Poder Executivo
Poder Executivo
2a EDIÇÃO/2023
1. ESTRUTURA 2
1.1. INTRODUÇÃO 2
2. FUNCIONAMENTO 17
4. MINISTROS DE ESTADO 26
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1. ESTRUTURA
1.1. INTRODUÇÃO
O Poder Executivo é um dos Poderes da União, no qual é independente e autônomo, tendo como
função primordial a de administrar a coisa pública, por meio de atos de chefia de Estado, chefia de Governo e
da administração1.
O Grande órgão do Executivo é a presidência da República, mas temos 5 órgãos no total. Vejamos:
📌 OBSERVAÇÕES
■ O Brasil conserva um perfil raro de resumir ao vice as funções de sucessão, substituição e missões
especiais.
políticos para formar uma maioria que dê suporte ao governo. O multipartidarismo existente no Brasil (em
torno de 35 partidos diferentes, sendo que 20 deles têm assento no Congresso Nacional) faz com que o
Governo tenha uma dificuldade muito grande para governar, uma vez que é necessário fazer uma série de
alianças entre esses diversos partidos, a fim de que possa ter apoio e base suficiente para governar. Sérgio
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MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 8. Ed. Salvador: JusPodvim, 2020. Pág. 1131.
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■ Presidencialismo x Parlamentarismo: No sistema presidencialista, as funções de Chefe de Estado e
Chefe de Governo encontram-se nas mãos de uma única pessoa, o Presidente da República. Já no
● Estar em pleno exercício dos direitos políticos - art. 14, §3.º, inc. II, CF;
● Estar filiado a algum partido político - art. 14, §3.º inc. V e art. 77, §2.º, CF;
● Ter idade mínima de 35 anos - art. 14, §3.º, inc. VI, alínea “a”, CF;
As regras para eleição do Presidente da República estão presentes no art. 77 da CF. Via de regra, a
primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno,
§ 2º Será considerado eleito Presidente o candidato que, registrado por partido político, obtiver a maioria
§ 3º Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta na primeira votação, far-se-á nova eleição em até 20 dias
após a proclamação do resultado, concorrendo os dois candidatos mais votados e considerando-se eleito
§ 4º Se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte, desistência ou impedimento legal de candidato,
§ 5º Se, na hipótese dos parágrafos anteriores, remanescer, em segundo lugar, mais de um candidato com a
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Lenza, Pedro. Esquematizado - Direito Constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (26th edição). Editora Saraiva, 2022.
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mesma votação, qualificar-se-á o mais idoso.
⚠️ ATENÇÃO
Alteração na data da posse (EC 111/21)
Antes da EC 111/21, a Constituição afirmava que a data da posse do chefe do executivo federal e
Art. 82. O mandato do Presidente da República é de 4 anos e terá início em 5 de janeiro do ano seguinte ao
Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de Estado, para mandato de 4 anos, realizar-se-á no
primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se
houver, do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores, e a posse ocorrerá em 6 de janeiro
do ano subsequente, observado, quanto ao mais, o disposto no art. 77 desta Constituição. (EC 111/21)
5 de janeiro 6 de janeiro
⚠️ ATENÇÃO
Conforme os arts. 4º e 5º da EC 111/21:
Art. 4º O Presidente da República e os Governadores de Estado e do Distrito Federal eleitos em 2022 tomarão
posse em 1º de janeiro de 2023, e seus mandatos durarão até a posse de seus sucessores, em 5 e 6 de janeiro
de 2027, respectivamente.
Art. 5º As alterações efetuadas nos arts. 28 e 82 da Constituição Federal constantes do art. 1º desta Emenda
Art. 81. Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-á eleição 90 dias depois de
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aberta a última vaga.
§ 1º - Ocorrendo a vacância nos últimos 2 anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será
feita 30 dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei (eleição indireta).
1. A regra insculpida no art. 81, § 1º, da Constituição Federal não é de observância obrigatória pelos entes
periféricos na parte em que define o modelo e o procedimento da eleição indireta. Há certa liberdade de
conformação de que gozam os entes federados periféricos, na forma do art. 25 da parte permanente da
Constituição Federal e do art. 11 do ADCT. No caso, optou o Estado da Bahia por implantar, no art. 102, § 2º, de
sua Constituição, modelo equivalente ao paradigma federal . 2. O ente federado, dentro de sua autonomia e
respeitadas as balizas constitucionais, definiu, de forma legítima, a ocorrência de eleição indireta por
municípios a definição legislativa do processo de escolha, prerrogativa que não se confunde com a
competência privativa da União para legislar sobre direito eleitoral, estampada no art. 22, I, da
Constituição Federal. Precedentes. (STF, ADI 1057, Relator(a): DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em
Já a sucessão pode ocorrer nas seguintes hipóteses: morte, renúncia, incapacidade absoluta
superveniente, impeachment. Nos casos de sucessão, como o cargo de Presidente da República fica vago, quem
Desta forma, podemos dizer que a sucessão é definitiva (vacância definitiva do cargo) e a
considerados substitutos (presidentes da câmara, senado e do STF). Perceba que vagando o cargo do
Na linha sucessória da Presidência da República, só podem existir brasileiros natos, constitui a linha
1) Vice-presidente.
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NOVELINO, Marcelo. Curso de Direito Constitucional. 16. Ed. Salvador: JusPodvim, 2021. Pág. 739.
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4) Presidente do Supremo Tribunal Federal.
⚠️ CUIDADO
Quem está respondendo a uma ação penal no Supremo NÃO fica impedido de assumir a Presidência
da Câmara dos Deputados nem a Presidência do Senado. Entretanto, eventualmente, se houver a necessidade
de substituir o Presidente da República, NÃO SERÁ PERMITIDO, em razão da vedação contida no art. 86
da CF.
do Senado Federal e o Presidente do Supremo Tribunal Federal (CF, art. 80) – ficarão unicamente
impossibilitados de exercer, em caráter interino, a Chefia do Poder Executivo da União, caso ostentem
a posição de réus criminais, condição que assumem somente após o recebimento judicial da denúncia
Essa interdição, contudo – por unicamente incidir na hipótese estrita de convocação para o exercício, por
substituição, da Presidência da República (CF, art. 80) –, não os impede de desempenhar a Chefia que
titularizam no órgão de Poder que dirigem, razão pela qual não se legitima qualquer decisão que
republicanas) apoia-se no fato de que não teria sentido que os substitutos eventuais a que alude o art. 80 da
Carta Política, ostentando a condição formal de acusados em juízo penal, viessem a dispor, para efeito de
desempenho transitório do ofício presidencial, de maior aptidão jurídica que o próprio Chefe do Poder
Executivo da União, titular do mandato, a quem a Constituição impõe, presente o mesmo contexto (CF, art. 86,
§ 1º), o necessário afastamento cautelar do cargo para o qual foi eleito. (STF, DPF 402 MC-Ref, Relator(a):
MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 07/12/2016, PROCESSO
🚨JÁ CAIU
Na prova para Promotor de Justiça do Estado de Santa Catarina (Instituto CONSUPLAN - 2019), em prova do tipo
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certo/errado, foi apresentada a seguinte afirmativa: “Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da
República, nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias
depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei.” A mencionada assertiva foi considerada
CORRETA.
Na prova para Procurador do Estado de Santa Catarina (FEPESE - 2019), foi considerada CORRETA a alternativa
que disse: “Em caso de vacância dos cargos de Presidente e de Vice-Presidente, serão sucessivamente
eleito indiretamente?
Na Argentina tivemos um caso de eleição indireta. Lá construiu-se a lógica de que o congresso poderia
eleger alguém dentre os parlamentares, bem como outra pessoa que não seja deputado nem senador.
No Brasil, também podemos aplicar essa lógica tendo em vista que o texto permite tal interpretação,
desde que respeitadas as condições de elegibilidade. Assim, é possível que brasileiro seja eleito indiretamente
VACÂNCIA
Se houver vacância definitiva dos cargos de Presidente da República e de vice-Presidente da
República, haverá nova eleição. Neste caso, as eleições poderão ser diretas ou indiretas, a depender da
situação.
a) Vacância nos 2 primeiros anos de mandato: a eleição será direta. Em 90 dias após aberta a última
vaga, será realizada uma nova eleição para escolher um novo Presidente e um novo vice-Presidente,
b) Vacância nos 2 últimos anos: a eleição será indireta. O Presidente do Congresso Nacional convocará
novas eleições e quem escolherá o novo Presidente e o novo vice-Presidente não será o povo
pelos Estados por envolver o princípio da separação dos poderes, uma vez que trata da autorização de
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um Poder (Legislativo) a outro Poder (Executivo).
simetria e da separação de poderes, pois essa restrição – que não encontra correspondência nem
parâmetro na Constituição Federal (art. 49, III, c/c o art. 83) – revela-se inconciliável com a Lei Fundamental da
República, que, por qualificar-se como fonte jurídica de emanação do poder constituinte decorrente, impõe ao
observância quanto às diretrizes e aos princípios nela proclamados e estabelecidos (CF, art. 25, “caput”), sob
pena de completa desvalia jurídica das disposições estaduais que conflitem com a supremacia de que se
revestem as normas consubstanciadas na Carta Política. Precedentes. (STF, ADI 5373, Relator(a): CELSO DE
MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 24/08/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-229 DIVULG 16-09-2020 PUBLIC
17-09-2020)
📌 OBSERVAÇÕES
■ A eleição indireta atualmente é regulamentada pela Lei 4.321/64. Esta lei foi parcialmente
segundo o STF, eles podem estabelecer regras diferentes da prevista na CF, tendo em vista que eles possuem
autonomia.
■ Houve uma alteração na legislação eleitoral em 2015 (Lei 13.165), a qual previu que, quando causas
eleitorais levarem à perda do mandato, a eleição apenas será indireta se isso ocorrer nos 6 últimos meses do
mandato. Se a causa for não eleitoral, os Estados e municípios detêm autonomia para definir como serão as
eleições.
■ Segundo o STF, o art. 224, §4º, Lei 4.737/65 é constitucional e só se aplica às causas eleitorais
majoritário) referentes ao governador e aos prefeitos, não se aplicando àquelas hipóteses que a própria CF
■ Interessante saber que havendo necessidade de segundo turno, se antes de realizado ocorrer
maior votação (e não o Vice do referido candidato!). Nesta hipótese, havendo empate em segundo lugar, ou
seja, se dentre os remanescentes houver dois candidatos com a mesma votação, o desempate será
empreendido levando-se em consideração a idade, sendo chamado o mais idoso (cf. art. 77, §§ 3.º e 4.º).4
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Lenza, Pedro. Esquematizado - Direito Constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (26th edição). Editora Saraiva, 2022.
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1.2.4. DURAÇÃO DO MANDATO
Conforme o art. 82 da CF, temos a duração de 4 anos.
Art. 82. O mandato do Presidente da República é de 4 anos e terá início em 5 de janeiro do ano seguinte ao
📌 OBSERVAÇÃO
O art. 14, §5º admite a reeleição.
houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período
subseqüente.
deve ser temporário) e o Princípio da Eficiência Administrativa (4 anos pode ser pouco tempo para executar
as políticas públicas).
A Constituição optou por uma única reeleição para atender os dois princípios.
O art. 14, §5º aponta a distinção clara entre sucessão e substituição. Todavia, como se deve ler essa
norma?
No STF foi levada a seguinte questão: Em um mandato o vice foi substituto, em outro assumiu como
Conforme o STF, a última eleição é válida. Ou seja, temos a seguinte conclusão: Não são
sucessão.
I. – Vice-governador eleito duas vezes para o cargo de vice-governador. No segundo mandato de vice,
sucedeu o titular. Certo que, no seu primeiro mandato de vice, teria substituído o governador.
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mediante eleição ou por sucessão. Somente quando sucedeu o titular é que passou a exercer o seu
primeiro mandato como titular do cargo. II. – Inteligência do disposto no § 5º do art. 14 da Constituição
Federal. III. – RE conhecidos e improvidos” (STF, RE 366.488/SP, Rel. Min. Carlos Velloso).
🚨JÁ CAIU
Na prova para Defensor Público do Estado de Goiás (FCC - 2021) questionou-se “Caso o Vice-Chefe do Poder
Executivo, em face da vacância definitiva, assuma o cargo do Chefe do Poder Executivo de forma efetiva e
definitiva, para fins de reeleição”, tendo sido assinalada como CORRETA a alternativa que disse: “esse mandato
deve ser computado como o primeiro, permitindo-se somente um único período subsequente,
Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até 6 meses antes do pleito.
1. A EC nº 16/1997, ao alterar o art. 14, § 5º, da Constituição, rompeu com a tradição política e jurídica – desde
reeleição para os detentores de mandato do Poder Executivo, introduzido o instituto pela primeira vez em
à ausência de desincompatibilização dos Chefes do Poder Executivo para disputar a reeleição, cuja análise
representantes. 3. Consoante assentado na medida cautelar, a norma contida no art. 14, § 5º, da CF disciplina
uma hipótese de elegibilidade, porquanto, ao permitir a reeleição, confere elegibilidade aos já titulares de
cargos do Poder Executivo para disputar mais um pleito subsequente. A desincompatibilização somente é
exigida para afastar um estado jurídico negativo provocado pela inelegibilidade, o que não se verifica na
hipótese vertente. 4. A emenda constitucional que permitiu a reeleição não previu expressamente a
restritiva, uma vez que a renúncia ao cargo configuraria uma restrição ao direito subjetivo de disputar
igualdade, se comparado às hipóteses previstas nos §§ 6º e 7º do art. 14 da CF, pois se referem a situações
inelegibilidade decorrente de parentesco. Verificada, portanto, relação de pertinência lógica entre o fator de
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desigualação e o tratamento jurídico diferenciado, prestigiada pela Constituição, na espécie, a continuidade
republicano (art. 1º da CF), ao revés, é por ele condicionada, pois somente é permitida para o exercício de um
único mandato subsequente, garantidas a periodicidade da representação política e a igualdade de acesso dos
cidadãos aos cargos públicos. 7. Embora a reeleição tenha provocado uma queda vertical da taxa de
renovação das chefias de governo, o decurso de mais de vinte anos da promulgação da emenda, bem como da
decisão cautelar do STF que endossou sua constitucionalidade vindica uma interpretação consentânea com a
realidade concreta, notadamente porque no âmbito eleitoral a segurança jurídica assume a sua face de
princípio da confiança para proteger a estabilização das expectativas daqueles que participam dos prélios
eleitorais. 8. A ponderável vantagem do candidato já titular de cargo eletivo, ante a constante exposição na
mídia e presença em eventos, não é capaz de tisnar de inconstitucionalidade o instituto da reeleição, porque
há mecanismos no sistema eleitoral para coibir o uso abusivo do poder, bem como garantir a moralidade no
exercício dos mandatos e a legitimidade do pleito, destacado o importante papel da Justiça Eleitoral nesse
mister. 10. Conclusão pela constitucionalidade da previsão de reeleição dos chefes do Poder Executivo
para um único mandato subsequente, sem desincompatibilização do cargo, uma vez resguardados os
princípios republicano e democrático, bem assim garantida a igualdade na disputa dos cargos e a
continuidade administrativa. (STF, ADI 1805, Relator(a): ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em
📌 OBSERVAÇÕES
■ A Constituição exige RENÚNCIA e não a simples licença.
Direito comparado: Distinção entre a Constituição Americana e a nossa: A nossa Constituição fala
em mandato subsequente. Todavia, na Constituição americana, se o presidente for reeleito, não poderá mais
voltar ao cargo.
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Inicialmente, é essencial diferenciar o crime comum do crime de responsabilidade. Vejamos:
procedibilidade).
Apresentada denúncia contra o Presidente da República por crime de responsabilidade, compete à Câmara
dos Deputados autorizar a instauração de processo (art. 51, I, da CF/1988). A Câmara exerce, assim, um juízo
eminentemente político sobre os fatos narrados, que constitui condição para o prosseguimento da
denúncia. Ao Senado compete, privativamente, processar e julgar o Presidente (art. 52, I), locução que
abrange a realização de um juízo inicial de instauração ou não do processo, isto é, de recebimento ou não da
denúncia autorizada pela Câmara. (STF, ADPF 378 MC, Relator(a): EDSON FACHIN, Relator(a) p/ Acórdão:
ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 17/12/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-043 DIVULG
SANÇÃO: a penalidade é a perda cargo com a inabilitação para o exercício de funções públicas por 8
anos. As hipóteses em que o Presidente da República pode praticar crime de responsabilidade estão no art. 85
RECALL: Trata-se de um mecanismo de democracia direta, ou seja, neste caso, a participação popular
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não ocorre por meio de representantes. Por meio do recall, o eleitorado pode destituir determinados
agentes políticos cujo comportamento não esteja agradando àqueles que o elegeram. O recall possibilita a
destituição de um mandato eletivo pelo eleitorado. Cada país pode adotar regras específicas de recall. Este
RECALL X “IMPEACHMENT”
▸ Decidido diretamente pelos eleitores: O impeachment é feito por membros do Poder Legislativo.
No caso do Presidente da República, o processo de impeachment é autorizado pela Câmara dos Deputados e
é julgado pelo Senado Federal. Já no recall, a decisão é dada diretamente pelos eleitores e não por intermédio
de seus representantes.
Legislativo em relação aos demais Poderes. Já o recall, é um instrumento de controle de todos os poderes.
Assim sendo, o eleitor pode destituir do cargo todos aqueles que foram eleitos, independentemente do Poder a
que pertencem.
🚨JÁ CAIU
Na prova para Juiz do Estado da Bahia (CESPE - 2018), foi perguntado sobre o instrumento da democracia direta
ou participativa que constitui consulta popular ao eleitorado sobre a manutenção ou revogação de um mandato
político, tendo sido considerada CORRETA a alternativa que disse se tratar do “Recall”.
DUPLO REGIME SANCIONATÓRIO: Atualmente, o STF entende que os agentes políticos, com exceção
do Presidente da República, respondem tanto por crime de responsabilidade quanto por improbidade
O processo e julgamento de prefeito municipal por crime de responsabilidade (Decreto-lei 201/67) não
impede sua responsabilização por atos de improbidade administrativa previstos na Lei 8.429/1992, em virtude
regime sancionatório, de modo que se submetem tanto à responsabilização civil pelos atos de
modo que carece de fundamento constitucional a tentativa de imunizar os agentes políticos das sanções da
ação de improbidade administrativa, a pretexto de que estas seriam absorvidas pelo crime de
aos atos praticados pelo Presidente da República, conforme previsão do art. 85, V, da Constituição. 2. O
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foro especial por prerrogativa de função previsto na Constituição Federal em relação às infrações penais
comuns não é extensível às ações de improbidade administrativa, de natureza civil. Em primeiro lugar, o
foro privilegiado é destinado a abarcar apenas as infrações penais. A suposta gravidade das sanções previstas
no art. 37, § 4º, da Constituição, não reveste a ação de improbidade administrativa de natureza penal. Em
segundo lugar, o foro privilegiado submete-se a regime de direito estrito, já que representa exceção aos
princípios estruturantes da igualdade e da república. Não comporta, portanto, ampliação a hipóteses não
expressamente previstas no texto constitucional. E isso especialmente porque, na hipótese, não há lacuna
constitucional, mas legítima opção do poder constituinte originário em não instituir foro privilegiado para o
processo e julgamento de agentes políticos pela prática de atos de improbidade na esfera civil. Por fim, a
fixação de competência para julgar a ação de improbidade no 1o grau de jurisdição, além de constituir fórmula
mais republicana, é atenta às capacidades institucionais dos diferentes graus de jurisdição para a realização da
moralidade administrativa. (STF, Pet 3240 AgR, Relator(a): TEORI ZAVASCKI, Relator(a) p/ Acórdão: ROBERTO
BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 10/05/2018, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-171 DIVULG 21-08-2018
PUBLIC 22-08-2018)
🚨JÁ CAIU
Na prova para Juiz Federal da 3ª Região (banca própria - 2022), foi perguntado sobre a competência privativa do
Presidente da República, foi assinalado como CORRETA a assertiva que disse: “Extinguir, por decreto, funções
📌 OBSERVAÇÃO
Tradicionalmente, não há impeachment de membros do Poder Legislativo, pois estes não praticam
crimes de responsabilidade.
Na CF/1988, há apenas uma exceção a essa regra: o único caso em que o membro do Poder
Legislativo pode praticar crime de responsabilidade diz respeito ao Presidente da Câmara Municipal.
Nesta situação, o Presidente da Câmara Municipal, ao exercer funções administrativas, se não observar os
limites impostos por lei, poderá praticar crime de responsabilidade. Trata-se do único membro do Poder
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🚨JÁ CAIU
Na prova para Delegado de Polícia do Estado do Mato Grosso (Instituto Acesso - 2019 - Prova Anulada), foi
perguntado A Constituição da República Federativa do Brasil define as condutas consideradas como crime de
responsabilidade se praticadas pelo Presidente da República no âmbito das suas funções. Em relação aos
crimes de responsabilidade cometidos pelo Presidente da República, NÃO é correto afirmar que: RESPOSTA: “o
Presidente ficará suspenso de suas funções nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo
Na prova para Juiz do Estado do Paraná (CESPE - 2019), foi perguntado: “Tratando-se de processo referente a
crime de responsabilidade cometido por presidente da República, a Constituição Federal de 1988 exige que o
juízo de admissibilidade seja realizado”, tendo sido considerada CORRETA a alternativa que disse: “pela Câmara
dos Deputados”.
parecer apresentado pela Comissão Especial, o Senado , o Senado terá que aprovar a instauração do
processo pela maioria relativa (mais da metade dos presentes, tendo que estar presentes mais da
metade dos membros do Senado) de seus membros. O fato de a Câmara dos Deputados ter autorizado
o impeachment, não significa que o Senado está obrigado a processar e julgar o Presidente. O Senado
b. RITO: O rito do processo, no Senado, para o julgamento do Presidente da República é o previsto para o
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c. PRESIDÊNCIA: a presidência é feita pelo Presidente do STF.
e. CONDENAÇÃO: em caso de condenação pelo voto de 2/3 (54 votos) dos membros do Senado, haverá a
f. RENÚNCIA: A renúncia do Chefe do Executivo não paralisa o processo. O STF entende que a renúncia
🚨JÁ CAIU
Na prova para Promotor de Justiça do Estado do Mato Grosso (FCC - 2019), foi perguntado “De acordo com a
disciplina relativa à Organização dos Poderes na Constituição Federal e a jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal na matéria, tendo sido considerada CORRETA a alternativa que disse completou: “ante uma acusação
pela prática de crime comum contra o Presidente da República, não cabe ao Supremo Tribunal Federal
proceder à análise de questões jurídicas eventualmente atinentes à denúncia antes do exercício de juízo político
Na prova para Promotor de Justiça do Estado de Minas Gerais (FUNDEP - 2018), foi questionado: “São crimes de
responsabilidade os atos do Presidente da República, na dicção do art. 85 da CR/88, EXCETO”, tendo sido
considerada CORRETA a alternativa que disse: “que atentem contra os partidos políticos.”
propter officium. O Presidente da República só responde por crimes praticados no exercício da sua função ou
em razão da função por ele desempenhada. O Presidente da República, enquanto estiver no exercício do
Para o Presidente responder por crimes comuns, assim como acontece nos crimes de
responsabilidade, é necessário que haja uma autorização pela Câmara dos Deputados (2/3 dos membros).
O Presidente da República, ao contrário do que ocorre com os parlamentares, não possui a chamada
imunidade material por suas palavras e votos. Ele pode ser processado civilmente, pode responder na esfera
tributária etc. No caso de crimes comuns, o Presidente da República fica suspenso de suas funções a partir
do recebimento da denúncia ou queixa-crime pelo STF (CF, art. 86, §1º, I e §2º).
O Presidente da República ficará suspenso de suas funções por até 180 dias. Se o julgamento não for
concluído em até 180 dias, o Presidente retorna para o cargo, sem prejuízo do regular prosseguimento do
Prisão: O Presidente da República para ser preso se faz necessário que haja condenação transitada
em julgado. Portanto, não pode haver prisão penal cautelar do Presidente da República.
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🚨JÁ CAIU
Na prova para Promotor de Justiça do Estado do Paraná (Banca Própria - 2021), questionado “nos termos da Lei
1.079/50 são crimes de responsabilidade contra o livre exercício dos poderes legislativo e judiciário e dos
poderes constitucionais dos Estados, exceto:” assim foi considerada CORRETA a alternativa que disse: Subverter
Na prova para Delegado de Polícia do Estado do Paraná (NC-UFPR - 2021), foi considerada CORRETA a
alternativa que trouxe: “Cometerá crime de responsabilidade o chefe do Poder Executivo federal que, por ações
ou omissões, praticar atos que atentem contra os direitos fundamentais e o livre exercício dos outros poderes
Na prova para Delegado de Polícia do Estado do Rio Grande do Norte (FGV - 2021), foi apresentado o texto que
segue: “Pedro, na época em que era Chefe do Poder Executivo Federal, foi condenado em um processo por
crime de responsabilidade, daí decorrendo a aplicação da sanção de inabilitação para o exercício de função
pública.” Diante disso, foi considerada CORRETA a alternativa que trouxe: “A sanção sofrida por Pedro acarreta
2. FUNCIONAMENTO
O chefe do Poder Executivo da União é o Presidente da República e exerce a chefia de Estado e chefia
VII - manter relações com Estados estrangeiros e XIV - nomear, após aprovação pelo Senado Federal,
estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacional ou XV - nomear, observado o disposto no art. 73, os
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referendado por ele, quando ocorrida no intervalo Ministros do Tribunal de Contas da União;
das sessões legislativas, e, nas mesmas condições, XVI - nomear os magistrados, nos casos previstos
decretar, total ou parcialmente, a mobilização nesta Constituição, e o Advogado-Geral da União;
nacional;
do Congresso Nacional;
temporariamente;
III - iniciar o processo legislativo, na forma e nos I - nomear e exonerar os Ministros de Estado;
casos previstos nesta Constituição; II - exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a
IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem direção superior da administração federal;
como expedir decretos e regulamentos para sua fiel XIII - exercer o comando supremo das Forças
execução; Armadas, nomear os Comandantes da Marinha, do
VI - dispor, mediante decreto, sobre: oficiais-generais e nomeá-los para os cargos que lhes
federal, quando não implicar aumento de despesa XVII - nomear membros do Conselho da República,
nem criação ou extinção de órgãos públicos; nos termos do art. 89, VII;
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando XVIII - convocar e presidir o Conselho da República e
IX - decretar o estado de defesa e o estado de sítio; XXV - prover e extinguir os cargos públicos federais,
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MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 8. Ed. Salvador: JusPodvim, 2020. Pág. 1131.
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Congresso Nacional por ocasião da abertura da
lei;
⚠️ ATENÇÃO
As atribuições conferidas ao Presidente da República estão taxativamente previstas no art. 84?
Respondendo à primeira pergunta, devemos dizer que o rol do art. 84 é meramente exemplificativo,
pois, conforme o seu inciso XXVII, compete privativamente ao Presidente da República exercer não só as
atribuições definidas nos incisos precedentes bem como outras previstas na CF/88.7
É possivel. No entanto, resta observar que o Presidente da República somente poderá delegar as
atribuições previstas nos incisos VI, XII e XXV, primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da
República ou ao Advogado-Geral da União, devendo todos observar os limites traçados nas respectivas
delegações (cf. art. 84, parágrafo único), quais sejam, as atribuições de:8
quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos;
■ dispor, mediante decreto, sobre a extinção de funções ou de cargos públicos, quando vagos;
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Lenza, Pedro. Esquematizado - Direito Constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (26th edição). Editora Saraiva, 2022.
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Lenza, Pedro. Esquematizado - Direito Constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (26th edição). Editora Saraiva, 2022.
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■ conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei;
🚨JÁ CAIU
Na prova para Promotor de Justiça do Estado de Santa Catarina (CESPE - 2021), em prova de certo/errado a
assertiva: “A graça, ou indulto individual, destina-se a pessoa determinada e constitui ato de clemência
discricionário e privativo do presidente da República, não sendo, no entanto, vedada a sua delegação aos
Na prova para Defensor Público do Estado de Goiás (FCC - 2021), foi apresentado o texto que segue: “João,
hipoteticamente, foi eleito presidente do Brasil e tomou posse em 01/01/2021. Ao assumir seu mandato, João
estava muito ansioso por dar início ao seu governo, então perguntou aos seus assessores quais eram os cargos
que lhe incumbiam nomear, por determinação constitucional. Em resposta, João recebeu uma lista da sua
assessoria.” tendo sido considerado CORRETA, a respeito dos cargos que cometem privativamente ao
Presidente da República nomear, a alternativa que disse: “O Advogado-Geral da União; os magistrados, nos
casos previstos na Constituição Federal; observado o disposto no artigo 73 da Constituição Federal, os Ministros
O decreto regulamentar é previsto no art. 84, IV, parte final, para regulamentar a fiel execução de lei.
Já o decreto autônomo é aquele que exerce a função da lei, inovando a ordem jurídica e buscando
1a corrente: não feriria o princípio da separação dos poderes, pois esta seria entendida como
2a corrente: o decreto autônomo não seria possível, pois atentar contra a separação de poderes, esta
Hoje, salvo JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO e MARÇAL JUSTEN FILHO, a doutrina entende que a
Por qual motivo entende-se que de fato temos um decreto autônomo no inciso VI?
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IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem VI - dispor, mediante decreto, sobre:
como expedir decretos e regulamentos para sua fiel a) organização e funcionamento da administração
execução. federal, quando não implicar aumento de despesa
vagos;
Perceba que o inciso IV vincula o decreto à Lei, enquanto no VI não vincula, sendo autônomo em
relação à Lei.
O art. 84, VI, a, da Constituição Federal, na redação dada pela Emenda Constitucional 32/2001, permitiu ao
Presidente da República dispor, mediante decreto, sobre matéria que antes só poderia ser disciplinada
por lei. [STF, ADI 2.601, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 19-8-2021, P, DJE de 4-2-2022.]
mencionadas nos incisos VI, XII e XXV, primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da
República ou ao Advogado-Geral da União, que observarão os limites traçados nas respectivas delegações.
1. Cabe ação direta de inconstitucionalidade contra decreto autônomo. (STF, ADI 1306, Relator(a): CÁRMEN
LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 13/06/2018, DJe-227 DIVULG 17-10-2019 PUBLIC 18-10-2019)
Não cabe ação direta de inconstitucionalidade contra decreto que regulamenta lei, ou porque, havendo
divergência entre aquele e esta, a questão se situa primariamente no terreno da legalidade, ou porque, sendo
a norma daquele mera reprodução da desta, a inconstitucionalidade a ser atacada é da norma legal e só por
via de consequência se reflete na norma do Decreto que a reproduz” (STF, ADI n. 2.121/SC, Relator o Ministro
alíneas ao inciso VI. Uma das matérias é a inclusão da possibilidade de criar ministérios (temos clara
deslegalização).
21
🚨JÁ CAIU
Na prova para Promotor de Justiça do Estado do Paraná (banca própria - 2021), determinado que fosse
assinalada a alternativa INCORRETA a resposta foi a que segue: “Medida provisória tem o prazo de eficácia de
60 dias, podendo ser reeditada pelo Presidente da República apenas uma única vez.”
opiniões (imunidade material), uma vez que se trata de uma prerrogativa própria dos membros do Poder
Qualquer acusação ao presidente passará primeiro pelo crivo da câmara, inclusive nos casos de crime
comum.
§ 3º Enquanto não sobrevier sentença condenatória, nas INFRAÇÕES COMUNS, o Presidente da República
Nas infrações penais comuns, o Presidente da República, enquanto Chefe de Estado, tem prerrogativa
constitucional da imunidade à prisão, só podendo ser preso no caso de sentença penal condenatória
9
MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 8. Ed. Salvador: JusPodvim, 2020. Pág. 1162.
22
definitiva10.
● Essa garantia é mais ampla que a do parlamentar, já que é possível no caso de flagrante de crime
inafiançável. Aqui, nem mesmo em caso de flagrante de crime inafiançável poderia o presidente ser
● Para quem defende a prisão em segunda instância, o argumento mais forte está aqui, pois a única
autoridade pública brasileira que não pode ser presa sem trânsito em julgado é o Presidente da
República. Quando o STF estende a garantia a todos, acaba-se aniquilando essa garantia.
§ 4º O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos
A irresponsabilidade penal relativa inibe que o Estado exerça o seu poder de persecução criminal
contra aquele que estiver na titularidade da Presidência da República. Durante a investidura, portanto, o
Presidente da República não poderá ser responsabilizado penalmente por infrações cometidas antes do
mandato ou durante o seu exercício, mas que não tenham relação com as funções inerentes ao cargo11.
Temos aqui um fato anterior à posse ou um fato posterior à posse que não diz respeito às atribuições
próprias do cargo.
Devemos lembrar que temos aqui norma excepcional (deve ser feita interpretação literal). Assim, essa
imunidade não abrange outras formas de persecução, como cível ou fiscal. É restrita, portanto, à persecução
criminal.
10
NOVELINO, Marcelo. Curso de Direito Constitucional. 16. Ed. Salvador: JusPodvim, 2021. Pág. 747.
11
NOVELINO, Marcelo. Curso de Direito Constitucional. 16. Ed. Salvador: JusPodvim, 2021. Pág. 748.
23
📌 OBSERVAÇÃO
Nos autos do Inq. 4462 (investigado o então Presidente da República, Michel Temer), admitiu-se a
possibilidade, unicamente, de investigação dos atos estranhos ao exercício do mandato, “a fim de, por
exemplo, evitar dissipação de provas, valendo aquela proteção constitucional apenas contra a
O que o art. 86, § 4º, confere ao presidente da República não é imunidade penal, mas imunidade
temporária à persecução penal: nele não se prescreve que o presidente é irresponsável por crimes não
funcionais praticados no curso do mandato, mas apenas que, por tais crimes, não poderá ser
responsabilizado, enquanto não cesse a investidura na presidência. Da impossibilidade, segundo o art. 86, §
4º, de que, enquanto dure o mandato, tenha curso ou se instaure processo penal contra o presidente da
República por crimes não funcionais, decorre que, se o fato é anterior à sua investidura, o Supremo Tribunal
não será originariamente competente para a ação penal, nem consequentemente para o habeas corpus por
falta de justa causa para o curso futuro do processo. Na questão similar do impedimento temporário à
persecução penal do congressista, quando não concedida a licença para o processo, o STF já extraíra, antes
que a Constituição o tornasse expresso, a suspensão do curso da prescrição, até a extinção do mandato
parlamentar: deixa-se, no entanto, de dar força de decisão à aplicabilidade, no caso, da mesma solução, à falta
de competência do Tribunal para, neste momento, decidir a respeito. [STF, HC 83.154, rel. min. Sepúlveda
Não sendo estranho à função, a garantia não prevalece. Exemplo: crime contra a administração
pública.
Condição: Essa garantia está sob uma condição que é o fato de ser estranho à função.
Quanto às imunidades à prisão e persecução, o STF entende que a extensão das duas imunidades
para plano diferente da União é inconstitucional, pois são garantias próprias do CHEFE DE ESTADO e só temos
O Estado-membro, ainda que em norma constante de sua própria Constituição, não dispõe de competência
prisão preventiva e a prisão temporária, pois a disciplinação dessas modalidades de prisão cautelar
24
submete-se, com exclusividade, ao poder normativo da União Federal, por efeito de expressa reserva
constitucional de competência definida pela Carta da República. - A norma constante da Constituição estadual
- que impede a prisão do Governador de Estado antes de sua condenação penal definitiva - não se reveste de
validade jurídica e, consequentemente, não pode subsistir em face de sua evidente incompatibilidade com o
normativo dos preceitos inscritos no art. 86, §3. e 4., da Carta Federal, pois as prerrogativas
contempladas nesses preceitos da Lei Fundamental - por serem unicamente compatíveis com a
Precedente: ADIn 978-PB, Rel. p/ o acórdão Min. CELSO DE MELLO. (STF, ADI 1028, Relator(a): ILMAR GALVÃO,
Relator(a) p/ Acórdão: CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 19/10/1995, DJ 17-11-1995 PP-39204
No tocante ao foro especial para os governadores, é plenamente possível esta garantia, sendo o STJ
INCONSTITUCIONAL.
A Constituição Estadual não pode condicionar a instauração de processo judicial por crime comum
contra Governador à licença prévia da Assembleia Legislativa. A república, que inclui a ideia de
responsabilidade dos governantes, é prevista como um princípio constitucional sensível (CRFB/1988, art. 34,
VII, a), e, portanto, de observância obrigatória, sendo norma de reprodução proibida pelos Estados-membros a
exceção prevista no art. 51, I, da Constituição da República. (STF, ADI 4764, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO,
Relator(a) p/ Acórdão: Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 04/05/2017, PROCESSO
🚨JÁ CAIU
Na prova para Juiz Federal da 4ª Região (Banca Própria - 2022), foi assinalada como CORRETA a assertiva que
disse: “O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos
Na prova para Defensor Público do Estado de Santa Catarina (FCC - 2018), foi considerada CORRETA a
alternativa que disse: “as prerrogativas extraordinárias de caráter processual penal, consistentes na imunidade
à prisão cautelar e a qualquer processo penal por atos estranhos ao exercício de suas funções, são inerentes ao
Presidente da República enquanto Chefe de Estado, não podendo ser estendidas aos demais chefes do Poder
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4. MINISTROS DE ESTADO
Como visto são auxiliares do Presidente da República. Os Ministros de Estado dirigem Ministérios e
são escolhidos pelo Presidente da República, que os nomeia, podendo ser exonerados a qualquer tempo, ad
nutum, não tendo qualquer estabilidade (art. 84, I). Os requisitos para assumir o cargo de Ministro de Estado,
Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de 21 anos e no exercício dos
direitos políticos.
Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição
e na lei:
I - exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da administração federal na área de
IV - praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou delegadas pelo Presidente da
República.
📌 OBSERVAÇÃO 12
Segundo o professor Pedro Lenza o ato de escolha, nomeação e exoneração de Ministro de Estado é,
de fato, discricionário, por se tratar de cargo de confiança do Presidente da República, tanto é que são
Dessa forma, haveria, em regra e em tese, apenas a possibilidade de eventual controle judicial sobre
os requisitos formais previstos no art. 87, caput, da CF/88, ou seja, o controle da legalidade da nomeação e não
do mérito da escolha.
Contudo, em se caracterizando desvio de finalidade no ato de nomeação (ou seja, ato com finalidade
diversa de auxílio do Presidente da República na forma do art. 76 da CF/88), que não se presume e tem de ser
cabalmente demonstrado, nesse caso específico, entendemos ser possível o controle judicial, já que se trata de
ato nulo e, então, sob esse aspecto, passível de controle (art. 2.º, “e” e parágrafo único, “e”, da Lei n. 4.717/65 —
Essa questão ganhou relevância com um fato que gerou bastante polêmica e de conhecimento de
todos, qual seja, a nomeação do ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, por meio de Decreto da
então Presidente da República Dilma Rousseff, que circulou em uma edição extra do Diário Oficial de
12
Lenza, Pedro. Esquematizado - Direito Constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (26th edição). Editora Saraiva, 2022.
26
16.03.2016, para exercer o cargo de Ministro de Estado Chefe da Casa Civil. Alegava-se que o único objetivo
daquela nomeação era o de lhe conferir prerrogativa de foro no STF (art. 102, I, “c”, CF/88), retirando os autos
do juízo da denominada Operação Lava-Jato, sob a responsabilidade do então Juiz Sérgio Moro, em Curitib
No caso de Lula, essa questão concreta não chegou a ser apreciada pelo STF, na medida em que,
Senado Federal, ela mesma revogou o ato de nomeação, não tendo sido este restabelecido, já que, como todos
sabem, em 31.08.2016 houve a sua condenação, com a aplicação da sanção de perda do cargo.
🚨JÁ CAIU
Na prova para Delegado de Polícia do Estado de São Paulo (VUNESP - 2018), foi perguntado: “Supondo que o
Presidente da República decida nomear como novo Ministro de Defesa FULANO DE TAL, é correto afirmar que
referido Ministro”, tendo sido considerada CORRETA a alternativa que completou: “obrigatoriamente, deverá
possuir mais de 21 anos de idade e ser exclusivamente brasileiro nato, no gozo de seus direitos políticos”.
a) quando convocados pela Câmara dos Deputados, pelo Senado Federal ou qualquer de suas
Comissões, para prestar, pessoalmente, informações sobre assunto previamente determinado e inerentes às
suas atribuições e deixarem de comparecer, salvo justificação adequada (arts. 50, caput, e 58, III);
escritos de informação aos Ministros de Estado e estes se recusarem a fornecê-las, não atenderem ao pedido
responsabilidade praticados pelo Presidente da República (art. 52, I, c/c o art. 85).
República e nos crimes comuns, os Ministros de Estado serão processados e julgados perante o STF, nos
exatos termos do art. 102, I, “c”. Na hipótese de crimes de responsabilidade conexos com os do Presidente
da República, o órgão julgador será o Senado Federal, nos termos do art. 52, I, e parágrafo único.
📌 OBSERVAÇÃO
Necessidade de autorização pela Câmara dos Deputados? O art. 51, I, estabelece ser competência
privativa da Câmara dos Deputados autorizar, por 2/3 de seus membros, a instauração de processo contra o
27
O STF interpretou que essa condição de procedibilidade ou admissibilidade do processo (por crime
praticado por Ministro de Estado conexo com aquele praticado pelo Presidente da República.
Estado sem conexão com o praticado pelo Presidente da República, não haverá necessidade de autorização
pela Câmara dos Deputados, proibindo-se, portanto, a sua exigência. Nesse sentido, firme a jurisprudência do
STF:
“EMENTA: O processo de impeachment dos Ministros de Estado, por crimes de responsabilidade autônomos,
não conexos com infrações da mesma natureza do Presidente da República, ostenta caráter jurisdicional,
devendo ser instruído e julgado pelo STF. Inaplicabilidade do disposto nos arts. 51, I e 52, I da Carta de 1988 e
14 da Lei 1.079/1950, dado que é prescindível (ou seja, dispensada, acrescente-se) autorização política da
Câmara dos Deputados para a sua instauração. Prevalência, na espécie, da natureza criminal desses
processos, cuja apuração judicial está sujeita à ação penal pública da competência exclusiva do MPF (CF, art.
129, I). Ilegitimidade ativa ad causam dos cidadãos em geral, a eles remanescendo a faculdade de noticiar os
fatos ao Parquet” (Pet 1.954, Rel. Min. Maurício Corrêa, j. 11.09.2002, Plenário, DJ de 1.º.08.2003).
🚨JÁ CAIU
Na prova para Delegado de Polícia do Estado do Mato Grosso do Sul (FAPEC - 2022), foi considerada CORRETA a
alternativa que disse: “A Súmula Vinculante nº 13 do STF, que veda a prática do nepotismo, tem sido afastada
pelo Tribunal com relação aos cargos públicos de natureza política, tais como Secretários de Estado. No
entanto, mesmo nesses casos, será possível considerar a nomeação indevida nas hipóteses de inequívoca falta
de razoabilidade da indicação, por manifesta ausência de qualificação técnica ou por inidoneidade moral do
nomeado.”
Presidente da República, por este convocados e presididos (art. 84, XVIII), sendo os seus pareceres e
manifestações meramente OPINATIVOS porque não vinculam as decisões a serem tomadas pelo Chefe do
Executivo Federal.13
13
Lenza, Pedro. Esquematizado - Direito Constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (26th edição). Editora Saraiva, 2022.
28
CONSELHO DA REPÚBLICA CONSELHO DE DEFESA
Ministro de Estado para participar da reunião do República poderá convocar Ministro de Estado para
relacionada com o respectivo Ministério” (art. 90, § quando constar da pauta questão relacionada com
8.041/90).14
Ministro do Planejamento
14
Lenza, Pedro. Esquematizado - Direito Constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (26th edição). Editora Saraiva, 2022.
29
Aeronáutica
competências constitucionais foram definidas no sentido de se pronunciar sobre (art. 90, I e II, CF/88):
Por outro lado, a Lei 8.183/91 dispõe sobre a organização e funcionamento do Conselho da Defesa e
I - opinar nas hipóteses de declaração de guerra e de celebração da paz, nos termos desta Constituição;
III - propor os critérios e condições de utilização de áreas indispensáveis à segurança do território nacional e
opinar sobre seu efetivo uso, especialmente na faixa de fronteira e nas relacionadas com a preservação e a
Ambos os conselhos são classificados como um serviço público relevante e seus membros não
⚠️ ATENÇÃO
Interessante lembrar a intervenção ocorrida no Estado do Rio de Janeiro em meados de 2018,
naquele contexto o então Presidente da República Michel Temer decretou intervenção federal no Rio de
Janeiro, ocorre que o presidente não realizou qualquer consulta prévia aos Conselhos, isto foi extremamente
questionado pelos doutrinadores constitucionais, inclusive foi proposta pelo PSOL uma ADI no STF, vejamos:
Trata-se de ação direta de inconstitucionalidade com pedido de medida cautelar proposta pelo Partido
que a medida adotada pelo Presidente da República, além de desproporcional e dispendioso, possui nítido
caráter eleitoral, em afronta ao que dispõe o art. 36, combinado com o art. 84, X, da Constituição Federal. Além
30
disso, aponta, em síntese, vícios de formalidades essenciais, uma vez que, ante o princípio constitucional da
não intervenção da União dos Estados (art. 4°, IV), o decreto interventivo foi editado sem justificativas e
fundamentação suficientes, sem a prévia consulta aos Conselhos da República e da Defesa Nacional e
sem especificar as medidas interventivas. Argumenta, ainda, que o ato questionado seria inconstitucional por
ter natureza de uma intervenção militar, com as atribuições de poderes civis de Governador a um General de
Exército. Assim, devido à relevância da matéria e o seu especial significado para a ordem social e a segurança
jurídica, adoto o procedimento abreviado previsto no art. 12 da Lei 9.868/1999. Isso posto, solicitem-se
Procuradoria-Geral da República.15
A mencionada ADI foi considerada prejudicada, tendo em vista que se findou a intervenção federal
🚨JÁ CAIU
Na prova para Defensor Público do Estado do Rio Grande do Sul (CESPE - 2022), em prova de certo/errado, foi
apresentada a seguinte afirmativa: “Em caso de necessidade, por comoção grave de repercussão nacional, o
presidente da República pode, desde que ouvido o Conselho de Defesa Nacional, solicitar ao Senado Federal
autorização para decretar o estado de sítio no país.” A mencionada afirmativa foi considerada ERRADA.
Na prova para Delegado de Polícia do Estado de São Paulo (VUNESP - 2018), sobre o Conselho da República, foi
considerada CORRETA a alternativa que disse: “dele participam como membros, dentre outros, os líderes da
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ADI 5915/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe 19/03/2018
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