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Poder Executivo

O documento aborda a estrutura e funcionamento do Poder Executivo no Brasil, destacando a importância da presidência da República e as regras para a aquisição do mandato presidencial. Discute também a sucessão e substituição do presidente, além das garantias e prerrogativas do chefe do Executivo. Além disso, menciona a necessidade de alianças políticas no sistema de presidencialismo de coalizão.
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Poder Executivo

O documento aborda a estrutura e funcionamento do Poder Executivo no Brasil, destacando a importância da presidência da República e as regras para a aquisição do mandato presidencial. Discute também a sucessão e substituição do presidente, além das garantias e prerrogativas do chefe do Executivo. Além disso, menciona a necessidade de alianças políticas no sistema de presidencialismo de coalizão.
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PODER EXECUTIVO

2a EDIÇÃO/2023

1. ESTRUTURA 2

1.1. INTRODUÇÃO 2

1.2. PRESIDENTE DA REPÚBLICA 3

1.2.1. AQUISIÇÃO DO MANDATO PRESIDENCIAL 3

1.2.2. SUCESSÃO E SUBSTITUIÇÃO 5

1.2.3. ELEIÇÕES INDIRETAS 7

[Link]. ELEIÇÃO DIRETA E INDIRETA PARA PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM CASO DE VACÂNCIA 7

1.2.4. DURAÇÃO DO MANDATO 9

1.2.5. PERDA DO MANDATO PRESIDENCIAL 11

[Link]. CRIME DE RESPONSABILIDADE 14

[Link].1. PROCEDIMENTO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS 14

[Link].2. PROCEDIMENTO NO SENADO FEDERAL 15

[Link]. CRIME COMUM 16

2. FUNCIONAMENTO 17

2.1. CHEFIA DE ESTADO 17

2.2. CHEFIA DE GOVERNO 18

3. GARANTIAS DADAS AO CHEFE DO EXECUTIVO 22

3.1. FORO ESPECIAL POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO 22

3.2. IMUNIDADE TEMPORÁRIA À PRISÃO PROVISÓRIA 22

3.3. IMUNIDADE TEMPORÁRIA À PERSECUÇÃO CRIMINAL 23

4. MINISTROS DE ESTADO 26

4.1. CRIME DE RESPONSABILIDADE DE MINISTRO DE ESTADO 27

5. CONSELHO DA REPÚBLICA e CONSELHO DE DEFESA 28

1
1. ESTRUTURA

1.1. INTRODUÇÃO
O Poder Executivo é um dos Poderes da União, no qual é independente e autônomo, tendo como

função primordial a de administrar a coisa pública, por meio de atos de chefia de Estado, chefia de Governo e

da administração1.

O Grande órgão do Executivo é a presidência da República, mas temos 5 órgãos no total. Vejamos:

📌 OBSERVAÇÕES
■ O Brasil conserva um perfil raro de resumir ao vice as funções de sucessão, substituição e missões

especiais.

■ Os conselhos são órgãos consultivos. Portanto, o presidente é obrigado a ouvir o conselho em

determinadas situações, mas não é obrigado a seguir os pareceres.

■ Presidencialismo de coalização: No Brasil, são necessários acordos e alianças entre os partidos

políticos para formar uma maioria que dê suporte ao governo. O multipartidarismo existente no Brasil (em

torno de 35 partidos diferentes, sendo que 20 deles têm assento no Congresso Nacional) faz com que o

Governo tenha uma dificuldade muito grande para governar, uma vez que é necessário fazer uma série de

alianças entre esses diversos partidos, a fim de que possa ter apoio e base suficiente para governar. Sérgio

Abranches denominou esse fenômeno de “presidencialismo de coalizão”.

■ O sistema de governo presidencialista, adotado no Brasil na Constituição Cidadã foi reafirmado no

plebiscito previsto no art. 2º do ADCT.

1
MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 8. Ed. Salvador: JusPodvim, 2020. Pág. 1131.

2
■ Presidencialismo x Parlamentarismo: No sistema presidencialista, as funções de Chefe de Estado e

Chefe de Governo encontram-se nas mãos de uma única pessoa, o Presidente da República. Já no

parlamentarismo, a função de Chefe de Estado é exercida pelo Presidente da República (República

parlamentarista) ou Monarca (Monarquia parlamentarista), enquanto a função de Chefe de Governo, pelo

Primeiro-Ministro, chefiando o Gabinete.2

1.2. PRESIDENTE DA REPÚBLICA

1.2.1. AQUISIÇÃO DO MANDATO PRESIDENCIAL


Para que o indivíduo ocupe o cargo de Presidente da República se faz necessário o preenchimento de

alguns requisitos, quais sejam:

● Ser brasileiro nato - art. 12, §3.º, inc. I, CF;

● Possuir alistamento eleitoral - art. 14, §3.º, inc. III, CF;

● Estar em pleno exercício dos direitos políticos - art. 14, §3.º, inc. II, CF;

● Domicílio eleitoral na circunscrição - art. 14, §3.º, inc. IV, CF;

● Estar filiado a algum partido político - art. 14, §3.º inc. V e art. 77, §2.º, CF;

● Ter idade mínima de 35 anos - art. 14, §3.º, inc. VI, alínea “a”, CF;

● Não ser inelegível - art. 14, §7.º CF.

As regras para eleição do Presidente da República estão presentes no art. 77 da CF. Via de regra, a

ELEIÇÃO É DIRETA (art. 77, caput)

Art. 77. A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República realizar-se-á, simultaneamente, no

primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno,

se houver, do ano anterior ao do término do mandato presidencial vigente.

§ 1º A eleição do Presidente da República importará a do Vice-Presidente com ele registrado.

§ 2º Será considerado eleito Presidente o candidato que, registrado por partido político, obtiver a maioria

absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos.

§ 3º Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta na primeira votação, far-se-á nova eleição em até 20 dias

após a proclamação do resultado, concorrendo os dois candidatos mais votados e considerando-se eleito

aquele que obtiver a maioria dos votos válidos.

§ 4º Se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte, desistência ou impedimento legal de candidato,

convocar-se-á, dentre os remanescentes, o de maior votação.

§ 5º Se, na hipótese dos parágrafos anteriores, remanescer, em segundo lugar, mais de um candidato com a

2
Lenza, Pedro. Esquematizado - Direito Constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (26th edição). Editora Saraiva, 2022.

3
mesma votação, qualificar-se-á o mais idoso.

⚠️ ATENÇÃO
Alteração na data da posse (EC 111/21)

Antes da EC 111/21, a Constituição afirmava que a data da posse do chefe do executivo federal e

estadual se dava no dia 01 de janeiro. Todavia, a nova redação aponta:

Art. 82. O mandato do Presidente da República é de 4 anos e terá início em 5 de janeiro do ano seguinte ao

da sua eleição (EC 111/21)

Quanto aos governadores, a nova redação do art. 28 da CF dispõe:

Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de Estado, para mandato de 4 anos, realizar-se-á no

primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se

houver, do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores, e a posse ocorrerá em 6 de janeiro

do ano subsequente, observado, quanto ao mais, o disposto no art. 77 desta Constituição. (EC 111/21)

PRESIDENTE DA REPÚBLICA GOVERNADOR DE ESTADO

5 de janeiro 6 de janeiro

⚠️ ATENÇÃO
Conforme os arts. 4º e 5º da EC 111/21:

Art. 4º O Presidente da República e os Governadores de Estado e do Distrito Federal eleitos em 2022 tomarão

posse em 1º de janeiro de 2023, e seus mandatos durarão até a posse de seus sucessores, em 5 e 6 de janeiro

de 2027, respectivamente.

Art. 5º As alterações efetuadas nos arts. 28 e 82 da Constituição Federal constantes do art. 1º desta Emenda

Constitucional, relativas às datas de posse de Governadores, de Vice-Governadores, do Presidente e do

Vice-Presidente da República, serão aplicadas somente a partir das eleições de 2026.

EXCEÇÃO: ELEIÇÃO INDIRETA (ART. 81, §1º)

Temos aqui o caso da dupla vacância.

Art. 81. Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-á eleição 90 dias depois de

4
aberta a última vaga.

§ 1º - Ocorrendo a vacância nos últimos 2 anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será

feita 30 dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei (eleição indireta).

§ 2º - Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o período de seus antecessores.

1. A regra insculpida no art. 81, § 1º, da Constituição Federal não é de observância obrigatória pelos entes

periféricos na parte em que define o modelo e o procedimento da eleição indireta. Há certa liberdade de

conformação de que gozam os entes federados periféricos, na forma do art. 25 da parte permanente da

Constituição Federal e do art. 11 do ADCT. No caso, optou o Estado da Bahia por implantar, no art. 102, § 2º, de

sua Constituição, modelo equivalente ao paradigma federal . 2. O ente federado, dentro de sua autonomia e

respeitadas as balizas constitucionais, definiu, de forma legítima, a ocorrência de eleição indireta por

intermédio da Assembleia Legislativa. Pela peculiaridade da situação de dupla vacância e diante da

omissão constitucional específica, facultou-se aos estados-membros, ao Distrito Federal e aos

municípios a definição legislativa do processo de escolha, prerrogativa que não se confunde com a

competência privativa da União para legislar sobre direito eleitoral, estampada no art. 22, I, da

Constituição Federal. Precedentes. (STF, ADI 1057, Relator(a): DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em

17/08/2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-214 DIVULG 27-10-2021 PUBLIC 28-10-2021)

1.2.2. SUCESSÃO E SUBSTITUIÇÃO


A substituição do Presidente da República ocorrerá quando houver um impedimento temporário,

podendo ser voluntário (pedido de licença ou viagem ao exterior) ou involuntário (doença)3.

Já a sucessão pode ocorrer nas seguintes hipóteses: morte, renúncia, incapacidade absoluta

superveniente, impeachment. Nos casos de sucessão, como o cargo de Presidente da República fica vago, quem

o sucede definitivamente é o vice-Presidente da República.

Desta forma, podemos dizer que a sucessão é definitiva (vacância definitiva do cargo) e a

substituição é temporária, ou seja, nos casos de impedimento temporário.

O presidente só tem um sucessor, que é o vice. Os demais listados na Constituição são

considerados substitutos (presidentes da câmara, senado e do STF). Perceba que vagando o cargo do

presidente e do vice necessariamente teremos eleição.

Na linha sucessória da Presidência da República, só podem existir brasileiros natos, constitui a linha

sucessória do Presidente da República (nessa ordem):

1) Vice-presidente.

2) Presidente da Câmara dos Deputados;

3) Presidente do Senado Federal; e

3
NOVELINO, Marcelo. Curso de Direito Constitucional. 16. Ed. Salvador: JusPodvim, 2021. Pág. 739.

5
4) Presidente do Supremo Tribunal Federal.

⚠️ CUIDADO
Quem está respondendo a uma ação penal no Supremo NÃO fica impedido de assumir a Presidência

da Câmara dos Deputados nem a Presidência do Senado. Entretanto, eventualmente, se houver a necessidade

de substituir o Presidente da República, NÃO SERÁ PERMITIDO, em razão da vedação contida no art. 86

da CF.

Os substitutos eventuais do Presidente da República – o Presidente da Câmara dos Deputados, o Presidente

do Senado Federal e o Presidente do Supremo Tribunal Federal (CF, art. 80) – ficarão unicamente

impossibilitados de exercer, em caráter interino, a Chefia do Poder Executivo da União, caso ostentem

a posição de réus criminais, condição que assumem somente após o recebimento judicial da denúncia

ou da queixa-crime (CF, art. 86, § 1º, I).

Essa interdição, contudo – por unicamente incidir na hipótese estrita de convocação para o exercício, por

substituição, da Presidência da República (CF, art. 80) –, não os impede de desempenhar a Chefia que

titularizam no órgão de Poder que dirigem, razão pela qual não se legitima qualquer decisão que

importe em afastamento imediato de tal posição funcional em seu órgão de origem.

A “ratio” subjacente a esse entendimento (exigência de preservação da respeitabilidade das instituições

republicanas) apoia-se no fato de que não teria sentido que os substitutos eventuais a que alude o art. 80 da

Carta Política, ostentando a condição formal de acusados em juízo penal, viessem a dispor, para efeito de

desempenho transitório do ofício presidencial, de maior aptidão jurídica que o próprio Chefe do Poder

Executivo da União, titular do mandato, a quem a Constituição impõe, presente o mesmo contexto (CF, art. 86,

§ 1º), o necessário afastamento cautelar do cargo para o qual foi eleito. (STF, DPF 402 MC-Ref, Relator(a):

MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 07/12/2016, PROCESSO

ELETRÔNICO DJe-177 DIVULG 28-08-2018 PUBLIC 29-08-2018)

O presidente eleito vai exercer novo mandato ou exercerá mandato-tampão?

Conforme o §2º do art. 81:

§ 2º Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o período de seus antecessores.

Assim, o mandato é tampão. Termina-se o que já foi iniciado.

🚨JÁ CAIU
Na prova para Promotor de Justiça do Estado de Santa Catarina (Instituto CONSUPLAN - 2019), em prova do tipo

6
certo/errado, foi apresentada a seguinte afirmativa: “Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da

República, nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias

depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei.” A mencionada assertiva foi considerada

CORRETA.

Na prova para Procurador do Estado de Santa Catarina (FEPESE - 2019), foi considerada CORRETA a alternativa

que disse: “Em caso de vacância dos cargos de Presidente e de Vice-Presidente, serão sucessivamente

chamados ao exercício da Presidência o Presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal e o do

Supremo Tribunal Federal.”

1.2.3. ELEIÇÕES INDIRETAS


Regime jurídico próprio da eleição indireta? Quais as condições impostas para que alguém seja

eleito indiretamente?

Na Argentina tivemos um caso de eleição indireta. Lá construiu-se a lógica de que o congresso poderia

eleger alguém dentre os parlamentares, bem como outra pessoa que não seja deputado nem senador.

No Brasil, também podemos aplicar essa lógica tendo em vista que o texto permite tal interpretação,

desde que respeitadas as condições de elegibilidade. Assim, é possível que brasileiro seja eleito indiretamente

sem ser deputado ou senador.

[Link]. ELEIÇÃO DIRETA E INDIRETA PARA PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM CASO DE

VACÂNCIA
Se houver vacância definitiva dos cargos de Presidente da República e de vice-Presidente da

República, haverá nova eleição. Neste caso, as eleições poderão ser diretas ou indiretas, a depender da

situação.

a) Vacância nos 2 primeiros anos de mandato: a eleição será direta. Em 90 dias após aberta a última

vaga, será realizada uma nova eleição para escolher um novo Presidente e um novo vice-Presidente,

que completarão o mandato dos antecessores.

b) Vacância nos 2 últimos anos: a eleição será indireta. O Presidente do Congresso Nacional convocará

novas eleições e quem escolherá o novo Presidente e o novo vice-Presidente não será o povo

diretamente, mas sim o Congresso Nacional. Art. 81 da CF.

c) Ausência: Quando o afastamento do Presidente da República é superior a 15 dias, é necessária

autorização do Congresso Nacional e o STF decidiu que o artigo 83 da CF é de observância obrigatória

pelos Estados por envolver o princípio da separação dos poderes, uma vez que trata da autorização de

7
um Poder (Legislativo) a outro Poder (Executivo).

A exigência de prévia autorização da Assembleia Legislativa para o Governador e o Vice-Governador do Estado

ausentarem-se, em qualquer tempo, do território nacional mostra-se incompatível com os postulados da

simetria e da separação de poderes, pois essa restrição – que não encontra correspondência nem

parâmetro na Constituição Federal (art. 49, III, c/c o art. 83) – revela-se inconciliável com a Lei Fundamental da

República, que, por qualificar-se como fonte jurídica de emanação do poder constituinte decorrente, impõe ao

Estado-membro, em caráter vinculante, em razão de sua índole hierárquico-normativa, o dever de estrita

observância quanto às diretrizes e aos princípios nela proclamados e estabelecidos (CF, art. 25, “caput”), sob

pena de completa desvalia jurídica das disposições estaduais que conflitem com a supremacia de que se

revestem as normas consubstanciadas na Carta Política. Precedentes. (STF, ADI 5373, Relator(a): CELSO DE

MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 24/08/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-229 DIVULG 16-09-2020 PUBLIC

17-09-2020)

📌 OBSERVAÇÕES
■ A eleição indireta atualmente é regulamentada pela Lei 4.321/64. Esta lei foi parcialmente

recepcionada pela CF/1988.

■ A norma do artigo 81 da CF não é de observância obrigatória pelos Estados e Municípios, pois,

segundo o STF, eles podem estabelecer regras diferentes da prevista na CF, tendo em vista que eles possuem

autonomia.

■ Houve uma alteração na legislação eleitoral em 2015 (Lei 13.165), a qual previu que, quando causas

eleitorais levarem à perda do mandato, a eleição apenas será indireta se isso ocorrer nos 6 últimos meses do

mandato. Se a causa for não eleitoral, os Estados e municípios detêm autonomia para definir como serão as

eleições.

■ Segundo o STF, o art. 224, §4º, Lei 4.737/65 é constitucional e só se aplica às causas eleitorais

(indeferimento do registro, a cassação do diploma ou a perda do mandato de candidato eleito em pleito

majoritário) referentes ao governador e aos prefeitos, não se aplicando àquelas hipóteses que a própria CF

regulamenta, por exemplo, vacância do cargo de Presidente, Vice-Presidente e Senador.

■ Interessante saber que havendo necessidade de segundo turno, se antes de realizado ocorrer

morte, de­sistência ou impedimento legal de candidato, convocar-se-á, dentre os remanescentes, o de

maior votação (e não o Vice do referido candidato!). Nesta hipótese, havendo empate em segundo lugar, ou

seja, se dentre os remanescentes houver dois candidatos com a mesma votação, o desempate será

empreendido levando-se em consideração a idade, sendo chamado o mais idoso (cf. art. 77, §§ 3.º e 4.º).4

4
Lenza, Pedro. Esquematizado - Direito Constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (26th edição). Editora Saraiva, 2022.

8
1.2.4. DURAÇÃO DO MANDATO
Conforme o art. 82 da CF, temos a duração de 4 anos.

Art. 82. O mandato do Presidente da República é de 4 anos e terá início em 5 de janeiro do ano seguinte ao

da sua eleição (EC 111/21)

📌 OBSERVAÇÃO
O art. 14, §5º admite a reeleição.

§ 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os

houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período

subseqüente.

⚠️ ATENÇÃO: PONDERAÇÃO FEITA PELA CONSTITUIÇÃO


A norma do art. 14, §5.º é um caso concreto de ponderação entre o Princípio da República (o poder

deve ser temporário) e o Princípio da Eficiência Administrativa (4 anos pode ser pouco tempo para executar

as políticas públicas).

A Constituição optou por uma única reeleição para atender os dois princípios.

Quanto à ponderação feita pela Constituição, devemos observar três questões:

O art. 14, §5º aponta a distinção clara entre sucessão e substituição. Todavia, como se deve ler essa

norma?

A princípio, aplica-se a norma ao titular, ao substituto e ao sucessor.

No STF foi levada a seguinte questão: Em um mandato o vice foi substituto, em outro assumiu como

sucessor. Posteriormente foi eleito como titular.

Seria possível um terceiro mandato?

Conforme o STF, a última eleição é válida. Ou seja, temos a seguinte conclusão: Não são

considerados para permitir ou proibir a reeleição os períodos de substituição, mas apenas os de

sucessão.

I. – Vice-governador eleito duas vezes para o cargo de vice-governador. No segundo mandato de vice,

sucedeu o titular. Certo que, no seu primeiro mandato de vice, teria substituído o governador.

Possibilidade de reeleger-se ao cargo de governador, porque o exercício da titularidade do cargo dá-se

9
mediante eleição ou por sucessão. Somente quando sucedeu o titular é que passou a exercer o seu

primeiro mandato como titular do cargo. II. – Inteligência do disposto no § 5º do art. 14 da Constituição

Federal. III. – RE conhecidos e improvidos” (STF, RE 366.488/SP, Rel. Min. Carlos Velloso).

🚨JÁ CAIU
Na prova para Defensor Público do Estado de Goiás (FCC - 2021) questionou-se “Caso o Vice-Chefe do Poder

Executivo, em face da vacância definitiva, assuma o cargo do Chefe do Poder Executivo de forma efetiva e

definitiva, para fins de reeleição”, tendo sido assinalada como CORRETA a alternativa que disse: “esse mandato

deve ser computado como o primeiro, permitindo-se somente um único período subsequente,

independentemente do tempo em que exerceu a continuidade do mandato em razão da vacância.”

O que é desincompatibilização? é imposta para a reeleição ou não?

Conforme o art. 14, §6º:

§ 6º Para concorrerem a OUTROS CARGOS, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do

Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até 6 meses antes do pleito.

Essa é a chamada desincompatibilização. Assim, não é exigida a reeleição.

1. A EC nº 16/1997, ao alterar o art. 14, § 5º, da Constituição, rompeu com a tradição política e jurídica – desde

a primeira Constituição da República de 1891 até a Constituição de 1988 – de vedação constitucional de

reeleição para os detentores de mandato do Poder Executivo, introduzido o instituto pela primeira vez em

uma Constituição Brasileira. 2. Submetida ao controle de constitucionalidade a controvertida matéria atinente

à ausência de desincompatibilização dos Chefes do Poder Executivo para disputar a reeleição, cuja análise

exige a ponderação de valores de envergadura constitucional, tais como os princípios republicano, da

igualdade, da continuidade administrativa e da participação popular no processo de escolha dos

representantes. 3. Consoante assentado na medida cautelar, a norma contida no art. 14, § 5º, da CF disciplina

uma hipótese de elegibilidade, porquanto, ao permitir a reeleição, confere elegibilidade aos já titulares de

cargos do Poder Executivo para disputar mais um pleito subsequente. A desincompatibilização somente é

exigida para afastar um estado jurídico negativo provocado pela inelegibilidade, o que não se verifica na

hipótese vertente. 4. A emenda constitucional que permitiu a reeleição não previu expressamente a

necessidade de desincompatibilização, de modo que o silêncio deve ser interpretado de forma

restritiva, uma vez que a renúncia ao cargo configuraria uma restrição ao direito subjetivo de disputar

a reeleição. 5. Não se pode extrair da reelegibilidade sem desincompatibilização violação do princípio da

igualdade, se comparado às hipóteses previstas nos §§ 6º e 7º do art. 14 da CF, pois se referem a situações

diversas, em que configurada, respectivamente, inelegibilidade para concorrer a cargo diverso e

inelegibilidade decorrente de parentesco. Verificada, portanto, relação de pertinência lógica entre o fator de

10
desigualação e o tratamento jurídico diferenciado, prestigiada pela Constituição, na espécie, a continuidade

administrativa. 6. A possibilidade de reeleição no nosso sistema político-eleitoral não viola o postulado

republicano (art. 1º da CF), ao revés, é por ele condicionada, pois somente é permitida para o exercício de um

único mandato subsequente, garantidas a periodicidade da representação política e a igualdade de acesso dos

cidadãos aos cargos públicos. 7. Embora a reeleição tenha provocado uma queda vertical da taxa de

renovação das chefias de governo, o decurso de mais de vinte anos da promulgação da emenda, bem como da

decisão cautelar do STF que endossou sua constitucionalidade vindica uma interpretação consentânea com a

realidade concreta, notadamente porque no âmbito eleitoral a segurança jurídica assume a sua face de

princípio da confiança para proteger a estabilização das expectativas daqueles que participam dos prélios

eleitorais. 8. A ponderável vantagem do candidato já titular de cargo eletivo, ante a constante exposição na

mídia e presença em eventos, não é capaz de tisnar de inconstitucionalidade o instituto da reeleição, porque

há mecanismos no sistema eleitoral para coibir o uso abusivo do poder, bem como garantir a moralidade no

exercício dos mandatos e a legitimidade do pleito, destacado o importante papel da Justiça Eleitoral nesse

mister. 10. Conclusão pela constitucionalidade da previsão de reeleição dos chefes do Poder Executivo

para um único mandato subsequente, sem desincompatibilização do cargo, uma vez resguardados os

princípios republicano e democrático, bem assim garantida a igualdade na disputa dos cargos e a

continuidade administrativa. (STF, ADI 1805, Relator(a): ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em

23/11/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-289 DIVULG 09-12-2020 PUBLIC 10-12-2020)

📌 OBSERVAÇÕES
■ A Constituição exige RENÚNCIA e não a simples licença.

■ 6 meses antes do PLEITO e não da posse

Direito comparado: Distinção entre a Constituição Americana e a nossa: A nossa Constituição fala

em mandato subsequente. Todavia, na Constituição americana, se o presidente for reeleito, não poderá mais

voltar ao cargo.

1.2.5. PERDA DO MANDATO PRESIDENCIAL


Perda é um gênero que compreende extinção e cassação. Na cassação temos a ideia da prática de um

ato ilícito. Na extinção não temos ilicitude.

11
Inicialmente, é essencial diferenciar o crime comum do crime de responsabilidade. Vejamos:

CRIME COMUM CRIME DE RESPONSABILIDADE

Infração penal Infração político-administrativa

Competência para julgar do STF Competência para julgar do Senado

📌 OBSERVAÇÃO: A Câmara dos Deputados


apenas autoriza esse julgamento (condição de

procedibilidade).

Meio de processamento: Ação Penal pública. Meio de processamento: Impeachment.

Apresentada denúncia contra o Presidente da República por crime de responsabilidade, compete à Câmara

dos Deputados autorizar a instauração de processo (art. 51, I, da CF/1988). A Câmara exerce, assim, um juízo

eminentemente político sobre os fatos narrados, que constitui condição para o prosseguimento da

denúncia. Ao Senado compete, privativamente, processar e julgar o Presidente (art. 52, I), locução que

abrange a realização de um juízo inicial de instauração ou não do processo, isto é, de recebimento ou não da

denúncia autorizada pela Câmara. (STF, ADPF 378 MC, Relator(a): EDSON FACHIN, Relator(a) p/ Acórdão:

ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 17/12/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-043 DIVULG

07-03-2016 PUBLIC 08-03-2016)

SANÇÃO: a penalidade é a perda cargo com a inabilitação para o exercício de funções públicas por 8

anos. As hipóteses em que o Presidente da República pode praticar crime de responsabilidade estão no art. 85

da CF, cujo rol é exemplificativo.

RECALL: Trata-se de um mecanismo de democracia direta, ou seja, neste caso, a participação popular

12
não ocorre por meio de representantes. Por meio do recall, o eleitorado pode destituir determinados

agentes políticos cujo comportamento não esteja agradando àqueles que o elegeram. O recall possibilita a

destituição de um mandato eletivo pelo eleitorado. Cada país pode adotar regras específicas de recall. Este

instituto não é consagrado no ordenamento jurídico brasileiro.

RECALL X “IMPEACHMENT”

▸ Decidido diretamente pelos eleitores: O impeachment é feito por membros do Poder Legislativo.

No caso do Presidente da República, o processo de impeachment é autorizado pela Câmara dos Deputados e

é julgado pelo Senado Federal. Já no recall, a decisão é dada diretamente pelos eleitores e não por intermédio

de seus representantes.

▸ Instrumento de controle de todos os poderes: O impeachment é um instrumento de controle do

Legislativo em relação aos demais Poderes. Já o recall, é um instrumento de controle de todos os poderes.

Assim sendo, o eleitor pode destituir do cargo todos aqueles que foram eleitos, independentemente do Poder a

que pertencem.

🚨JÁ CAIU
Na prova para Juiz do Estado da Bahia (CESPE - 2018), foi perguntado sobre o instrumento da democracia direta

ou participativa que constitui consulta popular ao eleitorado sobre a manutenção ou revogação de um mandato

político, tendo sido considerada CORRETA a alternativa que disse se tratar do “Recall”.

DUPLO REGIME SANCIONATÓRIO: Atualmente, o STF entende que os agentes políticos, com exceção

do Presidente da República, respondem tanto por crime de responsabilidade quanto por improbidade

administrativa. O Presidente da República responde apenas por crime de responsabilidade.

O processo e julgamento de prefeito municipal por crime de responsabilidade (Decreto-lei 201/67) não

impede sua responsabilização por atos de improbidade administrativa previstos na Lei 8.429/1992, em virtude

da autonomia das instâncias. (STF, RE 976566/PA)

1. Os agentes políticos, com exceção do Presidente da República, encontram-se sujeitos a um duplo

regime sancionatório, de modo que se submetem tanto à responsabilização civil pelos atos de

improbidade administrativa, quanto à responsabilização político-administrativa por crimes de

responsabilidade. Não há qualquer impedimento à concorrência de esferas de responsabilização distintas, de

modo que carece de fundamento constitucional a tentativa de imunizar os agentes políticos das sanções da

ação de improbidade administrativa, a pretexto de que estas seriam absorvidas pelo crime de

responsabilidade. A única exceção ao duplo regime sancionatório em matéria de improbidade se refere

aos atos praticados pelo Presidente da República, conforme previsão do art. 85, V, da Constituição. 2. O

13
foro especial por prerrogativa de função previsto na Constituição Federal em relação às infrações penais

comuns não é extensível às ações de improbidade administrativa, de natureza civil. Em primeiro lugar, o

foro privilegiado é destinado a abarcar apenas as infrações penais. A suposta gravidade das sanções previstas

no art. 37, § 4º, da Constituição, não reveste a ação de improbidade administrativa de natureza penal. Em

segundo lugar, o foro privilegiado submete-se a regime de direito estrito, já que representa exceção aos

princípios estruturantes da igualdade e da república. Não comporta, portanto, ampliação a hipóteses não

expressamente previstas no texto constitucional. E isso especialmente porque, na hipótese, não há lacuna

constitucional, mas legítima opção do poder constituinte originário em não instituir foro privilegiado para o

processo e julgamento de agentes políticos pela prática de atos de improbidade na esfera civil. Por fim, a

fixação de competência para julgar a ação de improbidade no 1o grau de jurisdição, além de constituir fórmula

mais republicana, é atenta às capacidades institucionais dos diferentes graus de jurisdição para a realização da

instrução processual, de modo a promover maior eficiência no combate à corrupção e na proteção à

moralidade administrativa. (STF, Pet 3240 AgR, Relator(a): TEORI ZAVASCKI, Relator(a) p/ Acórdão: ROBERTO

BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 10/05/2018, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-171 DIVULG 21-08-2018

PUBLIC 22-08-2018)

🚨JÁ CAIU
Na prova para Juiz Federal da 3ª Região (banca própria - 2022), foi perguntado sobre a competência privativa do

Presidente da República, foi assinalado como CORRETA a assertiva que disse: “Extinguir, por decreto, funções

ou cargos públicos, criados por lei, quando vagos.“

[Link]. CRIME DE RESPONSABILIDADE


Os crimes de responsabilidade são infrações político-administrativas praticadas pelo Presidente.

Estão listadas no rol exemplificativo do art. 85 da CF e melhor especificadas na lei nº 1.079/19505.

📌 OBSERVAÇÃO
Tradicionalmente, não há impeachment de membros do Poder Legislativo, pois estes não praticam

crimes de responsabilidade.

Na CF/1988, há apenas uma exceção a essa regra: o único caso em que o membro do Poder

Legislativo pode praticar crime de responsabilidade diz respeito ao Presidente da Câmara Municipal.

Nesta situação, o Presidente da Câmara Municipal, ao exercer funções administrativas, se não observar os

limites impostos por lei, poderá praticar crime de responsabilidade. Trata-se do único membro do Poder

Legislativo sujeito ao impeachment.

[Link].1. PROCEDIMENTO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS


5
MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 8. Ed. Salvador: JusPodvim, 2020. Pág. 1177.

14
🚨JÁ CAIU
Na prova para Delegado de Polícia do Estado do Mato Grosso (Instituto Acesso - 2019 - Prova Anulada), foi

perguntado A Constituição da República Federativa do Brasil define as condutas consideradas como crime de

responsabilidade se praticadas pelo Presidente da República no âmbito das suas funções. Em relação aos

crimes de responsabilidade cometidos pelo Presidente da República, NÃO é correto afirmar que: RESPOSTA: “o

Presidente ficará suspenso de suas funções nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo

pela Câmara dos Deputados.”

Na prova para Juiz do Estado do Paraná (CESPE - 2019), foi perguntado: “Tratando-se de processo referente a

crime de responsabilidade cometido por presidente da República, a Constituição Federal de 1988 exige que o

juízo de admissibilidade seja realizado”, tendo sido considerada CORRETA a alternativa que disse: “pela Câmara

dos Deputados”.

[Link].2. PROCEDIMENTO NO SENADO FEDERAL


a. INSTAURAÇÃO: após parecer da Comissão Especial. Ocorre a suspensão por até 180 dias. Após o

parecer apresentado pela Comissão Especial, o Senado , o Senado terá que aprovar a instauração do

processo pela maioria relativa (mais da metade dos presentes, tendo que estar presentes mais da

metade dos membros do Senado) de seus membros. O fato de a Câmara dos Deputados ter autorizado

o impeachment, não significa que o Senado está obrigado a processar e julgar o Presidente. O Senado

tem autonomia para decidir se irá instaurar ou não o processo de impeachment.

b. RITO: O rito do processo, no Senado, para o julgamento do Presidente da República é o previsto para o

impeachment dos Ministros do STF e do PGR.

15
c. PRESIDÊNCIA: a presidência é feita pelo Presidente do STF.

d. ABSOLVIÇÃO: se o Senado absolver o Presidente da Repúblicas, ele reassume o cargo.

e. CONDENAÇÃO: em caso de condenação pelo voto de 2/3 (54 votos) dos membros do Senado, haverá a

perda do cargo com inabilitação por 8 anos.

f. RENÚNCIA: A renúncia do Chefe do Executivo não paralisa o processo. O STF entende que a renúncia

não leva, necessariamente, à perda do objeto do impeachment.

🚨JÁ CAIU
Na prova para Promotor de Justiça do Estado do Mato Grosso (FCC - 2019), foi perguntado “De acordo com a

disciplina relativa à Organização dos Poderes na Constituição Federal e a jurisprudência do Supremo Tribunal

Federal na matéria, tendo sido considerada CORRETA a alternativa que disse completou: “ante uma acusação

pela prática de crime comum contra o Presidente da República, não cabe ao Supremo Tribunal Federal

proceder à análise de questões jurídicas eventualmente atinentes à denúncia antes do exercício de juízo político

de admissibilidade pela Câmara dos Deputados”.

Na prova para Promotor de Justiça do Estado de Minas Gerais (FUNDEP - 2018), foi questionado: “São crimes de

responsabilidade os atos do Presidente da República, na dicção do art. 85 da CR/88, EXCETO”, tendo sido

considerada CORRETA a alternativa que disse: “que atentem contra os partidos políticos.”

[Link]. CRIME COMUM


O Presidente da República possui irresponsabilidade penal relativa conhecida como in officio ou

propter officium. O Presidente da República só responde por crimes praticados no exercício da sua função ou

em razão da função por ele desempenhada. O Presidente da República, enquanto estiver no exercício do

mandato, não responderá por atos estranhos ao exercício da sua função.

Para o Presidente responder por crimes comuns, assim como acontece nos crimes de

responsabilidade, é necessário que haja uma autorização pela Câmara dos Deputados (2/3 dos membros).

O Presidente da República, ao contrário do que ocorre com os parlamentares, não possui a chamada

imunidade material por suas palavras e votos. Ele pode ser processado civilmente, pode responder na esfera

tributária etc. No caso de crimes comuns, o Presidente da República fica suspenso de suas funções a partir

do recebimento da denúncia ou queixa-crime pelo STF (CF, art. 86, §1º, I e §2º).

O Presidente da República ficará suspenso de suas funções por até 180 dias. Se o julgamento não for

concluído em até 180 dias, o Presidente retorna para o cargo, sem prejuízo do regular prosseguimento do

processo. CF, art. 86, §§1º e 2º.

Prisão: O Presidente da República para ser preso se faz necessário que haja condenação transitada

em julgado. Portanto, não pode haver prisão penal cautelar do Presidente da República.

16
🚨JÁ CAIU
Na prova para Promotor de Justiça do Estado do Paraná (Banca Própria - 2021), questionado “nos termos da Lei

1.079/50 são crimes de responsabilidade contra o livre exercício dos poderes legislativo e judiciário e dos

poderes constitucionais dos Estados, exceto:” assim foi considerada CORRETA a alternativa que disse: Subverter

ou tentar subverter por meios violentos a ordem política e social.

Na prova para Delegado de Polícia do Estado do Paraná (NC-UFPR - 2021), foi considerada CORRETA a

alternativa que trouxe: “Cometerá crime de responsabilidade o chefe do Poder Executivo federal que, por ações

ou omissões, praticar atos que atentem contra os direitos fundamentais e o livre exercício dos outros poderes

constitucionais das unidades da Federação”.

Na prova para Delegado de Polícia do Estado do Rio Grande do Norte (FGV - 2021), foi apresentado o texto que

segue: “Pedro, na época em que era Chefe do Poder Executivo Federal, foi condenado em um processo por

crime de responsabilidade, daí decorrendo a aplicação da sanção de inabilitação para o exercício de função

pública.” Diante disso, foi considerada CORRETA a alternativa que trouxe: “A sanção sofrida por Pedro acarreta

restrições mais amplas que a inelegibilidade”.

2. FUNCIONAMENTO

O chefe do Poder Executivo da União é o Presidente da República e exerce a chefia de Estado e chefia

de Governo, tendo em vista o presidencialismo.

Temos o art. 84 tratando dessa matéria.

2.1. CHEFIA DE ESTADO


A chefia de Estado está ligada com a representação, seja internacional, seja interna. A chefia de

governo permite atribuições político-administrativas.

REPRESENTAÇÃO NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS REPRESENTAÇÃO NAS RELAÇÕES INTERNAS

VII - manter relações com Estados estrangeiros e XIV - nomear, após aprovação pelo Senado Federal,

acreditar seus representantes diplomáticos; os Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos

VIII - celebrar tratados, convenções e atos Tribunais Superiores, os Governadores de Territórios,

internacionais, sujeitos a referendo do Congresso o Procurador-Geral da República, o presidente e os

Nacional; diretores do banco central e outros servidores,

XIX - declarar guerra, no caso de agressão quando determinado em lei;

estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacional ou XV - nomear, observado o disposto no art. 73, os

17
referendado por ele, quando ocorrida no intervalo Ministros do Tribunal de Contas da União;

das sessões legislativas, e, nas mesmas condições, XVI - nomear os magistrados, nos casos previstos
decretar, total ou parcialmente, a mobilização nesta Constituição, e o Advogado-Geral da União;
nacional;

XX - celebrar a paz, autorizado ou com o referendo

do Congresso Nacional;

XXI - conferir condecorações e distinções honoríficas;

XXII - permitir, nos casos previstos em lei

complementar, que forças estrangeiras transitem

pelo território nacional ou nele permaneçam

temporariamente;

2.2. CHEFIA DE GOVERNO


A chefia de governo orienta a vida política interna nacional, em permanente atividade voltada à

efetivação das políticas públicas consagradas no ordenamento jurídico pátrio6.

DETERMINAÇÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS


DIREÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
NACIONAIS

III - iniciar o processo legislativo, na forma e nos I - nomear e exonerar os Ministros de Estado;

casos previstos nesta Constituição; II - exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a

IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem direção superior da administração federal;

como expedir decretos e regulamentos para sua fiel XIII - exercer o comando supremo das Forças
execução; Armadas, nomear os Comandantes da Marinha, do

V - vetar projetos de lei, total ou parcialmente; Exército e da Aeronáutica, promover seus

VI - dispor, mediante decreto, sobre: oficiais-generais e nomeá-los para os cargos que lhes

a) organização e funcionamento da administração são privativos;

federal, quando não implicar aumento de despesa XVII - nomear membros do Conselho da República,

nem criação ou extinção de órgãos públicos; nos termos do art. 89, VII;

b) extinção de funções ou cargos públicos, quando XVIII - convocar e presidir o Conselho da República e

vagos; o Conselho de Defesa Nacional;

IX - decretar o estado de defesa e o estado de sítio; XXV - prover e extinguir os cargos públicos federais,

X - decretar e executar a intervenção federal; na forma da lei;

XI - remeter mensagem e plano de governo ao

6
MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 8. Ed. Salvador: JusPodvim, 2020. Pág. 1131.

18
Congresso Nacional por ocasião da abertura da

sessão legislativa, expondo a situação do País e

solicitando as providências que julgar necessárias;

XII - conceder indulto e comutar penas, com

audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em

lei;

XXIII - enviar ao Congresso Nacional o plano

plurianual, o projeto de lei de diretrizes

orçamentárias e as propostas de orçamento

previstos nesta Constituição;

XXIV - prestar, anualmente, ao Congresso Nacional,

dentro de sessenta dias após a abertura da sessão

legislativa, as contas referentes ao exercício anterior;

XXVI - editar medidas provisórias com força de lei,

nos termos do art. 62.

Em virtude do princípio da simetria, as atribuições mencionadas no art. 84 da CF, são extensíveis

aos demais chefes do Poder Executivo no que couber.

⚠️ ATENÇÃO
As atribuições conferidas ao Presidente da República estão taxativamente previstas no art. 84?

Respondendo à primeira pergunta, devemos dizer que o rol do art. 84 é meramente exemplificativo,

pois, conforme o seu inciso XXVII, compete privativamente ao Presidente da República exercer não só as

atribuições definidas nos incisos precedentes bem como outras previstas na CF/88.7

As atribuições do art. 84 da CF poderiam ser delegadas?

É possivel. No entanto, resta observar que o Presidente da República somente poderá delegar as

atribuições previstas nos incisos VI, XII e XXV, primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da

República ou ao Advogado-Geral da União, devendo todos observar os limites traçados nas respectivas

delegações (cf. art. 84, parágrafo único), quais sejam, as atribuições de:8

■ dispor, mediante decreto, sobre a organização e o funcionamento da administração federal,

quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos;

■ dispor, mediante decreto, sobre a extinção de funções ou de cargos públicos, quando vagos;

7
Lenza, Pedro. Esquematizado - Direito Constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (26th edição). Editora Saraiva, 2022.
8
Lenza, Pedro. Esquematizado - Direito Constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (26th edição). Editora Saraiva, 2022.

19
■ conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei;

■ prover os cargos públicos federais, na forma da lei.

🚨JÁ CAIU
Na prova para Promotor de Justiça do Estado de Santa Catarina (CESPE - 2021), em prova de certo/errado a

assertiva: “A graça, ou indulto individual, destina-se a pessoa determinada e constitui ato de clemência

discricionário e privativo do presidente da República, não sendo, no entanto, vedada a sua delegação aos

ministros de Estado, ao procurador-geral da República ou ao advogado-geral da União, observados os limites da

respectiva delegação.” foi considerada CORRETA.

Na prova para Defensor Público do Estado de Goiás (FCC - 2021), foi apresentado o texto que segue: “João,

hipoteticamente, foi eleito presidente do Brasil e tomou posse em 01/01/2021. Ao assumir seu mandato, João

estava muito ansioso por dar início ao seu governo, então perguntou aos seus assessores quais eram os cargos

que lhe incumbiam nomear, por determinação constitucional. Em resposta, João recebeu uma lista da sua

assessoria.” tendo sido considerado CORRETA, a respeito dos cargos que cometem privativamente ao

Presidente da República nomear, a alternativa que disse: “O Advogado-Geral da União; os magistrados, nos

casos previstos na Constituição Federal; observado o disposto no artigo 73 da Constituição Federal, os Ministros

do Tribunal de Contas da União.”

O que é decreto autônomo?

O decreto regulamentar é previsto no art. 84, IV, parte final, para regulamentar a fiel execução de lei.

Já o decreto autônomo é aquele que exerce a função da lei, inovando a ordem jurídica e buscando

fundamentação de validade direta na CF.

Ele é admitido no Brasil?

1a corrente: não feriria o princípio da separação dos poderes, pois esta seria entendida como

interdependência entre os poderes (influência francesa).

2a corrente: o decreto autônomo não seria possível, pois atentar contra a separação de poderes, esta

entendida como independência entre os poderes (influência americana).

Hoje, salvo JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO e MARÇAL JUSTEN FILHO, a doutrina entende que a

EC 32/01 possibilitou a existência do decreto autônomo.

O STF possui diversos julgados mencionando a existência do decreto autônomo.

Por qual motivo entende-se que de fato temos um decreto autônomo no inciso VI?

Se compararmos os dois incisos citados, temos:

20
IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem VI - dispor, mediante decreto, sobre:

como expedir decretos e regulamentos para sua fiel a) organização e funcionamento da administração
execução. federal, quando não implicar aumento de despesa

nem criação ou extinção de órgãos públicos;

b) extinção de funções ou cargos públicos, quando

vagos;

Perceba que o inciso IV vincula o decreto à Lei, enquanto no VI não vincula, sendo autônomo em

relação à Lei.

O art. 84, VI, a, da Constituição Federal, na redação dada pela Emenda Constitucional 32/2001, permitiu ao

Presidente da República dispor, mediante decreto, sobre matéria que antes só poderia ser disciplinada

por lei. [STF, ADI 2.601, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 19-8-2021, P, DJE de 4-2-2022.]

A matéria do inciso VI é delegável? SIM. O Presidente da República poderá delegar as atribuições

mencionadas nos incisos VI, XII e XXV, primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da

República ou ao Advogado-Geral da União, que observarão os limites traçados nas respectivas delegações.

Cabe ADI contra decreto autônomo? SIM.

1. Cabe ação direta de inconstitucionalidade contra decreto autônomo. (STF, ADI 1306, Relator(a): CÁRMEN

LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 13/06/2018, DJe-227 DIVULG 17-10-2019 PUBLIC 18-10-2019)

Cabe ADI contra decreto regulamentar? Não.

Não cabe ação direta de inconstitucionalidade contra decreto que regulamenta lei, ou porque, havendo

divergência entre aquele e esta, a questão se situa primariamente no terreno da legalidade, ou porque, sendo

a norma daquele mera reprodução da desta, a inconstitucionalidade a ser atacada é da norma legal e só por

via de consequência se reflete na norma do Decreto que a reproduz” (STF, ADI n. 2.121/SC, Relator o Ministro

Moreira Alves, Tribunal Pleno, DJ 15.12.2000) .

PEC 32 (REFORMA ADMINISTRATIVA): O texto em tramitação na Câmara pretende incluir novas

alíneas ao inciso VI. Uma das matérias é a inclusão da possibilidade de criar ministérios (temos clara

deslegalização).

21
🚨JÁ CAIU
Na prova para Promotor de Justiça do Estado do Paraná (banca própria - 2021), determinado que fosse

assinalada a alternativa INCORRETA a resposta foi a que segue: “Medida provisória tem o prazo de eficácia de

60 dias, podendo ser reeditada pelo Presidente da República apenas uma única vez.”

3. GARANTIAS DADAS AO CHEFE DO EXECUTIVO

A Constituição Federal não concede ao Presidente da República a inviolabilidade quanto às palavras e

opiniões (imunidade material), uma vez que se trata de uma prerrogativa própria dos membros do Poder

Legislativo. Porém, o “recompensa” com um conjunto de prerrogativas formais9, quais seja:

3.1. FORO ESPECIAL POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO


O foro poderá ser o STF (crime comum) ou o Senado Federal (crime de responsabilidade).

Qualquer acusação ao presidente passará primeiro pelo crivo da câmara, inclusive nos casos de crime

comum.

3.2. IMUNIDADE TEMPORÁRIA À PRISÃO PROVISÓRIA


O §3.º do art. 86 da CF, preceitua que:

§ 3º Enquanto não sobrevier sentença condenatória, nas INFRAÇÕES COMUNS, o Presidente da República

não estará sujeito a prisão.

Nas infrações penais comuns, o Presidente da República, enquanto Chefe de Estado, tem prerrogativa

constitucional da imunidade à prisão, só podendo ser preso no caso de sentença penal condenatória

9
MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 8. Ed. Salvador: JusPodvim, 2020. Pág. 1162.

22
definitiva10.

Acerca desse tema, é essencial destacar duas informações importantes:

● Essa garantia é mais ampla que a do parlamentar, já que é possível no caso de flagrante de crime

inafiançável. Aqui, nem mesmo em caso de flagrante de crime inafiançável poderia o presidente ser

preso. A garantia é absoluta.

● Para quem defende a prisão em segunda instância, o argumento mais forte está aqui, pois a única

autoridade pública brasileira que não pode ser presa sem trânsito em julgado é o Presidente da

República. Quando o STF estende a garantia a todos, acaba-se aniquilando essa garantia.

3.3. IMUNIDADE TEMPORÁRIA À PERSECUÇÃO CRIMINAL


Conforme o art. 86, §4º:

§ 4º O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos

estranhos ao exercício de suas funções.

A irresponsabilidade penal relativa inibe que o Estado exerça o seu poder de persecução criminal

contra aquele que estiver na titularidade da Presidência da República. Durante a investidura, portanto, o

Presidente da República não poderá ser responsabilizado penalmente por infrações cometidas antes do

mandato ou durante o seu exercício, mas que não tenham relação com as funções inerentes ao cargo11.

Quanto à imunidade temporária à persecução criminal alguns pontos são importantes:

O que é “ato estranho à função”?

Temos aqui um fato anterior à posse ou um fato posterior à posse que não diz respeito às atribuições

próprias do cargo.

A persecução é apenas criminal ou admite-se outras?

Devemos lembrar que temos aqui norma excepcional (deve ser feita interpretação literal). Assim, essa

imunidade não abrange outras formas de persecução, como cível ou fiscal. É restrita, portanto, à persecução

criminal.

10
NOVELINO, Marcelo. Curso de Direito Constitucional. 16. Ed. Salvador: JusPodvim, 2021. Pág. 747.
11
NOVELINO, Marcelo. Curso de Direito Constitucional. 16. Ed. Salvador: JusPodvim, 2021. Pág. 748.

23
📌 OBSERVAÇÃO
Nos autos do Inq. 4462 (investigado o então Presidente da República, Michel Temer), admitiu-se a

possibilidade, unicamente, de investigação dos atos estranhos ao exercício do mandato, “a fim de, por

exemplo, evitar dissipação de provas, valendo aquela proteção constitucional apenas contra a

responsabilização, e não em face da investigação criminal em si”.

O que o art. 86, § 4º, confere ao presidente da República não é imunidade penal, mas imunidade

temporária à persecução penal: nele não se prescreve que o presidente é irresponsável por crimes não

funcionais praticados no curso do mandato, mas apenas que, por tais crimes, não poderá ser

responsabilizado, enquanto não cesse a investidura na presidência. Da impossibilidade, segundo o art. 86, §

4º, de que, enquanto dure o mandato, tenha curso ou se instaure processo penal contra o presidente da

República por crimes não funcionais, decorre que, se o fato é anterior à sua investidura, o Supremo Tribunal

não será originariamente competente para a ação penal, nem consequentemente para o habeas corpus por

falta de justa causa para o curso futuro do processo. Na questão similar do impedimento temporário à

persecução penal do congressista, quando não concedida a licença para o processo, o STF já extraíra, antes

que a Constituição o tornasse expresso, a suspensão do curso da prescrição, até a extinção do mandato

parlamentar: deixa-se, no entanto, de dar força de decisão à aplicabilidade, no caso, da mesma solução, à falta

de competência do Tribunal para, neste momento, decidir a respeito. [STF, HC 83.154, rel. min. Sepúlveda

Pertence, j. 11-9-2003, P, DJ de 21-11-2003.]

Se o fato não for estranho à função?

Não sendo estranho à função, a garantia não prevalece. Exemplo: crime contra a administração

pública.

Condição: Essa garantia está sob uma condição que é o fato de ser estranho à função.

Enquanto as outras duas garantias sempre serão observadas, essa é condicionada.

A norma se aplica apenas ao Presidente ou se aplica também ao Governador do Estado?

É importante separar o foro especial e as imunidades temporárias.

Quanto às imunidades à prisão e persecução, o STF entende que a extensão das duas imunidades

para plano diferente da União é inconstitucional, pois são garantias próprias do CHEFE DE ESTADO e só temos

um único chefe de Estado que é o Presidente da República.

Segundo o STF, não é extensível ao Governador:

O Estado-membro, ainda que em norma constante de sua própria Constituição, não dispõe de competência

para outorgar ao Governador a prerrogativa extraordinária da imunidade a prisão em flagrante, a

prisão preventiva e a prisão temporária, pois a disciplinação dessas modalidades de prisão cautelar

24
submete-se, com exclusividade, ao poder normativo da União Federal, por efeito de expressa reserva

constitucional de competência definida pela Carta da República. - A norma constante da Constituição estadual

- que impede a prisão do Governador de Estado antes de sua condenação penal definitiva - não se reveste de

validade jurídica e, consequentemente, não pode subsistir em face de sua evidente incompatibilidade com o

texto da Constituição Federal. PRERROGATIVAS INERENTES AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA ENQUANTO CHEFE

DE ESTADO. - Os Estados-membros não podem reproduzir em suas próprias Constituições o conteúdo

normativo dos preceitos inscritos no art. 86, §3. e 4., da Carta Federal, pois as prerrogativas

contempladas nesses preceitos da Lei Fundamental - por serem unicamente compatíveis com a

condição institucional de Chefe de Estado - são apenas extensíveis ao Presidente da Republica.

Precedente: ADIn 978-PB, Rel. p/ o acórdão Min. CELSO DE MELLO. (STF, ADI 1028, Relator(a): ILMAR GALVÃO,

Relator(a) p/ Acórdão: CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 19/10/1995, DJ 17-11-1995 PP-39204

EMENT VOL-01809-05 PP-00958)

No tocante ao foro especial para os governadores, é plenamente possível esta garantia, sendo o STJ

para os crimes comuns e Tribunal Especial Misto para crimes de responsabilidade.

Juízo de admissibilidade: Norma constitucional estadual que condicione a persecução criminal

contra o governador a um juízo de admissibilidade da casa legislativa do Estado, conforme o STF, é

INCONSTITUCIONAL.

A Constituição Estadual não pode condicionar a instauração de processo judicial por crime comum

contra Governador à licença prévia da Assembleia Legislativa. A república, que inclui a ideia de

responsabilidade dos governantes, é prevista como um princípio constitucional sensível (CRFB/1988, art. 34,

VII, a), e, portanto, de observância obrigatória, sendo norma de reprodução proibida pelos Estados-membros a

exceção prevista no art. 51, I, da Constituição da República. (STF, ADI 4764, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO,

Relator(a) p/ Acórdão: Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 04/05/2017, PROCESSO

ELETRÔNICO DJe-178 DIVULG 14-08-2017 PUBLIC 15-08-2017)

🚨JÁ CAIU
Na prova para Juiz Federal da 4ª Região (Banca Própria - 2022), foi assinalada como CORRETA a assertiva que

disse: “O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos

estranhos ao exercício de suas funções.“

Na prova para Defensor Público do Estado de Santa Catarina (FCC - 2018), foi considerada CORRETA a

alternativa que disse: “as prerrogativas extraordinárias de caráter processual penal, consistentes na imunidade

à prisão cautelar e a qualquer processo penal por atos estranhos ao exercício de suas funções, são inerentes ao

Presidente da República enquanto Chefe de Estado, não podendo ser estendidas aos demais chefes do Poder

Executivo pelas constituições estaduais e leis orgânicas.”

25
4. MINISTROS DE ESTADO

Como visto são auxiliares do Presidente da República. Os Ministros de Estado dirigem Ministérios e

são escolhidos pelo Presidente da República, que os nomeia, podendo ser exonerados a qualquer tempo, ad

nutum, não tendo qualquer estabilidade (art. 84, I). Os requisitos para assumir o cargo de Ministro de Estado,

cargo de provimento em comissão, são, de acordo com o art. 87, caput:

Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de 21 anos e no exercício dos

direitos políticos.

Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição

e na lei:

I - exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da administração federal na área de

sua competência e referendar os atos e decretos assinados pelo Presidente da República;

II - expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos;

III - apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no Ministério;

IV - praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou delegadas pelo Presidente da

República.

📌 OBSERVAÇÃO 12

Segundo o professor Pedro Lenza o ato de escolha, nomeação e exoneração de Ministro de Estado é,

de fato, discricionário, por se tratar de cargo de confiança do Presidente da República, tanto é que são

demissíveis ad nutum, qual seja, sem qualquer procedimento ou garantia de contraditório.

Dessa forma, haveria, em regra e em tese, apenas a possibilidade de eventual controle judicial sobre

os requisitos formais previstos no art. 87, caput, da CF/88, ou seja, o controle da legalidade da nomeação e não

do mérito da escolha.

Contudo, em se caracterizando desvio de finalidade no ato de nomeação (ou seja, ato com finalidade

diversa de auxílio do Presidente da República na forma do art. 76 da CF/88), que não se presume e tem de ser

cabalmente demonstrado, nesse caso específico, entendemos ser possível o controle judicial, já que se trata de

ato nulo e, então, sob esse aspecto, passível de controle (art. 2.º, “e” e parágrafo único, “e”, da Lei n. 4.717/65 —

Lei da Ação Popular).

Essa questão ganhou relevância com um fato que gerou bastante polêmica e de conhecimento de

todos, qual seja, a nomeação do ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, por meio de Decreto da

então Presidente da República Dilma Rousseff, que circulou em uma edição extra do Diário Oficial de

12
Lenza, Pedro. Esquematizado - Direito Constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (26th edição). Editora Saraiva, 2022.

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16.03.2016, para exercer o cargo de Ministro de Estado Chefe da Casa Civil. Alegava-se que o único objetivo

daquela nomeação era o de lhe conferir prerrogativa de foro no STF (art. 102, I, “c”, CF/88), retirando os autos

do juízo da denominada Operação Lava-Jato, sob a responsabilidade do então Juiz Sérgio Moro, em Curitib

No caso de Lula, essa questão concreta não chegou a ser apreciada pelo STF, na medida em que,

tendo em vista o afastamento de Dilma Rousseff decorrente da instalação do processo de impeachment no

Senado Federal, ela mesma revogou o ato de nomeação, não tendo sido este restabelecido, já que, como todos

sabem, em 31.08.2016 houve a sua condenação, com a aplicação da sanção de perda do cargo.

🚨JÁ CAIU
Na prova para Delegado de Polícia do Estado de São Paulo (VUNESP - 2018), foi perguntado: “Supondo que o

Presidente da República decida nomear como novo Ministro de Defesa FULANO DE TAL, é correto afirmar que

referido Ministro”, tendo sido considerada CORRETA a alternativa que completou: “obrigatoriamente, deverá

possuir mais de 21 anos de idade e ser exclusivamente brasileiro nato, no gozo de seus direitos políticos”.

4.1. CRIME DE RESPONSABILIDADE DE MINISTRO DE ESTADO


De acordo com a Constituição, cometem crime de responsabilidade nas seguintes situações:

a) quando convocados pela Câmara dos Deputados, pelo Senado Federal ou qualquer de suas

Comissões, para prestar, pessoalmente, informações sobre assunto previamente determinado e inerentes às

suas atribuições e deixarem de comparecer, salvo justificação adequada (arts. 50, caput, e 58, III);

b) quando as Mesas da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal encaminharem pedidos

escritos de informação aos Ministros de Estado e estes se recusarem a fornecê-las, não atenderem ao pedido

no prazo de 30 dias, ou prestarem informações falsas (art. 50, § 2.º);

c) quando praticarem crimes de responsabilidade conexos e da mesma natureza com os crimes de

responsabilidade praticados pelo Presidente da República (art. 52, I, c/c o art. 85).

No caso de crimes de responsabilidade praticados sem qualquer conexão com o Presidente da

República e nos crimes comuns, os Ministros de Estado serão processados e julgados perante o STF, nos

exatos termos do art. 102, I, “c”. Na hipótese de crimes de responsabilidade conexos com os do Presidente

da República, o órgão julgador será o Senado Federal, nos termos do art. 52, I, e parágrafo único.

📌 OBSERVAÇÃO
Necessidade de autorização pela Câmara dos Deputados? O art. 51, I, estabelece ser competência

privativa da Câmara dos Deputados autorizar, por 2/3 de seus membros, a instauração de processo contra o

Presidente e o Vice-Presidente da República, bem como contra os Ministros de Estado.

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O STF interpretou que essa condição de procedibilidade ou admissibilidade do processo (por crime

comum ou por crime de responsabilidade) só será exigida na hipótese de crime de responsabilidade

praticado por Ministro de Estado conexo com aquele praticado pelo Presidente da República.

Assim, em se tratando de crime comum ou de crime de responsabilidade praticado por Ministro de

Estado sem conexão com o praticado pelo Presidente da República, não haverá necessidade de autorização

pela Câmara dos Deputados, proibindo-se, portanto, a sua exigência. Nesse sentido, firme a jurisprudência do

STF:

“EMENTA: O processo de impeachment dos Ministros de Estado, por crimes de responsabilidade autônomos,

não conexos com infrações da mesma natureza do Presidente da República, ostenta caráter jurisdicional,

devendo ser instruído e julgado pelo STF. Inaplicabilidade do disposto nos arts. 51, I e 52, I da Carta de 1988 e

14 da Lei 1.079/1950, dado que é prescindível (ou seja, dispensada, acrescente-se) autorização política da

Câmara dos Deputados para a sua instauração. Prevalência, na espécie, da natureza criminal desses

processos, cuja apuração judicial está sujeita à ação penal pública da competência exclusiva do MPF (CF, art.

129, I). Ilegitimidade ativa ad causam dos cidadãos em geral, a eles remanescendo a faculdade de noticiar os

fatos ao Parquet” (Pet 1.954, Rel. Min. Maurício Corrêa, j. 11.09.2002, Plenário, DJ de 1.º.08.2003).

🚨JÁ CAIU
Na prova para Delegado de Polícia do Estado do Mato Grosso do Sul (FAPEC - 2022), foi considerada CORRETA a

alternativa que disse: “A Súmula Vinculante nº 13 do STF, que veda a prática do nepotismo, tem sido afastada

pelo Tribunal com relação aos cargos públicos de natureza política, tais como Secretários de Estado. No

entanto, mesmo nesses casos, será possível considerar a nomeação indevida nas hipóteses de inequívoca falta

de razoabilidade da indicação, por manifesta ausência de qualificação técnica ou por inidoneidade moral do

nomeado.”

5. CONSELHO DA REPÚBLICA e CONSELHO DE DEFESA

O Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional são órgãos superiores de consulta do

Presidente da República, por este convocados e presididos (art. 84, XVIII), sendo os seus pareceres e

manifestações meramente OPINATIVOS porque não vinculam as decisões a serem tomadas pelo Chefe do

Executivo Federal.13

Normalmente as questões buscam confundir os candidatos com os integrantes de cada Conselho,

portanto vamos sistematizar:

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Lenza, Pedro. Esquematizado - Direito Constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (26th edição). Editora Saraiva, 2022.

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CONSELHO DA REPÚBLICA CONSELHO DE DEFESA

Vice-Presidente da República Vice-Presidente da República

Presidente da Câmara dos Deputados Presidente da Câmara dos Deputados

Presidente do Senado Federal Presidente do Senado Federal

Líderes da maioria e da minoria na Câmara sem correspondência

Líderes da Maioria e Minoria no Senado sem correspondência

Ministro da Justiça Ministro da Justiça

6 cidadãos brasileiros natos, com mais de 35 anos sem correspondência

de idade, sendo 2 nomeados pelo Presidente da

República, 2 eleitos pelo Senado Federal e 2

eleitos pela Câmara dos Deputados, todos com

mandato de 3 anos, vedada a recondução

“O Presidente da República poderá convocar Ministro de Estado da Defesa (o Presidente da

Ministro de Estado para participar da reunião do República poderá convocar Ministro de Estado para

Conselho, quando constar da pauta questão participar da reunião do Conselho da República,

relacionada com o respectivo Ministério” (art. 90, § quando constar da pauta questão relacionada com

1.º) o respectivo Ministério (art. 90, § 1.º, CF/88). Neste

caso, contudo, o Ministro convocado não terá

direito a voto (art. 5.º, parágrafo único, da Lei n.

8.041/90).14

Ministro das Relações Exteriores

Ministro do Planejamento

Comandantes da Marinha, do Exército e da

14
Lenza, Pedro. Esquematizado - Direito Constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (26th edição). Editora Saraiva, 2022.

29
Aeronáutica

A Lei n. 8.041/90 regula a organização e o funcionamento do Conselho da República, cujas

competências constitucionais foram definidas no sentido de se pronunciar sobre (art. 90, I e II, CF/88):

Art. 90. Compete ao Conselho da República pronunciar-se sobre:

I - intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio;

II - as questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas.

Por outro lado, a Lei 8.183/91 dispõe sobre a organização e funcionamento do Conselho da Defesa e

o art. 91, §1º da Constituição traz sua competência, vejamos:

§ 1º Compete ao Conselho de Defesa Nacional:

I - opinar nas hipóteses de declaração de guerra e de celebração da paz, nos termos desta Constituição;

II - opinar sobre a decretação do estado de defesa, do estado de sítio e da intervenção federal;

III - propor os critérios e condições de utilização de áreas indispensáveis à segurança do território nacional e

opinar sobre seu efetivo uso, especialmente na faixa de fronteira e nas relacionadas com a preservação e a

exploração dos recursos naturais de qualquer tipo;

IV - estudar, propor e acompanhar o desenvolvimento de iniciativas necessárias a garantir a independência

nacional e a defesa do Estado democrático.

Ambos os conselhos são classificados como um serviço público relevante e seus membros não

poderão ser remunerados por esta atuação sob nenhum pretexto.

⚠️ ATENÇÃO
Interessante lembrar a intervenção ocorrida no Estado do Rio de Janeiro em meados de 2018,

naquele contexto o então Presidente da República Michel Temer decretou intervenção federal no Rio de

Janeiro, ocorre que o presidente não realizou qualquer consulta prévia aos Conselhos, isto foi extremamente

questionado pelos doutrinadores constitucionais, inclusive foi proposta pelo PSOL uma ADI no STF, vejamos:

Trata-se de ação direta de inconstitucionalidade com pedido de medida cautelar proposta pelo Partido

Socialismo e Liberdade - PSOL, na qual se questiona a constitucionalidade do ato de intervenção federal

no Estado do Rio de Janeiro, consubstanciado no Decreto 9.288/2018. O requerente sustenta, inicialmente,

que a medida adotada pelo Presidente da República, além de desproporcional e dispendioso, possui nítido

caráter eleitoral, em afronta ao que dispõe o art. 36, combinado com o art. 84, X, da Constituição Federal. Além

30
disso, aponta, em síntese, vícios de formalidades essenciais, uma vez que, ante o princípio constitucional da

não intervenção da União dos Estados (art. 4°, IV), o decreto interventivo foi editado sem justificativas e

fundamentação suficientes, sem a prévia consulta aos Conselhos da República e da Defesa Nacional e

sem especificar as medidas interventivas. Argumenta, ainda, que o ato questionado seria inconstitucional por

ter natureza de uma intervenção militar, com as atribuições de poderes civis de Governador a um General de

Exército. Assim, devido à relevância da matéria e o seu especial significado para a ordem social e a segurança

jurídica, adoto o procedimento abreviado previsto no art. 12 da Lei 9.868/1999. Isso posto, solicitem-se

informações ao Presidente da República. Após, ouça-se, sucessivamente, a Advocacia-Geral da União e a

Procuradoria-Geral da República.15

A mencionada ADI foi considerada prejudicada, tendo em vista que se findou a intervenção federal

antes do julgamento final desta ação.

🚨JÁ CAIU
Na prova para Defensor Público do Estado do Rio Grande do Sul (CESPE - 2022), em prova de certo/errado, foi

apresentada a seguinte afirmativa: “Em caso de necessidade, por comoção grave de repercussão nacional, o

presidente da República pode, desde que ouvido o Conselho de Defesa Nacional, solicitar ao Senado Federal

autorização para decretar o estado de sítio no país.” A mencionada afirmativa foi considerada ERRADA.

Na prova para Delegado de Polícia do Estado de São Paulo (VUNESP - 2018), sobre o Conselho da República, foi

considerada CORRETA a alternativa que disse: “dele participam como membros, dentre outros, os líderes da

maioria e da minoria, tanto na Câmara dos Deputados como no Senado Federal”.

15
ADI 5915/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe 19/03/2018

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