Coorte Retrospectiva de Crianças e Adolescentes Hospitalizados Por COVID-19 No Brasil Do Início Da Pandemia A 1º de Agosto de 2020
Coorte Retrospectiva de Crianças e Adolescentes Hospitalizados Por COVID-19 No Brasil Do Início Da Pandemia A 1º de Agosto de 2020
1590/1980-549720200026
RESUMO: Objetivos: Caracterizar a população do estudo, estimar a taxa de letalidade intra-hospitalar por estado
e analisar fatores associados aos óbitos por COVID-19. Métodos: Foi realizado estudo de coorte retrospectiva de
crianças e adolescentes hospitalizados com diagnóstico de COVID-19 confirmado por transcrição reversa seguida
de reação em cadeia da polimerase (RT-PCR), tendo como desfecho óbito por COVID-19 ou recuperação, entre
1º de março e 1º de agosto de 2020. A fonte de dados foi o Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica
da Gripe (SIVEP-Gripe), ao qual são notificados pacientes internados com Síndrome Respiratória Aguda
Grave (SRAG). Consideraram-se crianças os pacientes com idade entre 0 e 11 anos completos e adolescentes
aqueles com idade entre 12 e 18 anos completos. Realizou-se análise bi e multivariável por meio de Regressão
de Poisson com variância robusta, utilizando-se como medida de associação final o Risco Relativo ajustado
(RRa). Resultados: Dos 4.930 casos analisados, 2.553 (51,8%) eram do sexo masculino. A raça/cor autodeclarada
parda foi a mais frequente, com 2.335 (47,4%). A unidade federativa de Roraima apresentou a maior taxa de
letalidade intra-hospitalar, com 68,8% (n = 11/16). A análise multivariada mostrou que pertencer ao grupo
etário adolescente (RR = 1,59; IC95% 1,12 – 2,25; p = 0,009), ter sido classificado como SRAG-crítico (RR =
4,56; IC95% 2,77 – 7,51; p < 0,001) e apresentar imunopatia (RR = 2,24; IC95% 1,58 – 3,17; p < 0,001) como
comorbidade configuraram-se como fatores associados ao óbito pela COVID-19. Conclusão: Observou-se que
ser adolescente, ter classificação de SRAG-crítico e imunopatia como comorbidade foram importantes fatores
associados ao óbito. Recomenda-se vigilância ativa e cuidados diferenciados a portadores de doenças crônicas
e condições imunológicas especiais.
Palavras-chave: Criança. Adolescente. Hospitalização. Infecções por coronavírus. Síndrome respiratória aguda grave.
I
Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do Sistema Único de Saúde, Coordenação-Geral de
Emergências em Saúde Pública, Departamento de Saúde Ambiental, do Trabalhador e Vigilância das Emergências em Saúde
Pública, Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde – Brasília (DF), Brasil.
II
Coordenação-Geral do Programa Nacional de Imunizações, Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis, Secretaria
de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde – Brasília (DF), Brasil.
Autor correspondente: Nivreanes Tcherno Nulle Gomes. QMSW 5, Lote 3, Bloco H, ap. 207, Setor Sudoeste, CEP: 70680-500,
Brasília, DF, Brasil. E-mail: nullegomes@[Link]
Conflito de interesses: nada a declarar – Fonte de financiamento: Programa de Treinamento Epidemiologia Aplicada aos Serviços
do Sistema Único de Saúde, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, e Projeto Regional de Reforço dos
Sistemas de Vigilância das Doenças em África Ocidental (REDISSE).
1
REV BRAS EPIDEMIOL 2021; 24: E210026
GOMES, N.T.N. ET AL.
ABSTRACT: Objectives: To characterize the study population, estimating the in-hospital lethality rate by state
and analysing associated factors with COVID-19-related deaths. Methods: A retrospective cohort study was
carried out of hospitalised children and adolescents diagnosed with COVID-19, confirmed by RT-PCR, whose
outcome was death by COVID-19 or recovery, from 2020 March 1 to August 1. The data source was the Influenza
Epidemiological Surveillance Information System (SIVEP-Gripe in Brazilian acronym), where patients with
Severe Acute Respiratory Syndrome (SARS) are notified. Children were defined as those between the ages of 0
and 11, and adolescents those between 12 and 18. A bi and multivariate analysis were performed using Poisson
Regression with robust variance, with adjusted Relative Risk as the final association measure. Results: A total of
4,930 cases were analysed; 2,553 (51.8%) were males, 2,335 (47.4%) were brown-skinned. The Federative Unit of
Roraima presented the highest in-hospital case-fatality rate, with 68.8% (11/16). Multivariate analysis showed that
belonging to the age group adolescent (RR = 1.59; 95%CI 1.12 – 2.25; p = 0.009), SARS-critical patient (RR = 4.56;
95%CI 2, 77 – 7.51; p < 0.001) and presenting immunological disorders (RR = 2.24; 95%CI 1.58 – 3.17; p < 0.001)
as comorbidities were statistically associated factors with death by COVID-19. Conclusion: It was observed that
adolescents, SARS-critical patients, and presence of immunological disorders were important factors associated
with death. Active surveillance and differentiated care are recommended for patients with chronic diseases and
special immunological conditions.
Keywords: Child. Adolescent. Hospitalization. Coronavirus infections. Severe acute respiratory syndrome.
INTRODUÇÃO
Em dezembro de 2019 o mundo se colocou em estado de alerta, quando um novo tipo
de coronavírus (denominado posteriormente de SARS-CoV-2) foi descoberto por afetar o
trato respiratório de humanos, causando desde infecções assintomáticas às manifestações
mais graves, com síndromes respiratórias agudas que podem evoluir para óbito. Os primeiros
casos, que tiveram origem em Wuhan, na China, propagaram-se rapidamente pelo território
chinês, atingindo todo o continente asiático e expandindo-se para os continentes europeu
e americano em menos de três meses1-3, até que, em 30 de janeiro de 2020, a Organização
Mundial da Saúde (OMS) declarou que a dispersão dos casos da COVID-19 pelo mundo
constituía-se numa Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII)2.
A transmissão do vírus ocorre por meio do contato com gotículas respiratórias geradas
por pessoas infectadas. As manifestações diferenciam-se de organismo para organismo, a
depender do sistema imunológico, das condições preexistentes, da idade e da quantidade
de vírus com a qual se teve contato4.
Crianças e adolescentes parecem ter sido menos afetados pela pandemia, já que neles a
infecção ocorre de maneira mais leve5. Mais de um mês após o início dos casos, em 20 de
janeiro de 2020, a China notificou o primeiro caso em criança. Estudos realizados na China,
em países Europeus e nos Estados Unidos da América estimam que de 1 a 5% dos casos con-
firmados de COVID-19 ocorram no subgrupo populacional de crianças e adolescentes5,6.
Ainda, o primeiro grande relatório do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China
2
REV BRAS EPIDEMIOL 2021; 24: E210026
CRIANÇAS E ADOLESCENTES HOSPITALIZADOS POR COVID-19, BRASIL 2020
mostrou que, dos 44.672 casos confirmados, apenas uma morte ocorreu entre crianças e
adolescentes7. Já no Brasil, a notificação do primeiro caso nesse grupo etário foi em 4 de
março, cerca de uma semana após a notificação da chegada do vírus ao país8.
Até a semana epidemiológica (SE) 31, que teve fim no dia 1º de agosto de 2020, foram
confirmados 17.580.163 casos da doença em todo o mundo. Na ocasião, o Brasil já acumu-
lava 2.707.877 casos9.
Entre as questões que buscam explicar o número relativamente pequeno de crianças e
adolescentes afetados pela COVID-19 estão o fato de essas pessoas apresentarem o desen-
volvimento do sistema imunológico celular e humoral em curso, a possível proteção por
infecções prévias pelo vírus sincicial respiratório e a imaturidade dos receptores chamados
de enzimas conversoras da angiotensina 2 (ACE-2) na infância10. Além disso, destacam-se as
medidas de controle propostas pelos governos, que incluem o fechamento das instituições
de ensino e o consequente maior isolamento social11.
Um aspecto muito discutido refere-se ao papel das crianças e adolescentes como reser-
vatórios do SARS-CoV-2 e na dinâmica de transmissão da doença12-16. A adoção de medi-
das preventivas como a etiqueta respiratória, a lavagem das mãos, o distanciamento social,
entre outras, não é bem compreendida por esse grupo etário e, para as crianças menores
de dois anos, pediatras recomendam a não utilização de máscaras, pois existe o risco de
sufocamento17,18.
No fim do mês de abril de 2020, médicos do Reino Unido lançaram um alerta sobre a ocor-
rência de manifestações clínicas temporalmente relacionadas à infecção pela COVID-19 em
crianças e adolescentes, denominada de Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica19.
Diante dessas peculiaridades relacionadas a essas faixas etárias e da importância de se
compreender o impacto do novo coronavírus nessa população, faz-se necessário gerar evi-
dências sobre as hospitalizações de crianças e adolescentes pela COVID-19 no Brasil a fim
de contribuir com a condução de ações que protejam e promovam a saúde desse público,
bem como subsidiar a tomada de decisão.
Nesse sentido, este artigo tem como objetivo geral analisar as crianças e adolescentes
hospitalizados por COVID-19 no Brasil, com os objetivos específicos de:
• caracterizar a população de estudo em tempo, pessoa e lugar;
• estimar a taxa de letalidade intra-hospitalar por unidade federativa (UF);
• analisar fatores associados aos óbitos por COVID-19 nesse subgrupo populacional.
MÉTODOS
Realizou-se um estudo de coorte retrospectiva de crianças e adolescentes hospitaliza-
dos, com diagnóstico de COVID-19 confirmado no teste de biologia molecular (transcrição
reversa seguida de reação em cadeia da polimerase — RT-PCR em tempo real) e com resul-
tado detectável para SARS-CoV-2, tendo como desfecho óbito por COVID-19 ou recuperação.
Foram utilizados dados secundários, não nominais, provenientes do Sistema de Informação
de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe), de domínio público, disponibilizados
3
REV BRAS EPIDEMIOL 2021; 24: E210026
GOMES, N.T.N. ET AL.
Para o processamento e a análise dos dados, foram utilizados os programas Epi InfoTM
7.2, Stata/SE 13.1, QGIS 2.18 “Las palmas” e Microsoft Excel 2016.
RESULTADOS
No período entre 1º de março e 1º de agosto de 2020, correspondente às SE 10 a 31,
foram notificados 302.066 casos hospitalizados por COVID-19, dos quais 295.867 (97,9%)
eram adultos e idosos e 6.199 (2,1%) eram crianças e adolescentes. Destes, 365 (5,9%) foram
diagnosticados pelos critérios clínico e epidemiológico e 904 (14,6%) não tinham registro do
desfecho. Conforme demonstrado na Figura 1, no período do estudo, 4.930 (79,5%) casos
com desfecho (óbito ou recuperação) constituíram a população do estudo, dos quais 500
(10,1%) evoluíram ao óbito e 4.430 (89,9%) foram classificados como recuperados. Entre
os óbitos, 323 (64,6%) eram crianças (zero a 11 anos completos).
N= 4.930 (79,5%)
Óbitos Recuperados
500 (10,1%) 4.430 (89,9%)
Fonte:
Fonte: Dados
Dados do SIVEP-Gripe
do SIVEP-Gripe atualizados
atualizados até 14 de até 14 de de
setembro setembro
2020. de 2020.
Figura 1. Fluxograma de distribuição de casos hospitalizados por COVID-19, de 1º março a 1º
agosto, Brasil, 2020.
Figura 1. Fluxograma de distribuição de casos hospitalizados por COVID-19, de 1º
5
março a 1º agosto, Brasil, 2020.
REV BRAS EPIDEMIOL 2021; 24: E210026
GOMES, N.T.N. ET AL.
Com relação à distribuição dos casos ao longo do período, observou-se que 1.554 (31,5%)
das hospitalizações ocorreram entre as SE 10 a 20 (1º de março a 16 de maio de 2020), com
média de três óbitos/dia, e 3.376 (68,5%) entre as SE 21 a 31 (17 de maio a 1º de agosto de
2020), com média de quatro óbitos/dia (dados não apresentados em tabela).
Considerando-se a distribuição dos casos de acordo com a UF de residência, São Paulo
teve a maior frequência de pacientes hospitalizados, com 1.320 (26,8%), dos quais 1.247
(94,5%) se recuperaram e 73 (4,5%) evoluíram a óbito. Em seguida, vem o Amazonas com
517 (10,5%) pacientes hospitalizados, dos quais 491 (95,0%) se recuperaram e 26 (5%) foram
a óbito (Figuras 2A e 2B e Material Suplementar).
Fonte:Dados
Fonte: Dados do SIVEP-Gripe
do SIVEP-Gripe atualizados
atualizados até 14 de
até 14 de setembro de setembro
[Link] 2020.
Figura 2. (A) Casos recuperados de crianças e adolescentes hospitalizados por COVID-19 segundo
unidade federativa de residência, 1º de março a 1º de agosto, Brasil, 2020; (B) Óbitos de crianças
eFigura 2. (A) Casos
adolescentes recuperados
hospitalizados de crianças
por COVID-19 e adolescentes
segundo hospitalizados
unidade federativa por COVID-
de residência, 1º de
19 segundo
março a 1º de unidade federativa
agosto, Brasil, 2020; de residência,
(C) Taxas 1º de março
de letalidade a 1º de agosto,
intra-hospitalar Brasil,
por unidade 2020;
federativa
de internação, 1º de março a 1º de agosto, Brasil, 2020.
(B) Óbitos de crianças e adolescentes hospitalizados por COVID-19 segundo unidade
federativa de residência, 1º de março a 61º de agosto, Brasil, 2020; (C) Taxas de
REV BRAS EPIDEMIOL 2021; 24: E210026
letalidade intra-hospitalar por unidade federativa de internação, 1º de março a 1º de
agosto, Brasil, 2020.
CRIANÇAS E ADOLESCENTES HOSPITALIZADOS POR COVID-19, BRASIL 2020
7
REV BRAS EPIDEMIOL 2021; 24: E210026
GOMES, N.T.N. ET AL.
e sintomas e a internação. A mediana entre a data do início dos sinais e sintomas e a data do
diagnóstico por RT-PCR foi de seis dias (Q1–Q3: 3 – 9) (dados não apresentados em tabela).
Dos 4.930 casos, 2.335 (47,4%) autodeclararam-se da raça/cor parda, dos quais 250 (10,7%)
evoluíram a óbito. A raça/cor branca vem em seguida, com 1.237 (25,1%) casos, dos quais
98 (7,9%) foram a óbito (Tabela 1).
O total de 1.219 (24,7%) casos foi internado em UTI. Destes, 300 (24,6%) evoluíram a
óbito e 919 (75,4%) recuperaram-se. Quanto aos exames de imagem dos casos que se inter-
naram em UTI, 667 (54,7%) tinham registro de radiografia de tórax, com resultado de infil-
trado intersticial presente em 68 (22,7%) óbitos e 187 (20,3%) recuperados. No que se refere
ao suporte ventilatório durante a internação em UTI, de 822 casos (67,4%) que receberam
esse recurso, 442 (53,8%) necessitaram do tipo invasivo, dos quais 220 (49,8%) foram a óbito
e 222 (50,2%) recuperaram-se (dados não apresentados em tabela).
Dos 4.930 casos, 3.180 (64,5%) atenderam à definição de SRAG, entre os quais 1.857
(37,7%) se enquadraram na definição de SRAG-crítico.
Os sinais e sintomas mais frequentes, entre os 500 casos de SRAG que evoluíram para
óbito, foram dispneia com 350 (70%), desconforto respiratório com 346 (69,2%), febre com
339 (67,8%) e baixa saturação de oxigênio com 300 (60%) (Figura 3A). Entre os 207 óbitos
com registro de comorbidades, as mais frequentes foram a imunopatia com 56 (27,1%), a
cardiopatia com 53 (25,6%) e a neuropatia com 50 (24,2%) (Figura 3B).
A mediana de tempo entre o início dos sintomas e a hospitalização foi de três dias tanto
para os óbitos como para os recuperados (Q1–Q3: 0 – 6 e 1 – 6, respectivamente; p = 0,006);
A mediana de tempo entre a internação e a evolução, para os que foram a óbito, foi de seis
dias (Q1–Q3: 2 – 14) e, para os recuperados, de cinco dias (Q1–Q3: 3 – 11) com valor de
p = 0,971; e, entre a internação em UTI e a evolução, a mediana foi de cinco dias tanto para
os óbitos quanto para os recuperados (Q1–Q3: 2 – 14 e 2 – 11 respectivamente; p = 0,591).
Na análise bivariada, observou-se que tiveram maior risco de evoluir ao óbito os casos que
apresentaram os seguintes fatores: ser do grupo etário de adolescentes (RR = 1,49; IC95%
1,26 – 1,78; p < 0,001); ser da raça/cor autodeclarada preta/parda (RR = 1,34; IC95% 1,08
– 1,68; p < 0,008); ter sido classificado como SRAG-crítico (RR = 4,13; IC95% 3,43 – 3,96;
p < 0,001); ter cardiopatia (RR = 2,07; IC95% 1,58 – 2,72; p < 0,001), imunopatia (RR = 1,74;
IC95% 1,32 – 2,30; p < 0,001), diabetes (RR= 1,57; IC95% 1,08 – 2,30; p = 0,032) e neuropa-
tia (RR = 1,47; IC95% 1,09 – 1,97; p = 0,013). A asma configurou-se como fator de redução
do risco para o óbito (RR = 0,25; IC95% 0,10 – 0,62; p = 0,003 (Tabela 2).
Outras variáveis relacionadas aos sinais e sintomas respiratórios foram testadas na análise
bivariada, quais sejam: baixa saturação de oxigênio (RR = 4,12; IC95% 3,33 – 5,09; p < 0,001),
desconforto respiratório (RR = 3,23; I95% 2,57 – 4,06; p < 0,001), dispneia (RR = 3; IC95%
2,39 – 3,78; p < 0,001) e cianose (RR = 2,89; IC95% 1,66 – 5,05; p = 0,003) (dados não apre-
sentados em tabela). Essas variáveis foram agrupadas no conjunto da variável SRAG-crítico
para compor o melhor modelo de regressão.
A análise multivariada mostrou que permaneceram como fatores associados ao óbito pela
COVID-19: pertencer ao grupo etário adolescente (RR = 1,59; IC95% 1,12 – 2,25; p = 0,009),
ter sido classificado como SRAG-crítico (RR = 4,56; IC95% 2,77 – 7,51; p < 0,001) e apresentar
8
REV BRAS EPIDEMIOL 2021; 24: E210026
CRIANÇAS E ADOLESCENTES HOSPITALIZADOS POR COVID-19, BRASIL 2020
Tabela 2. Análise bivariada e multivariada de fatores associados ao risco de evoluir ao óbito por
COVID-19 em crianças e adolescentes, 1º de março a 1º de agosto, Brasil, 2020 (R2 = 0,1381).
RR Bruto RR Ajustado
Variáveis
RR IC95% Valor p RRa IC95% Valor p
Grupo etário/adolescente 1,49 1,26 – 1,78 < 0,001 1,59 1,12 – 2,25 0,009
Raça/cor preta/parda 1,34 1,08 – 1,68 0,008 - - -
Tosse 0,81 0,67 – 0,98 0,035 0,78 0,55 – 1,10 0,162
Cefaleia 0,37 0,27 – 0,81 0,003 0,38 0,09 – 1,49 0,167
Dor de garganta 0,79 0,60 – 1,03 0,084 - - -
SRAG-crítico 4,13 3,43 – 4,97 < 0,001 4,56 2,77 – 7,51 < 0,001
Cardiopatia 2,07 1,58 – 2,72 < 0,001 1,49 0,94 – 2,37 0,086
Neuropatia 1,47 1,09 – 1,97 0,013 1,45 0,92 – 2,27 0,107
Imunopatia 1,74 1,32 – 2,30 < 0,001 2,24 1,58 – 3,17 < 0,001
Diabetes 1,57 1,08 – 2,30 0,032 - - -
Doença renal 1,64 1,07 – 2,51 0,044 - - -
Asma 0,22 0,12 – 0,39 < 0,001 0,25 0,10 – 0,62 0,003
Obesidade 1,81 1,09 – 3,00 0,035 - - -
Síndrome de Down 1,57 0,95 – 2,58 0,124 - - -
Uso de antiviral 1,16 0,93 – 1,45 0,180 - - -
RR: risco relativo; IC95%; intervalo de confiança de 95%; RRa: risco relativo ajustado.
Fonte: Dados do SIVEP-Gripe atualizados até 14 de setembro de 2020.
imunopatia (RR = 2,24; IC95% 1,58 – 3,17; p < 0,001). A asma permaneceu como fator asso-
ciado à redução do risco para o óbito (RR = 2,24; IC95% 1,58 – 3,17; p < 0,001) (Tabela 2).
DISCUSSÃO
O presente estudo caracterizou os casos de COVID-19 ocorridos em crianças e adoles-
centes no Brasil que foram hospitalizados e notificados no SIVEP-Gripe. Mais de dois terços
dos casos foram registrados em menores de cinco anos e mais da metade dos casos ocorreu
em crianças e adolescentes do sexo masculino.
Embora a população mais suscetível ao novo coronavírus seja composta principalmente
por idosos com baixa imunidade26, destaca-se que os vírus respiratórios são uma causa
comum de infecção do trato respiratório em crianças, sendo considerados importante
motivo de internações27.
No começo da pandemia, iniciou-se a discussão sobre o papel das crianças e adoles-
centes como reservatórios do SARS-CoV-2 e na dinâmica de transmissão da doença12-16.
É importante ressaltar que esses cenários mudaram com as novas apresentações clínicas
da doença em crianças. Isso porque algumas delas evoluíram para a Síndrome Inflamatória
10
REV BRAS EPIDEMIOL 2021; 24: E210026
CRIANÇAS E ADOLESCENTES HOSPITALIZADOS POR COVID-19, BRASIL 2020
foram fatores diretamente associados, mas foram determinantes para o aumento do risco
quando presentes, ajustando de maneira independente com outras variáveis o modelo de
regressão analisado.
Entre as comorbidades, a imunopatia foi fator importante associado ao óbito por COVID-
19 em crianças e adolescentes hospitalizados. Neste estudo, observou-se que, apesar de
grande parte dos que evoluíram a óbito terem apresentado cardiopatia e/ou neuropatia
como doença de base, essas comorbidades não permaneceram como fatores diretamente
associados ao óbito, tendo sido, porém, importantes para o aumento de risco, ajustando de
forma independente com outras variáveis o modelo de regressão analisado.
Considerando-se que a COVID-19 afeta predominantemente o trato respiratório e que
as infeções por vírus respiratórios são causas frequentes de complicação da asma, existe
a preocupação de que a COVID-19 tenha apresentação mais grave em doentes asmáti-
cos. Dessa forma, várias instituições ligadas à saúde consideraram os doentes com asma
como provável grupo de risco para COVID-1934,35. Neste estudo, a asma foi observada
como fator de redução de risco para o óbito por COVID-19 na análise bivariada e multi-
variada. É possível que aqueles que têm essa doença de base estivessem controlados no
momento que foram infectados por SARS-CoV-2 ou tenham recebido cuidados diferen-
ciados durante a internação. Também pode ser que estivessem sob tratamento com corti-
costeroide antes de se infectarem com SARS-CoV-2, o que pode influenciar positivamente
na evolução da COVID-1936.
Destaca-se que os resultados deste estudo representam a população de crianças e ado-
lescentes hospitalizados por COVID-19 e notificados no SIVEP-Gripe em todo o territó-
rio nacional. Entre as limitações, não foi possível analisar as variáveis tiragem intercostal
e batimento de asa nasal, que são sinais de gravidade importantes em criança por serem
variáveis não existentes no banco, e esses dados foram registrados facultativamente como
outros sinais. Ainda, muitos sinais e sintomas podem estar subestimados em razão da alta
ocorrência de incompletude, decorrente da falta de atualização do banco de acordo com a
evolução do paciente.
É importante destacar que as crianças e adolescentes, além de serem vistos como grupo
etário com importante papel na dinâmica de transmissão12-16, também apresentam fatores
de vulnerabilidade para agravamento. Portanto, realça-se que ainda há muito a se desco-
brir sobre a infecção pelo SARS-CoV-2 em crianças e adolescentes. Entretanto, os achados
deste estudo fazem refletir sobre os subgrupos mais vulneráveis e as condições imunológi-
cas relacionadas à gravidade e ao óbito.
É importante que crianças e adolescentes vulneráveis à gravidade e ao óbito pela COVID-
19 sejam incluídos nas políticas públicas de saúde como grupo de risco. Além disso, é neces-
sário, durante a pandemia, manter a vigilância ativa para crianças e adolescentes, principal-
mente as portadoras de doenças crônicas, sobretudo imunopatias, cardiopatias e neuropatias,
as quais fazem parte de um grupo de grande importância e de maior risco para a gravidade
e óbito pela COVID-19. Ademais, é importante realizar investigação detalhada das crianças
diagnosticadas com COVID-19 que tiveram início de sinais e sintomas em menos de 24 horas
do nascimento, para evidenciar uma possível transmissão vertical.
12
REV BRAS EPIDEMIOL 2021; 24: E210026
CRIANÇAS E ADOLESCENTES HOSPITALIZADOS POR COVID-19, BRASIL 2020
REFERÊNCIAS
1. Kamps BS, Hoffmann C. COVID Reference [Internet]. 14. Zou L, Ruan F, Huang M, Liang L, Huang H, Hong
Hamburg: Steinhäuser Verlag; 2020 [acessado em 11 Z, et al. SARS-CoV-2 viral load in upper respiratory
abr. 2020]. Disponível em: [Link] specimens of infected patients. N Engl J Med 2020;
2. Zhu N, Zhang D, Wang W, Li X, Yang B, Song J, et al. 382(12): 1177-9. [Link]
A novel coronavirus from patients with pneumonia 15. Kam K, Yung CF, Cui L, Pin Lin RT, Mak TM, Maiwald
in China, 2019. N Engl J Med 2020; 382(8): 727-33. M, et al. A well infant with coronavirus disease 2019
3. . Pan American Health Organization, World Health (COVID-19) with high viral load. Clin Infect Dis 2020;
Organization. Brasil. Folha Informativa. COVID-19 71(15): 847-9. [Link]
(Doença Causada Pelo Novo Coronavírus) [Internet]. 16. Zhang T, Cui X, Zhao X, Wang J, Zheng J, Zheng G,
Pan American Health Organization, World Health et al. Detectable SARS-CoV-2 viral RNA in feces of
Organization; 2020 [acessado em 11 abr. 2020]. Disponível three children during recovery period of COVID-19
em: [Link] Pneumonia. J Med Virol 2020; 92(7): 909-14. http://
4. Saxena SK, editor. Coronavirus Disease 2019 (COVID- [Link]/10.1002/jmv.25795
19): Epidemiology, Pathogenesis, Diagnosis, and 17. Zomer TP, Erasmus V, van Beeck EF, Tjon-A-Tsien A,
Therapeutics. Springer Nature; 2020. Richardus JH, Voeten HA. Hand hygiene compliance
5. CDC COVID-19 Response Team. Coronavirus Disease and environmental determinants in child day care
2019 in Children — United States, February 12–April centers: an observational study. Am J Infect Control
2, 2020. MMWR Morb Mortal Wkly Rep 2020; 69(14): 2013; 41(6): 497-502. [Link]
422-6. [Link] ajic.2012.06.005
6. Bellino S, Punzo O, Rota MC, Manso M, Urdiales 18. Clark J, Henk JK, Crandall PG, Crandall MA, O’Bryan
AM, Andrianou X, et al. COVID-19 Disease Severity CA. An observational study of handwashing compliance
Risk Factors for Pediatric Patients in Italy. Pediatrics in a child care facility. Am J Infect Control 2016; 44(12):
2020; 146(4): e2020009399. [Link] 1469-74. [Link]
peds.2020-009399 19. Davies P, Evans C, Kanthimathinathan HK, Lillie J,
7. Safadi MA. The intriguing features of COVID-19 in Brierley J, Waters G, et al. Intensive care admissions
children and its impact on the pandemic. J Pediatr of children with paediatric inflammatory multisystem
(Rio J) 2020; 96(3): 265-8. [Link] syndrome temporally associated with SARS-CoV-2
jped.2020.04.001 (PIMS-TS) in the UK: a multicentre observational
8. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância study. Lancet Child Adolesc Health 2020; 4: 669-77.
em Saúde. Coordenação-Geral do Programa Nacional [Link]
de Imunizações. Grupo Técnico-Influenza. Dados do 20. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Sivep Gripe. Brasil: Ministério da Saúde; 2020. Estratificação da população estimada segundo faixas
9. Brasil. Boletim Epidemiológico COVID-19. 2020; (25). etárias [Internet]. Brasil: Instituto Brasileiro de
10. Nunes MDR, Pacheco STA, Costa CIA, Silva JA, Xavier Geografia e Estatística [acessado em 21 maio 2020].
WS, Victória JZ. Exames diagnósticos e manifestações Disponível em [Link]
clínicas da COVID-19 em crianças: revisão integrativa. cenario-infancia/temas/populacao/1048-estratificacao-
Texto Contexto – Enferm 2020; 29: e20200156. https:// da-populacao-estimada-pelo-ibge-segundo-faixas-
[Link]/10.1590/1980-265x-tce-2020-0156 etarias?filters=1,1626;1,1627
11. Vilelas JMDS. O novo coronavírus e o risco para a 21. Brasil. Presidência da República. Lei n⁰ 8.609 de 13 de julho
saúde das crianças. Rev Latino-Am Enfermagem 2020; de 1990 – Estatuto da Criança e do Adolescente [Internet].
28. [Link] 1990 [acessado em 1º out. 2020]. Disponível em: http://
12. Lu X, Zhang L, Du H, Zhang J, Li YY, Qu J, et al. SARS- [Link]/ccivil_03/leis/[Link]
CoV-2 infection in children. N Engl J Med 2020; 382(17): 22. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância
1663-5. [Link] em Saúde. Coordenação-Geral do Programa Nacional
13. Qiu H, Wu J, Hong L, Luo Y, Song Q, Chen D. Clinical de Imunizações. Grupo Técnico-Influenza. Guia de
and epidemiological features of 36 children with Vigilância Epidemiológica. Vigilância de Síndromes
coronavirus disease 2019 (COVID-19) in Zhejiang, Respiratórias Agudas. COVID-19. Brasil: Ministério
China: an observational cohort study. Lancet Infect da Saúde; 2020.
Dis 2020; 20(6): 689-96. [Link] 23. Chung M, Bernheim A, Mei X, Zhang N, Huang M,
S1473-3099(20)30198-5 Zeng X, et al. CT imaging features of 2019 novel
13
REV BRAS EPIDEMIOL 2021; 24: E210026
GOMES, N.T.N. ET AL.
coronavirus (2019-nCoV). Radiology 2020; 295(1): 33. Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento
202-7. [Link] Científ ico de Pneumolog ia. Nota de Alerta.
24. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Diretoria COVID-19 em crianças: envolvimento respiratório
de Pesquisas. Coordenação de Trabalho e Rendimento. [Internet]. Sociedade Brasileira de Pediatria;
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua 2020 [acessado em 13 jun. 2020]. Disponível em:
2012/2019 [Internet]. Instituto Brasileiro de Geografia [Link]
e Estatística [acessado em 22 maio 2020]. Disponível covid-19-em-criancas-envolvimento-respiratorio/
em [Link] 34. Portugal. Direção-Geral de Saúde. COVID-19: Fase
trabalho/[Link]?=&t=o-que-e de mitigação abordagem do doente com suspeita
25. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Diretoria ou infeção por SARS-CoV-2. Norma Orientação
de Pesquisas. Coordenação de População e Indicadores Clínica 004/2020 [Internet]. 2020 [acessado em 30
Sociais. Desigualdades sociais por cor ou raça no jul. 2020]. Disponível em: [Link]
Brasil [Internet]. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de [Link]/normas
Geografia e Estatística; 2019 [acessado em 22 maio 2020]. 35. Center of Disease Control COVID-19 Response
Disponível em: [Link] Team. Preliminary estimates of the prevalence
php/biblioteca catalogo?view=detalhes&id=2101681 of selected underlying health conditions among
26. Li W, Cui H, Li K, Fang Y, Li S. Chest computed patients with coronavirus disease 2019 [Internet].
tomography in children with COVID-19 respiratory MMWR Morb Mortal Wkly Rep 2020 [acessado
infection. Pediatr Radiol [Internet] 2020 [acessado em em 30 jul. 2020]; 69(13): 382-6. Disponível em:
14 abr. 2020]; 50(6): 796-9. Disponível em: https:// [Link]
[Link]/10.1007/s00247-020-04656-7 pdfs/[Link]
27. Lin C-Y, Hwang D, Chiu N-C, Weng L-C, Liu H-F, Mu 36. The WHO Rapid Evidence Appraisal for COVID-
J-J, et al. Increased detection of viruses in children with 19 Therapies (REACT) Working Group. Association
respiratory tract infection using PCR. Int J Environ Between Administration of Systemic Corticosteroids
Res Public Health [Internet]. 2020 [acessado em 11 and Mortality Among Critically Ill Patients With
abr. 2020]; 17(2): 564. Disponível em: [Link] COVID-19. JAMA 2020; 324(13): 1330-41. [Link]
org/10.3390/ijerph17020564 org/10.1001/jama.2020.17023
28. Mahase E. Covid-19: concerns grow over inflammatory
syndrome emerging in children. BMJ [Internet] 2020 Recebido em: 01/03/2021
[acessado em 13 jun. 2020]; 369: m1710. Disponível Revisado em: 14/04/2021
em: [Link] Aceito em: 14/04/2021
29. Alzamora MC, Paredes T, Caceres D, Webb CM, Valdez Preprint em: 16/04/2021
LM, Rosa M. COVID-19 grave durante a gravidez e
possível transmissão vertical. Am J Perinatol 2020; Contribuições dos autores: Gomes, NTN; Haslett,
37(8): 861-5. [Link] MIC; Santos, ED: concepção e delineamento do
30. Silva Filho EBS, Silva AL, Santos AO, Dall’Acqua DSV, estudo, análise e discussão dos resultados, revisão e
Souza LFB. Infecções Respiratórias de Importância aprovação da versão final do artigo. Duarte, MMS:
Clínica: uma Revisão Sistemática. Rev FIMCA 2017; concepção e delineamento do estudo, revisão e
4(1): 716. [Link] aprovação da versão final do artigo. Percio, J; Alves,
31. Souza IDTD. Mortalidade por doenças respiratórias AJS; Malta, JMAS: delineamento do estudo, discussão
no Brasil e suas regiões: série histórica 2000-2013 dos resultados, revisão e aprovação da versão do
[trabalho de conclusão de curso]. Natal: Universidade artigo. Carvalho, FC; Almeida, WAF; Gava, C;
Federal do Rio Grande do Norte; 2016. Souza, LRO; Fantinato, FFST: interpretação dos
32. Soltani J, Sedighi I, Shalchi Z, Sami G, Moradveisi dados, revisão e aprovação da versão do artigo.
B, Nahidi S. Pediatric coronavirus disease 2019 Todos os autores concordam e são responsáveis
(COVID-19): An insight from west of Iran. North por todos os aspectos do trabalho, no sentido de
Clin Istanb [Internet] 2020 [acessado em 11 jun. garantir que as questões relacionadas à exatidão
2020]; 7(3): 284-91. Disponível em: [Link] ou à integridade de qualquer parte da obra sejam
org/10.14744%2Fnci.2020.90277 investigadas e resolvidas.
14
REV BRAS EPIDEMIOL 2021; 24: E210026
[Link]
ERRATA / ERRATUM
Página 5, Figura 1:
Onde se lia:
Leia-se: Leia-se:
Óbitos Recuperados
500 (10,1%) 4.430 (89,9%)
Página 6, 2º parágrafo:
Onde se lia:
Considerando-se a distribuição dos casos de acordo com a UF de residência, São Paulo
teve a maior frequência de pacientes hospitalizados, com 1.320 (26,8%), dos quais 1.247
(94,5%) se recuperaram e 73 (4,5%) evoluíram a óbito. Em seguida, vem o Amazonas com
517 (10,5%) pacientes hospitalizados, dos quais 491 (95,0%) se recuperaram e 26 (5%) foram
a óbito (Figuras 2A e 2B e Material Suplementar).
Leia-se:
Considerando-se a distribuição dos casos de acordo com a UF de residência, São Paulo
teve a maior frequência de pacientes hospitalizados, com 1.320 (26,8%), dos quais 1.247
(94,5%) se recuperaram e 73 (4,5%) evoluíram a óbito. Em seguida, vem o Amazonas com
517 (10,5%) pacientes hospitalizados, dos quais 491 (95,0%) se recuperaram e 26 (5,0%)
foram a óbito (Figuras 2A e 2B e Material Suplementar).
Página 8, 7º parágrafo:
Onde se lia:
Na análise bivariada, observou-se que tiveram maior risco de evoluir ao óbito os casos
que apresentaram os seguintes fatores: ser do grupo etário de adolescentes (RR = 1,49;
IC95% 1,26–1,78; p < 0,001); ser da raça/cor autodeclarada preta/parda (RR = 1,34; IC95%
1,08–1,68; p < 0,008); ter sido classificado como SRAG-crítico (RR = 4,13; IC95% 3,43–3,96;
p < 0,001); ter cardiopatia (RR = 2,07; IC95% 1,58–2,72; p < 0,001), imunopatia (RR = 1,74;
IC95% 1,32–2,30; p < 0,001), diabetes (RR= 1,57; IC95% 1,08–2,30; p = 0,032) e neuropatia
(RR = 1,47; IC95% 1,09–1,97; p = 0,013). A asma configurou-se como fator de redução do
risco para o óbito (RR = 0,25; IC95% 0,10–0,62; p = 0,003 (Tabela 2).
Outras variáveis relacionadas aos sinais e sintomas respiratórios foram testadas na análise
bivariada, quais sejam: baixa saturação de oxigênio (RR = 4,12; IC95% 3,33 – 5,09; p < 0,001),
desconforto respiratório (RR = 3,23; I95% 2,57 – 4,06; p < 0,001), dispneia (RR = 3; IC95%
2,39 – 3,78; p < 0,001) e cianose (RR = 2,89; IC95% 1,66 – 5,05; p = 0,003) (dados não apre-
sentados em tabela). Essas variáveis foram agrupadas no conjunto da variável SRAG-crítico
para compor o melhor modelo de regressão.
Leia-se:
Na análise bivariada, observou-se que tiveram maior risco de evoluir ao óbito os casos
que apresentaram os seguintes fatores: ser do grupo etário de adolescentes (RR = 1,49;
IC95% 1,26–1,78; p < 0,001); ser da raça/cor autodeclarada preta/parda (RR = 1,34; IC95%
1,08–1,68; p=0,008); ter sido classificado como SRAG-crítico (RR = 4,13; IC95% 3,43–4,97;
p < 0,001); ter cardiopatia (RR = 2,07; IC95% 1,58–2,72; p < 0,001), imunopatia (RR = 1,74;
IC95% 1,32–2,30; p < 0,001), diabetes (RR= 1,57; IC95% 1,08–2,30; p = 0,032) e neuropatia
(RR = 1,47; IC95% 1,09–1,97; p = 0,013). A asma configurou-se como fator de redução do
risco para o óbito (RR = 0,22; IC95% 0,12–0,39; p < 0,001 (Tabela 2).
II
REV BRAS EPIDEMIOL 2021; 24: E210026
ERRATA
Outras variáveis relacionadas aos sinais e sintomas respiratórios foram testadas na análise
bivariada, quais sejam: baixa saturação de oxigênio (RR = 4,12; IC95% 3,33 – 5,09; p < 0,001),
desconforto respiratório (RR = 3,23; IC95% 2,57 – 4,06; p < 0,001), dispneia (RR = 3,0; IC95%
2,39 – 3,78; p < 0,001) e cianose (RR = 2,89; IC95% 1,66 – 5,05; p = 0,003) (dados não apre-
sentados em tabela). Essas variáveis foram agrupadas no conjunto da variável SRAG-crítico
para compor o melhor modelo de regressão.
Leia-se:
A análise multivariada mostrou que permaneceram como fatores associados ao óbito
pela COVID-19: pertencer ao grupo etário adolescente (RRa = 1,59; IC95% 1,12 – 2,25;
p = 0,009), ter sido classificado como SRAG-critico (RRa = 4,56; IC95% 2,77 – 7,51;
p < 0,001) e apresentar imunopatia (RRa = 2,24; IC95% 1,58 – 3,17; p < 0,001). A asma
permaneceu como fator associado à redução do risco para o óbito (RRa = 0,25; IC95%
0,10 – 0,62; p = 0,003) (Tabela 2).
III
REV BRAS EPIDEMIOL 2021; 24: E210026