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Introdução
O Sistema de Posicionamento Global (GPS) constitui uma das tecnologias mais relevantes no
âmbito da cartografia, topografia e planeamento territorial, permitindo a determinação precisa
da posição de pontos à superfície terrestre. Baseado na recepção de sinais emitidos por satélites
em órbita, o GPS revolucionou os métodos tradicionais de levantamento, tornando-os mais
rápidos, eficientes e acessíveis.
No contexto dos levantamentos topográficos, destaca-se o conceito de GPS de
reconhecimento, utilizado em fases preliminares de análise e estudo de terrenos, permitindo
uma primeira aproximação à realidade espacial antes da realização de medições de elevada
precisão.
O presente trabalho tem como objectivo abordar o funcionamento do sistema GPS, incluindo
os seus princípios fundamentais, o conceito de coordenadas e o processo de trilateração, bem
como os diferentes segmentos que compõem o sistema. Adicionalmente, analisa-se o GPS de
reconhecimento, as suas aplicações práticas, as diferenças em relação aos sistemas de precisão
e, por fim, as principais vantagens, limitações e áreas de aplicação desta tecnologia
Metodologia
O presente trabalho foi desenvolvido com base numa metodologia de pesquisa bibliográfica,
recorrendo a fontes digitais disponíveis na Internet. Foram utilizados artigos, documentos
académicos e sítios de carácter educativo.
A pesquisa foi orientada por palavras-chave relacionadas com o GPS, nomeadamente o seu
funcionamento, aplicações e utilização em levantamentos topográficos. Após a recolha da
informação, procedeu-se à análise, selecção e organização dos conteúdos mais relevantes, os
quais foram posteriormente redigidos de forma clara e estruturada, adequada ao nível
universitário.
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Introdução ao GPS de Reconhecimento
O Sistema de Posicionamento Global, conhecido pela sigla GPS (Global Positioning System),
é uma tecnologia baseada em satélites que permite determinar, com elevada precisão, a
localização de qualquer ponto na superfície terrestre. Trata-se de um dos sistemas de navegação
mais utilizados no mundo, sendo essencial em diversas áreas científicas, técnicas e do
quotidiano.
O funcionamento do GPS depende de um conjunto de 24 satélites artificiais que orbitam o
nosso planeta.
O GPS baseia-se na recepção de sinais emitidos por uma constelação de satélites que orbitam
a Terra. Esses satélites transmitem continuamente informações sobre a sua posição e o tempo
exato em que o sinal foi enviado. Um receptor GPS, ao captar sinais de pelo menos quatro
satélites, consegue calcular a sua posição tridimensional (latitude, longitude e altitude) através
de um processo matemático denominado trilateração, que consiste em determinar a posição de
um ponto a partir da distância a outros pontos conhecidos.
[Link]ória do desenvolvimento do GPS
O desenvolvimento do GPS está diretamente relacionado ao contexto geopolítico da Guerra
Fria. Durante este período, os Estados Unidos procuravam desenvolver tecnologias que
garantissem superioridade estratégica, especialmente no domínio militar.
A origem do GPS remonta à década de 1950, quando cientistas observaram que era possível
determinar a posição de um objeto na Terra com base no efeito Doppler dos sinais emitidos por
satélites. Este princípio foi inicialmente aplicado no sistema Transit, utilizado pela Marinha
dos Estados Unidos para navegação submarina.
Na década de 1970, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos iniciou o desenvolvimento
de um sistema mais avançado e preciso, que viria a ser o GPS. O objetivo era criar um sistema
global de navegação que funcionasse em qualquer condição climática, em qualquer lugar do
planeta e a qualquer hora.
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O primeiro satélite GPS foi lançado em 1978, marcando o início da implementação do sistema.
Ao longo dos anos seguintes, novos satélites foram sendo colocados em órbita, formando
gradualmente a constelação necessária para cobertura global.
Em 1995, o sistema foi declarado plenamente operacional. No entanto, durante muitos anos, o
uso civil do GPS foi intencionalmente degradado através de um mecanismo chamado Selective
Availability (Disponibilidade Seletiva), que introduzia erros nos sinais para limitar a precisão.
Essa limitação foi removida no ano 2000, por decisão do governo dos Estados Unidos,
permitindo que o GPS passasse a oferecer alta precisão também para uso civil. Este marco foi
fundamental para a expansão massiva da tecnologia em aplicações comerciais e científicas.
Desde então, o GPS tem evoluído continuamente, com melhorias nos satélites, nos algoritmos
de processamento e na integração com outros sistemas de navegação global, como o
GLONASS (Rússia), Galileo (União Europeia) e BeiDou (China).
Importância na Cartografia
A introdução do GPS representou uma verdadeira revolução na cartografia e nas ciências
geoespaciais. Antes da sua utilização, a determinação de coordenadas geográficas dependia de
métodos tradicionais como triangulação, poligonais e observações astronómicas, que exigiam
mais tempo, maior esforço humano e estavam sujeitos a erros acumulativos.
Com o GPS, tornou-se possível obter coordenadas geográficas de forma rápida, precisa e
praticamente em tempo real. Isso trouxe inúmeros benefícios para a cartografia, entre os quais
se destacam:
Precisão nos levantamentos;
Rapidez na recolha de dados;
Redução de erros humanos;
Georreferenciamento;consiste em associar dados a coordenadas geográficas [Link] é
fundamental em áreas como cadastro, planeamento urbano e gestão ambiental.
Em síntese, o GPS transformou a cartografia de uma atividade lenta e manual para um processo
digital, preciso e altamente eficiente.
Funcionamento do GPS
O Sistema de Posicionamento Global (GPS) determina a localização de um receptor através de
sinais emitidos por satélites em órbita terrestre. Cada satélite transmite continuamente ondas
de rádio contendo sua posição orbital e o tempo exacto de emissão (relógio atómico
embarcado).
O Sistema de Posicionamento Global (GPS) baseia-se na transmissão de sinais entre um
conjunto de satélites em órbita da Terra e um recetor localizado na superfície terrestre. O
segmento espacial é o conjunto de satélites que compõem a constelação. É composto por 29
satélites que orbitam a Terra a cada 12 horas, a uma altitude de 19 312 km. A função do
segmento espacial consiste em encaminhar sinais, bem como armazenar e retransmitir as
mensagens de rota enviadas pelo segmento de controlo.
Cada satélite transmite continuamente sinais que contêm:
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A sua posição exacta no espaço;
O instante exacto em que o sinal foi emitido.
O receptor GPS capta esses sinais e calcula o tempo que cada um levou a chegar. A partir desse
tempo, determina a distância entre o recetor e os satélites.
Com base nessas distâncias, o receptor consegue calcular a sua posição no espaço. Embora
precisemos apenas de três satélites para determinar a localização na superfície da Terra, um
quarto satélite é frequentemente usado para corrigir o erro de relógio do receptor, o que permite
um posicionamento mais preciso. O quarto satélite também nos permite calcular a altitude de
um dispositivo, introduzindo-nos na terceira dimensão.
O GPS funciona através de uma técnica chamada trilateração . Utilizada para calcular
localização, velocidade e altitude, a trilateração coleta sinais de satélites para fornecer
informações de localização.
Nota: A trilateração é frequentemente confundida com a triangulação, que é usada para medir
ângulos, não distâncias.
A trilateração
Funciona assim:
Satélites em órbita da Terra enviam sinais que são lidos e interpretados por um dispositivo
GPS, situado na superfície terrestre ou próximo a ela. Para calcular a localização, um
dispositivo GPS precisa ser capaz de receber o sinal de pelo menos quatro satélites .
Cada satélite da rede orbita a Terra duas vezes por dia e envia um sinal único, com
parâmetros orbitais e horário. A qualquer momento, um dispositivo GPS pode ler os sinais de
seis ou mais satélites.
Os satélites não fornecem informações sobre ângulos, portanto, a localização de um dispositivo
GPS pode estar em qualquer lugar na superfície de uma esfera.
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Quando um satélite envia um sinal , ele cria um círculo com um raio medido do dispositivo
GPS até o satélite.
Após adicionar um segundo satélite, cria-se um segundo círculo , e a localização é reduzida
a um dos dois pontos onde os círculos se intersectam.
Com um terceiro satélite, a localização do dispositivo pode finalmente ser
determinada , pois ele está na interseção dos três círculos.
Dito isso, vivemos em um mundo tridimensional, o que significa que cada satélite
produz uma esfera, não um círculo . A interseção de três esferas produz dois
pontos de intersecção , então o ponto mais próximo da Terra é escolhido.
Aqui está uma ilustração da localização por satélite .
Conforme os dispositivos GPS se movem , o raio (distância até o satélite) muda. Quando o
raio muda, novas esferas são geradas, fornecendo-nos uma nova posição. Podemos usar esses
dados, combinados com o tempo fornecido pelo satélite, para determinar a velocidade, calcular
a distância até o nosso destino e a hora prevista de chegada.
Sistema de Coordenadas
A posição de qualquer ponto à superfície da Terra é definida através de três coordenadas
fundamentais e tridimensionais:
Latitude — distância angular em relação ao Equador (Norte ou Sul);
Longitude — distância angular em relação ao meridiano de Greenwich (Este ou Oeste);
Altitude — altura do ponto em relação ao nível médio do mar.
O GPS calcula primariamente latitude e longitude; a altitude é obtida a partir do modelo
geométrico (elipsoide) adoptado. As coordenadas são geralmente referidas ao datum WGS84
(sistema global padrão).
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Segmento dos Sistemas
O GPS é composto por três componentes diferentes, chamados segmentos, que trabalham em
conjunto para fornecer informações de localização.
Segmento Espacial: constelação de satélites (mínimo 24 em 6 planos orbitais) que transmitem
sinais de navegação. Normalmente há entre 4 e 8 satélites visíveis acima do horizonte em
qualquer local. Cada satélite carrega relógios atómicos (hélio, rubídio) e retransmite
continuamente sua órbita e horário;
Segmento de Controlo: é composto por estações de monitoramento terrestres, estações de
controle mestre e antenas terrestres, rede de estações terrestres fixas (estações monitoras e de
controlo) que rastreiam os satélites, calculam correcções de órbita e relógios, e enviam dados
de efemérides e correções aos satélites. Por exemplo, a estação principal em Colorado gerencia
a constelação GPS e envia parâmetros ionosféricos e de relógios para os satélites.
Segmento do Utilizador: engloba todos os receptores GPS como relógios, smartphones,
dispositivos telemáticos e antenas, usados por civis, militares e investigadores. Estes
dispositivos recebem e decodificam os sinais dos satélites para calcular posições. Há diversos
tipos de receptores (navegação simples, topográficos, geodésicos), conforme discutido no
próximo item.
Erros e Correcções
Apesar da sofisticação, o GPS sofre fontes de erro que degradam a precisão final. Dentre as
principais estão:
Erro Ionosférico: o sinal atravessa a ionosfera (50–1.000 km), camada carregada de íons que
desacelera as ondas de rádio de forma dependente de frequência, causando atraso ionosférico
(na ordem de metros). A magnitude varia com ciclo solar, hora do dia e localização.
Erro Troposférico: o sinal passa pela troposfera (até ~12 km), camada densa de ar húmido.
Mudanças de pressão, temperatura e humidade causam atraso troposférico (tipicamente 2–10
m).
Erros de Relógio: ligeiros desvios nos relógios atómicos dos satélites e no relógio de quartzo
do recetor introduzem erros de temporização. Por exemplo, 10 nanossegundos de erro no
relógio satélite correspondem a 3 metros de erro de distância calculada.
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Multicaminho: reflexões do sinal em superfícies (prédios, água, montes) fazem o sinal demorar
mais para atingir o recetor. O recetor interpreta o satélite como estando mais distante do que
realmente está. Evitar ângulos de chegada baixos e superfícies refletoras ajuda mitigar este
erro.
Erro Orbital: imprecisões na efeméride (posição calculada do satélite) também geram erro de
posição (até alguns metros).
Para mitigar estes erros, existem correções diferenciais. No DGPS (GPS diferencial), uma
estação base fixa em ponto conhecido calcula o erro presente no sinal (comparando
coordenadas conhecidas com as medidas) e transmite correções aos recetores móveis. O RTK
(Real-Time Kinematic) usa fase de portadora e uma estação de referência para alcançar
precisões centimétricas em tempo real. Técnicas modernas (DGPS, RTK, PPP) reduzem
drasticamente os erros atmosféricos e de relógio, levando a posicionamentos de alta precisão.
GPS de Reconhecimento
Definição e Propósito
GPS de reconhecimento refere-se ao uso de receptores GPS menos sofisticados para
levantamentos preliminares ou de baixa precisão. Neste modo, o sistema fornece localizações
aproximadas de terreno, servindo sobretudo para planeamento inicial. Por exemplo, em
avaliações agronómicas ou na demarcação inicial de um lote, utiliza-se GPS de reconhecimento
para mapear limites gerais e identificar características do terreno antes do levantamento
topográfico detalhado.
Este tipo de GPS prioriza facilidade e rapidez de uso, ao custo de menor precisão. Os recetores
de reconhecimento são geralmente de uso civil comum (handhelds, GPS para carros/atividades
ao ar livre) e podem ter precisão típica de alguns metros (10–15 m) em condições ideais. Não
suportam técnicas de correção avançadas como RTK; alguns oferecem suporte a DGPS para
melhorar a precisão relativa.
Aplicações em Campo
As aplicações do GPS de reconhecimento incluem:
Reconhecimento de Terreno: delimitar brevemente áreas para construções, mapeamento
florestal ou levantamentos ambientais iniciais;
Planeamento de Projectos: traçar rapidamente rotas aproximadas de estradas ou redes (por
exemplo, linhas elétricas, sistemas de irrigação) antes do projeto final;
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Agricultura: mapear áreas agrícolas para amostragem de solo, planeamento de plantio ou
definição de zonas de manejo;
Atividades de Navegação e Busca: em operações de resgate ou expedições, para orientação
geral em campo.
Em todas as situações, os dados de reconhecimento servem como base de estudo, não
substituindo o levantamento de alta precisão posterior, mas orientando onde concentrar
esforços detalhados.
Comparação: Reconhecimento vs Precisão
A tabela abaixo compara o GPS de reconhecimento (uso geral) com o GPS de alta precisão
(levantamento topográfico/geodésico):
GPS de Precisão
Característica GPS de Reconhecimento (Topográfico/Geodésico)
Precisão típica Metros (5–15 m) Centímetros (1–10 cm)
Custo do Baixo Alto (varias dezenas a centenas de
equipamento milhares de euros)
Complexidade de Simples (interfaces usuais) Alta (configurações avançadas)
uso
Correcções Opcional: DGPS básico DGPS, RTK, Pós-processamento
suportadas
Exemplos de Garmin eTrex, smartphones Trimble R10, Leica Viva GS30, Topcon
modelo GNSS Hiper+
Aplicações típicas Navegação recreativa, Levantamentos cadastrais, engenharia
estudos iniciais civil
Em resumo, GPS de reconhecimento prioriza rapidez e custo reduzido para levantamentos
preliminares, enquanto o GPS de precisão (habitualmente recetores geodésicos ou RTK)
entrega posicionamentos rigorosos exigidos em engenharia e geodésia.
Tipos de receptores GPS:
Actualemente, existe uma grande variedade de receptores GPS disponíveis no mercado.
Dependendo do tipo de aplicação, dos requisitos de precisão e do factor custo, o utilizador pode
seleccionar o tipo de receptor GPS que melhor se adapta às suas necessidades. Os receptores
disponíveis abrangem uma vasta gama, desde os receptores Rouge de alta precisão
desenvolvidos pelos Laboratórios de Propulsão a Jacto (JPL) da Administração Nacional de
Aeronáutica e Espaço (NASA), com relógio atómico incorporado, até aos receptores de
navegação portáteis utilizados por militares, alpinistas, etc., que podem indicar a posição com
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uma precisão de poucos metros. Até mesmo relógios de pulso com receptores GPS
incorporados estão agora disponíveis no mercado (por exemplo: o relógio GPS da Casio)
Receptores de Navegação
Estes receptores são normalmente receptores portáteis de baixa densidade, de frequência única
e código C/A, que podem indicar a posição com uma precisão de alguns metros a algumas
dezenas de metros. Os receptores de canal único, que podem rastrear 4 ou mais satélites através
de técnicas sequenciais ou de multiplexação, e que eram mais comuns nesta categoria, estão
agora a ser substituídos por receptores de dois ou cinco canais. Estes receptores são muito
portáteis, pesando apenas algumas centenas de gramas, e são relativamente baratos, situando-
se na faixa de preços de algumas centenas de dólares americanos. Exemplos desses receptores
são o receptor GPS Magellan 5000 comercializado na Índia pela ROLTA (Índia), a placa de
PC NAVSTAR GPS que pode ser instalada num computador pessoal, comercializada na Índia
pela Micronics Ltd., o receptor GPS portátil da Casio em formato de relógio, etc. As precisões
de posicionamento obtidas por este tipo de receptores situam-se na ordem de algumas dezenas
de metros em posicionamento absoluto.
GPS Magellan 5000
Receptores de topografia
Os receptores de topografia são receptores de frequência única e multicanal, que são úteis para
a maioria das aplicações topográficas, incluindo aplicações de cartografia cadastral, fornecendo
controlo topográfico terciário, levantamentos de engenharia, etc. Estes são mais caros do que
os receptores de navegação e mais versáteis. Os dados de muitos destes receptores podem ser
importados directamente para os pacotes de software/formatos SIG mais comuns. A maioria
destes receptores também pode ser utilizada no modo DGPS. Exemplos de receptores de
topografia são o modelo PRO-XR da Trimble Navigation Ltd., o modelo SR 100 da Leica AG,
etc.
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GPS topografia RTK
Receptores geodésicos
Os receptores geodésicos são receptores multicanal e de dupla frequência, geralmente com
capacidade para receber e descodificar o código P. São mais pesados e mais caros do que os
receptores de navegação e topografia, variando desde os receptores Rouge instalados nas
estações de rastreio GPS até aos receptores portáteis de controlo de levantamentos geodésicos.
São capazes de proporcionar precisões da ordem de alguns centímetros no posicionamento
absoluto, com informações precisas e pós-processadas sobre a órbita dos satélites, e de alguns
milímetros no posicionamento relativo. Exemplos desses receptores são o 4000 SSE da Trimble
Navigation Ltd., o WILD 200 da Leica e os receptores geodésicos ASHTECH Z-12, etc.
O 4000 SSE da Trimble Navigation Ltd WILD 200 da Leica
Equipamentos e Acessórios para Recetores GPS
Para além do próprio recetor GPS, existem vários acessórios e equipamentos complementares
que são essenciais para melhorar o desempenho, a precisão e a facilidade de utilização dos
sistemas de posicionamento por satélite. Estes acessórios tornam o trabalho de campo mais
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eficiente e asseguram que as medições sejam fiáveis e confortáveis durante levantamentos
topográficos ou outras aplicações profissionais.
Suportes e Montagens (Mounts)
Os suportes são acessórios que permitem fixar o receptor GPS num local seguro e estável
durante a operação. Estes incluem:
Suportes para veículos (como fixações no tablier ou no pára-brisas);
Suportes para bicicletas ou outros veículos de deslocação;
Bases adaptadoras que ligam o recetor a tripés ou bastões.
Estes suportes são importantes para garantir que o equipamento permanece estável durante a
medição, principalmente em trabalhos de navegação ou deslocações prolongadas.
Antenas Externas
As antenas externas têm um papel essencial na captação do sinal dos satélites, especialmente
em ambientes onde a cobertura de sinal é fraca, como florestas densas, áreas urbanas com
muitos edifícios ou terrenos irregulares
Adaptadores de Energia e Cabos
Os adaptadores de energia servem para manter o recetor GPS com bateria carregada durante
operações prolongadas, como em levantamentos de campo que duram muitas horas ou em
viagens longas. Os cabos de energia e adaptadores permitem que o equipamento funcione de
forma contínua, sem interrupções por falta de energia.
Tripés, Bastões e Poles
Estes equipamentos são usados para elevar e estabilizar o recetor durante o levantamento
topográfico. Incluem:
Tripés de campo que mantêm o recetor firme sobre o solo;
Bastões e poles de diferentes materiais (fibra de carbono, alumínio) para transportar o recetopr
a alturas específicas;
Extensões de bastões que permitem medições mais elevadas ou em áreas de difícil acesso.
Adaptadores, Tribrachs e Conectores
Estes componentes servem para ligar o recetor GPS a outros equipamentos, como tripés,
bastões, adaptadores ou dispositivos móveis. Por exemplo, os tribrachs permitem uma ligação
firme e um ajuste de nível entre o recetor e a base de suporte, aumentando a estabilidade no
terreno.
Vantagens, Limitações e Aplicações Práticas
Vantagens do GPS
Cobertura Global: funciona em qualquer lugar com visibilidade do céu.
Disponibilidade Contínua: os sinais GPS estão disponíveis 24/7 e são gratuitos (civil)
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Alta Precisão Relativa: com correcções (DGPS/RTK), atinge-se precisão centimétrica,
fundamental para aplicações de engenharia
Agilidade Operacional: reduz muito o tempo de campo comparado a métodos tradicionais
(teodolitos, níveis). Um único operador com GPS pode coletar milhares de pontos
georreferenciados com rapidez.
Multifuncionalidade: além de posição, muitos recetores calculam velocidade, vetores de
deslocamento e sincronizam tempo preciso. Também servem de plataformas para sistemas de
informação geográfica (GIS).
Limitações
Interferências e Obstáculos: edifícios altos, densa copa de árvores ou relevo acidentado podem
bloquear ou refletir sinais (multicaminho), degradando precisão.
Erros Atmosféricos: atrasos ionosféricos e troposféricos (variáveis) introduzem imprecisões,
exigindo modelos de correção ou uso de frequências duplas (recetores geodésicos).
Sensibilidade ao Relógio: recetores utilizam relógios de quartzo (menos precisos que
atómicos). Por isso, é necessário um satélite adicional para corrigir o desajuste temporal.
Dependência de Correcções: sem DGPS/RTK, um GPS comum pode ter erro de vários metros.
Para medições exatas, é preciso usar infraestrutura adicional (estações base, redes de
referência).
Custo de Alta Precisão: Equipamentos de precisão (RTK, dual-frequency) são caros e
requerem pessoal treinado.
Aplicações Práticas
O GPS transformou várias áreas:
Cartografia e Topografia: gera mapas digitais e levantamentos cadastrais com rapidez. Permite
atualizar mapas base e modelar terrenos.
Planeamento Urbano e Infraestruturas: auxiliar no traçado de estradas, redes de água/energia e
monitorização de deformações em pontes e edifícios.
Construção Civil: emprega-se GPS RTK para localização precisa de pontos de obra (fundação,
estacas), controle de movimentos de máquinas e verificação de estruturas.
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Agricultura de Precisão: mapeamento de solos, aplicação localizada de insumos, operação
automatizada de tratores guiados por GPS de centímetro.
Navegação: em veículos, barcos e aeronaves, o GPS fornece orientação de rota e
acompanhamento de posição com segurança, sobretudo em combinação com dados
cartográficos digitais.
Geociências e Ciências Ambientais: monitorização de placas tectônicas, estudos de maré,
meteorologia (previsão por atraso troposférico do sinal), entre outros.
Em suma, as vantagens do GPS (rápido, global, preciso com tecnologia adequada) superam as
limitações, tornando-o fundamental para georreferenciamento moderno.
Estações Monitoras Sensores
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Conclusão
O Sistema de Posicionamento Global revela-se uma ferramenta essencial no contexto actual,
desempenhando um papel fundamental em diversas áreas, desde a cartografia e topografia até
ao planeamento urbano e à construção civil. A compreensão do seu funcionamento, baseada na
comunicação entre satélites e recetores, bem como no uso de coordenadas e no processo de
trilateração, permite reconhecer a sua importância na determinação precisa de posições
geográficas.
No âmbito específico dos levantamentos preliminares, o GPS de reconhecimento assume
particular relevância, possibilitando uma análise inicial eficiente e orientando as fases
posteriores de estudo com maior rigor técnico.
Apesar de apresentar algumas limitações, nomeadamente relacionadas com interferências de
sinal e condições ambientais, as suas vantagens superam amplamente essas restrições,
tornando-o indispensável no desenvolvimento de projectos e na gestão do território.
Assim, conclui-se que o GPS, nas suas diversas aplicações e níveis de precisão, constitui uma
tecnologia fundamental para o avanço das ciências geográficas e do planeamento territorial.
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Bibliografia
[Link]
[Link]
[Link]
MONICO, J. F. G. (1996). Posicionamento pelo NAVSTAR-GPS: Descrição, fundamentos e
aplicações. São Paulo: UNESP
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