Poder Judicia Rio
Poder Judicia Rio
PODER JUDICIÁRIO
2a EDIÇÃO/2023
1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS 1
1.1. FUNÇÕES TÍPICAS E ATÍPICAS 1
1.1. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL 2
2. DISPOSIÇÕES GERAIS 3
2.1 GARANTIAS INSTITUCIONAIS 3
2.2 GARANTIA FUNCIONAIS 5
2.2.1 VEDAÇÕES 7
2.3 TEMPO DE “ATIVIDADE JURÍDICA” PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA 8
2.4 ÓRGÃO ESPECIAL 10
2.5 QUINTO CONSTITUCIONAL 11
2.6 CLÁUSULA DA RESERVA DE PLENÁRIO (REGRA DO FULL BENCH) 12
2.7 JUIZADOS ESPECIAIS 13
2.8 JUSTIÇA DE PAZ 14
2.9 PRECATÓRIO 15
2.9.1 ASPECTOS INTRODUTÓRIOS 15
2.9.2 REGIME DOS PRECATÓRIOS 15
2.9.3 DISPENSA DE PRECATÓRIO 16
2.9.4 PRAZO PARA PAGAMENTO 18
2.9.5 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS 19
2.9.6 SEQUESTRO DA QUANTIA DEVIDA 20
2.9.7 INTERVENÇÃO FEDERAL E ESTADUAL 20
2.9.8 POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO 20
2.9.9 LEILÃO 21
3. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA 21
3.1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS 21
3.2. COMPOSIÇÃO 23
3.3. COMPETÊNCIA 23
3.4. LINHAS DE JURISPRUDÊNCIA DO STF SOBRE O CNJ 25
4. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL 27
4.1 COMPOSIÇÃO 27
4.2 COURT-PACKING 28
4.3 COMPETÊNCIA DO STF 28
4.4 REPERCUSSÃO GERAL 31
4.4.1 REPERCUSSÃO GERAL - Art. 102, § 3.º da CF (EC 45/04) e Lei 11.416/06 31
4.4.2 LINHAS DA JURISPRUDÊNCIA DO STF QUANTO À REPERCUSSÃO GERAL 32
4.4 SÚMULA VINCULANTE 33
4.4.1 SÚMULA VINCULANTE - Art. 103-A da CF e Lei 11.417/06 33
4.4.2 NOMENCLATURA 34
4.4.3 DEFINIÇÃO 34
4.4.4 VALIDADE: A SÚMULA VINCULANTE É CONSTITUCIONAL OU NÃO? 34
4.4.5 NATUREZA JURÍDICA 35
4.4.6 PRESSUPOSTOS 36
1
4.4.7 REQUISITOS 36
4.4.8 GARANTIA DA EFETIVIDADE DA SÚMULA 38
4.5 RECLAMAÇÃO CONSTITUCIONAL 38
4.5.1 OBJETO 38
4.5.2 LEGITIMIDADE ATIVA 40
4.5.3 LINHAS DA JURISPRUDÊNCIA DO STF SOBRE RECLAMAÇÃO 40
5. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 40
5.1 COMPOSIÇÃO 40
5.1 COMPETÊNCIAS 41
6. TRIBUNAIS DE SUPERPOSIÇÃO 42
7. TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS E JUÍZES FEDERAIS 43
8. TRIBUNAIS E JUÍZES DO TRABALHO 43
9. TRIBUNAIS E JUÍZES ELEITORAIS 43
10. TRIBUNAIS E JUÍZES MILITARES 44
11. TRIBUNAIS DE JUSTIÇA E JUÍZES ESTADUAIS 47
2
1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS
Poder Judiciário é uno e indivisível: não é federal, nem estadual, mas nacional. Trata-se de um único e mesmo
poder que atua por meio de diversos órgãos, estes sim, federais e estaduais. A divisão da estrutura judiciária
brasileira consiste apenas no resultado da repartição racional da competência a ser exercida pelos órgãos
jurisdicionais.” Dessa forma, não se fala em “judiciário federal” ou “judiciário estadual”, na verdade falamos em
Para confirmar esse fato, é cabível recurso contra acórdão proferido por tribunal vinculado ao
É importante ressaltar que o Poder Judiciário, assim como o Poder Legislativo e Executivo, exerce
b) Já na função atípica, exerce algumas de natureza legislativa, como a elaboração de seus regimentos
internos (art. 96, inc. I, “a”, CF), e outras de caráter administrativo, como organização de secretarias e
não é jurisdicional.
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Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 764.
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Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 764.
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📌 OBSERVAÇÃO
O Conselho Nacional de Justiça, apesar de incluído na estrutura constitucional do Poder Judiciário, é
órgão de caráter administrativo, criado para exercer o controle da atuação administrativa e financeira deste
⚠️ ATENÇÃO
A EC 122/22 aumentou o limite de idade para indicação de ministros de tribunais superiores e juízes
2. DISPOSIÇÕES GERAIS
Devemos fazer uma separação entre garantias funcionais e garantias institucionais. Servem para
INSTITUCIONAIS FUNCIONAIS
Fundamentação: Previstas no art. 99, CF. Fundamentação: Previstas no art. 95, CF.
poder)
Em que pese essas proteções sejam essenciais, o professor Marcelo Novelino aponta uma situação
paradoxal, na medida em que essas garantias conferem proteção aos magistrados contra interferências
externas indevidas, mas não protegem o sistema constitucional nem a sociedade de juízes que poder vir a
Nesse contexto, segundo leciona o professor, também devem ser tomadas as devidas precauções
para assegurar a submissão judicial do direito, contrapartida necessária à independência do Poder Judiciário.
Especificamente sobre as garantias institucionais, é certo que elas foram conferidas ao Poder
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Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 765.
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Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 766.
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A autonomia financeira, por normas relacionadas à elaboração e execução de propostas
§ 1º Os tribunais elaborarão suas propostas orçamentárias dentro dos limites estipulados conjuntamente com
I - no âmbito da União, aos Presidentes do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, com a
II - no âmbito dos Estados e no do Distrito Federal e Territórios, aos Presidentes dos Tribunais de Justiça, com a
prazo estabelecido na lei de diretrizes orçamentárias, o PODER EXECUTIVO considerará, para fins de
§ 4º Se as propostas orçamentárias de que trata este artigo forem encaminhadas em desacordo com os
limites estipulados na forma do § 1º, o Poder Executivo procederá aos ajustes necessários para fins de
§ 5º Durante a execução orçamentária do exercício, não poderá haver a realização de despesas ou a assunção
A possibilidade de um órgão externo exercer atividade de fiscalização das atividades do Poder Judiciário, sob
orçamentária e administrativa do Poder Judiciário, consagradas nos arts. 2º e 99 da Constituição Federal. STF.
ADI 1905/RS, relator Min. Dias Toffoli, julgamento em 16.8.2021 (info 1025)
1. ADMINISTRATIVA: é órgão autônomo em relação aos poderes da república e em relação com outros
órgãos.
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2.2 GARANTIA FUNCIONAIS
São 3 as garantias funcionais. Vejamos:
é vitalício, sendo este aquele que atribui a maior segurança possível ao seu titular.
Membros do MP).
■Uma vez adquirida a vitaliciedade por exercício de 2 anos, o cargo só é perdido por
🚩 NÃO CONFUNDA
SERVIDOR PÚBLICO COMUM: O estágio probatório é de 3 anos. Após esse período
Constituição5.
📌 OBSERVAÇÕES
■ Os 2 anos de estágio probatório para adquirir a vitaliciedade pressupõe concurso
grau, antes dos 2 anos, ocorre por deliberação do tribunal ao qual o juiz está
vinculado. Após 2 anos, a perda do cargo apenas ocorre por sentença judicial
transitada em julgado.
■ Antes da Emenda 45/2004, este dispositivo exigia um quórum de 2/3. Esse quórum
foi alterado para maioria absoluta com a referida Emenda. Além disso, o dispositivo
determinada, não só pelo tribunal, mas também por ato do Conselho Nacional de
5
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 768.
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substitutos.
🚩 NÃO CONFUNDA
IRREDUTIBILIDADE REAL X IRREDUTIBILIDADE NOMINAL: A primeira determina que
monetária em virtude de perdas inflacionárias. Na segunda, por sua vez, a perda não
seguinte, esse valor não poderá ser reduzido para R$30.000,00. Tal situação é
natureza indenizatória.
IRREDUTIBILIDADE O art. 39, §4º deve ser lido conjuntamente com o art. 37, §11 por causa da ressalva
DE SALÁRIO grifada.
⚠️ ATENÇÃO
Subsídio é exclusivo de agentes políticos? NÃO!! Cuidado com a norma do art. 144,
§9º da CF (servidor policial). Assim, apesar de ser próprio de agente político, não é
exclusivo destes.
INAMOVIBILIDADE Essa garantia está ligada à remoção, ou seja, mudança de um agente de um órgão
7
público para outro.
a. VOLUNTÁRIA: Há uma vontade ou mais de uma vontade que a justifica. Pode ser
Essa garantia abrange o juiz substituto? Para o STF, essa garantia, como as demais,
se aplica também aos substitutos, pois a Constituição não faz nenhuma diferença
2.2.1 VEDAÇÕES
Têm a finalidade de evitar que interesses pessoais dos magistrados se sobreponham ou entrem em
■ Exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério.
O juiz não pode exercer nenhum outro cargo ou função, seja pública, seja privada, salvo uma de
magistério. No caso do Poder Judiciário, o CNJ possui uma resolução dizendo que os membros do Poder
Judiciário não podem exercer a atividade de coaching, pois eles consideram que essa atividade é diferente do
magistério.
funções privadas seria permitido, mas a própria Constituição diz que eles não podem exercer a advocacia. Da
mesma forma, a Constituição proíbe, expressamente, que eles participem de sociedade comercial na forma da
Ainda no caso do Ministério Público, a atividade de coaching também não pode ser exercida,
8
5º As atividades de coaching, similares e congêneres, destinadas à assessoria individual ou coletiva de
pessoas, inclusive na preparação de candidatos a concursos públicos, não são consideradas atividade
A Resolução nº 10/2005, do Conselho Nacional de Justiça, veda aos integrantes do Poder Judiciário o
O conceito de custas deve ser interpretado extensivamente, de forma a abranger toda e qualquer
despesa processual, e não apenas a parte legalmente prevista relativa às despesas de expedição e
Segundo entendimento do STF na ADI 954, de 24.02.2011, a vedação se aplica também aos juízes de
paz7.
A vedação abrange não ós a filiação a determinado partido político, mas também a participação em
Para se dedicar a esse tipo de atividade, o magistrado terá de se afastar, definitivamente, por meio de
exoneração ou aposentadoria. Para ser candidato a cargo eletivo, o afastamento deve ocorrer até seis meses
antes das eleições (é o chamado prazo de desincompatibilização estabelecido pela LC nº 64/1990 para filiação a
partido político)9.
■ Exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do
Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da
I - ingresso na carreira, cujo cargo inicial será o de juiz substituto, através de concurso público de provas e
títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as suas fases, obedecendo-se, nas
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Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 769.
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Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 769.
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Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 769.
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É exigido do bacharel em Direito, para ingresso na magistratura, o tempo mínimo de três anos de
A Súmula 266 do STJ dispõe que “O diploma ou habilitação legal para o exercício do cargo deve ser
exigido na posse e não na inscrição para o concurso público”, no entanto, a comprovação do tempo de
atividade jurídica pode ser exigida no momento da inscrição (STF - ADI 3.460/DF, Rel. Min. Carlos Britto).
Para ser considerada atividade jurídica, devem ser admitidas as atribuições que exijam conhecimento
preponderantemente jurídico, ou seja, deve-se analisar , caso a caso, a atividade desempenhada e não apenas o
Direito deve ocorrer mediante certidão circunstanciada, expedida pelo órgão competente, indicando as
respectivas atribuições e a prática reiterada de atos que exijam a utilização preponderante de conhecimento
(cinco) atos privativos de advogado (Lei nº 8.906, 4 de julho de 1994, art. 1º) em causas ou questões distintas;
■ o exercício de cargos, empregos ou funções, inclusive de magistério superior, que exija a utilização
■ o exercício da função de conciliador junto a tribunais judiciais, juizados especiais, varas especiais,
anexos de juizados especiais ou de varas judiciais, no mínimo por 16 (dezesseis) horas mensais e durante 1 (um)
ano;
Qual o marco da contagem do mínimo de três anos? O marco inicial é a obtenção do grau de bacharel
em Direito e deverá ser atendida na data da inscrição definitiva. No cômputo desse período, é vedada a
O STF fixou entendimento de que o limite etário para investidura no cargo só pode ser
estabelecido pela própria Constituição ou pela LOMAN. Em razão disso, declarou inconstitucional Lei de
Organização Judiciária do Distrito Federal e dos Territórios que estabelecia a exigência de idade mínima de 25
REQUISITOS DE FAIXA ETÁRIA PARA O INGRESSO NA CARREIRA (ART. 52, V, DA LEI 11.697/2008). RESERVA DE
LEI COMPLEMENTAR (CF, ART. 93, I). DESPROPORCIONALIDADE E QUEBRA DA ISONOMIA. 1. O SUPREMO
10
TRIBUNAL FEDERAL possui jurisprudência firme no sentido de que, até o advento da lei complementar prevista
no art. 93, caput, da Constituição Federal, o Estatuto da Magistratura é disciplinado pela LOMAN, recepcionada
pela nova ordem constitucional. Precedentes. 2. O art. 52, V, da Lei 11.697/2008, ao estabelecer como
requisito para ingresso na carreira da magistratura do Distrito Federal ou dos Territórios a idade
mínima de 25 anos e máxima de 50, viola o disposto no art. 93, I, da Constituição Federal. 3. Em assuntos
diretamente relacionados à magistratura nacional, como as condições para investidura no cargo, a disciplina
da matéria deve ser versada pela Constituição Federal ou pela LOMAN, não podendo lei ordinária federal
inovar e prever norma de caráter restritivo ao ingresso na magistratura que não encontra pertinência nos
citados diplomas normativos. 4.A Constituição Federal não exige idade mínima para o ingresso na
magistratura, mas sim a exigência de “três anos de atividade jurídica” ao bacharel em direito (CF, art. 93, I). 5. O
limite de 50 anos de idade para ingresso em cargo de magistrado não guarda correlação com a natureza do
cargo e destoa do critério a que a Constituição adotou para a composição dos Tribunais Superiores, Tribunais
Regionais Federais e Tribunais Regionais do Trabalho. 6. Ação direta julgada procedente. ADI 5329. Órgão
julgador: Tribunal Pleno. Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO. Redator(a) do acórdão: Min. ALEXANDRE DE
Exerce função administrativa (Ex.: Realização de concurso; concessão de férias aos servidores) e
jurisdicional (Ex.: declaração de inconstitucionalidade), ou seja, o Tribunal Pleno não pode delegar ao órgão
As funções de natureza legislativa e de natureza política não podem ser delegadas ao órgão especial.
exercício das atividades, notório saber jurídico e reputação ilibada, e para membros do Ministério Público com
diferentes experiências.
1/5 dos membros dos TJs e TRFs são compostos por advogados e membros do MP.
Art. 94. 1/5 dos lugares dos Tribunais Regionais Federais (TRF´s), dos Tribunais dos Estados (TJ´s), e do Distrito
Federal e Territórios (TJDFT) será composto de membros, do Ministério Público, com mais de 10 anos de
carreira, e de advogados de notório saber jurídico e de reputação ilibada, com mais de 10 anos de efetiva
atividade profissional, indicados em lista sêxtupla pelos órgãos de representação das respectivas classes.
Parágrafo único. Recebidas as indicações, o tribunal formará lista tríplice, enviando-a ao Poder Executivo,
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que, nos 20 dias subsequentes, escolherá um de seus integrantes para nomeação.
🚨 JÁ CAIU
Esse assunto foi cobrado na prova para o cargo de Promotor de Justiça da MPE-SC (Ano: 2019, Instituto
Consulplan). A banca considerou correta a seguinte assertiva: “No que pertine ao quinto constitucional para
composição dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais dos Estados, e do Distrito Federal e Territórios,
formada a lista tríplice pelo tribunal, será enviada ao Poder Executivo, que, nos vinte dias subsequentes,
Deve ser respeitada a paridade no preenchimento das vagas de quinto constitucional, atribuídas aos
membros do Ministério Público e aos advogados. Nos casos em que o número de vagas de um tribunal
destinadas ao quinto constitucional for ímpar, a alternância da preponderância entre as classes deve
ser buscada sempre que for aberta uma vaga. III – Quando a preponderância de classes é revista sempre
que abre uma vaga referente ao quinto constitucional, as distorções temporais, por uma questão de
probabilidade, tendem a ser inferiores. (STF, MS 34523 AgR, Relator(a): RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal
Pleno, julgado em 22/03/2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-060 DIVULG 29-03-2021 PUBLIC 30-03-2021)
A Ordem dos Advogados do Brasil possui autonomia para elaborar e revisar lista sêxtupla para
A formulação da lista sêxtupla pela OAB não é ato vinculado a eventual cumprimento posterior de requisitos
para poder participar da lista. Assim, a OAB tem a liberdade ampla de fazer as indicações dos candidatos
É possível que duas entidades que possuem legitimidade e independência para proceder à indicação de listas,
sêxtupla no caso da OAB, e posteriormente tríplice no caso do Tribunal de Justiça, manifestem de forma
irrefutável o não desejo de colocar um advogado em suas indicações. STJ. AgInt na SS 3.262-SC, Rel. Presidente
Min. Humberto Martins, Corte Especial, por unanimidade, julgado 20/10/2021 (info 716)
Segundo o STF, não podem as Constituições Estaduais estabelecer qualquer outro requisito diferente
O quinto constitucional, inicialmente, estava previsto apenas para os Tribunais Regionais Federais e
para os Tribunais de Justiça (Inclusive TJDFT). No entanto, com a Emenda 45/2004, o quinto foi estendido
também ao TST e ao TRT. No caso do TST, a previsão de um quinto das vagas para membros do MPT e da
Advocacia está contida no art. 111-A. No caso do TRT, a previsão está contida no art. 115.
Além da previsão do quinto constitucional para TRFs, TJs, TRTs e TST, há dois outros tribunais que têm,
em sua composição, profissionais que não são necessariamente oriundos do Poder Judiciário: STF e STJ.
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▸ No caso do STF, a escolha dos Ministros é feita pelo Presidente da República e não há percentual
magistrados. A CF/1988 não exige sequer que o Ministro seja bacharel em Direito, mas apenas notório
Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão
especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.
maioria absoluta de seus membros ou dos membros do órgão especial (CF, art. 97).
Sua inobservância acarreta a nulidade absoluta da decisão proferida pelo órgão fracionário.
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Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 772.
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não há a necessidade de se observar a regra do art. 97, CF, segundo o STF (Rcl
10.864 AgR).
i) O STF (Rcl 10.864-AgR) tem precedentes no sentido do que o art. 97, CF não se
aplica às decisões cautelares, mas somente às decisões definitivas de mérito
dos Tribunais.
j) De acordo com o STF (RE 361.829 ED), as Turmas daquele Tribunal podem
reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei, independentemente da
submissão da questão ao Plenário. Assim, a elas não se aplica o art. 97, CF.
⚠️ ATENÇÃO
A regra do “full bench” (tribunal completo) é imposta apenas ao controle de constitucionalidade
(difuso ou concentrado) exercido por tribunais, não abrangendo turmas recursais de Juizados Especiais nem
I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a conciliação, o
julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações penais de menor potencial
ofensivo, mediante os procedimentos oral e sumaríssimo, permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a
A competência do Juizado Especial Cível abrange as causas de menor complexidade, quais sejam:
■ as ações possessórias sobre bens imóveis de valor não excedente a quarenta vezes o salário
mínimo.
A competência dos Juizados Especiais Criminais abrangem o julgamento e a execução das infrações
penais de menor potencial ofensivo, tais como as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena
máxima de até dois anos, cumulada ou não com multa (Lei 9.099/1995, art. 61). O processo deve ter como
objetivo, sempre que possível, a reparação dos danos sofridos pela vítima e aplicação de pena não privativa de
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Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 772.
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liberdade.
A atuação dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais no âmbito da Justiça Federal são disciplinados
■ A Competência do Juizado Especial Federal Cível abrange causas de competência da Justiça Federal
⚠️ ATENÇÃO
Compete ao Tribunal Regional Federal o julgamento de conflito de competência estabelecido entre
Juizado Especial Federal e juiz de primeiro grau da Justiça Federal da mesma Seção Judiciária.
Das decisões proferidas por Turma Recursal de Juizado Especial Cível ou Criminal é cabível
Embora não seja admissível o cabimento de recurso especial para o STJ, das decisões proferidas
Tribunal sobre a matéria, admite-se reclamação, a fim de assegurar a uniformização da legislação federal.
No que tange à competência para o julgamento de habeas corpus impetrado contra ato de turma
recursal é definida de acordo com autoridade coatora. Por serem os integrantes das turmas recursais dos
juizados especiais submetidos, nos crimes comuns e nos de responsabilidade, à jurisdição do respectivo
Tribunal, incumbe a este julgamento. No caso de ato da turma recursal de Juizado Especial Federal, a
competência será do respectivo Tribunal Regional Federal, se a turma de Juizado Especial Estadual, do Tribunal
de Justiça13.
processo de habilitação e exercer atribuições conciliatórias, sem caráter jurisdicional, além de outras previstas
na legislação.
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STF - HC 86.834, Rel. Min. Marco Aurélio (DJ 09.03.2007)
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Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 774.
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⚠️ ATENÇÃO
Os juízes de paz são agentes públicos e integram o Poder Judiciário. Por isso, sua remuneração deve
ocorrer com base em valor fixo e predeterminado, e não por participação no que é recolhido aos cofres
públicos. Além disso, aplica-se-lhes a vedação de percepção, a qualquer título ou pretexto, de custas ou
2.9 PRECATÓRIO
recentemente, sofreu alterações pelas Emendas Constitucionais nº 113/2021 e 114/2021, as quais, dentre
apresentação dos precatórias e à conta dos créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de pessoas
nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim.
■ autarquias;
■ fundações públicas;
■ empresas públicas;
■ sociedades de economia mista, desde que prestadoras de serviço público em ambiente não
concorrencial
⚠️ ATENÇÃO
É necessário analisar a natureza da entidade, independentemente do nome atribuído.
Paraestatais que possuem personalidade e pessoa jurídica de direito privado, ou que executam
atividades em regime de concorrência ou, ainda, que tenham como objetivo de distribuir lucros aos seus
acionistas, estão sujeitos ao regime jurídico híbrido estabelecido por lei (§ 1º, 173, CF). Não se submetem, por
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Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 775.
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Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 775.
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O regime especial dos precatórios somente é aplicável nas hipóteses de execução de sentença
judicial condenatória..
No entanto, é importante que se diga que ele não impede o bloqueio de verbas públicas com o
TITULARES DO CRÉDITO
● Qualquer titular.
LIMITES
● União: 60 salários-mínimos;
A) PEQUENO VALOR ● Estados-Membros e Distrito Federal: 40 salários-mínimos;
REGIMES DE PAGAMENTO
TITULARES DO CRÉDITO
PERTENCENTES A LIMITES
● Admite fracionamento.
REGIMES DE PAGAMENTO
TITULARES DO CRÉDITO
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Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 778.
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LIMITES
● Não há.
REGIMES DE PAGAMENTO
TITULARES DO CRÉDITO:
● Qualquer titular
REGIMES DE PAGAMENTO
pagamento de obrigações decorrentes de sentença judicial transitada em julgado definidas em leis como de
pequeno valor.
da lei definidora do valor, para fins de dispensa de expedição de precatórios, foram definidos como pequeno
valor:
⚠️ ATENÇÃO
Essa norma transitória não impede que os entes federativos estabeleçam limites inferiores ou
pago, bem como o fracionamento, repartição ou quebra do valor de execução para fins de enquadramentos
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Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 778/779.
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nos limites legalmente estabelecidos.
■ A lei que instituiu os Juizados Especiais Federais definiu pequeno valor como sendo as quantias de
■ No caso de ação coletiva intentada por legitimado extraordinário (substituição processual), não é
■ No caso de litisconsórcio facultativo, para dispensa do precatório, será considerado o valor devido
individualmente aos litisconsortes, o que pode viabilizar a requisição de pequeno valor para alguns e expedição
■Por não ser autônoma a execução das verbas acessórias, as quais devem ocorrer em conjunto com a
■ São aplicadas as mesmas regras do precatório em relação à incidência dos juros de mora.
Municipal, cabe ao magistrado requisitar o sequestro da verba pública no valor suficiente para o cumprimento
da obrigação.
pagamento de obrigação de pequeno valor será realizado por ordem judicial, no prazo de dois meses contado
da entrega da requisição, mediante depósito na agência de banco oficial mais próxima da residência do
exequente.
pequeno valor será expedida em favor exequente, observando-se o disposto no artigo 100 da CF.
judiciários apresentados até 2 de abril - e não mais 1º de julho - devem ser pagos até o final do exercício
§ 20. Caso haja precatório com valor superior a 15% do montante dos precatórios apresentados nos termos
do § 5º deste artigo, 15% do valor deste precatório serão pagos até o final do exercício seguinte e o restante
em parcelas iguais nos cinco exercícios subsequentes, acrescidas de juros de mora e correção monetária, ou
mediante acordos diretos, perante Juízos Auxiliares de Conciliação de Precatórios, com redução máxima de
40% do valor do crédito atualizado, desde que em relação ao crédito não penda recurso ou defesa judicial e
que sejam observados os requisitos definidos na regulamentação editada pelo ente federado.
19
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 780/782.
19
■ A atualização do valor no período entre a expedição e o efetivo pagamento deve ser feita pelo Índice
■ “No período anterior ao vencimento, não incidem juros moratórios sobre os precatórios pagos
(Súmula Vinculante 17/STF), pois sendo o pagamento realizado sem atraso, não há mora. No entanto, nos
termos da tese fixada pelo STF em sede de repercussão geral, "incidem os juros da mora no período
compreendido entre a data da realização dos cálculos e a da requisição ou do precatório”. De acordo com o
entendimento adotado pelo Plenário, a requisição não opera como se fosse pagamento nem faz desaparecer a
responsabilidade do devedor, razão pela qual enquanto persistir o quadro de inadimplemento do Estado,
devem incidir os referidos juros . Assim, desde a citação - termo inicial firmado no título executivo - até a efetiva
liquidação da Requisição de Pequeno Valor (RPV), os juros moratórios devem ser computados, a compreender o
requisição de pequeno valor para pagamento da parte incontroversa e autônoma do pronunciamento judicial
transitada em julgado observada a importância total executada para efeitos de dimensionamento como
a) Nas obrigações definidas em lei como de pequeno valor: os honorários são sempre devidos,
condicionados à apresentação dos precatórios. Nessa situação, as verbas somente serão devidas
plenário do STF, ao superar o entendimento da Segunda Turma, firmou entendimento no sentido de que por se
tratar de verba de natureza alimentar, os honorários de sucumbência podem ser pagos de forma autônoma.
⚠️ ATENÇÃO
Não é admitido o fracionamento dos honorários, mesmo em litisconsórcio ativo facultativo, uma vez
20
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 783.
20
que configuram crédito único do advogado, pertencente ao mesmo titular.
CF, art. 100, § 6º As dotações orçamentárias e os créditos abertos serão consignados diretamente ao Poder
Judiciário, cabendo ao Presidente do Tribunal que proferir a decisão exequenda determinar o pagamento
direito de precedência ou de não alocação orçamentária do valor necessário à satisfação do seu débito,
⚠️ ATENÇÃO
A simples demora de pagamento por falta de numerário não autoriza a subtração temporária da
Pública abater no precatório do o valor correspondente aos débitos líquidos e certos, inscritos ou não em dívida
ativa e constituídos contra o credo original, incluídas parcelas vincendas de parcelamento (CF, art. 100, § 9º).
Para isso, deveria informar no prazo de trinta dias, contados da solicitação do tribunal, os débitos que
preenchessem tais condições, sob pena de perda do direito de abatimento (CF, art. 100, § 10). Todavia, no
nulidade dos dispositivos, por colocarem o particular em situação de excessiva desvantagem, sem lhe assegurar
§ 9º Sem que haja interrupção no pagamento do precatório e mediante comunicação da Fazenda Pública ao
Tribunal, o valor correspondente aos eventuais débitos inscritos em dívida ativa contra o credor do
21
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 784.
22
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 784/785.
23
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 785.
21
requisitório e seus substituídos deverá ser depositado à conta do juízo responsável pela ação de
§ 11. É facultada ao credor, conforme estabelecido em lei do ente federativo devedor, com auto
aplicabilidade para a União, a oferta de créditos líquidos e certos que originalmente lhe são próprios ou
adquiridos de terceiros reconhecidos pelo ente federativo ou por decisão judicial transitada em julgado
§ 21. Ficam a União e os demais entes federativos, nos montantes que lhes são próprios, desde que aceito
por ambas as partes, autorizados a utilizar valores objeto de sentenças transitadas em julgado devidos a
pessoa jurídica de direito público para amortizar dívidas, vencidas ou vincendas: (EC 113/21)
2.9.9 LEILÃO24
“A Emenda Constitucional nº 62/2009 introduziu a possibilidade de realização, pelo poder público, de
“leilões às avessas”, no qual poderia escolher pagar primeiro aos credores que aceitassem receber suas dívidas
”Nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 4.357/DF e nº 4.425/DF, a prática dos leilões para
pagamento de precatórios pela Fazenda Pública foi invalidada por violar o princípio da moralidade
administrativa.”
administrativa e financeira do Poder Judiciário, assim como órgão de fiscalização dos juízes no
É um órgão judiciário conforme o art. 92, I-A da CF e integra a estrutura do poder. Assim, exerce
cumprimento dos deveres funcionais dos juízes, cabendo-lhe, além de outras atribuições que lhe forem
Perceba que não exerce jurisdição, pois exerce apenas um controle interno (administrativo, financeiro
24
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 785/786.
22
e disciplinar).
Conforme o STF, o CNJ possui PODER NORMATIVO PRIMÁRIO, ou seja, elabora normas jurídicas
com fundamento de validade direto da Constituição. Assim, “as normas produzidas pelo CNJ possuem a
mesma força normativa das leis, não havendo assim que se falar em ato meramente regulamentar, mas em
ato normativo primário, já que, assim como aquelas, extrai seu fundamento diretamente da Constituição25.”
A causa desse entendimento é que o STF reconheceu que o art. 59 da CF tem enumeração
exemplificativa.
Bernardo Gonçalves26, ao tratar das atribuições do CNJ afirma que “devemos salientar que não
obstante a crítica de boa parte da doutrina nacional, o STF deixou consignado a competência do CNJ para a
edição de ato normativo primário no âmbito das matérias descritas no art. 103-B, § 4º da CR/88 à luz de
sua função de controle administrativo e correcional. O hard case que permitiu essa possibilidade envolveu a
Resolução n° 7 do CNJ (sobre o nepotismo) que o STF declarou constitucional por maioria de votos na ADC n°
12.”
Podemos afirmar, portanto, que o mais importante acórdão do STF sobre o CNJ é a ADC 12 que
Ainda sobre o tema, Pedro Lenza ao tratar sobre as Resoluções do CNJ e do CNMP aduz que:
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) (art. 103-B, § 4.º), bem como o Conselho Nacional do Ministério Público
(CNMP) (art. 103-A, § 2.º), introduzidos pela Reforma do Poder Judiciário (EC n. 45/2004), no exercício de suas
Algumas dessas resoluções, segundo o STF, são dotadas da qualidade da generalidade, impessoalidade
e abstração (cf., por exemplo, ambas do CNJ, a Res. n. 7/2005 — que proíbe o nepotismo — e a Res. n.
175/2013 — que veda às autoridades competentes a recusa de habilitação, celebração de casamento civil ou
Nessas situações, o STF vem reconhecendo a natureza jurídica de ato normativo primário dessas
resoluções, que inovam a ordem jurídica a partir de parâmetros constitucionais e, assim, permitem o controle
Veda-se, portanto, de acordo com a jurisprudência da Corte, a impetração de mandado de segurança para o
questionamento desses atos normativos primários, com fundamento na S. 266/STF, por se tratar de “lei” em
tese27.
3.2. COMPOSIÇÃO
● O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), que preside o Conselho
● 1 ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que exercerá a função de Corregedor Nacional de Justiça
25
[Link]
26
GONÇALVES, Bernardo. Curso de Direito Constitucional. 12º ed. - Salvador: JusPodvim, 2020. p. 1499
27
LENZA, Pedro. Direito Constitucional. 26 ed. São Paulo: SaraivaJur, 2022, NP
23
● 1 ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST)
● 1 juiz estadual
● 1 juiz federal
● 1 juiz do trabalho
● 2 advogados
3.3. COMPETÊNCIA
O rol do art. 103-B da CF é exemplificativo. O CNJ possui poder regulamentar e também tem poder
normativo autônomo, ou seja, ele pode criar normas que têm como fundamento de validade a própria CF/1988
É possível o CNJ instaurar a revisão de processo disciplinar de juízes e membros de tribunais quando a
Em um caso concreto, o juiz foi punido com censura. Entretanto, a conduta justificava penalidade mais grave.
Por isso, o STF entendeu que no caso era possível a revisão disciplinar nos termos do art. 103-B, §4º, V, da
CF/88. STF. 2ª Turma. MS 30364/PA, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 17/3/2020 (Info 970).
A Constituição Federal (CF) não estabelece prazo para julgamento de pedido de revisão pelo CNJ,
Em um caso concreto, a 2ª Turma do STF asseverou que a Constituição Federal (CF) não estabelece prazo para
julgamento de pedido de revisão pelo CNJ, apenas prazo para a instauração da revisão. STF. 2ª Turma. MS
Não cabe ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cujas atribuições são exclusivamente administrativas, o
controle de controvérsia que está submetida à apreciação do Poder Judiciário. STF. 1ª Turma. MS 28845/ DF,
O controle de constitucionalidade abstrato não pode ser feito pelo CNJ nem pelo CNMP e sobre isso
24
não há discussões. Por outro lado, o controle incidental (controle no caso concreto) é objeto de divergências.
O CNJ não tem competência para cassar ou revisar atos de conteúdo jurisdicional. O CNJ somente
embora integrante do Poder Judiciário, não exerce fiscalização abstrata de validade de lei. Compreensão
consentânea com a esposada pelo Plenário desta Casa no recente julgamento de 8 (oito) impetrações coletivas
(mandados de segurança nºs 35.410, 35.490, 35.494, 35.498, 35.500, 35.812, 35.824 e 35.836). (STF, MS 36133
AgR-terceiro, Relator(a): ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 20/09/2021, PROCESSO ELETRÔNICO
Compete ao CNMP dirimir conflitos de atribuições entre membros do MPF e de Ministérios Públicos
estaduais. STF. Plenário. ACO 843/SP, Rel. para acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em 05/06/2020.
STF. Plenário. Pet 4891, Rel. Marco Aurélio, Relator p/ Acórdão Alexandre de Moraes, julgado em 16/06/2020
🚨 JÁ CAIU
Esse assunto foi cobrado na prova para o cargo de Promotor de Justiça da MPE-GO (Ano: 2022, FGV). A banca
apresentou o seguinte caso concreto: “Durante a pandemia do novo coronavírus, o Estado Alfa contratou
Promotoria de Justiça com atribuição para tutela coletiva no local dos fatos recebeu representação, narrando
que houve direcionamento e superfaturamento na contratação da OS. Assim, o órgão de execução estadual
instaurou inquérito civil e, no curso da investigação, em razão da origem da verba pública que custeou o
contrato, declinou de atribuição para a Procuradoria da República local. Ao receber os autos do inquérito civil, o
Parquet federal entendeu que a atribuição é do Ministério Público Estadual, pois não existe interesse da União.
No caso em tela, de acordo com a jurisprudência atual do Supremo Tribunal Federal, é competente para
dirimir conflito de atribuição entre Ministério Público do Estado Alfa e Ministério Público Federal:”
A banca considerou correta a seguinte assertiva: “o Conselho Nacional do Ministério Público, pois se deve
reforçar o mandamento constitucional que lhe atribuiu o controle da legalidade das ações administrativas dos
membros e órgãos dos diversos ramos ministeriais, sem ingressar ou ferir a independência funcional”.
Poder Correicional: STF entende que o poder correicional é concorrente ou paralelo, podendo o
25
Conselho atuar sem inércia e sem anomalia. Assim, o poder correicional não é secundário;
O STF assentou que o CNJ possui atribuição correicional originária e autônoma, não se tratando de
atuação subsidiária frente aos órgãos de correição local, mas sim de competência concorrente, de
modo que seu exercício não se submete a condicionantes relativas ao desempenho da competência
disciplinar pelos tribunais locais. Precedentes. Ausência de ilegalidade ou abuso de poder quanto à atuação
do CNJ no caso dos autos. 4. Não cabe ao Supremo Tribunal Federal adentrar no exame de mérito da atuação
correicional para apreciar elementos valorativos insertos nas regras de direito disciplinar. Para se chegar a
conclusão diversa da que obteve o mencionado Conselho, seria necessário revolver os fatos e provas
segurança. Precedentes. (STF, MS 34685 AgR, Relator(a): DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, julgado em
Deve respeitar peculiaridade da atividade jurisdicional e aos costumes locais das sedes dos
Tribunais e dos fóruns. STF considerou inconstitucional resolução que estabeleceu horário padrão para
Compete ao STF processar e julgar originariamente ações propostas contra o CNJ e contra o
Nos termos do art. 102, I, “r”, da Constituição Federal, é competência exclusiva do STF processar e julgar,
originariamente, todas as ações ajuizadas contra decisões do Conselho CNJ e do CNMP proferidas no exercício
de suas competências constitucionais, respectivamente, previstas nos arts. 103-B, § 4º, e 130-A, § 2º, da CF/88.
STF. Plenário. Pet 4770 AgR/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 18/11/2020 (Info 1000). STF. Plenário. Rcl
33459 AgR/PE, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18/11/2020 (Info 1000). STF. Plenário. ADI
🚨 JÁ CAIU
Esse assunto foi cobrado na prova para o cargo de Defensor Público da DPE-SE (Ano: 2022, CEBRASPE). Com
base na disciplina constante da CF e na jurisprudência do STF acerca do Poder Judiciário, a banca considerou
correta a assertiva que indicou que “compete ao STF processar e julgar, originariamente, todas as ações
O assunto também foi abordado na prova para o cargo de Delegado de Polícia da PC-AM (Ano: 2022, FGV).
Na oportunidade, a banca apresentou o seguinte caso hipotético: “Maria, Juíza de Direito, sofreu sanção
28
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Compete ao STF processar e julgar originariamente ações propostas contra o CNJ e contra o CNMP no exercício de
suas atividades-fim. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link]
26
disciplinar no âmbito do Tribunal de Justiça do Estado Alfa. Irresignada, requereu que o Conselho Nacional de
Justiça anulasse o processo administrativo, em razão da presença de alegados vícios formais. O requerimento
foi indeferido sob o argumento de que não foram detectados quaisquer vícios no processo disciplinar. À luz
dessa narrativa, caso Maria decida ingressar com ação judicial para anular a condenação, é correto afirmar
que:”.
Em face dessa questão, foi considerada correta a alternativa que previa que “isto será feito perante o órgão
Apesar de a questão mencionar o Conselho Nacional de Justiça, a ação judicial a ser proposta pela magistrada
visaria anular sanção sofrida por decisão do Tribunal de Justiça do Estado Alfa, e não do CNJ.
O CNJ pode determinar à autoridade recalcitrante o cumprimento imediato de suas decisões, ainda que
impugnadas perante a Justiça Federal de primeira instância, quando se tratar de hipótese de competência
originária do STF. STF. Plenário. ADI 4412/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18/11/2020 (Info 1000).
O STF entende que não é seu papel fazer a revisão do mérito das decisões do CNJ. Assim, os atos e
procedimentos do CNJ estão sujeitos apenas ao controle de legalidade por parte do STF. O mandado de
segurança não se presta ao reexame de fatos e provas analisados pelo CNJ no processo disciplinar. A LOMAN
não estabelece regras de prescrição da pretensão punitiva por faltas disciplinares praticadas por magistrados.
Diante disso, deve ser feita a aplicação subsidiária da Lei nº 8.112/90. STF. 2ª Turma. MS 35540/DF e MS
CNJ pode determinar que Tribunais de Justiça reduzam o adicional de férias dos magistrados
para 1/330.
O CNJ não pode fazer controle de constitucionalidade de lei ou ato normativo de forma a substituir a
competência do STF. Contudo, o CNJ pode determinar a correção de ato do Tribunal local que, embora
respaldado por legislação estadual, se distancie do entendimento do STF. Assim, o CNJ pode afirmar que
determinada lei ou ato normativo é inconstitucional se esse entendimento já estiver pacificado no STF. Isso
porque, neste caso, o CNJ estará apenas aplicando uma jurisprudência, um entendimento já pacífico. As leis
estaduais que preveem abono de férias aos magistrados em percentual superior a 1/3 são inconstitucionais.
29
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O STF entende que não é possível a revisão do mérito das decisões do CNJ, cujos atos e procedimentos estão
sujeitos apenas ao controle de legalidade daquela Corte. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link]
30
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. CNJ pode determinar que Tribunais de Justiça reduzam o adicional de férias dos magistrados para 1/3. Buscador
Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: <[Link]
27
Isso porque essa majoração do percentual de férias não encontra respaldo na LOMAN, que prevê, de forma
taxativa, as vantagens conferidas aos magistrados, sendo essa a Lei que deve tratar do regime jurídico da
magistratura, por força do art. 93 da CF/88. Não viola a autonomia dos tribunais locais deliberação do CNJ que
determina aos tribunais de justiça que enviem projeto de lei tendente à adequação da legislação local ao
regramento uniforme de âmbito nacional, pois não há no caso reserva de iniciativa da matéria aos tribunais
locais; ao contrário, os direitos da magistratura, dentre os quais o direito ao abono de férias, são matéria de
regramento nacional uniforme. Logo, o CNJ agiu corretamente ao determinar aos Tribunais de Justiça que
pagam adicional de férias superior a 1/3 que eles enviem projetos de lei para as Assembleias Legislativas
reduzindo esse percentual. STF. 2ª Turma. MS 31667 AgR/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/9/2018 (Info
915).
CNJ pode determinar que Tribunal de Justiça exonere servidores nomeados sem concurso público para cargos
em comissão que não se amoldam às atribuições de direção, chefia e assessoramento, contrariando o art. 37,
V, da CF/88. Esta decisão do CNJ não configura controle de constitucionalidade, sendo exercício de controle da
validade dos atos administrativos do Poder Judiciário. STF. Plenário. Pet 4656/PB, Rel. Min. Cármen Lúcia,
4.1 COMPOSIÇÃO32
São requisitos para ser Ministro do STF:
O Presidente tem liberdade para escolher um nome que, no seu entender, preenche os requisitos
descritos acima.
Após a escolha, o presidente deve submeter esse nome ao Senado, que deverá aprová-lo por
maioria absoluta.
31
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. CNJ, no exercício de controle administrativo, pode deixar de aplicar lei inconstitucional. Buscador Dizer o Direito,
Manaus. Disponível em: <[Link]
32
Martins, Flávio. Curso de direito constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Editora Saraiva, 2022. p. 737.
28
4.2 COURT-PACKING33
O professor Flávio Martins explica que “traduzindo literalmente, court-packing significaria o
comumente com a intervenção do Poder Executivo), no exercício do poder constituinte derivado, altera a
composição do Tribunal Constitucional (no Brasil, do Supremo Tribunal Federal). Essa alteração normalmente
é feita para transformar o Tribunal Constitucional numa instituição mais “dócil” com o governo, permitindo a
nomeação de novos Ministros ou juízes ou facilitando a aposentadoria dos membros “indóceis”, normalmente
O professor explica que a origem dessa expressão é norte-americana. “Em 1937, foi reeleito
Presidente dos Estados Unidos Franklin Delano Roosevelt. Durante seu primeiro mandato, muitas de suas
medidas para enfrentar a profunda crise econômica de 1929 (conhecidas como New Deal) foram invalidadas
pela Suprema Corte. Inconformado com a postura do Tribunal, o Presidente enviou ao Congresso Nacional um
projeto de reforma da Suprema Corte, que ficou conhecido como “court-packing plan”. Nesse plano, o
Presidente poderia nomear mais Ministros da Suprema Corte. O projeto foi visto como uma interferência
principais:
b) Trata-se de uma clara violação da “separação dos Poderes”, que é considerada uma cláusula pétrea em
nosso país.
■ Compete ao Supremo Tribunal Federal julgar a ADI contra lei ou ato normativo federal ou estadual,
■ Quanto às leis municipais que ferem a Constituição Federal, pode ser ajuizada ADPF (art. 102, § 1º,
Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República. Crimes comuns praticados pelo
33
Martins, Flávio. Curso de direito constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Editora Saraiva, 2022. p. 737.
34
Martins, Flávio. Curso de direito constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Editora Saraiva, 2022. p. 739/740.
29
3) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os
Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros dos
permanente. Segundo o Supremo Tribunal Federal, “consoante posicionamento jurisprudencial dessa Colenda
Corte Constitucional, a competência penal do STF por prerrogativa de função advinda da investidura de sujeito ativo
de um delito, no curso do processo, em uma das funções descritas no art. 102, I, b e c, da CF/88 não acarreta a
nulidade da denúncia oferecida, nem dos atos processuais praticados anteriormente perante a justiça competente à
4) o habeas corpus, sendo paciente qualquer das pessoas proferidas nas alíneas anteriores, o
mandado de segurança e o habeas data contra atos do Presidente da República, das Mesas da Câmara dos
Federal ou o Território.
■ Com base nesse inciso, julgou o STF que “ante o disposto na alínea e no inciso I do art. 102 da CF, cabe
ao Supremo processar e julgar originariamente ação civil pública proposta pelo MPF contra a Itaipu Binacional” (Rcl
6) as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito Federal, ou entre uns e
■ Segundo a Súmula 517 do STF, “as sociedades de economia mista só têm foro na Justiça Federal, quando
7) a extradição solicitada por Estado estrangeiro. Trata-se da extradição passiva, cujo procedimento é
explicado com mais profundidade no resumo destacado sobre nacionalidade, o reservado ao direito de
nacionalidade;
8) o habeas corpus, quando o coator for o Tribunal Superior ou quando o coator ou o paciente for
autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à jurisdição do Supremo Tribunal Federal, ou
■ Segundo a Súmula 515 do STF: “a competência para a ação rescisória não é do Supremo Tribunal
30
Federal, quando a questão federal, apreciada no recurso extraordinário ou no agravo de instrumento, seja diversa da
■ Por sua vez, a Súmula 343 afirma que “não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei,
quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais”.
■ Por fim, segundo a Súmula 249 do STF, “é competente o Supremo Tribunal Federal para a ação
rescisória, quando, embora não tendo conhecido do recurso extraordinário, ou havendo negado provimento ao
10) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões.
■ Segundo a Súmula 734 do STF, “não cabe reclamação quando já houver transitado em julgado o ato
11) a execução de sentença nas causas de sua competência originária, facultada a delegação de
12) a ação em que todos os membros da magistratura sejam direta ou indiretamente interessados, e
aquela em que mais da metade dos membros do tribunal de origem estejam impedidos ou sejam direta ou
indiretamente interessados.
■ Segundo a Súmula 731 do STF: “para fim da competência originária do Supremo Tribunal Federal, é
de interesse geral da magistratura a questão de saber se, em face da Lei Orgânica da Magistratura Nacional, os
13) os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer tribunais, entre
Presidente da República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das Mesas de
uma dessas Casas Legislativas, do Tribunal de Contas da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do próprio
16) as ações contra o Conselho Nacional de Justiça e contra o Conselho Nacional do Ministério Público.
■ Segundo o STF, “o STF não se reduz à singela instância revisora das decisões proferidas pelo CNJ. Em
especial, descabe compelir o CNJ a adotar a providência de fundo entendida pela parte interessada como correta, se a
31
decisão impugnada não tiver alterado relações jurídicas ou, de modo ativo, agravado a situação de jurisdicionado.
Cabe à parte interessada, que não teve sua pretensão atendida no campo administrativo com uma decisão
positiva-ativa, busca a tutela jurisdicional que, no caso, é alheia à competência originária do STF” (MS 28.133 AgR,
Por sua vez, prevê como competência recursal o Recurso Ordinário Constitucional (art. 102, II, CF) e o
17.1) Caberá Recurso ordinário contra decisão que julga “o habeas corpus, o mandado de segurança,
o habeas data e o mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores, se
17.2) Por sua vez, caberá recurso extraordinário “quando a decisão recorrida:
c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição;
35
d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal” .
Os dois principais meios são a repercussão geral (relacionado à filtragem do recurso extraordinário –
4.4.1 REPERCUSSÃO GERAL - Art. 102, § 3.º da CF (EC 45/04) e Lei 11.416/06
constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que o Tribunal examine a admissão do recurso,
O Novo CPC alude à repercussão geral, mas não a disciplina, pois isso está contido na Lei 11.416/06.
35
Martins, Flávio. Curso de direito constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Editora Saraiva, 2022. p. 739/740.
32
demonstração de que a questão constitucional, por ser relevante, transcende o caso concreto.
📌 OBSERVAÇÕES
■ Falamos aqui em “admissibilidade”, que permite o conhecimento ou não do recurso. Assim, a falta
■ Essa condição não alcança o Recurso Especial, sendo unicamente relativa ao Recurso Extraordinário.
Quanto à relevância, ela poderá ser, além de jurídica, social, econômica, política. Isso difere da
Quanto à transcendência, temos que não se trata apenas de transcendência quantitativa, podendo
Qual tipo de matéria precisa de demonstração da Repercussão Geral? Qualquer uma ou somente a
cível?
Conforme o STF, até mesmo a matéria criminal exige a demonstração da Repercussão Geral. Assim,
Não se pode presumir a repercussão geral em toda e qualquer ação penal, pois nem sempre matéria
b) FORMA
A demonstração da Repercussão Geral deve ser expresso ou pode ser implícito? E o momento? Seria
No STF, o prequestionamento sempre precisou ser expresso. Mas, o que dizer sobre a Repercussão
Geral?
O STF entende que deve ser feita de forma expressa a demonstração da Repercussão Geral. Assim, é
da boa técnica de que desde o primeiro momento com o processo se faça em tópico apartado a demonstração
c) COMPETÊNCIA
33
Só o STF discute Repercussão Geral, ou o tribunal a quo pode aferir?
Conforme o STF, a competência para aferir não é exclusiva do STF. Deve ser feita uma distinção entre:
● Competência para aferir a existência: somente o STF pode fazer; se o tribunal o fizer, caberá
inclusive Reclamação.
● Competência para aferir afirmação da Repercussão Geral: O tribunal a quo pode negar
Art. 103-A (SV). O STF poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de 2/3 dos seus membros, após
reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na
imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à
administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à
acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública
que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica.
§ 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula
§ 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a
aplicar, caberá reclamação ao STF que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a
decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula,
conforme o caso.
Quem pode provocar a edição da Súmula Vinculante? “A resposta está no art. 103-A, § 2º, da
Constituição Federal e no art. 3º da Lei n. 11.417/2006. Em regra, podem requerer ao STF a edição de súmula
vinculante dos mesmos legitimados da Ação Direta de Inconstitucionalidade (as nove pessoas previstas no art.
103 da Constituição Federal). Além dessas pessoas, o art. 3º da Lei n. 11.417/2006 (lei que regulamenta a
● Tribunais Superiores;
36
Martins, Flávio. Curso de direito constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Editora Saraiva, 2022. p. 740.
34
● Tribunais Regionais Eleitorais e;
“Quanto a este último, dispõe o art. 3º, § 1º da referida lei: “o Município poderá propor, incidentalmente
ao curso de processo em que seja parte, a edição, a revisão ou o cancelamento de enunciado de súmula vinculante, o
● Presidente da República
● Governador
▸ Tribunais
▸ Município (incidentalmente)
4.4.2 NOMENCLATURA
Enunciado/verbete da súmula da jurisprudência do STF com eficácia vinculante ou obrigatória.
Cada tribunal possui uma súmula (entabulamento) de sua jurisprudência, decomposta em diversos
enunciados. Geralmente os enunciados são meramente persuasivos. Todavia, no caso do STF, a eficácia é
vinculante/obrigatória.
4.4.3 DEFINIÇÃO
André Ramos Tavares aponta que a súmula vinculante é o ponto de confluência entre os controles
37
Martins, Flávio. Curso de direito constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Editora Saraiva, 2022. p. 740.
35
de constitucionalidade abstrato e o concreto38.
Guilherme Peña afirma que, quanto aos valores que a súmula tutela, pode ser definida como um
instituto tendencioso a dar concretização aos valores constitucionais da estabilidade (das relações jurídicas),
Uma posição (Dalmo de Abreu Dallari) entendeu que seria inconstitucional a criação da súmula
Outra posição, acolhida pelo STF, entendeu que a súmula vinculante é constitucional.
Existem 2 institutos americanos que se forem admitidos no Direito brasileiro torna plenamente
b) Distinguishing: O juiz faz a distinção do caso que julga e do caso que gerou a súmula, conservando a
autonomia do magistrado. Implicitamente, a nossa Constituição permite esse instituto no art. 103-A,
§3º. Se cabe Reclamação contra ato que não aplica a súmula é porque se entende que é possível a não
1. LÊNIO STRECK: súmula vinculante é ato legislativo, onde o STF, de forma atípica, desempenha a função
legislativa39.
2. LUIS CARLOS ALCOFORADO: É ato jurisdicional. É ato típico do judiciário no desempenho de sua
função jurisdicional40.
entre a abstração do ato legislativo e a concretude do ato jurisdicional. Não é ato legislativo, pois
38
TAVARES, André Ramos. Teoria da Justiça Constitucional. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 221.
39
STRECK, Lenio Luiz. Súmulas no Direito Brasileiro: eficácia, poder e função. 2ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1998, p. 13.
40
ALCOFORADO, Luis Carlos. Súmula Vinculante. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 57.
36
pressupõe casos anteriores reiterados e também não é ato jurisdicional, pois não tem eficácia inter
No Brasil, a lei 11.417/06 adotou a segunda posição, sendo ato jurisdicional. Sendo também processo
📌 OBSERVAÇÃO
Não se trata de um processo objetivo clássico idêntico ao das ações diretas. Temos 2 distinções
relevantes:
O art. 2º aponta a possibilidade de iniciativa de ofício. No caso da ADI, não temos início de ofício,
vinculante não autoriza a suspensão dos processos em que se discuta a mesma questão (proibição expressa
de tutela de urgência). no caso do processo objetivo das ações de controle abstrato, é sabido que sempre
4.4.6 PRESSUPOSTOS
Pressuposto tem cunho material.
Temos 4 pressupostos:
a) Controvérsia atual: A controvérsia não pode ser passada ou futura, mas deve ser do momento
no qual se julga.
b) Multiplicação de processos sobre questão idêntica: A questão deve ser idêntica e não
meramente semelhante.
c) Reiteradas decisões sobre matéria constitucional: Aqui seguimos a regra de que o STF julga
matéria constitucional.
jurídica.
📌 OBSERVAÇÕES
■ Os pressupostos não são restritos à edição de súmula vinculante, mas também a sua revisão e
cancelamento.
41
CAPPELLETTI, Mauro. Juízes Legisladores? Coimbra: Coimbra Editora, 1993, p. 73.
37
■ São interligados, um conduzindo ao outro.
4.4.7 REQUISITOS
Temos aqui as condições formais da produção. Vejamos:
a. INICIATIVA: lembre-se que pode haver produção de ofício. assim, a iniciativa nem sempre existe. sem
prejuízo do disposto em lei, confere-se a iniciativa a, no mínimo, quem tem legitimidade ativa para
A Lei criou mais 3 situações de legitimação ativa para a produção da súmula vinculante e que não
● Municípios, desde que de modo incidental em processo no qual já figure como parte (isso
b. APROVAÇÃO: A aprovação se dá pelo Plenário do STF (cláusula de reserva de plenário). Além disso,
● No DOU; e
● No DJU.
⚠️ ATENÇÃO
Também pode possuir modulação de eficácia temporal, ou seja, é possível que o STF dê à súmula
eficácia ex tunc. Perceba que é justamente o contrário do que acontece na modulação das ações de controle.
Art. 4.º A súmula com efeito vinculante tem eficácia imediata, mas o Supremo Tribunal Federal, por decisão de
2/3 dos seus membros, poderá restringir os efeitos vinculantes ou decidir que só tenha eficácia a partir de
outro momento, tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse público.
38
📌 OBSERVAÇÃO
As razões para a modulação temporal dos efeitos são as mesmas previstas no controle de
constitucionalidade abstrato.
O próprio STF não fica vinculado por suas decisões. Ele pode revisar o enunciado ou pode até
cancelá-lo. O mesmo acontece com o Poder Legislativo, que, na sua função típica de legislar, também não fica
determinadas normas/dispositivos.
Órgãos competentes para julgamento: STJ (art. 105, inciso I, “f” da CF) e STF (art. 102, I, “l” da CF)
📌 OBSERVAÇÃO
Para Moacyr Amaral Santos, por exemplo, seria um recurso ou um sucedâneo recursal. • Para Moniz
de Aragão, seria um incidente processual. • Para José Frederico Marques, seria uma medida de direito
processual constitucional. • Para Dinamarco, seria um remédio processual. O entendimento que prevalece na
doutrina brasileira é o de Pontes de Miranda, que defende se tratar de uma ação propriamente dita. Ação
4.5.1 OBJETO
A reclamação tem uma dupla função:
a) Preservação da competência do tribunal – Exemplo: o STF tem competência para processar as ações
de controle concentrado abstrato. Se uma ACP for utilizada como sucedâneo de uma ADI, caberá uma
A ACP pode ser um instrumento de controle se o pedido for de efeitos concretos e a declaração de
inconstitucionalidade for apenas incidental (prejudicial de mérito), não podendo ser a questão principal do
processo.
39
Cabe reclamação preventiva?
Não se admite o uso da reclamação constitucional com caráter preventivo. (STF, Rcl 25069 AgR,
Relator(a): DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, julgado em 14/03/2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-066 DIVULG
A reclamação, no processo constitucional subjetivo, somente pode ser ajuizada pelas partes envolvidas,
ainda que a decisão tenha efeitos erga omnes. Já no processo constitucional objetivo, qualquer pessoa atingida
pela decisão que desrespeitou o entendimento do STF pode ajuizar uma reclamação no STF.
Para que seja cabível a reclamação, é necessário que a autoridade da decisão do Supremo tenha sido
Se o ato objeto da reclamação foi praticado antes da decisão do STF, não houve desrespeito à
trânsito em julgado. (STF, Rcl 48185, Relator(a): ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 16/11/2021,
autoridade das decisões proferidas por este Supremo Tribunal Federal, pelo que não consubstancia
sucedâneo recursal ou ação rescisória. (STF, Rcl 48185, Relator(a): ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em
Incabível reclamação constitucional ajuizada para discutir ato decisório que já tenha transitado
em julgado, a teor do art. 988, 5º, I, do CPC/2015. Aplicação da Súmula 734/STF. (STF, Rcl 50128, Relator(a):
ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 18/12/2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-015 DIVULG 27-01-2022
PUBLIC 28-01-2022)
Suprema Corte e garantir a autoridade de suas decisões, ex vi do artigo 102, inciso I, alínea l, além de
40
salvaguardar o estrito cumprimento das súmulas vinculantes, nos termos do artigo 103-A, § 3º, da Constituição
da República, incluído pela Emenda Constitucional 45/2004. Trata-se de via processual de caráter
reclamação para o revolvimento do conjunto fático probatório do processo de origem. Precedentes: Rcl
35.657 AgR/RS, Rel. Min. Rosa Weber, Primeira Turma, DJe 11/12/2019; Rcl 29.200 AgR/SP, Rel. Min. Luiz Fux,
Primeira Turma, DJe 29/11/2018. (STF, Rcl 38973, Relator(a): LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 15/04/2020,
■ Cabe contra ato jurisdicional ou não. Cabível, portanto, contra ato administrativo.
■ Cabe contra ato que não cumpre a súmula ou quando se aplica a súmula indevidamente.
■ Se o ato for administrativo e a reclamação for procedente, o ato será anulado. Sendo o ato
jurisdicional, ele será cassado, devendo o juiz praticar outro ato, seguindo a orientação do STF.
5.1 COMPOSIÇÃO
Os Ministros do STJ serão nomeados pelo Presidente da República, dentre brasileiros com mais de
35 e menos de 70 anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, depois de aprovada a escolha pela
Senado Federal.
Ministros do STJ
(33 Ministros)
■ 1/3 de advogados e membros Aplica-se a regra do quinto constitucional
42
Martins, Flávio. Curso de direito constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Editora Saraiva, 2022. p.742.
41
Senado Federal.
5.1 COMPETÊNCIAS43
“A competência do Superior Tribunal de Justiça está prevista no art. 105 da Constituição Federal,
dividindo-se em competência originária (art. 105, I, CF) e competência recursal (art. 105, II e III, CF).
1) nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e, nestes e nos de
responsabilidade, os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os membros
dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais
Regionais Eleitorais e do Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do
2) os mandados de segurança e os habeas data contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes
3) os habeas corpus, quando o coator ou paciente for qualquer das pessoas mencionadas na alínea
“a”, ou quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição, Ministro de Estado ou Comandante da Marinha, do
4) os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalvado o disposto no art. 102, I, “o”, bem
como entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos;
União;
Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça Militar, da Justiça Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal;
Por sua vez, a competência recursal do Superior Tribunal de Justiça está prevista nos arts. 105, II e III,
da Constituição Federal. Segundo o art. 105, II, da Constituição, cabe recurso ordinário constitucional ao STJ
contra decisão que julga “os habeas corpus decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais
Federais ou pelos Tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória”, bem
como “os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais
dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão” e “as causas em que forem partes Estado
43
Martins, Flávio. Curso de direito constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Editora Saraiva, 2022. p.742.
42
País”.
Cabe Recurso Especial ao STJ contra “as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais
Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida:
c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal”.
Por fim, segundo o art. 105, parágrafo único, da Constituição Federal, “funcionarão junto ao Superior
Tribunal de Justiça:
orçamentária da Justiça Federal de primeiro e segundo graus, como órgão central do sistema e com poderes
6. TRIBUNAIS DE SUPERPOSIÇÃO
Desde 2004 temos um caso em que o STJ tem competência constitucional e dois casos em que o
Vemos a tabela:
STJ STF
43
7. TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS E JUÍZES FEDERAIS
A Justiça Federal Comum é composta pelos Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais da 1.ª
Instância44.
⚠️ ATENÇÃO
Redação dada pela EC 122/22:
Art. 107. Os Tribunais Regionais Federais compõem-se de, no mínimo, 7 juízes, recrutados, quando possível,
na respectiva região e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de 30 e menos de
Temos como órgãos da Justiça do Trabalho o Tribunal Superior do Trabalho, os Tribunais Regionais do
Trabalho e os Juízes do Trabalho, sendo possível que a lei atribua jurisdição trabalhista aos juízes de direito nas
naturalizados, com mais de 35 e menos de 70 anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada (EC
122/22);
respectiva região, e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de 30 e menos de 70
44
MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 8ª. Ed. Salvador: JusPodvim, 2020, p. 1312.
45
MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 8ª. Ed. Salvador: JusPodvim, 2020, p. 1302.
46
MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 8ª. Ed. Salvador: JusPodvim, 2020, p. 1304.
44
Perceba que temos aqui 3 instâncias: Local (varas), regional (TRT) e Nacional (TST).
Segundo Nathalia Masson (2020, p. 1306) a Justiça Eleitoral é uma Justiça Especial, na qual possui
competências jurisdicionais e vasta atribuição administrativa no que se refere aos processos eleitorais.
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL: 3 juízes eleitos, mediante voto secreto, dentre os ministros do STF;
2 juízes eleitos, mediante voto secreto, dentre os ministros do STJ; e 2 juízes nomeados pelo Presidente da
República dentre 6 advogados (de notável saber jurídico e idoneidade moral) indicados pelo STF;
desembargadores do Tribunal de Justiça; 2 juízes eleitos, mediante voto secreto, dentre juízes de direito,
escolhidos pelo Tribunal de Justiça; 1 juiz do Tribunal Regional Federal, ou, não havendo, de juiz federal,
escolhido, em qualquer caso, pelo Tribunal Regional Federal respectivo; e 2 juízes nomeados pelo Presidente da
República dentre 6 advogados (de notável saber jurídico e idoneidade moral) indicados pelo Tribunal de Justiça.
45
Perceba que na primeira instância temos a possibilidade de órgão colegiado (juntas eleitorais) que é
Deve-se destacar que hoje temos PEC tramitando no Congresso para extinguir a junta. Isso pelo fato
de que as juntas atuam na diplomação em eleição local e na apuração. A junta permanece com relevância na
diplomação, mas na apuração não é mais relevante tendo em vista as urnas eletrônicas.
O Conselho é composto por um juiz togado e auditores militares da polícia e dos bombeiros.
No segundo grau temos TJ (Estado com corporação de até 20 mil integrantes) e TJM (corporação com
No que tange ao Juízo Militar, temos que é composto por juiz militar. Com a criação desses juízos,
temos a quebra de um dogma do Direito Militar, qual seja, qualquer julgamento militar deve ser colegiado. Ora,
Vejamos 3 situações:
● Crime militar não doloso contra a vida, autor militar e vítima militar (exemplo: motim): Julgamento
colegiado.
● Crime militar não doloso contra a vítima, autor militar e VÍTIMA CIVIL (exemplo: lesão corporal):
Julgamento monocrático pelo JUÍZO MILITAR. O intuito é evitar corporativismo. Assim, sendo civil a
Outro dogma quebrado foi: O julgamento será sempre de matéria criminal. No âmbito Estadual esse
dogma está superado, pois o juízo não julga apenas CRIMES, mas tem também competência CIVIL. O juízo
militar julgará a ação cível na qual haja a discussão da prática de uma infração disciplinar com a possibilidade
⚠️ ATENÇÃO
46
Aqui temos um caso notório de judicialização. Isso porque os cargos de policial ou bombeiro militar
não são vitalícios e por isso sempre podem ser demitidos por órgão administrativo. Todavia, hoje a Constituição
tornou judicial a questão, levando ao judiciário a necessidade de apreciação pelo poder judiciário.
🚩 NÃO CONFUNDA
■ JUDICIALIZAÇÃO: Trata-se de um Estado de conhecer de questões que a princípio era afetar a outro
■ PROTAGONISMO JUDICIAL (LENIO STRECK): Trata-se de uma Posição. O judiciário hoje é um ator
político central no arranjo entre os poderes. Via de regra está associado a um Estado e a um comportamento.
Todavia, nem sempre essa relação existe, podendo haver situações onde temos Estado sem
(autonomia processual) temos isso nos RI’s dos Tribunais, por exemplo. Como exemplos
(Estado das coisas Trata-se de uma questão profunda de omissão inconstitucional que
CAUSAS / CONDIÇÕES:
47
A. Violação massiva de direitos humanos;
“Ativismo Dialógico” porque essas causas geram o efeito da DECISÃO JUDICIAL DE EXECUÇÃO COMPLEXA. A
premissa do Estado de coisas inconstitucional é que haja separação entre eficácia e efetividade, não se
preocupando o Judiciário em proferir decisão que tenha apenas efeito jurídico, mas sim decisão em que seja
Assim, o Judiciário dialoga com a sociedade para que se chegue até a solução efetiva para o caso concreto.
O conselho é formado por oficiais e um juiz civil togado. Posteriormente, já temos o STM.
⚠️ ATENÇÃO
Redação dada pela EC 122/22:
Art. 123
Parágrafo único. Os Ministros civis serão escolhidos pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais
48
Os tribunais de alçada compunham a segunda instância da justiça estadual que tinha competência de
natureza especializada cível ou tribunais. A EC 45/04 extinguiu os TA’s que ainda existiam, para unificar a
da decisão de turma recursal não cabe REsp ao STJ, pois este exige decisão do TRIBUNAL e a turma recursal não
é tribunal.
Além disso, não é aplicável a cláusula de reserva de plenário, pois esta norma (art. 97 da CF) exige que
49