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O trabalho analisa o acompanhamento violonístico de Jorge Santos, principal violonista do conjunto de Waldir Azevedo, destacando sua contribuição para o choro 'Vê se gostas'. Através da transcrição de seu acompanhamento, o estudo investiga suas levadas e baixarias, que moldaram o papel do violão brasileiro. O documento também explora a importância de Jorge Santos na gravação de clássicos da música brasileira entre 1945 e 1971.
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O trabalho analisa o acompanhamento violonístico de Jorge Santos, principal violonista do conjunto de Waldir Azevedo, destacando sua contribuição para o choro 'Vê se gostas'. Através da transcrição de seu acompanhamento, o estudo investiga suas levadas e baixarias, que moldaram o papel do violão brasileiro. O documento também explora a importância de Jorge Santos na gravação de clássicos da música brasileira entre 1945 e 1971.
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PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO DA FACULDADE SANTA MARCELINA

Pós Graduação em Violão: Pedagogia e Performance

“O braço direito” de Waldir Azevedo:


levadas e baixarias de Jorge Santos no choro Vê se gostas

por

Alessandro dos Santos Penezzi

Orientador:

Prof. Dr. Sidney José Molina Júnior

Piracicaba, 2022
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO FACULDADE SANTA MARCELINA
Pós Graduação em Violão: Pedagogia e Performance

“O braço direito” de Waldir Azevedo:


levadas e baixarias de Jorge Santos no choro Vê se gostas

Alessandro dos Santos Penezzi

Resumo
O presente trabalho busca analisar o acompanhamento violonístico de Jorge Geraldo do
Espírito Santo, o Jorge Santos, principal violonista do conjunto regional de Waldir
Azevedo, que foi um dos maiores cavaquinistas de todos os tempos. Membro do grupo
de 1945 a 1971, Jorge Santos foi o violonista que acompanhou e gravou os grandes
sucessos de Waldir Azevedo durante o período, como Brasileirinho, Carioquinha, Vê se
gostas, Delicado e Pedacinhos do céu, entre outros. Através da transcrição de seu
acompanhamento para o choro Vê se gostas, de Waldir Azevedo, buscaremos investigar,
compreender e descrever sua forma de tocar, em especial a levada e os contrapontos
ou baixarias, que auxiliaram a emoldurar o papel do violão brasileiro de
acompanhamento.

Palavras chave: Jorge Santos. Waldir Azevedo. Choro. Violão Brasileiro. Baixaria. Levada

Abstract
The present work seeks to analyze the guitar accompaniment of Jorge Geraldo do
Espírito Santo, Jorge Santos, the main guitarist of the Waldir Azevedo’s regional group,
who was one of the greatest cavaquinists of all times. Like member of the group from
1945 to 1971, Jorge Santos was the guitarist who accompanied and recorded the great
Waldir Azevedo’s hits during the period, such as Brasileirinho, Carioquinha, Vê se gostas,
Delicado and Pedacinhos do Céu, among others. Through the transcription of Jorge
Santos’ accompaniment for the choro Vê se gostas, by Waldir Azevedo, we will seek to
investigate, understand and describe his way of playing, especially the levadas (grooves)
and the counterpoints or baixarias (bass lines), which helped to frame the role of the
brazilian accompaniment guitar.

Keys words: Jorge Santos. Waldir Azevedo. Choro. Brazilian guitar. Bass lines. Grooves.
AGRADECIMENTOS

A meu orientador, professor e amigo Sidney Molina pelo carinho com que me conduziu
pelos caminhos da pesquisa, me mostrando que sempre é tempo de voltar a estudar.

A todos os professores e professoras da Pós-graduação em Violão da Faculdade Santa


Marcelina, pelos ensinamentos e o ânimo que me deram para reentrar no mundo
acadêmico.

Ao querido e saudoso amigo José Gomes de Oliveira, o Zé Moreno, violonista genial que
conhecia a fundo o estilo de Jorge Santos.

Ao Canhotinho, grande cavaquinista e amigo do peito, pelo apoio e generosidade em


falar sobre Jorge Santos e pedir o depoimento de Marly Azevedo.

A Marly Azevedo, por dividir suas memórias afetivas ao falar do violonista Jorge Santos.

A todos os amigos músicos com quem tive boas conversas sobre o tema deste artigo,
em especial Danilo Brito, amigo querido, gênio do bandolim e cavaquinho, e que talvez
seja mais aficionado por Jorge Santos do que eu!

Ao querido amigo e grande violonista Zé Paulo Becker, pelo incentivo, ajuda e indicação
de pessoas que puderam me ajudar nessa empreitada, como Claudio Jorge e Henrique
Cazes.

Ao Zé Barbeiro 7 cordas pelas conversas sempre regadas a boas risadas, e pela sua
levada inconfundível que traz no cerne o vigoroso violão de Jorge Santos.

Ao querido Claudio Jorge, por dividir um pouco de sua convivência com Jorge Santos.

Ao Henrique Cazes, grande pesquisador e cavaquinista, pela gentileza em me passar seu


projeto 100 X Waldir além de indicações de discos e conversas sobre o tema desse
artigo.

Ao Iuri Bittar, amigo e violonista que me ajudou muito em relação às raspadeiras e


outros temas contidos em sua tese.

Ao Leonardo Benon, amigo e cavaquinista de Brasília que me atendeu muito


gentilmente me colocando em contato com George Costa, e Pedro Cantalice.

Ao Pedro Cantalice, amigo e cavaquinista do Rio de Janeiro que realiza um lindo trabalho
de divulgação do instrumento. Com muita generosidade, ele me enviou os fonogramas
do disco do Dudu do Cavaco, onde é possível ouvir o violão de Jorge Santos numa
gravação com muito mais qualidade.
Ao George Costa, amigo violonista de Brasília, que escreveu o único trabalho que
encontrei sobre os violões do regional de Waldir Azevedo.

À professora Gabriela Flor, pelo incentivo, pelo auxílio com as idéias e na formatação
deste artigo.

À professora Beatriz Raposo de Medeiros pela ajuda e paciência em ouvir minhas ideias.

A vocês, meu muito obrigado!

Alessandro Penezzi
SUMÁRIO

1. Introdução ......................................................................................................... 1
2. O Regional de Waldir Azevedo ........................................................................... 2
3. Jorge Santos: grande acompanhador, grande solista ......................................... 5
4. Vê se gostas: análise da gravação de Jorge Santos ............................................. 7
4.1 - Levadas...................................................................................................................... 9
4.2 - Baixarias .................................................................................................................. 17
5. Considerações Finais ........................................................................................ 23
6. Bibliografia ...................................................................................................... 24
6.1 - Artigos, Livros e Sites ............................................................................................... 24
7. Depoimentos Concedidos ao Autor ................................................................... 25
8. Anexos ............................................................................................................. 26
8.1 - Transcrição Jorge Santos: ......................................................................................... 27
8.2 - Transcrição Waldir Azevedo: .................................................................................... 31
8.3 - Quadro informativo ................................................................................................. 35
1

1. Introdução

Ouço choro desde criança – Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Luperce Miranda,


Luiz Americano, Waldir Azevedo, Altamiro Carrilho, Carlos Poyares, Déo Rian, Joel
Nascimento, Evandro do Bandolim, Canhotinho e outros mestres. Provavelmente, por
ser violonista, o papel do acompanhamento sempre chamou a atenção nas gravações
que ouvia. Os conjuntos que acompanhavam esses artistas, chamados de regionais de
choro, eram tipicamente compostos por dois violões (às vezes um 7 cordas), um
cavaquinho e um pandeiro1. Alguns violonistas desses regionais adquiriram certa fama
e chegaram a fazer escola, como Horondino Silva2 – o Dino 7 cordas, e seu constante
parceiro, Jayme Florence3 – o Meira. Ambos participaram do célebre Regional do
Canhoto, conjunto que acompanhou praticamente a totalidade dos artistas populares
da Era de Ouro do Rádio Brasileiro4.
Também era habitual que alguns artistas fundassem seus próprios regionais,
com músicos de grande reconhecimento para que, dessa forma, pudessem imprimir um
estilo mais personalizado aos arranjos e interpretações. Foi o caso de Donga,
Pixinguinha, Dante Santoro, Luiz Americano, Benedito Lacerda5, Jacob do Bandolim,
Esmeraldino Salles, Garoto, Armandinho, Antonio Rago, Nelson Miranda e Waldir
Azevedo, entre outros.

1
O regional poderia apresentar outros instrumentos como contrabaixo acústico e de percussão, mas em
geral somente o(s) solista(s), os violões, o cavaquinho e o pandeiro faziam parte do conjunto.
2
Horondino José da Silva (1918-2006), o Dino 7 cordas, reconhecido como maior influência do violão de
7 cordas. Fonte: [Link] Acessado em 30/05/2022.
3
Jayme Thomas Florence, o Meira (1909-1982), violonista, compositor e professor de violão que
participou do Regional do Canhoto. Foram seus alunos: Baden Powell, Raphael Rabello e Maurício
Carrilho. Fonte: [Link] Acessado em
30/05/2022
4
Era de Ouro do Rádio Brasileiro compreende o período que se estende de 1946 até meados da década
de 1950. (PINTO, 2012)
5
Os músicos do regional de Benedito Lacerda ficaram sem trabalho por dois meses após sua saída do
conjunto. Segundo Paulo Flores, no encarte de sua coletânea de 4 CDS intitulada Benê, o flautista –
Trilogia Musical da Obra do Polêmico (e genial) Benedito Lacerda, sua saída se deveu ao fato de
Benedito se compromissar em acompanhar a campanha política de Adhemar de Barros, e assim não ter
tido mais tempo para os trabalhos com o regional. O grupo, que era formado por Dino e Meira nos
violões, Canhoto (Waldyro Frederico Tramontano) no cavaquinho, Gilson de Freitas no pandeiro, para
não ficar desfalcado, convida os geniais Altamiro Carrilho na flauta e Orlando Silveira no acordeom para
serem os novos integrantes do conjunto. Depois disso, o regional passaria a levar o nome do
cavaquinista – Regional do Canhoto. (BITTAR, 2011, p. 91)
2

Predominantemente, o acompanhamento dos violões apresenta-se bem


elaborado, variando seus elementos entre levadas6, baixarias7 e convenções rítmicas.
Um dos violões costuma se mostrar mais ativo quanto à realização das baixarias
(frequentemente um 7 cordas), além de fazer as levadas. Ao segundo violão, cabe mais
a competência de realizar as levadas, porém em regiões mais agudas - podendo atuar
também em regiões mais graves - visando uma região diversa da do primeiro violão,
bem como dobrar algumas das baixarias em vozes diferentes, quase sempre em
intervalos de terças ou sextas, em geral chamadas de “baixarias de obrigação”.
O cavaquinho tem a função de tocar os acordes ao mesmo tempo em que realiza
a levada (ou batida), como uma espécie de pivô entre a harmonia e o ritmo. Daí seu
apelido de cavaquinho de centro, ou centrista. E por fim, o pandeiro que mantém a
coesão e constância rítmica, acentua os tempos fortes, e através de suas variações na
levada, dialoga ritmicamente com os demais instrumentos. Todo esse amálgama sonoro
estava contido nas gravações que ouço desde a infância.

2. O Regional de Waldir Azevedo

Dentre os regionais que tocavam nas gravações, havia um cuja sonoridade não
se assemelhava aos demais. Suas interpretações pareciam mais rústicas. O cavaquinho
era o instrumento solista, e a ausência de cavaquinho de centro deixava uma certa
lacuna no acompanhamento, mas esta era devidamente preenchida, e de maneira
peculiar - por um violão de 6 cordas de aço. A firmeza, criatividade e precisão rítmica
deste violonista ganhavam tanto destaque, que, às vezes, pareciam roubar a cena do
solista. Este mesmo violão também realizava contrapontos ou baixarias, feitas tanto nas
cordas graves quanto nas agudas.
Após algumas pesquisas, descobri que este violonista era Jorge Geraldo do
Espírito Santo, ou simplesmente Jorge Santos. Tio do internacionalmente famoso Bola

6
“Levadas são as conduções rítmico-harmônicas realizadas por uma das mãos do violonista, enquanto
simultaneamente, a outra mão, cujos dedos pressionam as cordas contra o braço do violão, monta os
acordes.” . (BITTAR, 2011, p. 3)
7
“Fraseado contrapontístico na linha do baixo.” (BECKER, 1996, p. 11)
3

Sete8, participou do conjunto regional de Waldir Azevedo durante o período de 1945 a


1971, deixando sua participação nas gravações dos maiores sucessos de Waldir Azevedo
como importante legado, do qual constam também composições próprias.
Waldir Azevedo (1923-1980) foi o artista que colocou o cavaquinho em primeiro
plano alcançando fama nacional e internacional, além de riqueza. Com ele, de mero
acompanhador, o instrumento passou a ter o mesmo destaque dos instrumentos
solistas como piano, violino, flauta ou clarinete. Segundo Henrique Cazes, em texto
publicado na coleção Folha – Raízes da Música Popular Brasileira9, além de revelar o
potencial do cavaquinho como instrumento solista, foi o músico de maior sucesso
comercial da MPB10. Ainda no mesmo texto, Cazes comenta que “o maior cavaquinista
de todos os tempos não se via como tal.”
A formação do regional de Waldir Azevedo teve início em 1945, quando ele se
tornou cavaquinista de centro do regional de Dilermando Reis11. Renato Murce, o então
diretor da PRA-3 Rádio Clube do Brasil, solicitou que Dilermando organizasse às pressas
um regional, pois a rádio acabara de ficar desfalcada com a saída de Benedito Lacerda,
que se transferiu para a Rádio Tupi. Também eram integrantes desse regional os
violonistas César Ayala e Francisco Sá, ambos alunos de Dilermando Reis, além de
Moacyr Machado Gomes, o Risadinha do pandeiro.
Seis meses após a formação do regional, Dilermando Reis recebe uma proposta
mais interessante para trabalhar na Rádio Nacional como solista, deixando o regional da
Rádio Clube nas mãos de Waldir Azevedo, o Guri do cavaco, como era conhecido. Algum
tempo depois, o falecimento precoce do violonista César Ayala desfalcaria novamente
o regional, mas a lacuna deixada por ele seria preenchida por um violonista excelente:

8
Bola Sete (Djalma Andrade – 1923-1987), que foi brilhar nos Estados Unidos e chegou a integrar, em
1962, a banda de Dizzie Gillespie. (BECKER, 1996, p. 58)
9
Coleção Folha – Raízes da Música Popular Brasileira. Livro e CD. 2010. Texto de Henrique (CAZES,
2010). O texto também esta contido na pasta de Dropbox 100 X Waldir, criada por Henrique Cazes para
divulgar a música de Waldir Azevedo. Link de acesso:
<[Link]
10
MPB: Música Popular Brasileira
11
Dilermando Reis (1916-1977). Violonista e compositor, foi considerado o violonista mais influente do
Brasil. Gravou diversos discos de gêneros variados como choros, valsas, e repertório de violão clássico.
Trabalhou na Rádio Clube do Brasil e na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Fonte: Wikipedia, acessado
<em 31/05/2022. [Link]
4

César Ayala foi brutalmente assassinado por motivo passional e sua vaga no
regional [seria] preenchida por um excelente violonista que já excursionara
pelo Brasil acompanhando grandes cantores, e realizava um
acompanhamento firme e de ritmo saboroso, caso singular em termos de
violão de conjunto regional. Tratava-se de Jorge Geraldo do Espírito Santo,
mais conhecido por Jorge Santos que, não obstante todas as suas credenciais,
era tio do também genial violonista Bola Sete, que faria uma longa carreira
nos Estados Unidos. (BERNARDO, 2004, p. 30)

Um fator importante para a apreensão do estilo do acompanhamento no violão


de Jorge Santos é o fato de o regional de Waldir Azevedo não possuir cavaquinho de
centro. Ao tornar-se o solista do regional e não havendo a contratação de outro músico
para a função de centrista, Waldir Azevedo despretensiosamente define uma nova
atribuição ao papel do violão daquele conjunto - a de centrista.
Waldir Azevedo migrou de seu papel de centrista para o de solista enquanto o
regional ainda era de Dilermando Reis. Eles trabalhavam na PRA-3 Rádio Clube do Brasil
e, certa vez, no programa Alma do Sertão, o apresentador Renato Murce solicita a
Dilermando Reis que apresente algo “mais animado, como um chorinho”. Visto que
Dilermando Reis não tinha nenhum solo desse gênero preparado para o momento,
rapidamente ele solicita a Waldir Azevedo que realize tal proeza. Waldir Azevedo
também não tinha nenhum solo preparado, todavia, com medo de ser demitido do novo
trabalho, recorda-se de uma melodia criada na manhã do mesmo dia, e faz de improviso
e ao vivo um choro de duas partes, no que é prontamente acompanhado pelo regional.
Como resultado, o grupo obteve a ovação total da plateia. Nascia naquele momento o
famoso choro Brasileirinho.

(...) Um primo em primeiro grau de Olinda [esposa de Waldir], chamado


Deoclécio Soares da Costa, e nessa altura contando cerca de 9 anos (...)
ganhou (...) um cavaquinho de brinquedo (...) com uma corda só. (...)
manhoso, Deoclécio insistia para que Waldir lhe tocasse uma música naquele
cavaquinho. Este tentou lhe explicar que não ia dar porque seu cavaquinho
bom estava guardado (...) Deoclécio não quis saber: chorou e esperneou
tanto que Waldir (...) apanhou o instrumento (...) e concebeu um fragmento
melódico de choro totalmente calcado na corda ré, a única que restara. (...) À
noite, na rádio, Waldir comentou com seus companheiros de regional a
passagem de Deoclécio, tocando-lhes em seguida o referido fragmento
melódico, imediatamente harmonizado por Jorge Santos. (BERNARDO, 2004,
p. 30)
5

3. Jorge Santos: grande acompanhador, grande solista

É senso comum, ao menos entre os chorões, que Jorge Santos foi um violonista
fabuloso. É possível ouvir seu violão nas mais de 60 gravações do regional de Waldir
Azevedo12, no disco Aqui está o Bola Sete, de 195713, e também no disco Chora
cavaquinho - Dudu do cavaco e seu Conjunto de Azes , lançado em 1977, onde se
encontra todo o antigo regional de Waldir Azevedo14. Entretanto, infelizmente, as
referências, comentários e informações sobre Jorge Santos são raríssimas: ”com o
balanço característico de seu regional e principalmente do violonista pouco lembrado
Jorge Santos” (BENON, 2017, p. 34) .

Sua maneira personalíssima de acompanhar era munida de uma levada de


samba-choro muito rica. Jorge Santos “(...) realizava um acompanhamento firme e de
ritmo saboroso, caso singular em termos de violão de conjunto regional”. (BERNARDO,
2004, p. 30)
Roberto Barbosa, o Canhotinho15, músico que foi um dos maiores seguidores do
legado de Waldir Azevedo, e reconhecido pelo próprio como seu futuro sucessor,
comentou16 sobre Jorge Santos:

(...) Eu gostava muito dele... eu era fã (...) daquela maneira dele tocar, né
rapaz... aquele balanço que ele tinha... aquela pegada (...) O Waldir sempre
me falava (...) O Jorge Santos sempre foi meu braço direito. (...) Ele
reconhecia. Porque ele foi tudo na carreira do Waldir (...) (BARBOSA, R.
depoimento concedido a mim em 31 de março de 2022)

12
As gravações que Jorge Santos participou junto do regional de Waldir Azevedo estão elencadas no
Quadro Informativo no final deste trabalho.
13
LP Aqui está o Bola Sete. Gravadora Odeon, catálogo MOCB 3005, ano 1957. Bola Sete e seu Conjunto.
14
Chora Cavaquinho – Dudu do Cavaco e seu Conjunto de Azes (1977). Donaldison de Oliveira. Natural
de Macaé, atuou como centrista e cantor, tendo participado do conjunto Anjos do Sol. Pôde conviver
com sua maior referência, Waldir Azevedo. O acompanhamento do LP é de Jorge Santos e Francisco Sá
nos violões, Risadinha do Pandeiro, entre outros. Fonte: canal do Youtube Memória do Cavaquinho
Brasileiro. Acessado em 24/05/2022.
<[Link]
15
Roberto Barbosa, conhecido como Canhotinho do cavaquinho (1938), foi considerado pelo próprio
Waldir Azevedo, o Rei do Cavaquinho, como seu legítimo sucessor. Fonte:
<[Link] acessado em 30/05/2022
16
O comentário de Canhotinho faz parte de seu depoimento concedido a mim em 31/03/2022 a
respeito de Jorge Santos.
6

A meu pedido, Canhotinho entrou em contato com a filha caçula de Waldir


Azevedo – Marly Azevedo - a fim de saber algo mais a respeito de Jorge Santos.
Posteriormente, ele me remeteu o áudio17, o qual transcrevo abaixo:

(...) [ele] foi realmente o maior (...) foi Jorge Santos. Papai falava que no
violão, ele era tudo. Sem o Jorge, papai falava que não teria feito sucesso.
Porque ele era o violão, o contrabaixo... ele era tudo. (AZEVEDO, M.
depoimento coletado por Canhotinho e enviado a mim em 31/03/2022)

Além de grande acompanhante, Jorge Santos também era compositor e um


ótimo solista. Esse fato pode ser comprovado através das gravações de duas peças de
sua autoria como Saudoso18 e Cecília na folia19. É curioso notar que o violonista utiliza
um instrumento eletrificado, mas que infelizmente não se sabe se violão elétrico ou
guitarra. Outro fato interessante é a presença de um piano na gravação do choro
Saudoso, bem como o cavaquinho de Waldir Azevedo fazendo contrapontos e, solando
na reexposição da parte A e B, enquanto Jorge Santos reassume o lugar de
acompanhante, encaixando suas baixarias sempre bem colocadas.
Já em Cecília na folia, é possível ver o violonista esbanjando técnica e fluência
nos fraseados. Durante a reexposição do tema, ele improvisa de maneira muito
consistente, sempre jogando com o ritmo e articulação. No momento do solo do piano,
em retorno à parte A, ele improvisa também, entretanto com menos volume. O tema
Cecília na folia tem as características de um mambo, rumba ou guaracha, e é possível
deduzir isto através da instrumentação que acompanha o solista (bongô, maracas,
piano) e também pela clave rítmica. Não há nenhuma informação sobre músicos
participantes, ou gênero musical, apenas que o disco é de 1953 e o acompanhamento é
de “Valdir Azevedo e Seu conjunto”.
Uma informação inusitada que encontrei ao pesquisar sobre o violonista na
internet, foi que o famoso choro Jorge do Fusa, de Garoto20, provavelmente tenha sido
composto em homenagem a Jorge Santos. Em 23 de julho de 2020, o Clube do Choro de

17
Depoimento de Marly Azevedo, filha caçula de Waldir Azevedo, sobre Jorge Santos. Csoletado por
Canhotinho e enviado a mim via WhatsApp em 31/03/2022.
18
Saudoso (Jorge Santos). Acessado pelo site do IMS, na seção Discografia Brasileira em 22 de maio de
2022. <[Link]
19
Cecília na folia (Jorge Santos). Acessado pelo site do IMS, na seção Discografia Brasileira em 22 de
maio de 2022. <[Link]
20
Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto.
7

Belo Horizonte publicou em seu blog, em homenagem aos 105 anos de Garoto,
informações sobre o lançamento do livro Choros de Garoto, do pesquisador Jorge Mello,
Henrique Gomide e Domingos Teixeira. No corpo do texto, havia a seguinte informação:

(...) Mello acrescenta que, de acordo com o que apurou em suas


pesquisas, Jorge seria o violonista Jorge Santos (nome artístico de Jorge
Geraldo do Espírito Santo), integrante do regional de Waldyr Azevedo e tio
do violonista Bola Sete.21

4. Vê se gostas: análise da gravação de Jorge Santos

Como já foi dito, a maneira de Jorge Santos acompanhar era muito peculiar; sua
batida era diferente da de seus pares; e é possível que ele a tenha desenvolvido na
tentativa de suprir a ausência do cavaquinho de centro enquanto atuou no regional de
Waldir Azevedo.
Munido de um violão com 6 cordas de aço, Jorge Santos empregava seu forte e
veloz polegar direito com uma dedeira22 que tangia as cordas sempre do grave para o
agudo, isto é, de cima para baixo em relação à cabeça do violonista. Os movimentos de
seu polegar apresentavam gradações entre forte e piano, demonstrando que o
violonista sabia tanger as cordas em um amplo espectro de dinâmica. Daí inferirmos
firmeza e decisão em tais movimentos.
Outrossim, seu polegar poderia realizar movimentos amplos para tanger 5 ou 6
cordas; movimentos curtos para ferir apenas uma ou duas cordas, ou movimentos
médios, visando 3 ou 4 cordas. Ademais, muitas vezes Jorge Santos mesclava àqueles
toques de polegar, toques complementares feitos pelos dedos indicador e médio, ou
até o anelar para tanger as cordas agudas. Esses toques eram inseridos nos intervalos
entre um polegar e outro resultando num ritmo contínuo de semicolcheias sem pausas,
como é visto na Figura 1.

21
Blog do Clube do Choro de Belo Horizonte – Jorge do Fusa: Um choro de muitos nomes. 23 de julho de
2020. Acessado em 22 de maio de 2022. <[Link]
[Link]>
22
“Esse polegar do violonista chorão tradicional toca com um aparato chamado dedeira, semelhante a
uma palheta, que envolve o dedo como um anel”. (PESSOA. 2012, p.86)
8

Figura 1: Trecho musical correspondente aos compassos 14 e 15 da transcrição do acompanhamento de


Jorge Santos para Vê se Gostas (Waldir Azevedo)

Por meio da audição, foi possível auferir que a mão esquerda de Jorge Santos
seguia de perto a movimentação da direita. Através de reflexos velozes, as cordas eram
premidas com mais ou menos intensidade, gerando acordes em staccato, acordes com
maior ou menor duração e também acentuações rítmicas. Este emaranhado de variáveis
enriquecia bastante o acompanhamento do violonista fazendo de sua levada uma fonte
rica de suingue e molejo.
A peça analisada neste trabalho foi gravada por Waldir Azevedo e seu Regional
em 1950, em disco de 78 rpm. O sistema de reprodução ainda não era em estéreo, o
que dificulta bastante a audição dos dois violonistas separadamente (Jorge Santos e
Francisco Sá). Em boa parte das gravações ouvidas desse período prevalece a
sonoridade do primeiro violão, o de Jorge Santos. “Pela qualidade da gravação, o violão
que mais se escuta é o de Jorge Santos (...)”. (COSTA, 2013, p. 12)
Assim sendo, nos ocupamos de analisar somente o acompanhamento de Jorge
Santos sobre o choro Vê se gostas, de Waldir Azevedo e Otaviano Pitanga. Trata-se de
um samba-choro com duas partes, sendo a primeira em Sol maior e a segunda em Dó
maior. Com relação à sua forma, o choro foi gravado da seguinte maneira: uma
introdução de improváveis 11 compassos; exposição do tema A de 16 compassos,
reexposição do tema A; exposição do tema B de 32 compassos; retorno ao tema A e
final.
A melodia do choro, juntamente com as inflexões interpretativas de Waldir
Azevedo foram transcritas em partitura afim de demonstrar o mais fielmente possível
9

as características rítmicas do samba presentes nesse choro e a interação entre o solista


e o violonista acompanhante.
De acordo com o que me foi possível abarcar, transcrevi todo o
acompanhamento23 de Jorge Santos, incluindo levadas, baixarias, variações de levada,
condução de baixos e aberturas de acordes. Infelizmente, a ausência de vídeos de
qualidade impediu que se descobrissem as digitações e dedilhados utilizados por ele.
Entretanto, o músico Danilo Brito24 me enviou um filme argentino de 1952, no qual é
possível ver Waldir Azevedo, Jorge Santos e o restante do regional fazendo uma
pequena participação. Infelizmente, a qualidade do vídeo está muito aquém do
esperado, fazendo com que o filme não tenha mais que um valor histórico. Trata-se de
Como yo no hay dos, de Kurt Land.25

4.1 - Levadas

Com relação às levadas, Jorge Santos apresenta grande número de variações


rítmicas, acentuações e algumas hemíolas26. Contudo, está descrita na Figura 2, a
unidade de levada de samba-choro que mais se apresentou na gravação, e que por isso
pode ser considerada como a levada básica de samba-choro de Jorge Santos.

Figura 2: Levada básica de samba-choro de Jorge Santos

23
No final deste trabalho está a partitura da transcrição completa do acompanhamento de Jorge Santos,
e também a partitura da transcrição completa do solo de Waldir Azevedo.
24
Danilo Ezequiel Brito de Macedo, Danilo Brito (São Paulo, 1985). Músico e compositor brasileiro,
especialista em bandolim, cavaquinho e violão tenor. Fonte Wikipedia, acessada em 21/06/2022
<[Link]
25
Filme exposto no site do Youtube:< [Link]
Acessado em 21/05/2022
26
Hemíola é um termo da musicologia que descreve um padrão rítmico onde dois compassos ternários
são articulados como se houvesse três compassos binários. Fonte Wikipédia, acessado em 29/06/2022.
<[Link]
10

É muito interessante a maneira com que o violonista emprega o polegar direito.


Ao invés de tocar notas simples, feitas em uma só corda para conduzir os baixos,
maneira comumente empregada em levadas de violão brasileiro, ele utiliza o polegar
direito para tocar várias cordas ao mesmo tempo, num mesmo sentido (do grave para
o agudo), e muito mais vezes do que nas levadas convencionais.
Vejamos a comparação abaixo:

Figura 3: Levada de samba-choro utilizada por Toni 7 cordas


para o choro Noites Cariocas de Jacob do Bandolim, coletada
por BECKER, 1996, P. 102

Figura 2: Levada básica de samba-choro de Jorge Santos

Na Figura 3 está inserida a levada de samba-choro utilizada por Toni 7 cordas


para o choro Noites cariocas, de Jacob do Bandolim, coletada por José Paulo Becker27. É
possível notar que os ataques de polegar são feitos praticamente sobre cada tempo,
gerando 5 toques em 4 tempos. Nada obstante, reparamos que na levada de Jorge
Santos (Figura 2), o polegar trabalha o dobro de vezes, realizando 10 toques nos mesmos
4 tempos. Ele também realiza 8 acentuações que ocorrem sobre as semicolcheias 1, 4 e
7 do primeiro compasso e 1, 4, 5, 6 e 8 do segundo compasso.
Obviamente não há aqui qualquer juízo de valor, apenas um estudo comparativo.

27
Levada de samba-choro utilizada por Toni 7 cordas (ex-integrante do grupo Época de Ouro) para o
choro Noites Cariocas, de Jacob do Bandolim (BECKER, 1996, 102).
11

A Figura 4 exibe exclusivamente o trabalho dos polegares de cada violonista em suas


respectivas levadas.

Figura 4: Ilustração que compara o trabalho dos polegares de cada violonista


separadamente. O 1º compasso se refere a Toni 7 cordas, e o 2º, a Jorge santos.

Jorge Santos utiliza um toque específico de polegar, que o possibilita tanger


todas as cordas do violão, como é visto no 1º tempo do compasso 12 da figura 2. Na 4ª
e 7ª semicolcheias do 1º tempo do mesmo compasso, ele tange três cordas com o
polegar. Mais adiante ele toca quatro e até mesmo duas cordas ao mesmo tempo com
o polegar.
Esse tipo de ataque de polegar é conhecido entre os violonistas de choro como
raspadeira28. Em sua tese de mestrado na página 70, Bittar afirma que “(...) a raspadeira
aparece pontualmente, em momentos específicos do samba executado, e é
caracterizada tanto pela acentuação rítmica quanto pelo golpe forte do polegar, que
ataca praticamente todas as notas do acorde simultaneamente. “
Ainda nessa página, Bittar revela que a definição de raspadeira possui mais de
um significado, podendo se referir tanto à levada de samba (levada teleco-teco ou
levada raspadeira); às convenções rítmico cromáticas ascendentes ou descendentes
realizadas pelos violões do regional, ou mesmo ao próprio movimento de ataque do
polegar, que pode tanger mais de uma corda simultaneamente do grave para o agudo.
Como dito anteriormente, várias vezes Jorge Santos preenche ritmicamente
todos os pulsos que compõem a levada (semicolcheias), não deixando silêncios. O
espaço entre os polegares é preenchido por toques complementares feitos nas cordas
agudas, em geral 1ª e 2ª, e estas são tocadas possivelmente pelos dedos médio e
indicador. No exemplo da Figura 5, estes toques complementares se encontram nas
semicolcheias 2, 3 e 6 do compasso 12, e 2, 3 e 7 do compasso 13:

28
(BITTAR, 2011)
12

Figura 5: As notas circuladas em vermelho indicam os toques


complementares realizados pelos dedos indicador e médio

Depois de demonstrada a levada básica de samba-choro de Jorge Santos (Figura


2), é interessante apresentar algumas das variações que ele realizou ao longo da
gravação.

Variação 1

Figura 6: Trecho musical correspondente aos compassos 14


e 15 da transcrição do acompanhamento de Jorge Santos
para Vê se Gostas (Waldir Azevedo)

Este excerto (Figura 6) compreende os compassos 14 e 15 da transcrição,


exatamente a continuação do trecho visto inicialmente na figura 5. Aqui, Jorge Santos
adiciona um polegar logo na 2ª semicolcheia do 1º compasso, o que torna a levada mais
vigorosa e pesada. Já no compasso seguinte, ele altera as cordas tangidas pelo polegar
na 4ª e 5ª semicolcheias. Em comparação ao trecho anterior, notamos que no 2º
compasso, na 4ª semicolcheia do 1º tempo ele fere uma corda a mais, a 1ª. A
impossibilidade de indagar ao próprio músico acerca da razão de sua preferência em
inserir uma corda a mais, faz pensar que talvez ele quisesse um pouco mais de volume
para acentuar aquele momento. Inclusive é bastante provável que o tenha feito
instintivamente. Nessa variação, o polegar foi tocado 11 vezes durante os 4 tempos.
13

Variação 2

Figura 7: Trecho musical correspondente aos compassos 44 e 45 da


transcrição do acompanhamento de Jorge Santos para Vê se Gostas (Waldir
Azevedo)

A variação 2, contida na Figura 7, mostra que a levada básica se alterou durante


o primeiro tempo do compasso 45. Desta vez, nesse compasso ele emprega dois
polegares nas semicolcheias 1 e 3, intercalados com as puxadas da nota Sol feita na
primeira corda. Aqui o polegar trabalhou 10 vezes em 4 tempos.

Variação 3

Figura 8: Trecho musical correspondente aos compassos 76 e 77 da


transcrição do acompanhamento de Jorge Santos para Vê se Gostas (Waldir
Azevedo)

A variação 3 (Figura 8), foi realizada sobre a parte B, nos compassos 76 e 77. O
acorde é de Dó Maior, sem nenhuma dissonância. O baixo se alterna entre a
fundamental e a 5ª. Aqui o trabalho do polegar mais uma vez se resumiu a 10 toques
para 4 tempos.

Variação 4
14

Figura 9: Trecho musical correspondente aos compassos 20 e 21 da transcrição


do acompanhamento de Jorge Santos para Vê se Gostas (Waldir Azevedo)

A variação 4, vista na Figura 9, que compreende os compassos 20 e 21, mostra


um acorde estático de Am, cujo baixo vai descendo por semitons até chegar na 6ª maior
(Fá#). Jorge Santos realiza uma levada muito interessante e semelhante a uma batida
de cavaquinho. Ela se inicia com o polegar na 2ª semicolcheia, um toque complementar
na 1ª corda (nota lá) e outro polegar na 4ª semicolcheia.
No próximo tempo (5ª semicolcheia), o polegar é empregado novamente para
dar o sentido de dois acentos seguidos (semicolcheias 4 e 5). Na sequência, há duas
cordas simples seguidas – 1ª e 2ª, notas Mi e Lá, respectivamente. A rítmica do primeiro
tempo do compasso 21 é igual à rítmica imediatamente anterior, e o 2º tempo do
compasso se realiza com uma pequena baixaria cromática com as notas Fá#, Fá e Mi.

Variação 5

Figura 10: Trecho musical correspondente aos compassos 24 e 25 da


transcrição do acompanhamento de Jorge Santos para Vê se Gostas (Waldir
Azevedo)

A variação 5, feita nos compassos 24 e 25 (Figura 10) nos traz Jorge Santos
utilizando uma forma tradicional de usar os dedos da mão direita: baixos tocados com
polegar (5ª e 6ª cordas), e o restante do acorde puxado pelos dedos indicador e médio
- notas Fá# e Dó sobre as cordas 4 e 3, respectivamente. É interessante notar que ele
15

utilizou somente duas notas para o complemento do acorde de D7, a 3ª e a 7ª, Fá# e Dó,
respectivamente.
Essa foi a variação rítmica mais alterada do acompanhamento, pois a partir do
2º tempo surgem hemíolas. Ele emprega três toques que vão se repetindo por quatro
vezes, dando a sensação de tempo ternário dentro do compasso original – que é binário.
Na Figura 11, há dois pentagramas. No superior está contida a transcrição original dos
compassos 24 e 25, e no inferior, o mesmo trecho transcrito de maneira simplificada
para ressaltar as hemíolas.

Figura 11: No pentagrama superior está contida a transcrição original dos compassos 24 e 25, e no inferior,
o mesmo trecho transcrito de maneira simplificada para ressaltar as hemíolas.

Variação 6

Figura 12: Trecho musical correspondente aos compassos 32 e 33 da


transcrição do acompanhamento de Jorge Santos para Vê se Gostas (Waldir
Azevedo)

A variação 6, realizada nos compassos 32 e 33 (Figura 12), é praticamente um


comentário rítmico realizado pelo violonista para dialogar com um ornamento típico
feito por instrumentos solistas de cordas como o cavaquinho e o bandolim.
16

Trata-se do intervalo de 2ª menor abaixo que se obtém da seguinte forma:


toca-se uma nota cujo tom seja realizado através de uma corda solta. Ao mesmo tempo,
toca-se a nota que esteja meio-tom abaixo da nota dessa corda solta, porém sobre a
corda imediatamente mais grave. Por exemplo: Toca-se o Mi da 1ª corda solta,
simultaneamente ao Ré# feito na 2ª corda. O dedo que pressiona o intervalo de 2ª
menor abaixo deixa de fazê-lo logo após as duas notas serem tocadas e, como resultado,
tem-se é um choque que acaba por reforçar o tom da corda solta.
Em Vê se gostas, o solista utiliza este recurso na melodia da parte B, nos
compassos de 84 a 88 (Figura 13) porém sem utilizar a corda solta. Contudo o efeito é
praticamente o mesmo. Jorge Santos realiza este efeito de maneira particular, logo
depois de tocar o intervalo de 2ª menor ( Fá# e Sol), o dedo que pressiona a nota Fá#
desliza para a nota Sol, e se soma ao som da 3ª corda solta, gerando um resultado ainda
mais surpreendente.

Figura 13: Compassos 84 e 85 da transcrição do solo de Waldir Azevedo, onde ele realiza o efeito de 2ª
menor abaixo.

Variação 7

Figura 14: Trecho musical correspondente aos compassos 116 e 117 da


transcrição do acompanhamento de Jorge Santos para Vê se Gostas
(Waldir Azevedo). As hemíolas estão sinalizadas em vermelho.
17

A variação 7 corresponde ao mesmo trecho visto na Variação 4 (Figura 9), isto


é, o acorde estático de Am cujos baixos descem cromaticamente até chegar na 6ª
maior (Fá#). Além disso há a presença de hemíolas novamente, a partir da nota Lá da
3ª semicolcheia do compasso 116 até as notas duplas Fá# e Dó, no elevar do tempo
um do compasso 117. Na Figura 14 temos as hemíolas sinalizadas em vermelho.

4.2 - Baixarias

Baixaria 1

Figura 15: Trecho musical correspondente aos compassos 5 a 11 da transcrição


do acompanhamento de Jorge Santos para Vê se Gostas (Waldir Azevedo)

A primeira baixaria realizada que Jorge Santos realiza nesta gravação está na
introdução. Trata-se de contrapontos sincopados em resposta ao pequeno arpejo feito
pelo cavaquinho a partir do compasso 6. Todo o trecho é tocado na 3ª posição do braço
do violão29 e, no compasso 10, há um arpejo de Sol maior ascendente com
aproximações de um semitom abaixo precedendo cada nota do arpejo. A articulação
desse trecho é feita com ligados.

Baixaria 2

Figura 16: Trecho musical correspondente aos compassos 17 a 19 da


transcrição do acompanhamento de Jorge Santos para Vê se Gostas (Waldir
Azevedo)

29
A 3ª posição se refere ao setor do braço do violão que corresponde às casas 3, 4, 5 e 6.
18

Esta baixaria, que se inicia no compasso 17 (Figura 16), está inserida sobre os
acordes G E7 | Am E7 | Am E7 e tem o interessante detalhe de sempre preparar a
chegada do próximo acorde através de uma antecipação. Na Figura 17, podemos ver as
antecipações em vermelho preparando seus respectivos acordes:

Figura 17: As notas circuladas em vermelho se referem às antecipações


preparando seus respectivos acordes.

Baixaria 3

Figura 18: Trecho musical correspondente aos


compassos 36 a 37 da transcrição do
acompanhamento de Jorge Santos para Vê se Gostas
(Waldir Azevedo)

No compasso 36 da parte B, temos a baixaria 3 (Figura 18), que é realizada para


preparar o acorde de F7, do próximo compasso. É uma baixaria simples que consiste
num movimento cromático descendente de Lá a Fá, sobre o 2º tempo do compasso. É
interessante notar que no primeiro tempo do compasso, o violonista realizou um arpejo
na mão direita, ao invés de levada.

Baixaria 4
19

Figura 19: Trecho musical correspondente ao


compasso 68 da transcrição do acompanhamento de
Jorge Santos para Vê se Gostas (Waldir Azevedo)

A baixaria 4 consiste na variação da baixaria 3. Encontra-se no compasso 68, que


é a repetição da parte A. Em vez de utilizar a baixaria cromática como anteriormente,
ele insere as notas Dó e Si em ritmo de síncopa sem o primeiro tempo.

Baixaria 5

Figura 20: Trecho musical correspondente aos compassos 39 a 41 da transcrição do


acompanhamento de Jorge Santos para Vê se Gostas (Waldir Azevedo)

Realizada no compasso 40, final da parte A (Figura 20), temos uma baixaria
arpejada sobre os acordes Am, Am7 e D7, calcada sobre as notas Lá , Sol e Fá#,
respectivamente 8ª e 7ª de Am e 3ª de D7. O suingue inicial da baixaria se caracteriza
pela antecipação da primeira nota, o Lá que é tocado no final do compasso 39.

Baixaria-Campanella

Figura 21: Trecho musical correspondente aos compassos 74 e 75 da


transcrição do acompanhamento de Jorge Santos para Vê se Gostas
(Waldir Azevedo)

Esta baixaria, indicada na Figura 21, é bastante curiosa dada a sua construção
peculiar. Em vez de escala, arpejo ou mesmo frase, Jorge Santos utiliza seis notas Sol
20

repetidas na mesma altura. Porém, ouvindo-se atentamente, é possível notar a


sonoridade clara e aberta da 3ª corda solta nas semicolcheias 3, 5 e 7, contra a
sonoridade escura da 4ª corda presa na 5ª casa (nota Sol) nas semicolcheias 2, 4 e 6.
Provavelmente ele utilizou os dedos polegar e indicador para tocar esse trecho.
Esse procedimento, que mescla cordas soltas com cordas presas, é conhecido como
campanella.

Baixaria 6

Figura 22: Trecho musical correspondente aos compassos 78 a 81 da transcrição do acompanhamento


de Jorge Santos para Vê se Gostas (Waldir Azevedo)

Na Figura 22 há uma baixaria bastante tradicional que, a partir da 2ª


semicolcheia, utiliza sempre 3 graus conjuntos para alcançar os graus fundamental, 3ª
e 5ª de Dó Maior. Ela finaliza com um movimento cromático para antecipar a nota Fá do
compasso 80.

Baixaria 7

Figura 23: Trecho musical correspondente aos compassos 82 a 85 da transcrição do


acompanhamento de Jorge Santos para Vê se Gostas (Waldir Azevedo)

No compasso 82 (Figura 23), há uma baixaria semelhante à anterior, porém com


algumas inovações. Sobre o contexto harmônico de F7, ele utiliza a 4ª aumentada (Si) e
21

a 7ª menor (Mib). Como essa baixaria é toda construída em graus conjuntos que
configuram uma escala maior com 4ª aumentada e 7ª menor, podemos dizer que esta
escala é o Modo Lídio com 7a menor (também conhecido como Lídio bemol 7), que é o
quarto modo da Escala Menor Melódica. Infelizmente não há como saber se Jorge
Santos utilizou esse tipo de raciocínio para compor a baixaria.
Ainda no compasso 83, ele chega ao 2º tempo aterrissando sobre a inusitada 9ª
de F7 (Sol), fazendo na sequência uma passagem cromática ascendente a partir da nota
Si, para atingir o 5º grau de G7, a nota Ré no compasso 84.

Baixaria 8

Figura 24: Trecho musical correspondente aos compassos 85 e 86 da


transcrição do acompanhamento de Jorge Santos para Vê se Gostas
(Waldir Azevedo)

A baixaria 8 (Figura 24), parte da 4ª semicolcheia do compasso 85. Ela utiliza em


sua formação, um arpejo – as notas Sol, Si, Ré, Fá, Lá, respectivamente graus 1, 3, 5, 7 e
9 de Sol com sétima e nota. Como resolução, ele pousa sobre a nota Sol, 5º grau de Dó
maior, já no compasso 86.

Baixaria 9

Figura 25: Trecho musical correspondente aos compassos 86 a 88 da transcrição


do acompanhamento de Jorge Santos para Vê se Gostas (Waldir Azevedo)
22

No compasso 87, temos a baixaria 9 (Figura 25), caracterizada por notas


sincopadas, sobretudo na construção dessa sincopação, entre os compassos 86 e 87 e
se prolongando até a metade do compasso 88, embora no acompanhamento. A baixaria
parte da nota Dó, no final do compasso 86, desce por graus conjuntos até atingir a 3ª de
D7 (Fá#). É interessante notar o belo mordente realizado sobre a nota Lá, além da
variação da levada no compasso 86, onde ele utiliza novamente um arpejo de mão
direita e evita preencher ritmicamente todas as semicolcheias da levada.
23

5. Considerações Finais

Minha busca pessoal por informações e materiais sobre Jorge Santos é antiga,
praticamente desde quando ouvi seu violão em ação pela primeira vez – por volta dos
12 anos. Porém somente agora, ao me debruçar sobre a realização deste trabalho é que
pude ter uma noção mais justa da importância deste violonista. Ao repousar a lupa da
análise melódica, harmônica e rítmica sobre os diversos fragmentos de seu toque, foi
possível revelar o mar de possibilidades que está contido em sua obra.
Algumas vezes ouvi as suas levadas serem tocadas por músicos como Zé Barbeiro
7 cordas (que me confessou ser grande fã de Jorge Santos), Danilo Brito, em seus
momentos de violonista, e Zé Moreno, grande violonista piracicabano com quem tive a
honra de conviver por décadas e que era especialista em Jorge Santos. Infelizmente,
estas são coisas que vejo cada vez menos no meio musical, inclusive entre os chorões.
Um pouco desse desconhecimento atrelado ao nome de Jorge Santos se dá em virtude
da sabida antipatia que Jacob do Bandolim alimentava em relação à Waldir Azevedo.
Talvez inconscientemente, grande parte dos seguidores de Jacob, tomando partido do
bandolinista em sua contenda desmedida, acabaram por “preterir” os choros de Waldir
e até mesmo suas gravações.
Mas o quadro está bem mais promissor do que parece, dada a quantidade de
teses e materiais escritos sobre Waldir Azevedo, e até mesmo sobre os violões de seis
cordas do seu regional, caso do projeto de pesquisa do violonista George Costa.
Nada obstante, acredito que meu intuito de buscar mais informações e
descrever com o mínimo de profundidade algo sobre o legado violonístico de Jorge
Santos tenha sido realizado.
Como dito anteriormente, as informações sobre ele são demasiado escassas e
mesmo após dois meses de pesquisa intensa ainda não me foi possível conseguir
informações biográficas mínimas como sua cidade natal, data de nascimento e morte,
além de não ter sido possível o contato com quaisquer familiares.
Minha intenção é transformar o legado de Jorge Santos em um projeto de
pesquisa para poder analisar aprofundadamente, catalogar, comparar e, finalmente
divulgar de maneira ostensiva o trabalho de um de nossos grandes nomes do violão
brasileiro.
24

6. Bibliografia

6.1 - Artigos, Livros e Sites

BECKER, J. P. T. O acompanhamento do violão de 6 cordas no choro a partir de sua


visão no conjunto "Época de ouro". Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de
Janeiro, 1996.

BECKER, Z. P. Levadas Brasileiras para Violão. Rio de Janeiro: [s.n.], 2013.

BENON, L. B. O estilo interpretativo de Waldir Azevedo: Aspectos técnicos e


expressivos. Brasília: Universidade de Brasília, 2017.

BERNARDO, M. A. Waldir Azevedo - Um cavaquinho na história. São Paulo: Irmãos


Vitale, 2004.

BITTAR, I. L. Fixando uma gramática: Jayme Flocence (Meira) e sua atividade artística
nos grupos Voz do Sertão, Regional de Benedito Lacerda e Regional do Canhoto. Rio de
Janeiro: Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2011.

CAZES, H. Coleção Folha - Raízes da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: [s.n.],
2010.

________. 100 X Waldir. Pasta de Dropbox criada por Henrique Cazes para divulgar a
música de Waldir Azevedo. Link de acesso:
<[Link]
sii7mfbko>

COSTA, G. F. Performance dos violões de 6 cordas no regional de Waldir Azevedo.


[S.l.]: PIBIC, Universidade de Brasília, 2013.

DISCOGRAFIA Brasileira. Instituto Moreira Sales. Disponivel em:


<[Link] Acesso em: 22 maio
2022.

FARIA, N. The Brazilian Guitar Book. Petaluma, CA, USA: Sher Music CO., 1995.

LAND, K. Waldir Azevedo em participação especial no filme argentino "Como yo no hay


dos" de 1952. youtube, 2015. Disponivel em:
<[Link] Acesso em: 21 maio 2022.

MELLO, J. Clube do Choro de Belo Horizonte, 2020. Disponivel em:


<[Link]
[Link]>. Acesso em: 30 março 2022.
25

PESSOA, F. F. D. P. Cuidado violão! As transformações no acompanhamento dos


violões nos conjuntos de Choro. Brasília (DF): Universidade de Brasilia - UNB, v. Tese
de mestrado, 2012.

PINTO, T. A. Gente que brilha quando os maestros se encontram. Música e músicos


da 'Era de Ouro' do rádio brasileiro (1945-1957). São Paulo: Universidade de São
Paulo. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Departamento de História,
2012. 355 p.

7. Depoimentos Concedidos ao Autor

BARBOSA, Roberto. (Canhotinho). Depoimento em formato digital via Whatsapp.


31/03/2022. Gravação digital. 3m28s

AZEVEDO, Marly. Depoimento em formato digital via Whatsapp.


31/03/2022. Gravação digital. 3m10s
26

8. Anexos

Transcrição completa do acompanhamento do violão realizado por Jorge Santos para o


choro Vê se gostas, de Waldir Azevedo e Otaviano Pitanga. Disco Continental de 1950,
matriz 2393.

Transcrição completa do solo de cavaquinho de Waldir Azevedo para o choro, de sua


autoria em parceria com Otaviano Pitanga, Vê se gostas. Disco Continental de 1950,
matriz 2393.

Quadro informativo das gravações de Waldir Azevedo com participação de Jorge


Santos.
27

8.1 - Transcrição Jorge Santos:

Vê se gostas Waldir Azevedo/ Otaviano Pitanga


Transcrição do violão de Jorge Santos
Disco Continental (1950)

Intro
G6

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31

8.2 - Transcrição Waldir Azevedo:

Vê se gostas
Transcrição do solo de Waldir Azevedo
Disco Continental (1950) Waldir Azevedo/Otaviano Pitanga
choro

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Intro
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104 D7 G7 C C♯7 D7 D5♯

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120 pizz. abrir


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136
35

8.3 - Quadro informativo


(gravações de Waldir Azevedo com participação de Jorge Santos)

No. Ano Título da peça Autor 1 Autor 2 gênero


1 1949 Carioquinha Waldir Azevedo choro
2 1949 Brasileirinho Waldir Azevedo choro
3 1950 Cinco Malucos Waldir Azevedo choro
4 1950 Delicado Waldir Azevedo baião
5 1950 O que é que há Waldir Azevedo Dilermando Reis choro
6 1950 Vai por mim Waldir Azevedo Francisco Sá / Risadinha choro
7 1950 Vê se gostas Waldir Azevedo choro
8 1951 Camondongo Waldir Azevedo Risadinha choro
9 1951 Pedacinhos do céu Waldir Azevedo choro
10 1951 Paulistinha Waldir Azevedo choro
11 1951 Pisa mansinho Waldir Azevedo Jorge Santos choro
12 1952 Chiquita Waldir Azevedo valsa
13 1952 Luz e sombra Waldir Azevedo choro
14 1952 Mágoas de cavaquinho Waldir Azevedo F. Ribeiro choro
15 1952 Vai levando Waldir Azevedo Jorge santos / Risadinha choro
Brincando com o
16 1953 cavaquinho Waldir Azevedo Jorge santos / Risadinha choro
17 1953 Dezoito quilates Waldir Azevedo Francisco Sá choro
18 1953 Queira-me bem Waldir Azevedo choro
19 1953 Tic Tac Waldir Azevedo choro
20 1953 Vôo do marimbondo Waldir Azevedo choro
21 1954 Madrigal Waldir Azevedo choro
22 1954 Você Waldir Azevedo choro
23 1955 Amigos do Samba Waldir Azevedo samba
24 1955 Conversa fiada Waldir Azevedo choro
25 1955 Na baixa do sapateiro Waldir Azevedo samba
26 1956 Nosso amor Waldir Azevedo choro
27 1957 Ciscando Waldir Azevedo Chiquinho do acordeon choro
28 1957 Noturno Chopin choro
29 1957 Só para dois Waldir Azevedo choro
30 1957 Ternura Waldir Azevedo choro
31 1957 Teus olhos Waldir Azevedo choro
32 1957 Veraneando Waldir Azevedo choro
33 1958 Amoroso Garoto choro
34 1958 Espera por mim Waldir Azevedo choro
35 1958 Sonhos de criança Waldir Azevedo valsa
36

36 1959 Comprando barulho Waldir Azevedo Mafra Tavares choro


37 1959 Para dançar Waldir Azevedo choro
38 1960 Contando tempo Waldir Azevedo choro
39 1961 A voz do cavaquinho Waldir Azevedo choro
40 1961 Bo bo bom Waldir Azevedo choro
41 1961 Cambucá Waldir Azevedo Paschoal de Barros choro
42 1961 Jogadinho Waldir Azevedo choro
43 1961 Sobe e desce Waldir Azevedo choro
44 1961 Você, carinho e amor Waldir Azevedo valsa
45 1961 Waldirizando Waldir Azevedo choro
46 1962 Quinta caravana Waldir Azevedo choro
47 1964 Chorinho a três Waldir Azevedo choro
48 1964 Choro das palmas Waldir Azevedo choro
49 1964 Não há de ser nada Waldir Azevedo choro
50 1964 Outros tempos Waldir Azevedo Jorge Santos choro
51 1964 Pica-pau Waldir Azevedo choro
52 1964 Sentido Waldir Azevedo choro
53 1964 Tacanho Waldir Azevedo choro
54 1964 Zequinha no choro Waldir Azevedo José Mendes choro
55 1965 Alvoroço Waldir Azevedo choro
56 1965 Chorando escondido Waldir Azevedo choro
57 1965 Lágrimas e gargalhadas Waldir Azevedo choro
58 1965 Melodia do céu Waldir Azevedo choro
59 1965 Riso de criança Waldir Azevedo choro
60 1965 Rubro negro Waldir Azevedo Jorge Santos choro
61 1965 Sofres porque queres Waldir Azevedo Pixinguinha choro
62 1965 Tema no. 1 Waldir Azevedo choro
63 1965 Turinha Waldir Azevedo baião
64 1965 Você Waldir Azevedo choro
66 1969 Cadenciando Waldir Azevedo choro
67 1969 É uma doçura Waldir Azevedo choro

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