Métodos de Reabilitação Aquática
Métodos de Reabilitação Aquática
Propósito
Compreender as bases teóricas dos principais métodos de reabilitação aquática para identificação da técnica
mais adequada à real necessidade do paciente, a fim de gerar maior eficiência na eleição do método a ser
empregado.
Objetivos
Identificar as principais técnicas e os métodos tradicionais utilizados na fisioterapia aquática.
Introdução
O trabalho fisioterápico no meio aquático é realizado por meio de técnicas específicas criadas ou adaptadas
especialmente para este ambiente, ampliando a variação de possibilidades de atendimento. Existem métodos
que promovem o relaxamento, outros que estimulam movimentos funcionais e outros que focam na
abordagem do público infantil.
Neste tema, estudaremos os métodos de terapia aquática, apresentando as diversas técnicas que podem ser
empregadas conforme a idade, a debilidade e as incapacidades funcionais, com objetivos de relaxamento,
alongamento e fortalecimento, ou até mesmo benefícios de aspecto mental e bem-estar. Daremos ênfase aos
seguintes:
Com o passar do tempo, foram inseridas técnicas ao método que, inicialmente, foi empregado para pacientes
com restrições de mobilidades suportados por pranchas fixas.
Saiba mais
Em 1957, o médico alemão Knüpfer introduziu a técnica de tratamento horizontal em meio líquido, por
intermédio de anéis de flutuação na região cervical, na pelve e nos tornozelos, permitindo estabilização
corporal para a realização de exercícios. Knüpfer originalmente utilizou flutuadores para estabilizar o
paciente, fazendo uma adaptação dos exercícios terrestres à água, enquanto o terapeuta atuava como
um ponto fixo para o movimento realizado pelo paciente.(RUOTI; MORRIS; COLE, 2000).
As condutas foram aprimoradas e aplicadas em pacientes com alterações motoras neurológicas, disfunções
ortopédicas e reumatológicas, por meio da estabilização do tronco e de treino para a deambulação.
deambulação
Andar livremente, caminhar.
Saiba mais
Em 1967, os fisioterapeutas Bridget Davis e Verena Laggat desenvolveram o que hoje conhecemos como
o Método dos Anéis de Bad Ragaz (MABR), combinando as técnicas iniciais criadas em 1930 com as
técnicas de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP), desenvolvida nos anos de 1950 e 1960 por
Kabat e seus assistentes Knott e Voss.
As técnicas de FNP, conhecidas como método Kabat, surgiram como técnicas de terapia manual, em 1946, a
partir de estímulos de receptores pelo pré-estiramento e movimentos tridimensionais, que são realizados em
diagonal e espiral.
Exemplo 1 Exemplo 2
Músculos sinergistas
Conjunto de músculos que, juntos, realizam o mesmo movimento.
Atenção
As técnicas de FNP são geralmente utilizadas para aumentar a amplitude passiva e ativa articulares,
objetivando melhora na função neuromuscular, por meio de movimentos resistidos.
O Método dos Anéis de Bad Ragaz traz os benefícios da FNP para diversos tipos de patologias. Por exemplo:
• Um pós-cirúrgico de articulação do joelho direito pode ser exercitado de forma indireta, solicitando
padrões de movimentos no membro inferior esquerdo, uma vez que, para executar os exercícios do
lado esquerdo, são necessárias contrações isométricas do membro inferior lesionado.
• Também podem ser usadas combinações isotônicas com o paciente em pé na piscina, fazendo a
transferência de peso do membro inferior não comprometido para o comprometido e vice-versa, bem
como oscilando a descarga de peso, a fim de facilitar a marcha o mais precocemente possível, pelo
controle excêntrico do quadríceps.
O método treina a capacidade funcional como um todo, facilitando os movimentos por meio de estímulos
táteis, verbais e proprioceptivos, visando alcançar uma resposta neuromotora.
Pacientes com dificuldades cognitivas podem executar o movimento a partir de estímulos sensoriais, como o
tato; e a propriocepção poderá ser estimulada através de trações e resistência imposta durante o movimento.
Pacientes com dificuldades cognitivas
Aqueles com dificuldade de compreensão sobre os comandos verbais emitidos pelo fisioterapeuta.
Tem por objetivo auxiliar o paciente a ter a consciência do movimento e sua direção, aumentando a
aprendizagem motora e, consequentemente, a força muscular.
Contato manual
Resistência manual imposta pelo fisioterapeuta gera estímulos a receptores do tato e da pressão
(localizados na pele), informando a direção correta durante a execução do movimento. As mãos
devem gerar pressão no sentido oposto ao movimento.
O contato deve ser lumbrical (músculo localizado na palma da mão entre os metacarpos), ou seja, a
pressão é feita pela flexão das articulações metacarpofalangeanas, permitindo adaptar os dedos do
fisioterapeuta à parte corporal que está sendo trabalhada, o que gera maior controle pelo profissional
do movimento, sem causar pressão sobre proeminências ósseas ou áreas de maior sensibilidade.
Comando verbal
O fisioterapeuta fala o que deve ser feito e em que momento. Os comandos devem ser claros e
objetivos, com utilização de palavras compreensíveis para o paciente.
É importante que haja uma coordenação dos movimentos realizados pelo paciente com as mãos e
resistência dada pelo fisioterapeuta, devendo haver sincronia para guiar o início do movimento e fazer
as correções necessárias durante os exercícios.
Para a adequada aplicação da técnica, é importante que o material gere conforto e estabilidade para
o paciente, como a utilização de colar cervical inflável, permitindo um adequado alinhamento da
cabeça e da região cervical, as quais devem ser mantidas acima do nível da água, a fim de que o
paciente possa ouvir e ver o fisioterapeuta, o que facilita a resposta aos comandos verbais.
No método MABR, o fisioterapeuta fica em pé na piscina com o quadril e os joelhos ligeiramente flexionados. A
profundidade deve permitir uma boa base de apoio que sirva de ponto fixo para o paciente e que promova os
deslizamentos na piscina, que são realizados com o paciente em decúbito dorsal, com flutuadores na cervical,
na pelve e no tornozelo, é deslocado na piscina pelo fisioterapeuta.. Além disso, entre as características ideais
para aplicação do método, a piscina deve ter 5,5 m X 2,5 m, com profundidade de 1,20 a 1,30 cm e a
temperatura deve estar entre 31°C a 34°C.
Profundidade
O ideal é que o nível da água, com o fisioterapeuta em pé na piscina, esteja na altura da cintura, não
ultrapassando a região axilar.
Indicações, contraindicações e condições do MABR: cuidados com o
método
O MABR é indicado para os seguintes casos:
Saiba mais
Nas doenças que afetam o Sistema Nervoso Central, como Parkinson, Acidente Vascular Encefálico
(AVE) e traumatismo cranioencefálico, o método gera um excelente resultado no alongamento passivo,
na redução do tônus muscular, na inibição (relaxamento) e no ganho de amplitude de movimento. Além
disso, é benéfico para promover estímulos sensoriais, prevenir contraturas e desenvolver habilidades
funcionais, como a alimentação e a marcha.
No entanto, o método é contraindicado em algumas situações. Afinal, diante dos constantes deslocamentos e
deslizamentos realizados na água, há grande estímulo do sistema vestibular.
Sistema vestibular
Estrutura que funciona como exteroceptor, localizada no ouvido interno e que participa de forma
importante no controle do equilíbrio.
Por isso, o fisioterapeuta deve estar atento a pacientes que apresentem labirintopatia, evitando o risco de
tonturas.
Labirintopatia
Nome genérico dado a problemas tanto com o equilíbrio quanto com a audição.
Isotonicamente Isometricamente
Passivamente
Enquanto o paciente é sustentado em posição horizontal por flutuadores, os membros superiores e inferiores
são utilizados como alavancas, ativando a musculatura do tronco.
Exemplo
Para movimentos da articulação do ombro, inicialmente, o fisioterapeuta pode impor a resistência
manual no cotovelo e, com a progressão do paciente, passar a impor a resistência nas mãos dele. Neste
caso, houve um aumento no torque de resistência.
Método Halliwick
De acordo com a Associação Internacional Halliwick:
O Método Halliwick é uma abordagem para ensinar todas as pessoas com dificuldades físicas e/ou de
aprendizagem a participarem de atividades aquáticas, a se moverem independentemente na água e a
nadarem. Baseia-se na crença dos benefícios que podem advir das atividades aquáticas e estabelece os
fundamentos necessários à sua aprendizagem. Esses benefícios incluem aspectos físicos, pessoais,
recreativos, sociais e terapêuticos. O conceito influenciou as técnicas de hidroterapia e foi desenvolvido
em exercícios terapêuticos específicos.
Inicialmente elaborado como uma técnica de instrução para natação, o método Halliwick foi criado em 1949
por James Mcmilan, mas o principal difusor do conceito foi o fisioterapeuta Johan Lambec. (SACCHELLI;
ACCACIO; RADL, 2007).
James Mcmilan Johan Lambec
O conceito trazido pelo método Halliwick influenciou professores de natação e se expandiu como técnica de
reabilitação. Este método apresenta uma grande variedade de atividades. Afinal, é possível trabalhar de forma
individual ou com um grupo de pacientes. É um diferencial em relação ao Método dos Anéis de Bad Ragaz, em
que os atendimentos sempre têm de ser individuais.
O método Halliwick enfatiza o bem-estar do paciente por estar em um ambiente aquático, ao proporcionar
alegria e prazer na prática das atividades, recebendo o status de “nadador”, buscando controlar o equilíbrio
sem a ajuda de flutuadores e com maior independência na água, com o apoio mínimo e ajustado pelo
fisioterapeuta.
Dica
O uso de boias, flutuadores e macarrões deve ser o mais restrito possível, com o intuito de estimular
maior independência e habilidades. Quando realizadas em grupo e por atividades lúdicas, são gerados
estímulos cognitivos, facilitando a socialização e a comunicação.
Embora desenvolva técnicas que atendam às demandas infantis, o método é indicado para todas as faixas
etárias. Carvalho et al. (2009) verificaram que a abordagem terapêutica por meio do método Halliwick
contribuiu para a melhora do equilíbrio e a redução do risco de queda em mulheres adultas e saudáveis.
Por essa razão, se a intenção for manter o paciente estável, será necessário instrui-lo a não acompanhar o
terapeuta com os olhos, mas a se manter olhando para frente.
Atenção
Os olhos também se correlacionam com o sistema vestibular. Por isso, se o fisioterapeuta estiver
tratando um paciente que tenha movimentos excessivos por alguma lesão encefálica, por exemplo,
deverá fixar os olhos do paciente em um objeto estável. Assim, há estabilidade da cabeça e será
possível o controle da região cervical, que é fundamental para o posterior controle dos ombros, do braço
e do antebraço.
Com a progressão do método, são percebidas melhoras da respiração e do controle do equilíbrio, bem como
uma maior confiança na água. Porém, para alcançar esses resultados, é importante iniciar o emprego do
método Halliwick na proporção de um paciente para um terapeuta, de modo a introduzir a ambientação e a
independência na piscina para posteriormente desenvolver atividades em grupo.
Ajuste mental
Adaptação inicial do paciente quando não existe intimidade com o meio aquático, pois somos
ajustados à gravidade.
Restauração do equilíbrio
Realização de movimentos de grandes amplitudes, principalmente, com os membros superiores, para
manter o controle do equilíbrio em diferentes posturas e durante as rotações na água.
Inibição de movimentos
Controle da postura com o corpo parado na água, ou seja, capacidade de conter movimentos
indesejados.
Facilitação de movimentos
Aqueles mentalmente desejados e fisicamente controlados, não necessariamente movimentos
perfeitos, mas dentro da capacidade do paciente.
Adaptação mental
Trata-se de adaptar o paciente às novas condições, tornando a imersão
na piscina uma experiência agradável. Nesta etapa, o paciente pode
começar a entrar com a cabeça na água, aprendendo a expirar quando
submerso.
Desligamento
Consiste no avanço gradativo da independência do paciente dentro da
piscina, caracterizado pelo distanciamento do fisioterapeuta. Os
desligamentos são relativos ao contato físico, visual e até do próprio
fisioterapeuta.
Empuxo
Está diretamente relacionado à possibilidade de flutuar na água. Nesta
etapa, já não existe o medo de afundar e o paciente deve estar em um
nível avançado de controle da respiração.
Equilíbrio em imobilidade
Trata-se da habilidade de se manter em equilíbrio na superfície da água.
Nesta etapa, é preciso haver controle físico e mental. A partir da
turbulência, os “nadadores” podem ser treinados a fazer pequenos
ajustes posturais. Quando o paciente alcança este domínio, outras
atividades são realizadas com facilidade.
Deslize em turbulência
É o deslizamento do “nadador” baseado na pressão negativa gerada pelo
fisioterapeuta com movimentos das mãos, como, por exemplo, os que
causaram turbulência, fazendo com que o paciente se desloque sem
realizar nenhum movimento de propulsão. Ele deve estar apto a controlar
qualquer tendência de rolar.
A entrada na piscina é um momento que antecede a sessão fisioterápica pelo método Halliwick e faz a ligação
entre a intervenção em meio aquático e o desempenho em solo, reforçando a relação entre ambos. Por isso,
esse momento deve ser aproveitado para estimular a independência funcional da forma mais autônoma
possível.
Recomendação
Mesmo nas situações de maior comprometimento funcional, deve ser estimulada a participação do
paciente, o que pode acontecer por meio de tarefas simples, como puxar o manípulo (parafuso) da
cadeira de transferência ou inclinar o tronco para entrar na piscina.
Quando a piscina não tem cadeira de transferência hidráulica e a pessoa tem alterações no nível da
mobilidade, há necessidade de realizar transferência manual. Para isso, é possível utilizar as estratégias
apresentadas pelo método Halliwick.
Saiba mais
Esse método está alicerçado no entendimento de que praticar atividades na água é prazeroso e que
todas as pessoas, inclusive, as que apresentam algum nível de incapacidade, são aptas a nadar.
A técnica preconiza que não se utilizem flutuadores, o que evita destacar aqueles que não apresentam
controle no ambiente aquático, tornando todos iguais. O encorajamento existe, porém, sem pressão, dando
ênfase às habilidades e não às deficiências.
De acordo com Garcia et al. (2012), os praticantes podem ser divididos em grupos, conforme o nível de
habilidades, da seguinte forma:
Nível verde
As atividades são ensinadas em uma ordem lógica, seguindo os princípios básicos do desenvolvimento
psicomotor.
Para James Mcmillan, criador do método, somos todos nadadores. Basta oportunizar a experiência e ensinar
de forma gradativa, utilizando conceitos de psicomotricidade, biomecânica e hidrodinâmica.
Método Watsu
O Watsu é uma técnica que foi criada nos Estados Unidos, em 1980, por Harold Dull, em Harbin Hot Springs,
na Califórnia.
Originalmente, Dull focou no método como uma prática meditativa e estimulante, enfatizando a “conexão com
o coração”. Ele ensinou o Zen Shiatsu que havia estudado com seu criador, Shizuto Masunaga, no Japão.
Segundo esta filosofia, o alongamento desbloqueia e equilibra a energia que flui pelo corpo. Dull descobriu
que a água morna era o meio ideal para isso e que segurar alguém para fazê-lo flutuar o leva a um nível de
cura além do toque – disso resultou o Watsu.
Zen Shiatsu
Assemelha-se ao Shiatsu, porém, com toques mais sutis, utilizando mais as palmas das mãos do que os
polegares. A técnica está associada a alongamentos dos músculos.
Saiba mais
Watsu é uma combinação da palavra inglesa water (água) com a palavra Shiatsu (terapia oriental para
equilíbrio físico e energético corpo). É considerada uma das três principais técnicas de reabilitação
aquática, ao lado do Método dos Anéis de Bad Ragaz e do método Halliwick. A principal diferença é que
o Watsu busca um profundo relaxamento, conectando-se com a própria respiração, estabelecendo um
ritmo para os movimentos e promovendo a interação do corpo com a mente.
A técnica não foi criada para tratamento de nenhuma patologia específica, mas objetiva a
melhora da qualidade de vida, aliando mente e corpo.
Os movimentos emersos são combinados com massagens e pressões em pontos de acupressão (pressão
exercida com os dedos) com fundamentação no Zen Shiatsu, com base em paradigmas de meridianos
corporais, para equilibrar energias do corpo.
O Watsu remete a uma técnica de interação do corpo com a mente, cuja essência deriva da filosofia oriental.
Seus movimentos rítmicos em espirais e rotacionais, completamente passivos, oferecem a sensação de leveza
e paz ao paciente, desbloqueando canais de energia e conduzindo a um nível profundo de relaxamento.
• O paciente flutua com a ajuda do fisioterapeuta, utilizando movimentos rítmicos e harmoniosos que
favorecem a respiração.
Meridianos corporais
Canais por onde vários tipos de energia percorrem o corpo, segundo a Medicina chinesa tradicional.
- Mobilidade articular.
- Relaxamento muscular.
- Respiração mais profunda e completa.
- Aumento da flexibilidade.
- Redução da dor.
- Sensação de bem-estar.
Com relação aos efeitos fisiológicos, há resposta do sistema nervoso vegetativo, o que aumenta o nível de
endorfina a curto e a médio prazo, melhorando a resposta emocional e a percepção da dor.
Mota et al. (2007) realizaram a análise da variabilidade da frequência cardíaca antes e após a intervenção com
a técnica Watsu e concluíram que o método se mostrou eficiente no equilíbrio dos níveis do sistema nervoso
simpático e parassimpático – um fator importante na redução do nível de estresse.
Relembrando
Segundo Dull, os benefícios permitem transportar o paciente a um estado de relaxamento, alívio da dor e
bem-estar, liberando o corpo e a mente de tensões, o que favorece a criatividade.
• Gestantes.
• Insônia.
• Depressão e estresse.
Oliveira et al. (2019) aplicaram técnicas de Watsu em um idoso com lombalgia, distribuídas em oito sessões,
durante um mês, obtendo respostas altamente satisfatórias no âmbito dos níveis de dor e de qualidade de
vida. Com relação às contraindicações, podemos apontar pacientes em fase pós-cirúrgica recente, com
comprometimentos do sistema vestibular e labirintopatias, insuficiência cardíaca descompensada e distúrbios
psiquiátricos agudos.
1. A sessão inicia com o paciente sentado ou agachado na beira da piscina, encostado na parede ou nos
degraus.
3. Em seguida, conduz suavemente para uma posição de flutuação em decúbito dorsal, chamada de “primeira
posição”.
Saiba mais
Flutuação em decúbito dorsal Nessa posição, o paciente flutua em decúbito dorsal, enquanto o
fisioterapeuta sustenta sua cabeça no braço e mantém a tração suave da coluna desde a base do crânio
(occipital) até a região sacral. São realizados movimentos suaves que usam um arrasto turbulento para
produzir tração e alongar os membros e o tronco.
Após a “primeira posição”, podemos destacar os movimentos básicos do Watsu, que incluem:
1 Dança da respiração na água
Quietude e movimentos suaves coordenados com mudanças para cima e para baixo na
flutuabilidade, enquanto o paciente respira.
2
Oferecer lentamente
Deslocamento suave alternadamente de um lado para o outro, mantendo o suporte pelo
fisioterapeuta na cabeça pela base do crânio (occipital) e na base da coluna (região sacral), para
produzir tração da coluna.
3
Oferecer uma perna
O paciente flutua totalmente relaxado, com a cabeça suportada pelo fisioterapeuta. A perna mais
próxima é tracionada pelo joelho em flexão, enquanto é feito o deslocamento de um lado para o
outro, gerando alongamento de membros inferiores e músculos da coluna vertebral.
4
Oferecer duas pernas
O paciente fica com a cabeça apoiada pelo braço do fisioterapeuta e as duas pernas conduzidas em
flexão de quadril e joelho em direção ao tronco, mantendo o deslocamento suave de um lado para o
outro.
5
Acordeão
Tracionam-se os dois joelhos para perto e para longe do peito em coordenação com a respiração,
enquanto se mantém a tração do pescoço.
6
Acordeão em rotação
Adiciona-se um balanço de um lado para o outro à ação do acordeão, enquanto se movimentam
ambos os joelhos em direção ao peito (neste momento, os joelhos são flexionados) e para longe do
peito (quando se realiza uma gradual extensão dos joelhos), mantendo o apoio do occipital e
permitindo que a cabeça gire mais livremente.
7
Liberando a coluna
Oscilações suaves e ritmadas da coluna de um lado para o outro.
8
Quietude
O paciente flutua totalmente relaxado e suportado pelo fisioterapeuta.
9Rotação da perna próxima
A cabeça do paciente fica apoiada em um braço do fisioterapeuta. O outro braço traciona o joelho da
perna próxima em flexão, na direção do peito e retorna com ligeira extensão, afastando-se do peito.
Neste momento, são realizados movimentos suaves e rítmicos de deslizamento de um lado para o
outro.
10
Rotação da perna distante
Abrir e fechar a perna mais distante do fisioterapeuta em direção e para longe do tórax, a fim de
produzir mobilização da coluna vertebral, rotação da articulação do quadril e dissociação da cintura
pélvica.
Outras posições e técnicas foram desenvolvidas para produzir determinados efeitos e para tratar partes
específicas do corpo. Por exemplo:
Sela completa
A água aquecida, a flutuação, as respirações profundas e o relaxamento muscular associado aos efeitos
psicológicos permitem que o método Watsu gere os seguintes benefícios:
• Redução da dor.
• Conscientização corporal.
• Melhora da postura – pela redução da dor, pelo alongamento e pela conscientização corporal.
Veja alguns exemplos de técnicas básicas utilizadas durante uma sessão de Watsu:
Técnica 1
O método pode ter sua abertura na parede ou nos degraus da piscina,
preparando o paciente para a entrada na água.
Técnica 2
Logo depois, é dado o comando para o paciente se afastar aos poucos
da parede ou da escada, percebendo as ações físicas da água sobre o
corpo.
Técnica 3
Neste momento, o paciente se entrega à água, trabalhando a respiração
enquanto flutua com o auxílio do fisioterapeuta. A mão esquerda é
posicionada na altura do sacro, evitando posicionamento de hiperlordose.
Conteúdo interativo
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Watsu
Bad Ragaz
C
Halliwick
Ai Chi
Zen Shiatsu
Questão 2
III. O método Watsu considera o relaxamento muscular promovido pela água aquecida e os
movimentos corporais, que permitem o alongamento muscular e o aumento da amplitude de
movimento.
Está(ão) correta(s):
Apenas I
I e II
I e III
D
II e III
I, II e III
Seja na terapia aquática ou em solo, o indivíduo assume um papel ativo em seu processo de reabilitação,
participando na definição dos objetivos e realizando as atividades de forma voluntária e consciente.
Os métodos que serão apresentados estão totalmente integrados a este novo paradigma de coautoria do
paciente com o fisioterapeuta, pois o primeiro assume responsabilidades e autocuidados com seu corpo e sua
mente.
Atenção
Existem diversas formas de tratamento e prevenção, conhecidas “terapias alternativas”. No Brasil, o
Ministério da Saúde prefere empregar o termo “terapias complementares”, porque estas devem funcionar
em conjunto com a medicina tradicional, de forma integrativa e não substitutiva (BRASIL, 2006).
Método Ai Chi
O método Ai Chi é uma prática de relaxamento que
associa respiração profunda e movimentos amplos, lentos
e contínuos de membros superiores, inferiores e do tronco.
A partir desta harmonia da respiração com os
movimentos, o praticante desenvolve consciência de seu
corpo no meio aquático.
Originalmente baseado no Tai Chi Chuan e no Qi Gong, este método foi criado por Jun Konno, no Japão, em
1996. É realizado por movimentos suaves e circulares executados com um foco profundamente dirigido para o
interior, em sequências contínuas, feitos com naturalidade e lentidão crescentes, desafiando o equilíbrio.
Saiba mais
Qi Gong Sistema milenar de postura que combina respiração, meditação e movimento, utilizado para fins
de saúde, espiritualidade e treinamento das artes marciais.
Empuxo Viscosidades
Este método tem sido clinicamente comprovado como auxiliar no tratamento da fadiga e do equilíbrio, na
redução da rigidez e da dor. Por exemplo, o estudo realizado por Cunha et al. (2010) sobre desempenho
funcional e qualidade de vida em idosos, com a aplicação de técnicas do Ai Chi, demonstrou uma melhora do
equilíbrio nos indivíduos avaliados e o benefício da socialização e da motivação pela realização dos exercícios
em grupo.
Saiba mais
A palavra Ai em japonês significa “amor” e Chi significa “energia”. Trata-se de uma combinação de
respiração profunda e movimentos lentos realizados em pé na profundidade do peito, com temperatura
entre 30°C e 33°C.
1
Yuan
Movimentos circulares em busca da harmonia interna e externa.
2
Sung
Relaxamento interno e externo, promovendo a circulação sanguínea.
3
Ching
Deixar o corpo sem tensão e sem rigidez.
4
Yun
Movimentos em velocidades determinadas, controlados pela mente.
5
Cheng
Manutenção do equilíbrio e da postura.
6 Shu
Movimentos relaxados e confortáveis.
7
Tsing
Concentração que dirige o pensamento para a mente.
A progressão dos movimentos é feita por técnicas de respiração simples. Passando por
movimentos lentos e amplos dos membros superiores. Associando movimentos do tronco e
dos membros inferiores. E por fim, movimentos que envolvam todo o corpo.
Katas
Conjunto de movimentos de ataque e defesa presentes em diversas artes marciais japonesas.
Técnicas empregadas
Movimentos realizados na execução das técnicas
pelo método
• Pronação e expiração
Contemplando
• Supinação e inspiração
Aceitando com graça Abdução e adução horizontal dos ombros com elevação da perna
Com o domínio da técnica, percebemos movimentos estéticos, amplos e controlados que desenvolvem
consciência corporal, permitindo:
• Relaxamento.
• Alongamento.
Existem muitos recursos terapêuticos indicados para reeducação postural, flexibilidade e condicionamento.
Entre eles, destacamos o método Pilates, que vem crescendo há décadas em todo o mundo, tanto na
reabilitação quanto na prática de atividade física.
O método foi desenvolvido pelo alemão Joseph
Hubertus Pilates, na década de 1920, sendo
atualmente reconhecido como uma técnica que
pode ser utilizada de forma eficaz, tanto para
tratamento, quanto para prevenção de lesões.
O método Pilates prioriza o equilíbrio dos movimentos, para que nenhum grupo muscular fique sobrecarregado
e o corpo execute, de forma mais eficiente, desde as atividades diárias até as práticas desportivas.
Atenção
É necessário termos consciência do próprio corpo durante os movimentos e de como nos movemos no
espaço. Esses movimentos devem ser fluidos e harmônicos; a consciência da respiração e dos músculos
centrais e profundos de nosso corpo precisa ser sempre estimulada.
Equilíbrio central
Concentração
Precisão
Respiração
Inspiração pelo nariz, direcionando o ar para o centro do tronco e expiração pela boca, facilitando a
ativação do centro do corpo.
Fluxo do movimento
Saiba mais
Powerhouse Também conhecida como “casa de força”, é a denominação dada por Joseph Pilates aos
músculos responsáveis pela estabilização estática e dinâmica do corpo que, quando ativados
corretamente, têm a função de estabilizar a coluna. São os músculos da parede anterolateral do abdome
(reto, oblíquos externo e interno, transverso), eretor da espinha e multífidos, glúteos máximo e médio,
além da musculatura do assoalho pélvico.
Para a execução do método, é preciso trabalhar corpo e mente, o que requer estabilização do core,
flexibilidade, força e controle muscular, postura e respiração.
O Pilates é composto por exercícios que abrangem contrações concêntricas, excêntricas e, principalmente,
movimentos estabilizadores, realizados por meio de contrações isométricas, com ênfase no core ou
powerhouse. O método pode ser trabalhado em solo, basicamente nos estúdios com equipamentos
específicos, ou em água, por meio do Aquapilates ou Water Pilates.
Water Pilates
O método Pilates foi introduzido de forma criativa no ambiente aquático em 1996, na Califórnia, pela
profissional da Educação Física Carol Argo. Esta vertente se apresenta em três modalidades:
Recomendação
O método pode ser desenvolvido individual ou coletivamente, mas, no contexto fisioterapêutico de
reabilitação é indicado um atendimento individualizado, direcionado à demanda clínica do paciente. Se
realizado em grupo, deve haver afinidade terapêutica para a conduta escolhida.
O Water Pilates propõe trabalho de força por meio de movimentos controlados a partir da centralização –
afinal, é do centro que se originam todos os movimentos corporais – e por exercícios que devem vencer a
resistência da água e a turbulência, associados aos diversos efeitos terapêuticos proporcionados pela água,
que otimizam os resultados do tratamento.
Saiba mais
A redução da ação da gravidade, com consequente diminuição da sobrecarga articular, já se mostra um
efeito extremamente benéfico para a execução de trabalhos de resistência. Há, ainda, a água aquecida
entre 30 °C e 33 °C, que auxilia na vascularização tecidual, associada à pressão hidrostática, que gera
consequente redução de tensões e dores musculares.
Um elemento chave na prática de Pilates, no solo ou na água, é a respiração, que deve ser realizada
inspirando profundamente pelo nariz e direcionando o ar para as costelas, no centro do corpo, mantendo a
parede abdominal e a coluna estabilizada. A expiração é exalada pela boca, com os lábios franzidos, utilizando
a contração da musculatura abdominal.
A posição do corpo no método Pilates na modalidade aquática é diferente em relação ao Pilates realizado no
solo, porém, o movimento e os músculos ativados são similares.
• Aquecimento e relaxamento
O aquecimento deve ser feito para iniciar a
sessão e o relaxamento para terminar, com
duração aproximada de cinco minutos cada.
Caminhar na água, enquanto se concentra na
respiração do Pilates, é um ótimo exercício de
aquecimento ou relaxamento para o Water
Pilates.
Este é um exercício muito eficaz para músculos dos membros inferiores. Deslizar o macarrão pelo chão com as
pernas retas (joelho estendido) aumenta a força, o equilíbrio e a flexibilidade.
O tronco acompanha o deslocamento da perna. Inspirar ao deslizar a perna para trás e expirar ao puxar a
perna para frente. Podem ser feitas de 10 a 15 repetições para cada perna.
• Movimento de bicicleta
Segurando as pontas de um macarrão, inclinar
para trás até flutuar com o peso do corpo
apoiado nele. Os ombros devem estar bem
posicionados, afastados das orelhas, com a
musculatura abdominal contraída e as pernas
esticadas.
• Prancha na piscina
Dica 1
Utilizar o corrimão da piscina para fixar molas (típicas do método Pilates)
e elásticos.
Dica 2
Realizar exercícios sobre plataformas, facilitando posicionamentos e
posturas.
Dica 3
Usar um círculo mágico (também muito utilizado no Pilates).
Dica 4
Usar halteres, caneleiras aquáticas, macarrão, luvas de neoprene e todos
os demais materiais que possam ser adaptados ao método Pilates na
água.
O método é recomendado para pessoas que apresentem ou não patologias e está intimamente relacionado à
qualidade de vida e ao bem-estar pelos benefícios hormonais, cardiovasculares, de flexibilidade, coordenação
e concentração trazidos pela atividade física associada às filosofias do Método Pilates e aos benefícios das
propriedades físicas da água.
Com a prática do método, espera-se que seja levado para a vida o aprendizado adquirido na
piscina, com domínio do tronco, controle da respiração com movimentos mais harmônicos e
equilibrados, reduzindo tensões e desgastes posturais desnecessários.
Técnica Jahara
Esta é uma técnica de integração corporal realizada em água aquecida, que emprega práticas desenvolvidas
pelo brasileiro Mário Jahara, as quais combinam:
• Consciência corporal.
O desenvolvimento do método iniciou em 1995, quando seu criador foi contratado como um especialista
aquático para um resort no sul da Califórnia, dando origem ao Programa Jahara.
O método surgiu a partir de várias técnicas que Jahara estudou e ensinou, entre as quais se destacam:
• o método Mézières,
Método Mézières
Método de avaliação e tratamento baseado na teoria das cadeias musculares, cujo nome foi inspirado
em sua precursora Françoise Mézières, que apresentou, em 1947, uma visão inovadora sobre a conexão
entre os músculos.
• a técnica de Alexander,
técnica de Alexander
Técnica de reeducação corporal, apresentada entre 1890 e 1900, que se baseia na autopercepção dos
movimentos, com o objetivo de eliminar os reflexos posturais.
• o Zen Shiatsu.
Com ouvidos submersos na água e olhos fechados, espera-se que o praticante entre em um mundo diferente,
livre da ação da gravidade, afastando as fronteiras entre o corpo e a água que o sustenta, dissolvendo
percepções fragmentadas entre o ambiente terrestre e o aquático e alcançando uma consciência de seu
corpo como um todo.
Durante a técnica, a flutuação é auxiliada por um dispositivo flexível, denominado Third Arm. Combinada com
trações suaves, a flutuação promove alongamento da coluna vertebral e trações.
Third Arm
Acessório de flutuação semelhante ao macarrão, de tamanho menor, posicionado na altura dos joelhos.
Atenção
Uma característica que diferencia a técnica Jahara de outras técnicas corporais é que a cabeça do
participante é conduzida e direcionada em alongamento pelo terapeuta e nunca empurrando na direção
dos pés, o que garante a constante expansão (alongamento) da coluna. Outro princípio peculiar do
método é sua lentidão: cada centímetro do movimento é executado com precisão e clareza.
• Diminuir a dor.
• Melhorar a respiração.
• Diminuir a ansiedade.
• Reduzir a fadiga.
O método propõe ainda que o trabalho corporal térmico aquático é uma forma eficaz de mobilizar o “Chi”
(força vital) por meio dos meridianos, uma vez que a água na temperatura corporal oferece um meio ideal para
a liberação de energia.
A prática de Jahara depende dos ciclos de cinco fases (ou cinco elementos) da Medicina chinesa, que se
relacionam com os cinco conceitos:
Adaptabilidade
O método foca nas necessidades individuais de conforto e apoio. O terapeuta torna-se a água enquanto
permanece em um fluxo contínuo. Tornando-se a água, em vez de usá-la, cria invisibilidade. Os balanços
fluidos com múltiplas transições geram a adaptabilidade.
Expansão
Um dos objetivos principais é a expansão da coluna vertebral, empregando alongamentos e massagens
agregados a posições que podem expandir da região cervical até o cóccix.
Invisibilidade
A invisibilidade diz respeito ao terapeuta, que está presente, prestando o apoio (suporte) necessário ao
paciente e, ao mesmo tempo, não é visualizado por quem está sendo tratado, não identificando essa
localização. Assim, deixa de ser um encontro do paciente com o terapeuta e passa a ser um encontro
consigo mesmo.
A partir desses cinco conceitos, o terapeuta seleciona as técnicas a serem utilizadas durante a sessão.
Saiba mais
Existe, também, o Jahara baby: um trabalho de integração corporal realizado em água morna, que
promove alinhamento corporal e relaxamento, permitindo cuidar, ainda, do pai ou da mãe que está com o
bebê, o que possibilita à criança descobrir este contato com a água e desfrutar dele de forma agradável.
A piscina deve estar com a água na temperatura corporal e a profundidade deve ser na altura do esterno,
permitindo o deslocamento do responsável com o bebê na água de modo equilibrado.
Resumindo
O programa Jahara busca levar a consciência sobre a saúde e o bem-estar de pessoas de todas as
idades, com ou sem deficiência, sendo indicado para todas as faixas etárias, desde idosos até bebês. As
sessões podem ser individualizadas ou em grupo.
Water dance
Abreviatura do alemão “WasserTanzen”,
também chamado de WATA, este método foi
criado, em 1987, pelo psicólogo Peter Schröter
e pela psicoterapeuta Arjana Brunschwiler –
ambos de origem suíça.
Clipe nasal.
À medida que o tratamento progride, a respiração é naturalmente retida por períodos cada vez mais longos,
respeitando o ritmo respiratório individual para as sequências dos movimentos subaquáticos e de superfície.
Primeiro, o indivíduo que recebe a sessão é trazido à superfície da água. Depois, é embalado, alongado e
massageado, o que acaba por agir em tensões psíquicas e bloqueios de origens emocionais e psicológicas.
Naturalmente, os movimentos ficam mais fluidos na água, criando uma forma de dança subaquática.
Comentário
Pode ocorrer um estado modificado de consciência com sensação de relaxamento profundo, resultando,
com frequência, em sensações de prazer e alegria.
O método foi criado a partir da associação de diversas influências, como movimentos do Aikido, a leveza e a
agilidade do balé clássico, bem como a liberdade dos movimentos ondulatórios realizados pelos golfinhos.
O receptor é segurado como se não o fosse desde a infância. Neste momento, ocorre uma conexão natural de
coração para coração e, muitas vezes, velhas feridas ou traumas dos primeiros tempos podem ser curados de
uma forma muito simples e amorosa. De acordo com a criadora do método, o efeito de vínculo e cura não
acontece apenas para o receptor, mas também para o doador (terapeuta).
Quem recebe a técnica costuma falar sobre a sensação de fusão com a água, descrevendo que esta e ele
próprio se tornam um só com tudo o que os rodeia. É como se houvesse uma expansão do corpo físico, que se
transforma em pura energia.
Aikido
Arte marcial japonesa
Saiba mais
O método tem uma correlação estreita com Harbin Hot Springs: um local de águas termais e centro de
oficinas em Harbin Springs, norte da Califórnia, considerado o berço do método Watsu.
WATA WATA I
Nele, sempre se explora o significado da respiração, praticando exercícios simples em terra, abordando o
aspecto espiritual por diferentes técnicas de meditação e expandindo o repertório de técnicas utilizadas na
água.
Todo método praticado na água apresenta contraindicações e condições que requerem cuidado, tais como:
• Confusão ou desorientação.
• Comprometimentos respiratórios.
• Hipertensão.
• Gestantes.
Quanto aos benefícios potenciais para a saúde oriundos da prática de Water Dance, podemos destacar:
• A redução do peso corporal proporcionada pelo empuxo – que diminui a pressão nas articulações e nos
músculos, criando a sensação de leveza.
• Os movimentos empregados pela técnica e a temperatura aquecida da água – que reduzem o tônus
muscular e os hormônios relacionados ao estresse.
Healing Dance
Também chamada de “dança da cura”, esta técnica de terapia holística foi criada, em 1993, pelo bailarino e
coreógrafo americano Alexander George, que integrou elementos do Watsu, do Water Dance e da dança com
movimentos mais fortes e rítmicos.
Terapia holística
Segundo o holismo, o corpo é um organismo interligado e não deve ser entendido de forma fragmentada.
Saiba mais
Water Dance Enquanto o Watsu e o Healing Dance se desenvolvem na superfície da água, o Water Dance
desenvolve-se abaixo da superfície da água.
1990
George estudou o Watsu com seu fundador, Harold Dull, sendo influenciado por sua formação
profissional em balé e pelo Trager Work. Assim, agregou a todo esse conhecimento a percepção de
como o corpo e a água interagem no movimento.
1993
George estudou, ainda, Water Dance com Arjana Brunschwiler, trazendo uma nova amplitude e
tridimensionalidade a seus movimentos experimentais. Disso resultou o Healing Dance, que trouxe o
potencial terapêutico da graça e a leveza dos movimentos na água.
Saiba mais
Trager Work Desenvolvido pelo médico americano Milton Trager, este método se destina a melhorar a
integração entre o corpo e a mente, com o objetivo de libertar padrões físicos e mentais arraigados,
facilitando o relaxamento profundo, o aumento da mobilidade e a clareza mental.
A filosofia norteadora é entender o movimento como o “remédio” que ativa o processo de cura por meio da
“dança recebida”. Os movimentos corporais se misturam com o próprio fluxo da água. Trata-se de técnicas
amplas, de trações e deslocamentos corporais conduzidos literalmente como uma dança pelo terapeuta.
Esses movimentos repercutem, de forma positiva, nos bloqueios físicos e emocionais a partir das sensações
produzidas de liberdade e segurança.
A técnica segue as tendências naturais do
corpo: o participante se move na água em uma
variedade de ondas, círculos e figuras de oito
com as pernas livres, o que lhe permite
experimentar as sensações geradas pela
fluidez da água.
A grande variedade de técnicas reflete como a água e o corpo se movem naturalmente juntos por meio de
movimentos amplos e dinâmicos, associados a movimentos mais sutis e sensíveis.
Embora visualmente a técnica pareça complexa, o ensino do método é gradativo, como, por exemplo, ensinar,
inicialmente, o deslocamento lateral de peso, com o paciente sustentado pelo terapeuta na superfície da água
em decúbito dorsal, deslocado de um lado para o outro no sentido craniocaudal.
2. Healing Dance I
3. Healing Dance II
Nesta última, o praticante fica com a cabeça submersa na água por determinado tempo e realiza certos
movimentos, podendo recorrer ao uso do clipe nasal – aquele utilizado pelos praticantes de nado
sincronizado. Sem o uso do clipe, a água entraria no nariz e o praticante teria dificuldade em relaxar, fazendo
apneia, o que geraria tensão nos músculos do pescoço, como o trapézio.
Atenção
O método Healing Dance consiste em 10 treinamentos. Em sete deles, são ensinadas técnicas em que o
praticante (paciente) permanece na superfície da água, enquanto as três etapas restantes são
subaquáticas, apresentando uma variedade de submersões.
• Redução da ansiedade
Aquadinamic
É um método criado pelo fisioterapeuta brasileiro Marcelo Roque, que se envolveu com terapias aquáticas
desde 1996, quando se formou e se especializou em piscina terapêutica. Ao longo de sua formação como
fisioterapeuta aquático, Roque desenvolveu conhecimentos de biomecânica, Aikido, capoeira, Yoga, Shiatsu,
dança, reeducação postural, Reiki e, ainda, diversas técnicas aquáticas, o que contribuiu para a criação do
Aquadinamic.
Este método não teve a pretensão de ser uma técnica totalmente inovadora, mas sim de trazer
um adequado complemento às demais técnicas. Trata-se de uma ferramenta que pode
apresentar variações quando o atendimento é monótono.
O método se preocupa com o trabalho corporal do próprio terapeuta, uma vez que é bidirecional, gerando
resultado em ambos: cliente e terapeuta.
Atenção
O termo cliente é utilizado porque quem recebe a técnica é um agente participativo do processo
terapêutico, que, por meio de seu feedback, auxilia no direcionamento da terapia, não se portando
passivamente, o que poderia caracterizá-lo como paciente ou apenas agente recebedor do trabalho.
É necessário que o terapeuta esteja totalmente presente e concentrado para que o método seja executado
confortavelmente e da forma correta para ambos.
Como terapia aquática passiva, o Aquadinamic
incorpora meditação e liberação corporal,
equilibrando o tônus muscular e desbloqueando
regiões corporais com tendência a contrair-se
de forma patológica ou disfuncional.
Fáscias
Modalidade de tecido conjuntivo que reveste os músculos, interligando-os.
1. Meditação - O estado meditativo em que entramos quando este método é praticado pode ser comparado a
diversos trabalhos de meditação, como a Yoga, o Tai Chi e a meditação dinâmica.
2. Ocidental X Oriental - Existe uma diferença na visão ocidental e oriental no que se refere à cura.
Ocidente Oriente
O que se busca alcançar é viver em plenitude, tratar o indivíduo e não a doença. Essa busca é o que leva a um
bem-estar físico e mental, não permitindo a instalação da doença.
Resumindo
No Aquadinamic, não se trabalha com foco na doença e sim no que pode ser feito para melhorar, a fim
de dar movimento e energia ao corpo, bem como de despertar o sistema imunológico.
No contato com o cliente, deve haver uma preocupação constante com a posição da cabeça de quem está
recebendo a técnica, para evitar manutenção prolongada da mesma posição, o que gera sobrecarga na
musculatura da região cervical. Assim, devem-se alternar as empunhaduras periodicamente com leveza e
agilidade, utilizando a região tenar e hipotênar para dar suporte às partes do corpo, evitando o toque com as
pontas dos dedos.
Tenar e hipotênar
TenarRegião da palma da mão na qual se localizam os músculos que movimentam o primeiro dedo
(polegar). HipotênarRegião da palma da mão na qual se localizam os músculos que movimentam o quinto
dedo (dedo mínimo).
Atenção
Os movimentos no Aquadinamic lembram posturas de Tai Chi e capoeira. Seus estados meditativos e
conscientes da respiração são muito parecidos com os movimentos dessas artes.
Os movimentos são iniciados nos membros inferiores do cliente. Irradiados para o tronco e para os braços,
trabalhando sempre que possível com a força das pernas, que é maior que a força dos membros superiores.
O Aquadinamic substitui movimentos lentos por movimentos mais rápidos e dinâmicos, como
ocorre no Watsu, por exemplo.
Ao final do atendimento, os praticantes relatam estar com a respiração mais ampla e agradável, assim como
aumentada a percepção dos cinco sentidos. Os benefícios esperados pela técnica estão relacionados com os
sistemas respiratório, articular e muscular, a redução da fadiga, o desenvolvimento da consciência corporal e
o equilíbrio energético.
• As luminárias submersas com controle remoto – que podem trabalhar a cromoterapia no atendimento.
Podemos citar, ainda, equipamentos e acessórios que proporcionam a sensação de nadar sem sair do lugar,
transformando a piscina em uma verdadeira “esteira aquática”, por meio, por exemplo, de uma bomba
geradora de correnteza, que simula correntes naturais.
Todas essas inovações tecnológicas agregam valor ao atendimento, facilitam e aperfeiçoam a aplicação das
técnicas. É possível acrescentar modalidades diversas empregadas, como:
• Acquacontrol
• Acquafasciaterapia
Comentário
Essas modalidades surgem como forma de desdobramento e aprimoramento dos resultados e das
eficácias dos métodos já existentes ou como técnicas autônomas, sempre visando a um atendimento
mais eficaz.
Todas essas técnicas, esses métodos e variantes estudados podem ser aplicados na fisioterapia aquática,
considerada pela Resolução nº 443/2014 do COFFITO como a utilização da água nos diversos ambientes e
contextos, em qualquer de seus estados físicos, para fins de atuação do fisioterapeuta nos seguintes âmbitos:
COFFITO
Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Autarquia federal criada em 1975, que
estabelece normas e exerce o controle ético, científico e social das profissões de fisioterapeuta e
terapeuta ocupacional.
Hidroterapia
Hidrocinesioterapia
Cinesioterapia na água.
Balneoterapia
Crenoterapia
Cromoterapia
Termalismo
Duchas
Quentes ou frias.
Compressas
Quentes ou frias.
Vaporização/inalação
Talassoterapia
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Verificando o aprendizado
Questão 1
As técnicas desenvolvidas pelo brasileiro Mário Jahara têm como características principais:
Questão 2
Ai Chi
Watsu
Water Dance
Jahara
Healing Dance
Considerações finais
Os objetivos e alcances terapêuticos são diferentes para cada modalidade de intervenção. Como vimos,
podemos ter uma melhor indicação do Método dos Anéis de Bad Ragaz (MABR) para adultos neurológicos, do
Watsu para relaxamento e da técnica Jahara para trabalhar a consciência corporal e o relaxamento profundo.
Percebemos, também, que integrar os conhecimentos milenares trazidos pela Medicina chinesa e todas as
demais filosofias orientais pode ser uma excelente opção que agrega valor aos atendimentos tradicionais.
A associação de técnicas que promovem relaxamento atua de forma positiva nas tensões musculares e é uma
ótima aliada quando objetivamos alongamento e ganho de flexibilidade. Nesse contexto, é importante verificar
a temperatura da água mais indicada para o método, a profundidade e as habilidades específicas de
manuseio.
Este é o profissional que pretendemos formar, ou seja, aquele que executa com maestria seu
valioso ofício: “o poder da cura”.
Podcast
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Fala, mestre!
Exercicíos utilizados nas patologias e disfunções
Neste vídeo, a professora Adriana Marinho, fisioterapeuta e mestre em ciências morfológicas, apresenta uma
série de exercícios de fortalecimento que podem ser realizados na água. Ela discute a importância da entrada
adequada do paciente na piscina e demonstra diversos exercícios aquáticos, como caminhada para frente e
para trás, marcha, abdução e adução de membros inferiores, uso do step para flexão de quadril, joelho e
tornozelo, e exercícios na barra. Adriana também mostra como utilizar equipamentos como nadadeiras e
alteres para aumentar a resistência e o trabalho muscular. Além disso, ela explica a importância de circuitos
para melhorar agilidade e equilíbrio, destacando as vantagens do ambiente aquático para a cinesioterapia. A
professora enfatiza a aplicação de conhecimentos de anatomia, fisiologia e biomecânica nas atividades
terapêuticas aquáticas.
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Para saber mais sobre os métodos de fisioterapia aquática, pesquise e acesse os seguintes portais:
• WATA – Waterdance
• Aquadinamic – AcquaBrasil
Referências
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vida e dor de pacientes com lombalgia. v. 17, n. 4. In: Cinergis. Santa Cruz do Sul, 2016.
CARVALHO, R. G. S. et al. Melhora do equilíbrio e da redução do risco de queda através do método Halliwick
em um grupo de mulheres. v. 10, n. 6. In: Fisioterapia Brasil, 2009.
CUNHA, M. C. B. et al. Ai Chi: efeitos do relaxamento aquático no desempenho funcional e qualidade de vida
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GARCIA, M. K. et al. Conceito Halliwick: inclusão e participação através das atividades aquáticas funcionais. v.
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OLIVEIRA, E. M. et al. Tópicos especiais em fisioterapia aquática. Recife: Centro de Estudo e Pesquisa Rogério
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RUOTI, R. G.; MORRIS, D. M.; COLE, A. J. Reabilitação aquática. São Paulo: Manole, 2000.
SACCHELLI, T.; ACCACIO, L. M. P.; RADL, A. L. M. Fisioterapia aquática. 1. ed. Barueri: Manole, 2007.