RELAÇÕES RACIAIS
E PSICOLOGIA
Maximiliano Rodrigues
A Miscigenação Racial no Brasil
A miscigenação no Brasil vem sendo usada a partir de diferentes perspectivas
ideológicas.
Numa primeira dimensão, a miscigenação vem dando suporte ao mito da
democracia racial, a medida em que o intercurso sexual entre brancos, indígenas e
negros seria o principal indicativo de nossa tolerância racial.
O argumento acima acaba omitindo os estupros praticados pelos colonizadores às
mulheres negras e indígenas (CARNEIRO, 2011)
As novas pesquisas genéticas informam que 61% dos que se supõem brancos em
nossa sociedade têm a marca ascendente negra ou indígena inscrita no DNA
(CARNEIRO, 2011)
A Miscigenação Racial no Brasil
A miscigenação no Brasil vem sendo usada a partir de diferentes perspectivas
ideológicas.
Numa primeira dimensão, a miscigenação vem dando suporte ao mito da
democracia racial, a medida em que o intercurso sexual entre brancos, indígenas e
negros seria o principal indicativo de nossa tolerância racial.
O argumento acima acaba omitindo os estupros praticados pelos colonizadores às
mulheres negras e indígenas (CARNEIRO, 2011)
As novas pesquisas genéticas informam que 61% dos que se supõem brancos em
nossa sociedade têm a marca ascendente negra ou indígena inscrita no DNA
(CARNEIRO, 2011)
Em segundo lugar, a miscigenação tem sido um instrumento eficaz no
embranquecimento da população brasileira, oferecendo o benefício simbólico de
estar mais próximo do ideal humano.
Assim, termos como moreno-claro; moreno-escuro; moreno-jambo;
marrom-bombom; mulato; mestiço; entre outros são empregados a todo instante.
Essas diferenciações vêm funcionando como elemento de fragmentação e
enfraquecimento da identidade negra, impedindo que esta se transforme em
elemento aglutinador no capo político e social.
Uma das características do racismo refere-se à maneira pela qual aprisiona o outro
em imagens fixas e estereotipadas.
Para alguns publicitários, por exemplo, basta enfiar um negro no meio da
multidão de branco em um comercial para assegurar suposto respeito à
diversidade ética e racial e livrar-se de possíveis acusações de exclusão racial das
minorias
Branquitude
É uma espécie de pacto não verbalizado que mantém posições de privilégios entre
os iguais, exprimindo em desigualdade racial. Assim, há uma construção simbólica
que fortalece e cria privilégios a um grupo.
Discutir o racismo como processo histórico é necessário, mas entender seu legado
na vida das pessoas brancas é crucial.
Assim, é preciso reconhecer que a branquitude representa uma significativa
dimensão na manutenção da desigualdade racial.
Vídeo
Racismo na educação infantil
Uma pesquisa realizada pela professora Eliane Cavalleiro (2000), demonstra dados
irrefutáveis sobre a crueldade do racismo direcionado às crianças.
Eliane disse que teve que se esforçar para não intervir nas dinâmicas
discriminatórias que deixavam crianças negras fragilizadas e hostilizada.
A pesquisa demonstrou violência racial entre crianças, como sugere o exemplo de
uma garota negra, de 06 anos, que só participava das brincadeiras quando levava
brinquedos. Quando indagada Por quê, a garota responde:
“Porque sou preta. A gente tava brincando de mamãe, a catarina falou: “eu não vou
ser tia dela’. A Camila não tem nojo de mim“. A pesquisadora pergunta: E as outras
têm?” A criança responde: “tem”.
Outra criança negra conta que seus colegas xingam-na de “preta que não toma
banho” e acrescenta: “Só porque sou preta elas falam que não tomo banho”
A omissão e o silêncio das professoras diante dos estereótipos e dos estigmas
impostos às crianças negras são a tônica de sua prática pedagógica.
A pesquisa também identificou que dois meninos negros eram chamados por uma
professora de "filhotes de são benedito" porque ela os achava o "cão em figura de
gente"
Como consequência, a autoestima dessas crianças e sua autorrepresentação ficam
seriamente abaladas. A imagem de si fica inferiorizada, a do outro como superior.
Eis o círculo vicioso que estigmatiza uns e gera vantagens e privilégios para outros.
As crianças, constantemente, repetem os ensinamentos e comportamentos dos
adultos.
Foi assim que um garoto branco sugeriu a outra criança negra que levasse para sua
casa um carrinho abandonado no tanque de areia, porque “preto tem que roubar
mesmo”.
Ainda no campo escolar foi identificado um tratamento diferenciado às crianças
brancas; estas recebiam mais elogios e ajuda nas tarefas em sala.
Foucault, Poder e Racismo
Foucault entende o racismo como sendo uma dimensão do poder soberano que
impera sobre a vida e a morte.
Tal conceito descreve uma tecnologia de poder (biopoder) que permite a eliminação
de segmentos indesejáveis. Segundo Foucault (2010), a função assassina do Estado
só pode ser mantida desde que funcione no modo do biopoder (racismo).
No Brasil, a análise dos dados sobre mortalidade, morbidade e expectativa de vida
sustenta a visão de que a negritude se acha inscrita no signo da morte.
Achille Mbembe e Necropolítica
A necropolítica é uma prática avançada a qual o Estado cria uma sofistiação das
práticas de morte, através de políticas de armas, "segurança pública" e ausência de
políticas sociais.
Assim, no Brasil, a necropolítica se materializa nos presídios, na população em
situação de rua, nos apartheids das cidades brasileiras, nos espaços de trabalho das
travestis, nos hospitais psiquiátricos, nas filas de hospitais e demais unidades
médicas, em terras indígenas e quilombolas, entre outras.
A cada 23 minutos um negro é assassinado no Brasil (Carneiro, 2011)
Precisamos falar da subjetividade negra
Ao limitar-se às conceituações brancas e europeias sobre saúde mental e sofrimento
psíquico, a psicologia brasileira deixa de contemplar e tratar adequadamente 54%
da população do país, composta por negras.
A subjetividade negra é ignorada na grande maioria das graduações em psicologia e
um dos efeitos diz do sentimento de incompreensão por parte do paciente em relção
a aquele que deveria escutar.
Precisamos introjetar outros paradigmas para que haja uma possibilidade de
reparação
FCC - 2023 - do Estado de São Paulo
Minha preocupação é com aquelas formas de soberania cujo projeto central não é a luta
pela autonomia, mas “a instrumentalização generalizada da existência humana e a
destruição material de corpos humanos e populações”.
No trecho acima, Achille Mbembe circunscreve, em linhas gerais, a soberania será
prioritariamente discutida em sua relação com o
A) poder simbólico e o estado garantidor.
B) poder hierárquico e o estado normal.
C) poder populista e o estado assistencial.
D) biopoder e o estado de exceção.
E) poder humanista e o estado de bem-estar.
Ano: 2023 Banca: FUNDEP - Prefeitura de Barra Longa - MG
Esse elemento do racismo, da desigualdade racial, é um elemento que o país ainda não superou [...].”
O Unicef apresenta diversos dados que corroboram essa avaliação: 64,1% das crianças e adolescentes
em trabalho infantil em 2016 eram negros, assim como 82,9% das vítimas de homicídios entre 10 e 19
anos e 75% das meninas que engravidam entre 10 e 14 anos.
Os dados apresentados nesse trecho deixam evidentes
A) a busca efetiva de inclusão de todos os setores sociais aos direitos coletivos.
B) a constante exposição a riscos, típico comportamento adolescente.
C) a situação de abandono parental por parte de adolescentes negros.
D) a violência contra adolescentes que afeta em maior quantidade os negros.
Ano: 2024 Banca: Fundação Getúlio Vargas - FGV Prova: FGV
O resultado do último Censo realizado pelo IBGE revelou um significativo aumento do número de pessoas que se
declararam de cor parda, superando numericamente as pessoas que se declaram de cor branca. Em relação à questão
da identidade racial da sociedade brasileira, é correto afirmar que
A) o branqueamento é uma teoria apresentada pelo estado brasileiro no primeiro Congresso Universal das Raças em
1911, a qual previa a extinção da população negra em um período de 100 anos e cujas ideias repercutem até hoje.
B) o racismo contra as pessoas brancas é o denominado racismo reverso, o qual constitui crime de ódio.
C) a raça humana é única, pois todos são iguais perante a lei, sendo discriminatória a divisão de pessoas em raça negra
e branca.
D) o último censo realizado pelo IBGE apontou que a população brasileira é formada na sua maioria por pessoas
brancas, tendo em vista intensa miscigenação ocorrida em nosso território.
E) a democracia racial ocorre no Brasil, pois a miscigenação do povo brasileiro fez prevalecer a convivência pacífica
entre as pessoas.
Ano: 2023 - Banca: Universidade de Blumenau - FURB
Em relação a uma criança negra, uma branca tem 18,9% mais chances de ter acesso à Educação Infantil do que
uma criança negra; 39,2% mais chances de frequentar a escola; 40,4% mais chances de aprendizagem adequada
em Língua Portuguesa e 53,9% mais chances de aprendizagem adequada em Matemática no 9° ano do Ensino
Fundamental; e 48% mais chances de cursar o Ensino Superior (Gotti; Noronha, 2023). Dado esse contexto,
registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__)A equidade étnico-racial precisa ser um projeto de nação, com centralidade nas políticas públicas, não apenas
como ações adjacentes.
(__)Dentro da escola, o racismo estrutural é também um desafio a ser enfrentado.
(__)Um fator que impacta a aprendizagem envolve os problemas psicológicos que o racismo causa
A) V - F - F. B) F - V - V. C) V - V - F. D) F - F - F. E) V - V - V.
Ano: 2018 Banca: COMVEST UFAM Órgão: UFAM Prova: COMVEST UFAM - 2018 - UFAM - Psicólogo
Segundo Mata e Santos (2015), o racismo deve ser considerado como uma questão de saúde. A Psicologia deve se
pautar por esta orientação, que fortalece a Resolução 018/2002 do CFP. (...) O racismo adoece as pessoas,
traumatizando e afetando-as em todos os campos da vida (ONU, 1963). Sobre o trabalho do psicólogo na
atenção a vítimas do racismo, é INCORRETO afirmar
A) A intervenção psicológica deve estar pautada na compreensão dos limites sociais e de classe.
B) Os psicólogos, no exercício profissional, pareceres e opinião perante o crime do racismo.
C) O psicólogo, deve tratar o racismo numa perspectiva integrada, que vai além das relações sociais ou questões
culturais.
D) O psicólogo, em todas as situações onde se faça necessária a escuta, a análise e a compreensão do ser humano
e seu funcionamento mental e emocional, deve propor negociação e intervenções possíveis para a sua saúde e
autorregulação.
E) O psicólogo deve atender as demandas da população nos contextos de ocorrências de discriminação racial e
intolerância religiosa.
ATIVIDADE
De modo a pensar nas possibilidades teóricas (epistemológicas), metodológicas
(técnicas) e éticas da psicologia, produza uma proposta de intervenção para a
minimização dos efeitos do racismo no ambiente escolar.
Dicas: a) envolva alunos, professores, funcionários e comunidade; b) pesquise as
referências do CREPOP.
REFERÊNCIAS
CARNEIRO, S. Racismos Contemporâneos. In: CARNEIRO, S. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil.
São Paulo: Selo Negro, 2011. (CAPT 3)
VEIGA, L. M.. Descolonizando a psicologia: notas para uma Psicologia Preta. Fractal: Revista de
Psicologia, v. 31, n. spe, p. 244–248, dez. 2019.