limitada ao Continente Africano e com aproximadamente 90% das mortes causadas por
responsável por outra forma da febre terçã benigna malária em todo o mundo. As condições ambientais
(ciclo de 48 horas); (como clima quente e úmido) e a grande população de
mosquitos Anopheles tornam essa região um epicentro
 Plasmodium knowlesi: Tradicionalmente da transmissão. O país com maior número de casos é a
encontrado em primatas, esse parasita emergiu Nigéria, seguida de outras nações como o República
como uma causa significativa de malária zoonótica, Democrática do Congo e Uganda (WHO, 2023).
principalmente em áreas do sudeste asiático. Esta
espécie pode ser particularmente difícil de
A malária também é endêmica em várias partes do
diagnosticar devido à semelhança de seus sintomas
sudeste asiático, com destaque para países como a Índia,
com a malária causada por P.
a Tailândia, o Camboja e o Vietnã. A transmissão é
falciparum (SCHATZMAYR et al., 2011).
principalmente por Plasmodium vivax e Plasmodium
falciparum. Embora os números de mortalidade sejam
O Plasmodium falciparum (a causa da malária menores que na África, a carga de morbilidade
severa) e os outros quatro parasitas causadores de permanece significativa, com o controle da doença sendo
malária que infectam o homem (P. vivax, P. ovale, P. um desafio devido à resistência a medicamentos e à
malariae e P. knowlesi) são transmitidos por fêmeas dos dificuldade de controle do vetor em algumas áreas rurais
mosquitos do gênero Anopheles, os quais são (SIQUEIRA-BATISTA, 2020).
amplamente distribuídos por toda a África, Ásia e
América Latina (ROBBINS & COTRAN, 2023).
Na América Latina, a malária é endêmica
principalmente em áreas da Amazônia, abrangendo
As causadoras de infecções maláricas no Brasil são:
países como Brasil, Colômbia, Peru e Venezuela. No
P. vivax (mais de 80% dos casos), P. falciparum (próximo Brasil, a maior parte dos casos ocorre na Região Norte,
de 20% dos casos) e P. malariae (alguns poucos casos).
especialmente no estado do Amazonas. Aqui, a
Já foram documentados alguns casos de P. ovale no
transmissão é em grande parte devida ao Plasmodium
Brasil, todos importados do continente africano. A doença
vivax, embora o P. falciparum também cause formas
causada por P. vivax é a mais comum, por P. malariae é
graves da doença. A malária na América Latina tem
a mais leve e por P. falciparum é a mais grave
diminuído ao longo dos anos, mas surtos esporádicos
(SIQUEIRA BATISTA, 2020).
ainda acontecem (BRASIL, 2022).

-Epidemiologia A transmissão da malária depende de uma série de


A malária é uma doença predominantemente tropical fatores ecológicos, biológicos e sociais que favorecem a
e subtropical, com uma alta carga de transmissão nas proliferação do mosquito vetor e a circulação
regiões da África subsaariana, Ásia e América Latina. As do Plasmodium.
zonas endêmicas são determinadas principalmente pela
presença de mosquitos Anopheles e condições  Temperatura e umidade: O
ambientais favoráveis ao seu ciclo de vida. mosquito Anopheles tem seu ciclo de vida facilitado
por temperaturas elevadas (entre 20°C e 30°C) e
A malária no Brasil é endêmica na região Norte, alta umidade. Essas condições são comuns em
principalmente nos estados da Amazônia legal (Acre, regiões tropicais e subtropicais, tornando essas
Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima), com áreas mais vulneráveis à malária (WHO, 2023).
casos raros em áreas de mata atlântica da região  Água parada: Os mosquitos Anopheles depositam
Sudeste. Porém, é possível catalogar esparsas seus ovos em locais de água estagnada, como
ocorrências em outros estados, o que se explica pelo pântanos, lagoas e depósitos de água potável. A
fluxo contínuo de pessoas entre as várias localidades do presença de tais ambientes é essencial para a
país, facilitado pelos meios de transporte - como aviões, proliferação do vetor (WHO, 2023).
carros e caminhões - que cobrem longas distâncias em  A resistência dos mosquitos Anopheles a
poucas horas (SIQUEIRA-BATISTA, 2020). inseticidas como a permethrina tem sido um dos
maiores desafios no controle da malária. Esta
resistência é mais prevalente nas regiões da África e
da Ásia, onde os programas de controle de vetores
são intensivos. Esse fenômeno dificulta a
erradicação da doença e contribui para a
continuidade da transmissão (REY, 2010).
 O aumento da resistência do Plasmodium aos
medicamentos antimaláricos tem agravado a
situação em várias regiões do mundo. O P.
falciparum é particularmente problemático, com
cepas resistentes à cloroquina, e outras drogas,
como a mefloquina e a artemisinina. Em algumas
regiões da Ásia, como no Camboja e na Tailândia, a no mesmo subgênero que Anopheles gambiae , o
resistência à artemisinina está tornando o tratamento vetor primário da malária na África.
mais complexo (SIQUEIRA-BATISTA, 2020; WHO,
2023). O ciclo de vida do Anopheles é altamente
 A mobilidade das populações também tem um dependente de condições ambientais, como a presença
impacto importante na transmissão da malária. de água parada, onde os mosquitos depositam seus
Trabalhadores migrantes, especialmente aqueles ovos. Os comportamentos de picada e repouso são de
que se deslocam de áreas endêmicas para áreas importância epidemiológica, dado que as principais
não endêmicas, têm grande potencial de espalhar o medidas de controle de vetores de malária baseadas em
parasita. No Brasil, a migração de pessoas das inseticidas (i. e., mosquiteiros tratados com inseticida e
zonas urbanas para a Amazônia tem sido associada borrifação com inseticida residual) são de aplicação
a surtos localizados de malária (BRASIL, 2022). intradomiciliar (FEREIRA, 2020).
 A falta de acesso a serviços de saúde adequados,
especialmente em áreas rurais e remotas, dificulta a
detecção precoce, o tratamento e o controle da -Fatores de Risco/ Proteção
malária. Além disso, a falta de programas de
conscientização e de distribuição de repelentes e
mosquiteiros contribui para a continuidade da
transmissão em muitas regiões endêmicas (WHO,
2023).

-Ciclos Sazonais A transmissão da malária


geralmente segue um padrão sazonal. Durante a estação
chuvosa, as condições para a proliferação
de Anopheles se tornam ideais, resultando em picos de
infecção. Em algumas regiões, isso coincide com a
 Fatores geográficos e áreas endêmicas é o mais
mobilização de populações para atividades de agricultura
importante quando se trata de malária. A
ou mineração, o que aumenta a exposição das pessoas
transmissão ocorre principalmente em regiões
ao vetor (WHO, 2023).
tropicais e subtropicais onde o
mosquito Anopheles está presente. As áreas
*Vetor endêmicas incluem grande parte da África
Subsaariana, Sudeste Asiático, América
Latina e Oceania.
 Condições ambientais: A transmissão vetorial se
dá pela picada da fêmea do mosquito do gênero
Anopheles. Para tanto, as condições ambientais
devem ser favoráveis, com temperatura ambiente
entre 20 e 30ºC e alta umidade do ar (SALOMÃO,
2017).

OBS: Não ocorre transmissão em temperaturas inferiores


a 16 ou superiores a 33ºC, ou em altitudes acima de dois
A malária humana é transmitida exclusivamente por mil metros. Embora as chuvas favoreçam a formação de
mosquitos do gênero Anopheles (FEREIRA, 2020). Os criadouros do vetor, quando muito fortes podem levar a
machos alimentam-se exclusivamente de néctares perda de larvas e pupas (SALOMÃO, 2017).
vegetais, e apenas as fêmeas se alimentam de sangue,
cujas proteínas são necessárias à maturação dos ovos, A capacidade vetorial dos anofelinos (ordem Diptera,
em um processo que se designa por ciclo gonotrófico família Culicidae, gênero Anopheles) de transmitir a
(FEREIRA, 2020). As espécies mais importantes para a doença é bastante variável. No Brasil, têm importância
transmissão da malária incluem Anopheles epidemiológica algumas espécies com características
gambiae, Anopheles stephensi e Anopheles funestus. distintas em relação a seu habitat e comportamento
(SALOMÃO, 2017).

 Anopheles gambiae um mosquito pertencente ao Na Região Amazônica, destaca-se o An. darlingi,


género Anopheles, sendo de origem africana. cujos criadouros se estabelecem em grandes coleções
Hospedeiro e transmissor da malária, sendo principal hídricas, como rios, lagos e igarapés. Na faixa litorânea
vetor da malária na África. brasileira, predomina o An. aquasalis, em coleções de
água salobra, enquanto na faixa remanescente de Mata
 Anopheles stephensi um mosquito vetor Atlântica da região Sudeste são encontrados o An.
primário da malária na Índia urbana e está incluído bellator e o An. cruzi, que se reproduzem em pequenos
volumes de água acumulados nas folhagens de
bromélias. A maior atividade dos vetores se concentra especialmente em adultos que vivem nessas regiões.
nos períodos crepuscular e noturno, com autonomia de A resposta imune adaptativa reduz a gravidade da
deslocamento variável de até sete mil metros doença ao longo do tempo, mas a imunidade
(SALOMÃO, 2017). completa não é alcançada (SIQUEIRA-BATISTA,
2020).
A intensidade de transmissão da malária influencia a  Trabalho noturno e em áreas de risco:
imunidade protetora adquirida e o perfil clínico da doença. Trabalhadores rurais e migrantes que passam
Em áreas com transmissão estável, com indivíduos longos períodos ao ar livre, especialmente à noite,
frequentemente expostos e taxa de inoculação pelo vetor estão mais expostos às picadas do
superior a 10 picadas/ano, a imunidade adquirida na mosquito Anopheles. Atividades como a agricultura e
infância leva à diminuição do risco de malária grave em a mineração em áreas endêmicas aumentam o risco
adultos semi-imunes, que podem albergar parasitos de de infecção (REY, 2010).
modo assintomático (SALOMÃO, 2017).  Falta de Proteção Contra o Vetor A não utilização
de medidas preventivas, como mosquiteiros
As pulverizações para a eliminação em massa dos impregnados com inseticida, roupas protetoras e
mosquitos vetores foi inicialmente bem-sucedida, porém, repelentes, aumenta consideravelmente o risco de
ultimamente não tem dado certo, pois o DDT foi removido infecção. A falta de acesso a essas ferramentas de
do mercado devido às questões ambientais. Os esforços prevenção também é um fator relevante,
da saúde pública em todo o mundo para controlar a especialmente em áreas mais remotas (WHO, 2023).
malária, hoje, encaram os desafios dos mosquitos  Habitação e Condições de Vida Moradias
resistentes aos inseticidas e as espécies de Plasmodium localizadas em áreas de alto risco, com pouca
resistentes aos fármacos (ROBBINS & COTRAN, 2023). ventilação e sem redes ou barreiras contra os
mosquitos, aumentam a probabilidade de exposição.
 Idade Crianças e gestantes são os grupos mais  Pobreza e Baixo Nível de Educação Acesso
vulneráveis. Crianças pequenas não possuem limitado a cuidados de saúde: Pessoas que vivem
imunidade adquirida suficiente para combater a em áreas empobrecidas e com baixo acesso à
infecção, tornando-as altamente suscetíveis a educação são mais suscetíveis à malária, pois têm
formas graves de malária, como a malária cerebral. menos acesso a informações sobre prevenção e
A anemia severa é também uma complicação tratamento. A pobreza está frequentemente
comum devido à destruição massiva de glóbulos associada a uma falta de infraestrutura de saúde
vermelhos (WHO, 2023). Gestantes, especialmente adequada e a condições de vida que favorecem a
em seu primeiro trimestre de gravidez, têm maior proliferação de mosquitos (WHO, 2023).
risco de infecção grave por malária. Além disso, a  Acesso Insuficiente a Tratamentos Em muitas
malária durante a gestação pode levar a regiões endêmicas, o acesso limitado a serviços de
complicações como aborto espontâneo, parto saúde impede o diagnóstico precoce e o tratamento
prematuro, baixo peso ao nascer e até morte fetal. A adequado da malária, o que pode levar ao
presença de Plasmodium falciparum pode levar à agravamento da doença e ao aumento da
sequestração dos parasitas na placenta, resultando mortalidade (SIQUEIRA-BATISTA, 2020).
em hipóxia fetal e anemia materna (SIQUEIRA-  Expansão geográfica: O aquecimento global e as
BATISTA, 2020). mudanças nos padrões de precipitação podem
 Fatores Imunológicos e Genéticos: Deficiência alterar a distribuição geográfica dos
de Glicose-6-Fosfato Desidrogenase (G6PD) mosquitos Anopheles, permitindo que eles se
Proteção parcial contra a malária: Indivíduos com estabeleçam em novas áreas, incluindo regiões mais
deficiência de G6PD apresentam maior resistência à altas e fora das zonas tradicionais de transmissão,
infecção por Plasmodium falciparum, pois seus aumentando o risco de malária em áreas
glóbulos vermelhos têm maior dificuldade de anteriormente livres da doença (WHO, 2023).
sobreviver à infecção. Contudo, essas pessoas  Aumento da Frequência de Surtos O aumento da
podem ser mais vulneráveis a hemólises graves se temperatura e a maior frequência de chuvas podem
forem tratadas com certos medicamentos, como a criar novos ambientes favoráveis para os mosquitos,
primaquina (WHO, 2023). levando ao surgimento de surtos de malária em
 Anemia Falciforme Indivíduos heterozigotos para a áreas que antes não eram endêmicas (REY, 2010).
anemia falciforme (portadores do gene da
hemoglobina S) têm uma proteção parcial contra a
malária, devido à forma anômala dos glóbulos *Fisiopatologia
vermelhos, que dificulta a proliferação do parasita.
No entanto, pessoas com a forma homozigota da Protistas do gênero Plasmodium possuem diferentes
doença (anemia falciforme) apresentam outros formas evolutivas, encontradas no ciclo biológico do
problemas de saúde e não têm imunidade total protozoário, e cuja morfologia microscópica, na maioria
contra a malária (REY, 2010). das vezes, é espécie-específica. As formas evolutivas
 Imunidade Adquirida Em áreas endêmicas, a estão descritas a seguir. (SIQUEIRA-BATISTA, 2020). A
exposição repetida ao Plasmodium pode levar ao fisiopatologia da malária envolve interações complexas
desenvolvimento de uma imunidade parcial, entre o parasita, os glóbulos vermelhos e o sistema
imunológico do hospedeiro, resultando em uma ampla mosquito do gênero Anopheles ocorre a união entre
gama de manifestações clínicas. microgametócitos e macrogametócitos, originando o
zigoto, que é móvel, longo e denominado oocineto
 Esporozoítos. Formas infectantes para o H. sapiens, (ovo móvel). Este aloja-se na parede intestinal do
inoculadas pela fêmea do mosquito Anopheles, mosquito, desenvolvendo-se em oocisto, que cresce
responsável pela invasão dos hepatócitos. Os e matura, produzindo os esporozoítos, que migram
esporozoítos são delgados, curvos, com para as glândulas salivares do vetor, recomeçando o
aproximadamente 11 μm, com membranas externa e ciclo.
interna, cujas organelas principais (núcleo e mitocôndrias)
e enzimas de natureza proteolítica se acumulam em um
dos polos do protozoário. Essa região é denominada *Ciclo Biológico
complexo apical e está envolvida no processo de Plasmodium spp. apresenta dois ciclos: um que
penetração na célula hospedeira. Ao entrar nos ocorre no hospedeiro (Ciclo exoeritrocítico e
hepatócitos, eles se tornam criptozoítos e iniciam o eritrocítico), o ser humano (forma assexuada do
processo de multiplicação por esquizogonia, produzindo parasito, na qual a reprodução ocorre por esquizogonia);
os esquizontes hepáticos, os quais originarão a milhares e outro que ocorre no vetor, fêmeas do mosquito do
de merozoítos hepáticos, que rompem o hepatócito e gênero Anopheles (forma sexuada do patógeno, na qual
alcançam a circulação, onde invadirão os eritrócitos. a reprodução ocorre por esporogonia - Ciclo
Esporogônico) (SIQUEIRA BATISTA, 2020).
 Merozoítos hepáticos. São formas evolutivas
menores do que os esporozoítos, de padrão ovoide O ciclo no ser humano tem dois estágios principais:
e que penetram nos eritrócitos. No interior dessas o exoeritrocítico (ou pré-eritrocítico), no fígado; e o
células, tais formas evolutivas se diferenciam e se eritrocítico, no sangue (SIQUEIRA-BATISTA, 2020).
transformam em trofozoítos e, posteriormente, em
esquizontes sanguíneos. Nessa etapa, é possível
realizar a diferenciação entre as espécies do gênero
Plasmodium. No P. falciparum, os trofozoítos
apresentam citoplasma compacto com pigmentação
escura e granulações de Maurer, e os esquizontes
maduros dão origem a um total de 8 a 24 pequenos
merozoítos sanguíneos. No P. vivax, os trofozoítos
têm citoplasma grande com formato ameboide,
pigmentação marrom amarelada e granulações de
Schüffner. Os esquizontes do P. vivax são maiores
do que os do P. falciparum e podem originar de 12 a
24 merozoítos. No P. malariae, os trofozoítos têm
cromatina grande, com granulações de Ziemann, e
os esquizontes originam de 6 a 12 merozoítos com
núcleo largo. Os esquizontes de Plasmodium
-Fase no Homem:
agrupam se, formando estruturas chamadas
rosáceas.  A infecção humana inicia-se com a inoculação no
 Merozoítos sanguíneos. Advêm da desagregação
tecido subcutâneo, durante o repasto sanguíneo, de
da rosácea; são formas evolutivas menores do que 15 a 200 esporozoítos provenientes das glândulas
os merozoítos hepáticos, compartilhando com estes salivares de mosquitos fêmeas do gênero Anopheles
últimos a capacidade de invadir os eritrócitos. (FERREIRA, 2020). Após cerca de 45 minutos,
 Gametócitos. Os merozoítos sanguíneos passam essas formas desaparecem do sangue circulante,
por diferenciação, tornando-se trofozoítos imaturos, nesse estágio, os parasitas encontram-se recobertos
os quais dão origem aos gametócitos. Os femininos por um polipeptídeo chamado proteína
são denominados macrogametócitos, e os circunsporozoíta, que tem sido utilizada como um
masculinos, microgametócitos. No P. falciparum, o
dos alvos das vacinas antimaláricas.
macrogametócito tem cromatina e pigmentos Do subcutâneo, os esporozoítos atravessam

centrais, e o microgametócito tem cromatina difusa. diferentes tipos celulares, incluindo fibroblastos e
Ambos apresentam formato de lua crescente. No P. fagócitos, até chegarem à corrente sanguínea ou
vivax, o macrogametócito tem pigmento azul e linfática. Se alcançarem os vasos sanguíneos,
cromatina periférica, enquanto o microgametócito é
chegam ao fígado cerca de 30 minutos após a
arredondado com cromatina central; no P. malariae, inoculação, onde são capturados por células de
o macrogametócito tem cromatina periférica e Küpffer e atravessam as células endoteliais dos
pigmentos escassos, e o microgametócito possui capilares hepáticos e diversos hepatócitos até se
cromatina mais difusa. estabelecerem em um deles (FERREIRA, 2020).
 Oocinetos e oocistos. Após repasto sanguíneo em
um hospedeiro infectado, dentro do estômago do
Embora os mecanismos moleculares que possibilitam O processo de invasão
ao parasito atravessar diferentes tipos celulares ainda dessa célula hospedeira por
não sejam completamente conhecidos, demonstrou-se merozoítos de P. falciparum,
recentemente o papel essencial de duas proteínas de que leva 1 a 2 minutos, envolve
esporozoítos nesse processo, SPECT (do inglês, as cinco etapas (FERREIRA,
sporozoite microneme protein essential for cell traversal)- 2020). Nesse processo desempenham papel
1 e SPECT- 2, esta última também conhecida como PLP fundamental as estruturas que formam o chamado
(perforin-like protein)-1 (FERREIRA, 2020). complexo apical, as roptrias, os micronemas, os grânulos
densos e o anel polar (FERREIRA, 2020).
Ao chegar no parênquima do fígado, forma-se uma
grande célula multinucleada, o esquizonte hepático. Ocorre inicialmente o reconhecimento de receptores
Após essa etapa (ao final de 8 a 15 dias), as células que da superfície da hemácia. Acredita-se que essa interação
se encontravam parasitadas são rompidas, e o inicial seja mediada por componentes da superfície dos
esquizonte origina os merozoítos, envoltos em uma merozoítos, as merozoite surface proteins (MSPs).
vesícula conhecida como merossomo, na luz de Algumas MSPs são ancoradas na membrana do parasito
sinusoides hepáticos (SIQUEIRA-BATISTA, 2020). por uma estrutura de glicosilfosfatidilinositol (GPI), como
MSP-1, 2, 4, 5, 8 e 10; outras são solúveis, como MSP-3,
Esquizogonia é o processo de reprodução 6, 7 e 9 (FERREIRA, 2020).
assexuada que resulta na formação do esquizonte, que,
por sua vez, dará origem aos merozoítos. A esquizogonia A MSP-1 parece interagir com a banda 3, uma
que ocorre em hepatócitos é conhecida como proteína abundante na membrana da hemácia, mas o
esquizogonia hepática, tecidual, pré-eritrocitária ou papel dessa interação no processo de invasão não está
exoeritrocitária, para distingui-la dos ciclos plenamente estabelecido. A etapa seguinte consiste na
esquizogônicos que posteriormente ocorrem nas reorientação do merozoíto. O parasito posiciona seu polo
hemácias (FERREIRA, 2020). apical em contato com a membrana da hemácia. No
interior de roptrias e micronemas, encontram-se diversas
Nas infecções devidas ao P. falciparum e ao P. outras moléculas, especialmente proteases, que serão
malarie, os esquizontes teciduais se rompem todos ao secretadas durante o processo de invasão celular,
mesmo tempo e nenhum persiste no interior dos facilitando a formação de um poro entre o merozoíto e a
hepatócitos. Já naquelas decorrentes do P. ovale e do P. hemácia e a invaginação da membrana da hemácia
vivax, algumas formas exoeritrocíticas, denominadas (FERREIRA, 2020).
hipnozoítas, permanecem latentes no fígado por meses
ou anos, e parecem ser responsáveis pelas recidivas OBS.: Receptores específicos na superfície dos
tardias observadas nas infecções causadas por essas eritrócitos: Glicoforina A, uma proteína que é
duas espécies (FOCACCIA, 2022). provavelmente o receptor para o P. falciparum; o ácido
siálico, na membrana do eritrócito, pode também
Os mecanismos que levam à reativação dos funcionar como receptor de entrada para este plasmódio.
hipnozoítos são desconhecidos; especula-se que a febre, Um antígeno das hemácias, o fator Duffy, constitui o
causada pela própria malária ou infecções bacterianas, receptor específico necessário para a invasão dessas
possa estimular a reativação (FERREIRA, 2020). células pelos merozoítos do P. vivax (FOCACCIA et. al.,
5ª ed.).
Posteriormente, os merozoítos liberados no sangue
dos sinusoides hepáticos invadem os eritrócitos. Os
merozoítos são estágios extracelulares de formato ovoide,
com 1 a 3 µm de comprimento, que invadem
exclusivamente hemácias.

Inicia-se então a etapa de entrada do merozoíto na


hemácia, dependente da interação de uma proteína
integral da membrana, a apical membrane protein (AMA)-
1, produzida pelos micronemas, com proteínas de
roptrias da família RON, especialmente RON-2. Segundo
a hipótese mais aceita, RON-2 é translocada para a
membrana da célula hospedeira e serve como ponto de
ancoragem de AMA-1, que se conecta aos feixes de
actina e miosina do parasito. Deste modo, o merozoíto é
impulsionado para a frente, formando um vacúolo à
medida que penetra a célula. Finalmente, o merozoíto
descarta suas moléculas liberadas durante sua interação -Fase no Vetor:
com a membrana da hemácia, tornando possível o
fechamento do vacúolo que se formou durante a invasão A próxima fase do ciclo vital, conhecida como
(FERREIRA, 2020). esporogonia, ocorre no mosquito. Os gametócitos
ingeridos durante o repasto sanguíneo, diferentemente
Plasmodium vivax parasita exclusivamente dos demais estágios eritrocitários do parasito, não são
reticulócitos, hemácias jovens que ainda expressam o digeridos no estômago dos mosquitos. Em poucos
receptor de transferrina-1 (TfR-1), também conhecido minutos o gametócito masculino sofre a exflagelação,
como CD71. Em contraste, P. falciparum invade desencadeada pela mudança de temperatura na
hemácias de todas as idades, ainda que apresente passagem do ser humano para o mosquito, que resulta
preferência por hemácias jovens. P. malariae não mostra na formação de seis a oito gametas masculinos ou
preferência por algum tipo de hemácia (FERREIRA, microgametas, enquanto os gametócitos femininos
2020). transformam-se em macrogametas (FERREIRA, 2020).

No interior dos eritrócitos, os merozoítos


transforma se em trofozoítas jovens, conhecidos como
forma em anel, que crescem, tornam-se irregulares
(trofozoítas ameboides) e, em determinado momento,
mostram sinais de divisão no núcleo, eles se convertem,
então em esquizontes hemáticos, que, por divisão do
núcleo e posterior segmentação, originam um número
variável de merozoítos hemáticos (6 a 36). Esse
processo de multiplicação assexuada se chama
esquizogonia eritrocítica e, nessa fase, os parasitas
metabolizam a hemoglobina da hemácia, originando um
produto denominado hemozoína (FOCACCIA et. al., 5ª
ed.).

A hemozoína é um pigmento escuro composto de O zigoto formado pela fusão de microgametas e


65% de proteínas, 16% de hematina, 6% de carboidratos macrogametas transforma-se, em poucas horas, em um
e pequenas quantidades de lipídeos e ácidos nucleicos; estágio móvel chamado oocineto. Ao penetrar a parede
este pigmento irá depositar-se em vários órgãos durante do estômago do mosquito, o oocineto transforma-se em
a evolução clínica da doença (FOCACCIA, 2022). oocisto, uma estrutura esférica que se aloja entre o
epitélio e a membrana basal, em cujo interior se formam
A saída dos merozoítos da hemácia exige a ruptura esporozoítos. Com a ruptura do oocisto, milhares de
do vacúolo parasitóforo em que o parasito se instalou e esporozoítos liberam-se e migram para as glândulas
da membrana celular da célula hospedeira. salivares dos mosquitos. A cada repasto sanguíneo,
dezenas de esporozoítos são inoculadas no hospedeiro
Primeiro rompe-se o vacúolo parasitóforo, como vertebrado. O ciclo no vetor dura, em geral, de 7 a 21
resultado da ação de proteases do parasito. dias (SIQUEIRA-BATISTA, 2020).
Consequentemente, os merozoítos ficam livres no citosol
da hemácia ainda intacta. A seguir, eleva-se subitamente
a pressão intracelular e ocorre degradação do -Em Resumo:
citoesqueleto da hemácia. Sua membrana celular rompe- -Fase no Mosquito (Ciclo Esporogônico):
se, liberando os merozoítos (FERREIRA, 2020).
 Ingestão de gametócitos: Quando um mosquito
Os merozoítas liberados voltarão a parasitar outros fêmea do gênero Anopheles pica uma pessoa
glóbulos vermelhos e repetir o ciclo (FOCACCIA, 2022). infectada, ingere gametócitos presentes no sangue.
O intervalo entre os picos febris corresponde à duração  Desenvolvimento no intestino do mosquito: No
da esquizogonia sanguínea em cada espécie. Os intestino do mosquito, os gametócitos se
merozoítos que invadem novas hemácias podem transformam em gametas masculinos e femininos,
transformar-se em trofozoítos e posteriormente em que se fundem formando um zigoto.
esquizontes, ou alternativamente podem diferenciar-se  Formação do oocisto: O zigoto se transforma em
em formas de reprodução sexuada, os gametócitos, oocineto, que atravessa a parede intestinal do
infectantes para os mosquitos vetores (FERREIRA, 2020). mosquito e forma um oocisto.
 Liberação de esporozoítos: O oocisto se rompe e
Após um período de 3 a 10 dias do início dos libera milhares de esporozoítos, que migram para as
sintomas clínicos, alguns parasitas diferenciam-se em glândulas salivares do mosquito, prontos para
gametócitos femininos (macrogametócitos) e masculinos infectar um novo hospedeiro.
(microgametócitos) (FOCACCIA, 2022).
-Fase no Homem: Desencadeia-se então a resposta imune adaptativa
aos parasitos no ciclo sanguíneo, com participação das
 Inoculação de esporozoítos: Durante a picada, o imunidades humoral e celular. Embora o papel protetor
mosquito injeta esporozoítos na corrente sanguínea dos anticorpos nessa fase tenha sido demonstrado há
do hospedeiro humano. mais de 50 anos por Cohen, ao verificar que a
 Fase exoeritrocítica (hepática): Os esporozoítos transferência passiva de anticorpos IgG obtidos de
viajam até o fígado, onde invadem os hepatócitos e adultos com história prévia de malária é capaz de induzir
se multiplicam assexuadamente, formando remissão rápida da febre e redução da parasitemia em
esquizontes que liberam merozoítos na corrente crianças com infecção aguda, até o momento não se
sanguínea. sabe exatamente quais antígenos parasitários induzem à
 Fase eritrocítica (sanguínea): Os merozoítos produção desses anticorpos, de que maneira os
invadem os glóbulos vermelhos, onde se anticorpos induzem proteção e, tampouco, por que razão
desenvolvem em trofozoítos, esquizontes e, tal proteção demora muitos anos para se estabelecer.
eventualmente, gametócitos. A ruptura das hemácias Acredita-se que a diversidade genética parasitária e o
libera novos merozoítos, perpetuando o ciclo. polimorfismo antigênico das proteínas expressas na
 Formação de gametócitos: Alguns merozoítos se superfície das hemácias infectadas sejam responsáveis
diferenciam em gametócitos, que podem ser pela incapacidade de o hospedeiro estabelecer
ingeridos por outro mosquito, reiniciando o ciclo. imunidade esterilizante, ou mesmo duradoura
(SALOMÃO, 2017).

Resposta Imune e Patogênese Além disso, a resposta humoral participa da


patogênese da doença, ao provocar ativação policlonal
Quando da inoculação de esporozoítos, após a de células B e, consequentemente, a produção de
picada do mosquito vetor, pode haver ativação da autoanticorpos, capazes de contribuir para o
imunidade inata na derme, envolvendo mastócitos, desenvolvimento de anemia, de plaquetopenia na
neutrófilos, células natural killer (NK), células NKT e infecção, causada pelas diferentes espécies, e de
células gama-delta. Entretanto, não se observa resposta glomerulonefrite por deposição de imunocomplexos na
inflamatória local de importância, o que justifica o silêncio membrana basal glomerular, em alguns casos de
clínico desse período e a impossibilidade de conter a infecção por P. malariae (SALOMÃO, 2017).
infecção nessa fase. O mesmo ocorre no fígado: após a
invasão e o desenvolvimento parasitário, a liberação de Mecanismos efetores relacionados à imunidade
merozoítos não apresenta qualquer importância clínica celular são importantes também na defesa do hospedeiro
(embora possa haver morte celular de hepatócitos contra o ciclo sanguíneo dos plasmódios. A resposta
infectados) e não provoca aparecimento de qualquer imunológica nesse aspecto depende do reconhecimento
sintoma na fase pré-eritrocítica (SALOMÃO, 2017). de antígenos parasitários por linfócitos T CD4+ e do
desencadeamento de resposta específica com acentuada
A falta de uma resposta robusta da imunidade inata produção de IFN- γ, que ativa macrófagos e induz
ou adaptativa no período pré-eritrocítico parece estar intensa fagocitose de hemácias parasitadas e, até
relacionada ao tempo fugaz de permanência do parasito mesmo, de hemácias não infectadas, particularmente no
na pele e ao pequeno número de hepatócitos infectados, baço. A produção de IFN- γ e de TNF-α, por outro lado,
embora isto se dê por mecanismo ainda não induz a produção de óxido nítrico e de outros radicais
completamente elucidado (SALOMÃO, 2017). tóxicos para o parasito em seu desenvolvimento no ciclo
sanguíneo (SALOMÃO, 2017).
Na etapa de desenvolvimento parasitário nos ciclos
sanguíneos, ao contrário, ocorre intensa ativação celular, -CITOADERÊNCIA E PRODUÇÃO DE ROSETAS
com fenômeno inflamatório sistêmico considerável, A malária por P. falciparum é a mais grave devido a
dependente da acentuada liberação de citocinas, à dois fenômenos importantes: a citoaderência e a
semelhança do que se observa na sepse bacteriana produção de rosetas (SIQUEIRA-BATISTA, 2020).
(SALOMÃO, 2017).
O primeiro fenômeno ocorre porque, à medida que o
A ruptura de hemácias infectadas na circulação parasito amadurece no interior dos eritrócitos, envia
sistêmica leva à liberação de citocinas pro-inflamatórias e proteínas para a superfície deles, as quais são
quimiocinas, tais como interleucina (IL)-1β, IL-6, IL-8, IL- incorporados à membrana celular. Consequentemente, o
12, fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e IFN-γ, eritrócito passa a apresentar “botões” protuberantes, ou
responsáveis pelo aparecimento da síndrome febril, knobs, com propensão particular a aderirem a moléculas
característica da malária. A ativação dessa resposta do endotélio (citoaderência). Assim, esses botões
parece depender da interação (PAMP/PRP) de diversos começam a obstruir a circulação, principalmente a
padrões moleculares associados ao patogéno (PAMP) e microcirculação nos capilares sanguíneos do cérebro,
seus respectivos receptores de reconhecimento de dos rins, pulmões e da placenta (SIQUEIRA-BATISTA,
padrões (PRR) (SALOMÃO, 2017). 2020).
Nesse processo de adesão celular, os knobs se pelo Plasmodium. A resistência também pode ser
conectam aos diferentes receptores endoteliais do adquirida, após a exposição repetida ou prolongada às
hospedeiro, que podem ser molécula de adesão espécies de Plasmodium, as quais estimulam uma
intercelular 1 (ICAM-1), molécula de adesão leucocitária resposta imune parcialmente protetora (ROBBINS &
ao endotélio 1 (ELAM-1) e molécula de adesão vascular CONTRAN, 2023).
1 (VCAM-1); no cérebro, o principal ligante é o ICAM-1.
Além disso, os glóbulos vermelhos infectados passam a Vários tipos de mutação que afetam os eritrócitos são
aderir aos glóbulos vermelhos normais, formando altamente prevalentes em partes do mundo nas quais a
aglomerados celulares, ou “rosetas” (SIQUEIRA- malária é endêmica e não estão presentes em outros
BATISTA, 2020). locais. A maioria dessas mutações é deletéria na forma
homozigótica, sugerindo que são mantidas nas
populações devido à vantagem seletiva para os
portadores heterozigóticos contra a malária. As mutações
são classificadas em quatro grandes classes: (ROBBINS
& CONTRAN).
 Mutações pontuais nos genes das globinas: anemia
falciforme (HbS) e doença da HbC
(hemoglobinopatias).
 Mutações que resultam em deficiências de globina -
talassemia-α e β.
Esses dois fatores em conjunto podem causar a grave  Mutações que afetam as enzimas dos eritrócitos -
interrupção do fluxo sanguíneo, levando a hipoxia e deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase
efeitos metabólicos deletérios, como a acidose láctica e a (G6PD).
hipoglicemia, ou a disfunções orgânicas graves, se o  Mutações que causam defeitos na membrana dos
local afetado for o cérebro, o fígado ou os rins eritrócitos - falta de DARC (grupo sanguíneo de
(SIQUEIRA-BATISTA, 2020). superfície Duffy), banda 3, espectrina

O baço é comumente afetado nas infeções pelo O P. vivax entra nos eritrócitos através da ligação ao
parasito, e está relacionado à proteção e à gravidade da antígeno do grupo sanguíneo Duffy, e a maioria da
doença, considerando sua participação na resposta população da África Ocidental não é suscetível à
imune e, ainda, as observações de maior gravidade da infecção pelo P. vivax, porque eles não possuem este
moléstia nos pacientes esplectomizados. A malária cursa, grupo sanguíneo (ROBBINS & CONTRAN).
normalmente, com esplenomegalia, e os resultados
demonstram, fortemente, a relação da resposta Indivíduos que vivem onde o Plasmodium é endêmico
inflamatória ocorrida nesse órgão e o controle da carga frequentemente ganham resistência imunomediada
parasitária (ou seja, atua substantivamente no controle parcial à malária, evidenciada pela reduzida doença,
da parasitemia) (SIQUEIRA-BATISTA, 2020). apesar da infecção. Anticorpos e linfócitos T específicos
para o Plasmodium reduzem as manifestações da
doença, embora o parasita tenha desenvolvido
estratégias para escapar da resposta imune do
hospedeiro. O P. falciparum utiliza a variação antigênica
para escapar das respostas dos anticorpos à PfEMP1.
Cada genoma haploide do P. falciparum tem cerca de 50
genes var, cada qual codificando uma variante de
PfEMP1. O mecanismo da regulação var não é
conhecido, porém pelo menos 2% dos parasitas mudam
os genes PfEMP1 a cada geração. Células T citotóxicas
também podem ser importantes na resistência contra o P.
falciparum (ROBBINS & CONTRAN, 2023).

Em áreas endêmicas, os neonatos podem ser


protegidos pela transferência de IgG através da placenta
ou, ainda, pela presença de hemoglobina fetal nos
eritrócitos (SIQUEIRA-BATISTA, 2020).

No Brasil, há evidência de aquisição de imunidade


clínica em populações da Amazônia, após vários anos de
exposição ao parasito, embora os níveis de transmissão
A resistência do hospedeiro ao Plasmodium pode de malária sejam substancialmente inferiores aos
ser intrínseca ou adquirida. A resistência intrínseca observados na África (FERREIRA, 2020).
resulta de alterações herdadas, que reduzem a
suscetibilidade dos eritrócitos às infecções produtivas
e a segunda, cujo principal mecanismo fisiopatológico é a
*Manifestações Clínicas mediação do fator de necrose tumoral (TNF),
O período de incubação (entre a picada do mosquito
apresenta se com cianose periférica e pele fria
e o aparecimento das primeiras manifestações) varia
conforme a espécie do plasmódio: 14 dias para o P. vivax, (SIQUEIRA-BATISTA, 2020).
30 dias para o P. malariae e 12 dias para o P. falciparum
(SIQUEIRA-BATISTA, 2020). *Malária Falcípara:

Em P. falciparum, as hemácias infectadas


expressam proteínas de superfície, como PfEMP1, que
se ligam ao endotélio vascular, promovendo o sequestro.
O sequestro impede a remoção das hemácias
parasitadas pelo baço, contribuindo para a obstrução dos
vasos sanguíneos e comprometendo a perfusão tecidual.

As manifestações clínicas graves da malária


As manifestações clínicas da malária têm início na falciparum em indivíduos vulneráveis decorrem,
fase eritrocítica, quando hemácias infectadas se rompem, fundamentalmente, do fenômeno de citoaderência
liberando merozoítos e pirógenos endógenos na (sequestro) das hemácias parasitadas e não parasitadas
circulação sistêmica. Inicia-se, assim, o sintoma mais (formação de rosetas) junto ao endotélio capilar
sugestivo da doença, o acesso malárico ou acesso (microcirculação). Aliadas a esse fenômeno, observam-
palúdico (SALOMÃO, 2017). se alterações decorrentes da intensa resposta
inflamatória que se estabelece na interação do parasito
Esse quadro paroxístico de febre tem início com com o sistema imunológico do hospedeiro infectado
tremores e intensa sensação de frio, em período de 15 a (SALOMÃO, 2017).
60 min, que coincide com a rápida elevação da
temperatura corporal, até que se atinjam valores A malária causada por P. falciparum é grave e deve
máximos bastante elevados (acima de 40ºC) (SALOMÃO, ser considerada uma emergência médica, sendo
2017). imprescindível a internação em unidade de terapia
intensiva (UTI) visando à minimização de danos advindos
A febre costuma ser acompanhada de intensa de complicações da infecção malárica grave. Os
cefaleia, podendo também ocorrer mal-estar, mialgias, pacientes podem evoluir com achados clínicos
artralgias, náuseas e vômitos. Atingido esse patamar de compatíveis com sepse, com envolvimento de diferentes
temperatura elevada, o quadro clínico se modifica, órgãos e sistemas (SIQUEIRA-BATISTA, 2020).
passando o paciente a relatar sensação de muito calor.
Os sintomas gerais podem persistir nessa fase, que dura
cerca de 2 a 6 h. Finalmente, o acesso malárico costuma
encerrar-se na terceira fase (que pode durar de 2 a 4 h),
na qual se observa sudorese profusa acompanhando a
remissão da febre. De modo didático, pode-se resumir o
acesso malárico como composto de três fases
sucessivas: a de tremor, a de calor e a de suor. Após o
paroxismo febril, são frequentes os relatos de cansaço
acentuado e sonolência (SALOMÃO, 2017).

Os acessos palúdicos se sucedem periodicamente,


visto que decorrem da ruptura de hemácias a cada ciclo
de esquizogonia sanguínea. Assim, sua periodicidade
depende da duração da esquizogonia eritrocitária, sendo
conhecida como febre terçã (em intervalos de 48 h) nas
infecções por P. vivax, P. falciparum e P. ovale, e febre Nos indivíduos infectados por P. falciparum, a
quartã (intervalos de 72 h) nas infecções causadas por P. produção aumentada de anticorpos não interfere na
malariae. É importante ressaltar que na primeira semana reprodução de parasitos; além disso, como o protozoário
de doença a febre pode ser contínua, até que se instale invade tanto eritrócitos jovens quanto velhos, uma
sincronismo no desenvolvimento parasitário alteração laboratorial presente é a hiperparasitemia,
intraeritrocítico. Particularmente na malária falciparum, a podendo ter mais de 5% dos eritrócitos parasitados.
febre pode não ter periodicidade nítida. (SALOMÃO,
2017).
*Complicações Graves:
Outras formas clínicas que são eventualmente
observadas no adoecimento por malária são a colérica e  Malária cerebral O sequestro de hemácias no
a álgida. Na primeira, há diarreia com forte desidratação; cérebro pode levar a edema cerebral, convulsões e
coma. É uma das principais causas de óbito nos dano endotelial disseminado. É necessário cuidado
quadros clínicos de malária grave, com letalidade de ao estabelecer terapia hídrica, a fim de não acarretar
10 a 50%. Tem apresentação clínica com cefaleia, edema pulmonar no enfermo. Além disso, é preciso
bruxismo, rebaixamento do nível de consciência, analisar a possibilidade de uso de assistência
delírio, sonolência, torpor, convulsões e coma. Há ventilatória mecânica.
duas teorias que buscam elucidar a imunopatologia  Choque: Pode ocorrer devido à redução na pressão
da malária cerebral: a da inflamação e a mecânica. arterial sistólica no ortostatismo combinada a
Esta discorre sobre o sequestro de eritrócitos e a acidose metabólica, sepse e/ou hemorragia. Pode
obstrução do fluxo sanguíneo cerebral com ser classificado como choque hiperdinâmico, pois
consequente hipoxia, enquanto aquela baseia o não há alteração na função cardíaca, e sim
acometimento do SNC na significativa resposta associação à queda na resistência vascular
imune com liberação de citocinas. periférica. É uma situação rara, mas, quando
 Anemia Grave: presente no quadro inicial, progride presente, perfaz a síndrome malárica álgida.
com o aumento do sequestro eritrocitário e do  Coagulação intravascular disseminada: Ocorre
parasitismo. Na anemia grave, a contagem de devido à intensificação da cascata de coagulação e
eritrócitos é menor que 15%, e a concentração de do sistema fibrinolítico.
hemoglobina reduz-se a menos que 5 g/dℓ. Estudos  Hipoglicemia: Geralmente associa-se a
indicam que polimorfismos na expressão de hiperinsulinemia, pois fatores intrínsecos a P.
citocinas, bem como infecções virais e parasitárias, falciparum intensificam a atividade das células
tornam o indivíduo mais suscetível a desenvolver betapancreáticas. A hipoglicemia é a principal
anemia grave. Algumas citocinas pró- inflamatórias disfunção metabólica dos pacientes com malária,
também parecem contribuir para o agravamento da ocorrendo, principalmente, em crianças e mulheres
anemia, por suprimirem a atividade hematopoética grávidas, eventualmente com curso fatal. Sua
da medula óssea (FEREIRA, 2020). etiologia ainda não foi completamente compreendida,
e é provável que seja multifatorial. Essa disfunção
bem como outras complicações graves da malária –
insuficiência renal aguda, icterícia, acidose
metabólica e sangramento espontâneo – foram
observadas em pacientes infectados por P.
falciparum ou P. vivax, cuja doença estava
associada à trombocitopenia. Os resultados sugerem,
ainda, uma possível relação entre as citocinas TNF-α,
(IL)-6 e IL-10 e a perturbação da produção de
plaquetas. Os sinais clínicos podem abranger
 Disfunção hepática: Na fase aguda, a principal ansiedade, sudorese, taquicardia, dispneia e
lesão anatomopatológica é a hepatomegalia, que diminuição do estado geral de consciência até o
também é percebida na clínica do paciente, junto coma (SIQUEIRA-BATISTA, 2020).
com icterícia e aumento discreto de
aminotransferases. Podem ocorrer também
modificações no funcionamento do órgão, tais como:
diminuição na síntese de fatores de coagulação e
mudança no processo da gliconeogênese, que pode
levar a episódios de hipoglicemia e acidose láctica.
Na fase crônica, o comprometimento
anatomopatológico é caracterizado por congestão
hepática, colestase e dilatação sinusoidal.
 Insuficiência renal: Os danos renais decorrentes de
infecção por P. falciparum podem ser leves ou
graves, podendo ocasionar necrose tubular e
insuficiência renal aguda (IRA). A IRA  Acidose metabólica: Ocorre devido a um conjunto
desenvolve se a partir dos seguintes eventos: A de fatores que podem se dar concomitantemente:
citoaderência e os fenômenos embólicos provocam processo febril com consequente aumento de
redução sistêmica do fluxo sanguíneo, causando citocinas inflamatórias; redução e/ou congestão do
hipoxia tecidual e isquemia renal. Além disso, a fluxo sanguíneo hepático, ocasionando menor
liberação de citocinas inflamatórias leva à depuração do lactato; maior ação muscular em
vasoconstrição, agravando a isquemia renal, e à quadros convulsivos; hipoxia tecidual devido à
liberação de catecolaminas, que são tóxicas, anemia; e redução da cadeia de oxidação da glicose
culminando em lesões no parênquima renal. em eritrócitos parasitados. Em geral, a acidose está
 Disfunção pulmonar: Cursa com alta letalidade, associada à resposta fisiológica de sua
cerca de 70%. Inicia-se com alteração na frequência compensação utilizando padrão respiratório de
respiratória, podendo evoluir para síndrome do Kussmaul (inspiração profunda, rápida e ruidosa,
desconforto respiratório agudo (SDRA), na qual há
seguida de pausa e posterior expiração repentina),  Recaída: quando a parasitemia sanguínea reaparece
que promove alcalose respiratória. sem que o indivíduo tenha realizado novos
deslocamentos para áreas com possibilidade de
Na malária grave por P. falciparum, a acidose transmissão; o novo episódio de malária decorre de
metabólica e a lesão renal aguda (LRA) são fatores ataque primário anteriormente diagnosticado e
predisponentes para um desfecho fatal, tratado.
independentemente da faixa etária. Após análise da
relação entre ácidos plasmáticos e urinários e função O diagnóstico da malária é um processo clínico e
renal, as concentrações de ácido p-hidroxifenilático laboratorial que envolve anamnese detalhada, exame
(pHPLA), no plasma e na urina, se correlacionam físico minucioso, avaliação de sinais e sintomas
estreitamente com LRA em pacientes com malária grave. clínicos e a realização de exames laboratoriais
específicos. Um diagnóstico eficaz é fundamental para
A gravidade da malária está relacionada a algumas reduzir a morbimortalidade e interromper a cadeia de
“condições de risco”, com destaque para as seguintes: transmissão (SIQUEIRA-BATISTA, 2020).
 Primo-infecção ou viajante em retorno de área
endêmica (independentemente de idade ou estado A anamnese é a primeira etapa do diagnóstico e
imunológico); deve levantar dados epidemiológicos e clínicos
 Idade avançada; gestação; fundamentais. Em regiões endêmicas ou em pacientes
 Imunodepressão; com histórico recente de viagem a áreas de risco,
 Demora no diagnóstico e na instituição do qualquer febre de origem não determinada deve levantar
tratamento; suspeita de malária (GOMES et al., 2019). Durante a
 Gravidade da doença no momento da admissão entrevista clínica, o profissional deve investigar:
hospitalar.
 História de viagem ou residência em áreas
*Diagnóstico endêmicas nos últimos 30 dias;
 Contato com áreas de mata ou rios;
O diagnóstico preciso da malária é essencial para o  Uso de medidas preventivas (repelentes,
tratamento eficaz e a prevenção de complicações graves. mosquiteiros, quimioprofilaxia);
Ao avaliar um paciente com processo febril, cabe ao  Episódios anteriores de malária (recidivas são
médico suspeitar da possibilidade de malária e, desse comuns em infecções por Plasmodium vivax);
modo, realizar investigação direcionada à doença,  Sintomas como febre, calafrios, sudorese, cefaleia,
questionando sobre a história epidemiológica do enfermo, náuseas, vômitos e mialgia (BRASIL, 2022).
viagens a áreas endêmicas ou riscos de infecção por
realização de recente transfusão sanguínea ou de A febre intermitente, com padrão cíclico (acesso
hemoderivados, ou ocorrência de acidentes com objetos febril), é um dado clássico, mas nem sempre presente —
perfurocortantes (SIQUEIRA-BATISTA, 2020). muitos casos hoje são atípicos (WHO, 2023).

*Exame Físico
-Diagnóstico Clínico: É fundamental que seja realizada
a investigação, durante a anamnese, da possibilidade de
o paciente ter viajado recentemente a alguma área
endêmica de malária (SIQUEIRA-BATISTA, 2020). Na O exame físico deve ser completo e dirigido para
investigação epidemiológica da malária, empregam-se achados compatíveis com o quadro febril agudo. Os
alguns conceitos básicos: principais sinais observados são:
 Caso autóctone: quando a transmissão ocorre no
local, sem que o indivíduo tenha realizado  Febre alta (com ou sem periodicidade);
deslocamentos para outras regiões. Supõe a  Palidez cutâneo-mucosa (anemia);
existência de casos anteriores e continuidade da  Icterícia (sobretudo em infecções por P. falciparum);
transmissão.  Esplenomegalia e hepatomegalia (mais frequente
 Caso importado: quando a transmissão ocorre em em casos com dias de evolução);
local distinto ao de origem do indivíduo, em  Taquicardia e hipotensão em casos graves
deslocamento realizado para área malarígena, e é (SIQUEIRA-BATISTA, 2020).
detectado fora da área onde houve a infecção.
 Caso introduzido: quando a transmissão é local, Em casos de malária grave (principalmente por P.
porém não continuada, e o caso detectado se origina falciparum), podem surgir manifestações neurológicas
de outro, importado. (confusão mental, convulsões), sinais de insuficiência
 Caso induzido: quando a transmissão ocorre sem a renal, sangramentos e dispneia, indicando necessidade
participação do vetor, ou seja, por transfusão urgente de internação (GOMES et al., 2019).
sanguínea, uso compartilhado de seringas
contaminadas ou por viacongênita no momento do O aumento do tamanho do fígado e do baço, por
parto, em consequência de lesões nos vasos corresponder à hipertrofia e à hiperplasia do sistema
sanguíneos de mãe e filho. fagocítico mononuclear, traduz-se semiologicamente pelo
fato de se mostrarem de consistência normal ou possibilitam a avaliação da forma e do diâmetro relativo
amolecida, podendo ser discretamente dolorosos à das hemácias, parâmetros essenciais para a definição da
palpação (SALOMÃO, 2017). espécie infectante. No entanto, a sensibilidade
diagnóstica do exame de esfregaços tende a ser inferior
à da gota espessa (FEREIRA, 2020).
*Exames Laboratoriais

-MICROSCOPIA ÓPTICA DO SANGUE A confirmação


da suspeita diagnóstica de malária baseia-se na técnica
padrão: o exame da gota espessa (alta sensibilidade), no
qual é puncionado o dedo do paciente para se obter uma
gota de sangue, que é colocada em uma lâmina para
análise microscópica.

Trata-se de um método de exame rápido e simples,


Características morfológicas de estágios sanguíneos de Plasmodium
que possibilita a identificação de parasitos no sangue; vivax (A a D) e de Plasmodium falciparum (E e F) em esfregaços
porém, exige certa habilidade na leitura da lâmina, sanguíneos corados pelo Giemsa. Nas figuras A e B, observam-se
principalmente nos casos de baixa parasitemia e de trofozoítos maduros, de aspecto irregular (ameboide) (A) e um gametócito
infecções mistas (SIQUEIRA-BATISTA, 2020). feminino (macrogametócito) (B) de Plasmodium vivax, indicados por setas.
Observe a granulação de Schüffner (uma granulação fina e avermelhada)
recobrindo toda a hemácia parasitada. Em C e D, observam-se esquizontes
de Plasmodium vivax. O esquizonte maduro, mostrado em C, é também
conhecido como rosácea. Em E e F, observam-se trofozoítos jovens; em F,
são vistos dois gametócitos (um imaturo e um maduro) de Plasmodium
falciparum (setas). Observe que os gametócitos têm formato de meia-lua

*Testes Rápidos Testes rápidos imunocromatográficos


detectam antígenos parasitários e são úteis na ausência
de microscopistas treinados. Entretanto são de custo
mais elevado e não dispensam a realização da
hematoscopia, considerando a necessidade de
identificação específica
para conduta
terapêutica adequada.
Além disso, os testes
imunocromatográficos
podem manter
Para se obter maior segurança no resultado, resultados positivos,
aconselha-se o uso da distensão sanguínea (alta algum tempo após uso
especificidade), que possibilita não apenas a detecção da medicação
dos protozoários, mas também, a identificação da antimalárica, não
espécie do Plasmodium, por meio da observação da sendo úteis como
morfologia do parasito e das alterações nos eritrócitos critério de cura
(SIQUEIRA BATISTA, 2020). (SIQUEIRA-BATISTA,
2020).
O teste de diagnóstico para a infecção da malária é
o exame de um esfregaço de sangue periférico corado
pelo método de Giemsa, que permite que os estágios
assexuados do parasita sejam identificados dentro dos *Testes Moleculares Atualmente, devido aos limites
eritrócitos (ROBBINS & COTRAN, 2023). analíticos dos exames anteriormente citados, são
utilizadas técnicas alternativas, cujo princípio é a
Os esfregaços sanguíneos são a melhor alternativa identificação do parasito com uso dos métodos
para a distinção entre as espécies de plasmódios, já que moleculares de reação em cadeia da polimerase
(PCR) (SIQUEIRA-BATISTA, 2020). fármacos utilizados, portanto, podem agir em diferentes
sítios. Como primeiro objetivo terapêutico, cabe destacar
A reação em cadeia da polimerase (PCR) permite a a interrupção da esquizogonia sanguínea, processo
detecção de parasitos com elevada sensibilidade, bem extremamente importante na patogenia, na evolução, nas
como sua especiação precisa, mas seu alto custo e a manifestações clínicas e nas complicações da infecção.
relativa complexidade limitam seu emprego a contextos Para tal, utilizam-se os esquizonticidas sanguíneos
de pesquisa. O recente desenvolvimento de métodos (SIQUEIRA-BATISTA, 2020).
ultrassensíveis com base em PCR, tendo como alvo
sequências repetitivas do parasito, torna possível a
detecção de portadores de baixas parasitemias, muitas
vezes completamente assintomáticos, que
potencialmente contribuem com a manutenção da
transmissão de malária nas comunidades endêmica
(FEREIRA, 2020).

Outro elemento-chave do tratamento, segundo


objetivo, diz respeito à destruição das formas latentes do
parasito – em termos do ciclo tecidual (hipnozoítos) das
espécies P. vivax e P. ovale –, evitando-se, assim, as
recaídas. Para tal, utilizam-se fármacos hipnozoiticidas;
finalmente, o terceiro objetivo – a erradicação das formas
sexuadas dos parasitos, os gametócitos – é alcançado
com medicamentos gametocidas (SIQUEIRA-BATISTA,
-EXAMES INESPECÍFICOS Exames complementares 2020).
podem ser usados para avaliação do enfermo com
diagnóstico de malária, embora sejam inespecíficos. No -ESQUEMAS RECOMENDADOS PARA A MALÁRIA
hemograma costuma ser identificado um quadro de NÃO COMPLICADA MALÁRIA POR P. VIVAX OU P.
anemia, achado comum nos pacientes infectados com OVALE Apenas o P. vivax e o P. ovale têm hipnozoítos,
parasitos do gênero Plasmodium (SIQUEIRA-BATISTA, a forma do parasito que se mantém dormente no fígado,
2020). e é responsável pelas recaídas (MS, 2020). O objetivo do
tratamento de P. vivax e de P. ovale é curar tanto a forma
sanguínea quanto a forma hepática (cura radical), e
assim prevenir recrudescência e recaída,
respectivamente. Para isso, usa-se a combinação de dois
medicamentos: cloroquina e primaquina (MS, 2020).

O leucograma apresenta-se variado, e as alterações


oscilam de acordo com a evolução da doença, assim
como as alterações fisiopatológicas variam de acordo
com o órgão acometido. Entre os achados pode-se citar:
aumento das aminotransferases e da bilirrubina,
principalmente a indireta, além de hipoalbuminemia nos
casos graves (SIQUEIRA-BATISTA, 2020).

Alteração da função renal e presença de


hemoglobinúria na urinálise também podem ser
observadas em alguns casos. Infiltrado alveolar pode ser
identificado em exames de imagem (p. ex., radiografia de
tórax), na malária pulmonar (SIQUEIRA-BATISTA, 2020).

*Tratamento
O tratamento da malária objetiva inviabilizar a biologia
do parasito, em pontos-chave do seu ciclo evolutivo. Os
-MALÁRIA POR P. MALARIAE O tratamento de P.
malariae assemelha-se ao tratamento para malária vivax
(apenas cloroquina por três dias), porém sem a
necessidade de uso da primaquina (MS, 2020).

-MALÁRIA POR P. FALCIPARUM E INFECÇÕES


MISTAS É recomendação da OMS o tratamento de P.
falciparum com uma terapia combinada com algum
derivado de artemisinina (ACT). A eficácia e a segurança
de artesunato/mefloquina e artemeter/lumefantrina são
bastante semelhantes (MS, 2020).

-Esquemas Terapêuticos

-Malária por Plasmodium vivax ou Plasmodium ovale

 Tratamento das formas sanguíneas: Cloroquina por


3 dias.
 Tratamento das formas hepáticas
latentes: Primaquina por 7 dias.
 Nota: Gestantes, puérperas até um mês de lactação
e crianças menores de 6 meses não devem usar
primaquina.

-Malária por Plasmodium falciparum

 Tratamento clínico: Combinação de derivados de


artemisinina (ACT), como artemeter + lumefantrina
ou artesunato + mefloquina, por 3 dias.
 Eliminação de gametócitos: Primaquina em dose
única.
 Nota: Gestantes, puérperas até um mês de lactação
e crianças menores de 6 meses não devem usar
primaquina. (Serviços e Informações do Brasil)

-Malária por Plasmodium malariae

 Tratamento: Cloroquina por 3 dias.


 Malária Mista (P. falciparum e P. vivax ou P. ovale)
 Tratamento clínico: Combinação de ACT por 3 dias.
-Tratamento das formas hepáticas latentes: Primaquina  Mecanismo de Ação: Inibe a polImerase do heme,
por 7 dias. resultando em acúmulo de heme tóxico para o
parasita.
 Nota: Gestantes, puérperas até um mês de lactação  Farmacocinética: Absorção oral eficiente, com pico
e crianças menores de 6 meses não devem usar plasmático em 6 a 24 horas. Meia-vida de eliminação
primaquina. de 13 a 30 dias.
 Farmacodinâmica: Ação esquizonticida sanguínea.
-Malária Grave  Efeitos Adversos: Distúrbios psiquiátricos, cefaleias,
tonturas e distúrbios cardíacos.
 Tratamento inicial: Artesunato intravenoso ou
intramuscular por no mínimo 24 horas. -Quinina
 Tratamento subsequente: Completar com ACT
conforme a espécie parasitária.  Mecanismo de Ação: Interage com o DNA parasitário,
 Nota: Gestantes, puérperas até um mês de lactação inibindo a replicação e transcrição.
e crianças menores de 6 meses devem ser tratadas  Farmacocinética: Absorção oral eficiente, com pico
com ACT, sem uso de primaquina. plasmático em 1 a 3 horas. Meia-vida de eliminação
de 10 a 12 horas.
 Farmacodinâmica: Ação esquizonticida sanguínea.
*Farmacologia dos Medicamentos Antimaláricos
-Tafenoquina
-Cloroquina
 Mecanismo de Ação: Semelhante à primaquina, gera
 Mecanismo de Ação: Inibe a polimerização do heme, radicais livres que destroem os hipnozoítos e
resultando em acúmulo de heme tóxico para o gametócitos.
parasita.  Farmacocinética: Absorção rápida, com pico
 Farmacocinética: Absorção oral eficiente, com pico plasmático em 1-2 horas. A meia-vida de eliminação
plasmático em 3 a 5 horas. Meia-vida de eliminação é de 13-16 dias.
terminal de 30 a 60 dias.  Farmacodinâmica: Esquizonticida tecidual e
 Farmacodinâmica: Ação esquizonticida sanguínea. gametocida, eficaz contra Plasmodium vivax.
 Efeitos Adversos: Náuseas, cefaleias, retinopatia,  Efeitos Adversos: Metemoglobinemia, hemólise em
distúrbios cardíacos e hematológicos. pacientes com deficiência de G6PD, náuseas.

-Primaquina -Di-hidroartemisinina/Piperaquina

 Mecanismo de Ação: Metabolizada em quinona, que  Mecanismo de Ação: A di-hidroartemisinina libera


gera espécies reativas de oxigênio, eliminando radicais livres que danificam as proteínas do parasita.
hipnozoítos e gametócitos. A piperaquina inibe a síntese de ácidos nucleicos do
 Farmacocinética: Absorção rápida, com pico parasita.
plasmático em 1 a 2 horas. Meia-vida de eliminação  Farmacocinética: Administração oral. Pico
de 3 a 8 horas. plasmático da di-hidroartemisinina é alcançado em
 Farmacodinâmica: Ação esquizonticida tecidual e 1-2 horas, enquanto a piperaquina tem meia-vida de
gametocida. 4-6 dias.
 Efeitos Adversos: Metemoglobinemia, hemólise em  Farmacodinâmica: Ação esquizonticida
deficientes de G6PD, náuseas e cefaleias. contra Plasmodium falciparum e Plasmodium vivax.
 Efeitos Adversos: Náuseas, diarreia, cefaleia, tontura.
-Artesunato
-Artemeter + Lumefantrina
 Mecanismo de Ação: Liberação de radicais livres
que danificam proteínas do parasita.  Mecanismo de Ação: A artemeter libera radicais
 Farmacocinética: Administração intravenosa ou livres que danificam as proteínas do parasita. A
intramuscular. Pico plasmático em 1 a 2 horas. Meia- lumefantrina inibe a polimerização do heme, como a
vida de eliminação de 1 a 2 horas. cloroquina.
 Farmacodinâmica: Ação esquizonticida sanguínea  Farmacocinética: A absorção é rápida. Pico
de ação rápida. plasmático de artemeter em 1-2 horas e de
 Efeitos Adversos: Reações no local da aplicação, lumefantrina em 3-6 horas. Meia-vida de eliminação
febre, cefaleias e tonturas. de 2-3 dias.
 Farmacodinâmica: Esquizonticida sanguínea,
-Mefloquina especialmente contra Plasmodium falciparum
 Efeitos Adversos: Náuseas, diarreia, cefaleia, tontura.
-Artesunato + Mefloquina Mecanismo de Ação:  Atovaquona-proguanil (Malarone): Posologia: 1
Artesunato libera radicais livres que danificam as comprimido/dia, iniciando 1-2 dias antes da viagem e
proteínas do parasita. A mefloquina interfere na continuando até 7 dias após o retorno. Indicação:
degradação do heme do parasita. Áreas com alta resistência ao Plasmodium
falciparum.
 Farmacocinética: O artesunato tem uma meia-vida  Tafenoquina: Posologia: Dose única de 300 mg,
de 1-2 horas, e a mefloquina tem uma meia-vida de indicada para áreas com alta carga de Plasmodium
13-30 dias. vivax.
 Farmacodinâmica: Esquizonticida sanguínea de
ação rápida. -Profilaxia Pós-Exposição (Tratamento após
 Efeitos Adversos: Distúrbios psiquiátricos (ansiedade, Exposição a Mosquitos Infectados)
insônia), náuseas, tontura.
 Cloroquina ou Mefloquina: Para evitar a infecção
-Piperaquina após a exposição.
 Primaquina: Usada para eliminar hipnozoítos (formas
 Mecanismo de Ação: Inibe a síntese de ácidos hepáticas) de Plasmodium vivax e prevenir
nucleicos do parasita recrudescências.
 Farmacocinética: Administração oral. A meia-vida de
eliminação é longa, de até 5 dias. -Profilaxia em Gestantes
 Farmacodinâmica: Ação esquizonticida sanguínea,
eficaz contra Plasmodium falciparum.  Cloroquina: Considerada segura durante a gestação.
 Efeitos Adversos: Náuseas, diarreia, dor abdominal,  Mefloquina: Usada com cautela, principalmente no
tontura. primeiro trimestre.
 Artesunato: Recomendado em malária grave, sendo
seguro durante a gestação.
*Prevenção:
-Medidas Preventivas em Áreas Endêmicas
-Prevenção Não Farmacológica
 Educação em Saúde: Informar as populações locais
 Mosquiteiros Inseticidas: Usar mosquiteiros tratados sobre o risco e as formas de prevenção.
com inseticidas (como permethrin) durante o sono,  Vigilância e Monitoramento: Implementação de
especialmente em áreas endêmicas, para prevenir programas para detectar focos de malária
picadas de mosquitos infectados. rapidamente.
 Repelentes de Insetos: Aplicar repelentes com DEET  Distribuição de Medicamentos: Uso de tratamentos
(N,N-dietil-meta-toluamida) em áreas expostas da preventivos em comunidades de alto risco, como
pele e roupas para reduzir o risco de picadas. combinação de artesunato + lumefantrina.
 Controle de Vetores: Eliminar criadouros de
mosquitos (águas paradas) e utilizar inseticidas para
reduzir a população de mosquitos transmissores.
 Ambientes Protegidos: Manter janelas e portas
protegidas com telas para impedir a entrada de
mosquitos. Referências Bibliográficas:

-Profilaxia Farmacológica NORRIS, Tommie L. Porth – Fisiopatologia, 10ª edição.


Grupo GEN, 2021.
-Profilaxia Pré-Exposição (Viagem)
FILHO, Geraldo B. Bogliolo - Patologia. Grupo GEN,
 Cloroquina (quando não há resistência): Posologia: 2022.
300 mg/semana, iniciando 1-2 semanas antes e
continuando até 4 semanas após a viagem. WHALEN et. al. Farmacologia Ilustrada, 7ª edição. Porto
Indicação: Para áreas com Plasmodium Alegre: Artmed, 2022.
vivax e Plasmodium falciparum sensíveis.
 Mefloquina: Posologia: 250 mg/semana, iniciando 1- KUMAR, Vinay; ABBAS, Abul; ASTER, Jon. Robbins &
2 semanas antes e continuando até 4 semanas após Cotran Patologia - Bases Patológicas das Doenças, 11ª
a viagem. Indicação: Áreas com resistência à edição. Grupo GEN, 2023.
cloroquina.
 Doxiciclina: Posologia: 100 mg/dia, iniciando 1-2 dias ZAGO et. al. Tratado de Hematologia São Paulo: Editora
antes da viagem e continuando até 4 semanas após Atheneu, 2013.
o retorno. Indicação: Áreas com resistência ou alta
transmissão de Plasmodium falciparum. SANTOS, Helivania Sardinha dos. Malária. Biologia Net.
Disponível
em: [Link]
Acesso em: 3 maio 2025.

BRASIL. Ministério da Saúde. Malária. Disponível


em: [Link]
a-z/m/malaria. Acesso em: 4 maio 2025.

WHO. Malaria. Disponível


em: [Link] Acesso em:
4 maio 2025.

SIQUEIRA-BATISTA, Rodrigo. Parasitologia -


Fundamentos e Prática Clínica. Grupo GEN, 2020.

FEREIRA, Marcelo U. Parasitologia Contemporânea.


Grupo GEN, 2020.

SALOMÃO, Reinaldo. Infectologia - Bases Clínicas e


Tratamento. Grupo GEN, 2017.

REY, Luís. Parasitologia, 4ª edição. Grupo GEN, 2008.

ROSA et. al. Epidemiologia da malária no Brasil e


resultados parasitológicos, de 2010 a 2019. Brazilian
Journal of health Review, 2020.

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