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Hamlet

O espetáculo 'Hamlet? (Ou Quase Isso...)' é uma releitura cômica da obra de Shakespeare, onde os personagens interagem com a plateia e apresentam uma versão leve da história original. A trama gira em torno de Hamlet, que busca vingar a morte de seu pai, mas com um tom humorístico e descontraído, evitando o trágico final da peça original. A apresentação também reflete sobre a importância do teatro e da cultura, utilizando elementos de improvisação e interação com o público.

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Hamlet

O espetáculo 'Hamlet? (Ou Quase Isso...)' é uma releitura cômica da obra de Shakespeare, onde os personagens interagem com a plateia e apresentam uma versão leve da história original. A trama gira em torno de Hamlet, que busca vingar a morte de seu pai, mas com um tom humorístico e descontraído, evitando o trágico final da peça original. A apresentação também reflete sobre a importância do teatro e da cultura, utilizando elementos de improvisação e interação com o público.

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HAMLET?

(OU QUASE ISSO…)


PRÓLOGO – OS MAMULENGOS APRESENTAM
(Entram os bonecos de mamulengo-hu Bmanos, animados, quebrando a quarta parede)

MAMULENGO 1
Senhoras e senhores, meninos e meninas… o que vocês assistirão com os próprios olhos
hoje… será coisa muito inesperada!

MAMULENGO 2
Muito inesperada mesmo. Tipo… inesperada nível “deu errado, mas a gente continua”.

MAMULENGO 1
O espetáculo que vem a seguir é inspirado na obra Hamlet, de Shakespeare!

(Passa a plaquinha: “OOOH”)

MAMULENGO 2
Plateia querida… vocês não estão tão bem aquecidos! Sempre que passarmos a plaquinha
“OOOH”, vocês fazem…

AMBOS
Ooooh!

(Passa plaquinha “RISOS”)

MAMULENGO 1
E quando for “RISOS”… vocês fazem…

AMBOS
Hahahaha!

MAMULENGO 2
Vamos treinar!

(Interação com a plateia)

MAMULENGO 1
MUITO BEM! Agora prestem atenção…

MAMULENGO 2
Eu aposto que muita gente aqui conhece Hamlet, né?

MAMULENGO 1
E a gente pensou: vamos fazer igualzinho!

MAMULENGO 2
…e aí desistimos.

MAMULENGO 1
Porque na versão original…
MAMULENGO 2
…todo mundo morre.

MAMULENGO 1
EI! OLHA O SPOILER!

(Placa “RISOS”)

MAMULENGO 2
Pensamos e pensamos muito…

MAMULENGO 1 (dramático)
Ser ou não ser, eis a questão…

MAMULENGO 2
Pra quem não conhece, a gente conta rapidinho!

MAMULENGO 1
Releitura, minha gente!

MAMULENGO 2
A mesma história…

MAMULENGO 1
…do nosso jeitinho!

MAMULENGO 2
Mas chega de conversa!

AMBOS
VAMOS CHAMAR OS ATORES!

CENA 1 – DESFILE DOS PERSONAGENS


(Música animada. Clima de desfile. Mamulengos narram como apresentadores
exagerados.)

MAMULENGO 1
Diretamente da Dinamarca…

AMBOS
OS DRAMÁTICOS DE PLANTÃO!

HAMLET entra (arrastado, dramático)

MAMULENGO 2
O príncipe da bad…

MAMULENGO 1
Olhos marejados…
MAMULENGO 2
Se fosse hoje, tinha podcast!

AMBOS
HAMLET!

(Placa “OOOH”)

CLÁUDIO entra (cheio de pose)

MAMULENGO 1
O tio…

MAMULENGO 2
Que ninguém confia…

AMBOS
CLÁUDIO!

GERTRUDES entra (elegante, acenando)

MAMULENGO 1
A rainha…

MAMULENGO 2
Rápida nas decisões!

AMBOS
GERTRUDES!

FANTASMA entra

AMBOS
O FANTASMA DO REI!

(Placa “OOOH”)

POLÔNIO entra

MAMULENGO 2
Especialista em opinião não solicitada!

AMBOS
POLÔNIO!

OFÉLIA entra

MAMULENGO 1
Apaixonada…

MAMULENGO 2
E um pouco iludida…

AMBOS
OFÉLIA!
LAERTES entra

AMBOS
LAERTES!

HORÁCIO entra

AMBOS
HORÁCIO!

ATORES entram

MAMULENGO 2
E eles…

MAMULENGO 1
Os que fazem tudo acontecer!

AMBOS
OS ATORES!

CENA 2 – RESUMÃO ENCENADO (COM FALAS)


(Os atores assumem. Mamulengos nas laterais com placas pontuais.)

NARRADOR/ATOR
O pai de Hamlet, rei da Dinamarca, morre…

(Placa: “TANDANDAN”)

NARRADOR/ATOR
Ou melhor…
…é morto.

(Placa: “OOOH”)

NARRADOR/ATOR
E o que acontece?
Seu próprio irmão, Cláudio…

(CLÁUDIO entra)

CLÁUDIO
Eu mesmo.

NARRADOR/ATOR
…casa rapidamente com a viúva Gertrudes…

(GERTRUDES entra abraçada com ele)

GERTRUDES
A vida continua, minha gente.

NARRADOR/ATOR
…e assume o trono.
(CLÁUDIO avança, todo pomposo)

CLÁUDIO
Agora quem manda aqui sou eu…

(Pausa — muda o tom)

CLÁUDIO
Digo… que triste… o rei se foi…
Meu coração está partido…

(Drama exagerado, falsa emoção)

(Placa opcional: “RISOS”

NARRADOR/ATOR
Só que… tem algo estranho nesse castelo…

(Entram GUARDAS)

GUARDA 1
Você viu aquilo?

GUARDA 2
Eu não vi… mas não gostei.

GUARDA 1
É um fantasma!

(FANTASMA entra)

FANTASMA
Hamleeeeeet…

(Placa “OOOH”)

(HAMLET entra assustado)

HAMLET
O QUE É ISSO?! SOCORRO!

FANTASMA
Calma… sou eu…
Seu pai.

HAMLET
Pai…?

FANTASMA
E para de andar de meia no chão!

HAMLET
Foi mal…
FANTASMA
Eu tenho um babado forte…

(Placa: “TANDANDAN”)

FANTASMA
Seu tio tirou minha vida.

(Placa: “OOOH”)

HAMLET
O quê?!

FANTASMA
Veneno no ouvido… enquanto eu dormia…

HAMLET
Eu vou resolver isso!

(Pausa)

HAMLET
…depois que eu pensar melhor.

(Placa “RISOS”)

NARRADOR/ATOR
E Hamlet muda…

(HAMLET estranho)

HAMLET
Ser ou não ser…

(OFÉLIA entra)

OFÉLIA
Hameee… você tá diferente…

HAMLET
Hoje não, Ofélia…

OFÉLIA
Mas faz dias que é “hoje não”!

(POLÔNIO entra)

POLÔNIO
Isso aí é amor!
Ou não… mas vou investigar!
NARRADOR/ATOR
Mas Hamlet tem um plano!

(Placa: “TANDANDAN”)

HAMLET
Eu vou provar a culpa…

(Pausa)

HAMLET
…com teatro!

(Entram os ATORES com energia)

ATOR 1
Chamaram?

ATOR 2
Chegou o entretenimento!

ATOR 1
Drama!

ATOR 2
Vingança!

HAMLET
Perfeito.

(Luz muda levemente — gancho para próxima cena)

CENA 3 – A PEÇA DENTRO DA PEÇA (E O TEATRO FALA DE SI)


(Os ATORES se organizam rapidamente. Mudança simples de luz ou música. Clima de
improviso.)

ATOR 1
Respeitável público…

ATOR 2
O que vocês vão ver agora…

ATOR 1
É teatro dentro do teatro!

ATOR 2 (quebrando)
A gente podia ter escolhido qualquer história…
ATOR 1
Mas escolhemos essa.

ATOR 2
Porque esses personagens…

(Aponta para Hamlet, Cláudio, etc.)

ATOR 1
…falam da gente também.

ATOR 2
Da importância da cultura…

ATOR 1
Do teatro…

ATOR 2
E de como, muitas vezes…

ATOR 1
…isso tudo é desvalorizado.

ATOR 2
A gente tem espaços incríveis…

ATOR 1
Como o Teatro de Contêiner…

(Pausa breve, muda o tom)

ATOR 2
Que era maravilhoso…

ATOR 1
Mas foi demolido.

(Pequeno silêncio — sem pesar demais)

ATOR 2 (retoma energia)


Mas vamos falar de coisa boa!

ATOR 1
Desde os tempos de Shakespeare…

ATOR 2
Lá no século XVI…

ATOR 1
Já existia teatro de rua!

ATOR 2
Gente apresentando em praça…

ATOR 1
Em feira…
ATOR 2
No meio do povo!

ATOR 1
Sem palco italiano…

ATOR 2
Sem cortina vermelha…

ATOR 1
Mas com muita história pra contar!

ATOR 2
E foi assim que a gente chegou aqui…

ATOR 1
Porque esses atores…

(Aponta para o grupo)

ATOR 2
Estavam passando pela cidade…

ATOR 1
Com sua trupe, sua carroça…

ATOR 2
Quando foram chamados por Hamlet!

(HAMLET entra, chamando)

HAMLET
Ei! Vocês aí!
Precisam fazer uma peça!

ATOR 1
A gente faz!

ATOR 2
Mas paga quanto?

(Placa “RISOS”)

HAMLET
Paga… em vingança!

ATOR 1
Hmm… conceito forte.

ATOR 2
Aceitamos.

A ENCENAÇÃO DO CRIME
(Os atores montam rapidamente a cena — tudo muito visível e artesanal)

ATOR 1
Senhoras e senhores…

ATOR 2
Observem com atenção…

(Um ator faz o REI, deitado no “jardim” — pode usar tecido verde, flores simples)

(Outro ator faz o assassino — Cláudio observa de fora)

NARRAÇÃO POÉTICA (pode ser um dos atores)


No silêncio do jardim…
Onde o vento quase não sopra…
Um corpo descansa…
Sem saber que o fim se aproxima…

(O “assassino” se aproxima lentamente, com um pequeno frasco imaginário)

NARRADOR
Gota por gota…
O veneno encontra caminho…

(Simula colocar no ouvido — gesto delicado, quase coreografado)

(O REI reage de forma poética, não grotesca — um movimento lento, como se o corpo
“desligasse”)

NARRADOR
E o sono…
Vira silêncio.

(Pausa)

(CLÁUDIO começa a ficar desconfortável assistindo)

CLÁUDIO
Que peça… estranha…
Não gostei…

(Ele se levanta, nervoso)

CLÁUDIO
Parem com isso!

(Sai)

ATOR 1 (olhando para Hamlet)


Acho que funcionou.

HAMLET (sério)
Funcionou.
NARRADOR/ATOR
E assim… todos descobrem.

(Os personagens começam a reagir — tensão crescente)

LAERTES
Foi você!

GERTRUDES
Cláudio?!

POLÔNIO
Eu sabia!
(na verdade não sabia)

(Todos começam a avançar em direção ao “vazio” deixado por Cláudio — confusão


coreografada)

NARRADOR/ATOR
E como toda boa tragédia…

ATOR 2
…isso termina em caos!

(Todos entram em confusão — mas antes que vire morte generalizada…)

A VIRADA – OS ATORES NÃO MORREM


(Os ATORES simplesmente saem da confusão, tranquilos)

ATOR 1
Bom… nosso trabalho aqui acabou.

ATOR 2
A gente não morre nessa história.

ATOR 1
A gente continua…

ATOR 2
Contando histórias por aí.

(Eles pegam seus objetos, reorganizam o corpo)

ATOR 1
E agora…

ATOR 2
Vamos levar vocês…

(Mudança de energia — mais leve, popular)

TRANSIÇÃO – CIRCO DE VARIEDADES


ATOR 1
…para uma das histórias que a gente apresentava…

ATOR 2
Antes de ser interrompido por um príncipe em crise!

(Placa “RISOS”)

ATOR 1 (à frente, apresentador)


Respeitável público…

ATOR 2 (imita, exagerado)


Respeitável público!

ATOR 1
Seja muito bem-vindo…

ATOR 2
Muito bem-vindo mesmo!

ATOR 1
Ao…

(Pausa dramática)

AMBOS
CIRCO DE VARIEDADES ELITE!

(Placa “PALMAS”)

ATOR 1
Eu sou o… (nome do ator)

ATOR 2
E eu sou o…

(Trava)

ATOR 1
Se apresenta

ATOR 2
Ahn? Apresentar?

ATOR 1
É! Cumprimenta o público!

ATOR 2 (todo errado)


Ah, sim!
Um metro e sessenta de pura beleza!

ATOR 1
NÃO É ESSE TIPO DE CUMPRIMENTO!
ATOR 2
Ah…
Esse aqui tem 60 centímetros…

(aponta alguém da plateia ou objeto)

ATOR 2
Esse aqui em pé deve ter 1,20…

(Pode improvisar com o público)

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