Parte 5: Disco Rígido
O “Hard Disk”, “HD”, “Winchester”, ou simplesmente “Disco Rígido”, é um sistema
de armazenamento de alta capacidade que, ao contrário da memória RAM, não
perde seus dados quando desligamos o micro, sendo por isso destinado ao
armazenamento de arquivos e programas.
Apesar de também ser uma mídia magnética, um HD é muito diferente de um
disquete comum, sendo composto por vários discos empilhados que ficam dentro
de uma caixa lacrada, pois, como os discos giram a uma velocidade muito alta,
qualquer partícula de poeira entre os discos e a cabeça de leitura causaria uma
colisão que poderia danificar gravemente o equipamento.
Sem dúvida, o disco rígido foi um dos componentes que mais evoluiu na história da
computação. O primeiro disco rígido foi construído pela IBM em 1957, e era formado
por nada menos que 50 discos de 24 polegadas de diâmetro, com uma capacidade
total de 5 Megabytes, incrível para a época. Este primeiro disco rígido, foi chamado
de "Winchester" termo muito usado ainda hoje para designar HDs de qualquer
espécie. Ainda no início da década de 80, os discos rígidos eram muito caros e
modelos de 10 Megabytes custavam quase 2.000 dólares, enquanto hoje
compramos modelos de 30 Gigabytes por menos de 200 dólares.
:. Como Funciona um Disco Rígido
Dentro do disco rígido, os dados são gravados em discos magnéticos, chamados em
Inglês de “Platters”. Estes discos internos são compostos de duas camadas.
A primeira é chamada de substrato, e nada mais é do que um disco metálico,
geralmente feito de ligas de alumínio. A fim de permitir o armazenamento de
dados, este disco é recoberto por uma segunda camada, agora de material
magnético. Os discos são montados em um eixo que por sua vez gira graças a um
motor especial.
Para ler e gravar dados no disco, usamos cabeças de leitura eletromagnéticas
(heads em Inglês) que são presas a um braço móvel (arm), o que permite o seu
acesso a todo o disco. Um dispositivo especial, chamado de atuador, ou “actuator”
em Inglês, coordena o movimento das cabeças de leitura.
:. Como os Dados são Gravados e Lidos
Os discos magnéticos de um disco rígido são recobertos por uma camada
magnética extremamente fina. Na verdade, quanto mais fina for a camada de
gravação, maior será sua sensibilidade, e consequentemente maior será a
densidade de gravação permitida por ela. Poderemos então armazenar mais dados
num disco do mesmo tamanho, criando HDs de maior capacidade.
Os primeiros discos rígidos, assim como os discos usados no início da década de 80,
utilizavam a mesma tecnologia de mídia magnética utilizada em disquetes,
chamada “coated media”, que além de permitir uma baixa densidade de gravação,
não é muito durável. Os discos atuais já utilizam mídia laminada (plated mídia);
uma mídia mais densa, de qualidade muito superior, que permite a enorme
capacidade de armazenamento dos discos modernos.
A cabeça de leitura e gravação de um disco rígido funciona como um eletroímã
semelhante aos que estudamos nas aulas de ciências do primário, sendo composta
de uma bobina de fios que envolvem um núcleo de ferro. A diferença é que num
disco rígido, este eletroímã é extremamente pequeno e preciso, a ponto de ser
capaz de gravar trilhas medindo menos de um centésimo de milímetro.
Quando estão sendo gravados dados no disco, a cabeça utiliza seu campo
magnético para organizar as moléculas de óxido de ferro da superfície de gravação,
fazendo com que os pólos positivos das moléculas fiquem alinhados com o pólo
negativo da cabeça e, consequentemente, com que os pólos negativos das
moléculas fiquem alinhados com o pólo positivo da cabeça. Usamos neste caso a
velha lei “os opostos de atraem”.
Como a cabeça de leitura e gravação do HD é um eletroímã, sua polaridade pode
ser alternada constantemente. Com o disco girando continuamente, variando a
polaridade da cabeça de gravação, variamos também a direção dos pólos positivos
e negativos das moléculas da superfície magnética. De acordo com a direção dos
pólos, temos um bit 1 ou 0.
Para gravar as seqüências de bits 1 e 0 que formam os dados, a polaridade da
cabeça magnética é mudada alguns milhões de vezes por segundo, sempre
seguindo ciclos bem determinados. Cada bit é formado no disco por uma seqüência
de várias moléculas. Quanto maior for a densidade do disco, menos moléculas
serão usadas para armazenar cada bit e teremos um sinal magnético mais fraco.
Precisamos então de uma cabeça magnética mais precisa.
Quando é preciso ler os dados gravados, a cabeça de leitura capta o campo
magnético gerado pelas moléculas alinhadas. A variação entre os sinais magnéticos
positivos e negativos gera uma pequena corrente elétrica que caminha através dos
fios da bobina. Quando o sinal chega na placa lógica do HD, ele é interpretado como
uma seqüência de bits 1 e 0.
Vendo desta maneira, o processo de armazenamento de dados em discos
magnéticos parece ser simples, e realmente era nos primeiros discos rígidos (como
o “Winchester” da IBM), que eram construídos de maneira praticamente artesanal.
Apesar de nos discos modernos terem sido incorporados vários aperfeiçoamentos, o
processo básico continua sendo o mesmo.
:. Formatação
Para que o sistema operacional seja capaz de gravar e ler dados no disco rígido, é
preciso que antes sejam criadas estruturas que permitam gravar os dados de
maneira organizada, para que eles possam ser encontrados mais tarde. Este
processo é chamado de formatação.
Existem dois tipos de formatação, chamados de formatação física e formatação
lógica. A formatação física é feita apenas na fábrica ao final do processo de
fabricação, e consiste em dividir o disco virgem em trilhas, setores e cilindros. Estas
marcações funcionam como as faixas de uma estrada, permitindo à cabeça de
leitura saber em que parte do disco está, e onde ela deve gravar dados. A
formatação física é feita apenas uma vez, e não pode ser desfeita ou refeita através
de software.
Porém, para que este disco possa ser reconhecido e utilizado pelo sistema
operacional, é necessária uma nova formatação, chamada de formatação lógica. Ao
contrário da formatação física, a formatação lógica não altera a estrutura física do
disco rígido, e pode ser desfeita e refeita quantas vezes for preciso, através do
comando FORMAT do DOS por exemplo. O processo de formatação, é quase
automático, basta executar o programa formatador que é fornecido junto com o
sistema operacional.
Quando um disco é formatado, ele simplesmente é organizado “do jeito” do sistema
operacional, preparado para receber dados. A esta organização damos o nome de
“sistema de arquivos”. Um sistema de arquivos é um conjunto de estruturas lógicas
e de rotinas que permitem ao sistema operacional controlar o acesso ao disco
rígido. Diferentes sistemas operacionais usam diferentes sistemas de arquivos.
Os sistemas de arquivos, mais usados atualmente são a FAT16, compatível com o
DOS e todas as versões do Windows, e a FAT32, compatível apenas com o
Windows 98, Windows 2000 e Windows 95 OSR/2 (uma versão “debugada” do
Windows 95, com algumas melhorias, vendida pela Microsoft apenas em conjunto
com computadores novos) e, finalmente, o NTFS, suportado pelo Windows 2000 e
Windows NT. Explicarei apenas estes três, pois são os sistemas utilizados pelo
Windows, e consequentemente pela maioria dos usuários. Outros sistemas
operacionais possuem seus próprios sistemas de arquivos o Linux usa o EXT2
enquanto o antigo OS/2 usa o HPFS.
:. FAT 16
Este é o sistema de arquivos utilizado pelo MS-DOS, incluindo o DOS 7.0, e pelo
Windows 95, sendo compatível também com o Windows 98 e o Windows NT. Este
sistema de arquivos adota 16 bits para o endereçamento de dados, permitindo um
máximo de 65526 clusters, que não podem ser maiores que 32 KB. Esta é
justamente a maior limitação da FAT 16: como só podemos ter 65 mil clusters com
tamanho máximo de 32 KB cada, podemos criar partições de no máximo 2
Gigabytes utilizando este sistema de arquivos. Caso tenhamos um HD maior, será
necessário dividi-lo em duas ou mais partições. O sistema operacional reconhece
cada partição como um disco distinto: caso tenhamos duas partições por exemplo,
a primeira aparecerá como C:\ e a segunda como D:\, exatamente como se
tivéssemos dois discos rígidos instalados na máquina.
Um cluster é a menor unidade de alocação de arquivos reconhecida pelo sistema
operacional, sendo que na FAT 16 podemos ter apenas 65 mil clusters por partição.
Este limite existe devido a cada cluster ter um endereço único, através do qual é
possível localizar onde determinado arquivo está armazenado. Um arquivo grande é
gravado no disco fragmentado em vários clusters, mas um cluster não pode conter
mais de um arquivo.
Em um disco de 2 Gigabytes formatado com FAT16, cada cluster possui 32 Kbytes.
Digamos que vamos gravar neste disco 10.000 arquivos de texto, cada um com
apenas 300 bytes. Como um cluster não pode conter mais do que um arquivo, cada
arquivo iria ocupar um cluster inteiro, ou seja, 32 Kbytes! No total, estes 10.000
arquivos de 300 bytes cada, ocupariam ao invés de apenas 3 Megabytes, um total
de 320 Megabytes no disco! Um enorme desperdício de espaço. É possível usar
clusters menores usando a FAT16, porém, em partições pequenas:
Tamanho da Partição Tamanho dos Clusters
Entre 1 e 2 GB 32 Kbytes
Menos que 1 GB 16 Kbytes
Menos que 512 Mb 8 Kbytes
Menos que 256 Mb 4 Kbytes
Menos que 128 Mb 2 Kbytes
Justamente devido ao tamanho dos clusters, não é recomendável usar a FAT16 para
formatar partições com mais de 1 GB, caso contrário, com clusters de 32KB, o
desperdício de espaço em disco será brutal.
:. FAT 32
Uma evolução natural da antiga FAT16, a FAT32, utiliza 28 bits para o
endereçamento de cada cluster (apesar do nome sugerir 32 bits), permitindo
clusters de apenas 4 KB, mesmo em partições maiores que 2 GB. O tamanho
máximo de uma partição com FAT32 é de 2048 Gigabytes (2 Terabytes), o que a
torna adequada para os discos de grande capacidade que temos atualmente.
Usando este sistema de arquivos, nossos 10.000 arquivos de texto ocupariam
apenas 40 Megabytes, uma economia de espaço considerável. De fato, quando
convertemos uma partição em FAT16 para FAT32, é normal conseguirmos de 15 a
30% de diminuição do espaço ocupado no Disco. O problema, é que o outros
sistemas operacionais, incluindo o Linux, o OS/2 e o Windows 95 antigo, não são
capazes de acessar partições formatadas com FAT32; somente o Windows 95
OSR/2, o Windows 98 e o Windows 2000 o são. O Windows NT 4.0 pode tornar-se
compatível com a ajuda de programas desenvolvidos por terceiros, mas não o é
nativamente.
Um outro problema é que devido à maior quantidade de clusters à serem
gerenciados, a performance do HD deve cair um pouco, em torno de 3 ou 5%, algo
imperceptível na prática de qualquer maneira. Ainda assim, caso o seu único
sistema operacional seja o Windows 95 OSR/2 ou o Windows 98, é recomendável o
uso da FAT32 devido ao suporte a discos de grande capacidade e economia de
espaço.
:. NTFS
O NTFS é um sistema de arquivos de 32 bits usado pelo Windows NT. Nele, não
usamos clusters, sendo os setores do disco rígido endereçados diretamente. A
vantagem é que cada unidade de alocação possui apenas 512 bytes, sendo quase
nenhum o desperdício de espaço em disco. Somente o Windows NT e o Windows
2000 são capazes de entender este formato de arquivos, e a opção de formatar o
HD em NTFS é dada durante a instalação.
Apesar do Windows NT funcionar normalmente em partições formatadas com
FAT16, é mais recomendável o uso do NTFS, pois além de não desperdiçarmos
espaço com os clusters, e termos suporte a discos maiores que 2 Gigabytes, ele
oferece também, vários recursos de gerenciamento de disco e de segurança,
inexistentes na FAT16 ou FAT32. É possível, por exemplo, compactar isoladamente
um determinado diretório do disco e existem várias cópias de segurança da FAT,
tornando a possibilidade de perda de dados quase zero. Também existe o recurso
de "Hot fix", onde setores danificados são marcados automaticamente, sem a
necessidade do uso de utilitários como o Scandisk.
Apesar de também ser compatível com os sistemas Fat 16 e Fat 32 usados pelo
Windows 98, o Windows 2000 usa o NTFS como seu sistema de arquivos nativo. O
NTFS usado pelo Windows 2000 trouxe algumas melhorias sobre o NTFS do
Windows NT, sendo por isso chamado de NTFS 5. Como o Windows 2000 foi
construído com base no Windows NT 4, nada mais natural do que continuar usando
o mesmo sistema de arquivos, porém, com alguns aperfeiçoamentos como o
Suporte ao Active Directory, que pode ser usado em redes baseadas no Windows
2000 Server. Outro recurso enfatizado pela Microsoft é o Encripting File System,
que permite criptografar os dados gravados no disco rígido, de modo que apenas o
usuário possa acessá-los.
O Windows 2000 quando instalado, converte automaticamente unidades NTFS para
NTFS 5, também oferecendo a opção de converter unidades FAT16 ou FAT32, sem
perda de dados. As unidades NTFS 5 podem ser acessadas pelo Windows NT, com
exceção dos diretórios criptografados. Alguns outros recursos nativos do NTFS 5
também não funcionarão, mas os dados poderão ser acessados sem problemas.
Do ponto de vista de um usuário doméstico, porém, o recurso mais interessante é a
possibilidade de compactar pastas ou arquivos individualmente. É possível acessar
as pastas compactadas normalmente através no Windows Explorer; o acesso aos
dados será um pouco mais lento, mas, usando a partir de um Pentium II 300
provavelmente você nem sinta a diferença.
Para compactar um arquivo ou pasta basta clicar sobre ele com o botão direito do
mouse, em seguida “propriedades” e “avançadas”. Basta agora marcar a opção de
compactar arquivos para economizar espaço.
:. Estruturas Lógicas
A algumas páginas atrás, disse que a formatação lógica, consiste em gravar
algumas estruturas no disco, vamos ver agora que estruturas são estas.
:. Setor de Boot
Quando o micro é ligado, o BIOS (um pequeno programa gravado em um chip na
placa mãe, que tem a função de “dar a partida no micro”), tentará inicializar o
sistema operacional. Independentemente de qual sistema de arquivos você esteja
usando, o primeiro setor do disco rígido será reservado para armazenar
informações sobre a localização do sistema operacional, que permitem ao BIOS
“achá-lo” e iniciar seu carregamento.
No setor de boot é registrado qual sistema operacional está instalado, com qual
sistema de arquivos o disco foi formatado e quais arquivos devem ser lidos para
inicializar o micro. Um setor é a menor divisão física do disco, e possui sempre 512
bytes. Um cluster é a menor parte reconhecida pelo sistema operacional, e pode ser
formado por vários setores.
Um único setor de 512 bytes pode parecer pouco, mas é suficiente para armazenar
o registro de boot devido ao seu pequeno tamanho. O setor de boot também é
conhecido como “trilha MBR”, “trilha 0”, etc.
:. FAT (File Alocation Table)
Depois que o disco rígido foi formatado e dividido em clusters, mais alguns setores
são reservados para guardar a FAT (“file alocation table” ou “tabela de alocação de
arquivos”). A função da FAT é servir como um índice, armazenando informações
sobre cada cluster do disco. Através da FAT, o sistema operacional sabe se uma
determinada área do disco está ocupada ou livre, e pode localizar qualquer arquivo
armazenado.
Cada vez que um novo arquivo é gravado ou apagado, o sistema operacional altera
a FAT, mantendo-a sempre atualizada. A FAT é tão importante, que além da tabela
principal, é armazenada também uma cópia de segurança, que é usada sempre que
a tabela principal é danificada de alguma maneira.
Uma curiosidade é que, quando formatamos um disco rígido usando o comando
FORMAT por exemplo, nenhum dado é apagado, apenas a FAT principal é
substituída por uma tabela em branco. Até que sejam reescritos porém, todos os
dados continuam lá, apenas inacessíveis.
:. Diretório Raiz
Se fossemos comparar um disco rígido com um livro, as páginas seriam os clusters,
a FAT serviria como as legendas e numeração das páginas, enquanto o diretório raiz
seria o índice, com o nome de cada capítulo e a página onde ele começa.
O diretório raiz ocupa mais alguns setores no disco, logo após os setores ocupados
pela FAT. Cada arquivo ou diretório do disco rígido possui uma entrada no diretório
raiz, com o nome do arquivo, a extensão, a data quando foi criado ou quando foi
feita a última modificação, o tamanho em bytes e o número do cluster onde o
arquivo começa.
Um arquivo pequeno pode ser armazenado em um único cluster, enquanto um
arquivo grande é “quebrado” e armazenado ocupando vários clusters. Neste caso,
haverá no final de cada cluster uma marcação indicando o próximo cluster ocupado
pelo arquivo. No último cluster ocupado, temos um código que marca o fim do
arquivo
Quando um arquivo é deletado, simplesmente é removida a sua entrada no
diretório raiz, fazendo com que os clusters ocupados por ele pareçam vagos para o
sistema operacional. Quando for preciso gravar novos dados, estes serão gravados
por cima dos anteriores, como uma fita K7 que é regravada com outra música.
:. Recuperando Dados
Preste atenção nos próximos parágrafos, pois certamente eles “salvarão sua pele”
algum dia. :-)
O modo através do qual os dados são gravados no disco rígido, permite que
praticamente qualquer dado anteriormente apagado possa ser recuperado. Na
verdade, quando apagamos um arquivo, seja através do DOS ou do Windows
Explorer, é apagada apenas a referência a ele na FAT, a tabela gravada no início do
disco rígido que armazena a localização de cada arquivo no disco.
Com o endereço anteriormente ocupado pelo arquivo marcado como vago na FAT, o
sistema operacional considera vaga a parcela do disco ocupada por ele. Porém,
nada é realmente apagado até que um novo dado seja gravado subscrevendo o
anterior. É como regravar uma fita K-7: a música antiga continua lá até que outra
seja gravada por cima.
O Norton Utilities possui um utilitário, chamado “Rescue Disk”, que permite
armazenar uma cópia da FAT em disquetes. Caso seu HD seja acidentalmente
formatado por um vírus, ou por qualquer outro motivo, você poderá restaurar a FAT
com a ajuda destes discos, voltando a ter acesso a todos os dados como se nada
tivesse acontecido. Mesmo que você não possua uma cópia da FAT, é possível
recuperar dados usando um outro utilitário do Norton Utilities, chamado Diskedit,
que permite acessar diretamente os clusters do disco, e (com algum trabalho)
recuperar dados importantes. O Diskedit não é uma ferramenta tão fácil de se
utilizar, mas em compensação vem com um bom manual, principalmente a versão
em Inglês.
Além do Norton, existem vários outros programas extremamente amigáveis
especializados em recuperação de dados. A Ontrack tem o seu Easy Recovery
(chamado de Tiramissu, em versões anteriores) com versões para Fat 16, Fat 32,
NTFS, Novel Netware e discos Zip/Jaz. Estes programas são capazes de recuperar
arquivos apagados, ou mesmo um HD inteiro vítima da ação de vírus, mesmo que
qualquer vestígio da FAT tenha sido apagado. Ele faz isso baseando-se nas
informações no final de cada cluster, e baseado em estatísticas. Realmente fazem
um bom trabalho, recuperando praticamente qualquer arquivo que ainda não tenha
sido reescrito. Estes não são exatamente programas baratos. A versão completa
para Fat 32, por exemplo, custa 200 dólares, enquanto a versão Lite, que recupera
apenas 50 arquivos, custa 49 dólares. Os programas podem ser encontrados e
comprados online em [Link]
Na mesma categoria, temos também o Lost and Found da Power Quest. O modo de
recuperação é bem parecido com o usado pelo Easy Recovery, e a eficiência
também é semelhante, sua vantagem é ser bem mais barato, a versão completa
custa apenas 70 dólares. O endereço do site da Power Quest é
[Link] . Existe também uma versão em Português, com
informações disponíveis em [Link]
Pessoalmente eu considero comprar um destes programas um excelente
investimento, certas impressas especializadas cobram 400 reais ou mais para
realizar o trabalho que pode ser feito em poucas horas com a ajuda de um deles.
Entre os dois, prefiro o Lost and Found, que tem versão em Português e pode ser
adquirido mais facilmente.
:. O Gigabyte de 1 Bilhão de Bytes
Nós, como seres humanos, estamos acostumados a pensar em valores segundo o
padrão decimal, tendo muito mais facilidade em lidar com números múltiplos de 10.
Um computador porém, trabalha com o sistema binário, por isso, um Kilobyte não
corresponde a 1000 bytes, e sim a 1024 bytes, já que 1024 é a potência de 2 mais
próxima de 1000.
Um Megabyte corresponde a 1.048.576 bytes e um Gigabyte corresponde a
[Link] bytes. O problema é que os fabricantes, a fim de engordar o
tamanho de seus discos, costumam usar o sistema decimal para medir a
capacidade dos discos. Assim, um HD vendido como um disco de 4,3 Gigabytes ao
invés de ter [Link] bytes, possui geralmente apenas 4,3 bilhões, que
correspondem a pouco mais de 4 Gigabytes reais .
O usuário então, todo feliz com seu novo HD de 4,3 Gigabytes, percebe ao instalá-lo
que sua capacidade é de apenas 4 Gigabytes e fica se perguntando quem “comeu”
os outros 300 Megabytes do seu HD. Infelizmente esta prática tem sido usada por
praticamente todos os fabricantes, que geralmente têm a “cara de pau” de
escrever no manual do disco rígido, ou mesmo no próprio, uma mensagem como “O
fabricante se reserva o direito de considerar 1 Gigabyte como [Link] de
bytes”.
:. Questionário
1- O que é formatação física? E formatação lógica? Qual a diferença
entre os dois tipos?
Confira sua resposta...
2- Um HD IDE de 30 GB pode ser formatado fisicamente para corrigir
bad clusters? Explique por que.
Confira sua resposta...
3- Quais são os sistemas de arquivo suportado pelo Windows 2000?
Qual é o preferencial?
Confira sua resposta...
4- Explique por que é impossível criar partições de mais de 2 GB
usando FAT 16
Confira sua resposta...
5- Se tenho 2.000 arquivos de 100 bytes e mais 1000 arquivos de
5.000 bytes em um CD-ROM e os copio para um HD de 1.7 GB
formatado em FAT 16, qual será o espaço em disco ocupado por eles?
Caso convertesse esta partição para FAT 32, qual seria o espaço
economizado?
Confira sua resposta...
6- Qual é a função do setor de boot do HD? Qual é a diferença entre
setor de boot e "trilha 0"
Confira sua resposta...
7- Qual é a função da FAT? Caso um vírus apague a FAT do HD,
haveria a possibilidade de recuperar os dados? Como?
Confira sua resposta...
Respostas:
1- O que é formatação física? E formatação lógica? Qual a diferença entre
os dois tipos?
A formatação física consiste em criar as marcações de trilhas, setores e cilindros,
permitirão à placa lógica do HD gravar os dados de forma organizada. A formatação
lógica por outro lado consiste em particionar e formatar o HD com um sistema de
arquivos qualquer, Fat 32, NFFS, EXT2, etc. Onde são incluídas as estruturas
necessárias para que o sistema operacional grave e possa acessar dados
anteriormente gravados no HD.
2- Um HD IDE de 30 GB pode ser formatado fisicamente para corrigir bad
clusters? Explique por que.
Em primeiro lugar, os HDs atuais sequer possuem a capacidade de realizar
formatação física, mesmo que você tirasse do fundo do baú algum programa com
este recurso, ele não funcionaria.
Os Bad clusters, são quase sempre defeitos físicos na superfície dos discos
magnéticos, que não podem ser consertados. Para eliminar o problema, existem
basicamente duas opções, a primeira seria rodar um scandisk ou outro programa de
diagnóstico com exame de superfície para que ele marque os setores defeituosos,
assim eles continuarão lá, mas não serão mais usados, evitando perda de dados.
A segunda opção seria rodar o disk manager do fabricante, ou o programa da
ontrack, que funciona em todas as marcas de HD para que ele remapeie os setores
defeituosos. O programa trocará os endereços por setores do defect map, uma área
reservada do HD, ao invés de acessar o setor com problemas, a placa lógica do HD
passará a acessar o "substituto", fazendo com que do ponto de vista do sistema
operacional, os bads realmente "desapareçam". Entretanto, isso só funciona quando
existem poucos setores defeituosos, pois o defect map é uma área muito pequena.
3- Quais são os sistemas de arquivo suportado pelo Windows 2000? Qual é
o preferencial?
O W2K suporta Fat16, Fat32 e NTFS 5, sendo que o NTFS 5 é o preferencial, por
dispor de recursos de segurança (como a criptografia de pastas e arquivos) que não
existem no sistema Fat, além de ter uma confiabilidade muito maior.
4- Explique por que é impossível criar partições de mais de 2 GB usando
FAT 16
No sistema Fat 16 o HD é dividido em clusters. Cada cluster tem um endereço
próprio e pode armazenar um arquivo ou um fragmento de arquivo (caso o arquivo
seja maior que o cluster). Como cada cluster tem apenas um endereço, não é
possível armazenar mais de um arquivo por cluster, mesmo que o cluster tenha 32
KB e o arquivo apenas 100 bytes.
Cada cluster pode ter no máximo 32 KB, e existem 16 bits, ou 65.536 endereços
diferentes, que correspondem ao número máximo de clusters. Com isso, cada
partição pode ter no máximo 2 GB.
É possível formatar um HD maior que isso usando este sistema ultrapassado, mas
apenas caso ele seja dividido em várias partições de 2 GB cada.
O Windows NT 4 suporta a criação de partições FAT 16 usando clusters de 64 KB, o
que permite partições de até 4 GB. Mas este recursos não está disponível no
Windows 95/98/SE/ME.
5- Se tenho 2.000 arquivos de 100 bytes e mais 1000 arquivos de 5.000
bytes em um CD-ROM e os copio para um HD de 1.7 GB formatado em FAT
16, qual será o espaço em disco ocupado por eles? Caso convertesse esta
partição para FAT 32, qual seria o espaço economizado?
Um HD de 1.7 GB formatado em FAT 16 terá clusters de 32 KB. Como cada cluster
não pode conter mais de um arquivo, os 3.000 arquivos ocuparão 3.000 clusters,
um total de 96 MB.
Caso a partição fosse convertida para FAT 32, cada cluster passaria a ter apenas 4
KB. Com isso, os 2.000 arquivos de 100 bytes ocupariam 8 MB (um arquivo por
cluster) e os 1.000 de 5 KB ocupariam mais 8 MB (cada arquivo ocuparia dois
clusters, já que é maior que 4 KB), 16 MB no total. Neste caso a economia seria de
80 MB.
6- Qual é a função do setor de boot do HD? Qual é a diferença entre setor
de boot e "trilha 0"
O setor de boot é o primeiro setor do HD, lido pelo BIOS durante o Boot. Apesar de
ter apenas 512 bytes, o setor de boot é essencial, pois nele estão as instruções de
qual sistema está instalado e quais arquivos devem ser carregados para inicializa-
lo.
Se setor de boot, também chamado de "trilha 0", é escrito pelo sistema operacional
durante a instalação. Como apenas um sistema operacional pode escrever seus
dados no setor de boot de cada vez, caso seja preciso instalar mais de um sistema
operacional no mesmo HD, será necessário instalar um boot manager, um pequeno
programa que permitirá escolher qual sistema deve ser inicializado cada vez que o
micro for inicializado. O lilo do Linux é um boot manager bastante poderoso, apesar
de também um pouco complicado no início. O Partition Magic também acompanha
um boot manager muito bom, o "boot magic".
7- Qual é a função da FAT? Caso um vírus apague a FAT do HD, haveria a
possibilidade de recuperar os dados? Como?
Sim, perfeitamente. A Fat é apenas um índice, mesmo sem ele é possível recuperar
acesso aos arquivos, você só precisará da ferramenta adequada. Aliás, a maioria
dos vírus não chega a realmente apagar os dados, apenas apagam ou danificam a
Fat, possibilitando recuperar tudo mais tarde. O mesmo acontece ao deletar um
arquivo, o Windows apenas apaga sua entrada na Fat, mas os dados continuam lá
até que sejam reescritos com novos dados.
O Easy recovery da Ontrack é bum dos produtos mais poderosos, mas infelizmente
também muito caro, pode ser encontrado em:
[Link]
Infelizmente a Power Quest parece ter descontinuado o lost and Found, que era
uma opção mais barata.
Uma dica, é antes de pensar em comprar ou conseguir uma cópia "alternativa" do
Easy Recovery, experimente rodar a versão de demonstração, que permite
visualizar os dados que podem ser recuperados. Como para isso é necessário fazer
uma varredura completa no HD, muitas vezes a partição apagada é recuperada,
sem que você precise rodar a versão completa. Vale tentar :-)