FACULDADE ESCOLA ENGENHARIA DE AGRIMENSURA
NÚCLEO DE PÓS-GRADUAÇÃO, PESQUISA E EXTENSÃO
ESPECIALIZAÇÃO LATO SENSU EM GESTÃO E AUDITORIA AMBIENTAL
MILENA DE SOUSA BARBOSA
A IMPORTÂNCIA DA
APLICAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL NAS EMPRESAS
Salvador
2016
MILENA DE SOUSA BARBOSA
A IMPORTÂNCIA DA
APLICAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL NAS EMPRESAS
Monografia apresentada ao Curso de Especialização Lato
Sensu em Gestão e Auditoria Ambiental, Faculdade Escola de
Engenharia e Agrimensura, como requisito parcial para a
obtenção do grau de Especialista em Gestão e Auditoria
Ambiental
Salvador
2016
MILENA DE SOUSA BARBOSA
A IMPORTÂNCIA DA
APLICAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL NAS EMPRESAS
Monografia apresentada ao Curso de Especialização Lato Sensu em Gestão e
Auditoria Ambiental, Faculdade Escola de Engenharia e Agrimensura, como
requisito parcial para a obtenção do grau de Especialista em Gestão e Auditoria
Ambiental.
Aprovada em ____de_____________de_______
Banca Examinadora
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AGRADECIMENTOS
Agradeço em primeiro lugar a Deus, pelo dom da vida e por ter me concedido
a graça de concluir mais uma etapa de vidas.
À família, base de nossa formação e responsável pela pessoa que tornei
obrigada pelo apoio, compreensão e incentivo constante.
Aos professores, agradeço pelo conhecimento e experiências dividido em sala
de aula. Em especial agradeço a professora Larissa Cayres, pois suas dicas
foram de grande valia.
Aos colaboradores e aos amigos de turma, obrigada pela ajuda e partilha de
experiências que, de alguma forma, ajudou e contribuiu para o fechamento
deste ciclo.
RESUMO
A Gestão Ambiental dentro das organizações têm tomado grandes proporções
nos últimos anos, principalmente com a evolução tecnológica e os avanços da
globalização. Em virtude disso as empresas se voltam ao controle de suas
ações, a fim de evitar maiores danos causados ao meio ambiente através dos
processos produtivos e se manter no mercado, que por sua vez, vem exigindo
e selecionando as organizações que se enquadrem nos parâmetros de
preservação ambiental. Sendo assim, esse trabalho tem por objetivo estudar a
importância da Gestão Ambiental nas empresas.
Palavras-Chave: Gestão Ambiental, Tecnologia, Globalização, Preservação
Ambiental, Organizações.
ABSTRACT
Environmental management within organizations are taking large
proportions in recent years, especially with the technological developments and
the advances of globalization. As a result companies are turning to control their
actions in order to avoid further damage to the environment through the
production processes and remain in the market, which in turn, has required and
selecting the organizations that fall within the parameters of environmental
preservation. Thus, this work aims to study the importance of environmental
management in companies.
Keywords: Environmental Management, Technology, Globalization,
Environmental Conservation Organizations.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ..............................................................................................
CAPÍTULO 1 – CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA ....................................
1.1. CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA...................................................
1.2. JUSTIFICATIVA.....................................................................................
1.3. OBJETIVOS...........................................................................................
1.4. ESTRUTURA DO TRABALHO ..............................................................
CAPÍTULO 2 – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ....................................................
2.1. HISTÓRICO DA RESPONSABILIDADE AMBIENTAL E LEGISLAÇÃO
AMBIENTAL .................................................................................................
2.1.1. Protocolo de Kyoto ..........................................................................
2.1.2. O papel das ONGs na questão Ambiental......................................
2.1.3. Legislação Ambiental Brasileira ......................................................
2.2. CERTIFICAÇÕES E NORMATIVAS DA GESTÃO AMBIENTAL...........
2.3. CERTIFICAÇÃO ISO 14001 DE SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL
2.4. A IMPLEMENTAÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL NAS ORGANIZAÇÕES
......................................................................................................................
2.5. A GESTÃO AMBIENTAL COMO DIFERENCIAL
COMPETITIVO ............................................................................................
2.6. RESPONSABILIDADE AMBIENTAL E SUSTENTABILIDADE..............
CAPÍTULO 3 – METODOLOGIA...................................................................
3.1. DEFINIÇÃO DE METODOLOGIA..........................................................
3.2. PROCEDIMENTOS PARA OBTENÇÃO DE DADOS............................
CAPÍTULO 4 - Apresentação e discussão dos dados ......................................
4.1. QUESTIONÁRIO APLICADO ................................................................
5.2. VISITA TÉCNICA - DADOS E INFORMAÇÕES COLETADAS .............
5.2.1. Monitoramento da água ..................................................................
5.2.2. Monitoramento do ar e chaminés ....................................................
5.2.3. Monitoramento do solo e vegetação ...............................................
CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................
ANEXOS .........................................................................................................
LEIS PERTINENTES À GESTÃO AMBIENTAL ...........................................
LISTA DE QUADROS
Quadro 1: Resumo dos principais acontecimentos relacionados com o
desenvolvimento sustentável ...........................................................................
Quadro 2: Família de normas NBR ISO 14000 ................................................
Quadro 3: Declaração de princípios da indústria para o desenvolvimento
sustentável. ......................................................................................................
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Espiral do Sistema de Gestão Ambiental (ISO 14001)......................
Figura 2: Selos Verdes .....................................................................................
Figura 4: Captação de águas e armazenagem ................................................
Figura 5: Postes de Captação de Poeira Sedimentável ...................................
Figura 6: Pontos de Coleta de Vegetação........................................................
1. INTRODUÇÃO
A Responsabilidade Ambiental nos últimos anos têm sido o foco de
muitas empresas devido à globalização e conscientização sobre questões
ambientais que fazem com que Empresas adotem postura mais responsável
perante estas principalmente aquelas que estão classificadas como de alto
potencial de poluição e podem causar degradação ao meio ambiente.
A evolução tecnológica também contribui para que esse fator se agrave.
Porém, as preocupações na preservação e no controle ambiental estão se
tornando cada vez maiores e as empresas buscam cumprir seu papel no que
diz respeito às leis que estão sendo implantadas e monitoradas, a fim de
tornar- se exemplos de excelência na Gestão Ambiental tal como as de acordo
as Normas da ISO 14000.
A preocupação com o meio ambiente não se dá somente no Brasil, esse
assunto tomou proporção mundial onde produziremos sem agredir e
promoveremos a reutilização e o descarte apropriado para melhoramento do
trabalho. Existe atualmente o Fórum Mundial de Sustentabilidade, que reúne
os principais países do mundo, para decidir como aplicar a responsabilidade e
a conscientização ambiental de modo sustentável tanto nas empresas, quanto
na população num modo geral para se ter ideia que não só atinge o interno das
Empresas e sim seu redor.
Sendo assim a responsabilidade ambiental é de suma importância
global e busca mostrar que a preservação do meio ambiente depende de todos
nós e está diretamente ligada às nossas ações. Por isso, deve haver a
conscientização e participação de todos os setores seja privada (empresas
privadas), público (governos), terceiro setor (organizações não
governamentais) e de toda a população, assumindo o papel de preservação e
sustentabilidade.
A grande necessidade de se adequar os processos produtivos à
preservação ambiental vem fazendo com que as empresas procurem utilizar-se
de processos menos impactantes sobre o meio ambiente, ou seja, que
busquem a redução de resíduos emitidos em agressão a esse meio, com isso
passasse pela necessidade de produzir bem e melhor. Sendo assim, essa
pesquisa pretende-se averiguar qual a importância da gestão ambiental para
as empresas e saber como ela é vista pelas mesmas e pela sociedade e
quais são as medidas utilizadas para o seu funcionamento.
O intuito é saber se as empresas adotam a gestão ambiental somente
porque são obrigadas ou porque gera algum retorno para a empresa além da
preservação do meio ambiente. Se há alguma dificuldade para a sua aplicação
e quais os pontos positivos e negativos que a responsabilidade ambiental pode
trazer a organização, a comunidade e ao meio ambiente.
Qual seria o papel da Gestão ambiental dentro dessas organizações?
Este trabalho buscará discutir como as empresas trabalham com a
Gestão Ambiental, como busca entender como vêem esse assunto e como
protegem o meio ambiente e ainda descobrir também qual a importância da
Gestão Ambiental e do Desenvolvimento Sustentável e porque são temas que
estão cada vez mais sendo discutido mundialmente.
A escolha do tema foi pelo fato de entender a importância da Gestão
Ambiental para a comunidade e para a preservação do meio em que se
instalam essas empresas, que está cada vez mais destruído, sendo que os
principais motivos desta destruição são a poluição o desmatamento e
despreparo causados pelo consumo sem controle sem medir as consequências
dos fatos.
Esta foi uma pesquisa que buscou identificar quais são os benefícios
que a responsabilidade ambiental traz as organizações e porque os
empresários devem investir nela. Já que empresas ecologicamente correta
ganham a preferência e se destaca melhor no mercado.
Pretende-se estudar a importância da Gestão Ambiental nas empresas e
saber com abordam este assunto. Com base nesse objetivo principal,
destacam-se alguns objetivos secundários:
Mostrar como a responsabilidade ambiental vem se
desenvolvendo durante anos e porque é peça fundamental
para preservação do meio ambiente e para o
desenvolvimento econômico e sustentável no mundo;
Verificar se a responsabilidade ambiental nas empresas
além de obrigatória pode se tornar um diferencial quando são
bem desenvolvidas;
Quais dificuldades que as empresas enfrentam para
implantar a gestão ambiental;
Levantar se existe na empresa-alvo a preocupação com o
meio ambiente e se existe o uso de ferramentas e/ou técnicas
para o controle ambiental;
Relatar os Sistemas usados pela empresa alvo em relação ao
meio ambiente, como técnicas de redução de resíduos, sejam
eles sólidos, líquidos ou gasosos;
Entender como a empresa trabalha para preservar o meio
ambiente e quais são os benefícios que esse trabalho traz
a empresa, ao meio ambiente e a comunidade.
Enfim, deseja-se averiguar e apresentar o que é gestão ambiental, como ela é
vista por todos e qual a sua importância, principalmente nas empresas,
buscando entender quais são os benefícios proporcionados, quando uma
empresa trabalha seriamente com a gestão ambiental.
A estrutura do trabalho é formada por cinco capítulos mais as considerações
finais. No capítulo um apresentou-se um breve relato de como é a aplicação de
gestão ambiental nas organizações e os objetivos desse trabalho. No segundo
capítulo apresentamos uma revisão bibliográfica na qual serão abordados temas
relevantes e pertinentes à Gestão Ambiental. No terceiro capítulo encontra-se a
metodologia que foi aplicada. No quarto capítulo encontram-se as análises e
os resultados obtidos através de pesquisa técnica e questionário aplicado na
empresa alvo.
2. HISTÓRICO DA RESPONSABILIDADE AMBIENTAL E LEGISLAÇÃO
AMBIENTAL
Os problemas ambientais surgiram desde os primórdios da espécie
humana, conforme afirma Dias (2009), e com o passar do tempo e os avanços
industriais, tecnológicos e a globalização, esses problemas passaram a ter
proporções maiores e servir de alerta para nos, pois diariamente é possível
notar esse problema através dos noticiários.
“A construção pelos seres humanos de um espaço próprio de
vivência, diferente do natural, se deu sempre à revelia e com a
modificação do ambiente natural. Assim, o ser humano, para sua
sobrevivência, de um modo ou de outro, sempre modificou o
ambiente natural”. (DIAS, 2009, p. 1)
Afirma ainda que com a Revolução Industrial no século XVIII os
problemas foram se agravando, mas foi somente em meados do século XX que
se iniciaram alguns movimentos globais, que foram chamados de conferências,
onde foram assinados vários acordos e tratados pelos países do Mundo.
De acordo com Dias (2009), em 1968 foram realizados três encontros
fundamentais com o objetivo de traçar estratégias para enfrentar os problemas
ambientais na década de 70, que são:
1. O Encontro de dez países em abril de 1968 em Roma, na Itália,
onde surgiu o Clube de Roma, cuja finalidade era integrar de forma
independente os fatores: econômicos, políticos, naturais e sociais e
mostrar ao mundo para que todos compreendessem e tomassem
iniciativas e planos de ação.
2. Em 1968 a Assembleia das Nações Unidas, decide pela realização,
em 1972, da conferencia Mundial sobre o Meio Ambiente em
Estocolmo, na Suécia.
3. E em Setembro de 1968, a UNESCO realiza, em Paris, a
Conferência abrangendo a conservação e o uso racionalizado dos
recursos naturais, onde é lançado o Programa Homem e a Biosfera
MAB.
Na década de 80 a Assembleia Geral da ONU criou a Comissão
Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CMMAD) que teve como
objetivo apresentar uma “agenda global para mudanças” que continha vários
objetivos, foi denominado “Nosso Futuro Comum”, foi muito importante para a
questão ambiental e para o desenvolvimento econômico sustentável, sendo
referência para as discussões que ocorreram na Conferência das Nações
Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento que aconteceu no Rio de
Janeiro em 1992.
O Rio-92 teve importante papel para a nova abordagem ambiental onde
chamava atenção para a compreensão de que as problemáticas ambientais
estão diretamente ligadas com as condições econômicas e à justiça social.
O meio ambiente passou a ter atenção especial no começo da década
de 90 na agenda global, como o cuidado com o meio ambiente faz parte de
desenvolvimento foram assinados cinco documentos nesta época:
Agenda 21;
Convênio sobre as mudanças climáticas;
Convênio sobre a Diversidade Biológica (CDB);
Declaração do Rio de Janeiro sobre meio ambiente e
desenvolvimento.
Princípios para a Gestão Sustentável das Florestas;
Foram acontecimentos importantes que verificou que foram muito vagas
as medidas tomadas e bem distantes dos objetivos esperados.
Quadro 1: Resumo dos principais acontecimentos relacionados com o
desenvolvimento sustentável
Fonte: DIAS, Reinaldo. Gestão Ambiental: responsabilidade social e sustentabilidade. São
Paulo: Atlas (2009, p. 35)
Os acontecimentos do quadro acima que discutiram este assunto,
afetam de alguma maneira a organização, que fazem com que a questão
ambiental seja inclusa no contexto das organizações e da sociedade.
2.1.1. Protocolo de Kyoto
Em 1997 na cidade de Kyoto, no Japão, através de um acordo entre 84
países, foi assinado o Protocolo de Kyoto, que visa diminuir a emissão de
gases, que provocam o efeito estufa, segundo afirma Dias (2009).
“Na pratica, o Protocolo de Kyoto compromete as nações
industrializadas com a redução de suas emissões (...). O acordo
também permite aos países ricos contabilizarem as reduções de
carbono vinculadas às atividades de desmatamento e
reflorestamento”. (MELARÉ, 2006, p. 23 e 24)
Dias (2009) ainda salienta que, diante disso criaram-se diversas
discussões em torno deste acordo, gerando polêmica principalmente em países
desenvolvidos, pois alegavam que esse protocolo seria prejudicial à economia,
principalmente a dos EUA, provocando muitos desempregos.
“Um aspecto importante a ser considerado é a elevação do grau de
conscientização mundial em relação à necessidade de implementar o
Protocolo de Kyoto e reduzir o perigo representado pelo aquecimento
global. Um exemplo significativo são as posições assumidas por
numerosos prefeitos dos EUA, contrariando a posição assumida por
seu governo, e comprometendo-se a cumprir as metas do Protocolo”.
(DIAS, 2009, p.121)
Para que o Protocolo de Kyoto obtenha sucesso Dias (2009) diz que é
preciso que haja uma conscientização e compromisso de modo geral, ou seja,
sociedades e organizações tanto dos setores privado e público se empenhem
no processo de redução da emissão de gases poluentes.
2.1.2. O papel das ONG’s na questão Ambiental
As Organizações Não G overnamentais(ONG’s) têm papel fundamental
na divulgação e conscientização global em relação à preservação do meio
ambiente e no desenvolvimento sustentável, exercendo grande influencia nas
organizações, através de propostas, acordos, criticas a fim de atingir um
objetivo comum de ambas as partes como afirma Dias (2009).
As ONG’s começaram a ganhar força nos anos 60, com a criação World
Wildlife Fund (WWF) e a partir daí através de muita criatividade conseguiram
chamar atenção das autoridades e do povo do mundo todo, sobre ameaças e
riscos que a má utilização e a falta de controle de uso dos recursos naturais
poderiam causar danos irreparáveis no meio ambiente e trazer consequências
na sobrevivência da espécie humana.
2.1.3. Legislação Ambiental Brasileira
Os problemas ambientais ocorrem há muito tempo e desde os tempos
coloniais, a legislação brasileira preocupava-se em proteger o meio ambiente,
porém essa preocupação adivinha de interesses econômicos setoriais. Depois
da Independência, ainda continuaram os interesses, mas houve mudanças no
Código Florestal, das Águas, da Caça e da Mineração, onde o objetivo era a
proteção de alguns recursos ambientais que tivessem importância econômica.
As primeiras preocupações com a utilização de recursos de maneira
racional, conforme Oliveira (2011) surgiu na Revolução de 1964, onde houve a
compreensão de que os recursos naturais só se transformariam em riquezas se
fossem utilizados de maneira racional e deveriam ser utilizados para vários fins,
sem prejudicar a saúde e a qualidade de vida da população. A partir disto
foram criadas várias leis de proteção ambiental.
O Brasil participou da Conferência das Nações Unidas para o Meio
Ambiente que aconteceu em Estocolmo em 1972 que defendeu, apesar de ter
sido um pouco mal compreendida, mais que foi de grande importância para
a legislação ambiental brasileira onde expôs a opinião de que a natureza
precisa ser preservada pelo homem, mas que ele precisa de recursos naturais
para obter condições básicas para sobreviver e que o desenvolvimento
econômico precisava acontecer a qualquer preço.
Surge então a visão da necessidade de conservar o meio ambiente com
desenvolvimento econômico e o bem-estar da espécie humana, oferecendo
ajuda para recuperar recursos naturais prejudicados e a importância da
conscientização da educação ambiental, assegura Oliveira (2011).
O SEMA teve um papel essencial que ajudou na criação da lei
6.938/81, que se refere à Política Nacional do Meio Ambiente, “que além de
objetivar a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental,
procura assegurar o uso racional dos recursos naturais, contribuindo para o
desenvolvimento econômico sustentável”.
Dentre as leis existentes, temos 17 leis ambientais de suma importância
conforme Machado (2011), que são:
Ação Civil Pública (Lei 7.347 de 24/07/1985);
Agrotóxicos (Lei 7.802 de 11/07/1989);
Área de Proteção Ambiental (Lei 6.902, de 27/04/1981);
Atividades Nucleares (Lei 6.453 de 17/10/1977);
Crimes Ambientais (Lei 9.605, de 12/02/1998);
Engenharia Genética (Lei 8.974 de 05/01/1995), Revogada pela Lei
Nº 11.105, de 24 de março de 2005;
Exploração Mineral (Lei 7.805 de 18/07/1989);
Fauna Silvestre (Lei 5.197 de 03/01/1967);
Florestas (Lei 4771 de 15/09/1965);
Gerenciamento Costeiro (Lei 7661, de 16/05/1988);
IBAMA (Lei 7.735, de 22/02/1989);
Parcelamento do solo urbano (Lei, 6.766 de 19/12/1979);
Patrimônio Cultural (Decreto-Lei 25, de 30/11/1937);
Política Agrícola (Lei 8.171 de 17/01/1991);
Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938, de 17/01/1981);
Recursos Hídricos (Lei 9.433 de 08/01/1997);
Zoneamento Industrial nas Áreas Críticas de Poluição (Lei 6.803,
de02/07/1980).
A Legislação Ambiental Brasileira nos dias atuais é muito completa,
embora não seja monitorada e cumprida de forma eficiente e eficaz, é de muita
importância e ajuda a preservar o meio ambiente e reduzir sua destruição.
2.2. Certificações e normativas da Gestão Ambiental
A International Organization for Standardization (Organização
Internacional para a Normatização - ISO), entidade internacional não
governamental com sede em Genebra na Suíça que foi criada com o
propósito de desenvolver normas e padrões que auxiliem os modos de
fabricação de produtos, o comércio e a comunicação. No Brasil há uma única
representante que é a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) uma
organização sem fins lucrativos, que cuida da normalização técnica do país.
A ISO 14000 é desenvolvida e atualizada pelo comitê técnico, ISO/TC
207 e abrange as áreas abaixo:
Sistemas de Gestão Ambiental (SGA);
Auditorias Ambientais;
Avaliação do Desempenho Ambiental;
Rotulagem Ecológica;
Análise do Ciclo de Vida (ACV);
Aspectos Ambientais em Normas de Produtos;
Termos e Definições.
Quadro 2: Família de normas NBR ISO 14000
*Normas passíveis de certificação.
Fonte: DIAS (2009) citando Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), (1996).
2.3. Certificação ISO 14001 de Sistema de Gestão Ambiental
Como uma série de preocupações sobre o Meio Ambiente, segundo a
ISO (2011) foi criado em 1991, o SAGE – Strategic Grup on the Environment
(Grupo de Ação Estratégica sobre o Meio Ambiente), cujo objetivo é averiguar
a questão ambiental e fazer recomendações.
“A missão da SAGE era o de investigar normas para alcançar a
promoção de uma abordagem comum à gestão ambiental; aumentar
a capacidade da organização em alcançar e medir melhorias no
desempenho ambiental; e facilitar o comércio removendo barreiras
comerciais”. (MELARÉ, 2006, p. 21)
A norma ISO 14001, segundo Dias (2009) faz parte da família de
normas da ISO 14000, que tem objetivo fornecer ferramentas e sistema para a
administração de uma empresa, porém, a ISO 14001 é a que fornece as
especificações e requisitos necessários para a implementação e apoio do
Sistema de Gestão Ambiental (SGA).
Figura 1: Espiral do Sistema de Gestão Ambiental (ISO 14001).
Fonte: Adaptado de Maimon (1996) e Cajazeira (1997), extraído via
[Link]
De acordo com Dias (2009), Donaire (1999) e Andreoli (2011), dentro
dos requisitos que é necessário para obter uma SGA certificável, existe
algumas especificações que são:
Comprometimento e política – A política ambiental deve ser
adequada à natureza e aos impactos ambientais de suas atividades,
buscando a melhoria contínua sempre, atendendo à legislação, normas
ambientais e requisitos aplicáveis pela organização. Sendo importante
sempre controlar e revisar as metas ambientais, de forma a garantir que
todos tenham conhecimento dentro da organização e que também esteja
disponível ao público.
Planejamento – é importante a organização elaborar um planejamento
ou definir procedimentos para a adequação ambiental, que identifiquem os
aspectos ambientais e examine as atividades que causam impactos ambientais
significativos em relação aos requisitos legais e outros. É necessário
estabelecer e sustentar metas e objetivos internos de desempenho para
assegurar um programa de gestão ambiental eficiente.
Implementação – é crucial que a organização assegure a
capacitação e as ações de apoio, desenvolvendo planos de ações,
estruturando e distribuindo responsabilidades. O treinamento, a comunicação
e principalmente, a conscientização das pessoas envolvidas são essenciais
para um bom resultado. As ações de apoio precisam ter relato, documentação
do SGA, controle operacional e uma preparação ou controle de emergência.
Verificação e ação corretiva ou medição e avaliação –
é recomendado que a organização consiga avaliar através de medições e
monitoramentos, periódicos, as atividades que possam afetar o meio ambiente,
verificando os indicadores ambientais. A organização precisa ter procedimento
para investigar as não-conformidade e verificar as ações corretivas e
preventivas, assim como manter registros ambientais, gestão informações e
auditorias e procedimentos periódicos.
Análise crítica pela alta administração e melhoria ou revisão
– a organização deve analisar criticamente o seu SGA e aperfeiçoar
definindo adequações necessárias com o objetivo de assegurar e melhorar
seu desempenho ambiental, concluindo o ciclo de melhoria contínua. Pode ser
implementado por qualquer organização, pois não existem metas.
2.4. A implementação da Gestão Ambiental nas Organizações
Para a implementação da Gestão Ambiental é necessário seguir alguns
princípios, tais como: Prioridade na organização: a gestão do ambiente como
fator determinante do desenvolvimento sustentável; Gestões Integradas, que
visa estabelecer políticas e procedimentos de gestão ambiental em todos os
domínios da empresa, desde: Processo de Aperfeiçoamento ao Cumprimento
de Regulamentos e Informações, passando por formação de pessoal,
produtos e serviços, Medidas Preventivas, Conselhos de Consumidores,
etc, com objetivo comum de proteger e melhorar a qualidade do ambiente sem
afetar o bom desenvolvimento econômico. Existem várias formas para uma
organização implementar a Questão Ambiental, uma delas seria, analisar a
situação da empresa frente ao compromisso ambiental, identificar seus pontos
fracos e fortes a fim de evitar possíveis ameaças e aproveitar as
oportunidades. Dentre os quais destaca-se as seguintes questões:
Pontos
Fracos
Produtos que não podem ser reciclados;
Processos poluentes;
Imagem Poluidora;
Pessoal desinteressado na questão ambiental.
Pontos
Fortes
Produtos que não prejudiquem o meio Ambiente;
Processos Produtivos que economizam recursos e não causam
danos ao Ambiente;
Pessoal comprometido com a Questão Ambiental;
Capacidade de Desenvolvimento Tecnológico e produtos limpos;
Ameaças
Mudanças na legislação, ocasionando elevação nos custos;
Intervenção do governo nos processos atuais;
Melhor desempenho dos concorrentes na melhoria dos processos
quem envolvem o Meio Ambiente;
Interferência de grupos ecológicos.
Oportunidades
Surgimento de novos mercados;
Transformar produtos atuais em produtos que não agridem o Meio
Ambiente;
Transmitir boa imagem organizacional frente à questão ambiental;
Envolver fornecedores e colaboradores para que se comprometam
com a proteção ambiental.
“(...) a melhor maneira de organizar depende da natureza do ambiente
com a qual a organização deve se relacionar”. (Andrade AT. AL., 2000, pág.
46).
2.5. A Gestão Ambiental como diferencial competitivo
Atualmente as empresas que focam na questão ambiental como
estratégia de marketing, conseguem se destacar pois, esse assunto ganhou
grande importância devido a valorização diante dos consumidores e da
sociedade de modo geral, fazendo com que as empresas se empenhem
cada vez mais na conquista desse meio, oferecendo produtos que atendam
as necessidades e exigências desse público e atraia novos públicos.
Para ajudar os consumidores a identificar os produtos amigáveis ao
meio ambiente foram criados em alguns países os produtos verdes que são
identificados por um selo ambiental conforme figura abaixo:
Figura 2: Selos Verdes Fonte: Gallieu 2010, via:
A implantação dos selos deve seguir algumas regras, a fim de evitar
possíveis falsificações, e são distribuídos por órgãos reconhecidos, não
devendo existir barreiras comerciais, seguindo padrões pré- estabelecidos com
foco na melhoria do produto ou serviço.
“o produto verde (ou ecológico) é, portanto, aquele que cumpre as
mesmas funções dos produtos equivalentes e causa danos ao meio
ambiente inferior, durante todo o seu ciclo de vida. E, quanto ao
produto em si deve ser analisado sua composição, se é reciclado, se
agride ou não o meio ambiente, e quanto à embalagem, se o material
também pode ser reciclado.” (DIAS, 2009, pág.144)
2.6. Responsabilidade ambiental e sustentabilidade
De acordo com Donaire (1999), o conceito de Sustentabilidade segundo
a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente da ONU (Organização das Nações
Unidas) é utilizar os recursos naturais para suprir as necessidades do presente,
sem comprometer os recursos naturais que supriram as necessidades futuras.
“Sustentabilidade é a palavra chave. O mundo será obrigado a se
desenvolver de forma sustentável – ou seja, que preserve o meio
ambiente – e as empresas deverão fazer o mesmo, por iniciativa
própria ou por exigência legal. Isso poderá ser conseguido com um
programa de “Gestão Ambiental Total” e um projeto de “ organização
sustentável”. (ARMELIN, 2002 p. 33)
É preciso a colaboração da sociedade como um todo para que o
desenvolvimento sustentável possa ter resultado positivo. Os recursos naturais
sempre foram abundantes e livres para serem usufruídos, porém houve um
aumento na poluição ambiental afetando a população através da utilização
indevida do ar, água e solo, sendo assim “o desenvolvimento tecnológico deve
ser orientado para metas de equilíbrio com a natureza e de incremento de
capacidade de inovação de países em desenvolvimento”, resultando no
equilíbrio ecológico.
Quadro 3: Declaração de princípios da indústria para o desenvolvimento
sustentável.
1 - Promover a efetiva participação pró-ativa do setor industrial, em conjunto
com a sociedade, os parlamentares, o governo e organizações não
governamentais no sentido de desenvolver e aperfeiçoar leis, regulamentos e
padrões ambientais.
2 - Exercer a liderança empresarial, junto à sociedade, em relação aos
assuntos ambientais.
3 - Incrementar a competitividade da indústria brasileira, respeitados os
conceitos de desenvolvimento sustentável e o uso racional dos recursos
naturais e de energia.
4 - Promover a melhoria contínua e o aperfeiçoamento dos sistemas de
gerenciamento ambiental, saúde e segurança do trabalho nas empresas.
5 - Promover a monitoração e a avaliação dos processos e parâmetros
ambientais nas empresas. Antecipar a análise e os estudos das questões que
possam causar problemas ao meio ambiente e à saúde humana, bem como
implementar ações apropriadas para proteger o meio ambiente.
6 - Apoiar e reconhecer a importância do envolvimento contínuo e
permanente dos trabalhadores e do comprometimento da supervisão nas
empresas, assegurando que os mesmos tenham o conhecimento e o
treinamento necessários com relação às questões ambientais.
7 - Incentivar a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias limpas, com o
objetivo de reduzir ou eliminar impactos adversos ao meio
ambiente e à saúde da comunidade.
8 - Estimular o relacionamento e parcerias do setor privado com o governo e
com a sociedade em geral, na busca do desenvolvimento sustentável, bem
como na melhoria contínua dos processos de comunicação.
9 - Estimular as lideranças empresariais a agirem permanentemente junto à
sociedade com relação aos assuntos ambientais.
10 - Incentivar o desenvolvimento e o fornecimento de produtos e serviços
que não produzam impactos inadequados ao meio ambiente e à saúde da
comunidade.
11 - Promover a máxima divulgação e conhecimento da Agenda 21 e
estimular sua implementação.
Fonte: DIAS (2009, p. 39), citando CNI (2002, p. 24).
3. Abordagem e obtenção das informações
A Metodologia define-se como um conjunto de métodos e técnicas que tem
por objetivo traçar comparação da realidade com a teoria conforme afirma Demo
(1987).
“Na metodologia de pesquisa, encontramos meios e técnicas utilizados
para atingir os objetivos anteriormente apresentados e as perguntas que
podemos fazer são: Como fazer? Onde fazer? Com que fazer? Quanto?
Quando fazer?” (BEZZON, 2005, p. 23)
Segundo Demo (1987) a metodologia mais utilizada é a que se baseia na
teoria do conhecimento, que visa questões lógicas e objetivas, e ainda afirma
que a metodologia é apenas um instrumento para se atingir o objetivo da pesquisa.
“O que realmente interessa é a pesquisa. Esta é a maior finalidade básica da
ciência. A metodologia é somente instrumento para chegarmos lá”. (DEMO, 1987,
p. 22).
Lakatos e Marconi (2010) afirmam que algumas técnicas de obtenção de
dados são a entrevista, que se trata de uma conversa que forneça as informações
necessárias, e o questionário que se refere a perguntas relacionadas ao tema
pesquisado.
“Entrevista – é uma conversação efetuada face a face, de maneira
metódica; proporciona ao entrevistador, verbalmente, a informação
necessária. Tipos: padronizada ou estruturada, despadronizada ou não
estruturada, Painel.
Questionário - constituído por uma série de perguntas que devem ser
respondidas por escrito e sem a presença do pesquisador”. (LAKATOS E
MARCONI, 2010, p. 111)
Para o desenvolvimento deste trabalho serão utilizados o método de
entrevista com o objetivo de obter informações e praticas reais sobre a Gestão
Ambiental aplicada na empresa.
3.2. Procedimento para obtenção dos dados
Para obtenção dos dados foi utilizado o método de entrevista e um
questionário ao departamento de Gestão Ambiental da empresa alvo, a fim de
identificar informações relevantes sobre o tema abordado e como são aplicados
métodos de Gestão ambiental dentro da organização.
Através de uma entrevista estruturada obteve-se dados relevantes que não
foram alterados, em um questionário contendo 10 perguntas, onde o
pesquisado respondeu de forma clara e objetiva podendo expressar suas
opiniões e propor melhorias.
4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS DADOS
Neste capítulo, apresentamos os resultados obtidos através de visita
técnica e aplicação do questionário contendo algumas questões, respondidas pelo
responsável pelo setor de gestão ambiental da empresa alvo. Segue abaixo os
resultados obtidos.
4.1. Questionário aplicado
1. O que é feito com os resíduos produzidos?
Todos os resíduos gerados são incinerados ou recuperados, para os
1 2
resíduos de classe I e II (pilhas, lâmpadas, filtros, rejeitos de matéria prima,
etc.) são enviados para incineração conforme CADRI (Certificado de
3
Destinação de Resíduos Industriais). Os resíduos de classe III não contaminados
podem ser reciclados em cooperativas e também possuem documentos de
1
destinação. A empresa optou por não enviar nenhum tipo de resíduo para
aterros, pois não é ideal para nenhum tipo de descarte, é uma medida ineficaz.
2. Como é o processo de aproveitamento desses resíduos?
Na incineração estes resíduos são transformados em algum tipo de matéria
prima (sais, óxidos e outros), os quais podem ser reutilizados em fabricação de
tintas, ou comercialização dos sais. Na cooperativa (papelão, embalagem de papel
ou plástico não contaminado), se tornam matérias-primas para novas embalagens
ou derivados.
3. Existe fiscalização de órgãos competentes dentro da empresa?
Sim, constantemente ocorre visita dos órgãos competentes que são:
4 5 6
CETESB , IBAMA e INMETRO , onde se submete a atenta vigilância em
1
Resíduos de Classe I – perigosos, são estes os resíduos que requerem a maior atenção por parte do administrador,
uma vez que os acidentes mais graves e de maior impacto ambiental são causados por esta classe de resíduos. Estes
resíduos podem ser condicionados, armazenados temporariamente, incinerados, ou dispostos em aterros sanitários
especialmente desenhados para receber resíduos perigosos.
² Resíduos de Classe II-A – não inertes, tal como os resíduos de Classe II-B os resíduos de Classe II-A podem ser
dispostos em aterros sanitários ou reciclados, entretanto, devem ser observados os componentes destes resíduos
(matérias orgânicas, papeis, vidros e metais), a fim de que seja avaliado o potencial de reciclagem.
³ Resíduos de Classe II-B – inertes, podem ser dispostos em aterros sanitários ou reciclados.
monitoramento ambiental.
CETESB - monitoramento ambiental, licenças e cadris;
IBAMA - fiscalização do produto e seus componentes;
INMETRO - qualidade do produto.
4. Como é feita essa fiscalização?
CETESB – concede as licenças: Licença Previa (LP), Licença de
Instalação (LI), Licença de Operação (LO), e Certificado de Destinação de
Resíduos Industriais (CADRI), todos estes documentos são renováveis a cada
2 anos. Caso não sejam cumpridos às exigências de monitoramento ambiental
(análise de solo, água, vegetação, ar, chaminé, águas subterrâneas,
sedimento) estes documentos não são mais fornecidos e não podendo operar
nesta atividade, ou seja, a empresa pára.
4
CETESB - Companhia Ambiental do Estado de São Paulo.
5
IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.
6
INMETRO - Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial.
IBAMA – é preciso informar quantidade de produto vendido, quantidade
de produto recolhido do mercado (quando não mais útil), e a composição dos
componentes. Estabelecem limites de Mercúrio (Hg) e Cádmio (Cd) na bateria,
documento fornecido licença do IBAMA, sem ela não é possível colher sucata
do mercado e o produto encarece, pois é preciso comprar matéria prima
importada.
INMETRO - controla a qualidade do produto, caso não esteja dentro do
especificado não é possível comercializar.
6. A empresa possui algum programa de conscientização junto à
população? Como é a relação da empresa com a população?
A Kania realiza de forma rigorosa os monitoramentos que a ela foram
exigidos, investe em equipamentos de “ponta” quando o assunto é qualidade
ambiental, e entende que o melhor trabalho ambiental é aquele onde a
população e o meio ambiente não sejam prejudicados, também entende que
uma população com educação ambiental seria o fator determinante para a
melhor qualidade ambiental do nosso país.
7. Qual a política ambiental da empresa?
Produzir produtos de qualidade, mantendo a qualidade do meio
ambiente e através das informações comprometer os clientes, fornecedores e
sociedade para contribuir na qualidade de vida e ambiental das presentes e
futuras gerações.
8. Como os colaboradores contribuem para Gestão Ambiental? Qual a
participação deles?
Cada colaborador tem sua função dentro da empresa, e através de
treinamento e procedimentos de trabalho são orientados para o que podem e o
que não podem fazer, a conscientização é o melhor caminho, pois, um
funcionário consciente passa a barreira da fabrica e começa a executar
melhorias em sua casa com economia de energia, água, separação de lixos
etc.
9. Quais os benefícios que a Gestão Ambiental proporciona a empresa?
Pode vender seu produto, pois, sabendo que não causou impacto
ambiental tem mais mercado, melhor usos de suas matérias primas (energia,
água, reagentes, matéria prima, etc.), evita grandes gastos com remediações
de áreas contaminadas.
Não sendo uma empresa contaminada tem mais valor agregado em
caso de venda, na verdade um setor de gestão ambiental na empresa deixa de
ser um gasto e passa e ser um investimento, ou seja, é como pagar um seguro
de um carro é um gasto, mas quando ele é roubado deixa de ser um gasto e
passa a não ter um prejuízo.
10. Existem leis e normas que precisam ser seguidas. Quais as
dificuldades/ pontos negativos que elas podem ocasionar a empresa?
Existem sim, todos monitoramentos tem padrões a serem seguidos,
como por exemplo:
Águas subterrâneas (valores orientadores da CETESB como
referencia)
7
Águas superficiais (CONAMA 357 art. 34 para descarte e CONAMA
357 art. 15 para controle da nascente).
Água tratada efluente (art. 18).
Solo (valores orientadores da CETESB).
Vegetação (metais são comparados com analise antes da fabrica
funcionar não podendo esse valor aumentar).
Sedimento (metais também sendo comparado com o branco da
fabrica)
5
Hig-vol (material particulado e chumbo NBR 9547)
Poeira Sedimentável (NBR 12065)
7 CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente
5
NBR – Norma Brasileira
Resíduos Sólidos (Lei 12305 de 2 de agosto de 2010)
Política Nacional Do Meio Ambiente (Lei 6.938 de 31 de agosto de
1981)
Não apresentam pontos negativos, somente positivos, pois, estas leis
servem como auxílio e devem ser seguidas, sem este controle fica difícil
manter a qualidade ambiental de um empreendimento.
50
50
5.2. VISITA TÉCNICA - DADOS E INFORMAÇÕES COLETADAS
Conforme visita técnica realizada, tomamos conhecimento de que antes
da implantação efetiva da empresa no local onde se encontra atualmente,
foram realizados diversos estudos e análises da área da empresa e
proximidades e foram coletados dados e amostras de solo, vegetação, água e
sedimentos. De acordo com os resultados obtidos são definidos o layout da
empresa e sua instalação, e a partir daí são realizados os monitoramentos
periódicos de responsabilidade do departamento de Gestão Ambiental
juntamente com o órgão responsável pela fiscalização da empresa.
5.2.1. Monitoramento da água
A empresa possui um sistema de aproveitamento das águas da chuva a
fim de evitar o consumo de água canalizada.
Figura 4: Captação de águas e armazenagem
Fonte: Kania Ind. Com. de Acumuladores Ltda.
51
51
São duas piscinas que captam o volume de água das chuvas, sendo
que, as piscinas possuem um sistema onde na primeira piscina é captado o
3
volume de 250m de água de chuva, decorrentes da lavagem dos telhados e
solo da empresa, que mais tarde serão analisadas. Em seguida, através de
dispositivos, fecha-se a entrada de água da primeira piscina, sendo liberada
3
para a segunda piscina, com o volume de 1650m , onde após conferir os
parâmetros físicos e químicos da água, a mesma é bombeada para a sua
utilização no processo produtivo.
3
A terceira piscina com capacidade de 650m é utilizada para
armazenamento do efluente tratado, sendo que essa água é reutilizada em
sistema de lavadores de gases, lavagem de baterias e limpeza da área fabril,
3
gerando uma economia de água aproximada de 5.040m por ano.
5.2.2. Monitoramento do ar e chaminés
Todas as chaminés da empresa possuem sistema de filtros ligados em
série, com 99,9% de eficiência em filtração. Sonda para a medição de
vazamento de particulados, desta forma, caso haja uma falha de equipamento
a sonda é responsável por acionar um alarme. Caso, isso ocorra, todo sistema
é paralisado e realiza-se a manutenção, para que se possa operar sem que
haja qualquer tipo de escape de material para atmosfera.
A qualidade do ar foi determinado no ato da instalação da empresa,
onde instalou-se em alguns pontos equipamentos responsáveis por monitorar a
qualidade do ar a cada 6 dias durante 24 horas.
52
52
Figura 5: Postes de Captação de Poeira Sedimentável
Fonte: Kania Ind. Com. de Acumuladores Ltda.
Os pontos de poeira sedimentável, são frascos contendo altura e
diâmetros calculados para determinar a possível contaminação na poeira
dispersa no ar.
5.2.3. Monitoramento do solo e vegetação
No solo existem pequenos postes, que foram instalados por órgãos de
fiscalização e conforme a formação dos lençóis freáticos da região. Através
desses pequenos postes são coletadas três medidas de solo, sendo 30, 60 e
80 cm que vão para análise. Esta analise é feita em pontos estratégicos, pois
pode ocorrer a identificação de contaminação, porém esse resultado pode não
ser da empresa justamente por serem instalados conforme a posição dos
lençóis.
Ao redor da empresa existem vários tipos de vegetação que são
plantados por exigência dos órgãos de fiscalização. Alguns tipos de vegetação
estão localizados no perímetro externo da empresa e suas análises realizadas
nas amostras são feitas de duas maneiras:
53
53
Na primeira amostra, em um determinado ponto, a amostra
coletada é lavada, com a finalidade de remover todo material
particulado (poeira).
Na segunda amostra, deste mesmo ponto, a amostra coletada é
analisada da forma que é coletada no campo.
Figura 6: Pontos de Coleta de Vegetação
Fonte: Kania Ind. Com. de Acumuladores Ltda.
São coletadas de tempos em tempos algumas amostras dessa
vegetação, tanto das áreas em volta da empresa como áreas distantes, para
serem comparadas mediante análise e verificação de alterações positivas ou
não.
54
54
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base na pergunta problema este trabalho responde as seguintes
questões: qual a importância da Gestão Ambiental em pequenas e médias
empresas? Como este assunto é abortado por elas? Diante dessas perguntas
identificou-se que a Gestão Ambiental nas organizações tem por
responsabilidade fazer valer as Leis pertinentes, colocando-as em prática,
através de monitoramentos dos processos produtivos e dos cuidados com os
resíduos, a fim de evitar prejuízos que possam degradar o Meio Ambiente.
Verifica-se atualmente que nem todas as organizações dão prioridade a este
tema, devido à falta de conhecimento aprofundado das consequências do mau
uso dos recursos naturais e também por falta de incentivo governamental para
que haja uma educação ambiental dentro da sociedade como um todo.
Através do objetivo: “Mostrar como a responsabilidade ambiental vem se
desenvolvendo durante anos e porque é peça fundamental para preservação
do meio ambiente e para o desenvolvimento econômico e sustentável no
mundo” verificou-se que a responsabilidade ambiental está ganhando força na
medida em que as organizações e a sociedade vêm se conscientizando e se
preocupando com o meio ambiente e as consequências do mau uso dos
recursos naturais e é de suma importância que a conscientização ecológica
cresça cada vez mais, para que o desenvolvimento econômico consiga tornar-
se sustentável para as gerações futuras, onde a reutilização de resíduos e o
uso ponderado dos recursos disponíveis possam ser a melhor alternativa na
atualidade e no futuro.
Como essa preocupação que vem ganhando espaço, como exemplifica
o objetivo: “a responsabilidade ambiental nas empresas além de obrigatória
pode se tornar um diferencial quando são bem desenvolvidas”, analisou-se que
as empresas que investem na Gestão ambiental podem conseguir vários
benefícios, como, por exemplo, reaproveitar resíduos, reutilizar água, e
consequentemente diminuir custos no orçamento da empresa e criar um
diferencial, porque atualmente muitos clientes já valorizam e dão preferência a
empresas ecologicamente corretas, pois conseguem oferecer produtos de
55
55
qualidade sem prejudicar o meio ambiente do qual necessitamos de maneira
direta ou indireta.
Conforme explanado no objetivo “Quais dificuldades que as empresas
enfrentam para implantar a gestão ambiental”, concluiu-se que para a
implementação do sistema de Gestão Ambiental na empresa é importante
analisar os pontos positivos e negativos, pois as empresas podem ser
classificadas conforme o grau de risco que oferece ao meio ambiente, por isso
precisa identificar os impactos que pode causar no meio ambiente, afim de,
conseguir diminuir esses impactos e verificar novas oportunidades.
A Gestão ambiental é uma ferramenta que ajuda a empresa a encontrar
os pontos negativos e as ameaças, com o intuito de criar melhorias e
oportunidades à empresa, além de criar uma conscientização ecologia e
reduzir os impactos causados ao meio ambiente, beneficiando também a
população, clientes e outros. Existem leis e normas que são obrigatórias, que
devem ser seguidas, para garantir que as empresas executem alguns
procedimentos necessários, alem de servir para orientar as organizações.
A empresa alvo é classificada como uma empresa de potencial
poluidora, porque trabalha com resíduos que podem causar danos graves ao
meio ambiente, onde o objetivo “Levantar se existe na empresa-alvo a
preocupação com o meio ambiente e se existe o uso de ferramentas e/ou
técnicas para o controle ambiental”, corresponde ao que foi pesquisado no que
diz respeito ao setor de gestão ambiental da empresa alvo, que trabalha
seriamente e consegue reaproveitar seus resíduos e descartá-los de maneira
que não ofereça risco ao meio ambiente, servindo de modelo para outras
empresas neste requisito.
Esse trabalho nos possibilitou conhecer a aplicação e o funcionamento
da Gestão Ambiental dentro da empresa-alvo, onde pudemos analisar através
do objetivo: “Entender como a empresa fabricante de baterias, Kânia trabalha
para preservar o meio ambiente e quais são os benefícios que esse trabalho
traz a empresa, ao meio ambiente e a comunidade”, que esclareceu dúvidas
pertinentes ao tema, possibilitando ter uma consciência maior sobre a
utilização dos recursos naturais e a necessidade de preservação do meio
ambiente.
56
56
Podemos concluir que através de uma Gestão Ambiental bem
implantada e que funcione, as organizações, principalmente as de potencial
poluidoras, tenham total controle na geração de resíduos e se empenhem
através da prevenção e monitoramento dos seus processos produtivos
diminuindo os impactos causados ao Meio Ambiente.
A Gestão Ambiental e o compromisso com o meio ambiente, apesar de
ser um assunto atual, ainda possui diversas limitações, ou seja, não conseguiu
ganhar força necessária para ser reconhecida como uma ferramenta de
diferencial positivo, mas ainda assim os benefícios superam as dificuldades
tanto para a implantação, como sua manutenção. Para reverter esse quadro é
preciso que as organizações revejam sua cultura e modo como são feitos os
seus processos, para que futuramente possam obter melhores resultados sem
prejudicar o meio ambiente.
Vale destacar que o tema abordado pode vir a ser mais desenvolvido no
ensino de administração, com o objetivo de formar futuros gestores com
consciência ecológica para que a responsabilidade ambiental frente às novas
gerações, não seja somente um diferencial competitivo, mas um processo
natural dentro das organizações.
57
57
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60
60
ANEXOS
LEIS PERTINENTES À GESTÃO AMBIENTAL
Ação Civil Pública (Lei 7.347 de 24/07/1985)
Disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao
meio-ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético,
histórico, turístico e paisagístico (VETADO) e dá outras providências.
Agrotóxicos (Lei 7.802 de 11/07/1989)
Dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e
rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda
comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos
e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a
fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras
providências.
Área de Proteção Ambiental (Lei 6.902, de 27/04/1981)
Dispõe sobre a criação de Estações Ecológicas, Áreas de Proteção Ambiental
e dá outras providências.
Atividades Nucleares (Lei 6.453 de 17/10/1977)
Dispõe sobre responsabilidade civil por danos nucleares e a responsabilidade
criminal por atos relacionados com as atividades nucleares. Entre outros,
determina que quando houver um acidente nuclear, a instituição autorizada a
operar a instalação nuclear tem a responsabilidade civil pelo dano,
independente da existência de culpa. Se for provada a culpa da vítima, a
instituição apenas será exonerada de indenizar os danos ambientais. Em caso
de acidente nuclear não relacionado a qualquer operador, os danos serão
suportados pela União. A lei classifica como crime produzir, processar,
fornecer, usar, importar, ou exportar material sem autorização legal, extrair e
comercializar ilegalmente minério nuclear, transmitir informações sigilosas
neste setor, ou deixar de seguir normas de segurança relativas à instalação
nuclear.
Crimes Ambientais (Lei 9.605, de 12/02/1998)
Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e
atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências.
Engenharia Genética (Lei 8.974 de 05/01/1995), Revogada pela Lei Nº
11.105, de 24 de março de 2005.
o
Regulamenta os incisos II, IV e V do § 1 do art. 225 da Constituição Federal,
estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização de atividades
que envolvam organismos geneticamente modificados – OGM e seus
derivados, cria o Conselho Nacional de Biossegurança – CNBS, reestrutura a
Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio, dispõe sobre a
o
Política Nacional de Biossegurança – PNB, revoga a Lei n 8.974, de 5 de
o
janeiro de 1995, e a Medida Provisória n 2.191-9, de 23 de agosto de 2001, e
o o o o o o
os arts. 5 , 6 , 7 , 8 , 9 , 10 e 16 da Lei n 10.814, de 15 de dezembro de
2003, e dá outras providências.
Exploração Mineral (Lei 7.805 de 18/07/1989)
Altera o Decreto-Lei nº 227, de 28 de fevereiro de 1967, cria o regime de
permissão de lavra garimpeira, extingue o regime de matrícula, e dá outras
providências.
Fauna Silvestre (Lei 5.197 de 03/01/1967)
Dispõe sobre a proteção à fauna e dá outras providências.
Florestas (Lei 4771 de 15/09/1965)
Institui o novo Código Florestal.
Gerenciamento Costeiro (Lei 7661, de 16/05/1988)
Institui o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro e dá outras providências.
IBAMA (Lei 7.735, de 22/02/1989)
Dispõe sobre a extinção de órgão e de entidade autárquica, cria o Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e dá outras
providências.
Parcelamento do solo urbano (Lei, 6.766 de 19/12/1979)
Dispõe sobre o Parcelamento do Solo Urbano e dá outras Providências.
Patrimônio Cultural (Decreto-Lei 25, de 30/11/1937)
Organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional.
Política Agrícola (Lei 8.171 de 17/01/1991)
Dispõe sobre a política agrícola.
Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938, de 17/01/1981)
Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de
formulação e aplicação, e dá outras providências.
Recursos Hídricos (Lei 9.433 de 08/01/1997)
Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de
Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da
Constituição Federal, e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de
1990, que modificou a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989.
Zoneamento Industrial nas Áreas Críticas de Poluição (Lei 6.803, de
02/07/1980).
Dispõe sobre as diretrizes básicas para o zoneamento industrial nas áreas
críticas de poluição, e dá outras providências.
QUESTIONÁRIO
1. O que é feito com os resíduos produzidos?
2. Como é o processo de aproveitamento desses resíduos?
3. Existe fiscalização de órgãos competentes dentro da empresa?
4. Como é feita essa fiscalização?
5. A empresa possui algum programa de conscientização junto à
população? Como é a Relação da empresa com a população?
6. Qual a política ambiental da empresa?
7. Como os colaboradores contribuem para Gestão Ambiental? Qual a
participação deles?
8. Quais os benefícios que a Gestão Ambiental proporciona a empresa?
9. Existem leis e normas que precisam ser seguidas. Quais as dificuldades/
a. pontos negativos que elas poem ocasionar a empresa?