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O documento apresenta a história de 'O Guardião das Sombras', onde Eryon Valtheris enfrenta uma fenda mágica que se abre em sua vila, trazendo caos e sombras distorcidas. A narrativa explora temas de amor, perda e a luta interna do protagonista, que promete proteger sua irmã e se torna um guardião em meio à escuridão. A obra é marcada por um tom sombrio e reflexivo, destacando a conexão entre luz e sombras.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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O documento apresenta a história de 'O Guardião das Sombras', onde Eryon Valtheris enfrenta uma fenda mágica que se abre em sua vila, trazendo caos e sombras distorcidas. A narrativa explora temas de amor, perda e a luta interna do protagonista, que promete proteger sua irmã e se torna um guardião em meio à escuridão. A obra é marcada por um tom sombrio e reflexivo, destacando a conexão entre luz e sombras.
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SUMÁRIO

mapa 2
Dedicatória 4
Agradecimento 5
Ato 1 6
prólogo 7
capítulo 1:O despertar 10
Capítulo 2:Dez infernos depois 26
capítulo 3:A reencarnação distorcida de kael 38
Capítulo 4: O encontro 47
mapa

O guardião das sombras

Cláudia .G.C

2
3
Dedicatória

"Esta história é minha… e, de certo modo, você também será.


Para aqueles que ardem em segredos, que desejam e temem ao
mesmo tempo.
Para você, que sabe que até a escuridão pode ser quente."

— Claudia.G.C

4
Agradecimento

Quero agradecer a todos que acreditam no poder das histórias, mesmo


quando elas caminham por caminhos sombrios.
Àqueles que amam, mesmo sabendo que o amor pode doer;
Àqueles que lutam, mesmo quando o mundo parece desmoronar;
Àqueles que guardam segredos, paixões e sombras dentro de si.
Agradeço especialmente a você, leitor, que ousa entrar neste mundo de
cinzas e chamas, de dor e desejo. Sem você, estas páginas seriam
apenas palavras… mas agora elas vivem, respiram e queimam.
Cláudia G.C

5
Ato 1

O nascimento do guardião

"Até nas trevas mais profundas, a luz da esperança brilha"

J.R.R Tolkien

6
prólogo

Eryon valtheris

O sol nasce devagar sobre Veynar.


A vila ainda dorme, mas dentro da pequena casa de madeira no fim da
rua principal, a vida já começou.
O cheiro de pão quente se espalha pelo ar.
Minha mãe sempre acorda antes do mundo.
O som da massa sendo sovada mistura-se com uma melodia suave que
ela canta baixo, quase como se tivesse medo de acordar o dia cedo
demais.
Eu estou sentado à mesa, os cotovelos apoiados na madeira gasta,
observando.
— Está me encarando de novo — ela diz, sem virar o rosto.
— Estou tentando descobrir se você é humana ou algum tipo de espírito
da cozinha.
Ela ri.
Aquele riso.
Não é alto. Não é exagerado. É quente.
Seguro.
— Se eu fosse um espírito, você já estaria lavando os pratos sozinho.
— Então definitivamente não é um espírito.
Ela finge ofensa.
A porta do quarto se abre com força.
— Eryoooooon!
Dahya surge correndo, os cabelos loiros desalinhados, os pés descalços
batendo contra o chão frio. Ela carrega um pedaço de tecido vermelho
amarrado nas costas como capa.
— Hoje eu vou treinar para ser guardiã!
7
— Você não consegue nem dormir sem luz — respondo.
Ela para no meio do caminho.
Cruza os braços.
— Aquilo foi estratégia.
Minha mãe ri de novo.
E naquele instante, tudo parece… eterno.
O sol entra pela janela, iluminando o rosto dela. Seus cabelos loiros
brilham quase como ouro sob a luz da manhã.
Ela corta o pão ainda quente e entrega metade para Dahya.
— Devagar, você vai se queimar.
Dahya ignora. Morde mesmo assim.
— Ai!
Eu rio.
Ela me encara como se eu fosse o maior traidor do reino.
Minha mãe se aproxima de mim e ajeita meu colarinho.
— Você devia protegê-la, sabia?
— Eu protejo.
Ela me olha com seriedade agora.
— Promete?
Eu hesito só por um segundo.
— Prometo.
Dahya estende o dedo mindinho, solene.
— Promessa de sangue.
Reviro os olhos, mas entrelaço meu dedo no dela.
— Promessa de sangue.
Ela sorri como se isso fosse suficiente para mantê-la segura para
sempre.
E talvez… naquele momento… eu também acreditasse que fosse.
O dia passa tranquilo.
O mercado cheio. Pessoas rindo. Crianças correndo. O mundo pequeno
e simples como sempre foi.
8
Ninguém percebe o céu.
Não de início.
É Dahya quem percebe.
— Eryon… — ela aponta.
Eu levanto os olhos.
Há algo errado.
Muito errado.
O azul do céu parece rasgar-se no alto. Como tecido sendo aberto por
mãos invisíveis.
Uma linha escura atravessa o horizonte.
O vento muda.
Fica pesado.
O ar cheira a ferro.
As pessoas começam a murmurar.
Um som ecoa, profundo, distante — como se o próprio mundo estivesse
respirando com dificuldade.
Minha mãe segura minha mão.
A outra mão segura Dahya.
— Vamos para casa.

9
capítulo 1:O despertar

Eryon valtheris

— Eryon..
Outra vez.
A mesma voz.

— Eryon
Outra vez.
O mesmo lugar.

— Eryon
Outra vez
O mesmo pesso no peito.

— você lembra?
Mais desta vez...
Está mais perto.

O céu está rasgado, sem estrelas apenas uma ferida aberta no alto.
– Eryon...
A voz não vinha de lugar algum, mais também vinha te todo lugar
— você lembra?...
A fenda pulsava como um coração. Como uma ferida no peito.
Fechei os olhos com dor crescente no peito,minhas pernas cedem então
caio de joelhos, como se algo estivesse tentando sair de mim, ou
entrando.

Sinto uma presença atrás de mim, um calor que não pertencia ao


mundo, um fragmento de memória que queimava mais que dor. Me viro,
tentando enxergar o que está atrás de mim, mas não encontro nada —
10
apenas o pulsar da fenda, que se abre cada vez mais, faíscas
escapando dela, sombras tentando agarrar-me. Então decido avançar
em direção à fenda.
Cada passo faz o chão tremer sob meus pés. O ar cheira a ferro e a
silêncio, cortante e pesado. A fenda respira, e eu sinto que, a cada
instante, ela tenta me puxar para dentro — ou talvez me mostrar algo
que não quero ver.
Avanço. Cada passo parece puxar o mundo junto comigo, como se o
chão e o ar resistissem à minha presença. A fenda pulsa mais forte,
enviando ondas de dor que queimam minha pele e penetram nos ossos.
O ar se adensa, pesado, metálico. Faíscas dançam ao redor, e sombras
alongadas se contorcem, tentando agarrar-me, mas recuo e avanço ao
mesmo tempo, num ritmo que não controlo.
Então entro.
A escuridão me envolve como líquido. Tudo que conhecia desaparece.
O cheiro de ferro e fumaça mistura-se ao silêncio absoluto. Ouço o meu
próprio coração, e o pulsar da fenda parece imitar cada batida,
acelerando quando eu acelero, diminuindo quando hesito.

No centro da fenda, vejo algo que me paralisa: uma forma distorcida de


mim mesmo. Cada linha, cada sombra, cada fragmento de rosto está
errado — mas ainda assim, era eu. Um reflexo cruel do que sou por
dentro, do que carrego e nunca admiti. A forma me observa, silenciosa,
pulsando junto com a fenda, e sinto que ela sabe tudo que eu tentei
esconder.

Acordo ofegando, a respiração pesada cortando meu peito como


lâminas invisíveis. Cada músculo dói como se tivesse lutado contra a
própria sombra; cada osso lateja, comprimido, apertado dentro de mim.
O suor me cobre por completo, frio e pegajoso, como se eu tivesse sido
submerso em um rio de escuridão.

11
E então vem a explosão.
Não é apenas som: é o mundo se rasgando. A praça se ilumina com
faíscas negras e vermelhas, trevas que parecem respingar do meu
próprio corpo. Gritos cortam o ar — ecos humanos que misturam medo e
pânico — e tudo ao redor parece vibrar com o mesmo ritmo do meu
coração.
Sinto que não há fronteira entre dentro e fora. Cada dor que ainda lateja
em mim é refletida lá fora: sombras torcidas se contorcem na luz das
faíscas, como se a fenda tivesse trazido meu interior para o mundo, e o
mundo tivesse entrado dentro de mim.
Meus olhos encontram o vazio, e no meio dele, vejo novamente minha
forma distorcida, pulsando, respirando, como se fosse o próprio coração
da fenda. Tudo é eu. Tudo é caos. Tudo é dolorosamente real.

porta do quarto se abre com violência. Minha mãe entra correndo, o


rosto pálido, os olhos arregalados. Respira ofegante, como se cada
inspiração fosse um esforço, cada batida do coração carregada de
medo.
— Eryon— ela diz, a voz trêmula. — Temos que sair daqui…
agora.
Ela segura minha mão com força, quase apertando meus ossos, e
continua:
— Uma fenda… — a voz falha por um segundo —
uma fenda se abriu no meio da praça.
O ar ao redor parece tremer com suas palavras. O medo dela é
contagioso, quase tangível, e sinto que o mundo inteiro lá fora foi
arrancado do lugar. Não há tempo para pensar, apenas para correr, para
fugir antes que o caos nos alcance.

Como uma fenda se abriu aque em "Veynar", normalmente essas


fendas só se abrem em lugares com alta concentração de magia. E

12
desde os meus quinze anos de existência nunca foi detectado magia no
nosso vilarejo.

Sem tempo para pensar, calço as botas, enrolo um casaco por


cima da roupa e seguro minha irmã no colo. Corremos, cada passo
arrancando o chão debaixo dos meus pés, em direção à saída da
cidade, enquanto o caos atrás de nós insiste em nos alcançar.

Pelo que ouvi falar, a três formas de ter afinidade com magia a que no
nosso reino.
Primeiro nascer com o dom da magia, não é algo hereditário que é
passado de pai para filho não, simplesmente acontece. esses são
chamados de prodígios,
Segundo fazer um ritual ancestral. mais oito de dez pessoas que fazem
esse ritual acabam morrendo, e os que sobrevivem são treinados para
ser guardiões. E falando neles porquê eles Ainda não chegaram...

Quando chegamos à praça, tudo já é caos. A fenda pulsa no centro,


escura, viva, espalhando faíscas e sombras que se contorcem sobre o
chão. Não há tempo de calcular, de planejar. Cada passo é instinto,
cada respiração é luta.

Então acontece: uma explosão irrompe ao nosso lado, mais próxima do


que qualquer coisa que eu poderia imaginar. O mundo se parte. O
impacto me joga para o lado e tira minha irmã dos meus braços e tudo
se torna um borrão de luz, sombra e som que não consigo decifrar.
Gritos ecoam, mas o eco da explosão pulsa dentro de mim, abafando
tudo.
Sinto o sangue escorrer pelo lado esquerdo da minha cabeça, quente e
pegajoso. Não vejo nada além de flashes, movimentos distorcidos e o
chão que gira sob mim. Minha mãe, minha irmã — tudo se mistura em

13
caos e medo, e cada eco da explosão parece esmagar meu peito.
E,no meio do turbilhão, sei apenas de uma coisa: precisamos fugir, ou a
fenda vai nos engolir.

— Mamãe – grito tentando me levar, sinto uma dor aguda mo


meu joelho e isso me faz cair no chão de novo. Não oiço nada além de
um zumbido, que faz a minha cabeça doer. A nevoa vai se dissipar aos
poucos me possibilitando ver com mais clareza.

Então vejo.

Um horror que paralisa minhas pernas, faz meu coração falhar por um
instante. Corpos espalhados ao meu redor, alguns ainda se movendo,
outros já imóveis. E entre eles, sombras saídas da fenda,com formas
humanas, mas distorcidas, com olhos vermelhos que queimam como
brasas parecem soldados saindo do inferno com armas prontos para
atacar. Cada uma avança, silenciosa e letal, matando tudo que encontra
no caminho, consumindo vidas como se fossem arames de fumaça.
Meu olhar se move em pânico, e então, no meu lado esquerdo… vejo
minha mãe
Ela está ali, caída entre os escombros, os olhos arregalados, cercada
pelas sombras. Meu coração dispara, a respiração falha, e um grito
preso na garganta ameaça escapar enquanto me arrasto em sua
direção, cada segundo um risco, cada sombra um predador.

— Mamãe... – ela está coberta de sangue, seu corpo treme e


seus olhos já quase sem vida — aguente firme agente vai sair daqui –
olho ao redor procurando por ajuda mais tudo que vejo e destruição,
corpos por todos os lados, casas em chamas gritos de pavor vindo de
todos os lados, sombras se movendo em todos direções.

14
— Eryon..eu..–os lábio se movem de vagar, tremendo. Avoz não
e nada mais que um sussurro ficando preso na garganta como se o
próprio ar a estivesse abandono — Eryon...
— Não... não fala, os guardiões estão chegando – minha voz é
um sussurro quebrado, sinto lágrimas deixando meus olhos.

Então eu sinto... Quente.. espesso, o sangue escorre pelos meu dedos,


então olho pra baixo e vejo.
Um pedaço de madeira atravessando o lado esquerdo da sua
[Link] bem no fundo... Não isso não pode estar acontecendo.

– Eryon me... me oiça com atenção você...– de repente ela para,


o corpo enrijece e ela começa a cospir sangue manchando seus lábios,
escorrendo sobre o queixo e cai sobre minhas mãos. Ela tenta puxar o
ar mais o som que sai e irregular, falha, como se cada respiração fosse
uma batalha.

— não... Mamãe não faz isso – minha voz sai baixa desesperada
como se estivessem roubando o ar dos meus pulmões — não diz nada
ok... Eles estão chegando, vai ficar tudo bem mamãe – olho para os
lados tentando procurar um sinal dos guardiões mais não vejo nada,
onde caralhos eles estão.
Olho novamente para minha mãe, com o peito subindo com dificuldade.
O sangue continua escorrendo. A madeira cravada no lado esquerdo da
sua costela parece vibrar em minhas mãos. Ela ergue a mão com
dificuldade chamando a minha atenção...

—Me... me desculpe.. filho –a voz sai entrecortada por coisa do


esforço que ela está fazendo ou falar, tento falar para ela se calar e
poupar forças, mais ela me interrompe— me oiça Eryon... não.. não
deixe eles descobrirem o que você é...– do que ela está falando, como

15
assim o que eu sou...e cade a porra dos guardiões— Me prometa ...que
..que você vai ser a luz no meio das sombras.. você... Você tem que
proteger e não destruír... você não é ele..– o sangue continua
escorrendo e parece que ela está cada vez mais fraca.

— tudo bem mamãe eu prometo,... Agora não fala nada, você


tem que poupar suas forças até que os guardiões cheguem – ela me dá
um sorriso fraco, o seu rosto antes belo agora está tão pálido, os seus
cabelos loiros que antes brilhavam como o sol perderam o brilho, os
seus olhos verdes claros agora estão sem vida.

– Nun...nunca se esqueça... você.., você não é um monstro.


você é meu filho e...eu.. eu ..te amo – ela continua sorrindo enquanto
seus olhos se fecham mais e mais, seu corpo amolece em meus braços
e ela para de respirar...
— Mamãe... Não... não... não.. mamãe acorda por favor – ela
não responde. Por que ela não está respondendo?? — mamãe abri os
olhos... Não faz isso comigo mãe... Mamãe... Mamãe – meus olhos se
encheram de lágrimas deixando meu rosto encharcado então o choro
vem – não.. não.. isso não pode estar acontecendo MAMÃEEEEEE...não
me deixa por favor ...
Aperto seu corpo contra o meu, me agarrando a qualquer resquício de
vida que ainda tenha sobrado em seu corpo, meu corpo treme e soluça
lágrimas deixam meu rosto como se não quesessem estar lá. Sinto
como se tivessem arrancado meu coração do peito, como se fosse
desmoronar a qualquer momento, não oiço mais nada além do meu
choro, não vejo nada lem da minha mãe...
...
Não sei quanto tempo passou.
O mundo ainda gira devagar de mai, como se estivesse submerso. O
cheiro de ferro o ar. Sangue, poeira e fumaça...
16
De repente —
Uma explosão rasga o silêncio do meu lado.
O chão treme. Meus ouvidos apitam, a névoa dentro da minha cabeça
se rompe como vidro estilhaçado.

Eu volto.
Volto para a realidade, respiro com dificuldade, meus pulmões ardem,
meus olhos finalmente focam.
Ainda estou abraçado ao corpo da minha mãe quando o pensamento me
me atravessa como uma lâmina.

Onde está a minha irmã.


Viro o rosto para esquerda. Nada. Apenas corpos, sombras se movendo
ao longe, como se fossem anjos da norte, com olhos vermelhos
brilhando como brasas no escuro.

Meu coração dispara.

— Ela estava aque...– minha voz sai rouca, quase


irreconhecível.
Levanto com dificuldade, pousando o corpo da minha mãe com cuidado,
minhas mãos tremem. Procuro por ela entre os escombro, entre os
gritos.

Outra explosão.
O mundo parece desmoronar outra vez.

– DAHYA...
Caminho com dificuldade, não sinto as pernas direito, mais me levanto
mesmo assim.
— DAHYA...– meu grito rasga minha garganta— Dahya.. onde
você está..– minha voz ecoa no ar, se misturando aos estalos do fogo,
17
aos gritos distantes, ao som das coisas se movendo na fumaça.

— DAHYA...
O silêncio responde, meu peito aperta, minhas pernas tremem. E, pela
primeira vez, o medo não é da quelas criaturas.. é do silêncio.

— Ela, não morreu – me recuso a acreditar nisso, não posso


perder ela também..— Eu não vou desistir...
Caminho até chegar ao outro lado da praça chamando pela minha
irmã, mais tudo que consigo ouvir e o silêncio e mas nada. Parece que
até os mostros pararam só pra me observar ...

Então escuto...
Um som. Fraco. Quebrado.
Um choro.
Meu coração quese para ... Depois dispara com força brutal.
— Dahya...– eu sussurro, como se tivesse com medo que o
mundo escutasse.

Eu corro.

Tropeço em corpos, desvio de destroços, quase caio mais continuo


correndo. Então a veja, pequena. Suja de cinzas os olhos vermelhos de
tanto chorar.
Ela me vê também.

Por um segundo, o mundo desaparece.

—Eryon...– ela grita. Correndo na minha direção. Seus cabelos


loiros se movendo com o vento, sua estrutura pequena parece tão frágil
que pode se desfazer ao mínimo toque.
Eu corro. Nada mais importa, só mais alguns passos e eu posso
18
abraçá-la, só mais alguns passos e tudo vai ficar bem, eu estendo a mão
e ela faz o mesmo , só mais alguns passos....

É então atrás dela uma sombra se ergue, como se tivesse sido acordada
do própria terra. Alta. Distorcida. Com os olhos vermelhos brilhando
como brasas do inferno, com a sua espada erguida. Pronta para descer
...

— DAHYA... NÃOOOOO

Então a lâmina desce...

E, por um segundo absurdo… eu não entendo o que aconteceu.


O mundo continua se movendo. A névoa continua respirando ao redor.
As sombras continuam avançando. Tudo está normal.
Exceto por ela.
O corpo dela ainda está de pé por uma fração de segundo impossível.
Depois cai.
A cabeça toca o chão.
Rola.
Devagar demais.
Rola como se o mundo tivesse decidido me punir fazendo cada segundo
durar uma eternidade. Eu acompanho o movimento com os olhos,
incapaz de piscar.
Ela para.
Aos meus pés.
Os olhos ainda estão abertos.
Não há expressão de medo.
Não ouve tempo suficiente para que o medo tivesse existido.
Só surpresa.
Minha mente se recusa a aceitar.

19
Isso não é real.
Isso não está acontecendo.
Eu espero que ela pisque.
Espero que ela respire.
Espero que o mundo volte atrás.
Mas o silêncio é absoluto.
Algo dentro do meu peito implode.
Não é um grito.
É pior.
É como se alguém tivesse arrancado o centro do meu corpo e deixado
apenas um espaço oco, ecoando. Minhas pernas não respondem. Meus
dedos formigam. O som ao redor se torna distante, como se eu
estivesse submerso.
Eu ainda estou olhando para ela.
Para o cabelo sujo de poeira.
Para a curva do rosto que eu conheci desde sempre.
Para os olhos que costumavam me procurar quando tinham medo.
Agora eles me encaram…
Sem me ver.
Minha respiração falha. Um gosto metálico invade minha boca. Quero
me ajoelhar, mas meu corpo não sabe como se mover. Quero fechar os
olhos dela, mas tenho medo de tocá-la e confirmar que é real.
A lâmina que a matou ainda está suja de sangue.
E eu não sinto ódio primeiro.
Eu sinto culpa.
Eu estava ali.
Eu prometi.
Eu não fui rápido o suficiente.
A realidade começa a rachar.
O som do mundo se despedaça em fragmentos. Meu coração bate tão
forte que dói. Minha visão treme, mas eu não choro. Não consigo.
20
Algo está quebrando.
E eu percebo que não é apenas meu coração.
É a pessoa que eu era até aquele instante.
Quando a cabeça dela toca meus pés, algo dentro de mim morre junto.
E o que fica…
Não sabe mais como amar.
O ar à minha volta fica pesado. As sombras avançam,
arrastando seus corpos tortos, olhos vermelhos brilhando na névoa. Eu
deveria estar com medo. Deveria estar chorando.
Mas não estou.
Seguro a espada caída no chão ao meu lado.
Não sei de quem é.
Não quero saber.
Meus dedos se fecham no cabo como se já soubessem o que fazer
antes mesmo que eu pense. A lâmina está pesada, suja de sangue,
fria… mas minha mão não treme.
Isso é estranho.
Eu deveria estar tremendo.
Eu deveria estar gritando.
Mas é como se eu estivesse alguns passos atrás de mim mesmo,
observando tudo acontecer de longe. Meu corpo se inclina levemente
para frente. A respiração se estabiliza. O peito não dói mais.
Nada dói.
A sombra que a matou se move.
Ela avança em minha direção, arrastando a lâmina escura pelo chão,
produzindo aquele som áspero que corta o silêncio. Os olhos vermelhos
fixos em mim.
Ela acha que eu ainda sou o mesmo.
Eu levanto a espada.
Não lembro de ter decidido fazer isso. Não lembro deter aprendido a
lutar com espadas mais eu sinto que sei tudo sobre ela.
21
Ela ataca.
O mundo desacelera.
Vejo o arco do golpe vindo em minha direção. Vejo partículas de poeira
suspensas no ar. Vejo o sangue seco dela na lâmina.
E, ao mesmo tempo, me vejo de fora.
Meu corpo gira antes que o golpe me alcance. A espada em minha mão
sobe num movimento limpo, quase elegante. O choque do metal ecoa
pelo campo.
Faíscas.
A vibração percorre meus braços — mas não dói.
A sombra rosna, empurra com força desumana.
Eu dou um passo à frente.
Não para [Link] para invadir.
Minha lâmina atravessa o torso dela como se estivesse atravessando
fumaça sólida. O som que ela emite não é um grito. É um rasgo.
Eu puxo a espada para cima.
Divido-a ao meio.
Os dois pedaços caem aos meus lados.
Silêncio.
Meu coração não acelera.
Eu olho para minhas mãos.
Ainda sou eu.
Algo está usando meus músculos com precisão fria. Algo está guiando
meus movimentos com uma calma que não me pertence.
Outra sombra salta por trás.
Meu corpo se abaixa antes que eu perceba o perigo. A lâmina gira. Um
corte horizontal. A criatura perde a parte superior do corpo.
Eu não penso.
Eu não sinto.
Eu apenas ajo.
É como estar preso dentro de um sonho em que você não controla o que faz… mas
22
também não consegue acordar.
E, no fundo da minha mente, uma voz começa a sussurrar:
— Agora você entende...
A névoa se aproxima de mim, tocando meus tornozelos como dedos
curiosos.
A sombra que restou hesita.
Ela sente.
Eu ergo o rosto lentamente.
E pela primeira vez desde que a cabeça dela rolou aos meus pés…
Eu sorrio.
Mas sei que aquele sorriso não é meu.
A sombra que hesita tenta correr.
Eu desapareço.
Não é velocidade comum. É como se o espaço entre nós simplesmente
deixasse de existir. Num instante estou parado. No outro, minha lâmina
atravessa três corpos de uma vez.
O ar se enche de gritos quebrados.
Eu puxo a espada e giro o corpo. Um arco perfeito. Cabeças, braços,
membros deformados se espalham pela névoa como folhas negras
levadas pelo vento.
Eles vêm em grupo agora.
Dez. Vinte. Talvez mais.Não [Link] avanço.
Cada passo meu deixa um rastro de corpos partidos. Cada movimento é
preciso demais para ser humano. Minha respiração é calma. Meu olhar é
vazio.
Uma sombra salta sobre mim. Eu a agarro no ar pelo pescoço e a
arremesso contra outra. Ambas se despedaçam contra o chão.
Outra tenta perfurar minhas costas.
Meu corpo se inclina para o lado sem que eu pense. Minha espada sobe
por baixo da mandíbula da criatura e sai pelo topo do crânio.
Eu [Link].
23
A névoa começa a se agitar violentamente, como se estivesse viva…
como se estivesse respondendo a [Link] obedecendo.
Um grupo inteiro avança de uma vez, formando uma massa grotesca de
membros e olhos vermelhos.
Eu avanço também.
Não há hesitação. Entro no meio deles.
E então…
Tudo vira silêncio dentro da minha cabeça.
Só há movimento.
Minhas lâminas se tornam extensões da minha vontade — ou da
vontade de algo que agora divide meu corpo comigo. Eu não vejo mais
inimigos individuais. Vejo apenas formas a serem eliminadas.
Um corte [Link] [Link] giro completo.
Quando paro, metade deles já está no chão.
Os restantes [Link] sentem.O predador mudou.
Eu caminho lentamente entre eles, coberto de sangue negro. Minhas
roupas rasgadas. Meu rosto salpicado de sombra.
Um tenta [Link]ço a [Link] atravessa suas costas e o prende ao
solo.
Silêncio.
Só o som de corpos caindo.
Só o cheiro da névoa queimando no ar.
Quando tudo termina, eu estou sozinho.
Sozinho entre pedaços.A espada pinga.
Meu peito sobe e desce calmamente.
Não sinto vitória.
Não sinto alívio.
Eu sinto… fome.
A névoa sobe pelas minhas pernas, pela minha cintura, pelo meu peito.
E eu não a [Link] abro os braços.
Como se estivesse aceitando algo...Ou sendo escolhido por algo.
24
No praça onde minha família morreu.. eu também morri … e nessa
mesma praça. Nasce outra coisa.
E eu sei, no fundo da minha mente distante —
Eles deveriam ter me matado primeiro.

25
Capítulo 2:Dez infernos depois

Eryon valtheris

O vento cortava as ruas vazias como uma lâmina invisível.


A cidade estava morta… não por falta de vida, mas por excesso de
medo.
Casas fechadas. Portas trancadas.
Nenhuma voz. Nenhum movimento.
Apenas o som… da fenda.
Ela pulsava ao longe, como um coração doente prestes a explodir.
Fiquei parado no meio da rua, observando.
Sentindo.
A escuridão chamava.
— General valtheris...
A voz veio atrás de mim, firme, controlada.
Não precisei me virar.
— Coronel Ravena.
Ela se aproximou em passos silenciosos, mas precisos.
Como sempre.
— As unidades estão posicionadas. Perímetro isolado.
Mas… — ela fez uma pausa breve — a atividade da fenda está
aumentando parece que é maior que dá última vez.
Fechei os olhos por um segundo,Respirei.
A mesma sensação de anos atrás…
O mesmo vazio.
— Eles estão com medo? — perguntei, sem emoção.
— Sim… — respondeu ela — mas estão prontos.
Um leve silêncio se instalou.

26
Eu sabia o que aquilo significava.
Prontos para morrer.
Abri os olhos.
A fenda tremia agora, rasgando o ar com fissuras negras que se
expandiam como veias.
— Medo não importa — falei, finalmente me virando para encará-la. —
Controle importa.
Ravena sustentou meu olhar sem hesitar.
Fria. Calculista. Inabalável.
Por isso ela estava aqui.
— Ordens, General?
Olhei novamente para a fenda.
Ela estava prestes a abrir completamente.
— Formação de contenção. Linha frontal com escudos.
Arqueiros nas laterais. Ninguém avança sem meu comando.
Ela assentiu imediatamente.
— Entendido.
Mas antes que ela se afastasse, completei:
— Ravena…
Ela parou.
— Se algo sair daquela fenda…não hesite.
Por um breve segundo — quase imperceptível — os olhos dela
mudaram.
Não de medo.
Mas de compreensão.
— Eu nunca hesito, General.
O grito da fenda rasgava o presente…
mas minha mente já não estava ali.
Ela voltou.
Dez anos atrás.
A noite em que tudo acabou.
27
*****

O cheiro de sangue ainda estava no ar.


Pesado. Quente. Irreal.
Minhas mãos tremiam… mas não a soltavam.
Eu segurava o cadaverda da minha irmã com força, como se aquilo
fosse a única coisa que ainda me ligava ao mundo.
Tudo ao meu redor estava… destruído.
Casas queimadas. Corpos no chão.
Silêncio.
E sombras.
Mas não havia mais nenhuma viva.
Eu caminhei… ou pelo menos tentei.
Cada passo era um esforço contra o próprio corpo.
Eu tinha lutado Contra todas elas.
Não me lembro de cada golpe.
Só lembro… da raiva.
Da dor.
E de não parar.
Nunca parar.

Luzes surgiram no horizonte.
Os Guardiões.
Armaduras brilhando na escuridão, passos firmes, vozes tensas.
Eles me encontraram no meio da vila… cercado por corpos que não
deveriam ter sido derrotados por uma criança.
— O que aconteceu aqui?!
— Quem fez isso?!
As vozes ecoavam, distantes… como se não fossem reais.
Eu tentei falar.
Mas o mundo começou a girar.
28
A última coisa que vi…
foi o símbolo dos Guardiões se aproximando.
E então… escuridão.

Acordei em uma cama desconhecida,Fria. Limpa. Silenciosa.
O teto era alto. Pedra antiga.
Não sinto nada, nem medo, nem dor, alegria ou qualquer sentimento que
possa me fazer sentir vivo .
— Ele acordou.
A voz veio de algum lugar ao lado.
Virei o rosto lentamente.
Figuras vestidas de branco… e outras de armadura.
Guardião e curandeiros.
— Você está seguro agora — disseram.
Seguro.
A palavra soou… vazia.
— Sua vila… — começou um deles, hesitando por um instante — foi
completamente dizimada.
Fechei os olhos.
Eu já sabia.
— Mas… — continuou — por um milagre, você sobreviveu.
Silêncio.
Então veio a pergunta.
A pergunta que até hoje ecoa.
— Quem matou todas aquelas sombras?
— Quem lutou até a fenda se fechar?
Abri os olhos.
Mas não respondi.
Porque nem eu sabia.
Tudo o que existia na minha memória…
era escuridão.
29
E algo dentro dela.
Algo que… não era humano.

O silêncio se instalou novamente.
Todos os guardiões ao meu redor pararam, esperando uma resposta
que eu não daria.
Olhei para eles.
Não falei nada.
O silêncio me respondeu de volta.
Então, finalmente, eu quebrei o silêncio:
— Onde… onde estou? E quanto tempo dormi?
Uma das vozes respondeu, calma, firme:
— Você está no castelo, na base dos Guardiões.
— E dormiu… sete dias.
Sete dias. O mundo inteiro havia continuado sem mim, e eu… eu estava
aqui, sozinho.
Então, uma mulher se adiantou.
Sua postura era impecável, sua presença inegável.
Ela era a líder.
Seus olhos escuros pareciam penetrar minha mente, tentando sondar
cada sombra dentro de mim.
— Diga-me seu nome — ela começou — e conte o que aconteceu no
vilarejo.
Respirei fundo.
As lembranças vieram como lâminas afiadas, cortando minha mente:
Minha vila destruída.
Minha mãe caída.
Minha irmã...
— Me.. meu nome é Eryon.
—eu não me lembro o que aconteceu … — comecei, minha voz quase
um sussurro — só sei que eu peguei na espada e tudo virou escuridão
30
— Depois… não me lembro do que aconteceu.
O silêncio se espalhou novamente.
Os curandeiros trocaram olhares entre si, pesados, carregados de
compreensão e pena.
Finalmente, a guardiã d falou:
— Não tens mais ninguém. Nenhum lar. Nenhuma família.
Ela fala como se fosse de hábito dar essa notícia.
Só que eu não Sinto nada, nenhuma reacção, então ela continuou..
— Mas se quiser… pode escolher o seu caminho
—Pode treinar conosco, tornar-se um Guardião, Porque agora… você
não tem nada a perder.
Eu olhei para as minhas mãos.
A única coisa que ainda me conectava com o que restou do mundo era
as lembranças, dos gritos de ajuda, de medo do choro da minha irmã do
rosto da minha mãe...
Então eu juro... até que essas lembranças irem embora eu vou matar
cada sombra uma por uma nem que eu morra tentando..
E então, sem hesitar, aceitei.
— Eu vou, mais atentes eu quero dar um funeral a minha família.
Eles se entre olharam e acenaram
*–*
Os dias que se seguiram foram implacáveis.
Quando aceitei ir para o campo de treinamento dos Guardiões, não
havia espaço para dúvidas ou sentimentos.
Não havia ninguém que me prendesse ao passado.
Tudo que restava era a espada em minhas mãos e a fenda que havia
destruído minha vila.
No primeiro dia, os instrutores me testaram sem piedade.
Corridas intermináveis pelo campo de pedra e neve, saltos sobre
obstáculos que pareciam paredes, luta corpo a corpo até o corpo pedir
trégua — mas eu não parava.
31
Eles diziam meu nome entre dentes: “Garoto prodígio”, e eu não sentia
orgulho nem prazer.
Sentia apenas o frio no meu peito, a determinação silenciosa de
sobreviver.
O treinamento era brutal.
Eles me forçavam a lutar contra soldados mais velhos, mais fortes,
experientes.
Mas eu aprendia rápido.
Cada golpe que recebia eu memorizava; cada erro se tornava lição.
Eu observava, calculava, antecipava.
Nunca errava duas vezes na mesma coisa.
A mente era tão importante quanto o corpo.
Eles me ensinaram estratégias de combate, formação de tropas, análise
de terreno.
Leitura de inimigos, movimentação em silêncio, ataque e recuo
calculados.
Eu aprendia a ler cada soldado, cada sombra, cada fraqueza.
Em pouco tempo, eu era capaz de antecipar movimentos que ninguém
mais conseguia prever.
O físico se moldou com dor e disciplina.
Braços firmes, pernas ágeis, corpo endurecido como aço.
Eu corria até não conseguir respirar, lutava até não sentir minhas mãos,
treinava com espadas, lanças, arcos… sem descanso.
Os Guardiões mais velhos me chamavam de “máquina de combate”, e
eu apenas assentia, em silêncio.
Não era vaidade. Era sobrevivência.
Com o tempo, eles perceberam algo que ninguém ousava dizer: eu era
diferente.
Não era apenas habilidade ou força.
Havia algo dentro de mim… um instinto, uma frieza que me tornava
imprevisível e mortal.
32
Quando alguém tentava me provocar, eu não reagia.
Eu analisava.
Quando alguém caía, eu não sentia remorso.
Eu apenas continuava, mais forte, mais preparado.
Os anos passaram.
O garoto que desmaiou na vila desapareceu.
No lugar dele, surgiu um soldado imbatível, frio e estratégico.
Minha mente era calculista, minha presença silenciosa, minha lâmina
precisa.
Nada poderia me deter.
Nada… exceto meu próprio passado.
O rei começou a notar.
Os Guardiões começaram a respeitar.
E eu continuei a treinar, dia após dia, como se não houvesse amanhã.
Como se cada golpe, cada suor, cada lágrima escondida fosse
necessário para me tornar aquilo que precisava ser.
Finalmente, depois de oito amor, depois de inúmeras batalha vencida
como solicitado o título veio: General dos Guardiões.
Não por favoritismo, não por sorte.
Por mérito frio, calculista e absoluto.
Eu me tornei alguém que todos temiam, respeitavam… admiravam.
Um soldado perfeito. Uma arma viva.
O passado não desapareceu.
Mas agora ele era apenas combustível para minha força.
Eu era um Guardião.
O maior deles.
A segunda pessoa mais importante do reino...
E o mundo… estava prestes a descobrir que ninguém deveria
subestimar alguém que lutou sozinho contra as sombras e sobreviveu

*****
33
Oiço os passos da coronel Ravena vindo em minha direção...
— General valtheris— disse ela, sem rodeios —, os magos já estão
posicionados, e os guardiões estão prontos.
Assenti, respirando fundo, consciente do peso de cada decisão. Pensei
nos soldados da infantaria, não queria baixas desnecessárias.
— Diga aos soldados da infantaria para recuarem — ordenei, a voz fria e
firme —. Não queremos baixas hoje. E levem os cavalos para longe
daqui.
Ela fez um aceno breve, saindo para cumprir minhas ordens.
Então, o ar vibrou ao meu redor. A fenda diante de nós começou a se
abrir com um estrondo profundo. Um frio me atravessou, mas não era só
a fenda — algo dentro de mim despertou, como se eu fosse parte dela,
como se a própria escuridão me chamasse. Não podia fraquejar. Não
agora.
De dentro do portal negro, surgiram criaturas de sombras densas, com
olhos vermelhos que queimavam na escuridão, serpenteando como se
fossem feitas de pura maldade. Eu cerrei os punhos, senti a adrenalina e
o poder pulsarem em minhas veias.
Com um sinal da minha mão o campo de batalha explodiu em
movimento.
Avancei como uma tempestade silenciosa, cada golpe mortal, cada
movimento preciso. Minhas lâminas cortavam as sombras sem piedade;
elas uivavam e se retorciam, mas nenhuma resistia. Atrás de mim, os
guardiões lutavam com a mesma ferocidade, avançando como uma
força implacável. Cada golpe deles era calculado, cruel na eficiência,
destruindo as criaturas sem hesitar.
O campo de batalha se tornou um caos controlado — sombras
explodindo em fumaça negra, gritos distorcidos ecoando, magia
queimando no ar. Eu sentia cada ataque, cada risco, mas não havia
medo. Cada movimento meu era letal, cada decisão era vida ou morte, e
eu não hesitava.
34
Ao meu redor Ravena coordenava os magos, lançando feitiços que
prendiam e queimavam as sombras, enquanto os guardiões fechavam a
retaguarda e atacavam com uma precisão implacável. Não havia
misericórdia, não havia compaixão. Cada criatura que avançava, cada
sombra que se projetava contra nós, era derrotada com brutalidade
eficiente
A batalha parecia eterna, mas finalmente, com o último resquício de
sombra consumido, o silêncio caiu sobre o campo. O calor do esforço
ainda pulsava em meus músculos, mas o alívio começou a surgir.
A Coronel Ravena se aproximou, visivelmente aliviada, mas ainda
preocupada:
– Senhor..., Os magos estão a postos vão começar a fechar a fenda
Olhei para ela e dei um aceno de cabeça..
— General valtheris… o senhor pode voltar com os soldados da
infantaria — disse ela. —Eu posso assumir daqui...
— Não — respondi, a voz firme, fria —. Quero ficar até que os magos
fechem a fenda.
Ela franziu o cenho, hesitando:
— Não pode correr riscos desnecessários. Você é só a segunda pessoa
mais importante do reino…
Olhei para ela, olhos sem piedade, e senti algo dentro de mim se romper
completamente. Uma verdade fria e poderosa emergiu:
— Não existe nada nem ninguém neste reino… ou fora dele… que
possa me matar.
No fundo, eu sabia. Eu não era apenas Eryon Valtheris. Eu era parte da
fenda. Parte do poder que a abria, que a sustentava. E agora, ninguém,
nem sombra, nem homem, poderia me deter.

O campo de batalha ainda estava em silêncio, carregado do cheiro de
fumaça negra e do eco dos uivos das sombras que agora haviam

35
desaparecido. Os guardiões respiravam pesadamente, mas se
mantinham firmes, prontos para qualquer sinal de retomada do ataque.
Eu também estava ali, parado, sentindo a pulsação da fenda dentro de
mim. Ela não era apenas algo fora de mim — era uma parte de mim,
uma energia que corria nas minhas veias, pulsando com força e fome.
Então ouvi o som familiar da magia se ativando. Os magos começaram
a entoar cânticos antigos, suas mãos traçando símbolos que brilhavam
em tons de azul e dourado. O ar ao redor da fenda começou a vibrar e
girar, criando uma pressão que quase me fez cambalear. Mas eu
permaneci firme. Não havia medo, não havia hesitação. Eu era a fenda
tanto quanto a fenda era eu.
— Mantenham a formação! — gritei aos guardiões, que se posicionaram
em círculo ao redor do portal —. Não deixem que nada escape!
As sombras restantes eram pequenas, fragmentos que tentavam se
agarrar à realidade, mas qualquer tentativa era esmagada com nossas
lâminas e com a magia dos magos. Eu senti a energia da fenda me
envolver completamente, como se cada sombra derrotada me
fortalecesse, como se a própria fenda quisesse se fechar através de
mim.
Ravena se aproximou novamente, preocupada, mas desta vez não
ousou me interromper.
— Eryon… eles estão conseguindo… mas a pressão da fenda está
aumentando — disse ela.
— Deixe que aumente — respondi, com uma frieza que me surpreendeu
até a mim mesmo. — Eu não vou recuar.
E, nesse instante, senti algo mudar dentro de mim. Um impulso primitivo,
uma consciência de que eu não era apenas observador, mas catalisador.
As sombras eram minha extensão, e minha força era a ponte que
permitiria aos magos selar a fenda. Com um gesto concentrado, liberei a
energia que vinha da fenda, empurrando cada fragmento de escuridão
de volta ao portal.
36
Os magos então aumentaram a intensidade dos encantamentos. Raios
de luz azul e dourada se entrelaçaram com a energia negra da fenda,
formando uma espiral que começou a se contrair lentamente. Cada
sombra restante foi sugada, cada fragmento dissolvido. Eu sentia a
fenda me pulsar, me chamando, me fundindo com sua essência, mas
minha mente permaneceu firme. Eu não podia ceder.
E então, com um estrondo final que reverberou pelo campo, a fenda se
fechou. O portal desapareceu, e a energia que me pulsava dentro
diminuiu até se tornar uma sensação calma e poderosa. Eu ainda estava
de pé, intacto, respirando lentamente. Os guardiões estavam exaustos,
mas todos vivos, e os magos suspiravam aliviados, suas mãos tremendo
pelo esforço.
Ravena se aproximou, desta vez com um misto de alívio e espanto:
— senhor os cavalos já estão prontos… — disse Ravena ao meu lado
Olhei para ela, minha expressão implacável então me virei sem olhar pra
trás
— vamos — disse, com a voz baixa e firme —. O nosso trabalho aqui
terminou.

37
capítulo 3:A reencarnação distorcida de kael

Eryon valtheris

O sol já começava a desaparecer no horizonte quando as muralhas da


capital surgiram.
Grandes.
Antigas.
Intocáveis.
Depois de um dia e meio de viagem, os Guardiões finalmente voltavam.
O cansaço era visível.
Mas a vitória… era maior.
À medida que se aproximavamos dos portões, um som começou a
crescer.
Primeiro distante.
Depois… ensurdecedor.
Uma multidão imensa aguardava do outro lado.
Como toda vez que voltavamos de uma batalha
Homens, mulheres, crianças — todos comprimidos nas ruas, nas
varandas, nos telhados.
Esperando.
E quando os portões se abriram—
O mundo explodiu em vozes.
— VITÓRIA!
— GLÓRIA AOS GUARDIÕES!
— HERÓIS DO REINO
Flores foram lançadas ao ar.
Bandeiras agitadas com fervor.
Alguns choravam.
38
Outros riam.
Era mais do que alegria.
Era devoção.
Os soldados ergueram a cabeça, orgulhosos.
Mas então—
Um coro começou a se formar.
Desorganizado no início…
Mas crescendo rapidamente.
— ERYON!
— ERYON!
— ERYON!
O nome ecoava por toda a capital.
Mais alto.
Mais intenso.
Até que alguém gritou—
— A REENCARNAÇÃO DE KAEL!
E como uma faísca em pólvora seca…
A multidão inteira repetiu.
— A REENCARNAÇÃO DE KAEL!
— A REENCARNAÇÃO DE KAEL!
Não era uma ordem.
Não vinha do rei.
Nem dos Guardiões.
Era o povo,Eles acreditavam,Eles tinham escolhido aquilo.
Kael.
O primeiro Guardião.
O herói que sozinho enfrentou uma fenda do tamanho de um país… e
venceu.
Um nome acima de reis.
Uma lenda viva na memória do reino.
E agora…
39
Eles viam esse mesmo legado em em mim
Mas eu não sorri.
Não acenei.
Não reagi.
Meu cavalo avançava lentamente, atravessando o mar de vozes como
se estivesse em outro mundo.
Porque enquanto eles gritavam esperança—
Eu sentia outra coisa.
Algo mais antigo.
Mais [Link] verdadeiro.
Meu olhar caiu nas sombras projetadas pelas muralhas ao entardecer.
Elas se moviam.
Sutilmente.
Quase imperceptível.
Mas eu via, eu sempre via.
— Eles te transformaram em um símbolo — disse a coronel, em voz
baixa, aproximando-se no seu cavalo.
Mantive o olhar à frente.
— Não — respondi, calmo. — Eles criaram um.
A coronel me encarou um instante.
— Isso não é o mesmo?
Silêncio.
O som da multidão parecia distante agora.
Como se estivesse sendo engolido por algo invisível.
— Não… — disse e, por fim.
Meusolhos escureceram por um breve instante.
— Porque símbolos… não sangram.
Uma pausa.
— Nem destroem aquilo que juraram proteger.
A multidão continuava:
— KAEL RENASCEU!
40
— KAEL RENASCEU!
Mas eu sabia.
No fundo, eu sabia.
Kael foi a luz que enfrentou as sombras.
Mas eu…
Eu não era luz.
E talvez nunca tivesse sido.
E enquanto o povo celebrava seu salvador—
As sombras sob meus pés…
Se curvavam em silêncio.
Passamos pelos grandes portões internos do castelo e seguimos
diretamente para a sala do trono. As portas se abriram lentamente,
revelando o salão imenso, iluminado por tochas e vitrais que tingiam o
chão de cores suaves.
O rei já nos esperava.
Sentado em seu trono, imóvel, com aquele olhar que parecia atravessar
qualquer mentira.
Paramos diante dele.
Silêncio.
Me ajuelhe diante do rei
— Majestade.
Me levantei é dei um passo à frente.
Sem emoção.
Sem hesitação.
— A missão foi um sucesso — minha voz saiu firme, controlada. — A
fenda foi contida… e não houve nenhuma baixa.
O salão ficou em silêncio por um breve instante.
O rei me [Link] um minuto longo demais.
Como se estivesse procurando algo… além das palavras.
Por um segundo…
eu pensei que ele soubesse.
41
Mas então—
Ele assentiu lentamente.
— Excelente.
A tensão no ambiente diminuiu, quase imperceptivelmente.
— Vocês superaram as expectativas — ele continuou. — O reino está
em dívida com vocês.
Eu não respondi.
Não havia necessidade.
Ele então se levantou do trono, o som ecoando pelo salão.
— Esta noite — disse ele, com mais força — haverá uma celebração.
Os guardiões ao meu redor trocaram olhares discretos.
— Uma festa em honra à vitória de vocês… — ele fez uma pausa — e
para celebrar a reencarnação de Kael.
O nome ecoou na minha mente.
Kael.
Algo dentro de mim… reagiu.
Não no meu rosto.
Nunca no meu rosto.
Mas por dentro…
foi como uma fissura silenciosa.
Mantive a postura.
Imóvel.
Controlado.
Como se aquele nome não significasse nada.
Como se eu não sentisse… aquela estranha conexão.
A coronel r dos guardiões falou:
— Será uma honra, Majestade.
O rei voltou a me olhar.
Diretamente.
— E você major… — disse ele — é a peça central desta noite.
Eu sustentei o olhar.
42
Sem desviar.
Sem revelar.
— Entendido.
Mas dentro de mim…
algo se movia.
Algo antigo.
Algo que despertava sempre que aquele nome era mencionado.
Kael.
Eu não sabia o que exatamente aquilo significava.
Mas uma coisa era certa…
isso não era coincidência.
E, se estavam celebrando uma reencarnação…
então alguém ali…
já tinha voltado dos mortos.

*****
Saí do salão do trono sem olhar para trás. O eco dos meus passos no
corredor de pedra me acompanhava como uma lembrança silenciosa
daquilo que fizemos. Não havia festa nos meus pensamentos, nem
aplausos, nem a euforia do rei. Só havia controle. Sempre controle.
O castelo estava mais silencioso agora. Os corredores longos e
iluminados por tochas lançavam sombras que dançavam levemente nas
paredes. Cada passo que eu dava parecia medir o espaço, cada som
que surgia era registrado, analisado. Eu nunca caminhava de forma
desordenada. Nunca descuidadamente.
Os soldados que cruzavam meu caminho inclinavam a cabeça. Eu
apenas assentia levemente, sem dizer uma palavra. Um general não
precisa falar para ser reconhecido.
Saí da ala principal e atravessei o pátio interno. O ar da noite bateu
contra meu rosto, frio e limpo, mas não suficiente para aliviar o peso que
ainda carregava. Minha residência ficava em uma das torres mais
43
isoladas do castelo, afastada do burburinho, longe da festa que
começaria em algumas horas.
Os portões se abriram automaticamente ao me aproximar. Nenhum
guarda disse nada; todos sabiam quem eu era.
Entrei. A residência era ampla, mas sem ostentação. Tudo ali estava
organizado, simétrico, controlado — nada sobrava, nada faltava. Cada
objeto tinha sua função, cada sombra tinha seu lugar. Um espaço digno
de um general, mas não de um rei. Aqui, a autoridade não precisava ser
proclamada; apenas era.
Caminhei pelos corredores silenciosos até meu quarto. Parei um instante
antes de abrir a porta. Algo estava diferente, mas não conseguia
identificar o que era. Talvez fosse apenas o meu instinto — algo que
aprendi a confiar mais que qualquer mapa ou relatório.
Entrei. Nada fora do lugar. Tudo perfeitamente como deveria estar,
tirando a mulher semi nua deitada na minha cama reclinada sobre os
lençóis, o corpo parcialmente coberto, o olhar curioso e ousado.
Suspirei.
O rei sempre fazia isso quando eu retornava de uma batalha. Uma
forma… de compensação. Sempre que saía para lutar, de alguma
maneira ele acreditava que eu precisava disso. Como se a vitória tivesse
que ser celebrada, não com honras ou aplausos, mas com algo que, de
fato, não me interessava.
Mantive a postura, imóvel, como sempre. Meus olhos se encontraram
com os dela por um instante, calculando, medindo.
— Majestade — ela murmurou, a voz ainda sonolenta e arrastada —
disseram que voltou vitorioso…
Eu apenas assenti, sem me aproximar. Minha atenção não estava nela.
Não que ela não seja bonita, ela como todas as outras são muito
bonitas.
Passei lentamente até a janela, respirando fundo. A noite lá fora estava
calma. A festa do rei, as luzes, a música… tudo distante do que
44
importava. Dentro de mim, a fenda ainda pulsava, silenciosa, mas
presente.
Olhei novamente para ela, ainda de pé, mantendo o controle.
— você não me quer general...— ela murmurou baixo, sedutora.
Lentamente foi se despindo dos lençóis, mostrando os seus peitos
grandes, fez algo no cabelo e ele Caio feito ondas em seus ombros.
— Está calado… — murmurou, a voz suave, quase provocativa. — Não
é como os outros…
Ela se aproximou de mim toda sensual.
Num movimento involuntário, estiquei meu braço direito e peguei uma
mecha do seu cabelo.
Ela sorriu, talvez achando que eu esteja empolgado com isso.
— Temos duas horas antes da festa começar —Ela se aproximou mais,
o corpo insinuando movimento. Havia algo na maneira como seus olhos
me estudavam… algo que reconhecia o poder que eu carregava.
Mantive-me imóvel. Cada gesto meu era calculado, cada respiração
medida. Mas senti a resposta dela a forma como se inclinava levemente,
o calor que parecia se intensificar no quarto, o sorriso que não
desaparecia. Ela não tentava me dominar. Ela apenas correspondia.
— Gosta de controlar tudo, não é? — murmurou, voz baixa e arrastada,
provocativa, como se desafiasse meu autocontrole.
Assenti, sem dizer uma palavra. O ar entre nós carregava tensão
suficiente para ser quase palpável. Ela riu suavemente, entendendo que
qualquer passo em falso de sua parte ou da minha poderia quebrar a
delicada dança de poder entre nós.
Deixei-me aproximar mais um pouco, mantendo o olhar fixo no dela. A
proximidade não precisava de toque para ser sentida.
— Você não cede facilmente — disse ela, ainda sorrindo. — Eu gosto
disso.
Talvez isso me faça relaxar e ter uma noite tranquila, sem
pesadelos, sem insónia
45
— Deite na cama – ela parece surpresa no princípio, mais depois abriu
um sorriso largo.
– Além de controlador você é mandão... Wau– ela se vira de costa me
dando a visão de sua bunda– eu gosto disso.
Ela se deita de barriga para cima passando os dedos por ela.
— vira de costas... — ela olhou pra mim um pouco assustada, mais se
recompôs num piscar de olhos.
— eu... eu acho... que ...
— AGORA.— agora o medo em seus olhos e mais palpável — você não
disse que gosta quando eu sou mandão.
— É, eu gosto.. – ela tenta mander a compostura e sorri, virando-se de
costas.– pode vir ...
Eu mal tinha começado quando a porta foi atingida abruptamente por
duas batida.
A mulher olhou pra porta assustada e depois olhou pra mim, mais eu
não desviei os olhos dela por um segundo.
– General... – a voz que parecia de um soldado veio com algo que
parecia desespero.
– General... Um... Uma fenda se abriu...
.

46
Capítulo 4: O encontro

Eryon varth
Um arrepio subiu por minha coluna, todo meu corpo ficou em alerta,
caminhei apressadamente até a porta quando a abri poeta vi um soldado
com o uniforme da infantaria com a respeito passada e um olhar
assustado.
– Fala soldado – disse com a maior calma possível para um ser humano.
– General uma fenda se abriu num vilarejo a norte da capital– ele disse
lutando para organizar as palavras– os magos da quela região disseram
que.. que a fenda se abri-ra totalmente daquei a cinco horas..
– O QUE ? ... – gritei sem conter a voz – isso é imprescindível.
–Os altos magos e os comandantes… estão reunidos na sala de guerra.
Precisam da sua presença.
Fechei a porta sem responder fechei os olhos apoiei a cabeça na porta
sem endeder nada.
Como um fenda se abrio no mesmo dia que fechamos outras e o
mais estranho ela vai se abrir totalmente em menos de cinco horas isso
não faz sentido.
Normalmente elas fazem três dias para se abrir totalmente o que nos dá
tempo de evacuação completo dos vilarejo que merda está
acontecendo...
– Aconteceu alguma coisa fuim... – a melhor na minha cama fala, quase
me esquecia da existência dela
– vista se e saia do meu quarta – disse enquanto abria a porta para sair
– não quero encontrar nenhum vestígio seu quando eu chegar.
Caminho até a sala de guerra com os pensamentos a mil.
Mas por fora…
Silêncio.
Meus passos são firmes. Rápidos. Precisos.

47
O som das botas ecoa pelos corredores de pedra como um aviso.
Soldados se afastam do meu caminho sem que eu precise dizer uma
única palavra.
Algo mudou.
Eles sentem.
Eu também.
Chego diante da grande porta de ferro.
Imponente. Fria. Pesada.
Como tudo naquele lugar.
Paro por um segundo.
Respiro fundo.
Não para me acalmar.
Mas para organizar o caos.
Cinco horas.
Uma fenda instável.
Levo a mão à porta…e a empurro.
O ferro range ao ceder.
O som corta a sala.
Todas as vozes morrem no mesmo instante.
[Link] olhares.
Generais. Magos. Conselheiros.
Todos tensos.
Todos esperando.
Avanço alguns passos, sem pressa. Deixo que o silêncio pese sobre
eles.
— Comecem — digo, a voz firme, controlada — vocês já estão
atrasados.
Um dos magos se adianta.
Velho. Roupas pesadas. Olhos carregados de algo que não é apenas
preocupação.
Medo.
48
— General… — ele começa — a situação no norte—
— Eu já sei da fenda — corto. — Quero saber o que vocês ainda não
entenderam.
Silê[Link] olhares.
Sempre trocam olhares quando não têm controle.
Aproximo-me da mesa central. Um mapa aberto mostra o vilarejo ao
norte, marcado com tinta vermelha.
Grande demais.
— Tempo de ruptura — digo.
— Cinco horas — responde outro mago, mais jovem — talvez menos.
— Fendas levam dias.
Minha voz não [Link] pesa.
O mago mais velho hesita.
— Essa… é diferente.
Levanto os olhos lentamente.
— Diferente como?– pergunto
Ele respira fundo.
— Ela não está se formando… está sendo mantida.
Silêncio.
Sinto de novo, aquela sensaçã[Link]. Errada.
— Mantida por quem? — pergunto.
— Não sabemos.
Mentira.
Ou incompetência.
E eu não tolero nenhum dos dois.
Dou a volta na mesa, parando ao lado dele.
Perto o suficiente para que ele sinta.
— Então você veio para essa sala… — digo, baixo — sem saber quem
abriu uma fenda acelerada… a poucas horas da ruptura total?
Ele não responde.Não consegue.
Confirmado.
49
Inúteis.
Endireito-me.
— Evacuação?
— Incompleta — responde um general — estamos tentando evitar
pânico.
— Já falharam — corto novamente.
Olho para o mapa.
Depois para todos eles.
Agora sim.
Eles têm minha atenção total.
— Escutem com cuidado — digo.
O ar na sala muda.
— Isso não é uma fenda comum. Não é um evento natural. E
definitivamente não é um acidente.
Dou um leve toque na marca vermelha do mapa.
— E nós já estamos perdendo.
Um dos generais engole seco.
— Qual é a sua ordem, General?
[Link].A parte que importa.
Minha mente já está à frente.
— Escutem com atenção — minha voz sai baixa, mas firme — porque
não vou repetir.
O ar na sala muda.
Agora eles estão realmente ouvindo.
Aponto para o mapa.
— Formem unidades de ataque com os Guardiões.
Alguns generais trocam olhares.
Ignoro.
— Quero grupos móveis. Rápidos. Precisos. Nada de formações
pesadas.
Deslizo o dedo pelo mapa, marcando rotas invisíveis.
50
— Eles não vão conter a fenda… vão eliminar qualquer coisa que
atravesse.
Pausa.
— Sem hesitação.
Agora me viro levemente.
— A infantaria…
Os soldados mais rígidos na sala se endireitam.
— Fica responsável pela evacuação total do vilarejo.
Minha voz endurece.
— Não quero pânico. Não quero desorganização.
Olho direto para um dos comandantes.
— Quem resistir… é removido à força.
Ele engole seco.
— Sim, General.
Volto minha atenção aos magos.
— E vocês…
Silêncio.
Tensão.
— Quero todos preparados para selar a fenda no momento em que ela
estabilizar.
O mago mais jovem hesita.
Erro.
— General… se selarmos cedo demais...
— Vocês não vão selar cedo — corto — vão selar no momento exato.
Me aproximo.
Devagar.
— E se perderem esse momento…
Pausa.
Olho nos olhos dele.
— Não haverá segunda chance.
O silêncio agora é absoluto.
51
Pesado.
Final.
Endireito-me.
— Isso não é contenção — digo, olhando todos novamente — é controle.
Aponto novamente para o mapa.
— Quem abriu essa fenda quer observar.
Um leve aperto no maxilar.
— Então nós vamos mostrar exatamente o que ele precisa ver.
Dou um passo para trás.
— Disciplina.
Outro passo.
— Precisão.
Mais um.
— E nenhuma margem para erro.
Me viro em direção à porta.
— Preparem as unidades.
Paro por um segundo antes de sair.
A sensação volta.
Mais forte.
Mais próxima.
Quase como um sussurro.
Fecho levemente os olhos.
E digo, baixo:
— Eu vou na linha de frente.
Abro a porta.
— Que comece a contagem.
E saio.

*****
O pátio já estava em movimento quando cheguei.
Tochas acesas.

52
Armas sendo ajustadas.
Ordens sendo gritadas… e obedecidas.
Do jeito que deve ser.
Os Guardiões estavam alinhados.
Imóveis.
Silenciosos.
Diferentes dos soldados comuns.
Eles não demonstram medo.
Mas eu sei reconhecer tensão quando vejo.
Caminhei entre eles.
Lento.
Observando.
Cada postura. Cada olhar. Cada detalhe.
— Unidades formadas? — perguntei, sem parar.
— Sim, General — respondeu a comandante Ravena— três esquadrões
de ataque prontos para avançar.
Assenti levemente.
— Infantaria?
— Já em deslocamento para evacuação. Devem chegar antes de nós.
Bom.

Pelo menos uma coisa funcionando como deveria.


Olhei para os magos.
Reunidos mais atrás.
Sussurrando entre si.
Inseguros.
Como sempre ficam quando não entendem o que está por vir.
— Quero todos focados — disse, alto o suficiente para todos ouvirem —
ninguém age sem ordem direta.
Silêncio imediato.
Agora sim.
Controle.
53
Caminhei até meu cavalo.
Passei a mão pelo pescoço dele.
Calmo.
Diferente dos homens.
Subi com um movimento único.
Fluido.
Sem esforço.
Olhei para o portão da capital sendo aberto lentamente.
O som da madeira e ferro ecoou como um aviso.
Sem retorno.
— Avançar.
Sem gritos.
Sem drama.
Apenas… movimento.
E então partimos.
A estrada até o norte estava errada.
Não vazia.
Errada.
O vento não soava como deveria.
Os pássaros…
Não estavam lá.
Nenhum som de vida.
Apenas o som dos cascos no chão seco.
Olhei ao redor.
Árvores imóveis.
Ar pesado.
— Sentem isso? — perguntei.
Um dos Guardiões ao meu lado respondeu:
— Sim, General… parece que o ambiente está… pressionando.
Assenti.
Ele percebeu.
54
Bom.
— A fenda já está influenciando a área — falei — isso significa que está
mais avançada do que disseram.
Silêncio.
Ninguém gostou de ouvir isso.
Mas precisavam.
Continuamos.
Mais rápido agora.
O céu começou a mudar.
Levemente.
Como se algo estivesse distorcendo a luz.
Parecia… errado de olhar.
Então…
Paramos.
Não por ordem.
Mas porque todos sentiram ao mesmo tempo.
Levantei o olhar.
Lá na frente.
No horizonte.
O vilarejo.
Ou o que restava dele.
Fumaça.
Casas abandonadas.
Portas abertas.
E no centro…
A fenda.
Mesmo à distância… dava para sentir.
Não era apenas um rasgo no espaço.
Era como se o próprio mundo estivesse sendo puxado para dentro.
O ar ao redor tremia.
Como calor… mas frio.
55
Escuro… mas vivo.
E então…
Senti.
Mais forte do que nunca.
Meu peito apertou.
Minha respiração falhou por meio segundo.
E algo dentro de mim…
Respondeu.
Apertei as rédeas com força.
— Formem posição — ordenei, descendo do cavalo.
Minha voz saiu mais baixa.
Mais pesado.
— Guardiões à frente. Magos, preparem o círculo.
Ninguém hesitou.
Todos se moveram.
Mas eu…
Fiquei parado por um segundo.
Olhando para a fenda.
Ela se contorceu.
Como setive reagindo.
A mim
Corpos distorcidos, como fumaça comprimida à força.
Mas os olhos…
Olhos vermelhos.
Brilhantes.
Fixos.
Famintos.
Dessa vez não havia dúvida.
Elas não estavam observando.
Vieram para matar.
— Formação! — ordenei.

56
Os Guardiões se moveram instantaneamente.
Linha frontal reforçada.
Magos atrás, já preparando outro círculo.
Mas não havia tempo.
As criaturas avançaram.
Rápidas.
Silenciosas.
O primeiro impacto veio como uma onda.
Um Guardião atacou — lâmina atravessou o corpo de sombra.
Inútil.
A criatura respondeu.
Rápida demais.
Arrancou o braço dele antes que ele pudesse reagir.
Sem sangue.
Apenas escuridão se desfazendo no ar.
— Ajustem! — gritei — ataques físicos não são suficientes desta vez
Os magos começaram a lançar selos.
Rajadas de energia cortaram o campo...
E dessa vez funcionou.
Uma das criaturas foi atingida.
Seu corpo tremeu… distorceu…
E se desfez em fragmentos de sombra.
— Mantenham a linha! Magos lasem magia secretamente nas espadas
— ordenei
Mas elas eram muitas.
E estavam ficando mais rápidas.
Uma avançou direto para mim.
Não desviei.
Esperei.
No último segundo…
Ela atacou.
57
Inclinei o corpo.
Desviei por centímetros.
A sombra passou ao meu lado como um sussurro mortal.
E eu contra-ataquei.
Minha mão se moveu instintivamente—
Não com uma lâmina.
Mas com aquilo.
Aquilo dentro de mim.
Toquei a criatura.
Não houve resistência.
Ela se desfez no mesmo instante.
Como se tivesse sido… anulada.
Parei.
Olhei para minha mão.
Silêncio interno.
Olhei para os lados para ver se alguém me vio, mais todos estão
focados demais nas suas batalhas
— Que porra é essa — murmurei.
Outra criatura veio.
Depois outra.
E mais.
Agora não pareciam apenas inimigos.
Pareciam… atraídas.
Por mim.
— General! — um Guardião gritou — elas estão focando no senhor!
Claro que estão.
Apertei o maxilar.
— Mantenham posição! — ordenei — não recuem!
As criaturas começaram a cercar.
Olhos vermelhos brilhando no meio da escuridão.
Uma dúzia.
58
Talvez mais.
Os magos estavam sendo pressionados.
A linha começava a ceder.
O plano…
Já não era suficiente.
Olhei para a fenda.
Ela estava maior.
Muito maior.
Errado.
Isso está rápido demais.
Então senti.
De novo.
Mais forte.
Mais claro.
Como um chamado.
Ou uma resposta.
Fechei os olhos por um segundo.
Apenas um.
Quando abri…
O mundo parecia mais lento.
As sombras… pareciam estar em câmera lenta
Segurei a espada com mais firmeza.
O poder… estava ali.
Instá[Link]âneo.
Mas suficiente.
A primeira sombra avançou.
Um passo.
Um corte.
A lâmina atravessou o corpo escuro como se não houvesse resistência.
Ela se desfez antes de tocar o chão.
A segunda veio pela esquerda.
59
Não virei a cabeça.
Já sabia.
Girei o pulso,corte curto.
Preciso.
Silencioso.
Outra… desaparecida.
Respiração controlada.
Olhar fixo.
Sem pressa.
Sem erro.
Mais sombras surgiram.
Dezenas.
Todas vindo.
Todas lentas… para mim.
Avancei.
Não recuei.
Entrei no meio delas.
A espada dançou.
Um corte.
Outro.
Um giro.
Uma estocada.
Cada movimento… calculado.
Cada golpe… final.
Não havia desperdício.
Não havia hesitação.
Sombras caíam uma após outra.
Como se estivessem sendo apagadas.
Como se nunca tivessem existido.
O chão… limpo.
O ar… pesado.
60
E então—
A última.
Parou diante de mim.
Tremeu.
Como se… tivesse medo.
Dei um passo.
E atravessei.
Fim.
Silêncio.
O mundo voltou ao normal.
De uma vez.
O peso voltou ao corpo.
A respiração… mais pesada.
O poder…
Sumindo.
Guardei a espada lentamente.
— O que foi aquilo…?
— Ele… acabou com todas…
— Sozinho?!
— Isso não é humano…
As vozes eram baixas.
Carregadas de medo.
Eu não respondi.
Nem olhei.
Apenas fiquei em pé.
Imóvel.
Como se nada tivesse acontecido.
Os magos perceberam.
— Agora! Fechem a fenda!
Eles avançaram.
Círculos mágicos surgiram no chão.
61
Luz dourada contra o céu escuro.
Runas girando.
A fenda reagiu.
Tentou resistir.
Mas estava fraca.
Sem as sombras… não tinha força.
— SELAR!
A luz explodiu.
O ar tremeu.
E então…
A fenda começou a fechar.
Lentamente.
Até desaparecer.
Como se nunca tivesse existido.
Silêncio absoluto.
Por alguns segundos…
Ninguém se moveu.
— Procurem sobreviventes! — Rápido! — Ainda pode haver alguém
vivo!
Os soldados se espalharam.
Eu comecei a andar.
Sem pressa.
Algo…
Chamava.
Não como antes.
Mais fraco.
Mas… presente.
Passei por corpos.
Armas quebradas.
Sangue.
Até que…
62
Parei.
Ali.
Debaixo de destroços.
Quase invisível.
Mas diferente, ajoelhei-me, afastei [Link].
E então vi.
Uma mão.
Pequena.
Imóvel.
Mas quente.
Segurei com cuidado.
E puxei.
Ela surgiu lentamente.
Uma garota.
Ferida.
Respiração fraca.
Mas viva.
O rosto sujo… marcado pela batalha
Ela me encarou.
Os olhos ainda confusos.
Respiração irregular.
Fraca.
Uma sobrevivente.
Soltei lentamente a mão dela.
— Você consegue ficar de pé? — perguntei.
A voz baixa.
Controlada.
Ela hesitou.
Tentou se levantar.
O corpo falhou.
Caiu de volta.
63
Franzi levemente o cenho.
— Não se force.
Ela respirou fundo.
Olhou ao redor.
O campo destruído.
O silêncio pesado.
— As… sombras… — disse, com dificuldade.
— Acabaram.– repondo sem rodeios
Ela voltou o olhar para mim.
Dessa vez… diferente.
Mais atenta.
Observando.
Como se estivesse tentando entender quem eu era.
Sua pele marrom estava coberta de poeira e sangue seco.
O cabelo, com muitos cachos que vão até depois dos
ombros,parcialmente solto pela batalha.
Havia força nela.
Mesmo naquele estado.
— Foi você? — perguntou.
Direto.
Sem rodeios.
Fiquei em silêncio por um segundo.
— Não importa.
Ela sustentou meu olhar.
Teimosa.
— Importa sim.
Não respondi,levantei-me.
Olhei ao redor.
Soldados ainda procurando.
Magos recuando.
Tudo sob controle.
64
— Eles vão cuidar de você — disse, virei-me.
— Espera…!
A voz dela saiu mais forte dessa vez.
Parei.
Sem olhar para trás.
— Eu… não tenho ninguém — disse.
Silêncio.
O vento passou entre os destroços.
Fechei os olhos por um breve instante.
Irritante.
Virei levemente o rosto.
O suficiente para vê-la de lado.
— Nome.
Ela piscou.
Surpresa.
— …Lyara
Assenti.
Gravei.
— Fique viva, Lyara
E comecei a andar.
Mas não fui longe.
Algo… me incomodou.
Parei.
Suspirei.
Baixo.
Voltei.
Ajoelhei-me novamente diante dela.
Sem dizer nada.
Passei o braço dela pelo meu ombro.
Levantei-a com cuidado.
Ela se apoiou em mim.
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Surpresa… mas não resistiu.
— você disse que eles cuidariam — murmurou ela.
— Eu mudei de ideia.
Começamos a caminhar.
Lentamente.
Entre os restos da batalha.
— Você sempre faz isso? — perguntou.
— O quê?
— Age como se não se importasse… mas volta.
Olhei em frente.
— Não fale.
Ela soltou um leve suspiro.
Mas… quase um sorriso.
Pequeno.
Cansado.
Mas real.
E naquele momento…
Sem saber.
Sem entender.
Ela estava caminhando ao lado de alguém…
Que não era totalmente humano.
E eu…
Estava levando comigo…
Alguém que mudaria tudo.
Se quiser, no próximo passo posso:
�Criar uma cena no acampamento com tensão entre soldados e ele
�Desenvolver a Amani

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