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Notas de RN

O documento aborda conceitos fundamentais de análise em Rn, incluindo definições de norma, produto interno e equivalência de normas. Exemplos práticos são fornecidos para ilustrar diferentes normas e suas propriedades, além de discutir a convergência de sequências e a existência de subsequências convergentes em espaços limitados. O texto também explora a independência do conceito de limite e convergência em relação à norma utilizada.

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Notas de RN

O documento aborda conceitos fundamentais de análise em Rn, incluindo definições de norma, produto interno e equivalência de normas. Exemplos práticos são fornecidos para ilustrar diferentes normas e suas propriedades, além de discutir a convergência de sequências e a existência de subsequências convergentes em espaços limitados. O texto também explora a independência do conceito de limite e convergência em relação à norma utilizada.

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Análise no Rn - Aula 5

25 de março de 2026

Definição 1. Seja V um R-espaço vetorial. Uma norma em V é uma função


∥ · ∥ : V −→ R tal que

(i) ∥v∥ ≥ 0, para todo v ∈ V ;

(ii) ∥u + v∥ ≤ ∥u∥ + ∥v∥, para todos u, v ∈ V ;

(iii) ∥tu∥ ≤ |t|∥u∥, para todos t ∈ R, u ∈ V.

Exemplo 1. Seja V = Rn . Os seguintes itens apresentam algumas normas


neste espaço:

• ∥x∥22 = x2i ;
Pn
i=1

• ∥x∥1 =
Pn
i=1 |xi |;

• ∥x∥∞ = max {|xi |};


1≤i≤n

• ∥x∥pp = |xi |p , p ∈ [1, +∞).


Pn
i=1
q
• ∥A∥ = tr(AAT ), onde A ∈ Mm×n (R) e tr(AAT ) é o traço do produto
de A pela sua transposta AT .

Definição 2. Um produto interno num R-espaço vetorial V é uma aplicação


⟨·, ·⟩ : V 2 −→ R bilinear, simétrica e definida positiva, isto é:

(i) ⟨u, v + w⟩ = ⟨u, v⟩ + ⟨u, w⟩;

(ii) ⟨u, v⟩ = ⟨v, u⟩;

(iii) ⟨λu, v⟩ = λ⟨u, v⟩;

(iv) ⟨u, u⟩ ≥ 0 para todo u ∈ V e ⟨u, u⟩ = 0 ⇔ u = 0.

1
Exemplo 2. Seja V = Rn . ⟨x, y⟩ = ni=1 xi yi é um produto interno e em
P

particular ⟨x, x⟩ = ∥x∥22 . Se V = Mm×n (R), ⟨A, B⟩ = tr(AB T ) é um produto


interno.
Definição 3. Duas normas ∥ · ∥α , ∥ · ∥β em Rn são equivalentes se existem
A, B > 0 tais que
A∥x∥α ≤ ∥x∥β ≤ B∥x∥α
para todo x ∈ Rn .
Exercício 1. Mostre que a equivalência de normas é uma relação de equi-
valência (reflexiva, transitiva, simétrica).
Exemplo 3.
n n  2
∥x∥22 = |xi |2 ≤ max {|xi |} = n∥x∥2∞ .
X X
1≤i≤n
i=1 i=1
 2
Por outro lado, = max |xi | |xi |2 = ∥x∥22 .
Pn
∥x∥2∞ ≤ i=1
1≤i≤n
Donde vale
∥x∥2∞ ≤ ∥x∥22 ≤ n∥x∥2∞
Consequentemente, ∥ · ∥∞ e ∥ · ∥2 são equivalentes.
Definição 4. Uma sequência em Rn é uma função x : N −→ Rn . Uma
subsequência de (xk ) é a restrição de x a um subconjunto N ⊂ N infinito.
Diremos que uma sequência converge em (Rn , ∥ · ∥) se existir L ∈ Rn tal que
dado ε > 0 existe n0 ∈ N de forma que
n > n0 ⇒ ∥xk − L∥ < ε.
Proposição 1. Seja (xk ) ⊆ (Rn , ∥·∥∞ ), xk = (x1k , · · · , xnk ). (xk ) converge em
(Rn , ∥·∥∞ ) se, e somente se (xjk ) ⊆ (R, |·|) converge para cada j = 1, 2, . . . , n,
onde | · | é a norma usual em R, dada pelo módulo.
Demonstração. Suponha que (xk ) converge para L. Então dado ε > 0 existe
n0 ∈ N tal que
n > n0 ⇒ ∥xk − L∥∞ = max {|xjk − Lj |} < ε.
1≤j≤n

Consequentemente, como |xjk − Lj | ≤ ∥xk − L∥∞ < ε, então (xjk ) ⊆ (R, ∥ · ∥)


converge para cada j. Suponha agora que este seja o caso, isto é, dado ε > 0,
existe kj ∈ N tal que k > kj ⇒ |xjk − Lj | < ε. Tome k0 = max {kj }.
1≤j≤n
Desta forma, |xjk − Lj | < ε para todo j, e em particular, max |xjk − Lj | =
1≤j≤n
∥xk − L∥∞ < ε.

2
Proposição 2. Se (xn ) ⊆ (Rn , ∥ · ∥) converge, seu limite é único.

Demonstração. Sejam L1 = n→∞


lim xn , L2 = n→∞
lim xn . Dado ε > 0, existem
n1 , n2 tais que
ε
n > n1 ⇒ ∥x − L1 ∥ < (1)
2
ε
n > n2 ⇒ ∥x − L2 ∥ < (2)
2
Pondo n0 = max{n1 , n2 }, por (1) e (2) temos:
ε ε
+ = ε > ∥x − L1 ∥ + |L2 − x∥ ≥ ∥L1 − L2 ∥
2 2
Isto é, ∥L1 − L2 ∥ = 0, donde L1 = L2 .

Sendo x ∈ Rn , e considerando uma base {ei }ni=1 , temos:


n n n
∥x∥ = max |xi | ∥ei ∥ = A∥x∥∞
X X X
xi ei ≤ ∥xi ei ∥ ≤
1≤i≤n
i=1 i=1 i=1

Onde A = ni=1 ∥ei ∥ . Concluímos que a norma do máximo limita qualquer


P

norma em Rn , e consequentemente:

Proposição 3. Se xn −→ x em (Rn , ∥ · ∥∞ ) então xn −→ x em (Rn , ∥ · ∥),


qualquer que seja ∥ · ∥.

Exercício 2. Escreva os detalhes da prova da proposição acima.

Definição 5. Seja A ⊂ Rn . A é limitado se existe uma constante α > 0 tal


que ∥x∥ ≤ α, para todo x ∈ A. Uma sequência é limitada se o conjunto de
seus termos é limitado.

Teorema 1. Seja (xk ) ⊂ R limitada. Então, (xk ) possui uma subsequência


convergente.

Demonstração. Chamamos xp ∈ (xk )k∈N de termo destacado se xp ≥ xi ,


para todo i > p. Dada a sequência (xk )k∈N , existem duas possibilidades: ou
existem infinitos termos destacados ou finitos (podendo não haver nenhum,
neste último caso). No primeiro caso, tome um termo destacado xk1 . Como
existem infinitos destes, existe um termo destacado xk2 , k2 > k1 , e sendo
xk1 destacado, temos xk1 ≥ xk2 . Continuando desta forma, obtemos uma
subsequência (xki )i∈N tal que

xk1 ≥ xk2 ≥ · · · ≥ xki ≥ · · ·

3
(xki )i∈N é monótona, limitada, e portanto convergente. Por outro lado, se
existem apenas uma quantidade finita de termos destacados, seja xp o termo
destacado de maior índice. Sabemos então que yk1 = xp+1 não é destacado, ou
seja, existe yk2 ∈ (xk )k∈N tal que yk1 ≤ yk2 . Como este último também não é
destacado, existe ainda yk3 ∈ (xk )k∈N tal que yk1 ≤ yk2 ≤ yk3 , e prosseguindo
desta forma, obtemos uma subsequência (yki )i∈N monótona não-decrescente,
limitada, e logo convergente.

Proposição 4. Seja (xk )k∈N ⊆ (Rn , ∥ · ∥∞ ) limitada. Então (xn )k∈N possui
uma subsequência convergente.

Demonstração. Seja (xk )k∈N ⊆ Rn , xk = (x1k , x2k , · · · , xnk ), e M ≥ ∥xk ∥∞ ,


para todo k ∈ N. Então

|xik | ≤ max {|xik |} = ∥xk ∥∞ ≤ M


1≤i≤n

Donde a sequência (xik )k∈N ⊆ (R, | · |) é limitada. Pelo Teorema 1, ela


admite uma subsequência convergente. Isto é, existe um subconjunto infinito
N1 ⊂ N e a1 ∈ R tais que lim x1k = a1 . Existem ainda um subconjunto
k∈N1
infinito N2 ⊂ N1 e a2 ∈ R tais que lim x2k = a2 . Prosseguindo desta maneira,
k∈N2
obtemos subconjuntos N ⊃ N1 ⊃ N2 ⊃ · · · ⊃ Nn infinitos tais que lim xik =
k∈Ni
ai . Ponhemos a = (a1 , · · · , an ). Como para cada k ∈ Nn xik −→ ai , então
lim xk = a. Logo, (xk )kßN possui uma subsequência convergente.
k∈Nn

Teorema 2. Sejam ∥ · ∥α , ∥ · ∥β normas em Rn . Então existem constantes


A, B > 0 tais que ∥ · ∥α ≤ A∥ · ∥β e ∥ · ∥β ≤ B∥ · ∥α . Isto é: todas as normas
em Rn são equivalentes.

Demonstração. Seja (R, ∥ · ∥) espaço normado. Basta mostrar que ∥ · ∥ é


equivalente a ∥ · ∥∞ , pois a equivalência de normas é uma relação de equiva-
lência. Já mostramos que existe A > 0 tal que A1 ∥ · ∥ ≤ ∥ · ∥∞ . Suponha por
absurdo que não exista uma constante B > 0 tal que ∥ · ∥∞ ≤ A∥ · ∥. Isto é,
dado k ∈ N existe xk ∈ Rn tal que k∥xk ∥ < ∥xk ∥∞ . Daí, ∥x∥xkk∥∥∞ < k1 . Ponha
uk := xk
∥xk ∥∞
, de forma que ∥uk ∥∞ = ∥xk ∥∞
∥xk ∥∞
= 1. Pela proposição 4, existe uma
∥·∥∞
subsequência (uki ) de (uk ) e u ∈ Rn tal que uki −→ u. Consequentemente,
∥·∥ ∥·∥
pela proposição 3, uki −→ u. Mas ∥uki ∥ < k1i , e logo ∥uki ∥ −→ 0, donde
u = 0, o que contradiz ∥uki ∥∞ = 1, para todo i. Absurdo! Logo, existe A > 0
tal que ∥ · ∥∞ ≤ B∥ · ∥, donde todas as normas em Rn são equivalentes.

Proposição 5. Limite e convergência independem da norma em Rn .

4
∥·∥
Demonstração. Suponha xk −→ x, isto é, dado ε > 0 existe n0 ∈ N tal que
ε
n > n0 ⇒ ∥xk − x∥ <
A
onde A é tal q que ∥ · ∥∞ ≤ A∥ · ∥. Este A existe pelo teorema 2. Daí,
∥xk − x∥∞ ≤ A∥xk − x∥ < a Aε = ε. Concluímos que (xk )k∈N converge para x
em (Rn , ∥ · ∥∞ ), e pela proposição 3, o mesmo acontece para qualquer outra
norma em Rn .

Como corolário, estendemos a proposição 4 a qualquer norma em Rn :

Teorema 3 (Bolzano-Weierstrass). Seja (xk ) ⊆ (Rn , ∥ · ∥) limitada. Então


(xn ) possui uma subsequência convergente.

Seja (R, ⟨·, ·⟩) espaço com produto interno. Note que ⟨x, x⟩ = x2i =
Pn
i=1
∥x∥2 .

Definição 6 (Conjunto Aberto). Seja X ⊂ Rn . Dizemos que X é um con-


junto aberto se para todo a ∈ X existe δ > 0 tal que B(a; δ) ⊂ X. Equiva-
lentemente, X é um conjunto aberto se para todo a ∈ X existe δ > 0 tal que
∥x − a∥ < δ ⇒ x ∈ X.

Exemplo 4. ∅ é aberto, pois não possui elemento algum. Rn é trivialmente


um conjunto aberto. A bola aberta B(a; r) é de fato aberta: tome b ∈
B(a; r), δ = r − ∥b − a∥, e seja x ∈ B(b; δ). Então

∥x − a∥ ≤ ∥x − b∥ + ∥b − a∥ < δ + ∥b − a∥ = r ⇒ x ∈ B(a; r)

Donde concluímos que , e portanto B(b; δ) ⊂ B(a; r). Logo, B(a; r) é


aberto.

Lema 1. Sejam ∥ · ∥α , ∥ · ∥β normas em Rn , a ∈ Rn e r > 0. Então existe r′


tal que B β (a; r′ ) ⊂ B α (a; r).

Proposição 6. O conceito de conjunto aberto em Rn independe da norma,


isto é, duas normas determinam os mesmos abertos em Rn .

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