Universidade Estadual da Paraíba
Disciplina: Organização do Trabalho na Escola e o Currículo (Otec)
Professora: Normana Natalia Ribeiro dos Passos
Aluna: Kalliny Aracelly de Souza Araujo
Questões do livro A instituição Escolar
1) Quando surge a necessidade da escola? por quê?
Nas sociedades primitivas não há escolas, e a educação é exercida pelo conjunto dos
membros que as constituem. Quando a produção dos bens ultrapassa o necessário para o
consumo imediato, fazendo surgir os excedentes, a estrutura da sociedade também se
altera, e as divisões de tarefas tendem a acentuar as diferenças sociais. O saber, que na
tribo era coletivo, torna-se privilégio do segmento mais rico, constituindo uma forma de
fortalecimento do poder. Surge então a necessidade da escola como instrumento de
transmissão do saber acumulado, embora restrito a alguns.
2) Por que a industrialização e a urbanização exigiram uma mudança da escola?
A estrutura da escola tradicional foi objeto de reação de alguns pedagogos, ansiosos por
mudar os rumos do ensino não só quanto às obsoletas práticas didáticas,mas também
quanto ao conteúdo transmitido. A revolução Industrial, iniciada no século XVIII, altera em
alguns aspectos as exigências da escola burguesa: à formação acadêmica
predominantemente humanista se contrapõe a necessidade de formação técnica
especializada, além do estudo das ciências.
No século XIX, com a burguesia já triunfante, o pedagogo alemão Herbart enfatiza a
importância da instrução completa até como condição de formação moral. Apesar de
algumas alterações, continua a existir por muito tempo o sistema de internatos com
disciplina rigorosa e vigilância constante, marcando sobretudo a escola secundária elitista,
que visa a formação humanista e propedêutica ( isto é, voltada à preparação para o curso
superior.) Essa situação foi sempre mais dramática no Brasil. Além disso, acelera-se o
processo de secularização e democratização do ensino, com as reivindicações de uma
escola pública, leiga, gratuita e obrigatória a aque possam ter acesso às camadas
não-privilegiadas da sociedade.
3) O que significa dizer que a escola não é uma ilha?
Dizer que a escola não é uma ilha significa que ela não está isolada do restante da
sociedade e que sua atuação e funcionamento são influenciados por diversos fatores
externos. A escola é parte de um sistema maior e, portanto, está interconectada com outros
setores e instituições, como a família, o governo, as empresas e a comunidade em geral.
Isso significa que as ações e decisões da escola não podem ser tomadas de forma
independente ou isolada, mas devem levar em consideração as demandas e expectativas
desses diferentes atores. Além disso, a escola também exerce influência sobre a sociedade,
contribuindo para a formação de cidadãos ativos, críticos e participativos.
Resumo do Capítulo 4 do livro A face Oculta da escola
Sempre existiu algum processo preparatório para a a integração nas relações sociais de
produção, e com frequência, alguma outra instituição que não a própria produção em que se
efetuou esse processo. Na economia camponesa, mesmo em nossos dias, a sede da
aprendizagem social e para o trabalho continua sendo a família. Para o camponês auto
suficiente, a escola não podia oferecer outra coisa que doutrinamento religioso e, em seu
caso, político. Algo parecido ocorria na Idade Média, com a diferença de que neste período
a permanência na família original era substituída em grande medida pela educação ou
aprendizagem no seio de outra família. A falta de coração dos ingleses manifesta-se
particularmente em sua atitude para com seus filhos. Após havê-los tido em casa até os
sete ou nove anos , colocam-nos, tanto os meninos quanto as meninas, no duro serviço das
casas de outras pessoas, às quais as crianças ficam vinculadas por um período de sete a
nove anos . Há poucos que evitam este tratamento, pois todos, qualquer que seja sua
fortuna, enviam assim seus filhos às casas de outros enquanto recebem por sua vez as
crianças alheias. O mesmo afirma a respeito das classes altas Rowling , o qual assinala que
freqüentemente enviavam seus filhos a outros lares para que servissem como pagens a
partir dos sete anos e como escudeiros ou assistentes a partir dos quatorze. As crianças
eram enviadas a outra casa com um contrato ou sem ele. Ali aprendiam boas maneiras e
talvez fossem levadas a uma escola, embora estas não fossem muito apreciadas pelas
classes altas. Esta era a via normal de aprendizagem, enquanto a escola, pelo menos além
das primeiras letras, ficava reservada para os que estavam chamados a ser copistas ou
algo similar. O mestre artesão acolhia um pequeno número de aprendizes entrando com
eles numa relação de mútuas obrigações. O aprendiz estava obrigado a servir fielmente ao
mestre não apenas nas tarefas do ofício, mas no conjunto da vida doméstica. O contrato de
aprendizagem , que vinculava a ambos durante um longo período, em geral de sete anos,
convertia a relação em algo estável. Ademais, a convivência continuada em uma pequena
oficina que era também a residência convertia o conjunto formado pelo mestre artesão e
pelo punhado de oficiais e aprendizes em uma sorte de família ampliada sem laços
consangüíneos. Embora o trabalho do aprendiz beneficiasse em primeiro lugar o mestre , a
relação de dependência, subordinação e, provavelmente, exploração, encontrava sua
contrapartida na própria formação e na perspectiva, não segura porém presente, de
culminar a própria carreira alcançando a condição de artesão independente. Em geral, a
aprendizagem e a educação tinham lugar como socialização direta de uma geração por
outra, mediante a participação cotidiana das crianças nas atividades da vida adulta e sem a
intervenção sistemática de agentes especializados que representa hoje a escola, instituição
que então desempenhava um papel marginal. Assim, o serviço doméstico confunde-se com
a aprendizagem, forma muito geral da educação. Precisamente por essa segunda função
da aprendizagem, talvez a mais importante. A transmissão e aquisição das necessárias
destrezas sociais e de trabalho, por conseguinte, bem podiam ser levadas a efeito na
própria família. Para isso era necessário haver uma relação mais distante entre o mestre e o
aprendiz, ou entre o cavalheiro e seu assistente, e isto só se podia obter ou, ao menos, era
a melhor forma de fazê lo, colocando os jovenzinhos a cargo de outra família que,
assumindo o papel de educadora, não se visse travada pelo obstáculo do afeto. Era comum
que os jovens nobres que serviam em casa de uma fanu 1ia alheia fossem colocados a
cargo de um preceptor, assim como os artesãos que acolhiam as crianças alheias para
ensinar-lhes o ofício comprometiam-se além disso a ensinar lhes a ler e a escrever ou a
enviá-las à escola, embora, em ambos os casos, o ensino literário desempenhasse um
papel marginal. Quanto aos artesãos, a aprendizagem literária era para eles muito
secundária e, no concernente aos camponeses, os poucos que acudiam a uma escola eram
apenas doutrinados nos tópicos religiosos e morais em voga. O internamento da infância
marginal Para as crianças instituíram-se os mesmos meios ou outros ad hoc, os orfanatos.
A inquietude pelas crianças órfãs ou filhos de pobres não era nova, havendo nascido da
preocupação pela ordem pública e pelo desperdício que, para a nação em geral,
representavam seus braços inativos. Cortes de Valladolid informavam o rei, o qual
imediatamente daria ordem de apoiar o empreendimento, de que em estes reinos de seis
anos a esta parte, pessoas piedosas têm dado ordem para que haja colégios de meninos e
meninas, desejando dar remédio à grande perdição que de vagabundos, órfãos e crianças
desamparadas havia, porque é certo que ao se remediar estas crianças perdidas põe-se
obstáculo aos latrocínios, delitos graves, e enormes, que por se criarem livres e sem dono,
aumentam, porque se tendo criado em liberdade de necessidade hão de ser quando
grandes gente indomável, destruidora do bem público, corrompedora dos bons costumes,
contaminadora das gentes e povos . O momento culminante dos orfanatos e, em geral, do
internamento e disciplinamento das crianças em casas de trabalho e outros
estabelecimentos similares foi o século XVIII. O essencial não era já pôr os vagabundos e
seus filhos a fazer um trabalho útil com vistas à sua manutenção, mas educá-los na
disciplina e nos hábitos necessários para trabalhar posteriormente . Entre eles, Richard
Haines, que propunha internar e pôr a trabalhar as crianças pobres desde os quatro anos.
Dale com meio milhar de crianças procedentes dos asilos de Edimburgo e As crianças
internadas em hospícios e outras instituições eram uma mão de obra barata para os
industriais, que as contratavam em grupos e podiam devolvê-las à menor queixa, ou
exploravam seu trabalho diretamente na própria instituição em que estavam internadas. "
Por exemplo, em Amberes, onde os fabricantes têxteis qualificavam, em 1781, o orfanato
local, de ''escola de formação para as fábricas ". Em Potsdam, em Berlim, em Belfast, etc.,
ou em Hamburgo, onde a autoridade inscreviam as crianças dos pobres, dos seis aos
dezesseis anos, em "escolas industriais "nas que se dedicavam dois terços do tempo ao
trabalho e o resto a uma instrução rudimentar. Qual educação para o povo? Os pensadores
da burguesia em ascensão recitaram durante um longo tempo a ladainha da educação para
o povo. Por um lado, necessitavam recorrer a ela para preparar ou garantir seu poder, para
reduzir o da igreja e, em geral, para conseguir a aceitação da nova ordem.