Filosofia – Conceitos filosóficos
Tipos ou graus do conhecimento
01. Conhecimento empírico ou senso comum: é aquele que
ocorre de modo espontâneo, casual e “apriori”, baseado nas
observações e conclusões imediatas do senso comum. Por exemplo, a
cultura popular, as crendices tradicionais do povo, os remédios
caseiros, as opiniões e impressões imediatas do senso comum, das
pessoas no seu cotidiano, etc.
02. Conhecimento científico:
é aquele que se forma a partir de estudos bem elaborados e da
pesquisa objetiva; conhecimento metódico, preciso, que se utiliza
geralmente do método indutivo para determinar as leis gerais de um
fato ou fenômeno científico. Exemplo, as ciências experimentais como:
a física, a química, a biologia, a psiquiatria; e outras mais: antropologia,
sociologia, arqueologia, geofísica, etc.
3. Conhecimento filosófico: é aquele que surge da reflexão
intelectual pura, do exercício lógico da razão, em busca do saber, do
entendimento profundo do Ser, da Realidade e da própria Existência
Humana. Conhecimento teórico, crítico e sistemático. Exemplo: as
Ciências Filosóficas: Ética, Cosmologia, Ontologia, Metafísica, Política
e as Ciências Jurídicas.
4. Conhecimento teológico: é aquele que se forma a partir da
pesquisa e do estudo sobre o mistério maior da Revelação.
Conhecimento fundado na fé e na razão; na longa história do
Cristianismo e na tradição dos povos que marcaram os primórdios da
humanidade. Ex.: os estudos bíblicos, a teologia, a exegese bíblica.
Origens do conhecimento
Empirismo: a experiência (material, sensorial) é a fonte única do
saber, do conhecimento humano; ele é produto exclusivo da
percepção sensorial. Para os filósofos empiristas o intelecto humano
não acrescenta nada de novo para a ciência (para o que já se conhece);
ele apenas se limita a reproduzir passivamente, os dados captados pelos
sentidos. Portanto, o conhecimento vem de fora para dentro...
“Nada chega à mente humana sem antes passar pelos sentidos.”
Filósofos empiristas: John Locke, Thomas Hobbes, Davi Hume, Francis
Bacon, George Berkeley.
Racionalismo: a razão é a fonte autêntica e exclusiva do
conhecimento, pois somente ela pode elaborar um saber lógico e
necessário, independente da percepção sensorial. A razão humana é
livre e autônoma. Para os filósofos racionalistas a percepção sensorial
é fonte de erros e contradições, e que o só intelecto é capaz de ver a
complexa realidade do ser e do mundo. Principais filósofos
racionalistas: Platão, Renée Descartes, Baruch Spinoza, Gottfried
Wilhelm Leibniz, Blaise Pascal.
Intelectualismo: reconhece como fonte do saber, tanto a
experiência sensorial quanto o exercício lógico da razão. Há ideias ou
conceitos logicamente válidos e necessários; mas seus conteúdos são
captados na experiência concreta pelos nossos sentidos; não são dados
“apriori” da razão. Filósofos intelectualistas: Aristóteles, Tomás
de Aquino, Jacques Maritain, etc.
Realismo: a percepção que temos dos seres ou dos objetos é real;
corresponde exatamente às características que há neles. A percepção
do homem comum no seu dia a dia é basicamente realista. Ex.: as
formas e cores que captamos na natureza e nas coisas...
Idealismo: a percepção que temos dos seres e dos objetos é
produzida e formatada pela ideia ou consciência do sujeito pensante,
conforme o grau de cognição desse sujeito. Obs.: enquanto a teoria
realista focaliza o objeto, a idealista focaliza o sujeito.
Ceticismo: é a postura filosófica de questionamento das verdades da
ciência, da filosofia e da religião. Os adeptos dessa corrente afirmam
que nenhuma ciência ou filosofia é certa; que “ninguém pode ter
certeza de nada.” Não existem verdades absolutas! O ceticismo foi
fundado no século IV a.C., pelo filósofo Pirro de Élida.
Dogmatismo: é a corrente filosófica que se fundamenta nas verdades
absolutas do ser – verdades irrefutáveis, inquestionáveis .
Para a Teologia, essas verdades são os dogmas da fé ensinados pelas
diversas religiões. São eles que justificam o discurso e a práxis religiosa
dos cristãos. Portanto, para alguns filósofos dogmáticos, há certos
postulados, certas verdades, que estão fora do alcance de
qualquer dúvida ou questionamento. Por exemplo, a matemática
é uma forma de conhecimento tão exata, tão precisa, que podemos
dizer que se trata de uma ciência dogmática, pois está fundada em
princípios tão sólidos quanto a própria racionalidade.
Renée Descartes
Nascido na França de família burguesa, sua formação
acadêmica foi inteiramente baseada na filosofia
aristotélico-tomista, ministrada pelos padres jesuítas.
Por demais decepcionado com educação que recebera,
decidiu buscar uma nova ciência, e as respostas para suas
inúmeras indagações. Ele tornou-se um autodidata brilhante e um
matemático excelente. Sua obra filosófica o credenciou a ser um dos
nomes mais célebres da filosofia moderna, e fundador do
Racionalismo.
Para Descartes, o verdadeiro saber, a verdadeira ciência é produto
exclusivo do exercício lógico da razão. Ele costumava dizer: “entre
aqueles que no passado, buscaram incessantemente, a verdade nas ciências,
só os matemáticos conseguiram achar algumas evidências.” E dizia mais,
“é preciso pôr em dúvida as nossas certezas, os nossos dogmas, e tudo
que pensamos saber; será que existe algo nesta vida, do qual tenhamos
plena certeza?!” Mas, Ele percebeu que enquanto questionava tudo,
ele pensava! Esta era a única verdade livre de qualquer dúvida. E
pensar é existir; então ele concluiu: “penso, logo existo”. Esta
verdade totalmente certa e segura, ele a adotou como princípio básico
de sua obra filosófica.
E mais: Para Descartes, existem no mundo duas substâncias: a
substância pensante: o homem, a consciência humana, o “eu
pensante”; e a substância extensa: o mundo físico, corpóreo,
material, extenso. Mas, ele considerava ainda uma terceira substância:
a substância infinita: Deus, o Ser Criador de todos os seres; mas,
que não faria parte deste mundo, pois Ele é um ser transcendente,
distinto de sua criação, “o diferentemente outro”.
John Locke
Um dos maiores representantes do empirismo
moderno, estudou na universidade de Oxford na
Inglaterra. Manifestou interesse por diversos campos
de estudo: química, física, filosofia e teologia; mas
formou-se em medicina. Durante esse período,
decepcionou-se com a filosofia de Aristóteles e a Escolástica
de Tomás de Aquino, enquanto se aprofundava na filosofia de Francis
Bacon e Renée Descartes.
Mas, ao contrário da doutrina cartesiana, John Locke afirmava que
nossa mente é como uma "tabula rasa" - uma tábua plana, lisa, na
qual nada está escrito ou gravado; ao nascer, nossa mente é como essa
"tabula rasa" (ou como uma folha em branco), sem nenhuma ideia
previamente escrita. Assim, ele retoma a antiga tese empirista (de
Aristóteles), de que “nada existe na mente humana, sem antes ter
passado pelos sentidos”. Locke afirma que todas as nossas ideias são
adquiridas ao longo da vida, mediante as experiências sensíveis,
objetivas e imediatas, e somente depois, submetidas ao seu
processamento interno, cognitivo, racional.
Desse modo, o conhecimento seria formado basicamente por dois
tipos de ideias: a) ideias da sensação: nossas primeiras ideias e
sensações; aquelas que nos chegam imediatamente através dos
sentidos; b) ideias da reflexão: aquelas que resultam da combinação
e associação das ideias primárias, por um processo de reflexão, de tal
modo que a mente vai gerando uma série de outras ideias, diferentes
e mais complexas do que aquelas obtidas pelos sentidos; o próprio ato
de pensar, raciocinar, duvidar e crer... Portanto, a reflexão seria o
nosso “sentido interno”, “um sexto sentido”, que se desenvolve
quando a nossa mente se debruça sobre si mesma.