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Dissertação - Enf - Virginia Crispina de Oliveira

A dissertação de Virginia Crispina de Oliveira Gomes descreve o perfil dos docentes da educação profissional técnica de nível médio em enfermagem, com foco na formação e atuação desses profissionais. O estudo, realizado com 19 docentes, revela que a maioria é do sexo feminino, casada e possui mais de 15 anos de experiência na docência, além de buscar constantemente aprimoramento profissional. A pesquisa sugere a necessidade de mais estudos sobre as condições de trabalho e formação pedagógica dos docentes, que impactam diretamente na qualidade da formação dos técnicos de enfermagem.

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Dissertação - Enf - Virginia Crispina de Oliveira

A dissertação de Virginia Crispina de Oliveira Gomes descreve o perfil dos docentes da educação profissional técnica de nível médio em enfermagem, com foco na formação e atuação desses profissionais. O estudo, realizado com 19 docentes, revela que a maioria é do sexo feminino, casada e possui mais de 15 anos de experiência na docência, além de buscar constantemente aprimoramento profissional. A pesquisa sugere a necessidade de mais estudos sobre as condições de trabalho e formação pedagógica dos docentes, que impactam diretamente na qualidade da formação dos técnicos de enfermagem.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

ESCOLA DE ENFEMAGEM

VIRGINIA CRISPINA DE OLIVEIRA GOMES

PERFIL DOS DOCENTES DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL TÉCNICA DE NÍVEL


MÉDIO EM ENFERMAGEM

SALVADOR
2016
VIRGINIA CRISPINA DE OLIVEIRA GOMES

PERFIL DOS DOCENTES DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL TÉCNICA DE NÍVEL


MÉDIO EM ENFERMAGEM

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação


em Enfermagem da Escola de Enfermagem da
Universidade Federal da Bahia, como requisito para
obtenção do grau de Mestra, área de concentração Gênero,
Cuidado e Administração em Saúde, linha de pesquisa
Organização e Avaliação dos Sistemas de Cuidados à
Saúde.

Orientador: Prof. Dr. Gilberto Tadeu Reis da Silva


Co-orientadora: Profª Drª Rosana Maria de Oliveira Silva

SALVADOR
2016
Modelo de ficha catalográfica fornecido pelo Sistema Universitário de Bibliotecas da UFBA para ser confeccionada
pelo autor

Gomes, Virginia Crispina de Oliveira


Perfil dos docentes da educação profissional técnica
de nível médio em enfermagem / Virginia Crispina de
Oliveira Gomes. -- Salvador, 2016.
86 f. : il

Orientador: Prof. Dr. Gilberto Tadeu Reis da Silva.


Coorientador: Profª Drª Rosana Maria de Oliveira
Silva.
Dissertação (Mestrado - Programa de Pós-Graduação em
Enfermagem) -- Universidade Federal da Bahia, Escola de
Enfermagem da Universidade Federal da Bahia, 2016.

1. Docentes. 2. Enfermagem. 3. Educação profissional.


I. Silva, Prof. Dr. Gilberto Tadeu Reis da. II. Silva,
Profª Drª Rosana Maria de Oliveira. III. Título.
DEDICATÓRIA

Dedico essa dissertação à minha família que com muito


amor me deu forças nessa caminhada.

Ao meu professor Dr. Gilberto Tadeu Reis da Silva que


tornou esse percurso da minha vida possível.

A todos os docentes que participaram da minha pesquisa.


AGRADECIMENTOS

A Deus que está sempre presente na minha vida me guiando e conduzindo em todos os meus
passos.
A minha mãe que sempre com muito amor me incentiva em todos os passos da minha vida.
A minha irmã com muito amor fraterno.
A meu marido Jeason e meu filho Pietro que com muito amor e companheirismo estão
presentes na vida.
A Cristiane Costa Reis da Silva que desde o primeiro momento que nos conhecemos
acreditou em mim, me acolhendo e incentivando.
A meu Orientador Prof. Dr. Gilberto Tadeu Reis da Silva que com tanta paciência me
orientou e transmitiu aprendizado. Muito obrigada.
A Silvana Lima Vieira que não tenho palavras para explicar o quanto que você é importante
para mim desde o primeiro momento que nos conhecemos, obrigada sempre.
A Professora Josicélia Dumêt Fernandes, pessoa magnífica pessoal e profissionalmente, um
exemplo de vida.
A Professora Rosana que sempre acolhe, incentiva e ajuda com seu jeito todo especial.
A Carolina Barbosa Souza Santos que me incentivou a todo o momento nessa caminhada.
A Núbia que nos aproximamos e construímos uma amizade para a vida. Obrigada.
A Deybson que com seu estilo todo especial me incentivou e motivou nesse caminhar.
A Elaine que admiro com toda a sua calma e sabedoria.
A Jorgas que me incentivou a seu modo.
A Monique que me incentivou com seu jeito doce, obrigada.
A minhas alunas, e agora enfermeiras, em especial a Jéssica Silva, Belayrla Cerqueira e
Gislaine Félix que estiveram presentes nessa trajetória.
A Joelma Pinheiro M. Barbosa que foi uma pessoa chave para que essa pesquisa se
concretizasse com toda sua disponibilidade em ajudar, obrigada.
A Giselle Alves da Silva Teixeira que admiro por toda sua competência e maneira ímpar de vê
e viver a vida. Obrigada.
A Itamar M. Gonçalves - Professor do Curso de Medicina – UFT que se colocou
extremamente disponível em ajudar, sem nem me conhecer. Muito obrigada.
A Andrine Antunes pela disponibilidade em fazer a revisão da minha dissertação. Obrigada.
Aos meus colegas de turma que cada um a sua maneira contribuiu para o meu caminhar.
Aos integrantes do EXERCE, onde tudo começou.
Aos Integrantes do GEPASE, em especial a Simone Costa e Denise Esquiavel, muito
obrigada.
A minha coordenadora Kelly e meus colegas de trabalho que entenderam o momento da
minha vida e me incentivaram.
A Universidade Federal da Bahia-UFBA pela colaboração no projeto PRODOC.
A FAPESB que no projeto guarda-chuva proporcionou a aquisição dos equipamentos para a
pesquisa.
RESUMO

GOMES, Virginia Crispina de Oliveira. Perfil dos docentes da educação profissional


técnica de nível médio em enfermagem. 2016. 86p. Dissertação (Mestrado em Enfermagem)
Programa de Pós-graduação em Enfermagem, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2016.

O objetivo desta pesquisa foi descrever o perfil dos docentes da educação profissional técnica
de nível médio em enfermagem. Acreditando que esse perfil permite conhecer um dos
responsáveis pela formação de técnicos de enfermagem do Sistema Único de Saúde e para
ele: o docente. Trata-se de um estudo descritivo com abordagem quantitativa, realizada em
uma escola de formação técnica em saúde vinculada à Secretaria de Saúde do Estado da
Bahia. Participaram desta pesquisa 19 docentes. O projeto guarda-chuva, ao qual esta
pesquisa faz parte, foi submetido à Plataforma Brasil, respeitando os aspectos éticos, com
base na Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012. A partir disso, procedeu-se a aplicação
do instrumento adaptado da dissertação de Bassinelo 2002. O instrumento foi composto de 17
perguntas, dividas em quatro blocos, que explicitavam: primeiro bloco: a caracterização dos
docentes, formação e educação permanente, atuação profissional e atuação docente. Os dados
coletados com cada docente através do questionário foram organizados segundo número
atribuído a cada participante e digitados no FormSUS para organização e tabulação dos dados.
Os resultados apresentados mostram que há predominância de docentes na faixa etária de 50
ou mais; todas as docentes são do sexo feminino e a maioria é casada. Além disso, a
predominância de docentes formadas há 15 anos ou mais e mais de 15 anos de atuação na
docência. Evidencia-se que, para a maioria dos docentes, a docência constitui-se na atividade
profissional principal e a grande maioria são contratadas efetivas. Um dado da pesquisa que
nos fez refletir foi que todos os docentes têm alguma habilitação, especialização, programa de
mestrado/doutorado ou licenciatura em enfermagem. Evidenciando que os docentes desta
pesquisa buscam alguma forma para aprimorar sua prática docente. Diante disso, sugerimos
mais estudos sobre os docentes da Educação profissional técnica de nível médio em
enfermagem, considerando condições de trabalho e sua formação pedagógica; considerando
que estes pontos refletem diretamente em uma formação de qualidade para os técnicos de
enfermagem.

Palavras-chave: Docentes. Enfermagem. Educação profissional.


ABSTRACT

GOMES, Virginia Crispina de Oliveira. Profile of teachers of technical vocational


education average level in nursing. 2016. 86P. Dissertation (Master of Nursing) Program
Graduate Nursing, Federal University of Bahia, Salvador, 2016.

The aim of this study was to describe the profile of teachers of technical vocational education
average level in nursing. Believing that this profile allows to know one responsible for the
training of nursing technicians of the Unified Health System and for him: the teacher. This is
a descriptive study with a quantitative approach, performed in a technical training school in
health linked to the Department of Bahia State Health Department. 19 teachers participated in
this research. The umbrella project to which this research is part underwent Platform Brazil,
respecting the ethical aspects on the basis of Resolution No. 466 of 12 December 2012. From
this, application of the adapted instrument was carried out of the dissertation Bassinelo 2002.
the questionnaire consisted of 17 questions, divided into four blocks, which that moment: first
block: the characterization of teachers, training and continuing education, professional
practice and teaching performance. The data collected with each teacher through the
questionnaire were organized according to the number assigned to each participant and
entered in FormSUS for organizing and tabulating the data. The results presented show that
there is a predominance of teachers aged 50 or more; all teachers are female and most are
married. Moreover, the prevalence of teachers with more than 15 years and formed more than
15 years of experience in teaching. it is clear that for most teachers teaching constitutes the
main occupation and the vast majority are hired effective. A given the research that made us
think it was that all teachers have some habilitation, specialization, master's / doctorate or
degree in nursing program. Showing that the teachers of this research seek some way to
improving their teaching practice. Therefore, we suggest further studies on the faculty of the
mid-level technical professional education in nursing considering working conditions and
their pedagogical training; whereas these points directly reflect on quality training for nursing
technicians.
Keywords: Teachers. Nursing. professional education
RESUMEN

GOMES, Virginia Crispina de Oliveira. El perfil de los docentes de nivel medio de


educación profesional técnica en enfermería. 2016. 86P. Disertación (Maestría en
Enfermería) Programa de Postgrado en Enfermería de la Universidad Federal de Bahía,
Salvador, 2016.

El objetivo de este estudio fue describir el perfil de los docentes de nivel medio de educación
profesional técnica en enfermería. La creencia de que este perfil permite conocer uno
responsable de la formación de los técnicos de enfermería del Sistema Único de Salud y para
él: el maestro. Se trata de un estudio descriptivo con un enfoque cuantitativo, realizado en una
escuela de formación técnica en salud vinculado al Departamento de Salud del Estado de
Bahia Departamento. 19 maestros participaron en esta investigación. El proyecto general a la
que esta investigación forma parte de la plataforma se sometió a Brasil, respetando los
aspectos éticos, sobre la base de la Resolución N ° 466 de 12 de diciembre de 2012. A partir
de esto, la aplicación del instrumento adaptado se llevó a cabo de la disertación Bassinelo
2002. el cuestionario consta de 17 preguntas, divididas en cuatro bloques, que ese momento:
primer bloque: la caracterización de los profesores, la formación y la educación continua, la
práctica profesional y desempeño docente. Los datos recogidos con cada maestro a través del
cuestionario se organizaron de acuerdo con el número asignado a cada participante y entró en
FormSUS para la organización y la tabulación de los datos. Los resultados presentados
muestran que hay un predominio de los maestros 50 o más años de edad; todos los maestros
son mujeres y la mayoría están casados. Por otra parte, la prevalencia de los profesores con
más de 15 años y formó más de 15 años de experiencia en la enseñanza. está claro que para la
mayoría de los profesores de enseñanza constituye la ocupación principal y la gran mayoría
son contratados eficaz. A dada la investigación que nos hizo pensar que era que todos los
maestros tienen alguna habilitación, la especialización, / doctorado o maestría en el programa
de enfermería. Lo que demuestra que los maestros de esta investigación buscan alguna
manera de mejorar su práctica docente. Por lo tanto, se sugiere nuevos estudios sobre la
facultad de la educación profesional técnica de nivel medio en enfermería teniendo en cuenta
las condiciones de trabajo y su formación pedagógica; Considerando estos puntos reflejan
directamente en la formación de calidad para los técnicos de enfermería.

Palabras clave: docente. Enfermería. la educación profesional.


LISTA DE FIGURAS/ TABELAS

Artigo 1 Mapeamento da oferta de cursos técnicos de nível médio em enfermagem na Bahia

Tabela 1 Caracterização das macrorregiões quanto ao número de regiões de saúde, total de


municípios, população, município-polo e número de Diretorias regionais de Saúde do Estado
da Bahia – 2014 44

Figura 1 Distribuição dos cursos técnicos de nível médio em enfermagem nas macrorregiões
do da Bahia – 2014 45

Tabela 2 Caracterização das macrorregiões quanto ao número de municípios que oferecem o


curso técnico de nível médio em enfermagem e oferta de cursos do Estado da Bahia– 2014 45

Tabela 3 Relação entre o número total de municípios, o número de municípios que oferecem
o curso e o número de cursos técnicos de nível médio em enfermagem, nas macrorregiões da
Bahia – 2014 47

Artigo 2 Perfil dos Docentes da Educação Profissional Técnica de Nível Médio em


Enfermagem

Tabela 1 Docentes da Educação profissional técnica de nível médio em Enfermagem segundo


a idade, sexo e estado civil – Salvador – 2015 59

Tabela 2 Docentes da Educação profissional técnica de nível médio em Enfermagem segundo


formação e educação permanente – Salvador – 2015 60

Tabela 3 Docentes da Educação profissional técnica de nível médio em Enfermagem segundo


atuação profissional – Salvador – 2015 62

Tabela 4 Docentes da Educação profissional técnica de nível médio em Enfermagem


relativos à docência – Salvador – 2015 64
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CAPS Centro de Atenção Psicossocial


CNB Câmara de Educação Básica
CNCT Catálogo Nacional de Cursos Técnicos De Nível Médio
CNE Conselho Nacional de Educação
CNPq Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico E Tecnológico
COFEN Conselho Federal de Enfermagem
COREN Conselho Regional de Enfermagem
DATASUS Departamento de Informática do Sus
FAPESB Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia
GEPASE Grupo de Estudos e Pesquisas em Administração dos Serviços de Enfermagem
IES Instituição de Ensino Superior
LDB Lei de Diretrizes e Bases
MEC Ministério da Educação
MS Ministério da Saúde
OPAS Organização Panamericana da Saúde
PLANFOR Plano Nacional de Formação Profissional
PNE Plano Nacional de Educação
PPSUS Programa de Pesquisa para o SUS: Gestão compartilhada em Saúde
PRODOC Programa de Apoio a Projetos Institucionais com a Participação de Recém-
Doutores
PROEP Programa de Expansão da Educação Profissional
PROFAE Programa de Profissionalização dos Auxiliares de Enfermagem
PRONATEC Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego
RET-SUS Rede de Escolas Técnicas do SUS
SEC Secretaria de Educação
SESAB Secretaria da Saúde do Estado
SISTEC Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica
SUPERH Superintendência de Recursos Humanos
SUS Sistema Único de Saúde
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 14
2 ASPECTOS HISTÓRICO-LEGAIS DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL TÉCNICA
DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM 19
3 DOCÊNCIA DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM
ENFERMAGEM 27
4 METODOLOGIA 31
4.1 TIPO DE ESTUDO 31
4.2 LOCAL DO ESTUDO 31
4.3 PARTICIPANTES DO ESTUDO 32
4.4 PROCEDIMENTOS ÉTICOS 33
4.5 COLETA DE DADOS 33
4.5.1 Instrumento 33
4.5.2 Procedimento de Coleta de Dados 34
4.6 ANÁLISE DOS DADOS 34
5 RESULTADOS 36
5.1 ARTIGO I 37
5.2 ARTIGO II 53
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 70
REFERENCIAS 72
APÊNDICE A – Termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) 77
APÊNDICE B – Instrumento de coleta (Questionário) 79
ANEXO A – Parecer do Comitê de Ética 82
ANEXO B – Declaração de anuência 86
14

INTRODUÇÃO

O presente estudo descreve o perfil dos docentes da educação profissional técnica de


nível médio em enfermagem.
A Educação Profissional de nível técnico que, a partir da Resolução nº 1, de 3 de
Fevereiro de 2005 do Conselho Nacional de Educação, passa a denomina-se Educação
Profissional Técnica de nível médio consiste em uma modalidade de ensino integradas às
diferentes formas de educação, ao trabalho, às ciências e às tecnologias (BRASIL, 2005;
EDUCAÇÃO..., 2015).
Pela legislação vigente, os cursos desse segmento estão distribuídos em três níveis:
Formação Inicial e Continuada (capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização);
Educação Profissional Técnica de Nível Médio; e Educação Profissional Tecnológica de
Graduação e Pós-graduação (EDUCAÇÃO..., 2015).
Esta modalidade de curso visa capacitar alunos para atividades do setor produtivo, que
tenham concluído o ensino fundamental, além disso, é necessária a conclusão do ensino
médio para obtenção do diploma de técnico.
Estes podem ser de três formas: integrada, concomitante ou subsequente; na forma
integrada o aluno terá matricula única e o currículo é feito unindo o ensino médio às
competências da educação profissional de nível médio; na concomitante, tem duas matrículas
e os cursos se complementam e na forma subsequente, o aluno já concluiu o ensino médio no
ato da matrícula (O QUE É O PRONATEC..., 2014).
Em 1942, iniciou-se a formação de profissionais de nível médio de enfermagem,
devido ao surgimento de hospitais-escolas, evolução da tecnologia e das descobertas no
processo saúde-doença, houve a necessidade de contratação de profissionais bem preparados
para auxiliar nos procedimentos, pois as enfermeiras tinham funções mais administrativas
(DANTAS; AGUILLAR, 1999; KOBAYASHI; LEITE, 2004).
.É importante entender que a profissionalização dos trabalhadores de nível médio na
área de enfermagem foi intensificada a partir de 1986, com a publicação da Lei nº 7.498, que
regulamenta o exercício profissional de enfermagem.
Devido à necessidade de qualificação para atuar na área de enfermagem, acentuou-se a
abertura de cursos por parte de diversas escolas de âmbito público e privado, o que demanda
um corpo docente preparado (BASSINELLO; SILVA, 2005).
15

O capítulo dedicado à educação profissional na LDB de 1996 trouxe mudanças para a


os cursos profissionalizantes de enfermagem. Uma delas foi a separação da educação
profissional do ensino médio. O Decreto n.º 2.208/97 permitiu que os cursos tivessem
organização própria e independente do ensino médio, ou seja, que os cursos pudessem ser
oferecidos em módulos complementares e sequenciais, com caráter de terminalidade para
efeito de qualificação profissional (BAGNATO, 2007).
Melo (2006) em seu estudo ressalta que todo profissional deverá se aperfeiçoar em
nível técnico, não somente para suprir uma necessidade de mercado, como também propiciar
qualidade de atendimento à população, valorizando o cuidado prestado e também o
profissional como ser humano. Ressalta que a formação de professores na área de
enfermagem é importante à medida que muitos profissionais/docentes não possuem formação
pedagógica, resultando no enfermeiro que tem atuado no processo educativo sem formação
adequada transformando-se em docentes reproduzindo aos seus alunos o mesmo tipo de
ensino que tiveram.
O estudo de Valente e Viana (2006) traz também a questão de que a um dos
componentes fundamentais para a qualidade da assistência previstas pelo Sistema Único de
Saúde (SUS) é a competência profissional dos trabalhadores de nível médio em enfermagem.
Para que isto aconteça, os autores acreditam que o enfermeiro/docente, atuante deste ensino,
deva desenvolver competências na sua formação para atuação no ensino em Enfermagem.
Em 1968, foi criado o curso de licenciatura em enfermagem, entretanto, os cursos de
graduação, em sua minoria, aderiram a essa modalidade no currículo, refletindo no preparo do
enfermeiro para o ensino, devido à responsabilidade que estes têm no processo ensino-
aprendizagem de profissionais da área da saúde (MAISSIAT, CARRERO, 2010).
Para Valente e Viana (2006), os cursos de licenciatura em Enfermagem e os de
especialização em formação pedagógica fazem com que o enfermeiro tenha conhecimento de
didática e pedagogia, portanto, os autores defendem que para ensinar é necessário que o
enfermeiro tenha formação para tal.
Freire (1996), afirma que o professor deve assumir uma atitude crítica, reflexiva e
orientada pela responsabilidade social. Assim, o docente deixa de ser um transmissor de
conteúdos acríticos e definidos por especialistas externos para assumir uma atitude
problematizadora e mediadora do processo ensino-aprendizagem sem, no entanto, perder sua
autoridade nem, tampouco, a responsabilidade com a competência técnica dentro de sua área
do conhecimento.
16

É importante salientar que para assumir essa atitude colocada por Freire, há algumas
questões que se traduzem em entraves nesse posicionamento, pode-se destacar que existe
pouca valorização no mercado de trabalho e nas instituições em que os docentes trabalham,
muitos encontram nesse emprego uma forma de complementação da renda e isso gera outra
consequência, o desconhecimento ou falta de formação pedagógica para a docência.
Este estudo justifica-se porque o docente da educação profissionalizante de
enfermagem está diretamente engajado no processo de formação e qualificação destes
profissionais, que interveem de maneira direta na saúde da população, em qualquer nível de
atenção. O enfermeiro deveria ter na sua formação componente curricular voltado à docência,
entretanto, essa formação inicial para a docência fica a critério da instituição e/ou dos próprios
docentes, devido à ausência de amparo legal para o exercício da docência nos cursos técnicos
de nível médio em enfermagem. Isso faz com que eles tenham grande desafio e
responsabilidade no processo de ensino-aprendizagem e também com a contínua capacitação
didático-político-pedagógica.
Corrobora com isso o estudo de Lima e Apolinário (2011) quando afirma que os
técnicos de enfermagem, ao receberem uma formação deficitária, podem intensificar os
problemas de saúde da população. Assim, a questão da educação deve ser pensada para
formação do técnico de enfermagem, visto que a prática destes pode intervir de maneira direta
na atenção à saúde da população.
O processo de educação dos profissionais de nível médio em enfermagem tem uma
relação direta com a qualidade da assistência prestada, o que nos mostra a importância da
formação do profissional de forma que privilegie o processo ensino aprendizagem
participativo e reflexivo que favorecerá a melhoria dos determinantes de saúde, especialmente
no âmbito do Sistema Único de Saúde (STUTZ 1999; GOES, et al., 2015).
De acordo com dados do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) (2011), o
número de inscrições de profissionais de enfermagem no Brasil chegou a 1.535.568, em 2011.
Desse total, correspondem à categoria de enfermeiros 314.127 inscrições (20,46%), à de
técnicos de enfermagem 698.697 (45,50%) e, à de auxiliares de enfermagem, 508.182
(33,09%). Na Bahia, de acordo com Conselho Regional de Enfermagem (COREN) (2016),
tem-se com inscrições permanentes, 28.535 enfermeiros, 63.392 técnicos de enfermagem e
15.716 auxiliares de enfermagem.
A partir desses números, este estudo mostra- se relevante, pois a formação do
profissional técnico de enfermagem impacta diretamente na qualidade da assistência prestada.
17

É importante a realização de estudos sobre a educação profissional técnica de nível médio em


enfermagem, sobretudo no que diz respeito aos docentes.
Trazendo alguns estudos na área, tem-se o estudo de Silva, et al. (2013) que
caracterizou uma parcela da produção científica brasileira de enfermeiros, gerada pelos cursos
de pós-graduação stricto sensu em enfermagem, no período de 1994 a 2011, evidenciando um
relativo crescimento de dissertações de teses produzidas a respeito da educação
profissionalizante em enfermagem, porém revelaram que, na região Nordeste foram
realizados sete estudos abordando o tema. Desses estudos, cinco versavam na área de
conhecimento de enfermagem, um na de educação e um na de enfermagem em/de saúde
pública; sendo que todas eram estudos de mestrado acadêmico.
Outro estudo é o de Rodrigues, et al. (2012) que fez uma revisão integrativa na qual
buscou identificar a partir de publicações científicas, como tem se dado a formação
pedagógica de enfermeiros docentes de cursos Técnicos em Enfermagem, no qual foram
analisados 8 artigos, que tinham como principais temas: o enfermeiro professor e seu processo
de formação, condições de trabalho e práticas pedagógicas e o processo de ensino-
aprendizagem.
Estes estudos demonstram que mesmo que as pesquisas ressaltem a relevância e
importância de estudos sobre a temática, ainda apresentam-se com uma amostra pequena, o
que corrobora com a importância da abordagem a esse tema.
Minha aproximação com o tema Educação profissional técnica de nível médio em
enfermagem através da participação em um projeto de pesquisa do Programa de Pesquisa para
o SUS: Gestão compartilhada em Saúde – PPSUS- BA, uma parceria entre a IES que trabalho
e IES pública. Bem como com a participação no Grupo de Estudos e Pesquisas sobre
Educação, Ética e Exercício em enfermagem e posteriormente, no Grupo de Estudos e
Pesquisa em administração dos serviços de enfermagem-GEPASE. Durante as reuniões do
grupo percebi que minha vivência profissional na área assistencial era importante, todavia era
necessário que envidasse esforços no sentido de buscar aprofundamento teórico e científico
nesta temática.
Assim, este estudo integra um projeto guarda-chuva denominado Avaliação da
formação técnica de nível médio em enfermagem desenvolvida pela Escola de Formação
Técnica de Saúde Prof. Jorge Novis, aprovado pelo edital FAPESB 030/2013- Programa de
Pesquisa para o SUS: Gestão compartilhada em Saúde – PPSUS- BA que é uma parceria entre
a FAPESB, Ministério da Saúde, CNPq e SESAB e PRODOC/UFBA.
18

Na Bahia, o Plano Estadual de Saúde 2012-2015 apontou que 94,7% de todos os


profissionais de enfermagem estão vinculados ao Sistema Único de Saúde (BAHIA, 2012).
Fica evidente, portanto, a importância desses profissionais, tendo em vista o seu quantitativo e
o impacto da sua atuação no SUS, já que estes profissionais são os que efetivamente
desenvolvem o cuidar no atual modelo de organização de prestação de cuidados em saúde.
Neste contexto, não existem estudos que apontem o panorama da educação
profissional técnica de nível médio em enfermagem no município de Salvador e sua relação
com as condições de saúde da população e do sistema de serviços de saúde nessa região.
Face ao exposto questiono: Qual o perfil dos docentes da educação profissional técnica
de nível médio em enfermagem?
E como objeto de estudo: perfil dos docentes da educação profissional técnica de nível
médio em enfermagem.
Nessa perspectiva, o estudo apresenta como Objetivo Geral:
- Descrever o perfil dos docentes da educação profissional técnica de nível médio em
enfermagem.
Para tanto, foram propostos como Objetivos Específicos:
- Mapear a oferta da educação profissional técnica de nível médio em enfermagem na
Bahia; dando subsídio na escolha da escola do estudo.
- Identificar os docentes da educação profissional técnica de nível médio em
enfermagem.
- Caracterizar os docentes da educação profissional técnica de nível médio em
enfermagem nas variáveis: idade, sexo, escolaridade, profissão, tempo de formado;
habilitação, especialização, programa de mestrado/doutorado ou licenciatura em enfermagem;
métodos para formação permanente; tempo de exercício profissional, quantitativo de
empregos, tipo de instituição que trabalha, tempo de docência, a docência por ordem de
importância, tempo de docência na escola do estudo, vínculo empregatício, carga horária de
trabalho na escola, função exercida, atuação em mais de uma instituição de ensino.
Considerando a inserção da Escola desta pesquisa nos municípios do Estado da Bahia
e os princípios da formação de recursos humanos voltados para o SUS, torna-se importante os
objetivos desta pesquisa para conhecer aos docentes que participam desta formação de
trabalhadores e da capacitação pedagógica de docentes, interferindo nas ações e nos serviços
de saúde.
19

2 ASPECTOS HISTÓRICO-LEGAIS DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL TÉCNICA


DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM

Este capítulo resgata as origens da formação profissional técnica de nível médio em


enfermagem, correlacionando-as aos diferentes momentos políticos e de formação de recursos
humanos para a saúde e para o Sistema Único de Saúde.
Nas primeiras décadas do século XIX, o setor saúde foi utilizado como espaço para
assegurar o emprego de grande parte de trabalhadores sem qualquer capacitação,
principalmente porque inexistia legislação específica que regulamentasse o exercício da
atividade de enfermagem (Souza, 2005).
Nascida durante a consolidação do capitalismo, a enfermagem moderna reconhece a
utilidade social e insere no seu processo de trabalho a repartição de tarefas. Assim,
caracterizando a divisão social do trabalho, apresenta dois estratos sociais distintos: as ladies,
a quem cabia o pensar e os postos de comando, e as nurses, responsáveis pelo trabalho
manual (Pereira, Ramos, 2006).
Por vezes, o exercício da enfermagem assumiu um caráter assistencialista, na medida
em que sua profissionalização ocorreu motivada por movimentos de expansão dos hospitais
no Brasil, marcados por necessidade de formação profissional especializada.
Para atender a essa demanda, investiu-se na criação, em caráter emergencial, do curso
de auxiliar em enfermagem na década de 1940, com o intuito de suprir a falta de pessoal
qualificado na área, o número insuficiente de enfermeiras e amenizar as dificuldades geradas
por seu longo processo de formação. Neste contexto, o ensino profissional, em larga escala
nos cursos regulares, surgiu como uma alternativa para solucionar tais problemas (Lima,
Appolinário, 2011; Souza, 2005).
Sob a perspectiva educacional, a formação técnica de nível médio em enfermagem
deparou-se com alguns dilemas, dentre eles: ampla demanda em relação à oferta de cursos e
corpo docente composto, em sua maioria, por enfermeiras graduadas em escolas religiosas,
com divisão técnica e social do trabalho entre o saber e o fazer.
No Brasil, a formação profissional na área tem sido historicamente motivo de
preocupação em virtude, sobretudo, de uma questão mais abrangente: a formação profissional
na área da saúde (Dantas,Aguilar, 1999).
Nos anos 2000, o estudo desta temática encontra relevância, principalmente por ter
ressonância na formação de recursos humanos em saúde e políticas de educação profissional
20

promovidas pelo governo federal.


A educação dos trabalhadores de nível médio na saúde e em enfermagem foi marcada
por projetos contraditórios e conflitantes e, historicamente, esteve conceituada como
subeducação, reservada às classes menos favorecidas (SANTOS, L., 2005).
A Educação profissional de nível médio em enfermagem está envolvida e impregnada
por todas as influências do seu processo histórico e social, perdurando a sua identidade como
fábrica de mão de obra barata vinculada às classes menos favorecidas para atender ao
mercado capitalista. Ressalta- se que o ensino médio, ao qual o técnico se insere, é um dos
níveis mais difíceis de lidar no que se refere à sua concepção, estrutura e organização, por
conta da sua natureza de mediação entre a educação fundamental e a formação profissional
(BAGNATO, 2007).
Levando-se em consideração, também, as questões políticas que ao longo do tempo
influenciou na definição do sistema educativo nas perspectivas econômica, social e ideológica
nos períodos históricos (BAGNATO, 2007).
A primeira escola de enfermagem foi fundada em 1926 com a chegada de enfermeiras
estrangeiras ao país e estava ligada ao Departamento Nacional de Saúde Pública. A Escola
Ana Neri desenvolvia o curso de enfermagem com duração de dois anos e quatro meses, na
terceira turma passou há 36 meses. Com o decreto nº 20109/31 regulamentou-se a prática de
enfermagem no Brasil e fixou condições para a equiparação das escolas de enfermagem à
Escola Ana Neri, a qual foi estabelecida como escola oficial padrão para o ensino de
enfermagem (BASSINELO, 2002).
Santos, L. (2005) e Batalha (2005) trazem que o primeiro curso de auxiliar de
Enfermagem no País foi criado em 1936 por Laís Netto dos Reis com divergências na
literatura a respeito do local.
Vale ressaltar que a 1ª Constituição Brasileira, de 1937, já continha referência à
manutenção de escolas vocacionais e pré-vocacionais como um dever do Estado para com as
classes menos favorecidas. A estruturação do setor educacional teve como pano de fundo os
interesses das classes dominantes de aumentar a produção, reverberando no projeto político
ideológico no sistema educacional, na divisão socioeconômica do trabalho (LIMA;
APPOLINÁRIO, 2011; SANTOS, L., 2005).
Para atender a essa demanda, investiu-se na criação, em caráter emergencial, do curso
de auxiliar em enfermagem, na década de 1940, com o intuito de suprir a falta de pessoal
qualificado na área, o número insuficiente de enfermeiras e amenizar as dificuldades geradas
21

por seu longo processo de formação. Neste contexto, o ensino profissional, em larga escala
nos cursos regulares, surgiu como uma alternativa para solucionar tais problemas (LIMA,
APPOLINÁRIO, 2011; SOUZA, L., 2005).
Com o surgimento de hospitais-escola, houve necessidade de contratar profissionais
especializados para auxiliar nos procedimentos médicos, visto que as enfermeiras eram
responsáveis, fundamentalmente, pelas atividades de natureza administrativa. Até então,
exigia-se dos interessados apenas o ensino fundamental (DANTAS; AGUILAR, 1999).
Após a criação dos hospitais-escola, da evolução tecnológica e das descobertas no
processo saúde-doença, as instituições passaram a requerer profissionais mais bem
preparados, melhor qualificados e com adequada habilidade técnica e manual, dando origem à
educação profissionalizante em enfermagem (CARVALHO,1976).
A inserção de auxiliares de enfermagem ocorreu motivada pela necessidade de
mercado, demanda por mão de obra pelos donos de hospitais, atendendo aos princípios de
economia. Percebeu-se a divisão do processo de trabalho, nas bases do modelo capitalista,
focada na exploração da força das classes menos favorecidas, com baixa remuneração,
voltada à economia de escala, com divisão entre o pensar e o fazer, o que resultou na
mecanização dos atos em saúde.
Após o Decreto n° 8.772, criou-se a carreira de auxiliar em enfermagem, regida pelo
Ministério da Educação e Saúde. Os cursos expandiram-se, com a função principal de
“auxiliar o enfermeiro em suas atividades de assistência curativa”, sendo um marco que
oficializou a divisão do processo do trabalho em enfermagem e estabeleceu condições
mínimas para o preparo de enfermeiros e auxiliares (SANTOS, L., 2005).
A regulamentação do exercício profissional da enfermagem e das funções auxiliares
no território nacional, pela Lei nº 2604/55, posteriormente regulamentada pelo Decreto nº
50.387/61 (ROMANELLI, 1985)
Os primeiros cursos técnicos foram criados em 1966, nas escolas de enfermagem Ana
Néri e Luiza de Marillac, ambas no Rio de Janeiro (LIMA; APOLINÁRIO 2011). Após a Lei
nº 5.692, de 1971, que fixou as Diretrizes e Bases para o ensino de 1º e 2º graus, e a proposta
de obrigatoriedade de profissionalização, o Curso Técnico de Enfermagem passou a integrar o
sistema educacional brasileiro como nível de 2º grau.
Entre as leis adotadas pelo regime militar, no que diz respeito à política educacional,
destacam-se a Lei 5.540/68, que instituiu a organização e o funcionamento do ensino superior,
22

e a Lei n° 5692/71, que instituiu o ensino profissionalizante compulsório no 2° Grau, com


base na chamada qualificação para o trabalho (PEREIRA; RAMOS, 2006).
Neste período, houve uma profunda reforma da educação básica, a qual configurou
uma tentativa de estruturar a educação de nível médio como sendo profissionalizante. Essa lei
introduziu modificações na estrutura do ensino, entre elas a pretenciosa eliminação do
dualismo existente entre escola secundária e técnica, originando-se uma escola única, de 1º e
2º graus, voltada para a educação básica e capacitação para o mercado de trabalho.
Nos anos 70, houve acentuada valorização da mão de obra formada nas escolas
técnicas federais, principalmente nas áreas voltadas à indústria e, particularmente na
enfermagem, o ano de 1973 foi marcado pela fundação do Conselho Federal de Enfermagem,
pela Lei nº 5.905.
A partir da segunda metade da década de 70, a sociedade civil brasileira começou a se
organizar, após a penosa vivência do golpe militar, refletindo nas questões educacionais na
década de 80 pelo Projeto de Formação em Larga Escala, fortemente influenciado pelo
movimento da Reforma Sanitária e outros movimentos sociais.
De cooperação interinstitucional entre o MEC, MS, Ministério da Previdência e
Assistência Social e Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), o projeto objetivou
formar profissionais de nível médio e fundamental, inseridos nos serviços de saúde, com
proposta de melhoria da formação profissional de trabalhadores de nível médio e fundamental
da saúde (PEREIRA; RAMOS, 2006).
Apesar da qualificação de um grande contingente, houve muitas críticas aos
treinamentos oferecidos pelas próprias instituições empregadoras, pautadas em inadequação e
inexistência metodológica, pouca ou nenhuma preocupação com o desenvolvimento
intelectual e de formas mais conscientes ou menos mecanizadas de atuação nos serviços.
Ressalta-se que as funções legais dessa categoria profissional somente foram definidas
vinte anos após a criação do curso técnico de enfermagem, em 1986, pela Lei nº 7.498,
regulamentada pelo Decreto nº 94.406, de 1987, sobre o exercício profissional da enfermagem
(SANTOS, L., 2005).
Esse decreto determinava que, em território nacional, somente poderiam exercer as
atividades legais pertinentes à enfermagem o enfermeiro, o técnico, o auxiliar de enfermagem
e a parteira, tendo sido estipulado o prazo de dez anos para que fosse regularizada a situação
dos profissionais que não possuíam a formação exigida, mediante sua qualificação como
auxiliares de enfermagem.
23

Na criação da Lei do Exercício Profissional da Enfermagem, houve uma omissão ao


cargo de atendente de enfermagem e, consequentemente, tal denominação foi extinta,
deixando, portanto, de fazer parte do quadro de profissionais as pessoas sem formação
mínima (DELLAFINA, 2011). Nota-se, a partir de então, maior valorização da
profissionalização dos trabalhadores de nível médio na área de enfermagem (BASSINELLO;
SILVA, 2005).
No caso do ensino superior, a política de privatização foi clara e sistemática e, na
educação profissional, houve uma reestruturação produtiva, principalmente no que tange às
escolas técnicas federais, fortemente criticadas por serem consideradas de alto custo e
elitistas.
Houve a necessidade de reestruturar o ensino de 2º grau e a educação profissional,
aspectos que vieram a ser abordados no Projeto de Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional nº 9.394, de 1996. A mencionada LDB, no capítulo dedicado à educação
profissional, gerou importantes mudanças na estrutura dos cursos profissionalizantes de
enfermagem, entre elas a separação da educação profissional do ensino médio (BAGNATO,
et al., 2007).
Segundo Lima e Apolinário (2011), esta lei normatizou a educação profissional,
desvinculando-a da formação geral acadêmica. A preparação para o exercício de profissões
técnicas poderia ocorrer no nível do ensino médio, após concluída a formação geral do
educando.
Em 1997, destacou-se o Decreto-Lei nº 2.208, que regulamentou a nova lei de cursos
profissionais técnicos de nível médio, sinalizando para necessidade de realização de estudos
para identificação do perfil de competências necessárias, em cada nível profissional, ouvindo
setores interessados, trabalhadores e empregadores. Essa regulamentação trouxe a
oportunidade do trabalhador brasileiro aprender a exercitar sua cidadania, fazendo-se presente
nos momentos de discussões sobre esses perfis de competências (DANTAS; AGUILAR,
1999).
Em 1999, o Parecer CNE/CNB nº 16/99 tratou das Diretrizes Curriculares Nacionais
para a Educação Profissional de nível técnico. Nele, duas indicações do Aviso Ministerial n.º
382/98 foram consideradas premissas básicas: as diretrizes deveriam possibilitar a definição
de metodologias de elaboração de currículos com base em competências profissionais gerais
do técnico por área; e cada instituição deveria ter autonomia para elaborar seu currículo pleno,
de modo a considerar as peculiaridades do desenvolvimento tecnológico com flexibilidade, e
24

a atender às demandas do cidadão, do mercado de trabalho e da sociedade (BRASIL, 1999).


Entre as principais distorções das políticas educacionais que o governo pretendia corrigir,
estavam a revogação do Decreto n° 2.208/97 e o redirecionamento do Programa de Expansão
da Educação Profissional (PROEP) dos setores privados e comunitários para os segmentos
públicos. Ao invés disso, propôs a concessão de bolsas e outros programas como Projovem e
programa escola Fábrica, caracterizados pela falta de integração com outras políticas, tais
como a inserção profissional e a melhoria de renda das famílias (PEREIRA; RAMOS, 2006).
Esses cursos multiplicaram-se significativamente com a instituição do Plano Nacional
de Formação Profissional (PLANFOR) e, para a saúde, o Programa de Profissionalização dos
Auxiliares de Enfermagem (PROFAE) que, apesar de ter se iniciado por meio de parcerias
com características civis-democráticas, adquiriu marcas economicistas, influenciadas pelo
Estado neoliberal, e teve como objetivo profissionalizar trabalhadores da saúde, desprovidos
de necessária qualificação e escolarização, contribuindo para difusão de uma das principais
referências para os currículos da educação profissional (PEREIRA; RAMOS, 2006).
No Decreto nº 5.154/2004 consta novas orientações para a organização da educação
profissional de modo a integrar e articular educação profissional técnica de nível médio e
ensino médio. Para tanto, apresentou três alternativas de organização: integrada (oferecida
somente a quem já tivesse concluído o ensino fundamental, sendo o curso planejado de
maneira a conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível médio, na mesma
instituição de ensino, havendo, portanto, matrícula única para cada estudante); concomitante
(oferecida somente àqueles que já tivessem concluído o ensino fundamental ou cursassem o
ensino médio, e com matrículas distintas para cada curso); e subsequente (oferecida somente a
quem já tivesse concluído o ensino médio) (BRASIL, 2004).
A partir de 2005, observou-se a fragilização do ensino profissional em enfermagem,
por um lado em virtude da forte ênfase do mercado educacional no ensino superior em
enfermagem.
Em 2008, a Lei Nº 11.741, de 16 de julho de 2008, alterou dispositivos da Lei nº
9.394/96, que estabelecia as diretrizes e bases da educação nacional, a fim de redimensionar,
institucionalizar e integrar as ações da educação profissional técnica de nível médio, da
educação de jovens e adultos e da educação profissional e tecnológica (BRASIL, 2008b).
Dessa forma, a educação profissional e tecnológica integrou-se aos diferentes níveis e
modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia. Os cursos de
educação profissional e tecnológica passaram a ser organizados por eixos tecnológicos,
25

possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos, desde que observadas as


normas do respectivo sistema e nível de ensino.
Em 2008, a Resolução do Conselho Nacional de Educação e Câmara de Educação
Básica (CNE/CEB), nº 3, dispôs sobre a instituição e implantação do Catálogo Nacional de
Cursos Técnicos de Nível Médio, definindo a carga horária mínima, descrição do curso, temas
a serem abordados, possibilidades de atuação profissional e infraestrutura recomendada para a
implantação. Esses cursos deveriam ser organizados por eixos tecnológicos, com projeto
pedagógico que contemplasse as trajetórias dos itinerários formativos, estabelecendo
exigências profissionais de forma a direcionar a ação educativa das instituições e dos sistemas
de ensino para a oferta da educação profissional técnica (BRASIL, 2008a).
Em 2012, por meio da Resolução CNE/CEB nº 4, alterou-se a Resolução CNE/CEB nº
3/2008, definindo a nova versão do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos de Nível Médio
(BRASIL, 2012a).
Em 2009, vigorou a Resolução CNE/CEB nº 3, que dispôs sobre a instituição Sistema
Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica (SISTEC), em substituição
ao Cadastro Nacional de Cursos Técnicos de Nível Médio (CNCT), definido pela Resolução
CNE/CEB nº 4/99. O cadastramento no SISTEC de dados das escolas, de seus cursos técnicos
de nível médio e de alunos matriculados e concluintes é uma das condições essenciais para
garantir a validade nacional dos diplomas expedidos e registrados na própria instituição de
Educação Profissional e Tecnológica (BRASIL, 2009).
No ano de 2011, destacou-se a criação, pelo governo Federal, do Programa Nacional
de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC), com objetivo de ampliar a oferta de
cursos de educação profissional e tecnológica (O QUE É O PRONATEC..., 2014)
Em 2012, a Resolução CNE/CEB nº 6 definiu as Diretrizes Curriculares Nacionais
para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio, articulando princípios e critérios a
serem observados pelos sistemas de ensino e pelas instituições de ensino públicas e privadas,
na organização e no planejamento, desenvolvimento e avaliação da educação profissional
técnica de nível médio, inclusive fazendo uso da certificação profissional de cursos (BRASIL,
2012b).
No ano de 2014 foi aprovado o Plano Nacional de Educação (PNE), com vigência de
dez anos, tendo como suas principais diretrizes a erradicação do analfabetismo,
universalização do atendimento escolar, superação das desigualdades educacionais, melhoria
da qualidade da educação e formação para o trabalho e para a cidadania (BRASIL, 2014a).
26

Trazendo como uma de suas metas, especificamente a meta 11, triplicar as matrículas da
educação profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta e pelo menos
50% (cinquenta por cento) da expansão no segmento público (BRASIL, 2014b).
A Lei nº 13.005, de 25 junho de 2014, que aprovou o Plano Nacional de Educação
(PNE) e instituiu, como uma das metas, aumentar em três vezes as matrículas da educação
profissional técnica de nível médio, além de garantir a qualidade da oferta e pelo menos 50%
(cinquenta por cento) da expansão no segmento público (BRASIL, 2014a).
A perspectiva de vencer desafios constitui uma tarefa árdua, visto que as dificuldades
encontradas também estão integralmente relacionadas ao contexto histórico e social no qual
os indivíduos estão inseridos.
A formação profissional de nível médio em enfermagem sempre foi discutida ao longo
da sua história entre seus diversos órgãos de classe sem, no entanto, ser possível chegar a um
consenso sobre meios de estimular sua expansão e incentivar a latente necessidade do
mercado por profissionais adequadamente qualificados.
É necessário que as legislações educacionais estejam fundamentadas e articuladas com
as políticas públicas vigentes para a saúde, contemplando, sobretudo, a integralidade da
assistência e que também possam reformular currículos mínimos profissionalizantes.
27

3 DOCÊNCIA DA EDUCAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM

A enfermagem abrange o cuidar, gerenciar, pesquisar e o educar, portanto, a formação


de recursos humanos constitui-se em uma das atividades de grande responsabilidade do
enfermeiro, porque envolve a capacitação dos profissionais técnicos de nível médio em
enfermagem que implica diretamente no cuidado ao ser humano (LIMA; APOLINÁRIO,
2011).
Corrobora Santos, L. (2005) quando traz que o enfermeiro é responsável em
proporcionar um ensino de qualidade na formação do profissional técnico de nível médio em
enfermagem motivando e estimulando o processo de ensino-aprendizagem.
O estudo de Frozoni e Souza (2013) diz que para entender a formação dos auxiliares e
técnicos em enfermagem é importante conhecer o perfil dos enfermeiros-docentes: qual sua
formação pedagógica, suas condições de trabalho e saber se eles têm conhecimentos técnicos
e pedagógicos para que possam atuar na formação de profissionais.
A Educação profissional sofre mudanças ao longo do tempo por determinantes do
contexto da saúde, constata-se essa afirmação a partir de pesquisas que retratam os poucos
avanços no que diz respeito à autonomia, à criatividade e à colaboração entre os profissionais
de enfermagem no campo prático; evidenciando-se que os cursos continuam com currículo
tradicional.
O desenvolvimento de proposta de formação de recursos humanos para o sistema de
saúde é pouco ousada ao conceber novos projetos pedagógicos para a formação técnica. Bem
como, uma efetiva proposta de mudança na formação dos formadores deste nível de
qualificação. Superar os modelos dicotomizados entre a teoria e a pratica, ou a promoção de
uma ativa integração curricular que integre e rompa os muros da sala de aula são desafios
necessários.
É necessário resgatar que na década de 80, o Projeto Larga Escala trouxe uma nova
forma de fazer as práticas pedagógicas, para transformar o agir profissional e por isso investiu
na qualificação dos enfermeiros docentes (BASSINELLO, 2002).
O Ministério da Saúde, desta maneira, por meio do Projeto de Profissionalização dos
Trabalhadores da Área de Enfermagem (PROFAE), realizou o Curso de Formação
Pedagógica em Educação Profissional na Área de Saúde: Enfermagem, com o objetivo de
capacitar os enfermeiros que já atuavam na docência da educação profissionalizante sem
formação pedagógica condizente com as atuais diretrizes da educação nacional.
28

A formação do professor enfermeiro do curso oferecido pelo PROFAE (MS, 2003,


p.68) foi pautada na intencionalidade de uma proposta pedagógica que considera, de forma
articulada, o desenvolvimento das seguintes competências: técnica, metódica, comunicativa e
sócio-política.
Entendo que a educação profissionalizante no Brasil, com formação por competências,
requer uma mudança de atitude do docente em relação com a sua prática profissional, sendo
necessária uma formação condizente com a prática reflexiva, adaptando a sua experiência
docente aos objetivos a serem alcançados, utilizando recursos didático-pedagógicos que
facilitem o desenvolvimento de competências para o aluno.
Para Perrenoud (2002, p.4), o professor reflexivo reexamina constantemente seus
objetivos, seus procedimentos, suas evidências e seus saberes, busca compreender seus
fracassos, define novos procedimentos para situações semelhantes, diversificando a própria
prática. Considero que o curso realizado pelo PROFAE, já citado, representou uma importante
conquista para o ensino profissionalizante da Enfermagem, formando profissionais críticos e
reflexivos, articulando saúde e educação, para atuar na docência com competências adequadas
que a educação profissional exige.
Neste contexto corroboramos com Santos, I. (2007) que o PROFAE foi importante
para a formação pedagógica dos enfermeiros no nível de especialização, desenvolveu-se mais
de 12.000 docentes-enfermeiros. Foi uma ação efetiva no fortalecimento as instituições
formadoras e, concomitantemente, aos profissionais formados. É imperativo destacar que
nesse processo de formação envidaram-se esforços para a utilização metodologias que
problematizassem a prática, bem como, indica-se a urgente necessidade de que a
problematização esteja ativa nas metodologias nos cursos de graduação em Enfermagem, o
que poderá ajudar a melhorar a qualidade da enfermagem brasileira.
Tem o contexto apresentado merece destaque alguns pontos da legislação nos aspectos
da educação técnica tal como indica a Resolução CNE/CBE Nº 6, de 20 de setembro de 2012,
que define Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível
Médio, destaca-se o Art. 40 que a formação inicial para a docência na Educação Profissional
Técnica de Nível Médio realiza-se em cursos de graduação e programas de licenciatura ou
outras formas, em consonância com a legislação e com normas específicas definidas pelo
Conselho Nacional de Educação (BRASIL, 2012b).
29

Além disso, no § 2º dessa mesma resolução diz que aos professores graduados, não
licenciados, em efetivo exercício na profissão docente ou aprovados em concurso público, é
assegurado o direito de participar ou ter reconhecidos seus saberes profissionais em processos
destinados à formação pedagógica ou à certificação da experiência docente, podendo ser
considerado equivalente às licenciaturas.
O docente para atender a essas diretrizes deve comprometer-se com a sua atuação no
processo ensino-aprendizagem e também em sua capacitação permanente. Porém, essa
resolução deixa uma brecha no sentido da necessidade de formação pedagógica inicial para
exercer sua prática docente, permitindo que os docentes graduados continuem exercendo sua
função sem a devida formação e terão até 2020 para cumprimento das exigências de formação
pedagógica.
A formação inicial e permanente desse professor é de extrema importância na prática
docente por permitir que esse professor reflita e adquira conhecimento para o processo de
ensino-aprendizagem, principalmente conseguindo planejar de maneira efetiva a sua prática
para alcance dos objetivos.
A formação do enfermeiro para a docência na educação profissionalizante deve ser um
processo contínuo porque, além da necessidade de informações sobre as mudanças ocorridas
no mundo do trabalho da Enfermagem, a educação profissionalizante também passa por
transformações em seus princípios pedagógicos, recomendando didáticas adequadas que
propiciem ao aluno o desenvolvimento de competências indispensáveis à sua futura prática
profissional.
Em outras palavras, é possível concluir que a formação inicial nos cursos de graduação
em enfermagem, aqui focalizados, apresentam deficiências quando se trata de formar
profissionais com vistas ao desempenho da atividade docente, uma vez que ela se pauta por
modelos de formação norteados pelo modelo tecnicista, hospitalocêntrico, que contrariam as
diretrizes atuais que privilegiam um enfoque mais centrado na saúde coletiva, decorrente das
estratégias de saúde pública governamentais.
A partir dos resultados encontrados com esta pesquisa, evidenciou-se uma
despreocupação do profissional que atua nessa área frente a sua formação e competência para
o ensino. Isso porque são poucos os profissionais do ensino técnico que reciclam seus
conhecimentos, que se especializam na educação e que buscam nas pesquisas científicas uma
forma de melhorar e atualizar sua prática profissional.
30

Conclui-se que são muitos os trabalhos que abordam o ensino médio em enfermagem,
porém são escassos os estudos que tratam essencialmente do enfermeiro em atividade docente
do ensino profissionalizante. O desenvolvimento de estudos sobre esse tema visa a contribuir
na capacitação e educação continuada dos profissionais que atuam nessa área, além de
mostrar as mudanças da educação, avaliação de seu trabalho frente ao que se encontra em
evidência enquanto didática e pedagogia. Sugere-se que os enfermeiros docentes do ensino
profissionalizante desenvolvam mais pesquisas sobre o mundo do trabalho na educação e
desempenho de suas funções, para contribuir com o ensino e incentivar os próprios
profissionais no que tange às produções científicas.
Este estudo visou, portanto, descrever o perfil dos docentes da educação profissional
técnica de nível médio em enfermagem para que se reflita sobre as questões, como a formação
desses docentes. Além disso, é importante entender, se os docentes possuem formação
pedagógica e consegue-se estar exclusivamente dedicados à docência para tentar pensar em
gerar estímulo e motivação para que esses docentes queiram e/ou continuem na docência. Os
estudos relativos a essa temática fazem com que as instituições formadoras reflitam sobre o
investimento na formação desses profissionais.
31

4 METODOLOGIA

Serão descritas a seguir as etapas metodológicas da pesquisa que são: o tipo, o local e
os participantes do estudo; os procedimentos éticos; coleta e análise dos dados.

4.1 TIPO DE ESTUDO

Trata-se de um estudo descritivo com abordagem quantitativa.


Segundo Prodanov e Freitas (2013), a pesquisa quantitativa leva em consideração que
tudo pode ser quantificável, traduzidos em números para classificá-los e analisá-los, para
tanto requer o uso de recursos e de técnicas estatísticas.
A pesquisa descritiva envolve o uso de técnicas padronizadas de coleta de dados com
questionário e observação sistemática que visam descrever as características de determinada
população ou fenômeno, ou o estabelecimento de relações entre variáveis (KAUARK;
MANHÃES; MEDEIROS, 2010).
Ao optar por este tipo de pesquisa, pode-se traçar o perfil dos docentes da escola em
questão na medida em que a educação profissional técnica de nível médio em enfermagem
constitui-se ao longo da sua história em um foco na formação de profissionais do SUS e para
o SUS. Permitindo conhecer um dos atores nesse processo de ensino-aprendizagem que é o
docente.

4.2 LOCAL DO ESTUDO

A pesquisa foi realizada em uma escola de formação técnica em saúde vinculada à


Secretaria de Saúde do Estado da Bahia que desenvolve educação profissional técnica de nível
médio em enfermagem. Criada em novembro de 1994 pela Lei n.º 6.660/94 e inaugurada em
agosto de 1996, autorizada para desenvolver cursos pela Portaria nº 3.983/97 SEC-BA,
localizada no município de Salvador, vinculada à Secretaria Estadual de Saúde e a
Superintendência de Recursos Humanos/SUPERH, é uma escola técnica do estado da Bahia
que atua na educação profissional em saúde, oferecendo cursos de nível médio para a
qualificação dos trabalhadores do SUS e capacitações pedagógicas de professores, sendo eles:
Técnico em Enfermagem, Técnico em Saúde Bucal, Agente Comunitário de Saúde,
Vigilância Sanitária e Ambiental, Técnico Laboratorial, Materno-Infantil e Formação de
32

Formadores. Além disso, ordena o processo de formação do pessoal de nível médio do


Sistema Único de Saúde (SUS) e para o SUS, incluindo: o planejamento da formação desse
pessoal; a regulação da formação realizada pelas diversas escolas e cursos técnicos em saúde
no Estado e a realização de cursos de formação técnica em áreas estratégicas para a melhoria
da qualidade das ações e serviços de saúde (EDUCAÇÃO..., 2015).
Além dos cursos na sede de Salvador, essa escola também oferece turmas
descentralizadas em 417 municípios da Bahia. Seus princípios norteadores são a educação
como ação transformadora, o incentivo à cidadania, a integração ensino/serviço, o
compromisso com a melhoria da qualidade da atenção à saúde da população, a
descentralização e a garantia do acesso à profissionalização para todos os trabalhadores da
saúde (ESCOLA..., 2014).
Esta escola tem como opção o currículo integrado e a metodologia da
problematização, contribuindo para a aprendizagem significativa dos seus alunos
trabalhadores, adultos, com escolaridade heterogênea e com experiência prática. Com uma
vasta trajetória na formação profissional de nível médio, constitui-se uma referência estadual
e nacional, integrando-se à Rede de Escolas Técnicas do SUS (RET-SUS).

4.3 PARTICIPANTES DO ESTUDO

A aproximação e identificação das docentes se deram a partir de contato com a


Coordenação que disponibilizou duas listas que foram cruzadas e identificadas as docentes
que por ventura tivessem ministrado aula no período da pesquisa.
Participaram desta pesquisa 19 docentes de um universo de 25 profissionais que
constavam na lista.
O critério de inclusão foram as docentes que trabalhassem na sede da escola e
tivessem ministrado aula no período de 2002 a 2012.
Com relação aos critérios de exclusão, foram as docentes que estavam de licença
médica, ministraram aulas em cursos que não fossem cursos técnicos de enfermagem e/ou
fora do período estipulado pela pesquisa.
33

4.4 PROCEDIMENTOS ÉTICOS

O projeto guarda-chuva foi submetido à Plataforma Brasil, respeitando os aspectos


éticos com base na Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012 que aprova as diretrizes e
normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos (BRASIL, 2012c), foi
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem da Universidade
Federal da Bahia, sob Parecer de nº 841.446 e CAAE de nº 28091914.2.0000.5531. Como
esse estudo tem como objetivo geral um dos objetivos específicos do projeto guarda-chuva foi
utilizada a declaração de anuência e o parecer do comitê de ética (ANEXO A) do projeto
maior para desenvolvimento dessa pesquisa.
A declaração de anuência foi assinada pela instituição onde será realizada a pesquisa.
O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido-TCLE (APÊNDICE A) foram assinados
pelos participantes que concordaram em participar da pesquisa, garantindo aos participantes o
respeito aos princípios de autonomia, confidencialidade, equidade e justiça aos indivíduos da
pesquisa. Para posteriormente, proceder com a coleta de dados.

4.5 COLETA DE DADOS

4.5.1 Instrumento

A partir disso, procedeu-se a aplicação do instrumento (apêndice B) adaptado da


dissertação de Bassinelo (2002). O instrumento foi composto de 17 perguntas, dividas em
quatro blocos, que explicitavam: primeiro bloco: a caracterização dos docentes, formação e
educação permanente, atuação profissional e atuação docente. Essas variáveis visou conhecer
o perfil das docentes da escola em estudo que ministraram aula no período de 2002 a 2012.
As variáveis do estudo foram agrupadas da seguinte forma:
Parte 1- caracterização: idade, sexo e estado civil;
Parte 2- Formação e Educação permanente: formação na graduação, tempo de
formado; habilitação, especialização, programa de mestrado/doutorado ou licenciatura em
enfermagem; métodos para formação permanente;
Parte 3- Atuação profissional: tempo de exercício profissional, quantitativo de
empregos, tipo de estabelecimento que trabalha;
34

Parte 4- Atuação docente: tempo de docência, a docência por ordem de importância,


tempo de docência na escola do estudo, modalidade de contratação na escola, horas de
trabalho por semana na escola, função que exerce na escola, atuação em mais de uma
instituição de ensino.

4.5.2 Procedimentos de coleta de dados

Procedeu-se com a abordagem às docentes identificadas e foi feito o convite às


mesmas para participar do estudo com o esclarecimento das informações contidas no TCLE.
Após o aceite, foi aplicado o questionário que contém as variáveis que possibilitassem
a construção do perfil das docentes e atendesse ao objetivo proposto neste estudo.
A aplicação do questionário foi feita em loco, na escola, em vários dias e turnos, no
período de fevereiro a março de 2015, para possibilitar a abordagem do maior número
possível de docentes da escola. Após a anuência da Escola Estadual vinculada à Secretaria de
Saúde do Estado da Bahia que desenvolve educação profissional técnica de nível médio em
enfermagem e parecer do Comitê de ética, iniciou-se o processo de coleta. Após a
identificação, as docentes foram convidadas individualmente para participarem e responderem
o instrumento da pesquisa, respeitando a decisão das mesmas.
Fatores como disponibilidade das coordenações e das docentes foram imprescindíveis
para realização deste estudo. Entretanto, houve a necessidade de realizar a coleta dos dados
em curto espaço de tempo, pois a qualquer momento haveria a transferência de algumas
docentes da escola para um hospital da rede da Secretaria Estadual de Saúde da Bahia.

4.6 ANÁLISE DOS DADOS

Os dados coletados com cada docente através do questionário foram organizados


segundo número atribuído a cada participante e digitados no FormSUS para organização e
tabulação dos dados.
“O FormSUS é um serviço do DATASUS para a criação de formulários na WEB,
destinado ao uso do SUS e de órgãos públicos parceiros, para atividades de interesse público”
(FORMSUS, 2015). Coletar dados do seu público-alvo, armazenar de forma organizada, gerar
relatórios rapidamente e poder aproveitá-los em outros sistemas. Além de poder acessar esses
dados de qualquer lugar via Internet.
35

A descrição dos resultados foi utilizada a estatística descritiva com percentual simples
e apresentados através de tabelas de frequência com números absolutos e ou relativos de cada
uma das variáveis estudadas.
36

5 RESULTADOS

Os resultados deste estudo estão apresentados na forma de dois artigos que contemplaram os
objetivos propostos e atenderam as normas dos periódicos escolhidos. Estão dispostos da
seguinte forma:
Artigo I “Mapeamento da oferta de cursos técnicos de nível médio em enfermagem na Bahia”
que responde ao objetivo específico do estudo: Mapear a oferta da educação profissional
técnica de nível médio em enfermagem na Bahia; dando subsídio na escolha da escola do
estudo. Este manuscrito foi submetido à publicação na Revista Brasileira de Enfermagem
(REBEn) CAPES A2 para a área da enfermagem.
Artigo II- Perfil dos Docentes da Educação Profissional Técnica de Nível Médio em
Enfermagem. Este manuscrito será submetido à publicação no periódico Investigacion y
Educación en Enfermería CAPES B2 para a área da enfermagem.
37

5.1 ARTIGO I

Mapeamento da oferta de cursos técnicos de nível médio em enfermagem na Bahia


Offer mapping of mid-level technical courses in nursing of Bahia
Mapeo de la oferta de cursos técnicos de nivel medio en enfermería de Bahia

RESUMO
Objetivo: O estudo mapeou a oferta de cursos técnicos de nível médio em enfermagem na
Bahia. Método: Os dados foram coletados por meio do Sistema Nacional de Informações da
Educação Profissional e Tecnológica (SISTEC), utilizando instrumento contendo variáveis
que caracterizam as instituições. Resultados: Os dados foram apresentados considerando as
macrorregiões da Bahia, conforme o Plano Diretor de Regionalização da Secretaria da Saúde
do Estado. Dentre os 417 municípios, 70 ofertam 151 cursos técnicos de nível médio em
enfermagem. As macrorregiões Leste e Centro-Leste destacam-se com o maior número de
cursos e a cidade de Salvador possui maior oferta entre as cidades baianas. Conclusão: A
oferta de cursos está diretamente relacionada ao desenvolvimento socioeconômico da
macrorregião e concentra-se nos municípios-polo. A distribuição irregular dos cursos técnicos
de nível médio em enfermagem pode ocasionar concentração de mão-de-obra qualificada em
algumas regiões e carência de técnicos em enfermagem em outras áreas do estado.

Descritores: Técnicos de Enfermagem. Educação profissionalizante. Enfermagem.

ABSTRACT
Objective: This study mapped the provision of mid-level technical courses in nursing in
Bahia. Method: The data were collected through the National System of Information of
vocational and technology education (SISTEC) using instrument containing variables that
characterize the institutions. Results: The data were presented considering the macro-regions
of Bahia, according to the master plan of Regionalization of the Secretariat of health of the
State. Among the 417 counties, 70 offer 151 mid-level technical courses in nursing. The
macro-regions East and Central East stand out with the highest number of courses and the city
of Salvador has highest bidder among the cities from Bahia. Conclusion: The offer of courses
is directly related to the socio-economic development of the macro-region and focuses on
municipalities pole. The irregular distribution of mid-level technical courses in nursing can
lead to a concentration of skilled labour in some areas and lack of nursing technicians in other
areas of the State.

Key words: Licensed Practical Nurses. Education, Professional; Nursing.


38

RESUMEN
Objetivo: Este estudio asigna la provisión de cursos técnicos de nivel medio en enfermería en
Bahia. Método: Los datos fueron recolectados a través del sistema nacional de información
del profesional y la educación tecnológica (SISTEC) usando el instrumento que contiene
variables que caracterizan a las instituciones. Resultados: Los datos fueron presentados
teniendo en cuenta las macrorregiones de Bahia, según el plan de regionalización de la
Secretaría de salud del estado. Entre los condados de 417, 70 ofrecen 151 cursos técnicos de
nivel medio en enfermería. Destacan las macrorregiones Oriente y Oriente Central con el
mayor número de cursos y la ciudad de Salvador tiene mejor postor entre las ciudades de
Bahía. Conclusión: La oferta de cursos está directamente relacionada con el desarrollo socio-
económico de la región de macro y se centra en poste de municipios. La irregular distribución
de cursos técnicos de nivel medio en enfermería puede conducir a una concentración de mano
de obra calificada en algunas zonas y la falta de técnicos de enfermería en otras áreas del
estado.

Palabras clave: Enfermeros no Diplomados. Educación Profesional; Enfermería.


.
INTRODUÇÃO

A formação de profissionais de enfermagem no Brasil tem sido uma demanda social


inquestionável e de significativa importância, sobretudo se considerados o cenário de
construção da chamada sociedade do conhecimento e o acelerado e desordenado crescimento
de cursos e oferta de vagas nas instituições de ensino (nível médio e superior) e, ainda, as
mudanças que ocorrem no mundo do trabalho, com a introdução de novas tecnologias que
passam a exigir a formação de um trabalhador, mais qualificado, flexível, eficiente e
polivalente.
Essa demanda foi parcialmente contemplada pelas políticas públicas de educação,
contidas na Lei n° 9.394/96, a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional (LDB)(1) e pelos
Planos Nacionais da Educação (PNE) para o decênio 2001-2010(2) e 2014-2024(3),
principalmente no que tange oferta de no mínimo, 25% (vinte e cinco por cento) das
matrículas de educação de jovens e adultos, nos ensinos fundamental e médio, na forma
integrada à educação profissional e na proposição de triplicar as matrículas da educação
profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta e pelo menos 50%
(cinquenta por cento) da expansão no segmento público(3).
A LDB estabeleceu as diretrizes e bases da educação nacional e viabilizou uma
expressiva expansão de instituições de ensino (nível médio e superior), com consequente
aumento de vagas, além de ampliar e instituir mecanismos de acesso, organização acadêmica
39

e oferta de cursos. Todavia, vale destacar que essas medidas também contribuíram para
expansão desordenada de cursos e vagas, sem considerar as necessidades sociais em saúde e a
qualidade da formação, estimulando o processo expansionista privado.
Desta forma, as políticas voltadas para a educação e formação profissional de jovens e
adultos, são sustentadas pelas exigências da sociedade de conhecimento e a importância da
coesão social, subordinando-se às características e demandas do padrão de acumulação
flexível, que conferem particularidades à oferta de oportunidades educacionais aos
trabalhadores que permanecem vitimados pelas decorrências do processo de concentração de
riqueza(4).
Registra-se que o Decreto nº 5.154 de 23/7/2004, que regulamenta o parágrafo 2º do
Artigo 36 e os Artigos 39 a 41 da LDB, dispõe que a educação profissional seja desenvolvida
por meio de cursos e programas de formação inicial e continuada de trabalhadores, de
educação profissional técnica de nível médio e de educação profissional tecnológica de
graduação e de pós-graduação(1). Em seu artigo 87, a LDB estabeleceu o prazo de um ano, a
partir da sua publicação, para que fosse encaminhado ao Congresso Nacional o Plano
Nacional de Educação, com diretrizes e metas para os dez anos subsequentes, em sintonia
com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos.
A aprovação da LDB, em 1996, constituiu, portanto, um importante marco legal que
reestruturou a educação no Brasil, reformulando os diferentes níveis e modalidades da
educação superior (ensino noturno e a distância). No cumprimento dessa Lei, foi aprovado,
em 2001, o Plano Nacional da Educação (PNE) 2001-2010(2), que apresentou uma política de
Estado para esse decênio, centrada na expansão da educação como uma estratégia para o
desenvolvimento. Essa expansão apresenta-se como um resultado conjugado de fatores
demográficos, do aumento das exigências do mercado de trabalho e das políticas que levaram
ao maior número de matrículas e conclusões no ensino médio.
Por outro lado, ao mesmo tempo em que reestruturaram o modelo de educação e
abriram espaços para introdução de alternativas de ordem organizacional, curricular e de
autonomia no setor educacional, esses dois marcos legais (LDB e PNE) também viabilizaram
a ampliação quantitativa de instituições de ensino superior e médio, de cursos e de vagas,
cursos noturnos e a distância. A partir de então, o sistema educativo no Brasil passou a
apresentar grande crescimento de sua oferta, com abertura indiscriminada de novos cursos de
ensino superior e de ensino médio, sem controle, por exemplo, da necessidade e demandas
específicas de cada região, ocasionando uma desigualdade geográfica (desequilíbrio regional
40

e intrarregional) dessa oferta e, ainda, a privatização do sistema e a proliferação descontrolada


de cursos e instituições cada vez mais distantes de padrões mínimos de qualidade (5,6, 7, 8).
Na área da formação de recursos humanos em saúde, mais especificamente em
enfermagem, essa política se consubstancia a uma expansão acelerada do sistema por
intermédio do aumento da oferta de cursos, crescimento das matrículas no setor privado e da
racionalização de recursos nas instituições públicas de ensino. Essa realidade expansionista,
por sua vez, não explicita um direcionamento para a formação de sujeitos críticos e reflexivos
no atendimento à saúde integral do ser humano, tampouco para formação de competências e
habilidades profissionais de saúde/enfermagem, de forma a conhecer e intervir sobre os
problemas/situações de saúde/doença mais prevalentes no perfil epidemiológico nacional (9, 10,
11)
.
A educação profissional, no entanto, é historicamente demarcada pela divisão social
do trabalho, que na prática sempre justificou a existência de duas redes de ensino médio, uma
de educação geral, destinada a um pequeno grupo privilegiado, e outra profissional, para os
trabalhadores. A sua origem remonta à separação entre a propriedade dos meios de produção e
a propriedade do trabalho, ou seja, a lógica de que alguns pensam, planejam, e outros
executam (3).
No que se refere ao ensino técnico de nível médio, além da tendência expansionista
encorajada pela LDB e pelo PNE, surgiram alguns programas do governo para estimular a
ampliação de vagas e diversificação de cursos nas várias áreas do conhecimento. Assim, em
1995, foi lançado o Plano Nacional de Formação Profissional (PLANFOR) pelo Ministério do
Trabalho e, em 1997, o Programa de Expansão da Educação Profissional (PROEP), pelo
Ministério da Educação(12). Na área da saúde merecem destaque o Programa de
Profissionalização dos Auxiliares de Enfermagem (PROFAE) e a criação da Rede de Escolas
Técnicas do Sistema Único de Saúde (SUS), em 2000 (13).
A expansão de cursos técnicos de nível médio tornou-se, então, uma estratégia
revestida de esperanças para inclusão social de jovens que buscam seu emprego em áreas
ainda com muitas vagas. Essas expectativas, por sua vez, confundem as verdadeiras origens
dos problemas econômicos e prometem mais do que a educação pode proporcionar, desviando
a atenção de soluções orientadas para as causas dos reais problemas.
Essa política expansionista visa, prioritariamente, atender às exigências de mercado e
às pressões de grupos da sociedade civil por oportunidades de acesso da população à
educação e não para atender à necessidade de formação de profissionais qualificados para a
41

solução das desigualdades regionais. Esse movimento vem refletindo a lógica de


mercantilização da educação, que considera as necessidades e demandas do mercado (da
saúde e da educação) (7).
A complexidade do modelo federativo brasileiro, as lacunas de regulamentação das
normas de cooperação e a visão patrimonialista que ainda existe em muitos setores da gestão
pública tornam a tarefa do planejamento educacional bastante desafiadora. Planejar, nesse
contexto, implica assumir compromissos com o esforço contínuo de eliminação das
desigualdades que são históricas no Brasil(3).
A observação da realidade permite notar existência de grande oferta de cursos técnicos
de nível médio em enfermagem no Brasil, seguindo a tendência expansionista apresentada por
outros níveis de ensino.
Destaca-se que a criação de escolas para a formação dos profissionais de nível técnico
constitui uma preocupação no que se refere à educação dos profissionais da enfermagem, uma
vez que, vários pontos envolvem essa questão: qualidade da infraestrutura educacional das
escolas, distribuição geográfica e relação entre os setores público e privado (14).
Distorções ainda prevalecem no ensino de nível médio, em especial pelo fato do
ensino médio ficar como uma espécie de nó, no centro da contradição: é profissionalizante,
mas não é; é propedêutico, mas não é. Constitui, portanto, o problema nevrálgico das
reformas de ensino que revela em maior medida, o caráter de abertura ou de restrição do
sistema educacional de cada nação. Não existe clareza a respeito dos seus objetivos e métodos
e geralmente costuma ser o último nível de ensino a ser organizado(9). Ponto a salientar é que,
hoje, no Brasil, apesar de existirem escolas técnicas que buscam formar profissionais capazes
de compreender e de enfrentar as mudanças presentes e futuras, persiste um ensino de
concepção taylorista, que objetiva atender a necessidades pontuais e imediatas do mundo do
trabalho. Com isso, continua a existir uma miríade de cursos de atualização, reciclagem,
aperfeiçoamento, que servem para escamotear uma política de viés capitalista que prepara,
rapidamente e a baixo custo, o profissional necessário para “consumo imediato” (15)
A Bahia acompanha essa tendência nacional, sendo possível inferir que há uma
distribuição desigual de cursos e vagas entre as macrorregiões, gerando desequilíbrios
regionais na oferta de trabalhadores técnicos em enfermagem para os serviços de saúde.
Nesse sentido, a expansão dos sistemas escolares e a democratização de acesso estão
associadas a uma perspectiva otimista que assinala a passagem da escola das certezas para a
42

escola das promessas: uma promessa de desenvolvimento, uma promessa de mobilidade


social, uma promessa de mais igualdade e justiça social(16).
Atualmente, os profissionais de enfermagem de nível médio representam o maior
contingente de trabalhadores na área e, em alguns serviços, na saúde. Estudo publicado pelo
Conselho Federal de Enfermagem evidenciou que cerca de 80% da força de trabalho em
enfermagem no Brasil é composta por técnicos em enfermagem. Os enfermeiros representam
apenas 19,81% do total. Na Bahia, os profissionais de enfermagem de nível médio,
constituem 80,07% dos trabalhadores de enfermagem, acompanhando o panorama
nacional(17).
No Brasil, o técnico em enfermagem é um profissional com formação de nível médio,
regulado pela Lei nº 7.498/1986, e exerce atividades que envolvem a orientação e o
acompanhamento do trabalho de enfermagem em grau auxiliar, e participação no
planejamento da assistência(18).
Tendo em vista seu quantitativo e sua especificidade de atuação, são estes
profissionais que consolidam a base de uma pirâmide ocupacional e, desta maneira, os que
efetivamente desenvolvem o cuidar no atual modelo de organização de prestação de cuidados
em saúde. Sua formação segue o preconizado pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para o
Ensino Médio(19), as quais estabelecem os princípios, fundamentos e procedimentos para este
nível de ensino, articulando a educação ao mundo do trabalho e à prática social. A educação
profissional está organizada por áreas, cargas horárias e conteúdos mínimos, fixados por
habilidades e competências básicas, em cada área profissional.
No que se refere às habilitações na área de saúde, a carga horária mínima estabelecida
é de 1.200 horas, complementadas pelo estágio supervisionado, o que perfaz 50% da carga
horária mínima. As competências profissionais gerais do técnico da área de saúde, na qual se
inserem os técnicos em enfermagem, são listadas com base na caracterização da área e as
competências específicas de cada habilitação devem ser definidas pela instituição para
completar o currículo, em função do perfil profissional de conclusão desejado(19).
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), por meio de ações estratégicas do
Plano Estadual de Saúde (2012-2015), vem formulando e avaliando as diretrizes para a
formação técnica, visando ao ordenamento da formação de trabalhadores de nível médio para
o SUS(20) Entretanto, apesar da representatividade numérica e da importância dos
profissionais de enfermagem de nível médio no processo de trabalho em enfermagem e em
43

saúde, a formação e oferta de cursos para estes profissionais ainda são pouco estudadas,
sobretudo na Bahia.
O presente trabalho justifica-se pela carência de estudos que expressem a realidade da
formação dos profissionais técnicos de enfermagem no estado da Bahia, além de integrar a
pesquisa “Panorama da Educação em Enfermagem na Bahia”, apoiada pela Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), segundo Edital n.º 020/2013 e n.º
030/2013.
Frente a estas considerações, este estudo apresenta o mapeamento da oferta de cursos
técnicos de nível médio em enfermagem no estado da Bahia, cujos resultados irão constituir
um banco de dados de forma a subsidiar a elaboração de estudos que avancem no diagnóstico
para avaliação e proposição de estratégias promotoras da redução de fragilidades do processo
de formação dos profissionais.

MÉTODO

Pesquisa do tipo exploratória, descritiva e quantitativa. Optou-se pela pesquisa


exploratória por oferecer aos pesquisadores condições de ampliar o nível de conhecimento em
torno de determinado problema. Esse tipo de pesquisa é utilizado quando se busca investigar
uma realidade ainda pouco conhecida e explorada. Em relação à pesquisa descritiva, ela se
propõe a descrever com precisão fatos de uma determinada realidade(21).
Assim, o presente estudo tem como objetivo apresentar e analisar a atual oferta da
educação profissional técnica de nível médio em enfermagem na Bahia, tema pouco
explorado e conhecido.
Para a coleta de dados, foi elaborada uma matriz de análise contendo as seguintes
variáveis: nome da instituição, endereço, cidade, telefone e endereço eletrônico.
Os dados foram coletados no período de dezembro de 2013 a abril de 2014, por meio
do site do Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica
(SISTEC), cuja finalidade é cadastrar os dados das escolas e dos cursos técnicos de nível
(22)
médio. Este sistema está disponível gratuitamente para consulta pública na internet . Os
dados coletados foram, então, transferidos para uma planilha eletrônica elaborada no
Programa Microsoft Excel®.
Para análise, foram consideradas as nove macrorregiões da Bahia e suas regiões de
saúde, conforme o Plano Diretor de Regionalização (PDR) da SESAB(23).
44

Para apresentação dos dados foi utilizada a estatística descritiva por meio da análise
gráfica a partir do Sistema de Informação Geográfica Quantum(24) versão 1.7.4 (SIG- QGIS) e
construção de tabelas para melhor expressar a oferta de cursos técnicos de nível médio em
enfermagem no estado da Bahia.
O SIG-QGIS é um software de geoprocessamento, disponibilizado na rede mundial de
computadores, com distribuição gratuita, utilizado para georeferenciar imagens e realizar
vetorializações de diversos temas.
Por não se tratar de pesquisa envolvendo eticamente seres humanos, o projeto de
pesquisa não foi submetido à avaliação de Comitê de Ética em Pesquisa.

RESULTADOS

A Bahia possui 417 municípios distribuídos em uma área de aproximadamente 565 mil
km². Com cerca de 14 milhões de habitantes, é o quarto estado mais populoso do Brasil e está
dividido em 09 macrorregiões e 28 regiões de saúde, cada uma com seu município-polo. A
Tabela 01 apresenta a caracterização das macrorregiões da Bahia, conforme o PDR(23).

Tabela 1 – Caracterização das macrorregiões quanto ao número de regiões de saúde, total de


municípios, população, município-polo e número de Diretorias regionais de Saúde do Estado
da Bahia - 2014
Nº DE DIRETORIAS
Nº DE REGIÕES TOTAL DE
MACRORREGIÃO POPULAÇÃO MUNICÍPIO-POLO REGIONAIS DE
DE SAÚDE MUNICÍPIOS
SAÚDE
Centro-Leste 4 73 2.114.134 Feira de Santana 5
Centro-Norte 2 38 771.253 Jacobina 2
Extremo Sul 2 21 760.206 Teixeira de Freitas 2
Leste 4 48 4.353.829 Salvador 4
Nordeste 2 33 813.271 Alagoinhas 2
Norte 3 27 1.001.075 Juazeiro 3
Oeste 3 37 876.843 Barreiras 3
Sudoeste 4 73 1.704.534 Vitória da Conquista 6
Sul 4 67 1.621.761 Itabuna 4
BAHIA 28 417 14.016.906 31
Fonte: BAHIA/PDR

A seguir, as figuras e tabelas apresentam a distribuição das instituições que oferecem


formação técnica de nível médio em enfermagem na Bahia.
45

Figura 1 – Distribuição dos cursos técnicos de nível médio em enfermagem nas


macrorregiões do da Bahia – 2014
Fonte: SISTEC/ME

Tabela 2 – Caracterização das macrorregiões quanto ao número de municípios que oferecem


o curso técnico de nível médio em enfermagem e oferta de cursos do Estado da Bahia – 2014

Nº DE CURSOS
TOTAL DE MUNICÍPIOS QUE OFERECEM
MACRORREGIÃO REGIÃO DE SAÚDE POR
MUNICÍPIOS CURSO TÉCNICO EM ENFERMAGEM
MUNICÍPIO
Conceição do Jacuípe 1
Feira de Santana 7
Ipirá 2
Mundo Novo 1
Feira de Santana 28
Riachão do Jacuípe 1
Santa Bárbara 2
Santo Estevão 1
São Gonçalo dos Campos 1
Andaraí 1
Centro-Leste Iaçu 1
Itaberaba 14
Itaberaba 5
Wagner 2
Iraquara 1
Seabra 11
Seabra 4
Araci 2
Conceição do Coité 1
Serrinha 20 Euclides da Cunha 2
Quijingue 1
São Domingos 1
46

Serrinha 3
SUBTOTAL 73 40
Irecê 4
Irecê 19
Presidente Dutra 1
Centro-Norte Capim Grosso 1
Jacobina 19 Jacobina 2
Morro do Chapéu 1
SUBTOTAL 38 9
Eunápolis 1
Porto Seguro 8
Extremo-Sul Porto Seguro 2
Teixeira de Freitas 13 Teixeira de Freitas 3
SUBTOTAL 21 6
Camaçari 4
Camaçari 6 Dias dávila 1
Simões filho 1
Cruz das Almas 9 Cruz das Almas 1
Lauro de Freitas 2
Salvador 10 Salvador 30
Leste
Santo Amaro 1
Amargosa 1
Mutuipe 1
Santo Antônio de Jesus 23 Nazaré 1
São Felipe 1
Santo Antônio de Jesus 2
SUBTOTAL 48 46
Alagoinhas 18 Alagoinhas 1
Nordeste
Ribeira do Pombal 15 Ribeira do Pombal 1
SUBTOTAL 33 2
Canudos 1
Juazeiro 9 Juazeiro 1
Uauá 1
Norte Paulo Afonso 2
Paulo Afonso 9
Rodelas 1
Jaguarari 1
Senhor do Bonfim 9
Senhor do Bonfim 1
SUBTOTAL 27 8
Barreiras 4
Barreiras 15
Luis Eduardo Magalhaes 1
Oeste
Ibotirama 9 Ibotirama 1
Santa Maria da Vitória 13 Santa Maria da Vitória 1
SUBTOTAL 37 7
Brumado 5
Livramento de Nossa Senhora 1
Brumado 21
Sudoeste Macaúbas 2
Tanhaçu 1
Guanambi 21 Caculé 1
47

Caetité 2
Guanambi 2
Riacho de Santana 1
Itapetinga 12 Itapetinga 1
Poções 1
Vitória da Conquista 19
Vitória da Conquisa 3
SUBTOTAL 73 20
Ilhéus 8 Ilhéus 3
Itabuna 22 Itabuna 4
Ipiaú 1
Sul Jequié 25
Jequié 2
Gandú 1
Valença 12
Valença 2
SUBTOTAL 67 13
BAHIA TOTAL 417 151
Fonte: SISTEC/ME/BAHIA/PDR

Tabela 3 – Relação entre o número total de municípios, o número de municípios que


oferecem o curso e o número de cursos técnicos de nível médio em enfermagem, nas
macrorregiões da Bahia – 2014
Nº DE Nº DE CURSOS / Nº
Nº DE CURSOS / Nº
MACRORREGIÃ Nº DE MUNICÍPIOS QUE Nº DE TOTAL DE MUNICÍPIOS
TOTAL DE MUNICÍPIOS
O MUNICÍPIOS OFERECEM CURSOS QUE OFERECEM
DA MACRORREGIÃO
CURSO CURSO
Centro-Leste 73 20 40 0,55 2,00
Centro-Norte 38 5 9 0,24 1,80
Extremo Sul 21 3 6 0,29 2,00
Leste 48 12 46 0,96 3,83
Nordeste 33 2 2 0,06 1,00
Norte 27 7 8 0,30 1,14
Oeste 37 4 7 0,19 1,75
Sudoeste 73 11 20 0,27 1,82
Sul 67 6 13 0,19 2,17
TOTAL 417 70 151 0,36 2,16
Fonte: SISTEC/ME/BAHIA/PDR

DISCUSSÃO
Existem diferenças consideráveis entre as macrorregiões da Bahia, não apenas em
termos populacionais, como também em número de municípios, conforme ilustrado na Tabela
1.
Os dados apresentados sobre o mapeamento da oferta de cursos técnicos de nível
médio em enfermagem no estado da Bahia evidenciaram distribuição irregular nas
48

macrorregiões e nos municípios pertencentes a uma mesma macrorregião, conforme


apresentado na Figura 1 e nas Tabelas 2 e 3.
A macrorregião Leste concentra a maior oferta de cursos, tanto em número absoluto
quanto em relação ao número de cursos por município, seguida da macrorregião Centro-Leste,
conforme ilustrado na Tabela 3. Essas regiões concentram, ainda, 46,14% do total de
habitantes da Bahia e possuem Salvador e Feira de Santana, as maiores cidades do estado,
como municípios-polo, respectivamente(23).
Verifica-se, entretanto, um desequilíbrio intrarregional. Na macro Leste, dos 48
municípios, somente 12 oferecem o curso técnico de nível médio em enfermagem e a cidade
do Salvador é responsável por 65% dessa oferta. Na macro Centro-Leste, apenas 20
municípios ofertam o curso e Feira de Santana se destaca com a maior oferta.
A macrorregião Nordeste foi a que apresentou a menor oferta de cursos tanto em
número absoluto quanto em relação ao número de cursos por município. Evidencia-se,
também, um desequilíbrio intrarregional, uma vez que dos 33 municípios somente 2 ofertam
vagas para o curso técnico de nível médio em enfermagem, sendo um desses cursos no
município-polo.
O elevado número de cursos em algumas macrorregiões e singularmente nos
municípios- polo reflete o desenvolvimento socioeconômico dessas regiões e municípios. Há
que se considerar que a oferta de cursos na região encontra-se diretamente proporcional à
concentração de investimentos públicos, de modo que a capacidade instalada de recursos
humanos qualificados e de infraestrutura na área da saúde contribui para instalação de novos
cursos e manutenção dos já existentes.
Por outro lado, o desenvolvimento socioeconômico de uma região favorece a busca
por novas oportunidades de formação e emprego. Nesse sentido, a formação técnica de nível
médio em enfermagem mostra-se como uma alternativa atrativa para jovens e adultos que
buscam ingressar no mercado de trabalho de forma mais rápida e menos onerosa.
Desta forma, a oferta dos cursos deve ser apoiada nos necessários enlaces da educação
com a ordenação territorial e com o desenvolvimento socioeconômico, pois é no território que
as clivagens culturais e sociais, dadas pela geografia e pela história, se estabelecem e se
reproduzem (23).
Vale destacar que, dentre as ocupações técnicas de nível médio em saúde, o técnico
em enfermagem é o profissional com maior oferta de postos de trabalho, nos três níveis de
atenção à saúde.
49

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) apontou que os técnicos


da ciência da saúde humana entre os quais estão inseridos os técnicos em enfermagem foram
os técnicos de nível médio que mais viram expandir suas oportunidades de emprego entre
2009 e 2012(24).
Desta forma, cursar e ser formado em um curso técnico de nível médio, em
enfermagem se apresenta como uma possibilidade de ascensão social, que favorece a
autoestima e a valorização pessoal e coletiva, mesmo sem garantias efetivas de ascensão e
mudanças do âmbito econômico. Isto porque, se, por um lado as forças dominantes difundem,
pode se dizer que com êxito, a crença na educação/formação como chave de sucesso e
garantia de inclusão, por outro, não podem furtar-se a propiciar condições de acesso a
oportunidades de educação/formação, mesmo que na forma de meros simulacros(4).

CONCLUSÃO

A oferta de cursos técnicos de nível médio em enfermagem está diretamente


relacionada ao desenvolvimento socioeconômico da região e concentra-se nos municípios-
polo das macrorregiões. Esses municípios são geralmente cidades do interior que se destacam
dentre os demais núcleos urbanos menores e exercem grande influência em seu entorno,
principalmente pelo forte comércio e prestação de serviços.

A distribuição irregular desses cursos, na Bahia, pode gerar concentração de mão-de-


obra qualificada em algumas regiões e carência de técnicos em enfermagem em outras, o que
evidencia a necessidade de novas diretrizes que contemplem tal realidade por meio, por
exemplo, da implementação de políticas municipais e intermunicipais.

A escolha do lugar da implantação de uma escola, a escolha dos cursos a serem


ofertados e a construção de seus currículos devem, pois, considerar os arranjos locais, os
dados socioeconômicos, ambientais e culturais e as potencialidades de desenvolvimento local.
Desta forma, deve ser analisado as demandas da sociedade e de mercado(25).
Assim, ao se pensar no objetivo da Meta 11 do PNE, há de se levar em conta a
superação dessa dualidade. Deve-se considerar ainda que a construção de uma proposta para
atendimento educacional dos trabalhadores precisa ser orientada por uma educação de
qualidade, não podendo ser voltada para uma educação em que a formação geral está
descolada da educação profissional. Aumentar a oferta da educação para os trabalhadores é
uma ação urgente, mas para que seja garantida sua qualidade faz-se necessário que essa oferta
50

tenha por base os princípios e a compreensão de educação unitária e universal, destinada à


superação da dualidade entre as culturas geral e técnica, garantindo o domínio dos
conhecimentos científicos referentes às diferentes técnicas que caracterizam o processo do
trabalho produtivo na atualidade, e não apenas a formação profissional stricto sensu(3).
Torna-se importante uma compreensão mais alargada de politicas aparentemente
destinadas a democratizar o acesso à educação para jovens e adultos, de modo a identificar a
chamada multiplicação artificial de ofertas educativas, que mantém a hegemonia das forças
dominantes, atendendo às exigências dos processos de acumulação(4).

Portanto, é necessário atentar para a distribuição desses cursos levando-se em


consideração as condições de saúde da população e do sistema de serviços de saúde nas
macrorregiões da Bahia de maneira que a formação de novos profissionais técnicos de nível
médio em enfermagem não atenda apenas a uma demanda e ao interesse do mercado
educacional, mas, também, a um modelo de formação que possibilite melhor assistência ao
usuário.

1. Brasil. Ministério da Educação. Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996: estabelece as


diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília (DF) 1996
dez 23; 34 (248) Seção 1:27.833-41

2. Brasil. Ministério da Educação. Lei n° 10.172, de 9 de janeiro de 2001. Aprova o


Plano Nacional de Educação e dá outras providencias. Diário Oficial da União.
Brasília, DF, 10 jan. 2001.
3. Brasil. Ministério da Educação. Lei n° 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o
Plano Nacional de Educação e dá outras providencias. Diário Oficial da União.
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4. Rummert SM, Alves N. Jovens e adultos trabalhadores pouco escolarizados no Brasil
e em Portugal: alvos da mesma lógica de conformidade. Revista Brasileira de
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11. Teixeira E, Vale EG. Tendências e perspectivas do ensino de graduação em
enfermagem. In: Teixeira E, Vale EG, Fernandes JD, Sordi MRL (orgs). O ensino de
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12. Pereira IB, Ramos, MN. Educação Profissional em Saúde. Rio de Janeiro: Editora
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13. Brasil. Ministério da Saúde. Profae. Guia do geral do Profae. Brasília, 2000). (Rede
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14. Lima Vieira S, Reis da Silva GT, Dumêt Fernandes J, de Azevêdo Bião e Silva AC,
Santos Santana M, Borges Souza Santos T. Des-interesse no ensino profi ssionalizante
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15. Wermelinger M, Machado MH, Amâncio Filho A. Políticas de educação profissional:


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Social, Lisboa, v. 28, n.169, p. 981-1010, 2004. [acesso em 13/04/2015] Disponível
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enfermagem existentes nos Conselhos Regionais. Comissão de Business Intelligence.
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exercício da Enfermagem e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília
(DF) 1986 jun 25; Seção 1: 9.273 -75.
19. Brasil. Conselho Nacional de Educação (CNE). Resolução n. 3, de 26/06/1998. Institui
as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Diário Oficial da República
Federativa do Brasil. Brasília: CNE, 1998
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Estadual de Saúde: 2008-2011. Salvador: SESAB, 2010.
21. Trivinos ANS. Introdução à Pesquisa em Ciências Sociais: a pesquisa qualitativa em
educação. São Paulo: Atlas, 2011.
22. Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica [internet].
Brasília: BRASIL/MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO/SISTEC; 2012. Disponível em:
[Link]
23. Bahia. Secretaria da Saúde do Estado. Plano Estadual de Saúde: 2012-2015. Revista
Baiana de Saúde Pública. 2012, v. 36, supl. 1, p.1-166.
24. Nanni AR, Descovi FL, Virtoso MA, et al. Quantum GIS- Guia do Usuário, verão
1.7.4. „wroclaw‟. Acesso em: 10 de nov 2014; disponível em: [Link]
291p, 2012
25. Pacheco E (org). Perspectivas da educação profissional técnica de nível médio:
propostas de diretrizes curriculares nacionais. Brasília/DF: SETEC/MEC, 2012.
53

5.2 ARTIGO II

“PERFIL DOS DOCENTES DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL TÉCNICA DE NÍVEL

MÉDIO EM ENFERMAGEM”

"PROFILE OF TEACHERS PROFESSIONAL EDUCATION TECHNIQUE MIDDLE

LEVEL IN NURSING"

"PERFIL DE LOS DOCENTES DE NIVEL MEDIO EDUCACIÓN TÉCNICA EN

ENFERMERÍA"

Virginia Crispina de Oliveira Gomes¹; Gilberto Reis da Silva ²; Rosana Maria de Oliveira

Silva ³

¹ Enfermeira, Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Bahia-BR. Email:

viwcris@[Link]

² Enfermeiro. Pós- Doutor em Ensino em Ciências da saúde na Universidade Federal de São

Paulo. Professor Adjunto da Universidade Federal da Bahia- BR. Email:

[Link]@[Link]

³ Enfermeira. Doutora em Enfermagem na Universidade Federal da Bahia. Professora da

Universidade Federal da Bahia- BR. Email: rosanaosilva@[Link]

Resumo

Objetivo: O objetivo desta pesquisa foi descrever o perfil dos docentes da educação
profissional técnica de nível médio em enfermagem. Metodologia: Trata-se de um estudo
descritivo com abordagem quantitativa, realizada em uma escola de formação técnica em
saúde vinculada à Secretaria de Saúde do Estado da Bahia. Participaram desta pesquisa 19
docentes. O instrumento, adaptado da dissertação de Bassinelo 2002, foi composto de 17
perguntas. Os dados coletados com cada docente através do questionário foram organizados
segundo número atribuído a cada participante e digitados no FormSUS para organização e
tabulação dos dados. Resultados: Os resultados apresentados mostram que há predominância
54

de docentes na faixa etária de 50 ou mais; todas as docentes são do sexo feminino e a maioria
é casada. Além disso, a predominância de docentes com mais de 15 anos de formadas e mais
de 15 anos de atuação na docência. Evidencia-se que para a maioria dos docentes a docência
constitui-se na atividade profissional principal e a grande maioria são contratadas efetivas.
Um dado da pesquisa que nos fez refletir foi que todos os docentes têm alguma habilitação,
especialização, programa de mestrado/doutorado ou licenciatura em enfermagem.
Evidenciando que os docentes desta pesquisa buscam alguma forma para aprimoramento da
sua prática docente. Conclusão: Diante disso, sugerimos mais estudos sobre os docentes da
Educação profissional técnica de nível médio em enfermagem, considerando condições de
trabalho e sua formação pedagógica; considerando que estes pontos refletem diretamente em
uma formação de qualidade para os técnicos de enfermagem.

Descritores: Docentes, Docentes de Enfermagem e Educação Profissionalizante

Abstract
Objective: The objective of this study was to describe the profile of teachers of technical
vocational education average level in nursing. Methodology: This is a descriptive study with
a quantitative approach, performed in a technical training school in health linked to the
Department of Bahia State Health Department. 19 teachers participated in this research. The
instrument adapted from Bassinelo 2002 dissertation was composed of 17 questions. The data
collected with each teacher through the questionnaire were organized according to the number
assigned to each participant and entered in FormSUS for organizing and tabulating the data.
Results: The results presented show that there is a predominance of teachers aged 50 or more;
all teachers are female and most are married. Moreover, the prevalence of teachers with more
than 15 years and formed more than 15 years of experience in teaching. it is clear that for
most teachers teaching constitutes the main occupation and the vast majority are hired
effective. A given the research that made us think it was that all teachers have some
habilitation, specialization, master's / doctorate or degree in nursing program. Showing that
the teachers of this research seek some way to improving their teaching practice. Conclusion:
Therefore, we suggest further studies on the faculty of the mid-level technical professional
education in nursing considering working conditions and their pedagogical training; whereas
these points directly reflect on quality training for nursing technicians.
Descriptors: Faculty; Faculty, Nursing and Education, Professional
55

Resumen

Objetivo: El objetivo de este estudio fue describir el perfil de los docentes de nivel medio de
educación profesional técnica en enfermería. Metodología: Se trata de un estudio descriptivo
con un enfoque cuantitativo, realizado en una escuela de formación técnica en salud vinculado
al Departamento de Salud del Estado de Bahia Departamento. 19 maestros participaron en
esta investigación. El instrumento adaptado de Bassinelo disertación de 2002 se compone de
17 preguntas. Los datos recogidos con cada maestro a través del cuestionario se organizaron
de acuerdo con el número asignado a cada participante y entró en FormSUS para la
organización y la tabulación de los datos. Resultados: Los resultados presentados muestran
que hay un predominio de los maestros 50 o más años de edad; todos los maestros son
mujeres y la mayoría están casados. Por otra parte, la prevalencia de los profesores con más
de 15 años y formó más de 15 años de experiencia en la enseñanza. está claro que para la
mayoría de los profesores de enseñanza constituye la ocupación principal y la gran mayoría
son contratados eficaz. A dada la investigación que nos hizo pensar que era que todos los
maestros tienen alguna habilitación, la especialización, / doctorado o maestría en el programa
de enfermería. Lo que demuestra que los maestros de esta investigación buscan alguna
manera de mejorar su práctica docente. Conclusión: Por lo tanto, se sugiere nuevos estudios
sobre la facultad de la educación profesional técnica de nivel medio en enfermería teniendo en
cuenta las condiciones de trabajo y su formación pedagógica; Considerando estos puntos
reflejan directamente en la formación de calidad para los técnicos de enfermería.
Descriptores: Docentes , Docentes de Enfermería y Educación Profesional

INTRODUÇÃO

A Educação profissional de nível médio em enfermagem está envolvida e impregnada


por todas as influências do seu processo histórico e social, perdurando a sua identidade como
fábrica de mão de obra barata vinculada às classes menos favorecidas para atender ao
mercado capitalista.
Ressalta- se que o ensino médio, ao qual o técnico se insere, é um dos níveis mais
difíceis de lidar no que se refere à sua concepção, estrutura e organização, por conta da sua
natureza de mediação entre a educação fundamental e a formação profissional. Levando em
56

consideração, também, as questões políticas que ao longo do tempo influenciou na definição


do sistema educativo nas perspectivas econômica, social e ideológica nos períodos históricos
(BAGNATO, 2007).
Os primeiros cursos técnicos foram criados em 1966, nas escolas de enfermagem Ana
Néri e Luiza de Marillac, no Rio de Janeiro (LIMA, 2011). Porém, as funções legais dessa
categoria profissional somente foram definidas em 1986, com a Lei nº 7.498, regulamentada
pelo Decreto nº 94.406, de 1987, que dispõe sobre o exercício profissional da enfermagem
(SANTOS, 2005).
Entre a criação do primeiro curso técnico de enfermagem e a regulamentação do
exercício profissional, houve uma lacuna de 20 anos (SANTOS, 2005), constituindo- se em
um obstáculo ao desenvolvimento da formação, qualificação e desenvolvimento da profissão
(MATA, 2010).
Os investimentos iniciais do governo na formação e/ ou qualificação dos profissionais
técnicos de enfermagem foram através de dois marcos da Educação Profissional em Saúde, o
primeiro deles é o Projeto de Formação de Trabalhadores para a Área de Saúde em Larga
Escala, conhecido como Projeto Larga Escala – PLE, surgiu em 1981, fruto do processo de
reformulação dos serviços de saúde que visavam à extensão de cobertura (BASSINELLO,
2009), bem como visava à profissionalização e a qualificação dos atendentes de enfermagem,
terminou não sendo suficiente para a profissionalização deste profissional (SILVA, 2005).
Em meio a um contexto de transformação das relações entre educação, trabalho,
ciência e tecnologia que culminaram em reformas no campo da educação, teve seu ápice na
promulgação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996,
gerando mudanças na educação profissional (SANT‟ANNA, 2008).
Também, nesse contexto, o segundo marco da Educação Profissional em saúde que é o
Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área da Enfermagem (PROFAE) foi
oficialmente instituído em 15 de outubro de 1999, pela portaria nº 1.262 do Ministério da
Saúde- MS, tendo como finalidade a melhoria da qualidade dos serviços de saúde, vem como
o principal instrumento para a qualificação da força de trabalho da área de enfermagem no
Brasil (CÊA, 2007).
A educação profissional técnica, recentemente começou a ser vista como necessária a
intervenção política para melhoria na formação e qualificação dos profissionais técnicos de
enfermagem.
57

Sofreu mudanças, inclusive na nomenclatura, que foi alterada de „cursos técnicos


profissionalizantes‟ para „educação profissional técnica de nível médio‟, conforme artigo 3º
da resolução do Conselho Nacional de Educação e do Conselho de Educação Básica
(CNE/CEB) nº 01/2005 (SANT‟ANNA, 2008).
Começou a se pensar em ordenar a educação na saúde, em 2008 com o catálogo
nacional de 2008 e posterior reformulação deste em 2012, e também com a lei de diretrizes
curriculares em 2012, no intuito de articular princípios e critérios a serem observados pelos
sistemas de ensino e pelas instituições de ensino públicas e privadas, na organização e no
planejamento, desenvolvimento e avaliação da Educação Profissional Técnica de Nível
Médio, inclusive fazendo uso da certificação profissional de cursos (BRASIL, 2012).
Busca-se na educação desses trabalhadores a compreensão para o mundo do trabalho e
seu comprometimento quanto à necessidade de cuidar das pessoas. Os desafios a serem
percorridos e as dificuldades para o desenvolvimento profissional são alvos de preocupação
na oferta dos cursos técnicos em enfermagem (GÖTTEMS, 2007).
O processo de educação dos profissionais de nível médio em enfermagem tem uma
relação direta com a qualidade da assistência prestada, o que nos mostra a importância da
formação do profissional de forma que privilegie o processo ensino aprendizagem
participativo e reflexivo que favorecerá a melhoria dos determinantes de saúde, especialmente
no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) (STUTZ 1999; GÓES et. al., 2015).
Para Santos (2005), o enfermeiro é responsável em proporcionar um ensino de
qualidade na formação do profissional técnico de nível médio em enfermagem motivando e
estimulando o processo de ensino-aprendizagem.
Corrobora o estudo de Frozoni; Souza (2013) que para entender a formação dos
auxiliares e técnicos em enfermagem é necessário conhecer o perfil dos responsáveis por essa
formação, os enfermeiros-docentes, qual sua formação pedagógica, suas condições de
trabalho e saber se eles têm conhecimentos técnicos e pedagógicos para que possam atuar na
formação de profissionais com esse perfil proposto.
Diante de tudo que foi exposto, tem-se como objetivo deste trabalho caracterizar o
perfil docente do curso técnico de nível médio em enfermagem da Escola Estadual vinculada
à Secretaria de Saúde do Estado da Bahia quanto à idade, sexo, escolaridade, profissão,
vínculo empregatício.
58

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo descritivo, com abordagem quantitativa, que permite traçar o


perfil dos docentes da escola em questão na medida em que a educação profissional técnica de
nível médio em enfermagem constitui-se ao longo da sua história em um foco na formação de
profissionais do SUS e para o SUS.
A pesquisa foi realizada em uma escola de formação técnica em saúde vinculada à
Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, que desenvolve educação profissional técnica de
nível médio em enfermagem.
Participaram desta pesquisa 19 docentes, de um universo de 25 profissionais que
constavam na lista. O critério de inclusão foram as docentes que estão trabalhando na escola e
ministraram aula no período de 2002 a 2012. Com relação aos critérios de exclusão, foram as
docentes que estavam de licença médica, ministraram aulas em cursos que não fossem cursos
técnicos de enfermagem e/ou fora do período estipulado pela pesquisa.
O projeto guarda-chuva ao qual esta pesquisa faz parte foi submetido à Plataforma
Brasil, respeitando os aspectos éticos com base na Resolução nº 466, de 12 de dezembro de
2012 que aprova as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres
humanos (BRASIL, 2012c), foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de
Enfermagem da Universidade Federal da Bahia, sob Parecer de nº 841.446 e CAAE de nº
28091914.2.0000.5531. Como esse estudo tem como objetivo geral um dos objetivos
específicos do projeto guarda-chuva, foi utilizada a declaração de anuência e o parecer do
comitê de ética do projeto maior para desenvolvimento dessa pesquisa.
A declaração de anuência foi assinada pela instituição onde será realizada a pesquisa.
O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido-TCLE foram assinados pelos participantes
que concordaram em participar da pesquisa, garantindo aos participantes o respeito aos
princípios de autonomia, confidencialidade, equidade e justiça aos indivíduos da pesquisa.
Para posteriormente, proceder com a coleta de dados.
A partir disso, procedeu-se a aplicação do instrumento (apêndice B) adaptado da
dissertação de Bassinelo (2002). O instrumento foi composto de 17 perguntas, dividas em
quatro blocos, que explicitavam: primeiro bloco: a caracterização dos docentes, formação e
educação permanente, atuação profissional e atuação docente. Essas variáveis visou conhecer
o perfil das docentes da escola em estudo que ministraram aula no período de 2002 a 2012.
59

A aplicação do questionário foi feita em loco, na escola, em vários dias e turnos, no


período de fevereiro a março de 2015, para possibilitar a abordagem do maior número
possível de docentes da escola.
Os dados coletados com cada docente, através do questionário, foram organizados
segundo número atribuído a cada participante e digitados no FormSUS para organização e
tabulação dos dados.
A descrição dos resultados foi utilizada a estatística descritiva com percentual simples
e apresentados através de tabelas de frequência com números absolutos e ou relativos de cada
uma das variáveis estudadas.

APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Tabela 1 – Docentes da Educação profissional técnica de nível médio em Enfermagem


segundo a idade, sexo e estado civil – Salvador – 2015
Características (N) (%)
Idade
30 a 39 5 26,32
40 a 49 6 31,58
50 ou mais 8 42,11
Sexo
Feminino 19 100
Estado Civil
Solteira 1 5,26
Casada 14 73,58
Divorciada 2 10,53
Outras 2 10,53
Fonte: Dados da Pesquisa

Na análise descritiva dos dados obtidos por meio do questionário aplicado às docentes,
verifica-se que há predominância de docentes na faixa etária de 50 ou mais, entretanto em
estudos encontrados na literatura observa-se que: no estudo de Frozoni; Souza (2013) que
descrever o perfil sócio econômico dos professores dos cursos de educação profissional em
enfermagem de um município do interior do estado de São Paulo, a predominância de
60

indivíduos atuando na docência entre a faixa etária de 30 a 49 anos e no de Ebsui (2004) há


um predomínio de 57,3% de enfermeiro professores na faixa etária de 36 a 45 anos.
Os dados relativos à idade indicam que as docentes da pesquisa encontram-se em uma
faixa etária maior do que nos estudos descritos acima, isso demonstra uma provável
característica de setor público, onde a estabilidade é uma das característica do sistema. Além
disso, pode-se inferir que talvez esses docentes estejam em fase e/ou perto de se aposentar,
isso pode trazer algumas resistências e desestímulos.
Quanto à distribuição de docentes por sexo, tem-se que todas as docentes são do sexo
feminino. No estudo de Amaral (2008), Bassinello (2002), Ebsui (2004), Frozoni; Souza
(2013) tem em predominância do sexo feminino nas suas pesquisas. Evidenciando que esses
dados confirmam a questão histórica de que a profissão de enfermagem é eminentemente
feminina. Corrobora Padilha et al. (1997) quando traz que há uma herança histórica
decorrente de ser uma profissão eminentemente feminina nas questões da prática de
enfermagem.
Observa-se, na descrição da variável estado civil, que há predominância de docentes
casadas (73,58%) na descrição desta variável, assim como no estudo de Ebsui (2004) que traz
as variáveis sócio-demográfica do enfermeiro professor do ensino técnico de enfermagem em
seu estudo e também relata a predominância de docente casada.
Corrobora o estudo de Bassinello (2002) em que 76,5 % das docentes são casadas.
Entretanto no estudo de Frozoni; Souza (2013) a maioria das entrevistadas (42,8%) são
solteiros. Isso demonstra que o perfil da variável estado civil vem se modificando ao longo do
tempo.

Tabela 2 – Docentes da Educação profissional técnica de nível médio em Enfermagem


segundo formação e educação permanente – Salvador – 2015

Formação e educação
(N) (%)
permanente
Formação na graduação
Enfermagem 18 97,74
Nutrição 1 5,26
Tempo de formado
De 6 a 10 anos 2 10,53
De 11 a 15 anos 3 15,79
Mais de 15 anos 14 73,68
61

Habilitação, especialização,
programa de
mestrado/doutorado ou
licenciatura em
enfermagem
Sim 19 100
Métodos utilizados na
Educação Permanente
Participação em eventos 15 78,95
Cursos de caráter pedagógico 17 89,47
Treinamentos e capacitações
13 68,42
profissionais
Grupo de estudo/ pesquisa 6 31,58
Outros 4 21,05
Fonte: Dados da Pesquisa

Conforme Tabela 2, nitidamente, há uma predominância de docentes enfermeiras. No


estudo de Frozoni; Souza (2013) todos os docentes entrevistados eram enfermeiros.
Com relação a ter um nutricionista ministrando aulas, pode-se inferir que exista uma
tentativa de explorar a interdiciplinariedade. Pombo (2004) explana que apesar da
interdisciplinariedade prometer harmonia entre disciplinas e professores, existem obstáculos
como horários escolares, divisão de espaço, organização curricular segmentada e aditiva que
fazem com que a palavra fique vaga e imprecisa.
Possa ser que o intuito seja a interdisciplinaridade, entretanto devido a esses
obstáculos citados acima é possível que seja realizada uma execução de disciplina.
Com relação ao tempo de formado dos professores, observa-se a predominância de
docentes com mais de 15 anos de formadas. No estudo de Bassinello (2002), 69,1% dos
enfermeiros participantes da pesquisa encontram-se na faixa de 10 a 24 anos de formados e
que se encontram consolidando sua vida profissional. Já na pesquisa de Frozoni; Souza
(2013), 35,7% encontrou-se na faixa de 6 a 10 anos de formados.
Evidencia-se que a maioria das docentes está em um momento de amadurecimento
profissional pelas experiências devido ao tempo de formação, entretanto podem está
62

desenvolvendo um processo de resistência quanto às inovações que acontecem ao longo do


tempo que pode atrapalhar no processo de ensino-aprendizagem.
Todas as docentes que participaram da pesquisa referiram já terem feito alguma
habilitação, especialização, programa de mestrado/doutorado ou licenciatura em enfermagem.
O estudo de Bassinello (2002) traz que 79% dos participantes fizeram alguma modalidade de
curso de pós-graduação.
Percebe-se com esse resultado que os docentes participantes do estudo estão
contribuindo para melhorar a qualidade do ensino na Educação profissional técnica de nível
médio em enfermagem quando investem na sua qualificação profissional.
Com relação aos métodos utilizados pelas docentes na sua educação permanente e/ou
educação continuada, 17 docentes fizeram curso de caráter pedagógico, 15 tiveram
participação em eventos, 13 fizeram treinamentos e capacitações profissionais, 6 participam
de grupo de estudo/ pesquisa e 4 docentes referiram outros tipos.
Para Junior (2008), a formação inicial não é garantia de um bom desempenho da ação
de um docente, requerendo uma educação permanente em serviço, além de possibilidades de
ampliação das estratégias de ensino, amparada na experiência profissional técnica específica.
Observa-se que os docentes entrevistados buscam alguma modalidade de educação
permanente e/ou continuada para melhor desempenho do ensino corroborando com a variável
que descreve se fez alguma habilitação, especialização, programa de mestrado/doutorado ou
licenciatura em enfermagem.

Tabela 3 – Docentes da Educação profissional técnica de nível médio em Enfermagem


segundo atuação profissional – Salvador – 2015

Atuação profissional (N) (%)


Tempo de exercício
profissional
De 6 a 10 anos 2 10,53
De 11 a 15 anos 3 15,79
Mais de 15 anos 14 73,68
Trabalha em quantos
empregos
Um 2 10,53
Dois 17 89,47
63

Tipo de instituição que


trabalha
Escola e hospital 7 41,18
Escola e saúde pública 7 41,18
Outra 3 17,64
Fonte: Dados da Pesquisa

Em relação à variável de tempo de exercício profissional, a maioria das docentes tem


mais de 15 anos de exercício profissional. Já no estudo de Bassinello (2002) a maioria das
docentes (69,1%) encontra-se na faixa de 10 a 24 anos de exercício profissional.
Observa-se que as docentes em sua maioria tem o mesmo tempo de formada e o
mesmo tempo de exercício profissional, isso pode está relacionado à questão da
disponibilidade de emprego no mercado de trabalho.
Considerando a quantidade de empregos, há predominância de docentes que trabalham
em dois empregos. Destas docentes que trabalham em dois empregos; sete (41,18%) delas
trabalham em escola e hospital, sete (41,18%) em escola e saúde pública e três (17,64%)
referiram outras (uma trabalha em escola e auditoria, um trabalha em escola e Centro de
Atenção Psicossocial-CAPS e outra, em escola e distrito sanitário). Corrobora os estudos de
Bassinello (2002) e Ebsui (2004) em que a maioria dos docentes tem dois empregos.
Observa-se que os docentes que trabalham em dois empregos, representados nessa
pesquisa com o mesmo quantitativo dos que trabalham em escola/hospital e em escola/saúde
pública, devem enriquecer as aulas pelo fato de ter vivências, entretanto causa desgaste e
cansaço, além de falta de tempo para dedicação ao planejamento.
Além disso, observa-se que o duplo vínculo de trabalho está presente na enfermagem e
na docência, sendo reflexo de condições de trabalho precarizada, aumento da intensidade e
baixa remuneração do trabalho.
64

Tabela 4 – Docentes da Educação profissional técnica de nível médio em Enfermagem


relativos à docência – Salvador – 2015

Variável (N) (%)


Tempo de docência (Anos)
Até 5 2 10,53
De 6 a 10 6 31,58
De 11 a 15 3 15,79
Mais de 15 8 42,10
Docência em Ordem de
Importância
Atividade profissional
principal 13 68,42
Atividade profissional
secundária 2 10,53
Atividade profissional
terciária 2 10,53
Não Respondeu 1 5,26
Outra 1 5,26
Tempo de Docência na
Escola (Anos)
Até 5 7 36,84
De 6 a 10 6 31,58
De 11 a 15 1 5,26
Mais de 15 5 26,32
Modalidade de
Contratação na Escola
Temporário por tempo
determinado 2 10,53
Efetivo 17 89,47
Horas de trabalho por
semana na escola
De 20 a 30 h 11 57,90
De 30 a 40 h 7 36,84
Mais de 40 h 1 5,26
65

Exerce outra função além


da docência na escola
Não 7 36,84
Sim 12 63,16
Atua em mais de uma
instituição de ensino
Não 17 89,47
Sim 2 10,53
Fonte: Dados da Pesquisa

Com relação aos dados do tempo de docência, tem-se que o quantitativo maior de
docentes foi na faixa etária de mais de 15 anos de atuação na docência. No estudo de Ebsui
(2004), 15% dos docentes se encontravam na faixa de 16 a 25 anos atuando como docente de
ensino técnico em enfermagem. Já no estudo de Bassinello (2002), 43,2% encontravam-se na
faixa de até 4 anos de tempo de docência em enfermagem.
Observa-se que no estudo, as docentes estão na mesma faixa de tempo de formada e o
de tempo de docência, demonstrando que a maioria iniciou a docência praticamente no
mesmo período de formação.
Considerando a ordem de importância da docência pelos docentes que responderam o
questionário, evidencia-se que para a maioria dos docentes a docência constitui-se na
atividade profissional principal. No estudo de Bassinello (2002) encontrou outro perfil de
resultado, que a docência é atividade secundária para 51,9% dos enfermeiros docentes, para
46,9% é atividade principal e para 1,2% tem outra ordem de importância. Na pesquisa de
Ebsui (2004), 55% consideram a docência como atividade principal e 45% não consideram.
É importante ressaltar que a docência para as entrevistadas pode ser considerada como
um trabalho que deve merecer dedicação e empenho, traduzida nos dados sobre formação
inicial e permanentes trazidos anteriormente.
Quanto ao tempo de docência na escola, a maioria das docentes encontra-se com até 5
anos de docência na escola. No estudo de Frozoni; Souza (2013), oito docentes (57,2%)
trabalhavam na escola em uma faixa de 0 a 5 anos; quatro docentes (28,5%) em uma faixa de
6 a 10 anos e dois docentes em uma faixa de 11 a 15 anos.
66

Observa-se a proximidade do quantitativo de docentes na faixa de 6 a 10 anos e mais


de 15 anos de docência na escola. Pode-se destacar que mesmo que as docentes estejam com o
tempo de exercício profissional com mais de 15 anos, na docência estão se dedicando a pouco
tempo à docência.
Quanto à modalidade de contratação, a maioria das docentes são contratadas efetivas.
No perfil traçado por Frozoni; Souza (2013), nove docentes (64,3%) tem um contrato por
hora/ aula com a instituição, quatro docentes (28,5%) têm contrato baseado na Consolidação
das Leis Trabalhistas (CLT) e um docente (7,1%) tem contrato por CLT e autarquia. Na
pesquisa de Bassinello (2002), 39,5% tem contrato de trabalho por tempo indeterminado,
18,5% dos envolvidos na pesquisa são efetivos e 12,5% são contratados por tempo
determinado.
Nos estudos trazidos acima, existe uma tendência de contrato temporário, sendo
evidenciado por eles uma tendência de contratar docentes mais facilmente, ou seja, sem
concurso público para suprir deficiência de profissionais.
Observa-se nos dados do estudo que o vínculo empregatício não é precarizado, o que
viabiliza a continuidade e o compromisso desses docentes na qualidade da educação
profissional técnica de nível médio em enfermagem.
Com relação à carga horária de trabalho na escola por semana, observa-se que a
maioria das docentes está na faixa de 20 a 30 horas de carga horária de trabalho semanal.
Tanto no estudo de Bassinello (2002) e no de Frozoni; Souza (2013), as docentes encontram-
se com carga horária de 20 horas semanais.
Quando questionadas se exercem outra função na escola além da docência, a maioria
respondeu que sim. Observa-se que existe uma sobrecarga de atividades, além da docência
para os docentes, o que pode acarretar desgaste e falta de tempo para se dedicar ao
planejamento e avaliação das aulas.
Quanto à atuação em mais de uma instituição de ensino, a maioria das docentes
informaram que não atuam em outra instituição de ensino. Evidencia-se que a maioria das
docentes só atua como docente na escola da pesquisa. Além disso, reafirma os dados da
variável quantidade de trabalho em que a maioria possui dois empregos sendo docência com
hospital ou saúde pública.
67

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo visou, portanto, descrever o perfil dos docentes da educação profissional
técnica de nível médio em enfermagem para que se reflita sobre as questões, como formação e
condições de trabalho desses docentes.
Destaca-se nessa pesquisa que há predominância de docentes na faixa etária de 50 ou
mais; todas as docentes são do sexo feminino e a maioria é casada. Além disso, a
predominância de docentes com mais de 15 anos de formadas e mais de 15 anos de atuação na
docência. Evidencia-se que, para a maioria dos docentes, a docência constitui-se na atividade
profissional principal e a maioria são contratadas efetivas.
Não se podem fechar os olhos para a questão que envolve as condições de trabalho de
docentes em nível médio de enfermagem, que oferecem contratos temporários caracterizando
o mundo do trabalho dos docentes. Sugere-se que os docentes do ensino profissionalizante
desenvolvam mais pesquisas sobre o mundo do trabalho na educação e desempenho de suas
funções, para contribuir com o ensino e incentivar os próprios profissionais no que tange às
produções científicas.
Além disso, é importante entender se os docentes possuem formação pedagógica e se
consegue estar exclusivamente dedicados à docência para tentar pensar em gerar estímulo e
motivação para que esses docentes queiram e/ou continuem na docência. Os estudos relativos
a essa temática fazem com que as instituições formadoras reflitam sobre o investimento na
formação desses profissionais.

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70

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta pesquisa teve por finalidade descrever o perfil dos docentes da educação
profissional técnica de nível médio em enfermagem, para tanto se buscou identificar e
caracterizar esses docentes quanto à idade, sexo, escolaridade, profissão, tempo de formado;
habilitação, especialização, programa de mestrado/doutorado ou licenciatura em enfermagem;
métodos para formação permanente; tempo de exercício profissional, quantitativo de
empregos, tipo de instituição que trabalha, tempo de docência, a docência por ordem de
importância, tempo de docência na escola do estudo, vínculo empregatício, carga horária de
trabalho na escola, função que exerce.
Com os dados desta pesquisa, obtivemos o perfil dos docentes, estes revelam que há
predominância de docentes na faixa etária de 50 ou mais; todas as docentes são do sexo
feminino e a maioria é casada. Além disso, a predominância de docentes com mais de 15 anos
de formadas e mais de 15 anos de atuação na docência. Evidencia-se que para a maioria dos
docentes a docência constitui-se na atividade profissional principal e a grande maioria são
contratadas efetivas.
Um dado da pesquisa que nos fez refletir foi que todos os docentes têm alguma
habilitação, especialização, programa de mestrado/doutorado ou licenciatura em enfermagem.
Evidenciando que os docentes desta pesquisa buscam alguma forma de aprimoramento da sua
prática docente.
Como limitações do estudo, tem-se que foi realizado somente na sede da escola no
município de Salvador e que os docentes das turmas descentralizadas são enfermeiros do
serviço existindo grande rotatividade destes na transição entre os módulos do curso. Como
viabilidade do estudo, tem-se a parceria da escola com diversos projetos na EEUFBA.
Sugerimos mais estudos sobre os docentes da Educação profissional técnica de nível
médio em enfermagem, inclusive em outras escolas do estado da Bahia, considerando
condições de trabalho e sua formação pedagógica; considerando que estes pontos refletem
diretamente em uma formação de qualidade para os técnicos de enfermagem.
Como os técnicos de enfermagem são a maior força de enfermagem, deve-se oferecer
uma formação sólida e de qualidade, para tanto é necessário o investimento na formação de
enfermeiro que será docente da educação profissional.
A necessidade de profissionais de enfermagem e de qualificação dos que já atuam nos
serviços é uma necessidade. Entretanto, ao tempo em que é necessário ampliar o número de
71

profissionais de enfermagem qualificados, é necessário, também, que esta ampliação


considere as condições de saúde da população e do sistema de serviços de saúde, a fim de que
possa, efetivamente, contribuir para a consolidação do SUS.
72

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2006.
77

APÊNDICE A – Termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE)

Termo de Consentimento livre e esclarecido (TCLE)

Informações aos participantes da pesquisa

Você está sendo convidado (a) a participar como voluntário (a) da pesquisa que tem como
tema Perfil dos docentes da Educação Profissional Técnica de Nível Médio em Enfermagem
desenvolvida na Escola Estadual vinculada à Secretaria de Saúde do Estado da Bahia,
Salvador/Bahia. A participação nesse estudo é voluntária, sendo permitida a sua interrupção a
qualquer momento, sem que isso incorra em penalidades ou prejuízos na relação com o
pesquisador ou com a instituição onde será realizada a pesquisa. Você poderá solicitar
esclarecimentos sobre qualquer aspecto da pesquisa quando precisar.
O objetivo geral desta pesquisa consiste em caracterizar a escola e o perfil dos docentes da
Escola Estadual vinculada à Secretaria de Saúde do Estado da Bahia que desenvolve educação
profissional técnica de nível médio em enfermagem no Estado da Bahia de 2002 a 2012. Sua
participação nesta pesquisa consistirá em responder de forma livre às perguntas do
questionário elaborado pela pesquisadora Virginia Crispina de Oliveira Gomes sob orientação
do Professor Dr. Gilberto Tadeu Reis da Silva, em um ambiente que você escolher e que
possa garantir sua privacidade e o sigilo das informações. Como benefícios este estudo
apresentará o resultado sobre dos docentes da Escola Estadual vinculada à Secretaria de Saúde
do Estado da Bahia que desenvolve educação profissional técnica de nível médio em
enfermagem no Estado da Bahia de 2002 a 2012.
Esclarecemos que não há ganho financeiro para nós pesquisadores nem para os participantes,
todas as despesas deste projeto correrão pelas custas das pesquisadoras conforme orçamento
realizado. Os resultados da pesquisa serão apresentados em eventos científicos de pesquisa e
/ou de enfermagem, encaminhados sob a forma de artigos para periódicos da área, os dados
ficarão arquivados por cinco anos sob a responsabilidade da pesquisadora e após este período
serão arquivados no Banco de dados do Grupo GEPASE. Caso aceite participar, gostaríamos
que soubesse que a sua identidade será mantida em absoluto sigilo, não sendo de maneira
alguma associada às informações obtidas neste estudo, não será divulgado nos trabalhos, será
publicada sob a forma de números e o anonimato será garantido com o uso de codificação
numérica. Informamos que essa pesquisa atende à Resolução 466/12 do Conselho Nacional de
78

Saúde, que regulamenta as pesquisas envolvendo seres humanos, tendo sido previamente
avaliada e aprovada pela Comissão de Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem através da
emissão do parecer número 841.446 pela Plataforma Brasil, qualquer dúvida que você queira
esclarecer a qualquer momento poderá consultar o CEP pelo número 32837615, a
pesquisadora responsável Virginia Crispina de Oliveira Gomes pelo e-mail –
viwcris@[Link], fone (71) 9260- 8864.
Antes de iniciar, gostaria de saber se você necessita de mais alguma informação, pois estou a
disposição para os esclarecimentos.
A pesquisa só será iniciada se você aceitar participar após a leitura, compreensão das
explicações deste termo e concordância em participar.
Este termo após assinatura pela pesquisadora e pelo participante em duas vias, sendo que uma
ficará com você e a outra com a pesquisadora.
Agradeço a sua atenção e colaboração.

_____________________________ _____________________________
Participante Pesquisadora

Salvador, ____/ _____ / ______.


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APÊNDICE B – Instrumento de coleta (Questionário)

Universidade Federal da Bahia


Escola de Enfermagem
Programa de Pós Graduação em Enfermagem

Data do preenchimento_________________
Número atribuído ao entrevistado_________
Curso ____________________
Turno do curso___________

PARTE 1- CARACTERIZAÇÃO

1- Qual a sua idade?


1. 20 a 29 ( )
2. 30 a 39 ( )
3. 40 a 49 ( )
4. 50 ou mais ( )

2- Seu sexo é:
1. Masculino ( )
2. Feminino ( )

3- Qual é o seu estado civil?


1. Solteira ( )
2. Casada ( )
3. Viúva ( )
4. Divorciada ( )
5. Separada ( )
6. Outros ( )

PARTE 2- FORMAÇÂO E EDUCAÇÃO PERMANENTE

4- Qual a sua formação na graduação?


1. Enfermagem ( )
2. Nutrição ( )
3. Odontologia ( )
4. Biologia ( )
5. Serviço social ( )
6. Outros ( )

5- Quanto tempo tem de formado (a)?


1. Menos de 1 ano ( )
2. 1 a 5 anos ( )
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3. 6 a 10 anos ( )
4. 11 a 15 anos ( )
5. Mais de 15 anos ( )

6- Você fez alguma habilitação, especialização, programa de mestrado/doutorado ou


licenciatura em enfermagem.
1. Sim ( )
2. Não ( )

7- Qual (ais) método utiliza na sua formação permanente?


1. Participação em eventos ( )
2. Cursos de caráter pedagógico ( )
3. Treinamentos e capacitações profissionais ( )
4. Grupos de estudo/pesquisa ( )
5. Outros, qual (ais)?_________________________________________

PARTE 3- ATUAÇÃO PROFISSIONAL

8- Tempo de exercício profissional:


1. até 5 anos ( )
2. de 6 a 10 anos ( )
3. de 11 a 15 anos ( )
4. mais de 15 anos ( )

9- Você trabalha em quantos empregos?


1. Um ( )
2. Dois ( )
3. Três ( )
4. Mais de três ( )

10- Você trabalha em que tipo de instituição?


1. Só escola ( )
2. Escola e hospital ( )
3. Escola e saúde pública ( )
4. Escola, saúde pública e hospital ( )
5. Outra(especifique) ___________________________________

PARTE 4- ATUAÇÃO DOCENTE

11- Tempo de docência:


1. até 5 anos ( )
2. de 6 a 10 anos ( )
3. de 11 a 15 anos ( )
4. mais de 15 anos ( )

12- A docência (ensino) em ordem de importância é


1. Sua atividade profissional principal ( )
2. Sua atividade profissional secundária ( )
3. Sua atividade profissional terciária ( )
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4. Outra (especifique)_________________________________

13- Qual o tempo de docência nessa escola?


1. até 5 anos ( )
2. de 6 a 10 anos ( )
3. de 11 a 15 anos ( )
4. mais de 15 anos ( )

14- Qual a modalidade de contratação na docência nessa escola?


1. Temporário por tempo determinado ( )
2. Temporário por tempo indeterminado ( )
3. Efetivo ( )
4. C.L.T ( )
5. Outra(especifique)_____________________________________( )

15- Quantas horas em média você trabalha por semana nessa escola?
1. até 20 horas ( )
2. de 20 a 30 horas ( )
3. de 30 a 40 horas ( )
4. mais de 40 horas ( )

16- Você exerce outra função além da docência nessa escola?


1. Não ( )
2. Sim ( )

17- Você atua em mais de uma instituição de ensino?


1. Não ( )
2. Sim ( )
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ANEXO A – Parecer do Comitê de Ética


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ANEXO B – Declaração de anuência

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