Capítulo 1 — O começo da loucura
Dizem que toda loucura começa com uma escolha simples.
A minha começou quando decidi não ir embora.
Fernando estava encostado na esquina, como se já soubesse que eu passaria por
ali. Havia algo nele — não era só o olhar, nem o silêncio — era a forma como o
mundo parecia diminuir quando ele estava perto.
“Promete que não vais complicar?”, ele disse, meio sorrindo.
Eu devia ter rido. Devia ter ido embora.
Mas, em vez disso, respondi:
“Prometo.”
E foi ali que tudo começou — entre uma promessa dita sem pensar… e a primeira de
muitas loucuras que eu ainda não sabia que iria cometer.
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Capítulo 2 — A promessa que arde
Promessas são perigosas.
Principalmente aquelas que fazemos sem conhecer o peso delas.
Depois daquele dia, Fernando passou a aparecer em todos os lugares onde eu
estava — ou talvez fosse eu que começava a procurá-lo sem perceber.
Havia algo errado em tudo aquilo. Eu sentia.
Mas, pela primeira vez, não queria estar certa.
“Sabes que isto não vai acabar bem, não sabes?”, ele disse numa noite em que o
céu parecia pesado demais para segurar tantas estrelas.
“Então porquê continuar?”, perguntei, mesmo já sabendo a resposta.
Fernando aproximou-se devagar, como quem mede cada passo para não assustar o
destino.
“Porque há
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Capítulo 3 — Quando a razão se perde
Há momentos em que a gente sabe que está a atravessar uma linha invisível.
E mesmo assim… continua.
Depois daquela noite, nada voltou a ser leve.
Fernando deixou de ser apenas um acaso bonito e passou a ser um pensamento
constante — daqueles que invadem sem pedir licença, que ficam mesmo quando
tentamos expulsar.
Comecei a mentir.
Pequenas coisas no início. Horas trocadas, desculpas mal contadas, silêncios onde
antes havia verdade. Era como se, pouco a pouco, eu estivesse a construir uma
versão de mim que já não reconhecia.
E o pior?
Eu não queria parar.
“Estás diferente”, disseram-me um dia.
Eu sorri.
Mas por dentro, alguma coisa já tinha começado a quebrar.
Fernando não fazia promessas à toa.
Ele dizia pouco, mas quando dizia… ficava.
“Confia em mim”, repetia.
E eu confiava.
Mesmo sem saber em quê.
Numa tarde quente, encontrámo-nos longe de tudo. Sem ruas conhecidas, sem
olhares curiosos — só nós e aquele silêncio estranho que parecia esconder mais do
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que mostrava.
“Se pudesses voltar atrás, mudavas alguma coisa?”, perguntei.
Ele demorou a responder. Olhou para mim como se estivesse a tentar decidir o
quanto da verdade eu era capaz de suportar.
“Sim”, disse finalmente.
“Não te teria deixado aproximar.”
O meu coração falhou um segundo.
“Então porquê não me afastas agora?”
Fernando sorriu — mas não foi um sorriso feliz.
“Porque agora já é tarde demais.”
E foi nesse momento que percebi:
aquilo já não era só uma história de escolhas erradas.
Era o tipo de loucura que muda quem somos…
e da qual já não sabemos sair.
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Capítulo 4 — O segredo
Fernando nunca respondia tudo.
Havia sempre um pedaço dele que ficava escondido, como uma porta entreaberta
que eu não podia atravessar.
“Há coisas que é melhor não saberes”, disse ele.
Mas eu queria saber tudo.
“Se estás comigo, não tens o direito de me esconder nada.”
Ele ficou em silêncio. E esse silêncio disse mais do que qualquer palavra.
Foi aí que percebi:
eu não conhecia o homem por quem estava a perder tudo.
E mesmo assim… fiquei.
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Capítulo 5 — A primeira queda
As coisas começaram a escapar do controlo devagar.
Uma discussão aqui, um ciúme ali…
e de repente, já não éramos leves como antes.
“Tu não confias em mim”, ele disse.
“E tu não me dás razões para confiar!”
As palavras doeram mais do que eu esperava.
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Naquela noite, fomos embora em direções opostas.
Mas o pior não foi a discussão.
Foi perceber que, mesmo magoada…
eu ainda queria voltar.
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Capítulo 6 — O vício
Fernando tornou-se um hábito perigoso.
Quanto mais me afastava, mais eu sentia falta.
Quanto mais eu sabia que devia parar, mais queria continuar.
Era como fogo:
eu sabia que ia queimar… mas mesmo assim toquei.
“Só mais uma vez”, pensei.
Mas “mais uma vez” nunca é só uma vez.
E foi assim que a loucura deixou de ser escolha…
e passou a ser necessidade.