Atividades Motoras Adaptadas Às PCD'S Físico-Motoras-Múltiplas
Atividades Motoras Adaptadas Às PCD'S Físico-Motoras-Múltiplas
Físico-motoras-múltiplas
Conceitos, características e etiologia das deficiências motoras em situações escolares e não escolares;
classificação funcional e respectiva caracterização das deficiências motoras físicas e múltiplas; limitações
na educação global do deficiente físico, motor e múltiplo e as possíveis contribuições da Educação Física;
planejamento, orientação, execução e avaliação de programas de atividades motoras adaptadas às
pessoas com deficiências motoras em diferentes faixas etárias e níveis de comprometimento.
Prof. Ruth Maria Mariani Braz
1. Itens iniciais
Propósito
Obter o conhecimento das deficiências motoras e múltiplas, identificando quem são esses sujeitos, suas
potencialidades e limitações o ajudará a explorar as possibilidades de trabalho com esse público, ajudando a
potencializar ao máximo o desenvolvimento profissional e a qualidade de vida das pessoas com deficiência.
Objetivos
• Reconhecer o histórico, conceitos, características e a etiologia das deficiências motora e múltipla.
• Identificar os instrumentos de auxílio para a construção de um trabalho significativo para pessoas com
deficiências motora e múltipla.
Introdução
A partir de agora, conheceremos o caminho que a deficiência percorreu até chegar aos dias atuais, pois
alguns marcos importantes dessa história não podem deixar de ser mencionados, quando trabalhamos com
essa temática.
Além disso, faremos aplicações desse conhecimento no ambiente escolar, nos aproximaremos dos conceitos
de inclusão, integração, tecnologia assistiva e acessibilidade, que são fundamentais para uma compreensão
ampla e conheceremos alguns esportes que são praticados por pessoas com deficiência motora e deficiência
múltipla.
Percorrido esse caminho, finalizaremos com possíveis formas de trabalhar com esse público, como atendê-los
com qualidade, contribuindo para o seu desenvolvimento, autoconhecimento e sentimento de pertencimento
na sociedade. Nesse momento, buscaremos ao máximo oferecer os instrumentos para que sejam capazes de
construir o seu planejamento, abordando desde os cuidados ambientais, até os atitudinais com sugestões de
atividades que contribuam para o desenvolvimento deste público.
1. Histórico, conceitos, características e etiologia das deficiências motora e múltipla
Histórico
Na história, existem incoerências na abordagem das pessoas com deficiência, ora eram depositário do mal,
mina de desprezo, de medo, ora eram tidos como favorecidos de um amparo particular, possuidores de
poderes. Assim, faremos um breve relato histórico de como as sociedades conceituavam as pessoas com
deficiências motora e múltipla.
A maioria dos discursos descrevem a pessoa com deficiência ponderando sempre o que ela não pode
executar e suas limitações. Dificilmente encontram-se discursos de compreensão e interesse no que é
possível realizar. Para compreender a significância de seu mundo, teríamos que não admitir o paradigma
chamado desempenho.
A Idade Média mistura os deficientes, chamados de loucos e retardados, aos possuídos pelo demônio,
reunindo-os aos criminosos. A conduta da sociedade em relação às pessoas com deficiência foi de crueldade
e rejeição, sendo marcada pela culpabilidade, acompanhada de justificações ou projetos de reparo.
O Renascimento introduziu modificações mais sutis que se afirmaram com perspectivas humanitárias
prolongadas até o século XVIII. A partir dos enciclopedistas, a dimensão humana é reconhecida aos
deficientes e se cria um terreno propício às tentativas de educação e à abordagem científica que tomam
impulso no século XIX.
MISÉS, 1977, p. 16
O período contemporâneo registrou uma ambivalência frente a pessoas com deficiência. Havia correntes que
defendiam a não propagação da “espécie dos incapazes” ao mesmo tempo, e de modo paralelo,
desenvolviam-se atitudes diferenciadas e esforços construtivos, principalmente após a Segunda Guerra
Mundial.
Atenção
A Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou em 1980 uma definição que relaciona a deficiência com
as possíveis sequelas que restringem a execução de uma atividade. A partir da Lei 13.146/15, no seu art.
2º, consideramos todas as pessoas com deficiências aquelas que possuem um impedimento sensorial,
motor ou mental de longo prazo, ou tenham barreiras de uma participação eficaz e integral na nossa
sociedade.
Para constatar uma deficiência, um indivíduo teria que passar por uma avaliação biopsicossocial realizada por
uma equipe multiprofissional e interdisciplinar. Nesta avaliação, eram observadas as reações das pessoas com
deficiências aos fatores socioambientais, as suas limitações para realizar um determinado trabalho, os
impedimentos de seu corpo e as restrições de participação plena de sua cidadania.
A classe dominante, que detém maior parte do capital financeiro, determina os hábitos, as atitudes, os
conceitos e os preconceitos, uniformizando os comportamentos de uma sociedade. Essa classe tem utilizado
a escola debruçada na pedagogia do controle e em teorias reprodutivistas para formar indivíduos submissos,
oprimidos e obedientes, para assim determinar padronizações de comportamentos. Esta pedagogia do
controle tem como objetivo a lógica da ocultação que, no decorrer do processo educacional, faz com que os
supostos “menos capacitados” interiorizem o fracasso pessoal. Os alunos com deficiências foram rejeitados
ou excluídos por muitos anos na escola, fazendo parte de um exército de mão de obra de reserva. Na maior
parte dos casos, viviam em situação marginal, sem valores, identidades, interação social, autonomia e
qualidade de vida.
Do ponto de vista espacial, as necessidades das pessoas com deficiência em matéria de habitação,
transporte e equipamentos coletivos foram submetidas à lógica capitalista de localização, rentabilidade das
empresas e das atividades de produção. Por exemplo, durante muitos anos, no ônibus coletivo, o 1º banco era
reservado a uma pessoa com deficiência (idoso, gestante ou com mobilidade reduzida). A lógica desse
primeiro banco ser destinado a essas pessoas tinha relação com a economia de tempo que o passageiro
levaria para encontrar seu assento. Quanto mais perto o assento da entrada, menos tempo o motorista levaria
esperando que ele se acomodasse. Com o passar dos anos, os transportes sofreram modificações, contando
atualmente com elevadores, eliminando os degraus e tornando todos os assentos do coletivo prioritários para
esse público.
Observa-se que a sociedade está carente de infraestrutura, passando então a ter uma
dependência cada vez maior da intervenção do estado no atendimento às necessidades
de todos.
O direito à cidadania retrata as lutas travadas por pessoas com deficiência. Portanto, deve-se atribuir alta
prioridade à tarefa de convencer a todos os que se interessam pelo assunto de que a deficiência é causa e
consequência importantes do subdesenvolvimento e que, por isso, deve receber tratamento em qualquer
plano de um país que busque se desenvolver.
O Brasil respeitou as deliberações da Conferência Mundial sobre Educação para todos, realizada na Tailândia
em 1990, arcando com o compromisso de combater a discriminação de qualquer pessoa do sistema
educacional, evidenciando o ajuste na aprendizagem de todos e a promoção da equidade. Além da
Conferência na Tailândia, no cenário internacional, existiram eventos importantes no âmbito da Educação
Inclusiva, em especial, a Declaração de Salamanca (1994) e a Convenção da Guatemala (1999), que
fortificaram as referências do atendimento especializado a este público, tendo equiparado as leituras e
reconfigurado as noções do próprio aluno e suas necessidades (MARIANI, 2014).
Com isso, diversas leis foram criadas para assegurar o direito das pessoas com deficiências de acesso à
educação. A própria Constituição Federal traz a educação como um direito de todos, porém faz-se necessário
esclarecermos alguns conceitos como a diferenciação entre deficiência, incapacidade e desvantagem:
Deficiência
Define-se a deficiência como a perda ou diminuição de função permanente ou temporária de alguma
estrutura anatômica, fisiológica e psicológica. Podem ser incluídas a perda de membro, órgão, tecido
ou qualquer outra estrutura do corpo, e ainda funções mentais.
Incapacidade
Limitação advinda de uma deficiência, na prática de alguma atividade normal para o ser humano. É
observada como resposta a alguma deficiência. Por exemplo, o meio social, onde em sua maioria é
formado por pessoas que escutam, acaba por gerar desvantagem para uma pessoa surda ao lidar
com pessoas que não sabem LIBRAS.
Desvantagem
Resultante da deficiência ou incapacidade, que impossibilita o indivíduo de desempenhar certos
papeis na sociedade, causando-lhe prejuízos sociais (AMARALIAN, et al., 2000; DANTAS, MANOEL,
2009).
Herança de guerra
Na literatura, encontramos referências sobre o surgimento do esporte paralímpico no final do século XIX,
posterior às guerras mundiais, praticados inicialmente por pessoas surdas. Com a intenção de minimizar os
impactos negativos da 1ª Guerra Mundial, a Alemanha iniciou práticas esportivas voltadas para pessoas com
deficiência física, dando origem aos esportes adaptados. No Reino Unido, já existia em 1932 uma associação
de jogadores de golfe amputados unilateralmente.
Antes de 1940, a medicina pouco conseguiu fazer pelas pessoas com deficiência física. A maioria morria em
consequência de complicações, pouco depois de terem sofrido algum acidente. As possibilidades de
sobreviver três anos a um acidente dessa natureza eram de apenas 20% e a reabilitação não era amplamente
praticada.
A atividade física para pessoas com deficiência física esteve presente neste processo, fazendo parte dos
programas de reabilitação. A sociedade não podia permanecer indiferente ao fato de que as pessoas com
deficiências físicas se tornam rapidamente vítimas de anciloses (imobilidade e consolidação de uma
articulação), ficando na dependência de terceiros. Desta forma, a Educação Física para pessoas com
deficiência física conquistou seu espaço, ainda pouco abrangente, mas com o objetivo de tirá-los da
dependência da sociedade para, enfim, integrá-los, tornando-os mais autônomos e independentes.
Naquele período, houve uma mobilização significativa na área médica. Médicos de diversas partes do mundo
observaram o trabalho realizado no tratamento de lesões na medula por Guttmann, na Inglaterra, momento em
que foram criados os primeiros centros de tratamento e competição voltados para pessoas com deficiência
motora.
O Comitê Paralímpico Internacional, com sede na Alemanha, é o órgão máximo do esporte paralímpico
mundial, até hoje sendo responsável pelo controle e pela interligação entre os comitês paralímpicos nacionais.
É composto por 150 países que atuam por meio de seus respectivos Comitês Nacionais e de cinco
organizações internacionais, denominadas “Associação Internacional de Desporto para Deficientes”. São elas:
• Federação Internacional de Stoke Mandeville para esportes com cadeira de rodas (ISMWSF);
Enquanto o esporte de alto rendimento para pessoas sem deficiência conta com diversos patrocinadores, com
técnicos e funcionários bem remunerados, o esporte para pessoas com deficiência era mantido a partir de
doações e trabalho voluntário. A discrepância dessas duas realidades perdura até os dias atuais.
Comentário
A desigualdade de gênero também está presente nos esportes. Mulheres que participam como atletas
de alto rendimento recebem menos do que os homens.
Um ano importante para o esporte para pessoas com deficiência foi 1975, com a criação da Associação
Nacional dos Desportos para Excepcionais (ANDE) criada inicialmente para agregar os esportes praticados
por pessoas com deficiências.
Em 1978, obteve-se o apoio do governo para a realização dos VI Jogos pan-americanos em cadeiras de rodas,
no centro desportivo do Maracanã. Contou com a participação de 15 países das américas e cerca de 500
atletas, onde o Brasil conquistou 59 medalhas.
A partir de 1985, a nova política para o desporto brasileiro, em seu capítulo Da Imprescindibilidade e das
potencialidades Modernização de meios e práticas do Esporte, mencionou que o desenvolvimento das
legislações tem corrigido pontos prejudiciais, facilitando a prática desportiva. Também neste documento há
uma indicação a respeito da insuficiência de recursos humanos formados e/ou aperfeiçoados em atividade
física para acolher esta população. Até hoje entre os profissionais há um sentimento de despreparo para
trabalhar com qualidade e domínio do assunto com esse público.
Curiosidade
Para atender às pessoas com deficiência, o setor de Educação Física era atribuído à Secretaria de
Educação Física e Desportos do MEC (SEED), que tomava como base a política geral dos esportes no
plano Federal. Esses eram responsáveis por operacionalizar os projetos e as atividades para essa
população. Em teoria, esta política incluía a pessoa com deficiência, mas apenas em teoria, pois a
legislação brasileira para a educação física curricular indicava a permanência do decreto 1044/1969, que
dispunha sobre tratamento excepcional para os alunos portadores das afecções que indica. Os
documentos da época indicavam ainda que fossem desenvolvidos estudos relativos aos problemas
peculiares às pessoas com deficiências nos processos de formação dos professores de Educação Física
para melhor atendê-los. Foi somente a partir de 2003 que o esporte para as pessoas com deficiência
teve uma rubrica própria.
Monoplegia
Ocorre quando somente um membro do indivíduo é paralisado, seja superior ou inferior. Geralmente,
decorre de lesões no sistema nervoso, como por exemplo, em situações de esclerose múltipla, AVC
ou um traumatismo craniano, podendo ocorrer devido à má-formação congênita.
Hemiplegia
Ocorre em um hemisfério do corpo, atinge tanto membro superior quanto membro inferior de um
mesmo lado. Seus fatores de origem podem ser congênitos ou adquiridos, por exemplo, resultante de
um AVC. A hemiplegia é dividida em: espástica (músculos rígidos e fracos, com dificuldade na
movimentação); coreatetoide (músculos se movem involuntariamente); atáxica (falta de coordenação
com movimentos vacilantes) e mistas (possui mais de um dos tipos anteriores).
Paraplegia
Ocorre quando há perda dos movimentos dos membros inferiores. É decorrente de lesões medulares
podendo resultar de traumatismos na medula espinhal, doenças infecciosas, doenças degenerativas
ósseas, comprometendo a função das pernas, tronco e outras funções fisiológicas.
Tetraplegia
Ocorre quando há paralisia dos dois membros superiores e inferiores. Sua origem decorre de uma
lesão na medula, um traumatismo entre a 1ª e a 7ª vértebra (quanto mais alto for o nº da vertebra
mais severa é a condição).
Amputação
Ocorre quando há perda de uma parte do corpo, em que essa perda pode ser acidental ou cirúrgica. A
amputação acidental, como o próprio nome indica, é decorrente de algum acidente, um trauma. Já a
amputação cirúrgica é decorrente de doenças que atingem as extremidades do corpo e precisam ser
interrompidas, como trombose ou câncer e casos de envenenamento por cobras.
Ocorre quando há alterações neurológicas que afetam o desenvolvimento cognitivo e motor. Na parte
motora, envolve, principalmente, os movimentos (involuntários e espasmos) e a parte postural. A PC
decorre de uma lesão do cérebro que está se desenvolvendo, podendo ser antes ou durante o parto,
ou no período neonatal.
Dados do último censo do IBGE indicam que 23,9% da população possui alguma deficiência e que 25,7%
desse número corresponde à deficiência motora. Esse tipo de deficiência pode ser adquirido por fatores
congênitos ou ao longo da vida.
As pessoas com alterações funcionais motoras decorrentes de lesão do Sistema Nervoso têm alteração do
tônus muscular, que podem ser hipertonia, hipotonia, atividades tônicas reflexas, movimentos involuntários e
descoordenados.
Um atleta que pratica mais de uma modalidade recebe uma classificação diferente para cada uma delas. Esta
classificação é realizada por uma equipe composta por três profissionais da área de saúde, são eles; médico,
fisioterapeuta e professor de Educação Física.
Pode-se considerar pessoa com deficiência múltipla: aquela que tem a deficiência física associada com a
deficiência intelectual ou transtornos mentais, como depressão ou ansiedade; pessoa que tem impedimento
auditivo ou surdez junto ao impedimento visual; pessoa com impedimento visual ou cegueira junto com a
deficiência intelectual; pessoa com impedimento auditivo ou surdez junto com os transtornos mentais; pessoa
com deficiência física junto com o impedimento visual ou cegueira; pessoa com o impedimento físico
associado ao impedimento visual ou cegueira e à deficiência auditiva e à surdez. São inúmeras as
“combinações” que podem caracterizar a deficiência múltipla.
Curiosidade
Segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS, 10% da população brasileira tem deficiência e, dentro
deste percentual, 1% tem deficiência múltipla (BRASIL, 2000a).
Atenção
Ao lidar com pessoas com deficiência, é importante estar a par de suas dificuldades e limitações, da
mesma maneira que é importante ter consciência que são pessoas prontas para se desenvolverem e
criarem novos aprendizados e oportunidades.
Um olhar para as dificuldades e os pontos que merecem maior atenção é fundamental, justamente para ter a
chance de contribuir para o desenvolvimento das pessoas com deficiência de forma funcional, de maneira que
sua autonomia, independência e capacidade de realizar tarefas sejam transformadas. Podemos caracterizar
estes pontos como a dificuldade na comunicação - o que, por consequência, restringe seu acesso à
informação -, a dificuldade em explorar o mundo, em interagir com o outro, além de sua movimentação e
resposta no controle corporal serem mais lentas, assim como seu ritmo de aprendizado. Por isso, suas
atividades devem ser seguidas de instruções sistematizadas com antecedência, estabelecendo rotinas.
É importante que as informações cheguem a esse indivíduo de forma organizada para facilitar sua
compreensão e aprendizado. Esse procedimento auxiliará na construção do conhecimento, uma vez que a
carência sensorial na obtenção de informações pode fazer com que as crianças assimilem apenas parte das
informações dadas e não a informação por completo.
Por exemplo, as pessoas com surdez, cegueira e com deficiência múltipla que não apresentam graves
problemas motores precisam aprender a usar as duas mãos. Isso para servir como tentativa de minimizar as
eventuais estereotipias motoras e pela necessidade do uso de ambas para o desenvolvimento de um sistema
estruturado de comunicação. Neste caso, devemos trazer objetos de referência para o seu dia a dia, objetos
que têm significados especiais e a função de substituir a palavra. Estes objetos irão representar e antecipar as
atividades da vida diária, por exemplo: boné (orientação e mobilidade); xícara (hora do lanche); creme e
escova para sensibilização (estimulação tátil) e escova e pasta de dente (hora da higiene bucal); bola de
plástico (hora da recreação). Estes objetos podem ser confeccionados e escolhidos de acordo com o objetivo
que será trabalhado.
Para nos referirmos a essas pessoas, o termo mundialmente aceito é pessoa com deficiência. Não
devemos utilizar expressões como portador de deficiência, pessoa com necessidades especiais,
portador de necessidades especiais ou deficiente. Entretanto, os termos “cego” e “surdo” podem ser
utilizados.
Avaliação do atleta
Neste vídeo, conheça mais sobre o processo de avaliação do atleta.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
II. Ocorre quando há paralisia dos dois membros superiores e inferiores. Sua origem decorre
de uma lesão na medula, um traumatismo entre a 1ª e a 7ª vértebra.
III. Ocorre quando há perda dos movimentos dos membros inferiores, comprometendo a
função das pernas, tronco e outras funções fisiológicas.
IV. Ocorre em um hemisfério do corpo, atinge tanto membro superior, quanto membro inferior
de um mesmo lado (direito ou esquerdo).
V. Ocorre quando há perda de uma parte do corpo, em que essa perda pode ser acidental ou
cirúrgica.
A
Questão 2
As pessoas com deficiência física ou motora são classificadas para as atividades desportivas
de acordo com suas deficiências neurológicas e suas aptidões físicas. Para que isso ocorra, a
pessoa com deficiência passa por três avaliações (médica, técnica e funcional). Assinale a
alternativa que descreve corretamente a avaliação correspondente:
Avaliação Médica: feitas medições de pregas, de força muscular, intensidade do movimento articular, medição
dos membros e coordenação motora.
Avaliação Técnica: o atleta realiza uma demonstração da prova, utilizando as adaptações necessárias. Nessa
prova, será avaliado como grupos musculares se comportam na execução da técnica e do movimento, assim
como suas órteses e próteses, se for o caso.
Avaliação Funcional: são verificados o nível de independência e autonomia para a realização das atividades
básicas da vida diária.
D
Avaliação Médica: o atleta passa por um processo de reabilitação e habilitação para o esporte, para
potencializar a sua performance.
Avaliação Técnica: são verificados o nível de independência e autonomia para a realização das atividades
básicas da vida diária.
Se voltarmos à história da Educação Física, veremos um ambiente extremante excludente, baseado no alto
rendimento, na competição e na meritocracia. Os alunos considerados mais habilidosos eram os personagens
principais dessas aulas que, muitas vezes, serviam de preparação para futuras competições e formação de
atletas.
As regras do basquete em cadeira de rodas são praticamente as mesmas do basquete tradicional. Vamos às
características:
• Dimensão da quadra: 28 metros de comprimento por 15 metros de largura, delimitadas por linhas de
marcação.
• Grau de deficiência: Há um sistema de classificação dos jogadores quanto ao grau de sua deficiência
motora variando de 1.0 até 4.5. O somatório dos jogadores da equipe não pode ultrapassar 14. A
classificação é feita baseada no comprometimento físico motor do atleta. Considerando que há atletas
que apresentam características de mais de uma classe distinta (chamados casos limítrofes), foram
criadas classes intermediarias: 1.5, 2.5, e 3.5.
Classe desportiva 1.0
Os jogadores não têm controle do tronco. Dessa forma, não têm a capacidade de se dobrar para
frente ou para os lados, ou rodar para receber e passar a bola. O encosto da cadeira de rodas é um
pouco mais alto para melhor estabilização dos atletas, que são presos à cadeira.
Esses atletas conseguem inclinar-se para frente e possuem total controle para girar com a cadeira.
Não possuem capacidade de se inclinarem lateralmente. Utilizam cadeiras de rodas com encostos
mais baixos.
Além disso, as cadeiras de rodas para este público precisam seguir especificações:
• Os pneus traseiros devem ter, no máximo, 66cm de diâmetro e devem ter o suporte para as mãos.
• O jogador (exceto das classes 3.5, 4.0 e 4.5) poderá optar por usar uma almofada no assento com, no
máximo, 10cm de espessura.
• Após duas impulsões na cadeira de rodas, o atleta deve arremessar, quicar ou passar a bola.
Bocha
Tipos de deficiência: Motora; intelectual (elevado grau de paralisia cerebral ou deficiências severas).
Objetivo: Lançar as bolas coloridas o mais perto possível de uma branca (jack ou bolim). Pode ser jogado
individualmente, em duplas ou por equipes.
Os atletas jogam sentados em cadeiras de rodas e ficam em um espaço delimitado para executar os
arremessos. É permitido uso de mãos, pés e instrumentos de auxílio. Além disso, podem contar com a ajuda
de calhas e calheiros (auxílio para atletas com maior comprometimento) para dar mais propulsão à bola.
Atletas tetraplégicos, por não possuírem os movimentos de membros superiores e inferiores, usam um suporte
na cabeça com uma agulha na ponta, o calheiro posiciona para que ele execute o movimento com a cabeça.
Em relação à classificação funcional, os atletas são divididos em quatro classes, de acordo com o grau da
deficiência e necessidade de auxílio ou não:
BC1
Atletas com limitações severas que atingem tronco, membros superiores e inferiores. São capazes de
agarrar e lançar a bola, sem que seja necessário o auxílio de instrumentos. Aos atletas com controle
das pernas é permitido lançar a bola com o pé. Podem ter assistência para receber a bola.
BC2
Esses atletas possuem maior controle do tronco e funcionalidade dos membros superiores que os
atletas das classes BC1 e BC3, sendo capazes de lançar a bola. Não podem receber assistência.
BC3
Os atletas que competem nessa classe desportiva possuem o maior grau de limitação motora, com
limitação severa na funcionalidade dos braços e pernas. Possuem pouco ou nenhum controle do
tronco. Eles utilizam uma calha para fazer rolar a bola, pois não conseguem lançar de forma manual.
Os atletas, normalmente, utilizam instrumentos para empurrar a bola, pois não conseguem agarrá-las
para lançar. Podem receber assistência.
BC4
Todas as classes anteriores incluem em seus grupos atletas com deficiências de origem cerebral. A
classe BC4 engloba atletas com deficiências que não são de origem cerebral, como distrofia muscular
ou esclerose múltipla. Possuem função das pernas e braços fracos, mas são capazes de agarrar e
lançar a bola. Não recebem assistência.
Ciclismo
Os atletas com deficiências físicas competem em bicicletas manuais, triciclos ou bicicletas convencionais.
A classificação funcional para este esporte compreende as classes:
H1 a H5
Os atletas impulsionam a handbike com os braços. Essa bicicleta possui duas rodas atrás para
obtenção de melhor equilíbrio. Dentro dessa classe, há uma variação na funcionalidade do tronco
pernas e braços entre os atletas. Por exemplo: H1 tem funcionalidade dos braços limitada e perda
completa da funcionalidade das pernas e tronco. H3 tem funcionalidade boa do tronco e dos braços,
mas não tem funcionalidade das pernas.
T1 e T2
Os atletas com paralisia cerebral cuja deficiência afeta o equilíbrio e a coordenação e os dificulta a
andarem uma bicicleta convencional. Esses atletas competem em triciclos.
C1 a C5
Atletas competem em bicicletas convencionais. Classes direcionadas aos competidores com
deficiência físico motora e amputados. Os atletas da classe C1 possuem limitação da atividade mais
severa, por outro lado a classe C5 é atribuída a atletas que possuem critérios de deficiência mínimos.
Tandem
Os atletas dessa classe possuem deficiência visual, ou possuem baixa acuidade visual, ou um campo
visual restringido a 40º. As bicicletas são de dois lugares e o ciclista da frente, ou “piloto” enxerga
normalmente.
Natação
Os nomes das classes que compõem a natação sempre terão a inicial S (swimming) e terão o número
correspondente à classe desportiva a que pertencem:
SB – Nado peito
SM – Medley
Comentário
Não é permitido nenhum aparato que melhore o desempenho do competidor, como as próteses.
No caso de deficiência motora, as classes são numeradas de 1 a 10. A numeração mais baixa (1) equivale ao
comprometimento mais severo da deficiência em questão, uma limitação na funcionalidade mais acentuada.
Progressivamente, o nível de comprometimento e limitação funcional diminui com o avançar dos números até
chegar ao último (10), sendo o mais brando de todos.
Atletas com diferentes tipos de deficiência podem competir uns com os outros. Vejamos alguns exemplos de
deficiências descritas no perfil de cada classe desportiva:
S1 SB1 SM1
Os nadadores desta classe desportiva têm significativa perda de potência muscular ou de controle
das pernas, braços e mãos. Alguns atletas também têm controle limitado do tronco, como pode
ocorrer na tetraplegia. Estas deficiências podem ser causadas por lesões na medula espinhal ou por
poliomielite. Os nadadores desta classe habitualmente usam cadeira de rodas na vida diária. Os
atletas competem sobretudo apenas em provas de costas.
S2 SB1 SM2
Os nadadores desta classe desportiva conseguem usar os braços, mas não conseguem usar as mãos,
pernas ou tronco ou têm problemas severos de coordenação nos quatro membros. Tal como na classe
desportiva S1 SB1 SM1, os atletas competem sobretudo apenas em provas de costas.
S3 SB2 SM3
Esta classe desportiva inclui atletas com amputações de todos os quatro membros. Os nadadores
com braçadas razoáveis, mas sem utilização das pernas ou tronco e nadadores com problemas
severos de coordenação em todos os membros também são incluídos nesta classe desportiva.
S4 SB3 SM4
Para nadadores que conseguem utilizar os braços e têm fraqueza mínima nas mãos, mas não
conseguem usar o tronco ou as pernas. Atletas com amputações de três membros também nadam
nesta classe desportiva.
S5 SB4 SM5
Os nadadores de estatura baixa e uma deficiência adicional, com perda de controle sobre um lado do
corpo (hemiplegia) ou com paraplegia competem nesta classe desportiva.
• 11 – 13: Atletas com deficiência visual (11 significa cegueira total e o 13 descreve a deficiência visual
mínima elegível).
Curiosidade
Segundo o site do Comitê Paralímpico, o Brasil já conquistou 102 medalhas na natação em Jogos
Paralímpicos, sendo 32 de ouro, 34 de prata e 36 de bronze. É a segunda modalidade que mais
medalhas deu ao Brasil, atrás apenas do Atletismo com 142 medalhas. Fonte: Comitê Paralímpico
Brasileiro.
Tênis
Esta modalidade esportiva pode ser praticada por pessoas com deficiência motora ou intelectual. Quanto às
classes desportivas, podemos considerar:
Atletas que possuam deficiência significativa Atletas que possuam uma deficiência que afeta
permanente de uma ou das duas pernas, com a funcionalidade dos membros superiores e
funcionalidade normal dos membros superiores. membros inferiores, limitando-os à capacidade
Ex.: atletas com paraplegia ou amputações das de agarrar a raquete e de se moverem na
pernas. cadeira de rodas.
As regras em geral são as mesmas do tênis tradicional. No tênis em cadeira de rodas, existe a regra dos dois
quiques, que determina que o atleta rebata a bola para o outro lado antes que ela toque no chão pela terceira
vez. As cadeiras utilizadas são esportivas, com rodas adaptadas para melhor equilíbrio e mobilidade.
Voleibol
Esta modalidade é praticada por pessoas com deficiência motora ou intelectual. Para esta modalidade, as
classes desportivas são divididas em dois grupos:
No vôlei sentado, os jogadores não podem bater na bola sem estar em contato com o solo.
Cada equipe pode somente tocar três vezes na bola antes de passar ao time adversário. Nesta modalidade, o
saque pode ser bloqueado pelos jogadores da linha de frente, diferente do vôlei tradicional, em que o saque
não pode ser bloqueado.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
B
Classe desportiva 1.0
Esse atleta não entra na classificação pois não possui comprometimento no tronco
Questão 2
No ciclismo, quando praticado por pessoa com deficiência, encontramos quatro diferentes
modelos de bicicletas, sua utilização vai depender do comprometimento que o atleta
apresentar. Dessa forma, assinale a opção correta:
Tandem: Os atletas impulsionam a bicicleta adaptada com os braços, essa bicicleta possui duas rodas atrás
para obtenção de melhor equilíbrio. Dentro dessa classe, há uma variação na funcionalidade do tronco, pernas
e braços entre os atletas.
Triciclo: Atletas com paralisia cerebral cuja deficiência afeta o equilíbrio e a coordenação e dificulta andarem
em uma bicicleta convencional.
Tandem: Classes direcionadas aos competidores com deficiência físico motora e amputados. Os atletas da
classe C1 possuem limitação das atividades mais severa, por outro lado, a classe C5 é atribuída a atletas que
possuem critérios de deficiência mínimos.
Duobike: Os atletas dessa classe possuem deficiência visual ou possuem baixa acuidade visual ou um campo
visual restringido a 40º. As bicicletas são de dois lugares e o ciclista da frente, ou “piloto”, enxerga
normalmente.
Tandem: Atletas com paralisia cerebral cuja deficiência afeta o equilíbrio e a coordenação e dificulta andarem
uma bicicleta convencional.
A alternativa B está correta.
Triciclo: Os atletas com paralisia cerebral cuja deficiência afeta o equilíbrio e a coordenação precisam andar
em triciclos, onde a base de apoio é maior. Uma bicicleta convencional pode gerar quedas para esse
público.
3. O trabalho com atividades adaptadas
Agora, vamos direcionar o nosso foco para atividades não esportivas, de possível realização com todos os
alunos nas aulas de educação física escolar. Na escola, é imprescindível pensar na individualidade do aluno
dentro do grupo maior, sobre as suas necessidades, e quais as capacidades e potencialidades que se deve
buscar desenvolver para contribuir para uma maior independência e inclusão.
Os primeiros questionamentos do professor deve ser: quem é o meu aluno? Qual a sua deficiência? O que
podemos fazer para que o trabalho na aula de educação física seja significativo e reflita positivamente na vida
extraclasse?
Entre as possibilidades de atividades lúdicas, podemos pensar nos jogos, nas brincadeiras, nas danças, até
mesmo na interpretação que se dá à leitura de um texto. Uma vivência em conjunto contribuirá para minimizar
possíveis situações de preconceito e discriminação e fomentará a cooperação, a solidariedade e o trabalho
em equipe, que refletirá também no ambiente extraescolar. O ensino que utiliza meios lúdicos cria um
ambiente gratificante e atraente, servindo como estímulo para o desenvolvimento integral da criança.
Nesse sentido, a formação do professor como um todo é um ponto fundamental para que o processo de
inclusão dessas atividades nas aulas seja alcançado. É muito comum encontrar professores que se sentem
inseguros e despreparados para trabalhar com alunos com deficiência.
Vamos para um momento de reflexão: quantos colegas com deficiência você teve, em sua turma, durante a
Educação Básica? Ampliando a pergunta: quantos colegas com deficiência tinham na escola, quando você
estudava? Eles eram participativos nas aulas de Educação Física?
Acredito que você tenha respondido um número baixo de colegas e, provavelmente, de forma negativa quanto
à participação deles nas aulas de Educação Física. Como vimos nos módulos anteriores, esses alunos não
estiveram sempre nas escolas. Muitos professores, por mais experientes que fossem, não tiveram um aluno
com deficiência em suas salas de aula durante anos. Considerando que esse quadro vem se transformando,
cada vez mais, é necessário que você busque meios de estar preparado para receber esses alunos, que
precisam de um trabalho realizado com qualidade.
Agora, vamos abordar alguns cuidados que devem ser considerados dentro do contexto de inclusão nas aulas
de Educação Física, e que podem transcender as paredes da escola.
O cenário escolar traz uma realidade diversificada e heterogênea que demanda cada vez mais de profissionais
devidamente capacitados e comprometidos com o novo contexto.
Atenção
Nas aulas de Educação Física, o professor deve estar atento a alguns pontos que estão intimamente
ligados à segurança, autonomia e participação desse aluno. Após tomar conhecimento das condições
que cada aluno apresenta, ao iniciar a aula, o professor deve se certificar de se posicionar de maneira
que seja visto/ouvido por todos os alunos.
Quando o aluno utilizar a cadeira de rodas ou for surdo, por exemplo, deve ser posicionado de forma que sua
visão não seja obstruída pelos outros colegas. Esses alunos devem ter total visão da demonstração e fala do
professor. O aluno surdo, muitas vezes, faz leitura labial e se orientará pela demonstração da atividade.
Pensemos também no aluno cego, que deve estar posicionado próximo ao professor para que tenha a
segurança de ouvir com clareza as orientações.
Trabalhar em duplas ou em pequenos grupos é uma ótima alternativa para estimular a participação de todos, o
entrosamento e uma melhor vivência das atividades. Também não podemos esquecer que, ao trabalhar dessa
maneira, o professor estimulará a cooperação, solidariedade e amizade entre os alunos, minimizando
preconceitos, estranhamentos e desconhecimentos. É interessante diversificar as duplas e equipes, para que
todos tenham sempre a oportunidade de trabalhar com colegas diferentes. É importante transformar o espírito
de competição entranhado no estereótipo das aulas de Educação Física em um espírito cooperativo, solidário
e de trabalho em equipe.
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Ideias de atividades e como planejá-las
As atividades aqui sugeridas podem ser adaptadas, ou recriadas pelo professor de acordo com a
especificidade e características de cada aluno, de cada turma. A criatividade e as vivências do professor
contribuirão de forma positiva para que as atividades aqui propostas se desdobrem em outras novas. Como
mencionado anteriormente, atividades em duplas, trios ou equipes proporcionam a viabilidade de maior parte
das atividades e, por consequência, a participação de todos. Quanto mais vivências com qualidade os alunos
tiverem, mais você, professor, contribuirá para a qualidade de vida, bem-estar e desenvolvimento dos alunos
nos aspectos cognitivos, fisiológicos, psicológicos, sociais e afetivos.
Atenção
Oriente seus alunos quanto às atividades planejadas de forma simples, objetiva e clara. A depender da
deficiência do aluno, trabalhe falas pausadas, com demonstração do passo a passo da realização da
atividade. Tenha atenção redobrada, os alunos com deficiência requerem mais atenção aos detalhes
para sua segurança e maior autonomia.
Desenvolvimento: A turma será dividida em duas equipes. A equipe que iniciar o jogo com a posse de
bola deverá trocar um determinado nº de passes (combinado previamente, por exemplo, 8 passes)
entre os colegas, sem deixar a bola cair enquanto a outra equipe tem o papel de interceptar a bola
para tê-la em sua posse. A equipe que alcançar o número de passes estabelecido marca o ponto. O
número de passes pode ir aumentando para aumentar a dificuldade. Todos os participantes do jogo
estarão sentados. Se a bola cair no chão sem ser interceptada, a contagem dos passes recomeça.
Bobinho sentado
Deficiências: Física; auditiva; intelectual.
Material: Bola
Desenvolvimento: A turma formará um círculo na quadra, os alunos estarão sentados. Dois alunos
ficarão no centro do círculo, serão os “bobinhos”. Enquanto os jogadores que estão no círculo
estiverem trocando passes, os alunos que estão dentro do círculo tentarão interceptá-la. Os alunos
não poderão se levantar em momento nenhum do jogo, o aluno que conseguir fazer a interceptação
da bola troca de lugar com o aluno que fez o passe.
Pegue o rabo
Deficiências: Física; auditiva; intelectual.
Desenvolvimento: A turma formará uma coluna, os alunos deverão segurar na cintura do colega da
frente. Um aluno será o pegador e o objetivo dele será pegar o rabo (TNT) que estará preso na calça
do último da fila. Os alunos da coluna devem tentar impedir que isso aconteça sem desfazer a coluna,
o papel do primeiro da fila é muito importante, pois ele guiará a direção de todo resto da coluna. Os
alunos com deficiência podem ser os primeiros da fila ou o pegador (o aluno com cadeira de rodas ou/
e com deficiência intelectual, poderá trabalhar em dupla com um colega para ser o pegador).
Bolas ao centro
Deficiências: Física; auditiva; intelectual, visual.
Desenvolvimento: A turma será dividida em pequenas equipes. No centro da quadra, estará uma bola
dentro de um círculo desenhado com giz. Cada equipe terá um determinado número de bolas (vai
depender da quantidade de bolas que o professor dispuser para suas aulas). O jogo inspirado na
bocha terá como objetivo que as equipes rolem suas bolas na direção do círculo no centro da quadra,
aproximando ao máximo a sua bola da bola central, sem tocá-la. Cada equipe joga duas vezes
durante a rodada, a cada rodada a equipe que chegar mais próxima da bola central pontua. Se o
jogador em um lance tirar a bola central de dentro do círculo a equipe dele fica uma jogada de fora.
Percurso em duplas
Deficiências: Física; auditiva; intelectual; visual.
Desenvolvimento: A turma será dividida em duplas. O professor montará dois circuitos iguais, para
que as duplas possam competir. O percurso deverá ter obstáculos e instruções de realização de
alguma tarefa (por exemplo: executar 5 manchetes para prosseguir no percurso), o objetivo é chegar
primeiro ao final do percurso.
Estações
Deficiências: Física; auditiva; intelectual, visual.
Desenvolvimento: A atividade será dividida em 3 estações (por exemplo: estação 1: quicar a bola até
o cesto, estação 2: resolver alguma conta de matemática). Os alunos estarão organizados em trios,
cada integrante receberá um número de 1 a 3. O professor falará/sinalizará um número (1, 2 ou 3), o
aluno que representar aquele número sairá para realizar a atividade da estação correspondente à
rodada. A atividade inicia-se na estação 1. O aluno que utilizar cadeira de rodas e/ou com deficiência
intelectual e/ou com deficiência visual poderá ter um colega para auxiliar. Ao realizar a atividade, o
professor escolhe outro aluno/número (1, 2 ou 3) para a próxima estação, e assim sucessivamente.
Não há pontuação ou vencedor, o objetivo é que todos possam realizar as atividades propostas.
Cooperação em dupla
Deficiências: Física; auditiva; intelectual, visual.
Desenvolvimento: A turma será dividida em equipes. Dentro das equipes, haverá a formação de
duplas. A dupla terá que equilibrar o objeto com alguma parte do corpo (exceto as mãos) durante um
trajeto determinado pelo professor, ao chegar no ponto que está o cone, a próxima dupla sai com o
outro objeto e assim alternarão até concluir o percurso escolhido pelo professor.
Passa bola
Deficiências: Física; auditiva; intelectual, visual.
Material: Bolas.
Deslocamento em grupo
Deficiências: Física; auditiva; intelectual.
Material: Cartões com figuras de animais e números (se possível, a imagem do número em libras).
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Para a elaboração de um planejamento que seja inclusivo e que priorize a participação de
todos os alunos, é necessário considerar alguns aspectos importantes, entre eles, podemos
citar corretamente:
Trabalhar com os alunos com deficiência, menos habilidosos e com as meninas em grupos diferenciados, para
que um grupo seja capaz de se desenvolver dentro da sua capacidade, enquanto o resto da turma pratica uma
atividade principal.
Os alunos com deficiência devem ser estimulados de maneira individualizada, em que o professor deve
preparar atividades específicas para que eles realizem, enquanto o restante da turma trabalha na atividade
principal.
Para maior segurança do aluno, o professor deve optar por deixá-lo assistindo as aulas, elaborando relatórios
sobre as atividades. Isso demonstra a preocupação e compreensão do professor com a condição do aluno.
As atividades planejadas devem ser a mesmas para toda a turma, o professor deve considerar as
necessidades dos alunos ao planejá-las. Uma dica importante e muito eficiente é o professor programar
atividades para serem executadas em duplas, trios ou pequenas equipes para que trabalhem de forma
cooperativa e solidária.
Alunos com deficiência não devem participar das aulas de Educação Física, pois é muito perigoso.
Questão 2
As instruções sobre as atividades que serão realizadas devem ser feitas separadamente, em um primeiro
momento, para os alunos sem deficiência e, em um outro momento, em um grupo menor com os alunos com
deficiência para maior efetividade da explicação.
B
É importante que não sejam feitas muitas alterações no planejamento para a participação desses alunos, eles
devem ter a capacidade de se adaptar, não sendo necessário que sejam previamente considerados no
planejamento.
As instruções sobre as atividades devem ser feitas para toda a turma, no mesmo momento, o professor
deverá ter o cuidado de posicionar os alunos com deficiência em um local adequado para ver/ouvir de forma
clara a explicação e demonstração da atividade.
Para considerarmos uma aula inclusiva, o ponto mais importante é que o aluno com deficiência esteja
presente, independente da tarefa que está a realizar.
Alunos com deficiência não precisam de qualquer tipo de posicionamento específico para receber as
instruções.
Considerações finais
A partir de agora, você pode se aproximar um pouco mais da realidade na qual a pessoa com deficiência está
inserida de uma maneira geral, com um olhar específico e crítico. Foi possível compreender a transformação
do contexto no qual a pessoa com deficiência está inserida e as mudanças que, ao longo dos anos,
contribuíram para esses indivíduos saírem de suas casas e ocuparem seus lugares na sociedade, buscando
autonomia, independência e qualidade de vida.
Podemos desenhar um percurso, considerando que as aulas de Educação Física são a oportunidade de um
primeiro contato com atividade física. Através das aulas, muitos alunos têm a oportunidade de experimentar
vivências até então desconhecidas. É um meio para a descoberta dos esportes e para poder optar por sua
prática, ou até mesmo sua profissionalização, como vimos nos esportes adaptados.
O professor de Educação Física é fundamental nesse processo, sendo o principal mediador nesse caminho. A
forma como ele vai estruturar as suas aulas e oferecer essas oportunidades para esse aluno poderá definir o
seu impacto na vida de toda turma: o aluno com deficiência com a garantia do direito de estar incluído na
sociedade e o aluno sem deficiência que, ao passar sua formação escolar e acadêmica convivendo com
pessoas com deficiência, se tornará um adulto com um olhar mais natural perante à deficiência, com atitudes
mais solidárias, cooperativas e menos egoístas.
Apresentar alguns esportes paralímpicos foi uma forma de consolidar a importância da atividade física, do
esporte, das aulas de Educação Física na vida do indivíduo. Isto é, uma prática escolar que se torna uma
profissão, um aluno que se torna um atleta profissional ou até mesmo representante do país em eventos
esportivos mundiais. Por fim, com as sugestões de atividades, você poderá dar início a essa prática nas suas
aulas e, a partir delas, modificar, transformar e adaptar essas e outras para que atendam da melhor forma a
todos os alunos.
Professor, dê o seu melhor! Modifique comportamentos, contribua de forma significativa para a vida do seu
aluno, colabore para que o sucesso profissional e pessoal estejam sempre presentes em todas as etapas da
sua vida. A sua atuação é essencial para alcançarmos uma sociedade mais justa e inclusiva.
Podcast
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Fala, Mestre!
O vídeo apresenta atividades físicas adaptadas para pessoas com deficiência física, motora e múltiplas.
Inicialmente, exercícios são realizados com cadeiras de rodas, onde os participantes percorrem entre cones,
indo de frente e voltando de costas. Uma variação com bola de basquete é introduzida para simular o
basquete em cadeira de rodas. A importância de que futuros educadores experimentem estas atividades para
entenderem as dificuldades enfrentadas por seus alunos com deficiência é destacada. Em seguida, é feita
uma corrida onde os participantes competem com colegas que têm deficiências similares, garantindo
equilíbrio na competição. O vídeo também mostra uma aula de passes de basquete e encerra com uma
adaptação do basquete paralímpico, misturando participantes com e sem deficiências. Ressalta-se a
importância de respeitar as individualidades biológicas de cada um.
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Explore+
Para saber mais sobre os assuntos explorados neste tema:
• Leia a obra Educação Física Adaptada, de Débora Mendonça e Patrícia Flaitt. O material aborda jogos
já adaptados ou criados para se trabalhar com turma com alunos com deficiências.
• Leia 200 jogos infantis e 210 jogos infantis, ambos de Nicanor Miranda. Os dois livros contêm jogos
para aulas de Educação Física. A partir deles, o professor pode fazer sua própria adaptação para
atender ao público que estiver envolvido na aula.
• Assista ao vídeo Conheça o Tênis em Cadeira de Rodas, disponível no canal da Secretaria Especial do
Esporte.
Referências
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dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, consolida as normas
de proteção, e dá outras providências.
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