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UNSPOKEN - Brenda Ruthert

Palmer Sinclair enfrenta uma dolorosa jornada após romper seu noivado com Brady Grant, enquanto ele se dedica a construir um império empresarial. O reencontro inesperado entre os dois em um projeto provoca uma atração intensa, mas também levanta questões sobre o que deve permanecer não dito. Ao mesmo tempo, Palmer lida com preocupações familiares, incluindo a saúde de sua mãe e a pressão de um casamento iminente.

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fabiolags1992
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UNSPOKEN - Brenda Ruthert

Palmer Sinclair enfrenta uma dolorosa jornada após romper seu noivado com Brady Grant, enquanto ele se dedica a construir um império empresarial. O reencontro inesperado entre os dois em um projeto provoca uma atração intensa, mas também levanta questões sobre o que deve permanecer não dito. Ao mesmo tempo, Palmer lida com preocupações familiares, incluindo a saúde de sua mãe e a pressão de um casamento iminente.

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1

2
RH
TR

3
UN BRENDA ROTHERT

Palmer Sinclair estava perto do felizes para sempre quando rompeu seu
noivado com Brady Grant. O fim de seu relacionamento marcou o início de uma
dolorosa e solitária jornada para ela.

Embora crie lugares bonitos com seu trabalho de designer de interiores, o


resto de sua vida não é nada bonito, e está lentamente puxando-a para baixo.

Brady, é um empreiteiro, que está rapidamente transformando seu


negócio em um império. O trabalho é um companheiro fiel que nunca o deixa
magoado assim como Palmer fez.

Quando ele encontra as mulheres agora, é nos seus termos. E seus termos
são simples: apenas sexo.

Ele não vai deixar uma mulher quebrá-lo novamente.

Palmer mal está se aguentando quando ela e Brady são inesperadamente


reunidos em um projeto após um ano de separação.

A atração entre eles é mais forte do que nunca, mas a consequência desse
reencontro deixa ambos questionando se, talvez, algumas coisas sejam melhor
quando não ditas.

4
CAPÍTULO 1

Palmer

Eu sorri com a imagem da noiva na revista que eu segurava, Imaginando


como eu ficaria com o seu véu clássico com contas e grandes cachos em cascata.

—Você gosta? —Perguntei, virando a revista para o meu parceiro


decorador, Georgers ver.

—É...—Ele disse, franzindo o cenho. —Talvez se você estivesse indo para


o baile de formatura em 1985. Adicione um pouco de batom rosa fosco e uma
sombra azul escuro.

Eu estreitei meus olhos para ele. —Eu não quero meu cabelo puxado
firmemente para trás do jeito que você gosta. Brady também não gostaria. Ele
gosta de tocar meu cabelo. Você sabe, correr suas mãos através dele.

Georges me olhou horrorizado. —Não no dia do seu casamento, Palmer!


E as fotos? Diga a ele para manter suas mãos de homens das cavernas para si
mesmo até a noite de núpcias.

Apenas a menção a noite de núpcias me deu um formigamento de


excitação. Não que Brady não tenha me feito gozar em cada relação sexual, mas a
ideia de sexo na noite de núpcias era especialmente quente. Ele me contou sobre
uma fantasia envolvendo seu rosto entre minhas coxas enquanto eu ainda
estivesse com o vestido, e eu não podia negar que eu estava fantasiando sobre
isso também.

—Ainda temos alguns detalhes para resolver. — Georges disse, olhando


por cima da revista de noivas que ele estava folheando para dar-me um olhar de
reprovação sobre seus óculos escuros.

—Eu sei. — Eu disse, saindo do meu devaneio sexy sobre Brady. —Deixe-
me fechar meu planejador de casamento.

5
—Vamos terminar isso com sushi. —Georges disse. —Eu pulei o almoço e
estou morrendo de fome.

Olhei para o meu relógio e sacudi a cabeça. —Ahh, são mais de seis. Não
posso. Minha mãe me pediu para passar na casa dela no caminho, e eu disse que
eu estaria lá por volta das seis.

—Droga. Agora eu tenho que me virar. —Georges revirou os olhos


dramaticamente.

—Vou comprar o almoço amanhã. —Eu disse. —Não se esqueça que


vamos à floricultura para ver as peças centrais.

O rosto de Georges se iluminou. —Vamos ver o vestido novamente


também.

—Talvez. —Eu disse, sorrindo para ele. —Faz uma semana desde a última
vez que o vimos. Vejo você de manhã, ok?

Ele assentiu e voltou para a revista. Eu verifiquei meu telefone no


caminho para o estacionamento coberto, sorrindo quando vi uma mensagem de
Brady.

Brady: Indo ver meu pai. Vou chegar em casa tarde.


Almoço amanhã? Amo você.

Eu respondi, olhando para cima ocasionalmente para ter certeza que eu


não bateria em ninguém.

Eu: Almoço com G amanhã. Vou preparar o jantar


amanhã à noite na minha casa. Amo você também.

Nós ainda chamamos de minha casa, mesmo que ele tenha praticamente
se mudado para lá. Uma vez casados, nós planejávamos morar no meu pequeno
bangalô em vez de seu apartamento. Com as habilidades de construção de Brady
e as minhas de design, tínhamos feito da minha casa um acolhedor ninho de
amor.

6
Na viagem para a casa da minha mãe, eu deixei minha mente vagar para o
trabalho ao qual fui contratada. Eu estava criando um berçário para gêmeos, um
menino e uma menina. Meu cliente amava o estilo tradicional, então, eu estava
usando tecido de algodão, amarelo e verde suave e lindos móveis pintados de
branco.

Este trabalho estava criando inesperadamente uma forte inquietação


maternal. Brady e eu queremos crianças, mas queremos esperar alguns anos. Ele
estava pagando um alto preço pelas péssimas decisões de seu pai, e nós dois
tínhamos que nos concentrar em nossas carreiras por um tempo.

Ainda assim, eu me deixei sonhar sobre o dia em que teríamos um bebê.


Esperançosamente um com seu cabelo escuro e olhos verdes brilhantes.

Eu estacionei na frente da casa de mamãe, percebendo que a cortina


marrom desbotada que estava pendurado por um parafuso finalmente caíra.
Brady se ofereceu para pintar o exterior sujo quando mamãe e Danny se
mudaram para cá no ano passado, mas mamãe sempre recusava, dizendo que
sabia que ele estava muito ocupado com o trabalho.

Este lugar precisava de uma reforma, entretanto, eu e Brady teríamos que


aparecer e apenas fazê-lo. As ervas daninhas estavam começando a ultrapassar o
pequeno cesto de flores ao lado da varanda da frente.

Quando eu puxei a porta da tela traseira, mamãe olhou por cima da mesa
da cozinha e se levantou, me encontrando para um abraço. Ela me segurou mais
tempo do que o habitual, e eu estudei seu rosto quando ela se afastou.

—Você está bem? —Perguntei.

—Sim. — Ela foi para o fogão, não encontrando meu olhar curioso. —Eu
fiz um prato para você. Empadão de frango.

Eu afundei em uma cadeira na mesa, procurando ao redor da cozinha


pelo o meu irmão mais novo. —Onde está Danny?

No exato momento, sua cadeira de rodas entrou na cozinha.

7
—“Almer”! —Ele gritou, estendendo os braços. Eu sorri e fiquei de pé,
curvando-me para abraçá-lo apertado, do jeito que ele gostava.

Assim que o soltei, ele virou sua cadeira, grunhindo com o esforço, e
começou a sair da cozinha.

—Onde você está indo? — Eu chamei atrás dele. —Acabei de chegar aqui!

—Cubs1. —Disse ele em poucas palavras.

Eu sorri enquanto ele saia, percebendo que deveria ter adivinhado que
ele estava imerso em um jogo na TV, pois estava usando um boné de beisebol e
camiseta dos Cubs. Embora tivesse vinte e três anos, os médicos de Danny
disseram que ele tinha a capacidade mental de um menino de quatro anos. Mas
eu sabia que ele era mais esperto do que eles lhe deram crédito. Não importava
qual fosse sua capacidade mental, ele era o raio de sol mais brilhante da minha
vida. Eu tive uma briga de socos uma vez em minha vida; quando eu tinha oito e
uma criança em nossa vizinhança chamou meu irmão de cinco anos de idade de
estúpido.

Mamãe colocou o prato na minha frente, tentando pegar os vidrinhos de


sal e pimenta, um guardanapo e servindo o chá gelado em um copo para mim.

—Eu posso pegar essas coisas. Sente-se. —Eu disse. —Isso parece
delicioso.

—Como vão os planos de casamento? —Ela perguntou, seus olhos se


aquecendo de emoção.

—Bem. Eu vou tomar as decisões finais sobre as flores amanhã.

Eu soprei em uma garfada da torta fumegante, estudando a expressão de


minha mãe. Ela não se incomodou em arrumar o cabelo ou a maquiagem, já que
ela passava os dias cuidando de Danny. Mas as linhas no rosto dela estavam mais
pronunciadas do que de costume. Algo estava errado.

1
Time de baseball de Chicago.

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—O que está acontecendo? —Abaixei o garfo e coloquei-o no prato. —
Você parece preocupada.

Ela suspirou profundamente. —Provavelmente não é nada.

—O que é provavelmente nada?

—Recebi um telefonema do hospital hoje sobre o teste pré-operatório


para a minha cirurgia nas costas.

—Tudo bem. —Eu disse, repreendendo-me por esquecer de ligar para ela
ontem. —Há algum problema com a cirurgia?

Esperava que o doutor não mudasse de ideia sobre ajudá-la, ou o seguro


não negasse a cobertura. Mamãe precisava dessa cirurgia. Anos levantando
Danny de sua cadeira tinha deixado suas costas doendo cada minuto do dia,
embora ela raramente se queixasse sobre isso.

—Eles fizeram um raio-x e apareceu um possível nódulo. —Ela disse, se


abraçando. —Em um dos meus pulmões.

Meu coração acelerou enquanto absorvia suas palavras. —Um...—Limpei


minha garganta. —Um possível nódulo? O que isso significa?

Ela suspirou novamente. —Significa que tenho que fazer uma tomografia
computadorizada amanhã. Tia Claire veio e ficou com Danny enquanto eu estava
no hospital ontem, e é uma hora de carro para ela. Eu não queria pedir a ela para
voltar amanhã. Existe alguma maneira de você vir pela manhã, por volta das
9:30h?

—É claro. —As emoções giravam dentro de mim. Isso foi tão inesperado
que eu ainda estava tentando entender. —Mas eu quero ir com você. Vou pedir a
Brady para vir ficar com Danny.

Ela balançou a cabeça. —Eu não acho que eles vão fazer outra coisa além
do exame amanhã, Palmer. Os resultados podem levar algum tempo. Eu posso
lidar com isso sozinha. Se você ficasse com Danny, isso seria perfeito.

9
—Claro. —Eu disse, não tendo muita certeza. —Você está bem?

Ela assentiu e tentou sorrir. —Provavelmente não é nada. Apenas uma


precaução. Eles não cancelaram minha cirurgia nem nada.

Concordei também, tentando ver isso como uma indicação positiva. Mas
a preocupação que tinha acelerado meu ritmo cardíaco e drenado meu apetite
em um instante ainda estava lá.

Flores, bolo e o penteado perfeito de casamento de repente pareceram


coisas ridículas para se preocupar. Tudo o que importava agora era que minha
mãe estivesse bem. Ela tinha que estar.

Brady

Ver meu pai em um macacão laranja estampado com números negros me


afetou ainda mais do que as algemas. Aqui, ele não era Tucker Grant, empreiteiro
de sucesso e empresário, ele era o preso R14738.

Eu não podia sentir pena dele. Ele tinha roubado seus próprios clientes e
funcionários em mais de 300 mil Dólares. Mas a prisão era um lugar que eu nunca
pensei que eu iria pôr os pés, e com certeza não esperava visitar meu próprio pai
aqui.

Ele acenou com a cabeça para mim, curvando os cotovelos e levantando


as mãos no ar para que um guarda pudesse destrancar as algemas. Uma vez livre,
ele se aproximou e sorriu, sentando-se do outro lado de uma mesa na sala de
visitas da prisão estadual.

—Brady. —Ele disse em saudação.

—Olá pai. Como está indo?

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Ele encolheu os ombros, parecendo despreocupado. —Lendo bastante. —
Com um olhar para a porta, ele percebeu que eu estava sozinho. —Onde está seu
irmão?

Eu balancei a cabeça. —Sei lá. Não aparece para trabalhar desde terça-
feira.

O cabelo grisalho de papai estava um pouco mais longo do que tinha


estado quando ele começou sua sentença um mês atrás. Eu não pude deixar de
me perguntar o que as últimas quatro semanas tinham sido para ele, mas eu não
me importava o suficiente para perguntar.

—Então, como vão os negócios? Você está mantendo as coisas fluindo?


—Ele se inclinou para trás e cruzou os braços sobre o peito, estudando-me
seriamente.

—Você está falando sério? —Eu balancei a cabeça. —O negócio está... eu


não sei, destruído pode ser uma boa palavra. Você sabe que os clientes
começaram a nos deixar quando você foi indiciado.

Uma sombra cruzou seu rosto. —Isso é parte do trabalho. Você tem que
recuperar esses clientes ou substituí-los por outros novos.

—Sim, aqueles que não assistem os noticiários. —Murmurei.

Ele apontou um dedo para mim e falou em um tom baixo e sinistro que
teria me assustado há vários meses. —Cuidado, seu idiota ingrato.

—Ou o quê? —Dei de ombros descuidadamente. —Você me deixou uma


bagunça enorme para limpar, você percebe isso? Eu tive que despedir mais da
metade dos caras. Eu gastei toda a minha poupança tentando manter o negócio
aberto quando não temos nenhum cliente. Ninguém confia mais em Grant
Builders, e é culpa sua.

Ele rosnou e me deu um olhar de desprezo. —Dane-se. O único que está


aqui sou eu, então não aja como se estivesse pagando qualquer preço.

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—Você arruinou a empresa. —Eu segurei seu olhar, certificando-me de
que ele me ouvia. Eu queria dizer essas coisas há muito tempo. Meses. Desde o
dia em que ele foi tirado de um local de trabalho por dois detetives. Eu soube na
hora que eu ouvi as acusações na corte que ele era culpado. Eu podia ver em seu
rosto. Ele tinha escondido de mim as contas dos negócios e isso aumentou a
traição.

—Você não vê o seu velho por um mês e vem aqui para encher o meu
saco? — Ele arqueou as sobrancelhas para mim. —Venha, me diga o que há de
novo com você. Como está a minha futura nora?

Eu suspirei profundamente, desejando que minha pressão baixasse. —


Palmer está bem.

—Quando é o casamento?

Eu dei de ombros e desviei o olhar. —Supostamente em cinco semanas.

—O que isso quer dizer... supostamente? —Sua testa franziu de


preocupação.

Eu relaxei minha mandíbula para responder. —Bem, como eu disse, eu


gastei todas as minhas economias. Eu deveria estar pagando pelo casamento.

—Aquela sua garota merece o melhor.

Seu tom admoestador me fez querer voar pela mesa e empurrá-lo para o
chão. Ele não percebia que eu não estaria nesta situação, se não fosse por sua
ganância imprudente?

—Sim, eu concordo. —Eu disse amargamente. —Mas como eu disse, eu


estou falido.

—Então, volte atrás. Isso não significa que você não pode se casar.

—Palmer passou muito tempo planejando isso. —Eu esfreguei minha


testa, minha situação financeira estressante esquentando minha cabeça. —Eu

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não quero ter que lhe dizer que não podemos fazer nada disso. Eu já tive que
adiar a lua de mel.

Papai limpou a garganta e olhou de um lado para o outro. Aparentemente


decidindo que ninguém estava escutando, ele falou em um tom baixo. —Escute,
eu tenho uma conta que você pode acessar. Uma que os policiais nunca
encontraram.

Meu rosto se contorceu com descrença. —Você está brincando comigo?


Você acha que eu aceitaria um centavo do seu dinheiro sujo?

Ele estreitou os olhos para mim. —Você quer o seu casamento ou não?

—Não assim, não. —Meus músculos se enrijeceram enquanto a raiva


crescia dentro de mim. —Veja, isto aqui é o que você me deixou. Cada pessoa
fodida, até mesmo você, aparentemente, acha que porque você é uma fraude
desonesta, eu devo ser também. Mas eu não sou. Eu estou quebrando a porra das
minhas costas tentando salvar o negócio, mas saiba que não é por você. É por
todas as pessoas que precisam de seus empregos lá.

Ele deu um grunhido desgostoso. —Faça do seu jeito. Mas eu preciso de


você para acessar a conta e pegar algum dinheiro para um advogado para mim.

—Foda-se.

—Droga, Brady! —Ele disse, inclinando-se para frente em um esforço


para me intimidar. —Quantas vezes eu ajudei você? Coloquei-o na faculdade,
ensinei-lhe a maior parte do que você sabe sobre a construção de casas e lhe dei
um ótimo trabalho na minha empresa. Tudo que eu preciso é que você facilite
uma transação. Eu só preciso que você pegue o meu dinheiro para o advogado
entrar com o meu recurso.

—Facilitar isso. —Eu disse, afastando-o. —Não é o seu dinheiro.

—Eu não posso acreditar que eu criei um garoto tão honesto. —Ele
murmurou.

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—Eu não posso acreditar que meu pai é um ladrão. —Eu me levantei da
cadeira. —Ótimo ver você, pai.

Eu me virei e acenei com a cabeça para o guarda ao lado da porta, que


abriu para mim. Por que eu vim aqui? Eu o conhecia o suficiente para saber que
ele não iria se arrepender. Mas eu ainda queria dizer na cara dele sobre os danos
que ele tinha deixado na esteira de sua farra de gastos.

O ressentimento ferveu dentro de mim enquanto eu seguia através das


muitas portas da prisão, cada uma das quais tinha que ser destrancada por
guardas que colocavam códigos nos teclados. Dois meses atrás, eu pensei que
tudo seria tranquilo a partir daqui. Eu estava fazendo dinheiro decente e estava
prestes a me estabelecer com uma mulher que era tudo o que eu sempre quis e
muito mais. Mas o tapete foi puxado de baixo de mim. Nada mais fazia sentido.

Eu esperei para propor a Palmer, até que eu soubesse que eu poderia


dar-lhe o casamento que ela merecia e ter bastante dinheiro para começar nossa
vida juntos. Meus problemas de dinheiro recém-descobertos não apenas me
mantinham acordado à noite com preocupação, eles também me fizeram sentir
indigno dela.

Eu virei a chave da minha caminhonete e ela rugiu para a vida, jogando


para cima o cascalho assim que me afastei da prisão. Não importa o quão longe
eu fosse do meu pai, eu nunca seria capaz de romper com sua reputação.

Palmer

O cheiro de alho e o sabor fresco e doce do vinho Moscato aliviaram a


minha tensão. Mas quando Brady entrou pela porta da frente, o resto das minhas
preocupações desapareceram. Eu o encontrei na metade do caminho, meus
braços abertos dizendo a ele o que eu precisava mais do que palavras.

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—Oi, querida. —Ele disse no meu ouvido. Ele puxou meu corpo contra o
dele, levantando meus pés do chão. Eu me envolvi em torno dele, agarrando-me
a vida.

—Estou tão feliz em te ver. —Eu disse, aspirando seu cheiro de cedro. A
sólida força dele me encheu de calor e alívio.

Eu não queria deixa-lo ir quando ele me abaixou para o chão e se inclinou


para olhar para mim.

—Você está bem? —Ele perguntou com seus olhos verdes cheios de
preocupação. —Como foi o exame de sua mãe?

—Nós não sabemos ainda. — Eu estendi a mão até seu rosto, passando as
pontas dos meus dedos sobre sua barba preta e então mais para cima,
acariciando seu cabelo curto.

—O jantar cheira bem. —Ele disse, olhando para o fogão.

—Você cheira bem. — Eu me pressionei contra seu peito e ele murmurou


um grunhido de aprovação, inclinando-se para me beijar. Eu puxei seu lábio
inferior entre meus dentes, deixando-o saber que eu queria mais do que um doce
beijo de cumprimento.

Seus braços apertaram em torno de minha cintura e ele me pegou, me


levando para o quarto.

—Você sentiu minha falta ontem à noite. —Ele disse, com um sorriso em
seu tom enquanto falava contra meus lábios.

—Sim. —Eu gemia com satisfação enquanto ele beijava meu pescoço,
indo direto para o meu ponto fraco abaixo da minha orelha.

Quando ele me abaixou para a cama, eu desabotoei o jeans que eu tinha


mudado depois do trabalho, puxando-o para baixo. Ele agarrou a cintura e
terminou o trabalho para mim, puxando minha calcinha junto. Ele levantou minha
camiseta e baixou os lábios para o meu estômago, beijando-o levemente. Eu me
contorci sob ele, amando e querendo mais ao mesmo tempo.

15
Sua barba fazia cócegas em toda a minha pele e isso me incendiou. Eu
agarrei seus ombros e corri meus dedos através de seu cabelo. Não havia lugar
para preocupação agora. Meu desejo me consumiu, tão rapidamente que afastou
todas as outras sensações e pensamentos para o lado

Brady puxou minha camiseta, seus dedos habilmente abrindo meu sutiã e
jogando-o para o chão. E então, ele apenas olhou. Isso me desfazia cada vez que
ele fazia isso. Às vezes ele me despia completamente, deixando toda a roupa
dele, e apenas fitava meu corpo.

Meu peito subia e descia enquanto ofegava. Seus olhos escureceram de


desejo, e eu o desejava agora. Mas Brady estava se divertindo demais para ceder
ainda. Ele acariciou uma mão sobre a grande protuberância em seu jeans, seu
olhar deslizando para cima e para baixo no meu corpo.

Quando ele passou levemente a ponta dos dedos sobre meus seios, eu
não pude deixar de gritar. Meu corpo estava zumbindo de desejo, e seu ligeiro
toque só alimentou meu desejo por mais.

—Abra suas pernas. —Ele murmurou suavemente. Quando eu deslizei


minhas coxas, ele gemeu e apertou sua protuberância. Eu estendi a mão e afastei
a sua, substituindo-a pela minha.

—Você vê o que você faz comigo? —Ele disse, encontrando meus olhos.
—Só olhar para você. Você é tão linda, Palmer. E toda minha.

Ele deslizou um dedo pelo meu estômago, continuando até o meu clitóris,
o que fez meu corpo ficar tenso enquanto gritava seu nome.

—Deus, isso é bom. —Eu disse sem fôlego.

Um sorrisinho se formou nos lábios de Brady quando ele tirou sua


camiseta. Os músculos esculpidos de seu peito e braços estavam bronzeados pelo
trabalho de construção ao ar livre. Puxei meus joelhos ainda mais, enquanto ele
desabotoava o jeans e o jogava no chão. Sua boxer foi a próxima, e então ele
estava subindo na cama, toda a perfeição morena, musculosa, e eu fechei meus
olhos e arquei minhas costas.

16
Ele beijou minhas coxas, mas aparentemente decidiu que ele tinha me
provocado o suficiente então. Quando ele me preencheu com um empurrão, eu
envolvi minhas pernas em torno de sua cintura, sabendo que eu não duraria
muito tempo.

Não havia nada entre nós agora. Nós tínhamos parado de usar camisinha
quando noivamos, decidindo que a pílula era suficiente. Isso mudou as coisas
mais do que eu esperava. A união de nossos corpos era quase espiritual agora. O
modo como nos conectávamos deixava uma parte dele em mim.

Ele conhecia bem o meu corpo e respondeu aos meus músculos tensos
movendo-se mais rápido, mais forte, exatamente o que eu queria.

Sua respiração estava quente contra meu pescoço, e eu puxei seu cabelo,
na beira do clímax feliz que ele podia me dar.

—Eu te amo tanto, Palmer. —Ele disse suavemente, pressionando seus


lábios em meu pescoço. E foi isso. Eu quebrei em um milhão de pedaços, a
sensação aumentando a um nível que eu mal podia suportar quando ele
empurrou em mim uma última vez e gemeu contra a minha pele.

Nós dois relaxamos nossos corpos, perdidos em uma névoa nebulosa de


contentamento.

—Eu estava esperando por isso o dia todo. —Eu disse, sorrindo enquanto
ele puxava meu corpo contra ele.

—Droga, isso foi gostoso. —Ele arqueou uma sobrancelha para mim. —Eu
preciso de uma foto sua, todo espalhada assim.

Senti minhas bochechas murcharem com o pensamento. O que era sexy


no momento, agora me deixava preocupada. —Por que tirar uma foto quando
você pode ter a coisa real a qualquer hora?

Ele se inclinou sobre um cotovelo, olhando para mim. —Eu tenho que
pegar um trabalho fora da cidade. Você sabe que as coisas estão ruins, e eu não
tenho escolha se eu quiser manter os caras trabalhando.

17
—Claro. Faça o que você precisa fazer.

—Nós temos que sair amanhã. O trabalho é em Iowa. Provavelmente


serão três semanas. Eu odeio deixá-la agora, com o casamento tão perto e tudo.
Vamos trabalhar seis dias na semana, mas estarei em casa aos domingos.

—Vá. —Eu disse enfaticamente. —Por favor, vá, e não se preocupe.

Ele afastou os cabelos do meu rosto e passou a mão em volta do meu


pescoço.

—Como foi com seu pai? —Perguntei. —Eu sei que você mandou
mensagem falando que estava bem, mas...

Brady virou-se de costas e suspirou. —Eu não deveria ter ido. O idiota não
está triste, o que não é surpresa.

—Oh, merda! —Eu gritei, pulando da cama. —Eu esqueci de desligar o


fogão!

Corri para a cozinha, o cheiro de alho queimado me atingindo antes de


sair do quarto. Desligando o fogão, movi a frigideira com alho enegrecido para
outra boca do fogão. Quando voltei para o quarto, Brady estava puxando seu
jeans.

—Vamos pedir uma pizza. —Ele disse. —Eu não posso ficar esta noite.
Tenho que encontrar Troy para que possa arrastar seu traseiro para Iowa pela
manhã.

—Você e seu irmão não poderiam ser mais diferentes. —Eu disse,
procurando no chão por minhas roupas.

—Um dos rapazes me disse que ele foi expulso de seu apartamento por
não pagar o aluguel. Então se eu não levá-lo comigo, ele vai ficar na minha casa
enquanto eu estiver fora. Estará cheio de latas de cerveja e putas quando eu
chegar em casa.

18
—Nenhuma prostituta é permitida no apartamento do meu futuro
marido. —Eu disse, esperando aliviar seu humor.

—Elas não têm nada de você de qualquer maneira, baby. —Brady disse.
Passou uma mão pelo cabelo, sua expressão nublando. —Eu sinto muito que
ultimamente as coisas tenham sido uma droga comigo. Meu pai, meu irmão e o
trabalho. E cancelar a lua de mel.

—Podemos ir outra hora. —Eu disse, acenando com a mão. —Manter seu
negócio é mais importante.

—Eu vou compensar você. —Ele disse, sua expressão séria quando
encontrou meus olhos.

—Brady, não é nada demais. —Eu parei para puxar minha camiseta,
incapaz de ter uma conversa tão séria usando apenas um sutiã. —O momento
não está certo, e eu entendo perfeitamente.

Seu rosto se apertou com decepção, mas ele acenou com a cabeça. —Eu
sei. Eu nunca imaginei estar nessa situação. Esperei até que eu pudesse cuidar de
você para propor o casamento. E agora tudo está dando errado.

Eu alcancei seus ombros largos, onde minhas mãos encontraram uma


tensão dura.

—Nós vamos ficar bem. —Eu disse. Ele acenou com a cabeça novamente,
mas foi dúvida que vacilou em seu rosto? Eu tive um sentimento desconcertado,
mas certamente isso era apenas de estresse. Quando as coisas se acalmassem,
tudo estaria bem novamente.

19
Capítulo 2

Brady

O suor escorreu pelo meu rosto, umas gotas caindo em um dos meus
olhos. Eu puxei minha camiseta sobre a minha cabeça em um movimento rápido,
usando-a para esfregar o meu rosto.

—São seis. — Hunter disse, erguendo a cabeça no topo maciço do telhado


que estávamos construindo. —Vamos encerrar ou continuar?

Eu dei de ombros e puxei um prego entre meus dentes para que pudesse
falar. —Eles estão pagando dobrado no domingo. Podemos fazer mais uma hora.

Houve um murmúrio de desapontamento dos caras, mas eles não iriam


ser umas putas enquanto fossem pagos. Todo mundo estava mal-humorado de
não ir para casa hoje, mas isso fazia mais sentido. Era uma viagem de cinco horas
para Chicago, só de ida e estávamos aqui para ganhar dinheiro. No final destas
três semanas, planejava dar-lhes vários dias de folga para descansar.

Eu teria alguns dias para gastar com Palmer antes do nosso casamento.
Mesmo que tivéssemos reduzido as coisas para economizar dinheiro, ela estava
mais animada do que nunca. Este trabalho tinha chegado na hora certa, ele
pagaria o jantar na nossa recepção. Eu odiava ir para a cama sozinho em um
motel desagradável todas as noites, mas valeria a pena ver o sorriso em seu rosto
quando ela andasse pelo corredor em minha direção. Eu queria ser o homem que
a apoiava, mesmo quando parecia impossível.

20
Olhei para o meu irmão mais novo, que estava colado ao meu lado desde
o momento em que chegamos aqui. Ele estava se arrastando, provavelmente por
causa da desintoxicação forçada. Eu não iria deixá-lo ter mais que uma cerveja no
jantar. Moderação não era o forte de Troy, e maldição se eu o deixasse acabar na
prisão como nosso pai. Ele era um idiota, mas ele ainda era meu irmão.

—Você está bem? —Eu perguntei em um tom severo. Ele balançou a


cabeça e voltou ao trabalho.

Seu sofrimento era inútil, quando chegássemos em casa ele voltaria a sair
com seus amigos irresponsáveis. Aqui, eu podia controlar todos os seus
movimentos, mas lá, eu não podia.

Do meu ponto de vista sobre o telhado, eu tinha uma visão perfeita das
tonalidades alaranjadas do entardecer. O pôr do sol aqui forneceu um cenário
perfeito para os trechos infinitos de hastes de milho verde escuro. Este lugar era
pacífico, muito longe do congestionamento da vida da cidade grande.

Palmer adoraria o pôr do sol daqui. Esse pensamento passava pela minha
cabeça no final de cada dia de trabalho. Eu estava sentindo terrivelmente a falta
dela, especialmente porque não fui para casa hoje.

Os caras estavam em silêncio enquanto encerrávamos o dia de trabalho,


drenados de um dia de doze horas ao sol. Arrumamos nossas ferramentas e todos
saíram para jantar. Enviei Troy junto com Hunter e voltei para nosso motel,
apertando o botão do meu celular para ligar para Palmer assim que liguei o motor
da caminhonete.

—Sinto sua falta. —Ela disse assim que atendeu, seu tom carregava um
sorriso quente. Eu sorri, também, imaginando ela vestindo shorts e sentada em
sua cadeira favorita, suas longas pernas convidando-me a correr minhas mãos por
baixo desses shorts.

—Também sinto sua falta.

—Você parece cansado. —Ela disse. —Dia longo?

21
—Sim. E eu deveria ter suas pernas enroladas na minha cintura agora,
então é isso.

Sua risada tinha uma sugestão de excitação nela, e meu pau se agitou em
minha calça jeans ao som de sua voz. —Humm. Parece tão bom, Brady.

—É lindo aqui, querida. Quieto. Acho que você ia gostar.

—Sim? Talvez possamos ficar em alguma pousada aí algum dia.

Eu estava planejando esperar até chegar em casa para falar algo com ela,
mas no impulso eu atirei agora.

—Como você se sente sobre o Colorado?

—Humm, eu me sinto bem sobre isso, eu suponho. Por quê? Você quer
fazer uma viagem para lá primeiro?

Eu respirei fundo, indo direto ao assunto. —Eu quero me mudar para lá.
— Houve um silêncio no outro lado da linha, então decidi explicar o meu lado. —
O mercado da construção civil é bom lá. E eu não teria o estigma da reputação do
meu pai para combater. Eu decidi sair do negócio de meu pai e começar o meu
próprio. Maldição, se eu vou trabalhar reconstruindo a empresa dele enquanto
ele está na prisão.

—Isso faz sentido. —Ela disse. —Começar seu próprio negócio. Você tem
muito conhecimento em negócios.

Dei de ombros. —O que eu não sei, vou ter que aprender. Mas eu tenho
que ter um novo mercado. E eu preciso tirar Troy de Chicago, porra. Ele tem
potencial, mas tem que ser mantido longe da tentação.

—Eu só... o que você está dizendo faz sentido, mas eu tenho a minha
família e os negócios aqui.

Eu pensei em suas possíveis objeções, e estava preparado.

22
—Não podemos trazê-los conosco? Eu vou ser capaz de ajudar com o
custo. Fui convidado a licitar um enorme alojamento de caça perto de Denver, e
tenho certeza que vou conseguir a obra.

—Brady. — Ela suspirou suavemente, e eu queria ter esperado para ter


essa conversa cara a cara. —Minha mãe... ela tem que fazer uma biópsia.

—Merda. Eu sinto muito, querida. Por que você não me ligou? —Entrei no
estacionamento de cascalho, estacionando minha caminhonete para que eu
pudesse dar-lhe toda a minha atenção.

—Nós só descobrimos sexta-feira, e eu pensei que poderíamos falar sobre


isso quando você chegasse em casa. Há definitivamente um nódulo, mas o
médico não sabe se é câncer ou não.

—Ela está bem? —Esfreguei minha testa, desejando estar lá com ela.
Foda-se duas vezes. Palmer estava chateada, e eu estava em outro estado.

—Ela parece bem. Mas ela não quer chatear Danny, então eu não sei
como ela realmente se sente. Ela está agindo como se nada estivesse
acontecendo.

—E você?

—Eu estou tentando ser cabeça fria. Eu não quero pular para a pior
conclusão, você sabe?

—Sim. Desculpe, por falar de mudança. Se eu soubesse...

Ela me cortou. —Brady, não. Você está apenas sendo prático. Você tem
que pensar sobre o seu negócio. Há pessoas cujas famílias dependem de você
para esses trabalhos. Eu faria o mesmo.

—Vamos esperar até o casamento para falar sobre isso. —Eu disse,
tentando um tom reconfortante.

Palmer suspirou profundamente. —Tenho pensado que talvez


devêssemos adiar o casamento.

23
Minha boca se abriu em choque. —Adiar? Você não quer se casar
comigo?

—Claro que sim, Brady. É apenas... meu negócio não está indo muito
bem. Nós não podemos pagar qualquer coisa que planejamos, e precisamos ser
realistas sobre isso.

—Estou trabalhando 12 horas por dia aqui. —Eu disse. —Este trabalho vai
pagar pela nossa recepção. Vamos descobrir como ajeitar o resto.

Esperei que ela concordasse, agarrando meu volante com tanta força que
meus nódulos ficaram brancos.

—Você usou todas as suas economias. E eu nem consigo pensar no


casamento com o que está acontecendo com minha mãe. Eu quero que o nosso
casamento seja um momento feliz, não estressante.

Eu apertei o botão para passar a chamada para o meu telefone, abri a


porta do meu carro e sai buscando por ar. Meu peito estava se apertando por
causa dessa mudança inesperada de Palmer.

—É porque eu estou quebrado, não é? —Eu disse amargamente. —Você


ficou noiva de um homem que tinha tudo na vida e agora eu não tenho nada.

—Brady, não! —Ela disse calorosamente. —Não faça isso.

—Não faça o quê? Reagir a você cancelando nosso casamento?

—Eu não disse que eu queria cancelar. Eu disse que devíamos esperar o
que não é a mesma coisa.

Esfreguei uma mão pelo meu rosto e encostei-me na minha caminhonete.


—Foda-se, Palmer. Se você quisesse se casar comigo, nós encontraríamos um
jeito.

Houve uma pausa momentânea antes dela atacar de uma maneira que
era muito diferente dela. —Foda-se? Foda-se você, Brady, por colocar palavras

24
na minha boca. Eu nunca disse que não queria me casar com você. Estou
preocupada com a minha mãe. Como se atreve a começar isso comigo agora?

—Como ouso? —Minha voz soou no campo rural silencioso. —Como ouso
sentir alguma coisa quando você cancela nosso maldito casamento? Eu estou
ralando minha bunda aqui para que eu possa gastar meu último centavo em
nosso casamento, e você está dizendo 'não, obrigado’.

—Eu não disse tal coisa! Pare de ser um idiota.

—Oh, agora eu sou um idiota?

—Eu não vou fazer isso agora, Brady. —Seu tom grave fez minha raiva
ferver.

—Quando é um bom momento para você, Palmer? Quando você gostaria


de decidir se vamos nos casar em menos de quatro semanas?

—Eu não sei o que está acontecendo com minha mãe, e você está falando
sobre a mudança para outro estado, e eu simplesmente não posso fazer isso
agora! —Seu tom frenético me lembrou que eu nunca deveria ter trazido isso à
tona por telefone.

—Ok. —Eu disse em um tom mais calmo. —Vai ficar tudo bem. Estarei em
casa no próximo domingo para podermos conversar. Voltaria para casa agora, se
pudesse.

—Eu sinto muito.

Seu tom fraco e estrangulado significava que ela estava chorando. Inclinei
um antebraço na janela da minha caminhonete, dobrando-me e pressionando
minha testa em meu braço.

—Não chore. Eu te amo muito, muito mesmo, Palmer.

—Eu também te amo. Eu quero casar com você. Você sabe disso. É só
que... se a minha mãe receber más notícias... e acho que você está certo, você
deve começar seu próprio negócio. Mas você precisa de algum dinheiro para fazer

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isso. Eu não me sinto bem em gastar esse dinheiro que você está fazendo em
coisas frívolas quando você precisa dele.

Ela parecia já ter decidido. Senti que um nó de tensão estava prestes a


estourar no meu peito, mas eu me forcei a não me revoltar.

—Vamos conversar sobre isso quando eu chegar em casa.

—OK.

Eu soltei um suspiro e recuei. —Eu tenho que tomar um banho e jantar.


Estou exausto.

—Ligue-me amanhã?

—Sim. Falo contigo depois.

Nós desligamos, e eu subi de volta na minha caminhonete, jogando o


telefone no assento do passageiro. Eu estava realmente cansado, e não apenas do
longo dia de trabalho. Mais uma vez, alguém que eu pensava ser uma presença
sólida em minha vida tinha puxava o tapete de debaixo de mim. Palmer queria
cancelar o nosso casamento.

E mesmo que ela quisesse apenas esperar, havia outras coisas em jogo
agora. Coisas causadas por meu pai, aquele ganancioso de merda. Entre o negócio
e meus esforços para gerenciar meu irmão, eu estava sozinho remando um barco
furado.

Virei-me para a saída do estacionamento, tentando limpar minha mente.


Mas era inútil. Até eu ir para casa e resolver as coisas com Palmer, eu nunca teria
uma mente clara.

26
Palmer

Mamãe sacudiu as gotas de chuva de seu guarda-chuva, fechou-o em um


pacote apertado e enfiou-o em sua bolsa gigante.

—Isso é uma tempestade. —Ela disse, passando a mão pelos cabelos


castanhos. —Deve ficar chuvoso amanhã?

Eu olhei para ela e dei de ombros. Eu não tinha pensado em nada além de
sua saúde desde que ela tinha sido convocada para esta consulta após a biópsia.

— O consultório do Dr. Fielding é no segundo andar, você quer pegar o


elevador? —Perguntei.

—Claro. Isso será mais rápido.

Eu não tinha sugerido isso para economizar tempo. Mamãe tinha círculos
escuros sob seus olhos e suas roupas estavam largas. No começo eu tinha dito a
mim mesma que ela provavelmente estava preocupada com os resultados da
biópsia. Mas quando eu estava sem sono e sozinha com meus pensamentos à
noite, eu admitia a verdade: ela parecia cansada e frágil há alguns meses.

—Eu acho que vou fazer aqueles brownies que Danny gosta quando
chegarmos em casa. —Ela disse enquanto o elevador subia. —Aqueles com os
marshmallows.

Saímos do elevador e nos apresentamos na recepção. Mamãe agarrou


uma revista e sentou-se ao meu lado na sala de espera luminosa e arejada.

—Palmer. —Ela disse, cutucando-me. —Olhe esta cortina de cozinha feita


de pano de prato. Eu poderia fazer isso na minha cozinha, não poderia?

Parte de mim queria pedir-lhe, gentilmente, para parar com a


conversinha. Eu queria me recolher para dentro de mim mesmo e me preparar

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mentalmente para essa consulta. Mas essa era sua maneira de lidar, e seu estado
de espírito significava mais do que o meu.

—Sim. —Eu disse, olhando para o tecido verde e branco quadriculado. —


Posso ajudá-la a fazer isso. E talvez acrescentar alguns pratos verdes na prateleira
da janela para realça-la?

Ela concordou, folheando a revista e passando para uma página com um


prato de carne na caçarola que parecia tão bom que ela precisava copiar a
receita.

Fiquei aliviada quando finalmente fomos chamadas para uma sala de


exame, um espaço em branco com uma pintura de um pôr do sol em uma parede.
Eu fiquei lá enquanto mamãe era levada por uma enfermeira que queria verificar
seu peso e pressão arterial.

Não era sobre querer ou não querer saber se minha mãe estava doente.
Eu precisava saber. Esperar por essa notícia era brutal. O melhor e o pior cenário
surgiram através da minha mente durante cada momento de vigília. Mas mesmo
assim, eu considerava as possibilidades com um senso de incredulidade
entorpecida.

Um homem alto e calvo seguiu mamãe de volta para a sala de exame.

—Carl Fielding. —Ele disse, apertando a mão dela e depois a minha. Ele
tirou o jaleco branco e colocou-o sobre o encosto de uma cadeira. Recostando-se
contra um balcão, ele cruzou os braços e encontrou o olhar de minha mãe.

—Janelle, a biópsia indicou que o nódulo é cancerígeno. —Ele disse, com


uma desculpa em seu tom.

Mamãe caiu em seu assento, pressionando uma mão sobre sua boca. Eu
olhei dela para o médico em um estupor. Eu tinha dito a mim mesma que eu
estava preparada para este diagnóstico, mas eu não estava.

—Eu estava apenas indo fazer uma cirurgia. —Mamãe disse, chorando
suavemente. —Isso é tudo.

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—As radiografias de tórax muitas vezes nos ajudam a encontrar isso. —
Disse o médico. —A boa notícia é que o que você tem é tratável.

Os ombros de mamãe levantaram-se quando ela se sentou em linha reta.


—OK. Bom. Se ele pode ser derrotado, eu vou vencê-lo. Eu tenho que derrotá-lo.

Os olhos do médico se suavizaram com simpatia. —Este câncer é tratável,


mas não curável.

—O que isso significa? —Ela perguntou, franzindo as sobrancelhas.

—Isso significa que podemos estender sua vida com o tratamento.

—Então isso vai me matar. —Seu rosto se contorceu de emoção. —Mas


meu filho... eu tenho um filho que precisa de mim.

O tom de súplica em sua voz era como uma faca em meu coração. Eu
quebrei, lágrimas fluindo livremente pelas minhas bochechas.

—Eu vou cuidar de Danny, mãe. —Eu disse, pegando sua mão e
apertando-a. Ela se virou para mim e o tremor de seu lábio inferior me fez dar um
soluço. Esta era minha mãe, a mulher que me criou, cuidou de mim e me amou
incondicionalmente. E ela estava sofrendo. Era mais do que eu podia suportar.

—Conte-nos sobre o tratamento. —Eu disse, enxugando minhas lágrimas.


Eu queria agarrar esta situação, ser a única no controle para que mamãe pudesse
absorver o choque.

O médico me passou uma caneta e um bloco de notas. —Só no caso de


você querer escrever qualquer coisa. —Ele disse. —Pode ser difícil lembrar-se de
tudo.

Escrever suas explicações sobre o papel era o meu foco. Incentivei-o a


explicar-me as coisas em profundidade, porque me fazer entender esta situação
parecia mais manejável do que me permitir sentir isso.

Mamãe mal se movia. Ela se abraçou, e de repente eu a vi vulnerável pela


primeira vez. Foi decepcionante.

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—Eu gostaria de iniciar o tratamento imediatamente. —Fielding disse. —
Posso mandar minha equipe preparar para a próxima semana?

—Sim. —Eu disse.

—Não. —Mamãe se virou para mim, sua sobrancelha franzida. —Não


com o casamento tão perto.

Ela estava me colocando em primeiro lugar, mesmo agora. Eu queria


gritar com a injustiça dela estar doente.

Não apenas doente, uma voz na minha cabeça me lembrou. Morrendo.


Ela está morrendo, Palmer.

Essa voz teria que se calar por enquanto, porque eu não podia ir por aí.

—Isso é mais importante. —Eu disse, sem deixar espaço para discussão.
Seu rosto caiu com decepção.

—Tudo o que eu sempre quis foi ser uma boa mãe. —Ela disse sua voz
vacilando de emoção. —E agora não poderei cuidar de Danny e estou arruinando
seu casamento.

Eu bufei e apertei sua mão. —Mãe, pare com isso. Não posso pensar no
casamento com isso acontecendo. —Voltei-me para o médico. —Na próxima
semana será ótimo.

—Você tem quaisquer outras perguntas para mim? —Ele perguntou,


descansando suas mãos em seus joelhos.

Uma nebulosa sensação de descrença ainda turvava minha cabeça


enquanto eu a sacudia. Mamãe e eu nos levantamos para deixar o consultório e
eu agarrei seu braço. Eu estava tentando me estabilizar ou a ela? Eu não tinha
certeza se importava. Nesse momento, estávamos agarradas uma a outra por
apoio.

30
Mas eu percebi na descida do elevador que eu não poderia ficar desse
jeito. Eu tinha que ser a forte. Esperançosamente, quanto mais estresse eu
pudesse suportar pela minha mãe, menos ela sentiria.

Segurei a porta da frente do edifício aberta para ela com um renovado


senso de propósito. Minha mãe e Danny precisavam de mim. Eu não ia
decepcioná-los.

****************

Os arranhões na madeira escura da mesa da minha cozinha se tornaram


turvos quando minha visão nublou de lágrimas. Como poderia haver alguma
ainda? Eu tinha chorado toda a tarde, e eu tinha uma dor de cabeça palpitante
para provar isso.

Passos pesados das botas de trabalho de Brady abriram caminho para


mim em ritmo constante. Quantas vezes eu pedi para que ele tirasse aquelas
malditas botas na porta?

—Ei, querida. —Ele disse, entrando na cozinha.

—Ei. —Enxuguei minhas bochechas molhadas com meus dedos e


encontrei seu olhar.

—Más notícias, eu suponho.

Eu balancei a cabeça. Embora soubesse que eu poderia cair em seus


braços e chorar o quanto quisesse, eu cruzei meus braços sobre meu peito em vez
disso. As coisas não estavam bem entre nós. Nós apenas trocamos mensagens,
não nos falamos, desde a nossa briga há uma semana.

—Vamos falar sobre isso. —Ele disse, puxando uma cadeira do outro lado
da mesa e sentando-se.

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Lembrei-me das notas que eu tinha feito durante a nossa consulta. —Ela
tem câncer de pulmão de pequenas células, mas isso não é uma coisa boa. É
agressivo, mas tratável. Eles vão começar a quimioterapia imediatamente.

—Eu sinto muito. Como ela está?

Eu bufei e tentei segurar uma nova onda de lágrimas. —Horrível.

Ele assentiu com a cabeça, estendendo a mão sobre a mesa. Ele pegou
minha mão em sua palma grande, calejada pelo trabalho, acariciando o polegar
calejado em meu pulso. A preocupação gravada em seu rosto fez meu estômago
se agitar fortemente.

—Não posso me casar agora, Brady. Eu não posso nem ir trabalhar na


sexta-feira. Minha mãe tem um longo caminho à frente, e eu tenho que estar lá
para ela e Danny.

—Eu estarei lá, também. Eu entendo sobre adiar o casamento.

Eu parei de tentar suprimir minhas lágrimas. Eu não chorei na frente de


mamãe ou Danny, e eu precisava agora.

—E o Colorado?

Brady deu de ombros. —Eu vou ficar bem aqui. Eu já desisti do meu
interesse pelos negócios do papai. Vou trabalhar para outra pessoa.

Senti um vislumbre de esperança. Talvez isso fosse dar certo depois de


tudo.

—E sobre esse grande trabalho? E os empregados? —Eu perguntei.

Ele balançou sua cabeça. —Haverá outros trabalhos. E os empregados...


não consigo encontrar emprego para todos eles. Eu queria poder.

—Alguns deles trabalhavam para o seu pai há mais de vinte anos, não é?

Brady assentiu solenemente. —Sim. E a pior parte é que meu pai não
estava investindo o dinheiro em suas aposentadorias, como era de se esperar.

32
Eles não têm nada, e eles nem sequer sabem ainda. Eu terei de dizer a eles
quando os demitir.

—O que acontecerá com Troy?

—Ele é um adulto. Vou dar um pé na bunda dele, ele vai ter que cuidar da
própria vida.

Meu coração torceu com amor e tristeza por este homem. Ele estava
disposto a desistir de sua chance para um novo começo por mim. O que restava
de seu orgulho, se ele demitisse todos os seus empregados e ficasse aqui para ser
um trabalhador de outro contratante, com o estigma de ser o filho de Tuck Grant
seguindo-o em todos os trabalhos?

E como ele se sentiria sobre ter que cuidar não apenas de seu irmão mais
novo, mas do meu também? Danny era uma responsabilidade muito maior que
Troy.

—Vá para o Colorado, Brady. —Eu disse, encontrando seu olhar


esmeralda brilhante. —Vá, arrase e conquiste seu espaço. Eu sei que você vai
conseguir. Leve seu irmão e dê-lhe um recomeço, também.

Ele puxou a mão para trás, franzindo as sobrancelhas com preocupação.

—Você não me quer aqui? —A dor em seu tom foi como um tapa em meu
rosto.

—Não é isso. Eu quero você aqui, mas eu não preciso de você aqui. Eu
tenho que me concentrar em minha mãe e Danny. Você precisa se concentrar em
sua empresa.

—Foda-se, Palmer. Nenhum trabalho significa tanto para mim quanto


você. Mas se eu não for necessário... Ele empurrou a cadeira e se levantou. —Eu
vou embora.

—Eu não quero que isso acabe mal. —Eu disse em tom de súplica.

33
Ele zombou e olhou para mim. —Bem, eu não quero que isso termine.
Mas aqui estamos nós.

Descobrir sobre o câncer da minha mãe tinha me derrubado e eu ainda


estava para baixo. E isso era apenas mais uma coisa. Uma coisa que não era vida e
morte. Uma coisa que eu simplesmente não tinha espaço para lidar agora.

—Existe alguém mais? —Brady perguntou amargamente.

—Pelo amor de Deus, você está brincando comigo? —Eu bati minhas
mãos sobre a mesa e me levantei. Agora eu estava tremendo, uma mistura de
fúria e tristeza me empurrando para o meu ponto de ruptura. Eu sorvi uma
respiração calmante e deslizei o anel de noivado do meu dedo, segurando-o para
ele. Ele olhou para mim com uma mistura de choque e fúria.

—Eu não quero a porra do anel de volta. —Ele disse. —Venda-o e leve
seu novo namorado para férias.

—Eu meio que queria ter um agora, porque você está sendo um idiota.

Ele riu amargamente. —Eu pensei que nós seríamos para sempre, Palmer.
E você está arrancando minhas malditas tripas aqui. Você está mentindo para
mim sobre alguma coisa. Você sabe, se eu descobrisse quem era o outro cara eu
acabaria com ele.

—Nunca estive com ninguém além de você.

—É isso, então? —Ele deu um passo mais perto, e a estrutura alta e


musculosa que sempre me fez sentir segura subitamente tornou-se intimidante.
—Você quer estar com outros caras? Você não quer se casar com o seu primeiro?

—Não. Eu não quero mais ninguém. —Eu olhei para o chão.

—É porque você não foi a minha primeira? Você disse que isso não a
incomodava.

—Eu só acho que nós dois precisamos de espaço para lidar com nossos
problemas.

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—Isso não é algo que devemos fazer juntos?

O veneno em seu tom acendeu um interruptor dentro de mim, e eu olhei


para ele, minhas bochechas ardendo de raiva.

—Você não pode saber como é isso. —Eu disse. —Isso não é como seu pai
indo para a prisão. Minha mãe está gravemente doente.

Ele cortou, me encarando. —Isto não é para ser um jogo de quem tem
mais problemas.

—Eu nunca disse que era um jogo. Você simplesmente se recusa a desistir
inferno, e eu simplesmente não posso fazer isso agora. Não posso.

Em vez de responder, ele girou e percorreu a cozinha, seu punho se


conectando com a parede. Eu pulei e fiquei boquiaberta com o buraco que ele
tinha feito com sua mão.

—Brady...

Ele me deu um último olhar assassino antes de se virar e sair,


percorrendo a distância até minha porta da frente em poucos segundos. A batida
da porta trouxe outra rodada de lágrimas.

Eu sabia que era melhor, mas ainda doía pra caramba. Eu tinha que dar a
mamãe e Danny meu tudo. Eu ia morar com eles para que eu pudesse estar lá
sempre que eles precisassem de mim. E mesmo que Brady estivesse chateado
agora, eu esperava que, com o tempo, ele visse que ambos precisávamos disso.

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Capítulo 3

Brady

Passei a mão pelos meus cabelos e entrei na padaria aonde eu marquei de


encontrar o Derek. Lascas de serragem voaram do meu cabelo para minha
camisa. O meu plano era tomar um banho antes de almoçar com o meu velho
amigo. Eu perdi a noção do tempo em minha oficina esta manhã.

O grupo de pessoas ao redor de uma cabine me deu a localização de


Derek. Ele tinha sido reconhecido mesmo sem uma camisa identificando-o como
um membro da equipe da NFL de Chicago. Eu não o tinha visto desde que eu voei
para Chicago para sua festa de noivado no mês passado. Ele estava se casando
com uma atriz que era uma celebridade ainda maior do que ele.

Aproximei-me da cabine e Derek sorriu para mim. —Este é o meu amigo,


pessoal.

A pequena multidão de fãs começou a se afastar.

—Ei, obrigado por dizerem olá. —Derek disse para eles, devolvendo algo
que ele havia autografado para um deles.

Eu balancei minha cabeça enquanto me sentava. —Esta é a última coisa


que seu ego precisa, cara.

Ele encolheu os ombros largos. —Você parece bem, Grant. Você está
levantando pesos?

—Um pouco. Na maioria das vezes é apenas o trabalho.

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—Você não é o patrão? — Ele arqueou as sobrancelhas para mim quando
uma garçonete se aproximou e olhou para nós com expectativa.

—Chá gelado, por favor. —Eu disse.

—Para mim também. —Derek disse.

A jovem garçonete morena me deu um sorriso tímido antes de sair da


mesa.

—Ainda consegue, eu vejo. —Derek brincou.

—Sim, você também, mas você está jogando fora, se casando.

Seu sorriso fez-me lembrar do garoto magro que se sentou ao meu lado
na aula de inglês no primeiro dia na oitava série. Somos amigos desde então.

—Temos trinta e dois, Brady. Tenho que crescer algum dia. E eu teria
proposto para Adriane não importa o quão velho eu fosse quando nos
conhecemos. Ela é incrível.

Eu engoli um comentário. Sua noiva parecia uma garota legal, e ela com
certeza não estava atrás de seu dinheiro. Ela já tinha muito.

—Então, o que há de novo, cara? —Ele disse. —Como vai a vida no


Colorado?

—Não tenho queixas. —Eu disse, dando de ombros. —O trabalho tem


sido louco, mas isso é uma coisa boa.

—Está vendo alguém?

—Não. — Enruguei meu rosto com desgosto.

—Você falou com Palmer?

—Foda-se não. Não temos mais nada para dizer um ao outro.

Derek se apoiou nos cotovelos, considerando suas palavras.

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—Isso provavelmente vai irritar você, mas acho que você cometeu um
erro com ela. Ela acabara de receber notícias terríveis, e você ficou muito
zangado.

Cruzei meus braços sobre o peito e olhei para ele. —Ela não queria mais
se casar comigo. Eu não pude deixar de ficar chateado com isso. Eu teria dado
tudo por ela, mas ela não me queria.

—Talvez não fosse o momento certo. Você estava lidando com essa
merda com seu pai, e ela tinha acabado de descobrir que sua mãe estava doente.
Só estou dizendo que você deveria ter se aproximado dela, pelo menos como
amigo. Você não tem sido o mesmo desde que vocês se separaram. Ainda te
incomoda?

Eu apertei a ponta do meu nariz e suspirei. —Se me incomoda? Eu


praticamente tive uma úlcera por causa disso. Eu estava chateado com o mundo
inteiro por meses depois que ela me deixou. Eu não conseguia dormir. Eu
trabalhava dezesseis horas por dia e passava todo fim de semana bêbado. Pelo
menos agora eu sou uma pessoa funcional novamente. Espero nunca mais ver
Palmer.

Derek sacudiu a cabeça. —Mas você ainda se importa com ela?

—Eu superei isso. Provavelmente me livrei de uma cilada. Eu nunca vou


me casar.

—Não derrube o meu casamento com sua atitude besta, cara.

Eu sorri. —Eu? Estarei muito ocupado entretendo as damas de honra.

—Sim, Adriane tem algumas amigas gostosas. Você me agradecerá por ter
pedido que você seja um dos padrinho do casamento.

A garçonete trouxe os nossos pratos, encontrando meus olhos por um


segundo quando pegou meu copo de chá gelado vazio.

—Vou pegar mais chá. —Ela disse ruborizada.

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—Você está curtindo a vida de solteiro? —Derek perguntou quando ela
não podia mais nos ouvir.

Dei de ombros. —É muito mais simples. Nós fodemos e eu vou embora.


Nada da merda emocional.

—Se funciona para você, eu fico feliz. Mas nunca o vi mais feliz do que
quando você estava com Palmer.

Eu me movi em meu assento chateado. —Você quer parar com isso,


idiota? Ela me abandonou há um ano. Nós terminamos. E não que não seja bom
vê-lo, mas nós não saímos juntos há algum tempo. Por que meu famoso amigo
me agracia com sua presença hoje?

—Precisamos sair mais. Estou ocupado, mas eu sempre posso arranjar


tempo. Quero que você conheça melhor a Adri também.

—Sim, isso seria bom.

—Quero que você construa uma casa para mim. —Derek disse, com os
olhos fixos na minha expressão.

A garçonete colocou o meu copo na mesa e eu agarrei-o, pensando por


alguns segundos enquanto tomava um gole.

—Eu?

—Sim, você sabe, o seu negócio. É o meu presente de casamento para a


Adri. Ela adora morar aqui em Chicago, e eu acabei de assinar um contrato que
vai me manter aqui por um tempo. É um bom momento para nós construirmos
uma casa.

—Eu estou supondo que não estamos falando sobre um barraco. —Eu
disse, sorrindo ironicamente.

—Eu quero o melhor.

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Eu balancei a cabeça lentamente. —Eu não sei. Eu costumo fazer casas de
poucos milhões de dólares, Derek. Não de dez milhões de dólares. E eu estou
ocupado. Super ocupado, na verdade, pelo resto do ano.

—Ainda bem que somos amigos desde o colégio. Caso contrário, eu


acharia que você está dizendo não.

Eu ri e arqueei minhas sobrancelhas para ele. —Olha cara, eu trabalho no


Colorado agora. Eu posso recomendar alguém que constrói para pessoas famosas
aqui.

—Foda-se.— Derek acenou com a mão. —Você é um dos meus melhores


amigos. Eu sei que você não vai me foder. E você faz um trabalho incrível. Você
fez um ótimo trabalho saindo do buraco que seu pai te deixou.

—Sim, mas...

Ele me cortou. —Mas nada. Só porque você não fala sobre quão bem
sucedido você é, isso não significa que eu não estou ciente disso. Quero que você
construa minha casa.

Eu considerei minha agenda. —Quando?

—Agora. Eu comprei um lote de três acres nos subúrbios na semana


passada.

Eu balancei a cabeça, firme desta vez. —Não tem jeito. Eu tenho todos os
meus caras reservados para os próximos seis meses.

—Contrate mais, então. Eu vou pagar. Você é meu melhor amigo. Sempre
foi. Quero que você construa minha casa.

Eu pensei sobre isso. Não havia nada na minha vida a não ser trabalhar
agora. Eu estava finalmente financeiramente estável novamente, então eu não
precisava do trabalho, mas fiquei intrigado com o desafio. E eu queria fazer isso
para meu amigo de quase vinte anos.

40
—Tudo bem. —Eu disse, dando de ombros. —Eu vou ter que trabalhar
com meus caras extras e contratar alguns novos, mas vou fazer o trabalho.

—Obrigado, cara. Eu preciso saber que está em boas mãos, já que não
posso estar tão envolvido como eu gostaria.

—Eu vou construir sua mansão, idiota. —Murmurei.

—Quando você vai construir uma para si mesmo?

Eu dei de ombros, minha mandíbula se tencionando. Depois que Palmer


terminou comigo, eu queimei os planos que fiz para a nossa casa. Era algo em que
sonhávamos juntos, mas eu nunca lhe dissera que estava elaborando os planos
secretamente. A ideia de construir algum lugar para mim ainda despertava
lembranças do que eu tinha perdido.

—Estou feliz por viver em cima do meu escritório. Não ter que viajar
diariamente para o trabalho. —Eu disse.

—As mulheres não reclamam com você sobre isso?

Eu olhei para ele. —As mulheres não reclamam comigo por nada. Eu não
preciso desse incômodo. E as mulheres não vão lá, de qualquer maneira. Eu vou
para a casa delas.

—Ótimo. —Derek disse com desdém. —Você vive seu sonho e eu vou
viver o meu.

Eu terminei minha comida em silêncio. Meu sonho me deixou há um ano.


E tão esmagado como fui, agora ninguém tinha controle sobre mim. Não foi uma
coincidência que eu estava fazendo mais dinheiro do que o negócio do meu pai já
teve. O trabalho era a minha nova paixão, e nunca me decepcionaria.

41
Palmer

Georges olhou para seu reflexo no espelhinho que mantinha em sua mesa.
Seu cabelo loiro curto estava perfeitamente arrumado, igual da última vez que ele
se olhou há três minutos atrás.

—Droga, eu deveria ter feito as minhas sobrancelhas. Eu pareço uma


porcaria. —Ele gemeu.

—Georges, a cliente não se importa como você se parece. Ela só quer


falar sobre o nosso trabalho de design. —Eu disse enquanto digitava números no
meu computador.

—Mas ela é famosa, Palmer. Imensamente famosa. Eu vi seus filmes.

—Ela é muito pé no chão.

—Se você estivesse por dentro da cultura pop, você saberia. —Georges
berrou.

Eu ri e balancei a cabeça. —Como se eu tivesse tempo para isso. —Eu


olhei para cima do meu laptop e focalizei nele. —Ouça, sério, não seja um idiota
louco por celebridades. Somos profissionais. Redecorar seu escritório foi um
trabalho enorme para mim, e ela poderia nos recomendar a seus amigos.

O grito agudo de Georges foi tão alto e feminino que eu dei um sorriso.

—Eu poderia encontrar meu homem dos sonhos! — Ele gritou. —Ele
poderia ser um ator ou um músico! Ou, oh meu Deus, o modelo dessa nova
campanha da Calvin Klein. Você acha que ela o conhece?

A batida na porta de nosso escritório tirou os sorrisos dos nossos rostos.

—Seja legal. —Sussurrei. —Não haja como um fã.

42
Ele fez “carão” em seu espelho e eu revirei meus olhos. Caminhei até a
porta e a abri, e Adriane Hunt sorriu amplamente para mim.

—Palmer! Como você está querida? —Ela entrou, deslizando seus


grandes óculos escuros para descansar em sua cabeça.

—Eu estou bem. — Eu estendi a mão para apertar a sua e ela me abraçou
calorosamente em vez disso.

—Você precisa de um dia de spa. —Ela disse, passando uma mão sobre
meus cabelos escuros. —Nós devemos fazer isso logo.

—Isso seria incrível. —Eu disse. —Eu poderia usar praticamente todos os
serviços de um spa. — Gesticulei para Georges, que estava de pé ao lado de sua
mesa. —Este é o meu sócio Georges.

Ele apertou a mão dela com ansiedade. —Sou seu fã, Srta. Hunt.

—Por que não nos sentamos no sofá? — Eu sugeri, abrindo caminho


através da porta para nossa área de escritório casual. Era mobiliado com um sofá
e várias cadeiras confortáveis. Nós o reformamos recentemente, dando-lhe um
estilo limpo e moderno com tons de creme e toques de turquesa.

—Isso é lindo. — Adriane disse, dando uma volta no cômodo.

—Obrigado. Isso tudo foi Georges. O estilo quero dizer. Nós dois
pintamos e reformamos os móveis.

—Então você reparou em minhas mensagens que amei a decoração do


meu escritório. —Adriane disse.

—Fiquei emocionada ao ouvir isso. Desde que você confiou em mim com
a maioria das escolhas, eu estava um pouco nervosa. —Admiti.

—Estou tão feliz por ter ligado para você quando li o artigo da revista
sobre você ser o segredo de design mais bem guardado por aqui. Você me pegou
Palmer. Eu nem consigo descrever meu estilo de design de interiores, mas você
consegue.

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—Isso é um grande elogio, obrigada. Seu estilo é muito parecido com o
meu, o que tornou tudo mais fácil. —Eu me virei para Georges. — O apartamento
dela é incrível, você adoraria. Toneladas de luz. É cerca de vinte por cento antigo
e oitenta por cento chique.

—Legal. — Ele assentiu com apreensão.

—Estou me livrando dele, na verdade. —Adriane disse sorrindo. —Eu vou


vendê-lo no próximo ano porquê... — Ela estendeu a mão, onde um anel de
diamante brilhava em seu dedo. —Irei me casar!

Georges gritou e ela sorriu para ele.

—Eu sei! —Ela exclamou. —Ele é uma pessoa maravilhosa! Um sonho.


Estamos construindo uma casa juntos.

—Como eu não ouvi que você estava noiva? —Georges perguntou,


franzindo a testa.

—Conseguimos manter em segredo. Tivemos uma festinha de noivado,


apenas cerca de 20 pessoas. Meu publicitário e o dele estão trabalhando em um
anúncio agora. Então agora eu posso usar o meu anel fora de casa.

—É espetacular. —Georges disse, admirando o anel de perto. —Quem é o


sortudo?

—Você saberá em breve. —Adriane brincou. —Então, sobre a casa que


estamos construindo... eu quero que você faça o trabalho de design. — Ela se
virou para mim e sorriu amplamente. —Por favor, me diga que pode me ajudar.
Por favor.

A sala ficou em silêncio. Olhei para Georges, que estava mordendo o lábio
esperançosamente.

—Adriane, nós ficaríamos honrados. —Eu disse. —Mas você deve saber
que Sinclair Brammer Design é uma empresa jovem. Nós nunca fizemos nada na
escala que eu imagino que sua casa será. Somos apenas Georges e eu.

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Ela acenou com a mão e se levantou. —Eu tenho total confiança. Você fez
um milagre em meu escritório e eu posso ver a partir desta sala que Georges tem
muito talento. Eu tenho que ir a Nova York em breve e eu vou estar
completamente imersa em filmagens. Quero que vocês tomem todas as decisões
desta casa. Dê os toques modernos, femininos que vocês sabem.

—Claro. —Eu disse, meu coração batendo por essa oportunidade.

—Será uma casa grande. —Ela disse. —Cerca de 2.000 Metros quadrados,
eu acho. O arquiteto está terminando os planos agora.

—Nós não vamos desapontá-la. —Eu disse, observando enquanto ela


puxava seu longo cabelo louro em um rabo de cavalo.

—Você tem meu celular. —Ela disse. —Eu vou levá-la lá em breve para
que você possa começar a trabalhar com o empreiteiro.

—Quem é o empreiteiro geral? — Eu perguntei, tirando um caderno para


tomar notas.

—Eu não sei o nome dele. Ele é amigo do meu noivo. Vou enviar uma
mensagem em breve, está bem, querida? Eu tenho um almoço com o meu
agente, desculpe.

Eu me levantei e ela me abraçou. Quando Georges se levantou, ela o


abraçou também, e seu rosto brilhou de felicidade.

—Vamos tentar encaixar um dia de spa antes de eu ir para Nova York,


Palmer. — Adriane disse. —Você parece esgotada.

—Eu estou. —Admiti.

—Estou muito animada sobre isso, pessoal. —Ela disse enquanto se


dirigia para a porta do escritório. Dissemos adeus e, assim que a porta do
escritório se fechou, Georges colocou a mão na boca para suprimir seu grito.

—Puta merda! — Ele sussurrou em um tom animado. —Isso aconteceu?

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—Eu acho que sim. —Deixei a emoção inundar-me. Eu precisava disso. Eu
estava esgotada, e este projeto iria me ajudar a energizar. Georges e eu tínhamos
sonhado com algo assim.

—Oh, são quase duas e meia. —Georges disse, olhando para o relógio de
pulso dele. —Você não precisava levar sua mãe ao médico?

—Sim, obrigada por me lembrar.

—Quer conversar no Skype sobre isso hoje à noite? — Ele perguntou


animado.

—Definitivamente. Assim que eu levar Danny para a cama, eu mandarei


uma mensagem para você.

Eu estava esboçando planos em minha mente enquanto caminhava até


meu carro. Embora eu não soubesse qual seria o plano, era fácil deixar minha
imaginação correr. Eu estava ansiosa para mergulhar neste projeto. Era também
uma distração bem-vinda do pavor que se instalara no meu peito. Eu tentei me
concentrar em qualquer coisa, menos naquela consulta, mas não havia como
adiar mais nada. Eu tinha que ter minha mente no lugar certo enquanto dirigia
para casa da minha mãe.

O rosto do Dr. Fielding dizia tudo: os cantos de sua boca estavam curvados
para baixo e seus olhos estavam preocupados. Ele estendeu a mão para a minha
mãe e deu um tapinha na mão dela.

—Sinto muito, Janelle. O câncer não está respondendo ao tratamento


neste momento.

Mamãe suspirou, seus ombros ossudos caindo de decepção.

—Eu percebi. —Ela disse suavemente. —Eu sabia o tempo todo que era
apenas tratável e não curável. Mas ainda…

Ela parou, enxugando os cantos dos olhos e respirando profundamente.


Eu engoli minhas próprias lágrimas. Agora não. Ela precisava de mim para ser

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forte e para apoiá-la, e eu não iria deixá-la para baixo. Mas lá dentro, meu
coração tinha acabado de quebrar em mil pedaços.

—Quais são nossas opções? —Perguntei ao médico, limpando minha


garganta. Envolvi um braço em volta dos ombros de mamãe, desejando poder
infundir-lhe conforto.

—Precisamos discutir seus desejos para o fim da sua vida. —Disse o


médico, tomando o cuidado de dirigir-se a minha mãe e não a mim. Eu gostava
disso nele, ele nunca a deixava sentir como se estivéssemos falando dela e ela
nem estivesse aqui.

Ela fechou os olhos e apertou a boca com a mão. Eu queria tanto chorar
com ela. Isso era tão malditamente injusto. Uma mulher que havia sacrificado
tanto não merecia lutar uma batalha perdida contra uma doença que estava
comendo o corpo dela lentamente, despojando-a de sua força.

—Danny. —Ela sussurrou, seus olhos em agonia quando encontraram os


meus. —Eu não estou triste por mim, é...

—Mãe. —Eu disse, virando-me para encontrar seu olhar torturado. —Eu
nunca vou deixar Danny sozinho. Nunca. Eu estarei com ele a cada passo do
caminho. Por favor, não se preocupe com ele.

Eu me virei para o médico e ofereci uma explicação. —Meu irmão mais


novo. Ele é incapaz. Mamãe é sua cuidadora.

Ele acenou levemente com a cabeça, a crueldade desse cenário


parecendo estar com ele também.

—Você falou comigo sobre ele, Janelle. Há aconselhamento disponível


para todos os três que podem ajudar a aliviar suas preocupações.

—Eu cuidei dele desde que ele nasceu! — Mamãe explodiu em lágrimas
frescas. —Eu sou a única que sempre cuidou dele. Palmer tem ajudado desde o
ano passado, mas... eu sabia que isso iria acontecer, mas...— Ela deu ao médico

47
um olhar de desculpas. —Eu sinto muito. Você tem outros pacientes. Vamos
voltar aos trilhos.

O médico tirou os óculos, um sorriso triste virando os cantos de seus


lábios. Ele era um homem calvo, com uma preocupação paterna gravada em seu
rosto barbeado.

—Estamos no caminho, Janelle. É para isso que estou aqui. É muito


compreensível que você esteja preocupada com o futuro do seu filho agora. —
Ele se virou para mim. —Existem outras pessoas da família que possamos trazer
para discutir os cuidados de Danny durante a doença e depois?

A duração da doença. A morte de minha mãe era algo clínico para ele,
tinha que ser. Mas suas palavras me fizeram sentir como se eu tivesse sido
chutada no estômago. Minha mãe estava morrendo. Sabíamos disso desde o
diagnóstico há quase um ano que ela era doente terminal, mas o tratamento nos
ajudou a negar isso. Agora estava nos encarando: feios tumores, sombreados
exibidos em uma tela de raio-x atrás do médico.

—Minha tia e meu tio têm nos ajudado uma noite por semana quando
precisamos. Como após a quimioterapia, quando ela está realmente doente.

—Bom.

—Eu não quero que meu irmão seja responsável por Danny. —Mamãe
disse suavemente. —Ele está me dizendo para colocá-lo em uma casa de repouso
há anos.

—Eu vou ser responsável por Danny, mãe. —Eu disse. —Quero cuidar
dele. Mas se eu precisar estar com você no hospital, Kevin e Dana vão cuidar bem
dele.

Mamãe balançou a cabeça, uma expressão amarga distorcendo seu rosto


frágil e magro.

—Nunca quis incomodá-la com isso, Palmer. —Ela disse.

—Não é um fardo. Eu amo Danny. Somos uma família, mãe.

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Ela pegou minha mão e apertou seus dedos ossudos contra os meus.

—Ok. —Ela disse, encontrando o olhar do Dr. Fielding. —Chega de


tratamentos, então. Quanto tempo?

—Não posso dizer com certeza. —O médico disse. —Mas eu acho que
dentro de três meses.

Mamãe acenou com a cabeça lentamente. —OK. Vou ter que começar a
pensar em como contar para Danny.

—Estou aqui para qualquer coisa que você precise. — O Dr. Fielding
colocou os óculos de volta e olhou de mamãe para mim. —Ligue-me a qualquer
hora, ok?

—Obrigada. —Mamãe sorriu fracamente e o médico colocou uma mão


em seu ombro. Ele se virou para a porta e eu falei sem pensar. Eu precisava de
uma missão, uma tarefa. Algo que eu pudesse controlar. A imprecisão desta
situação estava fazendo meu peito se contrair.

—Espere. O que acontece agora? Ela vai ficar com dor? Eu não... quero
dizer, o que devemos fazer? Ela vai para o hospital?

—Não neste momento. —Dr. Fielding disse. —Se ela estiver com dor ou
tendo problemas, é quando você deve me ligar. Eu recomendo serviços de
aconselhamento. Isso ajuda a afastar seus medos, mesmo que não haja uma
solução para todos eles.

—E ela ainda vai ver você?

—Sim. Vou vê-la novamente em duas semanas. —Ele olhou entre nós
novamente, verificando para ver se tínhamos mais perguntas.

Eu tinha tantas. O que vou fazer sem a minha mãe? Como posso ajudar
Danny a entender? Ela vai sofrer?

Mas o Dr. Fielding não podia responder a essas perguntas. Ninguém


poderia. Como eu fiz tantas vezes ao longo do ano passado, eu tive que cavar

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fundo e encontrar a força que minha mãe precisava de mim agora. Danny
também precisaria de mim. Eu pensei um ano atrás que eu estaria chegando no
meu primeiro aniversário de casamento agora. Em vez disso eu estava tentando
descobrir como lidar com a mais profunda tristeza que eu já conheci.

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Capítulo 4

Brady

A loira que estava alguns banquinhos além de mim travou seus olhos nos
meus, enquanto deslizava um cubo de gelo do copo e o corria pelos seus lábios.
Uma gota de água deslizou por seu lábio inferior e sua língua serpenteou para
pegá-lo.

—Ei. —Derek disse, acenando uma mão na frente do meu rosto. Ele se
virou para ver o que eu estava olhando e balançou a cabeça. —Desculpe, eu
estava interrompendo seu momento?

—Não. —Peguei meu copo e terminei minha cerveja. —O que você estava
dizendo?

—Nós estávamos falando sobre aquela merda de cerveja que


costumávamos beber no colegial. O sabor parecia combustível de avião.

—Sim, mas todos nós fingíamos amar. —Eu o lembrei, rindo.

—A vida era tão simples naquela época. Apenas jogando futebol e


perseguindo meninas.

—Ainda não é sua vida? — Eu arqueei minhas sobrancelhas com diversão.

—Há pressão de contratos e patrocinadores agora. —Derek disse. —Não


é mais apenas por amor ao jogo.

—Eu sei. Você tem muitos olhos em você. Não deve ser fácil.

—Essa é uma das razões pelas quais Adri é tão boa para mim. Ela vive
uma vida de alto perfil, também. Ela não se ressente comigo por isso.

51
A loira estava inclinada no balcão do bar agora, seus olhos ainda em mim.
Ela estava fingindo ajustar sua blusa decotada, mas ela realmente só queria que
eu a visse tocando em seus seios. E eram bons, mas...

Como sempre, minha mente vagou para o único lugar que eu não queria.
Palmer. Seus peitos tinham os tamanhos perfeitos, com mamilos rosados e
redondos que eu nunca consegui ter o suficiente. Eu adorava soltar o sutiã e o
deslizar para fora de seus ombros para descobrir seus mamilos. Experimentá-los,
tocá-los, observá-los saltar quando ela estava montando-me... merda, eu sinto
falta de seu corpo.

Essa imagem trouxe um monte de memórias indesejáveis. Palmer


respirando fundo contra meu pescoço quando ela estava prestes a gozar.
Enrolando suas pernas macias em torno de minha cintura. Dizendo que me
amava. Travando aqueles olhos de chocolate escuro nos meus.

—Ou vá pegar o número dela ou peça que ela te chupe no beco. —Derek
murmurou, sacudindo a cabeça. —Isso é besteira.

Ele pensou que eu estava focado na loira, e eu não estava negando. Eu


sorri para ele e gesticulei ao barman para outra rodada.

—Desculpe, você está acostumado a ser o centro das atenções nos dias
de hoje, não é? Quer que eu implore pelo seu autógrafo? Isso vai fazer você se
sentir melhor?

—Foda-se. —Ele disse, balançando a cabeça e rindo. —Sério, se você


estivesse sozinho, você estaria recebendo isso agora? Ela está babando em você
desde que nos sentamos.

Olhei para a loira e dei de ombros. —Talvez. Ela é ok.

—Não realmente o seu tipo. —Derek disse em voz baixa, agradecendo


com a cabeça quando o barman colocou mais duas cervejas na nossa frente.

—Oh sim? Qual é o meu tipo?

52
—Morena. — Ele franziu a sobrancelha, considerando. —Um pouco mais
magra do que ela. Sorriso bonito. Chamada Palmer, talvez?

Eu zombei e peguei a cerveja gelada, tomando um gole longo. —Não


mais. Como eu te disse, eu gosto disso fácil hoje em dia, cara. Eu nunca vou ter
minha bunda arrastada para um relacionamento novamente.

Derek me deu um olhar cético, mas eu decidi não forçá-lo. Não importava
se ele acreditava ou não em mim.

Havia muitas mulheres lá fora que queriam a mesma coisa que eu. E
nenhuma delas se infiltrava em minha mente da maneira que Palmer fez. Eu me
ressentia de ainda pensar nela. Ela se mudou há quase um ano. Eu tinha mudado
também, mas me perguntei se as lembranças jamais pegariam a dica e iriam
embora.

Palmer

Adriane lançou seu sorriso branco perfeito para mim enquanto entregava
uma xícara de café quente.

—Você parece cansada, querida. —Ela disse. —Beba.

—Obrigada. — Eu bebi o café preto, agradecida. Depois de ter um dia de


folga ontem para estar com mamãe e Danny, eu esperava que hoje trabalhando
fosse bom para mim. Eu precisava começar a planejar a casa de Adriane.

Eu estava tão desgastada emocionalmente nos últimos dias que dormi


durante nove horas inteiras na noite passada assim que coloquei Danny na cama.
Coloquei compressas de gelo em meus olhos quando me deitei para ajudar com o

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inchaço de chorar. Quando eu olhei para o meu reflexo no espelho esta manhã,
pensei que eu parecia melhor do que eu tinha estado em algum tempo.

—Eu pareço ruim? —Eu perguntei a Adriane, sentindo-me


autoconsciente.

—De modo algum, você está linda. —Ela disse com uma risada.

—Não, eu quero dizer quando você disse que eu pareço cansada.

Ela suspirou e tomou um gole de seu próprio café. —Não estamos todos
de manhã? Eu fiquei acordada até muito tarde na noite passada assistindo um
filme.

Eu tentei lembrar o último filme que eu vi. O único que me veio a mente
foi um filme de terror que eu tinha visto com Brady no cinema há mais de um
ano. Agora a vida me dava todo o horror que eu poderia lidar e muito mais.

—Então, de volta aqui. —Adriane disse, desacelerando seu carro


esportivo e estreitando seus olhos para procurar. Ela foi para uma estrada de
terra que levava a uma área isolada e arborizada.

—Isso é lindo. —Murmurei. —É bem perto do bairro, mas


completamente privado.

—Nós somos sérios sobre nossa privacidade. —Ela disse. —Os fotógrafos
nos perseguem. Nosso pessoal de segurança está colocando um sistema de
alarme e câmeras. Você terá que assinar um acordo de não divulgação e obter um
passe da segurança para ir à propriedade. Desculpe, mas é necessário.

—Compreendo. Não há problema.

Ela sorriu para mim e estacionou o carro. Examinei a grande área que
havia sido limpa de árvores. O porão já estava escavado, e uma dúzia de
trabalhadores estavam ocupados com trabalhos diferentes.

—Eu amo isso, Adriane. —Eu disse, saindo do carro e fechando a porta.

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—Eu também! —Seu entusiasmo era contagioso. Ela agarrou meu braço e
me levou mais perto do local de trabalho.

—Vai ser de tijolo, com um toque de ferro. E uma enorme piscina e casas
de hóspedes. Oh, Palmer, este é o nosso empreiteiro...

—Brady. —Terminei por ela, meu pulso batendo desenfreado. Ao som de


seu nome, ele se virou e eu quase perdi meu equilíbrio, embora eu estivesse de
pé sobre um terreno plano.

A expressão dele permaneceu impassível, mas uma tempestade assolou


seus brilhantes olhos verdes. Sua mandíbula enrijeceu enquanto ele me estudava,
e eu me lembrei de respirar.

Aqueles ombros largos e bíceps esculpidos eram tão familiares. Eu tinha


agarrado aqueles ombros quando ele fez amor comigo pela primeira vez, com
certeza eu me afoguei com o fluxo de emoção. Esses lábios haviam rastreado
cada centímetro de meu corpo, e eu passei minhas mãos por aquele cabelo preto
macio e curto mais vezes do que eu podia contar.

Eu conhecia esse homem melhor do que ninguém, mas o tempo tinha


criado uma grande divisão entre nós. Uma divisão que eu tinha provocado. A
distância entre nós tinha se expandido tanto no ano passado que eu não o
conhecia mais. O que ele estava pensando enquanto me olhava? Ele sentiu minha
falta tanto quanto eu sentia a dele? Eu não podia dizer. Não mais.

—Que porra é essa? —Ele perguntou, voltando o olhar para Adriane. Sua
testa franziu em confusão quando ela olhou para ele e para mim de novo.

—Eu estou querendo saber a mesma coisa. —Eu disse. —Por que você
não está no Colorado?

—Palmer? —Adriane perguntou. —O que está acontecendo?

—Eu... nós nos conhecemos. —Expliquei.

—Nós costumávamos nos conhecer. —Brady corrigiu.

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—Nós estávamos envolvidos. — Meu tom era suave quando olhei para o
chão, incapaz de suportar a tensão irradiando de Brady.

Quando eu olhei para cima, ele estava entregando os papéis em sua mão
para o homem ao lado dele. Ele caminhou até nós, olhando para mim a cada
passo do caminho. Ao aproximar-se, Adriane recuou um passo. Ela provavelmente
estava intimidada pelo homem alto e largo que estava claramente chateado com
uma ou ambas.

—Comprometidos. —Ele disse, seu tom frio. —Estávamos noivos, Palmer.


Ou você esqueceu?

Eu obriguei meu queixo a permanecer nivelado. Eu era uma profissional,


e este era um trabalho. —É claro que não me esqueci.

—O que você está fazendo aqui? —Ele exigiu.

Eu levantei a bolsa de couro escura onde eu carregava os planos de


design. —Trabalhando.

—Trabalhando? —Ele olhou para Adriane.

—Merda. —Ela murmurou.

—Sim. —Brady cruzou seus braços e olhou dela para mim.

—Meu noivo não lhe disse que usaríamos a designer que fez a reforma no
meu escritório? —Adriane cruzou os braços. Ela estava se recuperando agora.

—Sim, mas ele não mencionou que era Palmer. Provavelmente porque
ele sabia que eu não teria aceitado o trabalho. —Brady estava chateado, e uma
sensação de desapontamento começou a crescer em mim. Eu ia perder esse
emprego, que eu precisava tanto.

—Ele sabia que vocês dois estiveram envolvidos? —Adriane arqueou as


sobrancelhas para ele em desafio.

—Inferno, lógico que sim, ele sabia. Ele seria o padrinho do casamento.

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—Derek? —Eu disse, meu estômago afundando ainda mais. —Você está
noiva de Derek?

Adriane levantou as mãos num gesto de calma. —Ouça, certamente todos


nós podemos...

—Deus, droga! — Brady balançou a cabeça com desgosto. —Porra do


Derek. Eu já organizei todas as minhas merdas, para que eu pudesse ser o mestre
de obras aqui.

—Olha, eu devo ser a única a sair. —Eu disse, olhando para Adriane. —
Posso recomendar outro designer, ou Georges pode fazer o trabalho de campo.

Adriane sacudiu a cabeça. —Eu quero você, Palmer. Eu tenho que estar
em Nova York filmando nos próximos meses, e eu preciso saber que você está
envolvida nesta casa e a cada detalhe.

—O trabalho de Brady é muito mais importante do que o meu. —Eu


disse. —Ele vai se certificar de que sua casa fique perfeita. Talvez eu possa entrar
no final e ajudá-la a mobiliar.

Adriane olhou furiosa para Brady. —Derek não está lhe dando um cheque
em branco para este projeto?

O rosto de Brady fechou em uma careta. —O que diabos isso quer dizer?

—Esta casa é seu presente de casamento para mim. Vai ser a casa dos
nossos sonhos. Ele quer que você a construa porque ele diz que você é o melhor,
e eu respeito isso. Mas quero que Palmer faça o trabalho de design. Você está
dizendo que se recusa a trabalhar com ela? É isso que vários milhões de dólares
nos compra? Uma atitude infantil do nosso empreiteiro?

O silêncio perdurou, e eu meio que esperava que um dos caras no fundo


fizesse uma piada tipo “Ih, queimou”. Eu estava cavando minhas unhas nas
minhas palmas, meu coração batendo. Aparentemente Adriane não sabia quão
poucas pessoas tinham colocado Brady Grant em seu lugar.

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Ele suspirou profundamente. —Bem. Vou trabalhar com ela. Mas diga a
Derek que a bunda dele é minha quando eu o ver novamente.

Meus músculos relaxaram com alívio. Eu não estava perdendo o maior


trabalho que eu já tinha conseguido.

—Brady, vou me tornar tão invisível quanto possível. —Eu disse,


esperando aliviar a tensão. —Vou fazer isso tão indolor quanto eu puder.

Ele zombou e esfregou sua mandíbula escura, não barbeada. —Sem dor?
Você? Não vou prender minha respiração.

A provocação agitou minhas defesas. —Eu sou uma profissional. Contanto


que você seja também, nós não teremos nenhum problema.

—O que você precisa de mim neste momento? —Ele perguntou em um


tom agravado.

—Vou precisar discutir os planos com você.

—Pode esperar uma hora? Eu preciso que meus caras comecem algo.

Agora seu tom era resignado, que era quase pior do que a raiva. Seu olhar
esmeralda fez meu coração bater rápido, e eu respirei fundo para me estabilizar.

—Não precisa ser agora. —Eu disse. —Podemos fazer isso amanhã.

Ele assentiu. —Estarei aqui as sete, mas depois das nove seria melhor.

—OK. Vejo você então.

Ele se virou e saiu em silêncio, e Adriane me lançou um olhar de simpatia.

—Ele é bastante intenso. —Ela murmurou.

—Sim.

—Realmente gostoso, também.

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Eu me virei para ela, meu coração vibrando em sua avaliação dele.

—Não diga a Derek que eu disse isso. —Ela disse, apontando um dedo
para mim. —Qual a altura dele?

—Brady? Cerca de 1,90m.

—Ele é todo musculoso, também. Ele realmente faz o trabalho de


construção, ou ele apenas supervisiona?

Tentei não olhar para ele. —Ele faz as duas coisas. Ele é um
perfeccionista. E Brady é muito prático.

—Aposto que você sente falta de ter essas mãos em você. —Adriane
estava estudando a bunda de Brady como um gato selvagem olhando sua
próxima refeição.

—Eii. —Bati meus dedos para trazer sua atenção de volta para mim. —
Lembre-se de seu noivo gostoso e rico que está construindo esta mega casa para
você?

—Oh, eu estou loucamente apaixonada por Derek. —Ela disse, sorrindo.


—E para o registro, eu já era rica antes de nós noivarmos. Eu nunca iria mexer
com ele. Mas uma garota ainda pode olhar, sabe? E apreciar um homem gostoso
quando vê um.

—Bem, eu preciso voltar para o escritório se isso estiver bem.

—Claro. —Adriane se virou, voltando para seu carro esporte. —E eu vou


encontrar Derek para o almoço. Vou ter que me lembrar de avisá-lo de que a
bunda dele é de Brady Grant.

Eu sorri e segui-a.

—Posso perguntar por que a sua bunda não é mais dele? —Ela perguntou
sobre o ombro. —Ele obviamente queria se casar com você. Por que você
terminou com ele?

59
Eu caminhei com a alça da minha bolsa pesada no meu ombro. —É
complicado. —Eu disse.

—Humm. —Ela disse desdenhosamente. —Bem, ele é um pouco cabeça


quente, mas ainda, parece que você saiu perdendo.

—Sim. —Concordei, olhando por cima do ombro para Brady. —Definitiva-


-mente sim.

Quando entrei no meu escritório, um copo verde escuro da minha loja de


café preferida estava me esperando na beira da minha mesa. Eu nem sequer
tenho que perguntar quem era. Georges me conhecia bem. Melhor do que
qualquer outro nestes dias.

— Frappuccino de torta de maça. —Eu disse, suspirando feliz. —Georges,


você não sabe o quanto eu preciso disso agora.

—Você parecia estressada. —Ele disse, sem tirar os olhos do desenho que
ele estava focado em criar em sua mesa.

—Nós não conversamos desde ontem.

Eu afundei em minha cadeira de couro, colocando minha bolsa e


agarrando o copo de alívio líquido da minha mesa.

—Em sua mensagem. —Ele disse distraidamente.

Enruguei minha sobrancelha e me virei para ele. —Tudo o que eu disse foi
“estou indo”. Como você percebeu que eu estava estressada com essa
mensagem?

Ele se inclinou para o desenho, apertando os olhos para um detalhe. —


Sobre o que você está estressada?

—Sério, me diga como você sabia.

Ele suspirou, levantando os olhos da escrivaninha para me olhar sobre as


bordas escuras e grossas de seus óculos.

60
—Você estava indo para o local do maior trabalho que já foi lhe oferecido.
Você ficou tonta por dias. Normalmente você me ligaria antes de sair para me
contar.

—Humm. —Eu tomei um gole do Frappuccino e fechei meus olhos,


saboreando o sabor de canela e maçã.

—Palmer. —O tom de George transmitia seu aborrecimento. —O que


aconteceu? É sobre o trabalho?

Eu suspirei e encontrei seu olhar sério. —Meio que sim. Não exatamente.
O empreiteiro da casa é Brady.

—Oh, merda. —Georges disse suavemente, cobrindo a boca com a mão


para esconder o sorriso.

—Sim, ria. —Eu murmurei.

—Bem, talvez você realmente não precise vê-lo.

—Eu o vi esta manhã.

Georges arqueou as sobrancelhas com interesse. —Como ele está?

Eu olhei para ele e coloquei o copo em minha mesa. —Basicamente o


mesmo.

—Alto, moreno e sexy? —O tom sonhador de Georges me fez revirar os


olhos.

—Vai ficar tudo bem. —Descarreguei os papéis da minha bolsa na minha


mesa e abri meu laptop. —Ele vai estar ocupado, eu vou estar ocupada e nosso
trabalho não vai se sobrepor tanto.

—Essa foi a primeira vez que você o vê desde... você sabe. Foi estranho?

—Sim, muito.

61
Eu abri meu programa de faturamento, ansiosa por uma distração. Eu não
tinha sido capaz de pensar em nada além de Brady desde o momento em que o
tinha visto esta manhã. Ele parecia bom. Ainda melhor do que eu me lembrava, se
isso fosse possível. Seu cabelo estava um pouco mais curto, mas eu gostava.

Seu tom afiado e a raiva em seus olhos me deixaram confusa. Era como se
nada tivesse acontecido desde a nossa separação. A dor de perdê-lo entorpeceu
algo em mim durante o último ano. Não me lembrei mais de seu cheiro de cedro
nos lençóis da cama ou da sensação calorosa de seus lábios na minha pele.

Mas a dor ainda estava fresca. Não só para ele, mas também para mim.
Eu nunca imaginei minha vida sem ele depois que nós ficamos noivos. Mas no
espaço de apenas algumas horas, tudo mudou. O diagnóstico de mamãe tinha
selado um futuro inesperado não apenas para ela, mas também para mim. Meu
futuro estava agora unido inextricavelmente com o do meu irmão.

—Você enviou a fatura de Sullivan? —Perguntei a Georges, digitalizando


meu arquivo eletrônico.

—Enviei na sexta-feira.

Eu cliquei fora do programa, começando um novo arquivo da casa de


Derek e Adriane. Este era realmente o trabalho dos sonhos para mim e Georges.
Nós nunca tínhamos feito uma nova construção em uma escala tão grande. O
orçamento era praticamente ilimitado. Eu estava ansiosa para mergulhar, mas
com um olhar para o meu relógio, eu percebi que eu teria que esperar até a noite
para começar os planos da casa.

—Eu tenho que sair. —Eu disse a Georges. —Você precisa de alguma
coisa de mim?

—Não.

—Eu estou me reunindo com Brady amanhã para ver os planos para o
novo trabalho. Você quer me encontrar lá ou devo buscá-lo aqui?

Georges voltou a olhar para mim pelo aro dos óculos.

62
—Você quer que eu faça isso?

Eu suspirei, considerando. —Não. Eu acho que é melhor que tiremos a


estranheza do caminho.

—Vou deixar para você, então. —Georges disse. —Se eu for, eu vou ficar
olhando para seus bíceps o tempo todo de qualquer maneira.

Eu dei um aceno indiferente com a cabeça quando puxei a porta do meu


escritório. O que eu disse a Georges era parcialmente verdadeiro. Eu queria
superar essa estranheza com Brady. Mas a principal razão pela qual eu ia amanhã
era para vê-lo novamente. Fazia tanto tempo, quase um ano. E mesmo que ele
ainda estivesse bravo comigo, vê-lo irritado era melhor do que não vê-lo.

63
Capítulo 5

Palmer

A risada profunda do meu irmão soou ao virar da esquina, e eu suprimi um


sorriso. Danny gostava de me assustar, e eu sempre brincava junto.

Ele deu um rugido de monstro e se virou na esquina em minha direção.


Eu pulei e gritei, deixando cair minha bolsa no chão, fingindo alarme. Ele estourou
em um ataque de riso e eu me juntei a ele. Era impossível estar de mau humor
em torno de Danny.

—Você me pegou. —Eu disse, curvando-me para encontrar seu olhar de


olhos castanhos. —Como você está?

—Bem. — Ele sorriu para mim. —Vamos passear.

—Vamos dar um passeio depois do jantar, ok? Onde está a mãe?

—Aqui. —Ela respondeu de uma poltrona há apenas uma pequena


distância de mim e Danny. Ela estava metida num xale pesado, tão pequena e
silenciosa que eu nem tinha notado.

—Como você está? —Eu perguntei, caminhando para ela.

—Muito bem. Eu adormeci um pouco. Como foi o trabalho?

Eu gemi e afundei no sofá. —Interessante. O empreiteiro geral da casa


para a qual estamos trabalhando é Brady.

—Brady! —Danny gritou, olhando para a porta da frente com as


sobrancelhas arqueadas com ansiedade.

—Não, querido, ele não está vindo. —Eu disse gentilmente.

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—Uau. —Mamãe se endireitou na poltrona. —Brady. Já faz quase um
ano. Como ele está? Vocês conversaram?

—Só um pouco.

—Ele...— Mamãe fez uma pausa. —Foi bom vê-lo?

Dei de ombros. —Eu não sei. Ele ainda está bravo comigo, e isso vai
tornar as coisas estranhas.

—Ele está louco porque você partiu o coração dele. —Ela disse. —Eu
ainda não entendo por que você terminou com ele. Você não deveria ter parado
de viver sua vida só porque estou doente.

Esfreguei minha testa, frustrada. Nós tivemos essa conversa tantas vezes
nos meses depois que eu terminei com Brady, e eventualmente tinha passado.
Agora eu desejei não ter dito a mamãe sobre vê-lo novamente.

—Vá ver Brady! — Danny falou. —Jogar baseball!

A barba escura que combinava com seus cabelos fazia meu irmão parecer
um homem normal de vinte e três anos. Mas em sua mente, ele era um
garotinho. E ainda se lembrava de jogar softball com Brady. Lembrei-me disso
também. Durante cada jogo, Brady rolava Danny para a primeira linha de base e
parava sua cadeira perto da placa. Quando Brady batia na bola, ele empurrava
Danny pelas bases. A primeira vez, eu chorei. O olhar de Danny de felicidade pura
quando o vento chicoteava seus cabelos enquanto circulava as bases tinha
alcançado diretamente o meu coração.

—Eu vou fazer o jantar. —Eu disse, levantando do sofá. —E então


podemos dar um passeio, Danny.

Ele deu o grunhido que significava de acordo e alcançou as rodas de sua


cadeira. Podia se arrastar, mas era lento. Eu o amava por sempre tentar de
qualquer maneira. Danny era forte e independente em seu próprio jeito.

Quando entrei na pequena cozinha, o instinto me fez olhar para a agenda


que eu tinha colocado ao lado da geladeira. Nos meses anteriores, era um arco-

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íris de compromissos codificados por cores: verde para o oncologista, laranja para
quimioterapia, roxo para radiação e amarelo para as vezes que eu precisaria de
ajuda da minha tia e meu tio.

Mas agora as caixas brancas rígidas me lembravam que não havia mais
nada a fazer na luta contra o câncer de pulmão da mamãe. Isso estava levando
ela, enquanto eu assistia desamparadamente do lado de fora.

Eu forcei um sorriso para meu irmão. Eu tinha colocado a carroça na


frente dos bois. Tristeza e desamparo só eram permitidos depois das 21h, quando
Danny e mamãe estivessem acomodados na cama. Eu normalmente trabalhava
por algumas horas depois disso, antes de deitar em minha cama de solteiro. Era
quando eu permitia que a escuridão me engolisse. Felizmente eu estava
normalmente muito cansada para que durasse muito tempo.

Esperançosamente essa seria uma noite tranquila. Mamãe não estava


mais doente de seus tratamentos, então, enquanto Danny não tivesse um
colapso, seria pacífico. Eu estava no piloto automático já, distraída com os
pensamentos de ver Brady amanhã. A visão dele naquela manhã tinha despertado
sentimentos em mim que haviam sido enterrados há muito tempo, quase um
ano. Eu não pude deixar de me perguntar se eu mexi qualquer sentimento nele
além da raiva.

Brady

Eu balancei a cabeça para mim mesmo enquanto observava o progresso


na casa de Derek e Adriane. Os caras haviam trabalhado até tarde da noite
passada, terminando o nivelamento do lote. Eu estava em outro local de trabalho,
mas parecia que Hunter cuidara bem dos negócios sem mim.

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Hoje nós começaríamos a fazer o porão maciço. Vai ser outro dia muito
longo. Eu precisava fazer anotações para uma reunião que eu teria esta tarde com
o arquiteto, mas eu não conseguia me concentrar.

Eu não tinha sido capaz de pensar em nada além de Palmer desde ontem
de manhã. Normalmente ela vagueava em minha mente inesperadamente, mas
depois de estar cara a cara com ela, ela estava constantemente em meus
pensamentos.

Mais uma vez, afastei esses pensamentos. Eu tinha desperdiçado tanto


tempo com ela. Eu não podia me deixar atrair novamente. Ela não me queria
mais, e eu segui em frente.

Os caras começaram a aparecer pouco antes das oito, todos indo para o
trabalho sem precisar de muita direção. Eu finalmente construí uma boa equipe, e
eles me conheciam bem. Eu não tolerava ninguém bebendo café por meia hora
no início do dia de trabalho. Se alguém não trabalhasse duro como os demais, eu
iria cortá-lo para que todos os outros não ficassem folgados.

—Bom dia. —Hunter disse, me cumprimentando. Eu acenei com a cabeça


e o informei sobre meus planos para o dia. Hunter era o único empregado em
quem eu confiava para liderar qualquer trabalho na minha ausência. Ele era
reservado, mas ele conhecia tudo.

Este projeto estava prestes a consumir toda a minha luz do dia, e eu o


acolhi. Enquadrar as paredes de uma casa sempre me pegava, então eu sabia que
começar a ver uma casa deste tamanho subir seria uma boa sensação. Eu estava
dirigindo os caras e monitorando seu progresso, mas mantendo um olho na
estrada de terra que levava ao local de trabalho.

Eu reconheci o velho Mazda de Palmer, logo que ela parou. Ela ainda não
tinha comprado um carro melhor. Isso significava que seu negócio estava em
apuros? Espero que não. Ela era boa no que fazia.

Ela saiu do carro e me permiti olhar para ela. Linda como sempre. Ela
usava uma saia escura e uma blusa sem mangas vermelha com saltos pretos, um
dos quais balançou enquanto ela andava pela estrada de terra. Eu olhei para

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longe, lutando contra o impulso de aproximar e pegar sua mão para estabilizá-la.
Ela não queria mais que eu segurasse a mão dela.

—Ei. —Ela disse, apenas encontrando meu olhar por um segundo.


Provavelmente porque eu tinha sido um idiota com ela ontem.

—Ei. —Eu disse, estendendo um par dos projetos da casa para ela. —Isso
é seu. Estamos direcionando esta manhã. Deve ser enquadrada em cerca de uma
semana. Avise-me se tiver alguma dúvida.

Ela assentiu e colocou os projetos debaixo do braço. —Como você tem


estado? É bom te ver.

—Eu estou bem.

Agora era quando eu deveria perguntar como ela estava, mas foda-se. Eu
não queria ouvir sobre sua nova vida sem mim. Ela olhou para a maquinaria
rugindo para a vida do outro lado do terreno.

Minha mente correu com todas as coisas que eu queria dizer a ela. Eu
sinto sua falta. Eu ainda penso em você constantemente. Foda-se.

—Você está mais magra. — Eu disse.

—Sim.

—Você não precisava perder peso. Você sempre pareceu bem.

Nos cantos de sua boca apareceu um leve sorriso, mas ela não olhou para
mim.

—Não era algo que eu planejava. Acabou acontecendo. Coisas se


acumulam e eu fico tão ocupada que comer é a última coisa da lista.

—Como está o negócio?

Ela deu de ombros novamente. —Está bem. Precisávamos deste trabalho,


então eu aprecio que você me deixou ficar.

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Eu assenti e cruzei meus braços em meu peito. Eu fiz algo que a fez feliz.
Me fez sentir como um herói e um idiota ao mesmo tempo. Essa mulher tinha me
destroçado, e eu teria que vê-la regularmente.

—Você é bem-vinda aqui a qualquer hora. —Eu disse. —Use botas ou


tênis e um capacete. Todas as ordens de mudança passam por mim. E se você
precisar discutir alguma coisa... —Eu peguei da minha carteira um cartão de
visita, segurando-o.

Ela olhou para o cartão e olhou para mim. Droga, eu tinha sentido falta
daqueles olhos. Eles eram avelã, um redemoinho imprevisível de ouro, verde e
castanhos que assumia diferentes tonalidades dependendo do seu humor.
Quando ela estava feliz, eles eram ouro. Mais castanhos quando estava chateada.
E quando ela estava excitada, eles escureciam para um chocolate profundo que
eu ainda via nos sonhos, por mais desagradáveis que fossem.

—Eu ainda tenho o seu... bem, seu número de celular ainda é o mesmo?
— Suas bochechas avermelharam enquanto ela me estudava. —Ou não é bom eu
usá-lo?

Puxei o cartão de volta. —Meu número é o mesmo. E você pode usá-lo se


você precisar de alguma coisa e não me encontrar aqui. Ou procure Hunter, ele é
o chefe quando eu não estou aqui.

—OK.

Depois de alguns segundos de silêncio, decidi que tinha feito o suficiente


para suavizar as coisas depois de ontem. —Eu preciso ir. Deixe-me saber se você
tem perguntas sobre esses projetos.

Ou se você quiser me dizer por que você parou de me amar, porra, eu


queria acrescentar. Era tudo que eu podia fazer para não perguntar se havia outro
cara, e se ela ainda estava com ele. Nenhum de nossos amigos mútuos tinha
ouvido falar de ninguém, mas a curiosidade me matava.

Talvez tudo tenha sido minha culpa, por pensar que éramos felizes. Eu
tinha sido, e me senti como um idiota por não perceber que ela não era.

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—Obrigada Brady. —Palmer disse suavemente. Hoje não havia ouro em
seus olhos. Apenas o castanho suave que significava que algo estava faltando. Isso
era muito estranho, mas não porque ela estava louca de felicidade com sua nova
vida e tinha que ver o ex novamente. Na verdade, era o oposto. Ela parecia uma
mulher que estava prestes a se afogar em sua própria tristeza. As olheiras sob
seus olhos sobressaíam sob sua maquiagem. E ainda, eu não era um salva-vidas
digno. Aparentemente, se afundar soava melhor para ela do que me alcançar.

Eu me afastei, forçando-me a não dizer nada. Estávamos lá. Palmer era


meu passado, e eu não queria começar essa merda novamente.
Esperançosamente ela tinha alguém novo em sua vida que se importou que ela
estivesse ferida. E se não, bem, foi sua própria culpa.

Palmer

Entrei na porta dos fundos da casa da mamãe, suas correspondências em


minha mão, mas as cartas caíram quando a vi no chão. Meu coração batia
loucamente enquanto pulava em direção a seu corpo minúsculo, curvado na
frente da pia.

—Mãe? —Coloquei minhas mãos em seus ombros e vi que ela estava


juntando fragmentos de um prato quebrado. Minha preocupação doentia
começou a se dissipar quando vi que ela estava bem.

—Eu deixei cair. —Ela disse suavemente. A água do pano de prato que ela
segurava, na mão que não estava tentando pegar a bagunça, escorria para o chão
da cozinha.

Ela sempre foi tão forte e capaz, criando Danny e eu sozinha. Eu não sabia
como navegar nessas mudanças, como aliviar graciosamente sua transição para a
impotência.

—Ei. Vamos. —Eu pedi. —Vou pegar isso. Vamos levantá-la do chão.

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Peguei o pano de suas mãos e atirei na pia. Ela agarrou meus dois braços
e tentou se levantar, mas seu corpo apenas vacilou um pouco. Eu envolvi meus
braços em torno dela e aliviei-a, apoiando-a com um braço ao redor de sua
cintura. Com ela definindo o nosso ritmo lento, fomos para a sala de estar, onde
eu a levei para o sofá.

Danny observava da sua cadeira de rodas, uma careta de preocupação em


seu rosto.

—Como está o meu irmão favorito? —Eu perguntei, bagunçando seu


cabelo. Seu olhar permaneceu fixo em mamãe. —Escute, vou fazer o jantar. Que
tal cachorro quente?

—Sim! —Danny disse, com um sorriso largo em seu rosto. Cachorro-


quente era seu prato favorito.

Eu precisava falar com mamãe sobre não fazer mais tarefas domésticas,
mas não na frente de Danny. Eu não queria perturbá-lo ainda mais. Ela queria
continuar fazendo as coisas que sempre fez, mas ela simplesmente não tinha mais
força. O câncer era como uma erva daninha resistente, tomando sua vida de uma
maneira lenta, clandestina. Cortávamos a erva daninha com o tratamento, mas
agora estava de volta com força total, lembrando-nos como era cruel e
inescapável para a minha mãe.

Seus olhos já estavam fechados quando eu coloquei um cobertor ao redor


dela e empurrei Danny para a cozinha. Eu virei a pequena TV no balcão para o
canal de esportes que ele gostava.

—Você teve um bom dia? — Eu perguntei a ele.

—Sim. — Ele disse alegremente.

Derramei um copo de leite e o ajudei a beber metade enquanto esperava


que a água fervesse para os cachorros-quentes. Meu coração afundou quando
percebi que mamãe estava exausta, mas não queria deixar Danny até que eu
estivesse em casa para cuidar dele. Era hora de contratar alguma ajuda. Eu

71
realmente não podia pagar, mas essa era a história da minha vida. Eu daria um
jeito.

Depois que Danny e eu comemos cachorros quentes e batatas fritas, eu


limpei a cozinha e o ajudei na banheira para um banho. Eu assumi seu banho no
lugar de mamãe não muito tempo atrás. Danny era pesado, e mesmo que ele
fosse capaz de se mover sozinho e ajudar, não havia mais condições de mamãe
fazer isso.

Eu rolei a tela do celular passando meus e-mails, enquanto estava


sentada ao lado dele na banheira. Eu tinha começado a deixar o trabalho às 4:30
quando mamãe foi diagnosticada para que eu pudesse estar aqui para ajudar com
o jantar. Eu tinha que sair ainda mais cedo, às vezes, quando ela estava
recebendo quimioterapia, já que a deixava tão doente. Georges cobria a minha
folga e nunca disse uma palavra sobre isso. Eu Sempre trabalhava algumas horas
a mais depois de colocar Danny na cama.

Uma risada de Danny me fez olhar por cima do e-mail que eu estava
digitando no meu telefone. Ele tinha feito em si mesmo uma barba de espuma,
uma de suas atividades favoritas na hora do banho.

—Você, também. —Ele disse, sorrindo. Eu desliguei meu telefone e


trabalhamos juntos em uma barba de espuma em mim. Deve ter sido bom,
porque ele não conseguia parar de rir.

Mamãe sempre tinha dedicado um tempo para diversão e jogos com


Danny, mas agora que tinha pouca energia, ele passava muito tempo assistindo
TV durante o dia. Eu tirei um pouco de gel de cabelo e cravei seu cabelo escuro
em um moicano, tirando uma foto no meu telefone para mostrar-lhe.

Seu riso era contagioso, e logo nós estávamos duelando com armas de
água. Embora eu tivesse forçado o meu humor leve para seu benefício, eu agora
estava me sentindo um pouco melhor.

Quando seus dedos estavam enrugados, ele os segurou para me mostrar.


Que era o nosso sinal de que era hora de lavar e finalizar o banho. Eu lavei seu
cabelo e, em seguida, nós trabalhamos juntos para tirá-lo da banheira.

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Eu o enxuguei, vesti-o em seu pijama de xadrez favorito e o ajudei a voltar
para sua cadeira de rodas. Em seguida, sentamos na varanda da frente juntos,
bebendo limonada e observando as pessoas. Quando começou a escurecer,
fomos para dentro, onde eu li várias histórias e o ajudei a dormir. Eu liguei o CD
de sons de natureza que ele amava e deixei a porta meio aberta, indo para a sala
de estar para verificar mamãe. Ela ainda estava dormindo no sofá, então eu desci
as escadas na ponta dos pés.

Mamãe tinha uma casinha de dois quartos, mas eu tinha uma cama e
mesa montada em seu porão. Tinha um teto baixo e tapete dos anos 70, mas eu
estava grata por um espaço próprio desde que passava seis noites por semana
aqui.

Eu liguei o monitor de bebê que eu costumava manter como um ouvido


nas coisas lá em cima e me acomodei na cadeira na frente da minha mesa. Com
uma respiração profunda, eu liguei meu tablet e liguei para Georges para uma
sessão do Skype.

—Ei, linda. —Ele disse, saudando-me da poltrona que ele tinha


recuperado de um meio-fio e estofou em um belo couro roxo. Agora era exibido
orgulhosamente na sala de estar de seu apartamento pequeno, mas chique.

—Georges. —Eu disse com um suspiro. —Como você está?

—Eu só fiz Pilates tomei banho, e eu estou pronto para uma chuva de
ideias.

—OK. Deveríamos começar com a casa de Adriane?

—Parece bom para mim.

Trocamos pensamentos e imagens de inspirações de móveis e tecidos até


um pouco depois das onze, quando eu não conseguia me impedir de bocejar.

—Quer encerrar por hoje? —Georges perguntou.

—Sim. Fizemos muita coisa.

73
—Ei, como foi hoje com o grandão sexy?

Ele não usava seu apelido para Brady desde antes de termos terminado.
Mas, novamente, ele estava fora dos limites há muito tempo.

—Muito estranho. Ele disse que eu pareço mais magra.

—Você está. Mesmo seus peitos estão menores do que costumavam ser.
Não perca mais peso.

—Não foi de propósito, Georges.

—Eu sei. Você tem muita coisa nas costas, o que significa que você... não
tem ninguém por trás. —Ele bufou com sua piada sem graça. —Ele disse mais
alguma coisa?

—Não.

—Você ainda sente falta dele?

—Não. —Eu disse. —Estou no modo sobrevivência. Uma vida amorosa


não é uma opção.

—Você deveria falar com ele. Ele merece saber por que você terminou
com ele.

Meu aborrecimento, agravado pela fadiga, foi imediato. —Não comece


isso de novo. Você sabe que eu disse a ele.

—Na verdade não. Você foi honesta sobre querer que ele colocasse seu
negócio em primeiro lugar, mas você disse que nunca foi direta sobre seu irmão.

—Georges. —Eu suspirei profundamente. —Se eu tivesse dito a ele que


eu tinha que levar meu irmão comigo, ele concordaria e se ofereceria para ajudar.

A batida do silêncio do outro lado da linha me lembrou de todas as vezes


em que Georges e eu tínhamos falado sobre Brady.

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—Não é justo colocar isso sobre ele. —Eu continuei. —Ele não teria sido
capaz de iniciar um negócio aqui. Ele estaria trabalhando para outra pessoa e
ajudando a cuidar do meu irmão. Eu nunca saberia se ele teria escolhido aquela
vida ou se ele se sentia obrigado por minha causa.

—Ele queria ser obrigado por você, Palmer. É por isso que ele colocou um
diamante enorme em seu dedo. Você sabe que ele e eu tivemos nossa parte de
desentendimentos, mas ele a amava com todo o ser.

—Eu sei, tudo bem? —Minha voz vacilou. —Eu o amava da mesma
maneira. É por isso que eu não queria fazer isso com ele. Tem dias que nem
sequer me sinto humana, Georges. Eu acordo, trabalho, cuido da minha família,
choro e durmo. Esta é minha vida. Minha mãe está morrendo. Danny não
entende. Isso é tão difícil, porra. Não tenho nada para um marido,
verdadeiramente. Não era para ser.

Eu estava chorando agora, e desde que eu tinha quebrado, eu não


conseguia parar.

—Minha mãe estava no chão quando cheguei em casa hoje porque ela
quebrou um prato tentando lavá-lo. Mal podia levantar-se. E Danny é tão
inocente e doce que me faz ter raiva pensar sobre o que a morte da minha mãe
vai fazer com ele. Não há o suficiente de mim. Preciso contratar ajuda, mas não
posso pagar.

—Respire profundamente. —Georges disse num tom calmante. —Vai


ficar tudo bem. Tire uma licença do trabalho se precisar.

—Eu não posso pagar. —Murmurei, enxugando minhas lágrimas.

—Somos parceiros, e isso significa parceiros. Eu posso continuar com a


carga de trabalho e vamos dividir o dinheiro como sempre.

—Eu te amo. —Eu disse com um suspiro. —Você é um bom amigo.


Conseguirei encontrar o dinheiro. Este trabalho na casa de Adriane não poderia
vir em um momento melhor.

75
—Verdade. Durma agora, querida. Amanhã é um novo dia.

Eu murmurei concordando e dissemos boa noite. Eu tirei minha roupa de


trabalho, coloquei um short e uma camiseta e rastejei para a cama. Eu poderia
lavar a maquiagem de hoje no chuveiro amanhã de manhã. Tudo o que eu podia
pensar agora era na minha única fuga da realidade - o sono.

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Capítulo 6

Palmer

Eu virei o meu bloco de desenho e verifiquei as dimensões do porão da


casa de Derek e Adriane. Era monstruosamente enorme, e meu desafio era dividi-
lo em espaços íntimos que fossem funcionais e que eles não se sentissem como se
estivessem em um porão.

A imagem de uma adega de vinhos tinha aparecido em minha mente esta


manhã antes de eu estar totalmente acordada e fora da cama. Eu tomei banho,
me vesti e fui direto para a construção para desenhar. Eu sempre me senti mais
infundida com ideias quando eu estava no local do trabalho.

Eu tinha algumas horas para trabalhar aqui depois que eu contratei um


serviço de cuidados médicos para casa. Eu esperava que um de seus funcionários
fosse uma boa para ajudar mamãe e Danny enquanto eu estava no trabalho
durante o dia. Tirava um peso dos meus ombros saber que alguém estava lá.

Brady gritou um comando para o operador de uma máquina enorme,


apontando para o outro lado do terreno. Olhei por cima do meu bloco de
desenho, mas meu rápido olhar para ele se transformou em um olhar fixo.

Sua camiseta estava pendurada em seu bolso traseiro. Ele a tirou há uma
hora atrás. Ia ser outro dia quente de julho com uns 35 graus na área de Chicago.
Eu puxei meu cabelo para cima assim que ele secou, e agora estava escondido
atrás de meus óculos de sol gigantes.

Esperançosamente os óculos estavam me permitindo olhar Brady sem ele


perceber. Droga, ele estava mais gostoso do que nunca. A definição em seus
bíceps, abdômen e costas era destacado pelo suor cintilando em seu corpo
dourado, bronzeado. Ele usava jeans e um boné de beisebol com o logotipo Grant
Brothers Builders nele.

77
Meu olhar percorreu seu corpo até suas botas de trabalho enlameadas.
Eu sempre fiquei aborrecida com a sujeira seca que muitas vezes vinha com ele,
mas agora... eu balancei a cabeça e olhei para baixo. Agora eu daria qualquer
coisa para ouvir aquelas botas virem pela porta da frente da casinha em que eu
mal vivi desde a nossa separação.

Desejei, com cada gota de meu ser, que ele olhasse para mim. Só uma
vez. Só por um segundo. Mas nada. Estar perto de Brady não era a parte pior,
difícil era o fato de que ele nem me notava.

—Está tudo bem?

Olhei para cima para encontrar Hunter, o mestre de obras de Brady,


sorrindo para mim, com as mãos nos quadris.

—Sim. —Eu disse, sorrindo de volta. —Só estou fazendo o meu trabalho
de esboço. Me avise se eu estiver no caminho.

—Nahh, você é boa. Podemos encontrar um lugar com sombra se você


quiser, você sabe. Você pode ir para nosso trailer de trabalho se você quiser se
refrescar. Há um banheiro lá dentro.

Eu balancei a cabeça. —Eu estou bem.

Ele assentiu, tirando o chapéu e voltando a colocá-lo. Ele tinha dado um


passo para longe de mim quando eu atirei uma pergunta sem sequer pensar
nisso.

—Como está Brady?

Ele se virou para mim e senti minhas bochechas se aquecerem de


vergonha.

—Ele está bem. Trabalha o tempo todo. Ele não está vendo ninguém que
eu conheça, se é isso que você quer dizer.

Eu me encolhi. —Não, eu não deveria ter perguntado. Eu sinto muito.

78
—Vocês estavam noivos, certo?

—Sim.

Hunter deu de ombros. —Ele está melhor agora. Depois que vocês
terminaram, ele ficou chateado por alguns meses. Mas melhorou eventualmente.
Você não ouviu isso de mim, ok? Eu só trabalho para ele.

Eu balancei a cabeça, desejando ter mantido minha boca fechada. E se


Hunter dissesse a Brady que eu perguntei sobre ele? Ele poderia ir dizer-lhe agora
e eles ririam sobre isso.

Eu reuni minhas coisas, meu desejo de fugir daqui me dominando. Mas eu


tinha trabalho a fazer. Desatei meu cabelo para proteger meu rosto enquanto
esboçava. Brady estava conseguindo me ignorar muito bem, e eu poderia fazer o
mesmo.

Brady

Derek mostrou seu sorriso de menino dourado quando me viu do outro


lado do bar, mas eu virei em resposta. Ele parou para dar um autógrafo antes de
se dirigir para a mesa alta que eu estava sentado, com os braços cruzados.

—Ei, carranca bonita, idiota. —Ele disse, sentando-se. —Você não falou o
suficiente sobre isso por meio de mensagens?

—Nem chegou perto.

—Olha, não foi uma armação. Eu queria que você construísse a casa.
Quando Adri quis reformar seu escritório logo depois que começamos a namorar,
ela viu um artigo sobre Palmer e eu disse a ela que eu a conhecia e que ela fazia
um bom trabalho. Ela amou Palmer e queria que ela também fizesse a casa.

79
Uma garçonete veio e pegou o nosso pedido, eu esbravejei com Derek
novamente assim que ela estava fora de alcance.

—Você deveria ter me contado, filho da puta. Eu não a tinha visto desde o
dia em que terminamos. Você tem alguma ideia de como foi vê-la andando em
meu canteiro de obras?

Derek apoiou os antebraços na mesa e olhou-me nos olhos. —Não, como


foi?

Eu balancei a cabeça. —Como se tivesse levado um soco. Eu não podia


respirar por alguns segundos. Foi assim.

—Como ela está?

Eu franzi minha sobrancelha com um olhar bravo. —O que você quer,


babaca?

—Eu a vi quando ela estava fazendo o escritório de Adri e ela parecia


realmente cansada. Pedimos a ela para jantar conosco várias vezes, mas ela disse
não. Eu tive uma sensação estranha dela, como se algo não estivesse certo.

Eu olhei para Derek, meu coração batendo como uma marreta no meu
peito. —Quer dizer que ela está doente? Eu reparei que ela parecia cansada e
magra, mas eu nem pensei... —Eu esfreguei a barba por fazer em minha
mandíbula e suspirei.

—Não sei. —Derek disse. —Eu estava apenas preocupado com ela.

—Agora eu não posso ficar chateado com você, porque eu estou


preocupado com ela. —Murmurei. Ele estava certo. Ela parecia desligada. Eu
tinha dito a mim mesmo que ela parecia diferente porque nós não nos
conhecíamos mais, mas isso provavelmente tinha sido apenas o idiota em mim.

Eu contei a Derek sobre o progresso da casa e devorei meu hambúrguer


assim que a garçonete o entregou.

80
—Eu tenho que ir. —Eu disse, ainda mastigando minha última mordida
enquanto eu me levantava da mesa.

—Já? —A expressão de Derek enrugou com confusão.

—Sim, eu tenho que voltar ao trabalho.

—Vou passar por lá para verificar depois. —Ele disse. Assenti com a
cabeça e peguei minha carteira, ele acenou para mim. Murmurei meus
agradecimentos e fui para a porta.

Palmer ficou numa extremidade do terreno na maior parte da manhã,


desenhando. Eu a vi, com um bloco de desenho na mão, no momento em que ela
saiu do carro. Memórias dos esboços que sempre estavam espalhados pela casa
dela brotaram dentro de mim. Quando a inspiração atingia, ela esboçava em um
guardanapo, na parte de trás de um recibo, ou qualquer outra coisa em que
pudesse escrever se seu bloco de desenho não estivesse ao alcance. Nosso
primeiro Natal juntos, eu lhe dei um, revestido de couro.

Aquelas memórias queimaram em meu peito. Os pensamentos dela


sorrindo amplamente enquanto segurava o esboço que ela fizera com capricho da
grande sala para nossa cabana ainda estavam frescos em minha mente. A lareira
de pedra ocupava dois andares no espaço arqueado, e minha mente começou a
girar sobre qual pedra eu usaria assim que ela me mostrasse. Ela era a sonhadora,
e eu era quem tornava esses sonhos realidade.

Ou eu tinha sido de qualquer maneira. Agora eu não era nada para ela.
Apenas o contratante que constrói a casa que ela estava fazendo o trabalho de
design. Foi por isso que eu me forcei a não olhar para ela toda a manhã. Eu dei
apenas uma olhada e ela estava concentrada em seu desenho. Eu ainda tinha a
visão da pele de porcelana em seu pescoço, que eu podia ver desde que seu
cabelo foi puxado para cima. Quantas vezes eu tinha beijado aquele pescoço, e
ocasionalmente beliscado, do jeito que a fazia gemer por mais?

Ela tinha sido minha em todos os sentidos, por isso que perdê-la tinha me
esmagado. E tanto quanto eu queria odiá-la, ou pelo menos ser apático, eu não
podia. O desejo irresistível de agradá-la e protegê-la era mais forte do que nunca.

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Havia algo novo também, e me assustou um pouco. Eu fui atraído por
Palmer desde o momento em que a vi. Ela tinha me feito esperar meses antes de
dormirmos juntos, e eu tinha acordado com ela na minha mente todas as
manhãs. Mesmo depois que começamos a ter relações sexuais, ela era a única
mulher que eu queria mais. Mas agora, quando olhei para ela, senti um desejo de
fodê-la que eu nunca tinha tido antes.

Eu queria possuir seu corpo novamente, ainda que brevemente. E eu não


estava me sentindo muito terno sobre isso. Meu ressentimento pelo que
aconteceu entre nós tinha me transformado, e eu me sentia como um idiota
depravado. Eu queria lembrá-la, com força, que nenhum homem jamais
conheceria seu corpo como eu.

Quando eu cheguei à construção, eu saí da minha caminhonete e olhei


para o local procurando por ela. Eu precisava encontrar uma maneira de
conseguir informações sem parecer interessado nela. A ideia que Derek plantara
sobre ela estar doente tinha se transformado em uma preocupação que não
pararia de me incomodar.

Hunter aproximou-se, terminando uma garrafa de água enquanto


caminhava em minha direção.

—Você está procurando pela, qual é o nome dela?

—É Palmer. Ela ainda está aqui?

Ele balançou a cabeça. —Saiu em torno do meio-dia.

Eu dobrei os braços em meu peito, irritado.

—Droga. —Eu murmurei.

Ele me conhecia bem para não pedir detalhes. E tanto quanto eu queria ir
atrás de Palmer, eu não podia me permitir fazer isso.

—Eu vou inventariar os materiais de enquadramento. —Eu disse por cima


do meu ombro enquanto ia embora. Foi uma fuga perfeita. Não havia nenhuma

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maneira que eu poderia trabalhar com os outros caras neste humor irritado,
ansioso. Eu precisava passar essa tarde sozinho com meus pensamentos.

Palmer

Meu salto deslizou mais fundo na lama enquanto eu tentava desatolar


meu outro sapato da bagunça molhada em que eu tinha me metido.

Lá se vai ser discreta. Eu esperava ir para a casa de Derek e Adriane


despercebida para que eu pudesse tirar fotos e medições na área que seria a
adega de vinhos deles. Em vez disso eu estava com o salto atolado em um buraco
de lama que era muito mais mole do que parecia.

Os caras da construção estavam cutucando uns aos outros para ver a


minha situação e compartilhar risadas. Idiotas.

Movi meu peso para um pé, tentando liberar o outro sapato da lama. Eu
percebi um segundo tarde demais que eu tinha perdido o meu equilíbrio. Um dos
meus sapatos finalmente se libertou da lama enquanto eu caía para trás.

Eu estava esperando o respingo inevitável quando um braço forte em


volta da minha cintura puxou-me para cima. Antes que eu pudesse recuperar o
fôlego, Brady estava me colocando no chão de cascalho.

—Você está bem? —Ele me perguntou.

Assenti com a cabeça, olhando para os meus sapatos pretos enlameados.


—Obrigada.

—Vocês moças precisam de algo para fazer? —Ele gritou para os caras da
construção que ainda estavam olhando para mim. Eles se mexeram, seus sorrisos
desaparecendo em um instante.

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—Vou tirar isso antes de eu entrar. —Eu prometi, apontando para os
meus sapatos.

—Não faça isso, você pode pisar em um prego. —Ele disse. —A sujeira
não é um problema, mas você pode lavá-los no trailer, se quiser.

—Ok, obrigada. Estou indo para a adega de vinhos.

Brady arqueou suas sobrancelhas, estudando-me. O que estava


acontecendo na sua cabeça agora? Eu estava morrendo de vontade de saber. Ele
me odeia? Ainda tem alguns sentimentos? Ou ele era ambivalente?

—É melhor eu te levar lá embaixo. —Ele disse, tirando o boné de beisebol


e passando uma mão pelo cabelo. —Ainda não tem corrimão na escada.

—Bem, se é provável que alguém caia esse alguém sou eu. —Eu disse,
sorrindo. —Você sabe como sou desajeitada.

—São aqueles malditos sapatos. —Ele disse, balançando a cabeça. —Você


não pode usar saltos em um canteiro de obras. E você deve ter um capacete.

—Onde está o seu? —Eu ergui minhas sobrancelhas em desafio.

—Eu sei o que está acontecendo em todos os momentos neste local,


então eu não preciso de um.

—Humm.

—Você pode andar com isso até a casa? —Ele perguntou com um olhar
nos meus pés.

—Claro.

Eu pisei cautelosamente pelo caminho rochoso antes de andar através


das paredes abertas dentro da casa. Brady ficou em silêncio enquanto liderava o
caminho para a escada do porão. Eu aproveitei a oportunidade para olhar para
seus ombros e bíceps, que estavam me implorando para estender a mão e apertá-

84
los. Eu tinha deixado marcas de unha nos ombros uma vez que ficou por vários
dias.

Meu olhar vagou mais abaixo, para a bunda perfeita que eu também tinha
deixado marcas de unhas.

Eu tropecei no último degrau, muito focada em sua bunda para lembrar o


que eu estava fazendo. Brady estendeu a mão e pegou meu braço para me
apoiar.

—Isso está ficando embaraçoso. —Eu disse, com o rosto aquecido.

Ele abriu a boca, parecendo que estava prestes a falar, mas em vez disso
liderou o caminho através do porão para a futura adega de vinhos.

Eu coloquei meu bloco de desenho no chão e procurei na minha bolsa.


Embora eu gostasse da excitação nervosa de estar perto de Brady novamente, eu
não poderia me concentrar no trabalho com ele aqui.

—Eu pensei...— Eu murmurei, vasculhando através dos recibos antigos.


—Quero dizer, eu sempre mantenho uma fita métrica aqui.

—Você quer a minha?

Seu olhar sombrio estava fixo em mim, e meu coração martelou com
ansiedade quando ele se aproximou. Quando estávamos juntos, ele olhava para
mim com terna afeição, nunca com aquela intensidade.

A fita métrica estava presa no bolso de sua calça jeans, mas ele não a
pegou quando eu acenei.

—Você está bem?

Sua pergunta era mais como uma ordem. Engoli em seco, incapaz de
segurar seu olhar.

—Você quer dizer quando eu caí? Estou bem.

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Ele deu um passo em minha direção, agora tão perto que eu podia sentir
o perfume de madeira cortada sobre ele. Deus, como eu tinha sentido falta disso.
Eu respirei profundamente, tentando ser discreta.

—Não. —Ele disse, sua voz suavizando um pouco. —O que eu quero dizer
é... algo está errado? Você está doente? Você perdeu peso e você simplesmente
não se parece mais com você mesma.

Minha excitação se transformou em um sentimento de tristeza. Ele ainda


se importava o que era bom, mas sua atração por mim era uma coisa do passado.

—Não. —Eu disse, meus sentimentos feridos evidentes em meu tom.


Droga, eu odiava expor seus sentimentos em vez de escondê-los. —Eu não estou
doente. Minha mãe está, mas você sabe disso.

—Sim. Como ela está?

Dei de ombros. —Nada bem.

—Eu sinto muito, Palmer.

Olhei para cima e nossos olhos se encontraram. Meu coração estava


agora saltando descontroladamente em meu peito, apenas pela proximidade
dele.

—É por isso que... eu pareço assim. —Eu disse. —Eu estou cuidando de
mamãe e Danny, e... eu não me preocupo muito com a minha aparência.

Ele estendeu a mão e a descansou no meu quadril. Eu sorvi uma


respiração, cambaleando pelo seu toque. Eu queria ser corajosa o suficiente para
tocá-lo em troca, mas eu estava congelada. Eu não queria me mover ou falar por
medo de quebrar esse feitiço e fazê-lo tirar a mão de mim.

—Você ainda está linda. —Ele disse, sua mão grande fechando em torno
de meu quadril. —Só mais magra e talvez... mais frágil.

Engoli de novo, o elogio enviando uma onda de prazer através de meu


corpo, abrindo caminho para cada terminação nervosa.

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Brady moveu a outra mão para o meu pescoço, segurando-a por trás
enquanto seu polegar acariciava minha linha da mandíbula. Deixei escapar um
suspiro trêmulo, desejando que esse momento durasse.

Desejo brilhou em seus olhos esmeralda, e ele lambeu os lábios.

—Veja, eu deveria ser capaz de parar. —Ele disse em um tom baixo. —


Mas eu posso ver seus mamilos através de sua camisa, e agora não há nenhuma
maneira de parar.

Suas palavras, e a sensação de suas mãos sobre mim, me encorajaram a


levantar o queixo em convite. Um sorriso tocou seus lábios enquanto ele movia
seu polegar da linha da minha mandíbula para meus lábios, correndo-a sobre a
parte superior, deliciosamente lento, antes de passar para a parte inferior. Eu
tinha sentido tanta falta dessas mãos ásperas na minha pele.

Eu envolvi sua cintura, me aproximando, e ele respondeu em um instante,


seus braços grandes puxando-me para ele quando sua boca encontrou a minha. O
sólido calor dele contra mim e o fraco gosto do café eram dolorosamente
familiares e novos ao mesmo tempo.

O que começou como uma tranquilidade doce rapidamente se tornou


algo mais. As mãos de Brady agarraram minha bunda, me erguendo e me
pressionando contra sua exigente e poderosa ereção. Meu corpo assumiu, então,
minha língua envolvida em uma luta de poder com a dele enquanto minhas mãos
puxavam freneticamente seu cabelo.

Os dentes de Brady fecharam-se ao redor do meu lábio inferior, enviando


um impulso para baixo para a dor entre as minhas coxas. Eu não pude deixar de
esmagar meus quadris contra ele, meu corpo desesperado para por um fim na
profunda necessidade que ele tinha trazido de volta à vida em mim.

Eu não podia nem pensar além dos sentimentos crescendo através de


mim. O gemido baixo que senti no peito de Brady me disse que eu não era a única
que estava incrivelmente excitada agora. Graças a Deus estávamos sozinhos aqui
embaixo, para que pudéssemos foder um ao outro sem que ninguém soubesse.

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—Brady? — Uma voz masculina profunda chamou acima da escada.

Deslizei para baixo do corpo de Brady quando nos soltamos. Seu olhar
culpado provavelmente combinava com o meu. Nós deveríamos estar
trabalhando.

—Uh...— Brady correu uma mão pelo cabelo e exalou profundamente. —


O que se passa Hunter?

—Duvidas sobre a planta. —Hunter disse.

—Estou subindo. —Brady respondeu.

Eu corri meus dedos sobre meu lábio inferior, onde Brady tinha mordido.
Nós apenas olhamos um para o outro por alguns segundos antes dele fechar os
olhos brevemente, se virar e se afastar.

Ser interrompido, supostamente, deveria matar o clima, mas eu ainda


estava tremendo de desejo por ele. Eu não tinha sido beijada em quase um ano,
desde a última vez que ele me beijou. Mas não foi apenas um beijo que ele me
deixou desejando.

Eu alisei minhas roupas e cabelo, recompondo-me. Depois de alguns


minutos, reuni minhas coisas e subi as escadas. Não havia ninguém à vista, então
coloquei meu caderno de esboços sob o braço e fui direto para a porta. Eu
precisava de uma longa pausa de Brady antes que eu pudesse me concentrar no
trabalho quando ele estava em qualquer lugar por perto.

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Capítulo 7

Brady

Troy olhou para cima quando eu coloquei minha caminhonete em


movimento, e aproveitei a oportunidade para estudar seus olhos por um
segundo. Eles não estavam vermelhos ou vítreos. Eu não conseguia olhar o
suficiente para suas pupilas, mas eu tinha certeza que ele não estava chapado.

—O quê? —Ele perguntou defensivamente. —Pare de olhar para mim


como se eu fosse seu filho.

Dei de ombros. —Você age como um às vezes.

—Eu estou limpo desde que nos mudamos para o Colorado e você sabe
disso. Nós malditamente trabalhamos tanto que não é possível se divertir.

—Sim, mas voltamos para casa para este trabalho. Todas as más
influências de antes estão por perto de novo.

—Desde quando você se tornou um pé no saco? — Ele resmungou. —


Costumávamos beber juntos e nos divertir.

—Eu cresci.

Ele me deu um olhar de entendimento. —Isso foi quando você estava


com Palmer. Nunca pensei que você perderia uma garota tão boa.

Minha pele formigou em consciência à menção de seu nome. Eu me


masturbei noite passada e esta manhã pensando sobre aquele beijo.
Provavelmente faria mais uma vez esta noite, também.

—Eu não sou um idiota. —Eu disse para Troy. —Obviamente, não foi
apenas Palmer, porque não estamos mais juntos e eu ainda estou direito. Ao
contrário de você.

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Ele se mexeu zombeteiramente e se virou para mim. —Falando em
Palmer, ela é muito gostosa. Eu estava olhando-a no trabalho no outro dia.

—Feche a porra da boca, não fale sobre ela. —Eu disse, apertando o
volante.

—Ela estava olhando pra mim também. Tudo bem se eu fodê-la, certo?
Você esteve quebrado por bastante tempo.

Eu balancei a cabeça, recusando-me a olhar para ele. —Estou falando


sério. Cale a boca, idiota.

—Ela tem, vinte e seis anos? Ela está mais perto da minha idade do que
da sua de qualquer maneira. Da próxima vez que ela usar um vestido, eu vou
puxá-lo acima de sua bunda e fodê-la até que ela grite meu nome.

Eu puxei a caminhonete e joguei no acostamento. Assim que eu tinha


uma mão livre, eu bati no ombro de Troy.

—Você não sabe ouvir, não é, idiota? Nem sequer olhe para ela.

Seus olhos, o mesmo verde que o meu, brilharam enquanto ele zombava
de mim. —E se ela me quiser? Isso seria tão divertido. Vou trazê-la para a nossa
casa e fazer você ouvir através das paredes.

Eu estendi a mão e agarrei sua camisa. Ele empurrou uma mão em meu
rosto para me forçar a recuar.

—Como ela gosta? — Ele continuou. —Na bunda? Ela engole?

Eu estava com raiva agora. Empurrando-o contra a porta do passageiro,


eu peguei a trava e puxei. Ele caiu, de costas, comigo em cima dele.

Nós tínhamos feito isso muitas vezes, mas eu nunca fiquei tão irritado. Eu
o soquei no nariz, tirando sangue. Ele estendeu a mão e rolou saindo de debaixo
de mim, ofegante quando ele balançou os braços e me acertou nos olhos.

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Eu era maior, mais forte e mais inteligente. Mas Troy gostava de lutar. Era
uma saída para sua raiva. Trocamos socos, alheios do mundo, até que uma voz
nos chamou.

—Ei, o que está acontecendo aí?

Olhei para cima e encontrei os olhos de uma mulher grisalha que me


lembrou da minha mãe. Ela tinha parado do lado da estrada, braços cruzados
sobre seu peito e brava.

Troy usou a oportunidade para dar uma joelhada na minha virilha.

—Idiota. —Eu murmurei.

A espectadora estava se aproximando agora, e eu me levantei do chão.

—Está tudo bem. —Eu disse. —Obrigado por parar.

—Você é maior do que ele. —Ela disse, agitando um dedo para mim.

Eu tentei não sorrir enquanto respondia. —Isso é verdade. Em todos os


sentidos.

Troy fingiu coçar seu rosto, zombando de mim secretamente.

—Estaremos em nosso caminho. —Eu disse. —Obrigado novamente.

Voltamos para caminhonete em silêncio, ambos ainda exaltados.

—Preciso de uma toalha ou algo assim. —Troy disse. Ele tinha uma mão
pressionada sobre seu nariz sangrando.

—Use sua camisa, idiota. Você estava pedindo.

—Besteira. Você está chateado porque você sabe que Palmer quer que eu
a foda.

Fiz uma careta para ele, querendo chutar seu traseiro para fora da
caminhonete, mas a senhora que nos repreendeu estava bem atrás de mim.

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—Ela não está afim de bêbados perdedores cujos irmãos têm que cuidar
de todos os movimentos. —Eu disse.

Troy franziu a testa. —Cristo, isso dói um pouco, homem.

Pela primeira vez, ele estava falando sério. Mas eu não sentia pena dele.

—Sim, bem, dói que o meu próprio irmão quer foder a única mulher que
eu já amei apenas por ser um idiota.

—Eu realmente não vou fazer isso. —Ele disse de mau humor. —Eu só
estou dizendo que ela é gostosa. Pena que você tenha fodido tudo.

Sua declaração do óbvio me fez balançar a cabeça com desgosto. Isso era
muito ruim. Eu me perguntei se eu tinha exagerado durante a conversa que
acabou comigo e Palmer separados. Sempre havia me incomodado, mas beijá-la
trouxe o pensamento para a minha mente novamente. Eu nunca quis alguém da
maneira que eu a queria. Ela valia a pena esperar. Sem mencionar que eu fui
embora quando ela mais precisava de mim.

E isso estava me assombrando agora. E se eu tivesse concordado em adiar


o casamento e não tivesse sido um idiota? E se eu tivesse ligado para ela no dia
seguinte e lhe dito o quanto estava triste? E se eu tivesse colocado suas
necessidades antes do meu orgulho?

Eu refleti todo o caminho até a prisão, esperando que Troy me desse uma
razão para atacá-lo novamente. Eu odiava ter perdido Palmer, mas o que me doía
profundamente, para ser honesto comigo mesmo, era admitir que a porra da
culpa foi minha. Eu ainda me lembrava do olhar de choque em seu rosto quando
eu perdi minha cabeça e soquei sua parede. Eu tinha transformado uma conversa
sobre o atraso do casamento em um rompimento.

Quando eu estacionei a caminhonete, Troy e eu saímos e ele me seguiu


até a entrada de visitantes. Ele estava mantendo sua boca fechada agora, o que
significava que pelo menos ele estava entendendo bem o meu humor.

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—Oi. —Eu disse para o guarda atrás da janela. —Brady e Troy Grant. Aqui
para ver Tucker Grant.

O guarda atarracado olhou de mim para Troy, seu rosto torcendo com
descrença.

—Vocês não podem entrar aqui assim. —Ele disse.

Eu tinha o lábio e um olho inchado, mas de outro modo eu estava bem.


Mas quando olhei para Troy, vi que ele não estava. Tinha a parte inferior da
camisa puxada para cima para cobrir o nariz, e estava manchada de sangue, uma
mancha escura aumentando a cada segundo.

—Você pode querer levá-lo para um hospital. — Sugeriu o guarda.

—Ele está bem. —Eu disse. —Vamos ficar lá fora até parar o
sangramento.

—Ele não pode entrar aqui com roupas ensanguentadas. —O guarda


olhou para mim. —É um risco biológico.

—Certo. —Eu acenei com a cabeça para Troy e nós dois fomos para a
porta.

—Estou muito arrasado por não ter visto o velho. —Disse Troy do nada
enquanto caminhávamos para a caminhonete.

Eu me virei para ele e nós dois caímos na gargalhada. Era bom deixar de
lado a minha tensão acumulada. Quando eu bati no ombro dele, ele abriu um
sorriso.

—Tudo bem. —Eu disse. —Vamos pegar uma cerveja e jogar bilhar. Mas
sem drogas ou prostitutas, entendeu?

Ele deu de ombros. —Sem drogas, eu estou de acordo. Mas você terá que
definir puta para mim, porque eu estou excitado pra caralho. Não dormi com
ninguém desde que saímos de casa.

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—Você pensa no Colorado como sua casa agora? —Eu olhei para ele e ele
deu de ombros.

—Eu acho. Você quer dizer mais do que eu sinto Chicago como casa?

—Sim.

—Casa é qualquer lugar onde eu durma a noite. —Eu disse. —Você gosta
de estar de volta aqui?

—Sim. É bom ver mamãe de novo, e... Derek. Eu cheguei a sair com ele
algumas vezes.

Troy me lançou um olhar cético. —Você não ia dizer Derek, você ia dizer
Palmer.

—Foda-se.

—É melhor você não ser um idiota no bar. Eu não vou pegar qualquer
bunda se você for uma péssima companhia.

Eu balancei a cabeça. —Pensei que íamos ao bar para poder tomar uma
cerveja juntos.

—Você parece um idiota. Não faça isso.

Eu avistei um bar e diminui a caminhonete. —Você quer ir sozinho?

—Não. —Ele se afastou de mim, olhando pela janela da caminhonete. —


Vamos voltar e ver o papai algum dia?

—Se você quiser.

Ele deu de ombros em silêncio. Eu fui para o estacionamento e coloquei a


caminhonete na vaga.

—Eu vou e volto para o pai. —Admiti. —Às vezes eu odeio o bastardo. Há
muitas razões para isso. Mas outras vezes... eu meio que sinto falta dele. Eu tinha

94
uma dúvida sobre códigos aqui no outro dia que eu sei que ele teria a resposta
para isso. Tive que olhar aquela merda no meu livro de códigos.

—Sim, eu também. —Troy disse, ainda olhando pela janela. —Se eu sinto
algo de bom por nele, fico puto comigo mesmo. Ele fodeu as pessoas que
confiaram nele.

—Seria um começo para mim se ele ao menos tivesse se desculpado. Seu


egoísmo é algo épico. Ele passou tanto tempo nos enchendo o saco para sermos
bons homens, e acontece que ele não é um deles.

Troy grunhiu seu acordo e eu peguei seu ombro e apertei. —O nariz está
sangrando?

Ele assentiu e olhou para mim.

—Eu acredito em você quando você diz que ainda está limpo. —Eu disse.
—E eu estou muito orgulhoso de você.

Os cantos de sua boca se transformaram em um sorriso. —Compre-me


uma cerveja, então, idiota.

—Você entendeu. Eu vou chutar sua bunda no bilhar, se você quiser.

Senti sua resposta sarcástica quando saí da caminhonete e fechei a porta.


Vamos voltar para a prisão para visitar o papai? Eu não tinha certeza. Mas tenho
certeza como o inferno que não lamentamos que a nossa viagem para vê-lo tinha
sido curta. Deixe-o ser o único desapontado para variar.

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Palmer

Eu estacionei meu carro ao lado da estrada de cascalho na casa de Derek


e de Adriane, puxei um perfume, tamanho viagem, de minha bolsa e apliquei em
meu pulso. A fragrância doce me fez sentir instantaneamente mais bonita. Eu
verifiquei meu cabelo no espelho e saí do carro, com cuidado para manter meus
saltos nas pedras e evitar uma queda.

Era louco ter borboletas em meu estômago por causa de Brady. Nós
tínhamos passado por tanta coisa, então por que eu senti que eu tinha uma
queda por ele de repente? Eu estava ansiosa para vê-lo toda a manhã no
trabalho. A sensação de seus lábios quentes sobre os meus ainda estava fresca.
Estendi a mão e toquei-os suavemente quando me lembrei do modo como sua
língua tinha roçado a minha.

A expectativa estava me matando. Respirei fundo e me virei para a casa.


Eu só dei uns passos quando o motor da enorme caminhonete preta de Brady
arrancou. Ele estava dirigindo pela estrada improvisada para deixar o local, e
minhas borboletas fizeram um pouso de desilusão.

Ele desacelerou quando se aproximou e eu fiz contato visual, prestes a


acenar quando ele parou sua caminhonete.

—Ei. —Ele disse, com a janela aberta e descansando o cotovelo na porta.

—Oi. —Eu fiquei ao lado da caminhonete, admirando o braço bronzeado,


musculoso em exibição na minha frente.

—Como você está?

—Bem. Você está saindo?

—Sim. —Ele tirou o boné de beisebol e passou a mão pelo cabelo escuro
e suado. —Tenho que ir comprar materiais.

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Eu queria que ele me pedisse para me juntar a ele. O assento do
passageiro de sua caminhonete tinha uma pilha de papéis e uma camiseta sobre
ele. Eu queria estar bem ali, ao lado de Brady. Sentar ao lado dele na
caminhonete sempre havia reforçado sua masculinidade para mim. Além disso,
cheirava a ele.

Eu estava à beira de fazer um comentário sobre o quanto eu gostava de


fazer compras, mas fechei a boca quando ele me deu um sorriso torto.

—Isso é bobagem, mas você já conseguiu arrumar o buraco na parede da


cozinha? —Ele perguntou.

Eu balancei minha cabeça, meu coração afundando em sua menção a


nossa briga. Eu apenas passava uma noite por semana em minha casa
atualmente, sexta-feira à noite, quando minha tia e meu tio faziam uma viagem
de uma hora para ficar com mãe e Danny para que eu pudesse ter uma pausa. Eu
tinha recusado sua oferta inicialmente, mas felizmente, eles tinham recusado a
minha recusa. Foi bom ter uma noite que pertencia apenas a mim.

—Humm, não. —Eu disse. —Mas não é nada demais, realmente. Eu mal
estou lá.

—Oh. —Seu rosto endureceu e eu percebi que ele provavelmente pensou


que eu passava minhas noites com outro homem.

—Porque eu fico na casa da minha mãe seis noites por semana. —Eu
disse. —Para cuidar dela e de Danny. É por isso que mal estou em casa.

Seus olhos se suavizaram. —Posso consertar a parede?

Eu acenei e balancei a cabeça. —Não é grande coisa, Brady. Mesmo.

—Eu quero. É um remendo simples no drywall. Apenas me avise quando


for um bom momento.

Minha mente estava cambaleando. Brady estava vindo para minha casa. A
casa que planejamos dividir. A casa que tínhamos ido para a cama e acordamos
juntos tantas vezes. A casa em que nos separamos.

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—Bem, o único tempo que passo lá são as noites de sexta feira. —Eu
coloquei meu cabelo atrás da orelha, precisando ocupar minhas mãos.

—Você vai estar lá esta sexta à noite?

Eu balancei a cabeça.

—Sete horas está bem? —Ele colocou o boné de volta e eu apenas acenei
com a cabeça novamente. Eu nunca fui uma mulher polida, confiante que sabia
como flertar com homens. Especialmente não com este, que me fazia esquecer
que quaisquer outros ainda existiam.

—Vejo você então. —Ele disse com um aceno de cabeça.

—Claro. —Eu acenei e me virei para a casa. Os pneus da caminhonete


esmagaram o cascalho e minhas entranhas se apertaram com excitação. Um ano
sem sexo me transformou numa mulher que respondia sexualmente a
caminhonete de Brady. Ou talvez fosse a memória de uma sessão aquecida que
tínhamos tido em seu veículo depois de um encontro. De qualquer maneira,
Brady e sua caminhonete estariam em minha casa amanhã à noite, e eu mal podia
esperar.

Brady

Levantei a mão para bater à porta de Palmer, e parei. Eu nunca bati à


porta. Nós já estávamos juntos quando ela comprou a casa, e eu apenas entrava
desde o dia que ela se mudou.

Mas o ex-noivo definitivamente não devia entrar, então eu bati. Meu


subconsciente estava gritando na minha cabeça enquanto eu esperava, me
lembrando de que esta era uma merda de ideia de proporções épicas. Eu não
tinha sido capaz de manter minhas mãos longe de Palmer no trabalho, o que eu
faria quando estivéssemos sozinhos em sua casa?

98
Mesmo que ela tivesse se derretido em mim quando eu a beijei, eu ainda
estava chateado comigo mesmo. Nós terminamos. Tinha me custado um longo
tempo para seguir em frente depois da nossa separação, e eu não podia voltar e
ficar dependente dela.

Ela abriu a porta e me deu o sorriso tímido que eu me lembrei de quando


estávamos no nosso primeiro encontro. Short jeans em Palmer sempre foi minha
ruína. Ela usava com uma camiseta cinza que abraçava suas curvas esbeltas, seus
pés nus e seu longo cabelo castanho solto ao redor de seus ombros.

Apertei a alça do balde com o material que carregava.

Eu estou aqui para consertar o maldito drywall. Basta remendar o drywall


e depois sair daqui.

—Ei, entre. —Ela disse.

Emoções conflitantes puxaram-me enquanto eu caminhava pela pequena


sala de estar para a cozinha.

Nós tínhamos dado uns amassos naquele sofá verde muitas vezes,
começando com beijos quentes e evoluindo para minhas mãos explorando cada
centímetro de seu corpo. Eu sabia exatamente o que ela gostava antes de
dormirmos juntos.

Ela comprou a luminária de chão em um mercado de pulgas que fomos


num fim de semana. Seu rosto inteiro se iluminou quando ela a viu. Eu tinha
carregado àquela coisa por mais de um quilometro de volta para a minha
caminhonete. Quando paramos para jantar no caminho de casa naquela noite, eu
mantive um olho na caminhonete o tempo todo, preocupado que alguém pegasse
a luminária que ela tinha se apaixonado.

A mesa de carvalho da cozinha sugou o calor do meu peito. Ela estava


sentada lá quando ela arrancou o meu coração, ao dizer que ela não precisava de
mim. Não era ela dizendo que queria desistir do casamento que ainda me
assombrava, era aquela frase: —Eu quero você aqui, mas eu não preciso de você
aqui.

99
Nada tinha me feito sentir mais fraco do que precisar de alguém que não
precisava de mim.

—Então, como foi o seu dia? —Palmer perguntou, abrindo a geladeira e


segurando uma garrafa da minha cerveja preta favorita.

Eu acenei com a cabeça e peguei. Isso era muito parecido com os velhos
tempos para o meu conforto.

—Bem. Eu vou parar de te incomodar em breve. Eu vou ter que voltar e


lixar a parede quando estiver seco. Talvez na próxima sexta à noite.

—Certo. Obrigada por fazer isto. —Ela abriu uma gaveta e retirou um
abridor de garrafas, usando-o na garrafa de cerveja em sua mão.

Eu me forcei a não sorrir, porque um, ela odiava cerveja. E dois, era só
girar a tampa para abri-la, mas ela não sabia disso. Novata.

—Posso fazer alguma coisa para ajudar? —Ela perguntou, bebendo a


cerveja. Quando ela se encolheu, eu tive que sorrir.

—Quer me fazer um bife? —Eu disse, provocando.

Suas sobrancelhas arquearam esperançosamente. —Eu tenho o material


para grelhar alguns hambúrgueres se você estiver com fome.

Quando ela ergueu a mão para ajeitar os cabelos, sua camisa subiu um
pouco e eu peguei um vislumbre de sua barriga lisa, plana. Meu pau endureceu
em resposta e forcei meus olhos para longe.

—Você não tem que me fazer o jantar, Palmer.

—Bem, eu não comi, e se você também não tiver comido, nós podemos
muito bem comer, certo?

Eu dei de ombros, verificando minhas ferramentas para o drywall. —Se


você quiser, claro.

100
Ela deu um sorriso e agarrou a garrafa de cerveja, bebendo e se
encolhendo novamente.

—Você desenvolveu um gosto pela cerveja escura? —Eu perguntei


enquanto media o buraco que meu punho tinha feito.

—Na verdade não. Eu só... comprei e pensei em dá-la uma chance.

Eu tinha certeza de que ela tinha comprado para mim, o que trouxe mais
emoções em conflito. Foi um gesto agradável, mas essa mulher tinha poder sobre
mim, e era perigoso esquecer isso.

Ela ocupou-se em deixar a comida pronta e eu tentei concentrar a minha


atenção na reparação da parede. Meus olhos vagaram por sua bunda e pernas,
fácil para mim, admirar abertamente já que ela estava de costas enquanto
trabalhava no balcão.

—Você precisa que eu conserte mais alguma coisa? —Perguntei. —Isso


não vai demorar.

Ela olhou para mim por cima do ombro. —A porta do armário no meu
quarto está quebrada. O puxador, na verdade. Não trava mais.

—Eu vou dar uma olhada nele. —Ela se virou e eu dei outro olhar em seu
traseiro. —E a sua mãe? Ela precisa de alguma coisa?

Os ombros de Palmer afundaram. —As coisas realmente estão


complicadas lá.

—Não deve ser algo que eu não possa consertar. —Eu disse, tomando um
longo gole da minha cerveja. —O que precisa ser feito?

Ela ficou em silêncio por alguns segundos. Eu abaixei minha serra de


drywall e virei a minha atenção para ela. —Palmer?

—Desculpe. —Ela disse, com a voz cheia de emoção. —É só... não tenho
certeza do que vou fazer com sua casa. Suas opções de tratamento estão
esgotadas. Agora é apenas uma questão de tempo. Não há nenhuma razão para

101
você ir fazer um monte de consertos em sua casa se eu não vou sequer mantê-
la.

Eu estava impotente. Nada poderia me impedir de atravessar a cozinha


para ela. Ela se virou e me deixou envolvê-la em meus braços.

—Eu sinto muito. —Eu disse em seu ouvido. —Sinto muito, Palmer. Eu
queria que você tivesse me contado.

—Eu não quero que você sinta pena de mim. —Ela disse, sua voz abafada
contra meu peito.

—Não é que eu sinta pena de você. Eu sei que não há nada que eu possa
fazer, mas eu sempre amei sua mãe e Danny.

—Eles sempre te amaram, também. — Ela se afastou e olhou para mim, e


eu podia ver que ela estava lutando com alguma coisa.

—O que é? — Eu perguntei.

—É...— Ela suspirou suavemente, considerando. —Quando eu acordo de


manhã, salto da cama e corro para verificar a minha mãe. Eu me preocupo que
ela vai morrer de repente. E essa preocupação está comigo a cada segundo que
estou acordada. Eu me preocupo que o assistente de saúde em casa vai ligar e me
dizer que ela morreu e eu não estava lá. Ou que algo horrível acontecerá com ela
na frente de Danny e ele ficará traumatizado. Eu me preocupo no trabalho, eu me
preocupo quando estou correndo pelo supermercado e quando estou tomando
banho.

Eu corri meus dedos sobre o cabelo longo e macio que eu tinha sentido
tanta falta. Ela encontrou meus olhos e continuou.

—A única vez que eu estive acordada e não preocupada, a única vez em


semanas que aconteceu, foi quando você me beijou no outro dia.

Inclinei-me para apoiar minha testa contra a dela, colocando uma mão em
volta da sua nuca. Senti sua respiração ofegante e foi além da minha imaginação.

102
—Quando eu te beijei no outro dia, você foi tão receptiva. Faminta por isso.
Quando foi a última vez que você foi beijada corretamente?

Sua pele aqueceu em resposta à pergunta. —Faz algum tempo. Desculpa.

Eu coloquei suas bochechas macias em minhas palmas. —Não se


desculpe. Você me incendeia, Palmer. Sempre incendiou.

—Você faz o mesmo comigo. —Ela disse em um sussurro.

—Escute... com sua mãe, você vai ter algum aviso. —Eu disse
suavemente. —Eu me lembro de como foi com meu tio. Os médicos vão saber
quando ela estiver deslizando para fora da vida pacificamente no final. Não faça
isso com você mesma.

—Eu não sei mais o que fazer. —Ela disse, sufocando as palavras. —
Trabalhar, preocupar e planejar... essas coisas me mantêm sã.

Eu levei o cabelo para trás de sua orelha e deixei meus lábios vagarem
atrás dele para um beijo, um beijo suave, prolongado que fez sua respiração
parar.

—Meu Deus, Brady. —Ela disse, colocando a mão dela sobre a minha, que
estava descansando em seu quadril. Ela guiou-a por baixo da camisa, para o
estômago macio e perfeito que eu estava admirando mais cedo.

Eu enrolei meus dedos em torno de uma mecha de seu cabelo, inclinando


seu rosto para mim. Seus olhos castanhos estavam implorando por mais. Minha
lógica não teve chance. Eu a queria, e eu queria fazê-la sentir-se bem ainda mais.

Quando meus lábios encontraram os dela, ela alcançou minhas costas e


agarrou-a com força, pressionando seu corpo contra o meu. Eu peguei suas mãos
e guiei-as acima da sua cabeça, permitindo que eu puxasse sua camisa fora em
um movimento rápido.

Ela pulou para mim, sua expressão desesperada e com fome. Eu a peguei
em meus braços e ela envolveu suas pernas em torno de minha cintura. Eu a
beijei com força, mordendo seu lábio do mesmo jeito que a tinha feito

103
corresponder no outro dia. Quando ela puxou meus cabelos e empurrou minha
cabeça para trás, vindo mais perto para beijar e beliscar meu pescoço, eu a
empurrei contra o balcão da cozinha e forcei suas pernas mais abertas.

Com seu gemido de encorajamento, eu agarrei seu traseiro e puxei seu


corpo contra a minha ereção furiosa. Isso gerou um gemido mais alto, e eu puxei
seu cabelo para trás novamente, o salto de seus seios pequenos em seu sutiã
branco rendado deixando meu pau tão duro que pulsava.

—Você quer ser fodida? —Eu perguntei em um tom baixo. Seus olhos
vidrados encontraram os meus e ela balançou a cabeça, seus lábios entreabertos
de desejo.

Eu sorri, minha posição de controle me dando uma sensação inebriante,


quente.

—Eu nunca te fodi, Palmer. Eu fiz amor com você muitas vezes, mas
nunca fodemos. Tem certeza que quer?

—Sim. —Seu tom suplicante me fez lembrar que, pela primeira vez, eu
tinha a vantagem.

—Eu vou te foder aqui no seu balcão da cozinha. Vai ser áspero. Eu não
vou te beijar ou sussurrar em seu ouvido. Mas você gozará gostoso, eu prometo.

—Sim. —Ela exclamou. —Por favor, Brady. Me fode.

Eu gemi e esfreguei meu pau, que estava prestes a sair da minha calça
jeans. —Baby, isso soa tão quente vindo de sua boca doce.

Ela tirou minha camiseta e pegou o botão no meu jeans, seu peito corado
de desejo. Eu nunca tinha visto esse lado de Palmer, e droga se não era a coisa
mais quente do mundo. Eu desabotoei e deslizei seus shorts jeans, tirando sua
pequena calcinha branca em seguida.

Enquanto tirava um preservativo da minha carteira e saía da minha calça


jeans, ela tirou o sutiã e jogou-o no chão. A visão dela, sentada nua no balcão da

104
cozinha, as pernas abertas em antecipação ao meu pau, era incrivelmente
quente.

Ela não estava se sentindo preocupada agora. Seu rosto dizia tudo, ela se
sentia sexy e quente demais para sentir qualquer coisa, além do momento em
que estávamos. Eu fiz isso, tirei sua dor e ansiedade, e esse sentimento foi o mais
inebriante de todos.

Seu grito quando eu bati meu pau dentro dela foi um som frenético de
alarme e dor. Porra, sua vagina estava apertada, apertando meu pau como um
torno. Eu tive que tomar um segundo para começar minhas investidas.

—Cristo, querida. —Eu disse baixinho, —Já faz um tempo?

—Cerca de um ano. —Ela disse, sua voz tremendo. Meus olhos foram
direto para os dela, em choque.

—Você está falando sério? Nenhum desde mim?

Ela balançou a cabeça, suas bochechas se aquecendo com o que parecia


vergonha.

Eu cobri sua boca com a minha, beijando-a profundamente. Meu peito


parecia que ia explodir.

—Você é o único homem que eu sempre quis. —Ela disse, à beira das
lágrimas.

—Foda-se, Palmer. —Eu me empurrei dentro dela duro, prometendo a


mim mesmo dar a ela sua libertação antes que eu chegasse na minha. Ela se
agarrou a mim, suas pernas apertadas em torno da minha cintura. Só levou cerca
de meia dúzia de estocadas profundas antes que eu sentisse sua vagina começar a
apertar em torno do meu pau.

—Oh, Deus, Brady. —Ela gritou, suas unhas escavando em meus ombros.
Lágrimas caíram dos cantos de seus olhos quando ela gozou tão violentamente
que senti cada segundo. Eu estava bem atrás dela, gemendo alto enquanto eu me
enterrava nela uma última vez. Uma intensa onda de choque atingiu todo o meu

105
corpo, fazendo com que minha cabeça caísse no pescoço de Palmer, mole com a
satisfação.

A razão voltou com força total assumindo o lugar que meu pau havia
dominado. Não era a minha libertação que me fez sentir tão satisfeito, era
Palmer. Eu não tinha apenas cedido a minha atração por ela, eu tinha me curvado
a sua necessidade de conforto. E quando ela me disse que eu era o único homem
que ela sempre quis, eu senti aquele profundo e desesperado desejo para tê-la
novamente.

A atração que levara meses para eu superar. Eu era um otário que


merecia ser punido.

—Droga. —Eu disse, pegando meu jeans do chão.

—O quê? —Palmer deslizou para baixo do balcão, envolvendo seus


braços ao redor de seu corpo nu.

—Eu não posso fazer isso, Palmer. —Eu disse. —Eu segui em frente.

Ela pegou sua camiseta e deslizou para dentro dela.

—Eu não entendo. Pensei que ambos queríamos isso.

—Sim, mas... há fodas muito mais fáceis lá fora para nós dois. —Eu disse,
fechando minha calça jeans e esfregando uma mão no meu rosto.

Seus lábios se abriram em choque. —Foda mais fácil? É isso que você
esteve fazendo desde que terminamos? Apenas fodendo mulheres aleatórias?

Dei de ombros. —Sim, e daí? Nós terminamos há um ano. Você esperava


que eu simplesmente não fodesse mais ninguém?

Sua expressão se fechou e ela pegou seu short, entrando nele.

—Bem, eu não fodi. —Ela disse.

—Você tinha sua mente em outro lugar. —Eu disse, irritado.

106
—Quantas? — Ela perguntou, seus olhos fixos nos meus.

Eu puxei minha camiseta sobre minha cabeça e olhei para ela. —


Quantas?

—Sim. Quantas mulheres você fodeu?

Eu não podia acreditar que ela tinha a coragem de me perguntar isso. —


Você quer eu conte para você, agora?

Ela levantou a mão para me dar uma bofetada e eu peguei seu pulso com
pouco esforço, abaixando-o gentilmente.

—Não importa. —Eu disse.

—Apenas seja responsável por suas ações. —Sua voz vacilou. —Conte-
me.

Era a minha chance de machucá-la, e eu tive uma satisfação enorme em


ser honesto sobre isso. —Eu não sei, talvez uma dúzia?

Ela recuou visivelmente chocada. —Então, enquanto eu cuidava da minha


mãe que está morrendo, você estáva fodendo com uma dúzia de outras
mulheres?

—Você não me queria! Que porra é essa? Você está agindo como se eu
tivesse traído você ou algo assim.

—Não. —Ela passou as palmas pelas bochechas. —Você não me deve


nada. Mas é irônico que você me acusou de traição naquele dia quando você é o
único homem com quem eu já estive. Então você...

—Nós não estávamos juntos! —Eu rugi, minha paciência desaparecendo.

—Eu não parei de me preocupar com você. —Ela disse. —


Aparentemente, você me esqueceu no momento em que saiu pela porta. E dói,
Brady. Pensar sobre você com todas aquelas outras mulheres... dói pra caramba.

107
—Isso significa que estamos quites? Porque você me quebrou, Palmer,
quando disse que não precisava de mim.

—Eu acho que isso significa que você ainda é um idiota.

Eu balancei a cabeça, pegando o preservativo usado e jogando-o no lixo.


Eu joguei minhas ferramentas no balde que eu trouxe.

—Vou terminar outra hora. —Murmurei.

—A noite é uma criança. Ainda há muito tempo para ir encontrar uma


mulher aleatória em um bar. — Ela disse, seu tom frio.

Eu queria pegá-la de volta em meus braços e dizer-lhe que ela tinha


entendido tudo errado. As outras mulheres não eram para me fazer esquecê-la,
elas não podiam.

Mas eu não podia. Maldito seria se eu me expusesse a ela desse jeito


quando ela estava sendo tão louca. Eu apenas fui para a porta da frente e saí,
fechando atrás de mim sem olhar para trás.

108
Capítulo 8

Palmer

O grande bocejo de Danny enquanto eu o ajudava a colocar sua calça de


moletom trouxe um bocejo para mim também.

—Não podemos estar com sono. —Eu disse, sorrindo. —São apenas sete
e meia da manhã.

Eu o ajudei a sentar na beira da cama e ele olhou ao redor da sala, com


olhos arregalados. —Onde está a mãe?

—Ela está dormindo. Vamos ficar quietos para não a acordarmos, ok?

Ontem à noite mamãe esteve distante diversas vezes durante o jantar, e


não comeu nada. Eu podia dizer que Danny estava preocupado com ela, mesmo
dizendo algo sobre isso ou não. E eu não tinha ideia do que dizer. Tranquilizá-lo
parecia errado, porque ela não estava bem. Mas eu não achava que ele
entendesse o conceito de morte, e eu não sabia como explicar.

—Você quer aveia? —Eu perguntei, empurrando sua cadeira de rodas até
a borda da cama. Ele balançou a cabeça e bocejou de novo.

—Você ficou até tarde da noite passada assistindo beisebol? —Eu me


inclinei para ajudá-lo em sua cadeira, tentando levantar com minhas pernas. Mas
ele era quase o dobro do meu tamanho, e maldição, ele era pesado.

—Cubs. —Ele disse.

—Bem, é claro. —Eu sorri quando ele bateu na minha mão para que ele
pudesse rolar sua cadeira para a cozinha em vez de me deixar fazer isso. —E
quem ganhou?

109
—Cubs. —Ele ecoou, sorrindo. Em seu mundo, os Cubs ganhavam todos
os jogos. Eu amava isso. Na verdade, eu tinha começado a gravar os jogos para
que eu pudesse reproduzi-los nas noites que não havia nenhum. Logo os Cubs
iriam ganhar todas as noites da semana em nossa casa.

—Amanda estará aqui em breve. —Eu disse, pegando aveia e frutas para
fazer o café da manhã.

—Manda. —Danny disse.

—Ela é boa, certo? — Eu olhei para ele, tentando avaliar a reação dele.
Ele sorriu, o que significava sim.

A assistente de saúde em casa que eu tinha contratado era uma dádiva de


Deus. Ela trabalhava de noite como assistente de enfermagem em uma casa para
deficientes nas proximidades. Como ela precisava de dinheiro para cobrir às
despesas, ela também estava trabalhando de dia, cuidando de mamãe e Danny.
Ela era capaz e muito doce, passando muito tempo com meu irmão.

Olhei para a panela de água no fogão enquanto pequenas bolhas


começavam a se formar, esperando que fervesse.

—Danny, o que eu vou fazer com o Brady? —Eu disse, observando as


bolhas subirem à superfície.

—Brady! —Ele exclamou.

—Sim. Ele me deu um lindo anel, lembra? Eu senti muita falta dele. E vê-
lo novamente me faz pensar sobre ele o tempo todo. Mas eu o excluí quando ele
queria estar lá para mim, e eu não acho que ele possa me perdoar.

—Almer. — Danny disse, abrindo os braços. Ele estava pronunciando meu


nome assim desde que éramos crianças. Eu caminhei e abracei-o apertado.

—Era exatamente o que eu precisava irmãozinho.

A campainha tocou e quando eu a abri, Amanda me cumprimentou com


um sorriso.

110
—Bom dia. —Ela disse, entrando. Era uma menina alta e curvilínea, loira,
com um corte de cabelo curto que sempre estava úmido quando ela chegava.

—Bom dia. —Eu disse. —Eu fiz café.

—Eu te amo.

Ela foi direto para a cozinha.

—Ei, Danny. —Ela disse. —Eu trouxe um jogo para jogarmos. E eu trouxe
pudim também.

—Pudim!

—Certo. Pudim de chocolate, caramelo ou baunilha. Quem vencer “O


preço está certo” começa a escolher.

Eu sorri. Eles jogavam junto com o game show todos os dias. Amanda era
uma lufada de ar fresco para todos nós.

—Mamãe ainda está na cama. — Eu disse, derramando café na minha


caneca de viagem. —Ela teve alguns... momentos ruins na noite passada.

—Vou verificá-la. —Amanda disse. —Quando é a próxima consulta


médica?

—Quarta-feira.

Ela assentiu com a cabeça. —Tenha um bom dia. Nós temos tudo sob
controle aqui, não é, Danny?

—Cubs. —Ele proclamou.

—Você está certo. —Eu ouvi Amanda dizendo a ele quando eu acenei e
me dirigi para a porta. —Mas precisamos conversar sobre os lançamentos deles
ontem à noite.

Eu liguei para Georges no meu caminho para o escritório, colocando meu


telefone no assento e no viva-voz.

111
—Ei, estranha. —Ele disse. —O que está acontecendo que não nos
falamos durante todo o fim de semana?

—Apenas ocupada. Como foi o seu final de semana?

—Tão bom. Fui ao mercado de pulgas e a um leilão no sábado e marquei


algumas peças incríveis para a casa de Adriane. Conheci um cara bonito na
cafeteria sábado à noite e encontrei com ele para o almoço de domingo.

—Isso é ótimo. —Eu disse. —Detalhes?

—Não há muito para contar. Seu nome é Logan e ele é filho de pais ricos
que está na pós-graduação. Vamos sair sexta à noite. Como foi o seu final de
semana?

Eu parei um segundo e mergulhei fundo. —Bom. Você sabe, cuidei de


mamãe e Danny, lavei minha roupa e transei com Brady.

—O QUÊ? —Seu grito me fez revirar meus olhos quando parei no sinal
vermelho.

—Sim, aconteceu e não terminou bem. —Eu disse, suspirando.

—Você não gozou? —Georges parecia escandalizado, e eu não pude


deixar de rir.

—Oh não, eu gozei muito bem. Essa parte foi épica. Mas nós brigamos
depois, e eu fui uma espécie de cadela.

—Por que você seria uma cadela depois do sexo épico?

—Porque ele se arrependeu, e isso machucou meus sentimentos.

Georges grunhiu em acordo. —Bem, me diga as coisas boas. Como foi?

—Uh, no balcão da minha cozinha.

—Você é uma garota má. —Ele disse, divertido.

112
—Sim. Ele me disse que iríamos foder, e que nunca tínhamos fodido
antes, só fizemos amor.

—Estou suando. —Georges disse.

—Sim. E nós fizemos, e foi incrível.

—Já estava na hora. Eu disse á você o tempo todo que você parecia estar
esperando por ele.

Eu suspirei e esfreguei minha testa. —Não, Georges. Tenho cuidado da


minha família. E ele definitivamente não estáva me esperando.

—O que você quer dizer?

—Ele disse que fodeu uma dúzia de mulheres desde que terminamos.

—Bem, vocês estão separados, e ele é um homem gostoso e solteiro. Não


posso dizer que eu o culpo.

—Eu não quero mais falar sobre isso.

—Se ele soubesse como você se sente...

Eu cortei. —Georges, nem sei como me sinto. Estamos nos encontrando


com os Stanhopes esta manhã?

—Sim, às nove.

—E a apresentação está pronta?

—Vai deixá-los de boca aberta.

—Ótimo. Eu estarei lá em breve, ok? Quer que eu pare e pegue um


cappuccino pra você?

—Tenho mesmo que responder a isso?

Eu sorri. —Ok. Vejo você daqui a pouco.

113
Concentrei minha mente na grande reforma dos Stanhopes. Felizmente,
eu não precisava ir à casa de Derek e Adriane hoje. Eu tinha um desejo irritante
de ir de qualquer maneira, porque eu não estava orgulhosa de alguns dos
comentários que eu tinha feito para Brady. Mas teria de esperar. Hoje eu
precisava recuperar o atraso no trabalho dos meus outros clientes.

Brady

Eu coloquei uma folha de carvalho Inglês na plaina, o zumbido familiar da


máquina trabalhando estava aliviando um pouco da minha tensão. Se o fim de
semana pareceu longo, hoje pareceu muito mais longo.

Eu não estava enfurecido com Palmer tanto quanto eu estava comigo


mesmo, mas eu tinha certeza como o inferno que eu descontei nela. Ela não
estava vindo a mim, ela estava chorando por sua mãe. Eu fui o único que me
aproximei dela e tornei isso em algo mais.

Minha cabeça ficou dando voltas todo o fim de semana pensando se ela
viria à construção hoje. Eu poderia apenas ter ligado para ela e conversado, mas
em vez disso fiquei na minha até que eu explodi hoje, reclamando com os caras
sobre merdas que normalmente não me incomodava.

E agora eu estava na antiga oficina do meu pai, criando um banco às 22h


quando eu deveria estar em casa. Troy e eu estávamos hospedados em um
pequeno apartamento enquanto fazíamos esse trabalho. Mas esta noite eu senti
que eu precisar ir ao lugar onde eu mais me sentia em casa, o lugar em que eu
cresci.

Meu pai me ensinara a trabalhar com madeira nesta oficina, começando


com restos de madeira e trabalhando com belas e exóticas madeiras que
transformávamos em móveis. Nós raramente conversávamos quando estávamos

114
na oficina, nós dois apenas fazíamos a nossa coisa. No entanto, esses eram os
momentos em que eu me sentia mais próximo dele. Papai era um professor
natural, ele sempre apontou como eu poderia melhorar minhas habilidades.
Quando ele parou de comentar, senti orgulho de ter dominado a arte que ele me
ensinou.

Não havia espaço em meus pensamentos para ressentimentos com ele


agora. Eu só estava pensando em Palmer. Ela estava me evitando. E tanto quanto
eu odiava isso, era melhor para nós dois. Eu tive que resolver minhas coisas.
Assim que a casa de Derek terminasse, eu voltaria para o Colorado. Os negócios
estavam ótimos lá, Troy foi capaz de ficar limpo e a vida era muito mais fácil.

A porta da oficina abriu com um rangido e minha mãe enfiou a cabeça.

—Eu trouxe o jantar. —Ela disse. Eu balancei a cabeça e ela entrou com
um prato de bolo de carne e purê de batatas.

—Você não precisa ficar acordada só porque eu estou aqui. —Eu disse. —
Vou ficar até tarde.

—Já é tarde. E eu gosto de ficar acordada até tarde porque você está
aqui.

Ela colocou o prato em uma bancada de trabalho e eu fui comer.

—Obrigado. Estou faminto.

—O que está acontecendo com você? —Mamãe puxou uma cadeira e se


sentou. Eu não me lembrava que seu cabelo castanho escuro tinha os fios
grisalhos que eu via agora. Provavelmente culpa do papai.

Eu dei de ombros, ocupando-me com a comida.

—Brady, eu te conheço muito bem para acreditar que você só estava com
vontade de trabalhar com madeira a esta hora. Esta é a sua fuga. Sempre foi a
fuga do seu pai também.

115
—Espero que não tenhamos nada mais do que isso em comum. —
Murmurei.

—Isso é o que está incomodando você? As pessoas estão lhe dando


problemas agora que você está de volta em casa para este trabalho?

Eu balancei a cabeça, afundando em uma cadeira em frente a ela. —É


Palmer. Ela é designer de interiores da casa de Derek.

—Oh.

O silêncio perdurou no ar por vários segundos.

—Isso está realmente bom. —Eu disse depois de engolir uma mordida de
bolo de carne.

—Fale comigo, Brady. Você mantém tudo para si e não é bom. Diga-me
como você está se sentindo ao ver Palmer novamente.

Eu passei uma mão pelo meu cabelo, considerando. Mamãe e eu sempre


tivemos um relacionamento aberto, mas havia algumas coisas que ninguém
queria discutir com sua mãe.

—É difícil.

—Ainda há sentimentos?

Eu considerei enquanto mastigava. —Sim. Na verdade é pior do que os


sentimentos que já estavam lá. Eles são mais fortes do que eram antes.

—Por que isso é ruim?

—Porque eu não gosto dela ter qualquer tipo de controle sobre mim. Ela
partiu meu coração, lembra?

Os lábios de mamãe curvaram-se ligeiramente. —Você não partiu o dela


também?

—Ela não me deixou muita escolha.

116
—Acho difícil de acreditar. Ela estava tão apaixonada por você. E você
sempre tendeu a ficar emocional quando se tratava dela. Você reagiu
exageradamente, talvez?

Enruguei minha sobrancelha. —De que lado você está aqui? Você sabe o
que aconteceu. Ela me disse que sua mãe estava doente e não havia mais espaço
para mim. O que eu poderia ter feito?

—Você poderia ter deixado as coisas se acalmarem. Esse foi o dia em que
sua mãe foi diagnosticada com uma doença terminal, Brady. Quem está pensando
racionalmente em um dia como esse? Você poderia tê-la confortado e
tranquilizado.

Suspirei profundamente e encontrei o olhar de mamãe. —Devia, você


quer dizer? Eu deveria ter feito isso?

Ela arqueou as sobrancelhas perguntando. —O que você acha?

—Sim. Eu fiquei fora de min e eu não deveria ter ficado. Mas eu pensei
que ela ligaria e que poderíamos conversar mais sobre isso.

—Ela provavelmente pensou que você ligaria. Então um grande amor


terminou por teimosia?

—É claro que nunca terminou para mim. —Eu disse, passando uma mão
pelo meu cabelo. —Mas agora eu estou magoado com ela.

—A magoa não te leva a lugar algum.

Dei de ombros. —É o que é. Eu estou magoado com ela.

—Ela está magoada com você?

—Eu não sei.

—E o que significa mais para você, amá-la ou estar magoado com ela?

Cruzei os braços sobre o peito, incapaz de encontrar uma resposta.

117
—Eu tive que me fazer essa mesma pergunta depois que seu pai foi para
a prisão. —Ela disse. —Eu estava entorpecida durante a parte da prisão e
julgamento. Mas depois que ele se foi, eu não tinha nada além de tempo em
minhas mãos. Não queria deixar a casa porque eu estava muito envergonhada
para mostrar o meu rosto. E eu pensei muito nas coisas.

—E como você deu a volta por cima?

—Eu decidi que mesmo que ele seja um homem muito falho, ele é meu
homem falho. Meu marido. Teremos trabalho pela frente, mas nosso casamento
vale a pena.

Eu tentei manter longe a amargura de minha voz quando falei, mas era
impossível. —E não te incomoda que ele não esteja arrependido? Ele roubou
dinheiro que não era dele, ferrou os fundos de aposentadoria das pessoas e me
deixou com uma bagunça enorme. E tudo que ele pensava era nele mesmo. Em
seu recurso.

—Você o viu desde que você voltou?

Eu balancei a cabeça com desgosto.

—Você deveria ir vê-lo. —Ela disse, pegando meu prato vazio. —Não por
ele. Por você.

Eu a observei de novo, coberta com uma roupa roxa macia, enquanto ela
se dirigia para a porta da garagem.

—Você fez aquele bolo de carne só para mim?

Ela se virou e sorriu. —Claro que sim. Sinto falta de cozinhar para alguém.

—Você pode cozinhar para mim a qualquer hora.

—Você vai trazer Palmer para jantar algum dia?

O pensamento me fez se remexer desconfortavelmente. Encontrá-la era


uma coisa, mas trazê-la de volta para ver minha mãe? Isso era outra coisa.

118
—Vamos ver. —Eu disse, voltando para o meu projeto.

Palmer

A chuva batendo no telhado de mamãe era esperada. Eu apreciei o som


dela, sabendo que isso significava que eu não teria que regar as flores que eu
tinha plantado em vasos ao lado da entrada da garagem.

Eu tinha lavado a louça do jantar e Danny estava imerso em um jogo de


beisebol na TV. Quando me dirigi para a porta da frente, tive um sentimento de
gratidão por este momento. Mamãe estava se sentindo bem esta noite, e ela
estava sentada no balanço da varanda da frente, assistindo a chuva.

Ela olhou para mim e sorriu quando eu saí e me sentei ao lado dela. O
câncer estava travando uma batalha contra seu corpo, mas seus olhos tinham o
mesmo redemoinho de avelã e calor que eu sempre conheci.

—Ei. —Eu disse.

—Olá. Como você está indo?

—Eu? Eu estou bem.

Nós balançamos em silêncio por alguns segundos, uma névoa leve do


aguaceiro batendo em meu rosto, mesmo que a varanda tivesse um toldo.

—Há algo sobre a morte que me faz pensar sobre minha vida. —Mamãe
disse suavemente.

Meu peito apertou. Eu queria pressionar minhas mãos sobre minhas


orelhas ou levantar e ir embora. Não importa o que os médicos dissessem, eu não

119
podia deixar minha mente pensar no que ela estava dizendo. Ela estava doente,
mas ela ainda estava aqui. Era nisso que eu focava todos os dias.

Ela virou o rosto magro para mim. —Eu fui negligente com você. Mesmo
que eu tenha amado você e Danny igual, eu sempre dei a ele mais do meu tempo.

Eu suspirei e desviei o olhar. —Mãe, não diga isso. Você tinha que lhe dar
mais atenção. Ele precisava mais de você.

—Eu disse isso a mim mesma na época, também. Mas... —Ela balançou a
cabeça tristemente. —Você se lembra daquele recital de dança quando estava na
quarta série?

Claro que eu me lembrava, mas por que ela queria falar sobre isso agora?
Foi há tanto tempo, e tinha passado.

—Todas as mães se uniram para fazer os tutus de balé das meninas, roxo
com lantejoulas. Elas usaram tule, vários metros, e assim as saias ficaram
armadas. Mas eu não podia deixar Danny sozinho a noite, então eu comprei um
tutu na loja para você.

Ela não precisava descrever o tutu, eu ainda podia vê-lo em minha


mente. Tinha sido apenas uma saia roxa. Fiquei mortificada quando meu
professor de dança olhou para ele, as sobrancelhas arqueadas com desdém, e
perguntou onde estava meu tutu. Eu murmurei uma desculpa sobre esquecê-lo,
minhas bochechas flamejando de vergonha.

—Eu nem fui ao recital. —Mamãe disse, suspirando profundamente e


olhando para o carvalho no seu pequeno quintal. —Acho que Danny estava tendo
um colapso naquela noite e eu estava com medo de ir, então eu apenas te deixei.

Eu cortei defensivamente. —Não era como se você não quisesse ir, mãe,
você não podia. Se alguém é o culpado, é o papai, por abandonar a família dele
quando as coisas ficaram difíceis. Você fez o seu melhor.

120
Ela pegou minha mão e apertou-a. —Tenho certeza que este não foi o
sentimento de uma garotinha que estava sozinha em seu recital usando a saia
errada.

Apertei meus lábios, forçando para trás a emoção que surgiu em minha
garganta. —Não vamos pensar em nada disso. —Eu disse. —Que tal um chá
gelado?

Embora ela concordasse com a cabeça, seu rosto caiu com um toque de
decepção. —Claro, isso soa bem.

Entrei em casa para preparar chá fresco, tirando os cubos de gelo da


bandeja enquanto eu esperava, depois limpando o balcão da cozinha novamente
por precaução.

Quando eu parei perto da ilha e apoiei minhas mãos nela, a emoção


inundou-me. Deus, isso era difícil. Eu não estava preparada para nada disso.
Minha mãe foi a minha rocha durante os tempos difíceis, e eu queria fazer esse
papel para ela agora, mas puta merda, se eu soubesse como.

Fechando os olhos, sorvi algumas respirações profundas. Não era hora de


chorar ainda. Eu poderia aguentar por mais algumas horas. No santuário do
porão, eu choraria até soluçar.

Eu puxei copos do armário e peguei os saquinhos de chá. Agora, eu ia ser


boa companhia para mamãe nesta noite chuvosa de verão.

121
Capítulo 9

Palmer

As borboletas voltaram. Quando vi a caminhonete de Brady estacionada


ao lado da estrada de cascalho na casa de Derek e Adriane, não havia como parar
a vibração no meu estômago. Passaram-se seis dias desde que o vi, mas parecia
uma eternidade.

Quando me aproximei da casa, Brady estava falando com um de seus


funcionários, gesticulando como fazer algo com as mãos. Ele me lançou um olhar
de soslaio enquanto eu passava por ele e entrava na casa.

O que ele estava pensando? Ele também estava lutando com emoções
misturadas? Eu fui incomodada por pensamentos dele com outras mulheres todo
o fim de semana. E me perguntei como competir com as mulheres que ele teve
depois de mim. Provavelmente eu não poderia, já que ele era meu primeiro e
único.

Eu estava indo para a adega de vinhos quando ouvi passos atrás de mim
na escada. Esperei no pé da escada e Brady chegou num ritmo que
definitivamente me faria cair, suas pesadas botas batendo contra os degraus de
madeira.

—Você pode fazer um esforço para se vestir mais profissionalmente


quando você estiver aqui? — Ele disse em um rosnado.

Enruguei meu rosto em confusão, olhando para minha saia lápis cinza,
sapatos de saltos pretos e aberto nos dedos e camisa sem mangas preta.

—Profissional? —Eu olhei de volta e encontrei seu olhar. —O que não é


profissional nisso?

122
—Você está mostrando muita pele. —Ele arqueou as sobrancelhas em
julgamento.

—O quê? —Eu olhei para ele. —Apenas meus braços, Brady.

—E suas pernas.

Eu revirei os olhos. —As mulheres têm usado saias no local de trabalho


por décadas, seu homem das cavernas.

—Não em locais de construção, baby. Isso é uma distração para a minha


equipe.

—Eu duvido seriamente que minha saia esteja distraindo alguém.

Brady inclinou-se para perto e senti o calor de seu corpo perto do meu. —
Está me distraindo.

Eu zombei como se eu duvidasse, mas meu coração batia como um louco.


Ele estava dizendo que ele ainda gostava do que via? Eu parei de me sentir como
uma mulher há muito tempo. Minha vida consistia em trabalhar, cuidar da minha
família e dormir. Ninguém olhou para mim do jeito que Brady estava olhando
agora mesmo, olhos escuros, olhar faminto. Talvez eu tivesse sido mais do que a
mulher mais próxima do seu alcance na outra noite.

—O que você quer que eu use? —Eu perguntei fracamente, tentando


pensar em algo, qualquer coisa, além de me jogar contra ele como um animal no
cio.

—Jeans e camisas com manga seria um excelente começo. E tênis.

Eu levantei minhas sobrancelhas para ele. —Este não é o único trabalho


que estou fazendo. Tenho reuniões com clientes. Eu não posso usar jeans e tênis.

Ele balançou a cabeça, obviamente frustrado. —Eu nunca tive que lidar
com o meu pau duro no trabalho, Palmer. Você pode me ajudar e se vestir de
forma mais conservadora? E parar de usar esse perfume?

123
—Oh. —Eu mordi o lábio, tentando não sorrir. Olhar para mim o deixou
duro. Era impossível não sorrir.

—Não é engraçado, raposa. —Ele murmurou, passando uma mão pelos


cabelos dele.

Eu ri e dei um olhar bajulador. —Eu sinto muito. Não é como você pensa.
É só... eu sou a coisa mais distante de uma raposa. E eu estou um pouco
impressionada que, apesar de não ter ido a um salão de cabeleireiro em vários
meses e estou vestindo roupas que eu tenho há anos, você ainda pensa que vale
a pena olhar pra mim.

—Eu fiz muito mais do que olhar na outra noite.

Meu rosto corou quando me lembrei disso. A maneira como ele puxou
meus cabelos e bateu dentro de mim sem nenhuma misericórdia me fez sentir
mais sexy do que nunca. Saber que eu despertei isso nele também trouxe os
mesmos desejos primitivos em mim.

—Você adorou, não foi? —Ele disse, um sorriso arrogante iluminando


todo o rosto. —Diga.

—Eu adorei. —Eu disse, incapaz de encontrar seu olhar. —Você não
percebeu?

Ele se aproximou, falando em tom baixo. —Não, diga querida. Diga que
você amou eu fodendo você.

Levantei meu queixo e fixei meus olhos nos dele, me deixando ousada. —
Eu amei você me fodendo. Eu não sabia que poderia doer e me sentir tão bem ao
mesmo tempo.

Ele correu uma mão sobre seus cabelos e suspirou profundamente. —Eu
fico marcando meu irmão o tempo todo sobre drogas, mas você sabe o que? Você
é minha droga. Você esteve na minha mente o tempo todo desde a noite de
sexta-feira. Eu desejo você, Palmer. Ninguém mais. Meu coração sempre

124
pertenceu a você, e você o partiu, mas há algo sobre saber que seu corpo
pertence a mim que faz com que ele se sinta um pouco melhor.

Minha cabeça boiava e meu coração martelava incontrolavelmente.


Mesmo depois de estarmos separado há tanto tempo, ele ainda sentia algo. Não
me importaria se fosse apenas físico, pelo menos, isso era algo.

—Por favor, me beije. —Eu disse, minha voz quase um sussurro. Ele
colocou sua grande mão no meu queixo e na linha da mandíbula, inclinando meu
rosto para encontrar o dele e me beijou suave e devagar. Era o oposto da outra
noite. Sem mordida. Sem dor. Apenas sua língua dançando com preguiça com a
minha, fazendo-me querer mais.

Peguei a protuberância em suas calças e acariciei sua ereção rígida.

—Desculpe-me por algumas coisas que eu disse na outra noite. —Eu falei.
—Não tenho o direito de ser amarga sobre você estar com outras mulheres.

Um sorriso puxou o canto de seus lábios. —Você acha que eu poderia


querer qualquer outra mulher depois de fodê-la daquele jeito, Palmer? Eu me
aliviei todas as noites apenas relembrando aquilo. Não há outras mulheres. Não
se eu puder ter você.

Eu exalei com alívio e desabotoei seu jeans. —Deixe-me fazer isso pra
você.

Com um pequeno gemido, Brady afastou minha mão de sua ereção. —


Não.

—Oh. —Meu rosto se aqueceu com vergonha. —Eu sinto muito.

—Não me interprete mal. —Ele disse, pegando uma mecha do meu


cabelo e passando os dedos sobre ela. —Eu adoraria vê-la na minha frente de
joelhos, mas não aqui. Não no trabalho.

Mordi o lábio, me sentindo castigada.

125
—Almoço? —Ele perguntou, passando um polegar sobre meu lábio. —Na
minha caminhonete?

Eu acenei com a cabeça, minha pele se aquecendo ao pensar em estar


perto dele novamente. Eu também o desejava. Se era certo ou errado, uma boa
ou má ideia, eu queria a fuga da tristeza que só seu corpo poderia fornecer.

—Encontre-me ao meio dia. —Ele disse, voltando para a escada. Olhei


para o meu relógio enquanto eu observava ele voltar para o andar de cima.
Apenas duas horas para me forçar a pensar em projetar este porão.

Brady

Seu cabelo foi puxado para trás em um coque enquanto ela se


aproximava da caminhonete com uma expressão que era uma tentativa de
parecer fria. Eu a conheço melhor, no entanto. Aqueles olhos castanhos escuros e
a pele corada em seu pescoço derrubaram sua máscara.

—Com fome? —Eu perguntei, abrindo a porta do lado do passageiro para


ela. Suas bochechas ficaram coradas quando ela assentiu e entrou.

Todos aqui do trabalho podiam nos ver saindo juntos. Meus caras
provavelmente estavam fazendo comentários obscuros nas mesas em que
estavam sentados perto do trailer para o almoço. Eu não me importava. O bom
senso se esquivava de mim quando se tratava de Palmer. Era por isso que eu
tinha que fugir daqui assim que este trabalho estivesse pronto.

126
Mas, por enquanto, foda-se. Eu era como um viciado no meu caminho
para ficar chapado. Meu corpo inteiro zumbiu com energia sexual e meu pênis
esforçou-se contra meu jeans, fazendo-me mudar no meu assento.

—É diferente quando outras mulheres te dão... sexo oral? —Palmer


perguntou. —Elas são melhores do que eu?

Sua expressão sincera me fez querer alcançá-la e tranquilizá-la com um


toque. Mas eu mantive minhas mãos no volante.

—É difícil de explicar. —Eu disse.

—Tudo bem, você pode me dizer. Tenho certeza de que a experiência é


uma coisa boa nesse departamento.

Aqui estava uma chance de obter uma pequena revanche sobre ela, para
devolver uma pequena dose da dor que ela tinha infligido em mim. Mas eu não
podia mentir.

—Com outras mulheres, é um meio para um fim. Eu só quero me aliviar.


Eu fecho meus olhos e limpo minha cabeça ou... penso em você. Com você,
adorava assistir você fazendo isso. Adorava ensinar-lhe como eu gosto. Saber que
nunca tinha chupado ninguém além de mim, era uma grande satisfação.

Ela pressionou a mão em sua coxa e apertou-a, olhando para frente na


rua. —Apenas ouvir você falar me deixa assim tão... nós nunca falamos sobre
sexo.

Não pude deixar de sorrir. —Isso é verdade. Nós conversamos sobre


quando íamos fazer, mas nunca sobre o próprio sexo.

—Onde estamos indo?

—Para um terreno que eu tenho aqui perto.

—Um terreno vazio? —Palmer virou-se para mim, com olhos arregalados
em alarme.

127
—É muito mais do que um terreno. São várias dúzias de hectares de área
arborizada. Comprei-o da companhia do meu pai quando eu comecei a minha. É
muito privado.

Em um esforço para relaxá-la, liguei uma música. Ela parecia nervosa,


embora eu não tivesse ideia do por que. Palmer nem tinha que tentar me excitar.
Apenas de estar em sua presença me deixava duro.

Eu virei para uma estrada de terra que levava até a floresta, estacionando
na frente de um portão de metal que bloqueava o caminho. A chave para
desbloqueá-lo estava no meu porta-luvas, e os olhos de Palmer me observavam
quando eu me inclinei para pegar o chaveiro.

Ela parecia tão bonita e tão pronta que eu não consegui evitar. Inclinei-
me para o colo dela e pressionei um beijo em sua coxa nua, logo abaixo da saia.
Seu corpo se apertou e ela gemeu suavemente.

Estar em vantagem era bom pra caralho. Saí da caminhonete e fui até o
portão, demorando-me a destravá-lo. Prolongar sua excitação só aumentaria seu
prazer quando chegássemos ao finalmente.

Passei o portão e tranquei-o atrás de nós. Esta propriedade era toda


arborizada, inteiramente isolada. Eu dirigi mais uns quatrocentos metros para
que Palmer se sentisse segura de que ninguém poderia nos ver aqui. Quando
estacionei a caminhonete, ela olhou para mim e lambeu os lábios.

—Tire sua camisa. —Eu disse. —E seu sutiã.

Ela hesitou um segundo, mas depois o fez. Meu pulso acelerou quando o
sutiã vermelho desapareceu, expondo os seios pequenos e perfeitos. Eu queria
estender a mão e tocá-los, mas eu sabia onde isso levaria. Eu já tinha algo em
mente hoje.

Eu respondi ao seu olhar expectante, vendo o quanto ela gostava de mim


assumindo a liderança.

—Tire a calcinha. Mantenha a saia. E deixe o cabelo solto.

128
Quando seu longo e suave cabelo caiu em torno de seus ombros nus, as
pontas roçando em seus mamilos, gemi e forcei minhas mãos a permanecerem
quietas. Sua pele branca e macia implorava para ser acariciada.

—Você está molhada, Palmer? —Eu perguntei, meus olhos ficaram presos
nos dela. Ela corou e assentiu. Coloquei uma mão em seu joelho e corri por sua
coxa interna, sua respiração parando em sua garganta enquanto eu avançava sob
sua saia.

Meus dedos roçaram os cachos úmidos e eu sabia que ela estava molhada
antes de colocar um dedo dentro dela. Seus olhos brilhavam com luxúria e eu
sentia uma onda de necessidade de possuí-la neste momento. Não havia nada
além disso, sem tensão, sem preocupação, sem tristeza.

Ela pegou a braguilha do meu jeans, tentando desabotoá-lo. Eu puxei


minha mão de volta e a ajudei, sua expressão de necessidade alcançando algo
profundo dentro de mim. Quando meu pau foi libertado da minha boxer, Palmer
pressionou meus quadris, me pedindo para mover minhas costas contra a porta
para que ela pudesse se curvar no meu colo.

Onde estava minha noiva inocente e desastrada? Eu nunca tinha visto


esse lado dela e estava prestes a desfazer-me antes mesmo de ela me tocar.

Eu tive que recuperar o controle, e eu lutei quando ela se curvou e


lambeu a cabeça do meu pau. Ela era tão sexy e doce ao mesmo tempo. Eu queria
apenas acariciar minhas mãos através de seus cabelos e assistir. Mas nosso sexo
primitivo no balcão da cozinha abrira a porta para mais.

—Você me provocou toda a manhã, baby. —Eu disse, minha voz rude
enquanto eu falava através da excitação. —Andando naquela saia e me dando
aqueles olhares. Terminaremos com isso agora. Coloque meu pau na sua boca.

O murmúrio de seu gemido quando ela desceu pelo meu eixo me forçou a
respirar. Ela trabalhou sua boca para cima e para baixo no meu pênis, suas mãos
agarrando minhas coxas.

129
Afastei seu cabelo para que eu pudesse assistir, e isso era quase demais.
Era tão difícil se segurar enquanto ela me sugava tão ansiosamente, seus olhos
escuros de desejo. Enrolei uma mão em seus cabelos e flexionei meus quadris
para a frente.

—Foda-se, isso é gostoso. —Eu disse enquanto ela me levava fundo.


Tanto quanto eu queria esticar o máximo de tempo que eu pudesse, a visão de
seu traseiro no ar no banco da frente da minha caminhonete era demais. Depois
de mais um minuto, eu gozei forte, gemendo e puxando seus cabelos, que
estavam emaranhados na minha mão. Os olhos dela ficaram fixos no meu, e eu
estremeci e soltei uma exalação esfarrapada, dominado pela intensidade que ela
tirou de mim.

Ela engoliu cada gota, e cada músculo no meu corpo relaxou. Mesmo
depois de todo esse tempo, ela ainda tinha um efeito mais profundo sobre mim
do que qualquer outra mulher já teve. O pensamento fez meu estômago mexer
com desconforto.

—Você gosta disso? —Perguntei, recuperando-me. Eu tinha que voltar a


controlar essa situação. —Deixe eu me provar em você.

Seus lábios se separaram de surpresa e aproveitei a chance para beijá-la,


duro e profundo. Eu nunca conversei com ela assim quando estávamos juntos,
tudo era suave e amoroso. Mas agora não havia limites.

—Eu gosto disso. —Eu disse, afastando-me e alcançando entre suas coxas.
—Você é uma pequena e doce chupadora de pau, baby. Eu ensinei você bem.

Assim que meus dedos passaram por seu clitóris, seu corpo ficou tenso em
resposta. Mas ela relaxou um segundo depois, deslizando seus quadris para
frente e para trás para criar fricção.

—Você quer gozar? —Eu perguntei, fixando os olhos nela. Ela assentiu,
com o rosto turvado de desejo. Eu pensei em prolongar isso, mas meus dedos a
trabalhavam instintivamente, espalhando a umidade sobre seu clitóris inchado.
Um leve som e desesperado escapou de seus lábios quando ela se aproximou e eu
coloquei meus dedos exatamente onde ela precisava deles.

130
—Goze pra mim, Palmer. Você gosta dessa maneira, não é? Ser tocada na
minha caminhonete como uma garota desesperada e safada.

Ela agarrou meus ombros com força e gritou. Eu adicionei mais pressão,
contente com sua expressão de luxuria enquanto ela alcançava seu orgasmo
contra minha mão. Quando ela relaxou e parou de enterrar suas unhas na minha
camisa, eu diminuí o ritmo, e ela sorriu timidamente.

—Valeu a pena pular o almoço. —Ela disse, afastando-se e puxando a saia


sobre os quadris.

—Se você está com fome, podemos pegar um sanduíche no caminho de


volta.

—Sim.

Eu limpei minha garganta quando abotoei meu jeans e olhei para ela.

—Ahh, não quis sugerir sanduíches dois segundos depois de você ter
gozado. Você queria...?

Ela arqueou as sobrancelhas e me deu o sorriso que poderia me fazer


dizer sim a qualquer coisa. —O que, um abraço? Nós estamos na sua
caminhonete, então eu não estava esperando isso.

—Ok. —Eu liguei a caminhonete, resistindo a minha vontade de me


inclinar e beijá-la. O momento acabou. Nós demos prazer um ao outro, gozamos e
terminamos agora. Era hora de voltar ao trabalho, onde eu poderia
esperançosamente tirá-la da minha cabeça.

131
Palmer

Quando entrei na garagem de mamãe, eu ainda tinha um sorriso no meu


rosto da minha escapada no almoço com Brady. Durante esse tempo em sua
caminhonete, eu não me sentia como uma mulher com o peso do mundo em seus
ombros. Eu me sentia jovem, despreocupada e mais do que um pouco
impertinente.

Eu pediria pizza hoje à noite. Danny e eu assistiríamos beisebol e teríamos


uma noite tranquila em casa. Eu estava pensando no que eu pediria quando vi sua
cadeira de rodas perto da entrada lateral da casa, vazia.

Meu coração bateu descontroladamente. Agarrei a trava da porta e abri,


as lágrimas em pânico brotando nos meus os olhos.

—Danny! —Eu gritei, correndo em direção a sua cadeira. Eu estava tão


preocupada com mamãe que eu tinha me esquecido que Danny também era
frágil e vulnerável.

Olhei em volta da cadeira por quaisquer sinais do que aconteceu. Estava


parada silenciosamente, sem pistas.

—Danny! Onde está você?

Eu busquei na minha bolsa o meu celular, minha cabeça girando. Por que
eu confiara o cuidado de meu irmão a uma estranha? Eu não poderia viver
comigo mesmo se ele estivesse ferido.

Acelerando minha mão que estava tremendo, eu estava prestes a marcar


o 911 quando uma nota de risada aguda me fez virar para o quintal. Eu corri em
direção a isso, ainda me sentindo como se eu estivesse prestes a estourar quando
eu virei a esquina.

Era Amanda rindo, um sorriso largo em seu rosto enquanto caminhava


atrás de Danny, segurando um cinto em volta de sua cintura. Ele estava

132
inclinando o peso sobre um andador, dando pequenos passos com o pé bom e
arrastando o outro atrás dele. Uma transmissão de rádio de um jogo de beisebol
estava vindo de um antigo rádio no topo da mesa de piquenique quebrada da
mamãe.

—Você conseguiu isso, astro do rock! —Amanda disse a Danny. Sua


expressão tinha a mesma determinação que eu tinha visto quando ele rodou sua
própria cadeira. —Volte para a sua cadeira, Danny. Você consegue fazer isso.

Quando Danny levantou o olhar e me viu, minhas lágrimas escorriam. Não


apenas de alívio, mas também o olhar de puro orgulho em seu rosto.

—Danny. —Eu disse suavemente. Eu me aproximei e agarrei suas


bochechas nas minhas mãos.

—Almer. —Ele disse, feliz. Pela primeira vez, meu irmão mais novo estava
mais alto do que eu. Ele sorriu para mim e eu me forcei a não irromper em
lágrimas.

—Vou pegar sua cadeira. —Eu disse, virando. Eu dei um olhar assassino a
Amanda, mas ela não ficou nem um pouco surpresa com isso.

—Ele não precisa disso. —Ela disse. —Ele vai caminhar até ela. Deixe ele
fazer isso, Palmer.

Meu coração bateu, agora com indignação ao invés de preocupação.


Como é que essa mulher levantava as esperanças do meu irmão?

—Seu médico disse há muito tempo que uma cadeira de rodas era a
melhor opção para Danny. —Eu disse, obrigando minha voz a permanecer
agradável.

—Penso que é em algumas circunstâncias. Mas também é bom para ele.


Com a fisioterapia, acho que ele poderia fazer coisas que a surpreenderiam.

Eu recuei, ofendida e rejeitada ao mesmo tempo. —Ele é meu irmão. Eu


sei o que é melhor para ele.

133
Assim que as palavras saíram da minha boca, ouvi a voz da minha mãe
discutindo com os profissionais que trabalharam com Danny ao longo dos anos. -
Ele é meu filho. Eu sei o que é melhor para ele.

Então, ela o manteve ao seu lado, atendendo a todas as suas


necessidades. Danny nunca tinha sido incentivado porque mamãe sempre estava
preocupada de que ele se machucasse ou ficasse desapontado.

—Confie em mim, Palmer. — Amanda disse, encontrando meu olhar com


um caloroso sorriso. —Incentive-o e elogie-o e ele chegará a essa cadeira.

Eu acenei com a cabeça, lágrimas nublando minha visão quando Danny


começou sua lenta viagem em minha direção.

—Danny. —Eu disse, sorrindo amplamente na esperança de que minhas


lágrimas não o confundissem. —Você é incrível. Você está tão bem. Não tenha
pressa.

Depois de alguns passos, ele parou, respirando mais forte do que o


habitual. Eu olhei interrogativamente para Amanda. Ela apertou o cinto de
suporte elástico em uma mão e esfregou uma mão sobre suas costas com a outra.

—Respire fundo, Danny. Este é um trabalho árduo. —Ela disse em um


tom calmante.

Logo, ele retomou o passo e acelerou o ritmo. Quando ele virou a esquina
e sua cadeira apareceu, ele deu um grito de felicidade.

—Tudo bem, Palmer. —Amanda disse. —Vá para a cadeira e gire-a para
que possamos ajudá-lo a se sentar sem que ele precise girar.

Fui até a cadeira e a girei, esperando.

—O que você teria feito se eu não estivesse aqui? —Eu perguntei, meus
instintos protetores ainda não estavam completamente convencidos de que essa
era uma boa ideia.

—Nós usaríamos a parede para sustentar a cadeira. —Ela disse.

134
—Você já fez isso antes? —Eu fechei meus olhos, esbravejando comigo
mesma pelo meu tom de julgamento. —O que quero dizer é que você já fez isso
antes! Danny, estou tão orgulhosa de você!

O suor escorria por sua têmpora enquanto ele dava os últimos passos.
Peguei um cotovelo e Amanda pegou o outro. Nós o ajudamos a sentar em sua
cadeira, onde ele balançou os braços e gritou alegremente.

Abracei-o, uma nova rodada de lágrimas se formando.

—Isso foi incrível. Eu amo você, Danny. Você me deixa tão orgulhosa.

Eu beijei sua bochecha e me afastei, e Amanda fechou o punho dela para


que ele batesse.

—Ótimo trabalho. —Ela disse. —Eu também estou orgulhosa de você.


Agora entraremos para que você possa assistir o resto deste jogo na TV.

—Você quer ficar para a pizza? —Perguntei a ela.

—Claro, obrigada.

Ela começou a empurrar Danny da rampa até a porta, olhando para mim
enquanto eu alcançava a maçaneta da porta.

—Ei. —Ela disse. —Há alguém do atendimento domiciliar com a sua mãe.
Eu os chamei porque ela estava com dor. Eu acho que ela está descansando
confortavelmente agora, mas a enfermeira está apenas se certificando de que
tudo está bem antes de ir embora.

Eu engoli e assenti com a cabeça. Eu conheci recentemente os


representantes do atendimento domiciliar e, os tirei da minha mente assim que
saíram pela porta. As coisas que falaram eram muito dolorosas para considerar.
Mas agora não havia escolha.

—Eu gostaria de entrar e vê-la. —Eu disse. —Você pode ligar para a
pizzaria que está no imã na geladeira e encomendar? Eu não sou exigente. Danny
só não gosta de pimentão verde.

135
Amanda assentiu. Assim que entramos com a cadeira de Danny, respirei
fundo e fui até a porta do quarto de mamãe.

Eu abri a porta e vi uma mulher sentada em uma cadeira de cozinha ao


lado da cama, lendo em um brilhante e-reader. As cortinas foram puxadas e um
ventilador estava zunindo no canto da sala.

—Oi. —Ela sussurrou, parando. —Eu sou Sara.

—Palmer. —Eu disse. —A filha.

—Muito prazer em conhecê-la. Ela está muito melhor agora. O


medicamento age rapidamente.

Meu rosto contorceu enquanto eu desejava não chorar.

—Eu me sinto mal por não estar aqui. —Eu disse. —Queria que Amanda
tivesse me chamado.

Sara envolveu sua mão gorda ao redor da minha. —Ela estava apenas
com um pouco de dor. Isso acontecerá e é para isso que estamos aqui. Ela está
bem agora, apenas descansando.

A forma franzida e frouxa de mamãe, imóvel na cama, me lembrou que


um dia em breve, ela não estaria bem.

—Ela vai acordar, certo? —Perguntei.

—Sim, mas não por um bom tempo.

Assenti com a cabeça e envolvi meus braços em volta de mim. —Bom.


Quero falar com ela sobre Danny andando. Ela ficará tão feliz em saber sobre isso.

As palavras levaram a mais lágrimas. Haveria tantos momentos que


mamãe não faria parte. Sara me envolveu em um abraço, me balançando
ligeiramente enquanto eu chorava em sua camisa.

Eu me afastei depois de alguns minutos, limpando meu rosto. —Eu sinto


muito. Você me conhece num minuto e no próximo estou molhando sua camisa.

136
Ela acenou com a mão. —É para isso que estou aqui. Eu vou ficar com ela
por um pouco mais de tempo.

—Obrigada.

Saí do quarto e fui ao banheiro, precisando de um momento sozinha


antes de voltar para Danny e Amanda. A minha felicidade pela realização de
Danny caiu assustadoramente em questão de segundos.

E as coisas ficariam ainda piores. O pensamento me fez implorar por


Brady. Tudo o que eu queria nesse momento era a fuga que só ele poderia me
dar. Não ter espaço para nada além da expectativa de seu próximo toque e da
satisfação que sempre trazia.

Mas essa não era uma opção agora. Peguei uma toalha e molhei,
limpando a maquiagem de meus olhos. Esta noite eu ia comer pizza e passar um
tempo com Danny. Mas, espero que amanhã, eu volte a ver Brady.

137
Capítulo 10

Palmer

Não havia ninguém à vista quando eu estacionei meu carro na estrada de


cascalho na casa de Derek e Adriane e saí. O local geralmente tinha um zumbido
de pelo menos três dezenas de trabalhadores.

Eu percebi, quando vi os caminhões estacionados em seus lugares


habituais, que os caras estavam aqui, mas na hora do almoço. As mesas de
piquenique estavam instaladas do outro lado do trailer de Brady, onde eu não
podia vê-las.

Droga. Georges e eu não conseguimos distinguir uma das medidas da


cozinha em nosso conjunto de projetos, e eu ansiosamente peguei o carro para
vir aqui buscá-lo. Ou talvez fosse mais como desesperadamente. Não importa. Eu
estava aqui, e Brady não estava.

Com um suspiro, passei cuidadosamente pelo cascalho e entrei na casa. O


enquadramento estava substancialmente completo agora, e a casa estava
tomando forma. Seria incrível.

Eu peguei a minha medida e estava prestes a deixar a cozinha vazia


quando ouvi passos se aproximando.

—Ei. —Brady disse.

—Oi. —Tentei manter a calma, mas meu coração estava batendo


descontroladamente. Ele usava uma camiseta cinza com as mangas rasgadas, uma
boa combinação para o jeans com um rasgo gigante em um joelho.

—Você gosta de manter-me em um constante estado de excitação?

Seu tom acusador me surpreendeu. Eu pensei que era o que estávamos


jogando aqui.

138
—Não posso dizer que não gosto. —Eu disse. —Mas eu realmente estou
trabalhando, Brady. Você age como se eu estivesse fazendo um strip-tease ou
algo assim.

Ele se aproximou de mim, chegando tão perto que senti o calor de seu
corpo.

—Se você anda por aqui usando saltos, uma saia e uma camisa sem
mangas, eu estou considerando como sendo um código, para me dizer que você
quer que eu a foda.

Um fio de excitação se acendeu entre minhas coxas e se espalhou pelo


resto de mim, aquecendo minha pele. Eu expirei através de meus lábios
separados e enfiei meu cabelo atrás de uma orelha.

—Ok. —Eu disse suavemente, calculando mentalmente quantas camisas


sem mangas eu tinha no meu armário. —A saia eu entendo, e os saltos, mas eu
não percebi que camisas sem mangas faziam isso em você.

—Em você sim. Você tem belos ombros. Essa pele macia e perfeita. Vê-los
me faz pensar em segurá-los enquanto eu te fodo por trás.

Seu olhar lambeu minha pele como se fossem as chamas de um fogo. A


fome em seus olhos me deu uma emoção mais deliciosa do que ser tocada. Era
muito mais profundo do que o olhar de um estranho. Ele conhecia meu corpo,
conhecia cada centímetro de mim. A imagem dele atrás de mim, batendo-me,
tornou minha pele quente por toda parte. Nós nunca tínhamos feito isso dessa
maneira antes, mas eu queria muito isso agora.

—Você me quer? —Ele perguntou, sua voz tão baixa que era quase um
sussurro. —Você quer sair na minha caminhonete e ser fodida duramente por me
provocar?

—Sim. —Eu queria isso mais do que eu jamais pensei ser possível, e eu
queria isso agora.

Ele assentiu. —Você pode me encontrar aqui às duas?

139
Eu assenti, incapaz de falar.

—Esteja pronta para o troco, baby. Não consigo me concentrar no


trabalho quando meu pau está duro.

Ele não era o único que não conseguia se concentrar. Eu tentei pensar
sobre o trabalho, mas minha dor física por Brady superou todos os outros
pensamentos. Ele via através da mulher que ainda estava enterrada
profundamente dentro de mim. Passando por minhas funções como cuidadora e
consoladora, provedora e empresária.

Brady ainda me achava sexy, e o sentimento era como um salva-vidas na


tempestade que minha vida parecia nos dias de hoje.

Eu estava mais do que pronta, esperando por sua caminhonete quando


ele se aproximou pouco antes das duas, puxando uma camiseta limpa enquanto
caminhava.

Seu corpo era meu afrodisíaco definitivo. Eu sabia como aqueles


músculos rígidos se sentiam abaixo da minha mão; conhecia os altos que ele
poderia me levar com os quadris e o eixo duro que era o único que eu já conheci.

—Como você está? —Ele perguntou, olhando para mim enquanto abria a
porta do passageiro para eu entrar.

—Eu estou bem. E você?

—Ótimo. Pronto para este almoço. Estou faminto.

Eu esperava que ele não quisesse dizer comida, mas quando seus olhos
escureceram antes de fechar a porta, eu sabia que estávamos na mesma página.

Conversamos um pouco sobre a casa, e parecia uma conversa com


qualquer outro contratado até chegarmos perto do terreno arborizado e Brady
olhou para as minhas coxas nuas.

—Puxe a saia para que eu possa olhar para você. —Ele disse.

140
—Aqui? —Ele estava parado no sinal vermelho e eu olhei pela janela para
o carro ao nosso lado.

—Ninguém além de mim pode ver, Palmer.

Ele queria isso, o que me fez querer fazer isso. Eu levantei a saia sobre
meus quadris, expondo minha calcinha preta. Brady olhou, não desviando o olhar
até que o carro atrás dele buzinou informando que o sinal estava verde.

—Você me deixa louco. —Ele disse, voltando o olhar para a rua. —Eu
penso em você antes de dormir todas as noites. Você é o tema de toda fantasia
sexual que eu tenho.

Suas palavras trouxeram um poderoso e sensual sentimento que ninguém


mais poderia tirar de mim.

—Eu quero tanto você. —Eu disse. —Estou com vontade de tê-lo dentro
de mim.

Ele colocou uma mão em sua virilha, esfregando sua protuberância e


pisando no acelerador da caminhonete.

—Vire-se para mim para eu poder vê-la. —Ele disse. Cumpri, girando os
quadris e me sentindo molhada quando ele olhou entre minhas coxas, com olhos
brilhantes.

Nós tínhamos chegado ao terreno arborizado, e ele pulou da


caminhonete para destrancar o portão, sem se preocupar em trancá-lo de novo.
Ele dirigiu até o mesmo local da última vez, estacionando e alcançando o banco
de trás.

—Atrás da caminhonete. —Ele disse brevemente, tirando um casaco de


lona marrom. Eu saí e caminhei para trás, onde Brady abriu a porta traseira e
subiu no banco.

Ele se curvou e envolveu suas mãos em torno de minha cintura exposta,


desde que minha saia estava levantada, me subiu na caminhonete. Era tudo o que

141
eu podia fazer para aguardar os dois segundos que ele levou para jogar o casaco
de trabalho no banco da caminhonete.

—De quatro. —Ele ordenou, e eu caí de joelhos sobre o casaco, grata por
algo macio. Meus cotovelos mal haviam tocado no banco da caminhonete quando
senti que Brady estava puxando minha calcinha.

Ouvi o rasgo de um pacote de preservativo, e dentro de alguns segundos,


ele estava dentro de mim, nossos suspiros e gemidos eram os únicos sons na
floresta silenciosa. Ele empurrou os quadris, e eu sabia que não duraria muito.
Dado o que estávamos fazendo, eu nem me sentia sem vergonha quando alcancei
minhas coxas e me acariciei, dizendo seu nome quando eu estava perto da
libertação.

Ele agarrou um de meus ombros, batendo mais forte e indo mais fundo, e
eu não podia segurar mais. Gozei violentamente, pressionando meu rosto no
casaco para abafar meus gritos.

Apenas um segundo depois, ele gozou com um último e violento impulso.


—Merda. —Ele disse, sua voz esticada. —Palmer.

Ele se sentou, ofegante. Eu me curvei ao lado dele em posição fetal, meu


corpo zumbindo do sexo duro e satisfatório.

Como eu tinha vivido dia a dia sem pensar nele a cada segundo? Eu não
podia imaginar gerenciar isso por quase um ano, e eu sabia que, quando ele fosse
embora, seria impossível.

*****

Margie Hillenbrand correu seus dedos, com joias pesadas, sobre as


amostras do armário de madeira em uma mesa no meu escritório.

—Eu simplesmente não sei. —Ela disse, franzindo o cenho. —Eu gosto
muito da madeira escura. Mas também gosto da clara.

142
—Todo o resto é tão neutro que você também pode escolher qualquer
uma que ficará bom. —Eu disse. —Você quer levar essas para casa e olhá-las na
cozinha para ver se isso ajuda?

—Eu não sei. Isso ajudará, ou apenas me deixará mais indecisa?

Margie era notoriamente incapaz de tomar decisões. Por isso tive que
contratar uma equipe para repintar o seu quarto principal de bege, não verde,
bege. O dinheiro não era um problema para ela, mas ainda assim eu odiava ver os
meus clientes gastarem dinheiro desnecessariamente.

—É uma decisão tão importante. —Ela disse, esfregando a testa.

—É. —Concordei. —Você leva essas para casa e olha para elas em todas
as luzes. Pergunte ao seu marido o que ele pensa. E se você precisar de mim, eu
vou trazer um gabinete no tamanho real de cada cor, quando o cômodo estiver
pintado para ver se isso ajuda.

Suas sobrancelhas arquearam esperançosamente. —Você poderia fazer


isso?

—Absolutamente. Teríamos que adicionar umas semanas no projeto,


porque estes são feitos sob medida e nosso plano era encomendá-los agora. Mas
queremos saber que você está recebendo exatamente o que deseja.

Ela assentiu e pegou as amostras. —Obrigado, Palmer. Vou te ligar dentro


de alguns dias.

Nós nos despedimos, peguei meu telefone e afundei na minha cadeira de


escritório. Pela décima quinta vez, li o texto que Brady me enviou esta manhã.

Brady: Venha para a casa esta manhã. Sem calcinha.


Vou verificar.

Meu corpo se aqueceu no instante que eu a li, e a sensação não tinha


desaparecido. Eu me concentrei no trabalho, mas no fundo da minha mente eu

143
estava fantasiando sobre os olhos escuros de Brady me olhando da cabeça aos
pés e como ele planejou fazer a verificação prometida.

—Eu tenho que sair. —Eu disse a Georges. —Volto esta tarde.

Ele estava tão imerso em seu laptop que ele apenas grunhiu. Fiquei feliz
por ter evitado perguntas, porque sabia que não tinha nenhuma razão legítima
para ir à casa de Derek e Adriane hoje.

Entrei no banheiro, um tremor de excitação percorrendo-me enquanto eu


deslizava minha calcinha e a colocava na minha bolsa. Eu nunca usava saias
frequentemente, mas saber como Brady se sentia sobre elas as fazia serem a
minha escolha no guarda-roupa.

Era um sentimento estranho, sem calcinha enquanto dirigia meu carro. Eu


mantive minhas coxas apertadas juntas todo o caminho, minha excitação nervosa
aumentando à medida que eu me aproximava.

Quando estacionei e escorreguei para dentro da casa, eu mal chamei a


atenção de alguém. Hunter me deu uma olhada rápida de seu lugar no topo dos
andaimes, mas ninguém mais disse uma palavra.

—Você está livre para um almoço cedo? — Brady perguntou por trás de
mim.

Eu me virei e assenti com a cabeça, querendo esquecer que eu não estava


usando calcinha. Eu consegui me segurar, e Brady seguiu o caminho para a
caminhonete silenciosamente.

Assim que puxamos para a estrada principal, ele olhou e falou em um tom
baixo, de comando.

—Mostre-me.

Eu nem pensei em não fazer desta vez. Eu puxei minha saia em torno de
meus quadris, nunca deixando de olhá-lo.

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—Droga, eu estou sujeito a bater esta caminhonete. —Ele murmurou. —
Como posso manter meus olhos na estrada agora?

Eu pulei o almoço ontem para que eu pudesse depilar minha virilha.


Estava precisando, já que eu era a única que via aquela área por muito tempo.

Eu girei meus quadris para ele por iniciativa própria dessa vez, separando
minhas coxas para que ele pudesse dar uma boa olhada.

—Você gosta? —Perguntei.

—Eu amo. —Ele disse, me dando um olhar sério. —Eu amo sua boceta,
Palmer. Ela é absolutamente perfeita.

Eu corei com o elogio, desesperada para chegar ao nosso ponto de


encontro e senti-lo dentro de mim.

—Coloque o dedo dentro de você. —Ele disse.

Eu hesitei, me sentindo constrangida. Isso já era mais descarado do que


qualquer coisa que eu já considerei.

—Vamos. —Brady me pediu em tom sério. —Me dê o que eu quero,


querida.

E eu fiz. Enquanto ele esperava no sinal vermelho, eu coloquei um dedo,


suspirando suavemente.

—Deixe-me provar. —Ele disse.

—Brady... eu não...

—Coloque seu dedo na minha boca, Palmer.

Era inútil sequer pensar em recusar. Nada me dava mais prazer do que
agradá-lo. Eu deslizei meu dedo entre seus lábios, meu pulso aumentando
enquanto ele sugava, correndo sua língua sobre a ponta úmida do meu dedo.

145
Deus, estava demorando muito para chegar ao nosso lugar hoje. Eu
estava pronta para ter a foda dura e alucinante que Brady me dava toda a vez.

—Você tem um gosto tão bom. —Ele murmurou quando eu puxei meu
dedo para fora, traçando-o sobre seu lábio inferior.

—Estou tão... quente agora. Você pode me deixar dessa maneira em


questão de segundos, você sabe.

Ele olhou para mim, um sorriso brincando nos lábios. —Eu sei. É a única
coisa que eu tenho controle entre nós. Você me tem em todas as outras áreas.

—Eu não sei sobre isso.

—É verdade. Eu andaria pelo fogo por você.

Seu tom tinha um pingo de ressentimento, e eu estava prestes a


perguntar a ele sobre isso quando ele sinalizou e puxou para uma estrada
familiar.

—Espere. —Eu disse. —O que? Estamos de volta à casa de Derek e


Adriane.

Brady me deu um sorriso presunçoso. —Sim estamos. De volta ao


trabalho.

Agarrei minha saia, freneticamente puxando-a para cobrir-me.

—Que diabos, Brady? Você me enviou mensagens de texto, levou-me


para passear e me deixou toda quente e incomodada apenas para me provocar?

Ele deu de ombros. —Achei que eu merecia uma vingança. Você vem aqui
e me provoca com essas saias e esses olhares. “foda-me” o tempo todo.

Olhei para ele, lançando uma olhada no colo dele. —Bem, qual o seu
plano para a situação em sua calça? Você vai trabalhar assim?

—De jeito nenhum. Eu vou para o meu trailer, pensar em você e bater
uma.

146
Eu dobrei meus braços em meu peito enquanto a caminhonete
desacelerava. —Bem, inferno, isso faz muito sentido.

—Apenas construindo seu apetite, querida. Fará o sexo ser melhor na


sexta-feira à noite.

Eu engoli um comentário sobre não querer vê-lo na noite de sexta-feira,


porque eu lamentaria isso. Ele colocou o carro no estacionamento e eu dei-lhe
um olhar bravo quando eu abri minha porta.

—Divirta-se se masturbando, idiota. Vou voltar para o escritório.

Suas sobrancelhas se arquearam com divertimento. —Você é sexy


quando está com raiva.

Revirei os olhos e saí da caminhonete. —Vejo você sexta-feira. —Eu falei


atrás de mim. —A menos que você mude de ideia novamente.

—Não, a sexta-feira está de pé. —Ele respondeu. —Ei, espere.

Parei, sem olhar para trás enquanto ele dava os poucos passos entre nós.
Ele ficou na minha frente, segurando uma das minhas bochechas na palma da
mão.

—Ei. Você não está realmente chateada comigo, está?

—Não. —Eu disse mal-humorada. —Apenas frustrada.

—Eu vou compensar você na sexta-feira à noite. —Ele enrolou sua outra
palma ao redor do meu quadril, me puxou para ele e me beijou.

Tirou meu fôlego. Não apenas o beijo, mas o fato de que ele tinha corrido
para mim para ter isso, sem se importar com quem visse.

—Vejo você então. —Sussurrei. Ele me beijou mais uma vez antes de
assentir e virar, a provocação e a gritaria dos seus funcionários começou
imediatamente.

147
Aquele homem. Mesmo com sua habilidade de me frustrar imensamente,
se tornou o meu porto seguro na tempestade.

Brady

Palmer estava perdendo a luta para manter os olhos abertos, e nem eram
21 horas. Nós saímos para jantar e depois estávamos agarrados um ao outro no
segundo que caminhamos para a porta da frente. Mas depois de uma rodada de
sexo, ela estava prestes a adormecer ao meu lado.

Eu fiquei ansioso pela sexta à noite durante toda a semana. Esta foi a
única vez que ela realmente relaxou. E droga, ela estava relaxada agora. Seu
cabelo estava solto ao redor de seus ombros. Sua longa e nua coxa enrolada em
minha perna, e eu corri meu dedo na sua pele de cetim.

Seus olhos se abriram e encontraram os meus. Ela sorriu e estendeu a


mão para minha bochecha, passando as pontas dos dedos sobre minha pele não
barbeada.

—Desculpe, estou tão cansada. —Ela disse suavemente.

—Está tudo bem. Você quer que eu vá para que você possa dormir?

—Não. Vou recuperar o fôlego. Mamãe queria ver álbuns de fotos antigas
na noite passada e fomos dormir muito tarde.

Ela era a coisa mais linda que eu já vi. As luzes dos corredores brilharam
sobre ela quando ela deitou de lado olhando para mim. Eu corri uma mão pelo
seu quadril, memórias agridoces invadindo minha paz. Eu pensei que era assim
que começaríamos e terminaríamos todos os dias, juntos, desarmados e
conectados da maneira mais íntimas.

148
—Fotos suas quando bebê? —Eu disse, forçando os pensamentos para
onde deveriam estar. —Nunca vi nenhuma foto quando estávamos juntos. Você
era bonitinha?

—Não são todos os bebês bonitinhos?

—Não. Eu vi alguns feinhos.

Ela riu, o som me enchendo de calor.

—Como está o Colorado? —Ela perguntou, me surpreendendo com a


rápida mudança de assunto. —Quero dizer, realmente. Você está feliz lá?

Tanto quanto eu queria, eu não deixei a verdade escapar.

—Sim. É bom. O negócio está ótimo lá. A caça e a pesca são ótimas
também.

—É o que você faz nos fins de semana?

Dei de ombros. —Quando eu posso. Eu trabalho nos fins de semana.

—Você sente falta do seu pai?

Franzi minha testa e pensei. —Sim. E eu me preocupo com minha mãe


sozinha. Gostaria de saber se ela se sente sozinha, sabe?

Ela moveu a perna que ela tinha enrolado ao redor da minha, seus dedos
do pé traçando uma linha pela minha panturrilha. —Você se sente sozinho?

Eu lutei com o desejo de dizer a ela a verdade, sobre como conduzi as


coisas e que deveria ter sido de outra forma. Mas o orgulho me deteve. Eu não
queria que ela soubesse que mesmo depois de todo esse tempo, eu ainda sentia
falta dela.

—Não há tempo para eu me sentir sozinho. —Eu disse. —Estou muito


ocupado. Provavelmente igual a você.

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Seus lábios se curvaram em um sorriso suave. —Eu me sinto sozinha. —
Ela disse, suas pálpebras ficaram pesadas novamente.

—Você está se sentindo sozinha agora? —Eu tracei um caminho por seu
quadril novamente, sua pele lisa e o aroma doce de seu perfume me fazendo
desejar uma segunda rodada.

—Não. Eu nunca me sinto sozinha quando estou com você.

Seus olhos se fecharam e dentro de alguns segundos sua respiração me


disse que ela estava dormindo. Estudei seu rosto na luz pálida. Tão linda, e
enquanto sua beleza tinha uma delicadeza, eu sabia que havia força tenaz por
dentro.

Mesmo que ela tivesse chutado minha bunda, Palmer ainda era o meu
sonho. Eu deitei de costas, olhando para o teto que eu planejava raspar e refazer
o gesso depois que nos casássemos.

Eu tive que sair daqui. Só um idiota ficaria e esperaria por mais migalhas
pela manhã. Eu deslizei calmamente da cama, encontrando meu jeans e puxando-
o. Eu levei minha camisa e botas para a sala de estar para colocá-los. Depois saí,
trancando a porta ao sair.

Nossa noite de foda na sexta-feira acabou. Eu precisava seguir com meu


fim de semana.

150
Capítulo 11
Palmer

Hoje a saia preta, os saltos vermelhos e a camisa sem manga foram


escolhidos especialmente para Brady. Eu sorri com prazer para ele enquanto
caminhava pelo local onde ele estava enquadrando com sua equipe no sol quente
do verão, sua camisa suada pendurada no bolso traseiro.

Seus olhos seguiram meus passos, e eu senti uma emoção que


dificilmente eu poderia conter. Georges riu junto de mim.

—Sua língua está praticamente no chão. —Ele murmurou, divertido.

Olhei para Brady e lambi meus lábios. Eu podia não ser uma raposa, mas
eu sabia como chamar sua atenção. Ao som de um assobio de um dos outros
caras, ele baixou as sobrancelhas e se virou.

Georges e eu fomos para o porão, e eu relaxei assim que eu fiquei fora da


vista de Brady.

—Você viu aquele cara com tatuagens? —Georges disse, mordendo o


lábio. —Este lugar é a Central da Testosterona.

Eu balancei minha cabeça. —Não vi ninguém além de Brady.

—Obviamente, vocês ainda estão com isso?

—Sim, mas é difícil com a minha agenda.

—Apenas uma coisa de sexta-feira, então?

Evitei o olhar curioso de Georges. —Sim, e... hora do almoço.

Ele arfou e arqueou as sobrancelhas. —Legal. Eu não sabia que você tinha
isso em você, Palmer.

—Nem eu. Agora vamos pegar nossas amostras de pisos e inspirações de


cores.

151
Nós desembalamos pedaços de tecido/cor e as amostras de tinta das
nossas bolsas. Georges moveu-os por diferentes pontos da sala, medindo a luz
natural.

—Enviei um e-mail para Adriane com os móveis que gostamos para este
cômodo e ela autorizou tudo. —Eu disse, fazendo uma anotação no meu bloco de
desenho.

—Até a minha espreguiçadeira de zebra? —Georges olhou-me com


esperança.

—Sim. Ela adorou tudo.

Trabalhamos em silêncio e estávamos quase terminando com a nossa lista


de tarefas, quando o som das pesadas botas de trabalho batendo nas escadas do
porão me fizeram virar. Meu coração batia tão alto quanto aquelas botas, porque
eu sabia de quem eram.

—Ei, George. —Ele disse, balançando a cabeça.

—É Georges.

Meu parceiro de negócios mudou a pronuncia de seu nome há alguns


anos atrás, mas Brady nunca o chamou assim, pois o conhecia desde que ele era
George Brammer.

—Palmer, posso falar com você? —Brady perguntou. Georges tossiu


teatralmente e atirei-lhe um olhar bravo.

—Claro. —Deixei meu material de lado e caminhei até ele, seus olhos
ficaram presos em mim. Quando ele se virou para subir as escadas, entretanto,
era o meu olhar que não queria ser movido. Ele ainda estava sem camisa, os
músculos das costas e o bíceps estavam definidos e suados. Eu queria estender a
mão e tocá-lo, mas lembrei-me da minha humilhação quando ele me deixou
ofegando por ele no banco da frente de sua caminhonete.

—No meu trailer? —Ele perguntou, olhando para mim por cima do
ombro. Oh, então agora ele estava com disposição.

—Por que não podemos conversar aqui?

152
—Porque estou com sede, e eu tenho água no trailer. —Ele disse
brevemente. —Além disso, tem ar-condicionado.

—Tudo bem. —Eu disse, um pouco mais dura do que eu pretendia. Todas
as ilusões que tive sobre dar uma de difícil foram pela janela. Eu estava prestes a
ficar sozinha com o homem suado e sexy e eu espalharia as minhas pernas em
plena luz do dia. Em seu trailer.

Ele diminuiu o ritmo para que eu pudesse andar ao lado dele.

—Você está muito bonita hoje. —Ele disse, arqueando as sobrancelhas e


sorrindo.

—Você acha? Obrigada.

Ele balançou a cabeça e olhou para o trailer. —Ah, Palmer. O que você
precisa é de algumas boas e duras palmadas na sua bunda.

As minhas coxas se fecharam em acordo. —Se eu conhecesse alguém que


pudesse realizar tal serviço. —Eu disse levemente.

Chegamos ao trailer, e ele abriu a porta e esperou enquanto eu entrava.


Ele estava atrás de mim e me pegou em seus braços assim que a trava da porta
fechou.

—Porra, eu não quero te pegar todo suado. —Ele disse, se afastando um


pouco.

—Você me deixou toda suada antes mesmo de me tocar. —Eu disse,


pressionando-me contra ele.

Ele gemeu e enrolou uma mão no meu cabelo, me puxando para um


beijo. Seu cheiro de madeira fresca misturou-se com o sabor salgado e suado
dele, eu não podia ter o suficiente.

—Ahh...—Disse uma voz masculina com surpresa. —Me desculpe, cara.


Eu estava apenas mijando.

Nós dois viramos e vimos Troy sair do banheiro, evitando nos olhar.

153
—Dê o fora daqui, porra. —Brady disse bruscamente. Troy correu pela
porta e Brady abriu a porta de uma pequena geladeira. Ele tirou duas garrafas de
água e me entregou uma.

—Eu vou para casa na terça-feira. —Ele disse. —Minha equipe começou a
renovar um grande centro comercial e eu preciso estar no local.

Meu estômago caiu com a revelação. —Oh. Isso significa que você não vai
voltar aqui?

Ele ergueu uma sobrancelha para mim e sorriu. —Preocupada em perder


o seu amigo de foda? Eu vou viajar entre lá e cá nos próximos dois meses.

Olhei para ele e cruzei meus braços sobre meu peito. —Você não é meu
amigo de foda.

Ele zombou e balançou a cabeça. —Desculpe, querida, mas quando


estamos juntos não fazemos nada além de foder. Isso faz com que sejamos
amigos de foda.

Sua indiferença trouxe lágrimas aos meus olhos, mas eu engoli o nó na


minha garganta.

—Fale por você mesmo. —Eu disse. —Você é muito mais do que isso para
mim.

Brady agarrou seu pescoço e me deu um olhar agravado. —Nós já fomos


mais do que isso, um para o outro, mas acabou. Você cancelou nosso casamento
e disse que não precisava de mim, lembra? E agora você quer que eu diga que
ainda estou apaixonado por você?

—Eu não disse isso. Mas não me diga que eu sou nada além de uma
amiga de foda. Isso machuca, Brady.

Ele grunhiu sua resignação com as minhas palavras. —Somos bons em nos
machucarmos, não somos? Nada me arruinou mais do que você dizendo que não
precisava de mim. Meu pai era a pessoa mais importante da minha vida até que
eu conheci você. E então vocês dois me decepcionaram.

154
Minha raiva ferveu imediatamente. Eu cheguei mais perto dele, olhando
em seus olhos. —Minha mãe foi diagnosticada com uma doença terminal, seu
idiota.

—Exatamente. Apenas quando você mais deveria precisar de mim, você


disse para eu ir me foder.

—Não, você interpretou assim, Brady. Eu queria adiar o casamento.

Ele balançou a cabeça com desgosto. —Você me disse para ir para o


colorado, Palmer! Disse para eu começar de novo. Como diabos isso é não me
deixar?

—Eu queria o que era melhor para você!

Ele se curvou, seus olhos verdes cheios de emoção enquanto seu rosto se
aproximava do meu. —Você era o melhor para mim, Palmer. Eu queria você
acima de tudo. Mais do que queria começar minha própria empresa ou ficar longe
do meu pai. Mas você não me deu nenhuma escolha.

A dor que eu tinha enterrado dentro de mim há um ano atrás estava


subindo à superfície, minha raiva diminuindo minhas defesas.

—Você diz isso, Brady, mas você não sabe. Você não entende. Não era
apenas sobre o seu negócio.

—Então, era o que? —Ele exigiu. —Se significamos algo um para o outro,
e se eu ainda significo alguma coisa para você, então tenha a porra da coragem de
ser sincera comigo.

As palavras voaram da minha boca, sem eu pensar direito. —Danny, ok?


Foi por causa de Danny, Brady.

Ele recuou, confusão no rosto. —O que Danny tem a ver com isso?

—Minha mãe cuidou dele desde que ele nasceu. Quem você acha que
fará isso quando ela for embora? Eu ainda tenho dificuldade em trabalhar e
cuidar dele. Não tem mais nada para mim. Sem férias, sem noites e sem filhos. É
isso que você quer em uma esposa?

155
Eu dei um passo a frente, impulsionada pela raiva que tinha guardado em
mim há tanto tempo, e Brady deu um passo para trás. Seu olhar de puro choque
me disse que nada disso já havia passado por sua mente. Agora que comecei, não
podia parar.

—Você me acusou de trair você! Como se sentiu, Brady? Isso fez você se
sentir como um grande idiota por me chutar quando eu já estava para baixo? E a
verdade é que eu não queria que você carregasse o compromisso vitalício de
cuidar de uma pessoa com deficiência.

—Palmer, eu amo Danny.

Permaneci alerta, desejando que eu pudesse atacar e golpeá-lo agora


mesmo. —Isso é diferente. Você não entende. Danny é meu sangue e eu morreria
por ele. Mas cuidar dele o tempo todo é tão difícil. Isso me empurra para o limite.

A expressão de Brady não era de raiva; ele me encarou com descrença, o


que foi pior.

—Eu teria ficado. Se você tivesse sido sincera comigo, eu ficaria. Não
posso crer que não queria minha ajuda. Foi isso? Todo esse tempo? Você achou
que eu ficaria chateado por não poder tirar férias?

—Não é só isso! Nós queríamos crianças. Não posso cuidar das crianças e
do meu irmão.

—Eu poderia ter contratado ajuda, Palmer. Eu tenho o dinheiro.

—Sim, você tem agora. Porque você foi para Colorado. Se você tivesse
ficado, você teria sido funcionário de outra pessoa, e nós não teríamos podido
pagar por essa ajuda.

Brady passou a mão por seus cabelos e olhou para mim, sua raiva
revirando. —Nós teríamos descoberto um jeito. Minha mãe teria ajudado. O
fodido ponto é, você tomou todas essas decisões sozinha. Você não me amou o
suficiente para ser sincera comigo e superarmos juntos.

Eu não podia segurar mais. Quando eu avancei e golpeei-o no ombro, ele


nem se moveu. —Foi porque eu amava você! Eu queria que você tivesse a chance
de uma vida normal! Eu sabia que se você ficasse, poderia se arrepender.

156
Eu ofegava, pelos gritos e socos. Brady trancou as mãos em torno dos
meus pulsos, segurando minhas mãos no lugar contra o peito.

—Você está tão errada sobre mim, Palmer. Eu não pensei que você
poderia me machucar tão fundo, mas você acabou de fazer. Estava pronto para o
melhor ou pior quando propus. E você pensa que eu sou um idiota egoísta que se
ressente de colocar os outros em primeiro lugar.

Ele apertou meus pulsos e afastou-os do peito. Os seus olhos já não


ardiam com fúria. Havia apenas calma e resignação. Quando ele se virou para a
porta, minha raiva saiu de novo.

—Sim, vá. —Eu disse. —Isso é o que você faz quando as coisas ficam
difíceis.

Ele parou e balançou a cabeça, mas não se virou. —Você me empurrou


aqui. Você parece querer provar que você pode fazer tudo sozinha. Acho que
você conseguiu o que você queria.

Quando a porta se fechou desta vez, eu apenas olhei para ela, muito
atordoada para chorar. Isso não duraria, no entanto. Eu tive que encontrar a
coragem de sair e voltar para o meu carro antes de quebrar.

Deixei minha raiva subir de volta à superfície quando deixei o trailer,


forçando uma expressão indiferente. O inferno que eu deixaria Brady e sua
equipe me verem chorar. Peguei meu telefone e enviei uma mensagem a Georges
para me encontrar no carro. Era muito ruim, o único homem que eu realmente
tinha não gostava de mulheres.

*****

Estávamos quase chegando no escritório quando eu terminei de contar


toda a história para Georges.

—Não concorde comigo só porque você é meu melhor amigo. —Eu disse.
—Seja honesto. Estou certa ou errada?

157
Georges inclinou a cabeça, considerando. —Ambos. Mas você está um
pouco mais errada do que ele.

—Como assim? —Perguntei.

—Você deveria ter lhe dito o porquê desde o início.

Eu gemi e agarrei o volante tão forte quanto pude. —Você sabe por que
eu não disse.

—Sim, e eu digo que é besteira. Você esqueceu que fui eu quem juntou
você com Brady? Eu realmente o conhecia. Não era apenas o aspecto dele que
me fez pensar que ele era bom o suficiente para a minha melhor amiga.

—Eu nunca saberia se ele realmente queria ficar. —Eu disse, minha
frustração perto do ponto de ebulição.

—Sim, mas ele nunca teve a chance de decidir. Não é justo. Ele estava tão
apaixonado por você.

A palavra fez meu coração afundar.

—Tudo bem. —Concordei. —Talvez eu devesse ter dito a ele. Mas como
ele está errado?

—Ele deveria te perdoar por isso. Talvez ele precise de tempo para
processar tudo.

Suspirei profundamente, estacionando meu carro na vaga coberta de


nosso escritório e descansando minha cabeça no volante.

—Não posso fazer isso agora. Estou tão estressada. Eu estou


emocionalmente tão desgastada que eu apenas... não posso lidar com isso.

—Ele escolheu um momento muito ruim para se envolver com você. —


Georges concordou.

—E para jogar na minha cara minha solidão. Como se eu precisasse ser


lembrada.

—Eu não sou moreno e sexy, mas você me pegou. —Georges disse,
esfregando a palma das mãos sobre minhas costas. —Você não está sozinha.

158
Virei a cabeça para olhar para ele. —Eu te amo.

—Amo você também. Agora vamos ouvir Indigo Girls e comer os


chocolates escondidos na minha mesa.

Brady

O grupo das placas de gesso trabalhava silenciosamente, a maioria com


fones de ouvido e ouvindo música. Eu invejei esses caras hoje. Eu queria estar
sozinho com meus pensamentos. Em vez disso, tive que me encontrar com
subcontratados para falar sobre prazos futuros.

Eu coloquei meu boné Grant Brothers Builders e estava prestes a dirigir-


me para a minha caminhonete, quando o parceiro de negócios de Palmer entrou
na futura sala da casa de Derek, usando calça caqui e uma cara chateada.

—George. —Eu disse com um aceno de cabeça.

—É Georges. —Ele corrigiu, batendo um pé no chão.

—Quando eu era conselheiro da sua classe de Fundamentos de


Construção na faculdade, você era George Brammer. Então vou chamá-lo de
George.

—Isso é porque você é um idiota. —Ele disse, avançando em minha


direção. Eu tinha que dar crédito ao cara. Eu tinha cerca de dezoito centímetros e
cinquenta quilos mais que ele, mas não havia medo em seu rosto.

—Já ouvi isso. —Eu disse, tirando o boné e passando uma mão pelo meu
cabelo.

—Por que eu apresentei você para Palmer? Você partiu seu coração
seguidas vezes.

Puxei o boné para baixo e olhei para ele. —Tudo bem, Georges. Hora de
você ir se foder.

159
Ele cruzou os braços e balançou a cabeça. —Não. Você pode se esquivar
dela, mas não vou deixar você se esquivar de mim.

Ao som do riso abafado de dois dos meus caras do outro lado da sala, eu
olhei para ele.

—Estou falando sério. Estou trabalhando, e não estou com disposição


para as suas besteiras.

—Como se atreve a decepcioná-la quando ela mais precisa de você?

Eu apontei um dedo para ele e diminuí a distância entre nós. —Foda-se.


Você não faz ideia do que aconteceu. Ela foi a única que cancelou o casamento,
não eu. Se eu tivesse feito do meu jeito, ela seria minha esposa agora.

—Não quero dizer naquela época. —Ele estreitou os olhos para mim. —
Quero dizer, agora mesmo. Sua mãe está morrendo. Não apenas diagnosticada
com uma doença terminal, mas na verdade perto do final. Ela confiou em você
com a verdade e você ficou chateado e a deixou. Novamente.

—Foi mútuo. —Eu gritei.

—Sim, diga isso a si mesmo. Eu sei o que vi desde o dia em que ela o viu
pela primeira vez neste trabalho. Você jogou a isca com o sexo e fez com que ela
pensasse que você ainda tinha sentimentos por ela. E então, assim que viu uma
oportunidade para machucá-la, você aproveitou.

—Não. —Eu balancei minha cabeça enfaticamente. —Eu não fiz isso.

—Com certeza você fez. Eu não quero saber o que ela diz ou faz agora
mesmo, ela está no limite. Ela poderia me dizer que eu sou uma cadela do inferno
sem nenhum talento para o design e eu a abraçaria e lhe diria que eu a amo. Ela
está com tanta dor. Eu vou amá-la sempre, não importa o que aconteça. Mas
você... —Ele enfiou o dedo indicador na minha cara. —Você vê isso como uma
chance para vingar seu orgulho ferido.

Abri a boca para responder, mas fechei-a depois de um segundo. Minha


cabeça estava girando. Ele estava certo? Eu me aproveitei de Palmer? Apenas o
pensamento fez um nó no meu estômago. Eu nunca teria feito isso
conscientemente.

160
—Se você machucá-la novamente, vou te machucar. —Georges disse, seu
rosto corado de raiva. —Não duvide que eu possa. Ela é família para mim.

—Eu entendi. —Eu disse, balançando a cabeça entorpecida. Ele girou e


saiu, mas eu fiquei enraizado no meu lugar no piso inferior. Eu me senti com o
estômago embrulhado. Meu desejo de controlá-la, de possuí-la, tinha
obscurecido meu julgamento. Isso me lembrou meu pai, egoísta e muito maldito
até mesmo para perceber.

161
Capítulo 12
Brady

Uma mulher de short e regata saiu da entrada de visitantes da prisão,


com um cigarro em uma mão e um isqueiro na outra. O movimento me sacudiu
do meu devaneio. Eu precisava sair da minha caminhonete e entrar ou dar o fora
daqui.

Entrar ganhou, mas por pouco. Eu fui para a entrada da frente, ignorando
a avaliação aberta da mulher.

Eu fiz o check-in de visitante, assinando formulários e passando por um


detector de metais antes de sentar em uma cadeira plástica laranja para esperar
por minha vez. Mamãe queria que eu viesse vê-lo. Era por isso que eu estava
aqui. Não porque ele merecia isso.

Quando um guarda me deixou entrar na sala de visitante, eu vi meu pai


sentado sozinho em uma mesa, esperando. Seu cabelo estava mais branco do que
preto, e seu rosto estava mais magro. Quando ele olhou para cima e me viu, seus
olhos se suavizaram e ele explodiu em um sorriso, ficando de pé e abrindo os
braços para um abraço.

Ele deu um tapinha em minhas nas costas e depois se afastou, olhando-


me.

—Você parece bem. —Ele disse, seus olhos brilhando. —Como você está?

—Sem queixas. Você?

Ele deu de ombros. —Estou bem.

—Quanto tempo você vai ficar aqui?

—Eu posso ser libertado em nove meses.

Não parecia um preço justo para pagar o mal que ele havia infligido. Eu
arqueei as minhas sobrancelhas céticas.

162
—Então, e depois?

Ele respirou profundamente antes de responder. —Eu não sei. Depende


do que eu serei permitido a fazer em liberdade condicional.

—Certamente nada que implique a administração do dinheiro de outras


pessoas. —Murmurei.

Os cantos dos olhos de papai enrugaram enquanto sorria um pouco. —A


coisa sobre isso, Brady, é que ninguém ganhou.

—Isso é verdade. Mas as pessoas cujo dinheiro você roubou perderam


mais.

Ele balançou a cabeça com frustração. —Eu terei que devolver.

—Como? —Olhei para ele. —Quantos trabalhos terá que fazer para
conseguir trezentos mil?

—Não vamos falar disso. Faz um ano que nos vimos.

—Sim. Bem, não voltei para casa de qualquer modo. Estou cheio de
trabalho no Colorado.

—Isso é bom. — Ele olhou para a porta fechada da sala. —Troy veio com
você?

—Não. Eu não disse a ele que eu estava vindo.

Seu rosto murchou. —Eu não o vi desde que entrei aqui. Ele não pode
arranjar um tempo já que ele está perto?

—Isso depende dele, eu acho.

—Você o mantém na linha?

Suspirei, frustrado. —Fazendo o meu melhor.

—Fique em cima dele. — Papai olhou para mim com seriedade. —Ele tem
tido problemas com algumas pessoas ruins. Fico acordado à noite preocupado
com ele.

163
A frustração brotou no meu peito, a pressão me forçou a me mexer no
meu assento. Eu não queria estar aqui. Era impossível conversar com meu pai
dentro da prisão, onde ele estava cumprindo pena.

—Prometa-me que você vai cuidar dele. —Papai disse sinceramente.

Abaixei minha sobrancelha e me inclinei para frente nos meus cotovelos.


—Você está falando sério? Você quer que eu prometa que eu serei a figura do pai
que você não pôde ser por estar em uma cela? Com relação a isso, prometa-me
que você não mentiu sobre qualquer outra coisa. A mãe está certa em estar
esperando por você? Você gastou o dinheiro com outras mulheres?

Ele empalideceu, seus lábios em uma linha fina. —Nunca, jamais me


acuse de trair sua mãe. Ela é o meu mundo inteiro. Eu me perdi no caminho
porque queria ser merecedor dela.

Eu balancei a cabeça com desgosto. —Ela não merece estar sozinha


agora. E não me venha com essa. A mãe não liga para coisas materiais. Você tinha
uma vida boa e a teve até você a foder tentando ser um cara rico.

Papai suspirou suavemente e me deu uma olhada que estava muito perto
de pena. —Você não vê, não é? Não se tratava de comprar coisas. Era sobre Troy.
Ele estava atolado em dívidas com drogas e jogos de azar. Ele veio a sua mãe e a
mim chorando, implorando-nos por ajuda. Ela estava fora de si. Dizendo que
teríamos que encontrar um jeito. Que ela não poderia viver se alguma coisa
acontecesse com ele.

Minha raiva evaporou, substituída por uma sensação de descrença.

—O quê? —Eu disse, minha voz grossa. —Quanto dinheiro?

—Foram várias dívidas de pessoas diferentes. Ele pegou de um para pagar


outro... levou quase uns cem mil para limpar tudo.

—Droga. —Eu passei uma mão pelo meu cabelo, minha cabeça girando.

—Eu não tinha muito dinheiro líquido, então eu fiz o que fiz. Eu planejei
pagar de volta, mas Troy voltou na próxima semana e precisava de mais. Eu
mantive isso entre nós naquele ponto, porque eu não queria preocupar sua mãe.

164
—Então ele sabia. —Eu disse amargamente. —Ele sabia muito bem que
ele é o motivo pelo qual você está aqui.

Papai levantou uma mão para me parar. —Eu sou a razão pela qual eu
estou aqui. Não precisava fazer o que fiz. E eu não estou dizendo isso para criar
problemas entre você e Troy, eu simplesmente não consigo suportar você me
olhando desse jeito por mais tempo. Eu me preocupei que eu morreria aqui e
você nunca saberia a verdade. O que fiz foi errado, mas não via outras opções no
momento.

Eu estudei as rugas em seu rosto, me sentindo o pior tipo de idiota.

—Papai, eu ainda te amo. —Eu disse, limpando minha garganta. —


Mesmo quando achava que você não merecia, eu ainda amava você. Eu estava
em conflito em admirar você, mas não há nada que você possa fazer para eu
deixar de te amar.

Ele colocou uma mão sobre seus olhos, seus ombros tremendo
ligeiramente.

—Eu nunca pensei que ouviria algum dos meus filhos dizer essas palavras
novamente. —Ele disse suavemente.

—Eu queria que você tivesse me dito isso antes. As coisas que as pessoas
precisam dizer as outras, mas não dizem, acaba por ser mais tóxico do que as
palavras mais cruéis.

Uma imagem de Palmer brilhou diante dos meus olhos. Ela estava
sentada na mesa da cozinha, sobrecarregada de dor e preocupação. E eu a chutei
quando ela estava para baixo. Eu fiz o mesmo com o meu pai?

Ele enxugou os cantos dos olhos e sorriu ligeiramente. —Essa pode ser a
coisa mais perspicaz que alguém me disse. Eu simplesmente não queria que
ninguém acusasse Troy. Parecia mais fácil para vocês ficarem chateados comigo.

Minhas sobrancelhas se ergueram. —Vocês? Mamãe não sabe?

Ele deu de ombros e sentou-se na cadeira dele, cruzando os braços sobre


o peito. —Tenho certeza de que ela suspeita, sabendo que Troy estava com

165
problemas com dinheiro. Eu disse a ela que ele estava protegido, que eu nunca
deixaria nada de ruim acontecer com ele, e ela não fez outras perguntas.

Engoli com dificuldade, a imagem de Palmer ainda estava na minha


frente.

—Pai, algo parecido aconteceu comigo e com Palmer. Nós terminamos


porque sua mãe está com uma doença terminal, e ela não queria que eu estivesse
sobrecarregado com o cuidado de seu irmão.

Uma luz de reconhecimento surgiu em seu rosto. —Ele tem paralisia


cerebral, né?

—Sim. Mas ele é um ótimo garoto. Adulto, eu acho, mas... você sabe o
que quero dizer. Eu o amo. E quando Palmer me contou a verdade recentemente,
fiquei magoado que ela não foi honesta. Que ela não pensou que eu era homem o
suficiente para aceitar tudo o que vem com ela.

—Às vezes não é assim tão simples.

Eu acenei com a cabeça, olhando para minhas mãos. —Eu ainda a amo.
Acho que eu a amo ainda mais agora, porque sei o que é estar sem ela. Vendo-a
com Danny... eu sei que tipo de mãe ela seria, e não há ninguém melhor.

—Você se deu bem com o irmão dela imediatamente, não foi? —Papai
disse sorrindo. —Isso não me surpreendeu, porque uma vez você apanhou
quando criança ao defender outra criança no parquinho. Ele estava em uma
cadeira de rodas.

Eu assenti. —Sim. Acho que admiro as pessoas que precisam trabalhar


duramente pelas coisas. Provavelmente, eu lhe disse que Danny e eu nos demos
bem instantaneamente, mas a verdade é que... o primeiro encontro foi...— Eu me
encolhi e depois ri da memória.

O pai me deu uma olhada com curiosidade.

—Palmer queria que eu conhecesse sua mãe e Danny. —Eu disse. —Nós
estávamos saindo juntos já fazia um mês, e as coisas estavam indo muito bem.
Mas ela queria começar devagar, então ela me pediu para buscá-la para um
encontro na casa de sua mãe. Eu chego lá, e ela me apresenta seu irmão, e ele

166
parece gostar de mim ok, então eu puxo do meu casaco um pacote de amendoim
que eu comprei para ele e tentei entregar. Eu parei na farmácia no caminho, e
pareceu ser uma boa escolha.

Papai tentava não sorrir, mas claramente estava se perguntando para


onde esta história estava indo.

—A próxima coisa que eu sei é...—Continuei. —A mãe de Palmer, Janelle,


praticamente me atacou. Ela basicamente derrubou o amendoim por toda a sala.
Aparentemente, Danny tinha alergia a amendoim, mas eu não tinha ideia. Então
Danny explodiu em lágrimas e Janelle estava prestes a desmaiar de pânico.
Desculpei-me cerca de quinze vezes e Palmer me arrastou para fora de lá. Eu
pensei que estava acabado.

—Isso é um erro inocente. —Papai disse.

—Sim, mas tinha certeza de que Janelle pensava em mim como “aquele
idiota que quase matou meu filho” depois disso. Mas estávamos rindo sobre isso
na próxima vez que ela me viu. Ela realmente é uma grande dama. E agora... ela
está em mal estado, pai.

Suspirei profundamente, deixando as lágrimas caírem.

—Parece que Palmer precisa de você mais do que nunca.

Eu assenti. —Sim. Danny também. Eu preciso resolver minhas coisas.

A sala começou a esvaziar e eu olhei para o relógio. Eu nunca pensei que


eu lamentaria pelo fim do tempo da visita. Papai se levantou e andei ao redor da
mesa para abraçá-lo.

—Eu amo você. —Ele disse suavemente. —E eu também amo seu irmão.
Não desconte isso nele.

Eu me afastei e encontrei os olhos de papai. —Ele está limpo. Já faz quase


um ano. Eu estou em cima dele constantemente. Nós somos parceiros de
negócios agora.

Os olhos de papai se arregalaram de surpresa. —Troy? Bom para você.


Como ele está com os negócios?

167
—Bem... eu lido com tudo isso. Mas ele é um bom trabalhador. Eu
cuidarei dele, pai.

Ele assentiu e me bateu no ombro.

—Você vai voltar? —Ele perguntou.

—Eu voltarei na próxima semana.

Ele sorriu e acenei atravessando a porta para a área de espera. Eu tinha


muitas informações para classificar. Eu teria que seguir um longo caminho para
casa.

Palmer

As cores e os padrões de porcelana atravessaram a minha cabeça quando


levantei um pedaço de macarrão para a boca de Danny. Georges e eu estávamos
debatendo sobre os revestimentos para um dos muitos banheiros de Derek e
Adriane quando eu deixei o trabalho esta tarde, e eu ainda estava percorrendo
nossa lista final de opções.

—Você e Amanda fizeram uma caminhada esta tarde? —Perguntei a


Danny.

—Manda.

Eu sabia que eles foram dar um passeio, ela tinha me contado quando
cheguei em casa, mas eu gostava de perguntar a Danny sobre seu dia de qualquer
maneira.

—Você viu algum esquilo? —Eu perguntei, suprimindo um bocejo. Era um


pouco depois das 7 da noite, o que era tarde para nós estarmos jantando. Mas eu
estive ocupada cortando a grama e lavando roupa quando cheguei em casa.

—Sim. —Danny disse sorrindo.

168
—Você quer mais? — Eu raspei a tigela e lhe dei a última garfada.

Seu aceno apressado me fez sorrir. Eu não era uma ótima cozinheira, mas
Danny sempre comia com entusiasmo o que eu fazia.

—Mãe? —Ele perguntou, olhando ao redor da sala.

—Ela está tomando banho, querido. Eu vou verificá-la enquanto o


macarrão esfria.

Eu coloquei duas grandes colheres em sua tigela e deixei na mesa,


agarrando um pedaço de pão de alho para comer no caminho para o banheiro.

—Mãe? — Eu falei através da fenda na porta. —Você está bem?

—Não. —Ela disse fracamente. Meu coração pulou uma batida quando
abri a porta e entrei, afastando meus olhos dela, nua na banheira.

—O que está errado?

—Eu não consigo sair. —Ela disse. Seu tom indefeso me fez entrar em
ação.

—Vou te ajudar. Nada demais.

—Estou deitada de costas aqui. Quanto mais eu tentava sair, mais eu


deslizava para baixo.

Fui até o armário e agarrei uma toalha, desdobrando-a e colocando-a


sobre seu corpo.

—Você está tão fria. —Eu disse quando meus dedos roçaram seu ombro.

—Sim. Consegui puxar a tampa com o pé porque a água estava ficando


fria, mas sem a água é muito mais frio.

—Por que você não me chamou?

—Eu chamei. —Ela disse. —Adivinha? eu não consigo mais gritar. Estou
tão cansada e fraca.

—Vamos para a cama. —Eu disse, alcançando por baixo dela. —Você
pode envolver seus braços ao redor do meu pescoço?

169
Seus braços mal se moveram antes de cair de volta para os lados. —Eu
sinto muito. Usei toda minha energia tentando sair daqui.

—Está tudo bem. —Eu disse, passando com cautela meus braços abaixo
dela.

—Palmer, eu não acho que você pode me levantar. Não se machuque.

Eu me preparei, querendo mostrar a ela que eu tinha isso sob controle.


Mas levantar com as pernas era impossível quando eu estava de joelhos. Eu me
esforcei e nem consegui tirá-la do chão da banheira.

—Tudo bem. —Eu disse, respirando fundo. —Vamos repensar isso.

Mesmo que eu a tirasse da banheira sem machucar nenhuma de nós - o


que era improvável, ela precisava ser levada para a cama, e eu não conseguiria
fazer isso.

—Eu acho que preciso ligar para Jeremy. —Falei, referindo-me ao vizinho
que eu sabia que podíamos contar em uma emergência.

Mamãe se encolheu e fechou os olhos. —Mas estou nua. Não quero que
ele me veja assim.

Eu suspirei, considerando. Georges? De jeito nenhum. Ele não era muito


mais forte do que eu. A única pessoa que poderia ajudar era a que eu evitava
desde a nossa recente briga.

—Vou chamar Brady. —Eu disse, levantando. —E eu trarei um cobertor


para você.

Eu atravessei a cozinha para pegar meu telefone da minha bolsa, e Danny


olhou para mim, sua testa franzida com preocupação.

—Está tudo bem. —Eu disse, tocando na minha tela para ligar para Brady.

Fui até a porta da frente e fiquei na varanda da frente para que Danny
não ouvisse a conversa.

—Palmer? —Brady disse soando surpreendido e preocupado.

170
—Sinto muito por estar pedindo isso... —Comecei. —Eu sei que você está
bravo comigo.

—O que está errado? Você está bem?

—Eu preciso de ajuda. Minha mãe... ela está presa na banheira. Ela está
muito fraca para sair, e eu também não consigo tirá-la de lá.

—Estou indo.

—Obrigada. —Minha voz quebrou com emoção e engoli, tentando


permanecer firme.

—Ei, tudo bem. —Brady disse suavemente. —Estou a caminho, ok?

—OK.

Eu disse adeus para ele e entrei, puxando um cobertor de um armário na


sala de estar. Quando eu o coloquei em torno de mamãe, ela me assegurou que
estava bem e voltei para a cozinha para alimentar Danny.

Ele comeu a segunda porção de macarrão e estava quase na metade do


pudim de chocolate quando uma batida soou na porta.

—Ei. — Brady disse quando eu abri. Ele ainda usava sua camiseta azul
marinho da Grant Brothers Builders e um jeans e eu me perguntava se ele ainda
estava trabalhando quando liguei.

—Oi. Obrigada por ter vindo. Espero que eu não tenha o tirado de algo
importante.

Ele balançou a cabeça e atravessou a porta aberta. —O que é mais


importante do que isso?

Olhei para baixo no chão. —Ela está... vamos lá, vou levá-lo ao banheiro.

—Ela tem um roupão ou algo com o que eu possa cobri-la?

—Eu coloquei um cobertor sobre ela.

171
Entrei no pequeno banheiro e ele sorriu para minha mãe quando entrou.
O cobertor azul não conseguia esconder o fato de que seu corpo estava magro e
frágil, mas, se Brady percebeu, ele não disse nada.

—Oi, Janelle.

—Brady. É bom ver você, mesmo que eu esteja completamente


envergonhada.

Ele acenou com uma mão e se curvou para ela. —Bom te ver também. E
você está me ajudando aqui, porque nada aumenta mais o ego de um homem do
que ajudar uma donzela em perigo.

Eu fiquei atrás, observando-o abaixar e alcançar seus joelhos e ombros.


Ele a pegou e ergueu sem esforço.

—Para onde, minha senhora? —Ele perguntou sorrindo.

—Nunca pensei que um homem bonito me levaria para a cama


novamente. —Mamãe disse sorrindo. —Meu quarto é saindo, primeira porta a
direita.

Eu o segui, pronta para colocar seu cobertor sobre ela caso escorregasse,
mas Brady foi tão lento e gentil com ela que nada se moveu. Ele a inclinou para a
cama e olhou para mim.

—Eu vou vesti-la. —Eu disse. —Muito obrigada, Brady.

Minha mãe também agradeceu, e ele piscou para ela antes de sair. Fechei
a porta e fui até a cômoda de mamãe para pegar seu pijama.

—Ele cheira tão bem. —Mamãe murmurou. —Tipo doce.

—É o cheiro de madeira de corte fresco. Ele sempre cheira assim. Eu


gosto disso também.

Eu tirei o cobertor e ela virou a cabeça, envergonhada.

—Nada que eu não tenha visto antes. —Eu disse, colocando a parte de
cima do pijama sobre sua cabeça. —E você viu todas as minhas partes também.

—Você e Brady estão se vendo novamente?

172
Havia esperança em seu tom, e lembrei-me de sua decepção quando eu
disse que ele e eu tínhamos terminado.

—Tipo isso. —Eu disse, querendo ser honesta, mas cautelosa. —Nós
realmente não estamos tendo encontros.

—Dormindo juntos?

Eu estava falando sobre minha vida sexual com minha mãe enquanto
colocava uma calcinha nela. Nunca imaginei esse cenário.

—Bem... sim. —Eu disse, sentindo-me envergonhada.

—Não há nada de errado com isso, Palmer. Isso significa que as coisas
ainda estão vivas entre vocês dois.

Ajudei ela a se acomodar no travesseiro e depois sentei-me no final da


cama.

—Mas as coisas são diferentes agora. Não é o mesmo.

Os cantos dos olhos de mamãe enrugaram enquanto ela me estudava. —


Bom. As coisas precisavam ser diferentes. Elas não estavam funcionando antes.

—Mas nós brigamos. —Eu disse, brincando com um fio solto na colcha. —
E o sexo é muito mais...— Eu lutava por palavras apropriadas.

—Palmer, você acabou de ver minhas partes. E eu sou sua mãe. Apenas
diga.

Eu sorri. —É mais selvagem. Intenso. Parece muito mais cru do que antes.

—Mais apaixonado. —Ela disse. —Há muitos sentimentos para vocês


dois. E você deveria estar lutando. Você não pode superar os problemas que os
separaram sem lutar com eles. Mas, lutar e ter sexo selvagem é muito melhor do
que evitar um ao outro e deixar o ressentimento inflamar.

—Eu gostaria de não deixá-lo ir. —Admiti.

—Ele está aqui, não é?

173
—Ele provavelmente já foi. — Eu olhei para a parte de trás da porta
fechada. O bocejo de mamãe me fez voltar para ela.

—Bem, isso foi a minha agitação por esta noite. —Ela disse. —Brady é um
bom homem. Estou feliz por ele estar de volta em sua vida.

Beijei sua testa e abaixei as cobertas sobre os ombros. —Boa noite, mãe.
Eu amo você.

—Amo você também.

Saí do quarto, fechando a porta. Minha tensão começou a escorrer


quando eu me inclinei contra a porta e exalei. Mas o som da voz de Brady me
colocou de novo em alerta.

Quando entrei na cozinha, ele estava lá, levantando uma colher para a
boca de Danny. Ele estava dando a ele o resto do pudim de chocolate. Olhando
para os dois, as lágrimas queimavam nos meus olhos.

—Obrigada. —Eu disse, aproximando-me e olhando para a tigela quase


vazia.

—Sem problema. — Os olhos verdes de Brady eram macios e quentes, e


eu li a mensagem que ele estava me enviando: eu estaria fazendo isso o tempo
todo se você me deixasse.

—Eu preciso dar a Danny seu banho e levá-lo para a cama, mas se você
quiser assistir TV ou algo assim... podemos conversar quando eu terminar? — Eu
disse, observando-o para obter uma resposta.

—Sim. Mas por que não ajudo com o banho, se Danny quiser?

O rosto de Danny brilhava de felicidade enquanto alcançava as rodas de


sua cadeira. Reprimi um suspiro de alívio. Minhas costas ficaram doloridas com
meus esforços para levantar mamãe da banheira e, em um bom dia, custava tudo
o que tinha para ajudar Danny da cadeira de rodas na banheira e de volta.

Brady e eu conversamos sobre a casa de Derek e Adriane e brincamos com


Danny. Foi engraçado fazer barbas de bolhas e desenhar nas paredes da banheira
com Brady e meu irmão adulto nu, que não se sentiu estranho. Preservar a

174
dignidade de Danny importava para Brady, mesmo que Danny não soubesse o
que era dignidade.

Nós o secamos e vestimos juntos, e Brady colocou Danny na cama.

—Boa noite, Danny. —Ele disse.

—Brady. —Danny disse sorrindo para ele.

—Eu tenho que fazer uma ligação. —Brady disse. —Eu vou encontrá-la na
sala de estar.

Acenando, eu perguntei brevemente o que ele estava fazendo quando


liguei. Espero que não tenha nada a ver com uma mulher.

Banhar Danny e colocá-lo na cama com Brady me encheu de uma


sensação calorosa e confortável. Isso foi tão... doméstico. Isso foi o que os pais
faziam com seus filhos. Eu imaginava Brady e eu fazendo isso juntos um dia, mas
nunca desse jeito.

Embora isso fosse muito diferente dos sonhos que tive uma vez, foi
suficiente neste momento. As coisas eram difíceis e eu estava estressada, mas eu
não estava sozinha.

Coloquei um jogo de beisebol e li uma história para Danny, e as pálpebras


caíram quando eu o beijei na testa. Brady estava sentado no sofá quando fechei a
porta de Danny e entrei na sala de estar.

—Eu realmente aprecio que você veio tão rapidamente para me ajudar.
—Eu disse.

—Estou feliz que você me ligou.

—Você estava ocupado?

Ele balançou a cabeça, colocando o braço na parte de trás do sofá. Que


pena que me sentei muito longe para que seu braço estivesse ao meu redor.

—Eu estava organizando as planilhas dos horários dos caras que estão
trabalhando aqui. Minha secretária geralmente faz isso, mas ela está no Colorado,
então eu tenho que fazer isso no trabalho daqui.

175
Arquei minhas sobrancelhas e sorri. —Você tem uma secretária? Por
algum motivo isto me faz sentir muito orgulhosa de você.

Ele deu de ombros. —Sim, Kathy é ótima. Eu não conseguiria fazer nada
sem ela.

Houve um momento de silêncio incomodo antes dele falar novamente.

—Quero dizer, ela é feliz no casamento e seu primeiro neto acabou de


nascer, então não quero que isso pareça como... você sabe.

Sua expressão sincera me fez mover para mais perto dele. Eu tentei por
um beicinho e um olhar sedutor, esperando que ele pegasse a dica.

—Eu lhe ofereceria uma bebida, mas não temos nada de bom. —Eu disse,
juntando meu cabelo sobre um ombro. Meu pescoço nu sempre pareceu acender
Brady por algum motivo.

Um leve sorriso tocava seus lábios quando ele pegou uma das minhas
mãos e passou seus dedos nos meus.

—Eu sei o que você precisa agora. —Ele disse.

—Oh, realmente? —Um toque quente de excitação se espalhou por mim


enquanto eu olhava em seus olhos verdes brilhantes.

—Vamos. — Ele deu um tapinha em seu colo.

—Oh, então é assim? —Perguntei brincalhona, subindo de joelhos para


empurrá-lo.

Ele me surpreendeu me puxando para o seu colo e envolvendo seus


braços ao redor de mim. Definitivamente, eu não estava empurrando-o. Ele
estava me embalando, o que não parecia nada sexy.

—O que é isso? — Perguntei confusa.

—Sem sexo. Eu só quero estar com você, Palmer. Eu quero que você
relaxe. Você mantém um rosto tão corajoso para sua mãe e Danny, mas você não
precisa manter comigo. A intimidade real não é sobre sexo, trata-se de
compartilhar seus sentimentos.

176
—Como você está se sentindo? —Eu perguntei, inclinando minha cabeça
para trás para poder olhar para o rosto dele.

Ele levantou um canto de seus lábios em um sorriso. —Eu tenho emoções


misturadas no momento. —Ele disse suavemente. —Estou feliz que você me ligou
quando precisou de alguma coisa. Agradecido que você confiou em mim o
suficiente para te ajudar durante um momento tão difícil. Ferido por ver sua mãe
do jeito que ela está. Desamparado de te ver chateada.

Eu queria responder, mas não conseguia falar com o nó gigante na


garganta. Este era o homem que eu assumi que ficaria incomodado com meus
fardos e em vez disso, ele realmente queria me ajudar a suportá-los.

—Estou tão feliz que você está aqui agora. —Eu disse, minha voz rouca.
—Tão grata que, mesmo brigados, você se importa o suficiente para correr
quando eu preciso de você. Estou triste que você não é mais meu. E estou tão
assustada sobre o que vai acontecer com a minha mãe. Ao vê-la nessa banheira
esta noite lembrou-me que ela está piorando rapidamente. Não estou pronta
para isso, Brady. Eu posso lidar enquanto ela ainda estiver aqui, mas não estou
pronta para perdê-la.

Eu soltei o soluço que eu estava segurando, enterrando meu rosto em seu


peito e chorando como se eu estivesse sozinha. Não segurei nada, deixando toda
a angústia derramar de mim enquanto ele me segurava e me balançava
gentilmente.

Eventualmente, meu choro tornou-se um fungado, embalada pelo


conforto do corpo sólido e quente de Brady, encostada nele. Saltei com o som de
uma batida na porta.

—Quem no inferno poderia ser? —Murmurei. —Eu não quero atender a


porta assim.

—Eu atendo. — Brady levantou-se, pegando-me e me colocando de volta


no sofá. Ele abriu a porta e procurou por algo. Eu não podia ver quem estava na
porta do meu lugar no sofá, mas adivinhei quando senti um cheiro de queijo e
pepperoni.

177
Ele virou e fechou a porta, equilibrando vários itens em cima de uma
caixa de papelão.

—Uh... entregador de pizza? —Perguntei intrigada.

—Melhor. —Ele disse com um sorriso. —Meu irmão. Temos pizza, bolo de
chocolate e vinho.

—Deus isso soa bem. —Levantei-me do sofá e fui para a cozinha. —Eu
não posso ficar bêbada, mas posso tomar uma taça de vinho. E um pouco de bolo.
Isso foi uma atitude tão doce de Troy.

Brady grunhiu e revirou os olhos. —Liguei e disse-lhe para trazer.

—Bem, ainda assim foi doce.

Coloquei vinho em duas taças de vidro e entreguei-lhe uma. Ele


mergulhou na pizza e eu comi vários pedaços de bolo de chocolate.

—Posso ficar com você esta noite? — Ele perguntou, olhando-me da


pequena ilha de cozinha da minha mãe. Havia uma nota suplicante em seus olhos.

Eu nem quis pensar nele saindo esta noite. —Sim. Eu só tenho uma cama
de solteiro no andar de baixo.

—Isso está ótimo pra mim. — Ele drenou sua taça de vinho e pegou a
caixa de pizza. —Quer ir para baixo? Você parece muito cansada.

Assenti com a cabeça e peguei a garrafa de vinho. Assim que cheguei ao


fim da escada, liguei a babá eletrônica que eu mantinha no quarto da minha mãe
e de Danny para que eu pudesse ouvi-los se eles precisassem de algo durante a
noite.

Quando eu me virei para Brady, ele estava sentado no sofá marrom


desgastado que minha mãe tinha desde antes mesmo de eu nascer,
desamarrando suas botas de trabalho e tirando-as.

—Ei. —Eu disse suavemente. —Não que eu queira trazer isso de volta,
porque eu não quero, mas... a briga que tivemos. Eu sinto muito. Não apenas
porque você está aqui esta noite. Me arrependi no momento em que você saiu da
minha casa. Eu disse algumas coisas maldosas.

178
Ele suspirou e descansou os cotovelos nos joelhos. —Me desculpe,
também. Perdi a paciência, coisa que nunca mais quero fazer com você. Acredite
ou não, eu sou sensato na maior parte do tempo. Mas você me faz um... —Ele
gesticulou suas mãos com frustração. —... uma poça gigante de sentimentos. Eu
acho que talvez seja a nossa natureza juntos. Os altos são mais altos, e os baixos
são mais baixos.

—Quer resolver isso na cama? —Perguntei arqueando minhas


sobrancelhas para ele.

—Não faremos sexo esta noite. Eu lhe darei uma massagem e depois
vamos dormir.

—Eu nunca te vi não querer sexo. — Tentei manter meu tom casual, mas
a dor abriu caminho.

—Eu quero Palmer. Mas você teve uma noite perturbadora, e eu só quero
estar aqui com você. Nós somos mais do que apenas amigos de foda, certo?

Eu suprimi um sorriso. Ele me pegou. —Certo.

—Ok, então. — Ele parou e puxou a camiseta sobre sua cabeça. —


Camiseta fora. Deite de barriga para baixo.

Eu concordei, gemendo quando ele começou a trabalhar sua magia nos


meus ombros. Suas mãos eram grandes e fortes, capazes de amassar toda a
minha tensão com apenas a quantidade certa de pressão.

Surpreendentemente, fiquei aliviada. Eu desejava sexo, porque isso levaria


a minha mente para longe da ansiedade que sentia pela minha mãe depois de vê-
la tão desamparada hoje à noite. Mas o vinho, o bolo de chocolate e uma
massagem aliviaram minhas preocupações. Eu sabia que não era realmente
nenhuma dessas coisas, no entanto. Era Brady, não apenas falando, mas me
mostrando que ainda havia mais de nós do que apenas sexo quente.

179
Capítulo 13
Brady

Passei uma mão no meu rosto e exalei profundamente, lendo as planilhas


de horário e a atualização que Kathy me enviou do trabalho comercial em Denver.

—O que diabos é todo essa hora extra? — Eu disse para a sala vazia.

Kathy respondeu do alto-falante do telefone na minha mesa. —Eu disse a


Adam para cortar horas extras há duas semanas, e então eu recebo essas
planilhas de horário. Este trabalho está acima do orçamento e está atrasado.

—Sim, merda. —Murmurei. —Adam sabe que você é quem decide as


horas extras quando eu não estou ai. Qual é a explicação dele?

—Ele apenas disse que tinha que ser feito. Então ele me disse para cuidar
da papelada e deixá-lo lidar com o trabalho de Stanton.

Olhei para o telefone. —Ele disse isso para você?

—Oh, eu o coloquei no seu lugar, não se preocupe. — O tom sem sentido


de Kathy encheu o trailer que era meu escritório aqui em Chicago. —Eu lhe disse
que ele encontraria meu pé tão fundo em sua bunda que ele poderia provar o
couro de meus saltos se ele falasse comigo assim novamente.

—Bom. Mesmo assim, vou falar com ele de qualquer maneira. — Eu me


inclinei para trás na minha cadeira e olhei os números na tela do computador. Era
impossível estar em dois lugares ao mesmo tempo, mas era o que eu precisava
fazer.

—O que você quer que eu faça sobre as horas extras? — Kathy


perguntou.

—Pague-as. —Eu minimizei as planilhas de horário na minha tela, então


eu não teria que olhar para o lucro decrescente por causa de mais tempo de

180
trabalho. —Estarei aí amanhã à noite, para que eu possa fazer este trabalho
voltar aos trilhos.

—Como o trabalho aí está indo?

—Bem. —Eu disse. —Adiantado.

—Provavelmente porque você é o chefe.

Eu grunhi de acordo. —Você consegue passar alguns números de bônus


da equipe de Stanton se o trabalho entrar no prazo e no orçamento que estipulei?
Faça valer a pena.

—Eu vou enviar-lhe algo esta tarde.

—Você é a melhor, Kathy. Vejo você na manhã de quinta-feira.

—Faça uma boa viagem, chefe.

Eu já sabia que eu me preocuparia toda a viagem e depois pegaria Adam


quando chegasse a Denver. Boa ajuda era difícil de encontrar, mas os funcionários
se preocupavam em manter os meus trabalhos no caminho certo tanto quanto
eu? Bem, isso era impossível. Ninguém mantinha um olho em cada detalhe como
eu.

Mas droga era um péssimo momento. Palmer estava finalmente


começando a se apoiar em mim mais do que apenas só por sexo. Eu queria
mostrar a ela que fui sincero quando eu disse que estaria lá por ela. E como
diabos eu poderia estar lá para ela em Denver?

Não tinha escolha senão ir. Tanto quanto eu odiava, eu tinha que ir e
colocar ordem no trabalho sem controle de Stanton. Eu trabalhei muito para
construir esta empresa para deixar tudo ruir neste único trabalho.

Eu gostava de estar tão loucamente ocupado com meu trabalho que não
tinha tempo para vida pessoal. Até agora.

181
Palmer

Mamãe estendeu a mão para uma xícara no balcão, mas sua mão parecia
presa no espaço ao lado. Ela deixou sua mão cair no balcão por alguns segundos
antes de tentar novamente.

—Aqui. —Eu disse, apressando para entregá-la.

—O quê? — Ela olhou para mim sem entender.

—A xícara. Você estava tentando pegá-la.

—Eu não a quero.

Meu telefone vibrou no meu bolso, e eu silenciei. Provavelmente, era


apenas Georges ligando sobre a reunião que tínhamos com Adriane amanhã para
ver o progresso do projeto em sua casa.

Mamãe fixou seus olhos em mim, como se ela tivesse percebido que eu
estava ali parada.

—Palmer...—Ela disse suavemente. —Desculpe por ter perdido sua festa


de Volta ás Aulas.

Meu coração torceu no meu peito. Eu não tinha pensado nisso há muito
tempo. Eu tinha sido coroada princesa do De Volta ás Aulas no meu primeiro ano
de ensino médio, e os pais dos coroados tinham que ir ao jogo de futebol
americano para serem apresentados no intervalo. Eu estava sozinha e mortificada
quando tive que atravessar o campo sozinha quando todos os outros tinham pelo
menos um dos pais com eles.

—Isso foi há muito tempo, mãe. Vamos para a cama. — Eu esfreguei suas
costas em círculos calmantes. —Eu vou acomodá-la e pegar um pouco de chá.

Quando eu envolvi um braço ao redor de seus ombros, os ossos sob


minha mão me lembraram por que eu não conseguia dormir hoje em dia. Como
sua clareza, sua força parecia desaparecer dia a dia.

182
Eu desejava que Amanda ainda estivesse aqui. Ela foi para o outro
trabalho quarenta e cinco minutos atrás. Apenas por ficar alguns minutos quando
chegava em casa do trabalho todas as tardes me mostrava o que era ter uma mão
quando se precisava de ajuda.

—Danny, fique à mesa, ok? —Eu me virei e encontrei seu olhar enquanto
saía da sala com mamãe. Havia uma panela de água fervente no fogão, e embora
eu soubesse que era improvável que ele se aproximasse, não gostava de deixá-lo
sozinho na cozinha.

Ele assentiu com a cabeça, com a testa franzida com preocupação.


Mesmo sabendo que mamãe estava doente, para ele doente significava vomitar
ou ter o nariz escorrendo. Ele não conseguiu processar o que estava acontecendo
com ela, e eu não sabia como ajudar.

Mamãe se enrolou ao meu lado e lentamente, chegamos ao quarto


escuro. Levei-a até a cama e ajudei-a se deitar.

—Ok? — Perguntei, puxando as cobertas para o seu peito. Ela assentiu,


seus olhos já meio fechados.

Deixei a porta entreaberta e voltei para a cozinha para terminar o jantar.


Danny estava brincando com um grande baralho de cartas coloridas que Amanda
estava usando para ensiná-lo.

—Você quer um queijo grelhado tradicional ou um queijo extra? —


Perguntei. —Estou fazendo queijo grelhado e ravioli.

—Queeijo! — Danny respondeu.

—Queijo extra, então. — Abri a geladeira e verifiquei o conteúdo. —


Preciso comprar mantimentos, hein?

Eu tirei a manteiga e o queijo, meus pensamentos vagando por Brady


enquanto eu fazia os sanduíches. Eu sentia falta dele. Desde que ele partiu para
Denver na semana passada, ele me ligou todos os dias. Eu comecei a esperar a
sua chamada noturna por volta das 9 da noite, ansiosamente. Mas o que
aconteceria quando este trabalho acabasse e ele voltasse para Denver em
definitivo?

183
Os sanduiches douraram na grelha enquanto eu considerava me mudar
para estar com Brady. Ele queria mesmo isso? Mesmo que ele quisesse seria
difícil. Eu não tinha muito dinheiro, e Danny tinha ficado apegado a Amanda. Ela o
levou até as instalações em que trabalhava algumas vezes e eu estava pensando
em aceitar seu conselho e inscrevê-lo em um programa lá.

Mas agora que ele estava de volta na minha vida, eu não sabia se eu
poderia deixá-lo ir novamente. Nenhum outro homem se comparava a Brady. Ele
era minha perfeita e sólida fortaleza, mesmo com sua tendência a teimosia.

—Vermelho! — Danny gritou, segurando uma carta.

—Sim! Vermelho. —Eu disse, sorrindo. —Bom trabalho.

Peguei os sanduiches da grelha e servi os raviólis nos pratos. Danny


queria que eu perguntasse a ele sobre cores enquanto a comida esfriava, então,
eu segurei as cartas uma da cada vez e batia quando ele acertava.

Ao mesmo tempo eu o alimentava, comia minha comida e limpava a


cozinha.

Era a hora do banho. Ajudei Danny a sentar na cadeira dele, rodando-o


para o quarto de mamãe, onde parei na porta.

—Vou verificar a mamãe. —Eu disse a ele.

Ela estava sentada na cama, mas eu não podia ver muito além do esboço
dela. Eu me aproximei e vi seu olhar vago.

—Mamãe?

—O-o que?

Ela virou-se para mim e uma sensação sinistra deslizou pela minha
espinha. Sentei-me na cama e alisei uma mão sobre seus cabelos.

—Você está bem? —Perguntei.

—O que?

—Mãe, o que você precisa? Você está com dor?

184
Meu coração estava batendo selvagemente enquanto olhava para trás,
seus olhos sem emoção.

—O que?

Engoli o nó na garganta.

—Diga outra coisa para mim, mãe. Você pode dizer alguma outra coisa?

—O que?

Levantei-me e corri para o telefone no balcão da cozinha.

—Almer? — Danny chamou atrás de mim.

Liguei para Amanda, que respondeu no segundo toque.

—Palmer? Tudo certo?

—Não. Algo está errado com minha mãe. Ela apenas diz uma palavra e
sinto que nem me reconhece. Devo chamar o atendimento domiciliar?

—Você deveria ligar para uma ambulância.

Minhas lágrimas caíram. —OK. Obrigada.

—Você precisa que eu deixe o trabalho e fique com Danny? —Ela


perguntou. —Provavelmente posso sair daqui.

—Não, eu vou... eu tenho um vizinho que pode vir. E vou ligar para meus
tios. Mas obrigada.

—Deixe-me saber o que está acontecendo, ok?

Concordei e desliguei, discando o 911 no caminho de volta para o quarto


de mamãe. Quando eu lhes dei o endereço e informações, eu limpei minhas
bochechas e me sentei na cama, esfregando o braço com tranquilidade.

Ela estava agitada agora, deslocando-se e olhando ao redor da sala com


confusão.

185
—Tudo bem, está tudo bem, mãe. —Eu disse. Ela deslizou até a beira da
cama e tentou sair, mas eu a segurei no lugar. —Fique na cama por enquanto. A
ajuda está a caminho. Está tudo bem.

Ela tentou se afastar, mas estava fraca demais. Olhei nos olhos dela,
esperando tranquilizá-la, mas seus olhos estavam arregalados de terror. As
lágrimas se juntaram, e seu corpo tremia em meus braços.

Por favor, orei silenciosamente. Por favor, não deixe isso ser o fim. Não
com Danny do outro lado da porta e ela tão assustada. Eu sei que está perto, mas
não permita que seja assim.

Eu tive que aguentar e ficar forte até a chegada da ajuda. Perguntei-me


quanto tempo levaria quando me lembrei de que tranquei a porta quando
Amanda partiu. Eu não poderia deixar mamãe assim para atender a porta. Não
quando ela estava tentando sair da cama e poderia cair.

Eu disquei o 911 novamente, explicando quem eu era para a central.

—Diga-lhes para forçar a porta. —Eu disse. —Arrombe-a se for


necessário. Eu não consigo chegar lá para abri-la.

Mamãe estava com os olhos arregalados agora, seu olhar vagando pelo
quarto como se estivesse procurando uma fuga. Eu a segurei, tentando
tranquilizá-la. Foram apenas alguns minutos até que eu ouvi a porta da frente ser
forçada a abrir, mas esses foram os minutos mais longos da minha vida.

Uma jovem vestida com um uniforme de paramédico acendeu as luzes e


entrou no quarto, um homem de meia-idade musculoso logo atrás dela.

—Ela tem câncer de pulmão metastático que também está no cérebro. —


Eu disse. —Alguma coisa não está certa.

—Não! —Gritou minha mãe, se mexendo sob meu aperto e olhando para
mim.

—Senhora, estamos aqui para ajudar. —Disse o paramédico, ajoelhado ao


lado da cama. —Você pode me dizer seu nome?

Mamãe deu a ela o mesmo olhar vazio que ela havia me dado.

186
—Qual o seu nome? —Perguntou o paramédico novamente.

—O que?

Outro paramédico estava confortando Danny no corredor. Fechei os


olhos, orando por minha mãe. Embora ela estivesse em meus braços agora, ela
realmente não estava aqui. E eu estava aterrorizada que a parte dela que me
conhecia tivesse ido para sempre.

—Vamos levá-la para o hospital. —Disse o paramédico. —Você é a filha?

—Sim. Posso ir também?

—Claro.

Respirei fundo, grata quando tive que me afastar para que pudessem
tomar a pressão sanguínea de mamãe e ajudá-la na maca que haviam trazido para
a sala.

—Eu tenho que ir pedir ao meu vizinho para ficar com meu irmão. —Eu
disse, correndo do quarto.

Assim que eu abri a porta e entrei no ar quente do verão, eu queria muito


chorar. Esta era a minha chance. Eu teria que ser forte e confortar Danny assim
que voltasse. Eu teria que manter a compostura depois disso para estar com
mamãe no hospital.

Esta era a minha chance. E eu a peguei, deixando a tensão, a preocupação


e a tristeza assumirem até eu estar soluçando. Não havia nada que eu pudesse
fazer. A fadiga que muitas vezes lutei contra para cuidar de mamãe e Danny
enquanto trabalhava, eu poderia lidar indefinidamente. Mas isso? Sentada
enquanto minha mãe estava com medo e sofrendo? Era pior do que saber que
estava morrendo.

187
Brady

Liguei o botão da minha cafeteira do escritório e ela rugiu para a vida. Era
apenas um pouco mais de 8 horas da noite, mas meu traseiro estava se
arrastando. Muitas madrugadas e noitadas neste escritório maldito desde que eu
voltei para casa no Colorado. E quando eu finalmente ia embora e caia na cama
no meu apartamento, eu não conseguia dormir muito. Eu sempre tinha muita
coisa na minha mente. Às vezes, trabalho. Às vezes meu pai. Mas, geralmente,
Palmer.

Mais uma hora até eu ligar para ela. Eu sempre esperei até Danny estar
na cama para que ela pudesse relaxar e ficar confortável enquanto
conversávamos. Era tão fácil imaginá-la aconchegada no sofá ou na cama, com
uma taça de vinho na mão que ela bebia durante nossa conversa.

Era a minha maldita culpa que tínhamos nos separado no ano passado. Eu
sabia disso agora, e eu me sentia muito mal por isso. Quando Palmer mais
precisou de mim, eu estava construindo meus negócios em outro estado e
fodendo outras mulheres. Meu estúpido orgulho tinha deixado seu comentário
sobre não precisar de mim mudar tudo.

Passei a mão pelo meu rosto enquanto eu assistia a cafeteira encher. Mais
algumas noites aqui, e espero poder voltar para Chicago por alguns dias.

Depois que eu derramei um pouco de café, fui ao refrigerador do


escritório e encontrei o sanduíche que Kathy me deixou. Eu estava voltando para
minha mesa para comer quando meu telefone zumbiu no meu bolso.

Palmer. Eu sorri por não ter que esperar uma hora para ouvir sua voz.

—Ei, como você está? — Eu falei.

Houve uma pausa antes de um soluço. —Horrível.

Puta merda. Só podia ser a mãe dela. Eu joguei o sanduíche no balcão e


apertei minha mão na testa. Ouvir o seu choro, fez meu peito apertar-se
desconfortavelmente.

188
—O médico acha que ela teve uma convulsão. — Palmer suspirou sua voz
ainda tremendo. —Ela não me reconheceu e eu tive que chamar uma ambulância.

Fechei os olhos, desejando que estivesse com ela agora mesmo. —Eu
sinto muito. Você está bem?

—Sim. Ela começou a voltar a si quando chegamos aqui. Mas o médico


disse que poderá acontecer novamente. São os tumores em seu cérebro.

—E quanto a Danny? Você precisa que eu vá para casa e ajude com ele?

—Meus tios estão a caminho. O irmão de mamãe e sua esposa.

Senti um pouco de alívio que a família dela estava chegando. O


pensamento de Palmer, sozinha no hospital, estava me esmagando.

—Eu vou voltar mais cedo. —Eu disse.

—Você não precisa fazer isso. Você estará aqui em alguns dias, certo?

—Sim, mas... eu sinto que deveria estar aí agora.

—Apenas ouvir sua voz me faz sentir melhor, Brady. E saber que você
estará aqui.

Ela estava buscando confiança no tom dela, mas eu ouvi uma


vulnerabilidade.

—Palmer, eu...

—Ei, o médico está entrando no quarto de mamãe, eu tenho que ir. Eu


vou ligar para você amanhã, ok?

—Sim.

Eu queria dizer a ela que eu a amava, mas algo segurou as palavras na


minha boca.

—Tchau, Brady.

—Tchau.

189
Eu desliguei, apoiando as duas palmas no balcão e considerando. De jeito
nenhum, eu poderia pensar sobre a papelada agora. Havia apenas uma pessoa
que poderia ajudar. Bom, ele me devia um favor.

Palmer

A brecha de luz no quarto aumentou quando uma enfermeira abriu a


porta. Levantei o rosto da cama de mamãe, meu pescoço protestando com uma
dor por ter dormido inclinada sobre a cadeira.

—Apenas verificando seus sinais vitais. —A enfermeira sussurrou, rolando


um carrinho pequeno na frente dela. Olhei para mamãe, que ainda estava
dormindo.

—Há café lá fora? —Perguntei suavemente. A enfermeira acenou com a


cabeça e mostrou-me uma máquina de bebidas ao virar da esquina. Dirigi-me
para lá, minha cabeça pesada e nublada.

Essa foi a primeira vez que ela dormiu a noite toda. A enfermeira entrou
uma vez a cada hora para verificar mamãe, e eu assisti, com os olhos abatidos e
aliviados quando sua pressão sanguínea e pulso ficavam normais.

O café não era ruim, considerando que era quase 3 da manhã. Mas o café
provavelmente era uma necessidade por aqui. Eu estava no meio do meu copo de
isopor quando as portas do elevador perto da máquina se abriu e uma figura
morena saiu.

Brady. A descrença me inundou, seguida imediatamente por uma


sensação de gratidão que tornou meus joelhos instáveis.

—Você está aqui. —Eu disse, colocando meu copo no balcão. —Como?

190
Ele cobriu os últimos passos entre nós e me pegou em seus braços,
segurando-me apertado por alguns segundos antes de falar.

—Eu tinha que vir. Eu precisava estar aqui. Eu tenho um amigo com um
avião que me trouxe.

Eu me afastei para encontrar seus olhos quentes e castanhos. —Seus


amigos são mais legais do que os meus.

Ele sorriu e inclinou sua testa para baixo para tocar na minha. —Ele é um
cliente. Eu construí sua casa.

—Estou tão feliz que você está aqui. — Eu estendi a mão e passei por seus
cabelos grossos e escuros. —Eu sei que eu disse que você não precisava vir, mas...

—Sim, pensei que deveria ser psicologia reversa, porque a última vez que
eu ouvi o que você disse tudo foi para a merda.

Eu queria adverti-lo, mas não pude deixar de rir contra seu peito. Deus,
era bom libertar algumas das minhas tensões engarrafadas.

—Eu não estava fazendo joguinhos. —Eu disse. —Eu queria dizer mesmo,
mas... estou muito feliz que você não tenha ouvido.

—Você está acostumada a fazer tudo sozinha. Você sabe que não precisa
ser assim.

Meu corpo desinflou enquanto suspirava. —É difícil pedir ajuda. Tudo


sobre isso é difícil.

Ele me puxou contra o peito novamente, falando suavemente no meu


ouvido. —Você quer conversar ou tentar dormir?

Eu bocejei, apesar da xícara de café. —Eu apenas estou drenada.


Desgastada, mas não sei se posso dormir.

—Você me quer no quarto com você? —Brady perguntou. —Porque eu


posso ficar no sofá da recepção.

—É claro que eu quero você lá dentro. Há apenas uma poltrona reclinável


e uma pequena cadeira lá.

191
Nós caminhamos em direção ao quarto de mamãe, seu braço envolta dos
meus ombros.

—Ei. —Ele disse suavemente. —Eu demorei um tempo conversando para


conseguir passar pela segurança e entrar aqui. Se alguém perguntar, estamos
casados, ok?

Parecia muito bom. Eu só desejava que fosse verdade. Ao assentir e


afundar contra Brady, percebi que poderia ter tido isso durante o ano passado. Eu
poderia ter tido ele. Em vez disso, eu disse a ele para ir ao Colorado e começar de
novo. Sua vida estava lá agora, e ele voltaria para lá eventualmente.

Mas, por enquanto, ele estava aqui. Eu era a fonte de conforto de


mamãe, e era tão bom saber que Brady estava aqui para ser a minha.

192
Capítulo 14
Brady

Janelle não devia pesar mais de 36 quilos. Ela era pele e osso, muito frágil
até para gastar energia sorrindo e conversando brevemente como ela sempre
fazia. Quando a levantei da cadeira de rodas para o carro de Palmer, sua gratidão
fez com que seus olhos brilhassem, mas ela ficou em silêncio.

Todo o meu corpo estava tenso em ser tão gentil quanto eu pudesse.
Abaixei-a para o assento cautelosamente, preocupado em machucá-la. Palmer
olhou-me do outro lado do banco de trás, onde ela estava inclinada na porta de
seu sedan.

—Ok, mãe? —Ela disse. —Pronta para ir para casa?

—Eu vou dirigir. —Eu disse. —Você pode sentar-se aqui com ela.

Palmer assentiu e entrou, me entregando as chaves. Quando eu sentei no


banco do motorista, meus joelhos foram esmagados contra o volante. Droga de
carros pequenos. Eu desejava ter minha caminhonete para levá-las para casa, mas
eu a deixei no Colorado.

Mudei o encosto do banco, o que ajudou um pouco, e fomos para casa


em relativo silêncio. Quando olhei no espelho retrovisor, a cabeça de Janelle
estava descansando no ombro de Palmer e Palmer estava alisando o cabelo curto
e espetado de Janelle.

Minha respiração ficou presa por um segundo. Havia tanto amor nessa
mulher. Não importava o preço que ela tivesse que pagar, ela era forte e cuidava
de sua mãe e seu irmão. Ela nunca se colocou na frente deles.

Seus olhos pegaram o meu no espelho e os cantos de seus lábios


apareceram só um pouco. Fiquei tão feliz por ter seguido meu instinto sobre vir
aqui. O trabalho poderia aguardar. Eu precisava estar com Palmer agora.

193
Quando chegamos à pequena casa do rancho de Janelle, havia uma nota
no balcão da assistente de saúde domiciliar que Palmer havia contratado. Ela
levou Danny para o lugar onde trabalhava durante o dia.

Eu carreguei Janelle do carro para seu quarto, onde Palmer a ajeitou e


trouxe um copo de água e colocou-o no criado mudo. Os olhos de Janelle se
fecharam imediatamente, e o rosto de Palmer caiu com exaustão.

—Eu também preciso descansar. —Ela disse, tirando os sapatos. Ela se


aproximou e envolveu seus braços ao redor do meu pescoço. Eu a segurei contra
mim, desejando poder fazer mais para aliviar sua preocupação e fadiga.

—Você é incrível. —Sussurrei ao seu ouvido.

—Você também é. Você pode vir jantar hoje à noite? Você ainda estará
na cidade?

—Sim. Estarei aqui.

Ela pressionou a lateral do rosto no meu peito, relaxando em mim. —Será


algo realmente gourmet como um espaguete. —Ela murmurou.

—Vou trazer o jantar. Durma e eu vou te ver esta noite, ok?

Ela acenou com a cabeça e afastou-se, entrelaçando seus dedos com os


meus antes que nossas mãos se separassem e ela se arrastou para a cama ao lado
de sua mãe. Ela mal dormiu no hospital e sabia que faria isso em minutos.

Eu saí e mandei mensagem para Troy vir me buscar. Liguei para Kathy
enquanto esperava.

—Bom dia. —Ela disse alegremente. —Você está planejando aparecer


hoje?

—Ah... na verdade estou em Chicago.

—Chicago! Você dirigiu a noite toda? Está tudo bem?

Respirei fundo. —Está... tudo bem, eu acho. Eu tive que voltar para ficar
com alguém que tem um membro da família doente.

194
—Oh. Desculpe, Brady. Quem você quer que seja o mestre de obras em
Stanton até você voltar?

Eu balancei minha cabeça. Não havia boas escolhas. Kathy encheu o


silêncio com um murmúrio simpático.

—Você poderia enviar Hunter aqui. —Ela sugeriu. —Ele é um bom


quebra-galho.

—Sim, mas ele é tão devagar. Ele tem medo de chatear os caras.

Outro murmúrio, este de acordo. —Adam? —Kathy sugeriu.

—De jeito nenhum. Estou a ponto de demiti-lo.

—Eu sei que isso é um péssimo momento, mas este trabalho tem que ter
um líder forte neste momento. Estamos quase voltando ao orçamento.

—Eu sei disso. —Eu disse, minha irritação aparecendo no meu tom.

—Não desconte no mensageiro. —Kathy disse.

—Eu não estou. Não é você. Estou em um momento ruim agora.

Troy cruzou na entrada da casa de Palmer, dirigindo a picape vermelha


velha que ele havia consertado com papai quando ele estava no colégio.

—Por enquanto, você é o mestre de obras. —Falei a Kathy.

—Eu? —Ela gritou. —Oh infernos não.

—É temporário. Você pode fazer do escritório, você não precisa estar no


local.

—Brady...—Ela protestou.

—Por favor, Kathy. Apenas por hoje e amanhã, mantenha a merda longe
de explodir, tudo bem?

—OK. Mas irei mandar para casa qualquer um que me irrite um


pouquinho.

Eu sorri. —Por favor faça. Eu devo a você, Kathy.

195
—Pode ter certeza disso.

Nós nos despedimos e subi na picape de Troy. Ele franziu o cenho para
mim, manchas de poeira seca deixando as sobrancelhas mais brancas do que
pretas.

—Você mexeu com drywall hoje? —Perguntei.

—O que diabos você está fazendo aqui? Você deveria estar em Denver. E
de quem é essa casa?

—Relaxe, mãe. Está e a casa da mãe de Palmer. Voltei noite passada,


porque ela está realmente em mal estado.

—Noite passada? Falei com você no escritório às seis. Você dirigiu a noite
toda?

—Eu vim de avião.

Os olhos dele abaixaram. —Voou?

—Joel me trouxe aqui.

—Joel? Como Joel Davenport?

Eu assenti. Troy sacudiu a cabeça enquanto olhava por cima do ombro


para sair da entrada.

—Vocês dois são tipo ex muito amigos. —Ele disse.

—O que te interessa?

—Nada. — Ele deu de ombros. —Onde eu estou levando você?

—De volta ao nosso apartamento. Eu não dormi.

Troy assentiu, e nós nos mantivemos em silêncio por um minuto.

—Você visitou o papai? —Perguntei.

—Não.

—Por que não?

196
Ele olhou para a estrada, sua expressão não dizendo nada.

—O que te interessa? —Ele finalmente perguntou, roubando minha fala.

—Por que não? —Eu repeti, com mais firmeza desta vez.

—Não tenho vontade de vê-lo. Depois do que ele fez, você pode me
culpar?

—Sim, meio que posso. —Eu disse. —Considerando o porquê ele fez isso.

A mandíbula de Troy ficou tensa. —O que diabos isso significa?

—O que isso significa para você? —Perguntei.

—Eu não sei por que ele fez isso, e eu não me importo, Brady. Eu superei
isso.

Eu balancei a cabeça, indignado. —Eu sei que você está mentindo sobre
isso, e eu espero que você esteja mentindo sobre a outra coisa, também. Você
sabe por que, Troy. E você deveria se importar. Eu vou te bater se você não fizer
isso.

—Sim, tudo bem, Brady. —Ele disse, sua voz tremendo e venenosa ao
mesmo tempo. —Papai provavelmente está preso por minha causa. Eu sou o filho
pródigo, isso faz você se sentir ainda mais superior?

Eu arqueei minha sobrancelha. —Eu nem sei o que isso quer dizer. Fico
admirado com o fato de que você possa usar tantas drogas e permanecer tão
inteligente. E nunca me senti superior.

—Mentira. — Ele zombou e me deu um olhar bravo. —Você sempre foi o


mais velho e o melhor.

—Você me culpa por seu problema com drogas? — Eu revirei meus olhos.
—Seja homem e assuma sua responsabilidade pela primeira vez, Troy.

—Estou limpo há quase um ano.

—Sim, e isso é ótimo. Mas como diabos você deixa papai apodrecendo na
prisão quando ele está lá porque ele estava te ajudando?

197
Troy balançou a cabeça. —Eu não sei. Longe dos olhos, longe do coração,
eu acho.

Ele chegou na frente do nosso apartamento e colocou a picape no


estacionamento.

—Você está brincando comigo? —Perguntei, minha voz aumentando. —


Você não se sente nem um pouco mal por isso?

—Eu me sinto como um merda por isso! —Ele rugiu, virando-se para mim.
—Por que diabos você acha que eu estou limpo? Então, ele não foi para lá por
nada.

—Ele quer te ver. —Eu me obriguei a me acalmar, embora o estresse e a


insônia me tivessem na borda.

—Eu não posso. —Troy virou-se. —Eu também... não sei. Ele e a mãe
perderam tudo por minha causa. Não posso encarar ele.

Meu coração partiu por meu irmãozinho, que tinha recebido mais do que
ele imaginava.

—Você vai encará-lo. —Eu disse. —Você precisa. Ele quer vê-lo. Você vai
lá esta tarde.

—Brady, não posso. Não depois de todo esse tempo.

—Ele é o nosso pai. Ir ou não ir, depende de você. Mas você vai para
Denver pela manhã, então eu acho que você deveria ir.

Ele me deu um olhar intrigado. —Eu? Vou pegar sua caminhonete?

—Não. Você vai assumir o cargo de mestre de obras no trabalho de


Stanton.

Sua boca ficou aberta enquanto ele olhava para mim. —O que? Adam é o
mestre de obras.

—Na verdade, Kathy está agindo como mestre de obras até você chegar
lá. E quando você fizer isso, você estará assumindo todos os aspectos do trabalho.

—As coisas do local, você quer dizer?

198
Eu balancei minha cabeça. —Não. Tudo. Prepare-se para trabalhar
algumas horas extras. Esse trabalho está acima do orçamento e está atrasado.
Você sabe disso. Conserte-o.

—Isso é muito para minha cabeça, Brady. Você deve enviar Hunter.

—Nós somos a Grant Brothers Builders. Parceiros. E eu tenho gerido todo


o trabalho desde o início.

—Monopolizando, você quer dizer. —Troy disse, arqueando as


sobrancelhas.

—Monopolizando? Mesmo? Como se nós fossemos crianças ou algo


assim?

Ele deu de ombros. —É a verdade. Você faz todo o trabalho importante e


me deixa na equipe de drywall.

—Não mais, querido irmão.

—É um grande trabalho, cara. —Ele disse duvidosamente. —Talvez você


devesse começar com algo menor.

—Você está pronto. Eu confio em você com isso.

Seu olhar de alarme era desagradável. —Você está com os dedos


cruzados nas costas ou algo assim?

—Olhe, idiota. A mãe de Palmer está morrendo. Eu preciso estar aqui


com ela, e isso significa não estar no meu maldito escritório até dez todas as
noites gerenciando o trabalho de Denver. Assuma o controle. Me ligue se tiver
dúvidas, mas se apoie em Kathy o máximo que puder. Ela sabe das suas merdas e
ela conhece nossos negócios.

Ele soltou um suspiro, balançando a cabeça lentamente. —Bem. Eu


entendi. E sinto muito pela mãe de Palmer.

—Obrigado. — Abri a porta da picape e saí, inclinando-me para dizer uma


última coisa antes de fechar a porta. —Vá ver papai, Troy. Você ficará feliz por ter
feito isso. A única pessoa que precisa te perdoar é você mesmo.

199
Palmer

Meu coração bateu preocupado na entrada da casa de mamãe, correndo


o resto do caminho para dentro de sua casa. Eu tive que trabalhar até tarde
terminando o berçário que projetei, e eu estava pensando muito sobre mamãe
naquele momento.

Ela estava dormindo muito agora, mas eu ainda odiava estar longe dela. A
cada minuto eu temia que ela morresse, e que eu não estivesse lá. Mesmo
quando eu estava em sua casa e deixava seu lado por um momento, eu estava
pensando em apressar-me para poder voltar para ela.

Quando entrei na porta da frente, fiquei surpresa ao ver Brady sentado


no sofá com Danny, a cadeira de rodas vazia ao lado deles.

—Oi. —Eu disse, colocando minha bolsa em uma mesa. —Eu não vi sua
caminhonete.

—Ainda está em Denver. Um dos rapazes me trouxe aqui.

Danny usava sua camiseta velha e favorita dos Cubs e tinha um


travesseiro apoiado nas costas. Seu olhar estava fixo na TV, então eu sabia que
deveria ser a hora de jogo.

—Amanda está com sua mãe. —Brady disse.

Eu andei até eles, apenas dois caras passando um tempo assistindo um


jogo. Mas isso era algo raro e especial em nossa casa. Inclinei-me para beijar
Brady na bochecha e ele deslizou uma mão na minha nuca, me beijando
suavemente na boca.

—Eu senti sua falta hoje. —Ele murmurou contra meus lábios.

—Eu também. —Eu corri uma mão sobre sua bochecha, o pensamento de
uma vida que não incluía vê-lo todos os dias fazia meu coração doer.

200
Eu beijei a bochecha de Danny em seguida, e ele desviou o olhar,
inclinando-se ao meu redor para poder ver a tela da TV. Esse pouco de
normalidade era exatamente o que eu precisava agora.

Um único cartão de beisebol descansava no braço do sofá ao lado de


Danny.

—O que é isso? —Perguntei.

Brady apareceu sorrindo. —Eu trouxe um pacote de cartas de beisebol,


mas ele só queria a do Cubs. Tive que pegar as outras.

Eu sorri de volta, prestes a entrar no quarto de mamãe quando Amanda


saiu, deixando a porta aberta.

—Eu pensei que era você. —Ela disse, aproximando-se. —Como foi o seu
dia?

—OK. Como ela está?

—Descansando confortavelmente. O atendimento domiciliar chegou


cedo esta tarde, então eu acho que ela vai dormir por um tempo.

Eu assenti, relaxando um pouco. —Você quer uma taça de vinho?

Amanda me seguiu até a cozinha. —Não posso antes do trabalho, mas


obrigado de qualquer maneira.

Eu coloquei uma taça de vinho para mim, encostada no balcão da cozinha


enquanto eu tomava um gole. Mesmo com um ligeiro amargor, foi fácil. Eu não
amava vinho, mas estava achando que metade de uma taça me ajudava a relaxar
quando eu estava muito tensa sobre mamãe nos dias de hoje.

—Eu acho que vou dizer a meus tios para não virem na noite de sexta-
feira. —Eu disse, pensando em voz alta. —Não posso deixá-la por uma noite.

A expressão de Amanda era simpática. —Eu acho que você precisa de


uma noite mais do que nunca. Ela não irá na noite de sexta-feira, garanto.

—Como você pode saber disso?

201
—Há sinais quando o fim está próximo, e ela ainda não chegou a esse
ponto. Deixe seus tios virem. Apoie-se no atendimento domiciliar, em seu
namorado e em mim. Você sabe que estou aqui a qualquer hora, dia ou noite,
certo?

Eu sorri. —Você se tornou um membro da família. Espero que você fique


para ajudar com Danny, mesmo depois...

Ela assentiu. —Eu acabei de me candidatar para mudar para o turno do


dia no trabalho. Estou pensando nisso, mas ajudaria na decisão se você
inscrevesse Danny no programa de dia. Então eu ainda poderia estar ao seu lado
todos os dias. Não estou sugerindo isso apenas por causa de mim. Ele está tão
bem lá, Palmer. Ele realmente gosta. Ele fez amigos.

Não me incomodei em esconder as lágrimas que escorriam dos cantos


dos meus olhos. —Eu não posso dizer o quanto me sinto bem com isso. Você
realmente abriu meus olhos sobre o quanto meu irmão pode fazer. Coisas que eu
nunca percebi.

—Alguns de seus amigos vivem em um lar de acolhimento nas


instalações. É uma casa, mas eles são cuidados o tempo todo.

Assenti com a cabeça, sentindo-me culpada por causa da aversão de


mamãe a Danny vivendo em qualquer lugar que não fosse em casa.

—Não é nada de que você precisa pensar agora. — Amanda disse. —Mas
você deve pensar sobre o programa do dia.

Ela se aproximou e me abraçou. —Eu tenho que ir trabalhar. Tome


cuidado, ok? E durma esta noite. Ela está bem agora, eu juro.

—Obrigada.

Ela se despediu de Danny e saiu quando Brady estava entrando na


cozinha.

—Quer que eu vá pegar o jantar? —Ele perguntou.

—Eu posso fazer algo rápido para nós. Você não precisa nos trazer o
jantar todas as noites.

202
—Palmer. — Ele envolveu seus braços ao redor da minha cintura por trás.
—Você não precisa cozinhar agora.

—Eu definitivamente preferiria estar com ela. —Admiti.

—Vá. Eu fico com Danny hoje à noite. Vou levá-lo comigo para buscar o
jantar. Tudo bem, se eu usar seu carro?

—Claro.

Dirigi-me ao quarto da minha mãe, dando-lhe um olhar grato. Esta noite


eu poderia me concentrar apenas em mamãe. Era um luxo.

Sua expressão pacífica enquanto dormia era reconfortante para mim. Ela
não conseguia falar comigo, mas ela ainda estava aqui e ela não sofria. Isso era o
suficiente.

Sentei-me junto à cama e peguei sua mão. Em vez de me concentrar em


sua fragilidade, pensei em quão quente estava. Essas mãos me embalaram e a
Danny; alimentou-nos e enfaixou os nossos arranhões enquanto crescíamos. Elas
nos fizeram inúmeras refeições e dobraram nossas roupas limpas em pilhas para
serem usadas de novo.

As mãos da minha mãe tinham trabalhado mais do que a maioria. Ajudar


um homem a se limpar, alimentá-lo e levá-lo da cadeira para a cama, esse tipo de
trabalho não era algo que a maioria das pessoas fazia ano após ano.

—Eu sou tão boa quanto você, mãe? — Eu sussurrei no crepúsculo do


quarto. —Posso cuidar de Danny, do jeito que você sempre cuidou?

Ela não conseguiu responder, mas senti uma resposta dentro de mim. Eu
não estava fazendo isso sozinha. Eu tinha ajuda, e juntos, nós cuidaríamos de
Danny como a minha mãe fez. Não seria o mesmo, mas espero que fosse o
suficiente.

Falei com ela. Uma vez que comecei, as palavras jorravam. Eu falei a ela
sobre uma vez que eu fugi para ir em um encontro quando eu tinha dezesseis
anos e me senti culpada o tempo todo. Eu disse a ela o quanto eu me ressentia
por papai ter abandonado sua família e deixá-la para carregar uma carga tão

203
pesada. Mas na maior parte, eu falei sobre Brady. Quão assustada eu estava por
ele ter ido embora e como eu estava triste por não ser honesta com ele.

Os fracos raios do sol que se arrastavam nos lados da cortina escura


desapareceram e eu estava me levantando para sair quando ela se mexeu.

—Humm? —Ela disse, atordoada.

—Ei. —Sussurrei, apertando sua mão.

—Palmer.

—Estou aqui, mãe.

—Posso beber um pouco de água?

—Claro. Eu acho que é hora do seu remédio, então vou trazê-lo.

Ela suspirou, soando derrotada. —Estou tão cansada. É melhor você se


apressar ou eu vou dormir de novo.

Entrei na cozinha e percebi que a sala de estar estava vazia quando olhei.
Quando voltei ao quarto, mamãe mal levantou a cabeça do travesseiro para que
eu pudesse deslizar a pílula e ajudá-la a tomar um gole de água. Assim que ela
engoliu, ela abaixou a cabeça.

Depois de levar o copo de volta para a cozinha, fiquei de pé junto à pia.


Nada do que disseram poderia ter me preparado para isso. Palavras como “triste”
e “difícil” não faziam justiça.

O som de passos me fez virar. Brady me deu um meio sorriso.

—Danny está na cama. —Ele disse, uma nota de orgulho em seu tom.

—Sua camisa está toda molhada. —Eu arqueei minha sobrancelha


confusa.

—Hora do banho.

—Você não precisava fazer isso.

Ele se aproximou, apertando meus ombros. —Não me importo.

204
—Você fez tanto por mim. Eu realmente aprecio isso.

Suas mãos apertaram lentamente meus ombros, esfregando o estresse.

—Isso é tão bom. —Eu disse suavemente.

—Shh. —Ele sussurrou. —Apenas divirta-se ou você vai me deixar duro.

Eu sorri e olhei em seus olhos verde escuro.

—Mamãe está adormecida. Podemos descer? Eu tenho outro favor para


pedir.

—Estou gostando de ouvir isso.

Ele pegou minha mão e me levou pelas escadas para a minúscula caverna
que era meu quarto aqui.

—Você ainda estará aqui na sexta-feira à noite? —Perguntei.

—Estou aqui indefinidamente. Mandei Troy para Denver.

A onda de alívio que me lavou foi quase palpável. Fiquei pensando o dia
todo se ele ia embora em breve.

—Estou feliz em ouvir isso. —Eu disse. —Você pode ficar na minha casa
sexta-feira à noite? Minha casa, não aqui.

—Claro.

Sentei-me no final da cama, olhando o tapete desgastado para evitar o


olhar dele.

—Eu quero que você me amarre. —Eu disse. —Quero dizer, me amarre à
minha cama. Braços e pernas. Para que eu não possa me mover.

Seus olhos se estreitaram em uma expressão de fome que me fez querer


fazer isso agora mesmo. Mas tínhamos que esperar. Eu não queria mais nada em
minha mente quando fizéssemos isso.

—E fazer o quê? —Ele perguntou em um tom baixo.

205
—Qualquer coisa. Tudo. Desde que seja intenso. Eu não quero que você
se segure. Faça doer. Faça isso para que eu não consiga sentir mais nada.

Seus lábios se separaram um pouco, provavelmente em estado de


choque. Isso estava fora da minha personalidade, a mulher que corou toda a
noite quando fez amor com ele pela primeira vez.

—Quero dizer, se você quiser. —Eu disse com pressa, minhas bochechas
se aquecendo. —Se isso o excita. Eu confio em você, então isso me excita. Mas se
você acha que é estranho...

—Não. —Ele me cortou e eu olhei para ele. —Quer dizer, sim. Isso me
excita. Olhe para mim.

Ele gesticulou para sua virilha, onde sua protuberância se esticava contra
o tecido do jeans. —Eu só... não quero levar as coisas muito longe.

—Até onde você levou isso com outras mulheres? —Perguntei, me


preparando para a resposta.

Seus olhos arregalaram.

—Você não precisa me dizer. — Agora meu rosto estava flamejante, e eu


estava arrependida de trazer isso.

—Palmer. —Ele disse suavemente, sentando-se ao meu lado na cama. —


Relaxe querida. Não há nada que você não possa me perguntar. Eu já tive sexo
selvagem antes, mas nunca amarrei ninguém.

—Agora eu me sinto como uma pervertida por perguntar.

Brady riu, seu tom baixo me faz perceber o quão perto ele estava agora.
—Você não é uma pervertida. Eu adoraria fazer isso com você.

—Mesmo?

—Absolutamente. Você está de brincadeira? Você só tem que prometer


que você vai me dizer se for demais.

Eu me abracei de forma protetora. —Você vai me dizer algo safado que


você fantasia, para que eu não me sinta tão devassa?

206
Ele estava prestes a responder quando apertei meus olhos. —Desculpa.
Eu preciso ligar os monitores para que eu possa ouvir mamãe e Danny. Desculpe,
eu sou uma estraga prazeres.

Eu pulei e liguei nos monitores, voltando imediatamente para o meu lugar


ao lado dele na cama.

—Você não é uma estraga prazeres. Relaxe. — Ele colocou as mãos na


minha cintura e me virou para encará-lo. Respirei fundo, forçando-me a relaxar.

Brady passou a mão debaixo da minha blusa branca, com os dedos


passeando no meu estômago.

—Nada nunca vai superar eu ter sido o seu primeiro. —Ele disse. —O meu
pau é o único que você já teve. Eu adoraria possuir sua bunda da mesma maneira.

Minha respiração ficou um pouco mais rápida enquanto eu observava


seus lábios, disposto a continuar. Ele tirou a mão dele debaixo da minha camisa e
soltou o botão superior, trabalhando os outros um por vez.

—Eu quero que você monte meu pênis enquanto eu dou a sua bunda
uma boa foda com os meus dedos. —Ele disse com um tom rouco. —Vou abrir
esse traseiro e fazer você gozar forte, Palmer.

Ele abriu minha camisa e olhou meus seios, sua respiração aumentando
agora também.

—Você pode começar na noite de sexta-feira. —Eu disse, minha voz


tremendo de desejo.

—Eu não vou querer parar até que eu goze em sua bunda. Na noite de
sexta-feira, mas uma vez que você me deixar começar, eu vou querer continuar.

—Eu também vou querer isso. Eu quero estar à sua mercê, Brady.

Ele gemeu com satisfação e deslizou a camisa dos meus ombros, tirando
meu sutiã.

—Eu não acho que você queira estar a mercê. —Ele disse, acariciando sua
protuberância enquanto olhava meus seios expostos. —Eu acho que você quer
que eu a use para minha própria satisfação.

207
—Sim, é exatamente isso que eu quero.

—Você é tão sexy, Palmer.

Eu sorri, sentindo-me assim quando ele me olhava. —Você fez anal com
outras mulheres?

—Sim, mas não assim. Eu tinha feito sexo antes de você, mas nunca fui o
mesmo depois de ter feito amor com você.

—Eu preciso disso, Brady. Preciso dessa fuga. Eu quero isso muito.

Ele levantou e desabotoou a calça. —Deite-se.

Assim que deitei, ele desabotoou minha calça e puxou-a, pegando minha
calcinha em seguida. Ele espalhou minhas pernas e forçou meus joelhos para trás,
curvando-se e correndo a língua sobre meu clitóris. Eu estava tão excitada que
isso me fez estremecer.

—Deus, não. —Eu disse, contorcendo-me. —Estou gozando. Eu quero


você dentro de mim.

—Não. Até a noite de sexta-feira. — Ele rodeou meu clitóris com a língua
então, e minha excitação ganhou. Eu fechei minhas pernas ao redor de seu rosto
enquanto eu gozava forte, ofegando seu nome.

Nunca gozei aqui. Eu estava em um estado de tristeza profunda, e minha


única fuga era o calor e a sensação que só Brady poderia me dar. Perguntei-me
onde eu estaria se não tivéssemos nos encontrado na casa de Derek e Adriane. Eu
não podia imaginar. Agora que ele estava de volta na minha vida, eu não poderia
imaginar nunca mais estar sem ele novamente.

208
Capítulo 15
Brady

Derek estava levando seu tempo olhando em volta da sua ótima sala,
balançando a cabeça, mas sem dizer nada. Nós ralamos a semana toda para tudo
estar pronto para sua inspeção.

—Esta sala é maior que a casa em que eu cresci. —Ele disse, balançando a
cabeça.

—Eu lembro.

—É incrível. Ainda melhor do que eu imaginava. Esta lareira... —Ele


gesticulou no ponto focal da sala, que tinha dois andares e terminava com ardósia
em cores contrastantes.

—Você gosta disso?

—Eu amo isso.

—É bom mesmo, idiota. Passei horas em andaimes colocando a pedra


sozinho.

Ele me bateu no ombro, sua expressão esperançosa. —Aqui é onde Adri e


eu teremos nossa família. Ainda não, mas você sabe... em alguns anos. Ela queria
uma sala onde pudéssemos colocar uma enorme árvore de Natal e pendurar
meias. Esta sala é essa. Está perfeita.

Suas palavras me fizeram acenar em concordância. Eu também queria


isso, mas não com ninguém além de Palmer. E imaginava que o sentimento dela
de não poder lidar com crianças e Danny não havia mudado.

—Ei, você está ocupado esta noite? — Derek perguntou, interrompendo


meu pensamento. —Você quer sair?

Eu balancei minha cabeça. —Eu tenho planos com Palmer.

209
—Palmer? Vocês estão se vendo de novo, então?

—Sim.

Ele me deu um olhar com expectativa enquanto o silêncio esticava. —E?

—E o que?

—Isso é tudo o que você tem a dizer sobre isso?

Dei de ombros. —Estamos nos vendo e está bom. Sua mãe está perto do
final, então isso é bastante difícil.

—Você está lá para ela, no entanto. Essa é a coisa mais importante.

—Eu deveria ter estado lá o tempo todo. Eu não sei como ela teve força
para fazer o que ela fez no ano passado.

A testa de Derek franziu como se ele tivesse pensado em algo. —O que


acontece quando você acabar aqui? Você vai voltar para Denver?

Suspirei e passei uma mão pelo meu cabelo. —Eu não sei. Não posso
perguntar a Palmer sobre o futuro porque este não é o momento. Estou aqui
enquanto ela quiser que eu esteja.

—Adri vai ficar contente com isso. —Derek disse sorrindo. —Ela
realmente gosta de Palmer.

—Bem, as coisas estão atrasadas com o design, então espero que vocês
possam ignorar isso.

—Absolutamente. Não, não queremos que ela trabalhe na casa quando


sua mãe está tão mal. Você também. Você pode desligar se precisar.

Assenti com a cabeça minha apreciação. —Obrigado, mas os meus caras


podem manter as coisas funcionando aqui. Mas tenho que ir agora.

—Com certeza. Diga a Palmer que estamos pensando nela. Deixe-me


saber se há algo que vocês precisam.

—Obrigado, D.

210
Eu fui para o trailer onde encontraria Hunter para que ele pudesse me
deixar na loja de aluguel de carros. Por sorte, eles tinham picapes de tamanho
normal, porque eu não dirigiria um carro.

Pensamentos sobre veículos foram logo substituídos por planos para esta
noite. Eu não podia esperar para viver a fantasia de Palmer. Não só era
sexualmente excitante, ela estava confiando em mim para colocá-la em uma
posição vulnerável. Eu estava com medo de fazer qualquer coisa que a
machucasse no início, mas quanto mais eu pensava sobre isso, mais duro eu
ficava. Se ela queria sexo rude, por que não? Eu também queria.

As coisas entre nós eram mais honestas desta vez. Mais cruas. Ela me
contou o quanto ela queria ser amarrada e ser usada, o que nunca teria sido dito
na primeira vez. E mesmo que eu não tivesse dito isso em tantas palavras, a ideia
de exercer controle sobre ela me excitava. Ela controlava meu coração e minha
alma. O sexo era a única coisa onde eu tinha uma vantagem. Ela queria ser
controlada por mim? Ela nem sabia que era algo que eu desejava desde que eu a
beijei no porão de Derek. Esta noite a fantasia se tornaria realidade para nós dois.

Palmer

Nós comemos frango com parmesão que eu fiz em um relativo silêncio,


tendo pequenas conversas, mas principalmente apenas olhando um para o outro
com uma fome que não tinha nada a ver com a comida.

Eu corri para lavar a louça, tão preocupada com os pensamentos de Brady


que eu não percebi quão quente estava a água até que meus dedos
inconscientemente se afastassem do fluxo.

Os braços de Brady envolveram minha cintura por trás e eu fiquei toda


arrepiada. Ele cheirava tão bem esta noite. A leve dica de sua colônia amadeirada
misturava-se bem com o aroma de cedro que eu amava.

211
—Ei. —Ele disse no meu ouvido. —Foda-se os pratos. Podemos pensar
neles mais tarde.

Eu virei e olhei para o rosto dele. Sua camiseta preta simples combinava
com o cabelo dele e a barba por fazer que eu imaginei durante o jantar sentir nas
minhas coxas.

—Tudo bem. —Eu disse. —Então eu acho que nós precisaremos de...
corda? Deus, eu me sinto tão nervosa.

Brady sorriu e pegou a garrafa de vinho no balcão, inclinando-a para


encher a taça. —Eu trouxe cordas elásticas.

—Oh, bom. —Comecei a bebericar o vinho, mas achei que precisava


tomar de um gole só em vez disso. —Você trouxe algo mais?

—Posso ter trazido. Você ainda tem certeza sobre isso? Você parece
nervosa.

Tomei outro gole de vinho antes de colocar a taça no balcão para me


acalmar.

—É um nervoso bom. Estou animada.

—Eu também. —Ele deslizou as mãos nos meus braços, que estavam nus.
Eu não tinha trocado o vestido sem mangas que eu usei para trabalhar hoje. —
Você está com frio?

Eu balancei minha cabeça. —É de você me tocar.

Ele arqueou as sobrancelhas com diversão. —Você sempre fica toda


arrepiada quando eu toco em você? Meu ego teria gostado de saber disso mais
cedo.

—Não. É... ansiedade, eu acho.

—Encontre-me no quarto. —Ele disse com uma piscadela que não parecia
com Brady. —Eu vou pegar minha bolsa do carro. Não se dispa ainda.

Eu fui ao meu quarto e olhei para minha cama com outros olhos. Eu
consegui uma cama queen com postes num negócio de vendas e eu mesma fiz o

212
adorno. Brady e eu estivemos juntos nesta cama muitas vezes, mas nunca desta
forma.

Ele entrou e colocou uma pequena bolsa de lona na cômoda. Esperei que
ele a abrisse e conseguisse o que precisava para me amarrar, mas em vez disso
ele se aproximou de mim e envolveu uma mão na minha cintura, me
aproximando dele.

—Eu nunca te machucaria por raiva. —Ele disse, e eu assenti. —Quando


você diz que quer que doa, você quer dizer que você quer apenas ser fodida e
estar dolorida amanhã?

—Não. Me faça gritar. Morda-me. Não se segure.

Ele me olhou com apreciação e diversão. —De onde vem isso, amor?
Nunca vi esse lado seu...

—Eu quero estar tão sobrecarregada que nada mais possa entrar na
minha cabeça esta noite. E é muito quente saber que posso confiar em você para
fazer isso sem cruzar a linha.

Ele deslizou a alça do meu vestido pelo meu ombro, e depois fez o mesmo
com a outra. Seus olhos ficaram trancados nos meus quando ele alcançou a parte
de trás do vestido e abriu o zíper, deslizando-o até cair aos meus pés.

O ar na minha pele incitou meu desejo por ele. Toquei-o, mas ele parou
minhas mãos, movendo-as de volta aos meus lados. Ele soltou meu sutiã sem
alças, que caiu no chão silenciosamente. Um suspiro deslizou lentamente dos
meus lábios quando ele se inclinou para o meu pescoço e me beijou, o raspar de
sua barba contrastando com o toque macio e quente de sua boca.

Ele me beijou apenas o tempo suficiente para trazer uma dor entre as
minhas coxas. Então ele se inclinou para os seios e pegou um mamilo entre os
lábios, sugando e lambendo até eu gemer. Eu queria mais, e ele deu, sugando
mais e segurando minha bunda com uma de suas mãos grandes.

Quando seus dentes se fecharam em torno do meu mamilo, meu gemido


tornou-se um grito. Ele me lia bem, afundando os dentes com mais força. Isso
picou de uma maneira deliciosa que eu senti em cada terminação nervosa.

213
Quando ele o liberou de seu controle, ele acalmou meu mamilo latejante com um
leve lamber.

Minhas coxas tremiam de ansiedade quando senti sua respiração quente


no meu outro mamilo.

—Sim. —Sussurrei. —Me machuque.

Suas duas mãos afundaram na minha bunda desta vez, apertando-a com
força enquanto ele sugava e mordia meu outro mamilo. Eu estava prestes a dizer
para se danar essa coisa de ser amarrada e implorá-lo para me foder agora
quando ele recuou e alcançou dentro da bolsa, retirando vários fios elásticos de
nylon vermelho.

—Tire a calcinha. —Ele disse, seus olhos escuros com algo que eu nunca
tinha visto. Loucura e talvez até uma pequena raiva. Tirei minha calcinha e ele
colocou uma palma no meu peito, beijando-me suave e rápido antes de me
empurrar para a cama.

Fechei os olhos enquanto ele segurava meus pulsos nos postes da cama,
seu toque gentil lembrando-me de que Brady só me machucaria da maneira que
eu queria. Em questão de minutos, eu era sua prisioneira voluntária.

—Toda minha para esta noite. —Ele disse em um tom baixo, seus olhos
vagando para cima e para baixo em meu corpo.

—Quando eu não fui toda sua? —Eu desafiei.

Ele arqueou as sobrancelhas com surpresa. —Desde que você decidiu não
se casar comigo.

—Eu queria esperar. Apenas esperar. E você se virou e saiu. E fodeu outras
mulheres.

Brady colocou um joelho na cama entre minhas pernas abertas,


inclinando-se sobre mim. —Eu nunca amei nenhuma delas. Era apenas sexo. Você
é a única que eu já amei.

Eu encontrei seus olhos. —Eu ainda odeio isso. O pensamento de você


fodendo outra mulher me deixa doente.

214
—Por quê?

—Porque você é meu.

Seus olhos se fecharam por um segundo e depois seus lábios voltaram


para um dos meus mamilos, provocando, sugando e mordendo.

Ele alcançou algo que eu não conseguia ver, mesmo quando eu estiquei
meu pescoço para dar uma olhada.

—Você gosta de encontrar a linha entre o prazer e a dor, Palmer? —Ele


disse, seus dedos roçando minha bunda exposta. —Eu também.

Eu joguei minha cabeça para trás, meu corpo torcendo com tensão
enquanto seus dedos me rodeavam... lá. Ninguém nunca me tocou lá. Todo
músculo no meu corpo apertou com resistência. Seus dedos estavam molhados e
quentes, e quando ele abaixou os lábios no meu pescoço e me beijou, relaxei
contra o seu toque.

—Boa garota. —Ele murmurou no meu pescoço. A ponta de um único


dedo abriu caminho, e eu me surpreendi soltando com prazer. Não era apenas a
fantasia proibida disso que me excitava, realmente me sentia bem.

—Eu gosto disso. —Eu disse suavemente, movendo meus quadris no


mesmo tempo com o dedo.

—Você quer mais já? —Ele perguntou, sua respiração fazendo cócegas na
minha orelha. —Puxe os joelhos até o máximo que puder.

Ele me deixou com um pouco de espaço, e eu segui suas instruções,


expondo-me a ele.

Eu gemi minha aprovação quando ele deslizou dois dedos, circulando


meu clitóris com o polegar. A dor foi compensada pela construção de um
orgasmo.

—Porra, Palmer. —Brady disse com sua ereção rígida contra minha coxa.
—Eu amo ser o primeiro homem a enfiar o dedo nesta doce bunda.

—Oh, meu Deus. —Gemi. —Brady. Desse jeito.

215
Ele colocou um joelho ao meu lado, seus dedos continuando seu delicioso
assalto. Quando sua mão envolveu suavemente minha garganta, eu engasguei
com surpresa e encontrei seus olhos.

—Shh. —Ele murmurou suavemente. —Confie em mim.

Ele segurou minha garganta enquanto seus dedos me trabalhavam cada


vez mais rápido. Eu puxei as amarras, desesperada para livrar-me desta posição
vulnerável, mas necessitando dela ao mesmo tempo.

Não era igual a nada que eu já senti. Gozei tão forte que vi estrelas,
minha visão turva quando um grito abafado escapou da minha garganta. Meu
corpo permaneceu no alto por vários segundos, e Brady relaxou a pressão no meu
pescoço apenas quando eu comecei a deslizar de volta para a Terra.

—Puta merda! —Gemi ofegante. —Brady... eu não posso nem mesmo...

Ele deslizou os dedos da minha bunda, o polegar ainda me acariciava


lentamente e eu movi meus quadris contra ele.

Eu estava ofegante e tentando falar ao mesmo tempo. —Essa foi uma


experiência fora do corpo. Eu... nunca senti nada assim.

Eu vi seu sorriso satisfeito por apenas um segundo antes dele se debruçar


para beijar meus lábios. —Fico feliz que você gostou.

—Essa coisa da garganta. É por isso que eu gozei tão forte? Você já fez
isso com outra mulher? Seja honesto. Não minta.

—Sim, isso aumenta a satisfação sexual. E não, eu nunca fiz com ninguém
mais. Estou sendo honesto.

—Alguém já fez isso com você?

—Não.

Eu encontrei seus olhos com esperança. —Eu posso?

—Você quer fazer isso comigo? —Perguntou divertido. —Com essas


mãozinhas delicadas?

—Eu sou mais forte do que eu aparento.

216
—Você pode fazer qualquer coisa que você quiser comigo e eu adorarei.
— Ele passou a língua no meu mamilo, trazendo-o a vida. —Outra noite.

Sua boca percorria cada centímetro do meu corpo. E não foram os pontos
comuns que me incendiaram. O tempo que ele passou beijando meus quadris,
barriga e ombros me deixou ofegando mais uma vez. Estes locais nunca haviam
sido cobertos de atenção.

Senti-me tão bem e a culpa sobre minha mãe estar doente na cama
enquanto eu estava aqui surgiu.

—Por favor, Brady. —Implorei. —Faça todo o resto se afastar. Não me


importo se doer apenas me faça esquecer a dor interior.

Seus olhos procuraram os meus por alguns segundos antes de desviar.

—Eu não posso.

—Sim eu quero isso.

Ele balançou a cabeça e me deu um olhar de desculpas. —Parte de mim ,


uma parte muito doente, se excita com a ideia de machucá-la porque você me
machucou. Mas eu não posso fazer isso.

—Mas...

—Eu não posso fazer a dor de sua mãe se afastar, Palmer. Ou, se eu
posso, não deveria. Eu odeio que você tenha que sentir isso, mas você sente.
Estou aqui, no entanto. Você pode chorar, gritar ou me bater se isso ajudar.
Apenas deixe ir.

Lágrimas brotaram nos meus olhos enquanto ele falava. —Você vai ficar
até... até que ela tenha ido? — Perguntei com voz rouca. —Por favor?

—Sim. Não vou embora.

—Eu quero você, Brady. Agora mesmo.

Ele tirou a roupa em questão de segundos, encontrando meus olhos


quando ele puxou um pacote do bolso do jeans no chão.

217
Eu balancei minha cabeça. —Sem preservativo. Dessa vez. Eu ainda
estava tomando pílula por algum motivo desconhecido que agora fazia todo o
sentido.

Seus olhos suavizaram quando ele deixou cair o pacote no chão. Ele subiu
sobre mim, beijou meus lábios suavemente e então empurrou seus quadris
contra os meus, enterrando cada centímetro dentro de mim. Ele nunca tinha
entrado de uma vez na primeira investida antes, e gemi alto e arqueei meu corpo
contra o dele. Eu estava gemendo de dor ou de prazer? Eu não sabia e não me
importava.

Esperei que ele recuasse e voltasse para mim, mas ele estava
completamente quieto. Meu núcleo tremia de ansiedade.

—Brady. —Eu disse, seu nome com um gemido. —Por favor. Por favor,
não pare.

Mas ele permaneceu imóvel, seus olhos verdes me estudando. —Eu não
me moverei até que você me diga algo. —Ele disse suavemente.

—O quê? —Eu teria lhe dito qualquer coisa neste momento, para acabar
com esta doce agonia.

Balancei meus quadris no dele, suspirando de prazer pelo contato. Ele


moveu um braço entre nós, o antebraço fixando meus quadris na cama. Eu gritei
com frustração, desesperada por liberação.

Estar completamente à sua mercê foi uma emoção erótica como nunca
imaginei. Eu não conseguia me mexer, mas não havia medo. Eu confiava em
Brady com minha vida. Ele estava me dando o que eu pedi, seu controle total
sobre meu corpo. Mas era torturante, tê-lo enterrado dentro de mim enquanto
estava imóvel.

—O que você quer que eu lhe diga? —Eu perguntei, desespero no meu
tom.

Seus lábios pairavam sobre o meu, sua respiração quente aumentava meu
desejo frenético. Eu passei minha língua em seus lábios, a ponta tocando a parte
inferior.

218
—Diga-me algo que é verdadeiro. —Ele disse em um tom baixo e sexy.

—Uh... eu acho que vou gozar se você se mexer, mesmo que seja um
centímetro. —Eu disse, ofegante e fazendo um inútil esforço para arquear meus
quadris em direção ao dele. —Isso é verdade.

Ele puxou o rosto para trás e seus lábios se curvaram em um sorriso.

—Não. O que quero dizer é...eu queria muito ter lutado por você. Pelo
que tivemos. Não deixar meu orgulho estúpido me governar. Essa é a verdade,
Palmer.

Seus olhos brilhantes tremularam de emoção, e eu queria tanto agarrar e


acariciar sua bochecha.

—Você é o único homem que eu sempre quis. —Eu disse, mantendo os


olhos fixos no dele.

Ele inclinou o rosto para o meu e roçou um beijo nos meus lábios. —Eu
não acreditei em você quando disse que nunca chupou o pau de ninguém quando
estávamos juntos. Você era muito boa nisso.

Meus lábios se abriram em choque. —Brady. Eu juro.

Ele sorriu, movendo os quadris contra o meu. Eu dei um suspiro de


prazer. —É verdade, querida? Diga-me algo verdadeiro.

—Eu uso meu anel de noivado na cama todas as noites, porque isso me
faz sentir perto de você. —Eu disse, evitando seu olhar.

—Todo esse tempo?

Eu assenti em silêncio. Brady puxou vários centímetros para fora de mim,


recompensando minha honestidade com um profundo impulso de volta.

—Eu percebo agora que nunca foi sobre o dinheiro. —Ele disse, remorso
em sua voz.

—Eu quero tanto te tocar neste momento. —Eu disse suplicantemente.

Seus olhos cintilaram e ele sorriu. —Você pode fazer melhor do que isso,
amor. Fale comigo.

219
Ele deixou cair o rosto no meu pescoço, onde ele me beijou suavemente,
até minha linha da mandíbula.

—Tudo bem. —Eu disse, me divertindo com a sensação de sua boca na


minha pele. —Na noite passada eu fantasiei sobre você me levando para um
campo grande e aberto cheio de flores. Você me despia e apenas olhava para
mim como... como você costumava olhar. Então você me abaixava e colocava os
meus pés nos seus ombros e me dava um alucinante sexo oral.

—Sexo ao ar livre, hein? —Ele disse, sorrindo amplamente. —Nós


podemos fazer isso.

Ele puxou seus quadris para trás, empurrando-se com um impulso


punitivo.

—Sim. —Gemi, mordendo o lábio quando o tremor de um orgasmo


começou em mim. Quando se moveu novamente, olhei nos olhos dele, querendo
contar-lhe uma última verdade. —Eu preciso de você, Brady. Eu preciso de você.
Não apenas para o meu corpo, para a minha alma.

Seu rosto se contorceu com o esforço para se segurar e ele deslizou o


braço para debaixo dos meus quadris. Eu me arqueei para ele, meu corpo inteiro
agarrou-se à eletricidade do orgasmo que me prendia.

—Eu ainda sou apaixonado por você. —Brady disse empurrando-se para
mim com força bruta. —Eu sempre fui apaixonado por você.

Nós nos juntamos em uma explosão de gritos e gemidos. Quando Brady


se esvaziou em mim, senti nossa conexão espiritual mais uma vez. Nós
expusemos nossas verdades um para o outro, e não havia como voltar atrás.

Mas eu não queria voltar. Eu queria esse momento com meu melhor
amigo, amante e parceiro,e que fosse um dentre muitos mais.

—Eu ainda estou apaixonada por você também. —Eu disse. —E eu ainda
quero realmente tocá-lo.

Com um sorriso, ele estendeu a mão e soltou os nós nos meus pulsos e
depois dos meus tornozelos. Quando se afastou, envolvi meus braços e pernas ao
redor dele, incapaz de me impedir de chorar contra seu peito.

220
—Eu não quero ficar sem você nunca mais. —Brady disse com sua grande
mão acariciando meus cabelos e deslizando pelas minhas costas.

—Não. Eu também não quero. —Eu disse. —Danny e eu iremos, depois


que a minha mãe...

Eu não podia dizer a palavra, minha voz quebrando apenas com o


pensamento.

—Shh. —Brady disse puxando-me contra ele com força. —Estou aqui
agora, e não vou deixar você. O resto vai se resolver por si só.

Minha tensão escorreu com sua tranquilidade. Eu estava segura em seus


braços, e a exaustão rapidamente me puxou para um sono profundo.

221
Capítulo 16
Palmer

Empurrei a porta do quarto de mamãe, forçando um sorriso.

—Ei, Julie está aqui. —Eu disse. —Do atendimento domiciliar. Ela vai te
deixar mais confortável.

Mamãe deu um aceno de cabeça e suspirou. —Foi um dia difícil.

—O sistema transdérmico parece que não está mais ajudando muito. —


Amanda explicou a Julie do outro lado da cama de mamãe.

A enfermeira colocou a bolsa de suprimentos e pegou a mão de mamãe,


apertando-a.

—Eu vou aumentar sua dose e também dar-lhe alguns remédios que vão
se dissolver em sua língua. —Ela disse. —Isso ajudará.

—Ela não estava comendo ou bebendo. —Eu disse, cruzando os braços


em minha volta de forma protetora. —Você vai dizer que ela tem que comer e
beber para manter sua força?

Julie, uma ruiva com a pele branca como neve, olhou para mim e sorriu.
—Está tudo bem se ela não quiser. Não queremos forçar.

Ela abriu um pacote e se mexeu para colocar algo na boca de mamãe,


mas ela ergueu uma mão para detê-la.

—Palmer. —Ela disse fracamente. —Preciso que você me escute.

—Claro, mãe. —Peguei sua mão e sentei-me na minha cadeira ao lado de


sua cama, inclinando-me para evitar que ele tivesse que falar muito alto.

—Me desculpe por ter dado prioridade a Danny sobre você toda vez. Eu
poderia ter conseguido ajuda com ele, eu deveria ter.

222
Julie e Amanda se dirigiram para a porta para nos dar privacidade. Eu
desejava que elas ficassem, porque eu não queria ter essa conversa com mamãe.
Senti que estava sufocando.

—Mãe, não. —Eu disse. —Você não precisa fazer isso.

Uma mão apertou meu ombro por trás e me virei. Era Amanda.

—Deixe-a. —Ela disse suavemente. —É importante para ela.

Relutantemente, assenti e voltei para mamãe.

—Sinto muito por cortá-la. —Eu disse.

—Está tudo bem. —Ela disse estremecendo. Eu sabia que ela estava com
dor agora e odiava adiar seu alívio por essa conversa. —Eu sei que você está
tentando me proteger. Mas não. Eu deveria ter lhe dado mais.

—Houve momentos em que me senti assim enquanto crescia. —Admiti.


—Mas eu sempre soube que você amava eu e Danny da mesma forma. Eu sabia
disso, mãe.

Os olhos dela brilhavam, um contraste com as bochechas afundadas. —Eu


amo. Eu amo tanto vocês dois. —Ela passou o pequeno polegar sobre os meus
dedos, suspirando suavemente. —Eu estava esperando que você voltasse a usar o
anel. Eu também amo Brady, você sabe.

—Eu também o amo. —Eu disse, uma lágrima escorrendo pelo meu rosto.
—Eu não vou deixar ele partir novamente.

—Seja feliz.

—Eu prometo. —Eu disse, limpando minhas bochechas com a parte de


trás da minha mão. —E eu prometo que vou cuidar de Danny. Sempre.

—Eu sei. —Ela disse, um sorriso curvando os cantos de seus lábios. —Mas
não sozinha, Palmer. Não sozinha, ok?

—Não sozinha. —Prometi. —Eu te amo muito, mamãe. Danny também.

Ela deu um largo sorriso, seus olhos brilhando antes que eles se
fechassem. Mas eu sabia que ela não estava dormindo. Ela estava tentando lidar

223
com a tremenda dor que ela estava sentindo. Eu fui até a porta e pedi a Julie para
voltar.

Enquanto ela administrava a medicação à mamãe, fiquei de fora da porta


com Amanda, de costas para a parede.

—Obrigada. —Sussurrei, outra lágrima escapando.

Brady estava esticando o pescoço sentado no sofá, onde ele estava com
Danny. Eu poderia dizer que ele estava tentando descobrir na minha expressão se
eu precisava que ele viesse me consolar. Só isso foi reconfortante.

—Ela está perto do fim, não é? —Eu disse, minha voz falhando. —E ela
sabe.

—As pessoas parecem ter um sexto sentido sobre isso.

Suspirei profundamente, estudando os olhos azuis pálidos de Amanda.

—É difícil vê-la com dor. —Eu disse.

Ela assentiu com a cabeça. —Isso pode ser controlado. Ela pode
basicamente ser mantida em estado de sono até o fim.

—E ela não vai sofrer?

—Ela não vai sofrer. Eu vi muitas pessoas irem por esse caminho na casa
de repouso e é muito pacífico.

Brady aproximou-se, envolvendo um braço em volta dos meus ombros.


Eu me inclinei contra ele, a tristeza me ultrapassou quando eu percebi que eu
provavelmente acabei de ter a última conversa com minha mãe.

224
Brady

Danny examinou a grama verde-clara do campo Wrigley, impressionado.

—Cubs! —Ele gritou, apontando para o banco.

—Sim. O jogo começa em breve, você está pronto?

Sua expressão me disse que ele estava pronto por toda a sua vida. Eu não
achava que ele compreendia completamente que este era o lugar que víamos na
TV, mas ele sabia que algo bom estava prestes a acontecer.

Eu estacionei sua cadeira em um lugar privilegiado no camarote onde


Derek estaria nos encontrando, desejando ter tido essa ideia antes. Danny estava
mais quieto do que o habitual em casa. Ele não tinha visto sua mãe em mais de
uma semana, mas ele parou de perguntar sobre ela.

Palmer se questionou se deveria trazê-lo para ver sua mãe. Mas ela
sempre decidiu respeitar o desejo da mãe e deixar assim. Janelle sabia que seu
filho ficaria assustado ao vê-la em sua condição atual.

Eu estava ajudando Danny a beber uma limonada que um garçom tinha


entregue no nosso camarote quando Derek entrou, batendo no meu ombro.

—Ei, cara. —Ele disse. —Este deve ser Danny.

—Sim. Danny, este é meu amigo Derek.

Danny deu a ele um aceno, sorrindo e gesticulando para o campo.

—Cubs. —Ele disse. —Jogar baseball.

—Vamos arranjar pra você uma camisa e uma bola. —Derek disse. —
Estou realmente feliz em conhecê-lo.

Danny ficou absorvido no monitor de tela grande que era visível do nosso
camarote. As vistas e sons do estádio não podiam competir comigo e com Derek.

—Como está Palmer? —Perguntou Derek.

225
Dei de ombros. —Muito chateada, mas aguentando. É difícil.

—Vocês estão juntos novamente?

—Sim. Trabalhamos muitas coisas. É muito mais... real entre nós dessa
vez, se isso faz sentido.

—Claro que sim. Um amor não testado pode não ser o que você acha que
é. Mas quando vocês lidam com o problema juntos, isso torna as coisas mais
fortes.

—Eu não me importo mais quando vamos nos casar. —Eu disse, olhando
para o mar de rostos nas arquibancadas. —Quero dizer, eu quero me casar com
ela. Mas o que importa mais do que casar com ela é amá-la. Não era assim antes.
Eu só queria torná-la minha.

Derek arqueou as sobrancelhas e assentiu. —Você percorreu um longo


caminho. Estou orgulhoso de você, cara.

Eu dei um grunhido desdenhoso. —Não vamos ficar sentimentais.

—Sério. Eu quero que vocês se casem e tenham um monte de


Bradyzinhos moreninhos e pensativos.

Eu sorri. —Eu quero isso também. Ela será uma mãe maravilhosa.

—É melhor nomear o primeiro de Derek.

—Sim, teremos muito tempo para pensar sobre isso. Nós temos muito na
nossa frente ainda, com a mãe dela e reformar e vender uma das casas.

—Vocês vão morar juntos?

—Espero que sim. —Eu disse, balançando a cabeça. —Ainda não


perguntei a ela. Não é o momento certo.

Falar sobre Palmer me fez pensar nela. Eu queria estar com ela agora,
mas eu estava tentando ajudar cuidando de Danny para que ela não se
preocupasse com ele. Eu mandei mensagem para ela.

Eu: Danny está se divertindo. Como vc tá?

226
Palmer: Ok. Mamãe está dormindo. Obrigada
novamente por levá-lo.

Imaginei-a sentada no quarto escuro, sozinha com sua mãe. Mas então
lembrei-me de que Amanda estava com ela. Ainda assim, desejei que fosse eu lá,
ao lado dela.

Eu: sinto sua falta e te amo.

Palmer: eu também. Muito.

Era o que eu precisava. Não uma data de casamento ou uma certidão de


casamento. Ela finalmente precisava de mim. Eu seria o homem com quem ela
poderia contar, não apenas agora, mas para sempre.

Palmer

A melodia calmante da voz de Sarah McLachlan era o único som no


quarto. Mamãe sempre adorou este CD, e eu o escolhi imediatamente quando
Julie sugeriu música.

Danny estava hospedado no apartamento de Amanda a seu pedido.


Mamãe estava em estado perpétuo de sono por dois dias completos. Julie estava
aqui há mais de vinte e quatro horas. Todos pareciam saber que a hora estava
chegando.

Mas saber e aceitar são coisas muito diferentes. Sentei-me ao lado de


mamãe, segurando sua mão e observando seu peito subir e descer. Eu desejava
sua próxima respiração cada vez que seu peito descia com uma exalação.

O som borbulhante não significava que ela estivesse com dor. Lembrei-
me disso enquanto esperava. Sete... oito... nove... quase dez segundos antes de
inalar novamente.

227
Isso era natural, Julie tinha me assegurado, mas ainda, brutal para se
testemunhar.

Torci minha mão na de mamãe, passando seus dedos pelo meu anel de
noivado de platina.

—Eu estou usando ele. —Sussurrei. —Brady me pediu para colocá-lo de


volta, e eu disse que sim. E quando nos casarmos, eu sei que você estará
assistindo.

Brady esfregou meus ombros com tranquilidade. Ele estava parado atrás
de mim por horas, sem dizer uma palavra.

—Eu te amo, mãe. —Eu disse. —Este é o momento em que eu deveria


estar lhe dizendo as coisas que eu nunca disse e deveria ter dito. Mas estou
realmente feliz que eu já as disse. E você também.

Eu não estava contando, mas eu sabia que tinha passado muito tempo
entre as respirações. Esfreguei a mão e o braço dela. Afastei o cabelo da testa e
beijei-o, uma lágrima caindo da minha bochecha sobre a dela.

Julie sentou-se do outro lado da cama, pronta para administrar mais


medicação, se necessário. Tio Jay veio esta manhã para dizer adeus a sua única
irmã, mas ele estava muito emocionado para ficar até o fim. Eu assegurei-lhe que
ele esteve aqui para ela quando foi preciso.

Parte de mim desejava que Danny pudesse estar aqui, mas sabia que isso
iria assustá-lo e aborrecê-lo. Amanda estava falando com ele hoje sobre o Céu,
que nós tínhamos introduzido a ele na semana passada.

Era eu, Brady e Julie, e foi um momento estranhamente tranquilo quando


esperei que seu peito subisse pela última vez e então... não.

Chorei calmamente quando Julie pressionou um estetoscópio no peito de


mamãe. Brady envolveu seus braços em torno de mim por trás, me segurando
forte enquanto esperávamos.

—Ela se foi. —Julie finalmente disse.

228
Soltei um soluço alto, virando-me para envolver meus braços ao redor de
Brady e enterrando meu rosto em seu peito. Não era apenas por sua morte que
eu chorava, mas pela provação de um ano que tinha passado. Tratamentos, perda
de cabelo, fadiga, vômitos e o conhecimento de que logo os tumores em seus
pulmões e cérebro a matariam.

O câncer matou minha mãe, mas não tinha levado sua vida. Sua vida foi
gasta amando e vivendo. E eu creio plenamente que ela enfrentou o fim nos seus
termos; encontrando a paz antes de ir embora.

Brady

A brisa fresca que soprava pelas altas árvores no perímetro do cemitério


trazia uma promessa do outono. O céu ensolarado e sem nuvens não pareceu
certo hoje. O dia em que colocamos Janelle para descansar deveria estar escuro e
chuvoso.

Palmer apertou minha mão quando o pastor terminou seu discurso. Seus
olhos castanhos eram um redemoinho de verde e marrom hoje. Percebi uma
nova paz neles.

No final do ritual, ela beijou seus dedos e pressionou-os no caixão de


madeira escura que escolhemos para sua mãe. Ela me deixou cobrir o custo do
melhor serviço que o dinheiro poderia comprar. Janelle merecia todas as flores
exóticas e mais.

—Eu amo você. —Palmer sussurrou para o caixão, limpando uma lágrima
antes de se virar para mim.

Eu odiava soltar sua mão, mas eu tinha que fazê-lo para que eu pudesse
empurrar a cadeira de Danny através do gramado do cemitério. Assim que eu
alcancei as alças para empurrá-lo, outro conjunto de mãos pousou lá.

—Eu cuido. —Troy disse.

229
—Ei. —Meu peito apertou com emoção enquanto eu olhava para ele,
barbeado e vestindo um terno escuro e bem cortado. —Eu não vi você aqui.

Ele assentiu e estendeu a mão para abraçar Palmer antes de assumir o


controle da cadeira de Danny. Palmer e eu seguimos, chegando à limusine, assim
como Amanda.

—Quem é você?—Ela exigiu, olhando de Danny para Troy. Seu tom


defensivo me fez sorrir. Esta garota realmente adorava Danny.

Meu irmão fez uma pausa, parecendo estranhar antes de finalmente


responder. —Eu sou Troy. O irmão de Brady.

—Oh. — Ela abaixou o olhar. —Desculpa.

Palmer parecia que queria sorrir. —Onde está sua mãe? —Perguntou,
olhando ao redor. —Ela não vai conosco?

—Não, ela nos encontrará no restaurante. —Eu disse.

—Ok, apenas nós cinco, então.

—Não, eu não... eu não deveria ir com a família. —Amanda disse, dando


um passo para trás. —Eu só queria verificar Danny.

Palmer colocou um braço em torno de Amanda, finalmente deixando o


sorriso sair. —Claro que você vai conosco. Você é da família.

E era verdade. Tão difícil quanto a morte de sua mãe foi, isso deixou
todos nós mais próximos. Podendo ou não nós dissemos nossos votos de
casamento, Palmer e Danny eram minha família. E Amanda, Georges e Troy
faziam parte da nossa perfeita família não tradicional.

Palmer e eu pagamos um preço por nossos erros, mas aprendemos com


eles. Também aprendemos com os erros dos outros. Depois de sua conversa final
com sua mãe, ela começou a dizer algo que não conseguia sair da minha cabeça.

Peguei sua mão na minha, fazendo uma promessa dessas palavras, não
apenas para ela e para Danny, mas para mim.

Nunca sozinho.

230
Palmer

Eu arrastei minha enorme bolsa com amostras de tecido e madeira pela


porta da casa, admirando, como sempre fazia, o teto abobadado. A claraboia
dominava o teto, permitindo que a luz solar se infiltrasse. Mas minha parte
favorita nesta casa eram as tábuas de madeira que compunham o resto do teto.
Seu cheiro fresco me lembrava de Brady.

—Ei. —Ele disse, pegando a bolsa no meu ombro. Ele esteve pendurado,
eu podia dizer pelas pequenas lascas de madeira que estavam em seus cabelos
escuros. Depois que ele colocou a bolsa sobre seu ombro, ele se inclinou e me
beijou. Apertei minhas mãos em suas bochechas e voltei para um beijo mais
longo.

—Este lugar está lindo. —Eu disse, admirando quando nos separamos.

Sua localização tinha um significado especial para mim. Grant Brothers


Builders estava desenvolvendo uma casa no terreno arborizado, que Brady e eu
íamos na hora do almoço enquanto construímos a casa de Derek e Adriane.

—Eu tenho amostras de madeiras e eu preciso que você veja e decida. —


Brady disse pegando minha mão e caminhando para a parede das janelas na
grande sala que dava para a floresta.

Brady apenas havia limpado a parte que ele precisava para construir a
casa. As árvores se aninhavam ao redor dando um sentimento exuberante de
casa na árvore.

—Eu acho que devemos deixar os compradores escolherem os pisos. —Eu


disse. Mas queria que ele colocasse na casa todas as tábuas largas de cerejeira
brasileira, mas essa escolha podia não agradar à todos.

—Não... você escolhe. Você é uma designer. Vai ser mais atrativa para
potenciais compradores com piso.

231
Caminhei para as amostras que ele havia organizado em fila na futura
cozinha aberta da casa.

—Todos são tão lindos. —Eu disse. —A cerejeira brasileira me lembra o


piso da sala na casa de mamãe. Eu vejo alguns nos mesmos tons dele. Ela amava
aquele piso.

—Então, esse?

Suspirei e cruzei meus braços em meu peito. —Brady, esta é a casa de


outra pessoa, então meu gosto pessoal sobre o piso não deve ser um fator. Estou
dizendo, precisamos deixar os compradores escolherem.

—A casa será vendida pronta. Nós conversamos sobre isso desde o início.

Eu assenti. —E quando Georges e eu fizemos a primeira parceria com


você sobre isso, me pareceu muito divertido. Adorei escolher todos os
acabamentos na casa de Derek e Adriane. Mas temos potenciais compradores
que querem estar envolvidos nas grandes escolhas, como pavimentos e armários.

Brady franziu o cenho para mim. —Que potenciais compradores? Esta


casa ainda não está no mercado.

—Bem, Georges está espalhando a notícia para alguns de nossos clientes.

—Não. Eu não quero isso. Não quero que ele traga pessoas para esta casa
enquanto estamos trabalhando nela.

Eu me aproximei e esfreguei seus antebraços. —Mas se pudermos


vender, não teremos que pagar uma comissão imobiliária. Isso é melhor para os
lucros.

—Eu lhe disse que meu lucro é excelente. Você não precisa se preocupar
com isso.

—Bem, o lucro da Sinclair Brammer não é tão bom. —Eu disse. Georges e
eu estávamos no azul, mas queríamos ter cuidado para que pudéssemos
continuar assim.

232
Brady agarrou minhas bochechas nas suas palmas grandes e calejadas. —
Estou pagando a vocês uma taxa fixa por isso. Você não precisa se preocupar com
o dinheiro. Eu vou pagar mais se você precisar de mim.

—Não. É só... desculpe, eu sei que você é o empreiteiro, mas...

Um canto de seus lábios se curvou em um sorriso. —Continue. Dê sua


opinião. Eu sei que você quer.

—Não é o que eu quero. Mas algumas das decisões que você tomou
neste projeto não serão para todos os compradores. As rampas, em vez de
escadas?

Ele deu de ombros. —É uma estética de design melhor. E é uma jogada


inteligente, dado o número de bebês no mercado.

—Eu concordo, e é bonito. Mas o elevador da garagem até o segundo


andar?

—É uma casa acessível para cadeirantes. Você e eu sabemos o quão


importante isso é.

Assenti com a cabeça, tentando pensar na maneira mais diplomática de


entender. —Mas acrescenta muito ao custo, e os compradores nem sequer
querem isso. Eu amo você, mas estou começando seriamente a me perguntar
como você ganha tanto dinheiro quando você toma... decisões estranhas.

Ele jogou a cabeça para trás e riu, deslizando uma mão da minha
bochecha até a minha nuca.

—Amor, decidimos que este seria o nosso projeto divertido. Você sabe,
depois que sua mãe faleceu, queríamos uma pequena pausa nas coisas. Esta casa
nos permitiu trabalhar juntos e fazê-la a um ritmo que nos deu muito tempo com
Danny.

Eu corri minhas mãos sobre os músculos duros e definidos de suas costas.


—Eu sei, e eu amei. Realmente amei. Trabalhar com sua empresa para projetar
novas construções está literalmente salvando meu negócio. Eu simplesmente não
quero que você perca muito dinheiro apenas para me divertir. Estou muito
melhor agora. Vamos começar a pensar nesta casa do ponto de vista comercial.

233
Ele assentiu. —OK. Mas eu ainda sou o contratado geral, e eu digo que
vamos vendê-la pronta. Então escolha o piso.

Eu me afastei, minha frequência cardíaca aumentava com a raiva. —Eu


odeio quando você faz isso.

—O que?

—Me tranquiliza. Age como se você tivesse me dado algo quando você
realmente não dá.

Ele esfregou uma mão sobre sua linha da mandíbula, escura e não
barbada. —Palmer. Você vai simplesmente escolher o piso?

Eu cruzei meus braços em meu peito. —Não. Precisamos mostrar esta


casa aos potenciais compradores. E quando vendermos, se escolherem Cerejeira
Brasileira, eu vou aceitar.

Ele gemeu e revirou os olhos para o céu. —Eu não quero mostrar a casa
ainda.

—Por que você disse que estávamos nos associando a este projeto se eu
estou aqui apenas para escolher cores de tinta e piso?

—Você fez muito mais do que isso. —Ele disse, me dando um olhar
aguçado. —Vou colocar a cerejeira brasileira.

Apertei meus lábios, sentindo um brilho se aproximando. —Mas esse é


um dos pisos mais caros do mercado e esta é uma casa de 418 metros quadrados.
Por favor, pense no custo.

—Você quer ver meus extratos bancários? —Ele contestou. —Eu lhe
disse, o custo não importa.

—Tudo bem, faça do seu jeito. —Eu me virei para sair, mas meu passo
irritado não era tão rápido quanto ele.

—Ei. —Ele colocou uma mão no meu quadril e me virou para encará-lo. —
Esta casa é para nós. Era para ser uma surpresa.

Minha raiva evaporou num instante, substituída pela descrença.

234
—O que? Você está…? Para nós?

Ele assentiu, um brilho de felicidade esperançosa em seus brilhantes


olhos verdes. —Nós já estamos vivendo juntos. E como vamos nos casar em dois
meses, eu pensei... que seria um bom presente de casamento.

Meus olhos se encheram de lágrimas quando olhei ao redor da enorme e


linda casa com outros olhos. —É para Danny. As rampas e o elevador.

—Sim. Mesmo que ele esteja se mudando para a casa do grupo de apoio,
vamos querer ele aqui todos os fins de semana. E você sabe. Quem sabe o que o
futuro nos reserva? Nós sempre podemos trazê-lo de volta para ficar com a gente
e nossa casa estará pronta.

Eu me atirei nele, pressionando meu corpo contra o dele, enquanto eu o


apertava tão forte quanto os braços permitiam.

—Eu te amo. Você é tão incrível.

Chorei contra o peito dele, dominada pela emoção. Esta casa era quatro
vezes maior do que o meu pequeno bangalô de dois quartos e dez vezes mais
agradável, mas não era isso que me trouxe isso. Brady investiu completamente
em nossa pequena família. Sua devoção a mim e Danny nunca havia vacilado.

—Eu também te amo. —Ele disse, pressionando sua bochecha até o topo
da minha cabeça. —Então você gosta? Não está muito longe da cidade para você?

Eu balancei a cabeça e enxuguei as bochechas. —Está perfeito. Danny vai


adorar.

—Eu cheguei perto de te contar tantas vezes. É uma espécie de alívio que
você sabe agora.

Olhei para o loft aberto do quarto, que Brady ainda precisava montar a
grade. —Esse é o nosso quarto?

—Sim. Encontrei uma grade com painéis de vidro para colocar ali e na
escada. Eu não quero nenhuma abertura, porque, você sabe... crianças, talvez,
algum dia.

235
Ele me deu um olhar esperançoso que derreteu meu coração. —Eu
definitivamente quero isso. —Eu disse. Minhas bochechas aqueceram enquanto
eu me lembrava de algo e ri.

—O quê? —Ele perguntou.

—Eu só estava pensando quando nós... você sabe, batizamos a casa uma
vez contra a parede no banheiro... eu sentia como se ela fosse nossa.

—Muitos lugares para batizar. —Ele disse, me dando um olhar da cabeça


aos pés. —Nós poderíamos começar com nosso futuro quarto.

Coloquei meus braços em volta do pescoço, envolvendo minhas pernas


ao redor da cintura quando ele colocou as mãos na minha bunda para me pegar.

—Nós poderíamos. —Eu disse contra seus lábios. —Na verdade, acho que
deveríamos.

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Epílogo

Palmer

A risada profunda e despreocupada de meu irmão sempre foi meu som


favorito no mundo, mas agora eu tinha um novo. Nunca cansava de ouvir sua
risada misturada com as risadas de diversão de minha filha de dois anos.

—Tio Danny! — Ela gritou, rindo enquanto suas perninhas gordas a


levavam para longe dele. —Atrás de mim.

E ele ia, rodando depois dela ao redor do círculo aberto da nossa sala, e
para a entrada da cozinha pela décima quinta vez. Este tinha sido seu jogo
favorito desde antes de Elle começar a andar. Ela engatinhou, chiando de prazer
enquanto ele a seguia.
A mãe de Brady estava olhando da ilha da cozinha, sorrindo para a neta.
Com pequenas tranças pretas e olhos verdes brilhantes, Elle tinha os dois avós na
palma da mãozinha.
—Devo esperar para almoçar? —Perguntou minha sogra, arqueando sua
sobrancelha. Ela já estava ocupada preparando a nossa refeição anual de Ação de
Graças de amanhã, e pensei que Brady e Tucker deveriam se contentar com os
restos na geladeira quando voltassem. Mas isso era o que Marie adorava fazer,
cuidar dos homens dela.
Eu estava prestes a responder quando Brady abriu a porta, seu sorriso
largo fazendo meu coração acelerar. Ele estava vestido com roupas de trabalho
para este rápido passeio invernal com seu pai, e sua aparência robusta me fez
querer fugir com ele e aquecer o frio e rubor de suas bochechas.
—É a nossa melhor. —Ele disse com orgulho. Danny e Elle vieram assistir
quando Brady e Tucker levaram a gigante árvore de Natal que eles derrubaram na
floresta.

237
—A árvore de Rockefeller não é páreo para essa. —Tucker disse se
esforçando sob o peso da enorme árvore.

O teto abobadado em nossa casa nos permitia colocar uma árvore de


Natal ridiculamente grande a cada ano, e nós parecíamos ter um concurso para
ter cada ano uma mais alta do que a anterior.

—Isso é bonito. —Murmurei, me aproximando. —Posso ajudar?

Brady me deu um olhar de cautela quando me aproximei e eu parei,


colocando uma mão sobre meu estômago. Eu estava acabando meu primeiro
trimestre de gravidez com nosso segundo bebê, e ele estava cuidando de mim da
mesma forma que ele tinha cuidado quando esperava Elle. Isso significava não
levantar nada, nenhum trabalho doméstico e muitas massagens.

Fiquei feliz em imergir de tudo. Até esta semana, estive cansada e


enjoada com essa gravidez. Foi uma das razões pelas quais Tucker e Marie
estavam conosco agora, para ajudar com Danny e Elle.

Brady e Tucker tiraram seus casacos e começaram a arrumar a árvore.

—Papai! —Ela gritou, puxando o jeans dele. —Árvore! Olhe para a árvore!

Ele a colocou em seus braços para um olhar mais atento. —Você gosta,
princesa?

Ela envolveu seus braços em volta do pescoço dele e gritou. —Sim!

—O que você acha, Danny? —Marie perguntou, colocando um braço ao


redor de seus ombros.

—Bom. —Ele disse, olhando para a árvore com uma expressão


impressionada.

A palavra me encheu de emoção da cabeça aos pés. Era assim que eu me


sentia agora. A vida era tão boa. Eu tinha uma pontada de saudade de minha
mãe. Ela teria amado a neta que tinha o nome dela. Meu negócio estava indo
bem, e Brady estava indo excepcionalmente bem. Nós tínhamos os meios para
dar a mamãe à ajuda que ela merecia para que pudesse desfrutar de sua família.

238
Mas não era para ser assim. Eu esperava que ela pudesse nos ver agora.
Ver Danny e eu cercados por nossa família e isso a faria tão feliz.

Com a árvore de pé, finalmente, Brady veio e envolveu seus braços em


minha volta, puxando-me contra ele. Sua camisa estava úmida de suor e seu
cheiro amadeirado era mais forte do que o habitual depois de sua batalha com
um pinheiro de quatro metros de altura.

—Gostou? —Perguntou-me suavemente.

—Eu amei. —Suspirei alegremente. —Você vai acender o fogo e se sentar


no sofá comigo?

—Vou acender o fogo. —Tucker disse sorrindo para nós enquanto nos
olhava. Ele reconstruiu seus negócios e, mais importante, seu relacionamento
com sua família após sair da prisão. Mas eu ainda sentia que ele não tinha isso
como garantido.

Quando Brady sentou-se no nosso grande sofá de couro e me puxou para


o seu colo, eu também tive o mesmo sentimento. A vida era frágil. E meu ano
longe de Brady, me mostrou o quanto era difícil ficar sozinho.

Senti-me a caminho de um sono caloroso e feliz nos braços de Brady,


embalada pela subida e descida do seu peito. Como eu pude um dia ter me
convencido de que eu não precisava disso? Ele era a outra metade do meu
coração. A vida nos traria altos e baixos, mas juntos, passaríamos por eles e
chegaríamos mais fortes do outro lado.

FIM

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