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Poder Judicia Rio

O documento aborda a estrutura e funcionamento do Poder Judiciário brasileiro, destacando suas funções típicas e atípicas, garantias institucionais e funcionais, e a organização das diversas justiças e tribunais. Além disso, menciona as autonomias administrativa, orçamentária e financeira do Judiciário, bem como as condições para a vitaliciedade dos magistrados. O texto também discute aspectos relacionados ao Conselho Nacional de Justiça e à composição e competências do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça.
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O documento aborda a estrutura e funcionamento do Poder Judiciário brasileiro, destacando suas funções típicas e atípicas, garantias institucionais e funcionais, e a organização das diversas justiças e tribunais. Além disso, menciona as autonomias administrativa, orçamentária e financeira do Judiciário, bem como as condições para a vitaliciedade dos magistrados. O texto também discute aspectos relacionados ao Conselho Nacional de Justiça e à composição e competências do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça.
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0

PODER JUDICIÁRIO
2a EDIÇÃO/2023

1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS 1
1.1. FUNÇÕES TÍPICAS E ATÍPICAS 1
1.1. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL 2
2. DISPOSIÇÕES GERAIS 3
2.1 GARANTIAS INSTITUCIONAIS 3
2.2 GARANTIA FUNCIONAIS 5
2.2.1 VEDAÇÕES 7
2.3 TEMPO DE “ATIVIDADE JURÍDICA” PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA 8
2.4 ÓRGÃO ESPECIAL 10
2.5 QUINTO CONSTITUCIONAL 11
2.6 CLÁUSULA DA RESERVA DE PLENÁRIO (REGRA DO FULL BENCH) 12
2.7 JUIZADOS ESPECIAIS 13
2.8 JUSTIÇA DE PAZ 14
2.9 PRECATÓRIO 15
2.9.1 ASPECTOS INTRODUTÓRIOS 15
2.9.2 REGIME DOS PRECATÓRIOS 15
2.9.3 DISPENSA DE PRECATÓRIO 16
2.9.4 PRAZO PARA PAGAMENTO 18
2.9.5 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS 19
2.9.6 SEQUESTRO DA QUANTIA DEVIDA 20
2.9.7 INTERVENÇÃO FEDERAL E ESTADUAL 20
2.9.8 POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO 20
2.9.9 LEILÃO 21
3. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA 21
3.1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS 21
3.2. COMPOSIÇÃO 23
3.3. COMPETÊNCIA 23
3.4. LINHAS DE JURISPRUDÊNCIA DO STF SOBRE O CNJ 25
4. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL 27
4.1 COMPOSIÇÃO 27
4.2 COURT-PACKING 28
4.3 COMPETÊNCIA DO STF 28
4.4 REPERCUSSÃO GERAL 31
4.4.1 REPERCUSSÃO GERAL - Art. 102, § 3.º da CF (EC 45/04) e Lei 11.416/06 31
4.4.2 LINHAS DA JURISPRUDÊNCIA DO STF QUANTO À REPERCUSSÃO GERAL 32
4.4 SÚMULA VINCULANTE 33
4.4.1 SÚMULA VINCULANTE - Art. 103-A da CF e Lei 11.417/06 33
4.4.2 NOMENCLATURA 34
4.4.3 DEFINIÇÃO 34
4.4.4 VALIDADE: A SÚMULA VINCULANTE É CONSTITUCIONAL OU NÃO? 34
4.4.5 NATUREZA JURÍDICA 35
4.4.6 PRESSUPOSTOS 36

1
4.4.7 REQUISITOS 36
4.4.8 GARANTIA DA EFETIVIDADE DA SÚMULA 38
4.5 RECLAMAÇÃO CONSTITUCIONAL 38
4.5.1 OBJETO 38
4.5.2 LEGITIMIDADE ATIVA 40
4.5.3 LINHAS DA JURISPRUDÊNCIA DO STF SOBRE RECLAMAÇÃO 40
5. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 40
5.1 COMPOSIÇÃO 40
5.1 COMPETÊNCIAS 41
6. TRIBUNAIS DE SUPERPOSIÇÃO 42
7. TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS E JUÍZES FEDERAIS 43
8. TRIBUNAIS E JUÍZES DO TRABALHO 43
9. TRIBUNAIS E JUÍZES ELEITORAIS 43
10. TRIBUNAIS E JUÍZES MILITARES 44
11. TRIBUNAIS DE JUSTIÇA E JUÍZES ESTADUAIS 47

2
1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS

1.1. FUNÇÕES TÍPICAS E ATÍPICAS


O professor Marcelo Novelino1 destaca que, “por apresentar sempre o mesmo conteúdo e finalidade, o

Poder Judiciário é uno e indivisível: não é federal, nem estadual, mas nacional. Trata-se de um único e mesmo

poder que atua por meio de diversos órgãos, estes sim, federais e estaduais. A divisão da estrutura judiciária

brasileira consiste apenas no resultado da repartição racional da competência a ser exercida pelos órgãos

jurisdicionais.” Dessa forma, não se fala em “judiciário federal” ou “judiciário estadual”, na verdade falamos em

justiça federal ou justiça estadual.

Para confirmar esse fato, é cabível recurso contra acórdão proferido por tribunal vinculado ao

Estado-membro para Tribunal vinculado à União (a exemplo do REsp e RE).

Os outros poderes não possuem essa característica.

É importante ressaltar que o Poder Judiciário, assim como o Poder Legislativo e Executivo, exerce

funções típicas e atípicas:

a) A função típica do Poder Judiciário consiste no exercício da jurisdição.

b) Já na função atípica, exerce algumas de natureza legislativa, como a elaboração de seus regimentos

internos (art. 96, inc. I, “a”, CF), e outras de caráter administrativo, como organização de secretarias e

serviços auxiliares (art. 96, inc. I, “b”, CF)2

1.1. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL


O Poder Judiciário é composto por 6 justiças, 2 tribunais de superposição e 1 órgão judiciário que

não é jurisdicional.

1
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 764.
2
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 764.

3
📌 OBSERVAÇÃO
O Conselho Nacional de Justiça, apesar de incluído na estrutura constitucional do Poder Judiciário, é

órgão de caráter administrativo, criado para exercer o controle da atuação administrativa e financeira deste

poder, bem como fiscalizar os juízes no cumprimento de seus deveres constitucionais3

⚠️ ATENÇÃO
A EC 122/22 aumentou o limite de idade para indicação de ministros de tribunais superiores e juízes

de segunda instância, passando a ser a idade máxima de 70 anos.

2. DISPOSIÇÕES GERAIS

2.1 GARANTIAS INSTITUCIONAIS4


As garantias institucionais (art. 99, CF) e funcionais (art. 95, CF) protegem os juízes contra pressões

internas e externas potencialmente capazes de enfraquecer o sistema demcrático, de modo a impedir a

influência dos demais atores políticos.

Devemos fazer uma separação entre garantias funcionais e garantias institucionais. Servem para

garantir a independência e imparcialidade.

INSTITUCIONAIS FUNCIONAIS

Fundamentação: Previstas no art. 99, CF. Fundamentação: Previstas no art. 95, CF.

Extensão: Se aplica ao todo. Extensão: Se aplica aos membros (partes do

poder)

Em que pese essas proteções sejam essenciais, o professor Marcelo Novelino aponta uma situação

paradoxal, na medida em que essas garantias conferem proteção aos magistrados contra interferências

externas indevidas, mas não protegem o sistema constitucional nem a sociedade de juízes que poder vir a

desobedecer ou distorcer o direito.

Nesse contexto, segundo leciona o professor, também devem ser tomadas as devidas precauções

para assegurar a submissão judicial do direito, contrapartida necessária à independência do Poder Judiciário.

Especificamente sobre as garantias institucionais, é certo que elas foram conferidas ao Poder

Judiciário pela Constituição de 1988, sob a forma de autonomias.

A autonomia orgânico-financeira foi assegurada por normas referentes à competências, estrutura e

funcionamento (CF, art. 96);

3
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 765.
4
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 766.
4
A autonomia financeira, por normas relacionadas à elaboração e execução de propostas

orçamentárias, nos termos da Constituição (CF, art. 99, §1º a 5º)

Art. 99. Ao Poder Judiciário é assegurada autonomia administrativa e financeira.

§ 1º Os tribunais elaborarão suas propostas orçamentárias dentro dos limites estipulados conjuntamente com

os demais Poderes na lei de diretrizes orçamentárias.

§ 2º O encaminhamento da proposta, ouvidos os outros tribunais interessados, compete:

I - no âmbito da União, aos Presidentes do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, com a

aprovação dos respectivos tribunais;

II - no âmbito dos Estados e no do Distrito Federal e Territórios, aos Presidentes dos Tribunais de Justiça, com a

aprovação dos respectivos tribunais.

§ 3º Se os órgãos referidos no § 2º não encaminharem as respectivas propostas orçamentárias dentro do

prazo estabelecido na lei de diretrizes orçamentárias, o PODER EXECUTIVO considerará, para fins de

consolidação da proposta orçamentária anual, os valores aprovados na lei orçamentária vigente,

ajustados de acordo com os limites estipulados na forma do § 1º deste artigo.

§ 4º Se as propostas orçamentárias de que trata este artigo forem encaminhadas em desacordo com os

limites estipulados na forma do § 1º, o Poder Executivo procederá aos ajustes necessários para fins de

consolidação da proposta orçamentária anual.

§ 5º Durante a execução orçamentária do exercício, não poderá haver a realização de despesas ou a assunção

de obrigações que extrapolem os limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias, exceto se

previamente autorizadas, mediante a abertura de créditos suplementares ou especiais.

É inadmissível a previsão de “controle de qualidade” — a cargo do Poder Executivo — de serviços

públicos prestados por órgãos do Poder Judiciário.

A possibilidade de um órgão externo exercer atividade de fiscalização das atividades do Poder Judiciário, sob

pena de sanções pecuniárias e controle orçamentário, ofende a independência e a autonomia financeira,

orçamentária e administrativa do Poder Judiciário, consagradas nos arts. 2º e 99 da Constituição Federal. STF.

ADI 1905/RS, relator Min. Dias Toffoli, julgamento em 16.8.2021 (info 1025)

Temos, portanto, 3 autonomias:

1. ADMINISTRATIVA: é órgão autônomo em relação aos poderes da república e em relação com outros

órgãos.

2. ORÇAMENTÁRIA (receita): Pode elaborar proposta orçamentária própria, encaminhado ao legislativo e

executivo para ajustes financeiros.

3. FINANCEIRA (despesa): Faz gastos conforme seus próprios critérios.

5
2.2 GARANTIA FUNCIONAIS
São 3 as garantias funcionais. Vejamos:

■Impede a perda involuntária do cargo, salvo por sentença transitada em julgado.

■Tem relação com a classificação do cargo público.

■Levando-se em conta o grau de segurança, o cargo dos membros do poder judiciário

é vitalício, sendo este aquele que atribui a maior segurança possível ao seu titular.

Está restrito a algumas carreiras (Tribunal de Contas, Membros da Magistratura,

Membros do MP).

■Uma vez adquirida a vitaliciedade por exercício de 2 anos, o cargo só é perdido por

sentença judicial transitada em julgado.

🚩 NÃO CONFUNDA
SERVIDOR PÚBLICO COMUM: O estágio probatório é de 3 anos. Após esse período

eles adquirem a estabilidade. A perda do cargo após a estabilidade e admitida não

apenas em sentença judicial com trânsito em julgado, mas também mediante

processo administrativo (CF, art. 41) de cunho disciplinar decorrente de avaliação

periódica de desempenho ou relacionado aos limites com a despesa de ativos e


VITALICIEDADE inativos estabelecidos em lei complementar, nos termos do § 4º do artigo 169 da

Constituição5.

📌 OBSERVAÇÕES
■ Os 2 anos de estágio probatório para adquirir a vitaliciedade pressupõe concurso

público. Se for o caso de nomeação direta não há necessidade de 2 anos, pois

adquirirá estabilidade de forma automática.

■ De acordo com o art. 95 da CF/1988, a perda do cargo do magistrado de primeiro

grau, antes dos 2 anos, ocorre por deliberação do tribunal ao qual o juiz está

vinculado. Após 2 anos, a perda do cargo apenas ocorre por sentença judicial

transitada em julgado.

■ Antes da Emenda 45/2004, este dispositivo exigia um quórum de 2/3. Esse quórum

foi alterado para maioria absoluta com a referida Emenda. Além disso, o dispositivo

passou a prever que a remoção, disponibilidade ou aposentadoria poderá ser

determinada, não só pelo tribunal, mas também por ato do Conselho Nacional de

Justiça. Segundo entendimento do STF, a inamovibilidade se aplica também aos juízes

5
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 768.
6
substitutos.

■ A irredutibilidade de subsídios apenas se refere ao valor nominal (e não ao valor

real). O valor real do subsídio pode sofrer redução.

🚩 NÃO CONFUNDA
IRREDUTIBILIDADE REAL X IRREDUTIBILIDADE NOMINAL: A primeira determina que

o subsídio do Magistrado deve sempre estar adequado aos processos de correção

monetária em virtude de perdas inflacionárias. Na segunda, por sua vez, a perda não

pode ocorrer apenas nominalmente, no contracheque. Ex.: O subsídio inicial de um

Magistrado é determinado pelo Tribunal no montante de R$35.000,00. No mês

seguinte, esse valor não poderá ser reduzido para R$30.000,00. Tal situação é

inconstitucional (art. 95 da CF).

Lembre-se que o subsídio é uma espécie de retribuição pecuniária que nasce da EC 19

no art. 39, §4º. O subsídio é modalidade de retribuição fixada em parcela única,

vedado o acréscimo de qualquer outra espécie remuneratória, ressalvada a de

natureza indenizatória.
IRREDUTIBILIDADE O art. 39, §4º deve ser lido conjuntamente com o art. 37, §11 por causa da ressalva
DE SALÁRIO grifada.

Assim, sendo indenizatória, é possível somar a parcela ao subsídio bem como é

possível também que ultrapasse o teto do art. 37, XI.

O subsídio é próprio dos agentes políticos (na visão ampliativa do conceito).

Existem 5 normas comprovam isso na nossa Constituição:

● Art. 39, §4º (detentores de mandato eletivo)

● Art. 73, §3º (membros dos tribunais de contas)

● Art. 95, I (membros da magistratura)

● Art. 128, §5º (membros do Ministério Público)

● Art. 135 (Advocacia pública e Defensoria Pública).

⚠️ ATENÇÃO
Subsídio é exclusivo de agentes políticos? NÃO!! Cuidado com a norma do art. 144,

§9º da CF (servidor policial). Assim, apesar de ser próprio de agente político, não é

exclusivo destes.

INAMOVIBILIDADE Essa garantia está ligada à remoção, ou seja, mudança de um agente de um órgão

7
público para outro.

Podemos classificar a remoção em:

a. VOLUNTÁRIA: Há uma vontade ou mais de uma vontade que a justifica. Pode ser

dividida ainda em unilateral ou a pedido e ainda em bilateral ou por permuta.

b. COMPULSÓRIA: É uma sanção administrativa de média intensidade.

Por essa garantia, temos 2 efeitos práticos:

▸ A remoção, em regra, é voluntária.

▸ Na magistratura é admissível a remoção compulsória como exceção quando

satisfeitas 1 condição material (interesse público) e 3 condições formais (decisão

colegiada; maioria de votos absoluta; contraditório e ampla defesa).

Essa garantia abrange o juiz substituto? Para o STF, essa garantia, como as demais,

se aplica também aos substitutos, pois a Constituição não faz nenhuma diferença

quanto ao titular e ao substituto.

2.2.1 VEDAÇÕES
Têm a finalidade de evitar que interesses pessoais dos magistrados se sobreponham ou entrem em

conflito com a sua atuação dentro do Poder Judiciário. São elas:

■ Exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério.

O juiz não pode exercer nenhum outro cargo ou função, seja pública, seja privada, salvo uma de

magistério. No caso do Poder Judiciário, o CNJ possui uma resolução dizendo que os membros do Poder

Judiciário não podem exercer a atividade de coaching, pois eles consideram que essa atividade é diferente do

magistério.

Os membros do MP são impedidos de exercer outras funções públicas. Assim, o exercício de

funções privadas seria permitido, mas a própria Constituição diz que eles não podem exercer a advocacia. Da

mesma forma, a Constituição proíbe, expressamente, que eles participem de sociedade comercial na forma da

lei. A lei só permite a participação como acionista ou como quotista.

Ainda no caso do Ministério Público, a atividade de coaching também não pode ser exercida,

conforme art. 1º, §5º da Resolução 73/11 do CNMP.

8
5º As atividades de coaching, similares e congêneres, destinadas à assessoria individual ou coletiva de

pessoas, inclusive na preparação de candidatos a concursos públicos, não são consideradas atividade

docente, sendo vedada a sua prática por membros do Ministério Público.

A Resolução nº 10/2005, do Conselho Nacional de Justiça, veda aos integrantes do Poder Judiciário o

exercício de funções nos Tribunais de Justiça Desportiva e em suas Comissões Disciplinares6.

■ Receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em processo.

O conceito de custas deve ser interpretado extensivamente, de forma a abranger toda e qualquer

despesa processual, e não apenas a parte legalmente prevista relativa às despesas de expedição e

movimentação dos feitos.

Segundo entendimento do STF na ADI 954, de 24.02.2011, a vedação se aplica também aos juízes de

paz7.

■ Dedicar-se à atividade político-partidária.

A vedação abrange não ós a filiação a determinado partido político, mas também a participação em

campanhas políticas, apesar de não afastar a liberdade de opinião político-partidária8.

Para se dedicar a esse tipo de atividade, o magistrado terá de se afastar, definitivamente, por meio de

exoneração ou aposentadoria. Para ser candidato a cargo eletivo, o afastamento deve ocorrer até seis meses

antes das eleições (é o chamado prazo de desincompatibilização estabelecido pela LC nº 64/1990 para filiação a

partido político)9.

■ Receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades

públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei

■ Exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do

afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração (“quarentena”).

2.3 TEMPO DE “ATIVIDADE JURÍDICA” PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA10

Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da

Magistratura, observados os seguintes princípios:

I - ingresso na carreira, cujo cargo inicial será o de juiz substituto, através de concurso público de provas e

títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as suas fases, obedecendo-se, nas

nomeações, à ordem de classificação;

6
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 769.
7
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 769.
8
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 769.
9
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 769.
10
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 770/771.
9
É exigido do bacharel em Direito, para ingresso na magistratura, o tempo mínimo de três anos de

atividade jurídica (CF, art. 91, I).

A Súmula 266 do STJ dispõe que “O diploma ou habilitação legal para o exercício do cargo deve ser

exigido na posse e não na inscrição para o concurso público”, no entanto, a comprovação do tempo de

atividade jurídica pode ser exigida no momento da inscrição (STF - ADI 3.460/DF, Rel. Min. Carlos Britto).

Para ser considerada atividade jurídica, devem ser admitidas as atribuições que exijam conhecimento

preponderantemente jurídico, ou seja, deve-se analisar , caso a caso, a atividade desempenhada e não apenas o

tipo de cargo ocupado.

A comprovação de atividade jurídica no caso de empregos ou funções não privativos de bacharel em

Direito deve ocorrer mediante certidão circunstanciada, expedida pelo órgão competente, indicando as

respectivas atribuições e a prática reiterada de atos que exijam a utilização preponderante de conhecimento

jurídico, cabendo à Comissão de Concurso, em decisão fundamentada, analisar a validade do documento.

Nos termos da Resolução nº75/2009 do CNJ, considera-se atividade jurídica:

■ aquela exercida com exclusividade por bacharel em Direito;

■ o efetivo exercício de advocacia, inclusive voluntária, mediante a participação anual mínima em 5

(cinco) atos privativos de advogado (Lei nº 8.906, 4 de julho de 1994, art. 1º) em causas ou questões distintas;

■ o exercício de cargos, empregos ou funções, inclusive de magistério superior, que exija a utilização

preponderante de conhecimento jurídico;

■ o exercício da função de conciliador junto a tribunais judiciais, juizados especiais, varas especiais,

anexos de juizados especiais ou de varas judiciais, no mínimo por 16 (dezesseis) horas mensais e durante 1 (um)

ano;

■ o exercício da atividade de mediação ou de arbitragem na composição de litígios.

Qual o marco da contagem do mínimo de três anos? O marco inicial é a obtenção do grau de bacharel

em Direito e deverá ser atendida na data da inscrição definitiva. No cômputo desse período, é vedada a

contagem de estágio acadêmico ou de qualquer outra atividade anterior à colação de grau.

O STF fixou entendimento de que o limite etário para investidura no cargo só pode ser

estabelecido pela própria Constituição ou pela LOMAN. Em razão disso, declarou inconstitucional Lei de

Organização Judiciária do Distrito Federal e dos Territórios que estabelecia a exigência de idade mínima de 25

anos e máxima de 50 anos para ingresso na carreira da magistratura, senão vejamos:

Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL. REGIME JURÍDICO DA MAGISTRATURA. LEI DE ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA

DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS. INCONSTITUCIONALIDADES FORMAL E MATERIAL NA PREVISÃO DE

REQUISITOS DE FAIXA ETÁRIA PARA O INGRESSO NA CARREIRA (ART. 52, V, DA LEI 11.697/2008). RESERVA DE

LEI COMPLEMENTAR (CF, ART. 93, I). DESPROPORCIONALIDADE E QUEBRA DA ISONOMIA. 1. O SUPREMO

10
TRIBUNAL FEDERAL possui jurisprudência firme no sentido de que, até o advento da lei complementar prevista

no art. 93, caput, da Constituição Federal, o Estatuto da Magistratura é disciplinado pela LOMAN, recepcionada

pela nova ordem constitucional. Precedentes. 2. O art. 52, V, da Lei 11.697/2008, ao estabelecer como

requisito para ingresso na carreira da magistratura do Distrito Federal ou dos Territórios a idade

mínima de 25 anos e máxima de 50, viola o disposto no art. 93, I, da Constituição Federal. 3. Em assuntos

diretamente relacionados à magistratura nacional, como as condições para investidura no cargo, a disciplina

da matéria deve ser versada pela Constituição Federal ou pela LOMAN, não podendo lei ordinária federal

inovar e prever norma de caráter restritivo ao ingresso na magistratura que não encontra pertinência nos

citados diplomas normativos. 4.A Constituição Federal não exige idade mínima para o ingresso na

magistratura, mas sim a exigência de “três anos de atividade jurídica” ao bacharel em direito (CF, art. 93, I). 5. O

limite de 50 anos de idade para ingresso em cargo de magistrado não guarda correlação com a natureza do

cargo e destoa do critério a que a Constituição adotou para a composição dos Tribunais Superiores, Tribunais

Regionais Federais e Tribunais Regionais do Trabalho. 6. Ação direta julgada procedente. ADI 5329. Órgão

julgador: Tribunal Pleno. Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO. Redator(a) do acórdão: Min. ALEXANDRE DE

MORAES. Julgamento: 15/12/2020. Publicação: 23/02/2021

2.4 ÓRGÃO ESPECIAL


Está previsto na CF/1988.

Terá no mínimo 11 julgadores e no máximo 25 julgadores.

Exerce função administrativa (Ex.: Realização de concurso; concessão de férias aos servidores) e

jurisdicional (Ex.: declaração de inconstitucionalidade), ou seja, o Tribunal Pleno não pode delegar ao órgão

especial qualquer tipo de atribuição.

As funções de natureza legislativa e de natureza política não podem ser delegadas ao órgão especial.

2.5 QUINTO CONSTITUCIONAL


Em regra, 1/5 das vagas dos Tribunais será destinado aos advogados com mais de 10 anos de efetivo

exercício das atividades, notório saber jurídico e reputação ilibada, e para membros do Ministério Público com

mais de 10 anos de efetivo exercício das atividades.

A ideia do quinto constitucional é trazer para a magistratura profissionais da advocacia ou do MP com

diferentes experiências.

1/5 dos membros dos TJs e TRFs são compostos por advogados e membros do MP.

Art. 94. 1/5 dos lugares dos Tribunais Regionais Federais (TRF´s), dos Tribunais dos Estados (TJ´s), e do Distrito

Federal e Territórios (TJDFT) será composto de membros, do Ministério Público, com mais de 10 anos de

carreira, e de advogados de notório saber jurídico e de reputação ilibada, com mais de 10 anos de efetiva

atividade profissional, indicados em lista sêxtupla pelos órgãos de representação das respectivas classes.

Parágrafo único. Recebidas as indicações, o tribunal formará lista tríplice, enviando-a ao Poder Executivo,

11
que, nos 20 dias subsequentes, escolherá um de seus integrantes para nomeação.

🚨 JÁ CAIU
Esse assunto foi cobrado na prova para o cargo de Promotor de Justiça da MPE-SC (Ano: 2019, Instituto

Consulplan). A banca considerou correta a seguinte assertiva: “No que pertine ao quinto constitucional para

composição dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais dos Estados, e do Distrito Federal e Territórios,

formada a lista tríplice pelo tribunal, será enviada ao Poder Executivo, que, nos vinte dias subsequentes,

escolherá um de seus integrantes para nomeação”.

Deve ser respeitada a paridade no preenchimento das vagas de quinto constitucional, atribuídas aos

membros do Ministério Público e aos advogados. Nos casos em que o número de vagas de um tribunal

destinadas ao quinto constitucional for ímpar, a alternância da preponderância entre as classes deve

ser buscada sempre que for aberta uma vaga. III – Quando a preponderância de classes é revista sempre

que abre uma vaga referente ao quinto constitucional, as distorções temporais, por uma questão de

probabilidade, tendem a ser inferiores. (STF, MS 34523 AgR, Relator(a): RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal

Pleno, julgado em 22/03/2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-060 DIVULG 29-03-2021 PUBLIC 30-03-2021)

A Ordem dos Advogados do Brasil possui autonomia para elaborar e revisar lista sêxtupla para

indicação de advogados para concorrer à vaga do quinto constitucional.

A formulação da lista sêxtupla pela OAB não é ato vinculado a eventual cumprimento posterior de requisitos

para poder participar da lista. Assim, a OAB tem a liberdade ampla de fazer as indicações dos candidatos

advogados que sugere para a vaga do quinto constitucional.

É possível que duas entidades que possuem legitimidade e independência para proceder à indicação de listas,

sêxtupla no caso da OAB, e posteriormente tríplice no caso do Tribunal de Justiça, manifestem de forma

irrefutável o não desejo de colocar um advogado em suas indicações. STJ. AgInt na SS 3.262-SC, Rel. Presidente

Min. Humberto Martins, Corte Especial, por unanimidade, julgado 20/10/2021 (info 716)

A Constituição Estadual pode submeter a escolha à aprovação da Assembleia Legislativa?

Segundo o STF, não podem as Constituições Estaduais estabelecer qualquer outro requisito diferente

dos previstos na CF/1988 (exemplo: sabatina).

O quinto constitucional, inicialmente, estava previsto apenas para os Tribunais Regionais Federais e

para os Tribunais de Justiça (Inclusive TJDFT). No entanto, com a Emenda 45/2004, o quinto foi estendido

também ao TST e ao TRT. No caso do TST, a previsão de um quinto das vagas para membros do MPT e da

Advocacia está contida no art. 111-A. No caso do TRT, a previsão está contida no art. 115.

Além da previsão do quinto constitucional para TRFs, TJs, TRTs e TST, há dois outros tribunais que têm,

em sua composição, profissionais que não são necessariamente oriundos do Poder Judiciário: STF e STJ.

▸ Em relação ao STJ, um terço dos membros é formado por membros do MP e da Advocacia.

12
▸ No caso do STF, a escolha dos Ministros é feita pelo Presidente da República e não há percentual

estabelecido pela CF/1988.

▸ Em relação ao STF, a CF/1988 não exige um percentual de advogados, de membros do MP ou de

magistrados. A CF/1988 não exige sequer que o Ministro seja bacharel em Direito, mas apenas notório

saber jurídico e reputação ilibada.

2.6 CLÁUSULA DA RESERVA DE PLENÁRIO (REGRA DO FULL BENCH)11

Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão

especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.

A Constituição exige, para declaração de inconstitucionalidade no âmbito dos tribunais, o voto da

maioria absoluta de seus membros ou dos membros do órgão especial (CF, art. 97).

Sua inobservância acarreta a nulidade absoluta da decisão proferida pelo órgão fracionário.

a) Se o STF já decidiu sobre o caso, ainda que em controle difuso.

b) Se o próprio órgão ou Tribunal já reconheceu a inconstitucionalidade: o STF


entende que o procedimento do art. 97, CF, só seria necessário no caso de
mudança de orientação por parte do próprio Tribunal.

c) Se Tribunal mantiver a constitucionalidade do ato normativo, ou seja, não


afastar a sua presunção de validade: o art. 97, CF determina a observância do
full bench para declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder
Público.

EXCEÇÕES À CLÁUSULA d) Nos casos de normas pré-constitucionais: a análise do direito editado no


DE RESERVA DE ordenamento jurídico anterior em relação à nova Constituição não se funda na
PLENÁRIO teoria da inconstitucionalidade, mas sim em sua recepção ou revogação.

e) Quando o Tribunal utilizar a técnica da interpretação conforme a


Constituição: não haverá declaração de inconstitucionalidade.

f) Declaração de inconstitucionalidade por turma recursal do juizado


especial: nos casos de declaração de inconstitucionalidade por turma de juizado
especial, não há a necessidade da observância da regra da full bench, conforme
decidiu o STF (RE AgR 453.744).

g) Julgamento de medida cautelar pelo STF: em virtude de não se afastar a


incidência de determinada norma e tampouco declarar sua inconstitucionalidade,

11
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 772.
13
não há a necessidade de se observar a regra do art. 97, CF, segundo o STF (Rcl
10.864 AgR).

h) Segundo o STF (ARE 792.562-AgR), o art. 97, CF não atinge juizados de


pequenas causas (art. 24, X, CF) e juizados especiais (art. 98, I, CF), os quais, pela
configuração atribuída pelo legislador, não funcionam, na esfera recursal, sob
regime de plenário ou de órgão especial.

i) O STF (Rcl 10.864-AgR) tem precedentes no sentido do que o art. 97, CF não se
aplica às decisões cautelares, mas somente às decisões definitivas de mérito
dos Tribunais.

j) De acordo com o STF (RE 361.829 ED), as Turmas daquele Tribunal podem
reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei, independentemente da
submissão da questão ao Plenário. Assim, a elas não se aplica o art. 97, CF.

⚠️ ATENÇÃO
A regra do “full bench” (tribunal completo) é imposta apenas ao controle de constitucionalidade

(difuso ou concentrado) exercido por tribunais, não abrangendo turmas recursais de Juizados Especiais nem

tampouco juízes singulares.

2.7 JUIZADOS ESPECIAIS12

Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão:

I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a conciliação, o

julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações penais de menor potencial

ofensivo, mediante os procedimentos oral e sumaríssimo, permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a

transação e o julgamento de recursos por turmas de juízes de 1° grau;

A competência do Juizado Especial Cível abrange as causas de menor complexidade, quais sejam:

■ as causas cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário mínimo;

■ ações de despejo para uso próprio;

■ as ações possessórias sobre bens imóveis de valor não excedente a quarenta vezes o salário

mínimo.

A competência dos Juizados Especiais Criminais abrangem o julgamento e a execução das infrações

penais de menor potencial ofensivo, tais como as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena

máxima de até dois anos, cumulada ou não com multa (Lei 9.099/1995, art. 61). O processo deve ter como

objetivo, sempre que possível, a reparação dos danos sofridos pela vítima e aplicação de pena não privativa de

12
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 772.
14
liberdade.

A atuação dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais no âmbito da Justiça Federal são disciplinados

pela Lei nº 10.259/2001.

■ Ao Juizado Especial Federal Criminal compete processar e julgar os feitos de competência da

Justiça Federal relativos às infrações de menor potencial ofensivo.

■ A Competência do Juizado Especial Federal Cível abrange causas de competência da Justiça Federal

até o valor de sessenta salários mínimos.

⚠️ ATENÇÃO
Compete ao Tribunal Regional Federal o julgamento de conflito de competência estabelecido entre

Juizado Especial Federal e juiz de primeiro grau da Justiça Federal da mesma Seção Judiciária.

Das decisões proferidas por Turma Recursal de Juizado Especial Cível ou Criminal é cabível

recurso extraordinário para o Supremo (Súmula 640/STF).

Embora não seja admissível o cabimento de recurso especial para o STJ, das decisões proferidas

pela Turma de Uniformização da Jurisprudência dos Juizados Especiais contrárias a entendimento do

Tribunal sobre a matéria, admite-se reclamação, a fim de assegurar a uniformização da legislação federal.

No que tange à competência para o julgamento de habeas corpus impetrado contra ato de turma

recursal é definida de acordo com autoridade coatora. Por serem os integrantes das turmas recursais dos

juizados especiais submetidos, nos crimes comuns e nos de responsabilidade, à jurisdição do respectivo

Tribunal, incumbe a este julgamento. No caso de ato da turma recursal de Juizado Especial Federal, a

competência será do respectivo Tribunal Regional Federal, se a turma de Juizado Especial Estadual, do Tribunal

de Justiça13.

2.8 JUSTIÇA DE PAZ14


A Constituição de 1988 impõe à União, no Distrito Federal e Territórios, e aos Estados, a criação da

justiça de paz, remunerada.

■ Composição: Cidadãos eleitos pelo voto direto, universal e secreto;

■ Condição de elegibilidade: idade mínima de 21 anos.

■ Mandato: quatro anos.

■ Competência: celebrar casamentos, verificar, de ofício ou em face de impugnação apresentada, o

processo de habilitação e exercer atribuições conciliatórias, sem caráter jurisdicional, além de outras previstas

na legislação.

13
STF - HC 86.834, Rel. Min. Marco Aurélio (DJ 09.03.2007)
14
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 774.
15
⚠️ ATENÇÃO
Os juízes de paz são agentes públicos e integram o Poder Judiciário. Por isso, sua remuneração deve

ocorrer com base em valor fixo e predeterminado, e não por participação no que é recolhido aos cofres

públicos. Além disso, aplica-se-lhes a vedação de percepção, a qualquer título ou pretexto, de custas ou

participação em processo (CF, art. 95, parágrafo único, II).

2.9 PRECATÓRIO

2.9.1 ASPECTOS INTRODUTÓRIOS15


A sistemática dos precatórios sofreu inúmeras modificações ao longos dos anos, e, mais

recentemente, sofreu alterações pelas Emendas Constitucionais nº 113/2021 e 114/2021, as quais, dentre

outras providências, estabeleceram o novo regime de pagamento de precatórios.

2.9.2 REGIME DOS PRECATÓRIOS16


A execução contra a Fazenda Pública é regulada por normas específicas em virtude da

impenhorabilidade e inalienabilidade dos bens públicos.

■ Os pagamentos decorrentes de sentença judicial, far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de

apresentação dos precatórias e à conta dos créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de pessoas

nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim.

Esse regime deve ser observado:

■ pelos entes de federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios);

■ autarquias;

■ fundações públicas;

■ empresas públicas;

■ sociedades de economia mista, desde que prestadoras de serviço público em ambiente não

concorrencial

⚠️ ATENÇÃO
É necessário analisar a natureza da entidade, independentemente do nome atribuído.

Paraestatais que possuem personalidade e pessoa jurídica de direito privado, ou que executam

atividades em regime de concorrência ou, ainda, que tenham como objetivo de distribuir lucros aos seus

acionistas, estão sujeitos ao regime jurídico híbrido estabelecido por lei (§ 1º, 173, CF). Não se submetem, por

conseguinte, ao regime de precatório.

15
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 775.
16
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 775.
16
O regime especial dos precatórios somente é aplicável nas hipóteses de execução de sentença

judicial condenatória..

No entanto, é importante que se diga que ele não impede o bloqueio de verbas públicas com o

intuito de assegurar o fornecimento gratuito de medicamentos em favor de pessoas hipossuficientes ou

o ajuizamento de execução contra a fazenda pública com base em título extrajudicial.

Vejamos a ordem de prioridade dos débitos da Fazenda Pública17:

TITULARES DO CRÉDITO

● Qualquer titular.

LIMITES

● União: 60 salários-mínimos;
A) PEQUENO VALOR ● Estados-Membros e Distrito Federal: 40 salários-mínimos;

● Municípios: 30 salários mínimos.

● Não admite fracionamento.

REGIMES DE PAGAMENTO

● Requisição de Pequeno Valor (RPV).

TITULARES DO CRÉDITO

● Titulares com 60 anos ou mais;

● Portadores de doença grave;

● Pessoas com deficiência.

B.1) NATUREZA ALIMENTÍCIA

PERTENCENTES A LIMITES

DETERMINADOS TITULARES ● Até o triplo dos créditos de pequeno valor;

● Admite fracionamento.

REGIMES DE PAGAMENTO

● Precatório (ordem especial)

TITULARES DO CRÉDITO

B.2) NATUREZA ALIMENTÍCIA ● Qualquer titular.

17
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 778.
17
LIMITES

● Não há.

REGIMES DE PAGAMENTO

● Precatório (ordem especial).

TITULARES DO CRÉDITO:

● Qualquer titular

B.3) CRÉDITOS DE NATUREZA LIMITES

GERAL ● Não há.

REGIMES DE PAGAMENTO

● Precatório (ordem geral).

2.9.3 DISPENSA DE PRECATÓRIO18


A Constituição dispensou a observância das regras referentes à expedição de precatórios para o

pagamento de obrigações decorrentes de sentença judicial transitada em julgado definidas em leis como de

pequeno valor.

📌 OBSERVAÇÕES SOBRE A DISPENSA


■ Cada ente deve fixar valores distintos para as entidades de direito público. No entanto, até a criação

da lei definidora do valor, para fins de dispensa de expedição de precatórios, foram definidos como pequeno

valor:

● Fazendas Públicas Estaduais e Distrital: igual ou inferior a quarenta salários mínimos.

● Fazendas Públicas Municipais: trinta salários mínimos.

⚠️ ATENÇÃO
Essa norma transitória não impede que os entes federativos estabeleçam limites inferiores ou

superiores a tais valores.

■ Para esse fim, é vedada a expedição de precatórios complementares ou suplementares de valor

pago, bem como o fracionamento, repartição ou quebra do valor de execução para fins de enquadramentos

18
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 778/779.
18
nos limites legalmente estabelecidos.

■ A lei que instituiu os Juizados Especiais Federais definiu pequeno valor como sendo as quantias de

até 60 salários mínimos.

■ No caso de ação coletiva intentada por legitimado extraordinário (substituição processual), não é

admitido o fracionamento da execução de sentença para expedição de pequeno valor.

■ No caso de litisconsórcio facultativo, para dispensa do precatório, será considerado o valor devido

individualmente aos litisconsortes, o que pode viabilizar a requisição de pequeno valor para alguns e expedição

de precatório para outros, a depender do valor individual.

■Por não ser autônoma a execução das verbas acessórias, as quais devem ocorrer em conjunto com a

condenação principal, é incabível o fracionamento do valor de precatório o objetivo de efetuar o pagamento de

custas processuais por meio de requisição de pequeno valor.

■ São aplicadas as mesmas regras do precatório em relação à incidência dos juros de mora.

■ Na hipótese do descumprimento da ordem de pagamento por autoridade Federal, Estadual e

Municipal, cabe ao magistrado requisitar o sequestro da verba pública no valor suficiente para o cumprimento

da obrigação.

■ No caso de execução fundada em título executivo judicial, ausente ou rejeitada a impugnação, o

pagamento de obrigação de pequeno valor será realizado por ordem judicial, no prazo de dois meses contado

da entrega da requisição, mediante depósito na agência de banco oficial mais próxima da residência do

exequente.

■ Na hipótese de título executivo extrajudicial, não opostos ou rejeitados os embargos, a requisição de

pequeno valor será expedida em favor exequente, observando-se o disposto no artigo 100 da CF.

2.9.4 PRAZO PARA PAGAMENTO19


O prazo para apresentação dos precatórios foi alterado pela Emenda Constitucional nº 114/2021.

A partir de 2022, os débitos oriundos de sentenças transitadas em julgado constantes de precatórios

judiciários apresentados até 2 de abril - e não mais 1º de julho - devem ser pagos até o final do exercício

seguinte, com valores atualizados monetariamente (CF, art. 100, § 5º).

Nos termos do § 20, incluído no art. 100 pela EC nº 94/2016:

§ 20. Caso haja precatório com valor superior a 15% do montante dos precatórios apresentados nos termos

do § 5º deste artigo, 15% do valor deste precatório serão pagos até o final do exercício seguinte e o restante

em parcelas iguais nos cinco exercícios subsequentes, acrescidas de juros de mora e correção monetária, ou

mediante acordos diretos, perante Juízos Auxiliares de Conciliação de Precatórios, com redução máxima de

40% do valor do crédito atualizado, desde que em relação ao crédito não penda recurso ou defesa judicial e

que sejam observados os requisitos definidos na regulamentação editada pelo ente federado.

19
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 780/782.
19
■ A atualização do valor no período entre a expedição e o efetivo pagamento deve ser feita pelo Índice

Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA, índice oficial de medição da inflação.

■ Para os precatórios concernentes à restituição de créditos tributários, serão aplicados os juros de

mora incidentes a todo e qualquer crédito dessa natureza.

■ “No período anterior ao vencimento, não incidem juros moratórios sobre os precatórios pagos

(Súmula Vinculante 17/STF), pois sendo o pagamento realizado sem atraso, não há mora. No entanto, nos

termos da tese fixada pelo STF em sede de repercussão geral, "incidem os juros da mora no período

compreendido entre a data da realização dos cálculos e a da requisição ou do precatório”. De acordo com o

entendimento adotado pelo Plenário, a requisição não opera como se fosse pagamento nem faz desaparecer a

responsabilidade do devedor, razão pela qual enquanto persistir o quadro de inadimplemento do Estado,

devem incidir os referidos juros . Assim, desde a citação - termo inicial firmado no título executivo - até a efetiva

liquidação da Requisição de Pequeno Valor (RPV), os juros moratórios devem ser computados, a compreender o

período entre a data da elaboração dos cálculos e da requisição.

■ Entendimento do STF no RE 1.169.289/SC de 2020 : ”Surge constitucional expedição de precatório ou

requisição de pequeno valor para pagamento da parte incontroversa e autônoma do pronunciamento judicial

transitada em julgado observada a importância total executada para efeitos de dimensionamento como

obrigação de pequeno valor.”

2.9.5 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS 20


Há dois tratamentos distintos:

a) Nas obrigações definidas em lei como de pequeno valor: os honorários são sempre devidos,

independentemente de terem sido opostos embargos à execução.

b) Nos demais: os pagamentos tecidos em virtude de sentença judicial são constitucionalmente

condicionados à apresentação dos precatórios. Nessa situação, as verbas somente serão devidas

quando opostos embargos à execução.

É possível fracionar o valor da execução para pagamentos de honorários advocatícios? Segundo o

plenário do STF, ao superar o entendimento da Segunda Turma, firmou entendimento no sentido de que por se

tratar de verba de natureza alimentar, os honorários de sucumbência podem ser pagos de forma autônoma.

⚠️ ATENÇÃO
Não é admitido o fracionamento dos honorários, mesmo em litisconsórcio ativo facultativo, uma vez

20
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 783.
20
que configuram crédito único do advogado, pertencente ao mesmo titular.

2.9.6 SEQUESTRO DA QUANTIA DEVIDA 21

CF, art. 100, § 6º As dotações orçamentárias e os créditos abertos serão consignados diretamente ao Poder

Judiciário, cabendo ao Presidente do Tribunal que proferir a decisão exequenda determinar o pagamento

integral e autorizar, a requerimento do credor e exclusivamente para os casos de preterimento de seu

direito de precedência ou de não alocação orçamentária do valor necessário à satisfação do seu débito,

o sequestro da quantia respectiva.

2.9.7 INTERVENÇÃO FEDERAL E ESTADUAL22


“Caso o precatório seja regularmente inscrito, mas o pagamento não ocorra dentro do prazo

constitucionalmente previsto, haverá inobservância de ordem judicial.

Para acarretar intervenção federal no Estado ou no Distrito Federal ou intervenção estadual no

Município é indispensável que o descumprimento seja voluntário e intencional.”

⚠️ ATENÇÃO
A simples demora de pagamento por falta de numerário não autoriza a subtração temporária da

autonomia desses entes federativos.

2.9.8 POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO23


Segundo ensina o professor Marcelo Novelino, “por meio da EC nº 62/2009, foi autorizado à Fazenda

Pública abater no precatório do o valor correspondente aos débitos líquidos e certos, inscritos ou não em dívida

ativa e constituídos contra o credo original, incluídas parcelas vincendas de parcelamento (CF, art. 100, § 9º).

Para isso, deveria informar no prazo de trinta dias, contados da solicitação do tribunal, os débitos que

preenchessem tais condições, sob pena de perda do direito de abatimento (CF, art. 100, § 10). Todavia, no

julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 4.357/DF e nº 4.425/DF, o Supremo declarou a

nulidade dos dispositivos, por colocarem o particular em situação de excessiva desvantagem, sem lhe assegurar

a mesma prerrogativa nos casos de cobrança de dívidas de entes públicos.”

■ A EC nº 113/2021 introduziu as seguintes modificações sobre o tema:

§ 9º Sem que haja interrupção no pagamento do precatório e mediante comunicação da Fazenda Pública ao

Tribunal, o valor correspondente aos eventuais débitos inscritos em dívida ativa contra o credor do

21
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 784.
22
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 784/785.
23
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 785.
21
requisitório e seus substituídos deverá ser depositado à conta do juízo responsável pela ação de

cobrança, que decidirá pelo seu destino definitivo. (EC 113/21)

§ 11. É facultada ao credor, conforme estabelecido em lei do ente federativo devedor, com auto

aplicabilidade para a União, a oferta de créditos líquidos e certos que originalmente lhe são próprios ou

adquiridos de terceiros reconhecidos pelo ente federativo ou por decisão judicial transitada em julgado

para: (EC 113/21)

§ 21. Ficam a União e os demais entes federativos, nos montantes que lhes são próprios, desde que aceito

por ambas as partes, autorizados a utilizar valores objeto de sentenças transitadas em julgado devidos a

pessoa jurídica de direito público para amortizar dívidas, vencidas ou vincendas: (EC 113/21)

2.9.9 LEILÃO24
“A Emenda Constitucional nº 62/2009 introduziu a possibilidade de realização, pelo poder público, de

“leilões às avessas”, no qual poderia escolher pagar primeiro aos credores que aceitassem receber suas dívidas

com maior deságio (ADCT, art. 97, §8º, I e § 9º)”.

”Nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 4.357/DF e nº 4.425/DF, a prática dos leilões para

pagamento de precatórios pela Fazenda Pública foi invalidada por violar o princípio da moralidade

administrativa.”

3. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA

3.1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS


Criado pela EC 45/2004, segundo Nathalia Masson (2020, p. 1248), o CNJ é um órgão com atribuições

exclusivamente administrativas, desprovido de competências jurisdicionais, para controlar a atuação

administrativa e financeira do Poder Judiciário, assim como órgão de fiscalização dos juízes no

cumprimento dos seus deveres funcionais.

É um órgão judiciário conforme o art. 92, I-A da CF e integra a estrutura do poder. Assim, exerce

controle interno do poder que está integrado.

Outrossim, o art. 103-B, §4.º da CF estabelece que:

§ 4º Compete ao Conselho o controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário e do

cumprimento dos deveres funcionais dos juízes, cabendo-lhe, além de outras atribuições que lhe forem

conferidas pelo Estatuto da Magistratura:

Perceba que não exerce jurisdição, pois exerce apenas um controle interno (administrativo, financeiro

24
Novelino, Marcelo. Curso de direito constitucional - 17. ed. rev. ampl. e atual. - São Paulo: Ed. JusPodivm, 2022. p. 785/786.
22
e disciplinar).

Conforme o STF, o CNJ possui PODER NORMATIVO PRIMÁRIO, ou seja, elabora normas jurídicas

com fundamento de validade direto da Constituição. Assim, “as normas produzidas pelo CNJ possuem a

mesma força normativa das leis, não havendo assim que se falar em ato meramente regulamentar, mas em

ato normativo primário, já que, assim como aquelas, extrai seu fundamento diretamente da Constituição25.”

A causa desse entendimento é que o STF reconheceu que o art. 59 da CF tem enumeração

exemplificativa.

Bernardo Gonçalves26, ao tratar das atribuições do CNJ afirma que “devemos salientar que não

obstante a crítica de boa parte da doutrina nacional, o STF deixou consignado a competência do CNJ para a

edição de ato normativo primário no âmbito das matérias descritas no art. 103-B, § 4º da CR/88 à luz de

sua função de controle administrativo e correcional. O hard case que permitiu essa possibilidade envolveu a

Resolução n° 7 do CNJ (sobre o nepotismo) que o STF declarou constitucional por maioria de votos na ADC n°

12.”

Podemos afirmar, portanto, que o mais importante acórdão do STF sobre o CNJ é a ADC 12 que

discutiu a resolução nº 7 proibindo o nepotismo no judiciário.

Ainda sobre o tema, Pedro Lenza ao tratar sobre as Resoluções do CNJ e do CNMP aduz que:

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) (art. 103-B, § 4.º), bem como o Conselho Nacional do Ministério Público

(CNMP) (art. 103-A, § 2.º), introduzidos pela Reforma do Poder Judiciário (EC n. 45/2004), no exercício de suas

atribuições constitucionais e regimentais, podem elaborar resoluções.

Algumas dessas resoluções, segundo o STF, são dotadas da qualidade da generalidade, impessoalidade

e abstração (cf., por exemplo, ambas do CNJ, a Res. n. 7/2005 — que proíbe o nepotismo — e a Res. n.

175/2013 — que veda às autoridades competentes a recusa de habilitação, celebração de casamento civil ou

de conversão de união estável em casamento entre pessoas do mesmo sexo).

Nessas situações, o STF vem reconhecendo a natureza jurídica de ato normativo primário dessas

resoluções, que inovam a ordem jurídica a partir de parâmetros constitucionais e, assim, permitem o controle

concentrado por meio de ADI genérica.

Veda-se, portanto, de acordo com a jurisprudência da Corte, a impetração de mandado de segurança para o

questionamento desses atos normativos primários, com fundamento na S. 266/STF, por se tratar de “lei” em

tese27.

3.2. COMPOSIÇÃO
● O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), que preside o Conselho

● 1 ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que exercerá a função de Corregedor Nacional de Justiça

25
[Link]
26
GONÇALVES, Bernardo. Curso de Direito Constitucional. 12º ed. - Salvador: JusPodvim, 2020. p. 1499
27
LENZA, Pedro. Direito Constitucional. 26 ed. São Paulo: SaraivaJur, 2022, NP
23
● 1 ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST)

● 1 desembargador de Tribunal de Justiça (TJ)

● 1 juiz estadual

● 1 juiz do Tribunal Regional Federal (TRF)

● 1 juiz federal

● 1 juiz de Tribunal Regional do Trabalho (TRT)

● 1 juiz do trabalho

● 1 membro do Ministério Público da União (MPF)

● 1 membro do Ministério Público estadual

● 2 advogados

● 2 cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada

3.3. COMPETÊNCIA
O rol do art. 103-B da CF é exemplificativo. O CNJ possui poder regulamentar e também tem poder

normativo autônomo, ou seja, ele pode criar normas que têm como fundamento de validade a própria CF/1988

e a competência do CNJ não é meramente subsidiária, mas sim autônoma.

É possível o CNJ instaurar a revisão de processo disciplinar de juízes e membros de tribunais quando a

pela aplicada não for condizente com a prevista na LOMAN.

Em um caso concreto, o juiz foi punido com censura. Entretanto, a conduta justificava penalidade mais grave.

Por isso, o STF entendeu que no caso era possível a revisão disciplinar nos termos do art. 103-B, §4º, V, da

CF/88. STF. 2ª Turma. MS 30364/PA, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 17/3/2020 (Info 970).

A Constituição Federal (CF) não estabelece prazo para julgamento de pedido de revisão pelo CNJ,

apenas prazo para a instauração da revisão.

Em um caso concreto, a 2ª Turma do STF asseverou que a Constituição Federal (CF) não estabelece prazo para

julgamento de pedido de revisão pelo CNJ, apenas prazo para a instauração da revisão. STF. 2ª Turma. MS

30364/PA, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 17/3/2020 (Info 970).

O CNJ não pode analisar questão já submetida ao Judiciário.

Não cabe ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cujas atribuições são exclusivamente administrativas, o

controle de controvérsia que está submetida à apreciação do Poder Judiciário. STF. 1ª Turma. MS 28845/ DF,

Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 21/11/2017 (Info 885).

O CNJ pode exercer controle de constitucionalidade?

O controle de constitucionalidade abstrato não pode ser feito pelo CNJ nem pelo CNMP e sobre isso

24
não há discussões. Por outro lado, o controle incidental (controle no caso concreto) é objeto de divergências.

O CNJ não tem competência para cassar ou revisar atos de conteúdo jurisdicional. O CNJ somente

pode exercer atuação administrativa, financeira e correicional.

Desprovido de função jurisdicional e do papel de Corte Constitucional, o Conselho Nacional de Justiça,

embora integrante do Poder Judiciário, não exerce fiscalização abstrata de validade de lei. Compreensão

consentânea com a esposada pelo Plenário desta Casa no recente julgamento de 8 (oito) impetrações coletivas

(mandados de segurança nºs 35.410, 35.490, 35.494, 35.498, 35.500, 35.812, 35.824 e 35.836). (STF, MS 36133

AgR-terceiro, Relator(a): ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 20/09/2021, PROCESSO ELETRÔNICO

DJe-190 DIVULG 22-09-2021 PUBLIC 23-09-2021)

Compete ao CNMP dirimir conflitos de atribuições entre membros do MPF e de Ministérios Públicos

estaduais. STF. Plenário. ACO 843/SP, Rel. para acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em 05/06/2020.

STF. Plenário. Pet 4891, Rel. Marco Aurélio, Relator p/ Acórdão Alexandre de Moraes, julgado em 16/06/2020

(Info 985 – clipping).

🚨 JÁ CAIU
Esse assunto foi cobrado na prova para o cargo de Promotor de Justiça da MPE-GO (Ano: 2022, FGV). A banca

apresentou o seguinte caso concreto: “Durante a pandemia do novo coronavírus, o Estado Alfa contratou

determinada organização social (OS) para a construção e manutenção de um hospital de campanha. A

Promotoria de Justiça com atribuição para tutela coletiva no local dos fatos recebeu representação, narrando

que houve direcionamento e superfaturamento na contratação da OS. Assim, o órgão de execução estadual

instaurou inquérito civil e, no curso da investigação, em razão da origem da verba pública que custeou o

contrato, declinou de atribuição para a Procuradoria da República local. Ao receber os autos do inquérito civil, o

Parquet federal entendeu que a atribuição é do Ministério Público Estadual, pois não existe interesse da União.

No caso em tela, de acordo com a jurisprudência atual do Supremo Tribunal Federal, é competente para

dirimir conflito de atribuição entre Ministério Público do Estado Alfa e Ministério Público Federal:”

A banca considerou correta a seguinte assertiva: “o Conselho Nacional do Ministério Público, pois se deve

reforçar o mandamento constitucional que lhe atribuiu o controle da legalidade das ações administrativas dos

membros e órgãos dos diversos ramos ministeriais, sem ingressar ou ferir a independência funcional”.

3.4. LINHAS DE JURISPRUDÊNCIA DO STF SOBRE O CNJ


Não pode o Conselho se imiscuir em atividade jurisdicional. Sua ingerência se limitar a atividade

administrativa, financeira e disciplinar;

Poder Correicional: STF entende que o poder correicional é concorrente ou paralelo, podendo o

25
Conselho atuar sem inércia e sem anomalia. Assim, o poder correicional não é secundário;

O STF assentou que o CNJ possui atribuição correicional originária e autônoma, não se tratando de

atuação subsidiária frente aos órgãos de correição local, mas sim de competência concorrente, de

modo que seu exercício não se submete a condicionantes relativas ao desempenho da competência

disciplinar pelos tribunais locais. Precedentes. Ausência de ilegalidade ou abuso de poder quanto à atuação

do CNJ no caso dos autos. 4. Não cabe ao Supremo Tribunal Federal adentrar no exame de mérito da atuação

correicional para apreciar elementos valorativos insertos nas regras de direito disciplinar. Para se chegar a

conclusão diversa da que obteve o mencionado Conselho, seria necessário revolver os fatos e provas

constantes dos autos do processo administrativo disciplinar. Impossibilidade em sede de mandado de

segurança. Precedentes. (STF, MS 34685 AgR, Relator(a): DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, julgado em

28/11/2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-057 DIVULG 22-03-2018 PUBLIC 23-03-2018)

Deve respeitar peculiaridade da atividade jurisdicional e aos costumes locais das sedes dos

Tribunais e dos fóruns. STF considerou inconstitucional resolução que estabeleceu horário padrão para

funcionamento dos fóruns.

Compete ao STF processar e julgar originariamente ações propostas contra o CNJ e contra o

CNMP no exercício de suas atividades-fim.28

Nos termos do art. 102, I, “r”, da Constituição Federal, é competência exclusiva do STF processar e julgar,

originariamente, todas as ações ajuizadas contra decisões do Conselho CNJ e do CNMP proferidas no exercício

de suas competências constitucionais, respectivamente, previstas nos arts. 103-B, § 4º, e 130-A, § 2º, da CF/88.

STF. Plenário. Pet 4770 AgR/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 18/11/2020 (Info 1000). STF. Plenário. Rcl

33459 AgR/PE, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18/11/2020 (Info 1000). STF. Plenário. ADI

4412/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18/11/2020 (Info 1000)

🚨 JÁ CAIU
Esse assunto foi cobrado na prova para o cargo de Defensor Público da DPE-SE (Ano: 2022, CEBRASPE). Com

base na disciplina constante da CF e na jurisprudência do STF acerca do Poder Judiciário, a banca considerou

correta a assertiva que indicou que “compete ao STF processar e julgar, originariamente, todas as ações

ajuizadas contra decisões do CNJ proferidas no exercício de suas competências constitucionais”.

O assunto também foi abordado na prova para o cargo de Delegado de Polícia da PC-AM (Ano: 2022, FGV).

Na oportunidade, a banca apresentou o seguinte caso hipotético: “Maria, Juíza de Direito, sofreu sanção

28
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Compete ao STF processar e julgar originariamente ações propostas contra o CNJ e contra o CNMP no exercício de
suas atividades-fim. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link]
26
disciplinar no âmbito do Tribunal de Justiça do Estado Alfa. Irresignada, requereu que o Conselho Nacional de

Justiça anulasse o processo administrativo, em razão da presença de alegados vícios formais. O requerimento

foi indeferido sob o argumento de que não foram detectados quaisquer vícios no processo disciplinar. À luz

dessa narrativa, caso Maria decida ingressar com ação judicial para anular a condenação, é correto afirmar

que:”.

Em face dessa questão, foi considerada correta a alternativa que previa que “isto será feito perante o órgão

competente da Justiça do Estado Alfa.”

Apesar de a questão mencionar o Conselho Nacional de Justiça, a ação judicial a ser proposta pela magistrada

visaria anular sanção sofrida por decisão do Tribunal de Justiça do Estado Alfa, e não do CNJ.

Cumprimento imediato de suas decisões administrativas9.

O CNJ pode determinar à autoridade recalcitrante o cumprimento imediato de suas decisões, ainda que

impugnadas perante a Justiça Federal de primeira instância, quando se tratar de hipótese de competência

originária do STF. STF. Plenário. ADI 4412/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18/11/2020 (Info 1000).

Impossibilidade de revisão do mérito das decisões proferidas pelo CNJ29

O STF entende que não é seu papel fazer a revisão do mérito das decisões do CNJ. Assim, os atos e

procedimentos do CNJ estão sujeitos apenas ao controle de legalidade por parte do STF. O mandado de

segurança não se presta ao reexame de fatos e provas analisados pelo CNJ no processo disciplinar. A LOMAN

não estabelece regras de prescrição da pretensão punitiva por faltas disciplinares praticadas por magistrados.

Diante disso, deve ser feita a aplicação subsidiária da Lei nº 8.112/90. STF. 2ª Turma. MS 35540/DF e MS

35521/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em 12/3/2019 (Info 933).

CNJ pode determinar que Tribunais de Justiça reduzam o adicional de férias dos magistrados

para 1/330.

O CNJ não pode fazer controle de constitucionalidade de lei ou ato normativo de forma a substituir a

competência do STF. Contudo, o CNJ pode determinar a correção de ato do Tribunal local que, embora

respaldado por legislação estadual, se distancie do entendimento do STF. Assim, o CNJ pode afirmar que

determinada lei ou ato normativo é inconstitucional se esse entendimento já estiver pacificado no STF. Isso

porque, neste caso, o CNJ estará apenas aplicando uma jurisprudência, um entendimento já pacífico. As leis

estaduais que preveem abono de férias aos magistrados em percentual superior a 1/3 são inconstitucionais.

29
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O STF entende que não é possível a revisão do mérito das decisões do CNJ, cujos atos e procedimentos estão
sujeitos apenas ao controle de legalidade daquela Corte. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link]
30
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. CNJ pode determinar que Tribunais de Justiça reduzam o adicional de férias dos magistrados para 1/3. Buscador
Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: <[Link]
27
Isso porque essa majoração do percentual de férias não encontra respaldo na LOMAN, que prevê, de forma

taxativa, as vantagens conferidas aos magistrados, sendo essa a Lei que deve tratar do regime jurídico da

magistratura, por força do art. 93 da CF/88. Não viola a autonomia dos tribunais locais deliberação do CNJ que

determina aos tribunais de justiça que enviem projeto de lei tendente à adequação da legislação local ao

regramento uniforme de âmbito nacional, pois não há no caso reserva de iniciativa da matéria aos tribunais

locais; ao contrário, os direitos da magistratura, dentre os quais o direito ao abono de férias, são matéria de

regramento nacional uniforme. Logo, o CNJ agiu corretamente ao determinar aos Tribunais de Justiça que

pagam adicional de férias superior a 1/3 que eles enviem projetos de lei para as Assembleias Legislativas

reduzindo esse percentual. STF. 2ª Turma. MS 31667 AgR/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/9/2018 (Info

915).

CNJ, no exercício de controle administrativo, pode deixar de aplicar lei inconstitucional31.

CNJ pode determinar que Tribunal de Justiça exonere servidores nomeados sem concurso público para cargos

em comissão que não se amoldam às atribuições de direção, chefia e assessoramento, contrariando o art. 37,

V, da CF/88. Esta decisão do CNJ não configura controle de constitucionalidade, sendo exercício de controle da

validade dos atos administrativos do Poder Judiciário. STF. Plenário. Pet 4656/PB, Rel. Min. Cármen Lúcia,

julgado em 19/12/2016 (Info 851).

4. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

4.1 COMPOSIÇÃO32
São requisitos para ser Ministro do STF:

a) ser brasileiro nato;

b) ter mais de 35 e menos de 70 anos de idade;

c) ter notável saber jurídico e reputação ilibada;

d) ser cidadão (estar no gozo dos seus direitos políticos).

O Presidente tem liberdade para escolher um nome que, no seu entender, preenche os requisitos

descritos acima.

Após a escolha, o presidente deve submeter esse nome ao Senado, que deverá aprová-lo por

maioria absoluta.

Após a aprovação pelo Senado, ocorrerá a nomeação pelo Presidente da República.

31
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. CNJ, no exercício de controle administrativo, pode deixar de aplicar lei inconstitucional. Buscador Dizer o Direito,
Manaus. Disponível em: <[Link]
32
Martins, Flávio. Curso de direito constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Editora Saraiva, 2022. p. 737.
28
4.2 COURT-PACKING33
O professor Flávio Martins explica que “traduzindo literalmente, court-packing significaria o

“empacotamento da Corte”. Trata-se de um procedimento segundo o qual o governo (Poder Legislativo,

comumente com a intervenção do Poder Executivo), no exercício do poder constituinte derivado, altera a

composição do Tribunal Constitucional (no Brasil, do Supremo Tribunal Federal). Essa alteração normalmente

é feita para transformar o Tribunal Constitucional numa instituição mais “dócil” com o governo, permitindo a

nomeação de novos Ministros ou juízes ou facilitando a aposentadoria dos membros “indóceis”, normalmente

nomeados por outros governos, de diversos espectros políticos”.

O professor explica que a origem dessa expressão é norte-americana. “Em 1937, foi reeleito

Presidente dos Estados Unidos Franklin Delano Roosevelt. Durante seu primeiro mandato, muitas de suas

medidas para enfrentar a profunda crise econômica de 1929 (conhecidas como New Deal) foram invalidadas

pela Suprema Corte. Inconformado com a postura do Tribunal, o Presidente enviou ao Congresso Nacional um

projeto de reforma da Suprema Corte, que ficou conhecido como “court-packing plan”. Nesse plano, o

Presidente poderia nomear mais Ministros da Suprema Corte. O projeto foi visto como uma interferência

indevida do Poder Executivo no Poder Judiciário, não seguindo adiante”.

O professor entende que o court-packing é absolutamente inconstitucional por dois motivos

principais:

a) Trata-se de uma clara e perigosa demonstração de “constitucionalismo abusivo” ou “autoritário;

b) Trata-se de uma clara violação da “separação dos Poderes”, que é considerada uma cláusula pétrea em

nosso país.

4.3 COMPETÊNCIA DO STF34


“O art. 102 da Constituição Federal prevê competências originárias e competências recursais ao

Supremo Tribunal Federal. É competência originária do Supremo Tribunal Federal:

1) ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação

declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal.

■ Compete ao Supremo Tribunal Federal julgar a ADI contra lei ou ato normativo federal ou estadual,

bem como ADC contra lei ou ato normativo federal.

■ Quanto às leis municipais que ferem a Constituição Federal, pode ser ajuizada ADPF (art. 102, § 1º,

CF) ou controle difuso perante qualquer órgão do Poder Judiciário;

2) nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-Presidente, os membros do

Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República. Crimes comuns praticados pelo

Presidente da República, Deputado Federal ou Senador, Procurador-Geral da República ou pelos próprios

Ministros do STF serão julgados pelo Supremo Tribunal Federal;

33
Martins, Flávio. Curso de direito constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Editora Saraiva, 2022. p. 737.
34
Martins, Flávio. Curso de direito constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Editora Saraiva, 2022. p. 739/740.
29
3) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os

Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros dos

Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter

permanente. Segundo o Supremo Tribunal Federal, “consoante posicionamento jurisprudencial dessa Colenda

Corte Constitucional, a competência penal do STF por prerrogativa de função advinda da investidura de sujeito ativo

de um delito, no curso do processo, em uma das funções descritas no art. 102, I, b e c, da CF/88 não acarreta a

nulidade da denúncia oferecida, nem dos atos processuais praticados anteriormente perante a justiça competente à

época dos fatos” (AP 527, rel. Min. Dias Toffoli);

4) o habeas corpus, sendo paciente qualquer das pessoas proferidas nas alíneas anteriores, o

mandado de segurança e o habeas data contra atos do Presidente da República, das Mesas da Câmara dos

Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do Procurador-Geral da República e do

próprio Supremo Tribunal Federal;

5) o litígio entre o Estado estrangeiro ou organismo internacional e a União, o Estado, o Distrito

Federal ou o Território.

■ Com base nesse inciso, julgou o STF que “ante o disposto na alínea e no inciso I do art. 102 da CF, cabe

ao Supremo processar e julgar originariamente ação civil pública proposta pelo MPF contra a Itaipu Binacional” (Rcl

2.937, rel. Min. Marco Aurélio);

6) as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito Federal, ou entre uns e

outros, inclusive as respectivas entidades da administração indireta.

■ Segundo a Súmula 517 do STF, “as sociedades de economia mista só têm foro na Justiça Federal, quando

a União intervém como assistente ou oponente”;

7) a extradição solicitada por Estado estrangeiro. Trata-se da extradição passiva, cujo procedimento é

explicado com mais profundidade no resumo destacado sobre nacionalidade, o reservado ao direito de

nacionalidade;

8) o habeas corpus, quando o coator for o Tribunal Superior ou quando o coator ou o paciente for

autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à jurisdição do Supremo Tribunal Federal, ou

se trate de crime sujeito à mesma jurisdição ou em única instância;

9) revisão criminal e a ação rescisória de seus julgados.

■ Segundo a Súmula 515 do STF: “a competência para a ação rescisória não é do Supremo Tribunal
30
Federal, quando a questão federal, apreciada no recurso extraordinário ou no agravo de instrumento, seja diversa da

que foi suscitada no pedido rescisório”.

■ Por sua vez, a Súmula 343 afirma que “não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei,

quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais”.

■ Por fim, segundo a Súmula 249 do STF, “é competente o Supremo Tribunal Federal para a ação

rescisória, quando, embora não tendo conhecido do recurso extraordinário, ou havendo negado provimento ao

agravo, tiver apreciado a questão federal controvertida”;

10) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões.

■ Segundo a Súmula 734 do STF, “não cabe reclamação quando já houver transitado em julgado o ato

judicial que se alega tenha respeitado decisão do Supremo Tribunal Federal”;

11) a execução de sentença nas causas de sua competência originária, facultada a delegação de

atribuições para a prática de atos processuais;

12) a ação em que todos os membros da magistratura sejam direta ou indiretamente interessados, e

aquela em que mais da metade dos membros do tribunal de origem estejam impedidos ou sejam direta ou

indiretamente interessados.

■ Segundo a Súmula 731 do STF: “para fim da competência originária do Supremo Tribunal Federal, é

de interesse geral da magistratura a questão de saber se, em face da Lei Orgânica da Magistratura Nacional, os

juízes têm direito à licença-prêmio”;

13) os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer tribunais, entre

Tribunais Superiores, ou entre estes e qualquer outro tribunal;

14) o pedido de medida cautelar das ações diretas de inconstitucionalidade;

15) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição do

Presidente da República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das Mesas de

uma dessas Casas Legislativas, do Tribunal de Contas da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do próprio

Supremo Tribunal Federal;

16) as ações contra o Conselho Nacional de Justiça e contra o Conselho Nacional do Ministério Público.

■ Segundo o STF, “o STF não se reduz à singela instância revisora das decisões proferidas pelo CNJ. Em

especial, descabe compelir o CNJ a adotar a provi­dência de fundo entendida pela parte interessada como correta, se a

31
decisão impugnada não tiver alterado relações jurídicas ou, de modo ativo, agravado a situação de jurisdicionado.

Cabe à parte interessada, que não teve sua pretensão atendida no campo admi­nistrativo com uma decisão

positiva-ativa, busca a tutela jurisdicional que, no caso, é alheia à competência originária do STF” (MS 28.133 AgR,

rel. Min. Joaquim Barbosa);

17) compete também ao STF julgar originariamente a Arguição de Descumprimento de Preceito

Fundamental, nos termos do art. 102, § 1º, CF;

Por sua vez, prevê como competência recursal o Recurso Ordinário Constitucional (art. 102, II, CF) e o

Recurso Extraordinário (art. 102, III, CF).

17.1) Caberá Recurso ordinário contra decisão que julga “o habeas corpus, o mandado de segurança,

o habeas data e o mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores, se

denegatória a decisão” e contra decisão que julga “crime político”.

17.2) Por sua vez, caberá recurso extraordinário “quando a decisão recorrida:

a) contrariar dispositivo desta Constituição;

b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal;

c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição;
35
d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal” .

4.4 REPERCUSSÃO GERAL


Vamos aqui dar atenção aos principais modos criados pela CF de PADRONIZAÇÃO da jurisdição, de

funcionamento do poder judiciário.

Os dois principais meios são a repercussão geral (relacionado à filtragem do recurso extraordinário –

teoria do bem escasso - wahl) e súmula vinculante (relacionada à jurisprudencialização do processo

constitucional – “Direito Constitucional sem Constituição” – GAGLIA).

4.4.1 REPERCUSSÃO GERAL - Art. 102, § 3.º da CF (EC 45/04) e Lei 11.416/06

§ 3º No recurso extraordinário o recorrente deverá demonstrar a repercussão geral das questões

constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que o Tribunal examine a admissão do recurso,

somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços de seus membros.

O Novo CPC alude à repercussão geral, mas não a disciplina, pois isso está contido na Lei 11.416/06.

Podemos definir a Repercussão Geral no sentido de que a admissibilidade do RE está condicionada à

35
Martins, Flávio. Curso de direito constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Editora Saraiva, 2022. p. 739/740.
32
demonstração de que a questão constitucional, por ser relevante, transcende o caso concreto.

📌 OBSERVAÇÕES
■ Falamos aqui em “admissibilidade”, que permite o conhecimento ou não do recurso. Assim, a falta

da demonstração da Repercussão Geral gera o não conhecimento do recurso.

■ Essa condição não alcança o Recurso Especial, sendo unicamente relativa ao Recurso Extraordinário.

■ A matéria, em regra, abrange a Constituição Federal.

A Repercussão Geral é composta de um binômio: relevância-transcendência

Quanto à relevância, ela poderá ser, além de jurídica, social, econômica, política. Isso difere da

Súmula Vinculante, que envolve a relevância jurídica.

Quanto à transcendência, temos que não se trata apenas de transcendência quantitativa, podendo

ser também qualitativa.

4.4.2 LINHAS DA JURISPRUDÊNCIA DO STF QUANTO À REPERCUSSÃO GERAL


a) MATÉRIA

Qual tipo de matéria precisa de demonstração da Repercussão Geral? Qualquer uma ou somente a

cível?

Conforme o STF, até mesmo a matéria criminal exige a demonstração da Repercussão Geral. Assim,

qualquer recurso extraordinário deve conter a demonstração da repercussão.

Não se pode presumir a repercussão geral em toda e qualquer ação penal, pois nem sempre matéria

criminal irá afetar a liberdade.

b) FORMA

A demonstração da Repercussão Geral deve ser expresso ou pode ser implícito? E o momento? Seria

desde a instância inferior ou apenas diante do STF?

No STF, o prequestionamento sempre precisou ser expresso. Mas, o que dizer sobre a Repercussão

Geral?

O STF entende que deve ser feita de forma expressa a demonstração da Repercussão Geral. Assim, é

da boa técnica de que desde o primeiro momento com o processo se faça em tópico apartado a demonstração

de forma clara sobre a Repercussão Geral.

c) COMPETÊNCIA

33
Só o STF discute Repercussão Geral, ou o tribunal a quo pode aferir?

Conforme o STF, a competência para aferir não é exclusiva do STF. Deve ser feita uma distinção entre:

● Competência para aferir a existência: somente o STF pode fazer; se o tribunal o fizer, caberá

inclusive Reclamação.

● Competência para aferir afirmação da Repercussão Geral: O tribunal a quo pode negar

seguimento ao RE por não ter sido afirmada a Repercussão Geral.

4.4 SÚMULA VINCULANTE

4.4.1 SÚMULA VINCULANTE - Art. 103-A da CF e Lei 11.417/06

Art. 103-A (SV). O STF poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de 2/3 dos seus membros, após

reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na

imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à

administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à

sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.

§ 1º A súmula terá por OBJETIVO a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas,

acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública

que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica.

§ 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula

poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ADI.

§ 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a

aplicar, caberá reclamação ao STF que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a

decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula,

conforme o caso.

Quem pode provocar a edição da Súmula Vinculante? “A resposta está no art. 103-A, § 2º, da

Constituição Federal e no art. 3º da Lei n. 11.417/2006. Em regra, podem requerer ao STF a edição de súmula

vinculante dos mesmos legitimados da Ação Direta de Inconstitucionalidade (as nove pessoas previstas no art.

103 da Constituição Federal). Além dessas pessoas, o art. 3º da Lei n. 11.417/2006 (lei que regulamenta a

Súmula Vinculante) acrescenta as seguintes pessoas36”:

● Defensor Público-Geral da União;

● Tribunais Superiores;

● Tribunais de Justiça dos Estados, do DF e Territórios;

● Tribunais Regionais Federais;

● Tribunais Regionais do Trabalho;

36
Martins, Flávio. Curso de direito constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Editora Saraiva, 2022. p. 740.
34
● Tribunais Regionais Eleitorais e;

● os Tribunais Militares, bem como o Município, incidentalmente.

“Quanto a este último, dispõe o art. 3º, § 1º da referida lei: “o Município poderá propor, incidentalmente

ao curso de processo em que seja parte, a edição, a revisão ou o cancelamento de enunciado de súmula vinculante, o

que não autoriza a suspensão do processo”.

▸ Os legitimados da ADI (art. 103, CF):

● Presidente da República

● Mesa do Senado Federal

● Mesa da Câmara dos Deputados

● Governador

● Mesa da Assembleia Legislativa


LEGITIMADOS 37
● Procurador-Geral da República
(Podem propor a edição de
● Conselho Federal da OAB
Súmula Vinculante)
● Partido Político (com representação no CN)

● Confederação Sindical ou Entidade de Classe de âmbito nacional

▸ Defensor Público-Geral da União

▸ Tribunais

▸ Município (incidentalmente)

4.4.2 NOMENCLATURA
Enunciado/verbete da súmula da jurisprudência do STF com eficácia vinculante ou obrigatória.

Cada tribunal possui uma súmula (entabulamento) de sua jurisprudência, decomposta em diversos

enunciados. Geralmente os enunciados são meramente persuasivos. Todavia, no caso do STF, a eficácia é

vinculante/obrigatória.

A doutrina aponta essa atenção quanto à nomenclatura.

4.4.3 DEFINIÇÃO
André Ramos Tavares aponta que a súmula vinculante é o ponto de confluência entre os controles

37
Martins, Flávio. Curso de direito constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Editora Saraiva, 2022. p. 740.
35
de constitucionalidade abstrato e o concreto38.

Segundo ele, a súmula reúne características próprias de ambos os controles.

■ Característica do controle abstrato: Tem eficácia vinculante;

■ Característica do controle concreto: Pressupõe reiteração de casos.

Guilherme Peña afirma que, quanto aos valores que a súmula tutela, pode ser definida como um

instituto tendencioso a dar concretização aos valores constitucionais da estabilidade (das relações jurídicas),

igualdade (das partes) e previsibilidade (das decisões).

4.4.4 VALIDADE: A SÚMULA VINCULANTE É CONSTITUCIONAL OU NÃO?


É constitucional a EC 45/04 no ponto que tratou da súmula?

Uma posição (Dalmo de Abreu Dallari) entendeu que seria inconstitucional a criação da súmula

vinculante, por 2 motivos:

▸ Fossiliza o Direito, quando na verdade este é dúctil, plástico;

▸ Retira do Juiz a sua autonomia.

Outra posição, acolhida pelo STF, entendeu que a súmula vinculante é constitucional.

Existem 2 institutos americanos que se forem admitidos no Direito brasileiro torna plenamente

possível a adoção da súmula vinculante. Vejamos:

a) Overruling: Possibilidade de mudança do entendimento da jurisprudência, impedido a fossilização.

Nossa Constituição claramente admite esse instituto no art. 103-A, §2º;

b) Distinguishing: O juiz faz a distinção do caso que julga e do caso que gerou a súmula, conservando a

autonomia do magistrado. Implicitamente, a nossa Constituição permite esse instituto no art. 103-A,

§3º. Se cabe Reclamação contra ato que não aplica a súmula é porque se entende que é possível a não

aplicação em alguns casos.

4.4.5 NATUREZA JURÍDICA


Temos 3 posições no Brasil, sendo que a legislação seguiu uma das orientações:

1. LÊNIO STRECK: súmula vinculante é ato legislativo, onde o STF, de forma atípica, desempenha a função

legislativa39.

2. LUIS CARLOS ALCOFORADO: É ato jurisdicional. É ato típico do judiciário no desempenho de sua

função jurisdicional40.

3. MAURO CAPPELLETTI e MARCO ANTÔNIO MUSCARI: Trata-se de um terceiro gênero intermediário

entre a abstração do ato legislativo e a concretude do ato jurisdicional. Não é ato legislativo, pois
38
TAVARES, André Ramos. Teoria da Justiça Constitucional. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 221.
39
STRECK, Lenio Luiz. Súmulas no Direito Brasileiro: eficácia, poder e função. 2ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1998, p. 13.
40
ALCOFORADO, Luis Carlos. Súmula Vinculante. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 57.
36
pressupõe casos anteriores reiterados e também não é ato jurisdicional, pois não tem eficácia inter

partes que é a regra geral de um ato jurisdicional41.

No Brasil, a lei 11.417/06 adotou a segunda posição, sendo ato jurisdicional. Sendo também processo

objetivo, a súmula vinculante é desempenho da função típica do Poder Judiciário.

📌 OBSERVAÇÃO
Não se trata de um processo objetivo clássico idêntico ao das ações diretas. Temos 2 distinções

relevantes:

● Art. 2º da Lei 11.417/06; e

● Art. 6º da mesma Lei.

O art. 2º aponta a possibilidade de iniciativa de ofício. No caso da ADI, não temos início de ofício,

pois temos legitimidade ativa prevista na CF/88.

O art. 6º aponta que a proposta de edição, revisão ou cancelamento de enunciado de súmula

vinculante não autoriza a suspensão dos processos em que se discuta a mesma questão (proibição expressa

de tutela de urgência). no caso do processo objetivo das ações de controle abstrato, é sabido que sempre

poderemos ter tutela de urgência.

4.4.6 PRESSUPOSTOS
Pressuposto tem cunho material.

Temos 4 pressupostos:

a) Controvérsia atual: A controvérsia não pode ser passada ou futura, mas deve ser do momento

no qual se julga.

b) Multiplicação de processos sobre questão idêntica: A questão deve ser idêntica e não

meramente semelhante.

c) Reiteradas decisões sobre matéria constitucional: Aqui seguimos a regra de que o STF julga

matéria constitucional.

d) Grave insegurança jurídica: Ao contrário da Repercussão Geral, só se trata de questão

jurídica.

📌 OBSERVAÇÕES
■ Os pressupostos não são restritos à edição de súmula vinculante, mas também a sua revisão e

cancelamento.

■ Não são pressupostos alternativos, mas cumulativos.

41
CAPPELLETTI, Mauro. Juízes Legisladores? Coimbra: Coimbra Editora, 1993, p. 73.
37
■ São interligados, um conduzindo ao outro.

4.4.7 REQUISITOS
Temos aqui as condições formais da produção. Vejamos:

a. INICIATIVA: lembre-se que pode haver produção de ofício. assim, a iniciativa nem sempre existe. sem

prejuízo do disposto em lei, confere-se a iniciativa a, no mínimo, quem tem legitimidade ativa para

postular ADI(art. 103, cf).

A Lei criou mais 3 situações de legitimação ativa para a produção da súmula vinculante e que não

estão no art. 103 da CF. Vejamos:

● Defensor Público-Geral Federal (primeira menção em lei da participação da Defensoria

Pública no controle de constitucionalidade abstrato);

● Tribunais em geral (TJ, TRF, STJ);

● Municípios, desde que de modo incidental em processo no qual já figure como parte (isso

para que se retire do prefeito o requerimento, passando ao procurador do município).

b. APROVAÇÃO: A aprovação se dá pelo Plenário do STF (cláusula de reserva de plenário). Além disso,

temos a necessidade de aprovação por 2/3 (8 votos em 11).

c. PUBLICAÇÕES: São 2 publicações:

● No DOU; e

● No DJU.

Um enunciado de súmula só passa a ser vinculante a partir do momento em que é publicado. A

princípio tem efeito ex nunc.

⚠️ ATENÇÃO
Também pode possuir modulação de eficácia temporal, ou seja, é possível que o STF dê à súmula

eficácia ex tunc. Perceba que é justamente o contrário do que acontece na modulação das ações de controle.

Quanto à modulação, vejamos o art. 4.º da Lei nº 11.417/2006:

Art. 4.º A súmula com efeito vinculante tem eficácia imediata, mas o Supremo Tribunal Federal, por decisão de

2/3 dos seus membros, poderá restringir os efeitos vinculantes ou decidir que só tenha eficácia a partir de

outro momento, tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse público.

38
📌 OBSERVAÇÃO
As razões para a modulação temporal dos efeitos são as mesmas previstas no controle de

constitucionalidade abstrato.

O próprio STF não fica vinculado por suas decisões. Ele pode revisar o enunciado ou pode até

cancelá-lo. O mesmo acontece com o Poder Legislativo, que, na sua função típica de legislar, também não fica

vinculado pela decisão do Supremo.

4.4.8 GARANTIA DA EFETIVIDADE DA SÚMULA


Sendo a súmula vinculante descumprida, caberá reclamação ao STF.

O objetivo da súmula vinculante é fixar a eficácia, a validade ou a interpretação de

determinadas normas/dispositivos.

4.5 RECLAMAÇÃO CONSTITUCIONAL


Tem por base a teoria dos poderes implícitos

Órgãos competentes para julgamento: STJ (art. 105, inciso I, “f” da CF) e STF (art. 102, I, “l” da CF)

Natureza jurídica: medida jurisdicional.

📌 OBSERVAÇÃO
Para Moacyr Amaral Santos, por exemplo, seria um recurso ou um sucedâneo recursal. • Para Moniz

de Aragão, seria um incidente processual. • Para José Frederico Marques, seria uma medida de direito

processual constitucional. • Para Dinamarco, seria um remédio processual. O entendimento que prevalece na

doutrina brasileira é o de Pontes de Miranda, que defende se tratar de uma ação propriamente dita. Ação

propriamente dita (Pontes de Miranda);

4.5.1 OBJETO
A reclamação tem uma dupla função:

a) Preservação da competência do tribunal – Exemplo: o STF tem competência para processar as ações

de controle concentrado abstrato. Se uma ACP for utilizada como sucedâneo de uma ADI, caberá uma

reclamação para que o STF preserve a sua competência.

A ACP pode ser um instrumento de controle se o pedido for de efeitos concretos e a declaração de

inconstitucionalidade for apenas incidental (prejudicial de mérito), não podendo ser a questão principal do

processo.

39
Cabe reclamação preventiva?

Não se admite o uso da reclamação constitucional com caráter preventivo. (STF, Rcl 25069 AgR,

Relator(a): DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, julgado em 14/03/2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-066 DIVULG

31-03-2017 PUBLIC 03-04-2017)

b) Garantia da autoridade das decisões

A reclamação, no processo constitucional subjetivo, somente pode ser ajuizada pelas partes envolvidas,

ainda que a decisão tenha efeitos erga omnes. Já no processo constitucional objetivo, qualquer pessoa atingida

pela decisão que desrespeitou o entendimento do STF pode ajuizar uma reclamação no STF.

Para que seja cabível a reclamação, é necessário que a autoridade da decisão do Supremo tenha sido

efetivamente violada, e não que haja uma expectativa de violação.

Se o ato objeto da reclamação foi praticado antes da decisão do STF, não houve desrespeito à

autoridade da decisão do Supremo, e, portanto, não cabe reclamação.

Cabe reclamação para corrigir erro na certidão de trânsito em julgado?

A reclamação constitucional não se presta a solucionar eventual erro contido na certidão de

trânsito em julgado. (STF, Rcl 48185, Relator(a): ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 16/11/2021,

PROCESSO ELETRÔNICO DJe-229 DIVULG 18-11-2021 PUBLIC 19-11-2021)

Cabe reclamação como sucedâneo recursal ou ação rescisória?

A reclamação constitucional é ação vocacionada para a tutela específica da competência e

autoridade das decisões proferidas por este Supremo Tribunal Federal, pelo que não consubstancia

sucedâneo recursal ou ação rescisória. (STF, Rcl 48185, Relator(a): ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em

16/11/2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-229 DIVULG 18-11-2021 PUBLIC 19-11-2021)

Cabe reclamação contra decisão transitada em julgado?

Incabível reclamação constitucional ajuizada para discutir ato decisório que já tenha transitado

em julgado, a teor do art. 988, 5º, I, do CPC/2015. Aplicação da Súmula 734/STF. (STF, Rcl 50128, Relator(a):

ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 18/12/2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-015 DIVULG 27-01-2022

PUBLIC 28-01-2022)

Cabe reclamação para revolvimento do conjunto fático probatório do processo de origem?

1. A reclamação, por expressa determinação constitucional, destina-se a preservar a competência desta

Suprema Corte e garantir a autoridade de suas decisões, ex vi do artigo 102, inciso I, alínea l, além de

40
salvaguardar o estrito cumprimento das súmulas vinculantes, nos termos do artigo 103-A, § 3º, da Constituição

da República, incluído pela Emenda Constitucional 45/2004. Trata-se de via processual de caráter

eminentemente excepcional. 2. Firme na excepcionalidade da via processual da reclamação, a

jurisprudência do Supremo Tribunal Federal se assentou no sentido da inviabilidade do uso da

reclamação para o revolvimento do conjunto fático probatório do processo de origem. Precedentes: Rcl

35.657 AgR/RS, Rel. Min. Rosa Weber, Primeira Turma, DJe 11/12/2019; Rcl 29.200 AgR/SP, Rel. Min. Luiz Fux,

Primeira Turma, DJe 29/11/2018. (STF, Rcl 38973, Relator(a): LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 15/04/2020,

PROCESSO ELETRÔNICO DJe-118 DIVULG 12-05-2020 PUBLIC 13-05-2020)

4.5.2 LEGITIMIDADE ATIVA


Qualquer pessoa atingida pelo ato contrário à orientação do Tribunal possui legitimidade ativa.

4.5.3 LINHAS DA JURISPRUDÊNCIA DO STF SOBRE RECLAMAÇÃO


■ É proposta por qualquer interessado jurídico, tenha ou não legitimidade para propositura de ADI.

■ Não é recurso. É proposta diretamente no STF.

■ Cabe contra ato jurisdicional ou não. Cabível, portanto, contra ato administrativo.

■ Cabe contra ato que não cumpre a súmula ou quando se aplica a súmula indevidamente.

■ Se o ato for administrativo e a reclamação for procedente, o ato será anulado. Sendo o ato

jurisdicional, ele será cassado, devendo o juiz praticar outro ato, seguindo a orientação do STF.

5. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA42

5.1 COMPOSIÇÃO
Os Ministros do STJ serão nomeados pelo Presidente da República, dentre brasileiros com mais de

35 e menos de 70 anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, depois de aprovada a escolha pela

maioria absoluta do Senado Federal,

■1/3 de juízes dos TRFs Escolha do Presidente, em lista tríplice elaborada

■1/3 de juízes dos TJs pelo Tribunal, submetendo-se à sabatina pelo

Senado Federal.
Ministros do STJ

(33 Ministros)
■ 1/3 de advogados e membros Aplica-se a regra do quinto constitucional

do Ministério Público (órgão de classe indica 6, Tribunal seleciona 3,

Presidente escolhe 1). Posterior sabatina pelo

42
Martins, Flávio. Curso de direito constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Editora Saraiva, 2022. p.742.
41
Senado Federal.

5.1 COMPETÊNCIAS43
“A competência do Superior Tribunal de Justiça está prevista no art. 105 da Constituição Federal,

dividindo-se em competência originária (art. 105, I, CF) e competência recursal (art. 105, II e III, CF).

Compete originariamente ao Superior Tribunal de Justiça julgar:

1) nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e, nestes e nos de

responsabilidade, os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os membros

dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais

Regionais Eleitorais e do Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do

Ministério Público da União que oficiem perante tribunais;

2) os mandados de segurança e os habeas data contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes

da Marinha, do Exército e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal;

3) os habeas corpus, quando o coator ou paciente for qualquer das pessoas mencionadas na alínea

“a”, ou quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição, Ministro de Estado ou Comandante da Marinha, do

Exército ou da Aeronáutica, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral;

4) os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalvado o disposto no art. 102, I, “o”, bem

como entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos;

5) as revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados;

6) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões;

7) os conflitos de atribuições entre autoridades administrativas e judiciárias da União, ou entre

autoridades judiciárias de um Estado e administrativas de outro ou do Distrito Federal, ou entre as deste e da

União;

8) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for de órgão, entidade

ou autoridade federal, da administração direta ou indireta, excetuados os casos de competência do Supremo

Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça Militar, da Justiça Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal;

9) a homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas rogatórias.

Por sua vez, a competência recursal do Superior Tribunal de Justiça está prevista nos arts. 105, II e III,

da Constituição Federal. Segundo o art. 105, II, da Constituição, cabe recurso ordinário constitucional ao STJ

contra decisão que julga “os habeas corpus decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais

Federais ou pelos Tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória”, bem

como “os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais

dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão” e “as causas em que forem partes Estado

estrangeiro ou organismo internacional, de um lado, e, do outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no

43
Martins, Flávio. Curso de direito constitucional. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Editora Saraiva, 2022. p.742.
42
País”.

Cabe Recurso Especial ao STJ contra “as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais

Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida:

a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência;

b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal;

c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal”.

Por fim, segundo o art. 105, parágrafo único, da Constituição Federal, “funcionarão junto ao Superior

Tribunal de Justiça:

I – a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados, cabendo-lhe, dentre outras funções,

regulamentar os cursos oficiais para o ingresso e promoção na carreira;

II – o Conselho da Justiça Federal, cabendo-lhe exercer, na forma da lei, a supervisão administrativa e

orçamentária da Justiça Federal de primeiro e segundo graus, como órgão central do sistema e com poderes

correicionais, cujas decisões terão caráter vinculante”.

6. TRIBUNAIS DE SUPERPOSIÇÃO

São tribunais se sobrepairam as justiças sem se enquadrar em nenhuma delas:

Desde 2004 temos um caso em que o STJ tem competência constitucional e dois casos em que o

STF tem competência sobre matéria que envolve lei federal.

Vemos a tabela:

STJ STF

Art. 102, III, d – RE quando a decisão recorrida


Art. 109, §5º da CF – IDC
julga válida lei local contestada em face de lei
(...)
federal
§ 5º Nas hipóteses de grave violação de direitos

humanos, o Procurador-Geral da República, com a

finalidade de assegurar o cumprimento de Art. 36, III, in fine.

obrigações decorrentes de tratados internacionais de


(...)
direitos humanos dos quais o Brasil seja parte,
III - de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal,
poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de
de representação do Procurador-Geral da República,
Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo,
na hipótese do art. 34, VII, e no caso de recusa à
incidente de deslocamento de competência para a
execução de lei federal.
Justiça Federal.

43
7. TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS E JUÍZES FEDERAIS

A Justiça Federal Comum é composta pelos Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais da 1.ª

Instância44.

⚠️ ATENÇÃO
Redação dada pela EC 122/22:

Art. 107. Os Tribunais Regionais Federais compõem-se de, no mínimo, 7 juízes, recrutados, quando possível,

na respectiva região e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de 30 e menos de

70 anos, sendo: (EC 122/22)

8. TRIBUNAIS E JUÍZES DO TRABALHO

Temos como órgãos da Justiça do Trabalho o Tribunal Superior do Trabalho, os Tribunais Regionais do

Trabalho e os Juízes do Trabalho, sendo possível que a lei atribua jurisdição trabalhista aos juízes de direito nas

comarcas onde não foram instituídas Varas da Justiça do Trabalho45.

A composição da Justiça do Trabalho é feita da seguinte forma46:

TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO: 27 ministros, escolhidos dentre brasileiros natos ou

naturalizados, com mais de 35 e menos de 70 anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada (EC

122/22);

TRIBUNAIS REGIONAIS DO TRABALHO: No mínimo, 7 juízes, recrutados, quando possível, na

respectiva região, e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de 30 e menos de 70

anos. (EC 122/22)

44
MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 8ª. Ed. Salvador: JusPodvim, 2020, p. 1312.

45
MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 8ª. Ed. Salvador: JusPodvim, 2020, p. 1302.
46
MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 8ª. Ed. Salvador: JusPodvim, 2020, p. 1304.
44
Perceba que temos aqui 3 instâncias: Local (varas), regional (TRT) e Nacional (TST).

9. TRIBUNAIS E JUÍZES ELEITORAIS

Segundo Nathalia Masson (2020, p. 1306) a Justiça Eleitoral é uma Justiça Especial, na qual possui

competências jurisdicionais e vasta atribuição administrativa no que se refere aos processos eleitorais.

A Composição da Justiça eleitoral é a seguinte:

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL: 3 juízes eleitos, mediante voto secreto, dentre os ministros do STF;

2 juízes eleitos, mediante voto secreto, dentre os ministros do STJ; e 2 juízes nomeados pelo Presidente da

República dentre 6 advogados (de notável saber jurídico e idoneidade moral) indicados pelo STF;

TRIBUNAIS REGIONAIS ELEITORAL: 2 juízes eleitos, mediante voto secreto, dentre os

desembargadores do Tribunal de Justiça; 2 juízes eleitos, mediante voto secreto, dentre juízes de direito,

escolhidos pelo Tribunal de Justiça; 1 juiz do Tribunal Regional Federal, ou, não havendo, de juiz federal,

escolhido, em qualquer caso, pelo Tribunal Regional Federal respectivo; e 2 juízes nomeados pelo Presidente da

República dentre 6 advogados (de notável saber jurídico e idoneidade moral) indicados pelo Tribunal de Justiça.

45
Perceba que na primeira instância temos a possibilidade de órgão colegiado (juntas eleitorais) que é

composto pelo juiz eleitoral e por cidadãos.

Deve-se destacar que hoje temos PEC tramitando no Congresso para extinguir a junta. Isso pelo fato

de que as juntas atuam na diplomação em eleição local e na apuração. A junta permanece com relevância na

diplomação, mas na apuração não é mais relevante tendo em vista as urnas eletrônicas.

10. TRIBUNAIS E JUÍZES MILITARES

O Conselho é composto por um juiz togado e auditores militares da polícia e dos bombeiros.

No segundo grau temos TJ (Estado com corporação de até 20 mil integrantes) e TJM (corporação com

mais de 20 mil integrantes – é uma faculdade).

No que tange ao Juízo Militar, temos que é composto por juiz militar. Com a criação desses juízos,

temos a quebra de um dogma do Direito Militar, qual seja, qualquer julgamento militar deve ser colegiado. Ora,

com o juízo militar temos possibilidade de julgamento monocrático.

Vejamos 3 situações:

● Crime militar não doloso contra a vida, autor militar e vítima militar (exemplo: motim): Julgamento

colegiado.

● Crime militar não doloso contra a vítima, autor militar e VÍTIMA CIVIL (exemplo: lesão corporal):

Julgamento monocrático pelo JUÍZO MILITAR. O intuito é evitar corporativismo. Assim, sendo civil a

vítima, deve-se um civil julgar (que é o juiz militar).

● Crime doloso contra a vida: Julgamento colegiado (júri).

Outro dogma quebrado foi: O julgamento será sempre de matéria criminal. No âmbito Estadual esse

dogma está superado, pois o juízo não julga apenas CRIMES, mas tem também competência CIVIL. O juízo

militar julgará a ação cível na qual haja a discussão da prática de uma infração disciplinar com a possibilidade

de aplicação de sanção disciplinar.

⚠️ ATENÇÃO
46
Aqui temos um caso notório de judicialização. Isso porque os cargos de policial ou bombeiro militar

não são vitalícios e por isso sempre podem ser demitidos por órgão administrativo. Todavia, hoje a Constituição

tornou judicial a questão, levando ao judiciário a necessidade de apreciação pelo poder judiciário.

🚩 NÃO CONFUNDA
■ JUDICIALIZAÇÃO: Trata-se de um Estado de conhecer de questões que a princípio era afetar a outro

poder (a exemplo da perda de cargo público dos militares estaduais).

■ PROTAGONISMO JUDICIAL (LENIO STRECK): Trata-se de uma Posição. O judiciário hoje é um ator

político central no arranjo entre os poderes. Via de regra está associado a um Estado e a um comportamento.

■ ATIVISMO: Trata-se de um Comportamento. Conduta de não se auto conter, ou seja, de invadir.

Via de regra, a judicialização é a causa e o ativismo é o efeito.

Todavia, nem sempre essa relação existe, podendo haver situações onde temos Estado sem

Comportamento ou vice e versa. Ou seja, é possível haver a judicialização sem o ativismo.

Sobre ativismo judicial, veja a tabela:

ATIVISMO JUDICIAL: CONCEPÇÕES MODERNAS

Qualquer situação na qual o Judiciário manifesta posição da instituição

fora dos autos de processo, se valendo de mídias tradicionais ou


ATIVISMO EXTRAPROCESSUAL
sociais.
(Politização)
O STF brasileiro é, sem dúvida, o Tribunal mais público do mundo, a

exemplo da própria TV Justiça.

Tem origem na Espanha.

Não discute matéria, mas sim forma. Assim, o Tribunal conforma um


ATIVISMO PROCEDIMENTAL processo adequado aos tipos de demanda que ele julga. No Brasil

(autonomia processual) temos isso nos RI’s dos Tribunais, por exemplo. Como exemplos

importantes ainda temos a repercussão geral, prequestionamento,

fixação de pauta, admissão de amicus curiae, audiência pública.

ATIVISMO DIALÓGICO É um conceito colombiano.

(Estado das coisas Trata-se de uma questão profunda de omissão inconstitucional que

inconstitucional) tem suas causas e geram seus efeitos.

CAUSAS / CONDIÇÕES:

47
A. Violação massiva de direitos humanos;

B. Fracasso absoluto de políticas públicas;

C. Bloqueio total dos processos disponíveis

Havendo tal situação, faculta-se o ativismo dialógico.

“Ativismo Dialógico” porque essas causas geram o efeito da DECISÃO JUDICIAL DE EXECUÇÃO COMPLEXA. A

premissa do Estado de coisas inconstitucional é que haja separação entre eficácia e efetividade, não se

preocupando o Judiciário em proferir decisão que tenha apenas efeito jurídico, mas sim decisão em que seja

efetivamente resolvida a questão. A sentença/acórdão vai reconhecer o Estado de Coisas Inconstitucional e

prorrogar-se-á a competência para que se garanta a efetividade da solução judicial.

Assim, o Judiciário dialoga com a sociedade para que se chegue até a solução efetiva para o caso concreto.

O conselho é formado por oficiais e um juiz civil togado. Posteriormente, já temos o STM.

Perceba que a Constituição manteve a nomenclatura de “SUPERIOR Tribunal Militar” da Constituição

anterior, sendo um resquício autoritário.

⚠️ ATENÇÃO
Redação dada pela EC 122/22:

Art. 123

Parágrafo único. Os Ministros civis serão escolhidos pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais

de 35 e menos de 70 anos de idade, sendo: (EC 122/22)

11. TRIBUNAIS DE JUSTIÇA E JUÍZES ESTADUAIS

48
Os tribunais de alçada compunham a segunda instância da justiça estadual que tinha competência de

natureza especializada cível ou tribunais. A EC 45/04 extinguiu os TA’s que ainda existiam, para unificar a

segunda instância estadual.

⚠️ ATENÇÃO: TURMAS RECURSAIS DOS JUIZADOS ESPECIAIS


As turmas recursais, malgrado atuam em segundo grau, integram a primeira instância. Sendo assim,

da decisão de turma recursal não cabe REsp ao STJ, pois este exige decisão do TRIBUNAL e a turma recursal não

é tribunal.

Além disso, não é aplicável a cláusula de reserva de plenário, pois esta norma (art. 97 da CF) exige que

o tribunal reconheça a inconstitucionalidade.

49

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