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Bates

O artigo analisa a trajetória de Henry Walter Bates, um naturalista que explorou a Amazônia entre 1848 e 1859, focando no processo de transferência das informações que ele produziu durante seus anos de pesquisa. A pesquisa revela que as obras de Bates foram amplamente circuladas e continuam a influenciar o conhecimento acadêmico sobre a Amazônia em diversas disciplinas. O estudo destaca a importância da informação como um elemento fundamental na produção de conhecimento científico e na história natural da região.

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O artigo analisa a trajetória de Henry Walter Bates, um naturalista que explorou a Amazônia entre 1848 e 1859, focando no processo de transferência das informações que ele produziu durante seus anos de pesquisa. A pesquisa revela que as obras de Bates foram amplamente circuladas e continuam a influenciar o conhecimento acadêmico sobre a Amazônia em diversas disciplinas. O estudo destaca a importância da informação como um elemento fundamental na produção de conhecimento científico e na história natural da região.

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Henry Walter Bates: Um viajante naturalista na


Amazônia e o processo de transferência da informação
   *

Resumo ● A partir do século XVII iniciou-se na Amazônia toda uma movimentação de viajantes/naturalistas
atraídos pela biossociodiversidade dessa região dominada por uma floresta do tipo tropical. Henry Bates,
estudioso de história natural, foi um deles, tendo, porém, se deslocado para o norte do Brasil entre os anos
de 1848 e 1859. Nesse contexto, o presente artigo tem como objetivo analisar o processo de transferência
das informações produzidas por esse viajante naturalista após onze anos de trabalho de campo. A partir do
material bibliográfico reunido para esse fim, verificou-se que tal processo foi bem-sucedido, como evidencia
a ampla circulação das obras publicadas por Bates. E, transcorridos 156 anos dessa expedição, a produção
científica de Bates continua a participar do circuito acadêmico de produção de conhecimento sobre a
Amazônia na contemporaneidade, qual seja, no campo da biologia, da zoologia, da sociologia, da história
ou da antropologia.
Palavras-chave ● Henry Walter Bates, transferência da informação, Amazônia.

Title ● Henry Walter Bates: A naturalist Traveler in the Amazon, and the Process of Information Transference
Abstract ● From the 17th century on, in the Amazon, there happened a drive of naturalists/travelers, who
were attracted by the bio-social-diversity of this region occupied by a rain forest. Henry Bates, who
dedicated himself to Natural History, was one of them, but he moved to the north of Brazil between 1848
and 1859. In this context, this paper aims at analyzing the process of the transference of the information
produced by this naturalist traveler after eleven years of practical work. From the biographical material that
was gathered, it was discovered that such process did succeed, as shown by the wide circulation of works
published by Bates. And after 156 years after his expedition, Bates’s scientific output is still present in the
academic circuit for the production of knowledge of the Amazon nowadays: in the fields of biology,
zoology, sociology, history of anthropology.
Keywords ● Henry Walter Bates; information transference; Amazon.

.  diferentes domínios do saber, no sentido de com-


preender seus mecanismos de produção, proces-
As palavras informação e Amazônia são de gran- samento, transferência e uso. A Amazônia, por sua
de ressonância no mundo contemporâneo. Mas, vez, tem despertado o interesse de homens ligados
enquanto a primeira se destaca por seu caráter à ciência desde as primeiras décadas do século
fenomenológico, a segunda chama a atenção por XVIII, quando europeus como La Condamine cru-
sua biossociodiversidade. Contudo, só mais recen- zaram o Atlântico para conhecer a geografia, a flo-
temente a informação tem atraído estudiosos de ra, a fauna e os modos de ser e de viver dos povos
da América do Sul, em particular na floresta cujo
nome lembra as mitológicas mulheres guerreiras
que Carvajal (BELLUZO, 1994; PAPAVERO et al., 2002)
alegara ter visto em sua viagem ao norte do Brasil,
Data de recebimento: 09/02/2004. no ano de 1542.
Data de aceitação: 27/02/2004.
* [Link]. em Planejamento do Desenvolvimento pelo Núcleo de
Do contato com uma realidade que se mostra-
Altos Estudos Amazônicos (NAEA-UFPA), com área de va nova ao olhar europeu, foram produzidas infor-
concentração em políticas públicas. Bibliotecário da Universi-
dade Federal do Pará (campus Bragança). Vice-líder do Grupo
mações de toda ordem, que, disseminadas no Velho
de Pesquisa “Representação e Transferência da Informação”, Mundo, acabaram por inspirar uma sucessão de
com a linha de pesquisa “Informação Iconográfica na
Amazônia – Séculos XVIII e XIX”.
outras expedições à Amazônia. As peculiarida-
E-mail: rubenspa@[Link]. des de sua floresta tropical – que abriga espécies
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de mamíferos, aves, répteis, peixes, insetos, plantas .      


e povos nativos cuja sobrevivência depende desses 
recursos – alimentaram representações paradoxais
sobre a vida nessa parte do Brasil. Exuberância O fato de que desde as suas origens o homem ne-
natural e atraso socioeconômico, povos exóticos cessita permanentemente de informação para agir
e inferioridade cultural foram algumas entre as cotidianamente no mundo faz dela um recurso
tantas impressões ambivalentes que os viajantes/ de capital importância para a humanidade. Seu
naturalistas levaram de suas passagens pela Ama- consumo diário, e por isso similar a certas neces-
zônia para a Europa, desde que ela foi “descoberta” sidades vitais, acaba por mascará-la no pragma-
nas primeiras décadas do século XVI. tismo da vida diária, tornando sua troca social
Um misto de espírito aventureiro e curiosidade quase que completamente imperceptível2. Desse
científica motivou expedições como a de Spix modo, o que se quer dizer nessa direção é que o
(1781-1826), Martius (1794-1868), Spruce (1817- homem – seja aquele inserido em sociedades sim-
1893) e Wallace (1823-1913), num país até então ples ou em complexas – troca informações com a
carente de quaisquer informações sobre seus recur- mesma mecanicidade com a qual come e/ou respi-
sos humanos e naturais. Diante desse contexto, ra, sem que necessariamente ele tenha a consciên-
como o próprio título sugere, interessa neste arti- cia dessa prática. Notadamente essas considerações
go analisar o processo de transferência das infor- servem para mostrar que, antes de despontar como
mações produzidas pelo naturalista inglês Henry objeto de estudo na segunda metade do século
Walter Bates (1824-1892), durante seus onze anos XX3, a informação ocupava uma dimensão comum
de trabalho de campo1 na Amazônia. Processo na vida humana. Foram sobretudo as inovações
este que não dispunha das inovações tecnológicas tecnológicas nas comunicações alavancadas após
já absorvidas pela comunidade científica para o a Segunda Guerra Mundial que fizeram que ela
intercâmbio de informações na contemporanei- viesse a transpor esse nível comum para o status de
dade. Esse fato notadamente, eliminou barreiras recurso estratégico de desenvolvimento não só para
temporais e espaciais que limitavam a circulação as nações, como também para o homem em seu
das evidências e das descobertas no campo das ciên- potencial criativo e intelectual.
cias humanas e naturais, até a segunda metade do Se, contudo, na dimensão mais simples do coti-
século XX. diano o acesso/uso da informação não exige uma
Estruturalmente o artigo está organizado em ação mais sistemática, isso não se dá no campo da
quatro partes. Na primeira, faz-se uma discussão ciência, uma vez que é nele que se realiza a produção
acerca da informação e do seu processo de transfe- de conhecimento científico e tecno-lógico. Nesse
rência na comunidade científica. Posteriormente, ponto, tanto a coleta quanto a análise e o uso das
um breve apanhado sobre Bates e sua viagem é informações, reunidas no sentido de testar a aplica-
apresentado como forma de expor ao leitor o bilidade das hipóteses propostas para um deter-
sujeito sobre o qual se fala, bem como o seu itine- minado problema de pesquisa, envolvem uma
rário marcado por esplendores, perigos e desen- conduta metódica, haja vista que o pesquisador
cantos em solo amazônico. Do exposto, na parte orienta essas atividades em direção à produção
terceira, procede-se à análise propriamente dita de novos conhecimentos sobre a realidade inves-
do processo de transferência das informações tigada. Desse modo, o cientista/pesquisador tem
produzidas em campo por esse viajante inglês. A – ou deveria ter –, ao longo desse processo, a cons-
quarta parte, por sua vez, constitui-se de consi- ciência plena da importância da informação como
derações finais quanto ao olhar lançado sobre tal matéria-prima que ele processa em seu ofício.
processo, com enfoque na contribuição de Bates É dentro desse quadro de referência que a infor-
para a história natural, e cujo trabalho permane- mação pode ser entendida como um elemento
ce como uma referência para os estudos centrados estruturador de conhecimento, seja ele de nature-
na biossociodiversidade da Amazônia. za empírica, filosófica, teológica, seja de natureza
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científica. Ela, por sua vez, estrutura-se a partir de se desenvolvendo, expandindo-se conseqüente-
signos lingüísticos cognitivamente processados de mente em número de pesquisas. Assim, por trás
modo que formem sentido sobre aquilo que o dessa expansão opera todo um processo de transfe-
homem vê, sente e pensa, sendo então transferida rência, o qual está permanentemente a alimentar
por meio da ação comunicativa. Dado o seu caráter a comunidade científica. Tal processo corresponde
imaterial, a informação pode ser representada de à ação concreta de socialização da informação,
formas diversificadas, tais como som, imagem e podendo envolver um ou mais canais de comuni-
texto. Essa última, aliás, é a preferida pela comuni- cação. Esses canais podem ser tanto uma conferên-
dade científica, uma vez que a socialização dos resul- cia quanto um artigo, um e-mail ou um capítulo
tados das pesquisas dá-se mais amplamente por de livro. Desse modo, na Figura 1 tem-se um mode-
meio de artigos de periódicos e livros. Ademais, con- lo explicativo acerca desse processo no âmbito
forme Price (1975), as informações resultantes da científico.
atividade científica só são incorporadas aos esto- A idéia de processo como ação contínua está
ques de conhecimento depois de publicadas e bem representada na Figura 1. Nota-se por ela que
julgadas como relevantes pelos demais cientistas para o cientista participa desse processo em duas ins-
a produção de novos conhecimentos. tâncias. Numa primeira, ele se alimenta da trans-
A partir do século XVII, a troca de informa- ferência da informação para pôr em curso seu
ção entre cientistas ganhou uma inovação com a empreendimento científico. Noutra instância, ele
publicação dos primeiros periódicos científicos4. passa a alimentá-la quando os resultados de sua
Por volta de 1850, já existiam cerca de mil títulos pesquisa são comunicados, legitimados pelos seus
em circulação, que em cem anos aumentaram dez pares e incorporados aos estoques de conhecimen-
vezes em número (FIGUEIREDO, 1979). Como se vê, to científico, passando então a fazer parte desse pro-
o volume de informações produzidas no campo cesso como um sujeito ativo. É esse continuum que
científico se multiplicou à medida que a ciência foi garante a “oxigenação” da ciência, contribuindo

Figura 1. O processo de transferência da informação em seu continuum.


Fonte: FERREIRA (2003).
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assim para que o conhecimento científico não seja pioneiras nessa parte do Brasil (CUNHA, 1991;
puramente cumulativo e, por isso, estanque. Mas LORCH, 2000; PEREIRA, 2003). Henry Walter Bates
que seja renovado e se transforme à medida que chegou em 1848, aportando na cidade de Belém
novos repertórios informacionais sejam agregados no dia 26 de maio, em companhia de seu amigo
a ele. Prova disso são os estágios contemporâneos Alfred Wallace (BATES, 1863, v. 1; CUNHA, 1991)6.
das ciências humanas e naturais em seus arcabou- Reunir informações em direção ao aprofunda-
ços teóricos, notadamente bem mais desenvolvidos mento da teoria das espécies desenvolvida por
que nos primórdios dos séculos XVII e XVIII. Darwin era o norte que orientava o interesse desse
Embora o processo de transferência da infor- inglês, que desde a infância inclinava-se pela histó-
mação seja uma atividade seminal para a ciência, ria natural. Essa motivação permite situar a viagem
Figueiredo (1979) explica que ele não é de todo de Bates no contexto das “expedições científicas”
perfeito, como pode sugerir a simplicidade da no Brasil, que buscavam especialmente contribuir
Figura 1. Decerto ele está sujeito a ruídos e interfe- para a ampliação do conhecimento em determi-
rências variadas, tal como ocorre em qualquer nadas ramificações da ciência. Bates, nessa pers-
contexto comunicativo e que por isso são fáceis de pectiva, interessava-se pela entomologia.
ser enumeradas. Problemas relacionados a lingua- Expedições dessa ordem tornaram-se possíveis
gem5, cultura informacional negativa em insti- aos viajantes não-portugueses com o casamento
tuições de pesquisa, etnocentrismo científico, de D. Pedro I com a imperatriz Leopoldina. Antes
escassez de recursos para publicações, hermetismos dessa união matrimonial, negociada entre D. João
acadêmicos e falta de estímulos governamentais VI e o imperador da Áustria, Francisco I (NORTON,
seriam algumas das perturbações às quais a trans- 1938; CUNHA, 1991), a entrada de estrangeiros era
ferência da informação estaria sujeita. Entraves proibida, para assegurar a integridade da posse de
temporais e espaciais também participam desse Portugal sobre a colônia sul-americana. Exemplo
quadro de interferências, ainda que no advento de disso foi a recusa quanto à entrada de Alexander
uma sociedade que Masuda (1982), dentre outros Humboldt na Amazônia, em meados do século
autores do pós-modernismo, interpreta como “da XVIII (CUNHA, 1991; BELLUZO, 1994), em razão dos
informação”, tenham sido minimizadas com a intro- embates políticos que ocorriam na Europa entre o
dução de redes de comunicação como a Internet. reino da França e a metrópole lusitana. A mudan-
Certamente eram várias as dificuldades enfren- ça de Leopoldina para o Brasil inaugurou, assim,
tadas pelos viajantes/naturalistas, em especial se um período de produção de informações de caráter
levado em conta que a comunicação interconti- científico, num país sobre o qual pouco se conhe-
nental dependia exclusivamente da via marítima e cia quanto aos seus recursos naturais e suas popu-
a coleta de dados na densa floresta tropical envol- lações nativas. Com Bates e Wallace, a viagem a
via todo tipo de perigos. Mas, como se verá adian- Amazônia seria facilitada pelas relações comer-
te, isso não impediu que Henry Bates transferisse ciais de longa data entre Portugal e Inglaterra.
as informações originadas de seu estudo sobre a Inicialmente Bates deteve-se a alguns levanta-
Amazônia à comunidade científica européia. mentos exploratórios na floresta em torno da
capital paraense, mais precisamente no largo de
.  ⁄, Nazareth, onde ficava a residência que o abrigou
 ,   durante sua estada em Belém. Àquela época, a
 cidade era ocupada por uma população de 3.200
habitantes e circundada por uma mata que, como
Desde 1542, muitos foram os europeus que traçaram ele bem descrevera, era “um paraíso para os natu-
rotas de viagem à Amazônia. Mauricio de Heriarte, ralistas, e se é contemplativo não há situação mais
Charles La Condamine, Carl Friedrich von Martius, favorável para abandonar-se a esse pendor” (BATES,
Johann von Spix, Johann Natterer e Richard Spruce 1944, v. 1, p. 84). Os insetos amazônicos o fascina-
são nomes ilustrativos das explorações científicas vam, sobretudo por sua diversidade e tamanho.
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A tocandira (Dinoponera grandis), uma formiga eram perfeitamente capazes de cortar ao meio a
carnívora comum na região, chamara a atenção perna de um homem.
de Bates por suas dimensões superiores às das
formigas inglesas. Por conseguinte, esses contatos Mas, se, por um lado, a natureza oferecia aven-
iniciais com uma fauna ímpar certamente alimen- turas desse tipo ao viajante/naturalista inglês, por
tavam as expectativas desse viajante quanto ao que outro, ela também o abatia no corpo.
ele ainda poderia observar na Amazônia. Na Amazônia do século XIX, a febre amarela
Em comparação ao que lera sobre a fauna do era uma moléstia que assustava o homem europeu.
continente africano, Bates notara que a vida ani- Bates, em suas idas ao campo, não escapou dela,
mal na floresta tropical brasileira era menos fato que notadamente acabou por interferir na
expressiva em número e variedade de mamíferos. continuidade do trabalho que pretendia esten-
Sobre essa evidência, comentara o viajante euro- der até as cidades de Pebas e Moibamba, ambas
peu que “O Brasil é, entretanto, pobre em mamais situadas no Peru. Não só a febre o abatera, como
terrestres (...) Ficaria desapontado quem esperas- também o esgotamento físico resultante da labu-
se encontrar aqui bandos de animais comparáveis ta intensa numa região de clima tropical, tal como
às manadas de búfalos, hordas de pesados paqui- deixa transparecer nesse relato:
dermes de África do Sul” (BATES, 1944, v. 1, p. 106).
O silêncio da floresta contrariara a multiplicidade Minha febre parecia ser a culminância da dete-
de sons que ele esperava ouvir, sendo às vezes rioração da saúde, que se vinha processando
tocado por sentimentos de solidão e melancolia há alguns anos. Expusera-me demais ao sol,
em meio à mata. Mas era à medida que se distan- trabalhara além de minhas forças seis dias por
ciava de Belém, percorrendo o interior do Pará e semana, além de tudo, sofrera muito com a
do Amazonas, que os perigos começavam a pôr alimentação má e insuficiente (...) (BATES, 1944,
ânimo em sua expedição, que em seu trajeto pas- v. 2, p. 390)
sara pelo Rio Tocantins, Cametá, Santarém, por
Óbidos e por Éga, essa última, aliás, conhecida Ao que tudo indica, as incursões intensas de
contemporaneamente como Tefé (AM). europeus na Amazônia afetavam sobremaneira a
Às proximidades de Éga, ele e os homens que saúde dos viajantes, a exemplo do que ocorrera
o acompanhavam depararam com uma sucuri também com Langsdorff e Agassiz (CUNHA, 1991)7.
(Eunectes murinus) e um jacaré-açu (Melanosuchus Nessa direção, após viver anos no norte do Brasil
niger). Sobre o encontro com este último animal, e debilitado, Bates decidiu regressar à Inglaterra
Bates (1944, v. 2, p. 253) descrevera que em 2 de junho 1859.

o objetivo [da excursão] era encontrar tartaru- .     


gas nos lagos da floresta (...) Depois que a rede 
estava arrumada em círculo e os homens haviam
mergulhado, viu-se que havia um jacaré preso Bates não pôs em circulação imediata as infor-
nas malhas da rede. Não houve pânico – apenas mações que produziu em campo. Seu estado de
receio de que o bicho a rasgasse (...) Um índio saúde e a falta de recursos foram fatores que certa-
miranha perdeu o equilíbrio e ninguém mais con- mente interferiram nesse projeto. Transcorridos três
seguiu parar de rir e gritar. Finalmente, atenden- anos do regresso do naturalista à Inglaterra, ele
do as instruções que dei da margem, um rapaz publicou seu primeiro trabalho a partir dos dados
(...) o arrastou até a margem. Eu havia cortado coletados em campo: um artigo sobre as espécies
um grosso pedaço de pau e, assim que o jacaré de insetos que o interessaram na Amazônia. Contri-
foi trazido para terra, dei-lhe uma forte paulada butions to an Insect Fauna of the Amazon Valley:
na cabeça, que o matou (...) Aquele era um caimã Lepidoptera, Heliconidae foi apresentado pela pri-
grande (...) Suas mandíbulas de 50 centímetros meira vez nos Transactions da Sociedade Lineana
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história natural, que o lia como um interessante


livro de aventuras.
Um ponto que merece comentário no contexto
das expedições científicas na Amazônia diz respei-
to aos diários de campo e às correspondências
pessoais, documentos que possuem um papel no
processo de transferência da informação, não só
nos séculos mais remotos da história da ciência,
como também nos períodos mais recentes da
Figura 2. A Sesia titan (à esquerda) pode ser confundida com o produção de conhecimento científico. Os diários
beija-flor (à direita) por um observador menos atento. Fonte:
BATES (1863, plate n.10, v. 1). Acervo raro do Museu Paraense
redigidos pelos viajantes e naturalistas eram mais
Emílio Goeldi. ricamente detalhados se comparados às publica-
ções impressas que eram lançadas no circuito
editorial. Descrições pormenorizadas dos seres,
de Londres (CATALOGUE, 1922, v. 7). Esse trabalho das coisas, dos costumes dos povos, dos sentimen-
conferiu prestígio acadêmico a Bates por conta tos e das inquietações intelectuais em campo são
de sua teoria sobre o mimetismo. A Figura 2 é repre- apenas alguns dentre os conteúdos possíveis desses
sentativa de uma espécie mimética de mariposa diários, como registros primeiros, porém pouco
(Sesia titan) da Amazônia, observada pelo natu- sistematizados, do contato dos viajantes/natura-
ralista inglês, cujas formas anatômicas lembram listas com o mundo observado.
as de um beija-flor. Assim, o mimetismo batesiano Quando do retorno ao país de origem, seus
persiste como teoria discutida no âmbito dos estu- autores os submetiam à uma seleção editorial
dos entomológicos e seu artigo continua a ser sobre o que mereceria constar ou não na publi-
reeditado em periódicos científicos, não sendo raro cação. Essa triagem atendia assim ao critério de
encontrá-lo em revistas hoje publicadas em forma- objetividade da comunicação científica, com a
to digital e disponibilizadas na Internet. intenção de tornar o texto menos subjetivos,
O volume de informações produzidas por ainda que isso nem sempre fosse possível, a julgar
Bates nos anos de permanência na Amazônia pelos preconceitos de toda sorte manifestados pelos
estava, contudo, longe de se esgotar com a publi- europeus sobre os modos de ser e os costumes dos
cação de um artigo. Da coleção de cerca de 14.800 brasileiros, a exemplo dos posicionamentos de
espécies reunidas pelo inglês em suas incursões ao Florence (1941, p. 96, 97) quanto à população de
campo (COMENTÁRIO, 1944; SILVA, 1971; LORCH, Cuiabá, retratada nitidamente como inferior
2000), 8 mil eram desconhecidas para a ciência. para os padrões socioculturais do Velho Mundo.
Durante os anos de estudo, ele conseguiu reunir Nessa direção, muitas passagens das expedições
informações sobre mamíferos, répteis, aves, peixes, científicas não vieram a público. No caso parti-
insetos e moluscos, entre tantos outros seres da cular de Henry Bates, seu diário e manuscritos
fauna amazônica. Darwin, que visitara o Brasil poderiam ser reveladores sobre dois dos quatro
antrs de Bates, no ano de 1832 (CUNHA, 1991), o anos de sua passagem por Santarém, dos quais
estimulou a escrever um livro para divulgar suas ele nada menciona em The Naturalist on the River
descobertas e observações sobre a flora, a fauna e o Amazon (CUNHA, 1991). Certamente esse é um tre-
modo de vida do homem amazônico. Foi assim que, cho da vivência do viajante e naturalista inglês
em 1863, Bates publicou sua primeira edição The que permanece em mistério, sobretudo quanto
Naturalist on the River Amazon8. Redigido num aos detalhes de seu estudo sobre a fauna dessa
estilo narrativo em que o discurso científico im- cidade paraense.
brica no literário, essa obra ganhou aceitação não Como foi dito anteriormente, na história da
apenas nos círculos acadêmicos da Europa, como ciência, as correspondências participaram do
também entre um público letrado não-iniciado na processo de transferência da informação como
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um importante canal de comunicação de dados e dos artigos publicados, significativa foi também
evidências. Segundo Outram (1980), as cartas dos a utilização de recursos imagéticos para a repre-
viajantes e naturalistas constituem uma docu- sentação das informações coletadas durante suas
mentação tão valiosa quanto os diários, especial- incursões à mata. Tem-se, assim, na produção cien-
mente pelo fato de que elas permitem reconstituir tífica dos viajantes/naturalistas dos anos de 1800,
parte do background dessas expedições, trazendo à uma diversidade de imagens que – na medida do
tona as particularidades dos contatos desses sujei- possível, e às vezes com tal perfeição ou de forma
tos com seus pares científicos, agentes financiado- romanceada – reproduz o ambiente explorado,
res, políticos ou mesmo com familiares. Mas durante os seres e o cotidiano das comunidades indígenas
o levantamento bibliográfico para este artigo, não e não-indígenas. Nessa perspectiva, Bates não foi
se verificou nenhuma referência acerca da publici- um dos que mais exploraram tal forma de repre-
zação de tal documentação, a exemplo do que se sentar a informação, mas o conjunto das 41 plates
tem recentemente sobre as cartas de Martius, que compõem a iconografia dos dois volumes da
pertencentes ao acervo da Biblioteca Central da obra The Naturalist on the River Amazon chama a
Universidade Federal do Pará, e objeto de análise atenção pela riqueza dos detalhes e, principal-
do artigo de Izabel Arruda (2003), escrito para o mente, por terem sido esboçadas pelo próprio
XI Congresso da Associação Latino-Americana de natura-lista. De fato, na história natural era e
Estudos Germanísticos. continua a ser importante não apenas a descrição
Provavelmente, Bates realizou contatos regu- textual agu-çada sobre o objeto observado, como
lares (ou mesmo esporádicos) por correspondên- também o registro iconográfico minucioso deste
cia com seus compatriotas, notadamente quando para fins taxonômicos.
da remessa de duplicatas para o Museu Britânico. Diferentemente de Friederick Alexander (1805-
Entretanto, em que pese a falta de informações 1837), barão de Humboldt, que dedicou várias
nessa direção, um dado sobre o qual se tem conhe- folhas dos 29 volumes de Voyage aux régions
cimento diz respeito à precariedade de notícias équinoxiales du Nouveau Continent à representação
quanto aos acontecimentos científicos, políticos, imagética das plantas que estudara em sua viagem
sociais e culturais que se sucediam na Inglaterra e à América do Sul, muitas das quais em plates
no restante da Europa nos anos em que ele perma- coloridas, Bates deteve-se numa ilustração mais
neceu no Brasil. Dadas as condições de isolamento sucinta de sua expedição à Amazônia. As imagens
durante o trabalho de campo na Amazônia, Pinhei- impressas em preto-e-branco tratam de temas que
ro (2003) argumenta que os viajantes/naturalistas variam entre a botânica e a zoologia, permeando
eram quase que completamente esquecidos quan- também a etnologia; esse último tema, aliás, pode
do se ausentavam de seu país de origem, embora ser visto na Figura 3, em que estão representados
houvesse inicialmente toda uma repercussão social os índios ticunas com suas tradicio-nais máscaras
ante os preparativos da viagem propriamente cerimoniais. As ilustrações correspondentes à his-
dita. Desse modo, ainda que a Amazônia fosse tória natural foram elaboradas por ele próprio, e
atrativa como espaço empírico para os estudos em alguns esboços foram aperfeiçoados por artistas
história natural, Henry Bates não deixou de se como Wolf, Zwecker e Robson (BATES, 1944, p. 16,
desanimar com a falta de contato com o Velho 17). No quadro de análise da transferência da in-
Continente, mais precisamente da companhia de formação, essa iconografia desempenha uma fun-
homens do mesmo nível cultural e intelectual, com ção seminal no que concerne à exposição da
os quais pudesse discutir acerca de suas observa- paisagem visitada e analisada pelos viajantes e
ções e descobertas científicas. naturalistas entre os séculos XVII e XIX.
Muito embora as evidências produzidas pelos Por meio delas, Bates pôde mostrar na Europa
viajantes e naturalistas tenham sido amplamente a biossociodiversidade de uma floresta tropical
registradas na forma de texto, a exemplo dos diá- que em muito estimulava o imaginário da socie-
rios de campo, das correspondências, dos livros e dade européia.
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Sobre as correspondências, os diários de cam- de sua expedição na Amazônia. O conhecimento


po e as publicações, com ou sem registros icono- produzido acerca do mimetismo rendeu a ele o
gráficos, pode-se dizer que elas lograram em seus reconhecimento das associações científicas londri-
objetivos comunicativos, como canais amplamen- nas, mas sem que com isso conseguisse ascender na
te utilizados no processo de transferência da infor- carreira de naturalista. Sem formação universi-
mação entre os séculos XVII e XIX. Uma evidência tária, Bates foi nomeado apenas para ocupações
nesse sentido é o trabalho de Bates, que, como as de menor status acadêmico, como a de secretário-
demais documentações produzida pelos viajan- assistente da Royal Geographic, e convidado
tes/naturalistas de sua época ou anteriores a ela, apenas na condição de colaborador da Linnean
tornou-se uma obra clássica sobre a Amazônia. Society e da Entomological Society of London para
Estudioso de história natural, ciência caracteri- estudos de história natural. Assim, ao contrário
zada por interesses difusos sobre os seres vivos do que uma tal vivência no sofisticado circuito
e seu ambiente, esse viajante inglês acabou por científico londrino possa suscitar quanto a um
estilo de vida economicamente elevado, esse viajan-
te viveu de forma modesta e com dificuldades até
falecer em Londres, no dia 16 de fevereiro de 18929.
Quanto às barreiras no processo de transferên-
cia da informação, notadamente foi o cansaço e a
saúde debilitada que o levaram a retardar a publi-
cação das evidências que registrara sobre a flora,
a fauna e as populações amazônicas. Mas, ven-
cidas essas dificuldades, os trabalhos publicados
por Bates superaram mesmo os entraves idiomá-
ticos ao serem traduzidos para o francês, para o
Figura 3. Um registro iconográfico de Bates sobre as máscaras alemão e para o português. Dessa forma, as infor-
e os trajes dos índios ticunas numa festa de bodas na aldeia.
Fonte: BATES (1863, plate n. 1, v. 2). Acervo raro do Museu
mações produzidas por ele aumentaram significa-
Paraense Emílio Goeldi. tivamente no que concerne às suas possibilidades
de circulação entre a comunidade científica, e mes-
mo entre um público não-acadêmico.
contribuir para o desenvolvimento de pesquisas Contemporaneamente, ao considerar-se somen-
posteriores no campo da botânica, da zoologia, da te The Naturalist on the River Amazon, a diversidade
história, da sociologia e da antropologia sobre das informações de Bates sobre essa região do Bra-
essa região. Ao longo de 151 anos de várias edições sil satisfaz as necessidades informacionais de pesqui-
e reimpressões, as publicações de Bates continuam sadores de diferentes formações acadêmicas, tais
a participar do processo de transferência da infor- como botânicos, historiadores, zoólogos, sociólo-
mação como fonte de estudos históricos e cultu- gos, entomólogos e antropólogos, indo, portanto,
rais sobre a Amazônia deste século, mesmo com suas para além do domínio de um determinado campo
populações e ecossistemas há muito impactados científico.
pela ação antrópica desordenada. E, mesmo no atual estágio da ciência, as infor-
mações postas em circulação por Henry Bates no
.   século XIX continuam a alimentar a produção de
novos conhecimentos. Assim, quer fazendo parte
Em que pesem as condições tecnológicas no século de acervos científicos raros, quer disponibilizada em
XIX para a transferência da informação, Henry formatos digitais10, a obra desse viajante/naturalista
Bates pode ser considerado um viajante/natura- é, sem dúvida, umas das mais populares entre os estu-
lista bem-sucedido nos termos de uma circulação diosos sobre a Amazônia em seus aspectos sociais,
mais ampla das evidências produzidas por ocasião históricos, culturais e ambientais.
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FIGUEIREDO, N. M. de. O processo de transferência da
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n. 2, 119-138, 1979. Este artigo é um produto do projeto de pesquisa “Imagens da
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1825 a 1829. Rio de Janeiro: Melhoramentos, 1941. expedições dos viajantes e naturalistas dos séculos XVIII e
HUMBOLDT, F. H. A. von. Voyage aux régions équinoxiales XIX”, financiado pelo MCT, entre setembro de 2003 e abril
du Nouveau Continent, fait en 1799, 1800, 1801, 1802, de 2004. Agradeço a Berenice Bacelar, bibliotecária do
1803 et 1804. Paris: F. Schoell, 1805-1837. 30 v. Museu Paraense Emílio Goeldi, ter-me prestado todo o
LORCH, C. Do CAN ao SIVAN: a FAB na Amazônia. Rio auxílio bibliográfico sobre os viajantes/naturalistas.
de Janeiro: Aerospace, 2000. 1 O trabalho de campo realizado por Bates e outros
MAGALHÃES, B. de. Alfredo Russel Wallace (Algumas viajantes/naturalistas entre os séculos XVIII e XIX não deve
notas sobre a sua vida, bibliografia e contribuição para a ser tomado como o método aperfeiçoado por Malinowski
teoria do transformismo). In: Viagens pelo Amazonas e (1989), entre os anos de 1914-1918, nas ilhas Trobriand e
rio Negro. São Paulo: Companhia Editora Nacional, Nova Guiné, e que se tornou um traço peculiar da pesquisa
1939. xiii-xxx. antropológica no século XX. Trata-se, pois, de um procedi-
MALINOWSKI, B. A diary in the strict sense of the term. mento puramente descritivo, menos sistemático e baseado
Stanford: Stanford University Press, 1989. na observação direta da natureza e dos seres vivos que estão
MASUDA, Y. A sociedade da informação como sociedade pós- em interação com o ambiente. E, no que concerne às
industrial. Rio de Janeiro: Editora Rio, 1982. observações desses viajantes e naturalistas quanto aos relatos
MELO-LEITÃO. Prefácio do tradutor. In: BATES, H. W. O escritos sobre os povos indígenas com quem mantiveram
naturalista do rio Amazonas. São Paulo: Companhia algum contato, vale ressaltar que esses não chegam a
Editora Nacional, 1944, v. 1. (Brasiliana, 237). constituir uma etnografia enquanto tal, pois as evidências
NORTON, L. A corte de Portugal no Brasil: Notas, alguns coletadas eram insuficientes para estabelecer conexões entre
documentos diplomáticos e cartas da Imperatriz os diferentes aspectos da vida social desses grupos humanos.
Leopoldina. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2 Nesse sentido, merece ser ressaltado que a informação
1938. (Brasiliana, 124). permeia as várias instâncias da vida do homem, tanto no
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nível das micro quanto no das macroestruturas sociais. 7 Quando da passagem de Georg Henrik von Langsdorff
Como ser social, ele está a realizar trocas de informações de pelo Rio Amazonas, ele e outros homens que compunham
diferente natureza com o meio, sejam aquelas que permitam sua expedição sofreram de uma repentina loucura súbita,
resolver pequenas questões do dia-a-dia, sejam aquelas de provocada pelas fortes febres que os atormentavam. Jean
natureza mais complexa, como as que se processam nos Louis Rodolphe Agassiz, por sua vez, sofreu de paralisia, da
domínios da ciência. qual felizmente conseguiu se recuperar algum tempo depois
3 Particularmente para a biblioteconomia e para a ciência da nos Estados Unidos (CUNHA, 1991, pp. 70, 77).
informação. 8 Posteriormente a1 essa primeira edição, Bates publicou
4 O Journal des Sçavants e o Philosophical Transactions outra versão de seu livro, em 1864, na qual subtraiu várias
foram os primeiros periódicos científicos, ambos publicados informações, muitas das quais de cunho faunístico,
em 1665 (FIGUEIREDO, 1979; STUMPF, 1996). geográfico e sociocultural (MELO-LEITÃO, 1944, prefácio).
5 Como a dificuldade de expressão oral e/ou escrita e 9 Diferentemente de Bates, Wallace pôde sobreviver graças a
mesmo as de ordem idiomática, a exemplo das traduções uma pensão de duzentas libras anuais, paga pelo governo
omissas, com termos imprecisos na língua do tradutor ou os britânico a partir de 1881 (MAGALHÃES, 1939).
erros de tradução em si. 10 A Biblioteca “Domingos Soares Ferreira Penna”, do
6 Bates e Wallace planejaram sua viagem por três meses, Museu Paraense Emílio Goeldi, possui em seu acervo
antes de chagarem ao Pará. Contudo, em Belém, os científico um exemplar da publicação original de The
interesses particulares acabaram por separá-los após Naturalist on the River Amazon, de 1863. Na Internet, essa
sucessivos encontros e desencontros, seguindo Wallace para mesma edição pode ser obtida integral e gratuitamente, em
o rio Negro e Bates para Tefé. Dessa feita, Wallace será arquivo do tipo PDF, no seguinte endereço: http://
mencionado somente quando conveniente, uma vez que o [Link]/titles/[Link].
foco deste trabalho recai sobre Bates.

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